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MANUAL de
Os Autores
Chuck Eastman é professor nas faculdades de arquitetura e computação no Georgia Institute of
Technology, Atlanta, e diretor do PhD Prograrn da Faculdade de Arquitetura.
Paul Teicholz, professor emérito da Universidade de Stanford, fundou o Center for Integrated
Facility Engineering (CIFE) na Universidade de Stanford, em 1988, e dirigiu o programa por
10 anos.
Rafael Sacks, professor associado em engenharia estrutural e gestão da construção do Technion-
Israel Institute of Technology, fundou e dirige o Laboratório de BIM no Israel National Building
Research Institute.
Kathleen Liston é consultora de tecnologia e cofundadora de urna empresa de software de
simulação de construção, Cornrnon Point Technologies.

Equipe de tradu~ão:
Cervantes Gonçalves Ayres Filho
Kléos Magalhães Lenz César Júnior
Rita Cristina Ferreira
Sérgio Leal Ferreira

M294 Manual de BIM [recurso eletrônico] : um guia de


modelagem da informação da construção para
arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e
incorporadores/ Chuck Eastrnan ... [et al.] ; [tradução:
Cervantes Gonçalves Ayres Filho ... et al.] ; revisão
técnica: Eduardo Toledo Santos. - Dados eletrônicos. -
Porto Alegre : Bookrnan, 2014.

Editado também corno livro impresso em 2014.


ISBN 978-85-8260-118-1

1. Arquitetura - Representação gráfica. 2. Modelagem


da informação da construção. 1. Eastrnan, Chuck. II. Título.

CDU 72.012(035)

Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus - CRB 10/ 2052


CHUCH PAUL RAFAEL HA1HLEEN
EASTMAN TElCHOLZ SACHS LlSTON

MANUAL de

UM GUIA DE MODELAGEM DA INFORMAÇÃO DA CONSTRUÇÃO PARA ARQU ITETOS,


ENGENHEIROS, GERENTES, CONSTRUTORES E INCORPORADORES

Revisão técnica
Eduardo Toledo Santos
Professor Doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo
Coordenador do GT Componentes BIM da Comissão Especial de
Estudos sobre BIM (CEE-134) daABNT

Versão impressa
desta obra: 201 4

2014
Obra originalmente publicada sob o título
BIM Handbook: A Guide to Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers,
Engineers and Contractors
ISBN 9780470185285

Copyright © 2008 by John Wiley & Sons, Inc. All Rights Reserved.
This translation published under license.

Gerente editorial: Arysinha Jacques Affonso

Colaboraram nesta edição:

Coordenadora editorial: Denise Weber Nowaczyk

Capa: Márcio Montice/li (arte sobre capa original)

Preparação de originais: Aline Grodt

Leitura final: Renata Ramisch

Editoração: Techbooks

Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à


BOOKMAN EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A.
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana
90040-340- Porto Alegre- RS
Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070
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E proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer


formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web
e outros), sem permissão expressa da Editora.

Unidade São Paulo


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IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Apresentação

Nos últimos anos, tanto o conceito quanto a nomenclatura que hoje conhecemos como
BIM - ou Building Information Models e Building Information Modeling- envolveram-
-se consideravelmente com o conhecimento profissional e a indústria para justificar um
manual. O resultado é este livro, que atende totalmente aos requisitos esperados de um
manual, tanto em relação à amplitude da cobertura como à profundidade da exposição.
No entanto, nem o conceito nem a nomenclatura do BIM são novos - não datam
de 2007, de 2002 ou de 1997. Os conceitos, as abordagens e as metodologias que hoje se
identificam como BIM têm cerca de trinta anos, e a terminologia do Building Information
Model está em circulação há pelo menos quinze anos. A seguir, faço um breve apanhado da
história do BIM; peço desculpas àqueles cujas contribuições eu possa involuntariamente
ter menosprezado.
O exemplo mais antigo documentado que encontrei sobre o conceito que conhece-
mos como BIM foi um protótipo de trabalho, o "Building Description System", publicado
no extinto /ornai AIA por Charles M. "Chuck" Eastman, nessa época, na Universidade de
Carnegie-Mellon, 1975. O trabalho de Chuck incluiu noções BIM, agora comuns, como:

[Projetado por] " ... definir elementos de forma interativa ... deriva[ndo] seções, planos
isométricos ou perspectivas de uma mesma descrição de elementos ... Qualquer
mudança no arranjo teria que ser feita apenas uma vez para todos os desenhos
futuros. Todos os desenhos derivados da mesma disposição de elementos seriam
automaticamente consistentes ... qualquer tipo de análise quantitativa poderia
ser ligada diretamente à descrição ... estimativas de custos ou quantidades de
material poderiam ser facilmente geradas ... fornecendo um único banco de dados
integrado para análises visuais e quantitativas ... verificação de código de edificações
automatizado na prefeitura ou no escritório do arquiteto. Empreiteiros de grandes
projetos podem achar esta representação vantajosa para a programação e para os
pedidos de materiais." (Eastman, 1975)

Pesquisa e desenvolvimento comparáveis foram realizados ao longo dos anos 1970 e


início de 1980 na Europa, especialmente no Reino Unido, em conjunto com os primeiros
esforços de comercialização dessa tecnologia (veja a seguir). Durante o início da década
de 1980, este método ou abordagem foi mais comumente descrito nos Estados Unidos
vi Apresentação

como "Building Product Models" (Modelos de Produtos da Construção) e na Europa, es-


pecialmente na Finlândia, como "Product Information Models" (Modelos de Informações
do Produto) (foi usado o termo "produto" para distinguir essa abordagem dos modelos de
"processo"). O próximo passo lógico na evolução da nomenclatura foi decompor o termo
duplicado para "produto": "Building Product Model" + "Product Information Model" se
fundem em "Building Information Model" (Modelo da Informação da Construção). Em-
bora o alemão Baulnforrnatik possa ser traduzido dessa forma, seu significado mais usual
está relacionado à aplicação geral de tecnologia da computação e informação (information
and computer technology- ICT) para a construção. Entretanto, o holandês Gebouwmodel
foi usado ocasionalmente dos meados ao final de 1980, em um contexto que, sem dúvida,
poderia ser traduzido para o inglês como Building Information Model no lugar da tradução
literal "Modelo da Construção".
O primeiro uso documentado do termo Building Modeling, em inglês, - no sentido
em que é usado hoje - foi no título de um artigo de 1986 de Robert Aish, então com a
GMW Computers Ltd., fabricante do lendário sistema de software RUCAPS. Aish, que
está hoje com Bentley Systems, estabelece nesse artigo todos os argumentos para o que
hoje conhecemos como BIM e a tecnologia para implementá-lo, incluindo modelagem
30, extração de desenho automático, componentes inteligentes paramétricos, bancos de
dados relacionais, faseamento temporal dos processos de construção e assim por diante
(Aish 1986). Aish ilustrou esses conceitos com um estudo de caso aplicando o sistema de
modelagem de edifício RUCAPS para a renovação gradual do Terminal 3 do Aeroporto
de Heathrow, em Londres (há, na minha opinião, um pouco de ironia histórica no fato
de que, aproximadamente vinte anos depois, a construção do Terminal 5 em Heathrow
frequentemente seja citada como um dos exemplos de casos "pioneiros" dessa tecnologia).
De "Modelo da Construção" tornou-se Building Information Model, para o qual o
primeiro uso documentado em inglês apareceu em um artigo de G .A. van Nederveen e
F. Tolman em dezembro 1992: Automation in Construction . (van Nederveen & Tolman,
1992).
Assim como a nomenclatura e os esforços de P&D centrados no meio acadêmico,
os produtos comerciais que implementavam a abordagem BIM (sob qualquer dos apelidos
comerciais na época) também têm uma longa história. Muitas das funções do software e
dos comportamentos atribuídos à geração atual das ferramentas de modelo padrão, como
Allplan, ArchiCAD, Autodesk Revit, Bentley Building, DigitalProject ou VectorWorks, tam-
bém foram os objetivos de projeto de esforços iniciais de software comercial, como: a
versão britânica do RUCAPS (citado acima) para Sonata e Reflex; outra versão britânica
do Oxsys para BDS e GDS (este último ainda está disponível como MicroGDS); uma
versão francesa, que incluiu Cheops e Architrion (o espírito que vive em BOA); Brics (um
sistema Belga que forneceu a principal tecnologia para Bentley's Triforma), o sistema de
modelagem da companhia americana Bausch & Lomb (1984); os esforços de Intergraph
com Master Architect, além de muitos outros.
Assim, considerando minha primeira tentativa de popularizar o termo (Laiserin,
2002) e torná-lo consensual entre os fornecedores (Laiserin, 2003), a nomenclatura-base
de Building Information Modeling já havia sido criada há pelo menos dez anos, e seu con-
ceito estabelecido mais de quinze anos antes (com inúmeras demonstrações ao longo do
caminho, principalmente nos esforços finlandeses que culminaram no Projeto Vera por
Tekes, a Agência Nacional de Tecnologia da Finlândia).
Este livro, como seria de esperar de qualquer obra escrita por vários autores, contém
mais de uma definição de BIM - de orientado a processo a orientado a produto e da prática
do construtor a uma definição de BIM pelo que não é BIM. Permitam-me acrescentar ainda
mais duas definições minhas: uma, mais ampla e analítica do que o assunto abordado neste
manual, e outra, mais simples e funcional do que o método do manual.
••
Apresentação VII

A definição mais ampla de BIM como processo é totalmente independente de soft-


ware para a implementação e, portanto, fora do escopo deste livro. Dessa forma, apresen-
to apenas citações (Laiserin, 2005, 2007). No entanto, o campo do software comercial
"BIM-ready" ou "BIM worthy" para projeto e análise tem ampliado e amadurecido tanto
desde a década passada, que acredito que agora é possível e vale a pena propor alguns
princípios rápidos e práticos para a qualificação de aplicações de BIM. Para isso, sugiro o
seguinte: que a certificação IFC (pela International Alliance for Interoperability, IAI e/ ou
a iniciativa buildingSMART) seja considerada uma condição relevante, mas não necessá-
ria, do "BIM-ness" para qualquer projeto, análise ou software colaborativo. A certificação
IFC pode ser complementada, conforme necessário, por requisitos locais, como suporte
para o objeto espacial GSA ou em conformidade com a Norma Nacional de BIM nos Esta-
dos Unidos, ou com o Code Checking View (Código de Verificação) IFC em Cingapura. O
ponto é que, embora possa haver vários caminhos para o BIM-ness, muitos dos quais não
precisam ser conduzidos por meio da certificação IFC, com certeza o importante é que
todo o aplicativo de projeto ou de análise certificado por IFC tenha alcançado o requisito
BIM-ness para ser considerado BIM-ready, BIM-worthy ou ainda apenas o simples BIM.
Apesar das distinções semânticas entre as várias definições de BIM, algumas pessoas
trabalham sob a influência de que eu - ou outro fornecedor de software de projeto -
"cunhei" o termo e/ou "originei'', "desenvolvi" ou "introduzi'' o conceito ou a abordagem
por volta do ano 2002. Nunca reivindiquei tal distinção, e acredito que o registro histórico
recém-descrito mostra que a Modelagem da Informação da Construção não foi uma ino-
vação atribuída exclusivamente a algum indivíduo ou entidade.
Em vez de "pai do BIM", como alguns companheiros bem-intencionados, mas en-
tusiasmados em excesso, costumam rotular-me, prefiro o epíteto "padrinho do BIM", no
sentido de que um padrinho é um responsável adulto por uma criança que não é sua. Se
alguém merece o título de "pai do BIM", certamente é Chuck Eastman. De seu pioneiro
sistema protótipo de 1975 a seu texto de 1999, Building Product Models (Eastman, 1999
- que melhor abordou o assunto até a escrita deste manual), Chuck dedicou um quarto de
século para definir os problemas e avançar nas soluções, além de mais uma década conti-
nuando a avançar as fronteiras da Construção, da Informação e da Modelagem.
Em 2005, tive a honra e o privilégio de ser coprodutor e coanfitrião junto a Chuck
(e do programa de doutoramento na Faculdade de Arquitetura, Georgia Institute of Tech-
nology) da primeira conferência acadêmica sobre BIM (Laiserin, 2005). Essa conferência
contou com fornecedores de software de projeto e de análise, bem como com os principais
profissionais da área, como Vladimir Bazjanac, do Lawrence Berkeley National Labora-
tories, e Godfried Augenbroe, da Georgia Tech. Para complementar nossas palestras de
abertura, Chuck e eu tivemos a sorte de participar da conferência de encerramento do
palestrante Paul Teicholz, agora emérito da Stanford University e fundador do Center for
Integrated Facility Engineering (CIFE - o qual se tornou o principal defensor da Virtual
Design and Construction, uma abordagem que considero de ponta na automação BIM) .
A correspondência, após a conferência, entre Paul, Chuck e eu proporcionou o impulso
necessário para este manual.
No decorrer da produção deste manual, Chuck e Paul envolveram mais dois colabo-
radores formidáveis, Rafael Sacks e Kathleen Liston. O trabalho de doutorado de Rafael,
na Technion de Israel, tratou de Construção Integrada por Computador e Modelos de
Dados de Projetos, áreas em que posteriormente colaborou com Chuck Eastman (es-
pecialmente em relação à engenharia estrutural dos sistemas de concreto armado e pré-
-moldado). Enquanto buscava seu doutorado na Stanford/ CIFE, Kathleen foi coautora
de artigos fundamentais sobre simulação de cronograma de obras, ou CAD -4D, e pas-
sou a comercializar essa tecnologia BIM na bem-sucedida startup de software, Common
Point, Inc.
viii Apresentação

Tudo isso nos traz de volta a esta obra. Seria difícil imaginar um quarteto mais bri-
lhante de autores neste campo, ou alguma equipe mais adequada para realizar uma tarefa
como o Manual de BIM. Seu trabalho será reconhecido como definitivo e o mais compe-
tente sobre o assunto durante muitos anos. Agora, coloco o leitor nas mãos competentes
de meus amigos e colegas, Chuck, Paul, Rafael e Kathleen- e seu chef d'ouvre- o Manual
de BIM.

JERRY LAISERIN
WOODBURY, NEWYORK
NOVEMBRO DE 2007

AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer às seguintes pessoas pela generosa assistência em documentar o iní-
cio da história do conceito de BIM e de sua terminologia: Bo-Christer Bjõrk, Hanken Uni-
versity, Finland; Arto Kiviniemi, VTT, Finland; Heikki Kulusjarvi, Solibri, Inc., Finland;
Ghang Lee, Yonsei University, Korea; Robert Lipman, National Institute of Standards and
Technology, USA; Hannu Penttila, Mittaviiva Õy, Finland.

REFERÊNCIAS
Aish, R., 1986, "Building Modelling: The Key to Integrated Construction CAD," CIB 51h
Intemational Symposium on the Use of Computers for Environmental Engineering Re-
lated to Buildings, 7-9 July.
Eastman, C., 1975, "The Use of Computers Instead of Drawings," AIA fournal, March,
Volume 63, Number 3, pp 46-50.
Eastman, C., 1999, Building Product Models: Computer Environments, Supporting Design
and Construction, CRC
Laiserin, J, 2002, "Comparing Pommes and Naranjas," The LaiserinLetter™, December
16, Issue 16, http://www.laiserin.com/features/issue15/featureO1. php
Laiserin, J, 2003, "The BIM Page," The LaiserinLetter™, http://www.laiserin.com/
features/bim/index.php
Laiserin, J, 2005, "Conference on Building Information Modeling: Opportunities,
Challenges, Processes, Deployment," April 19-20, http://www.laiserin.com/
laiserinlive/index. php
Laiserin, J., 2007, "To BIMfinity and Beyond!" Cadalyst, November, Volume 24, Number
11, pp 46-48.
van Nederveen, G.A. & Tolman, F., 1992, "Modelling Multiple Views on Buildings," Auto-
mation in Construction, December, Volume 1, Number 3, pp 215-224.
Prefácio

Este livro trata de uma nova abordagem para o projeto, a construção e o geren-
ciamento de instalações chamada de Modelagem da Informação da Construção
- BIM (Building Information Modeling). Ele fornece um conhecimento profundo
das tecnologias BIM, das questões comerciais e organizacionais associadas à sua
implementação e dos impactos profundos que o uso efetivo do BIM pode propor-
cionar a todos os membros da equipe de projeto. O livro explica como o projeto, a
construção e o funcionamento dos edifícios com o uso do BIM diferem da execução
das mesmas atividades da forma tradicional, seja em papel ou de forma eletrônica.
O BIM está começando a mudar a maneira como vemos os edifícios, como
eles funcionam e as formas de construí-los. Ao longo do livro, usamos de forma
intencional e consistente o termo "BIM" para descrever uma atividade (identifi-
cado como building information modeling) em vez de um objeto (building infor-
mation model). Isso reflete nossa crença de que o BIM não é uma coisa ou um
tipo de software, mas uma atividade humana que envolve mudanças amplas no
processo de construção.

POR QUE UM MANUAL DE BIM


Nossa motivação para escrever este livro foi fornecer uma referência completa e
consolidada a fim de ajudar estudantes e profissionais da indústria da construção
a aprender sobre esta nova e interessante abordagem, sem interesses comerciais
como alguns outros guias têm. Há muitas verdades e mitos nas percepções geral-
mente aceitas a respeito do estado da arte da tecnologia BIM. Esperamos que o
Manual de BIM ajude a reforçar as verdades, a acabar com os mitos e a orientar
nossos leitores para implementações bem-sucedidas. Alguns bem intencionados
tomadores de decisões e profissionais do setor da construção tiveram experiên-
cias de adoção do BIM decepcionantes, pois seus esforços e suas expectativas
estavam baseados em equívocos e planejamento inadequado. Se este livro puder
ajudar os leitores a evitar essas frustrações e custos, já teremos sucesso.
x Prefácio

Os autores são experts em BIM. Acreditamos que o BIM representa uma


mudança de paradigma que trará benefícios de longo alcance, não apenas para
a indústria da construção, mas também para a sociedade em geral, uma vez que
edificações melhores consomem menos energia e exigem menos trabalho e re-
cursos financeiros. Não fazemos afirmações de que o livro é o objetivo, em nossa
opinião, da necessidade de BIM. Ao mesmo tempo, é claro, nos esforçamos para
garantir a precisão e a integridade dos fatos e números apresentados.

PARA QUEM É O MANUAL DE BIM E O QUE HÁ NELE


O Manual de BIM é destinado a desenvolvedores de construção, investidores, ge-
rentes e fiscais, arquitetos, engenheiros de todas as áreas, empreiteiros e constru-
tores, estudantes de arquitetura, engenharia civil e construção civil. Ele analisa a
Modelagem da Informação da Construção e suas tecnologias, seus benefícios po-
tenciais, custos e infraestrutura necessária. Também são discutidas as influências
atuais e futuras do BIM em órgãos reguladores, as práticas jurídicas , associada à
indústria da construção e os fabricantes de produtos de construção. E apresentado
um rico conjunto de estudos de caso e várias ferramentas e tecnologias BIM são
descritas, assim como são explorados os impactos na indústria e na sociedade.
O livro tem quatro seções:

1. Os Capítulos 1, 2 e 3 fornecem uma introdução ao BIM e às tecno-


logias que o suportam. Esses capítulos descrevem o estado atual da
indústria da construção, os potenciais benefícios do BIM, modelagem
paramétrica de edifícios e questões de interoperabilidade.
II. Os Capítulos 4, 5, 6 e 7 fornecem perspectivas de áreas específicas de
BIM. Elas são destinadas a proprietários (Capítulo 4), projetistas de
todos os tipos (Capítulo 5), construtores em geral (Capítulo 6) e su-
bempreiteiros e fabricantes (Capítulo 7) .
III. O Capítulo 8 discute impactos potenciais e tendências futuras associa-
dos ao advento de projeto, construção e operação de edifícios possibi-
litados pelo BIM. São descritas as tendências atuais, extrapolando até
2012, as previsões de potenciais desenvolvimentos a longo prazo e as
pesquisas necessárias para sustentá-los até 2020.
IV. O Capítulo 9 apresenta dez estudos de casos detalhados de BIM na
indústria de projeto e construção que demonstram o seu uso para es-
tudos de viabilidade, projeto conceituai, detalhamento do projeto, es-
timativa, detalhamento, coordenação, planejamento de construção, lo-
gística, operações e muitas outras atividades de construção comuns. Os
estudos de caso incluem edifícios com a assinatura de projetos arqui-
tetônicos e estruturais (como o Centro Aquático Nacional de Pequim,
um projeto de fachada de um edifício em Nova York, na 11 th Avenue,
e o edifício de escritórios do Governo Federal, em San Francisco), bem
como uma vasta gama de edifícios bastante comuns (a planta de produ-
ção da GM, um tribunal federal, um centro médico, a estrutura de um

Prefácio XI

estacionamento, um desenvolvimento misto comercial e de varejo e um


centro de treinamento da guarda costeira) .

COMO USAR O MANUAL DE BIM


Os leitores poderão recorrer a este manual sempre que se depararem com novos
termos e ideias relacionadas ao BIM no decorrer de seu trabalho ou estudo. A
primeira leitura completa, embora não seja a mais importante, evidentemente é a
melhor maneira de compreender com mais profundidade as mudanças significa-
tivas que o BIM está trazendo para a indústria da construção.
A primeira seção (Capítulos 1 a 3) é recomendada para todos os leitores.
Proporciona uma base para o contexto comercial e as tecnologias para BIM. O
Capítulo 1 apresenta muitos dos benefícios potenciais que podem ser esperados.
Primeiro, descreve as atuais dificuldades inerentes à prática no setor da constru-
ção nos Estados Unidos, sua associada baixa produtividade e seus custos altos.
Trata de várias abordagens para a construção de aquisição, como o tradicional
design-bid-build (projeto-concorrência-contrução), design-build (projeto e cons-
trução), entre outros, descrevendo os prós e contras de cada um em termos dos
benefícios decorrentes da utilização do BIM. O Capítulo 2 detalha as fundações
tecnológicas do BIM, em particular modelagem paramétrica e orientada a obje-
tos. A história dessas tecnologias e seu atual estado da arte são especificadas. Em
seguida, analisa as principais plataformas de aplicações comerciais para a geração
de modelos da informações da construção. O Capítulo 3 trata das complexidades
da interoperabilidade, discutindo como as informações da construção podem ser
transmitidas e compartilhadas de profissão para profissão e de aplicação para
aplicação. As normas pertinentes, como IFC (lndustry Foundation Classes) e
BIM Padrões Nacionais dos EUA são tratadas, em detalhes. Os Capítulos 2 e 3
também podem ser utilizados como uma referência aos aspectos técnicos de mo-
delagem paramétrica e interoperabilidade.
Os leitores que desejem obter informações específicas sobre como eles po-
dem adotar e implementar BIM em suas empresas podem encontrar os detalhes
necessários no capítulo relevante para a sua profissão nos Capítulos 4 a 7. Você
pode querer ler o capítulo mais próximo da sua área de interesse e, em seguida,
apenas os resumos de cada um dos outros Capítulos. Há alguns itens em co-
mum nesses capítulos, onde as questões são relevantes para várias profissões (por
exemplo, subcontratantes encontrarão informações relevantes nos capítulos 6 e
7). Esses capítulos fazem referências frequentes para o conjunto de estudos de
caso detalhados disponíveis no Capítulo 9.
Aqueles que desejarem aprender a respeito das implicações tecnológicas de
longo prazo, econômicas, organizacionais, sociais e profissionais do BIM e de
que maneira elas podem afetar a sua vida educacional ou profissional, irá encon-
trar uma ampla discussão dessas questões no Capítulo 8.
Cada estudo de caso do Capítulo 9 conta uma história sobre as experiências
dos diferentes profissionais que utilizam o BIM em seus projetos. Nenhum estudo
de caso representa uma implementação completa ou abrange todo o ciclo de vida
do edifício. Na maioria dos casos, a construção não ficou completa quando o es-
xii Prefácio

tudo foi escrito. Mas, em conjunto, eles pintam um retrato da diversidade de usos
e os benefícios e os problemas que essas empresas pioneiras já experimentaram.
Eles ilustram o que pode ser obtido com a tecnologia BIM que existia no início do
século XXI. Há muitas lições aprendidas que podem dar assistência aos nossos
leitores e práticas para se guiarem em esforços futuros.
Incentivamos os alunos e professores a fazer uso das questões para discus-
são e dos exercícios fornecidos no final de cada capítulo.

AGRADECIMENTOS
Certamente, estamos em dívida em primeiro lugar com as nossas famílias, que
têm suportado todo o peso do longo tempo investido neste livro.
Nossos agradecimentos e reconhecimentos pelo trabalho altamente profis-
sional são a Lauren Poplawski e Kathryn Bourgoine, nossas representantes edito-
riais na John Wiley and Sons.
Nossa pesquisa para o livro foi muito facilitada por inúmeros construto-
res, projetistas e proprietários, representantes de empresas de software e agências
governamentais; agradecemos a todos eles com sinceridade. Cinco dos estudos
de caso foram originalmente elaborados por estudantes de pós-graduação na Fa-
culdade de Arquitetura da Georgia Tech. Agradecemos a eles e aos seus esforços
no final de cada estudo de caso relevante. Os estudos de casos foram possíveis
por causa das contribuições muito generosas dos participantes do projeto que se
correspondiam conosco extensivamente e compartilhavam seus conhecimentos e
-
percepçoes.
Por fim, somos gratos a Lachmi Khemlani pelo seu prefácio esclarecedor
nesta edição e por suas contribuições significativas para BIM, refletida em sua
publicação de AECbytes. Finalmente, estamos agradecidos a Jerry Laiserin pelo
seu prefácio esclarecedor na primeira edição e por ajudar a iniciar a ideia original
para o Manual de BIM.
Sumário

Capítulo 1 Introdução ao manual de BIM 1


l .O Sumário executivo l
l .l Introdução l
l .2 O atual modelo de negócios da
indústria da construção 2
l .3 Ineficiências documentadas das
abordagens tradicionais 8
l .4 BIM: novas ferramentas e novos processos 12
l .5 O que não é tecnologia BIM 15
l .6 Quais são os benefícios do BIM? Quais
problemas surgem com ele? 16
l .7 Quais desafios podem ser esperados? 21
l .8 Futuro do projeto e construção com o BIM
(capítulo 8) 23
l. 9 Estudos de caso (capítulo 9) 23

Capítulo 2 Ferramentas BIM e modelagem paramétrica 25


2.0 Sumário executivo 25
2. l História da tecnologia de modelagem
da construção 26
2.2 As variadas capacidades dos modeladores
, .
para metr1cos 44
2.3 Visão geral dos principais sistemas de
geração de modelos BIM 54
2.4 Conclusão 63
xiv Sumário

Capítulo 3 Interoperabilidade 65
3.0 Sumário executivo 65
3.1 Introdução 66
3.2 Diferentes tipos de formatos de intercâmbio 67
3.3 Informação básica sobre modelos de dados
de produtos 70
3.4 Esquemas XML 85
3.5 Formatos portáveis baseados na web:
DWF e PDF 87
3.6 Intercâmbio de dados versus repositórios de
modelos da construção 88
3.7 Sumário 90

Capítulo 4 BIM poro proprietários e gerentes de instalações 93


4.0 Sumário executivo 93
4.1 Introdução: por que proprietários devem se
interessar
,
pelo BIM 94
4.2 Areas de aplicação do BIM para proprietários 96
4.3 Tipos de proprietários: por que, com que
frequência e onde eles constroem 112
4.4 Como proprietários constroem 116
4.5 Guia de ferramentas BIM para proprietários 121
4.6 Um modelo de edifício para proprietários
e gerentes de facilidades 131
4.7 Conduzindo a implementação do BIM em
um projeto 133
4.8 Barreiras à implementação do BIM:
riscos e mitos comuns 141
4.9 Orientações e questões a serem consideradas
por proprietários ao adotarem BIM 145

Capítulo 5 BIM poro arquitetos e engenheiros 148


5.0 Sumário executivo 148
5.1 Introdução 149
5.2 Escopo dos serviços de projeto 152
5.3 Uso do BIM no processo de elaboração
de projetos 155
5.4 Modelos de elementos do edifício e bibliotecas 189
5.5 Considerações na adoção para a prática
de projeto 195
Sumário XV

5.6 Contratação e alteração de pessoal nas


firmas de projeto 200
5.7 Novas oportunidades contratuais em projeto 202

Capítulo 6 BIM para a indústria da construção 205


6.0 Sumário executivo 205
6. l Introdução 206
6.2 Tipos de firmas de construção 207
6.3 Quais informações os construtores querem
do BIM 210
6.4 Processos para desenvolver um modelo da
informação da construção para um construtor 21 l
6.5 Redução de erros de projeto usando detecção
de interferências 214
6.6 Levantamento de quantitativos e estimativa
de custos 216
6.7 Aná lise e planejamento da construção 222
6.8 Integração com controle de custos e
programação, e outras funções gerenciais 233
6. 9 Uso para a fabricação fora do canteiro 234
6.1 O O uso do BIM no canteiro: verificação,
diretrizes e acompanhamento de
atividades da construção 235
6. l l Implicações para contratos e mudanças
organizacionais 237
6.12 Implementação do BIM 238

Capítulo 7 BIM para subempreiteiros e fabricantes 241


7.0 Sumário executivo 241
7.1 Introdução 242
7.2 Tipos de subempreiteiros e fabricantes 243
7.3 Os benefícios de um processo BIM para
fabricantes subempreiteiros 246
7.4 Processo de mudança para o BIM 258
7.5 Requisitos genéricos do sistema BIM para
fabricantes 261
7.6 Principais classes de fabricantes e
suas necessidades específicas 265
7.7 Adoção do BIM em operação de fabricação 274
7.8 Conclusão 279
xvi Sumário

Capítulo 8 O futuro: construindo com BIM 281


8.0 Sumário executivo 281
8.1 Introdução 282
8.2 O desenvolvimento do BIM até 2007 283
8.3 Tendências atuais 284
8.4 Visão 2012 288
8.5 Impulsionadores de mudanças e impactos
do BIM até 2020 303

Capítulo 9 Estudos de coso BIM 313


9.0 Introdução aos estudos de caso BIM 313
9.1 Expansão da fábrica em Flint do motor
V6 global 319
9.2 A implementação do BIM pela guarda
costeira dos Estados Unidos 333
9.3 Centro médico Camino em Mountain View 352
9.4 Centro aquático nacional de Pequim 369
9.5 Edifício federal de San Francisco 382
9.6 11 ªavenida, l 00, Nova York 399
9.7 Empreendimento One lsland East 412
9.8 Estacionamento Penn National 425
9.9 Empreendimento comercial Hillwood 434
9.1 o Tribunal federal de Jackson, Mississippi 443

Glossário 461
Bibliografia 463
I

lndice 477
,
CAPITULO

Introdução ao Manual de BIM

,
SUMARIO EXECUTIVO
Modelagem da Informação da Construção (em inglês, Building Information Mo-
deling - BIM) é um dos mais promissores desenvolvimentos na indústria relacio-
nada à arquitetura, engenharia e construção (AEC). Com a tecnologia BIM, um
modelo virtual preciso de uma edificação é construído de forma digital. Quando
completo, o modelo gerado computacionalmente contém a geometria exata e os
dados relevantes, necessários para dar suporte à construção, à fabricação e ao
fornecimento de insumos necessários para a realização da construção.
O BIM também incorpora muitas das funções necessárias para modelar o
ciclo de vida de uma edificação, proporcionando a base para novas capacidades
da construção e modificações nos papéis e relacionamentos da equipe envolvida
no empreendimento. Quando implementado de maneira apropriada, o BIM faci-
lita um processo de projeto e construção mais integrado que resulta em constru-
ções de melhor qualidade com custo e prazo de execução reduzidos.
Este capítulo começa com uma descrição das práticas de construção exis-
tentes e documenta as ineficiências inerentes a esses métodos. A seguir, explica-
-se a tecnologia por trás do BIM e recomendam-se caminhos para tirar a maior
vantagem do novo processo de negócio que ele possibilita para todo o ciclo de
vida de uma construção. Conclui-se com uma avaliação de vários problemas que
podem surgir após a migração para a tecnologia BIM.

-
INTRODUÇAO
Para entender melhor as mudanças significativas que o BIM introduz, este capí-
tulo descreve os atuais métodos de construção e projeto baseados em papel, e os
modelos de negócio predominantes atualmente na indústria da construção. Em
seguida, são descritos diversos problemas associados a essas práticas, esboça-
-se o que é o BIM e explica-se como ele se distingue de projetos auxiliados por
2 Manual de BIM

computador (em inglês, Computer Aided Design - CAD) em 2D e em 3D. Des-


crevemos brevemente os tipos de problemas que o BIM pode resolver e os novos
modelos de negócio que ele permite. O capítulo encerra com uma apresentação
dos problemas mais significativos que podem surgir quando se usa a tecnologia,
que agora está apenas no início do seu desenvolvimento e uso.

O ATUAL MODELO DE NEGÓCIOS DA


INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
Atualmente, o processo de implementação de uma edificação é fragmentado e
depende de formas de comunicação baseadas em papel. Erros e omissões nos
documentos em papel frequentemente resultam em custos imprevistos, atrasos e
eventuais litígios judiciais entre os vários participantes de um empreendimento.
Esses problemas causam atritos, gastos fmanceiros e atrasos. Esforços recentes
para tratar esses problemas incluíram estruturas organizacionais alternativas,
como o contrato para projeto & construção (design-build); o uso de tecnologias
de "tempo real", como sites de empreendimentos para compartilhar plantas e do-
cumentos; e a implementação de ferramentas de CAD 3D. Embora esses métodos
tenham aumentado o intercâmbio oportuno de informações, eles fizeram pouco
para reduzir a gravidade e a frequência dos conflitos causados pelos documentos
em papel.
Um dos problemas mais comuns associados à comunicação baseada em pa-
pel durante a fase de projeto é o tempo considerável e o gasto requerido para
gerar informações críticas para a avaliação de uma proposta de projeto, incluindo
estimativas de custo, análise de uso de energia, detalhes estruturais, etc. Essas
análises normalmente são feitas por último, quando já é muito tarde para fazer
modificações significativas. Uma vez que essas melhorias iterativas não aconte-
cem durante a fase de projeto, a engenharia de valor deve então assumir o trata-
mento de inconsistências, o que geralmente resulta em compromissos ao projeto
original.
Qualquer que seja a forma de contratação, certas estatísticas são comuns a
quase todos os projetos de grande escala (US$ lOM ou mais), incluindo o núme-
ro de pessoas envolvidas e a quantidade de informação gerada. Os dados a seguir
foram compilados por Maged Abdelsayed da Tardif, Murray & Associates, uma
empresa de construção localizada em Quebec, Canadá (Hendrickson 2003):
• Número de participantes (empresas): 420 (incluindo todos os fornecedo-
res e subempreiteiros)
• Número de participantes (indivíduos): 850
• Número de tipos diferentes de documentos gerados: 50
• Número de páginas dos documentos: 56.000
• Número de caixas grandes de arquivo para guardar os documentos: 25
• Número de armários de pastas suspensas de 4 gavetas: 6
• Número de árvores de 50 cm de diâmetro, 20 anos de vida, 15 m de altu-
ra, usadas para gerar esse volume de papel: 6
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 3

• Número equivalente de Mega Bytes de dados eletrônicos para guardar


esse volume de papel (escaneado): 3.000 MB
• Número equivalente de CDs: 6
Não é fácil gerenciar um esforço envolvendo esse grande número de pessoas
e documentos, qualquer que seja a abordagem contratual adotada. A Figura 1- 1
ilustra os membros típicos de uma equipe de empreendimento e suas várias fron-
teiras organizacionais.
Há duas formas contratuais dominantes nos Estados Unidos o Projeto-
-Concorrência-Construção (Design-Bid-Build- DBB) e o Projeto & Construção
(Design-Build -DB), e muitas variações deles (Sanvido and Konchar 1999; War-
ne and Beard 2005).

l .2. l Projeto-Concorrência-Construção (Design-Bid-Build - DBB)


Uma percentagem significativa das construções é erguida usando a abordagem
DBB (quase 90% dos edifícios públicos e cerca de 40% das edificações pri-
vadas em 2002, nos Estados Unidos) (DBIA 2007). As principais vantagens
dessa abordagem são licitações mais competitivas para alcançar o menor pre-
ço possível para o proprietário e menor pressão política para selecionar dado
empreiteiro (esta última é particularmente importante para empreendimentos
públicos). A Figura 1-2 ilustra o processo típico de aquisição DBB comparado
ao processo típico Projeto & Construção (Design-Build - DB). (Veja a seção
1.2.2.)
No modelo DBB, o cliente (proprietário) contrata um arquiteto, que então
desenvolve uma lista de requisitos da construção (um programa) e estabelece os
objetivos de projeto do empreendimento. O arquiteto percorre uma série de fases:

Organização
do Proprietário
Organização do
Projetista/Engenheiro

Organizações Externas
(não são tipicamente parte
Prpprietário Gerente do Usuários do da equipe AEC, mas algumas
Arquiteto / Engenheiro Edificação Edificação vezes pa rticipantes das reuniões)
Projetista Estrutural
Gerente de _
Construção
__.., i . i
Comunidade Segurador Financiador
• •
Planejodor Orçomentist

Organização
t Subempreitei ro Fabricante Fabricante/
Construtor
sob Medida Fornecedor
de Produtos
Agências Governamentais

do Construção Organizações
dos Subempreiteiros

FIGURA 1-1 Diagrama conceituai representando uma equipe de empreendimento AEC e as fronteiras
organizacionais típicas.
4 Manual de BIM

PROJETO-CONCORRÊNCIA-CONSTRUÇÃO PROJETO & CONSTRUÇÃO (DESIGN-BUILD - DB)

Empreso de projeto &


Arquiteto desenvolve Proprietário
construção desenvolve o
Proprietário seleciona uma projeto baseada nos
o programa e um
escolhe arquiteto em presa de requisitos do pro prietário e
projeto preliminar
projeto & construção seleciona outros projetistas
conforme necessário

Arquiteto seleciona
Empresa de projeto &
engenheiros baseado construção seleciona
Proprietário aprova
nas menores cotações
- projeto e cronograma
físico-financeiro
subempreiteiros de acordo
com requisitos de projeto
e experiência anterior ou pelo
menor o rçomento
Arquiteto ou
Construto ra seleciona
proprietário seleciona
subempreiteiro s baseada
uma construtora f--.i
baseado na nas menores cotações Empresa de projeto &
menor cotação construção e subempreiteiros
constroem a ed ificação

Construtora e
subempreiteiros
constroem a edif icação

FIGURA 1-2 Diagrama esquemático dos processos Projeto-Concorrência-Construção e Projeto & Construção.

projeto preliminar, desenvolvimento do projeto e documentação contratual. Os


documentos finais devem cumprir o programa e satisfazer aos códigos de obras
e de zoneamento. O arquiteto contrata empregados ou consultores para dar as-
sistência no projeto de componentes estruturais, de ar condicionado, de hidráu-
lica e de esgoto. Esses projetos são registrados em desenhos (plantas, elevações,
perspectivas), que devem ser coordenados para refletir todas as modificações na
medida em que elas ocorrem. O conjunto final de desenhos e especificações deve
conter detalhes suficientes para facilitar as licitações da construção. Devido à
potencial responsabilidade por erros, um arquiteto pode decidir por incluir pou-
cos detalhes nos desenhos ou inserir uma nota indicando que as dimensões nos
desenhos não são precisas. Essas práticas com frequência levam a disputas com a
construtora, à medida que erros e omissões são detectados e responsabilidades e
custos extras são realocados.
A segunda etapa envolve a obtenção de orçamentos das construtoras. O
proprietário e o arquiteto podem participar na determinação de quais construto-
ras podem concorrer. Cada construtora deve receber um conjunto de desenhos
e especificações que são então usados para compilar um levantamento de quan-
tidades independente. Esse quantitativo, juntamente com os orçamentos dos su-
bempreiteiros, é usado para determinar sua estimativa de custo. Subempreiteiros
selecionados pela construtora devem seguir o mesmo processo para a parte do
projeto na qual eles estão envolvidos. Em função do esforço envolvido, as cons-
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 5

trutoras e os subempreiteiros tipicamente gastam aproximadamente 1% dos seus


custos estimados na preparação de orçamentos 1 • Se um empreiteiro vence apro-
ximadamente um de cada 6 a 1O trabalhos a que concorre, o custo por licitação
vencida é, em média, entre 6 e 10% de todo o custo do projeto. Esse gasto entra
nos custos indiretos das construtoras e subempreiteiros.
A construtora vencedora geralmente é aquela que apresenta o menor preço
responsável, incluindo o trabalho a ser feito pela construtora e pelos subemprei-
teiros selecionados. Antes que o trabalho possa começar, normalmente o em-
preiteiro precisa redesenhar alguns dos desenhos para refletir melhor o processo
construtivo e as fases do trabalho. Esses desenhos são chamados de planos de
arranjo geral. Os subempreiteiros e os fabricantes de componentes sob medi-
da também devem produzir seus próprios desenhos detalhados para refletir com
precisão o detalhamento de certos itens, como peças de concreto pré-moldado,
conexões em aço, detalhes das paredes, caminhos das tubulações, etc.
A necessidade de desenhos precisos e completos também se faz presente nos
desenhos detalhados uma vez que eles são representações mais minuciosas e são
usados para a fabricação em si. Se esses desenhos forem imprecisos ou incomple-
tos, ou se forem baseados em desenhos que já contêm erros, inconsistências ou
omissões, então surgirão na obra conflitos caros que consomem tempo. Os custos
associados a esses conflitos podem ser significativos.
Inconsistência, imprecisão e incertezas no projeto tornam difícil a fabrica-
ção de materiais fora do canteiro. Como resultado, a maior parte da fabricação
e da construção deve ser feita no canteiro e somente quando as condições exatas
são conhecidas. Isso é mais caro, mais demorado e propenso a erros que não
ocorreriam se o trabalho fosse feito num ambiente de fábrica, onde os custos são
mais baixos e o controle de qualidade é melhor.
Frequentemente, durante a fase de construção, diversas modificações são
feitas no projeto como resultado de erros e omissões não previamente conheci-
dos, condições no canteiro não previstas, mudanças na disponibilidade de mate-
riais, questões sobre o projeto, novos requisitos do cliente e novas tecnologias.
Elas precisam ser resolvidas pela equipe de projeto. Para cada modificação, é
requerido um procedimento para determinar a causa, apontar responsabilidades,
avaliar implicações de tempo e custos e indicar como o assunto será resolvido.
Esse procedimento, seja feito por escrito ou por meio de ferramentas baseadas
na web, envolvem uma Solicitação de Informação (em inglês, Request for Infor-
mation - RFI), que deve então ser respondida pelo arquiteto ou por outro parti-
cipante relevante. Depois, uma Ordem de Modificação (em inglês, Change Order
- CO) é emitida, e todas as partes implicadas são notificadas sobre a modificação,
que é comunicada juntamente com as modificações necessárias nos desenhos.
Essas modificações e resoluções frequentemente levam a disputas judiciais, acres-
centam custos e atrasos. Produtos baseados em sites para o gerenciamento dessas

1
Baseado na experiência pessoal do segundo autor em seu trabalho com indústria da construção.
Esses dados incluem o custo de duplicação de desenhos e especificações relevantes, o transporte des-
tes para cada um dos subempreiteiros e os processos de extração de quantitativos e de estimativas de
custos. Espaços eletrônicos algumas vezes são utilizados para reduzir a necessidade de duplicação e
transporte das plantas e especificações para cada licitante.
6 Manual de BIM

transações realmente auxiliam a equipe do empreendimento a ficar a par de cada


modificação, mas como eles não enfrentam a origem do problema, produzem um
benefício apenas marginal.
Problemas surgem tipicamente quando uma construtora propõe um orça-
mento abaixo do custo estimado, para ganhar o serviço. Assim, ela abusa dos
processos de modificações para recuperar as perdas ocorridas no orçamento ori-
ginal. Isso, é claro, conduz a mais disputas entre o proprietário e a equipe do
empreendimento.
Adicionalmente, o processo DBB requer que a compra de todos os materiais
seja retida até que o proprietário aprove o orçamento, o que significa que itens
que exigem um prazo maior para obtenção não podem ser pedidos suficiente-
mente cedo, a fim de manter o empreendimento dentro do prazo. Por essa e
outras razões (descritas abaixo), a abordagem DBB com frequência é mais demo-
rada que a abordagem DB.
A fase final é o comissionamento da construção, que se dá depois que a
construção é finalizada. Isso envolve o teste dos sistemas prediais (de aquecimen-
to, de refrigeração, elétricos, hidráulicos, de sprinklers, etc.) para se ter certeza
de que eles estão funcionando adequadamente. Contratos finais e desenhos são
então produzidos, a fim de refletir todas as modificações conforme foram cons-
truídas (as-built) , e estes são entregues ao proprietário junto com todos os ma-
nuais dos equipamentos instalados. Nesse ponto, o processo DBB está completo.
Uma vez que toda a informação fornecida ao proprietário é em 2D (no
papel), ele deve empreender uma quantidade de trabalho considerável para
transmitir todas as informações relevantes para a equipe de gerenciamento de
facilid.ades encarregada da manutenção e da operação da edificação. O processo
consome muito tempo, é propenso a erros, custoso e continua a ser uma barreira
significativa.
Como resultado desses problemas, a abordagem DBB provavelmente não é
a abordagem mais expedita e eficiente do ponto de vista dos custos para proje-
to e construção. Outras abordagens têm sido desenvolvidas para enfrentar esses
problemas.

1.2.2 Projeto & Construção (Design-Build - DB)


O processo Projeto & Construção foi desenvolvido para consolidar a responsa-
bilidade pelo projeto e pela construção em uma única entidade contratada e para
simplificar a administração de tarefas para o proprietário (Beard et al. 2005). A
Figura 1-2 ilustra esse processo.
Nesse modelo, o proprietário contrata diretamente a equipe de Projeto &
Construção para desenvolver um programa bem definido da edificação e um pro-
jeto preliminar. A seguir, o empreiteiro DB estima o custo total e o tempo neces-
sário para construir a edificação. Depois que todas as modificações pedidas pelo
proprietário forem implementadas, as plantas ,, são aprovadas e o custo estimado
final para o empreendimento é estabelecido. E importante notar que, uma vez que
o modelo DB permite modificações no projeto da construção nas fases iniciais, a
quantidade de dinheiro e tempo necessários para incorporar essas modificações
também é reduzida. O empreiteiro DB estabelece relacionamentos contratuais
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 7

com projetistas especializados e subempreiteiros conforme necessário. Depois


disso, a construção começa, e qualquer modificação posterior no projeto (dentro
de limites predefinidos) torna-se responsabilidade do empreiteiro DB. O mesmo
é verdade para erros e omissões. Não é necessário que os desenhos detalhados
estejam completos para todas as partes da edificação antes do começo da cons-
trução das fundações, etc. Como resultado dessas simplificações, a edificação ti-
picamente é terminada antes, com muito menos complicações legais e a um custo
total consideravelmente reduzido. Por outro lado, há menor flexibilidade para o
proprietário fazer modificações depois que o projeto inicial é aprovado e que o
montante do contrato é estabelecido.
O modelo DB está se tornando mais comum nos Estados Unidos e é usado
amplamente em outros países. Dados de fontes do governo norte-americano ain-
da não estão disponíveis, mas o Design Build Institute of America (DBIA) estima
que, em 2006, aproximadamente 40% dos empreendimentos de construção nos
Estados Unidos usaram uma das variantes da abordagem Projeto & Construção.
Percentagens mais altas (50%- 70%) foram medidas para algumas organizações
governamentais (Marinha, Exército, Aeronáutica e GSA*). A tendência de incre-
mento do uso do DB é muito forte (Evey 2006) .

1.2.3 Que tipo de contratação de construção é melhor quando


o BIM é utilizado
Há diversas variações do processo do projeto à construção, incluindo a organi-
zação da equipe do empreendimento, a forma de pagamento dos membros da
equipe e quem absorve os vários riscos. Há contratos a preço global, contratos de
custo mais uma taxa fixa ou percentual, várias formas de contratos negociados,
etc. Está fora do escopo deste livro descrever cada um desses contratos e seus
benefícios e problemas associados (veja Sanvido & Konchar 1999 e Warne &
Beard 2005).
Considerando o uso do BIM, as questões gerais que melhoram ou pioram
as mudanças positivas que essa tecnologia oferece dependem de quão bem e em
que estágio a equipe do empreendimento trabalha colaborativamente sobre o mo-
delo digital. Quanto mais cedo o modelo puder ser desenvolvido e compartilhado,
mais útil ele será. A abordagem DB proporciona uma oportunidade excelente
para explorar a tecnologia BIM, porque uma única entidade é responsável pelo
projeto e pela construção, e ambas as áreas participam da fase de projeto. Outras
formas de contratação também podem se beneficiar do uso do BIM, porém, al-
cançarão benefícios somente parciais, particularmente se a tecnologia BIM não
for usada de forma colaborativa durante a fase de projeto.

* N. de T.: U.S. General Services Administration (GSA) - agência norte-americana encarregada,


entre outras coisas, de contratar o projeto, a construção e a reforma de todas as propriedades do
governo federal (exceto as militares).
8 Manual de BIM

INEFICIÊNCIAS DOCUMENTADAS DAS


ABORDAGENS TRADICIONAIS
Esta seção documenta como as práticas tradicionais produzem desperdício e er-
ros desnecessários. Evidências de baixa produtividade na obra estão ilustradas em
um gráfico desenvolvido pelo Center for Integrated Facility Engineering (CIFE)
na Universidade de Stanford (CIFE, 2007). O impacto de um fluxo pobre de
informações e da redundância está ilustrado usando os resultados de um estudo
executado pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) (Gallaher
et al. 2004) .

1.3.1 Estudo do CI FE sobre a produtividade do trabalho da indústria da


construção
Custos extras associados às práticas tradicionais de projeto e construção têm
sido documentados por diversas pesquisas. A Figura 1-3, desenvolvida pelo se-
gundo autor no CIFE, ilustra a produtividade dentro d.a indústria de construção
dos Estados Unidos ao longo de 40 anos, de 1964 até 2004 (o último ano para
os qual os dados estão disponíveis) em relação a todos os outros setores não
agrícolas. Os dados foram calculados dividindo os valores em dólares reajus-
tados apresentados nos contratos (do Departamento de Comércio Norte-Ame-
ricano) pelo número de homens-hora trabalhados em campo desses mesmos
contratos (do Bureau Norte-Americano de Estatísticas de Trabalho). Esses con-

250o/o ~------------------~

200% + - - - - - - - - - - - - - - - - ----'---!

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Ano
,
FIGURA 1-3 lndices de produtividade laboral poro os indústrias de construção e os não agrícolas, 1964-2004.
Adaptado da pesquisa de Paul Teicholz no CIFE.
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 9

tratos incluem custos de arquitetura e engenharia, assim como custos de ma-


teriais e da entrega de componentes feitos fora do canteiro. Custos associados
a instalações de máquinas pesadas, como imprensas, prensas de estampagem,
etc., não estão incluídos. O montante de horas-homem requeridas para o traba-
lho exclui o trabalho fora do canteiro, como a fabricação do aço, concreto pré-
-moldado, etc. Durante esse período de 40 anos, a produtividade das indústrias
não agrícolas (incluindo a construção) mais do que dobrou. Enquanto isso, a
produtividade laboral dentro da indústria da construção separadamente é esti-
mada em 10% menos daquela de 1964. A mão de obra representa 40 a 60% dos
custos estimados da construção. Os proprietários estão efetivamente pagando,.
cerca de 5% mais em 2004 do que pagariam pela mesma edificação em 1964. E
claro que muitas melhorias na tecnologia e nos materiais foram feitos nas edifi-
cações nas últimas quatro décadas. Talvez os resultados sejam melhores do que
parecem, porque a qualidade aumentou substancialmente. Por outro lado, os
produtos fabricados também são mais complexos do que costumavam ser, mas
podem ser produzidos hoje a um custo significativamente menor. A substituição
do trabalho manual por equipamentos automáticos resultou em menores custos
de mão de obra e maior qualidade. Mas o mesmo não pode ser dito das práticas
de construção.
As construtoras têm feito um grande uso dos componentes produzidos fora
do canteiro, usufruindo da vantagem das condições das fábricas e dos equipa-
mentos especializados. Isso claramente permitiu maior qualidade e menor custo
de produção dos componentes, se comparados ao trabalho no canteiro. Embora
o custo desses componentes seja incluído em nossos custos de construção, o
trabalho não é. Isso tende a fazer com que a produtividade da construção no
canteiro pareça melhor do que realmente é. O tamanho desse erro, no entanto, é
difícil de avaliar, porque o custo total da produção fora do canteiro não está bem
documentado.
Enquanto as razões para o aparente decréscimo na produtividade da cons-
trução não estão completamente entendidas, as estatísticas são dramáticas e
apontam para impedimentos organizacionais dentro da indústria da construção.
Está claro que as eficiências atingidas na indústria seriada por meio da automa-
ção, do uso de sistemas de informação, de um melhor gerenciamento da cadeia
de suprimentos e de ferramentas de colaboração aperfeiçoadas ainda não foram
alcançadas na construção. As possíveis razões para isso incluem:
• Sessenta e cinco por cento das empresas de construção consistem em
menos de cinco pessoas, tornando difícil para elas investirem em novas
tecnologias; mesmo as maiores empresas representam menos de 0,5% do
volume total de construção e não são capazes de estabelecer uma lideran-
ça na indústria (veja a Figura 6-1 no Capítulo 6) .
• Os salários reais ajustados pela inflação e o pacote de benefícios dos tra-
balhadores da construção estagnaram durante esse período. A participa-
ção dos trabalhadores sindicalizados diminuiu, e o uso de trabalhadores
imigrantes cresceu, desencorajando a necessidade de inovações que re-
duzem o trabalho manual. Foram introduzidas inovações, como pistolas
de pregos, equipamentos maiores e mais eficientes para movimentação de
1O Manual de BIM

terra e gruas melhores, mas as melhorias em produtividade associadas a


elas não foram suficientes para modificar a produtividade laboral como
um todo.
A adoção de novas e melhores práticas comerciais tanto dentro do projeto
quanto da construção tem sido notadamente lenta e limitada principalmente às
empresas de grande porte. Além disso, a introdução de novas tecnologias tem
sido fragmentada. Muitas vezes é necessário voltar ao papel ou aos desenhos fei-
tos em CAD 2D para que todos os membros de uma equipe de empreendimento
sejam capazes de se comunicar e para manter o número de potenciais construto-
ras e subempreiteiros participantes de uma licitação suficientemente grande.
Enquanto os fabricantes costumam ter acordos de longo prazo e colaboram
de forma combinada com os mesmos parceiros, os empreendimentos de cons-
trução tipicamente envolvem parceiros diferentes trabalhando juntos durante
um período e que depois se dispersam. Como resultado, há pouca ou nenhuma
oportunidade de produzir melhorias, ao longo do tempo, devido ao aprendizado
prático. Pelo contrário, cada parceiro atua de modo a se proteger de potenciais
disputas que podem levar a dificuldades legais baseando-se em processos anti-
quados e demorados, que tornam , difícil ou impossível implementar resoluções
de maneira rápida e eficiente. E claro que isso se traduz em custos mais altos e
gasto de tempo.
Outra possível causa para a estagnação da produtividade da indústria de
construção é que a construção no canteiro não se beneficiou substancialmente
da automação. Desse modo, a produtividade em campo baseia-se no treinamento
qualificado dos trabalhadores. A Figura 1-4 mostra que, desde 197 4, a remune-
ração de trabalhadores horistas diminuiu regularmente com o crescimento no uso
de trabalhadores imigrantes não sindicalizados, com pouco treinamento anterior.

25
Total do indústria de manufaturo
........ Construtoras
_.,_ Serviços especializados de construção
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FIGURA 1-4 Tendências em salários reais {em US$ de 1990) para trabalhadores horistas das
indústrias de manufatura e de construção, 1974 - 1996. BLS, Series 1D: EES00500006.
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 11

O custo mais baixo associado a esses trabalhadores desencorajou os esforços para


substituir os trabalhos manuais por soluções automatizadas (ou de fora do can-
teiro) .
Os problemas existentes dentro da indústria da construção também en-
volvem temas não relacionados ao uso de tecnologias avançadas. Estas práticas
comerciais descritas limitam a rapidez com que as ferramentas modernas e ino-
vadoras podem ser adotadas. Por outro lado, há a pressão competitiva crescente
da globalização, que permite a empresas estrangeiras fornecer serviços e/ ou ma-
teriais usados em empreendimentos locais. Para enfrentar essa pressão adicional,
empresas líderes nos Estados Unidos precisarão implementar mudanças que per-
mitam a elas trabalhar de maneira mais rápida e eficiente do que seria possível de
outra forma.

1.3.2 Estudo do NIST sobre o custo da ineficiência da indústria da


construção
O National Institute of Standards and Technology (NIST) realizou um estudo
sobre os custos adicionais para os proprietários de edificações resultantes da
interoperabilidade inadequada (Gallaher et al. 2004). O estudo envolveu tanto
o intercâmbio quanto o gerenciamento das informações, nos quais sistemas in-
dividuais foram incapazes de acessar e usar informações importadas de outros
sistemas. Na indústria da construção, a incompatibilidade entre sistemas frequen-
temente impede que membros de equipes do empreendimento compartilharem
informações com rapidez e precisão; essa é a causa de numerosos problemas, in-
cluindo custos adicionais, etc. O estudo do NIST incluiu edificações comerciais,
industriais e institucionais e focou em construções novas e assentadas ao longo
de 2002. Os resultados mostraram que a interoperabilidade ineficiente contribuiu
com um acréscimo nos custos de construção de US$ 63,50 por metro quadrado
para novas construções e um aumento de US$ 2,53 por metro quadrado para
operação e manutenção (O & M), resultando em um acréscimo total de custo de
US$ 15,8 bilhões. A Tabela 1-1 mostra a análise detalhada desses custos e a qual
participante eles foram aplicados.
No estudo do NIST, o custo da interoperabilidade inadequada foi calculado
comparando-se as atuais atividades do negócio e custos com cenários hipotéticos
nos quais havia um fluxo de informações desobstruído e sem redundância na
entrada de dados. O NIST concluiu que os seguintes custos resultaram da inte-
roperabilidade inadequada:
• Evitação (sistemas computacionais redundantes, gerenciamento ineficien-
te de processos do negócio, pessoal de suporte de TI redundante)
• Mitigação (reentrada manual de dados, gerenciamento de solicitações de
informação)
• Retardo (custos com empregados desocupados e outros recursos inativos)
Desses custos, cerca de 68% (US$ 10,6 bilhões) foram assumidos por pro-
prietários e usuários. Essas estimativas são especulativas devido à impossibilidade
de fornecimento de dados precisos. No entanto, esses custos são significativos e
12 Manual de BIM

Tabela 1-1 Custos adicionais pela interoperabilidade inadequada na indústria da construção,


2002 (em US$ milhões)
Fase de planejamento, Fase de Fase de operação Custo total
Grupo de participantes engenharia e projeto construção e manutenção adicionado

Arquitetos e engenheiros $ l .007,2 $147,0 $15,7 $1.169,8


Construtoras $485,9 $1.265,3 $50,4 $ l .801,6
Empreiteiros e fornecedores $442,4 $1.762,2 $2.204,6
especializados
Proprietários e usuários $722,8 $898,0 $9.027,2 $1.0648,0
Total $2.658,3 $4.072,4 59.093,3 $15.824,0
Metros quadrados em 2002 106 milhões l 06 milhões 3,6 bilhões n/a
Custo adicional por metro US$ 25,08/m 2 US$ 38,42/m2 US$ 2,53/m 2 n/a
quadrado

Fonte: Tabela 6- 1 do estudo do NIST (Gallaher et ai. 2004).

dignos de sérias considerações e esforços para reduzi-los ou evitá-los o máximo


possível.
A adoção generalizada do BIM e o uso de um modelo digital abrangente ao
longo do ciclo de vida de uma edificação seriam um passo na direção certa para
eliminar tais custos resultantes de interoperabilidade de dados inadequada.

BIM: NOVAS FERRAMENTAS E NOVOS PROCESSOS


Nesta seção, é apresentada uma descrição geral da terminologia relacionada ao
BIM, seus conceitos e capacidades funcionais, e aborda-se como essas ferramen-
tas podem melhorar os processos de negócio. Tópicos específicos são discutidos
com mais detalhes nos capítulos indicados entre parênteses.

1.4. 1 Ferramentas de criação de modelos BIM (Capítulo 2)


Todos os sistemas CAD geram arquivos digitais. Os sistemas CAD mais antigos
produzem desenhos plotados. Eles geram arquivos que consistem principalmen-,
te em vetores, tipos de linha associados e identificação de camadas (layers) . A
medida que esses sistemas foram se desenvolvendo, informações adicionais fo-
ram sendo acrescentadas a esses arquivos para permitir blocos de dados e textos
associados. Com a introdução da modelagem 3D, foram adicionadas defmições
avançadas e ferramentas complexas de geração de superfícies.
Ao passo que os sistemas CAD se tornaram mais inteligentes e mais usuários
desejaram compartilhar dados associados com dado projeto, o foco transferiu-se
dos desenhos e das imagens 3D para os próprios dados. Um modelo de cons-
trução produzido por uma ferramenta BIM pode dar suporte a múltiplas vistas
diferentes dos dados contidos dentro de um conjunto de desenhos, incluindo 2D
e 3D. Um modelo pode ser descrito por seu conteúdo (quais objetos ele descreve)
ou por suas capacidades (a que tipos de requisitos de informação ele pode dar
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 13

suporte). A última abordagem é preferível, porque ela define o que se pode fazer
com o modelo em vez de como a base de dados é construída (que varia com cada
implementação).

Para o propósito deste livro, definimos BIM como uma tecnologia de


modelagem e um conjunto associado de processos para produzir,
comunicar e analisar modelos de construção. Modelos de construção são
caracterizados por:

• Componentes de construção, que são representados com representações digitais


inteligentes (objetos) que "sabem" o que e les são, e que podem ser associados
com atributos (gráficos e de dados) computáveis e regras paramétricas.
• Componentes que incluem dados que descrevem como eles se comportam,
conforme são necessários poro análises e processos de trabalho, por exemplo,
quantificação, especificação e análise energético.
• Dados consistentes e não redundantes de formo que os modificações nos dados
dos componentes sejam representados em todos os visualizações dos compo-
nentes.
• Dados coordenados de formo que todos os visualizações de um modelo sejam
representados de maneiro coordenado .

A seguir, uma definição da tecnologia BIM fornecida pela M.A. Mortenson


Company, uma construtora que tem usado extensamente ferramentas BIM nas
suas práticas (Campbell 2006).

Definição de tecnologia BIM da Mortenson


O BIM tem suas raízes nas pesquisas sobre projeto auxiliado pelo computador de
décadas atrás, mas ainda não possui uma definição única e amplamente aceita.
Nós, na M.A. Mortenson Company, pensamos nele como "uma simulação inte-
ligente da arquitetura". Para nos permitir atingir uma implementação integrada,
essa simulação deve exibir seis características principais. Ela deve ser:
• Digital
• Espacial (3D)
• Mensurável (quantificável, dimensionável e consultável)
• Abrangente (incorporando e comunicando a intenção de projeto, o de-
sempenho da construção, a construtibilidade, e incluir aspectos sequen-
ciais e financeiros de meios e métodos)
• Acessível (a toda a equipe do empreendimento e ao proprietário por meio
de uma interface interoperável e intuitiva)
• Durável (utilizável ao longo de todas as fases da vida de uma edificação)
' luz dessas definições, pode-se argumentar que poucas equipes de projeto
A
ou construção estão realmente usando o BIM hoje. De fato, podemos não atingir
14 Manual de BIM

esse alto padrão por vários anos. Mas acreditamos que essas características sejam
todas essenciais para alcançar a meta da prática integrada.
Além disso, atualmente não há implementações de software BIM que abar-
quem todos os critérios da tecnologia BIM. Ao longo do tempo, as capacidades
irão crescendo, assim como a habilidade para suportar práticas melhores e mais
amplas. A lista na próxima seção tem a intenção de proporcionar um ponto de
partida para a avaliação de ferramentas de software BIM específicas. Veja o Ca-
pítulo 2 para informações mais detalhadas sobre a tecnologia BIM e uma análise
das atuais ferramentas BIM.

1 .4.2 Definição de objetos paramétricos (Capítulo 2)


O conceito de objetos paramétricos é central para o entendimento do BIM e sua
diferenciação dos objetos 2D tradicionais. Objetos BIM paramétricos são defini-
dos da seguinte maneira:
• Consistem em definições geométricas e dados e regras associadas.
• A geometria é integrada de maneira não redundante e não permite incon-
sistências. Quando um objeto é mostrado em 3D, a forma não pode ser
representada internamente de maneira redundante, por exemplo, como
múltiplas vistas 2D. Uma planta e uma elevação de dado objeto devem
sempre ser consistentes. As dimensões não podem ser "falsas".
• As regras paramétricas para os objetos modificam automaticamente as
geometrias associadas quando inseridas em um modelo de construção ou
quando modificações são feitas em objetos associados. Por exemplo, uma
porta se ajusta imediatamente a uma parede, um interruptor se localizará
automaticamente próximo ao lado certo da porta, uma parede automati-
camente se redimensionará para se juntar a um teto ou telhado, etc.
• Os objetos podem ser definidos em diferentes níveis de agregação, então
podemos definir uma parede, assim como seus respectivos componentes.
Os objetos podem ser definidos e gerenciados em qualquer número de
níveis hierárquicos. Por exemplo, se o peso de um subcomponente de uma
parede muda, o peso de toda a parede também deve mudar.
• As regras dos objetos podem identificar quando determinada modificação
viola a viabilidade do objeto no que diz respeito a tamanho, construtibi-
lidade, etc.
• Os objetos têm a habilidade de vincular-se a ou receber, divulgar ou ex-
portar conjuntos de atributos, por exemplo, materiais estruturais, dados
acústicos, dados de energia, etc. para outras aplicações e modelos.
As tecnologias que permitem aos usuários produzirem modelos de constru-
ção que consistem em objetos paramétricos são consideradas ferramentas BIM
de autoria. No Capítulo 2, elaboramos a discussão das tecnologias paramétricas
e discutimos as capacidades comuns das ferramentas BIM, incluindo recursos
para extração automática de desenhos consistentes e de extração de relatórios
de parâmetros geométricos. Nos Capítulos 4- 7, discutimos estas e outras capa-
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 15

cidades e seus benefícios potenciais para os vários profissionais de AEC e para os


proprietários de construções.

1.4.3 Suporte à colaboração da equipe do empreendimento


(Capítulo 3)
Interfaces abertas devem permitir a importação de dados relevantes (para criação
e edição de um projeto) e exportação de dados em vários formatos (para dar su-
porte à integração com outras aplicações e fluxos de trabalho). Há duas aborda-
gens principais para essa integração: (1) usar somente produtos de determinado
fornecedor de software ou (2) usar software de vários fornecedores que podem
intercambiar dados usando padronizações amparadas pela indústria. A primeira
abordagem permite uma integração mais intensa entre os produtos, em múltiplas
direções. Por exemplo, modificações no modelo de arquitetura irão gerar mu-
danças no modelo estrutural e vice-versa. Isso requer, no entanto, que todos os
membros de uma equipe de projeto usem aplicativos do mesmo fornecedor.
A segunda abordagem utiliza tanto padronizações proprietárias quanto de
código aberto, publicamente disponíveis e suportadas, criadas para definir obje-
tos de construção (Industry Foundation Classes, ou IFCs). Essas padronizações
podem proporcionar um mecanismo para a interoperabilidade entre aplicações
com diferentes formatos internos. Essa abordagem oferece mais flexibilidade em
troca de uma redução na interoperabilidade, especialmente se os vários progra-
mas utilizados em dado empreendimento não suportam os mesmos padrões de
intercâmbio. Isso permite que objetos de uma aplicação BIM sejam exportados ou
importados para/ de outro software (veja o Capítulo 3 para uma discussão extensa
sobre a tecnologia de colaboração) .

O QUE NÃO É TECNOLOGIA BIM


O termo BIM é uma palavra em voga usada pelos desenvolvedores de software
para descrever as capacidades que seus produtos oferecem. Dessa forma, a de-
finição de o que constitui tecnologia BIM está sujeita a variações e confusões.
Para lidar com essa confusão, é útil descrever soluções de modelagem que NAO -
utilizam a tecnologia BIM. Isso inclui ferramentas que criam os seguintes tipos
de modelos:

Modelos que só contêm dados 30, sem atributos de objetos. Estes mode-
los podem ser utilizados somente para visualizações gráficas e não possuem
inteligência ao nível do objeto. Eles são bons para a visualização, mas não
fornecerem suporte para integração de dados e análise de projeto.

Modelos sem suporte para comportamento. Estes modelos definem ob-


jetos, mas não podem ajustar seu posicionamento ou suas proporções, por-
que não utilizam inteligência paramétrica. Isso torna as modificações muito
trabalhosas e não oferece proteção contra a criação de vistas do modelo
inconsistentes ou imprecisas.
16 Manual de BIM

Modelos que são compostos de múltiplas referências a arquivos


,, CAD 20
que devem ser combinados para definir a construção. E impossível asse-
gurar que o modelo 3 D resultante será factível, consistente, contabilizável, e
que mostrará inteligência com respeito aos objetos contidos nele.

Modelos que permitem modificações de dimensões em uma vista que


não são automaticamente refletidas em outras vistas. Isso permite erros
no modelo que são muito difíceis de detectar (é similar a substituir uma fór-
mula por uma entrada manual em uma planilha eletrônica).

- ,
QUAIS SAO OS BENEFICIOS DO BIM? QUAIS PROBLEMAS
SURGEM COM ELE?
A tecnologia BIM pode dar suporte e incrementar muitas práticas do setor. Ape-
sar de a indústria de AEC/FM (Gerenciamento de Facilities - em inglês, Facilities
Management) encontrar-se nos primórdios do uso do BIM, ganhos significativos
já foram alcançados (comparados às práticas tradicionais em CAD 2D ou basea-
das em papel). Embora seja improvável que todas as vantagens discutidas a seguir
estejam em uso atualmente, nós as listamos a fim de mostrar o escopo completo
de mudanças que podem ser esperadas com o desenvolvimento da tecnologia
BIM.

1.6.1 Benefícios na pré-construção para o proprietário


(Capítulos 4 e 5)
Conceito, viabilidade e benefícios no projeto
Antes que os proprietários envolvam um arquiteto, é necessário determinar se
uma construção de determinado tamanho, nível de qualidade e programa de
necessidades pode ser construída dentro de um dado orçamento e cronograma,
ou seja, se determinada construção pode satisfazer aos requisitos financeiros do
proprietário. Se essas questões podem ser respondidas com relativa certeza, os
proprietários podem prosseguir com esperança de que suas metas sejam alcan-
çáveis. Dar-se conta de que um projeto em particular está significativamente
acima do orçamento depois que uma considerável quantidade de tempo e de
esforços tenham sido gastos é um desperdício. Um modelo de construção apro-
ximado (ou macro) construído e vinculado a uma base de dados de custos pode
ser de imenso valor e ajuda ao proprietário. Isso é descrito com mais detalhes
no Capítulo 4 e ilustrado no estudo de caso do Hillwood Commercial Project,
no Capítulo 9.

Aumento da qualidade e do desempenho da construção


Desenvolver um modelo esquemático antes de gerar o modelo detalhado da cons-
trução permite uma avaliação mais cuidadosa do esquema proposto para deter-
minar se ele cumpre os requisitos funcionais e de sustentabilidade da construção.
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 17

Avaliações de alternativas de projeto feitas mais cedo usando ferramentas de aná-


lise/simulação incrementam a qualidade da construção como um todo.

1.6 .2 Benefícios no projeto (Capítulo 5)


Visualização antecipada e mais precisa de um projeto
O modelo 3D gerado pelo software BIM é projetado diretamente em vez de ser
gerado a partir de múltiplas vistas 2D. Ele pode ser usado para visualizar o pro-
jeto em qualquer etapa do processo com a expectativa de que terá dimensões
consistentes em todas as vistas.

Correções automáticas de baixo nível quando mudanças são feitas no projeto


Se os objetos usados no projeto são controlados por regras paramétricas que ga-
rantem alinhamento apropriado, então o modelo 3D será contrutível. Isso reduz
a necessidade de o usuário gerenciar as mudanças no projeto (veja o Capítulo 2
para maiores discussões sobre regras paramétricas) .

Geração desenhos 2D precisos e consistentes em qualquer etapa do projeto


Desenhos precisos e consistentes podem ser extraídos para qualquer conjunto de
objetos ou vistas específicas do empreendimento. Isso reduz significativamente a
quantidade de tempo e o número de erros associados com a geração de desenhos
de construção para todas as disciplinas de projeto. Quando modificações no pro-
jeto são requeridas, desenhos completamente consistentes podem ser gerados tão
logo as modificações sejam feitas.

Colaboração antecipada entre múltiplas disciplinas de projeto


A tecnologia BIM facilita o trabalho simultâneo de múltiplas disciplinas de proje-
to. Apesar de a colaboração usando desenhos também ser possível, ela é ineren-
temente mais difícil e mais demorada do que trabalhar com um ou mais modelos
3D coordenados2 nos quais o controle de modificações possa ser bem gerenciado.
Isso abrevia o tempo de projeto e reduz significativamente os erros de projeto e
as omissões. Também permite que os problemas de projeto e apresenta oportuni-
dades de contínua melhoria. Isso é muito mais eficaz em termos de custo do que
esperar até que um projeto esteja próximo de se completar e aplicar a engenharia
de valor somente depois que as principais decisões de projeto já tenham sido
tomadas.

2
Se um sistema BIM não usa uma única base de dados, o que pode criar problemas para projetos
muito grandes e/ ou muito detalhados, abordagens alternativas envolvendo coordenação automática
de múltiplos arquivos também podem se usadas. Isso é uma questão de implementação importante
para fabricantes de software. (Veja o Capítulo 2 para uma discussão mais profunda sobre o tamanho
do modelo.)
18 Manual de BIM

Verificação facilitada das intenções de projeto


O BIM proporciona visualizações 3D antecipadamente e quantifica as áreas dos
espaços e outras quantidades de materiais, permitindo estimativas de custos mais
cedo e mais precisas. Para construções técnicas (laboratórios, hospitais, etc.), a
intenção do projeto em geral é definida quantitativamente, e isso permite que um
modelo de construção seja usado para verificar esses requisitos. Para requisitos
qualitativos (esse espaço deve ficar próximo de outro, etc.), o modelo 3D pode
dar suporte a avaliações automáticas.

Extração de estimativas de custo durante a etapa de projeto


Em qualquer etapa do projeto, a tecnologia BIM pode extrair uma lista precisa de
quantitativos e de espaços que pode ser utilizada para estimar o custo. Nas fases
mais iniciais de um projeto, as estimativas... de custos são baseadas principalmente
no custo unitário por metro quadrado. A medida que o projeto avança, quanti-
tativos mais detalhados estão disponíveis,,. e podem ser utilizados para estimativas
de custos mais precisas e detalhadas. E possível manter todos os participantes
conscientes das implicações dos custos associadas com dado projeto antes que ele
progrida para o nível de detalhamento requerido para a licitação. Na etapa final
do projeto, uma estimativa baseada nos quantitativos para todos os objetos con-
tidos dentro do modelo permite a preparação de uma estimativa de custos final
mais precisa. Como resultado, é possível tomar decisões de projeto envolvendo
custos mais bem informadas usando o BIM do que um sistema baseado em papel.

Incrementação da eficiência energética e a sustentabilidade


Vincular o modelo da construção a ferramentas de análise energética permite a
avaliação do uso de energia durante fases mais preliminares do projeto. Isso não
é possível usando as ferramentas 2D tradicionais que requerem que uma análise
de energia separada seja realizada ao fmal do processo de projeto, reduzindo as
oportunidades de modificações que poderiam incrementar o desempenho ener-
gético da construção. A capacidade de vincular o modelo da construção a vários
tipos de ferramentas de análise proporciona diversas oportunidades para melho-
rar a qualidade da construção.

1.6.3 Benefícios à construção e à fabricação (Capítulos 6 e 7)


Sincronização de projeto e planejamento da construção
O planejamento da construção usando CAD 4D requer uma vinculação do pla-
nejamento de construção aos objetos 3D em um projeto, de forma que seja pos-
sível simular o processo de construção e mostrar a aparência da construção e do
canteiro em qualquer ponto no tempo. Essa simulação gráfica proporciona uma
compreensão considerável sobre como a construção será realizada dia a dia e
revela fontes de potenciais problemas e oportunidades para melhorias (canteiro,
pessoal e equipamentos, conflitos espaciais, problemas de segurança, etc.). Esse
tipo de análise não está disponível a partir de documentos em papel; proporciona,
no entanto, benefícios adicionais se o modelo incluir objetos de construção tem-
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 19

porários como escoramento, andaimes, gruas e outros grandes equipamentos,


de modo que esses objetos possam ser vinculados a atividades do cronograma e
refletidos no planejamento de construção desejado.

Descoberta de erros de projeto e omissões antes da construção


(detecção de interferências)
Uma vez que o modelo virtual 3D da construção é a fonte para todos os desenhos
2D e 3D, os erros de projeto causados por desenhos 2D inconsistentes são eli-
minados. Além disso, uma vez que os sistemas de todas as disciplinas podem ser
colocados juntos e comparados, interfaces com múltiplos sistemas são facilmente
verificadas sistematica (para interferências fortes e fracas) e visualmente (para
outros tipos de erros). Os conflitos são identificados antes que sejam detectados
na obra. A coordenação entre os projetistas e empreiteiros participantes é aper-
feiçoada, e os erros de omissão são significativamente reduzidos. Isso torna mais
rápido o processo de construção, reduz os custos, minimiza a probabilidade de
disputas jurídicas e proporciona um processo mais suave para toda a equipe do
empreendimento.

Reação rápida a problemas de projeto ou do canteiro


O impacto de uma mudança sugerida no projeto pode ser introduzido no modelo
da construção e as modificações em outros objetos no projeto serão atualizadas
automaticamente. Algumas atualizações serão feitas com base nas regras para-
métricas estabelecidas. Atualizações adicionais em outros sistemas podem ser ve-
rificadas e feitas visualmente. As consequências de uma modificação podem ser
refletidas com precisão no modelo e em todas as suas vistas subsequentes. Além
disso, modificações de projeto podem ser resolvidas com mais rapidez em um
sistema BIM, porque podem ser compartilhadas, visualizadas, estimadas e resol-
vidas sem o uso de transações demoradas feitas em papel. Atualizar dessa forma é
extremamente propenso a erros em sistemas baseados em papel.

Uso do modelo de projeto como base para componentes fabricados


Se o modelo de projeto é transferido para uma ferramenta BIM de fabricação
e detalhado ao nível da fabricação de objetos (modelo detalhado), ele conterá
uma representação precisa dos objetos da construção para a fabricação e cons-
trução. Uma vez que os componentes já estão definidos em 3D, sua fabricação
automática usando máquinas de controle numérico é facilitada. Tal automação é
uma prática corrente hoje na fabricação de peças em aço e para alguns trabalhos
em chapas metálicas. Essa automação também tem sido usada com sucesso em
componentes pré-moldados, fechamentos e fabricação de vidros. Isso permite
que fornecedores espalhados pelo mundo elaborem o modelo para desenvolver
detalhes necessários para a fabricação e mantenham vínculos que reflitam a inten-
ção de projeto. Isso facilita a fabricação fora do canteiro e reduz custos e tempo
de construção. A precisão do BIM também permite que componentes do projeto
sejam fabricados fora do canteiro, sendo maiores do que aqueles componentes
que normalmente se tentaria usando desenhos 2D, devido à provável necessidade
20 Manual de BIM

de modificações no canteiro (retrabalho) e à incapacidade de prever as dimensões


exatas até que outros itens sejam construídos na obra.

Melhor implementação e técnicas de construção enxuta


Técnicas de construção enxuta exigem uma coordenação cuidadosa entre a
construtora e os subempreiteiros para garantir que o trabalho possa ser realizado
quando os recursos apropriados estão disponíveis no canteiro. Isso minimiza o
desperdício de esforços e reduz a necessidade de estoques de materiais. Uma
vez que o BIM fornece um modelo preciso do projeto e dos recursos materiais
requeridos para cada segmento de trabalho, ele proporciona a base para uma
melhoria no planejamento e no cronograma dos subempreiteiros e ajuda a ga-
rantir a chegada de pessoal, equipamentos e materiais no momento exato da sua
necessidade. Isso reduz custos e permite uma melhor colaboração no trabalho
do canteiro.

Sincronização da aquisição de materiais com o projeto e a construção


O modelo completo da construção proporciona quantidades precisas para todos
(ou a maioria, dependendo do nível da modelagem 3D) dos materiais e objetos
contidos em um projeto. Essas quantidades, especificações e propriedades podem
ser usadas para adquirir materiais de fornecedores de produtos e subempreiteiros
(como subempreiteiros que executam concreto pré-moldado). Até o momento
(2007), as definições dos objetos para muitos produtos manufaturados ainda não
se desenvolveram de modo a tornar essa capacidade uma realidade completa.
Onde os modelos estão disponíveis (peças de aço, peças de concreto pré-molda-
do), no entanto, os resultados têm sido muito benéficos.

1.6.4 Benefícios pós-construção (Capítulo 4)


Melhor gerenciamento e operação das edificações
O modelo da construção proporciona uma fonte de informações (gráficas e de es-
pecificações) para todos os sistemas usados em uma construção. Análises prévias
usadas para determinar equipamentos mecânicos, sistemas de controle e outras
aquisições podem ser fornecidas ao proprietário, como um meio de verificação de
decisões de projeto quando a construção estiver em uso. Essa informação pode
ser usada para verificar se todos os sistemas funcionam apropriadamente depois
que a construção está completa.

Integração com sistemas de operação e gerenciamento de facilidades


Um modelo de construção que foi atualizado com todas as modificações feitas
durante a construção é uma fonte precisa de informações sobre como os espaços
e sistemas foram construídos e fornecem um ponto de partida muito útil para o
gerenciamento e a operação da construção. Um modelo de informações da cons-
trução suporta o monitoramento de sistemas de controle em tempo real e propor-
ciona uma interface natural para sensores e operação remota de gerenciamento
de facilidades. Muitas dessas capacidades ainda não foram desenvolvidas, mas o
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 21

BIM fornece uma plataforma ideal para o seu desenvolvimento. Um exemplo de


como um modelo de construção pode servir como uma base de dados para faci-
lidades é discutido no estudo de caso do Planejamento de Facilidades da Guarda
Costeira, no Capítulo 9.

QUAIS DESAFIOS PODEM SER ESPERADOS?


Processos aprimorados em cada fase do projeto e da construção reduzirão o nú-
mero e a severidade dos problemas associados com as práticas tradicionais. O
uso inteligente do BIM, no entanto, também causará mudanças significativas nos
relacionamentos dos participantes do empreendimento e nos termos contratuais
entre eles (contratos tradicionais são adequ.a dos às práticas baseadas em papel) .
Além disso, colaborações mais cedo entre o arquiteto, o empreiteiro e outras dis-
ciplinas de projeto serão necessárias, já que o conhecimento fornecido pelos es-
pecialistas é de uso mais intenso durante a fase de projeto (isso não é consistente
com o atual modelo de negócios projeto-concorrência-construção).

l .7.1 Desafios de colaboração e equipes


Enquanto o BIM oferece métodos para colaboração, ele introduz outras questões
com respeito ao desenvolvimento de equipes efetivas. Determinar os métodos que
serão usados para permitir um compartilhamento adequado do modelo de infor-
mações pelos membros de uma equipe do empreendimento é uma questão im-
portante. Se o arquiteto usa desenhos tradicionais baseados em papel, então será
necessário para o empreiteiro (ou um terceiro) construir o modelo de forma que
ele possa ser usado para o planejamento da construção, estimativas, coordenação,
etc. Criar o modelo depois que o projeto está completo acrescenta custos e tempo
ao empreendimento, mas pode ser justificado pelas vantagens de utilização dele
para o planejamento da construção e projetos detalhados para equipamentos me-
cânicos, instalações hidráulicas, outros subempreiteiros e fabricantes, resolução
de mudanças no projeto, aquisição de materiais e serviços, etc. Se os membros
de uma equipe do empreendimento usam diferentes ferramentas de modelagem,
então ferramentas para movimentação dos modelos de um ambiente para outro
ou a combinação desses modelos são necessárias. Isso pode acrescentar comple-
xidade e introduzir erros potenciais ao empreendimento. Tais problemas podem
ser reduzidos usando padrões IFC para intercâmbio de dados. Outra abordagem
é usar um servidor de modelos que se comunica com todas as aplicações através
do IFC ou de padrões proprietários. Diversos estudos de casos apresentados no
Capítulo 9 fornecem elementos para essa questão.

l .7.2 Mudanças legais na propriedade e produção da documentação


Questões legais estão apresentando desafios ligados à questão de a quem perten-
cem os múltiplos conjuntos de dados de projeto, fabricação, análise e construção,
quem paga por eles e quem é o responsável pela sua acurácia. Esses temas estão
sendo enfrentados pelos profissionais por meio do uso do BIM nos empreendi-
22 Manual de BIM

mentos. A' medida que os proprietários aprendem mais sobre as vantagens do


BIM, eles provavelmente irão querer um modelo para dar suporte à operação,
manutenção e reformas futuras. Entidades profissionais, como a AIA e a AGC,
estão desenvolvendo diretrizes para a linguagem contratual para cobrir essas
questões levantadas pelo uso da tecnologia BIM.

1.7 .3 Mudanças na prática e no uso da informação


O uso do BIM também incentiva a integração do conhecimento de construção
mais cedo no processo de projeto. Empresas que integram projeto e construção,
capazes de coordenar todas as fases do projeto e incorporar o conhecimento
de construção desde o início, serão as mais beneficiadas. Cláusulas contratuais
que requerem e facilitam uma boa colaboração fornecerão grandes vantagens
aos proprietários quando o BIM é usado. A mudança mais significativa que as
companhias enfrentam quando implementam a tecnologia BIM é o uso de um
modelo de construção compartilhado como base para todo o processo de tra-
balho e para colaboração. Essa transformação exigirá tempo e educação, como
acontece para todas as mudanças significativas na tecnologia e nos processos
de trabalho.

1.7.4 Questões ligadas à implantação


Substituir um ambiente de CAD 2D ou 3D por um sistema BIM envolve mais do
que aquisição de software, treinamento e atualização de hardware. O uso efetivo
do BIM requer que as mudanças sejam feitas em quase todos os aspectos do ne-
gócio das empresas (não somente fazer as mesmas coisas de uma nova maneira).
Requer um entendimento profundo e um plano para implantação antes que a
conversão possa começar. Enquanto as mudanças específicas para cada empresa
dependem de seus setores de atividade em AEC, os passos gerais que precisam
ser considerados são similares e incluem o seguinte:
• Designar responsabilidade à alta gerência pelo desenvolvimento de um
plano de adoção do BIM que cubra todos os aspectos do negócio da em-
presa e como as mudanças propostas impactarão tanto nos departamentos
internos quanto nos parceiros externos e clientes.
• Criar uma equipe interna de gerentes principais responsável pela imple-
mentação do plano, com orçamentos de custo, tempo e rendimento para
guiar seu desempenho.
• Começar usando o sistema BIM em um ou dois empreendimentos me-
nores (talvez até já terminados) em paralelo com a tecnologia existente
e produzir documentos tradicionais a partir do modelo de construção.
Isso ajudará a revelar onde há deficiências nos objetos da construção, em
capacidades de produção, em vínculos com programas de análise, etc.
Também fornecerá oportunidades educacionais para os líderes.
Capítulo 1 Introdução ao Manual de BIM 23

• Usar os resultados iniciais para educar e guiar a adoção contínua de soft-


ware BIM e o treinamento adicional de pessoal. Manter os gerentes senio-
res informados do progresso, dos problemas, das percepções, etc.
•Ampliar o uso do BIM para novos empreendimentos e começar a traba-
lhar com membros de fora da empresa em novas abordagens de colabora-
ção que permitam fazer mais cedo a integração e o compartilhamento do
conhecimento usando o modelo de construção.
• Continuar a integrar as capacidades do BIM em todos os aspectos das
funções da empresa e refletir esses novos processos de negócio em docu-
mentos contratuais com clientes e parceiros de negócio.
• Replanejar periodicamente o processo de implementação do BIM para
refletir os benefícios e problemas observados até então e estabelecer no-
vas metas para desempenho, tempo e custo. Continuar a estender as
mudanças facilitadas pelo BIM para novos locais e funções dentro da
empresa.
Nos Capítulos 4 a 7, são discutidas aplicações específicas do BIM no ciclo
de vida da construção e novas diretrizes de adoção específicas para cada partici-
pante envolvido no processo de construção são revistas.

-
FUTURO DO PROJETO E CONSTRUÇAO COM O BIM
{CAPÍTULO 8)
O Capítulo 8 descreve as visões dos autores sobre como a tecnologia BIM irá
evoluir e quais são os prováveis impactos no futuro da indústria de AEC e na
sociedade como um todo. Há comentários sobre o futuro de curto (até 2012) e
longo (até 2020) prazos. Nós também discutimos os tipos de pesquisa que serão
relevantes
, para dar suporte a essas tendências.
E bastante simples antecipar os impactos no futuro próximo. Em sua
maioria, eles são extrapolações das tendências atuais. Projeções para um pe-
ríodo mais longo são aquelas que nos parecem prováveis, dado nosso conhe-
cimento da indústria de AEC e da tecnologia BIM. Além disso, é difícil fazer
. - ,, .
pro1eçoes ute1s.

,
ESTUDOS DE CASO {CAPITULO 9)
O Capítulo 9 apresenta dez estudos de caso que ilustram como a tecnologia BIM
e seus processos de trabalho associados estão sendo usados hoje. Esses estu-
dos abrangem a extensão completa do ciclo de vida da construção, apesar de a
maioria focar nas fases de projeto e construção (com uma extensa ilustração dos
modelos de construção para fabricação fora do canteiro). Para o leitor que está
ansioso por "mergulhar" diretamente no tema e ter uma visão de primeira mão do
BIM, esses estudos de caso são um bom começo.
24 Manual de BIM

Questões para discussão do Capítulo 1

1. O que é BIM e como ele difere da modelagem 30?

2. Quais são a lguns dos problemas significativos associados com


o uso do CAD 20 e como eles desperdiçam recursos e tempo
tanto na fase de projeto quanto na fase de construção, se
comparados com um processo utilizando o BIM?

3. Por que a indústria de construção não tem sido capaz de ven-


cer o impacto desses problemas na produtividade do trabalho
no canteiro, apesar de tantos avanços na tecnologia de cons-
trução?

4. Quais mudanças nos processos de projeto e construção são


necessárias para permitir o uso produtivo da tecnologia BIM?

5. Como as regras paramétricas associadas com os objetos no


BIM melhoram o processo de projeto e construção?

6. Quais são as limitações que podem ser antevistas com relação


às bibliotecas genéricas de objetos que vêm com os sistemas
BIM?

7. Por que no processo projeto-concorrência-construção é muito


d ifícil alcançar todos os benefícios que o BIM proporciona du-
rante o projeto ou a construção?

8. Que tipos de problemas legais podem ser antevistos como re-


sultado do uso do BIM com uma equipe de empreendimento
integrada?

9. Quais técnicas estão disponíveis para integrar aplicações de


análise de projeto com o modelo de construção desenvolvido
pelo arquiteto?
,
CAPITULO

Ferramentas BIM e
Modelagem Paramétrica

,
SUMARIO EXECUTIVO
Este capítulo fornece uma visão da principal tecnologia que distingue aplicativos
para projetos em BIM de outros sistemas CAD. A modelagem paramétrica ba-
seada em objetos foi desenvolvida originalmente nos anos 1980. Ela não repre-
senta objetos com geometrias e propriedades fixas. Ao contrário, ela representa
objetos por parâmetros e regras que determinam a geometria, assim como algu-
mas propriedades e características não geométricas. Os parâmetros e as regras
permitem que os objetos se atualizem automaticamente de acordo com o controle
do usuário ou mudanças de contexto. Em outras indústrias, as empresas usam a
modelagem paramétrica para desenvolver suas próprias representações de objetos
e para refletir o conhecimento corporativo e as melhores práticas. Em arquitetura,
as empresas de software BIM predefiniram um conjunto base de famílias de ob-
jetos de construção para os usuários, que podem ser estendidas, modificadas ou
acrescidas. Uma família de objetos permite a criação de qualquer número de ins-
tâncias de objetos, com formas que são dependentes de parâmetros e relaciona-
mentos com outros objetos. As empresas devem ter a capacidade de desenvolver
objetos paramétricos definidos pelo usuário e bibliotecas corporativas de objetos
para controle de qualidade personalizado e para estabelecer suas próprias me-
lhores práticas. Objetos paramétricos personalizados permitem a modelagem de
geometrias complexas que antes eram impossíveis ou simplesmente impraticáveis.
Os atributos dos objetos são necessários para fazer a interface com análises, esti-
mativas de custos e outras aplicações, mas esses atributos devem primeiramente
ser definidos pela empresa ou pelo usuário.
As ferramentas BIM atuais variam de muitas maneiras: na sofisticação de
seus objetos base predefinidos; na facilidade com que usuários podem definir
novas famílias de objetos; nos métodos para atualizar os objetos; na facilidade de
uso; nos tipos de superfícies que podem ser utilizados; nas capacidades de gera-
26 Manual de BIM

ção de desenhos; na habilidade de manipular um grande número de objetos e em


suas interfaces com outros softwares.
A maioria das ferramentas BIM de projeto de arquitetura permitem que o
usuário mescle objetos modelados em 3D com os seções desenhadas em 2D,
possibilitando aos usuários determinar o nível de detalhamento em 3D, mas ainda
produzir desenhos completos. Objetos desenhados em 2D não são automatica-
mente incluídos em listas de materiais, em análises e outras aplicações possíveis
ao BIM. Ferramentas BIM em nível de fabricação, por outro lado, representam
tipicamente cada objeto completamente em 3D. O nível da modelagem 3D é uma
variável importante entre as diferentes práticas BIM.
Este capítulo oferece uma revisão global das ferramentas para geração de
modelos BIM e algumas distinções funcionais que podem ser usadas para avaliá-
-las e selecioná-las.

HISTÓRIA DA TECNOLOGIA DE MODELAGEM DA


CONSTRUÇAO
-
2.1 . 1 Primeiras modelagens 3D de edifícios
A modelagem de geometria 3D foi um amplo objetivo de pesquisas que teve mui-
tos usos potenciais, incluindo filmes, projetos e, eventualmente, jogos. A habilida-
de de representar um conjunto fixo de formas poliédricas - formas definidas por
um volume delimitado por um conjunto de faces - com o propósito de visualiza-
ção foi desenvolvido no final dos anos 1960, e mais tarde conduziu ao primeiro
filme usando computação gráfica, Tron (em 198 7). Essas primeiras formas poli-
édricas podiam ser usadas para compor uma imagem, mas não para o projeto de
formas mais complexas. Em 1973, a fácil criação e edição de formas 3D sólidas
foram separadamente desenvolvidas por três grupos: Ian Braid, na Universidade
de Cambridge; Bruce Baumgart, em Stanford; e Ari Requicha e Herb Voelcker,
na Universidade de Rochester (Eastman 1999; Capítulo 2). Conhecidos como
modelagem de sólidos, esses esforços produziram a primeira geração de ferra-
mentas práticas de projeto com modelagem 3 D.
Duas formas de modelagem de sólidos foram desenvolvidas e competiram
pela supremacia. A abordagem de representação por fronteira (boundary repre-
sentation - B-rep) definia formas utilizando operações de união, interseção e
subtração - chamadas de operações booleanas - em múltiplas formas poliédricas,
e também utilizava operações de refinamento como chanfros, cortes ou movimen-
tação de um furo dentro de uma face. Um pequeno conjunto dessas operações
é mostrado na Figura 2-1. Os sofisticados sistemas de edição desenvolvidos pela
combinação dessas formas primitivas e das operações booleanas permitiam a ge-
ração de um conjunto de superfícies que, juntas, fechavam um volume.
Em contraste, a Geometria Sólida Construtiva (Constructive Solid Geometry
- CSG) representava uma forma como uma árvore de operações e inicialmente
contava com diversos métodos para avaliar a forma final. Um exemplo é mos-
trado na Figura 2-2. Mais tarde, esses dois métodos se fundiram, permitindo a
edição dentro da árvore CSG (algumas vezes chamada de forma não avaliada)
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 27

UM MODELO CSG :
Um conjunto de primitivas na forma de: Um conjunto de operadores:
UNIÃO (S 1i. S2, S3, ... )
INTERSEÇAO (S 1, S2)
DIFERENÇA (S 1, S2 )
PLANO (pt 11 pt 21 pt 3 ) CHANFRO (aresta, profundidade)
ESFERA (raio, transformação)
BLOCO (x, y, z, transformação)
CILINDRO (raio, comprimento, transformação)

FIGURA 2- 1 Um conjunto de formas primitivas e operadores de geometria sólida construtiva.

e também a modificação da forma pelo uso de B -rep de uso geral (chamada de


forma avaliada) . Os objetos podiam ser editados e regenerados sob demanda. A
Figura 2-2 mostra uma árvore CSG, as formas não avaliadas que ela referencia
e a forma avaliada resultante. O resultado é a mais simples das formas de um
edifício: uma forma simples cavada formando o espaço de um único andar com
um telhado de duas águas e uma abertura de porta. Note que todas as posições
e formas podem ser editadas por meio dos parâmetros de forma na árvore CSG;
no entanto, edições de formas são limitadas a operações booleanas ou outras
operações de edição mostradas na Figura 2-1. As ferramentas da primeira gera-
ção suportavam modelagem de objetos 3D facetados e cilíndricos com atributos
associados, o que permitia que os objetos fossem compostos em conjuntos de
engenharia, como motores, plantas de industriais ou edifícios (Eastman 1975;
Requicha 1980) . Essa abordagem de modelagem híbrida foi um importante pre-
cursor da modelagem paramétrica moderna.
A modelagem de edifícios baseada em modelagem de sólidos 3D foi de-
senvolvida no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Os sistemas de CAD,
como o RUCAPS (que evoluíram para o Sonata), TriCad, Calma, GDS (Day,
2002), e sistemas baseados em pesquisas da Universidade Carnegie-Mellon e da
Universidade de Michigan, desenvolveram suas capacidades básicas. (Para uma
história detalhada do desenvolvimento da tecnologia CAD, veja http://mbinfo.
mbdesign.net/CAD-History.htm). Esse trabalho foi conduzido em paralelo com
esforços em projetos de produtos mecânicos, aeroespaciais, de construção e elé-
tricos, nos quais os primeiros conceitos de modelagem de produtos e análise e
simulação integradas foram desenvolvidos. As primeiras conferências em projeto
auxiliado pelo computador eram integradas entre todas as áreas de engenharia e
projeto, resultando em altos níveis de sinergia, por exemplo, Anais das 7ª a 18ª
Conferências Anuais sobre Automação de Projetos (ACM 1969 - 1982); Confe-
rências sobre Gerenciamento de Dados Científicos e de Engenharia (NASA 1978
- 1980); Anais das conferências CAD76, CAD78, CAD80 (CAD 1976, 1978,
1980).
Sistemas CAD de modelagem de sólidos eram funcionalmente poderosos,
mas em geral ultrapassavam o poder computacional disponível. Alguns aspectos
de produção, como a geração de desenhos e relatórios, não eram bem desenvol-
vidos. O projeto de objetos 3D também era muito estranho conceitualmente para
a maior parte dos projetistas, que ficavam mais confortáveis projetando em 2D.
28 Manual de BIM

MODELO AVALIADO MODELO NÃO AVALIADO


(primitivos mostrados)

PLANO ('+..-+-1 )
~PLAN0((0.0,0.0, 1f!:~·~35.0,0.0,18.0),(35.0 , 10.0,25.0))
...
............ ... ...
... ... ... ...
......
... ... ... ...
...... ... ...
(# 1) · - _..._... _

~PLAN0((35.0, 10.0,25.0),(35.0,20.0, 18.0),(0.0,20.0, 18.0))


, ...... ... ...
I
I ... ...
I
... ...
I
... ...
SUBTRAÇÃ0(• . -$1)
i
... ... ... ... MODELO NÃO AVALIADO
... ...
... ... I
I (como armazenado)
... ... I
... ... I

SUBTRAÇÃO (• •• 1) ... , 1 I
BLOC0(4.0,3.0,7.0,(33.0,6.0, 1.0, 1.0,0,0,)

BLOCO (35.0,20.0,25.0,(0,0,0,0,0,0,))

BLOC0(34.0, 19.0,8.0,(0.5,0.5,0,1.0,0,0,))

FIGURA 2-2 Exemplo de um modelo CSG .


Embaixo: a árvore CSG não avaliada e a forma primitiva não avaliada que a árvore compõe. Acima à
direita: o conjunto de primitivos não avaliado na forma e posição parametrizadas. Acima à esquerda : o
modelo 8-rep avaliado resultante.

Os sistemas custavam muito caro acima de US$35.000 por licença. As indús-


trias de manufatura e aeroespaciais viram os benefícios potenciais em termos de
capacidade integrada de análise, redução de erros e o movimento em direção à
automação da fábrica. Eles trabalhavam com as empresas de CAD para resolver
as primeiras deficiências da tecnologia. A maior parte da indústria de construção
não reconheceu esses benefícios. Em vez disso, adotaram editores de desenhos
de arquitetura como o AutoCAD® e o Microstation®, que incrementavam os mé-
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 29

todos correntes de trabalho e suportavam a geração digital de documentos de


construção tradicionais em 2D.

2. 1 .2 Modelagem paramétrica baseada em objetos


A atual geração de ferramentas BIM de projeto de arquitetura, incluindo os Au-
todesk Revit® Architecture e Structure, o Bentley Architecture e seu conjunto
de produtos associados, a família Graphisoft ArchiCAD® e o Digital ProjectTM
da Gehry Technology, assim como ferramentas em nível de fabricação, como o
Tekla Structures, o SDS/2 e o Structureworks, desenvolveram-se a partir das
capacidades da modelagem paramétrica baseada em objetos desenvolvidas para
o projeto de sistemas mecânicos. Esses conceitos emergiram como uma extensão
das tecnologias CSG e B-rep, uma mistura de pesquisa universitária e intenso
desenvolvimento industrial, particularmente pela Parametric Technologies Cor-
poration® (PTC) nos anos 1980. A ideia básica é que instâncias de forma e outras
propriedades podem ser definidas e controladas de acordo com uma hierarquia
de parâmetros nos níveis de conjunto e subconjunto, assim como no nível de
um objeto individual. Alguns dos parâmetros dependem de valores definidos pelo
usuário; outros dependem de valores fixos, e outros são obtidos de outras formas
ou são relativos a elas. As formas podem ser 2D ou 3D.
No projeto paramétrico, em vez de projetar uma instância de um elemento
de construção como uma parede ou uma porta, um projetista define uma família
de modelos ou uma classe de elementos, que é um conjunto de relações e regras
para controlar os parâmetros pelos quais as instâncias dos elementos podem ser
geradas, mas cada uma irá variar conforme seu contexto. Objetos são definidos
usando parâmetros envolvendo distâncias, ângulos e regras como vinculado a,
paralelo a e distante de. Essas relações permitem que cada instância de um ele-
mento varie de acordo com os valores de seus parâmetros e suas relações con-
textuais. As regras ainda podem ser definidas como requisitos que o projeto deve
satisfazer, permitindo ao projetista fazer modificações, enquanto as regras verifi-
cam e atualizam detalhes para manter o elemento de projeto dentro das regras e
avisar ao usuário se essas definições não são alcançadas. A modelagem paramé-
trica baseada em objetos admite ambas as interpretações.
No CAD 3D tradicional, cada aspecto da geometria de um elemento deve
ser editado manualmente pelos usuários; em um modelador paramétrico, as geo-
metrias da forma e do conjunto ajustam-se automaticamente às modificações do
contexto e aos controles de alto nível do usuário.
Uma forma de entender como a modelagem paramétrica trabalha é exami-
nar a estrutura de uma família de paredes, incluindo seus atributos de forma e
suas relações, como mostrado na Figura 2-3. Usa-se a denominação família de
parede porque ela é capaz de gerar muitas instâncias de seu tipo em diferentes
localizações e com parâmetros variados. Uma família de parede pode se concen-
trar em paredes retas e verticais, mas a capacidade de variar a geometria, inclusive
aquelas com superfícies curvadas e não verticais, às vezes podem ser desejadas.
Um formato de parede é um volume delimitado por múltiplas faces conectadas,
algumas definidas pelo contexto e outras definidas por valores explícitos. Para
a maioria das paredes, a espessura é defmida explicitamente como dois afasta-
30 Manual de BIM

FIGURA 2-3 Estrutura conceituai de uma família de objeto parede, com várias arestas associadas
com superfícies delimitadoras.

mentos (offsets) a partir de sua linha de controle, baseada em uma espessura


nominal ou no tipo de construção. Paredes com espessuras variando na altura ou
no comprimento têm múltiplos afastamentos ou, possivelmente, um perfil verti·
cal. O formato da elevação da parede é defmido por um ou mais planos de base
de piso; sua face superior pode ser uma altura explícita ou ser definida por um
conjunto de planos adjacentes (como mostrado aqui). As extremidades da parede
são definidas por suas interseções, tendo um ponto final fixo (independente) ou
associações com outras paredes. A linha de controle da parede (aqui mostrada ao
longo de sua parte inferior) tem um ponto inicial e um ponto final, então a parede
também tem. Uma parede está associada com todas as instâncias de objetos que
a delimitam e com os múltiplos espaços que ela separa.
Aberturas de porta ou janela têm pontos de inserção definidos por um com-
primento ao longo da parede a partir de um dos seus pontos extremos até um
lado ou o centro da abertura com seus parâmetros requeridos. Essas aberturas
estão localizadas no sistema de coordenadas da parede, então se movem como
uma unidade. Uma parede ajustará seus limites movendo-se, crescendo ou enco-
lhendo à medida que o leiaute da planta do pavimento muda, com janelas e portas
também se movendo e se atualizando. Sempre que uma ou mais superfícies deli-
mitadoras da parede mudam, a parede atualiza-se automaticamente para manter
a intenção de seu leiaute original.
Uma definição bem-elaborada de uma parede paramétrica deve considerar
uma gama de condições especiais. Estas incluem os seguintes aspectos:
• Deve-se verificar se a localização da porta e da janela caem completa-
mente dentro da parede e não se sobrepõem ou não se estendem além dos
limites desta. Normalmente aparece um alerta se essas condições não são
cumpridas.
• Uma linha de controle de parede pode ser reta ou curva, permitindo à
parede formas variadas.
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 31

• Uma parede pode interceptar um piso, um teto ou paredes laterais, que


são feitos de múltiplas superfícies, resultando em uma forma de parede
mais complexa.
• As paredes podem ter seções trapezoidais, se elas forem feitas de concreto
ou outro material maleável.
• Paredes feitas de tipos construtivos e acabamentos mistos podem modifi-
car-se entre os segmentos da parede.
Com essas condições sugerem,,. deve-se ter um grande cuidado até mesmo
para definir uma parede genérica. E comum uma classe paramétrica de cons-
trução ter acima de uma centena de regras de baixo nível para suas definições.
Essas regras também explicam por que usuários podem encontrar problemas com
leiautes de parede pouco usuais - porque eles não são abrangidos pelas regras
internas - e por que é fácil determinar definições de parede que podem ser inad-
vertidamente limitadas.
Por exemplo, tome a parede de um clerestório e o conjunto de janelas mon-
tadas nele mostrados na Figura 2-4. Nesse caso, a parede deve ser colocada em
um plano de piso não horizontal. Além disso, as paredes que delimitam as extre-
midades da parede do clerestório não estão no mesmo plano-base que a parede
que está sendo delimitada. As primeiras ferramentas de modelagem BIM não
conseguiam lidar com essa combinação de condições.
Na Figura 2-5, apresenta-se uma sequência simples de operações de edição
para o projeto esquemático de um pequeno teatro. A vista superior esquerda na
Figura 2-5 mostra o teatro com duas paredes laterais em ângulo para dentro, em
direção ao palco, e uma parede separando o fundo do teatro do lobby. Em termos
de associações de fronteira, as paredes laterais do teatro estão inicialmente vincu-
ladas ao teto e ao piso, e suas extremidades estão vinculadas ao fundo do lobby e
à parede da frente do palco. O piso inclinado do teatro está vinculado às paredes
laterais do prédio.
Na Figura 2-5, acima e à direita, as paredes laterais do lobby são desvincula-
das da parede do fundo e movidas, ficando parcialmente abertas e permitindo ao
lobby fluir ao redor de suas extremidades.

FIGURA 2-4 Uma parede de clerestório em um teto que possui requisitos de modelagem paramétrico
diferentes do maioria das paredes.
32 Manual de BIM

-' ·-
-•1- · .t:io>c:• .. _ -·- ......... .
- Paredes laterais encurtadas
para aumentar o lobby

----· Parede entre o


lobby e a teatro

--- .··-1
-:::.'
• "':!:' Parede lateral

- -..

·~

Frente do palco Parede latera l

•••

Corredores a largados Mover a parede de trás


no fundo do teatro para frente

FIGURA 2-5 O leiaute conceituai de um pequeno teatro com lobby na parte de trás e dois corredores
laterais. A plateia inclinada está no meio. A parte de trás das paredes laterais é editada e o ângulo das
paredes laterais é ajustado. Por último, a parede de trás do teatro é movida para frente.

Perceba que o arco do teto é automaticamente recortado. Na figura inferior


esquerda, as paredes laterais do teatro estão reanguladas, com a parede de trás
do teatro automaticamente recortada para ficar contígua às paredes do teatro. Na
figura inferior direita, a parede de trás é movida para frente, fazendo o teatro ficar
menos profundo. A parede do fundo se reduz automaticamente para manter-se
contígua às paredes laterais, e os pisos do teatro e do vestíbulo se ajustam auto-
maticamente para se manterem contíguos à parede de trás. O ponto importante
é que os ajustes das paredes laterais com o teto e o piso inclinado do teatro são
completamente automáticos. Uma vez que a configuração espacial inicial é defi-
nida, é possível fazer edições e atualizações rápidas. Perceba que essas capacida-
des de modelagem paramétrica vão muito além daquelas oferecidas pelos siste-
mas CAD baseados em CSG anteriores. Elas suportam atualizações automáticas
de um leiaute e a preservação das relações estabelecidas pelo projetista. Essas
ferramentas podem ser extremamente produtivas.

2.1 .3 Modelagem paramétrica de edifícios


Na manufatura, a modelagem paramétrica tem sido utilizada pelas empresas para
embutir regras de projeto, de engenharia e de fabricação nos modelos paramé-
tricos de seus produtos. Por exemplo, quando a Boeing empreendeu o projeto do
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 33

777, eles determinaram as regras pelas quais os interiores de seu avião deveriam
ser definidos, para fins de aparência, fabricação e montagem. Eles refinaram a
forma externa para obter desempenho aerodinâmico por meio de centenas de
simulações de fluxo de ar - chamada de Dinâmica de Fluidos Computacional
(Computational Fluid Dynamics - CFD) -vinculadas para permitir muitas for-
mas alternativas e ajustes paramétricos. Eles pré-montaram virtualmente o avião,
a fim de eliminar mais de 6.000 requisições de modificação e atingir 90% de
redução de retrabalho em espaco. Estima-se que a Boeing investiu mais de US$1
bilhão de dólares para adquirir e configurar seu sistema de modelagem paramé-
trica para a família de aviões 777. Está disponível uma boa visão geral do esforço
da Boeing, seus pontos fortes e fracos (CalTech 1997).
De forma semelhante, a empresa John Deere, trabalhando com a LMS da Bél-
gica, definiu como eles queriam que seus tratores fossem construídos. Vários mo-
delos foram desenvolvidos baseados nas regras de projeto para manufatura (design-
-for-manufacturing - DfM) da John Deere. (www.lmsintl.com/virtuallab). Usando
modelagem paramétrica, as empresas normalmente definem como suas famílias de
objetos devem ser projetadas e estruturadas, com elas podem ser variadas parame-
tricamente e relacionadas em montagens baseadas na função e outros critérios de
produção. Nesses casos, as empresas estão embutindo conhecimento corporativo
baseado em esforços anteriores no projeto, na produção, na montagem e na manu-
tenção acerca do que funciona e do que não funciona. Isso vale a pena especialmente
quando a empresa produz muitas variações de um produto. Essa é a prática padrão
em empresas grandes de produtos aeroespaciais, de manufatura e de eletrônicos.
Conceitualmente, ferramentas de Modelagem da Informação da Construção
(BIM) são modelos paramétricos baseados em objetos com um conjunto predefi-
nido de famílias de objetos; cada uma tem comportamentos programados dentro
deles, conforme se delineou acima. Uma lista razoavelmente completa de famílias
de objetos predefinidas oferecidas pelas principais ferramentas BIM de projeto de
arquitetura é dada na Tabela 2-1 (até o início de 2007). Esses são os conjuntos de
famílias de objetos predefmidas que podem ser prontamente aplicadas aos proje-
tos de edificações em cada sistema.
Um edifício é um objeto montado, defmido dentro de um sistema BIM.
Uma configuração de modelo de construção é definida pelo usuário como uma
estrutura paramétrica dimensionalmente controlada, usando grades, níveis de pa-
vimentos e outros planos de referência globais. Alternativamente, estes podem ser
simples planos de pavimento, linhas de centro das paredes ou uma combinação
deles. Em conjunto com suas instâncias de objetos embutidas e informações pa-
ramétricas, a configuração do modelo define uma instância do edifício.
Além das famílias de objetos oferecidas pelos vendedores, uma grande quan-
tidade de sites diponibiliza famílias de objetos adicionais para baixar e usar. Estes
são os equivalentes modernos das bibliotecas de blocos de desenho que estavam
disponíveis para os primeiros sistemas de desenho 2D - mas, é claro, eles são
muito mais úteis e poderosos. A maior parte são objetos genéricos, mas há um
fornecimento crescente de modelos de produtos específicos. Estes são discutidos
na Seção 5.4.2, e são listados alguns dos sites.
Há muitas diferenças nos detalhes entre as ferramentas de modelagem
paramétrica especialmente desenvolvidas para o BIM e aquelas usadas em ou-
34 Manual de BIM

Tabela 2-1 As famílias de objetos base incorporadas nas principais ferramentas BIM
Ferramenta BIM ArchiCAD Bentley Architecture Revit Architecture Digital Project
Objetos Base vlO V8.1 V9.1 RS.v3

Modelo sólido com • • • •


features

Modelo de terreno • • •
(Modelo de (Superfície
contorno) topográfica)
Definição do espaço Manual Manual Sala (automático) Sala (automático)
Parede • • • •
Coluna • • • •
Porta • • • •
Janela • • • •
Telhado • • • Objeto personalizado
Escada • • • Objeto personalizado
Laje • • Piso •
Final de parede • •
Zona • Forro Forro
Viga • •
Objetos únicos para Claraboia, Shaft Piso, cortina de vidro, Abertura, abertura
cada sistema janela de grade, montante, por contorno
canto braçadeira, fundação

tras indústrias. Edifícios são compostos por um número muito grande de partes
simples. Suas dependências para regeneração são mais previsíveis do que as de
sistemas mecânicos em geral; no entanto, a quantidade de informação mesmo
em uma construção de porte médio, no nível do detalhe de construção, pode
causar problemas de desempenho até mesmo no computador pessoal mais bem
aparelhado. Outra diferença é que existe um amplo conjunto de práticas padrão
e códigos que podem ser prontamente adaptados e embutidos para definir os
comportamentos dos objetos. Essas diferenças têm resultado somente em algu-
mas ferramentas de modelagem paramétrica de propósito geral e são adaptadas e
usadas para Modelagem da Informação da Construção.
Um aspecto funcional das ferramentas de projeto BIM diferente das de ou-
tras indústrias é a necessidade de representar explicitamente o espaço fechado
por elementos de construção. Espaço ambientalmente condicionado é uma fun-
ção primária de um edifício. A forma, o volume, as superfícies e propriedades de
um espaço interno são aspectos críticos de uma construção. Os sistemas de CAD
anteriores não eram bons para representar o espaço explicitamente. Em geral, ele
era definido implicitamente, como aquilo que restava entre as paredes, o piso e o
teto. Deve-se agradecer à General Services Administration (GSA) por exigir que
ferramentas BIM de projeto sejam capazes de extrair volumes de espaços no pa-
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 35

drão ANSI/ BOMA, a partir de 2007. Essa capacidade foi convenientemente dei-
xada de lado na maioria dos sistemas BIM até que a GSA demandou-a no Guia
BIM GSA, declarando que a quantidade de espaço dos edifícios governamentais
deveria ser precisamente avaliada. Hoje todas as ferramentas BIM de projeto ofe-
recem essa capacidade. O Guia BIM GSA está disponível online em www.gsa.
gov/ bim. A GSA amplia seus requisitos de informação anualmente.
A modelagem paramétrica é uma capacidade crítica para a produtividade, ,,
permitindo que modificações de baixo nível se atualizem automaticamente. E jus-
to dizer que a modelagem 3D não seria produtiva no projeto e na produção de
edifícios sem as características de atualização automática possibilitadas pelas ca-
pacidades paramétricas. Cada ferramenta BIM varia em relação às famílias de ob-
jetos paramétricos que oferece, as regras embutidas nelas e o comportamento do
projeto resultante. Essas diferenças importantes serão retomadas na Seção 2.2.

2.1 .4 Objetos paramétricos definidos pelo usuário


Cada ferramenta BIM de projeto tem um conjunto crescente famílias de objetos
paramétricos predefinidos (veja a Tabela 2-1), mas estas são completas somente
para construções de tipologia mais padronizada. Elas são incompletas de duas
formas:
• Seus pressupostos internos sobre o comportamento do projeto para famí-
lias de objetos predefmidos são normativas e não incluem casos especiais
encontrados em contextos reais.
• As famílias de objetos base incluem os mais comumente encontrados, mas
omitem aqueles necessários em muitos tipos especiais de construção e de
edifícios.
Outra perspectiva é que as famílias de objetos base em uma ferramenta BIM
de projeto representam a prática padrão, como o faz o livro Architectural Graphic
Standards de Ramsey e Sleeper (Ramsey et al. 2000). Enquanto a prática padrão
reflete as convenções da indústria, as melhores práticas refletem o ajuste dos deta-
lhes, a experiência que o projetista ou a empresa adquiriram com respeito a como
os elementos devem ser detalhados. As melhores práticas distinguem a qualidade
do projeto oferecido pelas práticas de projeto de maior sucesso. Isso significa que
os objetos predefinidos que vêm com uma ferramenta BIM de projeto capturam
mais as convenções de projeto do que a competência. Qualquer empresa que se
considere habilitada em BIM deve ter a capacidade de definir suas próprias bi-
bliotecas de famílias de objetos paramétricos personalizados.
Todas as ferramentas de geração de modelo BIM suportam a definição de
famílias de objetos personalizados. Se uma família de objetos paramétricos ne-
cessária não existe na ferramenta BIM, a equipe de projeto e de engenharia tem
a opção de criar a instância do objeto usando geometria CSG ou B-rep fixa e
lembrar-se de atualizar esses detalhes manualmente, ou então definir uma nova
família de objetos paramétricos que incorpora as regras de projeto e compor-
tamento de atualização automático apropriados. Esse conhecimento embutido
captura, por exemplo, como estruturar um estilo específico de escada, como
36 Manual de BIM

detalhar a junção de diferentes materiais, como aço e concreto ou estuque sin-


tético e perfis de alumínio. Uma vez criados, estes objetos podem ser usados
em qualquer projeto no qual estejam inseridos. Claramente, a definição dos de-
talhes é uma tarefa da indústria em geral, que define práticas padronizadas de
construção, e uma atividade no nível d.a empresa, que captura a melhor prática.
Detalhamento é o que acadêmicos como Kenneth ,.Frampton designaram como a
tectônica da construção (Frampton et al. 1996). E um aspecto essencial da arte
e ofício da arquitetura.
Se uma empresa trabalha com frequência com algum tipo de construção
envolvendo famílias de objetos especiais, o trabalho adicional para defmi-las para-
metricamente é facilmente justificado. Elas proporcionam a inserção automática
das melhores práticas da empresa nos vários contextos encontrados em diferentes
projetos. Estes podem estar em um alto nível para leiautes ou para detalhamento,
e podem ter vários níveis de sofisticação.
Arquibancadas de estádios são um exemplo que justifica leiautes paramétri-
cos. Elas envolvem restrições que lidam com a capacidade de público e as linhas
de visão. Um exemplo é mostrado na Figura 2-6. As duas configurações de arqui-
bancada ligeiramente diferentes na parte de cima da figura são geradas a partir
do mesmo modelo de objeto, que define um perfil de seção em termos da largura
da linha de assentos, do alvo da linha de visada e do visual livre acima da linha de
assentos mais abaixo. A seção extrudada é então varrida ao longo de um caminho
em três partes. Os assentos à direita permitem linhas de visada para pontos mais
próximos ao campo. A caixa de diálogo para o ajuste da linha de visada é mostra-
da na parte inferior da figura. Esse tipo de leiaute é simples e direto, e baseia-se
nas capacidades de modelagem de sólidos mais antigas. Esse exemplo foi imple-
mentado no Architectural Desktop.
Um modelo paramétrico personalizado e mais elaborado para a cobertura
de um estádio é mostrado na Figura 2- 7 e na Figura 2-8. O projeto é para um
estádio de futebol com 50.000 lugares em Dublin, Irlanda, e foi elaborado pela

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FIGURA 2-6 Modelo paramétrico personalizado de arquibancada de estádio. Cortesia da HOK Sports.
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 37

HOK Sports. A geometria e forma iniciais do estádio foram desenvolvidas por


meio de uma série de modelos no Rhino. Definido por um conjunto de restrições
do terreno e regulamentos sobre linhas de visada, um modelo paramétrico foi
construído no Generative Components da Bentley, usando um arquivo baseado
em Excel para guardar a informação geométrica. Esses dados foram usados como
uma via entre a Buro Happold e a HOK Sports, permitindo à Buro Happold de-
senvolver a estrutura do telhado e à HOK desenvolver a fachada e o sistema de
cobertura, ambos no Generative Components. Tendo estabelecido um série de
regras para o modelo paramétrico, ambos os escritórios trabalharam para desen-
volver a informação da construção usando o Generative Components e o Excel
(como uma ferramenta de coordenação), que é mostrado no alto da Figura 2-8.
A HOK Sports desenvolveu posteriormente o modelo no Generative Components
da Bentley para a produção de um sistema de fachada tipo persiana, que permitia
ventilação através da cobertura do estádio, como mostrado. Uma renderização
do projeto final do estádio também é mostrada na parte inferior da Figura 2-8.
Escritórios de arquitetura mais ousados estão usando esses modelos paramétri-
cos personalizados para projetar e gerenciar geometrias complexas para projetos
individuais, resultando em uma nova categoria de formas para edifícios que difi-
cilmente eram possíveis antes.
O método padrão para a definição da maioria das famílias de objetos para-
métricos personalizadas é usar um módulo de esboço (sketch), que faz parte de

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FIGURA 2-7 As curvas de controle geradas no Generative Components. Imagem disponível por cortesia da
HOK Sports.
38 Manual de BIM

O arranjo do painel de revestimento permitindo o fluxo de ar entre as placas.

Renderização do projeto fina l em Dublin, Irlanda.

FIGURA 2-8 O leiaute detalhado da cobertura do estádio e sua renderização. Cortesia de HOK Sports.

todas as ferramentas de modelagem paramétrica. Ele é principalmente usado para


definir formas por varredura. Formas por varredura incluem perfis extrudados,
como peças de aço; formas com seções transversais variáveis, como conexões de
dutos; formas resultantes de rotação, como a revolução de um perfil de seção de
domo ao redor de uma circunferência, e outras formas. Combinada com relações
com outros objetos e operações booleanas, uma ferramenta de esboço permite
construir quase qualquer família de forma.
A ferramenta de esboço permite ao usuário a composição do desenho de
uma seção fechada 2D feita de linhas, arcos ou curvas de maior grau entre pon-
tos, não necessariamente em escala, e então dimensionar o esboço e aplicar ou-
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 39

tras regras para refletir a intenção do projeto em termos de regras paramétricas.


Uma superfície de varredura pode ser definida com diversos perfis, tanto com
interpolação entre eles quanto, em alguns casos, com transições bruscas. Quatro
exemplos de ferramentas BIM de projeto são mostrados na Figura 2-9. Cada
ferramenta tem um vocabulário diferente de regras e restrições que podem ser
aplicadas ao esboço e as operações que podem ser associadas com seus compor-
,, .
tamentos parametr1cos.
Quando se estão desenvolvendo famílias de objetos personalizados usando
B-rep ou parâmetros, é importante que os objetos carreguem os atributos neces-
sários aos diversos cálculos a que a família de objetos deve dar suporte, como
estimativas de custos e análises estruturais ou de energia. Esses atributos também
são derivados parametricamente. Esses temas serão tratados na Seção 2.2.2.

2.1.5 Projeto para construção


Enquanto todas as ferramentas BIM permitem aos usuários especificar as ca-
madas numa seção de parede em termos de uma seção 2D, algumas ferramen-
tas BIM de projeto arquitetônico incluem leiaute paramétrico de montagens de
objetos, como uma estrutura com montantes, dentro de paredes genéricas. Isso
permite o detalhamento da estrutura e a produção de uma tabela de corte das
peças, reduzindo as perdas e permitindo erguer mais rapidamente as estruturas

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FIGURA 2-9 Um esboço em forma de oito, varrido ao longo de um caminho composto por um arco e um
segmento reto para criar uma forma complexa. Os exemplos foram gerados usando as quatro principais
ferramentas BIM de projeto.
40 Manual de BIM

de montantes de metal ou madeira. Em estruturas de grande escala, opções se-


melhantes de leiaute de montantes e estruturas são extensões necessárias para a
fabricação. Nesses casos, os objetos e regras lidam com objetos como peças e sua
composição em um sistema - estrutural, elétrico, hidráulido, etc. Nos casos mais
complexos, cada uma das peças do sistema é internamente composta de suas pe-
ças constituintes, como a estrutura de madeira ou a armadura no concreto.
As ferramentas BIM para projeto de edifícios focam em objetos no nível da
arquitetura, mas um conjunto diferente de ferramentas para criação e edição tem
sido desenvolvido para modelar no nível de fabricação. Essas ferramentas ofere-
cem diferentes famílias de objetos agregando diferentes tipos de conhecimento
específico. Os primeiros exemplos desse tipo de pacote foram desenvolvidos para
a fabricação em aço, como o SDS!2®da Design Data, o X-steel ®da Tekla e o
StruCad ® da AceCad. Inicialmente estes eram simples sistemas de leiaute 3D
com famílias de objetos paramétricos predefinidos para conexões, capas que re-
cortavam componentes em torno das juntas das seções de aço e outras operações
de edição. Essas capacidades foram aumentadas para dar suporte ao projeto au-
tomático baseado em cargas, conexões e componentes. Com a associação com
máquinas CNC de corte e perfuração, esses sistemas se tornaram parte integrante
da fabricação automatizada em aço. De maneira semelhante, sistemas foram de-
senvolvidos para concreto pré-moldado, concreto armado, dutos metálicos, tubu-
lação e outros sistemas prediais.
Avanços recentes foram feitos na engenharia do concreto com os concre-
tos moldado in loco e o pré-moldado. A Figura 2-10 mostra armaduras em pré-
-moldados para alcançar os pré-requisitos estruturais. O leiaute se ajusta auto-
maticamente ao tamanho da seção e ao leiaute das colunas e vigas. Ele se ajusta
para reforçar as conexões, seções irregulares e aberturas. Operações de modela-
gem paramétrica podem incluir operações de subtração e adição de formas que
criam intradorsos, fendas, bordas arredondadas e recortes definidos pelo posi-
cionamento de outras peças. Um exemplo de fachada pré-moldada é mostrado
na Figura 2-11, em termos do modelo 3 D e do desenho da peça (o desenho que
a descreve). Cada subsistema do edifício requer seu próprio conjunto de famílias
de objetos paramétricos e regras para gerenciar o leiaute do sistema; as regras
definem o comportamento padrão de cada objeto dentro do sistema.
Regras paramétricas estão começando a codificar grandes quantidades de
conhecimento especialista dentro de cada domínio de sistema de construção a
respeito de como as partes devem ser dispostas e detalhadas. As famílias atuais
de objetos paramétricos fornecidas como objetos base nas ferramentas BIM pro-
porcionam informações semelhantes àquelas fornecidas pela publicação Archi-
tectural Graphic Standards (Ramsey et al. 2000), porém num formato que auto-
maticamente suporta a defmição, leiaute, conexão e detalhamento das peças no
computador. Esforços mais ambiciosos estão em andamento entre diversas as-
sociações de materiais de construção, como o Guia de Projeto em Aço, do Ame-
rican Institute of Steel Construction (AISC 2007), que conta com 21 volumes,
e o Manual de Projeto do Precast/Pre-stressed Concrete Institute (PCI 2004) .
Consórcios de membros dessas organizações têm trabalhado em conjunto para
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 41

FIGURA 2-1 O Leiaute automático da armadura e conexões para concreto pré-moldado no Tekla Structures.

esboçar especificações para definição de leiautes e comportamentos dos objetos


em projetos de pré-moldados e de aço. O uso dessas ferramentas por fabricantes
é discutido em mais detalhes no Capítulo 7. Deve-se notar que, apesar do fato de
os fabricantes terem atuado diretamente na defmição dessas famílias de objetos
base e comportamentos padrão, eles frequentemente precisam ser mais perso-
nalizados, de forma que o detalhamento embutido no software reflita as práticas
de engenharia da empresa. Também é preciso notar que os arquitetos ainda não
tomaram esse caminho, e confiam nos desenvolvedores das ferramentas BIM de
projeto para definirem suas famílias de objetos base. Eventualmente os manuais
de projeto serão fornecidos dessa forma, como um conjunto de modelos e regras
, .
parametr1cos.
Na modelagem para fabricação, detalhadores refmam seus objetos paramé-
tricos por razões bem compreendidas: minimizar trabalho, alcançar uma aparên-
cia visual específica, reduzir o conjunto de tipos diferentes de equipes de trabalho
ou minimizar os tipos ou tamanhos dos materiais. Implementações padronizadas
em manuais tratam tipicamente de uma entre múltiplas abordagens aceitáveis
para o detalhamento. Em alguns casos, vários objetivos podem ser alcançados
usando as práticas de detalhamento padrão. Em outras circunstâncias, essas prá-
ticas de detalhamento podem ser suplantadas. As melhores práticas de uma em-
presa ou uma interface padrão para um equipamento de fabricação particular
podem demandar maior personalização.
42 Manual de BIM

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FIGURA 2-11 Um modelo paramétrico de painel arquitetônico pré-moldado e o desenho detalhado dele.
Imagem fornecida por cortesia de High Cancrete Struetures.
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 43

2.1 .6 Sistemas CAD baseados em objetos


Muitos sistemas CAD em uso não são ferramentas BIM baseadas em modelagem
paramétrica de propósito geral como aquelas que foram discutidas até aqui. Ao
contrário, eles são modeladores B-rep tradicionais possivelmente com uma árvo-
re de construção baseada em CSG e uma biblioteca de classes de objetos. Ferra-
mentas de modelagem ao nível de construção baseadas no AutoCAD ®,como o
CADPipe, o CADDUCT, e o Architectural Desktop (ADT) são exemplos de tec-
nologias de software mais antigas. Alguns produtos da Bentley com vocabulários
fixos para classes de objetos também são desse tipo. Dentro do ambiente desses
sistemas CAD, os usuários podem selecionar, dimensionar parametricamente e
dispor objetos 3D com atributos associados. Essas instâncias e atributos dos ob-
jetos podem ser exportados e usados em outras aplicações, como para listas de
material, fabricação, etc.
Esses sistemas funcionam bem quando há um conjunto fixo de classes de
objetos para serem compostos usando regras fixas. Aplicações apropriadas in-
cluem: tubulação, dutos e sistemas de canaletas de cabeamento para leiaute elé-
trico. O ADT foi desenvolvido dessa forma pela Autodesk, ampliando incremen-
talmente as classes de objetos que ele poderia modelar para englobar aquelas
mais comumente encontradas na construção. O ADT também suporta definições
personalizadas de extrusões e formas B-rep, mas não suporta interações entre as
instâncias de objetos definidas pelo usuário. Novas classes de objetos são acres-
centadas a esses sistemas por meio de interfaces de programação das linguagens
ARXou MDL.
Uma diferença importante do BIM é a possibilidade de os usuários defini-
rem estruturas muito mais complexas de famílias de objetos e relações entre eles
do que é possível com o CAD 3 D, sem recorrer a desenvolvimento em nível de
programação de software. Com o BIM, um sistema de parede-cortina ligada a co-
lunas e lajes pode ser definido a partir do esboço por alguém experiente, mas que
não é programador. Tal tarefa exigiria o desenvolvimento de uma grande extensão
do aplicativo no CAD 3 D.
Outra diferença fundamental é que, em um modelador paramétrico, os
usuários podem definir famílias de objetos personalizadas e relacioná-las a obje-
tos existentes ou grades de controle, também sem recorrer à programação com-
putacional. Essas novas capacidades permitem que organizações definam famílias
de objetos do seu próprio modo e suportem seus próprios métodos de detalha-
mento e leiaute. Tais capacidades foram críticas para as aplicações de manufatu-
ra, como aquelas que lidam com processos de fabricação e projetos de produtos
divergentes. Na construção, essas capacidades são aproveitadas de forma seme-
lhante por ferramentas em nível de fabricação, como aquelas que permitem que
os fabricantes em aço definam detalhes de conexão e os projetistas de concreto
pré-moldado e moldado in loco definam conexões e leiautes de armaduras. A
modelagem paramétrica transforma a modelagem de uma ferramenta de projeto
geométrico em uma ferramenta de inserção de conhecimento. As implicações
dessa capacidade no projeto de edificações e na construção estão apenas come-
çando a ser exploradas.
44 Manual de BIM

AS VARIADAS CAPACIDADES DOS MODELADORES


PARAMÉTRICOS
Em geral, a estrutura interna de uma instância de um objeto, como definida dentro
de um sistema de modelagem paramétrica, é um grafo orientado, onde os nós são
famílias de objetos com parâmetros ou operações que constroem ou modificam
um objeto, e os arcos no grafo, relações de referência entre os nós. Nesse nível,
os sistemas variam em como os detalhes (features) são predefinidos e embutidos
em um objeto (como uma conexão de aço) e se objetos paramétricos podem ser
embutidos em um conjunto paramétrico maior e posteriormente em conjuntos
maiores ainda, conforme necessário. Alguns sistemas oferecem a opção de deixar
o grafo paramétrico visível para edição. Os primeiros sistemas paramétricos pre-
cisavam de uma reconstrução completa de um modelo com conjunto montado de
peças, percorrendo o grafo completo para responder a edições do modelo. Siste-
mas paramétricos modernos marcam internamente onde as edições foram feitas
e somente regeneram as partes afetadas do grafo do modelo, minimizando a se-
quência de atualização. Alguns sistemas permitem a otimização do grafo de atua-
lização da estrutura baseados nas mudanças feitas, e podem variar a sequência de
regeneração. Outros sistemas, chamados de sistemas variacionais, usam sistemas
de equações simultâneas para resolver equações (Anderl et al. 1996). Essas capa-
cidades resultam em desempenho e escalabilidade variados para lidar com projetos
envolvendo um grande número de instâncias de objetos e regras.
A gama de regras que podem ser embutidas em um grafo paramétrico de-
termina a generalidade do sistema. Famílias de objetos paramétricos são definidas
usando parâmetros que envolvem distâncias, ângulos e regras como: ligado a,
paralelo a e distância de. A maioria permite condições "se-então". Sua defmição
é uma tarefa complexa, embutindo conhecimento sobre como eles devem com-
portar-se em diferentes contextos. Condições "se-então" substituem uma família
de objetos ou um detalhe de projeto por outro, com base no resultado do teste de
alguma condição. Elas são usadas em detalhamento estrutural, por exemplo, para
selecionar o tipo desejado de conexão, dependendo das cargas e os elementos que
estão sendo conectados. Essas regras também são necessárias para definir efeti-
vamente caminhos de dutos e tubulações, inserindo automaticamente cotovelos e
tês corretamente especificados.
Algumas ferramentas de projeto BIM suportam relações paramétricas para
curvas e superfícies complexas, como splines e B-splines não uniformes (NUR-
BS). Essas ferramentas permitem que formas curvas complexas sejam definidas e
controladas de maneira semelhante a outros tipos de geometria. Várias das prin-
cipais ferramentas BIM no mercado não incluem essas capacidades, possivelmen-
te por razões de desempenho e confiabilidade.
A definição dos objetos paramétricos também proporciona diretrizes para
sua posterior cotagem em desenhos. Se janelas são posicionadas em uma parede
de acordo com um deslocamento de uma extremidade da parede até o centro da
janela, a cotagem padrão será feita dessa forma em desenhos posteriores. A linha
de controle da parede e as interseções das extremidades definem o posicionamento
da cota da parede. (Em alguns sistemas, esses padrões podem ser suplantados.)
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 45

Uma capacidade básica dos sistemas de modelagem 3D paramétrica é a


detecção de interferência entre objetos. Estes podem ser interferências estritas
(hard), como um tubo que encontra uma viga, ou interferências brandas (soft)
de objetos que estão muito perto um do outro, como vergalhões numa arma-
dura com espaçamento muito estreito para o agregado passar ou uma viga de
aço ou tubo que possui espaço insuficiente para a isolação ou uma cobertura
de concreto. Os objetos que são automaticamente posicionados por regras pa-
ramétricas podem levar as interferências em conta e atualizar automaticamente
o leiaute para evitá-las. Outros não o fazem. Essa questão varia de acordo com
os objetos específicos que estão sendo posicionados e as regras embutidas ne-
les.
Espaços fechados são as unidades funcionais primárias produzidas na maio-
ria das construções de edificações. Sua área, volume, composição da área super-
ficial e frequentemente sua forma e distribuição interna estão entre os aspectos
mais críticos para cumprir os objetivos do empreendimento de construção. Os es-
paços são os vazios dentro dos objetos sólidos da construção e em geral derivam
dos sólidos do entorno. Eles são derivados nas ferramentas atuais de diferentes
maneiras: definidos automaticamente e atualizados sem a intervenção do usuá-
rio; atualizados sob demanda; gerados em planta, defmidos por uma poligonal e
então extrudados até altura do teto. Esses métodos proporcionam vários níveis de
consistência, gerenciamento pelo usuário e precisão. Ao mesmo tempo, as defini-
ções de espaço contêm as localizações da maior parte das funções do edifício, e
muitas análises são aplicadas a elas, como para simulações de energia, acústica e
fluxo de ar. O US General Services Administration realizou um primeiro nível de
capacidades nessa área, mas essa habilidade se tornará cada vez mais importante
para alguns usos discutidos no Capítulo 5. As capacidades das ferramentas de
projeto BIM para definição de espaço (até o início de 2007) estão mostradas na
Tabela 2-1 .
A modelagem de objetos paramétricos fornece uma maneira poderosa para
criar e editar geometria. Sem ela, a geração e o projeto de modelos seriam extre-
mamente incômodos e sujeitos a erros, como constatou com grande desaponta-
mento a comunidade da engenharia mecânica depois do desenvolvimento inicial
da modelagem de sólidos. Projetar uma construção que contém um milhão ou
mais de objetos pode ser impraticável sem uma plataforma que permita uma efe-
tiva edição de projetos automática de baixo nível.

2 .2. 1 Estruturas topológicas


Quando colocamos uma parede em um modelo paramétrico de um edifício, as-
sociamos automaticamente a parede às superfícies que a delimitam, seus planos
de piso base, as paredes que suas extremidades encontram, qualquer parede que
a encontre e as superfícies do teto recortando sua altura. Ela também limita os
espaços em seus dois lados. Quando se coloca uma janela ou uma porta em uma
parede, define-se uma relação de conexão entre a janela e a parede. Da mesma
forma, em tubulações é importante definir se as conexões são rosqueadas, sol-
dadas ou têm flanges e parafusos. As conexões em matemática são chamadas de
46 Manual de BIM

topologia e - diferentemente da geometria - são essenciais para a representação


de um modelo de construção e são um dos aspectos fundamentais da modelagem
paramétrica.
As conexões carregam três importantes tipos de informação: o que pode
ser conectado; em que consiste a conexão; e como ela é composta em resposta a
vários contextos. Alguns sistemas restringem os tipos de objeto a que um objeto
pode ser conectado. Por exemplo, em alguns sistemas, as paredes podem conec-
tar-se a paredes, tetos e pisos, mas uma aresta de parede não pode se conectar a
uma escada, a uma janela (perpendicularmente) ou a um armário. Alguns siste-
mas incluem boas práticas para excluir relações como essas. Por outro lado, proi-
bi-las pode forçar os usuários a recorrer a alternativas em certas circunstâncias
especiais. As conexões entre objetos podem ser manipuladas de diferentes formas
em modelos de construção. Os pregos de uma placa de gesso acartonado ou de
montantes de madeira na guia do piso raramente são detalhados, mas são cober-
tos por uma especificação escrita. Em outros casos, a conexão deve ser definida
explicitamente com um detalhe, como os detalhes para embutir janelas em painéis
arquitetônicos pré-moldados. (Aqui se usa a palavra conexão genericamente para
incluir junções e outras ligações entre elementos.) A topologia e as conexões são
aspectos críticos de uma ferramenta BIM que especifica quais tipos de relações
podem ser definidas nas regras. Elas também são importantes como objetos de
projeto, e geralmente requerem especificação ou detalhamento. Em ferramentas
BIM de arquitetura, as conexões raramente são definidas como elementos explíci-
tos. Em ferramentas BIM em nível de fabricação, elas sempre são definidas como
elementos explícitos.

2 .2.2 Manipulação de propriedades e atributos


A modelagem paramétrica baseada em objetos trata geometria e topologia, mas
os objetos precisam carregar uma variedade de propriedades se eles forem inter-
pretados, analisados, precificados e adquiridos por outras aplicações.
As propriedades incluem especificações de material necessárias para a fa-
bricação, como resistência do aço ou do concreto e especificações de parafusos
e soldas; propriedades de materiais relacionadas a itens de desempenho, como
acústica, refletância de luz e fluxo térmico; propriedades para montagens, como
sistemas de parede e piso a teto ou montagens de aço e concreto pré-moldado
baseados em peso, comportamento estrutural, etc.; e propriedades de espaços,
como ocupação, atividades e equipamentos necessários para análises energéticas.
As propriedades raramente são usadas de maneira separada. Uma aplicação
de iluminação requer cores de materiais, coeficiente de reflexão, expoente de re-
flexão especular e possivelmente um mapa de textura e relevo. Para análise precisa
de energia, uma parede requer um conjunto diferente. Então, as propriedades são
organizadas de forma apropriada em conjuntos e associadas com certas funções.
As bibliotecas de conjuntos de propriedades para diferentes objetos e materiais
são parte integral de uma ferramenta de geração de modelos BIM bem desenvol-
vida e do ambiente no qual a ferramenta reside. Os conjuntos de propriedades
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 47

nem sempre são disponibilizados pelo fornecedor do produto, e frequentemente


têm de ser aproximados pelo usuário, pela empresa do usuário ou a partir de
dados daAmerican Society of Testing and Materiais (ASTM). Ainda que as orga-
nizações como o Construction Specifications Institute estejam examinando esses
temas, o desenvolvimento de conjuntos de propriedades para dar suporte a uma
grande gama de ferramentas de simulação e análise ainda não foi adequadamente
tratado, e é deixado a cargo dos usuários.
A geração atual de ferramentas BIM tem como padrão um conjunto mínimo
de propriedades para a maioria dos objetos e oferece a capacidade de acrescentar
um conjunto extensível. Diversas ferramentas BIM existentes oferecem classes
UniformatTMpara associar elementos para estimativa de custos. Os usuários ou
uma aplicação devem acrescentar propriedades para cada objeto relevante para
produzir certo tipo de simulação, estimativa de custo ou análise, e também devem
gerenciar sua adequação para várias tarefas. O gerenciamento dos conjuntos de
propriedades se torna problemático porque diferentes aplicações para a mesma
função podem demandar propriedades e unidades um tanto diversas, como para
energia e iluminação.
Há pelo menos três caminhos para o gerenciamento das propriedades para
um conjunto de aplicações:
• Pela predefmição delas em bibliotecas de objetos de forma que elas são
acrescentadas ao modelo de projeto quando uma instância do objeto é
criada.
• Pelo usuário, acrescentando-as conforme necessárias para uma aplicação
a partir de uma biblioteca de conjuntos de propriedades armazenada.
• Pelas propriedades sendo automaticamente atribuídas, quando elas são
exportadas para aplicações de análise ou simulação.
A primeira alternativa é boa para o trabalho de produção envolvendo um
conjunto padrão de tipos de construção, mas requer uma cuidadosa definição
do usuário para objetos personalizados. Cada objeto carrega uma quantidade
extensa de dados de propriedades para todas as aplicações relevantes, mas so-
mente algumas podem ser efetivamente usadas. Definições extras podem di-
minuir o desempenho de uma aplicação e aumentar o tamanho de seus obje-
tos. A segunda alternativa permite que os usuários selecionem um conjunto
de objetos semelhantes ou conjuntos de propriedades para exportar para uma
aplicação. Isso resulta num processo de exportação mais demorado. O uso rei-
terado de ferramentas de simulação pode requerer a adição das propriedades
toda vez que a aplicação for executada. Isso pode ser necessário, por exemplo,
para examinar sistemas alternativos de janelas e paredes para eficiência ener-
gética. A terceira abordagem mantém a aplicação de projeto leve, mas requer
o desenvolvimento de uma rotulagem de materiais compreensiva, que possa
ser usada por todos os tradutores na exportação para associar um conjunto de
propriedades para cada objeto. Os autores acreditam que a terceira abordagem
é desejável em longo prazo para manipulação de atributos. As classificações de
objetos e rotulagem de nomes necessárias para essa abordagem ainda precisam
48 Manual de BIM

ser desenvolvidas. Atualmente, múltiplas rotulagens devem ser desenvolvidas,


uma para cada aplicação.
O desenvolvimento de conjuntos de propriedades e bibliotecas de classifi-
cação de objetos apropriadas ao suporte de tipos diferentes de aplicações é um
tema amplo, que está sendo considerado pelo Construction Specification Insti-
tute of North America e por outras organizações nacionais de especificação. Isso
é considerado com maior detalhe na Seção 5.3.3. Uma solução completa ainda
não existe, mas precisa ser desenvolvida para a utilização integral das tecnologias
BIM.
Bibliotecas de objetos, representando as melhores práticas das empresas e
produtos de construção comerciais específicos, são importantes componentes de
um ambiente BIM. Essa importante facilidade é revista na Seção 5.4.

2 .2 .3 Geração de desenhos
Mesmo que um modelo de construção possua um leiaute geométrico completo
de uma construção e seus sistemas - e os objetos possuam propriedades e espe-
cificações - os desenhos continuarão a ser necessários, como relatórios extraídos
do modelo, ainda durante algum tempo. Os processos contratuais existentes e a
cultura do trabalho, apesar de estar mudando, ainda são centrados em desenhos,
seja em papel ou eletrônicos. Se uma ferramenta BIM não dá suporte efetivo à
extração de desenhos e um usuário tem de fazer muitas edições manuais para
gerar cada conjunto de desenhos a partir de cortes, os benefícios do BIM são
significativamente reduzidos.
Com a modelagem da informação da construção, cada instância de objeto
da construção - sua forma, propriedades e posicionamento no modelo - é defini-
da somente uma vez. A partir do arranjo geral das instâncias de objetos da cons-
trução, desenhos, relatórios e conjuntos de dados podem ser extraídos. Devido a
essa representação não redundante da construção, todos os desenhos, relatórios
e conjuntos de dados para análises são consistentes se retirados da mesma versão
do modelo da construção. Essa capacidade por si só já resolve uma fonte signifi-
cante de erros e garante a consistência interna de um conjunto de desenhos. Com
desenhos de arquitetura 2D normais, qualquer modificação ou edição deve ser
transferida manualmente a múltiplos desenhos pelo projetista, resultando em er-
ros humanos potenciais pela não atualização de todos os desenhos corretamente.
Em construções pré-moldadas de concreto, essa prática 2D têm se mostrado cau-
sadora de erros que custam aproximadamente 1% do que é gasto na construção
(Sacks et al. 2003) .
Desenhos de arquitetura não se baseiam em projeções ortográficas, como
se aprende nas classes de desenho da escola. Ao contrário, desenhos como as
plantas, cortes e elevações incorporam conjuntos complexos de convenções para
registrar graficamente as informações de projeto nas folhas de papel. Isso inclui
a representação simbólica de alguns objetos físicos, a representação tracejada de
geometrias que ficam atrás do plano de corte em plantas, e uma representação
muito seletiva com linhas tracejadas de objetos à frente do plano de corte, além
das espessuras de linha e anotações. Sistemas mecânicos, elétricos e hidráuli-
cos em geral são representados esquematicamente (topologicamente), deixando
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 49

o leiaute fmal para o empreiteiro, depois que os equipamentos já tenham sido


escolhidos. Essas convenções exigem que as ferramentas BIM de projeto incluam
um forte conjunto de regras de representação em suas capacidades de extração de
desenhos. Além disso, as convenções individuais das empresas devem ser acres-
centadas a estas convenções embutidas nas ferramentas. Essas questões afetam
não só como o modelo é definido dentro da ferramenta, mas também como a
ferramenta é ajustada para a extração de desenhos.
Parte de uma definição de desenhos é derivada de como um objeto é defi-
nido, como descrito anteriormente. O objeto tem um nome associado, anotações
e, em alguns casos, formatos de espessura de linha para a apresentação em di-
ferentes vistas que são carregados na biblioteca de objetos. O posicionamento
do objeto também tem implicações. Se o objeto é posicionado em relação a uma
interseção da grade ou a uma extremidade de parede, é dessa forma que a posição
do objeto será cotada no desenho. Se o objeto é parametricamente definido em
relação a outros objetos, como o comprimento de uma viga que será posicionada
de forma a cobrir a distância entre suportes com espaçamentos variados, então
o gerador de desenho não cotará automaticamente o comprimento, a menos que
se diga ao sistema para derivar o comprimento da viga no momento da geração
do desenho.
A maioria dos modelos BIM de edificações não incluem informações 3 D e
atributos para todos os componentes de uma construção. Muitos são mostrados
somente em detalhes em corte. A maioria das ferramentas BIM de projeto forne-
cem meios para extrair um desenho em corte no nível de detalhe no qual ele foi
defmido no modelo 3D. A posição da seção é registrada automaticamente com
um símbolo de corte em uma vista em planta ou em elevação como uma referên-
cia cruzada, e sua localização pode ser movida, se necessário. O corte é detalhado
manualmente mostrando os blocos de madeira, perfis, selantes e vedações neces-
sários; e as anotações associadas são colocadas no corte detalhado desenhado.
Um exemplo é mostrado na Figura 2-12, com a figura à esquerda mostrando o
corte extraído e a da direita mostrando o corte detalhado com anotações dese-
nhadas. Na maioria dos sistemas, esse detalhamento é associado ao corte no qual
ele foi baseado. Quando elementos 3D no corte se modificam, eles se atualizam
automaticamente no corte, mas os detalhes desenhados à mão devem ser atuali-
zados manualmente.
Para produzir desenhos, cada planta, corte e elevação é composta separa-
damente com base nas regras acima de uma combinação de cortes 3D e seções
2D alinhadas. Eles são agrupados em folhas com margens e legendas. Os leiautes
das folhas são mantidos entre as sessões e são parte dos dados gerais do empre-
endimento.
A produção de desenhos a partir de um modelo 3D detalhado passou por
uma série de refmamentos para torná-la eficiente e fácil. Abaixo se encontra uma
lista ordenada de níveis de qualidade que agora podem ser suportados tecnica-
mente, apesar de a maioria dos sistemas não ter atingido o nível máximo na gera-
ção de desenhos. A lista inicia com o nível mais fraco.
1. Um nível fraco de produção de desenhos oferece a geração de vistas
ortográficas em corte a partir de um modelo 3D, e o usuário edita ma-
50 Manual de BIM

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FIGURA 2-12 O corte inicial extraído do modelo da construção (esquerda) e o desenho detalhado
manualmente, elaborado a partir do corte (direita). Imagem fornecida por cortesia da Autodesk.

nualmente os formatos de linha e acrescenta cotas, detalhes e anota-


ções. Esses detalhes são associativos, isto é, enquanto o corte existir no
modelo, as anotações são mantidas ao longo das versões do desenho.
Essas capacidades de associação são essenciais para a efetiva regene-
ração de desenhos para múltiplas versões. Nesse caso, o desenho é um
relatório elaborado gerado a partir do modelo.
2. Uma melhoria sobre o nível 1 (acima) é a definição e o uso de gabaritos
de desenho associados aos elementos para um tipo de projeção (planta,
corte, elevação) que gera automaticamente cotas do elemento, atribui
espessuras de linha e gera anotações a partir de atributos definidos.
Isso acelera bastante a configuração inicial do desenho e melhora a
produtividade, apesar de a configuração para cada família de objetos
ser tediosa. Somente modificações na apresentação dos dados podem
ser feitas nos desenhos; edições no desenho não modificam o modelo.
Nesses dois primeiros casos, o gerenciamento de relatórios deve ser
fornecido para informar ao usuário que foram feitas mudanças no mo-
delo, mas os desenhos não podem se atualizar automaticamente para
refletir essas mudanças até que eles sejam regenerados.
3. Atuais funcionalidades de desenho de alto nível dão suporte à edição
bidirecional entre modelos e desenhos. Se os desenhos são uma visão
especializada dos dados do modelo, então mudanças de forma feitas
nos desenhos devem ser permitidas e propagadas para o modelo. Nesse
caso, os desenhos são atualizados. Se mostradas em janelas ao lado de
vistas do modelo 3D, atualizações em qualquer vista podem ser refe-
renciadas imediatamente nas outras vistas. Vistas bidirecionais e forte
capacidade de geração de gabaritos reduzem ainda mais o tempo e o
esforço necessários para a geração de desenhos.
Tabelas de portas, janelas e ferragens são defrnidas de maneira similar às
três alternativas descritas. Isso significa que tabelas também são vistas do modelo
e podem ser atualizadas diretamente. Um método gerador de relatórios estático
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 51

é o mais fraco, e uma potente abordagem bidirecional é o mais forte. Tal bidire-
cionalidade oferece benefícios importantes, incluindo a habilidade de trocar as
ferragens usadas em um conjunto de portas por aquelas recomendadas na tabela,
em vez trocá-las através do modelo.
Em sistemas de modelagem BIM em nível de fabricação, esse sistema mis-
turando leiaute 3D esquemático e detalhamento 2D não é usado, e assume-se
que o projeto seja gerado principalmente a partir do modelo 3D do objeto. Nes-
ses casos, vigotas, montantes, bases, soleiras e outras peças mostradas na Figura
2-12 devem ser colocadas em 3D. Espessuras de linha e hachuras são definidas
para o tipo de peça e aplicadas automaticamente. Alguns sistemas armazenam e
colocam anotações associadas aos cortes dos objetos, ainda que essas anotações
geralmente precisem de um reposicionamento para a obtenção de um leiaute bem
composto. Outras anotações referem-se aos detalhes como um todo, como nome,
escala e outras notas gerais, e estas devem ser associadas ao desenho como um
todo. Tais capacidades chegam perto de uma extração automática, mas é impro-
vável que a automação seja completa.
Folhas de desenho tipicamente carregam mais informação do que plantas,
cortes e elevações de um edifício. Elas incluem uma planta de situação, que mos-
tra o posicionamento da construção no terreno relativo a um dado geoespacial
registrado. Algumas ferramentas de projeto BIM possuem capacidades de pla-
nejamento de terreno bem desenvolvidas, outras não. A Tabela 2-1 mostra quais
ferramentas de projeto BIM incluem objetos de terreno.
Um objetivo atual óbvio é automatizar o processo de produção de desenhos
o máximo possível, uma vez que a maior parte dos benefícios iniciais de pro-
dutividade de projeto (e custos) dependerá da extensão da geração automática.
Em algum ponto, a maioria dos participantes envolvidos no empreendimento da
construção adaptará suas práticas à tecnologia BIM, como os fiscais de constru-
ções e instituições financeiras; estamos nos dirigindo lentamente em direção a um
mundo sem papel. Os desenhos continuarão a ser usados, mas como folhas de
revisão descartáveis para as equipes de construção e outros usos. A ' medida que
essas mudanças se tornam realidade, as convenções para desenhos de arquitetura
provavelmente evoluirão, permitindo que sejam personalizados para tarefas espe-
cíficas nas quais eles são usados. Essa tendência está descrita com maior detalhe
na Seção 2.3.3.
Deve estar claro nesse ponto que a tecnologia BIM geralmente permite aos
projetistas usarem a modelagem 3D em graus variados, com desenhos de cortes
2D preenchendo os detalhes que faltam. Os benefícios do BIM em intercâmbio
de dados, lista de materiais, estimativa de custos detalhada e outras ações são
perdidos nesses elementos defmidos somente em seções 2D. Assim, a tecnologia
BIM permite aos usuários determinarem o nível de detalhamento de modelagem
3D que eles desejam usar. Pode-se argumentar que uma modelagem completa
de objetos 3D não é razoável. Poucos defenderiam a inclusão de pregos, rufos e
algumas formas de barreira de vapor como objetos 3D em um modelo de cons-
trução. Por outro lado, a maioria dos projetos hoje só está suportando o BIM
parcialmente. Modelos ao nível de fabricação provavelmente são (ou deveriam
ser) totalmente BIM. Essa tecnologia mista também é boa para empresas que
52 Manual de BIM

estão começando com o BIM, uma vez que elas podem utilizar a tecnologia de
modo incremental.

2.2.4 Escalabilidade
Um problema que muitos usuários encontram é a escalabilidade. Os problemas
de escalabilidade são encontrados quando um modelo se torna muito grande para
uso prático, devido ao seu grande tamanho em memória. As operações se tornam
muito lentas, de forma que até mesmo operações simples se tornam impraticá-
veis. Modelos de edifícios são grandes; mesmo formas 3D simples usam muito
espaço de memória. Grandes edificações podem conter milhões de objetos, cada
um com uma forma diferente. A escalabilidade é afetada tanto pelo tamanho do
edifício, por exemplo, em área, como pelo nível de detalhe do modelo. Mesmo
uma construção simples pode encontrar problemas de escalabilidade se cada pre-
go e parafuso for modelado.
A modelagem paramétrica incorpora regras de projeto que relacionam a
geometria ou outros parâmetros de um objeto com aqueles de outros objetos.
A mudança de uma grade de controle pode propagar atualizações para toda a
construção. Assim, é difícil dividir um projeto em partes para o desenvolvimento.
As ferramentas BIM desenvolvidas para arquitetura geralmente não possuem os
meios para gerenciar um projeto espalhado em múltiplos arquivos de objetos. Al-
guns sistemas precisam carregar todos os objetos atualizados na memória simul-
taneamente e são considerados baseados em memória. Quando o modelo se torna
grande demais para ser mantido na memória, ocorre o uso da memória virtual, o
que pode resultar em um tempo de espera significativo. Alguns sistemas possuem
métodos para propagar relações e atualizações entre os arquivos e podem abrir,
atualizar e fechar múltiplos arquivos em uma única operação. Eles são chamados
de sistemas baseados em arquivos. Sistemas baseados em arquivos geralmente
são mais lentos para projetos pequenos, mas sua velocidade diminui aos poucos à
medida que o tamanho do projeto cresce.
De acordo com essas definições, o Revit e o ArchiCAD são baseados em
memória; Bentley, Digital Project e Tekla Structures são baseados em arquivos.
Os processos de trabalho para ferramentas específicas podem mitigar alguns dos
problemas associados com a escalabilidade. Estes devem ser discutidos com os
vendedores dos produtos.
Questões relativas à memória e ao processamento naturalmente diminuirão
à medida que os computadores se tornarem mais rápidos. Processadores e siste-
mas operacionais de 64 bits também proporcionarão uma ajuda significativa. Em
paralelo, no entanto, haverá o desejo por modelos de construção mais detalhados.
Problemas de escalabilidade estarão entre nós por algum tempo.

2.2.5 Questões abertas


Pontos fortes e limitações da modelagem paramétrica baseada em objetos
Um dos principais benefícios da modelagem paramétrica é o comportamento de
projeto inteligente dos objetos. Essa inteligência, no entanto, tem um custo. Cada
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 53

tipo de objeto do sistema tem seu próprio comportamento e associações. Como


resultado, as ferramentas BIM de projeto são inerentemente complexas. Cada
tipo de sistema da edificação é composto de objetos que são criados e editados
de maneiras diferente. O uso efetivo de uma ferramenta de projeto BIM em geral
leva meses para ser proficiente.
Alguns projetistas preferem software de modelagem, como Scketch Up, Rhi-
no e FormZ, que não são ferramentas baseadas em modelagem paramétrica. Ao
contrário, elas têm um modo ftxo de editar geometricamente os objetos, variando
apenas de acordo com os tipos de superfície usadas; e essa mesma funcionalidade
é aplicada a todos os tipos de objetos. Assim, uma operação de edição aplicada
a paredes terá o mesmo comportamento quando aplicada a tubulações. Nesses
sistemas, os atributos que definem o tipo do objeto e sua intenção funcional, se
chegarem a ser definidos, podem ser acrescentados quando o usuário quiser, não
quando ele é criado. Pode-se argumentar que, para uso em projeto, a tecnologia
BIM com seu comportamento específico para cada objeto não é sempre a melhor.
Esse tópico é mais explorado no Capítulo 5.

Por que modeladores paramétricos diferentes não podem intercambiar seus


modelos?
Com frequência pergunta-se por que as empresas não podem intercambiar um
modelo do Revit com o Bentley Architecture, ou intercambiar ArchiCAD com
Digital Project. A partir da visão geral discutida anteriormente, pode-se perceber
que a razão para esta falta de interoperabilidade é que ferramentas BIM diferentes
se baseiam em definições diferentes para seus objetos base. Esses são os resulta-
dos de diferentes capacidades envolvendo tipos de regras na ferramenta BIM e
as regras aplicadas nas definições de famílias de objetos. Esse problema aplica-
-se somente a objetos paramétricos, não àqueles com propriedades ftxas. Esses
problemas podem desaparecer se e quando as organizações entrarem em acordo
sobre uma padronização para as definições dos objetos. Até lá, intercâmbios para
alguns objetos estarão limitados ou falharão. Melhoras virão incrementalmente,
à medida que a demanda para resolver esses problemas faça as implementações
valerem a pena, e as múltiplas questões relacionadas sejam resolvidas. O mesmo
problema existe na manufatura e ainda não foi resolvido.

Existem diferenças inerentes nas ferramentas BIM de construção, fabricação e


projeto?
A mesma plataforma BIM pode dar suporte tanto ao projeto quanto ao detalha-
mento para fabricação? Uma vez que a base tecnológica para todos esses sis-
temas tem muito em comum, não há razão tecnológica para que ferramentas
BIM de projeto de construção e de fabricação não possam oferecer produtos em
cada uma das outras áreas. Isso está acontecendo até certo ponto com o Revit
Structures e o Bentley Structures. Eles estão desenvolvendo algumas das capaci-
dades oferecidas pelas ferramentas BIM em nível de fabricação. Ambos os lados
tratam do mercado dos escritórios engenharia e, em menor grau, o mercado das
construtoras; mas o conhecimento específico necessário para dar suporte ao uso
54 Manual de BIM

produtivo completo nessas áreas ricas em informação irá depender da grande


inclusão dos comportamentos necessários nos objetos, que são muito diferentes
para cada sistema do edifício. O conhecimento especializado dos comportamen-
tos específicos dos objetos de sistemas do edifício é mais prontamente incluído
quando ele está regrado, como no projeto de sistemas estruturais. As interfaces,
relatórios e outras questões do sistema podem variar, mas é provável que vejamos
uma luta no meio de campo por algum tempo enquanto cada produto tenta am-
pliar seus domínios no mercado.

Existem diferenças substanciais entre ferramentas de modelagem paramétrica


orientada a manufatura e ferramentas BIM?
Um sistema de modelagem paramétrica para projeto mecânico pode ser adaptado
para o BIM? ,, Algumas diferenças na arquitetura do sistema são destacadas na Se-
ção 2.3.1. E claro que ferramentas de modelagem paramétrica para mecânica já
foram adaptadas para o mercado de AEC. O Digital Project, baseado no CATIA,
é um exemplo óbvio. O Structureworks também é um produto para detalhamento
e fabricação de concreto pré-moldado baseado no Solidworks. Em outras áreas,
como tubulações, fabricação de paredes-cortina e projeto de dutos, pode-se es-
perar ver tanto ferramentas de modelagem paramétrica mecânica quanto ferra-
mentas BIM de arquitetura e em nível de fabricação brigando por esses mercados.
A faixa de funcionalidades oferecidas em cada mercado segue sendo definida. O
mercado é o campo de batalha.
Este capítulo forneceu uma visão geral das capacidades básicas das ferra-
mentas BIM de projeto resultando de seu desenvolvimento como ferramentas de
projeto paramétrico baseadas em objetos. Agora serão examinadas as principais
ferramentas BIM de projeto e suas diferenças funcionais.

- -
VISAO GERAL DOS PRINCIPAIS SISTEMAS DE GERAÇAO DE
MODELOS BIM
A seguir estão resumidas as principais capacidades que distinguem os diferentes
sistemas BIM de projeto, como apresentado nas seções anteriores deste capítulo.
As capacidades se aplicam tanto aos sistemas orientados ao projeto quanto às
ferramentas BIM de fabricação. Essas capacidades distintas são propostas para
aqueles que desejam empreender um primeiro nível de revisão e avaliação de sis-
temas alternativos, de forma a tomar uma decisão bem informada quanto a uma
plataforma para um empreendimento, um escritório ou toda a empresa. A escolha
afeta as práticas de produção, a interoperabilidade e, de certa forma, as capacida-
des funcionais de uma organização de projeto para fazer tipos específicos de pro-
jetos. Os produtos atuais também possuem diferentes capacidades considerando
a interoperabilidade, o que afeta sua habilidade de colaborar e pode levar a fluxos
de trabalho
,, intrincados e replicação de dados.
E preciso enfatizar que nenhuma plataforma será ideal para todos os tipos
de empreendimentos. Idealmente, uma organização deve suportar várias plata-
formas e usar uma ou outra dependendo do empreendimento específico. Nesse
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica SS

estágio inicial, um esforço para adotar qualquer uma das ferramentas BIM dis-
poníveis é uma empreitada significativa, que é discutida nos capítulos seguintes.
Isso envolve o conhecimento da nova tecnologia, das novas habilidades organiza-
cionais que ela pressupõe, e o aprendizado e gerenciamento dessas habilidades.
Esses desafios vão diminuir com o tempo, à medida que a curva de aprendizado
para um sistema for vencida. Porque as funcionalidades das ferramentas de pro-
jeto BIM estão mudando rapidamente, é importante acompanhar as análises das
versões atuais naAECBytes, Cadalyst e outras revistas de CAD AEC.

2 .3.1 Distinguindo capacidades


Dentro de um contexto comum de proporcionar modelagem paramétrica baseada
em objetos, as ferramentas BIM de criação e edição incorporam diferentes tipos
de capacidades. Elas são descritas abaixo em uma ordem aproximada segundo
nosso senso de seu nível de importância.

Interface do Usuário: As ferramentas BIM são bastante complexas e pos-


suem muito mais funcionalidades que as ferramentas CAD anteriores. Algu-
mas ferramentas BIM de projeto têm uma interface relativamente intuitiva
e fácil de aprender, com uma estrutura modular para suas funcionalidades,
enqu.a nto outras colocam maior ênfase em funcionalidades que nem sempre
estão bem integradas no sistema como um todo. Os critérios considerados
aqui devem incluir: consistência dos menus entre as funcionalidades do sis-
tema, seguindo convenções padrão; esconder menus eliminando ações irre-
levantes, sem significado no contexto das ações atuais; organização modular
de diferentes tipos de funcionalidade e ajuda online fornecendo mensagens
em tempo real e explicações em linhas de comando sobre operações e en-
tradas. Apesar de questões de interface do usuário parecerem menores, uma
interface de usuário ruim resulta em longos períodos de aprendizado, mais
erros e com frequência, não se consegue aproveitar totalmente as funciona-
lidades disponíveis no aplicativo.
Geração de Desenhos: Quão fácil é gerar desenhos ou conjuntos de de-
senhos e mantê-los ao longo de múltiplas atualizações e séries de versões?
A avaliação deve incluir a rápida visualização dos efeitos de mudanças do
modelo em desenhos, fortes associações, de modo que as mudanças no mo-
delo se propaguem diretamente aos desenhos e vice-versa, e geração efetiva
de gabaritos que permitam aos tipos de desenho gerar tanta formatação
automática quanto possível. Uma revisão mais completa da funcionalidade é
apresentada na Seção 2.2.3.
Facilidade de Desenvolver Objetos Paramétricos Personalizados: Isso é
avaliado considerando a existência e facilidade de uso de uma ferramenta
de esboço para a definição de objetos paramétricos; determinando a exten-
são do conjunto de regras ou vínculos do sistema (um conjunto de víncu-
los geral deve incluir distância, ângulo, inclusive ortogonalidade, regras de
tangenciamento de faces adjacentes e de linhas, e condições "se-então"),
sua habilidade de ligar os objetos com interface do usuário para que sejam
56 Manual de BIM

facilmente embutidos num projeto, e sua habilidade de suportar a monta-


gem paramétrica de objetos. Esses tópicos são explicados em detalhes na
Seção 2.1.4.
Escalabilidade: A habilidade de lidar com combinações de projetos de
grande escala e modelagem em alto nível de detalhes. Isso envolve a habili-
dade do sistema de permanecer interativo e de responder independentemen-
te do número de objetos 3D paramétricos no projeto. Um tema fundamental
é o grau em que o sistema é baseado em disco em termos de gerenciamento
de dados, em vez de ser baseado em memória. Sistemas baseados em disco
são mais lentos para projetos pequenos, mas o tempo de atraso aumenta
pouco à medida que o projeto cresce. O desempenho dos sistemas baseados
em memória diminui rapidamente uma vez que o espaço em memória seja
exaurido. Essas questões são parcialmente limitadas pelo sistema operacio-
nal; o Windows XP suporta no máximo 2GB de memória de trabalho para
cada processo. Arquiteturas de 64 bits eliminam a restrição de uso de me-
mória. O desempenho da placa gráfica é importante para alguns sistemas. O
tópico é discutido na Seção 2.2.4.
Interoperabilidade: Os dados do modelo são gerados, em parte, para se-
rem compartilhados com outras aplicações com vistas a estudos iniciais de
viabilidade do empreendimento, para colaboração com engenheiros e outros
consultores e depois para construção. Isso é suportado pelo grau com que
a ferramenta BIM proporciona interfaces diretas com outros produtos es-
pecíficos e, mais genericamente, seu suporte a importação e exportação por
meio de padrões abertos de intercâmbio de dados, que são vistos em detalhe
no Capítulo 3.
Extensibilidade: Uma ferramenta BIM de criação e edição serve tanto para
o uso final quanto como uma plataforma para personalização e extensão.
As capacidades para extensão são avaliadas baseadas em se elas fornecem
o suporte para scripts - uma linguagem interativa que acrescenta funcio-
nalidades ou automatiza tarefas de baixo nível, semelhante ao AutoLISP®
no AutoCAD -, uma interface bidirecional no formato Excel e uma am-
pla e bem documentada interface de programação de aplicações (applica-
tion programming interface - API). Linguagens de script e interfaces Excel
geralmente são para usuários finais, enquanto uma API é para desenvol-
vedores de software. Essas capacidades são necessárias, dependendo da
extensão que a empresa espera personalizar, particularmente na área de
interoperabilidade.
Modelagem de Superfícies Curvas Complexas: Suporte para a criação e
edição de modelos de superfícies complexas baseadas em quádricas, splines
e B-splines não uniformes é importante para frrmas que fazem esse tipo
de trabalho ou estão planejando fazer. Essas capacidades de modelagem
geométrica em uma ferramenta BIM são parte da sua própria base; elas não
podem ser acrescentadas posteriormente.
Ambiente Multiusuário: Alguns sistemas suportam colaboração entre in-
tegrantes de uma equipe de projeto. Eles permitem que múltiplos usuários
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 57

criem e editem partes do mesmo projeto diretamente de um único arquivo


de projeto, e gerenciam o acesso dos usuários a essas diversas partes de
informações.

A seguir é oferecida uma visão geral das atuais capacidades das principais
plataformas de geração de modelos de construção. Alguns dos sistemas listados
somente dão suporte a funções de projeto de arquitetura, outros somente a vários
tipos de sistemas da construção em nível de fabricação e outros suportam ambos.
Cada avaliação é para a versão do sistema de software indicada; versões posterio-
res podem ter melhores ou piores capacidades. A revisão foi feita de acordo com
os critérios apresentados.

2.3.2 Ferramentas BIM para projeto de arquitetura


Cada plataforma BIM de projeto é apresentada em termos de sua herança, or-
ganização corporativa, família de produtos da qual faz parte, se usa um único
arquivo ou vários arquivos por projeto, suporte para uso simultâneo, interfaces
suportadas, tamanho da biblioteca de objetos, classe geral de preço, sistema de
classificação da construção suportado, escalabilidade, facilidade de geração de
desenhos, suporte a cortes 2D, tipos de objetos e atributos derivados, e facilidade
de uso.
Como é amplamente entendido, a aquisição de um pacote de software é
muito diferente da maioria das outras aquisições. Enquanto a aquisição de um
carro é baseada em um produto e um conjunto de características bem específicos,
um pacote de software envolve tanto suas capacidades atuais quanto o cami-
nho de desenvolvimento de melhorias que são lançadas regularmente, pelo me-
nos anualmente. Um cliente está comprando tanto o produto atual quanto suas
evoluções, de acordo com o que foi projetado pela companhia. Também se está
adquirindo um sistema de suporte com o qual pelo menos uma pessoa na firma
estará lindando. O sistema de suporte é uma adição à documentação fornecida ao
usuário e ao suporte online dentro da ferramenta BIM.
Além da rede de suporte do fabricante, um proprietário do sistema de soft-
ware também é parte de uma comunidade de usuários mais ampla. A maioria
proporciona comunicação por blog para uma ajuda entre participantes e portais
abertos para intercâmbio de famílias de objetos. Isso pode ser livre ou disponível
a custos baixos.
Revit: O Revit Architecture é o mais conhecido e atual líder de mercado para
o uso do BIM em projetos de arquitetura. Ele foi introduzido pela Autodesk em
2002, depois da aquisição do programa de uma empresa iniciante. O Revit é uma
plataforma completamente separada do AutoCAD, com código base e estrutura
de arquivo diferentes. A versão revisada aqui é a 9.1 . O Revit é uma família de
produtos integrados que atualmente inclui o Revit Architecture, o Revit Structure
e o Revit MEP. Ela inclui interfaces gbXML para simulação de energia e análise
de cargas; interfaces diretas com o ROBOT e o RISA para análises estruturais e a
habilidade de importar modelos do SketchUp, uma ferramenta de projeto concei-
tuai, e outros sistemas que exportam arquivos DXF. Interfaces de visualização in-
cluem DGN, DWG, DWFT", DXF ™, IFC, SAT, SKP, AVI, ODBC, gbXML, BMP,
58 Manual de BIM

JPG, TGA e TIF. O Revit baseia-se nos cortes 2D como uma forma de detalhar a
maior parte dos conjuntos. ,
Pontos fortes do Revit: E fácil de aprender e sua funcionalidade é organi-
zada em uma interface bem projetada e amigável. Ele possui um amplo conjunto
de bibliotecas de objetos desenvolvidas por terceiros. E a interface preferida para
interfaces de ligação direta, devido a sua posição no mercado. Seu suporte bidi-
recional a desenhos permite a geração e o gerenciamento de informações com
base em atualizações tanto do desenho quanto de vistas do modelo; ele dá suporte
a operações simultâneas no mesmo projeto; e inclui uma excelente biblioteca de
objetos que suporta uma interface multiusuário.
Pontos fracos do Revit: O Revit é um sistema baseado em memória, o que
o faz ficar significativamente mais lento para projetos maiores que cerca de 220
megabytes. Ele possui limitações nas regras paramétricas que lidam com ângulos.
Ele também não suporta superfícies curvas complexas, o que limita sua habilidade
de dar suporte a projetos com elas ou referências a esse tipo de superfícies.
Bentley Systems: A Bentley Systems oferece uma ampla gama de produtos
relacionados para arquitetura, engenharia e construção. Sua ferramenta BIM de
arquitetura, o Bentley Architecture, introduzido em 2004, é um descendente evo-
luído do Triforma. Integrados ao Bentley Architecture estão o Bentley Structural,
o Bentley Building Mechanical Systems, o Bentley Building Electrical Systems,
o Bentley Facilities, o Bentley PowerCivil (para planejamento de terrenos) e o
Bentley Generative Components. Esses sistemas são baseados em arquivos, que
significam que todas as ações são imediatamente escritas para um arquivo resul-
tando em menor carga na memória. Terceiros desenvolveram muitas aplicações
diferentes no sistema de arquivos, alguns incompatíveis com outros dentro da
mesma plataforma. Portanto, o usuário pode precisar converter formatos de mo-
delo de uma aplicação Bentley para a outra. Atualmente o Bentley Architecture
está na versão V8.9.2.42. As interfaces com aplicações externas incluem Prima-
vera e outros sistemas de planejamento e STMD e RAM para análise estrutural.
Suas interfaces incluem DGN, DWG, DXF™, PDF, STEP, IGES, STL e IFC. A
Bentley também fornece um repositório de modelo multiprojeto e multiusuário
chamado de Bentley ProjectWise.
Pontos fortes da Bentley Systems: A Bentley oferece uma ampla faixa de
ferramentas de modelagem da construção, lidando com quase todos os aspectos
da indústria de AEC. Ela também suporta a modelagem de superfícies curvas
complexas, incluindo Bezier e NURBS. Ela inclui múltiplos níveis de suporte para
desenvolvimento de objetos paramétricos personalizados, inclusive o Parametric
Cell Studio e o Generative Components. Seu plug-in de modelagem paramétri-
ca, o Generative Components, permite a definição de montagens de geometrias
paramétricas complexas, e tem sido usado em muitos projetos de construções
vencedores de prêmios. A Bentley fornece suporte escalável para grandes empre-
endimentos com muitos objetos.
Pontos fracos da Bentley Systems: Tem uma interface de usuário grande
e não integrada, que é difícil de aprender e navegar; seus módulos funcionais he-
terogêneos incluem diferentes comportamentos de objetos, tornando-o difícil de
aprender. Ele possui bibliotecas de objetos menos amplas que produtos similares.
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 59

A deficiência na integração de suas várias aplicações reduz o valor e a amplitude


do suporte que esses sistemas proporcionam individualmente.
ArchiCAD: O ArchiCAD é a mais antiga ferramenta BIM de projeto de
arquitetura continuamente no mercado e disponível hoje. A Graphisoft começou
a comercializar o ArchiCAD no início dos anos 1980. Ele é o único sistema de
CAD para arquitetura orientado a modelos e objetos que roda no Apple Macin-
tosh. Com a matriz em Budapeste, a Graphisoft foi recentemente adquirida pela
N emetschek, uma companhia de CAD alemã popular na Europa, com aplicações
fortes em engenharia civil. A versão atual do ArchiCAD é o release 11.0. Hoje o
ArchiCAD continua a servir a plataforma Mac, além do Windows, e recentemente
lançou uma versão Mac OS X (UNIX). A Graphisoft introduziu recentemente
várias aplicações orientadas a construção na plataforma ArchiCAD. No início de
2007, depois que a Graphisoft foi adquirida pela Nemetschek, as aplicações para
construção foram repassadas para a Vico Software, uma nova companhia que as
está comercializando ativamente. Essas aplicações são discutidas no Capítulo 6.
O ArchiCAD suporta uma gama de interfaces diretas, com Maxon para mo-
delagem e animação de superfícies curvas, ArchiFM para gerenciamento de facili-
ties e o Sketchup. Ele possui interfaces com um conjunto de interfaces para ener-
gia e sustentabilidade (gbXML, Ecotect, Energy+, ARCHiPHISIK e RIUSKA).
Objetos paramétricos personalizados são definidos usando principalmente a lin-
guagem script GDL (Geometric Description Language), que se baseia em cons-
truções do tipo CSG e sintaxe semelhante ao Basic (Basic é uma linguagem de
programação simples, frequentemente ensinada a iniciantes). Ele contém amplas
bibliotecas de objetos para usuários e também tem uma interface ODBC.
Pontos fortes do ArchiCAD: Possui uma interface intuitiva e relativamente
simples de usar. Tem uma grande biblioteca de objetos e um rico conjunto,. de
aplicações de suporte em construção e gerenciamento de facilities. E o único
produto BIM forte disponível atualmente para Macs.
Pontos fracos do ArchiCAD: Tem certas limitações em suas capacidades
de modelagem paramétrica, não suportando regras de atualização entre objetos
em uma montagem ou aplicação de operações booleanas entre objetos (Khemlani
2006). Apesar de o ArchiCAD ser um sistema baseado na memória, podendo en-
contrar problemas com projetos grandes, ele possui modos efetivos de gerenciar
tais projetos; ele pode repartir os projetos grandes em módulos, para que se possa
gerenciá-los.
Digital Project: Desenvolvido pela Gehry Technologies, o Digital Project
(DP) é uma adaptação para arquitetura e construção do CATIA da Dassault,
que é a plataforma de modelagem paramétrica mais usada para grandes sis-
temas na indústria aeroespacial e automobilística. O DP requer uma estação
de trabalho poderosa para rodar bem, mas é capaz de lidar até mesmo com os
maiores projetos. O estudo de caso do One Island East, no Capítulo 9, fornece
um exemplo da habilidade do DP em modelar cad.a parte da torre de escritó-
rios de 70 andares. Ele é capaz de modelar qualquer tipo de superfície e pode
suportar a elaboração de objetos paramétricos personalizados, que é para o
que ele foi projetado. A estrutura lógica do CATIA envolve módulos chamados
Workbenches. Até o terceiro release da Versão 5, ele não incluía objetos base
60 Manual de BIM

para edificações incorporados. Os usuários podiam reutilizar objetos desen-


volvidos por outros, mas estes não eram suportados pelo próprio DP. Com a
introdução de Workbenches de Arquitetura e Estrutura, a Gehry Technologies
adicionou um valor significativo ao produto base. Ainda que não anunciado, o
DP vem com muitos outros workbenches: o Knowledge Expert, que suporta
a verificação do projeto baseada em regras; o Project Engineering Optimizer,
que permite a fácil otimização de projetos paramétricos baseada em qualquer
função objetivo bem definida; e o Project Manager, para rastrear partes de um
modelo e gerenciar suas versões. Ele possui interfaces com o Ecotect para es-
tudos de energia.
O DP suporta scripts VBA e possui uma forte API para desenvolvimento de
add-ons. Ele possui as classificações Uniformat© e Masterformat© embutidas, o
que facilita a integração de especificações para estimativas de custos. Ele suporta
os seguintes formatos de intercâmbio: CIS/ 2, SDNF, STEP AP203 e AP214,
DWG, DXF TM, VRML, STL, HOOPS, SAT, 3DXML, IGES e HCG. No release
3, ele possui o suporte a IFC.
Pontos fortes do Digital Project: Ele oferece capacidades de modelagem
paramétrica poderosas e completas, e é capaz de modelar diretamente conjuntos
grandes e complexos controlando tanto superfícies quanto conjuntos. O Digital
Project se baseia em modelagem paramétrica 3D para a maior parte dos tipos de
detalhamento.
Pontos fracos do Digital Project: Ele tem uma curva de aprendizado mui-
to íngreme, possui uma interface de usuário complexa e um alto custo inicial.
Suas bibliotecas de objetos predefmidos para a construção ainda são limitadas.
Bibliotecas externas de objetos de terceiros são limitadas. Capacidades de dese-
nho para o uso em arquitetura não são bem desenvolvidas; a maioria dos usuários
envia os cortes para sistemas de desenho para completá-los.
Aplicações baseadas no AutoCAD: A principal aplicação de construção da
Autodesk sobre a plataforma AutoCAD é o Architectural Desktop (ADT) . O ADT
foi a ferramenta de modelagem 3D original da Autodesk antes da aquisição do
Revit. Ele é baseado em extensões de sólidos e superfícies para o AutoCAD e
proporciona uma transição do desenho 2D para o BIM. Ele tem um conjunto pre-
definido de objetos arquitetônicos e, ainda que não seja totalmente paramétrico,
ele proporciona muitas das funcionalidade oferecida por ferramentas paramétri-
cas, incluindo a habilidade de criar objetos personalizados com comportamentos
adaptativos. Arquivos externos de referência (- XREF) são úteis para o geren-
ciamento de grandes projetos. Os arquivos de desenhos permanecem separados
do modelo 3D e devem ser gerenciados pelo usuário, ainda que com um grau de
controle de versões. Ele se baseia nas capacidades bem conhecidas do AutoCAD
para produção de desenhos. As interfaces incluem DGN, DWG, DWF™, DXFT"'
e IFC. Suas extensões de programação incluem interfaces AutoLISP, Visual Ba-
sic, VB Script eARX (C++) .
Aplicações 3D adicionais desenvolvidas sobre o AutoCAD vêm de uma
grande comunidade de desenvolvedores espalhada pelo mundo. Estas incluem o
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 61

Computer Services Consultants (CSC), que oferece vários pacotes de projeto e


análise de estruturas, o AEC Design Group, que oferece o CADPIPE, o COADE
Engineering Software, que oferece software de projeto de tubulações e plantas
industriais, o SCADA Software AG, que desenvolve software de sistemas de con-
trole, e outros grupos que produzem aplicações 3D para tubulações, sistemas
elétricos, aço estrutural, sistemas de combate a incêndio, sistemas de dutos, es-
truturas de madeira e outros.
Pontos fortes das aplicações baseadas no AutoCAD: Fácil adoção pelos
usuários do AutoCAD em função da consistência da interface do usuário; fácil
uso devido a sua construção em cima das funcionalidades de desenho 2D bem
conhecidas do AutoCAD e sua interface.
Pontos fracos das aplicações baseadas no AutoCAD: Suas limitações
fundamentais são que eles não são modeladores paramétricos que permitem a
não programadores definirem regras e vínculos de objetos; interfaces limitadas
com outras aplicações; uso deXREFs (com suas limitações de integração ineren-
tes) para gerenciamento de projetos; um sistema baseado em memória com pro-
blemas de escalamento se as XREFs não são utilizadas; necessidade de propagar
as modificações manualmente pelo conjunto de desenhos.
Tekla Structures: O Tekla Structures é oferecido pela Tekla Corp., uma
companhia finlandesa fundada em 1966, com escritórios espalhados pelo mun-
do. A Tekla possui múltiplas divisões: Edificações e Construção, Infraestrutura e
Energia. Seu produto de construção inicial foi o Xsteel, que foi introduzido em
meados dos anos 1990 e cresceu a ponto de se tornar a aplicação de detalhamen-
to de aço mais amplamente usada no mundo.
Em resposta à demanda dos fabricantes de concreto pré-moldado na Euro-
pa e na América do Norte (representada pelo consórcio ad hoc Precast Concrete
Software Consortium), as funcionalidades do software foram significativamente
ampliadas para dar suporte ao detalhamento em nível de fabricação de estrutu-
ras e fachadas de concreto pré-moldado. Ao mesmo tempo, foram acrescenta-
dos suporte para análise de estruturas, ligação direta com pacotes de análise de
elementos finitos (STMD - Pro e ETABS) e uma interface de programação de
aplicações (API) aberta. Em 2004, o software ampliado foi renomeado para Tekla
Structures, para refletir seu suporte genérico para aço, concreto pré-moldado,
madeira, concreto armado e para engenharia estrutural.
O Tekla Structures suporta interfaces com os formatos de arquivo IFC,
DWG™, CIS/2, DTSV, SDNF, DGN e DXF T". Ele também tem capacidades de
exportação para fabricação em equipamentos CNC e para software de automação
de plantas de fabricação, como o Fabtrol (aço) e o Eliplan (pré-moldados).
Pontos fortes do Tekla Structures: Sua habilidade versátil de modelares-
truturas que incorporam todos os tipos de materiais estruturais e detalhamento;
sua habilidade em dar suporte a modelos muito grandes e operações simultâneas
no mesmo projeto com múltiplos usuários ao mesmo tempo. Ele suporta a compi-
lação de bibliotecas de componentes personalizados paramétricos complexos com
pouca ou nenhuma programação.
62 Manual de BIM

Pontos fracos do Tekla Structures: Por ser uma ferramenta poderosa,


suas funcionalidades são bastante complexas para aprender e utilizar plenamen-
te. O poder de suas facilidades de componentes paramétricos, apesar de ser um
ponto forte, requer operadores sofisticados que devem desenvolver alto nível de
habilidade. Ele não é capaz de importar superfícies multicurvadas
, complexas de
aplicações externas, algumas vezes levando a subterfúgios. E relativamente caro.
DProfiler: , O DProfiler é um produto da Beck Technologies, localizada em
Dallas,Texas. E baseado em uma plataforma de modelagem paramétrica adqui-
rida da Parametric Technologies Corporation (PTC) em meados dos anos 1990,
depois que a PTC decidiu não entrar mais no mercado de AEC. O DProfiler é
uma aplicação baseada em uma plataforma chamada de DESTINI, que evoluiu
do software adquirido da PTC. O DProftler suporta definições muito rápidas
do projeto conceitua! de certos tipos de edifícios e oferece um retorno relativo a
custos e tempo de construção. Para edificações que geram renda, como hotéis,
apartamentos e edifícios de escritórios, ele proporciona uma projeção completa
do fluxo de caixa econômico. Ele suporta o planejamento para: edifícios de es-
critórios até 20 andares; edifícios médicos de um ou dois andares; edifício de
apartamentos e hotéis de até 24 andares; escolas do ensino fundamental ao mé-
dio; prefeituras, igrejas, cinemas, etc. Com os relatórios fmanceiros e de plane-
jamento, o usuário ganha um conjunto de desenhos de projetos conceituais. Os
usuários podem entrar com os seus próprios dados de custo ou usar dados do
RSMeans. Sua propaganda indica 5% de precisão em seus cálculos, mas estas
são avaliações informais. Atualmente ele suporta exportação para o formato do
Sketchup e DWG para maiores desenvolvimentos. O estudo de caso do Hillwood
(Seção 9.9) descreve seu uso. Suas interfaces incluem o Excel e o DWG. Outras
aplicações que estão sendo desenvolvidas na plataforma DESTINI incluem aná-
lises de energia.
Pontos fortes do DProfiler: O DProfiler está sendo comercializado como
um sistema fechado, principalmente para estudos de viabilidade antes que o pro-
jeto real se inicie. Sua habilidade de criar avaliações econômicas de um empreen-
dimento rapidamente é única.
Pontos fracos do DProfiler : O D Profiler não é uma ferramenta BIM de
propósito geral. Seu único propósito (atualmente) é avaliação econômica de um
empreendimento de construção (estimativa de custos e, onde apropriado, previ-
são de faturamento). Uma vez que o modelo está completo, sua interface para
dar suporte ao desenvolvimento total em outras ferramentas BIM de projeto é
limitada a arquivos DWG 2D.
Capítulo 2 Ferramentas BIM e Modelagem Paramétrica 63

-
CONCLUSAO
A modelagem paramétrica baseada em objetos é uma grande mudança para a
indústria da construção e está facilitando bastante a mudança de uma tecnologia
artesanal baseada em desenhos para uma baseada em modelos digitalmente legí-
veis, que podem ser intercambiados com outras aplicações. A modelagem para-
métrica facilita o projeto de modelos grandes e complexos em 3D, mas impõe um
estilo de modelagem e planejamento que é estranho para muitos usuários. Como
o CADD, ela é mais diretamente usada como uma ferramenta de documentação
separada do projeto. Um número crescente de firmas, no entanto, usam-na dire-
tamente para projeto e para a geração de resultados formidáveis. Alguns desses
usos estão mencionados no Capítulo 5, e os estudos de caso no Capítulo 9 forne-
cem mais exemplos.
A habilidade de extrair informações geométricas e de propriedades de um
modelo de construção para uso em projeto, análise, planejamento da construção
e fabricação, ou na operação terá grandes impactos em todos os aspectos das
indústrias de AEC. Muitas dessas oportunidades são levantadas e discutidas nos
capítulos seguintes. O potencial completo dessas capacidades não será completa-
mente conhecido por pelo menos uma década, porque suas implicações e novos
usos são descobertos gradualmente. O que se sabe é que a modelagem paramé-
trica baseada em objetos resolve muitas das questões fundamentais de represen-
tação em arquitetura e construção e permite retornos rápidos para aqueles que
estão migrando para ela, mesmo com uma implementação somente parcial. Esses
retornos incluem uma redução nos erros dos desenhos devido à consistência in-
corporada em um modelo central da edificação e a eliminação de erros de projeto
baseada nas interferências espaciais.
Apesar de modelagem paramétrica baseada em objetos ter tido uma influên-
cia catalisadora no surgimento e na aceitação do BIM, ela não é sinônimo de
ferramentas BIM ou da geração de modelos de edificações. Há muitas outras fer-
ramentas de projeto, análise, verificação, exibição e relatórios que podem exercer
um papel importante nos procedimentos do BIM. Muitos componentes e tipos
são necessários para projetar e construir uma edificação completamente. Os au-
tores acreditam que muitos tipos de software podem facilitar o desenvolvimento e
a maturação da Modelagem da Informação da Construção. As ferramentas BIM
consideradas aqui são somente as mais novas em várias gerações de ferramentas,
mas elas estão de fato provando ser revolucionárias em seu impacto.
64 Manual de BIM

Questões para discussão do Capítulo 2

1. Resuma as principais funcionalidades que distinguem as ca-


pacidades de uma ferramenta BIM de projeto das ferramentas
de modelagem CAD 3D.
2. A maioria das ferramentas SIM de projeto suportam tanto mo-
delos de objetos 3D quanto cortes desenhados em 2D. Quais
considerações poderiam ser feitas para determinar a mudança
no nível de detalhes, como quando parar a modelagem em
3D e completar os desenhos em 2D?
3. Por que é pouco provável que um sistema único integrado
incorpore um modelo paramétrico unificado de todos os siste-
mas de uma edificação? Por outro lado, quais poderiam ser as
vantagens se isso pudesse ser atingido?
4. De quais modos algumas das atuais ferramentas populares
de projeto não são ferramentas BIM? Sketchup? 3D Max Viz?
FormZ? Rhino?
5. Quais são as diferenças essenciais entre uma ferramenta de
modelagem paramétrica paro manufatura, como o Autodesk
Inventor, e uma ferramenta BIM de projeto, como o Revit?
6. Você acha que pode haver outras ferramentas de modela-
gem paramétrica orientada a manufatura usadas como uma
plataforma para desenvolver aplicações SIM? Quais são os
custos de propaganda e os benefícios? Quais são as questões
técnicas?
7. Suponha que você é o diretor de informática de uma firma de
arquitetura de porte médio (com menos de 25 empregados).
A firma se especializa em construção de escolas. Proponha o
esboço de uma estrutura para a biblioteca de objetos persona-
lizada da empresa. Relacione com a lista de objetos incorpo-
rados da Tabela 2-1 quando considerar sua resposta.
8. Você faz parte de uma pequena equipe de amigos que decidiu
iniciar uma firma integrada de projeto-construção compreen-
dendo um pequeno empreiteiro comercial e dois arquitetos.
Trace um plano para selecionar uma ou mais ferramentas BIM
de criação de modelos. Defina os critérios gerais para todo o
ambiente do sistema.
,
CAPITULO

1nteroperabilidade

,
SUMARIO EXECUTIVO
Nenhuma aplicação pode suportar sozinha todas as tarefas associadas ao projeto
e à produção de uma construção. A interoperabilidade representa a necessidade
de passar dados entre aplicações, permitindo que múltiplos tipos de especialis-
tas e aplicações contribuam para o trabalho em questão. A interoperabilidade
baseia-se tradicionalmente em intercâmbio de formatos de arquivos, como o DXF
(Drawing eXchange Format) e o IGES, que intercambiam somente a geometria.
Começando no final dos anos 1980, os modelos de dados foram desenvol-
vidos para dar suporte a intercâmbios de modelos de produtos e de objetos dentro
de diferentes indústrias, conduzidos pelo esforço internacional de padronização
ISO-STEP. Os padrões de modelos de dados foram desenvolvidos tanto pela orga-
nização ISO quanto por esforços da indústria, usando a mesma tecnologia, espe-
cificamente a linguagem de modelagem de dados EXPRESS. A EXPRESS é legível
por máquina e possui múltiplas implementações, incluindo um formato compacto
de arquivo de texto, implementações de bancos de dados de objetos e SQL e imple-
mentações em XML. Todas estão em uso.
Os dois principais modelos de dados de produtos de construção são o Indus-
try Foundation Classes (IFC) - para planejamento, projeto, construção e geren-
ciamento de edificações - e o CIMsteel Integration Standard Version 2 (CIS/2)
- para engenharia e fabricação de aço estrutural. Ambos representam geometria,
relações, processos e materiais, desempenho, fabricação e outras propriedades
necessárias para o projeto e a produção, usando a linguagem EXPRESS. Ambos
são frequentemente estendidos, com base nas necessidades dos usuários.
Uma vez que a EXPRESS suporta aplicações com múltiplos e redundan-
tes tipos de atributos e geometrias, duas aplicações podem exportar ou importar
informações diferentes para descrever o mesmo objeto. Existe hoje uma busca
66 Manual de BIM

pela padronização dos dados requeridos para intercâmbios de dados de fluxos


de trabalho específicos. Nos Estados Unidos, o principal esforço nesse sentido
é chamado de projeto National BIM Standards (NBIMS). A interoperabilidade
impõe um novo nível de rigor de modelagem que as firmas ainda estão apren-
dendo a gerenciar. Outros formatos para visualização de modelos - PDF 3D e
DWF - proporcionam capacidades que resolvem alguns tipos de problemas de
interoperabilidade.
Os arquivos suportam o intercâmbio entre duas aplicações, mas há uma ne-
cessidade crescente de coordenar dados em múltiplas aplicações por meio de um
repositório de modelos de construção. Somente dessa forma é possível alcançar o
gerenciamento da consistência, dados e modificações para projetos grandes. No
entanto, ainda há algumas questões não resolvidas no uso geral de repositórios de
modelos de construção.

-
INTRODUÇAO
O projeto e a construção de uma edificação é uma atividade de equipe e, cada vez
mais, cada atividade e cada tipo de especialidade é suportada e melhorada por
suas próprias aplicações computacionais. Além da capacidade de suportar leiaute
de geometria e de material, há análises estruturais e de energia, estimativa de cus-
tos e planejamento da construção, questões de fabricação para cada subsistema
e muito mais. A interoperabilidade identifica a necessidade de passar dados entre
aplicações, e para múltiplas aplicações contribuírem em conjunto com o trabalho
a fazer. A interoperabilidade elimina a necessidade de replicar a entrada de dados
que já foram gerados e facilita fluxos de trabalho suaves e automação. Da mesma
forma que arquitetura e construção são atividades colaborativas, as ferramentas
que as apoiam também o são.
Mesmo no início do CAD 2D, no final dos anos 1970 e início dos anos
1980, a necessidade de intercambiar dados entre diferentes aplicações foi visível.
O sistema de CAD para AEC mais usado naquele tempo era o Intergraph. Um
conjunto de empresas surgiu para escrever software para traduzir arquivos de
projeto do Intergraph para outros sistemas, especialmente para projeto de plantas
industriais, por exemplo, para intercambiar dados entre o software de projeto de
tubulações e os aplicativos de lista de materiais ou de análises.
Mais tarde, na era pós-Sputnik, a NASA achou que estava gastando muito
dinheiro com tradutores entre todos os seus desenvolvedores de CAD. O repre-
sentante da NASA, Robert Fulton, juntou todas as companhias de software de
CAD e solicitou que elas entrassem em acordo sobre um formato de domínio pú-
blico para intercâmbio. Duas empresas financiadas pela NASA, Boeing e General
Electric, ofereceram-se para adaptar alguns esforços iniciais que elas estavam
realizando separadamente. O padrão de intercâmbio resultante foi batizado de
IGES (lnitial Graphics Exchange Specification). Usando o IGES, cada compa-
nhia de software só precisa desenvolver dois tradutores (assim se pensava), para
exportar de e importar para suas aplicações, em vez de desenvolver um tradutor
Capítulo 3 Interoperabilidade 67

para cada um dos pares de intercâmbio. O IGES foi um primeiro sucesso que
ainda é usado amplamente pelas comunidades de projeto e de engenharia.
Um dos impulsos para o desenvolvimento de ferramentas BIM de projeto
foi o desenvolvimento já existente de projeto paramétrico baseado em objetos
usado em muitas atividades de suporte a construção. Qualquer um que visite o
departamento de cozinhas de uma Home Depot ou Lowes é capaz de selecionar,
configurar e revisar um projeto de cozinha enquanto faz a compra. O que pode-
ria não ter sido visto, no entanto, é como essas ferramentas planejam o corte da
madeira maciça, das chapas de compensado ou outros materiais de construção,
como o software define automaticamente as junções e mesmo o planejamento
da produção. Ferramentas similares existem desde meados dos anos 1990 para
projeto em 3D, análise e fabricação de estruturas em aço. A fabricação em chapas
de aço e dutos também está disponível desde aquela época (essas tecnologias são
examinadas no Capítulo 7) .
De fato, a maior parte da fabricação de sistemas de construção está migran-
do para a modelagem paramétrica e a fabricação auxiliada por computador. O
vazio estava na parte inicial, envolvendo o projeto da edificação em si (Eastman et
al. 2002). Além disso, é claro, há os vários aplicativos para análise de estruturas,
de uso de energia, de iluminação, acústica, ventilação, etc. que têm potencial para
fornecer informações para o projeto (assim como revisá-lo ao final, que é onde
essas ferramentas são mais usadas hoje). Uma vez que as ferramentas BIM de
projeto foram desenvolvidas em uma indústria em que essas diversas aplicações
já existem, a necessidade de fazer a interface ou interagir mais intimamente com
essas ferramentas é um requisito básico.

DIFERENTES TIPOS DE FORMATOS DE INTERCÂMBIO


Intercâmbios de dados entre duas aplicações são tipicamente feitos em uma das
quatro maneiras listadas abaixo:
1. Ligações diretas e proprietárias entre ferramentas BIM específicas
2. Formatos de arquivos de intercâmbio proprietários, principalmente li-
dando com geometria
3. Formatos públicos de intercâmbio de modelos de dados de produtos
4. Formatos de intercâmbio baseados em XML
Ligações diretas proporcionam uma conexão integrada entre duas aplica-
ções, geralmente chamadas a partir de uma ou ambas as interfaces de usuários.
Elas se baseiam nas capacidades de interfaceamento de softwares middleware,
como o ODBC ou o COM, ou em interfaces proprietárias, como a GDL do Ar-
chiCad ou a MDL da Bentley. Todas são interfaces em nível de programação,
baseadas nas linguagens C, C+ + ou C#. As interfaces tornam partes do modelo
da construção do aplicativo acessíveis para criação, exportação, modificação ou
deleção.
68 Manual de BIM

Um formato de arquivo de intercâmbio proprietário é aquele que foi desen-


volvido por uma empresa para interfacear com o aplicativo daquela companhia.
Enquanto uma ligação direta entre aplicações é uma interface binária em tempo
de execução, um formato de intercâmbio é implementado como um arquivo em
um formato de texto legível por humanos. Um formato proprietário de intercâm-
bio bem conhecido na área de AEC é o DXF (Data eXchange Format) definido
pela Autodesk. Outros formatos de intercâmbio proprietários incluem o SAT (de-
finido pela Spatial Technology, que implementou o kernel ACIS para softwares de
modelagem geométrica), STL para estereolitografia e o 3DS para o 3D-Studio.
Uma vez que cada formato tem seu próprio objetivo, eles focam em capacidades
funcionais específicas.
Os formatos de intercâmbio públicos envolvem o uso de um padrão aberto
para o modelo de construção, dos quais o IFC (Industry Foundation Classes)
(W 2007) ou o CIS/ 2 (CIS/ 2 2007) para aço são as principais opções. Note que
os formatos de modelo de produto carregam propriedades de objetos e de ma-
teriais e também relações entre objetos, além da geometria. Estas são essenciais
para a interface com aplicações de análise e gerenciamento de construções.
As companhias de software, de forma razoável, preferem fornecer inter-
câmbio para empresas específicas usando ligações diretas, porque elas podem
suportá-las melhor e evitam que os clientes utilizem aplicações dos concorren-
tes. As funcionalidades suportadas são determinadas pelas duas companhias
(ou divisões dentro da mesma companhia). Uma vez que elas foram desenvol-
vidas, depuradas e mantidas pelas duas companhias envolvidas, são tipicamente
robustas para as versões do software para o qual foram projetadas, e para a
funcionalidade pretendida. A interface resultante geralmente reflete um contra-
to de parceria em negócios para marketing e vendas. As interfaces são mantidas
enquanto houver relação comercial entre as empresas.
Por outro lado, há um desejo natural de misturar e combinar aplicações para
proporcionar funcionalidades além daquelas que podem ser oferecidas por qual-
quer companhia de software sozinha. O método de integração se torna crucial para
empreendimentos envolvendo equipes grandes, porque conseguir a interoperabili-
dade entre os diferentes sistemas usados pela equipe é mais fácil do que mover as
empresas de todas as equipes para uma única plataforma. O setor público também
deseja evitar uma solução proprietária que daria a uma única plataforma um mo-
nopólio. Somente o IFC e o CIS/ 2(para aço) são padrões públicos e internacional-
mente reconhecidos atualmente. Assim, o modelo de d.ados IFC provavelmente se
tornará o padrão internacional para intercâmbio de dados e integração dentro das
indústrias de construção de edificações.
XML significa eXtensible Markup Language (Linguagem de Marcação Ex-
tensível), uma extensão para o HTML, a linguagem base da web. O XML permite
a definição da estrutura e do significado de algum dado de interesse; essa estrutu-
ra é chamada de schema (esquema). Os diferentes schemas XML suportam o in-
tercâmbio de muitos tipos de dados entre as aplicações. O XML é especialmente
bom para o intercâmbio de pequenas quantidades de dados comerciais entre duas
aplicações preparadas para esse intercâmbio.
Capítulo 3 Interoperabilidade 69

Um resumo dos formatos de intercâmbio mais comuns na área de AEC é lis-


tado na Tabela 3-1. A Tabela 3-1 agrupa formatos de intercâmbio de acordo com
seu uso principal. Estes incluem formatos de imagens para figuras baseadas em
mapas de pixel, formatos 2D vetoriais para desenhos de linhas, formatos de su-
perfícies e sólidos 3D para formas 3D. Formatos 3D baseados em objetos são es-
pecialmente importantes para os usos do BIM e foram agrupados de acordo com
seu campo de aplicação. Estes incluem os formatos baseados no ISO-STEP, que
incluem informações de formas 3D juntamente com relações de conectividade e

Tabela 3-1 Formatos de intercâmbio comuns em aplicações de AEC

Formatos de imagem (matricial)

JPG, GIF, TIF, BMP, PIC, PNG, RAW, TGA, RLE Formatos matriciais variam em termos de
compacidade, número de cores possíveis por pixel;
alguns comprimem com alguma perda de dados.

Formatos vetoriais 20

OXF, OWG, AI, CGM, EMF, IGS, WMF, OGN Formatos vetoriais variam em compacidade, controle
de espessura e padrões de linha, cor, camadas e
tipos de curvas suportadas.

Formatos de superfícies e formas 30

305, WRL, STL, IGS, SAT, OXF, OWG, OBJ, OGN, Formatos de superfícies e formas 30 variam
POF(30), XGL, OWF, U30, IPT, PTS conforme os tipos de superfície e arestas
representadas, se eles representam superfícies e/
ou sólidos, quaisquer propriedades da forma (cor,
imagem bitmap, mapa de textura) ou informação do
ponto do observador.

Formatos de intercâmbio de objetos 30

STP, EXP, CIS/2 Formatos de modelo de dados de produtos


representam a geometria de acordo com os tipos
20 ou 30 representados. Eles também carregam
propriedades de objetos e relações entre objetos.

Formatos de jogos

RWQ, X, GOF, FACT Os formatos de arquivos de jogos variam de acordo


com os tipos de superfícies, se eles possuem uma
estrutura hierárquica, tipos de propriedades de
materiais, parâmetros de mapas de textura e de
relevo, animação e skinning.

Formatos de GIS

SHP, SHX, OBF, OEM, NEO Formatos de Sistemas de Informação Geográfica

Formatos XML

AecXML, Obix, AEX, bcXML, AGCxml Esquemas XML desenvolvidos para intercâmbio
de dados da construção. Eles variam conforme a
informação intercambiada e os fluxos de trabalho
suportados.
70 Manual de BIM

atributos, dos quais o modelo de dados da construção IFC é o de maior impor-


tância. Também estão listados vários formatos de jogos, que suportam geometria
fixa, iluminação e texturas juntamente com atores e geometria dinâmica que se
movimenta, e formatos públicos de intercâmbio dos sistemas de informações geo-
gráficas (GIS) para terrenos 3D, usos da terra e infraestrutura.
Todos os métodos de interoperabilidade devem lidar com a questão de ver-
sões. Quando uma aplicação é atualizada com novas capacidades, isso pode cau-
sar falhas no mecanismo de intercâmbio, se ele não é mantido e as versões do
padrão não são bem gerenciadas.

INFORMAÇÃO BÁSICA SOBRE MODELOS DE DADOS DE


PRODUTOS
Até meados dos anos 1980, quase todo intercâmbio de dados em todos os cam-
pos de projeto e engenharia era baseado em vários formatos de arquivos. O
DXF e o IGES são exemplos bem conhecidos. Estes representavam formatos de
intercâmbio efetivos para formas e outras geometrias, que era para o que eles
foram projetados. No entanto, modelos de objetos de tubulações, mecânicos,
elétricos e de outros sistemas estavam em desenvolvimento. Se o intercâmbio
de dados lidava com modelos de objetos complexos com geometria, atributos
e relações, qualquer formato fixo de intercâmbio de arquivo rapidamente se
tornava grande e complexo a ponto de ser inútil. Essas questões surgiram tanto
na Europa quanto nos Estados Unidos mais ou menos no mesmo momento.
Depois de algumas idas e vindas, a International Organization for Standardi-
zation (ISO), em Genebra, Suíça, iniciou um Comitê Técnico, TC 184, para
começar um subcomitê, SC4, de desenvolvimento de um padrão chamado de
STEP (STandard for the Exchange of Product Model Data), IS0-10303, para
tratar desses temas.
A organização ISO-STEP desenvolveu um novo conjunto de tecnologias
baseadas nos seguintes aspectos:
,.
• E usada uma linguagem de modelagem legível por máquina, em vez de um
formato de arquivo.
• A linguagem enfatiza as declarações de dados, mas inclui capacidades
procedimentais para regras e restrições.
•A linguagem tem mapeamentos para diferentes implementações, incluin-
do um formato de arquivo de texto, defmições de esquemas de bancos de
dados e, recentemente, esquemas XML.
• Submodelos de referência são compartilhados e subconjuntos, reutiliza-
dos de modelos padrão maiores para geometria, medições, classificação
de representações e outros usos genéricos.
Um dos principais produtos do ISO-STEP foi a linguagem EXPRESS,
desenvolvida por Douglas Schenck com contribuição posterior de Peter Wilson
Capítulo 3 Interoperabilidade 71

(Schenck and Wilson 1994) . A EXPRESS adota muitos conceitos de orientação


a objetos, incluindo a herança múltipla. Aqui, objeto se refere a um conceito de
linguagem computacional que é muito mais do que representar objetos físicos .
Dessa forma, os objetos podem ser usados para representar objetos conceituais
ou abstratos, materiais, geometria, conjuntos, processos e relações, entre outras

coisas.
A EXPRESS tornou-se a ferramenta central para dar suporte a modelagem
de produtos de uma larga gama de indústrias: sistemas mecânicos e elétricos,
plantas de processos, construção de embarcações, processos, mobiliário, modelos
de elementos finitos, bem como a AEC. Também inclui uma grande quantidade
de bibliotecas de características, geometria, classificações, medições e outros
para ser usadas como fundamentos comuns para modelos de dados de produtos.
Tanto medidas métricas quando imperiais são suportadas. Como uma linguagem
legível por máquina é excelente para o uso computacional, mas difícil para hu-
manos, uma versão gráfica da linguagem foi desenvolvida e é comumente usada,
chamada de EXPRESS-G. O domínio do modelo de dados de produto para uma
aplicação é chamado de Application Protocol (Protocolo de Aplicação) ou AP.
Todas as informações do ISO-STEP estão em domínio público.
Em função de sua legibilidade por máquina, o EXPRESS pode ter múltiplas
implementações. Estas incluem um formato compacto de arquivo de texto (cha-
mado de arquivo Parte-21 ou P-21), implementações SQL e baseadas em objetos
e implementações em XML (formato Parte 28).
Em torno do padrão STEP há um grupo de empresas de software forne-
cendo kits de ferramentas para implementação e teste de software baseados
no EXPRESS. Eles facilitam as várias implementações, teste e implantação de
capacidades de intercâmbio baseadas no STEP, e incluem visualizadores grá-
ficos e navegadores de modelo, software de testes e outras ferramentas de im-
plementação.

3.3.1 Relação do IFC com o STEP


As organizações de AEC podem participar dos encontros do TC-184 e iniciar
projetos de desenvolvimento de AP do STEP. As organizações que não estão no
TC-184 também podem usar as tecnologias S TEP para desenvolver modelos de
dados de produtos com base na indústria. Há exemplos de ambas as abordagens
em AEC, todas baseadas na tecnologia ISO-STEP:
• AP 225 - Elementos de Construção Usando Representação Explícita de
Formas - o único modelo de dados de produto orientado a objetos da
construção desenvolvido e aprovado pelo TC-184. Ele lida com o inter-
câmbio da geometria da construção.
• IFC - Industry Foundation Classes - um modelo de dados de produto
desenvolvido pela indústria, para projeto e para o ciclo de vida completo
de construções, suportado pela W.
72 Manual de BIM

• CIS/2 - CimSteel Integration Standard, Versão 2 - é um padrão desen-


volvido pela indústria, para projeto, análise e fabricação de estruturas
de aço, suportado pelo American Institute of Steel Construction e pelo
Construction Steel Institute do Reino Unido. O CIS/2 é amplamente uti-
lizado e implementado.
• AP 241 - Modelo Genérico para o Suporte do Ciclo de Vida Instalações
AEC - trata de instalações industriais e se sobrepõe às funcionalidades
do IFC - proposto em 2006 pelo German National Committee (Comitê
Nacional Alemão); está sob revisão como um novo AP.
O AP 225 é usado na Europa, principalmente na Alemanha, como uma al-
ternativa ao DXF. Poucas aplicações de CAD têm suporte para ele. Até agora,
o IFC está limitado, mas crescendo em uso pelo mundo afora. A maioria das
ferramentas BIM de projeto tem suporte a ele, em vários graus. Ele é descrito
com mais detalhes na Seção 3.3.3. O CIS/2 é amplamente usado na indústria de
fabricação de aço estrutural norte-americana. O AP 241 é uma proposta recente
feita pelo Comitê STEP alemão para desenvolver um modelo de dados de produ-
tos para fábricas e seus componentes em um formato totalmente compatível com
o ISO-STEP. Está ocorrendo um debate sobre se tal esforço, paralelo com o IFC,
deve avançar.
Vê-se que há múltiplos modelos de dados de produtos de construção com
funcionalidades coincidentes. Todos esses modelos de dados são definidos na
linguagem EXPRESS. Eles variam na informação AEC que representam, e
como eles a apresentam. O IFC pode representar a geometria da constru-
ção, assim com o AP 225. Há uma sobreposição entre o CIS/2 e o IFC no
projeto esquemático de estruturas de aço. Devido a essas sobreposições, mas
com capacidades únicas significativas em ambos os lados, a harmonização do
IFC e do CIS/2 está sendo conduzida pelo Georgia Institute of Technology,
financiada pelo AISC. Como resultado, para o leiaute e projeto de aço, os
dois modelos de dados de produto têm ajustado suas definições para serem
compatíveis. Também foi desenvolvido um tradutor que suporta os fluxos de
troca comuns. O site desse empreendimento é: http:/ /tempest.arch.gatech.
edu/ -aisc/cisifc/.

3.3.2 Organização da IAI*


O IFC tem uma longa história. No final de 1994, a Autodesk iniciou um consór-
cio de indústrias para assessorar a companhia no desenvolvimento de um con-
junto de classes c+ + que poderiam suportar um desenvolvimento integrado de
aplicações. Doze companhias dos Estados Unidos se juntaram nesse consórcio.
Inicialmente definida como Industry Alliance for Interoperability, a Aliança abriu-
-se para que todos os interessados se tornassem membros em setembro de 1995
e modificou seu nome em 1997 para International Alliance for Interoperability. A

* N. de T.: A organização IAl mudou sua denominação para buildingSMART.


Capítulo 3 Interoperabilidade 73

nova Aliança foi reconstituída com uma organização internacional sem fins lucra-
tivos, conduzida pela indústria, com o objetivo de publicar o Industry Foundation
Class (IFC) como um modelo de dados de produtos AEC neutro, respondendo
pelo ciclo de vida de construções AEC. Uma boa visão histórica dos IFCs está
disponível no site da IAI: http://www.iai-international.org/About/History.html.
Em 2006, a W tinha onze capítulos em 19 países espalhados pelo mundo,
com aproximadamente 450 membros corporativos. Realmente é um esforço in-
ternacional.
Todos os capítulos podem participar dos Comitês de Domínio, cada um
deles tratando de uma área da AEC. Atualmente os Domínios incluem:
• AR - Arquitetura
• BS - Serviços da Construção
• CM - Construção
º CM 1 - Logística de Aprovisionamento
º CM2 - Construções Temporárias
• CS - Códigos e Padrões
• ES - Estimativa de Custos
• PM- Gerenciamento de Projetos
• FM - Gerenciamento de Instalações
• SI - Simulação
• ST- Engenharia Estrutural
• XM - Transversal aos Domínios
Participando de um Comitê de Domínio, todos os membros contribuem na
parte do IFC que corresponde a seus interesses. Diferentes capítulos nacionais
estão focando em domínios diferentes.
O Comitê Executivo do Conselho Internacional (International Council Exe-
cutive Committee) é a organização de liderança global da IAI, composto por oito
membros. O capítulo da América do Norte é administrado pelo NIBS, o National
Institute of Building Science, em Washington D.C.

3.3.3 O que são os IFCs?


O Industry Foundation Classes (IFC) foi desenvolvido para criar um grande con-
junto de representações de dados consistentes de informações da construção para
intercâmbio entre aplicações de software de AEC. Ele se baseia nos conceitos e
linguagem ISO-STEP EXPRESS para sua definição, com pequenas restrições
na linguagem. Enquanto a maioria dos outros esforços ISO-STEP focaram em
intercâmbios detalhados de software dentro de domínios de engenharia especí-
ficos, pensou-se que na indústria de construção isso poderia levar a resultados
fragmentados e a um conjunto de padrões incompatíveis. Ao contrário, o IFC
foi projetado com uma estrutura extensível, ou seja, seu desenvolvimento ini-
cial pretendia fornecer definições gerais amplas dos objetos e dados a partir das
74 Manual de BIM

A. Visão do projeto B. Visão de sistemas pred iais C. Projeto estrutura l e análise

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FIGU RA 3 -1 Os IFCs consistem em uma biblioteca de objetos e definição de propriedades que podem ser
usados poro representar um empreendimento de construção e suportam o utilização dessa informação do
construção poro usos particulares. A figura mostra três exemplos de usos em domínios especfficos num único
empreendimento IFC: (A) Uma visão arquftetônica, (B) uma visão de sistemas prediais e (C) uma visão estrutural.
Também é apresentada (D) uma amostra de objeto ou entidade IFC e exemplos de propriedades e atributos.

quais modelos mais detalhados e para tarefas específicas, suportando intercâmbio


de fluxos de dados particulares, poderiam ser definidos. Isso é caracterizado na
Figura 3-1. Nesse sentido, o IFC foi projetado para tratar todas as informações
da construção, sobre todo o seu ciclo de vida, da viabilidade e planejamento, por
meio do projeto (incluindo análise e simulação), construção, até a ocupação e a
operação (Khemlani 2004) .
Em 2007, a versão corrente do IFC era a 2x3*. Estava disponível para revi-
são em: http://www.iai-international.org/Model/IFC(ifcXML)Specs.html.
Todos os objetos em EXPRESS são chamados de entidades. A organização
conceituai das entidades IFC está diagramada na Figura 3-2. Na parte de baixo
estão vinte e seis conjuntos de entidades base, definindo a base de constructos
reutilizáveis, como Geometria, Topologia, Materiais, Medições, Atores, Papéis,
Apresentações e Propriedades. Estes são genéricos para todos os tipos de produ-

* N. de T.: A versão atual do IFC é a 2x4.


Capítulo 3 Interoperabilidade 75

Camada de
domínios

Controles Hidráulico / Elementos Anál íse


predia is proteção contra estruturais estrutura l
incêndio

Climatização e Gerenciamento Gerenciamento


Elétrico Arquitetura
ventilação do construção de facilities

Camada de interoperabilidade

Elementos de Elementos de Elementos do edifício Elementos de Elementos de


serviços prediais componentes gerencimento faci/ities
compartilhados
compartilhados compartilhados compartilhados compartilhados

Extensão de Extensão de Exte nsão de


controles produtos processos

Conjuntos de entidades Núcleo


em bronco são o
plataforma 1FC 2x2 -
Conjuntos de entidades
porte do 1FC2x que é
em cinzo não são
igual à ISO/ PAS 16739 Camada do núcleo porte do plataforma

Doto e Modelo
Ator hoto gcometrico
Material Medido Custo

Cornada de recursos Perfil Propricdooo


(e ntidades de bose)

FIGURA 3-2 A arquitetura de sistema dos subesquemas IFC. Cada subesquema de Recurso e do Núcleo
(Core) tem uma estrutura de entidades para a definição de modelos, especificada nas Camadas de
Interoperabilidade e de Domínio. Adaptado das especificações online da IAI lnternational para a Edição 3
do IFC2x em: http://www.buildingsmart-tech .org/specifications/ifc-releases/ifc2x3-tc 1-release.

tos e são amplamente consistentes com Recursos ISO-STEP, mas com pequenas
extensões.
As entidades base são compostas para definir objetos comumente usados
em AEC, chamados de Shared Objects (Objetos Compartilhados) no modelo IFC.
Estes incluem elementos da construção, como paredes genéricas, pisos, elemen-
tos estruturais, elementos de sistemas prediais, elementos de processos, elemen-
tos de gerenciamento e características gerais. Uma vez que o IFC é definido como
um modelo de dados extensível e orientado a objetos, as entidades base podem
76 Manual de BIM

ser elaboradas e especializadas por subtipos 1 para criar qualquer número de su-
bentidades.
O nível mais alto do modelo de dados IFC são as extensões específicas de
domínio. Estas lidam com diferentes entidades específicas necessárias para de-
terminado uso. Portanto, há extensões para Elementos Estruturais e para Aná-
lise Estrutural, para Arquitetura, Elétrica, Ar-Condicionado e para Automação
Predial.
Cada forma geométrica no diagrama de arquitetura do sistema na Figura
2-3 identifica um conjunto de entidades, enumerações e tipos na linguagem EX-
PRESS. Dessa forma, a arquitetura proporciona um tipo de sistema de indexa-
ção no modelo IFC, que também está definida em EXPRESS. O modelo IFC é
bastante grande e continua crescendo. Na versão 2x3, há 383 entidades no nível
Central (Kernel), 150 entidades compartilhadas no nível médio, e 114 entidades
de domínio específico no nível mais alto.
Dada a estrutura hierárquica de subtipos de objetos do IFC, os objetos usa-
dos em intercâmbios estão aninhados dentro de uma profunda árvore de suben-
tidades. Por exemplo, uma entidade Wall (parede) tem o seguinte percurso na
,
arvore:
IfcRoot -7 IfcObjectDefinition -7 IfcProduct -7 IfcElement -7
IfcBuildingElement -7 IfcWall
Cada nível da árvore introduz diferentes atributos e relações à entidade pa-
rede. O IfcRoot atribui um identificador global (Global ID) e outras informações
de identificação. O IfcObjectDefinition posiciona a parede como parte de uma
montagem mais agregada, e também identifica os componentes da parede, se
eles forem definidos. O IfcProduct define a localização da parede e sua forma. O
IfcElement carrega os relacionamentos desse elemento com outros, como rela-
cionamentos entre paredes fronteiriças e espaços (incluindo espaços exteriores)
que a parede separa. Ele também carrega qualquer abertura dentro da parede e
seus preenchimentos por portas ou janelas. Muitos desses atributos e relações são
opcionais, permitindo que os implementadores excluam algumas informações de
suas rotinas de exportação.
Produtos, incluindo paredes, podem ter múltiplas representações de forma,
dependendo do uso desejado. No IFC, quase todos os objetos estão dentro de
uma hierarquia de composição definida pelo IfcObjectDefinition; ou seja, eles
tanto são parte de uma composição quanto têm seus próprios componentes. O
IFC também tem uma IfcRelation (relação) de propósito geral, que tem diferentes
tipos de relações como subtipos, um dos quais é o IfcRelConnects, que, por sua
vez, tem a subclasse IfcRelConnectswithRealizing, usada para referenciar cone-

1
Subtipos fornecem a definição de novas classes de objetos de construção, que herdam as proprie-
dades de suas classes pais e acescentam novas propriedades, o que as tomam distintas de seus pais
e de qualquer possível classe irmã. As superclasses, subclasses e herança de comportamento do IFC
estão em conformidade com os princípios aceitos de análise orientada a objetos. Para mais detalhes,
veja (Booch 1993).
Capítulo 3 Interoperabilidade 77

xões entre paredes. Esse exemplo indica a extensividade do modelo IFC. Esse tipo
de abordagem é seguido por todos os objetos modelados no IFC.

3 .3.4 Cobertura do IFC


Ainda que o IFC seja capaz de representar uma ampla gama de projetos de cons-
trução, informações de engenharia e de produção, a gama de possíveis informa-
ções a serem intercambiadas na indústria AEC é enorme. A cobertura do IFC
cresce a cada versão, e trata as limitações em resposta às necessidades do usuário
e dos desenvolvedores. Resumem-se aqui as principais coberturas e limitações no
início de 2007.
Todos os objetos definidos pela aplicação, quando traduzidos para o modelo
IFC, são compostos,, pelo tipo de objeto relevante e geometria, relações e proprie-
dades associadas. E na área da geometria, relações e propriedades que a maior
parte das limitações é encontrada. Além dos objetos que fazem parte de uma
edificação, o IFC inclui objetos de processos para a representação de atividades
usadas para construir um edifício e propriedades de análise, que são a entrada e
os resultados da execução de várias análises.
Geometria: O IFC possui meios de representar uma gama bastante ampla
de geometrias, incluindo extrusões, sólidos definidos por um conjunto fechados
de faces conectadas (B-reps), e formas definidas por uma árvore de formas e
operações de união/ interseção (Constructive Solid Geometry). As superfícies po-
dem ser aquelas defmidas por formas extrudadas (incluindo aquelas extrudadas
ao longo de uma curva) e superfícies Bezier. Isso abrange a maior parte das ne-
cessidades da construção. O IFC omite formas construídas de superfícies mul-
ticurvadas, como B-splines e B-splines não uniformes (NURBS), que podem
ser definidas em aplicações de projeto como o Rhino®, Form-Z®, Maya®, Digital
Project e algumas aplicações da Bentley. Nesses casos, uma forma com essas
superfícies será traduzida com superfícies faltando e possivelmente outros erros.
Esses erros devem ser reconhecidos e a geometria, gerenciada de alguma outra
forma - modificando a representação da geometria na aplicação de exportação,
por exemplo. Na maioria das aplicações, a conversão de superfícies NURBS
para malhas é automática, mas apenas em uma direção. A geometria do IFC foi
projetada para dar suporte ao intercâmbio de modelos paramétricos simples en-
tre sistemas, como sistemas de parede e formas extrudadas. No entanto, poucos
tradutores usam essas capacidades, e seu poder somente está começando a ser
explorado.
Relações: Foi tomado cuidado no modelo de dados do IFC para representar
um rico conjunto de relações entre objetos, em alguma ferramenta BIM de proje-
to, quando traduzidas em IFC. Elas são defmidas de acordo com uma classifica-
ção abstrata, da seguinte forma:
•Atribui (Assigns) - lida com relações entre objetos heterogêneos e um
grupo ou seleção de partes de montagens para usos específicos; por
78 Manual de BIM

exemplo, todas as instâncias das entidades instaladas por uma disciplina


em particular podem ser referenciadas pela relação de atribuição.
• Decompõe (Decomposes) - é a relação geral que lida com composição e
decomposição de montagens e suas partes.
• Associa (Associates) - relaciona informações compartilhadas do empreen-
dimento, como especificações de equipamentos externos, com instâncias
do modelo; um exemplo pode ser uma peça modelada de equipamento
mecânico que se "associa" a sua especificação no catálogo do fornecedor
• Define (Defines) - lida com a relação entre uma descrição compartilhada
de um objeto e suas várias instâncias; por exemplo, uma descrição de um
tipo de janela e suas várias instâncias.
• Conecta (Connects) - define um relacionamento topológico geral entre
dois objetos, que é definido funcionalmente por subclasses. Por exemplo,
paredes possuem "conexões" com suas paredes, seus pisos ou tetos adja-
centes.
Há muitas subclasses de IfcRelations cobrindo praticamente qualquer rela-
ção desejada. Nenhuma omissão é conhecida.
Propriedades: O IFC enfatiza os conjuntos de propriedades (property sets),
ou P-sets. Estes são conjuntos de propriedades usadas em conjunto para definir
material, desempenho e propriedades contextuais, por exemplo, dados de vento,
geológicos ou de clima. Existem coleções de P-sets para muitos tipos de objetos da
construção, como coberturas, paredes, janelas, vidros de janelas, vigas e reforços
comuns. Além disso, muitas propriedades são associadas a diferentes comporta-
mentos de materiais, como para materiais térmicos, produtos de combustão, pro-
priedades mecânicas, combustíveis, concreto e outros. O IFC inclui propriedades
para custos, tempo, extração de quantitativos, espaços, segurança contra incêndio,
uso da construção, uso do terreno e outros.
Muitas omissões podem ser identificadas. Há propriedades muito limitadas
para funções de espaço especializadas, como as requeridas para segurança patri-
monial em construções públicas ou zoneamento funcional, como em um teatro.
Nas medições, faltam propriedades de tolerância; não há um modo explícito de
representar incertezas. Nesses casos, estão disponíveis opções para definir e re-
presentar conjuntos de propriedades definidas pelo usuário. Estes podem ser ge-
renciados por um acordo de usuários, uma vez que eles ainda não estão incluídos
na especificação.
Metapropriedades: Os projetistas do IFC pensaram sobre o uso da infor-
mação ao longo do tempo e a necessidade de metadados para lidar com gerencia-
mento de informações. O IFC é forte na representação de propriedade da infor-
mação, identificação, gerenciamento e rastreamento de modificações, controles
e aprovações. O IFC também possui capacidades de definir restrições e objetivos
para descrever intenção. No entanto, não sabemos se estas capacidades estão
sendo utilizadas.
Capítulo 3 Interoperabilidade 79

O IFC tem classes de objetos bem desenvolvidas para construções no nível


de detalhamento de contrato. Em geral, atualmente ele é fraco na representação
de detalhes necessários para a fabricação e manufatura. Ele trata parcialmen-
te de armaduras no concreto, soldas metálicas e suas especificações, definição
de mistura e acabamento de concreto ou detalhes de fabricação para janelas e
sistemas de paredes, por exemplo. Esse nível de detalhe pode tanto ser definido
em modelos de dados de produtos mais detalhados, como o CIS/ 2, quanto ser
acrescentado mais tarde ao IFC.
Essas diferentes descrições são reunidas para descrever a informação repre-
sentada em algum aplicativo de projeto ou para ser recebida por um aplicativo
de construção de algum outro aplicativo ou repositório. As limitações atuais não
são, de forma alguma, intrínsecas, mas refletem as necessidades prioritárias dos
usuários até agora. Se são necessárias extensões para lidar com as limitações ob-
servadas, estas podem ser acrescentadas, por meio de um processo de extensão
agendado regularmente.

3.3.5 O IFC em uso


Um cenário típico de intercâmbio de dados é mostrado na Figura 3-3. Uma Aplica-
ção Fonte modelou informações para serem usadas por uma Aplicação Receptora.
A aplicação fonte possui um tradutor desenvolvido para ela, que extrai instâncias de
informação de sua estrutura de dados nativa e as atribui a classes de entidades IFC
apropriadas. Os dados da instância da entidade são então mapeados dos objetos IFC

. Aplicação
Receptora

Intercâmbio de
dados Parte 21
Tradutor de Tradutor de
--s::::----' Exportação "'---:;; Importação

o o

Estrutura de Tradutor Tradutor Estruturo


Dados P-21 P-21 de Dados
D

FIGURA 3-3 O cenário mais comum de intercâmbio IFC entre duas aplicações .
80 Manual de BIM

em (nesse caso) um arquivo de texto definido pela ISO-STEP Part-21. Esse arquivo
é então recebido pela outra aplicação e interpretado pelo tradutor da Aplicação Re-
ceptora em termos de instâncias de objetos IFC que eles representam. O tradutor na
Aplicação Receptora escreve os objetos IFC relevantes no formato de sua estrutura
de dados nativa para utilizá-los.
Diferentes ferramentas BIM têm sua própria estrutura de dados proprie-
tária para a representação de uma construção e outras informações de proje-
to. Algumas guardam explicitamente propried.a des e relações, enquanto outras
as computam sob demanda. Elas usam internamente diferentes representações
geométricas. Logo, duas ferramentas de modelagem de construção podem ter
tradutores IFC perfeitamente bons para exportar e importar dados, mas ainda
assim ser capazes de intercambiar pouquíssimos dados úteis. Supõe-se que as
capacidades do tradutor e sua cobertura de objetos são definidas na documen-
tação do tradutor. Por essas razões, o intercâmbio de modelos IFC atualmente
precisa de testes iniciais cuidadosos para determinar qual informação está sendo
transportada para as aplicações do intercâmbio.

Visualizadores /FC
Um bom número de empresas desenvolveu visualizadores de geometria e de geo-
metria e propriedades para modelos IFC. A maioria destes está disponível gratui-
tamente para download.
Visualizadores IFC de Geometria e Propriedades disponíveis:

DDS lfcViewer, em: http://www.dds.no (grátis)


lfcStoreyView, em: http://www.iai.fzk.de/ ifc (grátis)
IFC Engine Viewer, em: http://www.ifcviewer.com (grátis)
ISPRAS IFCNRML Converter, em: http://www.ispras.ru/ - step (grátis)
Octaga Modeler, em: http://www.octaga.com (comercial)
Solibri Model Viewer™, em: http://www.solibri.com/ (grátis)

Alguns visualizadores mostram os atributos de objetos selecionados e pro-


porcionam meios de ligar e desligar conjuntos de entidades. Os visualizadores
IFC são úteis para depurar os tradutores IFC e para verificar quais dados foram
traduzidos.

Visões /FC (/FC Views)


Em função da representação variável dos objetos no IFC, dois esforços paralelos
relacionados estão sendo conduzidos para definir subconjuntos do IFC de forma
mais precisa. Em ambos os casos, os intercâmbios de dados estão prescritos em
termos de tarefas e fluxos de trabalho particulares. O esforço norte-americano é
o National BIM Standard (NBIMS), iniciado pelo Facilities Information Council,
uma organização de grupos de aprovisionamento e gerenciamento de instalações
do governo dos Estados Unidos - dentro do Departamento de Defesa - e admi-
Capítulo 3 Interoperabilidade 81

nistrado por meio do National Institute of Building Sciences (NIBS) . O esforço


europeu está sendo liderado pela Noruega, desenvolvendo um Manual de Distri-
buição de Informações (Information Delivery Manual - IDM). Ambos os esforços
são direcionados a especificar Visões IFC - subconjuntos específicos do IFC -
para serem usadas para intercâmbios em fluxos de trabalho específicos. Ambos os
grupos baseiam-se no nome buildingSMART'l'M , recentemente adotado pela W
para promover o IFC (W 2007) .
Nos Estados Unidos, o plano para desenvolvimento e implementação de
Visões IFC é incentivar diferentes domínios de negócios dentro da indústria de
construção a identificar intercâmbios de dados que, se automatizados, promove-
riam retornos de alto valor. Estes seriam especificados em um nível funcional pe-
los domínios de negócios de AEC. A suposição é que as associações da constru-
ção, como o American Institute of Architects, a Associated General Contractors,
o Precast Concrete Institute, a Portland Cement Association, o American Institute
of Steel Construction e outras instituições representem os domínios de negócios.
Uma vez especificado, o domínio de negócios, trabalhando com a organização
NIBS-buildingSMART®, financiariam especialistas em tecnologia de informação
para especificar as Visões do IFC a serem intercambiadas e para desenvolver as
especificações funcionais. Por fim, o NIBS-buildingSMART ®e o domínio AEC
trabalharão com os desenvolvedores de ferramentas BIM para implementar os
tradutores de Vistas. Existe também um debate sobre certificação.
Quando esses tradutores baseados em fluxos de trabalho específicos forem
implementados, eles serão explicitamente incorporados a tradutores baseados
tanto nos arquivos P-21 quanto em consultas de banco de dados. Algumas visões
estão sendo definidas para uma única passagem de conjuntos de dados, enquan-
to outras estão antecipando múltiplos intercâmbios iterativos, como poderia ser
desejável entre uma ferramenta de projeto e uma de análise para permitir uma
melhoria interativa de desempenho do projeto. Estas Visões, quando certifica-
das, aumentarão significativamente a robustez dos intercâmbios IFC e elimina-
rão a necessidade de um pré- teste e intercâmbios, como é requerido hoje.
Um possível exemplo de intercâmbio em fluxo de trabalho mais fino é mos-
trado na Figura 3-4, mostrando intercâmbios entre projetistas de construção e
engenheiros estruturais. Seis intercâmbios de informação são detalhados, deno-
tados na figura como (S T-1) a (S T-6). Estes incluem três intercâmbios iterati-
vos: (1) primeiro para esquematizar o sistema estrutural conceitualmente (ST-1
e ST-2); (2) o engenheiro estrutural desenvolvendo análises iterativas para criar
um bom projeto baseado no conhecimento do empreendimento pelo engenheiro,
(ST-3 e ST-4) e (3) intercâmbios entre o projetista e o engenheiro estrutural,
coordenando detalhes com o restante dos sistemas prediais e refletindo a in-
tenção do projeto (ST-5 e ST-6). O engenheiro estrutural tem duas aplicações
como opção, uma aplicação de projeto estrutural, como o Revit ®Structures,
Bentley Structures ou o Tekla Structures, e uma aplicação de análise estrutural.
Em muitos casos, (ST-3) e (ST-4) serão integrados diretamente por meio das
82 Manual de BIM

Req uisição de informação de projeto(ST- 1)


Projeto candidato do edifício(ST-2)

Obté m projeto
do ed ifício

(Transfe rência de tarefa


,
no mesmo software)
/
(Desenvolvimento do '- 1
Define/Edita '
)
projeto do ed ificio projeto estrutural

, Projeto do edifício./ Envia para análise estrutural(ST-3)


Retorna resultados da análise(ST-4)
Projeto do edifício revisado(ST-5) - " Ana risa a estrutura ' )
,do projeto estrutural
Projeto estrutural candidato(ST-6)
'- /,

FIGURA 3-4 Exemplo de fluxo de trabalho entre projetistas de construção e engenheiros estruturais.

APis das aplicações. A cobertura de todos os intercâmbios de domínios AEC, é


claro, demandará a definição de centenas de fluxos de trabalho, cada um com
diferentes intenções e dados.

Iniciativas /FC
Até este momento (2007), há esforços significativos para aplicar o IFC em várias
partes do mundo:
• CORENET é conduzido pela Singaporean Building and Construction
Authority
,, em colaboração com outras organizações públicas e privadas.
E uma grande iniciativa para reengenharia de processos de negócios da
indústria de construção para integrar os principais processos do ciclo de
vida de um empreendimento de construção: suportado por infraestruturas
chave, suporte para submissão e registro eletrônico, processos de verifi-
cação e aprovação, métodos de comunicação para lidar com submissão,
trâmites e registros de revisões, assim como documentação e treinamento
(CORENET 2007).
• A Austrália está desenvolvendo um esforço semelhante ao de Cingapura,
sob o nome comercial de DesignCheck (Ding et al. 2006) . TM

• O International Code Council, nos Estado Unidos, tem desenvolvido um


plano que trilha um caminho diferente dos esforços do CORENET, cha-
mado de SMARTcodes (ICC 2007).
• O governo e a indústria de construção noruegueses estão trabalhando
juntos para iniciar mudanças em suas indústrias de construção, incluindo
controle de construção (verificação automática de código de obras), pla-
nejamento (e-submissão de plantas) e integração no projeto, na licitação,
na construção e no gerenciamento de instalações. Sua iniciativa também é
chamada de BuildingSmart®· e há esforços de coordenar os dois esforços
Capítulo 3 Interoperabilidade 83

de nomes semelhantes, mas distintos, que correm em paralelo. O norue-


guês espera produzir um impacto significativo na eficiência, produtivida-
de e qualidade da indústria da construção. Veja "Industry Initiatives and
Norwegian Solution" ("Iniciativas da Indústria e a Solução Norueguesa")
em http://www.iai-international.org/.
•A General Services Administration, do governo dos Estado Unidos, tem
conduzido uma série de projetos de demonstração BIM, envolvendo vá-
rias aplicações; muitas delas confiam em intercâmbios baseados em IFC.
Estas são descritas no mesmo site da IAI acima, sob o título "Industry
Solutions, GSA Pilots" (Soluções da Indústria, Pilotos GSA).
• Com base nessas demonstrações, todos os empreendimentos de cons-
trução da GSA com início em 2007 devem utilizar ferramentas BIM de
projeto e usar um modelo exportado no formato IFC para dar suporte
à verificação do projeto conceituai preliminar tendo em conta os requi-
sitos espaciais programáticos específicos do empreendimento. Essa é a
aplicação funcional inicial do BIM que se tornou obrigatória nos Estados
Unidos. Outras aplicações obrigatórias estão em desenvolvimento. Mais
requisitos serão introduzidos nos anos seguintes. Essas atividades levaram
ao desenvolvimento do rascunho das diretrizes BIM da GSA para serem
seguidas por todos os novos empreendimentos da GSA (GSA 2007).
Outras iniciativas estão sendo empreendidas na Finlândia, Dinamarca, Ale-
manha, Coreia, no Japão, na China e em outros países.

3.3.6 Implicações do uso do IFC


' medida que o modelo de dados do IFC vai sendo adotado por várias organi-
A
zações governamentais para verificação de códigos de obras e conferência de
projetos (como está sendo feito pela GSA e em Cingapura), haverá um forte e
crescente impacto em aspectos da prática de arquitetura e dos empreiteiros. Esse
impacto afeta simultaneamente usuários e desenvolvedores de ferramentas BIM
de projeto.
A finalização de um conjunto de desenhos contratuais na prática tradicional
impõe um nível de rigor e disciplina na geração final desses desenhos. Essa disci-
plina e rigor aumentarão ainda mais significativamente na criação e definição de
modelos de construção usados para verificação de códigos de obras e conferência
de projetos.
Um primeiro exemplo desse rigor requerido são os requisitos de submissão
da GSA para verificação de cálculos de área de construção versus o programa da
construção (GSA 2006), calculados de acordo com os métodos de cálculo de es-
paços ANSI-BOMA (ANSI 1996). A fim de conduzir esse tipo de verificação, o
modelo da construção deve ter as seguintes informações disponíveis:
• Todas as salas e os espaços devem ser rotulados de forma consistente com
o programa de espaços.
84 Manual de BIM

• Os limites 3D de todos os espaços devem ser defmidos por suas superfícies


delimitantes e fechados de maneira a permitir cálculo de área e volume.
• Se a ferramenta BIM de projeto não calcula automaticamente e mantém
a consistência do volume e área dos espaços, estes devem ser criados
e mantidos pelo usuário, de modo consistente com o método de cál-
culo ANSI-BOMA. O cálculo final de áreas é feito por uma aplicação
de conferência, de forma a garantir que isso seja feito de uma maneira
consistente.
Esses requisitos indicam que, no futuro, firmas terão de preparar cuidado-
samente e talvez pré-verificar sua estrutura de modelo para ter certeza de que
é modelado de maneira apropriada para a conferência automática. Já existem
programas para fazer essa verificação para usos de BIM da GSA. Por exemplo,
uma verificação pode ser feita de forma a conferir se todos os espaços são rotu-
lados como espaços fechados com códigos apropriados definindo suas funções
pretendidas.
Atualmente as conferências de projetos estão sendo realizadas nos modelos
da fase do projeto conceituai que não inclui materiais, equipamentos ou detalha-
mentos, ou a conferência ignora tais informações do modelo da construção. Mais
tarde, tipos mais elaborados de teste para outros tópicos programáticos se aplica-
rão a projetos mais detalhados e, finalmente, no nível de modelos de construção
completos. A maioria dos modelos de construção atual não carrega o projeto em
3D no nível dos acabamentos interiores e usa os cortes em 2D para representar
tais detalhes (veja a Figura 2-13). Essa prática deverá ser coordenada com as
conferências esperadas e outros usos dos modelos e a precisão de resultados es-
perados.
Esse rigor também se aplica às interfaces com aplicações de análise e para
a passagem de controle de uma ferramenta BIM de projeto para aquelas no nível
de fabricação. A implicação mais ampla é que uma atenção especial será neces-
sário na definição de um modelo de informações d.a construção, uma vez que a
informação será usada por outras aplicações. Haverá uma grande diferença entre
os modelos rascunhados, geralmente desenvolvidos para a conferência do pro-
jeto ou para rendering, e os modelos de construção rigorosamente elaborados,
usados para análise e conferência do projeto no futuro.

3.3.7 O futuro do IFC


O IFC é o único modelo existente de dados público, não proprietário e bem de-
senvolvido para construções e arquitetura. Ele é um padrão "de fato" em todo
o mundo e está sendo formalmente adotado por vários governos e agências em
diversas partes do mundo. Ele está sendo eleito e utilizado para um número cres-
cente de usos, tanto no setor público quanto privado. No programa de Premiação
AIA BIM de 2007, administrado pela Technology in Architectural Practice Kno-
wledge Community (Comunidade de Conhecimento em Tecnologia na Prática de
Capítulo 3 Interoperabilidade 85

Arquitetura), seis das 32 submissões de projetos incluíam o uso do IFC. Uma vez
que a ideia é que elas proporcionem exemplos de melhores usos, isso indica uma
ampla aceitação do uso do IFC.
O padrão do modelo de dados IFC está continuamente evoluindo. Uma nova
versão com extensões é lançada a cada dois anos. As extensões são desenvolvidas
em duas fases. Primeiro, várias equipes de domínios específicos se reúnem em
torno de temas específicos ou usos alvo - como análise estrutural ou construção
em concreto armado. Um grupo cuidadosamente gera um conjunto de requisitos.
Então uma extensão candidata para o IFC é gerada e proposta por especialistas
em modelagem. A extensão é votada e aprovada pelos participantes. Depois, as
diferentes extensões que foram feitas ao longo do ciclo de dois anos são compos-
tas e então integradas de uma forma lógica pelo Model Support Group (MSG), a
fim de proporcionar extensões consistentes para a próxima versão. A nova versão
do IFC é documentada, distribuída e revisada com as firmas de software de AEC,
que desenvolvem implementações de tradutores das extensões do modelo IFC;
estas são testadas para certificação. Até recentemente a certificação estava sendo
no nível do Release do IFC, em que alguns subconjuntos de entidades IFC são
lidas e/ ou escritas corretamente e as capacidades são documentadas.
Uma vez que as Visões IFC que suportam vários intercâmbios especí-
ficos estão sendo desenvolvidas no National BIM Standard e, na Europa, pelo
buildingSMART®, os tradutores IFC atuais estão falhando na confiabilidade ne-
cessária sem amplos pré-testes. Espera-se que essas limitações desapareçam à
medida que as Visões IFC sejam definidas e implementadas. Os esforços do IFC e
do NBIMS estão sendo conduzidos com fundos mínimos e muito esforço volun-
tário. O nível de suporte pode se tornar um calcanhar de Aquiles do uso dissemi-
nado dessa importante tecnologia.

ESQUEMAS XML
Um caminho alternativo para intercambiar dados é por meio do XML. O XML
é uma extensão para o HTML, a linguagem usada para enviar informações pela
web. O HTML possui um conjunto fixo de etiquetas (uma etiqueta indica qual
tipo de dados vem a seguir) e tem o foco em apresentação, diferentes tipos de
mídia e outros formatos fixos de dados da web. O XML expande em relação
ao HTML ao proporcionar etiquetas definidas pelo usuário para especificar um
significado pretendido para o dado transmitido, permitindo esquemas definidos
pelo usuário. O XML tornou-se muito popular para intercâmbio de informações
entre aplicações web, por exemplo, para dar suporte a transações de e-commerce
ou coletar dados.
Há múltiplos métodos para definir etiquetas personalizadas, incluindo
as Document Type Declarations (DTDs). DTDs têm sido desenvolvidas para
fórmulas matemáticas, gráficos vetoriais e processos de negócios, entre tantos
outros. Há outros modos de definir esquemas XML, incluindo o XML Sche-
86 Manual de BIM

ma (http://www.w3.org/XML/ Schema), o RDF (Resource Description Frame-


work) (http://www.w3.org/ RDF/ ) e o OWL Web Ontology Language (http://
www.w3.org/ TR/2004/ REC-owl-features-20040210/ ). Estão sendo feitas pes-
quisas para desenvolver ferramentas ainda mais potentes em torno do XML e es-
quemas mais poderosos, baseados em definições semânticas precisas chamadas
de ontologias, mas resultados práticos para essas abordagens mais avançadas
ainda têm sido limitados.
Usando linguagens de definição de esquemas já disponíveis, alguns esque-
mas XML efetivos e métodos de processamento têm sido desenvolvidos em áreas
da AEC. Cinco deles são descritos na caixa a seguir:

Esquemas XML em áreas da AEC

OGC (Open Geospatial Consortium) desenvolveu a OpenGIS® Geographic


Objects (GO) lmp/ementation Specification. Ela define um conjunto aberto de
abstrações comuns, independentes de linguagens, para descrever, gerenciar,
renderizar e manipular objetos geométricos e geográficos dentro de um am-
biente de programação de aplicações (OGC 2007).
gbXML (Green Building XML) é um esquema desenvolvido para transferir
informações necessárias para análise preliminar de energia de envelopes de
construções, zonas e simulação de equipamentos de condicionamento de ar
(gbXML 2007).
aecXML é administrado pela FIATECH, um importante consórcio de empresas
de construção que dá suporte a pesquisas em AEC, e a IAI. Ele pode represen-
tar recursos como documentos de contrato e do empreendimento (Request for
Proposal (RFP), Request for Quotation (RFQ), Request for lnformation (RFI),
especificações, adendos, pedidos de modificação, contratos, pedidos de com-
pra), atributos, materiais e peças, produtos, equipamentos; metadados como
organizações, profissionais, participantes; ou atividades como propostas, em-
preendimentos, projeto, estimação, planejamento e construção. Ele carrega
descrições e especificações das construções e seus componentes, mas não as
modela geométrica ou analiticamente (FIATECH 2007).
IFCXML é um subconjunto do esquema 1FC mapeado para o XML, suporta-
do pela IA I. Ele também se apoia no XML Schema para seus mapeamentos.
Atualmente ele dá suporte aos seguintes casos de uso: Catálogos de Materiais,
Lista de Quantitativos e Adicionar Propriedades Definidas pelo Usuário. O su-
porte para novos casos de uso está planejado (IAI 2007a).
BLIS-XML é um subconjunto do IFC versão 2.0, desenvolvido para dar suporte
a um número pequeno de casos de uso. Ele foi desenvolvido em 2001-2002
em um esforço para colocar em uso uma versão prática e produtiva do IFC. O
BLIS-XML usa o esquema BLIS com um conversor de esquemas desenvolvido
pela Secam Co. Ltd. (BLIS 2002).
Capítulo 3 Interoperabilidade 87

A Associated General Contractors (AGC) anunciou que vai desenvolver o


agcXML, um esquema para seus processos de negócio de construção. Ele estava
em desenvolvimento no momento em que este livro foi escrito.
Cada um desses diferentes esquemas XML define suas próprias entidades,
atributos e relações. Eles funcionam bem para dar suporte ao trabalho de grupo de
firmas em colaboração que implementam um esquema e desenvolvem aplicações
sobre ele. No entanto, cada um dos esquemas XML é diferente e incompatível. O
IFCXML proporciona um mapeamento global ao modelo de dados de construção
IFC, para referência cruzada. O esquema OGC GIS está sendo harmonizado com
os esforços do IFC. A formatação XML usa mais espaço do que, digamos, um ar-
quivo de texto IFC (entre duas e seis vezes mais espaço). A questão de longo prazo
é harmonizar os outros esquemas XML com mapeamentos equivalentes entre eles
e com as representações de modelos de dados. A analogia é com as ferrovias nos
Estados Unidos, que rapidamente construíram trilhos por todo o país, cada uma
com sua própria bitola; elas funcionaram bem dentro de sua própria comunidade,
mas não podiam ser interligadas.

FORMATOS PORTÁVEIS BASEADOS NA WEB: DWF E PDF


Dois formatos amplamente disponíveis são do PDF 3D (Portable Document
Format), desenvolvido pela Adobe®, e o DWF (Design Web Format), desenvol-
vido pela Autodesk®. Esses dois formatos suportam um fluxo de trabalho de
"publicação"de informações e não tratam das questões de interoperabilidade su-
portadas pelo IFC e os esquemas XML discutidos na seção anterior. Isso significa
que esses formatos da web fornecem aos profissionais de projeto e engenharia
um modo de publicar o modelo da informação da construção para revisão e vi-
sualização, com capacidades de marcação e de consultas, mas não permitem mo-
dificações na informação do modelo. A ampla disponibilidade desses formatos
provavelmente os levará a desempenhar um papel significativo no intercâmbio e
na visualização das informações dos empreendimentos. Aqui está uma breve visão
geral de algumas das características destes formatos (veja o Capítulo 4 para uma
discussão mais comparativa e detalhada de seu papel na implementação do BIM):
• Esquema genérico, sem domínio específico e extensível: Estes formatos
não possuem esquemas de um domínio específico; pelo contrário, eles
têm esquemas com classes gerais de entidades, de entidades poligonais
geométricas e entidades sólidas a objetos de marcação e folha de desenho.
Eles são projetados para dar respostas às amplas necessidades das dis-
ciplinas de engenharia e projeto incluindo a manufatura e a indústria de
AEC. O PDF foi projetado originalmente para intercâmbio de documen-
tos baseados em texto e foi ampliado para incluir o suporte para elemen-
tos U3D (Universal JD). O esquema DWF foi projetado especificamente
para intercâmbio de dados de projeto inteligentes e é fundamentado no
formato e extensões do XPS (XML paper specification) da Microsoft, que
88 Manual de BIM

é baseado no XML, permitindo a qualquer um adicionar objetos, classes,


visões e comportamentos. Ainda que o PDF seja um padrão ISO, as ex-
tensões DWF e PDF 3D não o são.
• Vistas embutidas das informações do empreendimento: Ambos os for-
matos representam os dados do modelo e vistas daquele modelo. Vistas
de dados incluem vistas plotadas 2D, vistas do modelo 3D ou vistas de
imagens matriciais. As representações 3D e 2D do modelo são completa-
mente navegáveis, selecionáveis e suportam consultas. Elas incluem meta-
dados, mas os parâmetros de objetos não são editáveis.
• Ferramentas de visualização amplamente disponíveis: Ambos os forma-
tos são distribuídos com visualizadores grátis, disponíveis publicamente.
• Alta fidelidade, exatidão e precisão: Ambos os formatos foram projeta-
dos para serem capazes de fornecer impressão com alto grau de exatidão
-
.
e prec1sao.
• Altamente compactáveis: Ambos os formatos são otimizados para a por-
tabilidade e são altamente compactáveis. O IFC e muitos dos outros for-
matos XML e 3D não o são.

INTERCÂMBIO DE DADOS VERSUS REPOSITÓRIOS DE


MODELOS DA CONSTRUÇAO
-
O uso na produção do intercâmbio de dados baseado em IFC e o intercâmbio em
e-business baseado em XML começaram com o intercâmbio de arquivos. Rapida-
mente, no entanto, as pessoas estão aprendendo que o gerenciamento de versões,
atualizações e o gerenciamento de modificações dos dados, associados com um
número cada vez maior de aplicações heterogêneas, levam a grandes desafios no
gerenciamento de d.a dos. Questões que surgem e que são mais bem resolvidas por
repositórios:
• Suporte a intercâmbios entre múltiplas aplicações simultâneas que tanto
leem quanto escrevem dados do empreendimento; ou seja, os fluxos de
trabalho não são lineares
• Propagação e gerenciamento de modificações que impactam conjuntos de
informações de múltiplas aplicações
• Quando existem múltiplas aplicações de criação e edição que devem ser
mescladas para uso futuro
• Suporte a coordenação muito frequente ou em tempo real entre usuários
de múltiplas aplicações.
A tecnologia associada com a resolução desses tipos de questões e com a
facilitação do intercâmbio de dados entre combinações de aplicações é o repo-
sitório de modelos da construção. Um repositório de modelos da construção é
um sistema de banco de dados
, cujo esquema é baseado em um formato publi-
cado, baseado em objeto. E diferente dos sistemas de gerenciamento de dados
de empreendimento (project data management - PDM) existentes e de sistemas
de gerenciamento de projetos baseados na web nos quais os sistemas PDM são
Capítulo 3 Interoperabilidade 89

baseados em arquivos e hospedam arquivos CAD e de pacotes de análise do pro-


jeto. Repositórios de modelos da construção são baseados em objetos, permitindo
consultas, transferência, atualização e gerenciamento de objetos individuais do
empreendimento procedentes de um conjunto potencialmente heterogêneo de
aplicações. O único esquema de objetos no nível amplo da construção é o IFC
(mas também o CIS/2 e o AP225 poderiam ser usados para aplicações limitadas
- veja a Seção 3 .3 .1). Várias empresas têm desenvolvido repositórios de modelos
da construção usando os IFCs.
Um repositório IFC pode dar suporte à integração de dados gerados por
múltiplas aplicações para uso em outras aplicações, suportar iterações em partes
do projeto e rastrear modificações ao nível do objeto. Eles proporcionam controle
de acesso, gerenciamento de versões e vários níveis de histórico de projeto, rela-
cionando os vários dados geométricos, de material e desempenho que represen-
tam uma construção (Eurostep 2007; Jotne 2007) .

Repositórios de modelos da construção atualmente disponíveis:

• Jotne EDM Model Server


• LKSoft IDA STEP Database
• EuroSTEP Model Server
• EuroSTEP SABLE Server
• Oracle Collaborative Building lnformation Management

As capacidades básicas já existem, mas estão sendo feitos desenvolvimentos


para proporcionar uma gama de serviços efetivos para os repositórios de modelos
da construção. Alguns dos primeiros softwares de suporte incluem:
• visualizadores para inspeção dos dados geométricos e de propriedades em
repositórios de modelos da construção (veja a Seção 3 .3 .5);
• verificação de repositórios de modelos de dados de produto, para corre-
ção lógica ("correção ortográfica e gramatical da construção"), para a
verificação do programa da construção ou verificação de código de obras
(CORENET 2007; Jotne 2007; Solibri 2007).
,,
Areas futuras em que se espera que os repositórios proporcionem serviços
importantes incluem preparação de conjuntos de dados para análises múltiplas,
como análise de energia de envoltórios de construções, distribuição da energia
nos interiores e simulação de equipamentos de ar condicionado; listas de mate-
riais e rastreamento de aprovisionamento; gerenciamento da construção; comis-
sionamento da construção; gerenciamento e operação de instalações. Algumas
dessas questões são exploradas na Seção 4.5.5.
Na prática, cada participante do projeto e cada aplicação não estão envol-
vidos na representação completa do projeto da edificação e de sua construção.
Cada participante está interessado somente em um subconjunto do modelo da
90 Manual de BIM

informação da construção, definido como visões particulares de seu modelo. De


maneira semelhante, a coordenação não se aplica universalmente; apenas alguns
usuários precisam conhecer leiautes da armadura dentro do concreto ou especi-
ficações de solda. Então a seguinte questão ainda está em aberto: há necessidade
de uma única base de dados integrada ou múltiplas bases de dados federadas,
que podem proporcionar a verificação de consistência específica limitada entre
modelos dispersos?
Essa questão é mais complicada ainda pelos desafios de armazenar os dados
no formato apropriado para arquivar e recriar os arquivos de projeto nativos re-
queridos pelas várias ferramentas BIM de criação e edição. O formato neutro no
qual os repositórios carregam os dados é inadequado para recriar os formatos de
dados nativos usados pelas aplicações, exceto em poucos e limitados casos. Hoje,
eles somente podem ser recriados a partir dos próprios conjuntos de dados de
aplicações nativas. Isso se deve à heterogeneidade básica do comportamento em-
butido nas ferramentas de projeto de modelagem paramétrica (descritas na Seção
2.2. 7). Assim, qualquer informação de intercâmbio em formato neutro, como os
dados de modelo do IFC, devem ser adicionadas ou associadas com os arquivos
de projeto nativos produzidos por ferramentas BIM de criação e edição. Enquan-
to o futuro para o gerenciamento de dados do empreendimento, especialmente
para projetos grandes, parece pertencer a repositórios de modelos da construção,
muitas questões ainda precisam ser resolvidas para alcançar seu uso efetivo.
Outras indústrias têm reconhecido a necessidade de servidores de modelos
de produtos. Sua implementação nas maiores indústrias - eletrônica, de manu-
fatura e aeroespacial - levaram a uma indústria importante envolvendo o Geren-
ciamento de Ciclo de Vida do Produto (Product Lifecycle Management - PLM) .
Esses sistemas são personalizados para uma única companhia e tipicamente
envolvem integração de sistemas de um conjunto de ferramentas incluindo ge-
renciamento de modelo de produto, gerenciamento de inventário, rastreamento
e planejamento de materiais e recursos, entre outros. Eles se baseiam em dar
suporte ao modelo de dados em um dos poucos formatos nativos proprietários,
possivelmente adicionados de intercâmbios baseados em ISO-STEP. Estes têm
penetrado somente nos maiores negócios, porque o modelo de negócios atual do
PLM é baseado em serviços de integração de sistemas. O que não está disponível
é um produto pronto para o uso que pode suportar organizações de pequeno ou
médio porte, que dominam a composição das firmas da indústria da construção.
Assim, as médias e pequenas indústrias - tanto na construção quanto na manu-
fatura - estão esperando por sistemas PLM que podem ser facilmente ajustados
para vários tipos de uso.

SUMÁRIO
Alguns formatos populares de intercâmbio e suas capacidades em termos de geo-
metria, em um eixo, e poder de modelagem em outro, estão diagramados na Fi-
gura 3-5. Ela indica tanto nosso atual estado quanto as frustrações. Questões de
interoperabilidade como um todo ainda não foram resolvidas. Algumas pessoas
apregoam que o IFC e padrões públicos são a única solução, enquanto outras
Capítulo 3 Interoperabilidade 91

- - - L - - _ J_ - - - 1- - - _ L - - - ~ - - - L-. -
1 1
1 1 .JJ . - •

.· Formatos nativos do. ·.


1 1 1 1 BIM DWG, .RVT,
___ L ___ I___ - 1- ___ L _ DGN, GSM
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1 1 OBJ 1 1
VRML
___ L ___ I____ , '- - - - L - - - L -
1 1 1 1 1
~ Imagem
~
o (formato matricial) 1 1 1 1 1
U JPEG 1 1 1 1 1
1 1 1
Famílias
Pixeis Linhas 20 Polígonos 20 Malhas 30 Sólidos
paramétricas
Geometria

FIGURA 3-5 Comparação entre diferentes formatos de intercâmbio de dados de empreendimento de


acordo com a geometria suportada e seus atributos e associatividade.

dizem que a mudança para os padrões públicos afunde resolver questões pen-
dentes é muito lenta, e soluções proprietárias são preferíveis.
Nos últimos três anos, movimentos significativos têm sido feitos em ambas
as direções. Por um lado, todas as ferramentas BIM de projeto agora suportam
o IFC bastante bem, permitindo que intercâmbios básicos sejam feitos com a
completude e precisão adequadas. Poucos intercâmbios permitem a edição; a
maioria permite somente a visão estática. Há um movimento pequeno em di-
reção ao uso do IFC para interfaces de análise, mas estas também estão se tor-
nando disponíveis. Vários esquemas XML estão sendo usados para diferentes
intercâmbios de negócios. Por outro lado, formatos como o DWF e o PDF têm
o potencial de se tornar mais ricos e suportar intercâmbios, bem como a vi-
sualização (ambos têm capacidades XML) . Espera-se ver ambas as abordagens
coexistindo, lado a lado. Mas nós todos somos agentes nessa decisão, tanto por
meio de decisões de compra quanto de apoio. Os desejos dos usuários e dos
proprietários prevalecerão.
92 Manual de BIM

Questões para discussão do Capítulo 3

1. Quais são as principais diferenças entre o DXF como um for-


mato de intercâmbio e um formato baseado em objetos como
olFC?
2. Escolha uma aplicação de projeto ou engenharia que não
tenha uma interface efetiva com uma ferramenta BIM de
projeto que você usa. Identifique os t ipos de informação que a
ferramenta BIM de projeto precisa enviar para essa aplicação.
3. Extenda isso pensando no que pode ser retornado para a
ferramenta BIM de projeto, como um resultado ao rodar essa
aplicação.
4. Pegue um projeto simples de um objeto simples, como uma
escultura de Lego. Usando o IFC, defina as entidades IFC
necessárias para representar o projeto. Verifique a descrição
usando um verificador EXPRESS, como o verificador livre EX-
PRESS-0 disponível no site de softwares abertos Sourceforge.
5. Para uma ou mais atividades de coordenação abaixo, identifi-
que a informação que precisa ser intercambiada em ambas as
direções:
a. projeto da construção que é informado pela análise de
energia da envoltório da construção.
b . projeto da construção que é informado por uma análise
estrutural
c. modelo de nível de fabricação de aço que coordena com
uma aplicação de planejamento de fabricação e rastrea-
mento de materiais
d. projeto de concreto moldado in loco que é informado por
um sistema de fôrmas modulares
6. Quais são as capacidades funcionais proporcionadas por um
Repositório de Modelos da Construção e base de dados que
se distinguem ao se comparar com um sistema baseado em
arquivos?
7. Explique por que o intercâmbio de arquivos entre sistemas de
projeto usando o IFC pode resultar em erros. Como esses er-
ros podem ser detectados?
,
CAPITULO

BIM para Proprietários e


Gerentes de 1nstalações

,
SUMARIO EXECUTIVO
Proprietários podem obter benefícios significativos em projetos utilizando proces-
sos e ferramentas BIM para agilizar a entrega de edifícios de maior qualidade e
melhor desempenho. O BIM facilita a colaboração entre os participantes do pro-
jeto, reduzindo erros e modificações em obra, levando a um processo de entrega
mais eficiente e confiável, que reduz o tempo e o custo do empreendimento. Exis-
tem muitas áreas potenciais para as quais o BIM pode contribuir. Proprietários
podem utilizar um modelo de edifício para:
• aumentar o valor do edifício por meio do projeto e análise de consumo de
energia baseados em BIM para melhorar o desempenho geral do edifício;
• reduzir a duração do cronograma da aprovação ao término utilizando
modelos do edifício para coordenar e pré-fabricar o projeto, reduzindo o
tempo da mão de obra no canteiro;
• obter estimativas de custo confiáveis e precisas por meio de quantita-
tivos automáticos diretamente do modelo do edifício, fornecendo rea-
limentação mais cedo no projeto, quando as decisões terão os maiores
impactos;
• garantir a conformidade do programa por meio de análises contínuas do
modelo do edifício em relação aos requisitos do proprietário e aos códigos
de construção locais;
• produzir instalações exigidas pelo mercado, reduzindo o tempo entre
decisões de contratação e a construção em si e permitindo a seleção das
tecnologias mais recentes ou tendências de acabamentos;
• otimizar o gerenciamento e a manutenção das instalações utilizando o
modelo as-built do edifício como uma base de dados para salas, espaços
e equipamento.
94 Manual de BIM

Esses benefícios estão disponíveis para todos os tipos de proprietários:


pequenos e grandes, construtores de vários edifícios ou de edifícios únicos,
privados ou institucionais. Os proprietários ainda estão por perceber todos os
benefícios associados com o BIM ou com o emprego de todas as tecnologias
e processos discutidos neste livro. Mudanças significativas nos processos de en-
trega, escolha de prestadores de serviços e abordagem em relação aos projetos
são necessários para que se obtenham os benefícios do BIM. Atualmente, os
proprietários estão reescrevendo a linguagem contratual, as especificações e os
requisitos do projeto, para que incorporem o uso de processos e tecnologias
BIM em seus projetos o máximo possível. Os proprietários que estão investindo
em iniciativas BIM estão alcançando vantagens no mercado por meio da entre-
ga de instalações de maior valor e custo operacional reduzido. Atentos a essas
mudanças, alguns deles estão liderando ativamente iniciativas para implementar
ferramentas BIM em seus projetos, auxiliando e dando suporte ao treinamento e
à pesquisa sobre BIM.

INTRODUÇÃO: POR QUE PROPRIETÁRIOS DEVEM SE


INTERESSAR PELO BIM
Os processos de produção enxutos e a modelagem digital revolucionaram as in-
dústrias aeroespacial e de manufatura. Pioneiros na adoção desses processos,
como a Toyota e a Boeing, alcançaram grande eficiência e sucesso comercial
(Laurenzo, 2005) . Para competir, os usuários mais recentes foram obrigados a
empenhar-se e, apesar de as barreiras técnicas já não serem as mesmas encontra-
das pelos primeiros usuários, eles ainda enfrentaram modificações significativas
em seus processos de trabalho.
A indústria AEC está enfrentando uma revolução semelhante, que demanda
tanto transformações dos processos como uma mudança de paradigma - da
documentação baseada em 2D e entregas periodizadas para o protótipo digital
e o fluxo de trabalho colaborativo. O fundamento do BIM é um modelo coor-
denado e rico em informações, que permite a prototipagem virtual, análises e
a construção virtual de um projeto. Essas ferramentas ampliam largamente as
capacidades do CAD atual por meio da habilidade de associar informações do
projeto a processos de negócio, como orçamentação, previsão de vendas e ope-
ração do edifício. Em processos baseados em desenhos, as análises precisam ser
feitas de modo independente da informação do projeto do edifício, muitas vezes
exigindo entradas de dados repetidas, tediosas e propensas a erros. O resultado
é a perda de valor dos ativos informacionais ao longo das fases e um maiores-
forço para produzir informação de projeto, como mostra o diagrama conceituai
na Figura 4-1. Consequentemente, tais análises podem ocorrer fora de sincronia
com a informação do projeto, levando a erros. Em processos baseados em BIM,
o proprietário pode obter um retorno maior de seu investimento em decorrência
da melhoria do processo de projeto, no qual o valor da informação é aumentado
em cada fase, e o esforço necessário para produzi-la é reduzido. Além disso,
Capítulo 4 BIM para Proprietários e Gerentes de Instalações 95

VIABILI DADE CONCEPÇÃO CONSTRUÇÃO PR EPARAÇÃO OPERAÇÃO MODERNI-


DA ZAÇÃO
INSTALAÇÃO DA
EDIFICAÇÃO
Processo
"''ºo
V>
colaborativo
e
o baseado
u em BIM
q:
·-C1I
"'O

o
"'O
o
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V>
....oe
Perda de valor
C1I
decorrente da
E entrega com
:J recriação
u
o da informação
"'O Processo
o tradicional de
"'O
...o Processo gerenciamento
-~ tradicional de de facilidades
via banco de
projeto-concor-
rência-constru- dados
ção, baseado
em papel

~------1 -5 anos ------~..------ 20 anos ou mais - - - -•


Projeto e Construção Operação
Ciclo de vida do edificação
*A inclinação da linha indica o esforço D) Configuração de banco de dados de gerenciamento de facilidades
necessário para produzir e manter a informação E) Integração do Gerencimento de Facilidades com sistemas
de gestão empresarial
F) Utilização da documentação "as-built" para modernizações
G) Atualização do banco de dados de gerencimento de facil idades

FIGURA 4-1 A) Processo tradicional, com documentação baseado em desenhos e estágio único. 8) Sistema
de banco de dados tradicional poro gerenciamento de facilidades. C) Entregas de documentação baseados
em BIM através de todo o processo de projeto e operação.

proprietários podem colher dividendos na qualidade do projeto, custo e futuras


modificações na edificação.
Este capítulo discute como proprietários podem usar o BIM para gerenciar
riscos do empreendimento, aumentar a qualidade dos projetos e agregar valor aos
seus negócios. Ele também mostra como gerentes de facilidades podem empregar
o BIM para melhorar seu trabalho. Proprietários são entendidos aqui como as or-
ganizações que iniciam e financiam projetos de construção. Eles tomam decisões
estratégicas no processo de implementação da edificação por meio da seleção dos
fornecedores de serviços e da forma de implementação do empreendimento que
eles adotam. Essas decisões acabam por controlar o escopo e a efetividade do
BIM em um projeto.
Este capítulo começa com uma discussão sobre aplicações BIM para diver-
sos tipos de proprietários de edificações e gerentes de facilidades. Em seguida,
mostra como essas diferentes aplicações atendem a requisitos de diferentes tipos
de proprietários: operadores vs. desenvolvedores; construtores em série vs. cons-
trutores de um único edifício; privados vs. governamentais; locais vs. globais. A
96 Manual de BIM

Seção 4.4 discute como diferentes formas de implementação de empreendimen-


,
tos imobiliários afetam a implantação de várias aplicações BIM. E mostrado por
que a forma colaborativa de implementação é a melhor abordagem para uma
aplicação bem-sucedida do BIM em um projeto.
A Seção 4.5 traz um guia de ferramentas BIM que são mais adequadas ou
melhor orientadas aos proprietários. A maioria das ferramentas BIM disponíveis
atualmente são dirigidas para prestadores de serviços, como arquitetos, engenhei-
ros, empreiteiros e fabricantes, não sendo especificamente voltadas para os pro-
prietários. Outras ferramentas são discutidas nos Capítulos 5, 6 e 7, e referências
são fornecidas para aquelas seções. A Seção 4.6 discute o modelo de informação
da construção do proprietário e como a perspectiva do proprietário sobre ele, seu
escopo e nível de detalhe podem variar daqueles discutidos nos capítulos subse-
quentes.
Os proprietários desempenham um papel significativo na educação e na li-
derança na indústria da construção. A Seção 4. 7 discute diferentes maneiras de
proprietários implementarem aplicações BIM em seus empreendimentos, incluin-
do pré-qualificação dos prestadores de serviços, seminários de educação e treina-
mento, requisitos contratuais e modificação de seus próprios processos internos.
A Seção 4.8 segue com uma discussão dos riscos e das barreiras tecnológicas
associadas à implementação do BIM. O capítulo fmaliza com diretrizes para uma
implementação bem-sucedida.

ÁREAS DE APLICAÇÃO DO BIM PARA PROPRIETÁRIOS


Tradicionalmente, os proprietários não têm sido agentes transformadores na in-
dústria da construção. Há tempos eles se resignaram com os problemas típicos
dos empreendimentos imobiliários, como extrapolamento de custos, atrasos nos
cronogramas e questões relativas à qualidade (Jackson 2002). Muitos proprietá-
rios consideram a construção como uma despesa relativamente pequena, quando
comparada aos custos do ciclo de vida ou a outros custos operacionais que se
acumulam com o tempo. Porém, mudanças nas condições de mercado estão for-
çando proprietários a repensar suas visões e a colocar mais ênfase no processo de
implementação de empreendimentos e seu impacto nos seus negócios (Geertse-
ma et al. 2003; Gaddie 2003).
As empresas (profissionais de AEC) que prestam serviços para proprietários
frequentemente apontam a miopia dos clientes e suas constantes solicitações de
modificações, que impactam na qualidade do projeto e nos custos e prazos da
construção.
Devido ao considerável impacto potencial que o BIM pode ter sobre esses
problemas, o proprietário pode ser o maior beneficiário de seu uso. Assim, é fun-
damental que todos os tipos de proprietários compreendam como as aplicações
BIM podem possibilitar vantagens competitivas e permitir que suas organizações
respondam melhor às demandas do mercado, gerando maior retorno do capital
investido. Nos casos em que os prestadores de serviços estão liderando a imple-
mentação do BIM - buscando sua própria vantagem competitiva - proprietários
Capítulo 4 BIM para Proprietários e Gerentes de Instalações 97

informados podem alavancar mais facilmente as especialidades e o know-how de


suas equipes de projeto e construção.
Nas próximas seções, apresentamos uma visão geral dos impulsionadores
que estão motivando os vários tipos de proprietários a adotar tecnologias BIM
e descrevemos as diferentes aplicações BIM disponíveis. Esses impulsionadores
-
sao:
• Confiabilidade de custos e gestão
• Tempo de lançamento (time to market)
• Complexidade crescente na infraestrutura e no mercado
• Sustentabilidade
• Escassez de mão de obra
• Barreiras de linguagem
• Gestão de ativos
A Tabela 4-1 traz um resumo das aplicações BIM revistas neste capítulo, a
partir da perspectiva do proprietário, assim como os respectivos benefícios asso-
ciados a elas. Muitas das aplicações referenciadas neste capítulo são descritas em
mais detalhes nos Capítulos 5, 6 e 7, e nos estudos de caso do Capítulo 9.

4.2. 1 Confiabilidade de custos e gestão


Proprietários frequentemente encaram situações de custos que ficam acima do
esperado ou custos não previstos, que os forçam a realizar "engenharia deva-
lor", a ampliar o orçamento ou a cancelar o projeto. Pesquisas com proprietários
indicam que até dois terços dos clientes da construção reportam custos acima
do previsto (Construction Clients Forum, 1997; FMl/ CMM, 2005, 2006). Para
mitigar o risco de extrapolamento de custos e estimativas não confiáveis, pro-
prietários e prestadores de serviços adicionam contingências às estimativas ou
um "valor reservado para lidar com as incertezas que surgem durante a constru-
ção" (Touran 2003). A Figura 4-2 mostra uma típica faixa de contingências que
proprietários e seus prestadores de serviços aplicam às estimativas, variando de
50% a 5%, dependendo da fase do projeto. Estimativas não confiáveis expõem
proprietários a um risco significativo e aumentam artificialmente todos os custos
do projeto.
A confiabilidade das estimativas de custo é influenciada por vários fatores,
incluindo condições de mercado que variam ao longo do tempo, tempo decorrido
entre a estimativa e a execução, modificações nos projetos e questões relativas à
qualidade (Jackson 2002) . A natureza precisa e computável dos modelos BIM
proporciona uma fonte mais confiável para proprietários realizarem quantitativos
e estimativas, além de realimentações de custo mais rápidas para modificações
nos projetos. Isso é importante porque, mais cedo no processo, nas fases de es-
tudo de viabilidade e concepção, a habilidade de influenciar os custos é a maior,
como mostrado na Figura 4-3. Orçamentistas citam falta de tempo, documen-
tação pobre e falhas na comunicação entre os participantes do projeto, especial-
98 Manual de BIM

Tabela 4-1 Resumo das áreas de aplicação do BIM e benefícios potenciais para todos
os proprietários, proprietários operadores e proprietários desenvolvedores, e
referências cruzadas para os estudos de caso apresentados no Capítulo 9
'
Areas de aplicação
do BIM específicas
para proprietários Benefícios Estudo de caso
Capítulo(s) (referenciadas no Impulsionador do para todos os relevante ou
do livro presente capítulo) mercado proprietários referência

Capítulo 5: Planejamento de Gestão de custos/ Garantir que os Planejamento de


arquitetos e espaços e conformidade complexidade do requisitos do projeto Facilidades da
engenheiros com o programo de mercado sejam alcançados Guarda Costeira/
necessidades Tribunal Federal

Energia (onólise Sustentabilidade Melhorar o Edifício de Escritórios


ambiental) sustentabilidade e do Governo Federal
eficiência energética

Configuração de Gerenciamento de Qualidade Planejamento de


projetos/ planejamento custos/ complexidade dos projetos / Facilidades da
de cenórios comunicação Guarda Costeira

Anólise e simulação do Sustentabilidade Desempenho Centro Aquótico


sistema construtivo e qualidade da Nocional
edificação

Comunicação e revisão Complexidade do Comunicação Todos os estudos de


dos projetos mercado e barreiras coso
de linguagem

Capítulos Quantitativos e Gestão de custos Estimativas mais Empreendimento


5 e 6: estimativas de custo confióveis e precisos Comercial Hillwood /
projetistas, Estacionamento Penn
engenheiros, Notional /Edifício
empreiteiros Residencial na 11 °
Avenida, Nova York

Coordenação de Gestão de custos e Redução de erros no Centro Médico


projetos (detecção de complexidade do canteiro e redução dos Comi no
interferências) infraestrutura custos de construção

Capitulos Simulação de Tempo de Comunicação visual Torre Comercial One


6 e 7: cronogramas/ 4D lançamento, do cronograma lslond East
empreiteiros escassez de mão de
e fabricantes obro e barreiros de
linguagem

Controle de projetos Tempo de Registro das atividades Planto da GM em


lançamento do projeto Flint

Pré-fabricação Tempo de Redução do tempo de Centro Médico


lançamento trabalho no canteiro e Comino /Edifício
aumento do qualidade Residencial no 11 °
dos projetos Avenida, Novo York

Capítulo 4: Anólise preliminar de Gestão de custos Aumento do Empreendimento


proprietórios viabilidade confiabilidade dos Comercial Hillwood
custos

Simulação da operação Sustentabilidade / Desempenho e


gestão de custos manutenção da
edificação
Gestão de ativos Gestão de ativos Gestão de facilidades Planejamento de
e ativos Facilidades da
Guarda Costeira
Capítulo 4 BIM para Proprietários e Gerentes de Instalações 99

Contingência/Confiabilidade
em função da fase do projeto
o 60
·-ue
<41
OI
50
e
:i::
e
o 40 • Limite superior
~ • Limite inferior
41
"O
o
30 ...., BIM
-·-·-
"O
~ 20
o
ê·-
u
o 10 •
~
o
Estimativo Estimativo de Estimativo ao final Verificado
preliminar orçamento dos projetos

Estágio de desenvolvimento da estimativa

FIGURA 4-2 Gráfico mostrando os limites superior e inferior de contingências adicionadas pelos
proprietários às estimativas de custos durante diferentes fases do projeto (dados adaptados
de Estados Unidos, 1997; Munroe, 2007; Oberlander e Trost, 2001) e o potencial aumento de
confiabilidade associado às estimativas de custo baseadas em BIM.

Capacidade de i nfluenciar o custo


Custo do construção\
100% - - - - - 100%

Planejamento /
o
t;
:J
c nceituol/Estudos
e viabilidade /
V
o
~
.ll
Concepção e detolhomento /
5l
.5!
V
e
<Ili Contratação e construção
:J
q:
e
Ili
"O
Inauguração
Ili
.i!::
z

~---... 0%
Início Tempo de projeto

D Usos mais comuns do BlM com exemplos


nos estudos de coso do Capítulo 9 D Usos emergentes do BlM com exemplos
nos estudos de coso do Capítulo 9

FIGURA 4-3 Influência do custo total do empreendimento sobre o ciclo de vida do edifício. O
uso atual do BIM normalmente é limitado às últimas fases da concepção e do detalhamento e às
fases iniciais da construção. O uso do BIM mais cedo no processo de projeto terá maior influência
sobre os custos. Melhorar a confiabilidade dos custos é um fator chave na adoção de métodos de
estimativa de custos baseados em BIM.
100 Manual de BIM

mente entre orçamentistas e proprietários, como principais causas de estimativas


deficientes (Akintoye e Fitzgerald 2000).
Proprietários podem gerenciar custos por meio de aplicações BIM para obter:
Estimativas de custo mais confiáveis nas fases iniciais do processo de
projeto com estimação conceituai usando BIM. Estimativas que utilizam mo-
delos conceituais de informação do edifício, consistindo em componentes com
informações sobre histórico de custos, produtividade e outras informações para
estimativas, podem fornecer aos proprietários respostas rápidas em vários cená-
rios de projeto. Estimativas precisas podem ser altamente valiosas nas fases ini-
ciais do projeto, particularmente na avaliação do fluxo de caixa previsto e na bus-
ca de financiamento. O estudo de caso do empreendimento Comercial Hillwood
demonstra como proprietários trabalhando com um prestador de serviços que
utiliza uma ferramenta de estimativa conceituai baseada em BIM, chamada de
DProfiler, são capazes de reduzir o percentual de contingências e economizar
dinheiro tomando empréstimos menores.
Estimativas mais rápidas, mais detalhadas e mais precisas com ferramen-
tas de quantificação BIM. Tanto proprietários quanto orçamentistas batalham
para responder às modificações nos projetos e nos requisitos, e compreendem o
impacto dessas mudanças no orçamento geral e estimativas do empreendimento.
Ao associar o modelo projetado aos processos de estimativa, a equipe de projeto
pode acelerar os quantitativos de orçamentação geral e obter realimentação mais
rápida sobre modificações propostas (ver Capítulos S e 6). Por exemplo, proprie-
tários podem extrair quantidades automaticamente e assim agilizar e verificar
estimativas dos projetistas e subcontratados (Rundell, 2006). O estudo de caso
do empreendimento Comercial Hillwood cita evidências de que estimativas de
custo baseadas em BIM realizadas no início do projeto podem reduzir em 92% o
tempo necessário para produzir a informação, com uma variação de apenas 1%
em relação ao processo manual. No estudo de caso da torre comercial One Island
East, o proprietário foi capaz de estabelecer um percentual de contingência mais
baixo em seu orçamento como resultado da confiabilidade e precisão das estima-
tivas baseadas em BIM.
Entretanto, proprietários devem perceber que quantificação e estimação
baseadas em BIM são apenas o primeiro passo no processo de estimativa como
um todo. Elas não resolvem completamente o problema das omissões. Além dis-
so, a maior precisão no levantamento de componentes oferecida pelo BIM não
lida com condições específicas do canteiro ou com a complexidade da edificação
que dependem da experiência de um orçamentista para a realização dos quanti-
tativos.

4 .2.2 Tempo de lançamento (time to market): gestão de cronograma


O tempo de lançamento afeta todas as indústrias e frequentemente a construção
das instalações fabris é um gargalo. Indústrias de manufatura têm requisitos de
tempo de lançamento bem definidos, e companhias como a General Motors,
como exposto no estudo de caso GM em Flint, devem explorar métodos e tec-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 101

nologias que as permitam construir instalações industriais mais rapidamente,


com melhor qualidade e menor custo. A equipe da GM Flint completou o em-
preendimento cinco semanas antes do previsto no cronograma graças ao uso de
processos BIM inovadores, que forneceram aos proprietários e suas equipes de
projeto ferramentas para automatizar o projeto, simular operações e usar pré-
-fabricação. Essas inovações - inicialmente dirigidas a instalações de manufatura
e processamento - agora estão disponíveis para instalações comerciais genéricas
e seus prestadores de serviços. As inovações oferecem aos proprietários uma
variedade de aplicações BIM que respondem às seguintes necessidades ligad.as
ao tempo de lançamento:
Redução do tempo de lançamento por meio do uso de modelos paramé-
tricos. Longos ciclos de construção aumentam o risco de mercado. Projetos que
são financiados em condições econômicas favoráveis podem chegar ao merca-
do em um período de recessão, impactando muito o retorno do investimento
(ROI) do projeto. Processos BIM, como projeto e pré-fabricação baseados em
BIM, podem reduzir consideravelmente a duração do empreendimento, da apro-
vação até a finalização da obra. A natureza paramétrica e de componentes do
modelo BIM tornam mais fáceis as modificações no projeto e as consequentes
atualizações automáticas da documentação. O estudo de caso de Planejamento
de Facilidades da Guarda Costeira é um excelente exemplo de projeto baseado
em parametrização para auxiliar no planejamento rápido de cenários, nas fases
iniciais do projeto. Esse tipo de aplicação BIM permite que proprietários respon-
dam melhor a tendências de mercado ou a requisitos do negócio relacionados à
construção e ajustem os requisitos do projeto, em colaboração com a equipe de
projeto.
Redução da duração do cronograma com a coordenação 3D e pré-fa-
bricação. Todos os proprietários pagam o preço de atrasos da construção ou da
lentidão dos empreendimentos, seja em pagamentos de juros de empréstimos,
da postergação dos rendimentos de locação ou de outros rendimentos de vendas
de bens e produtos. Nos estudos de caso GM em Flint e Centro Médico Cami-
no, no Capítulo 9, a aplicação do BIM para dar suporte à coordenação e à pré-
-fabricação levaram ao aumento da produtividade no canteiro, à diminuição do
esforço em campo e a reduções na duração do cronograma geral, que resultaram
na entrega das facilidades dentro do prazo estabelecido.
Redução dos riscos relacionados ao cronograma com o planejamento ba-
seado em BIM. Cronogramas frequentemente são impactados por atividades que
envolvem altos riscos, dependências, múltiplas organizações ou sequências com-
plexas de atividades. Não é raro que isso ocorra em projetos como renovações de
instalações existentes, onde a construção precisa ser coordenada com a operação
normal do edifício. Por exemplo, uma gerenciadora de obra representando o pro-
prietário usou modelos 4D (ver Capítulo 6 e Figura 4-4) para comunicar um cro-
nograma de reforma para a equipe de um hospital e mitigou o impacto das obras
sobre suas atividades (Roe 2002).
Respostas rápidas a condições de campo imprevistas com modelos BIM
coordenados em 4D. Proprietários e seus prestadores de serviços costumam
102 Manual de BIM

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(b) V isão do pavimento (e) Todos os povin1entos

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(d) Legenda de tipos de atividade (e) Atividades cm andamento (f) Hierarquia do modela da edificação

FIGURA 4-4 Visualizações de um modelo 40 para um edifício hospitalar de nove pavimentos, mostrando
atividades de reformas concomitantes em diferentes pavimentos e departamentos: a) visualização 40 de
um departamento; b) visualização 40 de um pavimento; c) visualização 40 de todos os pavimentos; d)
legenda mostrando os tipos de atividades comunicadas pelo construtor e pelo proprietário; e) as atividades
em andamento; e f) a hierarquia 40 mostrando a organização por pavimento e departamento. Cortesia da
imagem: URS.

encontrar condições que mesmo os melhores modelos digitais não conseguem


prever. Equipes utilizando modelos digitais muitas vezes estão em melhor posi-
ção para responder a essas condições imprevistas e retornar ao cronograma. Por
exemplo, no projeto de uma loja, foi definido que ela deveria abrir antes do Dia
de Ação de Graças, para o período de compras dos feriados de fim de ano. Três
meses depois de iniciar, condições imprevistas forçaram o projeto a ser paralisado
por noventa dias. O empreiteiro utilizou um modelo 4D (ver Capítulo 6) para
ajudar no planejamento da recuperação, para que as facilidades fossem abertas
em tempo (Roe 2002).

4.2.3 A complexidade da infraestrutura e do ambiente da construção


Edifícios e instalações modernos são complexos em termos de sua infraestrutura
física e das estruturas organizacional, financeira e legal usadas para implantá-los.
Códigos de construção complicados, questões de regulamentação e responsabi-
lidades legais são comuns em todos os mercados imobiliários e frequentemen-
te são gargalos ou barreiras significativas para equipes de projetos. Não raro,
proprietários precisam coordenar os trabalhos de desenvolvimento e aprovação
do projeto. Ao mesmo tempo, a complexidade da infraestrutura das instalações
cresceu consideravelmente. Sistemas tradicionais da edificação, como ventilação,
rede elétrica e hidráulica, estão sendo integrados com redes de dados e teleco-
municações, sensores e medidores, e em alguns casos, sofisticados equipamentos
elétricos ou de fabricação.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 103

As ferramentas e os processos BIM podem auxiliar os esforços dos proprie-


tários na coordenação da crescente complexidade da infraestrutura dos edifícios
e dos processos regulatórios, por meio da:
Coordenação da infraestrutura com modelos 30 totalmente integrados
dos sistemas prediais, da arquitetura e dos sistemas estruturais. Um modelo
de edifício permite a coordenação virtual de sua infraestrutura, para todas as dis-
ciplinas. O proprietário de uma instalação pode incluir os representantes de suas
equipes de manutenção e operações para fornecer informações e para revisar o
modelo. O retrabalho causado por falhas de projeto pode potencialmente ser evi-
tado. Os estudos de caso GM em Flint e Centro Médico Camino demonstraram
como um proprietário pode trabalhar com uma equipe de construção para coor-
denar os sistemas prediais usando modelos 3D digitais.
Produção de infraestruturas de maior qualidade e de manutenção mais
fácil por meio da revisão interativa dos modelos coordenados. Muitos proprie-
tários precisam ir além da coordenação típica de instalações prediais para garantir
que suas instalações, dados/ telecomunicações e equipamentos sejam facilmente
acessíveis durante a manutenção. Isso é crucial para companhias que dependem
muito desses sistemas, como empresas de caráter tecnológico e de biotecnologia,
que demandam serviços confiáveis 24 horas por dia, 7 dias por semana. A revisão
interativa do modelo permite que os proprietários simulem o acesso e os procedi-
mentos de manutenção virtualmente.
Conformidade com códigos e requisitos pela verificação automática ba-
seada em BIM. Frequentemente, proprietários e suas equipes de projeto pre-
cisam trabalhar com uma variedade de jurisdições para garantir que suas ins-
talações atendam a códigos de desenho, desempenho e segurança do trabalho.
Profissionais atuando na área de regulamentação também enfrentam desafios
para garantir a conformidade do edifício durante o projeto e a construção. Um
benefício potencial do modelo de informação do edifício é a habilidade de anali-
sar e verificar automaticamente a conformidade do modelo com o programa de
necessidades e com os códigos de obras. Em Singapura, o governo e a indústria
da construção implementaram um processo eletrônico de aprovação, chamado de
CORENET (CORENET, 2007) . O uso dos modelos de edifícios pode eliminar o
gargalo da revisão de projetos ao fornecer às agências regulatórias melhores fer-
ramentas de análise. Entretanto, as funcionalidades BIM para além da verificação
de conformidade básica ainda requerem pesquisa antes de serem adotadas por
agências reguladoras.
Prevenção de litígios por meio da criação e aprovação colaborativas de
modelos de informação de edifícios. Atualmente, muitos empreendimentos re-
correm a processos judiciais para resolver quem deve pagar pelos custos resul-
tantes de mudanças. Esse tipo de questão inclui: projetistas questionando modi-
ficações solicitadas pelo proprietário; proprietários afirmando que os projetistas
não atenderam aos requisitos contratuais; e empreiteiros questionando a respeito
do escopo do trabalho, falta de informação ou documentação projetu.al impreci-
sa. Projetos baseados em modelos de edifícios podem mitigar essas ocorrências
devido ao nível de precisão e resolução necessário para sua criação. O esforço
colaborativo de criação do modelo também leva a uma melhor atribuição de res-
ponsabilidades entre os participantes do projeto.
104 Manual de BIM

4.2.4 Sustentabilidade
A tendência aos edifícios "verdes" está levando muitos proprietários a considerar
a eficiência energética de suas instalações e o impacto ambiental geral de seus
projetos. A construção sustentável é uma boa prática de negócio e pode gerar
edificações mais facilmente comercializáveis. Modelos de edifícios fornecem vá-
rias vantagens sobre desenhos 2D, dada a riqueza da informação sobre os objetos
necessária para executar análises energéticas e outras análises ambientais. Ferra-
mentas específicas BIM para análises são discutidas em detalhes no Capítulo 5.
Da perspectiva do proprietário, processos BIM podem ajudar a:
Reduzir o consumo de energia por meio da análise energética. Em média,
nos custos operacionais, a energia responde por US$1 ,50 a US$2,00 por pé qua-
drado (US$16, 14 a US$21,53 por metro quadrado) (Hodges e Elvey, 2005). Em
uma instalação de 50.000 pés qu.a drados (4.645 m 2 ), esse valor fica entre 75 e
100 mil dólares anuais. O investimento em sistemas prediais que poupam energia,
como um isolamento térmico aprimorado, reduz o consumo de energia em 10%,
o que se traduz em economia de 8 a 1O mil dólares anuais. O ponto de equilíbrio
para um investimento de 50 mil dólares ocorreria no sexto ano de operação. O
desafio ao se fazer tais avaliações é calcular a verdadeira redução de consumo de
energia que pode ser obtida por um projeto específico. Há muitas ferramentas
para proprietários avaliarem o retorno de investimentos em economia de energia,
inclusive análise de ciclo de vida, e estas são discutidas no Capítulo 5. Apesar de
essas ferramentas de análise não necessitarem obrigatoriamente de um modelo de
edifício como entrada, este facilita muito o seu uso. O estudo de caso do edifício
de escritórios do Governo Federal demonstra os tipos de análises para conserva-
ção de energia que podem ser integradas usando ferramentas BIM.
Aumentar a produtividade operacional com ferramentas de criação e si-
mulação de modelos. Projetos sustentáveis podem influenciar consideravelmente
na produtividade dos ambientes de trabalho. Dos custos operacionais, 92% são
gastos com as pessoas que trabalham nas instalações (Romm, 1994). Estudos
sugerem que a iluminação natural em lojas e escritórios aumenta a produtividade
e reduz o absenteísmo (Roodman e Lenssen, 1995). As tecnologias BIM forne-
cem aos proprietários ferramentas necessárias para avaliar os compromissos a
fazer quando se considera o uso de luz natural e a redução do ofuscamento e do
aquecimento pelo sol, comparando os custos e requisitos globais do projeto. O
estudo de caso do edifício de escritórios do Governo Federal comparou diferentes
cenários para maximizar benefícios potenciais da luz natural.

4.2.5 Superando as barreiras de escassez de mão de obra, educação e


linguagem
Proprietários enfrentam questões de mercado globais e locais. Todos os projetos
precisam obter aprovação local e tipicamente dependem de recursos locais para a
execução das atividades no canteiro. Mesmo em projetos locais, é comum que se-
jam faladas várias línguas. Muitos projetos integram recursos globais, particular-
mente trabalhos internacionais; e muitos países industrializados estão vivencian-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 105

do uma crescente escassez de trabalhadores qualificados e um envelhecimento da


força de trabalho na indústria da construção (McNair e Flynn, 2006). Empreen-
dimentos baseados em BIM podem mitigar o impacto dessas tendências ao:
Maximizar a eficiência da mão de obra pela conexão do BIM com a pré-
-fabricação e o planejamento do trabalho em campo. Combinado com aborda-
gens gerenciais como a construção enxuta, o BIM pode ajudar equipes de pro-
jetos a aumentar a produtividade do trabalho e a reduzir a necessidade de mão
de obra no canteiro. O estudo de caso do Centro Médico Camino é um excelente
exemplo do uso de um modelo de informação 3D para apoiar tanto a pré-fabri-
cação quanto a otimização das atividades de canteiro por meio da coordenação e
do planejamento virtuais, reduzindo a demanda de trabalho em campo. De fato,
como a construção enxuta requer mudanças de processos que transcendem as
fronteiras das empresas individuais durante os empreendimentos imobiliários, as
aplicações de maior sucesso têm sido aquelas promovidas pelos proprietários,
como o Sutter Health, a seguradora de saúde por trás do Centro Médico Camino.
O BIM tem um papel central na facilitação da aplicação das técnicas enxutas,
como o controle do trabalho por fluxo puxado e os fluxos de materiais.
Superar barreiras de linguagem por meio da simulação BIM e comuni-
cação. A maioria dos projetos envolve pessoas que falam múltiplas línguas ou
dialetos no escritório e no canteiro. Esforços que tentam incorporar ferramentas
de tradução dentro de CADs ou mesmo aplicações BIM falham devido ao jargão
e às informações específicas que são anotadas nas próprias pranchas do projeto.
O BIM pode ser usado para comunicar as atividades diárias do canteiro para
trabalhadores estrangeiros (Sawyer, 2006). Essa visualização interativa, no estilo
videogame, fornece aos trabalhadores uma forma altamente interativa de navegar
e consultar informações do projeto.
Instruir a equipe do projeto por meio de revisões interativas com BIM.
Projetos geralmente duram longos períodos e envolvem numerosos fornecedo-
res de serviço. As equipes do projeto precisam instruir constantemente novos
participantes no empreendimento, durante cada uma das suas fases. A natureza
computável dos modelos de edifícios faz com que sejam excelentes ferramentas
para acelerar novos membros da equipe, de modo que eles possam entender o
escopo, os requisitos e a situação atual do projeto. Essa comunicação é vital,
particularmente quando um projeto decola ou novos participantes se juntam à
equipe. O quarto autor deste livro participou em um projeto no qual o proprietá-
rio (Disney) utilizou modelos 3D, 4D e de simulação de operações para instruir
mais de 400 partes interessadas, variando de agências locais e executivos até po-
tenciais fornecedores e novos empregados (Schwegler et al. 2000). A natureza
rica e interativa da informação melhorou consideravelmente o entendimento do
projeto. Diferentemente da documentação 2D desencontrada utilizada, ou mes-
mo dos modelos 3D, as ferramentas BIM de projeto e revisão fornecem recursos
altamente interativos, que permitem não apenas a visualização do projeto, mas
também a consulta do modelo e o exame de uma variedade de informações sobre
os componentes do projeto.
106 Manual de BIM

4.2.6 Avaliação de projeto


Proprietários precisam ter capacidade para gerenciar e avaliar o escopo do pro-
jeto em relação aos seus próprios requisitos em cada fase do empreendimento.
Durante o estudo preliminar, isso frequentemente inclui a análise dos espaços.
Mais adiante, isso envolve análises que avaliam se o projeto proposto atenderá
aos requisitos funcionais. Atualmente, esse processo é manual, e os proprietá-
rios confiam nos projetistas para percorrer o projeto, visualizando-o através de
desenhos, imagens e animações renderizadas. Os requisitos, entretanto, mudam
frequentemente, e mesmo quando são claros, pode ser difícil para o proprietário
garantir que todos eles foram atendidos.
Além disso, uma parcela crescente dos projetos envolve a modernização de
instalações existentes ou a construção em espaços urbanos. Esses projetos nor-
malmente geram impactos nas comunidades vizinhas ou nos usuários das instala-
ções existentes. Buscar opiniões de todos os interessados é difícil quando eles não
conseguem interpretar adequadamente os desenhos e as tabelas. Proprietários
podem trabalhar em conjunto com suas equipes de projeto para utilizar o modelo
do edifício para:
Aumentar a conformidade ao programa por meio de ferramentas BIM de
análise de espaços. Proprietários como a Guarda Costeira dos Estados Unidos
são capazes de analisar rapidamente os espaços do projeto com ferramentas de
projeto BIM (ver o estudo de caso do Planejamento de Facilidades da Guarda
Costeira). A Figura 4-5 mostra como um modelo de edifício pode comunicar em

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FIGURA 4 -5 Tela mostrando informações da análise dos espaços em uma tabela e em uma
planta preenchida. Imagem cortesia da Autodesk.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 107

tempo real tanto a espacialidade quanto os dados numéricos, permitindo a verifi-


cação da conformidade com os requisitos. Diferentes cores são definidas automa-
ticamente para os cômodos, com base nas suas dimensões e função. Em alguns
casos, a codificação por cores pode alertar os projetistas ou proprietários sobre
espaços que excedem ou não atendem aos requisitos estabelecidos. Essa resposta
visual é importantíssima durante o estudo preliminar e projetos esquemáticos.
Assim, o proprietário pode garantir que os requisitos de sua organização sejam
cumpridos e que a eficiência operacional do programa seja atingida.
Receber informações de maior qualidade das partes interessadas no pro-
jeto por meio da simulação visual. Proprietários frequentemente precisam de
retorno adequado de partes interessadas no projeto que, ou têm pouco tempo, ou
lutam para entender a informação fornecida sobre projeto. A Figura 4-6 é uma
foto mostrando juízes revisando o projeto de seu tribunal. A Figura 4-4 mostra
uma visualização 4D de todos os pisos de um hospital, para comunicar aos di-
ferentes departamentos a sequência da construção, permitindo que se obtenha
informações sobre como as obras afetarão as operações do hospital. Em ambos
os projetos, o modelo do edifício e a rápida comparação de cenários melhoraram
consideravelmente o processo de revisão. O uso tradicional de tecnologias de pas-
seios virtuais em tempo real ou renderizados em alta qualidade é um evento que
ocorre apenas uma vez, enquanto as ferramentas BIM e 4 D tomam explorações
de diferentes cenários muito mais fáceis e economicamente viáveis. ,,
Reconfigurar e explorar rapidamente novos cenários de projeto. E possí-
vel fazer configuração em tempo real em ferramentas de geração de modelos ou
em ferramentas de configuração especializadas. A Figura 4-7 mostra um exemplo

FIGURA 4-6 Foto mostrando o proprietário {GSA) e juízes em um ambiente de caverna


digital (realidade virtual) revisando interativamente o projeto. Imagem cortesia da Walt Disney
lmagineering .
108 Manual de BIM

de projeto da Jacobs Facilities, onde foi utilizado BIM para avaliar rapidamente
diferentes cenários e analisar requisitos, necessidades, orçamento e a opinião do
proprietário (McDuffie, 2007). A Figura 4-8 mostra uma ferramenta de configu-
ração de lojas que permite que um dono de loja rapidamente configure, visualize
e faça o orçamento para diferentes leiautes para o espaço de vendas. Esses objetos
têm regras e comportamentos que restringem sua inserção com base nas distân-
cias livres e adjacências, e permitem que equipes de projetos definam rapidamen-
te o leiaute do espaço e caminhem virtualmente por ele.
Simular a operação das instalações. Além de passeios virtuais e simu-
lações visuais, proprietários podem precisar de outros tipos de simulação para

Program Report - Overall Building -


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FIGURA 4-7 Exemplo de modelagem de espaços com BIM feito pela Jacobs Facilities, onde
foram utilizadas informações espaciais para verificar o projeto em relação aos requisitos
do programa de necessidades e para avaliar aspectos como iluminação natural e eficiência
energética durante o anteprojeto. Imagem fornecida pela Jacobs.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 109

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FIGURA 4-8 (A) Uma ferramenta para explorar rapidamente o projeto do espaço para lojas e seu
custo a partir de (B) uma série de módulos comerciais. (C) Uma renderização de uma loja a partir
de um cenário de projeto específico. Imagens cortesia da Screampoint.

avaliar a qualidade do projeto. Essas simulações podem incluir comportamento


de multidões ou cenários de evacuação em caso de emergência. A Figura 4-9
mostra um exemplo de simulação de comportamento de multidões para um dia
típico em uma estação de metrô e a respectiva análise. As simulações utilizaram
o modelo do edifício como um ponto de partida para a geração dos diferentes
cenários. Essas simulações são trabalhosas e envolvem o uso de ferramentas e
serviços especializados. Para instalações nas quais esses requisitos de desem-
penho são críticos, entretanto, o investimento inicial em um modelo de edifício
pode se pagar em decorrência da entrada 3D mais precisa que as ferramentas
especializadas exigem.

4.2. 7 Gerenciamento de informações de ativos e facilidades


Todas as indústrias estão enfrentando o desafio de entender como trabalhar a
informação como um ativo, e proprietários de instalações não são exceção. Atual-
mente, a informação é gerada durante cada fase do projeto e é frequentemente
11 O Manual de BIM

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FIGURA 4-9 Exemplos de resultados visuais e analíticos do Legion Studio, com base em
informações 20 e 30 do edifício.
A renderização 3D principal mostro a simulação de uma estação de metrô durante o horário de pico
de uma manhã num dia de semana.
(A) Um mapa de um aeroporto usa cores poro mostrar a velocidade médio, com o vermelho
indicando movimento lento e o azul mostrando movimento de fluxo livre;
(B) um mapa de um estádio, com rotos de acesso e lojas adjacentes, mostrando densidade médio,
com vermelho e amarelo indicando os locais de densidade mais alta; (C) um gráfico comparando
tempo de baldeação de passageiros entre vários pores origem-destino (ver encarte colorido).
Imagens fornecidas pelo Legion Limited.

reintroduzida ou produzida durante as entregas entre fases e organizações, como


mostrado na Figura 4-1. Ao fmal da maioria dos projetos, o valor dessa informa-
ção cai abruptamente, porque ela não é atualizada para refletir o que foi de fato
executado (as-built), ou então está em um formato que não é facilmente acessível
ou gerenciável. A Figura 4-1 mostra que um projeto envolvendo a criação e atua-
lização colaborativa de um modelo de edifício terá menos períodos de entradas
duplicadas ou perdas de informação. Proprietários que visualizam todo o ciclo
de vida dos seus empreendimentos podem usar modelos de edifícios de forma
estratégica e efetiva para:
Popular rapidamente a base de dados de gerenciamento de facilidades.
No estudo de caso do Planejamento de Facilidades da Guarda Costeira, a equipe
obteve uma economia de tempo de 98% pelo uso de modelos de edifícios para
popular e editar a base de dados de gerenciamento de facilidades. Essa economia
é atribuída à redução do trabalho necessário para inserir a informação espacial.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 111

Gerenciar ativos de facilidades com ferramentas BIM de gerenciamento


de ativos. A Guarda Costeira dos Estados Unidos está integrando BIM no seu
processo de gestão de portfólio e ativos, como discutido no estudo de caso do
Planejamento de Facilidades da Guarda Costeira. A Figura 4-1 Omostra várias te-
las do seu sistema web de gerenciamento de ativos, que integra dados SIG e mo-
delos de edifícios de várias instalações. Componentes construtivos e montagens
são associados com informações das instalações e utilizados para embasar análi-
ses críticas, como estado de prontidão para missões. Outro exemplo é um modelo
financeiro 4D mostrado na Figura 4-11 que associa cada objeto ou objetos do
edifício com a avaliação de suas condições ao longo do tempo. O proprietário
pode visualizar a(s) instalação(ões) periodicamente para obter um panorama ge-
ral da avaliação de suas condições.
Avaliar rapidamente o impacto de trabalhos de modernização ou de ma-
nutenção nas instalações. Outro exemplo é o uso de modelos visuais e inteli-
gentes para auxiliar gerentes de facilidades a avaliar o impacto de trabalhos de
modernização ou manutenção. Por exemplo, um sistema de gerenciamento de
facilidades baseado em BIM foi usado durante os trabalhos de manutenção da
Sydney Opera House (Mitchell e Schevers, 2005). A equipe de manutenção usou
o modelo para avaliar visualmente quais áreas seriam afetadas quando a energia
elétrica de um espaço específico fosse cortada.

FIGURA 4-1 O O sistema web de ativos e portfólio da Guarda Costeira dos Estados Unidos.
Imagem fornecida pela Onuma and Associates, lnc.
112 Manual de BIM

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FIGURA 4-11 Modelo financeiro 40 mostrando como as condições "avaliadas" das instalações,
variando de boas (verde) a razoáveis a ruins (vermelho) como indicadas em diferentes cores,
variam ao longo do tempo. {Ver encarte colorido)
Imagem fornecida por PBS&J, Common Point lnc., AEC lnfosystems lnc. e MACTEC lnc.

TIPOS DE PROPRIETÁRIOS: POR QUE, COM QUE


FREQUÊNCIA E ONDE ELES CONSTROEM
As várias aplicações BIM discutidas nas seções anteriores ressaltam o amplo con-
junto de usos e benefícios que o BIM oferece. Para muitos proprietários, esses
benefícios devem amarrar-se diretamente aos seus modelos de negócios. As se-
ções seguintes discutem as principais diferenças entre tipos de usuários e como as
diferentes aplicações BIM atendem às suas necessidades específicas.

4.3 . 1 A justificativa de negócios do BIM


Quando inicia um projeto, todo proprietário considera a vantagem econômica de
construir uma instalação. Desse modo, a decisão de aplicar a tecnologia BIM é
frequentemente embasada por uma justificativa econômica, seja em termos de re-
dução dos custos iniciais ou recorrentes ou então de aumentos potenciais no fatu-
ramento. A Tabela 4-2 relaciona os custos típicos e o faturamento prospectivo de
uma instalação por categoria. Para justificar uma aplicação BIM, ela deve reduzir
os custos iniciais ou recorrentes ou aumentar o faturamento. Custos recorrentes
podem superar os custos iniciais na proporção de até 2 para 1 (Dolan, 2006).
Assim, ao considerar uma aplicação BIM, proprietários não devem simplesmente
considerar seu impacto nos custos iniciais, mas também nos custos recorrentes.
Nas seções seguintes, é avaliado como diferentes proprietários e formas de con-
tratação influenciam essa análise.

4.3.2 Proprietários operadores versus incorporadores


Os proprietários que constroem para operar têm um forte incentivo para consi-
derar os custos de longo prazo relativos a propriedade e operação de uma ins-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 113

talação. Exemplos de proprietários que constroem para posteriormente ocupar


incluem corporações, varejo, instalações hospitalares, escolas e universidades,
instalações esportivas e de lazer e o governo federal. Nos Estados Unidos, esse
tipo de construção abrange cerca de 50% do total de construções e totalizou 350
bilhões de dólares em 2006, com espaços comerciais e escolas representando a
maior parte desse mercado (Tulacz, 2006) . Os estudos de caso ao final deste livro
demonstram várias aplicações do BIM e seus benefícios para os seguintes tipos de
proprietários operadores:

Tabela 4-2 Resumo de custos e receitas típicos para uma instalação, fatores que aumentam
ou reduzem os custos/receitas e os tipos de aplicação BIM que podem influenciar
positivamente os custos/receitas
Categoria
de despesa Fatores que aumentam /
ou receita Descrição reduzem custos (relativos) Aplicação BIM

Custos iniciais Compra do Custo de compra do terreno Economia e demanda do Nenhuma


(todos os terreno ou instalação existente mercado
tipos de
proprietários)

Projeto Serviços relacionados ao Escopo (extensão dos Verificação de


desenvolvimento do projeto requisitos) conformidade do
para atenter aos requisitos programa e produção
do proprietário automatizada de
desenhos
Nível de desenvolvimento da Coordenação
informação e complexidade

Conformidade com Verificação de


regulamentações conformidade

Construção Serviços relacionados Mercado de mão de obra Pré-fabricação e 4D


à construção física da
instalação, baseada na
documentação projetual
Custo dos materiais e Pré-fabricação e projeto
quantificações precisas coordenado

Retrabalho devido a erros e Detecção de interferências


qualidade da construção e coordenação

Restrições do canteiro 4D

Complexidade Coordenação e 4D

Gestão de Custos relacionados à gestão Custos de coordenação e


projeto do projeto número de organizações
envolvidas

Equipação Mobiliário, acessórios e Configuração, Configuração do


equipamentos disponibilidade e projeto
coordenação

(continua)
114 Manual de BIM

Tabela 4-2 Resumo de custos e receitas típicas para uma instalação, fatores que aumentam
ou reduzem os custos/receitas e os tipos de aplicação BIM que podem influenciar
positivamente os custos/receitas. (Continuação)
Categoria
de despesa Fatores que aumentam /
ou receita Descrição reduzem custos (relativos) Aplicação BIM

Custos Custos de Juros sobre financiamento Duração do projeto 4D e pré-fabricação


recorrentes carrega-
(principal- menta
mente
proprietórios
operadores)

Superestimação do projeto Quantitativo e


orçamentação
preliminar

Seguros Custos associados ao seguro Riscos operacionais Simulação da


da instalação operação
Substitui- Custos relacionados à Seleção de materiais Gestão e análise de
ção substituição de mobiliário, de baixa qualidade e ativos
acabamentos (carpetes e performance
pinturas), equipamentos,
incluindo coberturas ou outros
componentes do edifício

Manuten- Custos relacionados à Projeto e construção Simulação da


ção manutenção das instalações, de baixa qualidade e a operação
incluindo paisagismo e manutenabilidade do
terrenos projeto

Operações Energia, voz e dados Eficiência energética e Análise energética e


e utilidades desempenho da edificação monitoramento do
desempenho

Pessoal Salórios e benefícios do Espaço com Análise energética e


pessoal não ligado à funcionamento deficiente desenvolvimento de
operação do edifício ou ambiente de trabalho cenários
não ideal

Receitas Vendas/ Receita proveniente da Tempo de venda/ 4D, pré-fabricação e


locação venda ou locação de lançamento coordenação
propriedades

Facilidade de venda da Configuração do


instalação projeto

Simulação da
operação (visualização
pré-venda)

Análise energética

Demanda de mercado e a Nenhuma


economia

Produção Bens produzidos ou vendidos Tempo de lançamento 4D, pré-fabricação e


em uma instalação (varejo) coordenação

Serviços Receita proveniente de Produtividade de serviços Análises energética e


serviços executados na no ambiente de trabalho lumínica, simulação
instalação da operação

Indiretos Redução nos custos Sustentabilidade Análise energética e


operacionais opções de projeto
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 115

• Saúde (Centro Médico Camino)


• Edifícios públicos (Tribunal Federal, Edifício de Escritórios do Governo
Federal, Planejamento de Facilidades da Guarda Costeira)
• Espaços comerciais (Torre Comercial One Island East e Empreendimento
Comercial Hillwood)
• Indústrias (Fábrica da General Motors)
Esses tipos de proprietários - os que operam - beneficiam-se de qualquer
aplicação BIM listada na Figura 4-2 associada aos custos iniciais e recorrentes.
Incorporadores, por outro lado, constroem para vender e são motivados
pelo aumento das taxas de retorno de seus investimentos em terrenos e edifica-
ções. Incorporadores são proprietários por um período mais curto do ciclo de
vida das instalações do que os proprietários que também as operam. Eles são
tipicamente empreendedores imobiliários e construtores de habitações uni e mul-
tifamiliares.* Seus modelos financeiros são motivados principalmente pelo custo
dos terrenos, permissões e riscos associados a condições desfavoráveis e tendên-
cias mutáveis do mercado. As mudanças nos custos de construção têm impacto
menor sobre seu modelo de negócios do que esses fatores. Os custos indiretos
que advém do projeto e dos serviços de construção podem afetar seus modelos de
negócio das seguintes maneiras:
1. Estimativas pobres ou não confiáveis resultam em custos de carrega-
mento maiores do que o necessário.
2. Fases de obtenção de aprovações extensas resultam no aumento dos
custos de carregamento e na perda de oportunidades de mercado.
3. Retrabalho e planejamento inadequado ampliam a duração do crono-
grama e aumentam os custos de carregamento e o tempo de lançamen-
to/venda.
4. Compromissos no projeto ocorrendo muito cedo em um processo de
projeto longo reduzem a oportunidade de resposta a mudanças de mer-
cado e a maximização do preço de venda.
Incorporadores podem evitar esses custos ocultos e aumentar a taxa de re-
torno do investimento (ROI) aplicando BIM em seus empreendimentos para au-
mentar a confiabilidade das estimativas (por exemplo, durante o pré-projeto),
comunicando melhor o empreendimento para a comunidade, reduzindo o tempo
de lançamento e tornando o projeto mais vendável.

* O escopo desta discussão não foca as demandas específicas do mercado de construção de casas e
sua rede de prestadores de serviços. Muitos dos benefícios citados certamente se aplicam a constru-
tores de casas, porém, as tecnologias e ferramentas discutidas neste livro são focadas em construções
comerciais. (N. de R.T.: Casas no mercado americano são tipicamente construídas de madeira e gesso
acartonado, utilizando tecnologias e fornecedores de serviços muito diferentes daqueles empregados
em edificações comerciais.)
116 Manual de BIM

4.3.3 Quanto os proprietários constroem: uma vez ou frequentemente


Outro fator relacionado ao modelo de negócio dos proprietários é a frequência
com a qual eles constroem. Proprietários que constroem uma única vez são me-
nos afeitos a investir em mudanças no processo, seja devido à falta de tempo para
pesquisa e treinamento ou pelo valor percebido para investir numa mudança. Já
proprietários que constroem frequentemente, como universidades, incorporado-
res ou donos de redes de varejo, reconhecem as ineficiências nos métodos atuais
de implementação de empreendimentos e o seu impacto no custo geral do proje-
to. Esses construtores frequentes são mais propensos a considerar processos de
desenvolvimento de edifícios que não sejam baseados em minimizar o custo ini-
cial, porém que otimizam a implementação como um todo e geram modelos que
aumentam a qualidade das edificações, com estimativas de custo e cronogramas
mais confiáveis. Consequentemente, proprietários que constroem com frequência
tendem a representar uma proporção maior dos adotantes pioneiros do BIM.
Proprietários que constroem apenas uma vez, entretanto, podem se bene-
ficiar tanto quanto os que constroem frequentemente, e podem fazer isso com
facilidade ao colaborar com prestadores de serviço de projeto e construção que
tenham familiaridade com processos BIM. Muitos dos estudos de caso discutem
projetos em que um fornecedor de serviços foi o responsável pelo início do uso
do BIM.

,
COMO PROPRIETARIOS CONSTROEM
Há vários métodos de aquisição disponíveis aos proprietários, e o tipo de método
escolhido impactará a capacidade do proprietário de gerenciar o processo BIM e
obter seus benefícios. A diferenciação mais importante entre os proprietários é seu
grau de participação no projeto e na construção ou desenvolvimento da instalação.
Por exemplo, proprietários que empregam equipes de gestão de projetos, incluin-
do arquitetos e planejadores, utilizarão BIM dentro das suas próprias organiza-
ções. Proprietários que empregam prestadores de serviços irão ou instruir outros
a utilizar BIM por meio de cláusulas contratuais ou depender de prestadores que
escolheram utilizar BIM. Esses métodos dependem de como o proprietário imple-
menta o empreendimento. Apesar de haver numerosas maneiras de implementar
um empreendimento, os três principais métodos são: etapa simples ou tradicional
(projeto-concorrência-construção), projeto & construção e colaborativo. As se-
ções seguintes discutem esses três diferentes métodos de implementação de em-
preendimentos e como eles afetam o uso potencial do BIM em um projeto.

4.4.1 Projeto-concorrência-construção (Design-Bid-Build)


Nos Estados Unidos, 60% dos projetos e construções de facilidades continuam
sendo executados sob o método projeto-concorrência-construção (American Ins-
titute of Architects, 2006). Como discutido no Capítulo 1, o método de etapa
simples ou tradicional envolve um proprietário mantendo relações contratuais
com o projetista e o construtor e gerenciando o relacionamento e o fluxo de in-
formações entre esses dois grupos, como mostrado nas Figuras 4- 12 e 4-13.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 117

Organização típica da equipe de projeto


(etapa simples ou tradicional)

Linhas representam
Proprietário/Cliente
relacionamentos
contratuais típicos
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Engenheiros e outros
projetistas
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''•

'' Fornecedores de
produtos

FIGURA 4-12 A organização tradicional de uma equipe de projeto envolve contratos entre o
proprietário e o arquiteto e construtor principais, que, por sua vez, mantêm contratos entre suas
organizações e os subcontratados. Esse tipo de contratação frequentemente impede o fluxo de
informação, responsabilidades e, em último caso, a habilidade de utilizar ferramentas e processos
BIM de modo efetivo.

LINHA DE TEMPO DO PROJETO

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Viabilidade
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• Pré-Construção Execuçõo
u
~

Economia de
tempo decorrente
da construção
paralela ao projeto

FIGURA 4-13 Diagrama comparativo dos três diferentes métodos de implementação.


A) A tradicional etapa simples envolve a conclusão de cada fase antes do início da fase seguinte,
com organizações diferentes conduzindo cada fase em um processo não integrativo; B) o processo
projeto & construção requer integração entre projetistas e construtores e envolve a concomitância
das fases de desenvolvimento, resultando em um cronograma reduzido; C) um processo
colaborativo envolve todos os participantes-chave o mais cedo possível e colaboração contínua.
118 Manual de BIM

O arquiteto e o construtor gerenciam os relacionamentos e fluxos de informação


entre seus consultores e subcontratados. Essa divisão contratual resulta em um
processo sequencial com entregas em períodos de tempo específicos, criando bar-
reiras para a informação entre as organizações e inviabilizando a troca eletrônica
de informação do projeto rapidamente. Em alguns casos, o proprietário contrata
um gestor, seja externo ou interno, para supervisionar e gerenciar a comunicação
dentro das organizações de projeto e de construção. Esse processo não suporta
bem a adoção de tecnologias ou processos transversais à equipe de projeto, devi-
do às muitas separações contratuais. Tipicamente, esse processo é definido pelo
"muro" de entregas, no qual, ao final de cada fase, as entregas são "passadas
sobre o muro" com pouca ou nenhuma integração ou colaboração entre os par-
ticipantes de cada fase. Em geral, as entregas são baseadas em papel. Frequente-
mente, no início de cada fase, a informação é recriada ou duplicada, reduzindo
o valor da documentação projetual e resultando na perda de conhecimento do
projeto (ver Figura 4-1). Empreiteiros e seus subcontratados e fabricantes re-
desenham a documentação do projeto arquitetônico na forma de desenhos de
configuração, porque os desenhos arquitetônicos e de engenharia não mensuram,
delineiam espaços ou detalham as conexões necessárias para a coordenação dos
subcontratados.
Essa abordagem baseada em entregas torna difícil a implementação bem-
-sucedida de ferramentas e processos BIM que necessitam da transmissão do
modelo de edifício entre as organizações. Nesses cenários, as organizações con-
cordam com o formato e conteúdo do modelo a priori. Por essa razão, o uso do
BIM em processos projeto-concorrência-construção é limitado a aplicações em
fases únicas, como modelagem 4D e análises de desempenho energético. Entre-
tanto, um proprietário pode expandir a aplicação potencial de BIM em processos
projeto-concorrência-construção ao demandar:
1. Requisitos contratuais especificando o formato e o escopo do modelo
do edifício e outras informações em cada fase de entrega.
2. A cooperação de organizações individuais para suportar ou promover o
processo BIM dentro das fases nas quais atuam.

4.4.2 Projeto & construção


Como discutido no Capítulo 1, um modo de contratação de edificações que está
ganhando espaço é o projeto & construção, em que uma relação contratual é
estabelecida entre o proprietário e uma única organização, que normalmente re-
presenta tanto o arquiteto como o construtor, seja em uma única empresa ou
atuando como parceiros. No projeto-construção, o tempo das fases individuais
não é necessariamente reduzido, porém a sobreposição entre algumas delas reduz
o tempo total do projeto, como mostrado na Figura 4-13 (B). Em alguns casos,
a integração dos detalhes construtivos mais cedo no processo pode informar o
projeto e conduzir a uma melhor coordenação e construtibilidade, reduzindo o
tempo de construção.
Estudos comparando essas abordagens concluem que o processo projeto-
-construção possui benefícios em termos de pontualidade do projeto e confiabili-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 119

dade do cronograma (Dabella e Ries, 2006; Konchar e Sanvido, 1998; USDOT -


Federal Highway Administration, 2006; lbbs et al., 2003). O estudo de Konchar
e Sanvido encontrou benefícios do processo projeto-construção em termos de
custos e qualidade, mas outros estudos não mostraram diferenças significativas
de custo ou qualidade entre as duas abordagens. O projeto-construção cria um
fluxo de informação mais fluido entre o projeto e as organizações envolvidas na
construção. Porém, ele ainda requer que essas organizações (ou grupos) dedi-
quem tempo no começo do projeto para definir o processo de trabalho, criar
e manter o modelo do edifício, delinear seus usos específicos incluindo escopo
e responsabilidades de cada organização participante, e para testar o processo.
Ao contrário do método projeto-concorrência-construção, em que essa colabo-
ração normalmente está limitada a períodos específicos de passagens e entregas,
a equipe de projeto-construção pode identificar de forma colaborativa aplicações
do BIM ao longo das fases do empreendimento e focar menos em entregas espe-
cíficas entre as organizações e mais nas entregas principais para o proprietário.
A Seção 4.9 fornece algumas diretrizes e dicas para proprietários que queiram
promover um processo BIM bem-sucedido.

4 .4.3 Processo colaborativo


Uma terceira e nova abordagem para contratar projetos é uma variante do projeto
& construção, que ainda precisa ser batizada, e enfatiza um relacionamento co-
laborativo, baseado em alianças entre o proprietário e os prestadores de serviços
da indústria AEC. Um estudo realizado pela Universidade do Texas (Geertsema
et al., 2003) documenta uma significativa mudança nos relacionamentos colabo-
rativos e não colaborativos entre proprietário e empreiteiros, de "vence o menor
preço" para "fornecedor preferencial". Isso significa que proprietários estão se
afastando da forma tradicional de seleção dos prestadores de serviço, baseada em
. " .
menor preço, que e, comum em processos pro1eto-concorrenc1a-construçao, para -
prestadores de serviço preferenciais. O mesmo estudo aponta que os projetos
com relacionamentos colaborativos são mais bem-sucedidos, tanto na perspectiva
dos proprietários quanto na dos empreiteiros.
A abordagem colaborativa envolve a seleção e a participação de todos os
participantes principais o mais cedo possível no processo, seja por meio de re-
lacionamentos contratuais únicos ou múltiplos. A Figura 4-13(C) mostra como
esse processo pode ocorrer durante a fase de análise de viabilidade, quando a par-
ticipação dos prestadores de serviço tem o maior impacto e pode ajudar a definir
requisitos de projeto. Enquanto o processo projeto & construção envolve uma
sobreposição parcial de projetistas e construtores, o processo colaborativo requer
que o paralelismo comece na fase inicial do projeto e inclua mais participantes,
exigindo um envolvimento mais próximo do proprietário ou de seu representante.
O processo colaborativo pode não gerar uma redução da duração do projeto ou
um início mais cedo das obras, como mostrado na Figura 4-13, mas ele garante
uma participação da equipe de construção, incluindo fabricantes e fornecedores,
que são envolvidos cedo e com frequência. Essa abordagem normalmente é com-
binada com incentivos para toda a equipe do empreendimento atingir certos obje-
120 Manual de BIM

tivos e metas, e também envolve o compartilhamento de riscos. A diferença básica


entre esse processo e o projeto & construção é o compartilhamento coletivo de
riscos, incentivos e o método de criação da documentação do empreendimento.
A abordagem colaborativa é um processo de contratação e implementação
ideal para obter os benefícios dos aplicativos BIM em um projeto. A participação
de todos os integrantes do projeto na criação, revisão e atualização do modelo do
edifício força-os a trabalharem juntos e construírem o projeto virtualmente.
Os desafios técnicos discutidos nas seções anteriores persistirão, e proprie-
tários, juntamente com toda a equipe do empreendimento, devem seguir as dire-
trizes da Seção 4.9 para maximizar os esforços do grupo.

4.4.4 Modelagem interna ou externa à organização


Esses diferentes métodos de contratação não respondem a situações em que pro-
prietários produzem alguns ou todos os projetos ou serviços de engenharia e
construção. A terceirização é uma tendência comum para muitos proprietários
(Geertsema et al., 2003). Há algumas incorporadoras ou proprietários que pos-
suem gerentes e superintendentes de construção em suas equipes. Nesses casos,
como discutido na Seção 4.9, o proprietário deve primeiramente avaliar sua ca-
pacidade interna e seus processos de trabalho. O "muro de entregas" pode existir
internamente, e definir requisitos de troca do modelo entre grupos internos é
igualmente crítico. O proprietário precisa garantir que todos os participantes,
internos ou externos, possam contribuir para a criação, modificação e revisão do
modelo do edifício. Para isso, pode ser necessário ao proprietário exigir o uso de
softwares ou formatos de dados específicos para a troca de dados.
A terceirização, no entanto, tem um impacto sobre o processo BIM como
um todo, e proprietários que escolhem contratar um parceiro terceirizado para
produzir modelos de edifícios independentemente da equipe de prestadores de
serviços internos e externos devem considerar cuidadosamente a terceirização
completa da modelagem. Em geral, o trabalho terceirizado leva a modelos de
edifícios subutilizados, desatualizados e de baixa qualidade. Isso ocorre por vá-
rias razões. Primeiramente, a equipe interna ou externa precisa atingir um ponto
específico no projeto para entregar as documentações tradicionais. Segundo, a
equipe terceirizada precisa gastar um tempo considerável para entender e mode-
lar o projeto, geralmente com pouco contato com a primeira equipe, já que esta
está ocupada produzindo a próxima entrega. Finalmente, a equipe terceirizada
não tem indivíduos altamente qualificados ou experientes com conhecimento de
construção. Assim, a terceirização deve ser feita com considerável atenção e su-
pervisão da gerência ou usada como um apoio para suportar o esforço BIM, não
substituí-lo. O estudo de caso da Torre Comercial One Island East é um excelente
exemplo de trabalho com recursos externos para desenvolver o modelo do edifí-
cio, integrando-os à equipe do empreendimento, tanto física quanto virtualmente.
Outro exemplo é o projeto da Letterman Digital Arts em San Francisco, em que
o proprietário contratou uma empresa externa para construir e manter o modelo
do edifício (Sullivan, 2007) . Em ambos os casos, o fator crítico de sucesso foi
atribuído à vinda dos recursos para o mesmo local, com a colaboração obrigatória
entre todos os participantes do projeto.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 121

GUIA DE FERRAMENTAS BIM PARA PROPRIETÁRIOS


Nas seções anteriores, fizemos referência a várias tecnologias BIM que proprie-
tários e seus prestadores de serviço estão empregando. Nesta seção, mostramos
uma visão geral das ferramentas BIM ou recursos dessas ferramentas destinados
a atender as necessidades dos proprietários, além de ferramentas BIM especifica-
mente voltadas para proprietários. Nos Capítulos 5 e 7, são discutidas tecnologias
BIM específicas para projeto e construção, como ferramentas de geração de mo-
delos, análise energética, 4D e coordenação de projetos.

4 .5.1 Ferramentas BIM para estimativas


Proprietários utilizam estimativas para estabelecer uma base inicial para os custos
do projeto e produzir previsões financeiras ou análises pro forma. Frequentemen-
te, essas estimativas são criadas utilizando métodos de custo unitário ou por uni-
dade de área, por um representante do proprietário ou um consultor de orçamen-
tação. Alguns softwares de estimativas, como o US Cost Success Estimator (U.S.
Cost, 2007), são desenvolvidos especificamente para proprietários. O Microsoft
Excel, entretanto, é o software mais utilizado para estimativas. Em 2007, a U.S.
Cost forneceu aos seus consumidores a funcionalidade de extrair informação de
quantitativos a partir de um modelo de edifício criado no Autodesk Revit. Ou-
tro produto dirigido a proprietários é o CostX® da Exactal (Exactal, 2007), que
importa modelos de edifícios e permite que os usuários realizem quantificações
automáticas e manuais. O Capítulo 6 traz uma visão mais detalhada sobre esti-
mativas baseadas em BIM. Proprietários devem avaliar e considerar as seguintes
características dessas aplicações:
• Nível de detalhe da estimativa. A maioria dos proprietários confia em
métodos de custos unitários ou metragem quadrada, utilizando valores
para tipos específicos de instalações. Algumas ferramentas de estimativa
são desenvolvidas para essa proposta. Outras utilizam "montagens" ou
itens para estimação que incluem os custos detalhados de cada subitem.
Proprietários precisam se assegurar de que a ferramenta de estimativa ex-
traia dos componentes BIM a informação no nível de detalhe requerido:
quantidades, por componente ou metragem quadrada.
• Formatos de organização. A maior parte dos proprietários irá organizar
sua estimativa em uma estrutura analítica do projeto (WBS) . Nos Esta-
dos Unidos, a maior parte dos proprietários utiliza a WBS do Master-
Format ou a do Uniformat. Por exemplo, a GSA está trabalhando com o
Construction Specification Institute (CSI) para ampliar esse formato e
requer ferramentas de estimativa que suportem extensões a eles.
• Integração com bases de dados de custos/componentes customizadas.
Estimativas baseadas em BIM normalmente exigem que se estabeleça uma
conexão entre os componentes BIM e itens da estimativa e composições
via atributos específicos do componente ou por meio de uma interface
visual. Isso pode demandar configuração e padronização significativas.
122 Manual de BIM

• Intervenção manual. A habilidade de modificar, ajustar ou inserir infor-


mações de quantitativos manualmente é crítica.
• Suporte para agregações ao modelo. A habilidade de importar múlti-
plos modelos e combinar informações de quantitativos e estimativas de
diferentes modelos. Ferramentas como a U.S. Cost permitem que os pro-
prietários agreguem e reutilizem itens de estimativa através dos projetos.
Com as estimativas baseadas em BIM, um proprietário pode precisar rea-
lizar quantitativos a partir de múltiplos modelos, múltiplas instalações ou
múltiplos domínios de modelagem, por exemplo, arquitetônico, estrutu-
ral, etc.
• Controle de versões e comparação. Um dos recursos potenciais mais im-
portantes das ferramentas BIM para geração de quantitativos e estima-
tivas é a habilidade para comparar versões e rastrear as diferenças entre
dois ou mais cenários ou versões de projeto. Por exemplo, o Exactal Cos-
tx®fornece uma comparação visual entre duas versões de um projeto para
mostrar onde as modificações foram feitas e seu impacto na informação
de quantitativos. Esse recurso é valiosíssimo para proprietários que bus-
cam entender o impacto das modificações de projeto nos custos.
• Recursos para relatórios. A maioria das ferramentas de estimativa oferece
recursos para gerar relatórios impressos dos quantitativos e das estimativas.
Alguns softwares de estimativas fornecem um visualizador, como mostrado
na Figura 4-14, para permitir que ao proprietário visualizar interativamente
as informações de custo e fazer revisões em 2D, 3D ou em tabelas.

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FIGURA 4-14 Tela do Exactal CostX®Viewer que permite que os proprietários visualizem (a) o projeto em
20 ou 30 juntamente com os itens de custo referentes e {b) a informação detalhada da estimativa de custo.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 123

4.5.2 Validação do modelo, conformidade do programa e com códigos


de construção
Um grupo emergente de aplicativos BIM é chamado de verificadores de modelos.
Essas ferramentas são discutidas em mais detalhes no Capítulo 5, já que muitos
de seus recursos estão relacionados a serviços prestados pelo projetista. Da pers-
pectiva dos proprietários ou gerentes de construção, essas ferramentas desempe-
nham uma variedade de funções importantes:
Verificação em relação aos requisitos do programa. Essa funcionalidade
compara os requisitos do proprietário com projeto corrente (ver o Capítulo 5 para
mais discussões sobre essas ferramentas). Essa comparação pode incluir requi-
sitos espaciais, energéticos, e requisitos de distância e altura para espaços espe-
cíficos ou entre eles, assim como requisitos de adjacência. Proprietários podem
manter sua própria equipe para realizar essas verificações, ou podem requisitar
que a equipe de projeto ou um terceiro as realize.
Validação da informação do modelo do edifício. Atualmente, proprietá-
rios são capazes de avaliar rigorosa e rapidamente a qualidade da informação
do modelo ou, se um proprietário necessita de tipos específicos de entrada de
informação, determinar se essa informação existe e se está no formato especifica-
do. Ferramentas como o Solibri Model Checker™ (Solibri, 2007) (Figura 4-15)
fornecem ambos os tipos de validação. Em um nível genérico de validação, o
proprietário pode verificar a existência de componentes duplicados, componentes
dentro de outros componentes, componentes nos quais faltam atributos críticos,
ou os que não atendem às normas estabelecidas pela equipe. O Solibri Model

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FIGURA 4-1S Telas do Solibri Model Checker™ mostrando: A) a verificação das rotas de fuga em um
projeto e 8) a validação da integridade do modelo. Imagem disponibilizada pela Solibri.
124 Manual de BIM

Checker também permite que os usuários forneçam consultas e testes mais so-
fisticados, por exemplo, se o modelo contém tipos de informação especificados.
Esses recursos são relevantes para proprietários que estão considerando utilizar
o modelo durante fases de pós-construção ou que precisem de informações espe-
cíficas para a operação.

4.5.3 Ferramentas de comunicação do empreendimento e de revisão do


modelo
A comunicação no empreendimento ocorre formal e informalmente em vários
níveis. Por meio de requisitos contratuais, proprietários ditam o formato, prazos
e métodos de comunicação relacionados às entregas do projeto. Desse modo, eles
estabelecem o formato base para os documentos, modos de troca de informações
e fluxos de trabalho esperados. Inserida nessa comunicação formal está a troca
diária de informações entre os participantes do empreendimento, e isso é afetado
pelas relações contratuais entre os participantes e o método de contratação. O
processo tradicional de contratação baseada em etapa simples tende a limitar a
troca de informações entre as disciplinas, e cada uma delas desenvolve seus pró-
prios métodos internos de comunicação no empreendimento.
Desse modo, a comunicação do empreendimento baseada em BIM, no que
se refere a troca de dados do modelo do edifício, é bastante diferente dos métodos
tradicionais baseados em trocas de informação por papel ou "publicação". Con-
sequentemente, a equipe (inclusive o proprietário) precisa estabelecer protocolos
e ferramentas que deem suporte ao processo de troca, modificação e revisão do
modelo do edifício. Em alguns casos, o proprietário poderão optar por controlar
essa comunicação, como foi feito pela Swire Properties no estudo de caso da
Torre Comercial One Island East. Em outros, como no estudo de caso da fábrica
da General Motors, a equipe do empreendimento desenvolve e mantém as ferra-
mentas de gestão e comunicação do modelo em conjunto.
Dentro dessas diferentes estruturas de comunicação, há questões técnicas
detalhadas e protocolos para gerenciar essa comunicação. Nossa discussão destas
questões é limitada à troca de informações do modelo do edifício e não abran-
ge os desafios de gerenciar a comunicação e o armazenamento de uma ampla
variedade de informações do empreendimento, como contratos, especificações,
solicitações de informação, ordens de modificação, etc.
Há quatro tipos de troca de informação relacionados ao modelo do edifício
(eles são diferentes em natureza e forma em relação ao conteúdo da troca discu-
tida no Capítulo 3):
1. Publicação de instantâneos, isto é, visões estáticas e unidirecionais do
modelo do edifício, que fornecem ao receptor apenas o acesso aos meta-
dados visuais ou filtrados, como imagens bitmap.
2. Publicação de visualizações e metadados do modelo do edifício, que
fornece ao receptor a possibilidade de visualizar o modelo e os dados
relacionados, com capacidades limitadas de edição ou modificação de
dados. PDF ou DWF são exemplos desse tipo de comunicação, que per-
mite que os usuários visualizem o modelo em 2D ou 3 D, além de fazer
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 125

anotações, comentários e modificar certos parâmetros de visualização ou


realizar consultas no modelo.
3. Publicação de arquivos do modelo do edifício, em formatos proprietá-
rios e padronizados (.dwg,.rvt,.ifc), em que é possível acessar os dados
nativos.
4. Acesso direto à base de dados, permitindo acesso dos usuários à base de
dados do empreendimento através de um servidor de projeto dedicado
ou de servidores distribuídos. Os dados do modelo são controlados por
meio de privilégios de acesso, e pode-se permitir que apenas os usuários
que criam o conteúdo possam editá-lo, ou a base de dados pode fornecer
capacidades mais sofisticadas de edição e modificação.
Os métodos de "publicação" para a troca de informações BIM são comuns
na prática atual. O uso de bases de dados de projeto acessíveis aos participantes
do empreendimento é menos comum, mas o estudo de caso da fábrica da General
Motors descreve tal cenário. A Figura 4-16 mostra um exemplo de fluxo de infor-
mação para um projeto baseado em BIM, que inclui todos esses quatro tipos de
troca de informação. A maioria dos empreendimentos continuará a utilizar uma
variedade de métodos de trocas de informação para viabilizar as várias funções
desempenhadas pelos membros da equipe de projeto.

e
Arquivo do
Projetista modelo Engenheiro
/

<f> 1 j

1
/ " I
"
'
Instantânea
Componentes Componentes
do modelo
do modelo do modelo
Empreiteiro
\
B 1
-~~

Repositório da
Modelo
publicado base de dados
do modelo de
Parte informações do edifício Arquivo
interessada do modelo

Componentes
do modelo
\
'I

Proprietário Fabricante

FIGURA 4-16 Diagrama conceituai dos diferentes tipos de comunicação que podem ocorrer num
típico projeto baseado em BIM. Este cenário mostra um empreendimento utilizando um repositório
central para o projeto, com arquiteto, proprietário e empreiteiro tendo acesso ao modelo. O
arquiteto publica {A) instantâneos e {B) modelos para a revisão pelo proprietário e demais partes
interessadas. O engenheiro troca arquivos do modelo {C) com o projetista em formatos como.dwg,.
rvt ou.dgn. O empreiteiro troca visualizações publicadas do modelo {D) com seus subempreiteiros,
em formato PDF ou DWF.
126 Manual de BIM

Apesar de prestadores de serviços poderem selecionar ferramentas e desempe-


nhar muitas das funções relacionadas à comunicação e ao gerenciamento do modelo
do edifício, eles precisam fazê-lo em concordância com as necessidades e requisitos
do proprietário do projeto. Como regra geral, para cada projetista ou engenheiro
que utiliza uma ferramenta BIM, haverá outros dez indivíduos que precisam visuali-
zar e revisar o modelo do edifício. Os métodos de comunicação (c) e (d), que neces-
sitam de ferramentas proprietárias com curvas de aprendizado muito acentuadas,
podem ser impraticáveis. Do mesmo modo, limitar a comunicação aos métodos (a)
e (b) dificultará a criação e modificação colaborativa do modelo do edifício.
Nas seções seguintes, uma revisão das ferramentas que dão suporte a esses
métodos de comunicação é organizada em duas categorias: ferramentas de visua-
lização e revisão do modelo e ferramentas de gerenciamento do modelo.

4.5.4 Visualização e revisão do modelo


Dois tipos de tecnologias para visualização de modelos digitais têm uso crescente.
O primeiro compreende ferramentas especializadas de visualização que rodam
no próprio desktop e podem importar e integrar uma variedade de formatos de
modelos. Essas ferramentas permitem que os usuários naveguem pelo modelo e
façam consultas de forma interativa, assim como visualizem cortes e partes do
modelo. Essas ferramentas suportam os métodos de troca de informações B, C
e D. O segundo tipo inclui ferramentas de visualização baseadas na web, que
importam formatos padronizados, como Adobe® PDF ou DWF™, e suportam os
métodos A e B. Elas também oferecem navegação interativa, mas exigem que o
criador do modelo publique nesses formatos. Proprietários provavelmente encon-
trarão os dois tipos de ferramentas em seus empreendimentos e devem considerar
quais tipos de recursos a equipe do projeto utilizará, incluindo: comentários e
anotações, medições (consultas dimensionais), visualização, apresentação, ano-
tações com ida e volta e quem terá de acessar o modelo. Exemplos de visualizado-
res de modelo são o Adobe® Acrobat® Professional, o Autodesk® Design Review
e o NavisWorks™ Roamer. Exemplos de visualizadores baseados na web são o
NavisWorks™ Freedom e o Actify Spinfire™ Reader.
Ao avaliar essas ferramentas, um proprietário deve considerar os recursos
listados na Tabela 4-3.

4.5.5 Servidores de modelos


Servidores de modelos são desenvolvidos para armazenar e gerenciar o acesso
aos modelos e seus dados, seja hospedado externamente ou numa rede e servidor
internos. Atualmente, a maior parte das organizações utiliza servidores baseados
em arquivos que trabalham com protocolos padrão para transferência de arquivos
para trocar informações entre servidor e cliente. Da perspectiva BIM, servido-
res baseados em arquivos ainda não se vinculam diretamente ou trabalham com
modelos de edifícios ou componentes dentro desses modelos, já que armazenam
dados e fornecem acesso apenas em nível de arquivo.
A maioria da gestão de colaboração para projetos BIM envolve um gerente
de modelo integrando os modelos manualmente e criando arquivos do modelo do
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 127

Tabela 4-3 Recursos para revisão de modelos a serem consideradas


Recursos de importação Quais formatos a ferramenta importa?
de arquivos (Ver Capítulo 2 paro uma lista de formatos de arquivos)

Integrar modelos A ferramenta pode combinar e integrar drferentes formatos de arquivo em uma única
visualização e um modelo único?

Tipos de importação de Que t ipos de dados não geométricos a ferramenta importa, e como o usuário pode
dados visualizar os metadados ou as propriedades do modelo?

Suporte a múltiplos A ferramenta suporta acesso multiusuários a um arquivo ou ao modelo ou a


, .
usuanos visualização "compartilhada" de um modelo através da rede?

Ferramentas de Os usuários podem fazer comentários e anotações com as ferramentas? Estas


anotação e comentários anotações têm indicação de horário e podem ser rastreadas durante a revisão?

Suporte à visualização O usuário pode visualizar múltiplas vistas simultaneamente, por exemplo, planta, corte e
do modelo visualização 3D?

Visualização de A ferramenta suporta a visualização de documentos relacionados, como arquivos de


documentos textos, imagens ou planilhas?

Consultas dimensionais O usuário pode fazer medições facilmente em 2D e 3D?

Consulta propriedades O usuário pode selecionar um elemento do edrfício e visualizar suas propriedades ou
realizar uma consulta para localizar todos os objetos com uma propriedade ou valor
específicos?

Detecção de A ferramenta de revisão do modelo suporta detecção de interferências? Se sim, pode-se


interferências rastrear o status das interferências ou classificá-las?

4D A ferramenta de revisão do modelo incorpora funcionalidades para associar os objetos


do modelo a atividades do cronograma ou suporta outros tipos de simulação baseadas
no tempo?

Reorganização do O usuário pode reorganizar o modelo em grupos funcionais ou definidos por ele e
modelo controlar a visualização e outras funções a partir desses grupos customizados?

projeto. Os estudos de caso no Capítulo 9 ilustram os desafios que muitas com-


panhias enfrentam ao configurar processos de trabalho para gerenciar modelos.
Na maioria dos casos, as organizações trabalham com suas próprias equipes de
TI para configurar e manter um servidor para hospedar os arquivos do modelo.
No estudo de caso da fábrica da General Motors, a companhia utilizou o Bentley
ProjectWise®; no estudo de caso da Torre Comercial One Island East, foram uti-
lizadas as funcionalidades internas do Digital Project™ para suportar o gerencia-
mento do modelo.
Soluções comerciais prontas para servidores de modelos ainda não são lar-
gamente implementadas e necessitam de instalações customizadas e uma equipe
de TI treinada para operar e manter o sistema. Alguns exemplos de servidores de
modelos são:
• Bentley ProjectWise® (www.bentley.com)
• Enterprixe Model Server (www.enterprixe.com)
• EPM Technology EDMserver (www.epmtech.jotne.com)
• Eurostep modelserver for IFC (www.eurostep.com)
• SABLE developed by EuroSTEP (Hobaux 2005)
128 Manual de BIM

4.5.6 Ferramentas de gestão de facilidades e ativos


A maior parte das ferramentas de gerenciamento de facilidades existentes de-
pendem de infarmações 2D poligonais para representar os espaços ou dados nu-
méricos inseridos em uma planilha. Na perspectiva da maioria dos gerentes de
facilidades, gerenciar espaços e os equipamentos e ativos a eles relacionados não
requer informação 3D. Porém, modelos 3D baseados em componentes podem
agregar valor às funções da gestão de facilidades.
Modelos de edifícios oferecem benefícios significativos na fase inicial de en-
trada das infarmações da instalação e na interação com essas infarmações. Com
o BIM, proprietários podem utilizar componentes do tipo "espaço" que definem
fronteiras espaciais em 3D, reduzindo significativamente o tempo necessário para
criar a base de dados da instalação, já que o método tradicional envolve criação
manual desses espaços após a conclusão do projeto. O estudo de caso do Plane-
jamento de Facilidades para a Guarda Costeira registrou uma redução de 98% do
tempo e esforço necessários para produzir e atualizar a base de dados de geren-
ciamento de facilidades com o uso de um modelo de edifício.
Atualmente, há poucas ferramentas que aceitam a entrada de componentes
BIM de espaços ou outros componentes das facilidades representando ativos fi-
xos. Algumas das ferramentas disponíveis são:
• ActiveFacility (www.activefacility.com)
• ArchiFM (www.graphisoft.co.uk/products/ archifm)
• Autodesk ® FM Desktop (www.autodesk.com) (ver Figura 4-1 7A)
TM

• ONUMA Planning System (www.onuma.com/products/OnumaPlan-


TM

ningS ystem. php)


• Vizelia suite of FACILITY management products (www.vizelia.com) (ver
Figura 4- l 7B)

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FIGURA 4-17A Autodesk® FM Desktop™ mostrando a interface visual com os espaços de uma instalação e
a visualização de dados. Imagem fornecida pela Autodesk, lnc.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 129

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FIGURA 4-178 Tela do Vizelia FACI LITY Space mostrando a visualização 30 com codificação por cores dos
diferentes tipos de espaços. Imagem fornecida pela Vizelia, lnc.

Em complementação aos recursos gerais que qualquer sistema de geren-


ciamento de facilidades (FM) deve suportar, proprietários devem considerar as
seguintes questões com relação ao uso dessas ferramentas em conjunto com mo-
delos de edifícios:
• Suporte a objetos do tipo "espaço". A ferramenta importa componentes
representando espaços das ferramentas de projeto BIM, seja em formato
nativo ou em IFC? Se sim, que propriedades a ferramenta importa?
• Capacidade de combinação. Os dados podem ser atualizados ou combi-
nados a partir de múltiplas fontes? Por exemplo, sistemas prediais (MEP)
de um sistema e espaços de outro?
•Atualização. Se ocorrer uma requalificação ou reconfiguração da faci-
lidade, o sistema pode facilmente atualizar o modelo da instalação? Ele
pode rastrear as modificações?
Aproveitar um modelo de edifício para gerenciamento de facilidades pode
exigir a mudança para ferramentas de facilidades que já tenham sido concebidas
com a proposta BIM, como o Autodesk FM Desktop, ou para plugins BIM de
terceiros.
O uso do BIM para apoiar o gerenciamento de facilidades ainda está no iní-
cio, e apenas recentemente as ferramentas tornaram-se disponíveis no mercado.
Proprietários devem trabalhar com suas organizações de gerenciamento de faci-
lidades para identificar se suas atuais ferramentas podem suportar componentes
BIM de espaços ou se um plano de transição para uma ferramenta de gerencia-
mento de facilidades que suporta BIM é necessário.
130 Manual de BIM

4.5.7 Ferramentas de simulação da operação


Ferramentas de simulação da operação são outra categoria de software emergente
para proprietários que utilizam dados de um modelo de edifício. Elas incluem
comportamento de multidões (Still, 2000), fabricação, simulação de procedimen-
tos hospitalares e simulação de evacuação ou resposta em caso de emergências.
Muitas delas são fornecidas por empresas que também prestam serviços para
executar a simulação e adicionar informações necessárias. Em todos os casos,
as ferramentas necessitam de entradas de informação adicionais para realizar as
simulações e, em alguns casos, elas extraem apenas as propriedades geométricas
dos modelos de edifícios. A Tabela 4-4 relaciona algumas das ferramentas de si-
mulação disponíveis comercialmente.
Exemplos mais comuns de simulação de operações não envolvem simula-
ções especializadas, mas sim o uso de visualização em tempo real ou ferramentas
de renderização que usam o modelo do edifício como entrada. Por exemplo, o
quarto autor deste livro participou do desenvolvimento de um modelo 3D/ 4D
para a Disney California Adventure. Com ferramentas e serviços especializados, o
mesmo modelo foi utilizado para simular cenários de emergência e a montanha-
-russa (Schwegler et al., 2000) . Da mesma maneira, a equipe do Letterman Lu-
cas Digital Arts Center utilizou seu modelo para avaliar cenários de evacuação e
resposta a emergências (Boryslawski, 2006; Sullivan, 2007).

Tabelo 4-4 Relação de ferramentas de simulação de operação disponíveis comercialmente

Tipo de simulação Fabricante e nome do software Entrada em BIM?

Comportamento de multidões Legion Studio {www. legion.com) Não


eRENA ViCROWD Não
{www.erena.kth.se/crowds.html)
Crowd Dynamics Não
{www.crowddynamics.com)

Evacuação IES Simulex Sim {através do ambiente


{www.iesve.com) gbXML ModelBuilder ou
arquivo DXF)

buildingExodus Não {arquivo DXF)


{http://fseg. g re .ac. uk/exod us/)

Operação Common Point OpSim Sim (geometria)


{www.commonpointinc.com)

buildingExodus {fseg.gre.ac.uk/exodus/) Não {arquivo DXF)


SIMSuite (www.medsimulation.com)
Flex-Sim: {www.hospital-simulation.com)
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 131

UM MODELO DE EDIFÍCIO PARA PROPRIETÁRIOS E


GERENTES DE FACILIDADES
Além dos tipos de ferramentas BIM, os proprietários também precisam se fami-
liarizar com o escopo e o nível de detalhe que desejam para o modelo do edifício
em seus projetos. Nos Capítulos 5, 6 e 7, discutiremos os tipos de informação que
projetistas, engenheiros, empreiteiros e fabricantes criam e adicionam ao mode-
lo do edifício para apoiar as várias aplicações do BIM. Para tirar vantagem das
aplicações BIM pós-construção, como discutido na Seção 4.2 e listado na Figura
4-18, os proprietários precisam trabalhar próximos aos seus prestadores de ser-
viço para garantir que o modelo do edifício tenha escopo, nível de detalhe e con-
teúdo de informação adequados aos objetivos pretendidos. A Figura 4-18 mostra
um esquema para que proprietários possam compreender o relacionamento entre
o nível de detalhe em um modelo - massas, espaços e nível de detalhe num mo-

Proprietários podem ter


Edificações múltiplos edificações e
modelos em seu
gerenciamento de
ativos
Modelo de Informação do
Construção do Edificação

Estudo de
viabilidade

Exploração
ü
Componentes
(objetos)
Relacionamentos
entre componentes Configuração
(pré-venda)
de cenários
As-built
Atendimento Projeto
ao programo conceituai Massas Espaços
1
Comissionomento
Desempenho
do edifício

Simuloçõo
.,
.Q
-o
o
E
o
e: Documentação /
' Gerenciamento
de Facili1ies
de operação
(emergência) .!!
e: dCoeProjeto
( mponentes
ITetrenoll Espaços l Arquitetônico 1Estruturol I l~ç~~~ ~
~
a(ediois
/ Gerenciamento

Atendimento ao ~
.,"'"'u ~g~e~ne~'ri~c~ );::;::;::;::;::;::;::;::;:::-i;:;::;::;::;::;::;::;::;::;::;::;:::::..; / de ativos
financeiros
código de obras .,u
..e: ~~~~~~~~~"--~~~~~~~~' Simulação
Estimação
de o rçamento -o
., detalhados Componentes fab<icados
,g Componentes~------~
Componentes
de operação
(emergência)
personalizados,
Coordenoção
-o
o;
"' ao nível de
construção
ou pré..fabricodos
feito-s no c-onteiro
.2: Monitoramento
z de Desempenho
Cronograma
As-buílt Objetos Componentes
com dados ligodos "__- ~ Configuração
de Otiv-OS
operocionais •
.
Pré-fabricação petsonolizodos a sensores (retrofit)

,._ ___________
Exemplo de associação Níveis crescentes de escopo através de tipos de componentes e integração
de propósito do BIM
(aplicação) com nivel de
detalhe e escopo

FIGURA 4-18 Diagrama conceituai mostrando o relacionamento entre várias aplicações do BIM durante
o processo de desenvolvimento da edificação até a pós-construção e seu relacionamento com o nível de
detalhe e escopo no modelo.
132 Manual de BIM

delo (ver direção vertical) - e seu escopo, incluindo elementos representando


espaços e de domínios específicos, como elementos arquitetônicos e de sistemas
prediais detalhados.
Normalmente, cada prestador de serviço defme o escopo e o nível de detalhe
requeridos para seu trabalho. O proprietário pode estabelecer o escopo e o nível
de detalhe requeridos para a utilização do modelo após a construção. Por exem-
plo, na fase de estudo de viabilidade, massas e espaços são suficientes para su-
portar a maioria aplicações BIM de estudo preliminar. Se o proprietário necessita
de aplicações BIM mais integrativas, então tanto o nível de integração do modelo
(horizontal) como o nível de detalhe (vertical) são aumentados no esforço de
produção do modelo.
A Tabela 4-5 traz uma lista parcial de alguns dos principais tipos de infor-
mação de que o modelo do edifício precisa para suportar o uso pós-construção.
Algumas dessas informações são representadas no esquema IFC, como discutido
no Capítulo 2, e há um grupo de trabalho na IAI, o "Facility Management Do-
main" (www.iai-na.org/technical/fmdomain_report.php) que enfoca cenários es-
pecíficos de facilidades, como gestão de mudanças, fluxos de ordem de serviços,
custos, contas e elementos financeiros no gerenciamento de facilidades. A IAI
foca na representação dessa informação dentro do modelo do edifício.

Tabela 4-5 Modelo do edifício para proprietários

Propósito Tipo de informação do modelo

Viabilizar o conformidade com o programa e o Espaços e funções


gerenciamento de facilidades. Em um processo
de projeto típico, o informação espacial é definida
paro atender o um programo e para dar suporte
a análises de conformidade. Esses requisitos são
críticos para o verificação de conformidade do
programa e paro o uso do BIM no gerenciamento de
facilidades.
Suportar atividades de comissionamento, como Especificações de desempenho paro sistemas de
especificações de desempenho ventilação, aquecimento e condicionamento de ar e
outros equipamentos de operação da instalação
Para análises e rastreamento pós-construção, e Cronograma os-built e informações sobre os custos
como dados para previsões futuros
Orçamentação e geração de cronogramas de Informação de produtos manufaturados
manutenção
Para informações sobre custos de substituição, Dados de gestão de ativos financeiros
períodos de tempo e avaliação (ver o estudo de caso
do Planejamento de Facilidades para a Guarda
Costeira)
Planejar e preparar evacuações e outros crises Informação sobre emergências
emergenc1a1s
Para monitorar e rastrear o progresso do projeto, do Estado das atividades
construção ou atividades de manutenção
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 133

Outros recursos para proprietários entenderem e definirem os requisitos de


modelos de edifícios são:
• OSCRE (Open Standards Consortium for Real Estate, www.oscre.org).
Esta organização sem fins lucrativos está defmindo requisitos de informa-
ções e normas para cenários baseados em transações, incluindo avaliação,
troca de informações sobre propriedades comerciais e ordens de serviços
de gerenciamento de facilidades.
• Capital Facilities lnformation Handover Guide (Guia de Entrega
de Informações de Instalações de Infraestrutura) (NIST e FIATECH,
2006). Este documento define regras gerais para o fornecimento de infor-
mações para cada fase de entrega de instalações e para o ciclo de vida dos
edifícios. Muitas questões relativas a informação discutidas nesta seção
são apresentadas em maior detalhe neste documento.
• OGC (Open Geospatial Consortium, www.opengeospatial.org). Esta or-
ganização de padronização sem fms lucrativos está desenvolvendo normas
para dados geoespaciais e tem um grupo de trabalho específico buscando
a integração entre o SIG e os modelos de edifícios.

-
CONDUZINDO A IMPLEMENTAÇAO DO BIM EM UM
PROJETO
Proprietários controlam a seleção dos prestadores de serviço do projeto, o tipo
de contratação e os processos de entrega, além das especificações e requisitos
gerais da instalação. Infelizmente, muitos proprietários aceitam o status quo atual
e podem não perceber sua capacidade para mudar ou controlar o modo como um
edifício é desenvolvido. Eles podem inclusive não ter consciência dos benefícios
que podem ser obtidos de um processo BIM.
Proprietários mencionam desafios relacionados a mudanças em contratos
padronizados de projeto ou construção produzidos por associações encarregadas,
como o Instituto Americano de Arquitetos (AIA) ou a Associação de Empreiteiros
(AGC). O governo norte-americano, por exemplo, enfrenta muitas barreiras para
modificar contratos, já que estes são regidos por agências e órgãos legisladores.
Esses desafios são reais e o AIA, a AGC e agências federais como a GSA e o Cor-
po de Engenheiros do Exército Americano estão trabalhando no sentido de insti-
tuir os métodos de contratação necessários para suportar modos de contratação
mais integrados e colaborativos (ver Capítulos 5 e 6 para uma discussão desses
esforços). Ainda assim, os estudos de caso e os vários projetos citados neste livro
demonstram uma variedade de formas pelas quais os proprietários podem traba-
lhar dentro dos arranjos contratuais atuais e superar as barreiras apresentadas na
Seção 4.8. A liderança e o envolvimento dos proprietários é um pré-requisito para
o uso otimizado do BIM em um projeto.
Proprietários podem entregar o máximo valor para suas organizações ao
construir lideranças e conhecimento internos, ao selecionar prestadores de servi-
ços com experiência e know-how em projetos BIM, ao educar a rede de prestado-
res de serviços e ao modificar requisitos contratuais.
134 Manual de BIM

4.7.1 Construindo liderança e conhecimento internos


Os esforços conduzidos pelos proprietários mostrados no Capítulo 9 (Centro Mé-
dico Camino, Torre Comercial One Island East e o Planejamento de Facilidades
para a Guarda Costeira) compartilham dois processos chave: ( 1) o proprietário
desenvolveu conhecimentos internos sobre tecnologias BIM e (2) o proprietário
dedicou pessoal chave para liderar os esforços. Por exemplo, no projeto do Cen-
tro Médico Camino, o proprietário examinou processos internos e identificou as
ferramentas e métodos enxutos pelos quais a instalação poderia ser desenvolvida
de maneira mais eficiente. Nesses projetos, os proprietários não desenvolveram
o conhecimento pleno sobre como implementar várias aplicações BIM, mas cria-
ram um ambiente para o projeto no qual os prestadores de serviço puderam apli-
car o BIM apropriadamente.
O estudo de caso da Torre Comercial One Island East mostra uma abor-
dagem levemente diferente na construção desse conhecimento. O proprietário,
Swire Properties Inc., fez uma extensa pesquisa para melhorar a habilidade da
companhia em desenvolver e gerenciar suas instalações e propriedades. Eles iden-
tificaram barreiras relacionadas ao gerenciamento da informação 2D e a larga
variedade de informação projetual. Quando foram apresentados aos conceitos do
BIM, já possuíam conhecimento interno para saber onde aplicar as tecnologias
BIM disponíveis e como tirar mais proveito delas.
A Guarda Costeira Americana está construindo seu conhecimento interno
e definindo um mapa do caminho para implementação do BIM, como discu-
tido no estudo de caso do Planejamento de Facilidades da Guarda Costeira
(Brucker et al., 2006). Esse mapa é uma abordagem em fases para a imple-
mentação do BIM em toda a sua organização e em vários empreendimentos.
O conhecimento necessário para construir tal mapa do caminho foi resultado
de projetos piloto e de significativa investigação e esforço de pesquisa condu-
zidos por vários grupos dentro da Guarda Costeira Americana. O mapa inclui
tanto marcos relacionados a aplicações de tecnologias BIM específicas para
gestão da informação projetual e gestão de ativos de facilidades, quanto marcos
para processos de contratação e implementação de instalações utilizando várias
aplicações BIM.
Todos esses casos mostram proprietários que desenvolveram conheci-
mento por meio da exploração de seus próprios modelos de negócios e proces-
sos de trabalho internos relacionados ao desenvolvimento e operação de insta-
lações. Eles entenderam as ineficiências inerentes a seus processos de trabalho
atuais e como elas afetavam o resultado final. Fazendo isso, membros chave
na equipe receberam o conhecimento e habilidades para liderar o esforço em
direção ao BIM.

4. 7 .2 Seleção de prestadores de serviços


Diferentemente das indústrias de manufatura de âmbito global, como as de auto-
móveis ou semicondutores, não há uma única organização que domine o mercado
da construção. Mesmo as maiores organizações de proprietários, que geralmente
são agências governamentais, representam apenas uma pequena fração dos mer-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 135

cados doméstico e global. Consequentemente, esforços para padronizar proces-


sos, tecnologias e normas da indústria são muito mais desafiadores na indústria
AEC que naquelas que têm líderes de mercado claramente estabelecidos. Sem
líderes de mercado, os proprietários olham para o que os seus competidores estão
fazendo, ou para organizações industriais como guias para melhores práticas ou
para as tendências tecnológicas mais recentes. Além disso, muitos proprietários
constroem ou iniciam apenas um projeto, e lhes falta experiência para assumir
uma posição de liderança. O que todos os proprietários compartilham, porém,
é o controle sobre como eles selecionam prestadores de serviço e o formato das
entregas de projeto.
Proprietários podem se valer de vários métodos para garantir que os pres-
tadores de serviço trabalhando em seus projetos sejam familiarizados com BIM e
seus processos relacionados:
Modificando requisitos de experiência de trabalho para que incluam
conhecimentos e experiência em BIM. Para contratação interna, proprietários
podem exigir que candidatos a emprego tenham habilidades específicas, como
3D e conhecimento de BIM ou projeto baseado em componentes. Muitas organi-
zações estão contratando empregados com títulos específicos, como Especialista
BIM, Campeão BIM, Administrador BIM, Especialista 4 D e Gerente de Projeto e
Construção Virtuais. Proprietários podem contratar empregados com esses títu-
los ou buscar prestadores de serviço com títulos semelhantes. O quadro a seguir
detalha algumas exigências para os candidados (J .E. Dunn, 2007).
Incluindo critérios de pré-qualificação específicos para BIM. Muitas li-
citações feitas pelos proprietários incluem um conjunto de critérios de pré-qua-
lificação para os licitantes. Para projetos de obras públicas, esses requisitos são
formulários padronizados que todos os potenciais licitantes devem preencher.
Proprietários comerciais podem formular seus próprios critérios de pré-qualifi-
cação. Um excelente exemplo são os requisitos de qualificação formulados pela
Sutter Health, proprietária do Centro Médico Camino, descritos no respectivo

Exemplos de habilidades exigidas

• Experiência mínima de 3 a 4 anos no projeto e/ ou construção de edifícios comer-


• •
ClalS

• Formação superior em gerenciamento de construção, arquitetura ou engenharia


• Conhecimento comprovado em Modelagem da Informação da Construção
• Proficiência comprovada em uma das principais aplicações BIM e familiaridade
com ferramentas de revisão de projetos
• Conhecimento prático e proficiência em uma das seguintes ferramentas:
NavisWorks, SketchUp, Audodesk® Architectural Desktop ou Building Systems (ou
as aplicações BIM específicas que sua organização utiliza)
• Sólida comprensão dos processos de projeto, documentação e construção, e a
habilidade de comunicação com o pessoal de canteiro.
136 Manual de BIM

estudo de caso. Eles incluem requisitos explícitos de experiência e habilidade no


uso de tecnologias de modelagem 3D. De modo semelhante, a GM e a equipe
de projeto & construção da Ghafari/Ideal (estudo de caso da fábrica da General
Motors) selecionaram consultores e subempreiteiros com experiência em 3D e
vontade de participar no uso de modelos de edifícios 3D no projeto.
Entrevistando candidatos à prestação de serviços. Proprietários devem
reservar tempo para conhecer projetistas pessoalmente durante o processo de
pré-qualificação, já que qualquer prestador de serviços pode preencher um for-
mulário de qualificação e mencionar experiências com ferramentas específicas
sem ter, no entanto, experiência de projeto. Um proprietário até prefere reunir-se
no escritório do projetista, para ver o ambiente de trabalho e os tipos de ferra-
mentas e processos disponíveis nele. A entrevista pode incluir os seguintes tipos
de questão:
• Quais tecnologias BIM sua organização utiliza e como elas foram
utilizadas em projetos anteriores? Talvez possa ser utilizada uma lista
modificada de áreas de aplicação de BIM baseada na Tabela 4-1 como

um guia.
• Que organizações colaboraram com você na criação, modificação e
atualização do modelo do edifício? Se a questão for dirigida a um arqui-
teto, descubra se o engenheiro estrutural, empreiteiro ou pré-fabricante
contribuíram para o modelo e como suas organizações trabalharam em
conjunto.
• Quais foram as lições aprendidas e as métricas verificadas nestes pro-
jetos, com relação ao uso do modelo de edifício e ferramentas BIM?
Como estas lições e métricas foram incorporadas à sua organização?
Essa questão ajuda a identificar evidências de aprendizado e mudança
dentro da organização.
• Quantas pessoas estão familiarizadas com ferramentas BIM na sua
organização, e como você treina e educa sua equipe?
• Sua organização tem cargos e funções especificamente relacionados ao
BIM (como os listados anteriormente)? Isso indica um compromisso
claro e um reconhecimento do uso do BIM na organização.

4.7.3 Construindo e educando uma rede qualificada de prestadores de


serviços BIM
Um dos desafios para proprietários é encontrar prestadores de serviço proficien-
tes em tecnologias BIM dentro da sua rede de parceiros existente. Isso tem leva-
do vários proprietários a conduzirem iniciativas proativas para educar potenciais
prestadores de serviço, internos e externos, por meio de oficinas, conferências,
seminários e guias. Aqui estão três exemplos:
Educação formal. A United States General Services Administration esta-
beleceu um programa nacional de fomento ao BIM 3D/4D (General Services
Administration, 2006). Parte dessa iniciativa inclui educar o público e potenciais
prestadores de serviço, bem como modificar o modo como eles contratam servi-
ços (ver próxima seção). Essa iniciativa educacional inclui o trabalho com fabri-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 137

cantes das ferramentas BIM, associações profissionais como o AIA e a AGC, bem
como organizações de normalização e universidades, por meio do patrocínio de
seminários e oficinas. Cada uma das dez regiões da GSA designou um "campeão"
BIM para incentivar a adoção e a aplicação da tecnologia aos projetos nas suas
respectivas regiões. Por exemplo, cada um dos autores deste livro foi convidado a
apresentar conceitos BIM para vários grupos de proprietários, tanto nos Estados
Unidos como em outras partes do mundo. Diferentemente de algumas organi-
zações de comerciais, a GSA não enxerga sua experiência e conhecimento em
BIM como uma propriedade, e reconhece que, para obter os benefícios potenciais
da tecnologia, todos os participantes do projeto precisam ser familiarizados com
BIM e os seus processos.
Educação informal. Os esforços de educação empreendidos pela Sutter
Health são centrados na implementação de processos enxutos e tecnologias
BIM em seus projetos (Sutter Health et al., 2006) . A empresa convidou pres-
tadores de serviços para assistirem a oficinas informais com apresentações de
conceitos lean, 3D e 4D. A Sutter também apoia equipes de projeto utilizando
tecnologias BIM a conduzirem oficinas similares abertas a profissionais da in-
dústria. Essas oficinas informais fornecem meios para profissionais comparti-
lharem experiências e aprenderem com os outros, resultando no aumento do
número de prestadores de serviço disponíveis para licitar nos futuros projetos
da Sutter.
Treinamentos. Uma parte crítica da educação, além do ensino dos concei-
tos e aplicações do BIM, é relacionada ao treinamento técnico em ferramentas
BIM específicas. Isso normalmente exige tanto a educação técnica a respeito dos
conceitos BIM e características da transição do 2D para a modelagem 3D por
componentes paramétricos, como o treinamento para aprender recursos especí-
ficos de software BIM. Para muitos prestadores de serviço, essa transição é cara,
e é difícil justificar os custos iniciais de treinamento. A Swire Properties (Torre
Comercial One Island East) reconheceu isso como sendo uma barreira potencial
e pagou pelo treinamento da equipe de projeto para usar ferramentas BIM espe-
cíficas no seu projeto.

4.7.4 Mudanças de requisitos para as entregas: modificando contratos e


a linguagem contratual
Proprietários podem controlar quais aplicações BIM são implementadas nos seus
projetos por meio do tipo de processo de entrega de projetos que eles selecionam
e com requisitos contratuais ou de licitação específicos para o BIM. Mudar o pro-
cesso de entrega muitas vezes é mais difícil do que mudar os requisitos. Muitos
proprietários iniciam com mudanças nos requisitos contratuais e licitatórios em
três áreas:
1. Escopo e detalhe da informação do modelo. Isso inclui definir o for-
mato da documentação projetual e a mudança de 2D em papel para
um modelo 3D digital. Proprietários podem abrir mão de requisitos
específicos relacionados ao formato 3D e aos tipos de informação que
os prestadores de serviço incluem no modelo (ver Figura 4-18 e Se-
138 Manual de BIM

ção 4.6); ou podem descrever esses requisitos detalhadamente (ver o


estudo de caso do Centro Médico Camino). Conforme os proprietá-
rios adquirem experiência, a natureza desses requisitos refletirá melhor
os tipos de aplicação BIM que eles desejam, e a informação que sua
equipe necessita no decorrer do desenvolvimento do empreendimento e
durante a operação da instalação. A Tabela 4-6 fornece uma referência
para os tipos de informação que um proprietário deve considerar, em
relação às aplicações do BIM que pretenda implementar.
2. Usos da informação do modelo. Isso inclui a especificação de serviços
realizados mais prontamente com ferramentas BIM, como coordena-
ção 3D, revisão do projeto em tempo real, engenharia de valor constan-
te utilizando software de orçamentação, ou análise energética. Todos
esses serviços podem ser executados com tecnologias tradicionais 2D
ou 3D, porém prestadores de serviço utilizando ferramentas BIM serão
mais competitivos e capazes de fornecer tais serviços. Por exemplo, a
coordenação 3D é muito facilitada com o uso de ferramentas BIM. As
Tabelas 4-1, 4-2 e 4-6 fornecem um resumo das aplicações BIM que
proprietários podem tomar como base para descrever serviços relevan-
tes para os seus projetos específicos.
3. Organização da informação do modelo. Isso inclui a estrutura ana-
lítica do projeto e é discutido na Seção 4.5.1. Muitos proprietários
desconsideram esse tipo de requisito. Atualmente, padrões de cama-
das para CAD ou campos de atividades do Primavera são utilizados
como referência pelos projetistas para organizar a documentação do
projeto e a informação do edifício. Da mesma forma, proprietários ou
a equipe do projeto precisam estabelecer uma estrutura inicial de or-
ganização da informação. Esta estrutura pode ser baseada na geome-
tria do local do projeto (Secção nordeste) ou a estrutura do edifício
(Asa leste, Edifício X). Os estudos de caso da Torre Comercial One
Island East e do Centro Médico Camino discutem a estrutura analítica
do projeto que a equipe empregou para facilitar a troca de informa-
ções do modelo do edifício e a documentação do projeto. Existem
esforços em direção ao estabelecimento de normas para modelos de
edifícios, como o National Building Information Model Standard. O
NBIMS deverá fornecer as tão necessárias definições e recursos úteis
para proprietários definirem a estrutura analítica do projeto. A Guar-
da Costeira dos Estados Unidos, por exemplo, faz referência a eles
dentro de seus marcos.
Esses requisitos, no entanto, são difíceis de atingir sem algumas modifica-
ções na estrutura de remuneração e relacionamentos entre os participantes do
projeto ou sem o uso de planos de incentivo que definem o fluxo de trabalho e
trocas digitais entre as disciplinas. Em geral, isso é mais difícil de definir em um
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 139

Tabelo 4-6 Relacionamento entre as áreas de aplicação BIM, o escopo e o nível de detalhe
requeridos no modelo do edifício

Tipos de propriedades dos


Escopo BIM componentes

Estudo Genérico Nível de


preliminar construção

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Area de aplicação BIM ~ w"' ~ <( I :'.) u u Cl. u.. u u u..

Projeto/ Construção

Análise Pro Forma • • • • • •


Exploração de Cenários • • • • •
Verificação do Programa • • • •
Desempenho do Edificação • • • • • • •
Simulação de Operações • • • • • •
Verificação de Conformidade • • • •
Custo • • • • • • • • • •
Coordenação • • • • • •
Cronograma • • • • • • •
Pré-fabricação • • • • • • •
Pós-construção/ Operações

Configuração • • • • • • • •
Comissionamento • • • • • • •
Gerenciamento de Facilidades • • •
Gestão de Ativos Financeiros • • • • • •
Simulação de Operações • • • • •
Monitoramento de Performance • • • • •
Espaço Construído • • • • • • • • •
Configuração {requalificação) • • • • • • • • • •
140 Manual de BIM

fluxo de trabalho centrado no modelo digital do que em um baseado em arquivos


e documentos. Além disso, agências reguladoras continuam solicitando docu-
mentação projetual em 2D, assim como preconizam os contratos profissionais
padronizados (como foi o caso do estudo de caso do estacionamento Penn Natio-
nal). Como consequência, muitos proprietários mantêm as entregas tradicionais,
baseadas em documentos e arquivos (ver Figura 4-19) e inserem fluxos de traba-
lho e entregas 3D no mesmo processo. Isso significa que cada disciplina trabalha
independentemente nos seus escopos e aplicações BIM, e elas trocam modelos
digitais 3D em alguns momentos específicos.

Processo de desenvolvimento e ciclo de vida de instalações

Entregas Tradicionais Entregas com processos


para o Proprietário Demandas e e tecnologias BIM
Necessidades
do Mercado
Escopo/Objetivos 1 Escopo/Objetivos
do Projeto do Projeto
- Estudo de
Viabilidade/Conceito
(Capítulo 5)
Planos Modelo Conceituai do
1
Conceituais, Edifício, Estimativo
Projeto Preliminar de Custo, Planto
1-
Projeto e
Engenharia
Desenhos e (Capítulo 5)
Especificações Modelo do Edifício
para Construção ,_
Construção
-
(Capítulos 6 e 7)

Modelo do Edifício
Desenhos como Construído
As-Built (As-built)
Ocupação/Início - -
das Atividades
(Capítulo 4)
1

Operação/Manutenção
(Capítulo 4)

FIGURA 4-19 Entregas contratuais típicas em função do modo tradicional de contratação


projeto-concorrência-construção, comparadas com os tipos de entregas que resultam de um
processo colaborativo baseado em BIM. Proprietários precisarão mudar os contratos e a linguagem
contratual para promover o uso do BIM.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 141

Os estudos de caso do Capítulo 9 fornecem excelentes exemplos de como


proprietários modificaram seus processos de entregas para apoiar um fluxo de
trabalho mais colaborativo em tempo real. Estas modificações incluem:

Processo projeto & construção modificado. O projeto Fábrica da GM de-


monstra um processo colaborativo efetivado por meio de modificações no
modo de contratação projeto & construção. A GM contratou a equipe de
projeto e construção e participou da seleção dos subempreiteiros e consulto-
res de projeto adicionais. O objetivo foi formar a equipe o mais cedo possível
e obter seu engajamento desde o princípio.

Contratos baseados em desempenho. Contratos ou aquisição baseados


em desempenho focam em resultados, normalmente têm valores fixados e
permitem que prestadores de serviços entreguem uma instalação ou seus
serviços utilizando suas próprias melhores práticas (Department of Defen-
se, 2000). Isso enfatiza o resultado, como definido pelo proprietário, em vez
de marcos intermediários ou entregas de projeto. Muitas agências governa-
mentais estão mudando para essa abordagem, encomendando 40% - 50%
de seus novos trabalhos com ela (GSA, 2007) . Esse tipo de contrato exige
que o proprietário gaste mais tempo no início do projeto para definir os
requisitos da instalação e estruturar o contrato para acomodar essa abor-
dagem. Essa prática pode parecer uma contradição em relação às recomen-
dações precedentes, porém prestadores de serviço que utilizam BIM serão
mais competitivos, e os requisitos também podem ser baseados em BIM.

Planos de incentivos compartilhados. Contratos baseados em desempe-


nho frequentemente são implementados em conjunto com planos de incen-
tivos compartilhados. Quando todos os membros colaboram na maior parte
das fases da construção, não há divisão clara da contribuição de cada orga-
nização. O estudo de caso do Centro Médico Camino fornece um exemplo
de um plano de incentivo compartilhado desenvolvido para distribuir as eco-
nomias obtidas entre os participantes do projeto. Esse plano prevê incenti-
vos financeiros baseados no desempenho geral do projeto, e não apenas no
desempenho individual de cada organização. Normalmente, é difícil definir
e implementar esses planos de incentivo, como demonstra o estudo de caso.
De qualquer forma, eles recompensam as equipes pelo desempenho colabo-
rativo em vez da otimização local de desempenho de disciplinas específicas.

BARREIRAS À IMPLEMENTAÇÃO DO BIM: RISCOS E MITOS


COMUNS
Há riscos associados com qualquer mudança em processos de trabalho. Barreiras
reais e percebidas e as mudanças relacionadas à implementação de BIM nos pro-
jetos não são exceção. As barreiras dividem-se em duas categorias: barreiras rela-
142 Manual de BIM

cionadas aos processos de negócios, incluindo questões legais e organizacionais


que impedem a implementação do BIM; e barreiras tecnológicas relacionadas à
prontidão e implementação. Essas barreiras são resumidas a seguir:

4.8. 1 Barreiras no processo


O mercado não está pronto- ainda está na fase do inovador. Muitos proprietá-
rios acreditam que se mudarem os contratos para exigir novos tipos de entregas,
especificamente modelos 3D ou modelos de edifícios, eles não receberão propos-
tas competitivas, limitando o rol de licitantes e, em última instância, aumentando
o preço do empreendimento. Pesquisas recentes indicam que a maioria dos pres-
tadores de serviço não está utilizando ativamente tecnologias BIM nos seus pro-
jetos. Essas mesmas pesquisas, entretanto, indicam índices crescentes de adoção
e conscientização a respeito dos conceitos e aplicações BIM:
• 75% dos arquitetos estão utilizando algum nível de 3D, e um terço deles
utiliza BIM como um recurso construtivo e outro terço utiliza para "mo-
delagem inteligente" (Gonchar, 2007). Esses usuários preferiram BIM ao
CAD 2D tradicional, em função da visualização e do valor para o cliente
(proprietário), maior precisão, coordenação e eficiência. Isso indica su-
cesso inicial e potencial para crescimento contínuo. Essas empresas conti-
nuam investindo e expandindo seu uso de BIM.
• Prestadores de serviço utilizariam abordagens 3D e BIM mais frequente-
mente, caso os proprietários (clientes) solicitassem isso (Green Building
Studio, 2004).
Os estudos de caso e muitas referências adicionais neste livro também in-
dicam uma transição da fase dos inovadores para a fase dos pioneiros nas apli-
cações BIM relacionadas ao projeto. Conforme o uso do BIM aumenta, proprie-
tários encontrarão um número crescente de prestadores de serviço capazes de
utilizá-lo.
O empreendimento já está financiado e o projeto já está completo. Não
é vantagem implementar BIM. Conforme o empreendimento se aproxima da
fase de construção, proprietários e a equipe de projetos perdem valiosas opor-
tunidades que poderiam ser obtidas pelo uso de aplicações BIM, como esti-
mativas de custo e verificação do programa arquitetônico. Porém, ainda resta
tempo e oportunidade amplos para implementar o BIM nos estágios finais de
projeto e pelas fases iniciais da construção. Por exemplo, no estudo de caso da
torre comercial One East Island, a implementação do BIM começou após o
início da documentação dos projetos construtivos. A implementação do BIM
no Letterman Digital Arts Center, conduzida pelo proprietário, começou após
o desenvolvimento dos projetos e resultou em identificação significativa de dis-
crepâncias nos projetos e em uma economia estimada em 1O milhões de dólares
(Boryslawski, 2006). A equipe, entretanto, reconheceu que, se estes esforços
tivessem sido iniciados mais cedo, ainda mais economias e benefícios teriam
sido obtidos.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 143

Custos de treinamento e curva de aprendizado muito altos. Implementar


novas tecnologias como BIM é custoso em termos de treinamento e modificações
nos processos e fluxos de trabalho. O investimento financeiro em software e hard-
ware frequentemente é excedido pelos custos de treinamento e baixa produtivida-
de inicial. Isso pode ser visto no exemplo de fluxo de caixa para adoção do BIM
mostrado no Capítulo 7. A maioria dos prestadores de serviços não está disposta
a fazer tais investimentos, a não ser que percebam os benefícios em longo prazo
para suas próprias organizações e/ou se o proprietário subsidie os custos de trei-
namento. No estudo de caso da torre comercial One Island East, o proprietário
entendeu que os ganhos potenciais de produtividade, qualidade e gestão de ativos
superavam os custos iniciais, e pagou pelo treinamento.
, Todos precisam estar envolvidos para que a iniciativa BIM seja vantajosa.
E difícil garantir que todos os participantes do projeto tenham o conhecimento e
a disposição para participar na criação ou no uso do modelo do edifício. Muitos
dos estudos de caso no Capítulo 9 demonstram os benefícios da implementação
do BIM sem a participação total dos envolvidos, mas também realçam os desa-
fios de recriação da informação oriunda de organizações que não participavam
da modelagem. O Letterman Digital Arts Center (Boryslawski, 2006) demonstra
como um proprietário pode mitigar o risco da não participação. O proprietário
contratou uma firma terceirizada para gerenciar a iniciativa BIM e recriar a infor-
mação que fosse necessária. Conforme o projeto progrediu, a terceirizada foica-
paz de identificar organizações com habilidade de modelagem BIM e de incluí-las
no processo. O proprietário apoiou os esforços, mas não obrigou a participação
total no esforço BIM.
Há muitas barreiras legais e é muito trabalhoso superá-las. Mudanças
legais e contratuais em várias frentes são necessárias para facilitar o uso do BIM
e criar equipes de projeto mais colaborativas. Mesmo que a troca digital de infor-
mação seja difícil às vezes, e as equipes são forçadas a trocar informação apenas
em papel e a confiar em contratos fora de moda. Instituições públicas encaram
mudanças ainda maiores, já que elas normalmente são regidas por leis que tomam
tempo considerável para serem mudadas. Apesar disso, várias agências governa-
mentais e companhias privadas superaram essas barreiras e estão trabalhando no
sentido de produzir uma linguagem contratual que não apenas modifica o modo
como a informação é trocada entre a equipe de projeto, mas também as respon-
sabilidades e os riscos associados com iniciativas mais colaborativas. Os estudos
de caso do Centro Médico Camino, da Fábrica da GM e do Tribunal Federal são
exemplos disso.
O principal desafio é a atribuição de responsabilidades e riscos. A imple-
mentação do BIM centraliza informação que é "largamente acessível", depende
de atualização constante, e sujeita os projetistas a um potencial maior de res-
ponsabilidade legal (Ashcraft, 2006). Advogados reconhecem essas barreiras e
as mudanças necessárias na alocação de riscos. Essa é uma barreira real que
vai persistir, e dependerá de associações profissionais tais como a AIA e a AGC
para revisar os contratos padrão e/ ou os proprietários revisarem seus próprios
contratos.
144 Manual de BIM

Questões de propriedade e gerenciamento do modelo exigirão muito dos


recursos dos proprietários. O BIM requer uma visão que perpassa múltiplas or-
ganizações e aspectos do projeto. Tipicamente, um gerente de construção (GC)
exerce a supervisão gerenciando a comunicação e revisando a documentação do
projeto. Esse gerente também observa se o processo está alinhado com entregas
e marcos específicos. Com o BIM, a descoberta e a identificação de problemas
ocorrem mais cedo e mais frequentemente, permitindo que as equipes os resol-
vam mais cedo. Entretanto, isso requer decisões do proprietário, que deveriam
ser vistas como um benefício, não como uma desvantagem. As folgas no atual
processo de implementação do empreendimento são significativamente reduzi-
das, exigindo um envolvimento maior do proprietário. O processo torna-se mais
fluido e interativo. Modificações solicitadas pelo proprietário se tornarão menos
transparentes e seus impactos demandarão participação contínua. Gerenciar esse
processo e, consequentemente, o modelo será crítico para o projeto. Proprietários
precisam estabelecer papéis e responsabilidades claros, além de métodos de co-
municação com a equipe, e se assegurar de que um representante do proprietário
esteja disponível sempre que necessário.

4.8.2 Barreiras e riscos tecnológicos


A tecnologia está pronta para projeto em disciplinas isoladas, mas não para
o projeto integrado. Dois a cinco anos atrás, a criação de um modelo integrado
exigia um esforço extensivo por parte da equipe de projeto e conhecimentos téc-
nicos dedicados para dar suporte a essa integração. Hoje, muitas das ferramentas
de projeto BIM apresentadas no Capítulo 2 amadureceram e oferecem capaci-
dade de integração entre várias disciplinas no nível de objetos genéricos (ver Fi-
gura 4-18). Conforme o escopo do modelo e o número de tipos de componentes
construtivos aumenta, porém, questões relacionadas ao desempenho também au-
mentam. Assim, a maioria das equipes de projeto escolhe usar ferramentas de re-
visão de modelo para apoiar tarefas de integração, como coordenação, simulação
de cronograma e simulação de operações. Os projetos Centro Médico Camino
e Fábrica da GM, por exemplo, utilizaram a ferramenta de revisão de modelos
NavisWorks para realizar detecção de interferências e coodenação de projetos.
Atualmente, ambientes de projeto BIM são suficientes para integração de uma ou
duas disciplinas. A integração em nível de detalhe construtivo é mais difícil, e as
ferramentas de revisão de modelos são as melhores soluções para atingi-la.
Uma barreira maior é a relacionada aos processos de trabalho e à gestão do
modelo. Integrar múltiplas disciplinas requer acesso multiusuário à informação
do modelo do edifício. Isso exige conhecimento técnico, estabelecimento de pro-
tocolos para gerenciar modificações e atualizações do modelo, e o estabelecimen-
to de uma rede e um servidor para armazenar e fornecer acesso ao modelo. Isso
também oferece um excelente contexto para novos usuários aprenderem com os
mais experientes.
Proprietários devem realizar estudos com suas equipes de projeto para de-
terminar o tipo de integração e as capacidades de análise que são desejadas e
estão disponíveis, priorizando-as de acordo com a situação. A integração com-
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 145

pleta é possível, porém exige conhecimento, planejamento e a seleção correta das


ferramentas BIM.
Padrões ainda não foram definidos e não são largamente adotados - por-
tanto, devemos esperar. O Capítulo 3 discute as várias iniciativas de padroniza-
ção, como as IFCs e o NBIMS (padrão nacional norte-americano sobre BIM) , os
quais melhorarão consideravelmente a interoperabilidade e a implantação gene-
ralizada do BIM. Na prática, entretanto, esses formatos raramente são utilizados,
e a maioria das organizações utiliza formatos proprietários para o intercâmbio
dos modelos. Para muitos proprietários, isso coloca um risco aos investimentos
de curto e longo prazo, em qualquer esforço de modelagem da informação da
construção. Há iniciativas de padronização dirigidas especificamente a proprietá-
rios, relacionadas a transações imobiliárias e gestão de facilities, como discutido
anteriormente. Entretanto, os estudos de caso neste livro, com exceção dos casos
do Tribunal Federal e da Fábrica da GM em Flint, demonstram que diversas im-
plementações bem-sucedidas do BIM foram atingidas sem a dependência a esses
padrões. A ausência deles, portanto, não é uma barreira para a implementação da
tecnologia.

- -
ORIENTAÇOES E QUESTOES A SEREM CONSIDERADAS
POR PROPRIETÁRIOS AO ADOTAREM BIM
Adotar o BIM isoladamente pode não levar a projetos bem-sucedidos. O BIM é
um conjunto de tecnologias e processos de trabalho em desenvolvimento que pre-
cisa ser apoiado pela equipe, pela gerência e por um proprietário colaborativo. O
BIM não substituirá um gerenciamento de qualidade, uma boa equipe de projeto
ou uma cultura respeitável de trabalho. Seguem aqui alguns fatores fundamentais
que um proprietário deverá considerar quando adotar BIM.
Realize um projeto piloto com um prazo curto, uma pequena equipe qua-
lificada e um objetivo claro. Os esforços iniciais devem empregar ou recursos
internos ou prestadores de serviço de confiança com os quais a organização já
tenha trabalhado. Quanto mais conhecimento um proprietário constrói com rela-
ção à implementação e aplicação do BIM, mais facilmente terá sucesso em inicia-
tivas futuras, porque passa a desenvolver competências para identificar e escolher
prestadores de serviço qualificados e formar equipes cooperativas.
Faça um exercício prático. Durante o desenvolvimento de um projeto pilo-
to, é sempre melhor fazer um exercício prático para garantir que as ferramentas
e processos estejam bem ajustados. Isso pode significar simplesmente passar ao
projetista uma pequena tarefa de projeto que ilustra a aplicação BIM desejada.
Por exemplo, o proprietário pode pedir à equipe de projeto para desenvolver uma
sala de conferência para vinte pessoas, com metas específicas de orçamento e
consumo de energia. A entrega deverá incluir um modelo do edifício (ou modelos
que reflitam duas ou três opções) e as análises de custo e consumo energético.
Este é um exemplo de uma tarefa de projeto realizável em um ou dois dias. O
arquiteto pode construir o modelo e trabalhar com um engenheiro projetista de
instalações e um orçamentista para produzir um conjunto de protótipos. Isso exi-
ge que os participantes desatem os nós do processo, e permite que o proprietário
146 Manual de BIM

forneça orientação sobre os tipos de informação e formatos de apresentação que


oferecem respostas claras, valiosas e ágeis.
Mantenha o foco em objetivos de negócio específicos. Apesar de este ca-
pítulo citar muitos benefícios diferentes, nenhum projeto individual já alcançou
todos eles. Em muitos casos, o proprietário iniciou com um problema ou objeti-
vo específico e obteve sucesso. Na iniciativa de projetos piloto da GSA (Dakan,
2006), por exemplo, cada um envolveu um tipo de aplicação BIM para nove dife-
rentes projetos. As áreas de aplicação incluíram análise energética, planejamento
de espaços, escaneamento Lidar para coletar dados as-built precisos e simulação
4 D. O sucesso atingido em objetivos bem focados e gerenciáveis levou ao uso ex-
pandido, com múltiplas aplicações BIM em projetos como o mostrado no estudo
de caso do Tribunal Federal.
Estabeleça formas de medir o progresso. Métricas são fundamentais para
avaliar a implementação de novos processos e tecnologias. Muitos dos estudos de
caso incluíram métricas de projeto, como redução de solicitações de modificação
e retrabalho, variação do custo ou cronograma em relação ao previsto, redução
do custo típico por metro quadrado. Há várias excelentes fontes de métricas ou
objetivos relevantes para organizações de proprietários ou projetos específicos,
incluindo:
• Construction Users Roundtable- CURT (Mesa Redonda dos Usuários
da Construção). Essa organização de proprietários promove oficinas e
conferências e lança várias publicações em seu site (www.curt.org) que
permitem identificar métricas chave para o empreendimento e o desem-
penho.
• CIFE Working Paper on Virtual Design and Construction (Kunz and
Fischer, 2007). Esse artigo documenta tipos específicos de métricas e
objetivos juntamente com exemplos de estudos de caso.
Veja ainda a Seção 5.4. 1 para o desenvolvimento de métricas de avaliação
ligadas ao projeto.
Participe da iniciativa BIM. A participação de um proprietário é um fator
chave no sucesso do projeto, porque ele está na melhor posição para liderar a
equipe do empreendimento para colaborar de forma a extrair todos os benefí-
cios do BIM. Em todos os estudos de caso nos quais os proprietários assumiram
papéis de liderança - Fábrica da GM, Tribunal Federal, Centro Médico Camino,
Torre Comercial One Island East e o Planejamento de Facilidades da Guarda
Costeira - demonstraram a importância da participação do proprietário na con-
dução proativa da implementação do BIM. Eles também destacaram os benefícios
de seu envolvimento contínuo naquele processo. Aplicações BIM, como aquelas
para revisão de projetos, permitem que proprietários participem melhor e for-
neçam mais facilmente os retornos necessários. A participação e a liderança dos
proprietários é essencial para o sucesso de equipes de projeto colaborativas que
exploram o BIM.
Capítulo 4 BIM poro Proprietários e Gerentes de Instalações 147

Questões para discussão do Capítulo 4

1. Liste três tipos de métodos de contratação e como estes mé-


todos suportam ou não o uso de tecnologias e processos BIM.
2. Imagine que você é um proprietário embarcando em um
novo empreedimento e que participou de várias oficinas que
d iscutiram os benefícios do BIM. Que passos você tomaria
para identificar se deveria apoiar e promover o uso do BIM no
seu projeto?
3. Se o proprietário decidiu adotar o BIM, que t ipos de decisões
são necessárias para garantir que a equipe de projeto seja
bem-sucedida no uso do BIM em cada fase do ciclo de vida
do edifício?
4. Com respeito à aplicação e aos benefícios das tecnologias
e processos BIM, quais são as diferenças chave entre um
proprietário que constrói e vende as instalações vs. outro que
constrói e posteriormente opera a instalação?
5. Imagine que você é um proprietário desenvolvendo um
contrato para encomendar um projeto utilizando uma abor-
dagem colaborativa por meio da aplicação do BIM. Quais se-
riam a lgumas disposições que o contrato deveria incluir para
que se promova a colaboração da equipe, o uso do BIM e o
sucesso do projeto?
6. Liste e discuta três riscos associados com o uso do BIM e
como eles podem ser mitigados.
7. Liste dois ou três fatores do processo ou do projeto que in-
fluenciam o sucesso da implementação do BIM .
8. Imagine que você é um proprietário construindo seu primeiro
projeto e que está planejando manter e ocupar a instalação
construída pelos próprios 15 a 20 anos. Você não planeja
construir outra instalação e vai terceirizar o projeto e a cons-
trução. Você deveria considerar o BIM? Se sim, liste duas ou
três razões pelas quais o BIM beneficiaria a sua organização,
e descreva quais passos você deve tomar para obter os bene-
fícios que citou. Se você acredita que o BIM não beneficiaria
o seu projeto, explique porquê.
9. Liste três tendências de mercado que estão influenciando a
adoção e o uso do BIM e como e le permite que proprietários
respondam a elas.
,
CAPITULO

BIM para Arquitetos e


Engenheiros

SUMÁRIO EXECUTIVO
A Modelagem da Informação da Construção (BIM - Building Information Mo-
deling) pode ser considerada uma transição significativa na prática de projeto.
Diferentemente de CADD, cujo fim principal é a automação dos aspectos da
produção do desenho tradicional, o BIM é uma mudança de paradigma. Pela au-
tomação parcial do detalhamento de modelos de uma edificação no nível da cons-
trução, o BIM redistribui a concentração de esforços, dando mais ênfase à fase
de concepção do projeto. Outros benefícios diretos incluem métodos simples que
garantam a consistência entre todos os desenhos e relatórios, a automatização da
análise de interferência espacial, o fornecimento de uma base poderosa para in-
terface entre aplicações de análise/simulação/custos, e os avanços na visualização
em todas as escalas e fases do empreendimento.
Este capítulo examina o impacto do BIM no projeto a partir de quatro pon-
tos de vista:
•Anteprojeto, que normalmente inclui soluções de implantação, orientação
e volumetria do edifício, satisfação do programa de necessidades (incluin-
do problemas de sustentabilidade e uso de energia), custos prováveis de
operação da edificação e, às vezes, assuntos relacionados à inovação tec-
nológica. O BIM dá suporte à integração e ao feedback para a tomada de
decisões na fase de concepção do projeto.
• Integração de serviços de engenharia, o BIM dá suporte a novos fluxos de
informação, integrando-os a ferramentas de simulação e análise existentes
usadas por consultores.
• Modelagem ao nível da construção, que inclui detalhamento, especifica-
ções e estimativa de custos. Essa é a força principal do BIM.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 149

•Integração projeto-construção, focando o escopo da inovação que pode


ser alcançada por meio de um processo colaborativo projeto-construção,
como com o modelo projeto & construção.
Diferentes empreendimentos prediais podem ser categorizados de acordo
com o nível de desenvolvimento da informação requerido para sua realização,
variando de edifícios de franquias comerciais previsíveis às arquiteturas experi-
mentais. O conceito de desenvolvimento da informação facilita a distinção entre
os variados processos e ferramentas necessários para o projeto e a construção de
todo tipo de edifício.
Este capítulo também trata de aspectos da adoção do BIM na prática, como
os passos evolutivos para substituição dos desenhos 2D por modelos digitais 3D;
automação da geração de desenhos e preparação da documentação; administra-
ção do nível de detalhe nos modelos do edifício; desenvolvimento e administração
de bibliotecas de componentes e produtos; e novos mecanismos para integração
de especificações e estimativa de custos. O capítulo é concluído com uma revisão
das questões práticas que as empresas de projeto encontram quando tentam im-
plementar o BIM em suas atividades, incluindo a seleção e avaliação de ferramen-
tas BIM de autoria, treinamento, preparação do escritório, início um projeto BIM
e planejamento futuro para novos papéis e serviços na direção dos quais uma
empresa de projetos baseados em BIM deve evoluir.
A Modelagem da Informação da Construção proporcionam grandes desafios
e oportunidades para firmas de projeto. Enquanto há claros benefícios econômi-
cos para fabricantes no emprego da modelagem paramétrica 3D e interoperabili-
dade (para uso em automação e outros benefícios relacionados à produtividade),
os benefícios diretos nas etapas de projeto são de difícil mensuração. Entretanto,
a integração do BIM com análise e simulação e a melhora da qualidade do pro-
jeto, especialmente nos estágios iniciais de concepção, proporcionam um valor
agregado equivalente ou ainda maior que qualquer economia que se tenha nos
custos da construção; a qualidade do projeto é duradoura, trazendo benefícios
por toda a vida útil do edifício. O desenvolvimento dessas novas capacidades e
serviços e seu subsequente emprego para ganhar reconhecimento e servir como
base para trabalhos novos e repetitivos é um caminho recomendado a todas as
firmas de projeto, grandes ou pequenas. O BIM aumenta o valor agregado que
projetistas podem oferecer a clientes e ao público.

-
INTRODUÇAO
Em 1452, o arquiteto renascentista Leon Battista Alberti fez a distinção entre
projeto arquitetônico e construção ao propor que a essência do projeto recai no
processo do pensamento associado ao traçado de linhas no papel. Seu objetivo
era diferenciar a tarefa intelectual do projeto da fabricação artesanal da constru-
ção. Antes de Alberti, no primeiro século antes de Cristo, Vitruvius discutiu ova-
lor inerente ao uso de plantas, elevações e perspectivas para transmitir a intenção
do projeto, no que é considerado o primeiro tratado sobre arquitetura (Morgan,
150 Manual de BIM

1960; Alberti, 1987) . Ao longo da história da arquitetura, os desenhos domina-


ram a forma de representação. Mesmo agora, autores contemporâneos fazem
uma análise crítica de como diferentes arquitetos usam desenhos e croquis para
melhorar seu modo de pensar e seus processos criativos (Robbins, 1994). Adi-
mensão dessa longa tradição é ainda mais evidente na adoção dos computadores
como um auxi1io para a automação de certos aspectos do processo projeto-cons-
trução, expresso no significado original do termo CADD - projeto e desenho
assistidos por computador.
Em função dessa história, o que está sendo chamado de Modelagem da
Informação da Construção (BIM) pode ser considerado revolucionário, porque
transforma a maneira de pensar do arquiteto, substituindo desenhos por uma
nova fundação para representação de projetos e por auxiliar na comunicação, na
construção e no arquivamento baseados em modelos digitais 3D.
O BIM também pode ser entendido como o equivalente conceituai a prepa-
rar modelos em escala de edifícios dentro de um ambiente virtual computacional
3D. Diferentemente de modelos físicos, modelos virtuais podem ser exatos em
qualquer escala; eles são gravados e carregados na forma digital, podendo ser
automaticamente detalhados e analisados de maneiras que não são possíveis com
modelos físicos em escala. Eles podem conter informações que não podem ser
expressas em modelos físicos, como análises estruturais e energéticas e códigos
de custo internos para interface com uma variedade de outras ferramentas com-
putacionais.
O BIM facilita interações de diferentes ferramentas de projeto, melhoran-
do a disponibilidade da informação para elas. Também permite realimentação
proveniente das análises e simulações para o processo de desenvolvimento do
projeto. Essas mudanças, por sua vez, afetarão o modo como projetistas pensam
e os processos que eles desenvolverão. O BIM também proporciona a integração
das ideias geradas na construção e fabricação dentro do modelo do edifício, in-
centivando colaboração além daquela envolvida nos desenhos. Como resultado, o
BIM provavelmente redistribuirá o tempo e os esforços que projetistas gastam em
diferentes fases do projeto.
Este capítulo mostra como o BIM influencia toda a gama de atividades de
projeto, desde os estágios iniciais de desenvolvimento de um empreendimento,
lidando com a viabilidade e o projeto conceitua!, até o desenvolvimento do projeto
e detalhamento construtivo. Num sentido estrito, ele foca os serviços de projeto
de edificações independentemente da maneira como esse papel seja realizado:
conduzido por firmas autônomas de arquitetura ou engenharia; como parte de
uma firma integrada de arquitetura e engenharia (AE) ou por meio de uma cor-
poração com serviços internos de projeto. Dentro dessas variadas estruturas or-
ganizacionais, uma grande variedade de arranjos contratuais e organizacionais
pode ser encontrada. Este capítulo também introduz alguns dos novos papéis que
surgirão com essa tecnologia e considera as novas necessidades e práticas para as
quais o BIM dá suporte.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 1S1

Definição dos serviços tradicionais da arquitetura

Estudo preliminar
Quantitativos não espaciais e especificação textual do empreendimento, lidando
principalmente com fluxos de caixa, função ou geração de renda; associa áreas e
equipamentos necessários; inclui estimativa inicial de custos; pode sobrepor ou inte-
ragir com a fase de anteprojeto; pode sobrepor e interagir com a fase de produção
ou planejamento financeiro.

Anteprojeto
Fixa requisitos de espaço e func ionalidade, fases e possíveis necessidades de ex-
pansão; questões relativas ao terreno e contexto; restrições do código de obras e
zoneamento; também pode incluir atualização da estimativa de custos baseada nas
informações adicionadas.

Projeto Bósico (SD- Schematic Design)


Projeto preliminar do empreendimento com plantas da edificação, mostrando como
o programa do anteprojeto é materializado; modelo de massas da forma do edifício
e renderizações iniciais do conceito; determina alternativas de materiais e acaba-
mentos; identifica todos os subsistemas do edifício por tipo de sistema.

Projeto Executivo (DD - Design Development)


Plantas baixas detalhadas incluindo todos os principais sistemas de construção (pa-
redes, fachadas, pavimentos e todos os sistemas: estrutural, fundação, iluminação,
mecânico, elétrico, comunicação, segurança, acústica, etc.) com detalhes gerais;
materiais e seus acabamentos; drenagem do terreno, sistemas relativos ao terreno e
• •
pa1sag1 smo.

Projeto para Produção (CD- Construction Detailing)


Planos detalhados para demolição, preparação do canteiro de obras, terraple-
nagem, especificação de sistemas e materiais; dimensionamento de membros e
componentes e especificações para conexões de vários sistemas; testes e critérios
de aceite para os sistemas principais; todos os componentes e conexões requeridas
para integração entre sistemas.

Revisão da construção
Coordenação de detalhes, revisão de leiautes, seleção e revisão de materiais; alte-
rações requeridas quando as condições na construção não são como esperadas ou
devido a erros de execução.
152 Manual de BIM

ESCOPO DOS SERVIÇOS DE PROJETO


O projeto é a atividade em que a maior parte da informação sobre um empreen-
dimento é inicialmente definida e em que a estrutura documental é organizada
para a adição das informações em fases posteriores. Um resumo dos serviços
fornecidos pelas fases tradicionais de projeto é mostrado na Figura 5-1. O con-
trato tradicional de serviços de arquitetura sugere uma agenda de pagamentos (e,
portanto, a distribuição de tarefas) correspondentes a 15% para projeto esque-
mático, 30% para o desenvolvimento do projeto propriamente dito e 55% para a
documentação da construção (AIA 1994). Essa distribuição mostra o peso reque-
rido para a produção de desenhos.
Devido à sua habilidade de automatizar formas padronizadas de detalha-
mento, o BIM reduz significativamente a quantidade de tempo requerido para a
produção de documentos para a construção. A Figura 5-1 ilustra o relacionamen-
to entre esforço de projeto e tempo, indicando como o esforço costuma ser dis-
tribuído (linha 3) e como pode ser redistribuído como resultado da aplicação do

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1

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3
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PD SD DD CD PR CA OP
Tempo
- .l - Habilidade de causar impacto nos custos e PD: Anteprojeto
nas capacidades funcionais SD: Projeto básico
2 Custo de mudanças no projeto DD: Projeto executivo
- .J. - Processo tradicional de elaboração de projeto CD: Projeto para produção
- A- Processo recomendado de elaboração de projeto PR: Aprovisionamento
CA: Administração da construção
OP: Operação

FIGURA 5-1 Valor agregado e custo de mudanças e distribuição de compensação atual em serviços de
projeto (Curt, 2007).
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 153

BIM (linha 4). Essa alteração aproxima o esforço ao valor das decisões tomadas
durante o processo de projeto e construção (linha 1) e o crescimento no custo de
alterações durante a vida útil do empreendimento (linha 2). O diagrama enfatiza
o impacto das decisões iniciais de projeto sobre a funcionalidade geral, custos e
benefícios do empreendimento. A estrutura de honorários em alguns empreendi-
mentos já está sendo alterada para refletir o valor de decisões tomadas durante o
projeto básico e o esforço necessário diminuído para a produção de documentos
para a construção.

5.2.1 O conceito de desenvolvimento da informação


Vários empreendimentos imobiliários se iniciam em diferentes níveis de desenvol-
vimento da informação, incluindo a definição da função do edifício, seu estilo e
método de construção. No ponto mais baixo do espectro do desenvolvimento da
informação estão os edifícios comerciais, incluindo galpões e postos de gasolina,
frequentemente chamados de "caixotões", e outros edifícios com propriedades
funcionais bem definidas e com características de edifício fixas. Com esses, é
requerido um desenvolvimento mínimo da informação, e o cliente costuma saber
com antecedência o que vai ser entregue. O conhecimento do resultado esperado
é prescrito, incluindo o detalhamento de projeto, os métodos de construção e as
análises de desempenho ambiental.
No outro extremo do espectro - envolvendo o mais alto nível de desenvol-
vimento da informação - estão proprietários interessados na criação de edifícios
para novas funções sociais ou tentando repensar funções existentes, como combi-
nar um aeroporto com um porto, um hotel submarino ou um teatro para perfor-
mances experimentais com multimídia. Outros exemplos de alto desenvolvimento
da informação envolvem acordos entre o proprietário e o projetista para explorar
a aplicação de materiais não padrão, sistemas estruturais ou controles ambien-
tais. Dois dos estudos de caso do Capítulo 9 - o Centro Aquático de Pequim e o
Edifício Federal de San Francisco - são exemplos de empreendimentos de alto
desenvolvimento de informação. Suas respectivas funções levaram ao desenvolvi-
mento de novos (e nunca antes testados) sistemas que foram gerados por análise
do primeiro princípio. Por algum tempo, firmas de arquitetura e estudantes ex-
pressaram um interesse na fabricação de edifícios usando materiais e formas não
convencionais, seguindo a inspiração de Frank Gehry, Sir Norman Foster e ou-
tros. Esses empreendimentos envolvem níveis mais elevados do desenvolvimento
da informação em um curto espaço de tempo, até que tal cladding ou práticas
construtivas tornaram-se parte do arsenal de padrões e práticas convencionais.
Na prática, a maioria dos edifícios são uma composição funcional e estética
de funções sociais bem assimiladas, com algumas variações na prática de detalha-
mento e procedimentos, estilos e imagem. No lado da construção, grande parte
da arquitetura adapta-se a práticas construtivas bem assimiladas, com inovações
apenas ocasionais relativas a materiais, fabricação e montagem externa.
O escopo dos serviços de projeto, considerado a partir do nível do desenvol-
vimento da informação, pode ser simples ou elaborado, dependendo das neces-
sidades e da intenção do cliente, bem como do nível de sofisticação da equipe de
entrega do empreendimento, como mencionado anteriormente. O nível de desen-
154 Manual de BIM

volvimento da informação costuma ser coberto no escopo de contratos que defi-


nem serviços arquitetônicos, como esboçado no quadro da página 151 (Definição
dos serviços tradicionais da arquitetura). Em empreendimentos com dados para
função e construção bem definidos, a fase inicial pode ser abreviada ou omitida, e
o projeto executivo e o projeto para construção passam a ser as tarefas principais.
Em outros exemplos, viabilidade, anteprojeto e projeto básico podem ser funda-
mentais, quando maior custo e benefícios funcionais são determinados. Com tais
empreendimentos, grandes estruturas de desembolso são justificadas.

5 .2 .2 Colaborações técnicas
Serviços de projeto envolvem uma grande quantidade de questões técnicas que
dizem respeito a vários sistemas prediais e diferentes tipos de edifícios, assim
como os sistemas particulares requeridos por eles, como equipamentos para la-
boratórios ou materiais artificiais usados nos campos de estádios. Uma amostra
desses serviços típicos é apresentada no quadro a seguir. Alguns desses serviços
podem ser conduzidos pela firma principal de projeto, porém são mais comu-
mente realizados por consultores externos. Por exemplo, um estudo sobre cola-
boração nos serviços arquitetônicos (Eastman et al., 1998) com a empresa John

Gama de serviços técnicos usados durante o projeto

• Análise financeiro e fluxo de caixa


• Análise de funções primárias incluindo serviços em hospitais, asilos, aeroportos,
restaurantes, centros de convenção, edifícios-garagem, complexos teatrais, etc.
• Planejamento do canteiro de obras, incluindo estacionamento, drenagem e vias
• Projeto e análise/simulação de todos os sistemas do edifício, inclu indo:
o estrutura
o sistemas mecânico e de condicionamento de ar

o alarmes de emergência/sistemas de controle

o iluminação

o acústica

o sistemas de contenção

o conservação de energia e qualidade do ar

o circulação vertical

o segurança

• Estimativa de custos
• Avaliação de acessibilidade
• Paisagismo, fontes e plantações
• Limpeza externa e manutenção do edifício
• Iluminação externa e sinalização
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 155

Portman e Associados em Atlanta mostra que um grande empreendimento em


Xangai inclui mais de vinte e oito diferentes tipos de consultores.
A partir dessa visão geral, podemos compreender o que é bem conhecido
pela maioria das grandes empresas de arquitetura (mas menos entendido por
muitos clientes, desenvolvedores e construtoras e ainda por firmas menores de
projeto) - que projeto do edifício é um empreendimento grande e colaborati-
vo, envolvendo uma grande variedade ,, de aspectos que requerem detalhamento
técnico e competência específica. E nesse grande contexto que o BIM deve ser
operado, pela melhoria da qualidade e coordenação. Também podemos ver (a
partir da diversidade de colaboradores para este livro) que o desafio principal
na adoção da tecnologia BIM reside na necessidade de todas as partes do proje-
to de um empreendimento concordarem com novos métodos de trabalho, bem
como sua documentação e comunicação do seu trabalho. No final, todos devem
adaptar-se às práticas associadas com essa nova maneira de fazer negócios.
Esse ponto é enfatizado - implícita e explicitamente - nos estudos de caso do
Capítulo 9.
Hoje, um conjunto adicional de colaboradores está se envolvendo com mais
frequência nos estágios iniciais de projeto. São construtores e fabricantes candi-
datos à execução do empreendimento, formando as bases da execução projeto-
-construção ou outro tipo de arranjo em equipe. Esses especialistas tratam de
construtibilidade, aprovisionamento de materiais, programação de obras e assun-
tos similares.

-
USO DO BIM NO PROCESSO DE ELABORAÇAO DE
PROJETOS
As duas bases tecnológicas da Modelagem da Informação da Construção vistas
nos Capítulos 2 e 3 - ferramentas de projeto paramétrico e interoperabilidade
- oferecem muitas melhorias de processo e da qualidade da informação no pro-
cesso tradicional de projeto. Esses benefícios se distribuem por todas as fases
do projeto. Algumas das potenciais utilizações e benefícios do BIM ainda serão
encontradas, mas algumas rotas de desenvolvimento evoluíram o suficiente para
demonstrar frutos significativos. Aqui, consideramos o papel e o processo de pro-
jeto a partir de quatro pontos de vista que se aplicam em vários graus a diferentes
empreendimentos, dependendo dos níveis de desenvolvimento da informação.
O primeiro ponto de vista trata do projeto conceituai (ou anteprojeto),
como é comumente concebido. Ele envolve a geração do plano básico da edifi-
cação, sua volumetria e aparência geral, a determinação do local de implantação
do edifício e sua orientação no terreno, sua estrutura, e como o empreendimento
resolverá o programa básico da edificação. Esses são os aspectos típicos e tradi-
cionais da maioria dos empreendimentos imobiliários. O BIM pode provocar um
grande impacto no fortalecimento da qualidade das tomadas de decisão nessa
fase, baseado em um rápido feedback. Essas decisões iniciais podem ser muito
mais bem embasadas no que diz respeito ao programa do edifício, à limitação de
156 Manual de BIM

custos de construção e de operação e às (cada vez mais solicitadas) considerações


ambientais.
O segundo ponto de vista trata do uso do BIM para projeto e análise
dos sistemas prediais. Nesse caso, a análise deve ser entendida como o conjun-
to de operações para medir as flutuações de parâmetros físicos que podem ser
esperados no edifício real. A análise abrange muitos aspectos funcionais do de-
sempenho de um edifício, como integridade estrutural, controle de temperatura,
ventilação, iluminação, circulação, acústica, distribuição e consumo de energia,
abastecimento de água e esgoto sanitário, tudo sob uso variado ou sob carga
externa. Esse ponto de vista diz respeito à colaboração dos vários profissionais
envolvidos por meio da integração dos softwares de análise utilizados por eles.
Por outro lado, tais profissionais produzem os desenhos de projeto que são usa-
dos para planejar e coordenar os vários sistemas prediais. Em casos excepcionais
envolvendo o desenvolvimento de informação de alto nível, os estágios iniciais de
projeto podem implicar análises experimentais de estruturas, controles ambien-
tais, métodos de construção, uso de novos materiais ou sistemas, análises deta-
lhadas de processos do usuário ou outros aspectos técnicos do empreendimento.
Não há um conjunto de problemas que necessita de análise. O último ponto de
vista demanda colaboração intensa entre uma equipe de especialistas, requeren-
do um conjunto de ferramentas configuráveis que, quando combinadas, formam
a bancada de projeto.
O terceiro ponto de vista é o uso do BIM convencional no desenvolvi-
mento de informação no nível da construção. Os softwares de modelagem de
edifício incluem regras de colocação e composição que podem acelerar a geração
da documentação padrão ou predefmida da construção. Eles fornecem a opção
de acelerar o processo e aumentar a qualidade. A modelagem da construção é
uma força básica das ferramentas BIM implementadas. Hoje, o produto primário
dessa fase é o conjunto de documentos da construção. Mas isso está mudando.
No futuro, o modelo da construção propriamente dito servirá como a base legal
para a documentação do edifício.
O quarto e último ponto de vista envolve integração de projeto e constru-
ção. No nível mais óbvio, esse ponto se aplica a um processo projeto-construção
bem integrado na construção convencional, facilitando a construção rápida e efi-
ciente do edifício após o projeto, ou ainda em paralelo ao seu desenvolvimento.
Ele enfatiza o crescimento da utilização de um modelo do edifício para uso direto
na construção, permitindo entrada de informação para a modelagem no nível de
produção. Sendo mais ambicioso, esse aspecto envolve a solução de procedimen-
tos produtivos não padronizados, trabalhando a partir de modelos cuidadosa-
mente projetados e detalhados e dando suporte ao "projeto de produção".
Nas seções seguintes, esses pontos são descritos em mais detalhes. Em vez
dos marcos usados nos contratos de projeto tradicionais, consideramos essas
quatro grandes áreas conscientes da fluidez das mudanças inerente às sequências
correntes de desenvolvimento de projeto. Também abordamos diversos assuntos
práticos: desenhos baseados em modelo e preparação de documentos; desenvol-
vimento e administração de bibliotecas; integração de especificações, e detalhes
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 157

para estimativa de custos. O capítulo inclui algumas questões práticas do desen-


volvimento de projeto: seleção de uma ferramenta BIM, treinamento e introdução
a empreendimentos e questões de mão de obra.

5 .3.1 Anteprojeto e análises preliminares


Como mostrado nas seções anteriores, a maioria das decisões relativas a valor,
desempenho e custos de uma edificação é tomada na fase de anteprojeto. Dessa
forma, os benefícios que firmas de projeto podem oferecer a clientes estarão cada
vez mais focados na diferenciação de serviços que elas podem oferecer na fase de
anteprojeto. Anteprojeto baseado nos feedbacks das primeiras análises é especial-
mente importante para empreendimentos envolvendo médios ou altos níveis de
desenvolvimento da informação. Esperamos que isso se torne uma área cada vez
mais importante na diferenciação entre firmas de projeto.
Hoje, um número crescente de ferramentas de fácil uso (concebidas não
para produção pesada de projeto, mas como aplicativos leves e intuitivos) está
disponível e se tornou um aspecto invisível do processo criativo do projetista.
Cada uma oferece funcionalidades importantes para o projeto preliminar. Algu-
mas ferramentas se concentram na rápida modelagem 3D e geração de formas,
como Google SketchUp® (Google 2007), ou para empreendimentos maiores e
geometricamente mais complexos, como form.Z. Outros programas dão suporte
à geração de plantas a partir do programa do edifício, como Facility Composer
e Trelligence (Trelligence 2007), ou plantas e interfaces simples para análise de
energia e iluminação e outras formas de análise que são relevantes para antepro-
jetos, como o Ecotec (Square One Research 2007) 1 IES e Green Building Studio.
Outra área importante para o desenvolvimento de anteprojetos é a avaliação de
custos, que é oferecida pela Dprofiler (Beck Technology 2007) e outros. Infe-
lizmente, nenhum desses programas fornece o amplo aspecto de funcionalidade
necessário para o anteprojeto em geral, e a fácil interoperabilidade entre essas
ferramentas ainda não é realidade. Na prática, a maioria dos usuários confia em
um desses softwares. Desses, poucos são capazes de interoperar fácil e eficien-
temente com softwares BIM existentes. Segue uma rápida revisão dessas várias
ferramentas secundárias.

Ferramentas de modelagem rápida 30


As mais antigas ferramentas de anteprojeto disponíveis foram aquelas de mo-
delagem rápida 3D. form.Z pode ser considerado o avô dessa categoria, tendo
servido como ferramenta de projeto 3D desde 1989. Ele possui poderosos meca-
nismos de modelagem de sólidos e de superfície 3D capazes de representar qual-
quer forma imaginável para arquitetos e projetistas de produtos. No início, foi
considerado o mais intuitivo modelador de sólidos disponível, mas com o cresci-
mento de funcionalidades e novos competidores, form.Z é um compromisso entre
modelagem de superfícies de forma livre poderosa e intuitividade. Um exemplo
de um empreendimento desenvolvido usando o form.Z é uma estação de trem de
Pusan, Coreia (mostrado na Figura 5-2). Outros produtos com funcionalidades
158 Manual de BIM

similares são Rhino e Maxon, os quais também enfatizam habilidades de modela-


gem de forma livre.
Outras aplicações mantêm o foco na modelagem rápida 3D de espaços e
envelopes dos edifícios. Produtos desse tipo são SketchUp®e o recém-difundido
Architectural Studio®, da Autodesk. Essas ferramentas dão suporte à geração rá-
pida de desenhos esquemáticos e renderização de modo a transmitir a essência do

FIGURA 5-2 Competição de modelos usando form.Z. Cortesia de View by View, San Francisco.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 159

espaço e fachadas propostos. Exemplos de um empreendimento e múltiplas vistas


geradas no SketchUp são mostrados na Figura 5-3.
Essas aplicações dão suporte à fácil elaboração de croquis de formas
geométricas usadas na arquitetura, mas em geral não suportam tipos de objetos
ou propriedades diferentes de cores de materiais e/ ou transparência, os quais são
apenas úteis para renderização. Como resultado, não promovem boa interopera-
ção com outras ferramentas de anteprojeto como aqueles descritos acima.

Planejamento espacial
' vezes as exigências de um edifício são centralizadas em um conjunto de ne-
As
cessidades espaciais, por meio de um programa que descreve o número e os tipos
de espaço que o cliente deseja, suas respectivas áreas, serviços ambientais que
demandam, e, em alguns casos, os materiais e superfícies desejadas. As relações
essenciais entre esses espaços são mais detalhadas de acordo com práticas orga-
nizacionais; por exemplo, acessos requeridos entre diferentes alas e unidades de
tratamento em um hospital.
Planejamento espacial envolve organização das necessidades espaciais defi-
nidas pelo cliente e sua expansão para incluir armazenamento, suporte, mecânica
e outros espaços complementares. Em geral, essas aplicações retratam o progra-
ma espacial em duas formas: como uma série de itens em linha em uma planilha
e como um diagrama de blocos mostrando a planta baixa proposta. Os softwa-
res que incorporam essa funcionalidade são Visio Space Planner®, Vectorworks®
Space Planning Tool, Trelligence®, e o Army Corps of Engineers' Facility Com-
poser. O intercâmbio de Autodesk Revit®e ArchiCAD® com Trelligence fornece
recursos similares de planilha com essas ferramentas BIM de projeto. Uma com-
posição de três imagens de tela do Facility Composer é mostrada na Figura 5-4,
que ilustra a planilha de tipos de espaço, indicando o que foi lançado (real) e o
que ainda precisa ser lançado (disponível) por edifício e por pavimento. A planta

FIGURA 5-3 Estudo de volumetria realizado com o SketchUp.


160 Manual de BIM

de um pavimento e o arranjo da volumetria do edifício (como um todo) também


são mostrados na Figura 5-4.
Essas aplicações representam explicitamente os espaços em um edifício,
com ou sem o desenvolvimento de seu fechamento. Uma planilha mostra a loca-
ção do leiaute corrente em relação às necessidades do programa espacial. Todos
os programas de planejamento espacial atuais suportam volumetria baseados em
um pedaço de papel em branco sem os limites do envelope; dessa forma, nenhum
parece suportar a geração de leiautes dentro da envoltória de dado edifício, ou na
forma que captura uma imagem-alvo. Essas ferramentas fornecem outro conjun-
to de habilidades de projeto básico importantes, mas incompletas.

Análise ambiental
O terceiro tipo de aplicação e interface foca o uso da energia e os aspectos am-
bientais de um projeto candidato. IES Virtual Building®, Ecotect®e Green Buil-
ding Studio são três produtos nessa área. Algumas imagens do Ecotect, com re-
trospecto de desempenho ao modelo de um edifício, são mostradas na Figura 5-5.
Esses produtos operam por meio de um misto do modelo simplificado do edifício

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H f~llOft (,)fle!I f~I! fí'ntflri

FIGURA 5-4 Como a maioria dos sistemas de planejamento espacial, Facility Composer dá
suporte ao desenvolvimento de diagramas volumétricos baseados em uma planilha de programa
e compara o leiaute corrente em relação a dado programa.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 161

e com tradutores diretos para aplicações existentes de análise/simulação. Ecotect e


IES têm seus próprios modelos de edifício com habilidades para geração e edição
de formas e algumas das funcionalidades das aplicações da modelagem rápida 3 D.
Com sistemas para desenho, a preparação do conjunto de dados para a exe-
cução de uma aplicação era tão lenta e complicada que, se aplicada ao todo, ela
seria relegada aos estágios posteriores do projeto. Com o BIM, as interfaces de
aplicações podem ser automatizadas, permitindo retroalimentação quase em tem-
po real nas ações de projeto. Essas aplicações de análise ambiental incorporam
interfaces para um conjunto de análises de energia, iluminação artificial e natural,
saída de incêndio e outras aplicações de avaliação, permitindo análise rápida de
projetos básicos. gbXML fornece uma interface de ferramentas de projeto BIM
existentes aos seus conjuntos de aplicações de análises. As diferentes interfaces
suportadas por Ecotect, IES e gbXML são mostradas na Tabela 5-1.
Essas ferramentas de análise ambiental oferecem uma visão dos comporta-
mentos associados com um dado projeto e fornecem uma avaliação antecipada da
energia bruta e do uso da iluminação, bem como uma estimativa dos custos ope-
racionais. Até agora, esses desempenhos eram apoiados principalmente na expe-
riência do projetista e em boas práticas. Essas aplicações têm uma compatibilidade
limitada com ferramentas de projeto BIM existentes (como visto no Capítulo 2).
Nesse sentido, as interfaces para exportação de dados em gbXML estão disponí-
veis no ArchiCAD®, Bentley Architect e Revit®. O Ecotect possui interface em IFC
com ArchiCAD®e Digital Project. O IES tem uma interface direta com Revit®.

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1

(A) Análise de insolação. "


Ganho solor do solo no ano ~ (B) Análise CFD de temperatura

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-.J:<c.t-'--'_ l
l 1
(C) Estudos de sombreamento, (D) Análise acústica. Células 30 com
visualização em seção de corte períodos distintos de reverberação

FIGURA 5-5 Imagens do Ecotect mostrando A) ganho de aquecimento solar entre edifícios, B)
dinâmica computacional de fluidos de fluxos termais em um edifício, C) radiação solar no interior
de um edifício e D) análise acústica.
162 Manual de BIM

Tabela S-1 Análises que são suportadas por aplicações do modelo do edifício

Ecotect - modelo próprio do edifício mais entrada IFC

DAYSIM simulador de iluminação


Radiance simulador de iluminação
CIBSE análise de energia
Energy+ análise de energia
análise de radiação solar
análise acústica de tempo de reverberação
NIST-FDS, Fluente WinAir4 interface geral para múltiplas análises de dinâmica computacional
de fluidos

IES - modelo próprio da edificação mais conexão direta com Autodesk Revit®

ApacheCalc perda e ganho de aquecimento


Apacheloads carregamentos para aquecimentos e resfriamentos
ApacheSim simulação de dinâmica termal
ApacheHVAC simulação de sistemas de ventilação e ar condicionado
SunCast sombreamento à luz solar
MacroFlo simulação da ventilação natural e sistemas de modos fixos
MicroFlo aplicação para dinâmica computacional de fluidos para interiores
Deft engenharia de valor
CostPlan estimativa de capital de custo
LifeCycle estimativa de custos operacionais no ciclo de vida
lndusPro leiaute e dimensionamento de dutos
PiscesPro sistemas de tubulação
Simulex evacuação de edifícios
Lisi simulador de elevadores

gbXML - conexão XML a partir do Autodesk Revit®, Bentley Architecture e ArchiCAD

DOE-2 simulação de energia


Energy+ simulação de energia
Trane2000 simulação de equipamentos
informação de produto da edificação

Ferramentas de análise ambiental também requerem uma significativa quan-


tidade de informação específica do empreendimento, incluindo detalhes que po-
dem afetar a luz do sol incidente e qualquer objeto ou efeito que pode restringir
os raios solares ou as vistas de estruturas existentes, como localização geográfica,
condições climáticas, estruturas ou topologia. Esse tipo de informação não é co-
berto em uma ferramenta de projeto BIM, mas por ferramentas secundárias de
' vezes, esses conjuntos de dados distribuídos introduzem problemas a
análise. As
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 163

nível de administração, como a determinação de que análise deu quais resultados


e baseados em qual versão do projeto. Nesse aspecto, repositórios podem ter um
papel importante (veja o Capítulo 3) .
Em uma visão mais ampla, os formatos de intercâmbio suportados por todas
as ferramentas de anteprojeto são mostrados na Tabela 5-2. Nesse momento, a
maioria das informações geradas por essas ferramentas deve ser recriada no pro-
cesso de transferência para uma ferramenta BIM.

Tabela 5-2 Aplicações de anteprojeto e formatos de intercâmbio de arquivos suportados por elas

Formatos de importação Formatos de exportação

...J ...J V'l

V'l u.. w V'l (.!) u.. w 1-

o X o ~ X o:: (.!) ~

Aplicação o o > - Outros o o > - V'l Outros

Volumetria e croquis
SketchUp • • • • • • • obj, Epix
form.Z • • • • • act, obj, • • • • • • act, Epix,
rib, w3d, Artl,
stp, stl, obj, rib,
3dmf w3d, stp,
stl, 3dm
Rhino • • • • obj, stp, • • • • • • 3dm, stp,
stl, 3dm obj, x_t,
stl, xgl
Maxon • • • direct3d, • • • direct 3d,
stl, cct stl, cct
Planejamento espacial
MS Visio • • wmf, xls xls
Vectorworks • • • • • • • • stl, epix
Facility Composer • IFC, stp • IFC, stp
Trelligence • • gml, CSV

Análise de ambiente
IES • • dgn, Revit®
gbXML,
Revit®
Ecotect • IFC • •
GreenBuilding Studio • rvt, dgn, •
XML
164 Manual de BIM

Outros assuntos sobre anteprojetos


Para completar o que tem sido entendido como projeto básico, dois outros as-
pectos de um projeto também devem ser definidos: desenvolvimento do canteiro
(incluindo condições existentes) e identificação de tipologias de cada um dos sis-
temas prediais. O desenvolvimento do canteiro envolve a implantação do edifício,
elevação, definição de todos os contornos e melhorias do terreno e do solo, e o
escopo geral do seu desenvolvimento. O uso do terreno é com frequência um as-
pecto importante de um anteprojeto geral. Algumas ferramentas de projeto BIM
dão suporte ao planejamento do uso do solo, como listado na Tabela 2-1, e algu-
mas ferramentas de análise ambiental suportam estudos do terreno, bem como
da insolação e do vento. Pelo nosso conhecimento, funções do espaço externo
podem ser tratadas como ferramentas de planejamento espacial usando espaços
em blocos para criar alocação de leiautes no terreno.
Anteprojetos costumam envolver a identificação do tipo de cada um dos
sistemas prediais, incluindo estrutural, energia, ventilação e ar condicionado, ilu-
minação e circulação vertical. Essa informação é necessária para a geração da
estimativa inicial de custos no estágio preliminar; a verificação de que o empre-
endimento encontra-se em um intervalo economicamente viável e a satisfação
do programa. A maioria das aplicações de análise ambiental existentes identifica
sistemas de ventilação e ar condicionado, mas não o sistema estrutural ou outros.
Tradicionalmente, a estimativa de custos para pequenos empreendimentos
(no estágio de concepção) envolvia cálculos rápidos baseados em uma única uni-
dade de medida bruta, como metro quadrado ou número de cômodos. A vali-
dação do anteprojeto proposto para grandes empreendimentos costuma impli-
car uma estimativa de custos detalhada preparada por um consultor. Com uma
configuração própria, o BIM dá suporte a uma rápida geração de estimativa de
custos. Tornou-se praticável a obtenção de uma estimativa de custos por meio da
exploração de conceitos e do processo de desenvolvimento. Enquanto nesse nível
do desenvolvimento de projeto apenas uma estimativa grosseira dos custos da
construção pode ser gerada, a informação dada pode antecipar preocupações ao
projetista, ou ainda oferecer a confiança de que o projeto proposto pode ser de-
senvolvido dentro do orçamento do empreendimento. Essas questões associadas
com a geração de estimativas de custo quase em tempo real são vistas nas Seções
5.3.2 e 6.6.
O único software disponível para representação de todos os sistemas pre-
diais e que dá suporte à estimativa de custos no nível da concepção é o Dprofi-
ler. Ele permite uma rápida composição de um modelo de concepção e geração
de uma estimativa de custos; contudo, pode ser usado apenas para certos tipos
de edifícios predefinidos. Como ferramentas de concepção relativas a energia, o
modelo de edifício do Dproftler é distinto e suporta exportação apenas por DXF /
DWG para outras aplicações, como as ferramentas de anteprojeto listadas ante-
riormente ou ferramentas de projeto BIM. Dproftler é descrito com mais detalhes
no estudo de caso do empreendimento Comercial Hillwood no Capítulo 9.
Outro aspecto do entendimento do contexto da edificação reside na ob-
tenção das condições "como construídas" (as-built). Essa é uma questão crítica
para reajuste de trabalho e remodelagem. Novas tecnologias de levantamentos,
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 165

baseadas em leituras a laser com nuvem de pontos, oferecem uma nova e valiosa
técnica para capturar as condições como construídas. Tais tecnologias são discu-
tidas no Capítulo 8.

Revisão de anteprojeto
Ferramentas de anteprojeto devem balancear a necessidade de dar suporte ao
processo intuitivo e criativo (quando o esquema de um projeto básico está primei-
ramente sendo definido e explorado) com a habilidade de fornecer uma rápida
avaliação e retorno baseado em uma variedade de ferramentas de simulação e de
análise, permitindo um projeto mais "informado". Infelizmente, cada uma dessas
ferramentas desempenha apenas parte de toda a tarefa, o que requer traduções
entre elas e com as principais ferramentas BIM discutidas no Capítulo 2.
Nenhuma das ferramentas disponíveis dá suporte ao escopo completo dos
serviços de anteprojeto. Elas exigem que os usuários desenvolvam ou mantenham
habilidades em inúmeros programas, cada um com interfaces diferentes, ou pre-
encham os vazios por confiar em modos de avaliação manual baseados em papel
(ou, mais comumente, na intuição). Troca de dados e fluxos de informação entre
esses aplicativos também são limitados, como mostra a Tabela 5-2. Em grandes
firmas, as várias tarefas associadas a projeto básico (e suas aplicações de suporte)
podem ser divididas entre diversas pessoas utilizando interfaces personalizadas
baseadas em API. Pequenas empresas geralmente selecionam uma dessas ferra-
mentas e esquecem os benefícios de usar múltiplas devido ao custo de desenvol-
vimento personalizado de fluxos de informação entre elas.
Rumo ao fim da fase de projeto básico, o resultado dessas aplicações deve
ser transferido para uma ferramenta geral de projeto BIM. De maneira ideal, tal
intercâmbio seria fácil e bidirecional, permitindo análises simples ou gerações de
formas complexas para serem revisadas e reavaliadas. No entanto, como observa-
do anteriormente, mesmo na direção principal essa transferência ainda não é bem
resolvida por ferramentas BIM existentes.
Como essas diversas ferramentas de anteprojeto poderiam ser integradas?
Há pelo menos quatro maneiras de integrar as diferentes funcionalidades neces-
sárias para projeto básico, como visto aqui: (1) uma única aplicação é desen-
volvida para cobrir todas as funcionalidades; isso ainda não aconteceu; (2) um
grupo de aplicações integradas poderia ser desenvolvido, baseado em um plano
de negócios que é mutuamente útil a várias companhias, usando um conjunto de
tradutores diretos ou plug-ins; isso também não aconteceu, mas alguns arranjos
já existem; (3) as aplicações suportam uma interface padrão, pública e neutra
de intercâmbio (como IFC) e baseiam-se nela para promover integração; isso
começou a existir, como no caso do Ecotect; (4) as ferramentas interativas BIM
expandem suas habilidades, como o Revit®ou o ArchiCAD®, para incluir as fun-
cionalidades vistas aqui. Todos, menos o primeiro desses esforços de integração,
estão sendo aplicados em vários graus.
Para resumir, enquanto serviços de vanguarda associados a anteprojeto es-
tão se tornando cada vez mais importantes à medida que o BIM é adotado, a base
tecnológica ainda não está em condições de dar suporte a tal mudança. Ferra-
mentas existentes de anteprojeto fornecem apenas soluções muito limitadas. Por
166 Manual de BIM

outro lado, ferramentas de criação de modelos BIM geralmente são complexas


demais para serem usadas na elaboração de croquis e geração de formas. Papel
e caneta permanecem como ferramentas dominantes em tais trabalhos. Em um
futuro próximo, autores antecipam um progresso evolucionário nessa área, com
sistemas de solução de anteprojeto efetivos emergindo em pouco tempo.

5 .3.2 Projeto de sistemas prediais e análise/simulação


Como o projeto continua após o estágio de concepção, os sistemas requerem
especificações detalhadas. Sistemas mecânicos exigem dimensionamento, e o sis-
tema estrutural deve ser lançado. Em geral essas tarefas são realizadas por meio
da colaboração de engenheiros especialistas, dentro ou fora da organização do
projeto. Como o anteprojeto, a colaboração efetiva entre essas atividades aponta
para uma área de mercado diferenciada.
Nesta seção, examinamos questões gerais associadas à aplicação de análise
e a métodos de simulação para o projeto. Primeiramente, focamos no uso de tais
aplicações como parte do processo de avaliação normal de desempenho durante
o detalhamento dos sistemas prediais nos estágios posteriores de projeto. Em
contraste com aplicações anteriores, as aplicações nessa fase são complexas e
normalmente operadas por especialistas de domínio técnico. Consideramos áreas
de aplicação e alternativas de software existentes: algumas das questões relativas
ao seu uso e à troca de informações; e métodos de integração e questões gerais
relativas à colaboração. Concluímos com o exame do uso especial de análise e
modelos de simulação que exploram aplicações inovadoras, de novas tecnologias,
materiais, controles ou outros sistemas para edificações. E importante observar
que tal arquitetura experimental geralmente requer ferramentas e configurações
especializadas.

Software de análise/simulação
Conforme o projeto se desenvolve, os detalhes relativos aos vários sistemas do
edifício devem ser determinados para validar estimativas anteriores e para especi-
ficar os sistemas de tentativas, produção e instalação. Esse detalhamento envolve
uma grande variedade de informações técnicas.
Todos os edifícios devem satisfazer suas funções estruturais, de condiciona-
mento ambiental, distribuição de água potável e coleta de esgoto sanitário, prote-
ção contra incêndio, distribuição de eletricidade e outras forças, comunicações,
e demais funções básicas. Enquanto cada uma dessas habilidades e dos sistemas
requeridos para suportá-las podem ter sido identificados anteriormente, suas es-
pecificações para conformidade com normas técnicas, certificações e objetivos do
cliente requerem definições mais detalhadas. Além disso, os espaços em um edi-
fício também são sistemas de circulação e acesso, sistemas de funções organiza-
cionais suportadas pela configuração espacial. Ferramentas para análises desses
sistemas também estão começando a ser usadas.
Em empreendimentos simples, a necessidade de conhecimento especializa-
do no que diz respeito a esses sistemas pode ser discutida pelos membros-líderes
de uma equipe de projeto, mas, em edifícios de maior complexidade, em geral
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 167

eles são manipulados por especialistas da própria firma ou terceirizados como


consultores de um projeto específico.
Ao longo das duas últimas décadas, um grande número de recursos de aná-
lises computadorizadas foi desenvolvido, muito antes do surgimento do BIM. Um
grande conjunto desses recursos é baseado na física das construções. Com dese-
nhos (eletrônicos ou manuais), um esforço significativo foi requerido para prepa-
rar um conjunto de dados necessários para executar tais análises. Com interfaces
automatizadas, um fluxo de trabalho mais colaborativo é possível, permitindo a
muitos especialistas de diferentes domínios trabalhar juntos para gerarem um
projeto final.
Uma interface efetiva entre ferramentas BIM e uma aplicação de análise/
simulação envolve pelo menos três aspectos:
1. Aplicação (e relações) de atributos específicos na ferramenta BIM con-
sistente com aqueles requeridos para a análise.
2. Métodos de compilação de um modelo de dados analítico que con-
tém abstrações apropriadas da geometria do edifício para que funcione
como uma representação válida e exata da edificação para o software
específico de análise. O modelo analítico que é abstraído do modelo
físico BIM será diferente para cada tipo de análise.
3. Um formato de intercâmbio de arquivos que seja mutuamente aceito,
visando a transferência de dados. Tais transferências devem manter as-
sociações entre o modelo de análise abstrato e o modelo físico BIM e
incluir informação de ID para dar suporte a atualizações incrementais
em ambos os lados do intercâmbio.
Esses aspectos são o centro da promessa fundamental do BIM de afas-
tar a necessidade de múltiplas entradas de dados para diferentes aplicações de
análise, permitindo que o modelo seja organizado diretamente e em um curto
período de tempo. Quase todas as ferramentas de análise de edificações exigem
processamento extensivo do modelo geométrico e definição de propriedades
dos materiais e das cargas aplicadas. Nas ferramentas BIM que incorporam
essas três habilidades, a geometria pode ser derivada diretamente do modelo
comum, as propriedades dos materiais podem ser atribuídas de maneira auto-
mática a cada análise, e as condições de carregamento podem ser armazenadas,
editadas e aplicadas.
O modo pelo qual as análises estruturais são manipuladas ilustra bem es-
ses aspectos. Uma vez que as aplicações para o projeto arquitetônico não geram
ou representam membros estruturais de maneira adequada para a execução de
análises estruturais, algumas companhias de software oferecem versões separa-
das dos seus softwares BIM para a promoção de suas potencialidades. Revit®
Structures e Bentley Structures são dois exemplos de softwares que fornecem
objetos básicos e relações utilizados por engenheiros estruturais - como colu-
nas, vigas, paredes, lajes, etc. - de modo que são completamente
, interoperáveis
com os mesmos objetos nas suas aplicações BIM irmãs. E importante obser-
var, entretanto, que eles carregam uma representação dupla, adicionando uma
representação idealizada do tipo nós e barras da estrutura. Eles também são
capazes de representar carregamentos estruturais e combinação de cargas e o
168 Manual de BIM

comportamento abstrato das conexões (por exemplo, seus graus de liberdade),


necessários para a aprovação do edifício de acordo com as normas técnicas.
Essas potencialidades fornecem aos engenheiros interfaces diretas para a exe-
cução de aplicações de análise estrutural. A Figura 9.8-2, no estudo de caso do
estacionamento Penn National (Capítulo 9), mostra o modelo de uma parede
de cisalhamento em uma ferramenta BIM e os resultados da análise quando um
carregamento lateral é aplicado.
A análise de energia tem suas próprias exigências especiais: um conjunto de
dados para representação da envoltória externa para radiação solar; um segundo
conjunto para representação de usos das zonas internas e geração de calor; e um
terceiro conjunto para representação da planta mecânica do sistema de aqueci-
mento, ventilação e ar condicionado. A preparação de dados adicionais por parte
do usuário, em geral um especialista em energia, é necessária. Normalmente,
apenas o primeiro desses conjuntos é representado em uma ferramenta típica de
projeto BIM.
Simulação de luminotécnica, análise acústica e simulações de fluxo de ar
baseadas em dinâmica computacional de fluidos (CFD) têm suas próprias neces-
sidades de dados particulares. Enquanto questões relativas à geração de dados de
entrada para a análise estrutural são bem entendidas, e a maioria dos projetistas
são experientes com simulações de iluminação (por meio do uso de pacotes de
renderização), as necessidades de entrada para permitir outros tipos de análise
são menos entendidas e requerem configuração e competência significativas.
O fornecimento de interfaces para preparação de tais conjuntos de dados
especializados é uma contribuição essencial dos modelos de ,.edificações para a
análise ambiental de propósito especial vista na Seção 5.3.1. E provável que um
conjunto de ferramentas de preparação para a execução de análises detalha-
das emergirá embutido em futuras versões de ferramentas primárias de projeto
BIM. Essas interfaces embutidas facilitarão a verificação e preparação de dados
para cada aplicação individual, como tem sido feito nos projetos preliminares.
Um ftltro de análise apropriadamente implementada: (1) verificará se os dados
mínimos estão geometricamente disponíveis no modelo BIM; (2) abstrairá a
geometria requerida do modelo; (3) atribuirá o material necessário ou os atri-
butos de um objeto; e (4) solicitará mudanças nos parâmetros necessários para
a análise.
As aplicações de análise/ simulação usadas para projeto detalhado são mos-
tradas na Tabela 5-3. Os formatos públicos de intercâmbio de dados e as conexões
proprietárias diretas com ferramentas de projeto BIM específicas são listados. As
conexões diretas são construídas usando interfaces padrão por meio de software
público de mediação, como ODBC ou COM, ou interfaces proprietárias, como
o GDL do ArchiCAD® ou o MDL da Bentley. Essas trocas deixam porções do
modelo do edifício acessíveis para o desenvolvimento da aplicação.
O CIS/ 2, que é o formato público de intercâmbio de arquivos mais utili-
zado, é o resultado de um esforço de desenvolvimento intenso da indústria de
estruturas metálicas (veja o Capítulo 3 para detalhes). Ele fornece uma extensa
cobertura de intercâmbio para aplicações de análise estrutural, mas apenas para
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 169

Tabela S-3 Algumas das aplicações comuns de análise/simulação e seus recursos para
intercâmbio de dados

Formatos de Formatos de
importação exportação

11'1 u u... z 1- X u u... z

- u... X o - u... X o

Aplicação u - o 11'1 u - o 11'1 Conexão direta

Análise estrutural SAP200,ETABS • • • • Revit®


Structures
STAAD-Pro • • Tekla
Structures,
Bentley
RISA • • • Revit®
Structures
GT-STRUDL • • •
Rev1t
RAM • • • · ®
Structures
Robobat • • Revit®
Structures
Análise de energia DOE-2
EnergyPlus • • • • Ecotect
Apache • IES
ESP-r • • Ecotect
Equipamentos TRNSYS
A •
mecan1cos Carrier E20-l I
Simulação
Análise de Radiance • • ArchiCAD®
luminotécnica /
Simulação
Análise acústica Ease •
Odeon •
Fluxo de ar/CFD Flovent • •
Fluent
MicroFlo IES
Análise de função EDM Model •
do edifício Checker
Solibri •
170 Manual de BIM

estruturas de aço. Esforços vêm sendo aplicados para fazer do IFC uma estrutura
viável para análise estrutural, e, em um grau menor, para análise energética. Tra-
balhos iniciais têm sido feitos para permitir que modelos IFC suportem ganhos de
radiação anual, mas não simulações de iluminação, acústica ou de fluxo de ar. Tal
esforço minucioso do modelo IFC pode ser esperado conforme a tecnologia BIM
é mais amplamente adotada.
Um formato uniforme de intercâmbio direto que dê suporte a todos os tipos
de análise não é comum, pois diferentes análises requerem diferentes abstrações
do modelo físico, com propriedades específicas de cada tipo de análise. A maioria
das análises requere estruturação cuidadosa dos dados de entrada por parte do
projetista ou engenheiro que prepara o modelo.
O conteúdo examinado anteriormente foca na análise quantitativa do
comportamento físico das edificações. Critérios menos complexos, mas ainda
complicados, devem ser avaliados, como segurança contra incêndio e aces-
sibilidade do portador de necessidades especiais. Recentemente, com a dis-
ponibilidade de formatos neutros (IFC), modelos de edifícios facilitaram dois
produtos que suportam conferência de modelos baseados em regras. Solibri é
considerado uma ferramenta de escrita (incluindo gramática) para modelos de
edifícios. EDM ModelChecker™ fornece uma plataforma para conferência da
adequação diante de normas técnicas de um grande edifício e outras formas
de avaliações de configurações complexas. EDM é a plataforma usada em CO-
RENET (CORENET, 2007), uma iniciativa para confrontar um edifício com
códigos de obras de Cingapura. Uma iniciativa similar está em andamento na
Austrália (Ding et al., 2006) .
Solibri (Solibri, 2007) implementou a aplicação denominada Space Pro-
gram Validation para GSA (GSA, 2006) e está em processo de desenvolvimento
e testes adicionais para entrada em circulação. Um aspecto do Space Program
Validation para a derivação da área de um espaço é mostrado na Figura 5-6. A
aplicação compara áreas do programa com as áreas do leiaute, baseada no méto-
do de cálculo de áreaANSI-BOMA, para avaliar a compatibilidade com o progra-
ma espacial. Tais aplicações de avaliação que lidam com avaliações quantitativas
e qualitativas se tornarão mais amplamente usadas à medida que representações
padrão se tornarem mais disponíveis.
Algumas ferramentas de projeto BIM fornecem recursos para a avaliação da
programação espacial da edificação. Revit®possui recurso para avaliação de pla-
nejamento espacial, enquanto ArchiCAD®tem um plug-in (Trelligence Affinity™)
que oferece recursos similares.

Melhoria do desempenho organizacional em edifícios


Enquanto o desempenho da envoltória de um edifício é óbvio e atrelado ao seu
projeto e construção, edifícios também são construídos para hospedarem servi-
ços de saúde, negócios, transporte, educação, entre outras funções. O espaço
construído pode contribuir para o funcionamento eficiente das operações a que é
destinado, que são óbvias no caso de edifícios industriais, nos quais o leiaute de
operações é bem compreendido para que haja eficiência no processo produtivo.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 171

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FIGURA 5-6 Exemplo derivado da área espacial do ANSl-BOMA para comparação com a área
especificada do programa. Imagem cedida pelo Escritório Chief Architect, Public Building Service,
U.S. General Services Administration.

A mesma lógica tem sido aplicada aos hospitais, com base no reconhecimento de
que médicos e enfermeiros passam uma quantidade significativa de tempo por dia
andando. Recentemente, questões de desenvolvimento na distribuição de espaços
que podem suportar variados procedimentos emergenciais em unidades de trau-
ma e de tratamento intensivo também vêm sendo estudadas.
O tempo de processamento em aeroportos é algo que, todos nós enfrenta-
mos e pode ser afetado pelo planejamento do aeroporto. A medida que a força
de trabalho se torna mais orientada à produção criativa, os ambientes abertos e
amigáveis encontrados no Vale do Silício se tornarão comuns em todo lugar. A
crescente percentagem do PIB dedicado à área de saúde indica que os benefícios
que podem ser alcançados por meio de um projeto melhorado - associado a no-
vos procedimentos - estão em uma área de grande valor e de intensa análise e
estudo. Se arquitetos adotarem tais recursos analíticos, a integração de projetos
de edificações com modelos de processos organizacionais, comportamento de
circulação humana e outros fenômenos relacionados se tornará claramente um
aspecto importante da análise de projeto.
Em geral, essas questões são guiadas pelo reconhecimento das necessi-
dades por parte do proprietário, e são discutidas na Seção 4.5. 7. A motivação
para tais estudos tomados como serviços especializados de projeto é discutida na
Seção 5.4.1.
172 Manual de BIM

Estimativa de custos
Enquanto programas para análise e simulação tentam prever vários tipos de com-
portamento do edifício, a estimativa de custos envolve um tipo de análise e pre-
visão diferente. Como as análises prévias, ela precisa ser aplicável a diferentes
níveis de desenvolvimento de projeto, tirando vantagem da informação disponível
e assumindo pressupostos normativos relativos ao que está faltando. Uma vez que
a estimativa de custos lida com questões relevantes para o proprietário, a cons-
trutora e os fabricantes, ela também é discutida a partir dessas várias perspectivas
nos Capítulos 4, 6 e 7, respectivamente.
Até pouco tempo, as unidades de produto ou de materiais para um em-
preendimento eram medidas e estimadas por meio de contagem manual e de
cálculo de áreas, acarretando, como todas as atividades humanas, erros e perd.a
de tempo. Entretanto, modelos de informação da construção agora possuem
objetos distintos que podem ser facilmente contados, e, com volumes e áreas
de materiais, podem ser computadas quase instantaneamente de maneira auto-
mática. Dados específicos extraídos de uma ferramenta de projeto BIM podem,
portanto, fornecer uma contagem acurada das unidades de produtos e materiais
de uma edificação necessárias para a estimativa de custos. O estudo de caso
do Tribunal Federal (Capítulo 9) dispõe de tabelas indicando as variações gera-
das por diferentes frrmas que produzem manualmente o orçamento de materiais
para fundações de concreto, como um componente da estimativa geral de cus-
tos. Uma revisão mais completa de sistemas de estimativa de custos é apresenta-
da na Seção 6.6.
A estimativa de custos integrada com uma ferramenta de projeto BIM per-
mite a projetistas executar engenharia de valor enquanto estão projetando, consi-
derando alternativas, à medida que projetam, que fazem melhor uso dos recursos
de seus clientes. Seguir práticas tradicionais e remover itens de custo no final do
empreendimento, quando a facilidade de fazer mudanças, em vez de mudanças
mais eficazes, é o critério, leva a resultados fracos. Fazer engenharia de valor en-
quanto o empreendimento está sendo desenvolvido permite avaliações práticas ao
longo da fase de projeto.

Colaboração
Durante a fase de projeto, o trabalho colaborativo é realizado entre as equipes de
projeto, os consultores de engenharia e os especialistas técnicos. Esse trabalho
consultivo envolve o fornecimento de informações apropriadas relativas ao pro-
jeto do empreendimento, seu uso e contexto para que tais especialistas procedam
com a revisão e o recebimento de feedback/ avisos/ solicitações de alterações, etc.
A colaboração às vezes envolve solução de problemas entre equipes, em que cada
participante entende apenas parte do problema inteiro. Tradicionalmente, essas
colaborações se baseiam em desenhos, fax, chamadas telefônicas e encontros pre-
senciais. A mudança atual para documentos e desenhos eletrônicos oferece novas
opções para a transferência eletrônica de arquivos, troca de e-mails e conferên-
cias pela web com modelos e revisão de desenhos online.
A maioria dos grandes sistemas BIM inclui suporte para revisões e anota-
ções do modelo e dos desenhos. Novas ferramentas apresentam modelos 3D de
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 173

edifícios ou desenhos 2D para revisão, sem a complexidade da capacidade de


geração de modelos completos. Essas aplicações (de visualização apenas) seba-
seiam em formatos similares a arquivos de referência externa usados em sistemas
para desenhos, mas estão se tornando rapidamente mais poderosos. Um modelo
de edifício compartilhado em um formato neutro, como VRML, IPC, DWG ou
Adobe®3D, é gerado com facilidade, compactado para fácil transmissão, e per-
mite marcações e revisões e colaboração por conferências via web. Alguns desses
visualizadores de modelos incluem controles para administração de quais objetos
são visíveis e para visualização de propriedades dos objetos. Em um futuro pró-
ximo, ,clientes exigirão cópias de modelos para revisões e avaliações adicionais.
E importante reconhecer, mesmo que apenas em retrospecto, a dificuldade
inerente à leitura e compreensão de seções 2D e detalhes. Comparativamente,
a maioria das pessoas é apta a ler e entender um modelo 3D, o qual permite
um planejamento e processo de revisão mais inclusivos e intuitivos. Isso é im-
portante principalmente para clientes que não possuem a experiência necessária
para interpretar desenhos 2D. Revisões regulares com todas as partes envolvidas
em um projeto ou construção podem ser conduzidas usando modelos 3D BIM
com ferramentas como Webex®, GoToMeeting®, ou Live Meeting® da Microsoft.
Participantes de uma conferência podem estar distribuídos pelo mundo e estão
limitados apenas a padrões de trabalho/ descanso e diferenças de fuso horário.
Com ferramentas de compartilhamento de voz e imagens - juntamente com a ha-
bilidade de compartilhar modelos de edifícios -, muitas questões de coordenação
e colaboração podem ser resolvidas.
A colaboração acontece em dois níveis: primeiro com as partes envolvidas,
usando encontros via web e monitores, como aqueles descritos anteriormente; o
outro nível envolve compartilhamento de informações do empreendimento. Além
disso, a oportunidade de colaboração próxima entre projetistas requer a definição
das estruturas de intercâmbio de dados que são aptas a dar suporte à colabora-
ção e manter consistência entre modelos à medida que as revisões de projeto são
feitas. Para explicar a ideia, consideremos o caso de uma análise estrutural, com
base na descrição das ferramentas e dos formatos de intercâmbio apresentados
anteriormente. Esse exemplo pode ser estendido a outros tipos de informações
compartilhadas de projeto.
Uma vez que os sistemas do modelo do edifício estão prontos para análise
e um formato de intercâmbio de dados está disponível, um intercâmbio de dados
pode ser iniciado. Como visto no Capítulo 3, fluxos de trabalho podem ser arti-
culados para intercâmbio de um refinado conjunto de informações e diálogos. No
nível básico, os formatos de intercâmbio podem ser reduzidos a dois tipos:
1. Como um fluxo de mão única da ferramenta de projeto BIM para a
aplicação de análise. A Figura 5-7 mostra um diagrama desse fluxo.
O projetista passa o arranjo estrutural e seus carregamentos (se conhe-
cidos) e quaisquer impedimentos relativos às seções transversais para
o projetista estrutural. Esse projetista adiciona suposições sobre cone-
xões, condições de carregamentos e outros comportamentos estrutu-
rais. Baseado nos resultados iniciais da análise, o engenheiro estrutural
pode tentar diferentes alternativas e propor alterações para o projetista.
174 Manual de BIM

Ferramenta de projeto BIM Pacote de análise


(projetista/engenheiro) (engenheiro estrutural)

atualização manual
Alterações
mescladas -------- - Execução da análise

Geometria
Casos de
abstraída Entrada dos dados
Modelo do edifício ~- i'+'t - carregamento
Projeto inteiro de análise e contexto
- -;;;:.J

1 1
Propriedades do objeto Contexto de Comporta 1entos
terreno e da conE ( ao
'

ambiente
Intercâmbio eletrônico - - - - - Entrada/intercâmbio
de dados manual de dados

FIGURA S-7 Fluxos de análise de informações baseada em um fluxo de uma via no pacote de análise.

O retorno é feito externamente com desenhos e croquis, e todas as


atualizações propostas são realizadas de forma manual pelo projetis-
ta na ferramenta BIM. Essas alterações podem envolver mudanças na
localização, dimensões de elementos, leiautes detalhados dos suportes
e outros aspectos de projeto que não foram inicialmente abordados.
Como em geral essas alterações são pormenorizadas e tediosas, elas
podem facilmente não ser entendidas. Atualizações posteriores da es-
trutura são reanalisadas usando o mesmo processo, com o engenheiro
assumindo alguns parâmetros para a análise a cada nova execução.
2. Como um fluxo bidirecional, em que a aplicação de projeto suporta
fluxo em ambas as direções: para a ferramenta de análise e para
retorno de resultados. Aqui, o fluxo para o engenheiro estrutural é
o mesmo de antes. Após a análise e interações necessárias, o analista
passa as alterações propostas para a aplicação de projeto BIM na forma
digital. O sistema as apresenta automaticamente como alterações do
modelo, as quais o projetista pode aceitar ou rejeitar. Isso requer que
a aplicação de projeto possa detectar os membros atualizados e suas
propriedades, compará-los como o conjunto de dados iniciais e realizar
as alterações pertinentes. Esse fluxo é mostrado na Figura 5-8. Futuras
interações de análise retornam apenas as modificações ao engenheiro
estrutural, exigindo alterações incrementais no conjunto de dados da
análise. As suposições das análises anteriores são mantidas, enquanto
as das conexões e dos carregamentos têm de ser atualizadas somente
para aqueles membros que foram modificados.
O fluxo de mão única assemelha-se à forma corrente de prática em que o
engenheiro estrutural rascunha notas propondo alterações no desenho, mas todas
as atualizações são fisicamente implementadas pela equipe de projeto. O segundo
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 175

Ferramenta de projeto BIM Pacote de análise


(projetista/engenheiro) (engenheiro estrutural)

Alterações atualização automático


Execução da análise
mescladas
• -
Geometria
- abstraída,
Entrada dos dados
Modelo do edifício -- parte nova --
de análise
~ - eCasos de carregamento
contexto
ou alterada
-
... 4 ~

t
1 1
Propriedades do objeto Contexto de Comporta-
terreno e mentos
ambiente da conexão

Intercâmbio eletrônico - - - - - Entrada/intercâmbio


de dados manual de dados

FIGURA 5-8 Fluxos de informações que suportam intercâmbio bidirecional dos dados de análise.

fluxo é paralelo às práticas, quando o engenheiro estrutural pode promover al-


terações das informações diretamente sobre as camadas estruturais do conjunto
de dados. O segundo fluxo é significativamente mais eficiente, permitindo que
interações sejam feitas em minutos em vez de dias, e pode suportar melhorias
e otimizações passo a passo ou mesmo automatizadas, possibilitando aplicação
completa da especialidade de um engenheiro estrutural.
O fluxo bidirecional requer preparação especial da ferramenta de projeto
BIM e da ferramenta de análise que o recebe. Para compatibilizar objetos alterados
que foram recebidos de volta da aplicação de análise, um identificador único de
objeto deve ser gerado pela aplicação de projeto a fim de ser conduzido à aplicação
de análise e retornado com o conjunto de dados atualizado. A ferramenta de pro-
jeto BIM deve gerar os identificadores para os objetos que serão passados de volta
ou para frente. Estes são então compatibilizados na aplicação de projeto de acordo
com os identificadores dos objetos existentes para determinar quais objetos foram
modificados, criados ou deletados. Compatibilizações similares são requeridas na
aplicação da análise. Essas habilidades bidirecionais foram realizadas em interface
com algumas análises estruturais. Todos os modelos de dados de edifício, IFC e
CIS/2, suportam a definição de um identificador global único (GUID).
Em resumo, colaboração efetiva usando fluxo bidirecional pode ser alcan-
çada entre aplicações de projeto BIM e análise estrutural. Algum esforço ainda é
necessário para se criar intercâmbios bidirecionais efetivos na maioria das outras
áreas de análise.
A razão para interações mais rápidas entre projetistas e consultores é par-
te da filosofia enxuta de projeto. Interações mais longas resultam em multita-
refas nas duas direções, às vezes em múltiplos empreendimentos. Multitarefa
resulta em perda de tempo, porque é necessário lembrar-se de questões e con-
texto dos projetos em cada retorno ao empreendimento, além de gerar erros
176 Manual de BIM

humanos com mais frequência. Interações mais longas levam a níveis mais al-
tos de multitarefa, sempre que ciclos mais curtos permitem trabalhos contínuos
nos empreendimentos. O resultado é menos tempo perdido e maior progresso
em cada tarefa de projeto.

Projeto experimental usando uma "bancada" de projeto


Enquanto nas seções anteriores esboçamos práticas padrão relativas ao desen-
volvimento de projeto em grandes empreendimentos, também há outro uso im-
portante de aplicações de análise para edifícios inovadores que requerem um alto
nível de desenvolvimento da informação (veja a Seção 5.2.1). Ele se encontra
em um modo mais experimental, em que arquitetos e/ ou engenheiros exploram
novos sistemas estruturais, de distribuição de energia e de controle ambiental e
novos materiais ou métodos construtivos, ou outros aspectos de uma construção
que podem ou não funcionar ou ser efetivos. Estes são exemplos de pesquisa de
projeto de campo.
Um exemplo de tais "explorações" é o Al Hamra Firdous Tower, (a ser cons-
truído na cidade do Kuait), mostrado na Figura 5-9. Com o objetivo de maximi-
zar vistas do Golfo e minimizar o gradiente de aquecimento solar nos pavimentos

\~
lil

ll

..
8 W D • •

{B)

(A) (C) (D)

FIGURA 5-9 A) Renderização do AI Hamra Firdous Tower, de 412m de altura, na cidade do Kuait, fornecido
por SOM. 8) Pavimento típico mostrando a seção na fachada sul removida do pavimento, a qual varia em
cada andar. C) Modelos de estudo mostrando a "fatia" a partir de diferentes vistas. D) Modelo do núcleo
interno da torre. Imagens cedidas por SOM.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 177

onde se encontram os escritórios, um quarto de cada pavimento é retirado da


face sul, girando ligeiramente do oeste para o leste ao longo da altura da torre. O
resultado dessa operação revela uma rica pedra monolítica na parede sul, enqua-
drada pelas belas fitas espirais de paredes giratórias, e define a forma marcante
da torre. Estudos intensos foram feitos para minimizar as radiações solares. A
padronização das superfícies irregulares do interior na forma de painéis exigiu es-
tudos especiais, mostrados na Figura 5-1 O. Os leiautes foram gerenciados usando
scripts do Visual Basic; a plataforma de projeto foi o Digital Project.

Unidade 1400 mm
(nominal)

1400 mm
(nominal) '
Painéis

1
·o'"e
yor'

1400 mm 1400 mm
Painel Painel (nominal)
(nominal)
padrão especial

,
1

'
SISTEMA DE PAINEIS EM PEDRA

FIGURA 5-10 Leiaute dos painéis para o AI Hamra Firdous Tower. Os painéis foram controlados
usando scripts em Visual Basic no Digital Project. Imagem cedida por SOM.
178 Manual de BIM

Os estudos de caso apresentados no Capítulo 9 fornecem dois outros exem-


plos excepcionais: o Centro Aquático de Pequim, cujo sistema estrutural é abso-
lutamente único, desenvolvido por meio de um grande número de interações para
otimizar diferentes partes dos elementos estruturais; e o Edifício de Escritórios
do Governo Federal, com o seu compromisso de usar ventilação natural de ma-
neira altamente inovadora e engenhosa. Cada um desses projetos baseou-se em
centenas de execuções de análise, em um caso também intercalado com uma
ferramenta de otimização. Para a realização de tal trabalho, não há um modo
direto; cada empreendimento e problema ligado ao projeto experimental levanta
suas próprias questões.
Na área de estruturas, o projeto experimental raramente pode ser alcançado
com o uso de modelos de barras. Em vez disso, modelos 3D baseados em ele-
mentos finitos são necessários. Para estudos de energia, as ferramentas padrão de
análise do edifício não lidam com certos aspectos de materiais, sistemas mecâni-
cos ou sistemas de controle de interesse. Por exemplo, sistemas de paredes duplas
com controles automáticos adaptáveis não podem ser analisados de modo direto
usando o DOE-2 ou o Energy+. Métodos mais criativos de análises devem ser
considerados. Ferramentas de matemática geral, como o MatLab® ou o Mathe-
matica®, com frequência são essenciais.
Uma área de interesse especial é o método de fabricação de superfícies cur-
vas. Frank Gehry e Sir Norman Foster demonstraram que o desenvolvimento de
formas livres na arquitetura pode ser conseguido pela definição digital da casca
externa e pelo planejamento de sua fabricação em termos das formas materiais
que constituem o formato. Frequentemente essas firmas delineiam a fabricação
das peças usadas para a construção das partes usando máquinas de comando
numérico computadorizado (CNC). O equipamento CNC é exigido por razões
econômicas, pois cada forma é única. Isso veio a ser conhecido como "proje-
to para fabricação" (design-for-fabrication), popularizado no livro de Kieran e
Timberlake, Refabricating Architecture (Kieran e Timberlake, 2003). A forma de
projetar partes de um edifício para tirar vantagem dos métodos de produção CNC
é uma área de exploração com alta procura nas escolas de arquitetura e nos escri-
tórios inovadores.
Além do Firdous Tower, outro exemplo de tal trabalho é apresentado no
Capítulo 2, Figura 2- 7, referente ao estádio de futebol em Dublin, Irlanda. As
peças estruturais são controladas pela estrutura paramétrica, permitindo que suas
formas sejam automaticamente geradas e mais tarde fabricadas.
Cada método de fabricação possui seu próprio conjunto de processos as-
sociados que têm demandas especializadas para os dados digitais que o supor-
tam. Regras de fabricação e melhores práticas tratam de questões relevantes
associadas a vários passos do processo de projeto, como a conversão da geo-
metria para instruções de máquinas CN C, métodos de conexão, qualidades de
acabamento, tolerâncias e dimensões dos materiais. Esses e outros processos de
produção são descritos no livro Digital Design and Manufacturing (Schodek et
al., 2005).
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 179

A exploração de novas formas muitas vezes se beneficia de uma busca auto-


mática em um conjunto vasto e abstrato de alternativas; por exemplo, a otimiza-
ção em contraste com a seleção dentre poucas alternativas geradas manualmente.
O desafio é desenvolver um intervalo bem definido de projetos que possam ser
explorados de maneira automática e identificar boas soluções pelo estabelecimen-
to de funções de objetivo bem definidas. Esse processo é muito facilitado pela
definição de um modelo paramétrico fechado (ou seja, há um espaço fechado,
possivelmente enorme, mas finito, de possíveis configurações). Por exemplo, um
software de arrefecimento simulado (simulated annealing) está disponível pela
Taygeta Scientific® e incorporado no Mathematica®. Esse método foi usado na
otimização estrutural do Centro Aquático de Pequim (veja o Capítulo 9). Outro
produto semelhante é ModeFRONTIER (Esteco, 2007).
Até o momento, a otimização de projeto tem sido uma capacidade exclusiva
de poucas firmas, mais notavelmente da Ove Arup and Partners. A oportunidade
existe para uma aplicação muito mais ampla.

5 .3.3 Modelos do edifício em nível de construção


Os projetistas podem conduzir o desenvolvimento de um modelo em nível de
construção em pelo menos duas maneiras diferentes:
1. Como concebido tradicionalmente, o modelo do edifício é um projeto
detalhado que expressa a intenção do projetista e do cliente. Nesse pon-
to de vista, espera-se que os construtores desenvolvam seus próprios
modelos de construção e documentos independentes.
2. Como um modelo parcialmente detalhado a ser melhorado para uso em
todos os aspectos da construção, planejamento e fabricação. Nessa vi-
são, o modelo de projeto é o ponto inicial para a elaboração pela equipe
de construção.
A razão principal por que o primeiro enfoque tem sido adotado por arqui-
tetos é eliminar a responsabilidade civil por questões da construção, uma vez
que, a partir dessa abordagem, eles não estão fornecendo informações para a
construção, mas apenas intenções de projeto. Isso é visível nos textos sobre isen-
ção de responsabilidades que aparecem nos desenhos realizados por arquitetos,
os quais transferem responsabilidades
, relativas à precisão dimensional e ao grau
de correção para os construtores. E claro que tecnicamente isso significa que o
construtor ou o fabricante devem desenvolver seus modelos do zero, refletindo
a intenção do projetista e requerendo repetidos ciclos de envios, revisões de pro-
jeto e correções.
Os autores consideram que tais práticas - estritamente baseadas na inten-
ção do projeto - são inerentemente ineficientes e irresponsáveis em relação aos
clientes. Incentivamos os projetistas a adotarem o segundo enfoque, fornecendo
suas informações no modelo para fabricantes e detalhadores, permitindo que eles
elaborem as informações de projeto conforme o necessário tanto para manter a
180 Manual de BIM

intenção de projeto quanto para refiná-lo para a fabricação. Formas de contrato


apropriadas para permitir isso são vistas no Capítulo 4.
O modelo da Escola de Artes Cinematográficas da USC produzido pelo en-
genheiro estrutural fornece um excelente exemplo desse enfoque. Como pode ser
visto na Figura 5-11, o engenheiro estrutural disponibilizou todas as geometrias
da estrutura em concreto armado moldado in loco e detalhes das conexões em
aço. Todos os fabricantes podem refinar seus detalhamentos usando o mesmo
modelo; a coordenação entre os diferentes sistemas é assegurada.
Quase todas as ferramentas existentes para a geração de modelos da infor-
mação da construção dão suporte à combinação de representação totalmente 3D
de componentes, seções representativas em 2D (incluindo representações sim-
bólicas esquemáticas em 2D ou 3D, como representação com linhas de centro).
Leiautes de tubulações podem ser definidos em termos de seus leiautes físicos ou
como diagrama lógico uniftlar, com o diâmetro das tubulações anotado ao longo
de seu comprimento. De forma similar, eletrodutos podem ser localizados em
3D ou defmidos logicamente com linhas pontilhadas. Como visto no Capítulo
2, os modelos de edifícios resultantes dessa estratégica combinada são apenas

FIGURA 5-11 Vista do modelo da Escola de Artes Cinematográficas da USC gerado no


Tekla Structures por um engenheiro de projeto. O modelo contém detalhes relativos a três
subempreiteiros - estrutura em aço, fabricante de armadura e concreto moldado in loco - e permite
ao engenheiro assegurar a coordenação de projeto entre os três sistemas. Imagem cedida por
Gregory P. Luth & Associates, 1nc.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 181

parcialmente aptos a serem reconhecidos pelo computador. O nível de detalhe do


modelo determina o grau de reconhecimento pelo computador e a funcionalidade
que ele pode conseguir. A detecção automática de interferência pode ser aplicada
apenas a sólidos 3 D. Decisões relativas ao nível de detalhe requerido do modelo e
à geometria 3D de seus elementos devem ser tomadas à medida que a modelagem
em nível de construção acontece.
Detalhes construtivos recomendados fornecidos por fabricantes ainda não
podem ser definidos de forma genérica permitindo sua inserção em modelos 3 D
paramétricos. Isso acontece por causa da variedade de sistemas de regras sub-
jacentes construídos nos diferentes modeladores paramétricos (como descritos
na Seção 2.2) . Detalhes construtivos ainda são mais facilmente fornecidos na
sua forma convencional, como seções em desenhos. Os potenciais benefícios de
fornecer detalhes paramétricos 3D, para reforçar o controle dos fornecedores
sobre como seus produtos são instalados e detalhados, têm grandes implicações
relativas a responsabilidades e garantias. Essa questão é desenvolvida no Capítulo
8. Do lado do projetista, entretanto, a atual dependência nas seções 2D é tanto a
razão para não executar a modelagem 3D detalhada quanto uma deficiência de
controle de qualidade a ser superada.

Leiautes de instalações prediais


Um dos maiores benefícios no que diz respeito à produtividade associada ao BIM
está na área de projeto e contratação de instalação de ar-condicionado, instala-
ções elétricas e hidráulicas. Nos métodos tradicionais de construção, arquitetos e
consultores ligados a essa área definem tais sistemas de maneira lógica em termos
de componentes e leiaute geral (usando linhas de centro aproximadas) . Um leiau-
te detalhado de fabricação é deixado para que subempreiteiros possam completar
cada respectivo sistema. Cada área deve executar um projeto detalhado, fabricar
as partes, medir espaços reais criados seguindo instalações de sistemas preexis-
tentes no terreno, realizar correções (para trocar desenhos ou componentes já
fabricados), e finalmente instalar seus sistemas. O processo de trabalho resultante
é mais longo, propenso a erros e caro.
A alternativa é "arrastar" simultaneamente projetos 3D detalhados para to-
dos os sistemas usando BIM para colaboração e confiando na construção virtual
do edifício no computador antes que seja construído sobre o terreno. Isso permite
um grau muito maior de pré-fabricação e pré-montagem de unidades de sistemas
integrados. Essas unidades devem ser entregues em tempo para instalação no
local. Esse processo é descrito em detalhes no Capítulo 7. Os estudos de caso
Centro Médico Camino e fábrica da GM no Capítulo 9 são excelentes exemplos
de processos de projeto e fabricação simultâneos "arrastados" detalhados. Os
benefícios associados a esse método envolvem a reduzida necessidade de traba-
lhadores no campo e de espaço para armazenagem; e unidades de pré-fabricação
podem ser maiores, o que diminui muito o tempo e o custo de fabricação in loco.
Projetar a partir desse método implica a preparação em 3D de todos os leiautes
do sistema antes que qualquer produção se inicie. Modularização, planejamento
para criação de componentes e simplificação de instalações in loco são conside-
rações de projetos adicionais.
182 Manual de BIM

Diferentes tipos de construção e sistemas nos edifícios envolvem diferen-


tes tipos de especialização para detalhamento e leiaute. Paredes de cisalhamento,
especialmente sistemas personalizados, envolvem leiaute e engenharia especia-
lizados. Concreto pré-fabricado e aço estrutural também envolvem projeto es-
pecializado e conhecimentos específicos de engenharia e fabricação. Sistemas
mecânicos, elétricos e de tubulações exigem dimensionamento e leiaute, normal-
mente em espaços confinados. Nesses casos, os especialistas envolvidos no proje-
to requerem objetos de projeto específicos e regras para modelagem paramétrica
para o lançamento, o dimensionamento e a especificação de seus sistemas. Mais
tarde, no processo de produção, os leiautes são ainda mais refmados para dar
suporte a análises automáticas em um nível e fabricação automática e tomada de
quantidades no outro.
Especialização, no entanto, requer cuidado na integração, para permitir a
realização eficiente da construção. Projetistas e fabricantes de cada sistema es-
tão tipicamente envolvidos em organizações separadas e distintas. Enquanto a
elaboração do leiaute 3D durante a fase de projeto traz muitos benefícios (se
realizada com bastante antecedência), também pode resultar em múltiplas ite-
rações, as quais reduzirão ou eliminarão esses benefícios. Por outro lado, se ela-
borado tardiamente, o empreendimento pode sofrer atrasos. Antes de selecionar
um fabricante, arquitetos e engenheiros de mecânica, de energia e de tubulações
deveriam gerar apenas "leiautes sugeridos". Após a seleção do fabricante, obje-
tos de produção podem ser detalhados e organizados; esse leiaute pode diferir
do original devido às preferências ou vantagens de produção que são únicas do
fabricante. Portanto, o nível de detalhes pretendido em cada sistema depende de
acertos contratuais.
Na prática, cada sistema predial pode ser organizado separadamente, com-
partilhando apenas a geometria 3D de referência com outros sistemas para servir
como guia. Isso funciona bem, permitindo uma organização coordenada a ser
gerenciada sem a necessidade de interoperabilidade para a completa edição. A
ferramenta hospedeira de projeto BIM e as aplicações especializadas de projeto
dos sistemas prediais requerem uma geometria efetiva de referência para impor-
tar (e exportar) os leiautes do sistema que serão usados por fabricantes para guiar
a produção de seus detalhes.
Inúmeras aplicações estão disponíveis para facilitar operações em sintonia
com as principais ferramentas de projeto BIM usadas por uma firma de arqui-
tetura e engenharia ou consultor. Uma amostra representativa disso é mostrada
na Tabela 5-4, que expõe uma lista de aplicações de mecânica e aquecimento,
ventilação e ar condicionado (HVAC), elétrica, tubulações, elevadores, análises de
fluxo e de planejamento territorial. Essas áreas de suporte estão se desenvolvendo
rapidamente por meio da ação dos desenvolvedores especializados de software
para sistemas prediais. O software em desenvolvimento também está integrado à
maioria das ferramentas de projeto BIM e adquirido por revendas BIM. Como re-
sultado, revendas de aplicações BIM serão capazes de oferecer pacotes de projeto
de sistemas prediais cada vez mais completos.
Os leitores interessados em uma discussão mais detalhada sobre o papel
do BIM na manufatura para construções poderão ver o Capítulo 7, que enfoca
exclusivamente esses aspectos.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 183

Tabela 5-4 Aplicações de leiaute de sistemas prediais


Sistemas prediais Aplicação
Mecânica e HVAC Carrier E20-ll HVAC System Design
Bentley Building Mechanical Systems
Vectorworks Architect
ADT Building Systems
Autodesk Revit®Systems
Elétrica Bentley Building Electrical
Vectorworks Architect
Autodesk Revit®Systems
Tubulações Vectorworks Architect
ProCAO 30 Smart
Quickpen Pipedesigner 30
Autodesk Revit®Systems
Elevadores e escadas Elevate 6.0
rolantes
Planejamento Autodesk Civil 3D
territorial Bentley PowerCivil
Eagle Point's Landscape & lrrigation
Design
Estruturas Tekla Structures
Autodesk Revit®Structures
Bentley Structural

Produção de desenhos e documentos


A geração de desenhos é uma importante capacidade de produção do BIM, e
permanecerá assim por algum tempo. Em algum ponto, desenhos deixarão de
representar informações de projeto e, no lugar, o modelo se tornará a fonte de
informação principalmente legal e contratual do edifício. Entretanto, hoje todas
as firmas de projeto ainda precisam produzir projetos básicos, projetos executivos
e desenhos para produção, a fim de satisfazerem exigências de contrato e de có-
digos de obras, para estimativas de construtoras/fabricantes, e para servir como
documentações de contrato entre projetista e construtora. Esses documentos
possuem usos importantes, além dos de contrato. Desenhos são usados durante
a construção para guiar leiaute e trabalho. No estudo de caso do estacionamento
Penn National, no Capítulo 9, exigências existentes de contrato reforçaram o uso
de desenhos, mesmo quando eles não foram mais necessários para algumas des-
sas funções. Exigências de produção de desenhos gerais a partir de ferramentas
BIM são apresentadas no Capítulo 2, Seção 2.2.3.
A representação de um único modelo garante consistência e automatiza a
maioria dos aspectos da produção de desenhos. Ela é realizada pelo modelo único
que está sendo usado para gerar todas as plantas, seções transversais, elevações,
desenhos de estruturas, mecânica, elétrica e outros sistemas. Apoiado por biblio-
tecas apropriadas, o tempo de produção da documentação da construção pode
ser significativamente reduzido.
184 Manual de BIM

Com o desenvolvimento do BIM e sua capacidade de geração de relatórios,


uma vez que as restrições legais no formato de desenhos são eliminadas, surgem
opções que podem melhorar ainda mais a produtividade do projeto e construção.
Fabricantes que já adotaram ferramentas BIM estão desenvolvendo novos leiautes
de geração de desenhos e relatórios que servem melhor a propósitos específicos.
Estes se aplicam não somente à dobra de armaduras de concreto armado e or-
çamentos de materiais, mas também a desenhos de leiaute que tiram vantagens
da modelagem 3D de ferramentas BIM. Um aspecto da pesquisa em BIM é o
desenvolvimento de desenhos especializados para diferentes fabricantes e instala-
dores. Um exemplo excelente é fornecido na Figura 5-12. Novas representações
(facilitando a interpretação fácil dos resultados de pesquisa durante o projeto)
são outra área em que a pesquisa melhora as capacidades do BIM.
O objetivo de longo prazo é automatizar completamente a produção de de-
senhos a partir de um modelo. Entretanto, um exame mais atento das condições
especiais evidencia que vários casos especiais que surgem na maioria dos empre-
endimentos são tão raros que o planejamento e a preparação de regras padrão

Advanced Analy,.is E.Jtample 1: Auditoríum


Contract Documentation from BIM extractions

--

---
=.;.-:w-


-•

----
--·-·
-*--
----

FIGURA 5-12 Leiaute detalhado do auditório no Merck Research Laboratories Boston. Desenhos
associados incluíam leiaute para fabricação de painéis. O projeto era especialmente complicado em
função do arranjo não linear da estrutura. Imagem cedida por KlingStubbins.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 185

para eles não valem a pena. Assim, a revisão da completude e leiaute de todos os
desenhos antes da liberação provavelmente permanecerá como uma tarefa neces-
sária no futuro.

Espec;ficações
Um modelo 3D completamente detalhado ainda não fornece informações sufi-
cientemente definidas para a construção de um edifício. O modelo (ou, histori-
camente, o conjunto de desenhos correspondentes) omite especificações técnicas
de materiais, acabamentos, níveis de qualidade, procedimentos construtivos e
outras informações necessárias para administrar a realização da construção de
um edifício desejado. Essas informações adicionais são organizadas como espe-
cificações do empreendimento. Especificações são organizadas de acordo com
os tipos de materiais utilizados em um empreendimento e/ ou classes de trabalho.
Classificações de especificações padrão são Uniformat® (o qual possui duas ver-
sões diferentes) ou Masterformat®. Para cada material, tipo de produto ou tipo de
trabalho, a especificação define a qualidade dos projetos ou materiais e identifica
quaisquer processos de trabalhos especiais que precisam ser seguidos.
Varias aplicações de TI estão disponíveis para a seleção e edição de especi-
ficações que são relevantes para um dado empreendimento, e, em alguns casos,
realizar referência cruzada entre elas com componentes relevantes no modelo.
Um dos sistemas de classificação mais antigos a realizar referências cruzadas
com um modelo de projeto BIM é o e-Specs®, que realiza referência cruzada com
objetos no Revit®. O e-Specs mantém um nível de consistência entre o objeto
referência e a especificação. Se o objeto referência é alterado, o usuário é notifi-
cado que a especificação deve ser atualizada. Especificações também podem ser
associadas com biblioteca de objetos, de forma que uma especificação é automa-
ticamente aplicada quando o objeto da biblioteca é incorporado no projeto.
O Uniformat define uma estrutura de documento que foi concebida como
um compêndio para o conjunto de desenhos de uma construção. Uma limitação
dessa ferramenta é o fato de a estrutura da especificação cobrir áreas grandes
com múltiplas aplicações possíveis em um dado empreendimento imobiliário. Lo-
gicamente, tais limites conectam a funções em uma via, pois uma simples cláusula
da especificação aplica a múltiplos (mas de alguma forma diversos) objetos no
projeto. Essa limitação restringe a administração da qualidade da especificação.
O Construction Specification Institute (proprietário do Uniformat®) está decom-
pondo a estrutura do Uniformat para dar suporte ao relacionamento bidirecional
entre objetos do edifício e especificações. As novas classificações, chamadas de
Omniclass®, levarão a uma estrutura de classificação de informações de objetos
em modelos mais tranquila de ser administrada (OmniClass, 2007).

5 .3.4 Integração projeto-construção


A histórica separação entre projeto e construção não existia nos tempos medievais
e apareceu apenas na Renascença. Nos longos períodos da história, tal separação
foi minimizada por meio do desenvolvimento de relacionamentos próximos de
trabalho entre trabalhadores da construção, que nos anos mais recentes trabalha-
riam em empregos de colarinho branco, como desenhistas para arquitetos (Jo-
186 Manual de BIM

hnston, 2006). Recentemente, essa conexão enfraqueceu-se. Desenhistas eram


arquitetos juniores, e o canal de comunicação entres trabalhadores braçais e o
escritório de projeto atrofiou-se. No seu lugar, surgiu uma relação polarizada, em
grande medida por causa dos riscos associados a desconfianças quando surgiram
problemas mais sérios.
Para piorar a situação, a complexidade dos edifícios modernos transformou
a manutenção da consistência entre o crescente conjunto de desenhos em uma
tarefa extremamente desafiadora, mesmo com o uso de desenhos computadori-
zados e sistemas de controle de documentos. A probabilidade de erros, com in-
tenção ou a partir de inconsistências, cresce vertiginosamente à medida que mais
informações detalhadas são fornecidas. Raramente procedimentos de controle de
qualidade são capazes de capturar todos os erros, mas, em última análise, todos
os erros são revelados durante a construção.
Um empreendimento de construção requer projeto não apenas do produto
construído, mas também do processo de construção. Esse reconhecimento está no
centro da integração projeto-construção. Isso implica em um processo de projeto
que é ciente das implicações técnicas e organizacionais inerentes à forma como
um edifício e seus sistemas são colocados juntos e às qualidades estéticas e fun-
cionais do produto acabado. Em termos práticos, o empreendimento de um edifí-
cio baseia-se na colaboração próxima entre especialistas situados em um espectro
de conhecimento da construção, bem como na colaboração próxima entre a equi-
pe de projeto, construtores e fabricantes. O resultado pretendido é um produto
projetado e um processo coerente, que integrem todo o conhecimento relevante.
Diferentes formas de aprovisionamento e contratação são vistas nos Capítu-
los 1 e 4. Enquanto a perspectiva do construtor é dada no Capítulo 6, aqui con-
sideramos equipes a partir da perspectiva do projetista. Listamos a seguir alguns
benefícios dessa integração:
• Identificação antecipada de itens de fornecimento demorado e diminuição
do cronograma de aprovisionamento (veja o estudo de caso da fábrica da
GM no Capítulo 9).
• Engenharia de valor à medida que o projeto prossegue, com estimativa
contínua de custos e planejamentos de obras, de forma que compromissos
são feitos de forma integrada no projeto em vez de após a realização, na
forma de "amputações".
• Exploração antecipada e definição dos fatores limitantes de projeto re-
lacionado à questão da construção. Ideias podem ser acrescentadas por
construtores e fabricantes de tal forma que o projeto facilite a construtibi-
lidade e reflita as melhores práticas, em vez de promover alterações tardias
com adição de custos e aceitação de detalhamentos inferiores. Inicialmen-
te, ao projetar com as melhores práticas de fabricação em mente, o ciclo
de construção como um todo é reduzido.
• Facilidade na identificação da interação entre sequências de construção e
detalhes de projeto e redução de questões construtivas antecipadamente.
• Diminuição das diferenças entre modelos de construção desenvolvidos
por projetistas e modelos de manufatura necessários aos fabricantes, eli-
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 187

minando assim passos desnecessários e encurtando o processo de proje-


to/ produção.
• Redução significativa do ciclo de detalhamentos para fabricação, redu-
zindo o esforço requerido para revisão do projeto pretendido e erros de
• A •
cons1stenc1a.
Parte da colaboração projeto-construção envolve (e requer) decisões quan-
do o pessoal da construção for convocado. Seus envolvimentos podem começar
no início do empreendimento, permitindo que considerações na construção in-
fluenciem o empreendimento a partir do seu início. Envolvimento posterior é
justificado quando o empreendimento segue práticas de construção bem testadas
ou quando questões programáticas são importantes e não requerem muita es-
pecialização por parte da construtora ou fabricante. Cada vez mais, o objetivo
geral é envolver construtores e fabricantes mais cedo no processo, o que às vezes
resulta em um ganho de eficiência que não seria capturado em um plano projeto-
-concorrência-construção tradicional.

5 .3.5 Revisão de projeto


Nos novos métodos de prática esboçados anteriormente, a separação entre mo-
delo de projeto e modelo de fabricação é bastante reduzida e muitas vezes condu-
zida em tempos paralelos. Independentemente de como for realizado, o arranjo
final resulta em dois modelos de sistemas prediais: representando o projeto (pre-
tendido) e usado para coordenar todos os sistemas, e modelos de fabricação de
sistemas específicos que capturam o projeto de produção e detalhamentos neces-
sários para fabricação e construção do edifício.
A evolução do modelo de projeto ao modelo de fabricação envolve inevi-
tavelmente adições e alterações. Tais alterações devem ser revistas pela equipe

Projetista Fabricante
Produz documentação
Concorrência
d e projeto em
ferramenta de projeto
r para projeto
1
CAD
1
' 1

Desenhos
contratados
L_ Geometria
• _ . abstraída, parte
1
.L
Produção de d esenhos
com ferra menta
nova ou alterada CAD d e fabricação
'-
~ -
+
Revisão manual -
comparar desenhos
contratado e vendidos
---------- - Desenhos

• ..,,,
'-

Intercâmbio eletrônico Intercâmbio manual de dados


de dados - - - - - envolvendo entrada de dados

FIGURA 5-13 Processos tradicionais de revisão de projeto, incluindo equipamento de seleção


relativo.
188 Manual de BIM

de projeto para verificar se o projeto pretendido não foi perdido. Dois tipos de
revisão são requeridos: (1) troca de uma peça do equipamento ou peça manufa-
turada por uma outra, a qual pode ter perfis e conexões diferentes (assumimos
que a revisão das especificações e o aceite são manipulados separadamente);
(2) a geometria e a localização de peças manufaturadas ou produzidas sob en-
comenda são consistentes com a localização e a geometria de todos os outros
componentes.
Nos métodos tradicionais baseados em papel, esses dois itens requerem a
comparação de documentos de projeto (contrato) com os desenhos de produção,
geralmente sobrepondo um desenho ao outro em uma prancheta de desenho. O
processo é mostrado no diagrama da Figura 5-13. Devido aos diferentes leiautes,
formatos e convenções, essas comparações são árduas e podem levar uma sema-

na ou mais.
No novo processo (Figura 5-14), a colaboração aberta entre projetista e
fabricante permite que sistemas de produtos sejam selecionados facilmente, de
forma que os leiautes podem ser feitos uma vez de maneira consistente. Com
modelos 3D completos, revisões nos modelos de produção são reduzidas à lei-
tura de dois modelos 3D em um sistema de revisões para verificar localização
e sobreposição de superfícies importantes. Exemplos desse processo são apre-
sentados por Morphosis, nos estudos de caso da fábrica da GM e no edifício
de escritórios do Governo Federal, no Capítulo 9. Superfícies coincidentes são
automaticamente destacadas para chamar a atenção do revisor. Isso reduz o
tempo e o esforço necessários para a identificação de erros. No futuro, espe-
ramos que relatórios de conflitos sejam ainda mais fundamentadas por meio
de verificações baseadas em regras para identificar aqueles objetos que foram
movidos ou que tiveram suas superfícies acabadas movidas além de uma certa
tolerância preestabelecida, aumentando assim a automação do processo de
. -
revisao.

Projetista Fabricante
Produção do modelo
Empreendimento
de projeto em
ferramenta de projeto licitado
BIM
-
,_
Produção do modelo
Modelo de Modelo de fabricação com
projeto ferramenta BIM
de fabricação
'- """/ ,,,, J '- ~

Revisão com Modelo de


ferramenta de fabricação
inspeção BIM
'-
.,,,

- - - - Intercâmbio eletrônico de dados

FIGURA 5-14 Revisão de projeto baseada em modelos de fabricação.


Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 189

1
MODELOS DE ELEMENTOS DO EDIFÍCIO E BIBLIOTECAS
BIM envolve a definição de um edifício como um conjunto composto de objetos.
Ferramentas de projeto BIM fornecem diferentes bibliotecas predefinidas de ob-
jetos com geometria fixa e paramétrica. Estes são objetos genéricos baseados em
padrões herdados da prática da construção,
...
que são apropriados para projetos
preliminares (veja a Tabela 2-1). A medida que um projeto é desenvolvido, as de-
finições de um objeto se tornam mais específicas, elaboradas com desempenhos
esperados, como energia, som, custos, etc. Características visuais também são
incluídas para dar suporte à renderização. Exigências técnicas e de desempenho
podem ser esboçadas de forma que definições de um objeto especifiquem o que o
produto final ou comprado deverá atingir. Essa especificação de produto torna-se
um guia para a seleção ou construção do objeto final. Antes, diferentes modelos
ou conjunto de dados eram construídos "à mão" para esses diferentes propósitos
e não integrados. Agora, é possível defmir um objeto uma vez e usá-lo para múl-
tiplos propósitos. O desafio é desenvolver meios fáceis de usar e consistentes para
a defmição de instâncias apropriadas de objetos para o estágio atual do projeto e
suportar os vários usos identificados para o estágio. Depois a especificação é su-
perada pelo produto selecionado. Assim, múltiplos níveis de definição e especifi-
cação de objetos são necessários. Eles abrangem desde os estágios iniciais de pro-
jeto usando objetos genéricos até o detalhamento do nível de fabricação do objeto
final conforme ele for implementado, seja como um componente construído ou
como um produto comercial. Nesse processo, objetos seguem a sequência de re-
finamentos das propriedades de forma do material normalmente usado para dar
suporte às análises, simulação, estimativa de custos e outros usos. Algumas ques-
tões de administração de propriedades de objetos são vistas na Seção 2.2.2. Ao
longo do tempo, esperamos que essas sequências sejam mais bem definidas como
fases, as quais são diferentes de SD (projeto básico), DD (projeto executivo) e
CD (projeto para produção), para se tornar mais estruturadas e parte da prática
regular. No final da construção, o modelo do edifício consistirá em centenas ou
milhares de modelos de elementos que podem ser transferidos para uma organi-
zação de administração do edifício para dar suporte a operações e administração
(veja o Capítulo 4).
Existem mais de 1O mil fabricantes de produtos para construção na América
do Norte. Cada fabricante produz de poucos a dezenas de milhares de produtos,
resultando em centenas de milhares de produtos e aplicações de produtos para
preencher o grande espectro da expressão arquitetônica.
Modelos de Elementos da Construção (BEM-Building Element Models) são
representações geométricas 2D e 3D de produtos físicos como portas, janelas,
equipamentos, móveis, elementos fixos e montagens de alto nível de paredes, te-
lhados, lajes e pisos nos vários níveis necessários de detalhes, incluindo produtos
específicos. Para firmas de projeto envolvidas em determinados tipos de edifícios,
modelos paramétricos de tipos de espaços também podem ser encontrados em
bibliotecas, como para cômodos de operações em hospitais ou salas de tratamen-

1
Esta seção foi adaptada a partir das informações fornecidas por James A. (Andrew) Arnold, cortesia
de Tectonic Partners.
190 Manual de BIM

to radioativo, a fim de permitir seu reúso entre empreendimentos. Consideramos


essas montagens espaciais e construtivas como BEMs. Com o tempo, o conhe-
cimento traduzido nessas bibliotecas de modelo se tornará uma questão estraté-
gica. Elas representarão "melhores práticas" à medida que empresas melhorem
progressivamente por meio das informações baseadas no uso do empreendimento
e nas experiências. O risco de erros e omissões diminuirá à medida que as firmas
experimentarem grande sucesso no desenvolvimento e uso de modelos de alta
qualidade a partir de usos anteriores.

5.4. 1 Biblioteca de objetos


Já foi dito que bibliotecas BEM referenciarão informações úteis em uma gama de
contextos e aplicações por meio da entrega e da manutenção ao longo do ciclo
de vida de um empreendimento. O desenvolvimento e a administração de BEMs
introduzem novos desafios para firmas de arquitetura, engenharia e construção
(AEC), em função do grande número de objetos, montagens e família de objetos
que precisam ser estruturados para acesso, possivelmente envolvendo escritórios
de múltiplas locações.

Organização e acesso
Uma revisão sobre as ferramentas de projeto BIM disponíveis mostra que cada
uma delas tem definido e implementado um conjunto heterogêneo de tipos de
objetos, usando famílias de objetos únicos (veja a Tabela 2-1). Tais objetos pre-
cisarão ser acessados e integrados aos empreendimentos usando nomenclaturas
padrão para interpretação entre produtos. Isso permitiria que eles dessem suporte
à interoperabilidade, promovendo interface com aplicações de estimativa de cus-
tos, análise e, eventualmente, para avaliação de códigos de obras e programa do
edifício, entre outros, o que inclui nomeação, estrutura de atributos e a designa-
ção para interfaces topológicas com outros objetos refletidos nas regras usadas
para defmi-los. Isso pode envolver a conversão do objeto em uma estrutura co-
mum ou a definição de um recurso para mapeamento dinâmico que os permite
manter seus termos "nativos", mas também os possibilita ser interpretáveis com
relações sinônimas e hipônicas. Um hipônimo é um termo mais restrito ou mais
geral que o termo alvo. Estrutura de telhado, por exemplo, é um hipônimo de
estrutura espacial.
A complexidade e o investimento exigidos para desenvolver conteúdos BEM
sugerem a necessidade de ferramentas para administração e distribuição que per-
mitam aos usuários encontrar, visualizar e usar esses conteúdos. Classificações,
como CSI Masterformat ou Uniformat, são ortogonais ao BEM. Uma porta é
uma porta, tanto se indexada por um sistema de classificação como por outro.
Espera-se que o novo sistema de classificação Omniclass™, agora na forma ex-
perimental pela CSI, forneça classificações específicas de objetos mais detalhadas
e mecanismos de acesso (Omniclass, 2007) . Dadas tais novas ferramentas para
indexação de classificações BEM, deveria ser possível organizar BEMs para aces-
so por qualquer número de esquemas de classificação. Um sistema de gerencia-
mento de biblioteca bem projetado deveria dar suporte a essa flexibilidade para
navegação por uma árvore de classificação de modelos BEM.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 191

5.4.2 Portais
Portais públicos e privados estão emergindo no mercado. Portais públicos forne-
cem conteúdo e promovem a comunidade por meio de fóruns e índices para re-
cursos, blogs, etc. As ferramentas de conteúdo suportam navegação hierárquica,
buscas, download, e, em alguns casos, upload de arquivos BEM. Portais privados
possibilitam compartilhamento de objetos entre firmas e seus pares que con-
cordam em juntar-se para compartilhamentos sob o controle de um servidor de
acesso e gerência. Firmas ou grupos de firmas que entendem o valor de conteú-
dos BEM e a relação custo/ valor em diferentes áreas de aplicação devem com-
partilhar BEMs ou dar suporte aos seus desenvolvimentos em conjunto. Portais
privados permitem que firmas compartilhem conteúdos comuns e protegem con-
teúdos que incorporam conhecimentos específicos e proprietários de projetos.
A Tabela 5-5 lista alguns sites de portais. A maioria dos conteúdos é genérica.
O portal BIMWorld é especialista no conteúdo específico de fabricantes de produ-
tos para edifícios. Apesar de sua cobertura limitada, ele demonstra que fabricantes
de produtos da construção estão reconhecendo a importância da distribuição de
informação de produto no formato BEM. Isso fornece objetos paramétricos com-
pletos com conectividade topológica para Revit®, ADT, e, em menor grau, para
Bentley e ArchiCAD®. O produto Form Fonts EdgeServer™ é um exemplo de
tecnologia para servidor que suporta compartilhamento controlado entre pares.
O Google Armazém 3D (Google 3D Warehouse) é um hospedeiro público
para conteúdos do SketchUp. Esse serviço poderia forçar uma reflexão da me-
táfora da biblioteca em função das ferramentas, tecnologias e oportunidades de
negócio que ele fornece. O Armazém 3D incorpora:
• A habilidade para qualquer um criar uma área segmentada do armazém.
• A habilidade para qualquer um criar um esquema e hierarquia de classifi-
cação para dar suporte à busca pela biblioteca.
• Armazenamento grátis e outros serviços de suporte (confiabilidade, re-
dundância, etc.).
• A habilidade para um desenvolvedor conectar de uma página da web a um
modelo no Armazém 3 D, criando uma vitrine virtual que usa o Armazém
3D como provedor.
Essas capacidades estão disponíveis por meio das tecnologias que usam mode-
lagem semântica para buscas, acesso em banda larga e ferramentas maduras e pa-
drões para interações entre aplicações, bem como para criação de novas oportuni-
dades de negócios. Por exemplo, McGraw Hill Sweets iniciou uma experiência com
o Armazém 3D criando o grupo McGraw Hill Sweets e hospedando certificados
Sweets para fabricantes de modelos BEM no formato SketchUp. Essas tecnologias
de serviços do Google para armazenamento e buscas, combinadas com domínios
de informações Sweets e conhecimento para desenvolvimento de um modelo de
domínio específico para arquitetura, engenharia e construção, são um exemplo de
novas oportunidades de negócios alavancadas pela tecnologia. Objetos do Armazém
Google estão descritos como sendo para projeto preliminar e têm capacidades de
edição, conteúdos e limitações do SketchUp. Os formatos de objetos nesses diferen-
tes portais são aqueles formatos suportados pela plataforma de conteúdo do portal.
-iS
3::
o
:l
e
o
o.
Cl>

-
CD
3::

Tabelo 5-5 Comparação das características dos portais públicos BEM de produtos
Público,
Firma q ue privado Guias de
desenvo lve u o u e ntre Administração Co nfig uração modelage m Comparações/ Plataforma
Po rtais BEM pares de versão Navega çã o Seleção do projeto BEM anotações de conte údo Site
Autodesk Não Público Não por Revit® Sim Não Não Não Revit® http://
Revit® 9.0 Cotegories revit. outodesk.com/
Ubrory librory/html/index.html

Revit City Não Público Por versão do Por CSI Sim Não Não Taxas ReVlt·
· ® http://www.
Revit® Mosterformot revitcity.com/
04, organização downloads.php
Revit® Oty,
palavra-chove

Autodesk Não Público Por versão do Por Categorias do Sim Não Não Não Revit® http://www.augi.
Revit® Revit® Revit®, versão do com/revit.exchange/
User Revit®, unidades
.
rpcv1ewer.osp
Group de medido,
fabricante, autor

Objects Não Público Não Por categorias Sim Não Não Não ArchiCAD®, http://www.
Online ObjectsOnUne AutoCAD®e objectsonline.com/
SketchUp customer/home. php
Armazém Sim Público Não Habilidade de Sim Não Não Taxas SketchUp http:// sketchup.
3D cnor esquemas google.
Google de classificação com/3dwarehouse/
e adicionar
variáveis de
busca

BIMWorid Não Público Não Por CSI Sim Conexão Não Não Revit®, http://www. bimworld.
Mosterformot 04, com o AutoCAD®, com/
por Uniformot e configurador Microstotion,
por fabricante mfr-fornecido SketchUp
em poucos
casos

Form Sim Público, Não Por CSI Sim Não Não Não SketchUp, http://www. formfonts.
Fonts entre Masterformat, também com
pores por palavras- AutoCAD®,
chave, Revit®,
plataforma e por ArchiCAD®,
fabricante 3DMax,
Lightwave I "O~
-+'
BIM Sim Privado Não Por categorias Sim Não Não Sim AutoCAD®, http://www. e:
Content Revit®, pasta, Revit® digitalbuildingsolutions. o
01
Monoger empreendimento, com/
CSI
Mosterformot,
-
CD
~
Uniformat, "O
o
palavras-chave e a
fabricante )>
.....
.o
BIM Sim Privado Não Por categoria Sim Não Sim Não Revit® http://www. e:
Library
Manager
Revit® tectonicbim.com
-"'
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m
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....
~
194 Manual de BIM

5.4.3 Bibliotecas no computador/rede


Bibliotecas privadas são pacotes de softwares para computadores projetados para
administrar conteúdos BEM e integrá-los ao sistema de administração de arqui-
vos do usuário. Eles automatizam o carregamento de BEMs em uma biblioteca
independente a partir de uma ferramenta BIM, como o Revit, ou o próprio siste-
ma de arquivos do usuário ou ainda uma rede corporativa. Eles fornecem taxono-
mia para classificação e definição de entrada de um conjunto de propriedades e,
mais tarde, para buscas e inspeções para recuperações. Eles assistem buscas (por
exemplo) baseadas na visualização 3D, inspeção de categorias, tipos e conjuntos
de propriedades. As companhias que fornecem tais ferramentas também planejam
portais públicos para compartilhar BEMs entre firmas (arquivo carregado ou bai-
xado, ferramentas comuns, etc.) e distribuição de BEMs específicos de indústrias
para produtos da edificação.
Um exemplo desses produtos é o Tectonic Partner's BIM Library Manager
(Arnold, 2007). Ele inclui guias de melhores práticas para modelagem de BEM
na plataforma Revit® e dá suporte incremental e dinâmica à elaboração discreta
do BEM à medida que projetistas obtêm informações e dados de atributos de
diferentes fontes. A Figura 5-15 mostra o Tecnotic BIM Library Manager. A vista
em árvore da família Revit®ilustra todas as famílias no sistema de arquivo que são
automaticamente carregadas para a biblioteca. BIMworld introduziu um produto
similar chamado de BIMContentManager. Ele funciona em conjunto com seu
portal. Produtos adicionais estão sendo desenvolvidos por ambas as companhias
no entorno dessas habilidades da biblioteca.

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de elementos
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Guias gerais
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FIGURA 5-15 Estrutura em multiníveis do Element Library do Tectonic Network. Imagem cedida
por Tectonic Partners, lnc.
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 195

CONSIDERAÇÕES NA ADOÇÃO PARA A PRÁTICA DE


PROJETO
O movimento da representação base do projeto de um edifício a partir de um
conjunto de desenhos (mesmo que produzidos digitalmente) para um modelo
de edifício tem muitos benefícios diretos potenciais: desenhos automaticamente
consistentes, identificação e remoção de interferências espaciais, preparação da
lista de materiais automática e precisa, suporte melhorado à análise, aplicações
de custos e cronogramas, entre outros. A modelagem tridimensional por meio de
todo o processo de projeto facilita sua coordenação e revisão; essas capacidades
levam a desenhos mais precisos, à elaboração mais rápida e produtiva de dese-
nhos e à melhoria na qualidade final do projeto.

5.5.1 Justificativas para o BIM


O BIM oferece o potencial de tornar realidade novos benefícios, mas eles não são
gratuitos. O desenvolvimento de um modelo 3D, especialmente um que inclua
informações que deem suporte a análises e facilitem a fabricação, envolve mais
decisões e incorpora mais esforços que o conjunto atual de documentos da cons-
trução. Considerando o inevitável custo adicional da implementação de novos
sistemas, o retreinamento de pessoal e o desenvolvimento de novos procedimen-
tos, é fácil assumir que os benefícios podem parecer não valer a pena. A maioria
das empresas que tomaram esses passos, porém, descobriu que os significativos
custos iniciais associados ao resultado da transição trazem benefícios de produti-
vidade no nível da documentação do edifício. Até mesmo a transição inicial para a
produção consistente de desenhos a partir de um modelo vale a pena.
Na estrutura existente de negócios da indústria da construção, em geral
projetistas são remunerados com base na percentagem do custo da construção. O
sucesso de um empreendimento é bastante imprevisível e envolve uma execução
lenta e menos problemática, melhorando a realização pretendida do projeto - e
a efetivação dos lucros. Com o crescimento da consciência das potencialidades
oferecidas pela tecnologia e pelas práticas BIM, clientes de edifícios e construto-
ras estão explorando novas oportunidades de negócios (veja os Capítulos 4 e 6) .
Projetistas podem começar a oferecer novos serviços que podem ser adicionados
à estrutura de remuneração. Esses serviços podem ser agrupados em duas gran-
des áreas:
1. Desenvolvimento do anteprojeto:
Projeto baseado em desempenho usando aplicações de análise e ferramentas
de simulação para levantar:
• sustentabilidade e eficiência energética;
• análise de custo e valor durante o projeto;
• avaliação programática usando simulações de operações, como em edifí-
cios ligados à área da saúde.
196 Manual de BIM

2. Integração de projeto com construção:


• Colaboração aprimorada com a equipe do empreendimento: estrutural,
mecânica, engenheiros elétricos, aço, MEP, fabricantes de pré-fabricados
e paredes de cisalhamento. O uso do BIM entre as equipes do empreen-
dimento melhora a revisão do retorno de projeto, reduz erros, diminui
questões de contingência e leva à construção mais rápida.
• Construção acelerada, facilitando a fabricação de montagens fora do can-
teiro e reduzindo trabalho no campo.
• Automação no aquisição de materiais, fabricação e montagens e aquisição
antecipada de itens de longo prazo.
Serviços adicionais durante a fase de anteprojeto podem trazer grandes
benefícios para o proprietário no que diz respeito à redução dos custos da
construção, diminuindo custos operacionais e melhorando a produtividade e
efetividade organizacionais. A comparação dos custos iniciais com os custos
operacionais sem dúvid.a é difícil, com taxas de descontos variáveis, diversas
agendas de manutenção e custos pouco seguidos. Entretanto, estudos dos hos-
pitais Veterans Administration descobriram que menos de dezoito meses de
operações funcionais de um hospital VA equivalem ao seu custo de construção
(veja a Figura 5-16), ou seja, economias nas operações dos hospitais, mesmo
que com custos iniciais maiores, podem ser extremamente úteis. OVA também
descobriu que custos de energia completamente amortizados são iguais a um
oitavo dos custos da construção (ver a Figura 5-16) e essa percentagem está
subindo. Além disso, o VA descobriu que os custos operacionais de maquinários
pesados (incluindo energia e segurança) ignorados são mais ou menos iguais
aos custos da construção. Há muitos outros itens de custo disponíveis a partir
de (Department ofVeteran Affairs, 2007) . Esses exemplos indicam redução dos
custos operacionais e aumento do desempenho, o que proprietários e operado-
res procuram.
Os benefícios da integração de projetos BIM à construção já estão bem ar-
ticulados na Seção 5.3.4.

Custos médios ao longo do vida útil por hospital dos Veteranos


Capital:
não construção
construção {2,5%) Taxas financeiros
{8,3%.~
) _...._
Operação e manutenção de
maquinários {incluindo
1, l % de consumo
de energia) {8,8%)
Operações
----==--..-:::--funcionais (80%)

FIGURA 5-16 Os vários componentes do capital ao longo da vida útil e custos operacionais de
um hospital dos Veteranos. Imagem cedida por Veteran's Administration (Smoot, 2007).
Capítulo 5 BIM para Arquitetos e Engenheiros 197

Benefícios de produtividade em projetos BIM


Uma maneira de avaliar indiretamente os benefícios de uma tecnologia como
BIM na produção reside na redução de erros, que são facilmente seguidos pelo
número de exigências por informações (RFls) e pedidos de alterações (COs) em
um empreendimento. Estes sempre incluirão um componente baseado na mudan-
ça de ideia do cliente ou mudanças nas condições externas. Entretanto, alterações
baseadas na consistência e no grau de correção interna podem ser distinguidas,
e seus números em diferentes empreendimentos, coletados. Estes indicam um
importante benefício do BIM e têm sido relatados em vários dos estudos de caso
do Capítulo 9.
Outra forma de avaliar os benefícios tecnológicos é em termos de produti-
vidade. Produtividade de mão de obra é o custo total em termos de horas traba-
lhadas e salários para a realização de algumas tarefas. Esta é uma consideração
que costuma ser subaplicada nas firmas de projeto. Com mais frequência, deci-
sões s