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EVELYN GABBAY ALVES

Diagramas de interação para o dimensionamento de pilares


esbeltos e seções de concreto de alta resistência.

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Departamento de Engenharia Civil


PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro, Abril de 2000


EVELYN GABBAY ALVES

Diagramas de interação
para o dimensionamento de pilares esbeltos
e seções de concreto de alta resistência

Dissertação apresentada ao Departamento


de Engenharia Civil da PUC-Rio como
parte dos requisitos para obtenção do
título de Mestre em Engenharia Civil -
Estruturas.

Orientadores: Giuseppe Barbosa Guimarães


Paulo Batista Gonçalves

Departamento de Engenharia Civil


Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Abril de 2000
I

"O tamanho do sucesso de um trabalho é diretamente


proporcional ao seu compromisso com a excelência,
independentemente do assunto escolhido, mas este
trabalho só tem valor, quando compartilhado com outras
pessoas e acima de tudo, quando sentimos nosso íntimo
dizer: Valeu a pena!"

Presidente do Conselho dos Jovens Empresários – Belém - PA


II

Dedico esta dissertação ao meu noivo Márcio,


meus pais Marcos e Alegria, meus irmãos Bruno e
Andre.
III

Agradecimentos

A Deus, nosso criador e a quem devemos tudo.

Aos professores Giuseppe Guimarães e Paulo Gonçalves, pela amizade e


excelente orientação.
Aos professores e funcionários da Pontifícia Universidade Católica, em especial

à Ana Roxo, pelo carinho demonstrado durante o curso.

Aos professores da UFPa: Antônio Malaquias, José Perilo, André Montenegro e

principalmente ao professor Ronaldson Carneiro pelo incetivo dado à realização da

pós-graduação.

Aos meus pais e avós, exemplos de vida, e a toda minha família, pelo apoio,

compreensão e carinho.

Ao meu noivo Márcio, pelo amor, ajuda e paciência mesmo nos momentos

difíceis em que estivemos longe.

Aos amigos Aníbal, Janaina, Vítor, Giorgiana, Suzana, Nelly, Sidiclei e

Cláudia Campos, pela amizade e convívio e principalmente aos amigos Marcelo,

Salete e Aellington que sempre com palavras de otimismo e carinho, me incentivaram e

me apoiaram durante todo curso.

A todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização deste

trabalho.

Ao CNPQ pelo apoio financeiro.


IV

Resumo

A utilização do concreto de alta resistência já é uma realidade e muitos países


estão adaptando suas normas para levar em conta as propriedades deste material.
No dimensionamento de pilares esbeltos e seções com concreto de alta
resistência é importante observar a relação tensão-deformação adotada no cálculo, pois
enquanto para o concreto convencional a deformação máxima, ε cu, é 0,0035, para o de
alta resistência esta deformação depende do valor da resistência do concreto,
diminuindo com o aumento do fck. Para um concreto com fck = 80 MPa, por exemplo,
ε cu é em torno de 0,0022 de acordo com as relações tensão – deformação propostas pelo
MC90-CEB.
A relação tensão-deformação com ε cu dependente de fck irá alterar os diagramas
de interação adimensionais para o dimensionamento de pilares esbeltos e concreto de
alta resistência.
São construídos neste trabalho diagramas de interação força normal - momento
fletor - curvatura (ν,µ,φ) e força normal - momento fletor - índice de esbeltez (ν,µ,λ)
para o dimensionamento de pilares esbeltos e diagramas de interação (ν d,µd) e
(ν d,µdx ,µdy ) para o dimensionamento de seções submetidas a flexão composta reta e
oblíqua.
Adotou-se a relação tensão-deformação proposta pelo MC90-CEB e valores de
fck de 50 a 80 MPa. Os diagramas para pilares esbeltos foram construídos com auxílio
do programa PCFRAME (KRÜGER, 1989) e os diagramas para o dimensionamento de
seções foram construídos com um programa desenvolvido neste trabalho.
Através dos resultados, observa-se que, como ε cu depende de fck, todos os
diagramas de interação sofreram diferenças, podendo ser dito ainda que o uso dos
diagramas já existentes, construídos com ε cu constante e igual a 0,0035, pode conduzir a
erros contra a segurança estrutural.
V

Abstract

The use of high strength concrete is already a reality and many countries are
adapting their design codes to take into account the properties of this material. For the
design of slender columns and sections subjected to combined axial force and bending,
the most important property is the stress-strain relationship. While for normal concrete
the strain at ultimate, ε cu, can be considered constant and equal to 0,0035, for high
strength concrete ε cu depends on the concrete strength, decreasing as the strength
increases. For a concrete with fck of 80 MPa, for instance, ε cu is around 0,0022
according to the CEB Model Code (1990).
Stress-strain relationship with ε cu dependent of fck will affect the nondimensional
interaction diagrams for the design of slender columns and sections of high strength
concretes.
Nondimensional interaction diagrams moment-axial load-curvature (µ,ν,φ) and
diagrams moment-axial load-slenderness ratio (µ,ν,λ), for the design of slender
columns, and nondimensional interaction diagrams (µd,ν d) and (ν d,µdx ,µdy ) , for
compression plus axial and biaxial bending of sections, are constructed in this work.
The diagrams were constructed for concretes with strength between 50 MPa and 80
MPa, adopting suitable stress-strain relationships recommended by the CEB Model
Code 1990. The diagrams for slender columns were constructed with the aid of an
existing computational program developed in an earlier thesis, while the diagrams for
the design of sections were constructed with a new program, specially developed in this
work.

The results have shown that all these diagrams are affected, even when
presented in a nondimensional form, when stress-strain diagrams with ε cu dependent of
fck are adopted. The use of traditional nondimensional interaction diagrams, constructed
with ε cu constant and equal to 0,0035, may lead to errors against structural safety.
VI

Sumário

Lista de Figuras X

Lista de Tabelas XV

Lista de Símbolos XVI

Capítulo I – Introdução 1

Capítulo II – Análise de pilares com concreto de alta resistência


utilizando o programa PCFRAME 3

2.1- Introdução 3

2.2 – Descrição do Modelo Computacional 6

2.2.1 - Leis Constitutivas do Material 6

a – Concreto 6

b – Aço 10

2.2.2 - Elemento Finito Utilizado 11

2.2.3 - Método de Resolução 11

2.3- Curvas Momento Fletor – Força Normal – Curvatura 13

2.3.1 – Introdução 13

2.3.2 – Análise das curvas obtidas pelo modelo 13

2.3.3 – Influência da resistência do concreto 17

2.4 - Curvas Momento Fletor – Força Normal – Índice de Esbeltez 22

2.4.1 – Introdução 22

2.4.2 – Análise das curvas obtidas pelo modelo 23


VII

2.4.3 – Influência da resistência do concreto 31

Capítulo III – Análise de tensões e deformações numa seção


qualquer de concreto armado no estado limite último 35

3.1- Introdução 35

3.2- Geometria da seção transversal de concreto armado 35

3.3- Esforços solicitantes de cálculo 36

3.4- Deformada da seção no estado limite 36

a - Inclinação α da linha neutra 36

b - Deformações nas fibras extremas superior e inferior 37

3.5- Relação tensão-deformação do concreto 39

3.6- Relação tensão-deformação do aço 41

a - Aço classe A 41

b - Aço classe B 41

3.7- Esforços resistentes da seção no estado limite último 42

3.7.1 – Introdução 42

3.7.2 – Obtenção dos esforços seccionais resistentes 42

3.8- Integração numérica das tensões do concreto 44

Capítulo IV – Diagramas de interação para o dimensionamento


de seções submetidas a flexão composta reta e oblíqua com
concreto de alta resistência. 50

4.1 – Introdução 50

4.2 – Diagramas de interação para flexão composta reta 50


VIII

4.2.1- Introdução 50

4.2.2 – Dados utilizados na obtenção dos diagramas para flexão composta reta
e apresentação das curvas 51

4.2.3 – Influência da resistência do concreto e comparação entre as curvas 55

a - Influência da forma do diagrama tensão-deformação 55

b - Comparação entre os diagramas adimensionais para concretos com


diferentes resistências 57

4.3 - Diagramas de interação para flexão composta oblíqua 64

4.3.1- Introdução 64

4.3.2 - Dados utilizados para a obtenção dos diagramas para flexão composta
oblíqua e apresentação das curvas 66

4.3.3 - Comparação entre as curvas e influência da resistência do concreto 70

Capítulo V - Conclusões e Sugestões para trabalhos futuros 74

Referências Bibliográficas 76

Anexo 1 - Curvas Momento Fletor – Força Normal – Curvatura


com Auxílio do Programa PCFRAME 79

Anexo 2 - Curvas Momento Fletor – Força Normal – Índice de


Esbeltez com Auxílio do Programa PCFRAME 85

Anexo 3 – Diagramas de interação para seções submetidas a


flexão composta reta com concreto de alta resistência 90

Anexo 4 - Diagramas de interação para seções submetidas a


flexão composta oblíqua com concreto de alta resistência 102
IX

Anexo 5 - Diagramas de interação para seções submetidas a


flexão composta oblíqua com concreto de alta resistência 110

A.1 – Introdução 110

A.2 – Análise geométrica não-linear 110

A.2.1- Estado deformado de uma seção genérica 111

A.2.1- Variação da energia potencial total 112

A.3 – Análise física não-linear 113

A.3.1- Obtenção dos esforços seccionais resistentes 113

A.3.1- Determinação das derivadas parciais dos esforços resistentes em relação


ao parâmetro de deforma ção 114
X

Lista de Figuras

Capítulo II

Figura 2.1 Diferenças entre as relações tensão – deformação propostas


pelo CEB-90 e NBR-6118 para diferentes resistências do
concreto. 4

Figura 2.2 Seção transversal analisada por SMIDERLE (1998). 4

Figura 2.3 Exemplos de resultados obtidos por SMIDERLE (1998). 5

Figura 2.4 Seção transversal utilizada para determinação das curvas. 6

Figura 2.5 Curva tensão-deformação para compressão segundo


CEB(1990). 7

Figura 2.6 Curva tensão - deformação para tração segundo CEB (1990). 7

Figura 2.7 Diagrama tensão - deformação para o aço classe A. 10

Figura 2.8 Diagrama tensão - deformação para o aço classe B. 10

Figura 2.9 Sistemas de coordenadas: (a) natural e (b) auxiliar


respectivamente. 11

Figura 2.10 Algoritmo para análise da estrutura numa etapa do


carregamento utilizado pelo modelo computacional. 12

Figura 2.11 Esquema do pilar utilizado na obtenção das curvas µ-ν-φ. 13

Figura 2.12 Diagrama µ-ν-φ para ν=0,2 e f ck=30MPa. 14

Figura 2.13 Exemplo de gráfico µ x ε para ν=0,2 e fck=30MPa. 15

Figura 2.14 Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,2 e concreto com
resistências de 30, 60 e 90MPa. 18

Figura 2.15 Região de fissuração das curvas µ-ν-φ para ν=0,2 e concreto
com resistências de 30, 60 e 90MPa. 19
XI

Figura 2.16 Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,4 e concreto com
resistências de 30, 60 e 90MPa. 20

Figura 2.17 Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,6 e concreto com
resistências de 30, 60 e 90MPa. 20

Figura 2.18 Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,8 e concreto com
resistências de 30, 60 e 90MPa. 21

Figura 2.19 Esquema do pilar utilizado na obtenção das curvas µ-ν-λ. 22

Figura 2.20 Forma do diagrama de momentos de primeira ordem


empregado na obtenção das curvas µ-ν-λ. 23

Figura 2.21 Diagrama µ-ν-λ para le/h=40 e f ck=30MPa. 26

Figura 2.22 Curva momento aplicado x deformações na seção intermediária


correspondente ao ponto A da Figura 2.21. 28

Figura 2.23 Curva momento aplicado x deformações na seção intermediária


correspondente ao ponto B da Figura 2.21. 29

Figura 2.24 Curvas µ−ν−λ para le/h=25 e f ck=30MPa. 30

Figura 2.25 Curvas µ−ν−λ para le/h=10 e f ck=30MPa. 31

Figura 2.26 Comparação das curvas µ−ν−λ para le/h=40 e fck=30, 60 e


90MPa. 32

Figura 2.27 Curvas µ−ν−λ. Influência da resistência do concreto para


le/h=25. 34

Figura 2.28 Curvas µ−ν−λ. Influência da resistência do concreto para


le/h=10. 34
XII

Capítulo III

Figura 3.1 Definição da seção. 35

Figura 3.2 Esforços solicitantes de cálculo. 36

Figura 3.3 Inclinação α da linha neutra. 37

Figura 3.4 Representação dos domínios de deformação correspondentes ao


estado limite último de uma seção de acordo com o MC90-CEB. 37

Figura 3.5 Esquema da deformada da seção. 39

Figura 3.6 Diagrama tensão-deformação do concreto. 39

Figura 3.7 Definição das regiões 0, I e II da seção. 43

Figura 3.8 Domínio plano R com contorno C. 44

Figura 3.9 Definição da deformação em dois vértices consecutivos. 45

Figura 3.10 Esquematização da integração dos esforços resistentes para o


concreto. 47

Figura 3.11 Definição da equação da reta que passa por dois vértices
consecutivos. 48

Capitulo IV

Figura 4.1 Primeiro caso de distribuição de armadura analisado para


seções submetidas a flexão composta reta. 51

Figura 4.2 Segundo caso de distribuição de armadura analisado para


seções submetidas a flexão composta reta. 52

Figura 4.3 Exemplo de curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,05. 53
XIII

Figura 4.4 Exemplo de curvas para o segundo caso de distribuição de


armadura, f ck=80MPa e d’/h=0,10. 54

Figura 4.5 Esforços numa seção sujeita a flexão composta com grande
excentricidade. 55

Figura 4.6 Definição dos coeficientes α 1 e ξ' 56

Figura 4.7 Comparação entre as curvas para o primeiro caso de


distribuição de armadura, valor de d’/h=0,10 e fck ≤ 50 MPa,
65 MPa e 80MPa. 59

Figura 4.8 Comparação entre as curvas para o segundo caso de


distribuição de armadura, valor de d’/h=0,10 e fck ≤ 50 MPa,
65 MPa e 80MPa. 60

Figura 4.9 Gráfico explicativo para a verificação da seção 62

Figura 4.10 Representação da superfície de interação. 65

Figura 4.11 Representação plana dos diagramas de interação. 65

Figura 4.12 Primeiro caso de distribuição de armadura analisado para


seções submetidas a flexão composta oblíqua. 66

Figura 4.13 Segundo caso de distribuição de armadura analisado para


seções submetidas a flexão composta oblíqua. 67

Figura 4.14 Dados utilizados para a obtenção das curvas das Figuras 4.15.a
e 4.15.b. 67

Figura 4.15.a Exemplo de curvas de interação para o primeiro caso de


distribuição de armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,10. 68

Figura 4.15.b Exemplo de curvas de interação para o primeiro caso de


distribuição de armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,10. 69

Figura 4.16.a Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck igual a 65 e 80MPa. 70
XIV

Figura 4.16.b Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck igual a 65 e 80MPa. 71

Figura 4.17 Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10, ν d =0,4; ω=0,4 e fck ≤ 50 MPa,
65 MPa e 80 MPa. 72
XV

Lista de Tabelas

Capítulo II

Tabela 2.1 Casos analisados na obtenção das curvas µ - ν - φ. 16

Tabela 2.2 Casos analisados na obtenção das curvas µ-ν-λ (720 casos). 24

Tabela 2.3 Análise dos pontos nas curvas para le/h=40 (Figura 2.26). 33

Capítulo III

Tabela 3.1 Correspondência entre os estados limites da NB-1, os valores


do parâmetro D, ε c e ε i.. 38

Tabela 3.2 Correspondência dos domínios com os valores de ε c e ε i.. 38

Capítulo IV

Tabela 4.1 Análise dos pontos nas curvas para o primeiro caso de
distribuição de armadura (Figura 4.7). 61

Tabela 4.2 Análise dos pontos nas curvas para o segundo caso de
distribuição de armadura (Figura 4.8). 61

Tabela 4.3 Verificação para o primeiro caso de distribuição de armadura


(Figura 4.7). 62

Tabela 4.4 Verificação para o segundo caso de distribuição de armadura


(Figura 4.8). 63

Tabela 4.5 Análise dos pontos nas curvas para o primeiro caso de
distribuição de armadura (Figuras 4.14.a e 4.14.b). 73
XVI

Lista de Símbolos

- Letras romanas maiúsculas:

A, B, C Constantes da função σs para o aço classe B

Ac Área de concreto

As Área de armadura

CG Centro de gravidade da seção de concreto

D0 ,D1 ,D2 Constantes da função σc na região I

Ec Modulo de elasticidade tangente

Ec1 Módulo de elasticidade secante

Es Módulo de elasticidade longitudinal do aço

Gkm Polinômio genérico de integração numérica

M Momento fletor

M1 Momento fletor de primeira ordem

M2 Momento fletor de segunda ordem

Md Momento fletor de cálculo

MRx ,MRy ,NRz Esforços resistentes na seção de concreto nas direções x,y,z

MRξ,MRη,NRζ Esforços seccionais resistentes nas direções ξ,η,ζ

MRξΙ,MRηΙ,NRζΙ Esforços seccionais resistentes nas direções ξ,η,ζ referentes a


região I do concreto

MRξΙΙ,MRηΙΙ,NRζΙΙ Esforços seccionais resistentes nas direções ξ,η,ζ referentes a


região II do concreto

MSx ,MSy ,NSz Esforços solicitantes nas direções x,y,z


XVII

N Força normal

NB Número de barras de aço da seção transversal

Nd Força normal de cálculo

NS Número de segmentos da seção

Rc Resultante de compressão do concreto

R’s Resultante correspondente a armadura A’s

Rs Resultante correspondente a armadura As

X,Y,Z Sistema global de coordenadas da seção

- Letras romanas minúsculas:

1/r Curvatura da seção

b Largura da seção de concreto

d Altura útil da seção

d/r Produto da curvatura pela altura útil da seção

d’ Distância entre o centro de gravidade da armadura mais comprimida


e o bordo mais próximo da seção

d’/h Relação entre a distância entre o centro de gravidade da armadura


mais comprimida e o bordo mais próximo da seção e a altura da
seção

e2 Deslocamento transversal de segunda ordem do eixo do pilar

fcd Resistência de cálculo do concreto à compressão

fck Resistência característica do concreto à compressão

fcm Valor médio da resistência à compressão

fctm Valor médio da resistência à tração


XVIII

fyd Resistência de escoamento de cálculo do aço

fyk Resistência de escoamento característica do aço

h Altura da seção de concreto

l Comprimento do elemento de concreto

le Comprimento de flambagem do pilar

x,y,z Sistema local de coordenadas da seção

- Letras gregas:

α Inclinação da linha neutra

α1 Coeficiente que permite a determinação da tensão média de


compressão em relação à posição da linha neutra

χ0 Curvatura da seção transversal

δ1 Relação entre d e h

δ’ Relação entre d’e d

δ’1 Relação entre d’e h

∆η Diferença entre ordenadas no sistema (ξ,η,ζ) dos vértices i e i+1 que


define o segmento de reta j

∆ξ Diferença entre abscissas no sistema (ξ,η,ζ) dos vértices i e i+1 que


define o segmento de reta j

ε Deformação axial total

ε0 Deformação da fibra do centro de gravidade

ε1 Deformação do aço correspondente a 0,7 da resistência de cálculo

εc Deformação da fibra extrema superior do concreto


XIX

ε c1 Deformação para tensão máxima de compressão

ε ct Deformação de tração do concreto

ε ct1 Deformação de tração do concreto correspondente à tensão de tração


de 0,9fcm

ε ct2 Deformação de tração do concreto correspondente à tensão de tração


de fcm

ε cu Deformação limite no concreto

εi Deformação da fibra extrema inferior

εs Deformação no aço referente à armadura As

ε’s Deformação no aço referente à armadura A’s

ε yd Deformação unitária de escoamento do aço

ε(y) Deformação correspondente a uma distância y da linha neutra

φ Produto da curvatura pela altura útil da seção

γc Coeficiente de minoração da resistência do concreto

γs Coeficiente de minoração da resistência do aço

ηs,ηι Ordenadas do sistema de coordenadas (ξ,η,ζ) dos pontos extremos


superior e inferior da seção

λ Índice de esbeltez

µ1 Momento fletor reduzido de primeira ordem

µ2 Momento fletor reduzido de segunda ordem

µd Momento fletor reduzido de cálculo

µdx Momento fletor reduzido de cálculo na direção x

µdy Momento fletor reduzido de cálculo na direção y


XX

νd Força normal reduzida de cálculo

σc Tensão de compressão no concreto

σct Tensão de tração no concreto

σs Tensão nas barras de aço com área As

σ’s Tensão nas barras de aço com área A’s

σ(y) Tensão correspondente a uma distância y da linha neutra

ω Taxa mecânica de armadura correspondente à área As

ω’ Taxa mecânica de armadura correspondente à área A’s

ρi Percentagem da armadura total correspondente à i-ésima barra

ξ 01 , η01 Coordenadas no sistema (ξ,η,ζ) do ponto que define transição entre


as regiões 0 e I

ξ 12,η12 Coordenadas no sistema (ξ,η,ζ) do ponto que define transição entre


as regiões I e II

ξ,η,ζ Sistema local de coordenadas que passa pelo centro de gravidade da


seção

ξ Posição da linha neutra

ξ’ Coeficiente que define o ponto de aplicação da resultante Rc


1

Capítulo I – Introdução

O concreto de alta resistência é um material que, apesar de ser considerado


recente, já faz parte de nossa realidade, devido à sua grande viabilidade técnico-
econômica. Em geral, são considerados concretos de alta resistência aqueles que
apresentam resistências acima das usuais em um determinado local e época.

O concreto de alta resistência é produzido de maneira prática e econômica,


utilizando-se cimento, areia e brita comuns, mas cuidadosamente selecionados, com
uma relação água/cimento bastante reduzida, o que requer o uso de superplastificantes e
um cuidadoso controle de qualidade no processo de produção.

São muitas as vantagens do concreto de alta resistência, como, por exemplo:


aumento da durabilidade das estruturas, altas resistências iniciais, maior
trabalhabilidade, resistência a ataques químicos, aderência a superfícies com concreto
antigo (utilizado em reforço e recuperação de estruturas), rapidez na desforma,
diminuição do volume de concreto, resistência à abrasão (utilizado em pisos de alta
resistência), estruturas com menores dimensões (ex. pilares, aumentando o espaço útil
dos pavimentos e vagas nas garagens).

É por isso que a maioria dos países desenvolvidos tentam adaptar suas normas
para este novo material, como é o caso do Código Modelo do CEB.

No Brasil, o número de pesquisas realizadas ainda é relativamente baixo quando


comparado ao de outros países, sendo a maior parte destas desenvolvidas a partir de
1990. A versão atual da NB-1 ainda não contempla concretos de alta resistência e por
isso os projetistas têm que recorrer a normas estrangeiras para o dimensionamento das
estruturas.

O objetivo principal deste trabalho é o de construir diagramas de interação para


o dimensionamento de pilares esbeltos sujeitos a flexão composta reta e diagramas de
interação para o dimensionamento de seções sujeitas a flexão composta reta e oblíqua
considerando concretos de alta resistência. São feitas, ainda, comparações entre os
resultados obtidos para concretos de alta resistência e concretos convencionais.

O trabalho está dividido em duas partes:


2

A primeira, apresentada no segundo capítulo, trata da continuação de uma


pesquisa realizada por SMIDERLE (1998) sobre a construção de diagramas de interação
para o dimensionamento de pilares de concreto de alta resistência submetidos à flexão
composta reta, com o auxílio do modelo computacional PCFRAME (KRÜGER, 1989 e
modificado por CAMPOS, 1993). Neste capítulo, é feita uma breve descrição do
modelo computacional adotado e são apresentadas as Curvas Momento Fletor – Força
Normal – Curvatura e Momento Fletor – Força Normal – Índice de Esbeltez para o
dimensionamento de pilares esbeltos.

Na segunda parte é desenvolvido um programa para seções submetidas a flexão


composta reta e oblíqua com concreto de alta resistência, baseados na relação tensão-
deformação proposta pelo CEB-90, como pode ser visto no terceiro capítulo. Neste
capítulo é apresentada a formulação com os conceitos básicos sobre a configuração
deformada de uma seção qualquer de concreto armado no estado limite último, de
acordo com o CEB-90, e a obtenção dos esforços resistentes.

Já o quarto capítulo apresenta os diagramas de interação construídos para o


dimensionamento de seções submetidas a flexão composta reta e oblíqua.

No capítulo cinco são apresentadas as conclusões e as sugestões para trabalhos


futuros e, nos anexos, um resumo do modelo computacional para a análise de pilares
esbeltos e todas as curvas obtidas neste trabalho.
3

Capítulo II – Análise de pilares com concreto de alta


resistência utilizando o programa PCFRAME

2.1 – Introdução
O concreto armado é um material não-linear, já que seus componentes aço e
concreto são não-lineares, ou seja, não existe linearidade entre suas tensões e
deformações, o que denomina-se não-linearidade física. No caso de pilares, também
deve-se levar em conta a não linearidade geométrica, ocasionada pelos deslocamentos
transversais ao seu eixo.

O dimensionamento de pilares esbeltos de concreto armado sujeitos à flexão


composta deve ser feito por meio de um processo de aproximações sucessivas, onde, em
cada iteração, procura-se igualar os esforços solicitantes aos resistentes. Porém, com o
intuito de facilitar os cálculos, já que estes são muito complexos, encontram-se
disponíveis na literatura as curvas Momento Fletor - Força Normal - Curvatura e
Momento Fletor - Força Normal - Índice de Esbeltez, baseadas no diagrama
parábola-retângulo da NBR-6118 com a deformação máxima do concreto, ε cu, fixada
em 3,5‰. Para concretos de alta resistência, entretanto, ε cu é menor do que 3,5‰ e
esses diagramas podem perder a validade.

Uma comparação entre as relações tensão-deformação propostas pelo MC90-


CEB e pela NBR- 6118 (1978) para diferentes valores de resistências do concreto é feita
na Figura 1.

Observa-se que, para o concreto de 20MPa, quase não existem diferenças entre
as curvas, mas, para o de 80MPa, as diferenças aparecem em todo o trecho da curva,
principalmente no final, onde os valores das deformações últimas são bastante
diferentes, já que no caso do diagrama proposto pelo MC90-CEB, esta depende do valor
de fck.
4

Figura 2.1: Diferenças entre as relações tensão – deformação propostas pelo CEB-90 e
NBR-6118 para diferentes resistências do concreto.

Com base nesta diferença, SMIDERLE (1998) realizou um estudo sobre o


comportamento de pilares de concreto armado com o auxílio do modelo computacional
PCFRAME (KRÜGER, 1989 e modificado por CAMPOS, 1993), o qual leva em
consideração a relação tensão-deformação proposta pelo MC90-CEB e as não-
linearidades físicas e geométricas.

Em seu trabalho foram construídas curvas Momento Fletor - Força Normal -


Curvatura e Momento Fletor - Força Normal - Índice de Esbeltez para o
dimensionamento de pilares à flexão composta reta com dois valores distintos de
resistência (normal e alta) para um dado tipo de distribuição de armadura, conforme a
seção transversal mostrada na figura abaixo.

d’

b A A

h
Figura 2.2: Seção transversal analisada por SMIDERLE (1998).
5

Os dados utilizados na obtenção destas curvas foram:

d’/h = 0,05
Resistências do concreto: fck = 20 MPa e 80 MPa
Aço: CA-50A
As = 2.A Ac = b.h

Na Figura 2.3 são apresentados alguns resultados obtidos por SMIDERLE (1998):

Figura 2.3: Exemplos de resultados obtidos por SMIDERLE (1998).

Verifica-se que para o diagrama da esquerda (µ−ν−φ), as diferenças entre as


curvas do concreto comum e o de alta resistência, diminuem com o aumento do
momento atuante. Já para o diagrama da direita (µ−ν−λ), notam-se que as diferenças
são maiores nos trechos descendentes das curvas, que é justamente a região onde o pilar
perde a estabilidade, o que será melhor explicado no decorrer deste capítulo.
Dando prosseguimento a este trabalho, foram construídas curvas Momento
Fletor - Força Normal - Curvatura e Momento Fletor - Força Normal - Índice de
Esbeltez para outro tipo de distribuição de armaduras conforme a Figura 2.4, sendo
analisados pilares com três resistências diferentes à flexão composta reta.
6

d’

A
b A A
A

h
Figura 2.4: Seção transversal utilizada para determinação das curvas.

Os dados utilizados na obtenção destas novas curvas foram:

d’/h = 0,10
Resistências do concreto: fck = 30 MPa, 60 MPa e 90 MPa
Aço: CA-50A
As = 4.A Ac = b.h M=M1 +M2
fyd = fyk / γs e fcd = fck / γc
Onde :

Nd Md A s fyd
νd = µd = 2
w=
b h fcd b h f cd A c fcd

O estudo foi realizado com o auxílio do modelo computacional descrito a seguir:

2.2 – Descrição do Modelo Computacional


Será mostrado neste item, um resumo da formulação e hipóteses utilizadas por
KRÜGER (1989) e modificada por CAMPOS (1993) de acordo com o apresentado na
dissertação de LIMA JR. (1996).

2.2.1 - Leis Constitutivas do Material


a - Concreto

O modelo utiliza para representação do comportamento do concreto à


compressão e à tração a formulação apresentada pelo CEB (1990). As curvas típicas são
apresentadas nas Figuras 2.5 e 2.6, onde:

fcm - Valor genérico da resistência à compressão;


Ec - Modulo de elasticidade tangente;
7

Ec1 - Módulo de elasticidade secante;


ε c1 - Deformação para tensão máxima de compressão que é igual a 0,0022;
ε cu - Deformação correspondente a 0,5fcm;
fctm - Valor genérico da resistência à tração;
σct - Tensão de tração;
ε ct - Deformação de tração;
ε ct1 - Deformação de tração correspondente à tensão de tração de 0,9fcm;
ε ct2 - 0,00015.

Figura 2.5: Curva tensão - deformação para compressão segundo CEB (1990).

Figura 2.6: Curva tensão - deformação para tração segundo CEB (1990).
8

O CEB (1990) define fcm ,para especificações de projeto, como:

fcm = fck + 8 (em MPa) (equação 2.1)

A equação que determina a curva genérica da Figura 2.5, é dada por:


  Ec   εc   εc  2 
  .  −   
 Ec1 εc1 εc1 
σ c =        .f cm (equação 2.2)
 1 +   Ec  − 2 . εc  
   Ec1   εc1 
  

para ε c≤ ε cu.

E, para valores maiores que ε cu, a equação da curva é:

-1
    
    
2   εc   4  εc 
2
  1 
σc =  .ξ − 2  
.  + . − ξ .  f cm (equação 2.3)
  εc   εc   εc1    εc    εc1 
 .  .     .   
  εc1   εc1     εc1   
onde:

  
 εcu   Ec   
2
  εcu   Ec 
 
  εc1   Ec1
4 . . − 2 . + 2   −   
   εc1   Ec1   
ξ=   (equação 2.4)
  εcu   Ec
2

 
2
   . − 2 . + 1 
  ε    
  c1 E c1
 

e a deformação ε cu:

εcu 1  1 Ec
2
 1  1 Ec  1
= . . + 1 +  . + 1 − (equação 2.5)
εc1 2  2 Ec1  4  2 Ec1  2

O módulo de elasticidade tangente para o concreto de peso normal pode ser


estimado utilizando-se sua resistência característica, conforme a equação abaixo:

Ec = αe . (f cm/f cm0 )
1/ 3
(MPa) (equação 2.6)
9

onde:
fcm0 = 10 MPa
α e=2,5 x 104 MPa.

Já o módulo de elasticidade secante fica definido como:


f cm
Ec1 = (equação 2.7)
0,0022

O comportamento à tração do concreto, representado pela Figura 2.6, é definido


pelo CEB (1990) como:

σct = Ect . εct (equação 2.8)


para valores de σ≤ 0.9fctm , e:

0,1.fctm
σct = fctm - .0,00015 − εct (equação 2.9)
 0,9.f ctm 
0.00015 -  
 Ec 
para 0.9fctm < σ ≤ fctm.

Para as equações acima, o valor de fctm é definido como:


 fck 
2/3
fctm = αfct, m.  (equação 2.10)
 fck0 

onde:
α fct,m=1,40 MPa e
fck0= 10MPa.

Finalmente, o valor de ε ct1 é igual a:

 0,9.fctm 
εct1 =   (equação 2.11)
 Ec 
10

b - Aço

São considerados dois tipos de armadura: classe A e classe B, cujos diagramas


tensão-deformação são os propostos pela NBR-6118 (Figuras 2.7 e 2.8).

Figura 2.7 : Diagrama tensão - deformação para o aço classe A.

Figura 2.8 : Diagrama tensão - deformação para o aço classe B.


11

2.2.2 - Elemento Finito Utilizado

O programa utiliza um elemento finito de viga descrito inicialmente em um


sistema natural de coordenadas (Figura 2.9-a).

Em seguida, este é transformado para um sistema auxiliar, onde as coordenadas


de deslocamentos são dispostas segundo as coordenadas globais do pórtico e permitem a
descrição de deslocamentos de corpo rígido (Figura 2.9-b). Logo após, é feita a
transformação para o sistema global de coordenadas e, a partir daí, segue o método da
rigidez direta.

(a) (b)

Figura 2.9 : Sistemas de coordenadas: (a) natural e (b) auxiliar respectivamente.

2.2.3 - Método de Resolução

Para cada etapa do processo incremental precisa-se resolver o sistema não-linear


de equações. Esta resolução é feita pelo Método de Newton-Raphson por meio de várias
estratégias à escolha do usuário, a saber: Método de controle do trabalho das forças
externas; Método das normas dos deslocamentos; Método de controle dos
deslocamentos; e o Controle de carga.

Para a análise da estrutura numa determinada etapa do carregamento é


processado o algoritmo apresentado na Figura 2.10, independentemente do método
utilizado para a resolução do sistema não-linear de equações.
12

Cálculo das cargas nodais


aplicadas a cada incremento

Cálculo das características geométricas


iniciais para o estado indeslocado e
indeformado para o elemento

Os acréscimos de deslocamentos globais oriundos da resolução dos


sistemas de equações não-lineares são transformados em acréscimos de
deslocamentos de cada barra

Atualiza as características
geométricas e a matriz [T]

Cálculo da matriz de rigidez tangente e o vetor


dos deslocamentos nodais equivalentes às Não
tensões para o sistema global

Modifica a matriz de rigidez


global para as condições de
contorno

Verifica a i-ésima
Não Sim
iteração do critério de
convergência

Resolve o sistema de O processo iterativo é


equações para um novo encerrado para o incremento
acréscimo de deslocamentos em questão
globais, com atualização dos
mesmos

Sim Verifica se o incremento de


Forma uma nova matriz e um novo carga atingiu o máximo
vetor de forças nodais indicado nos dados de entrada

O processo incremental é encerrado e os resultados da estrutura podem


ser encontrados nos arquivos de saída

Figura 2.10: Algoritmo para análise da estrutura numa etapa do carregamento


utilizado pelo modelo computacional.
13

2.3 - Curvas Momento Fletor - Força Normal - Curvatura

2.3.1 - Introdução

São apresentadas a seguir curvas momento fletor - força normal - curvatura,


obtidas pelo modelo computacional para concretos com resistências características de
30, 60 e 90 MPa.

As curvas foram obtidas seguindo-se os procedimentos apresentados na


dissertação de SMIDERLE (1998). O modelo utilizado considera pilares bi-rotulados,
discretizados em seis elementos, com a seção transversal indicada na Figura 2.11,
submetidos a uma força normal de compressão constante (correspondente a um
determinado valor de ν) e a um par de momentos fletores aplicados nos extremos, que
vão sendo incrementados pelo programa, e são responsáveis pelos momentos de
primeira ordem, como se pode verificar na figura abaixo.

d’

A
b A A
A

h
N= cte

M1 Elem. 6

Elem. 5
Valores
Elem. 4
Incrementados
C C
le Elem. 3

Elem. 2

M1 Elem. 1

Figura 2.11: Esquema do pilar utilizado na obtenção das curvas µ-ν-φ.

2.3.2 – Análise das curvas obtidas pelo modelo

Todos os diagramas foram feitos para concretos com resistências de 30, 60 e 90


MPa sempre considerando o aço CA-50A.
14

Assim, fixado o valor de ν (da força normal N), as curvas foram obtidas para as
diversas taxas mecânicas de armadura (ω) sempre para a seção intermediária C-C.

A Figura 2.12 mostra as curvas correspondentes a ν=0,2 para uma seção de um


pilar de concreto com resistência fck=30 MPa.

O eixo das ordenadas representa os momentos fletores reduzidos totais,


correspondentes à soma dos momentos de primeira ordem (esforços M1 , aplicados nas
extremidades do pilar) com as solicitações de segunda ordem (N.e2 ) e as abscissas
representam os valores da curvatura da seção (1/r) multiplicados por 1000 e por sua
altura útil (d).

N M A s f yd
Assim, ν = , µ= 2
eω=
b h fcd b h fcd Ac fcd

sendo M = M1 + M2 onde:
M1 - momento de primeira ordem (aplicado);
M2 -momento de segunda ordem (N. e2 )
µ
0.40 CC
BB w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20 w=0.4

w=0.2

0.10 A
A

w=0.0

0.00

0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00 (d/r) x 1000


Figura 2.12: Diagrama µ-ν-φ para ν=0,2 e f ck=30 MPa.
15

Observando as curvas para as diversas taxas mecânicas de armadura (ω),


podem-se notar alguns pontos em que ocorrem mudanças nas suas trajetórias (A, B e C
assinalados na curva correspondente a ω= 1,0). No ponto A, ocorre a físsuração no
concreto. Há então uma perda de rigidez da coluna com uma mudança na inclinação da
curva em um trecho também aproximadamente linear até o ponto B, onde ocorre o
escoamento da armadura tracionada (atingida no ponto B a deformação ε=ε yd= 2,07‰).
O ponto C corresponde ao escoamento da armadura comprimida, com a curva tendendo
a ficar na horizontal, atingindo-se então o esgotamento da capacidade de carga.

Analisando a Figura 2.13, pode-se verificar os comentários acima. Nela é


mostrada a evolução das deformações do concreto e das armaduras na seção
intermediária do pilar com o acréscimo do momento M, para a curva correspondente a
ω=1,0. Assim, acompanhando as deformações, pode-se observar os pontos onde
ocorrem a fissuração do concreto (ε=0,15‰) e o início do escoamento das armaduras
(ε=2,07‰).

d’/h=0,10 - fck = 30 MPa - Aço CA 50-A - ν =0,2 - ω=1,0


µ Escoamento da
0.40 Armadura
Comprimida
Escoamento da
Armadura
0.30
Tracionada Deformação nas
armaduras
Deformação no
concreto
0.20

0.10 Fissuração
no Concreto

ε = -2.07 ε = 0.15 ε = 2.07


0.00 ε ‰
-2.00 0.00 2.00 4.00
Compressão Tração
Figura 2.13: Exemplo de gráfico µ x ε para ν=0,2 e f ck=30 MPa.

Na Tabela 2.1 são apresentados todos os casos analisados neste trabalho para a
obtenção das curvas µ -ν - φ.
16

As curvas obtidas para os outros valores de ν apresentam comportamento


semelhante ao das curvas de ν=0,2, diferindo, entretanto, na localização dos pontos de
início de escoamento das armaduras tracionada e comprimida (pontos B e C da Figura
2.12). A partir destes resultados observa-se que, com o aumento da força normal, os
pontos B e C tendem a trocar de posição, ou seja, a armadura comprimida passa a escoar
antes da tracionada.
Tabela 2.1: Casos analisados na obtenção das curvas µ - ν - φ.

ν fck ω aço d'/h


0.0
0.2
30 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
0,2 60 0.4 CA-50A 0,10
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
90 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
30 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
0,4 60 0.4 CA-50A 0,10
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
90 0.4
0.6
0.8
1.0
17

ν fck w aço d'/h


0.0
0.2
30 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
0,6 60 0.4 CA-50A 0,10
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
90 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
30 0.4
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
0,8 60 0.4 CA-50A 0,10
0.6
0.8
1.0
0.0
0.2
90 0.4
0.6
0.8
1.0

2.3.3 - Influência da resistência do concreto

Na Figura 2.14 apresentam-se as curvas µ - ν - φ para concretos com fck de


30 MPa, 60 MPa e 90 MPa plotadas no mesmo gráfico a fim de analisar a influência da
resistência do concreto.
18

Verifica-se que as diferenças entre as curvas tendem a diminuir com o aumento


do momento atuante. Até a fissuração do concreto, as diferenças são grandes (Figura
2.15). A partir deste ponto até o início do escoamento da armadura tracionada, as curvas
das três resistências tendem a se aproximar um pouco, chegando a ficar coincidentes
durante o escoamento da armadura tracionada até a armadura comprimida começar a
escoar. Neste ponto, próximo do estado limite último, as curvas voltam a se separar,
ficando a de concreto com menor resistência ligeiramente acima daquelas construídas
com concreto de alta resistência.

fck=30MPa
ν = 0,2 fck=60MPa
fck=90MPa
µ
0.40
w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20 w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00
Figura 2.14: Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,2 e concreto com resistências de
30, 60 e 90 MPa.
19

Figura 2.15: Região de fissuração das curvas µ-ν-φ para ν=0,2 e concreto com
resistências de 30, 60 e 90 MPa.

Da mesma forma como foi feito para ν=0,2, são apresentadas as curvas µ - ν - φ
comparando-se as três resistências para ν=0,4, ν=0,6 e ν=0,8 respectivamente (Figuras
2.16, 2.17 e 2.18). Nota-se que há uma tendência de aumento das diferenças entre as
curvas no estado limite último, com o crescimento da força normal ν, mas, de um modo
geral, o comportamento destas curvas é semelhante ao apresentado na Figura 2.14.

Vale ser dito também que as primeiras curvas µ - ν - φ (para ν=0,2, ν=0,4 e
parte de ν=0,6) foram obtidas com pilares esbeltos (λ≈138). Mas, com o aumento da
solicitação, o pilar muitas vezes passava a entrar em colapso por instabilidade, sem que
a seção analisada tivesse sua capacidade de carga esgotada (o pilar flambava sem que as
armaduras escoassem ou que o concreto esmagasse) inviabilizando a obtenção das
curvas. Assim, as demais curvas foram obtidas para as seções intermediárias de pilares
curtos (λ≈35).
20

µ ν =0,4
fck =30MPa
0.40 fck =60MPa
fck =90MPa
w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20 w=0.4

w =0.2

0.10
w=0.0

0.00 (d/r) x 1000

0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

Figura 2.16: Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,4 e concreto com resistências de
30, 60 e 90 MPa.
µ
ν =0,6
0.40 fck =30MPa
fck =60MPa
w=1.0 fck =90MPa

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2
0.10
w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00
Figura 2.17: Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,6 e concreto com resistências de
30, 60 e 90 MPa.
21

µ
ν =0,8 fck =30MPa
0.40 fck =60MPa
fck =90MPa

0.30 w=1.0

w=0.8

0.20
w=0.6

w=0.4
0.10

w=0.2

w=0.0
0.00 (d/r) x 1000

0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

Figura 2.18: Comparação das curvas µ-ν-φ para ν=0,8 e concreto com resistências de
30, 60 e 90 MPa.
22

2.4 - Curvas Momento Fletor - Força Normal – Índice de Esbeltez

2.4.1 - Introdução

Neste item, são apresentadas as curvas momento fletor - força normal - índice de
esbeltez, obtidas pelo modelo computacional para concretos com resistências de 30, 60
e 90 MPa.

De modo semelhante às curvas anteriores, estes diagramas foram obtidos


baseados na dissertação de SMIDERLE (1998) e o modelo utilizado foi análogo ao das
curvas µ-ν-φ, com seção transversal indicada na Figura 2.19. O pilar está submetido a
uma força normal e a um par de momentos fletores aplicados nas extremidades, que vão
sendo incrementados pelo programa de modo a se obterem pares de esforços (N e M1 )
que levem o pilar ao colapso, seja por instabilidade ou pelo esgotamento da capacidade
resistente de sua seção crítica (seção intermediária C-C indicada na figura abaixo, onde
ocorre a excentricidade de segunda ordem máxima).

d’

A
b A A
A

h
N

M1 Elem. 6

Elem. 5
Valores
Incrementados Elem. 4
C C Ponto de integração
le deslocado para a
Elem. 3
extremidade do elem.4
Elem. 2
M1
Elem. 1

Figura 2.19: Esquema do pilar utilizado na obtenção das curvas µ-ν-λ.

Os pilares estão discretizados em seis elementos iguais, tendo o ponto de Gauss


do elemento 4 se deslocado para a sua extremidade esquerda a fim de se poderem obter
as tensões e deformações exatamente na seção intermediária do pilar.
23

Deve-se ressaltar que as curvas foram obtidas com momentos de primeira ordem
constantes ao longo do pilar conforme é mostrado na Figura 2.20.

M1 M1

M1 M1

Figura 2.20: Forma do diagrama de momentos de primeira ordem empregado na


obtenção das curvas µ-ν-λ.

2.4.2 – Análise das curvas obtidas pe lo modelo

Todos os diagramas foram feitos para concretos com resistências de 30, 60 e 90


MPa, sempre considerando o aço CA-50A.

Assim, escolhida uma determinada esbeltez, a resistência do concreto e a taxa


mecânica de armadura (ω), cada par de esforços (ν e µ1 ) que conduzia o pilar à ruína
representava um ponto na curva µ -ν - λ.

Os pontos foram obtidos para dois pilares esbeltos (le/h=40 e le/h=25) e um pilar
curto (le/h=10), da seguinte maneira: fixavam-se os valores da força normal N
(escolhidos em ordem crescente, a partir de zero, de modo a varrer todo o eixo das
abscissas) e se fazia incrementar somente M1 até que atingisse o valor que conduzisse o
pilar à ruína. Em seguida calculavam-se os esforços reduzidos na forma adimensional ν
e µ1 gerando as curvas.

Na Tabela 2.2, são mostrados todos os casos analisados para a obtenção destas
curvas.
24

Tabela 2.2: Casos analisados na obtenção das curvas µ-ν-λ (720 casos).

le/h fck ω ν aço d'/h


0.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39
0.2 0 – 0.09 – 0.15 – 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.45
30 0.4 0 – 0.12 – 0.2 – 0.22 – 0.25 - 0.3 – 0.4 – 0.5 – 0.52
0.6 0 – 0.16 – 0.2 – 0.25 – 0.28 – 0.3 – 0.4 – 0.48 – 0.56
0.8 0 – 0.16 – 0.2 – 0.25 – 0.3 – 0.32 – 0.35 – 0.38 - 0.4 – 0.52 – 0.6 – 0.62
1.0 0 – 0.16 – 0.2 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.52 – 0.6 – 0.67
0.0 0 - 0.09 – 0.15 - 0.2 – 0.26 – 0.3 – 0.35 – 0.39
0.2 0 – 0.09 – 0.15 – 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.44
40 60 0.4 0 – 0.16 – 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.45 CA-50A 0,10
0.6 0 – 0.16 – 0.2 – 0.25 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.48 – 0.51
0.8 0 – 0.16 – 0.2 – 0.25 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.52 – 0.57
1.0 0 – 0.16 – 0.2 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.52 – 0.6 – 0.64
0.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 – 0.23 – 0.25 - 0.29
0.2 0 – 0.09 – 0.13 – 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.36
90 0.4 0 – 0.09 – 0.2 – 0.25 – 0.3 – 0.33 - 0.4 – 0.43
0.6 0 – 0.16 – 0.2 – 0.25 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.48
0.8 0 – 0.16 – 0.2 – 0.23 – 0.25 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.5 – 0.55
1.0 0 – 0.16 – 0.2 – 0.3 – 0.35 - 0.4 – 0.52 – 0.6 – 0.61
0.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39 – 0.54 – 0.6
0.2 0 – 0.09 - 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.45 – 0.5 – 0.55 – 0.6 – 0.66 - 0.7
30 0.4 0 – 0.12 – 0.2 – 0.25 - 0.3 – 0.4 – 0.5 – 0.52 – 0.6 – 0.66 – 0.7 – 0.74 – 0.8
0.6 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.9 - 0.95
0.8 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - .. - 1.06
1.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.6 - 0.7 - 0.75 - 0.8 –
0.86 –0.9 - 0.94 – 1.0 – 1.03 – 1.10 – 1.17
0.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39 – 0.54 – 0.58
25 0.2 0 – 0.09 - 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.45 – 0.5 – 0.55 – 0.6 – 0.66 - 0.7 CA-50A 0,10
60 0.4 0 – 0.12 – 0.2 – 0.25 - 0.3 – 0.4 – 0.5 – 0.52 – 0.6 – 0.66 – 0.7 – 0.74 – 0.8
0.6 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.9 - 0.97
0.8 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - ... - 1.10
1.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.6 - 0.7 - 0.75 - 0.8 –
0.86 – 0.9 - 0.94 – 1.0 – 1.03 – 1.10 – 1.17 – 1.2 – 1.24
0.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39 – 0.54 – 0.57
0.2 0 – 0.09 - 0.2 – 0.22 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.45 – 0.5 – 0.55 – 0.6 – 0.66 - 0.72
90 0.4 0 – 0.12 – 0.2 – 0.25 - 0.3 – 0.4 – 0.5 – 0.52 – 0.6 – 0.66 – 0.7 – ... – 0.86
0.6 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.9 - 0.99
0.8 0 - 0.13 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - ... - 1.14
1.0 0 - 0.09 - 0.15 - 0.2 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.6 - 0.7 - 0.75 - 0.8 –
0.86- 0.9 - 0.94 – 1.0 – 1.03 – 1.10 – 1.17 – 1.2 – 1.28
25

le/h fck ω ν aço d'/h


0.0 0 - 0.09 – 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39 – 0.5 – 0.75
0.2 0 – 0.09 - 0.18 – 0.25 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.65 - 0.7 – 0.99
30 0.4 0 – 0.18 – 0.25 - 0.35 – 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.66 – 0.7 – 0.85 – 0.9- 1.25
0.6 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.9 – ...-1.45
0.8 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.6 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.95 – ...-1.65
1.0 0 - 0.18- 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.86 - 0.9 – 1.05 – 1.15 –
1.2 -1.35 - 1.55 - 1.84
0.0 0 – 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.39 – 0.5 – 0.6 – 0.77
10 0.2 0 - 0.18 – 0.25 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.65 - 0.7 – 0.85 – 1.0 CA-50A 0,10
0.4 0 – 0.18 – 0.25 - 0.35 – 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.66 – 0.7 – 0.85 – 0.9- 1.24
60 0.6 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.98-... – 1.45
0.8 0 - 0.18- 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.45 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.86 - 0.9 – 1.0 –...- 1.65
1.0 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.5 - 0.65 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.95 –
1.05 – 1.15 – 1.20 – 1.35 – 1.40 – 1.85
0.0 0 – 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.81
0.2 0 - 0.18 – 0.25 – 0.3 – 0.35 – 0.4 – 0.5 – 0.6 – 0.65 - 0.7 – 0.85 – 1.03
0.4 0 – 0.18 – 0.25 - 0.35 – 0.4 – 0.45 - 0.5 – 0.6 – 0.7 – 0.85 – 0.9- 1.25
90 0.6 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.85 - 0.98 –... – 1.45
0.8 0 - 0.18- 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.45 - 0.55 - 0.67 - 0.75 - 0.86 - 0.95 – ...- 1.65
1.0 0 - 0.18 - 0.26 - 0.3 - 0.35 - 0.4 – 0.45 - 0.5 - 0.55 - 0.75 - 0.8 - 0.86 - 0.95 –
1.05 – 1.15 – 1.35 – 1.40 – 1.5 – 1.84
26

Na figura abaixo é apresentado um gráfico contendo as curvas µ -ν - λ para um


concreto com resistência convencional (fck=30MPa) e esbeltez el/h=40 (λ≈138) para as
diversas taxas mecânicas de armadura.

µ1
0.40

le/h=40
w=1.0

fck=30MPa - d'/h =0,10 - Aço CA-50A

0.30 w=0.8

w=0.6 A
0.20

w=0.4

Pontos de Mudança
na Trajetória

0.10
w=0.2

B
w=0.0

0.00
ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80

Figura 2.21: Diagrama µ-ν-λ para le/h=40 e f ck=30 MPa.

A Figura 2.21 mostra que, para todas as curvas (exceto a de ω=0), há uma
mudança mais brusca nos seus traçados exatamente na região assinalada na figura. A
fim de facilitar a análise do comportamento das curvas, foram tomados arbitrariamente
os pontos A e B.

O ponto B é justamente onde acontece esta mudança de trajetória e o ponto A é


relativo a ν=0,15.

Como já foi dito, cada ponto de qualquer uma das curvas representa um par de
esforços (ν e µ1 ) que leva o pilar à ruína, seja por esgotamento da capacidade de carga
de sua seção crítica (por esmagamento do concreto ou escoamento das armaduras) ou
27

por instabilidade da coluna. Assim, a análise dos pontos será feita por meio de gráficos
momento aplicado x deformações na seção intermediária do pilar (seção crítica), onde
se poderá acompanhar o comportamento das deformações no concreto e nas armaduras
à medida em que M1 vai sendo incrementado (já que N era sempre mantido com um
valor constante).

Na Figura 2.22 é apresentado um gráfico mostrando a evolução das deformações


no concreto e nas armaduras na seção intermediária C-C, com os acréscimos do
momento aplicado M1 , para o ponto A (que representa o par de esforços ν=0,15 e
µ1 =0,206).

São apresentadas duas curvas de deformações no concreto, uma para cada face
do pilar. Também para as armaduras aparecem duas curvas, representando as
deformações nas duas porções de armadura dispostas de cada lado da seção.

Acompanhando-se o gráfico tem-se inicialmente, para o momento aplicado igual


a zero, todas as curvas de deformações juntas, partindo do mesmo ponto. Trata-se, neste
instante, de compressão uniforme. Com o aumento do momento, as deformações do
concreto nas duas faces do pilar vão se distanciando até que se tenha tração em uma
delas. A partir daí, as fibras tracionadas do concreto resistem às tensões até o instante
em que, atingida a deformação ε = 0,15‰, ocorre a fissuração. Passa a existir, a partir
deste ponto, apenas uma curva de deformações no concreto (na face comprimida da
seção) e as duas curvas que representam as deformações nas armaduras comprimida e
tracionada. Com a fissuração do concreto, há uma perda de rigidez da seção e pode-se
observar no gráfico a primeira mudança de inclinação das curvas. Segue-se, então, um
trecho praticamente linear, onde ocorre o escoamento da armadura tracionada. Nova
perda de rigidez da seção, com mais uma mudança de inclinação das curvas e o
momento continua aumentando até atingir seu valor máximo exatamente no ponto onde
a armadura comprimida começa a escoar. A seção passa então a não resistir mais a
acréscimos de carga e as curvas passam a assumir um trecho descendente.

Conclui-se assim, que no ponto A o que levou o pilar à ruína foi o esgotamento
da capacidade de carga da seção intermediária C-C, que se deu por escoamento das
armaduras.
28
ω=1.0
d’/h=0,10 - le/h=40
fck=30 MPa - Aço CA-50A

Pto A - ν =0,15; µ1 =0,206

Deformação nas
µ1 armaduras
Deformação no
0.25
concreto

Escoamento da
Armadura
0.20 Comprimida Escoamento da
Armadura
Tracionada

0.15

0.10

Fissuração
0.05 no Concreto

ε=-2.07 ε=0.15 ε=2.07


0.00 ε ‰
-2.00 0.00 2.00 4.00
Compressão Tração

Figura 2.22: Curvas momento aplicado x deformações na seção intermediária,


correspondentes ao ponto A da Figura 2.21.

Já para o ponto B, as curvas µ1 x ε apresentadas na Figura 2.23, mostram que as


solicitações alcançam seus valores máximos sem que a seção crítica do pilar tenha
esgotado sua capacidade resistente, ou seja, o momento aplicado começa a diminuir sem
que as deformações indiquem escoamento das armaduras e esmagamento do concreto.
29

Pto B - ν =0,4 ; µ1 = 0,052

µ1
0.06
Instabilidade
da Coluna

Escoamento da Fissuração
Armadura no Concreto
0.04 Comprimida

0.02

0.00
ε = -2.07 ε = 0.15 ε ‰
-3.00 -2.00 -1.00 0.00 1.00 2.00

Compressão Tração

Figura 2.23: Curva momento aplicado x deformações na seção intermediária


correspondente ao ponto B da Figura 2.21.

Observa-se ainda que, após a fissuração do concreto, o pilar já não resiste mais a
tantos acréscimos de carga como no caso anterior e, para um momento de 0,052, já se
tem a ruína do pilar, sendo que a armadura só entra em escoamento no trecho
descendente da curva.
Pode-se concluir então que se trata de um caso de instabilidade da coluna, pois é
atingida a combinação crítica dos carregamentos capaz de gerar a instabilidade. Neste
caso os deslocamentos transversais do eixo do pilar vão crescendo cada vez mais rápido,
sem que seja possível à seção oferecer esforços resistentes capazes de equilibrar os
solicitantes.
30

Apresentam-se na Figura 2.24 os diagramas µ -ν -λ para pilares com relação


le/h=25 e resistência característica fck=30 MPa. Estas curvas são obtidas da mesma
forma que as anteriores (le/h=40), também apresentam uma mudança de
comportamento, embora não seja possível visualizar claramente os pontos
correspondentes a esta mudança nas trajetórias.

µ1
le/h=25
0.40
fck=30MPa - d'/h=0,10 - Aço CA-50A

w=1.0

0.30

w=0.8

w=0.6
0.20 Mudança de
comportamento
w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.0

ν
0.00
0.00
0.40 0.80 1.20

Figura 2.24: Curvas µ−ν−λ para le/h=25 e f ck=30MPa.

As curvas obtidas para el/h=10 estão mostradas na Figura 2.25. Para este valor
de le/h, não foi observado nenhum caso de instabilidade, sendo que a ruína do pilar se dá
por esgotamento da capacidade de carga da seção mais crítica do pilar, que continua
sendo a intermediária.
31

le/h=10
µ1
0.40
fck=30MPa - d'/h=0,10 - Aço CA-50A
w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2

0.10

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20 1.40 1.60 1.80 2.00

Figura 2.25: Curvas µ−ν−λ para le/h=10 e f ck=30MPa.

2.4.3 - Influência da resistência do concreto

Na Figura 2.26 apresentam-se as curvas µ -ν - λ para le/h=40 e concretos de 30,


60 e 90 MPa. Verifica-se que as maiores diferenças entre as curvas se dão no trecho
correspondente à ruína do pilar por instabilidade. Excetuando-se a curva referente a
ω=0, as diferenças entre as curvas para concretos de resistências convencional e elevada
podem ser consideradas desprezíveis para os pontos de esgotamento da capacidade
resistente da seção crítica do pilar por escoamento das armaduras.

A partir do ponto em que as curvas entram na região de instabilidade as


diferenças passam a ser bastante significativas. Verifica-se também que, quanto menor a
taxa de armadura, maiores as diferenças, pois quanto menor a armação do pilar, maior a
32

participação do concreto na sua capacidade resistente. É exatamente no concreto que


residem as diferenças nas leis constitutivas dos materiais, ou seja, na relação tensão -
deformação para diferentes resistências características. Então é por corresponderem a
pilares sem armaduras que as curvas com ω=0 mantêm as diferenças em todo o seu
traçado. Nelas só o concreto é responsável pela resistência do pilar em todos os pontos
da curva, daí as diferenças se manifestarem sempre.

As curvas referentes aos concretos de alta resistência (60 e 90 MPa) também


possuem o mesmo comportamento citado acima, ou seja, até o ponto de mudança de
trajetória são coincidentes e, logo após, passa a se observar algumas diferenças.

le/h=40 d'/h=0,10 - Aço CA-50A

fck=30MPa
µ1
0.40
fck=60MPa

fck=90MPa
w=1.0

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80

Figura 2.26: Comparação das curvas µ−ν−λ para le/h=40 e f ck=30, 60 e 90MPa.
33

Com o propósito de quantificar estas diferenças, foram escolhidos,


arbitrariamente, quatro pontos nas curvas referente a Figura 2.26 e para cada par de
valores ν e µ1 , correspondentes a esses pontos, foram obtidos os valores de ω nas curvas
com fck=30 MPa e 90 MPa (Tabela 2.3).

Tabela 2.3: Análise dos pontos nas curvas para le/h=40 (Figura 2.26).

Ponto ν µ1 ω 30 (fck=30 MPa) ω 90 (fck=90 MPa) ω 30/ω 90


1 0,5 0,025 0,8 1,0 0,8
2 0,4 0,05 0,8 1,0 0,8
3 0,3 0,025 0,2 0,4 0,5
4 0,2 0,05 0,4 0,5 0,8

Observa-se que as diferenças entre os valores de taxa de armadura obtidas nas


curvas para fck=30 MPa e fck=90 MPa, chega a valores da ordem de 50%.
Nas Figuras 2.27 e 2.28 são mostradas as curvas com diferentes resistências do
concreto para el/h=25 e el/h=10 respectivamente. No gráfico da Figura 2.27 verifica-se
que o comportamento é semelhante ao das curvas para el/h=40, porém com diferenças
menores. Somente na região de instabilidade, neste caso mais precisamente nos trechos
correspondentes às pequenas excentricidades iniciais, na parte final das curvas, é que as
diferenças entre as curvas de concreto de resistência convencional e de altas resistências
se mostram significativas (excetuando-se também aqui as curvas para ω=0). Pode-se
dizer que em linhas gerais as diferenças diminuíram com a redução da esbeltez do pilar.
Já a Figura 2.28 mostra as curvas para um pilar curto e pode-se notar que aqui o
comportamento é diferente, pois não se têm regiões de instabilidade.
34

le/h=25 d'/h=0,10 - Aço CA-50A


µ1 fck=30MPa
0.40
fck=60MPa
fck=90MPa
w=1.0

0.30
w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.40 0.80 1.20 1.60

Figura 2.27: Curvas µ−ν−λ. Influência da resistência do concreto para le/h=25.

le/h=10 d'/h=0,10 - Aço CA-50A


µ1 fck=30MPa
0.40 fck=60MPa
w=1.0 fck=90MPa

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2

0.10
w=0.0

0.00 ν
0.00 0.40 0.80 1.20 1.60 2.00

Figura 2.28: Curvas µ−ν−λ. Influência da resistência do concreto para le/h=10.


35

Capítulo III – Análise de tensões e deformações numa seção


qualquer de concreto armado no estado limite último

3.1- Introdução

Apresentam-se neste capítulo os conceitos básicos e a formulação para a análise


da deformada de uma seção qualquer de concreto armado no estado limite de ruptura, a
partir dos trabalhos de FERREIRA (1986) e MUSSO JR. (1987), que desenvolveram
um programa de dimensionamento de seções quaisquer de concreto armado baseado na
NBR-6118.

Neste trabalho entretanto, os esforços resistentes obtidos através de um


programa de dimensionamento de seções quaisquer de concreto armado, serão
apresentados a partir de uma formulação de acordo com o CEB-90.

3.2- Geometria da seção transversal de concreto armado

A seção transversal é definida como uma poligonal fechada, com seus vértices
descritos segundo um sistema global de coordenadas (X, Y, Z) e numerados no sentido
anti-horário, de acordo com a Figura 3.1, sendo que eventuais aberturas no interior da
seção são caracterizadas pela numeração dos vértices no sentido horário. Barras de
armadura são definidas como pontos localizados no interior da seção de concreto, onde
cada um corresponde a uma percentagem da área de armadura total As.
Y
4

3
9
8

5 10

7=12
11 2

1=6=13

X
Figura 3.1: Definição da seção.
36

3.3- Esforços solicitantes de cálculo

Os esforços solicitantes na seção de concreto armado são os momentos fletores


MSx e MSy e o esforço normal NSz descritos segundo um sistema local de coordenadas
(x, y, z), paralelo ao sistema (X, Y, Z) e com origem no centro de gravidade (CG) da
seção homogênea de concreto.

Figura 3.2: Esforços solicitantes de cálculo.

3.4- Deformada da seção no estado limite

Partindo da hipótese de que seções planas permanecem planas, para definir a


deformada da seção no estado último utiliza-se: a inclinação α da linha neutra em
relação ao eixo x e as deformações nas fibras extremas superior e inferior da seção
correspondentes aos limites da NB-1, com as modificações para a utilização do
diagrama tensão-deformação simplificado do CEB.

a - Inclinação α da linha neutra

Define-se como inclinação da linha neutra o ângulo que a reta da linha neutra faz
com o eixo x. A linha neutra define um terceiro sistema de coordenadas (ξ, η, ζ) com
origem no centro de gravidade (CG).
37

Figura 3.3: Inclinação α da linha neutra.

b - Deformações nas fibras extremas superior e inferior

Diferente do que foi feito nas dissertações de FERREIRA (1986), MUSSO JR.
(1987) e KRÜGER (1989), não foi utilizado o parâmetro D (Tabela 3.1) proposto por
WERNER (1974, citado em FERREIRA, 1986) , já que este era apenas um artifício
para facilitar a resolução do problema e muitas vezes dependia de ε cu que era sempre
3,5‰. Quando se trata de concreto de alta resistência, ε cu não assume mais o valor de
3,5‰, mas depende do valor de fck, eliminando assim a vantagem do parâmetro D.

Então, optou-se neste trabalho pela utilização direta das deformações extremas
superior e inferior ε c e ε i , respectivamente, de acordo com o CEB-90 (Tabela 3.2) e
com a definição dos domínios de deformação correspondentes ao estado limite último
de resistência de uma seção conforme a Figura 3.4.

Figura 3.4: Representação dos domínios de deformação correspondentes ao estado


limite último de uma seção de acordo com o MC90-CEB.
38

Tabela 3.1: Correspondência entre os estados limites da NB-1, os valores do


parâmetro D, ε c e ε i.

Estado Domínio D ε c(‰) ε i (‰)


Tração Uniforme - D=0 10 10
Flexo-tração 1 0<D<10 10-D 10
Flexão Simples/Comp. 2 10≤ D<13,5 10-D 10
Flexão Simples/Comp. 3e4 13,5≤D≤23,5 -3,5 23,5-D
Flexo-compressão 4a e 5 23,5≤D<26 -17,6+0,6.D 18,8-0,8.D
Compressão Uniforme - D=26 -2 -2

Tabela 3.2: Correspondência dos domínios com os valores de ε c e ε i.

Estado Domínio ε c(‰) ε i (‰)


Tração Uniforme - 10 10
Flexo-tração 1 10< ε c<0 10
Flexão Simples/Comp. 2 0≤ ε c< ε cu 10
Flexão Simples/Comp. 3e4 ε cu 10≤ε i≤0
Flexo-compressão 4a e 5 ε cu ≤ ε c <-2 0≤ε i<-2
Compressão Uniforme - -2 -2

Então, uma vez arbitrados α, ε c, ε i, a deformação ε(ξ,η) de uma fibra da seção é


obtida por:
ε (ξ ,η ) = εo - χo.η (equação 3.1)
onde:
(εc - εi)
χo = − (equação 3.2)
(ηs − ηi)

e εo = εc + χo.ηs (equação 3.3)


são respectivamente a curvatura da seção transversal e o valor da deformação da fibra
do centro de gravidade. ηs e ηi são as ordenadas dos pontos extremos superior e inferior
da seção no sistema de coordenadas (ξ, η, ζ), ressaltando-se que o ponto extremo
tracionado corresponde à barra da armadura mais afastada da linha neutra, já que se
despreza a contribuição à rigidez do concreto tracionado.
39

Admite-se também, uma perfeita aderência entre o concreto e as barras de aço,


fazendo com que esses elementos tenham a mesma deformação.

Figura 3.5: Esquema da deformada da seção.

3.5- Relação tensão-deformação do concreto

Considera-se o diagrama tensão-deformação simplificado de cálculo fixado pelo


CEB-90, composto de uma parábola do segundo grau, que passa pela origem e tem seu
extremo no ponto de abscissa -2‰ e ordenada -0,85 fcd, e de uma reta paralela ao eixo
das abscissas entre as deformações de -2‰ e ε cu.

Figura 3.6: Diagrama tensão-deformação do concreto.


40

A deformação ε cu é dada por:

ε cu = 0,0035 para fck ≤ 50 MPa

ε cu = 0,0035. 
50
para 50 < fck ≥ 80 MPa (equação 3.4)
 fck 

A resistência de cálculo do concreto à compressão é igual a:


fcd = fck/γ c , onde fck é a resistência característica do concreto à compressão e γc é

o coeficiente de minoração da resistência do concreto.

As tensões de compressão no concreto são determinadas por:

 0 0<ε
  2
   ε   ε  
σc(ε ) = 0,85.fcd 2  −    - 2‰ < ε ≤ 0 (equação 3.5)
   0,002   0,002  
- 0,85.fcd εcu ≤ ε ≤ -2 ‰

Nota-se que, segundo os intervalos da deformação do concreto mostrados acima,


são definidas três regiões na seção transversal do elemento:
- Região 0: correspondente a uma região tracionada sem a contribuição resistente
do concreto (0<ε).
- Região I: correspondente a uma região comprimida de variação parabólica das
tensões (-2‰<ε≤0).
- Região II: correspondente a uma região comprimida de tensões constantes
(ε cu≤ε≤-2‰).

Simplificando :
 0 0<ε

σc(ε ) = 0,85.f cd (1000. ε + 250000. ε 2) - 2‰ < ε ≤ 0 (equação 3.6)
- 0,85.f cd εcu ≤ ε ≤ -2 ‰

Substituindo a equação 3.1 na equação 3.6, tem-se:


 0 0<ε

σc (ε ) = 0,85.fcd(D 0 + D 1.η + D2.η 2) - 2‰ < ε ≤ 0 (equação 3.7)
- 0,85.fcd εcu ≤ ε ≤ -2 ‰

onde:
41

D0 = 1000.ε 0 + 250000.ε 02
D1 = - 1000.χ 0 − 500000.ε 0. χ 0 (equação 3.8)
D2 = 250000. χ 02

3.6- Relação tensão-deformação do aço

Dois tipos de aços são considerados: classe A e classe B e para ambos são
adotados os diagramas simplificados de cálculo fixados pela NB-1.

A resistência de cálculo do aço, fyd, é dada por:

fyk
fyd = , onde fy k é a resistência característica do aço e γs é o coeficiente de
γs
minoração da resistência característica do aço.

O módulo de elasticidade longitudinal do aço, Es, é igual a 2,1 x 105 MPa.

a- Aço classe A

O diagrama tensão-deformação do aço classe A é mostrado na Figura 2.7 e


descrito pelas equações:

 Es.ε para ε < εyd


σs(ε ) =  (equação 3.9)
sinal( ε ).f yd para εyd ≤ ε ≤ 10 0 00

fyd
onde : ε yd = (equação 3.10)
Es

b- Aço classe B

O diagrama tensão-deformação do aço classe B é mostrado na Figura 2.8 e dado


pelas equações:

Es.ε para ε ≤ ε 1

 - B + B2 - 4.A.C
σs(ε ) = sinal( ε ). para ε 1 < ε < εyd (equação 3.11)
 2A
sinal( ε ).fyd para εyd ≤ ε ≤ 10 000

42

onde:
fyd
ε 1 = 0,7
Es
(equação 3.12)
fyd
εyd = 2 0 00
Es

1 1 1,4 0,49
A= 2
, B= − e C= −ε (equação 3.13)
(45.f yd ) Es 45.fyd 0,45

3.7- Esforços resistentes da seção no estado limite último

3.7.1- Introdução

Dadas a geometria da seção e as propriedades mecânicas dos materiais, os


esforços resistentes da seção no estado limite último são inicialmente obtidos segundo o
sistema local de coordenadas (ξ,η,ζ), que passa pelo centro de gravidade da seção
transversal e, em seguida, são transformados para o sistema local de coordenadas
(x,y,z).

3.7.2- Obtenção dos esforços seccionais resistentes

Os esforços seccionais resistentes MRξ, MRη e NRζ (momentos fletores em torno


dos eixos ξ e η, e a força normal segundo o eixo ζ, respectivamente) são obtidos por
integração das tensões definidas para valores das variáveis de projeto α, ε c,ε i e da área
de armadura As, da seguinte forma:

NB
MRξ = ∫ σc(ε ).η.dA + ∑ ρi.As.σs(εi).ηi
Ac i =1

 NB

MRη = − ∫ σc(ε ).ξ .dA +∑ ρi.As.σs(εi).ξi  (equação 3.14)
 Ac i =1 
NB
NR ζ = ∫ σc (ε ).dA +∑ ρi.As.σs(εi)
Ac i =1

onde ρi é a percentagem da armadura total As correspondente a i- ésima barra, NB é o


número total de barras e Ac é a área de concreto.
43

Nas equações 3.14, os esforços seccionais foram divididos em duas parcelas


distintas, que dizem respeito aos esforços resistidos pelo concreto e pelas barras de aço.
A parcela resistida pelo concreto é, por sua vez, integrada em duas etapas, uma para a
região I (zona comprimida da seção submetida a tensões variando parabolicamente) e
outra para a região II (zona comprimida da seção submetida a tensões constantes)
conforme a Figura 3.7.

Escreve-se então:

NB
MRξ = MR ξI + MRξII + ∑ ρi.As.σs(εi).ηi
i =1
NB
MRη = MRηI + MRηII - ∑ ρi.As.σs(εi).ξi (equação 3.15)
i =1
NB
NR ζ = NR ζI + NRζII + ∑ ρi.As.σs( εi)
i =1

Figura 3.7: Definição das regiões 0, I e II da seção.

Substituindo as tensões definidas pelas equações 3.7 nas parcelas das equações
3.14 referentes ao concreto, obtêm-se os esforços seccionais resistidos pela região I e
pela região II respectivamente:

MRξI = 0,85.fcd ∫ (D 0.η + D1.η 2 + D2.η 3)dA


AC1

MRηI = −0,85.fcd ∫ (D .ξ + D .ξ .η + D .ξ .η )dA


0 1 2
2
(equação 3.16)
AC1

NR ζI = 0,85.f cd ∫ (D 0 + D1.η + D2.η 2)dA


AC1
44

MRξII = 0,85.fcd ∫ η.dA


AC2

MRηII = −0,85.fcd ∫ ξ .dA (equação 3.17)


AC2

NR ζII = 0,85.f cd ∫ dA
AC2

Os momentos fletores resistentes MRx e MRy e a força normal resistente NRz


segundo o sistema local de coordenadas (x,y,z) são dados por:

MRx = MRξ .cosα − MR η.senα


MRy = MR ξ .senα + MR η.cosα (equação 3.18)
NRz = NRζ

3.8- Integração numérica das tensões do concreto

As integrais referentes à parcela dos esforços seccionais resistida pelo concreto,


definidas nas equações 3.16 e 3.17, são resolvidas após uma transformação das integrais
de superfície em integrais de linha pela aplicação do Teorema de Green, conforme foi
sugerido por WERNER (1974) e usado por FERREIRA (1986).
Qualquer seção será definida conforme a Figura 3.8, ou seja, como uma
poligonal fechada percorrida no sentido anti-horário, sendo que áreas negativas
determinando aberturas interiores na seção serão definidas pela orientação horária.

Figura 3.8: Domínio plano R com contorno C.


45

Pela aplicação do Teorema de Green no plano, a expressão de um termo


genérico de um polinômio transformado para uma integral de contorno é obtido por:

ξk +1η m NS

∫ ξk.ηm.dA = ∫ .dη = ∑ Gkm


.
(equação 3.19)
R C
k +1 j =1

onde NS representa o número de segmentos e Gkm é a integral de contorno


particularizada para o j- ésimo segmento da poligonal, definido pelos vértices i e i + 1
conforme a equação abaixo.

ηi +1
1
∫ξ
k +1
Gkm = .ηm.dη (equação 3.20)
k +1 ηi

Considerando-se a parametrização das coordenadas (ξ,η) sobre o segmento j da


Figura 3.9, tem-se:

η = ηi + t 0 ≤ t ≤ ∆ηi
∆ ξi onde: ∆ξi = ξi + 1 - ξi (equação 3.21)
ξ = ξi + t
∆η i ∆ηi = ηi + 1 - ηi

Figura 3.9: Definição da deformação em dois vértices consecutivos.


46

E o termo Gkm pode ser reescrito como:

∆η k+ 1
 ∆ξ  m
.[ηi + t ] .dt
1
G km = ∫ 
k +1 0 
ξi +
∆η 
t (equação 3.22)

Da equação 3.21, obtêm-se os polinômios:

 ∆ξ 
G00 = ξi + .∆η
 2 
  ∆η   ηi + ∆η  .∆η
G01 =  ξi.ηi +  + ∆ξ . 
   2 
2 3 
  ∆η 2   ηi2 + 2ηi. ∆η + ∆η 2  . ∆η
G02 =  ξi. ηi2 + ηi.∆η +  + ∆ξ . 
  3   2 3 4 
  ∆η ∆η 3   ηi3 + ηi2. ∆η + 3ηi. ∆η 2 + ∆η 3  .∆η
G03 =  ξi.ηi3 + 3.ηi2. + ηi.∆η +  + ∆ξ .
2

  2 4   2 4 5 
 ∆ξ 2  ∆η
G10 = ξi.(ξi + ∆ξ ) + . (equação 3.23)
 3  2
 ∆η  ∆η  ηi

∆η   ∆η
G11 =  ξi2.(ηi + ) + ξi.∆ξ .ηi + 2.  + ∆ξ 2.  +  .
 2  3   3 4   2
 ∆η 2  ∆η ∆η 2   ηi
 2
∆η ∆η 2   ∆η
G12 =  ξi2.(ηi2 + ηi. ∆η + ) + ξi.∆ξ .ηi2 + 4.ηi. +  + ∆ξ 2. + ηi +  .
 3  3 2   3 2 5   2
3
∆ξ ∆ξ  ∆η
G20 = ξi3 + 3ξi2 +
2
+ ξi.∆ξ + .
 2 4  3
3 2
  2 ∆ξ ∆ξ   ξi ∆ξ ∆ξ 3   ∆η
3
2 2
G21 = ηi. ξi3 + 3ξi . + ξi.∆ξ +  + ∆ η . + ξ i . ∆ ξ + 3ξ i . +  .
  2 4  2 4 5  3

Transformando as integrais das equações 3.16 e 3.17 em somatórios, obtém-se:


NS1
MRξI = 0,85.fcd ∑ (D 0.G01 + D1.G02 + D2.G 03)
j =1
NS1
MRηI = −0,85.fcd ∑ (D 0.G10 + D1.G11 + D2.G12) (equação 3.24)
j =1
NS1
NR ζI = 0,85.f cd ∑ (D 0.G00 + D1.G 01 + D2.G02)
j=1

e
47

NS2
MRξII = −0,85.fcd ∑ G01
j =1
NS2
MRηII = 0,85.fcd ∑ G10 (equação 3.25)
j =1
NS2
NR ζII = −0,85.fcd ∑ G00
j =1

Nestas equações, NS1 e NS2 são os números de segmentos de reta que definem
as regiões I e II respectivamente.
Na resolução destes somatórios é preciso primeiramente saber quais as regiões
(0, I ou II) que um determinado segmento da poligonal atravessa, conforme é mostrado
na Figura 3.10.

Figura 3.10: Esquematização da integração dos esforços resistentes para o concreto.

Observa-se pela Figura 3.10 (KRÜGER,1989) que o segmento 1-2 atravessa três
regiões distintas e que o segmento 2-3 está contido somente na região II e possui
vértices com a mesma ordenada (η2 =η3 ).
Então, para segmentos com ∆η =0 (mesma deformação), não há contribuição no
cálculo dos esforços resistentes, fazendo com que os polinômios da equação 3.23 sejam
identicamentes nulos. Mostra-se com isso, que é muito mais simples fazer a integração
em relação a η (MUSSO JR., 1987), que em relação a ξ, já que neste caso teria-se que
integrar os segmentos de fechamento entre as regiões 0 e I e entre I e II, o que
acarretaria um grande esforço computacional.
48

Já para os segmentos que atravessam varias regiões e apresentam deformações


diferentes e ordenadas distintas (η≠0), como é o caso do segmento 1-2 da Figura 3.10,
existem duas possibilidades:
- Haver transição entre as regiões 0 e I ou I e II.
- Não haver transição entre as regiões.
Para se definir as ordenadas correspondentes aos pontos de transição, escreve-se
a equação 3.26 da reta representada na Figura 3.11, que passa pelos vértices i e i+1, e é
definida como:

η - ηi ηi + 1 - ηi
= (equação 3.26)
ξ - ξi ξi + 1 - ξi

Figura 3.11: Definição da equação da reta que passa por dois vértices consecutivos.

Além disso, pode-se especificar as ordenadas η correspondentes às deformações


0‰ (transição entre regiões 0 e I) e 2 ‰ (transição entre regiões I e II) como:

ε0
η01 =
χ0
(equação 3.27)
2 0 +ε 0
η12 = 00
χ0

Substituindo as equações 3.27 na equação 3.26, obtêm-se os valores das


abscissas correspondentes a 0‰ e 2‰ respectivamente.
49

ξi + 1 - ξi
ξ 01 = ξi + (η01 - ηi).
ηi + 1 - ηi
(equação 3.28)
ξi + 1 - ξi
ξ 12 = ξi + (η12 - ηi).
ηi + 1 - ηi

Então, uma transição é caracterizada quando um ou dois pontos de interseção


(ξ 01 , η01 ) e (ξ 12 , η12 ) estão contidos no segmento de reta definido pelos vértices i e i+1.
O segmento é então subdividido em trechos consecutivos com extremidade inicial no
vértice i e passando pelos pontos de transição até a extremidade final i+1.

Se não houver transição, o segmento estará todo contido numa das regiões 0, I
ou II e possui extremidades i e i+1.

Vale lembrar que na região 0, onde as deformações são positivas, não é


considerada a contribuição do concreto na obtenção dos esforços resistentes.
50

Capítulo IV - Diagramas de interação para o


dimensionamento de seções submetidas a flexão composta
reta e oblíqua com concreto de alta resistência

4.1- Introdução

A partir da formulação apresentada no Capítulo III, foi desenvolvido um


programa no Maple V para a construção de diagramas de interação para o
dimensionamento de seções de concreto armado sob flexão composta reta e oblíqua no
estado limite último. A seção pode ter forma qualquer, inclusive vazada, com qualquer
disposição de armadura.
Neste capítulo é feita a apresentação dos diagramas construídos para seções
retangulares, com diferentes disposições de armaduras e valores de d’/h.

4.2- Diagramas de interação para flexão composta reta

4.2.1- Introdução

A geração de diagramas para seções submetidas a flexão composta reta é feita da


seguinte forma: para uma determinada taxa de armadura ω e inclinação α da linha
neutra igual a zero, faz-se variar as deformações superior e inferior da seção de forma a
cobrir todos os domínios de deformação correspondentes ao estado limite último,
fazendo com que se gerem os pares de esforços MRx e NRz. Estes esforços são em
seguida normalizados (equações 4.1 a 4.3), definindo os pontos da curva de interação
correspondentes à taxa de armadura ω.
Obtém-se, então, uma série de curvas de interação entre forças normais
resistentes e momentos fletores resistentes na direção x, sendo que cada curva
corresponde a uma taxa de armadura pré-estabelecida.
Em seguida, o processo é repetido para os outros valores das taxas de armadura,
até que seja criado o número de curvas desejadas.
51

Os parâmetros adimensionais que devem ser utilizados para este tipo de


diagrama são:
para os momentos fletores em torno do eixo x :

MRx
µd = 2 (equação 4.1)
b.h .f cd

para a força normal NRz:

N Rz
νd = (equação 4.2)
b.h.f cd

e para a área de armadura As :

A s.fyd
ω= (equação 4.3)
b.h.f cd

4.2.2- Dados utilizados para a obtenção dos diagramas para flexão composta reta e
apresentação das curvas
Como o diagrama tensão-deformação utilizado é o simplificado do CEB-90 (ε cu
dependente de fck) e não o proposto pela NBR-6118 (ε cu constante), não se tem mais só
um diagrama para qualquer resistência do concreto e sim um para cada valor de fck.
Então, foram escolhidos dois valores de fck para o concreto de alta resistência (65 e
80MPa) e comparou-se com as curvas já existentes (MUSSO JR.,1987 e FUSCO,1981)
para o concreto convencional, conforme as Figuras 4.7 e 4.8. Foram analisados dois
casos de distribuição de armadura, utilizando o aço CA-50A e os três valores diferentes
de d’/h citados abaixo:

1º Caso :
d’

b
A A

Figura 4.1: Primeiro caso de distribuição de armadura analisado para seções


submetidas a flexão composta reta.

a)fck=65MPa e d’/h=0,05
52

b)fck=65MPa e d’/h=0,10
c)fck=65MPa e d’/h=0,15
d)fck=80MPa e d’/h=0,05
e)fck=80MPa e d’/h=0,10
f)fck=80MPa e d’/h=0,15

2º Caso :

d’

A
b
A A
A

Figura 4.2: Segundo caso de distribuição de armadura analisado para


seções submetidas a flexão composta reta.

a)fck=65MPa e d’/h=0,05
b)fck=65MPa e d’/h=0,10
c)fck=65MPa e d’/h=0,15
d)fck=80MPa e d’/h=0,05
e)fck=80MPa e d’/h=0,10
f)fck=80MPa e d’/h=0,15

Nas Figuras 4.3 e 4.4 são mostrados alguns exemplos desses diagramas, sendo
que todas as curvas geradas para o caso de seções submetidas a flexão composta reta
estão apresentadas no Anexo 3.
53

µd

0.60 Domínio 3
d’
w=1.0

b A
0.50 A

w=0.8
Domínio 4 h
Aço CA-50A
0.40 d’/h=0,05
w=0.6 fck=65 MPa

0.30
w=0.4 Domínio 2

Domínios
0.20 4a e 5 w=0.2

Domínio 1
w=0.0
0.10

0.00
νd
-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50
Figura 4.3: Exemplo de curvas de interação para o primeiro caso de distribuição de
armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,05.
54

µd

0.40 d’

Domínio
w=1.0 b A
3 A
A A

0.30 w=0.8
h
Aço CA-50A
Domínio 4
d’/h=0,10
w=0.6 fck=80 MPa

0.20 w=0.4

Domínio 2
Domínios w=0.2
4a e 5
w=0.0
0.10

Domínio 1

0.00
νd
-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50

Figura 4.4: Exemplo de curvas de interação para o segundo caso de distribuição de


armadura, f ck=80MPa e d’/h=0,10.
55

4.2.3- Influência da resistência do concreto e comparação entre as curvas

a) Influência da forma do diagrama tensão-deformação

De acordo com o MC90-CEB, o encurtamento máximo do concreto (ε cu) no


diagrama tensão-deformação é considerado igual a 0,0035 para concretos com
fck≤ 50MPa e igual a 0,0035(50/fck) para concretos com fck> 50MPa.

A conseqüência dessa alteração nos valores de ε cu na construção dos diagramas


adimensionais para dimensionamento de seções de concreto de alta resistência pode ser
claramente mostrada a partir da análise do caso particular mostrado na Figura 4.5.
Trata-se de uma seção retangular com armaduras superior e inferior, sujeita a flexão
composta reta com grande excentricidade (linha neutra dentro da seção). Neste caso, os
domínios de deformação correspondentes ao estado limite último são os domínios
2, 3 e 4.

b
d' εc
εs R's ξ' x
As
x Rc h/2
d Md
LN
cg
Nd
h/2
As d' Rs
εs
Figura 4.5 : Esforços numa seção sujeita a flexão composta com grande excentricidade

• Equações de equilíbrio e de compatibilidade


As equações de equilíbrio das forças e dos momentos em relação ao C.G. da
seção e as equações de compatibilidade são, respectivamente:

Nd + Rs = R c + R's (equação 4.1)

Md = R c (0,5h − ξ ' x) + R ′s (0,5h − d' ) + R s (0,5h − d' ) (equação 4.2)

εc εs ′
= = εs (equação 4.3)
x d − x x − d′
onde :
56

Rs = As. σs (equação 4.4)


R′s = A′s.σ′s (equação 4.5)
Rc = α 1 .ξ.0,85.fcd.b.d (equação 4.6)
ξ = x/d = ε c /(ε c + ε s) (equação 4.7)

O coeficiente α 1 é tal que multiplicado pela tensão 0,85.fcd (Figura 4.6) fornece
a tensão média na zona comprimida e o coeficiente ξ ′ define o ponto de aplicação da
resultante Rc de compressão no concreto. A maneira como seus valores são obtidos será
mostrada mais adiante.
εc 0,85 fc d

ξ' x
2‰
Rc
ε(y) x
y σ(y)

α1 0,85 fcd

Figura 4.6 : Definição dos coeficientes α 1 e ξ′

Sejam, por definição, µd e ν d esforços solicitantes relativos dados por:

Nd
νd = (equação 4.8)
b.h. f cd
Md
µd = (equação 4.9)
b.h 2 f cd

As taxas mecânicas de armadura ω e ω′ e os coeficientes δ′, δ′1 , e δ 1 são:

A s . f yd
ω= (equação 4.10)
b.h. f cd

A ′s .f yd

ω′= (equação 4.11)
b.h. f cd

δ′ = d′/d δ′1 = d′/h; δ1 = d/h (equação 4.12)


57

Substituindo-se as equações 4.4 a 4.12 nas equações 4.1 a 4.3, obtêm-se as


equações de equilíbrio e de compatibilidade na forma adimensional :

σs σ′
ν d = 0,85.α 1.ξ .δ 1 − ω . + ω '. s (equação 4.13)
f yd f' yd

 σ σ′ 
µ d = 0,85.α 1.ξ .δ1 .(0,5 − ξ .ξ ′.δ1 ) +  ω s + ω ' s .( 0,5 − δ ′1 ) (equação 4.14)
 f f' yd 
 yd

ε c = ε s = ε 's (equação 4.15)


ξ 1−ξ ξ − δ'

• Cálculo dos coeficientes α 1 e ξ ′


A partir da definição dos coeficientes α 1 e ξ′ (Figura 4.6), seus valores são
obtidos pelas expressões (GUIMARÃES, 1999)

α 1.0,85.f cd .b.x = ∫ σ (y).b.dy


x
(equação 4.16)
0

x − ξ ′.x =
∫ σ (y).y.b.dy
0
(equação 4.17)
x
∫ σ (y).b.dy
0

onde a tensão σ(y) é dada por (ε(y) em %o )

σ (y) =
0,85.f cd
4
[
4ε (y) − ε (y) 2 ] para ε(y) ≤ 2%o (equação 4.18)

σ (y) = 0,85.f cd para ε(y) > 2%o (equação 4.19)

A deformação ε(y), escrita como uma função da variável y (Figura 4.6), é dada por

εc
ε (y) = .y (%o ) (equação 4.20)
x

Os coeficientes α 1 e ξ ′ são obtidos pelas equações (GUIMARÃES, 1999)

ε c (6 − ε c)
α1 = para ε c ≤ 2‰ (equação 4.21)
12
58

−2
α 1 = 3ε c para ε c > 2‰ (equação 4.22)
3ε c
8− εc
ξ' = para ε c ≤ 2‰ (equação 4.23)
4(8 − ε c )

ε c (3ε c − 4 ) + 2
ξ' = para ε c > 2‰ (equação 4.24)
2ε c ( 3ε c − 2)

• Construção dos diagramas

Cada diagrama é construído para uma disposição de armadura e valores de δ′, δ′1
e δ 1 prefixados. Cada curva no diagrama é obtida fixando-se valores para as taxas
mecânicas de armadura ω e ω′ e atribuindo-se valores para as deformações ε c e ε s de
forma a cobrir todos os domínios de deformação correspondentes ao estado limite
último. Com os valores dessas deformações, obtêm-se os valores de ξ (equação. 4.7) e
os valores dos coeficientes α 1 e ξ′ pelas equações 4.21 a 4.24. Finalmente, os valores
de µd e ν d são calculados pelas equações 4.13 a 4.15.

• Influência da resistência do concreto


Pelo exposto acima, fica claro que, quando se adota um diagrama tensão-
deformação para o concreto com encurtamento máximo ε cu fixo (igual a 0,0035 para
concretos com fck ≤ 50 MPa), os valores de ν d e µd calculados pelas equações 4.13 a
4.15 serão independentes da resistência do concreto. Por outro lado, se ε cu depender de
fck (ε cu =0,0035(50/fck)) para fck> 50MPa, os valores dos coeficientes α 1 e ξ′ (equações
4.21 a 4.24) serão dependentes de fck a partir do domínio 2 e, consequentemente, ν d e µd
também dependerão do valor do fck (equações 4.13 e 4.14).
Vale ressaltar ainda que aqui tratou-se apenas do caso dos domínios de
deformação 2, 3 e 4. Mas, pode-se demonstrar também que no domínio 5 (flexo-
compressão com pequena excentricidade) a influência da resistência se manifesta de
forma semelhante e que no domínio 1 (flexo-tração com pequena excentricidade), a
resistência da seção depende apenas das armaduras.
59

b) Comparação entre os diagramas adimensionais para concretos com diferentes


resistências
Nas Figuras 4.7 e 4.8 é feita a comparação das curvas para fck≤ 50MPa,
fck=65MPa e fck=80 MPa, com um determinado valor de d’/h e para os dois casos de
distribuição de armadura.

fck ≤50 MPa


fck =65 MPa

µd fck =80 MPa

0.50
d’

b A A
3
0.40
h
Aço CA-50A
d’/h=0,10

0.30

2
0.20

5
1.0

0.10
0.8
w=

0.6
w=

0.4
w=

2
0.
w=

1
0 .0
w=

w=

0.00
νd
-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50
Figura 4.7: Comparação entre as curvas para o primeiro caso de distribuição de
armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck ≤ 50MPa, 65MPa e 80 MPa.
60

fck ≤50 MPa


fck =65 MPa
fck =80 MPa

µd
0.40 d’

b A
A A
A

h
0.30 Aço CA-50A

3 d’/h=0,10

4
0.20

2
5
0.10
1. 0
0.8
w=

0.6
w=

0. 4
w=

1
0. 2
w=

0 .0
w=
w=

0.00
νd
-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50

Figura 4.8: Comparação entre as curvas para o segundo caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck ≤ 50MPa, 65MPa e 80 MPa.

Essas figuras mostram que, como já observado no item anterior, nos domínios 1
e 2 não há diferença entre as curvas para fck ≤ 50MPa, 65 e 80 MPa. As diferenças
maiores aparecem nos domínios 3 e 4 e as curvas voltam a se encontrar no final do
domínio 5, que é o caso de compressão uniforme.
Observa-se também que as diferenças entre as curvas com resistências de 65 e
80 MPa tendem a aumentar com o aumento da taxa de armadura ω.
61

Com o propósito de se quantificar estas diferenças, são feitas a seguir


comparações entre os resultados obtidos nos diagramas em duas situações:
- para o dimensionamento da seção, quando são dados os valores de ν d e µd e se
deseja obter ω;
- no caso da verificação da seção, quando se conhece ω e se deseja obter a carga
ν d.

• Dimensionamento

Foram escolhidos, arbitrariamente, os cinco pontos indicados nas Figuras 4.7 e


4.8. Para cada par de valores ν d e µd, correspondentes a esses pontos, foram obtidos os
valores de ω nas curvas com fck≤50 MPa e 80 MPa, a fim de se analisar quais os
domínios que apresentam maiores diferenças no dimensionamento (Tabelas 4.1 e 4.2).

Tabela 4.1: Análise dos pontos nas curvas para o primeiro caso de distribuição de
armadura (Figura 4.7).

Ponto Domínio νd µd ω 50 (fck≤ 50 MPa) ω 80 (fck=80 MPa) ω 50/ω 80

1 1 0,9 0,04 1,0 1,0 1


2 2 0,1 0,2 0,6 0,6 1
3 3 -0,2 0,4 0,8 0,9 0,88
4 4 -0,8 0,24 0,6 0,7 0,86
5 4a e 5 -1,1 0,14 0,6 0,68 0,89

Tabela 4.2: Análise dos pontos nas curvas para o segundo caso de distribuição de
armadura (Figura 4.8).

Ponto Domínio νd µd ω 50 (fck≤ 50 MPa) ω 80 (fck=80 MPa) ω 50/ω 80

1 1 0,7 0,04 0,8 0,8 1


2 2 0,3 0,12 0,6 0,6 1
3 3 -0,2 0,26 0,6 0,7 0,86
4 4 -0,5 0,2 0,4 0,58 0,69
5 4a e 5 -1,35 0,1 0,8 0,9 0,89
62

Essas tabelas mostram que para o domínio 5, onde há flexo-compressão com


pequena excentricidade (situação em que se encontram a maioria dos de edifícios), a
diferença é de 11%. As maiores diferenças se verificam nos domínios 3 e 4, caso de
flexo-compressão com grande excentricidade, podendo chegar a 31% (Tabela 4.2).

• Verificação

Para o caso de verificação da seção, dada uma inclinação e/h e uma taxa de
armadura ω, determinou-se para as curvas de fck ≤ 50MPa e fck = 80 MPa o valor da
carga ν d, com o intuito de se verificar a diferença entre elas (Tabelas 4.3 e 4.4),
sabendo-se que :

µd

e/h

νd

Figura 4.9: Gráfico explicativo para a verificação da seção

e
µd = ν d (equação 4.25)
h

Tabela 4.3: Verificação para o primeiro caso de distribuição de armadura


(Figura 4.7).

Domínio e/h ω ν d50 (fck≤ 50 MPa) ν d80 (fck≤ 80 MPa) ν d50/ν d80

1 0,044 1,0 0,9 0,9 1


2 2 0,6 0,1 0,1 1
3 -2 0,8 -0,2 -0,18 1,11
4 -0,37 0,4 -0,6 -0,55 1,09
4a e 5 -0,083 0,6 -1,2 -1,16 1,03
63

Tabela 4.4: Verificação para o segundo caso de distribuição de armadura


(Figura 4.8).

Domínio e/h ω ν d50 (fck≤ 50 MPa) ν d80 (fck≤ 80 MPa) ν d50/ν d80

1 0,057 0,8 0,7 0,7 1


2 0,267 1,0 0,6 0,6 1
3 -1,3 0,6 -0,2 -0,18 1,11
4 -0,4 0,8 -0,7 -0,58 1,2
4a e 5 -0,074 0,8 -1,35 -1,28 1,05

De acordo com os resultados, percebe-se que as diferenças maiores estão entre


os domínios 3 e 5, ou seja, se nestes casos forem utilizadas as curvas para fck ≤ 50 MPa,
o dimensionamento estará contra a segurança.
64

4.3- Diagramas de interação para flexão composta oblíqua

4.3.1- Introdução

Para o caso de flexão composta oblíqua, a forma de se representar num plano as


superfícies de interação (Figura 4.10) entre os esforços seccionais resistentes MRx , MRy
e NRz é obter uma série de curvas de interação entre momentos fletores resistentes nas
direções x e y para cada nível de força normal resistente requerida, sendo que cada
curva corresponde a uma taxa de armadura pré-estabelecida (Figura 4.11).
Ou seja, para uma determinada taxa de armadura ω e inclinação α da linha
neutra, faz-se variar as deformações ε c e ε i de forma a cobrirem todos os domínios
referentes à flexo-compressão e com isto obtêm-se os esforços resistentes MRx , MRy e
NRz que são, em seguida, normalizados conforme as equações 4.26 a 4.29.
Entretanto, como estes diagramas são construídos para diversos níveis de força
normal resistente, deve-se fixar esse valor e obter os momentos correspondentes nas
direções x e y, definindo um ponto da curva correspondente à taxa de armadura ω.
Em seguida, deve ser dado um incremento à inclinação da linha neutra e o
processo se repete até serem gerados todos os pontos correspondentes a esta taxa de
armadura. Para outros valores de taxas de armadura, todo o processo se repete, até que
seja criado o número de curvas desejado correspondente ao nível de força normal pré-
estabelecida.
65

Figura 4.10: Representação da superfície de interação.

Figura 4.11: Representação plana dos diagramas de interação.


66

Os esforços adimensionais são dados por:


para os momentos fletores em torno do eixo x e y respectivamente:

MRx
µdx = (equação 4.26)
Ac .h.f cd

M Ry
µdy = (equação 4.27)
Ac .b.fcd

para a força normal NRz:

N Rz
νd = (equação 4.28)
b.h.f cd

e para a área de armadura As :

A s.fyd
ω= (equação 4.29)
b.h.f cd

onde b e h são as projeções da seção sobre os eixos x e y respectivamente e Ac é a área


da seção de concreto.

4.3.2- Dados utilizados para a obtenção dos diagramas para flexão composta
oblíqua e apresentação das curvas

Para o caso da flexão composta oblíqua, também foi utilizado o diagrama


tensão-deformação simplificado do CEB-90. Foram escolhidos dois valores de fck para o
concreto de alta resistência (65 e 80MPa) e fez-se a comparação com as curvas
existentes para um concreto convencional (VENTURINI,1990) , sendo analisados dois
casos de distribuição de armadura, para o valor de d’/h=0,10 e aço CA-50A.

1º Caso : d’

. .
b
. .
h
Figura 4.12: Primeiro caso de distribuição de armadura analisado para seções
submetidas a flexão composta oblíqua.
67

a)fck=65MPa e d’/h=0,10
b)fck=80MPa e d’/h=0,10

2º Caso :
d’

A
b
A A
A

Figura 4.13: Segundo caso de distribuição de armadura analisado para seções


submetidas a flexão composta oblíqua.

a)fck=65MPa e d’/h=0,10
b)fck=80MPa e d’/h=0,10

Na figura abaixo mostram-se os dados utilizados para a obtenção das curvas da


Figura 4.15 e a posição dos momentos fletores em relação ao eixo x e y .

d’ . .
M dy

h
M dx

. . b

Figura 4.14: Dados utilizados para a obtenção das curvas das Figuras 4.14.a e 4.14.b

Na Figura 4.15 é mostrado um exemplo, sendo que todos os diagramas gerados


para o caso de seções submetidas a flexão composta oblíqua poderão ser encontrados no
Anexo 4.
68

d’ . .
M dy

. . b
M dx

Aço CA-50A

µyd d’/h=0.10

0.5
ν d=0.2 ν d=0.0

0.4

w=
0.3 1 .2
0
1.
w= 1.0
8
0.

0.8
0.2 6
0.
0.
6

0.4
0.4
0.1 0.
2
0.2
0.0

0.0
0.
0
0.
0
µxd
2
0 .2 0.
0.1
4
0.

0.
4
6
0.

0 .6
0.8
0.2 0.
8 .0
w =1
=1 w
.0

0.3

0.4

ν d=0.4 ν d=0.6
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5

Figura 4.15.a: Exemplo de curvas de interação para o primeiro caso de distribuição de


armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,10.
69

d’ . .
M dy

. . M dx

Aço CA-50A

µdy d’/h=0.10
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8

0.4

0.3
w=
4
1.

1.
w=

2
1 .0
1 .2

0.2
0
1.
0.
8

0.
8

6
0.

0.1 0.4
6
0.

0.
0.4 2

0.0
0.6
8
0.

0.8
0.1
1 .0

1.
0
1 .2
1.
2

4
1.
0.2 1.
4
6
1.

0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5

Figura 4.15.b: Exemplo de curvas de interação para o primeiro caso de distribuição de


armadura, f ck=65MPa e d’/h=0,10.
70

4.3.3– Comparação entre as curvas e influência da resistência do concreto:

Primeiramente escolheu-se a distribuição de armadura e o valor de d’/h, então


plotaram-se as curvas para fck=65 e 80 MPa no mesmo gráfico.
Foram plotadas também, num outro gráfico, as curvas para fck ≤ 50MPa,
fck=65MPa e fck=80MPa, para um determinado valor de d’/h, distribuição de armadura e
taxa de armadura, com o intuito de verificar a influência da resistência do concreto.

fck =65 MPa

µyd fck =80 MPa

0.5
ν d=0.2 ν d=0.0

0.4

w=
0.3 1 .2
1 .0
w= 1.
0
8
0.

0.8
0.2 6
0. 0.
6

0.4
0 .4
0.1 0.
2
0.2
0 .0

0.0
0.
0
0.
0 µxd
0 .2
0.
2
0.1
4
0.

0.
4
6
0.

0.
6
8
0.
0.2 0 .8
0
w 1.
=1 w=
.0

0.3

0.4

ν d=0.4 ν d=0.6
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
Figura 4.16.a: Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de
armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck igual a 65 e 80MPa.
71

µyd
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8

0.4

0.3
4 w
1. =1
w= .2
1.
0.2 0
2
1.

0
1.

0.
8
8 0.
0. 6
0.1 0.
6

4
0.

4
0.

0.0
0.6 µxd
8
0.

0.8
0.1
1.0

1.
0
1 .2
1.
2
4
1.
0.2 1.
4
1 .6

0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5

Figura 4.16.b: Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10 e f ck igual a 65 e 80MPa.
72

fck ≤ 50 MPa
fck = 65 MPa
fck = 80 MPa
µyd

0.00
µxd

0.10

0.20

ν d=0.4
0.30
0.30 0.20 0.10 0.00

Figura 4.17: Comparação das curvas para o primeiro caso de distribuição de


armadura, valor de d’/h=0,10; ν d =0,4; ω=0,4 e f ck ≤50 MPa, 65 e 80MPa.

Nas Figuras 4.16.a e 4.16.b observa-se que, para todo o traçado das curvas, há
diferenças entre as curvas de fck igual a 65 e 80 MPa, sendo que a de resistência menor
permanece sempre acima e estas diferenças aumentam com o aumento da força normal
ν d e com o aumento da taxa de armadura ω.
O mesmo comportamento também pode ser observado em relação à comparação
entre o concreto com fck ≤50 MPa e o de alta resistência, mostrado na Figura 4.17.
Com o intuito de se quantificar estas diferenças, também neste caso foram
tomados cinco pontos arbitrariamente, conforme a Tabela 4.5. Ou seja, dados os
esforços adimensionais ν d, µxd e µyd, foram obtidos os valores de ω nas curvas com
fck ≤ 50 MPa (VENTURINI, 1990) e fck = 80 MPa (Figuras 4.15.a e 4.15.b).
73

Tabela 4.5: Análise dos pontos nas curvas para o primeiro caso de distribuição de
armadura (Figuras 4.15.a e 4.15.b).

Ponto νd µ xd µ yd ω 50 (fck≤ 50 MPa) ω 80 (fck=80 MPa) ω 50/ω 80

1 0,2 0,15 0,05 0,25 0,3 0,83


2 0,4 0,15 0,05 0,2 0,3 0,67
3 0,6 0,05 0,15 0,26 0,4 0.65
4 0,8 0,05 0,06 0,18 0,4 0,45
5 1,0 0,025 0,025 0,17 0,4 0,43

A Tabela 4.5 mostra que, para todos os pontos considerados, a taxa de armadura
obtida nas curvas válidas para fck ≤ 50 MPa é menor do que a obtida nas curvas para
fck = 80 MPa, chegando a atingir valores inferiores à metade do valor obtido através do
modelo proposto pelo CEB-90. Observa-se ainda que o erro cometido, contra a
segurança, é maior na flexão composta oblíqua do que na flexão composta reta,
conforme mostrado anteriormente (Tabela 4.2).
74

Capítulo V- Conclusões e sugestões para trabalhos futuros

O comportamento de pilares esbeltos e o dimensionamento de seções de


concreto de alta resistência foram estudados neste trabalho, enfatizando a influência da
resistência do concreto na construção de diagramas adimensionais de interação
empregados com este propósito. A influência da resistência do concreto decorre da
adoção de uma relação tensão-deformação com um encurtamento máximo no concreto
dependente da resistência fck.
Foram estudados casos de pilares esbeltos de concreto armado sujeitos a flexão
composta reta e casos de seções de concreto armado sujeitas a flexão composta reta e
oblíqua, com resistências (fck) do concreto variando de 50 a 80 MPa de acordo com o
modelo computacional proposto pelo CEB-90. As principais conclusões obtidas no
trabalho são apresentadas a seguir.

Pilares esbeltos sujeitos a flexão composta reta


- As divergências entre as curvas µ−ν−φ construídas com diferentes resistências
do concreto aparecem em praticamente toda a sua extensão, desde os menores valores
do momento até o escoamento da armadura, sendo que as seções de concreto com
resistência maior apresentam maiores valores de curvaturas. Observou-se ainda que a
diferença entre as curvas com diferentes resistências aumenta com o aumento da força
normal ν.
- As curvas µ−ν−λ para pilares esbeltos apresentam maiores diferenças quanto à
influência da resistência do concreto, principalmente nas regiões correspondentes à
ruína por instabilidade do pilar (chegando a 50% para el/h=40). As diferenças entre as
curvas tendem ainda a diminuir com o aumento do valor das taxas de armadura dos
pilares e aumentam com o aumento da esbeltez.

Seções sujeitas a flexão composta reta e oblíqua


- Para o caso da flexão composta reta, as curvas de interação (ν d,µd) para os
concretos com fck ≤ 50 MPa e fck > 50MPa são coincidentes no domínio 1 e parte do
domínio 2. As diferenças surgem a partir do final do domínio 2 e ao longo dos domínios
3, 4 e 5 e voltam a se encontrar no final do domínio 5, que é o caso da compressão
uniforme.
75

- No caso do dimensionamento, comparando-se as taxas de armadura para o


concreto fck ≤ 50 MPa e fck > 50MPa, verifica-se que as maiores diferenças estão nos
domínios 3 e 4, caso de flexo-compressão com grande excentricidade, podendo chegar a
31%.
- Para o caso de verificação da seção, as maiores diferenças entre os valores da
carga ν d para as curvas de fck ≤ 50MPa e fck = 80 MPa, também ocorreram nos domínios
3 e 4 (31%).
- Para o caso da flexão composta oblíqua, nota-se que há diferenças entre as
curvas de interação em todo o traçado, sendo que as de concreto com fck ≤ 50 MPa
ficam sempre acima das curvas com maiores resistências e as diferenças entre elas
aumentam com o aumento do valor da taxa de armadura e da força normal.
- Comparando-se as taxas de armadura para o concreto fck ≤ 50 MPa e fck >
50MPa, verifica-se que as diferenças aumentam com o aumento da taxa de armadura e
da força normal, podendo chegar a atingir valores inferiores à metade do valor proposto
pelo modelo baseado no CEB-90.
- Os resultados mostram então que o emprego dos diagramas adimensionais de
interação tradicionais, construídos com ε cu=0,0035, para o dimensionamento de seções
de concreto de alta resistência (fck > 50 MPa), podem conduzir a erros consideráveis
contra a segurança.

Com a finalidade de dar prosseguimento a esta linha de pesquisa, são


apresentadas a seguir algumas sugestões:
- Complementação da construção de diagramas para pilares esbeltos submetidos
a flexão composta reta, para outras disposições de armaduras, cobrimentos, tipos de aço,
resistências do concreto, valores de esbeltez, etc.
- Análise de pilares esbeltos submetidos a flexão composta oblíqua.
- Complementação da construção de diagramas de interação para o
dimensionamento de seções quaisquer submetidas a flexão reta e oblíqua com outras
disposições de armadura, tipos de aço, relações d`/h e outros valores de fck.
- Comparação com resultados experimentais de pilares esbeltos com concreto de
alta resistência.
- Comparação de resultados de pilares esbeltos obtidos por outros modelos
computacionais.
76

Referências Bibliográficas

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análise e dimensionamento. Editora da FURG, Rio Grande do Sul.

2. Associação Brasileira de Normas Técnicas (1978). Projeto e execução de obras de


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3. CAMPOS, C. M. O. (1993). Um modelo computacional para análise de vigas de


concreto protendido com cabos aderentes e não aderentes. Dissertação de
Mestrado, Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.

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d´Information n.203, Comité Euro-Internacional Du Beton, Paris.

5. DUMONT, N. A.; VELASCO, M. S. L.; ORTIZ, I. R.; KRÜGER, S. D. (1987).


Ábacos para o dimensionamento de seções de concreto armado sob flexão
composta reta e oblíqua. Relatório Interno, RI 02/87, Departamento de
Engenharia Civil, PUC/Rio.

6. EBOLI, C. R. (1989). Dimensionamento ótimo de seções de concreto armado à


flexão composta oblíqua. Dissertação de Mestrado, Departamento de
Engenharia Civil, PUC/Rio.

7. FERREIRA, L. T. S. (1986). Desenvolvimento de um sistema geral de


dimensionamento de estruturas de concreto armado usando
microcomputadores. Dissertação de Mestrado, Departamento de Engenharia
Civil, PUC/Rio.

8. FUSCO, P. B. (1981). Estruturas de concreto – Solicitações normais. Editora


Guanabara Dois, Rio de Janeiro.

9. GUIMARÃES, G. B. (1999). Comportamento e projeto de estruturas de


concreto armado. Notas de aula, Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.
77

10. HEAL, K. M.; HANSEN, M. L.; RICKARD, K. M. (1996). MAPLE V Learning


guide. Waterloo Maple Inc., Canadá.

11. HELENE, P. R. L. (1997). Concreto de elevado desempenho. O material para


construção das obras nos anos 2000. CD-ROM - Concreto de Alto
Desempenho. IBRACON; NATAU/USP; ABESC. Versão 1.0, 1997.

12. KRÜGER, S. D. (1989). Uma metodologia para a análise de pórticos planos de


concreto armado sujeitos a grandes deslocamentos. Dissertação de Mestrado,
Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.

13. LIMA JÚNIOR, H. C. (1997). Instabilidade de arcos segmentados de concreto


armado. Dissertação de Mestrado, Departamento de Engenharia Civil,
PUC/Rio.

14. MUSSO JÚNIOR, F. (1987). Dimensionamento de seções de concreto armado e


verificação da estabilidade de vigas-colunas no estado limite. Dissertação de
Mestrado, Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.

15. NASCIMENTO, F. T. F. (1997). Concreto de alto desempenho e sua aplicação


em vigas de edifícios. Dissertação de Mestrado, Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo.

16. PARENTE, P. (1998). Concreto de alto desempenho. Trabalho de Conclusão de


Curso, Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.

17. SANTOS, L. M. (1994). Sub-rotinas básicas do dimensionamento de concreto


armado. São Paulo: Thot.

18. SILVA, E. R. B. (1992). Um programa gráfico interativo para análise e


dimensionamento de estruturas de concreto armado. Dissertação de
Mestrado, Departamento de Engenharia Civil, PUC/Rio.

19. SMIDERLE, L. G. S. M. (1998). Influência da relação tensão–deformação do


concreto no comportamento de pilares esbeltos. Dissertação de Mestrado,
Universidade Estadual do Norte Fluminense.
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20. SUSSEKIND, J. C. (1981). Curso de concreto. Editora Globo, 2ª edição,


volume 1, Porto Alegre - Rio de Janeiro.

21. VENTURINI, W. S.; FERREIRA, A.; BERTOLIN, A. A. (1990).


Dimensionamento de peças retangulares de concreto armado solicitadas à
flexão oblíqua. Publicação 063/90, São Carlos.

22. WERNER, H. (1974). Schiefe Biegung Polygonal Umrandeter


Stahlbetonquerschnitte, Beton - und Stahlbetonbau.
79

Anexo 1 - Curvas Momento Fletor - Força Normal -


Curvatura com o Auxílio do Programa PCFRAME.

µ
0.40
ν=0,2
w=1.0

fck=30MPa
w=0.8
0.30

w=0.6

0.20 w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40 ν=0,2
w=1.0
fck=60MPa

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000

0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00


80

µ
0.40
ν=0,2

w=1.0
fck=90MPa

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20
w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40
ν=0,4
w=1.0

fck=30MPa
w=0.8
0.30

w=0.6

0.20 w=0.4

w=0.2

0.10
w=0.0

0.00
(d/r) x 1000
0.00 2.00 4.00 6.00 8.00
81

µ
0.40 ν=0,4
w=1.0
fck=60MPa

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20
w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40
ν=0,4

w=1.0
fck=90MPa
0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0

(d/r) x 1000
0.00
0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00
82

µ
0.40 ν=0,6

w=1.0
fck=30MPa
w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40 ν=0,6

fck=60MPa
w=1.0
0.30

w=0.8

w=0.6
0.20

w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 (d/r) x 1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00
83

µ
0.40
ν=0,6

fck=90MPa w=1.0

0.30

w=0.8

0.20
w=0.6

w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0

0.00
( d/r ) x 1000
0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40
ν=0,8

fck=30MPa
0.30
w=1.0

w=0.8

0.20
w=0.6

w=0.4
0.10

w=0.2

w=0.0 (d/r) x 1000


0.00

0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00


84

µ
0.30 ν=0,8
w=1.0

fck=60MPa

w=0.8

0.20

w=0.6

w=0.4

0.10

w=0.2

w=0.0

0.00 (d/r) x1000


0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00

µ
0.40
ν=0,8

fck=90MPa
0.30
w=1.0

w=0.8
0.20

w=0.6

w=0.4
0.10

w=0.2

w=0.0 (d/r) x 1000


0.00
0.00 2.00 4.00 6.00 8.00 10.00
85

Anexo 2 - Curvas Momento Fletor - Força Normal – Índice de


Esbeltez com o auxílio do programa PCFRAME.

µ1 le/h=40 f ck=30MPa
0.40

w=1.0

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.0

0.00
ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80

µ1
le/h=40 f ck=60MPa
0.40

w=1.0

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.

0.00
0 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80
86

µ1
0.40 le/h=40 f ck=90MPa

w=1.0

0.30
w=0.8

w=0.6
0.20

w=0.4

0.10
w=0.2

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80

µ1
0.40 le/h=25 f ck=30MPa
w=1.0

0.30
w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0

ν
0.00

0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20


87

µ1
le/h=25 f ck=60MPa
0.40

w=1.0

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

0.10 w=0.2

w=0.0
0.00 ν
0.00 0.40 0.80 1.20 1.60

µ1
0.40
le/h=25 f ck=90MPa

w=1.0

0.30 w=0.8

w=0.6

0.20

w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.40 0.80 1.20 1.60
88

µ1
le/h=10 f ck=30MPa
0.40

w=1.0

w=0.8

0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2

0.10

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20 1.40 1.60 1.80 2.00

µ1
0.40 le/h=10 f ck=60MPa
w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20 1.40 1.60 1.80 2.00
89

µ1 le/h=10 f ck=90MPa
0.40

w=1.0

w=0.8
0.30

w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2
0.10

w=0.0

0.00 ν
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20 1.40 1.60 1.80 2.00
Anexo 3 – Diagramas de interação para seções submetidas a flexão composta reta com concreto de alta resistência

0.60 d’
w=1.0

b
0.50 A A

w=0.8
h
Aço CA-50A
0.40 d’/h=0.05
w=0.6
fck=65 MPa

0.30
w=0.4

0.20 w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 νd


µd
w=1.0
0.50 d’

b
w=0.8 A A

0.40
h
w=0.6 Aço CA-50A
d’/h=0.10
fck=65 MPa
0.30
w=0.4

0.20 w=0.2

w=0.0
0.10

0.00
νd
-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50
µd
0.50
d’

w=1.0 b
A A
0.40
w=0.8 h
Aço CA-50A
d’/h=0.15
w=0.6 fck=65 MPa
0.30

w=0.4

0.20
w=0.2

w=0.0
0.10

νd
0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


µd
0.60
d’

w=1.0
b
A A
0.50

w=0.8 h
Aço CA-50A
d’/h=0.05
0.40
fck=80 MPa
w=0.6

0.30
w=0.4

0.20
w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.50 d’

w=1.0
b
A A
0.40
w=0.8
h
Aço CA-50A
d’/h=0.10
w=0.6 fck=80 MPa
0.30

w=0.4

0.20
w=0.2

0.10 w=0.0

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.40 d’
w=1.0

b
A A
w=0.8

0.30 h
Aço CA-50A
w=0.6 d’/h=0.15
fck=80 MPa

w=0.4
0.20

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 νd


µd
0.50 d’

A
b
w=1.0 A A
A
0.40
h
w=0.8
Aço CA-50A
d’/h=0.05
fck=65 MPa
0.30 w=0.6

w=0.4

0.20
w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.40 d’
w=1.0

A
b
A A
w=0.8 A

0.30 h
Aço CA-50A
w=0.6 d’/h=0.10
fck=65 MPa

w=0.4
0.20

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.40 d’

A
b
A A
w=1.0 A

0.30 h
w=0.8 Aço CA-50A
d’/h=0.15
fck=65 MPa
w=0.6

0.20
w=0.4

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 νd


µd
0.40 w=1.0 d’

A
b
w=0.8 A A
A

0.30 h
Aço CA-50A
w=0.6
d’/h=0.05
fck=80 MPa

w=0.4
0.20

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.40 d’

w=1.0 A
b
A A
A

0.30 w=0.8 h
Aço CA-50A
d’/h=0.10
w=0.6 fck=80 MPa

0.20 w=0.4

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50


νd
µd
0.40
d’

A
b
A A
A

0.30 h
w=1.0
Aço CA-50A
d’/h=0.15
w=0.8
fck=80 MPa

w=0.6
0.20
w=0.4

w=0.2

w=0.0
0.10

0.00

-2.00 -1.50 -1.00 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 νd


Anexo 4 – Diagramas de interação para seções submetidas a flexão composta oblíqua com
concreto de alta resistência

µdy
0.5
ν d=0. ν d=0.
. .
M dy
d’
0.4

w= h
0.3 1 .2
M dx
1 .0
w= 1.
0

. .
8
0.

0.
8
0.2 0.
6

0.
b

6
0.4
0.4
0.1 0.
2
Aço CA-50A
0.
0.0
2
d’/h=0.10
fck=65 MPa
0.0
0. 0 0 .0
2
µdx
0 .2 0.
0.1 0 .4
0.
4
0. 6
0 .6
0.8
0.2 0.
8 .0
w= 1
1. w=
0

0.3

0.4

ν =0. ν d=0.
0.5 d
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8

0.4
d’ . .
M dy

h
0.3 M dx
w=

.4
0.2
w
=1
1.
2
1.
0
1.
0
1.
2

. . b

0.
8
0.
8 6
0.

0.1 0. Aço CA-50A


6
4
0.
0.
d’/h=0.10
4
0. 2
fck=65 MPa
0.0
0.
6
µdx
8
0.
0.8
0.1
1. 1 .0
0
1.2
1.
2

4
1.
0.2 1.
4
6
w 1.
=1
.6
8
1.
w=
0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=0.2 ν d=0.0

0.4
d’ . .
M dy

h
0.3 w= M dx
1.
2
.0
=1 1.

0.2
w

0.
8 0.
6
0.
8
0

. . b

0.
6
4
0. 0.4
0.1 Aço CA-50A
2
0. d’/h=0.10
0 .2
0
0. fck=80 MPa
0.0
0. 0.
0 µdx
0
2
0.2 0.
0.1
4
0.
0.
4
0.

6
6
0. 0.
8
8 0.
0.2 w=
1 .0
1.
0 w=

0.3

0.4

ν d=0.4 ν d=0.6
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8

0.4
d’ . .
M dy

h
0.3 M dx

0.2 1.
w=
4
1.
2
1.
0
w
=1
.2 . . b
0
1.

0.
8
0.
8
0.1 0. 6 Aço CA-50A
6
0. 0. d’/h=0.10
4
fck=80 MPa
4
0.

0.0
0.
6 µdx
8
0.8 0.

0
1.
0.1 1.
0
2
1.
4
1.
1.
2

1.
4
6
w= 1.
0.2 1.
6
1 .8
w=

0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=0.2 ν d=0.0 M dy

d’
0.4 A

h A A
0.3 M dx
w=
.2 1.
=1 2
w
0
A
0.2 1. 1.
0

8
0. 0 .8 b
6
0.

0.
4
0.

6
0.1 2 0.
4
Aço CA-50A
0.
0 .2 d’/h=0.10
0
0. fck=65 MPa
0.0
0.
0 0.0
µdx
0. 2
2 0.
0.1 0.
4
4 0.
0.
6
6 0.
8
0.
8 0.

0
1. 1.
0 .2
0.2 w= =1
1. w
2

0.3

0.4

ν d=0.4 ν d=0.6
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8 M dy

d’
0.4 A

h
A A
0.3 M dx

.6
=1 w
=1 A
w
.4
0.2 1.
4

1.
2
1.
2
1. 0 b

0.
0
1.

8
0.
8
6
0.1 0. Aço CA-50A
0.
6
0. 4 d’/h=0.10
4
0. 0.
2
fck=65 MPa
0.0
0. 6 µdx
8
0.
0.8

0
1. 1.
0.1 0 1.2
1.

4
1.
2

1.
4
w 6
=1 1.
.6 .8
0.2 =1
w

0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=0.2 ν d=0.0 M dy

d’
0.4 A

h
A A
0.3 M dx

.2 w= A
0.2 w
=1 1.
2
0
1. 1.0
b
8

0.8
0.

6
0.
Aço CA-50A

0.
0.1 4

6
0. 0.
4
0.
2
0.
d’/h=0.10
0 2
0. fck=80 MPa
0.0

0.
2
0.
0 0.
0

0.
2 4 µdx
0.
0.

4
0.1
6

0.
0.

6
0.
8 0.8
0
1.
1.

w= 0 .2
1. =1
2 w
0.2

0.3

0.4

ν d=0.4 ν d=0.6
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
µdy
0.5
ν d=1.0 ν d=0.8 M dy

d’
0.4 A

h A A
0.3 M dx

A
0.2 w
.6
=1 =1
.4 b
w

1.
4

2
1.
1.
2 0
1.

0 Aço CA-50A

0.
0.1 1.

8
0.
8 6
0.
0.
6
0.
4 d’/h=0.10
4
0.
fck=80 MPa
0.0
0.
6
µdx
8
0.
0.
8
1. 0
1.
0
0.1 1.
2 4
1.

1. 1.
2

w 4 6
=1 1. 8
.6 1.
w=

0.2

0.3

0.4

ν d=1.2 ν d=1.4
0.5
0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
110

Anexo 5 - Descrição do modelo computacional utilizado por


KRÜGER (1989) e modificado por CAMPOS (1993) para a
análise de pilares esbeltos.

A.1- Introdução
O modelo considera a relação tensão - deformação do concreto na tração e na
compressão segundo as recomendações do MC90-CEB, leva em conta as não-
linearidades físicas do concreto e do aço, a não-linearidade geométrica da estrutura e a
fissuração do concreto. A consideração da relação tensão-deformação no concreto
proposta pelo MC90-CEB em substituição à parábola-retângulo da NBR-6118 (1978),
feita por CAMPOS (1993), leva a uma modelagem do concreto mais condizente com
resultados experimentais, principalmente no que diz respeito à resistência do concreto à
tração. Desta maneira, a distribuição das tensões nas seções transversais de uma peça
será feita considerando na mesma, a existência de trechos fissurados e não fissurados.
O programa baseia-se no método dos elementos finitos, para grandes
deslocamentos e pequenas deformações da estrutura. A resolução do problema da não
linearidade física e geométrica é feita a partir de uma formulação em termos de relações
tangentes para a aplicação incremental das solicitações, com iterações de equilíbrio
controladas por diversos métodos (KRÜGER, 1989). A versão utilizada do programa
PCFRAME leva em conta a possibilidade de formação de rótulas plásticas em qualquer
lugar do pórtico, pelo reposicionamento dos pontos de Gauss considerados para as
integrações numéricas.
Nos itens seguintes é feita uma descrição do modelo de acordo com o
apresentado na tese de LIMA JR. (1996).

A.2 - Análise geométrica não - linear


Independentemente do tipo de não-linearidade envolvida, física ou geométrica, a
formulação do problema é feita em termos de deslocamentos e é válida para qualquer
tipo de material; elástico ou não. Foram consideradas na análise as seguintes hipóteses:
- as seções perpendiculares ao eixo de referência do elemento de viga permanecem
planas e perpendiculares ao eixo após as deformações (Teoria de
111

Bernoulli-Euler-Navier). Os efeitos das solicitações de cisalhamento não são


considerados;
- a estrutura está sujeita a grandes deslocamentos, mas a pequenas deformações.

A.2.1 - Estado deformado de uma seção genérica


O deslocamento de um ponto genérico A (ver Figura A.1) é dado por:

u = u0 - y.v' 0
(equação A.1)
v = v0

Figura A.1: Deformação genérica de um elemento de viga

onde u0 representa o deslocamento axial do eixo de referência na direção x, v0 o


deslocamento transversal ao eixo de referência, v’ 0 a primeira derivada deste
deslocamento em relação a x, e y a distância do ponto genérico ao eixo de referência.
As deformações em uma seção transversal são dadas pela soma de uma parcela
linear e outra não linear, conforme a equação:

ε = u'0 - y.v' ' +1/2.(v' 0)


2
(equação A.2)
112

A.2.2 - Variação da energia potencial total


As forças de massa são consideradas nulas pelo modelo e as cargas {f} aplicadas
à estrutura são nodais e estão relacionadas com os respectivos deslocamentos nodais
{d} do elemento. Pode-se então escrever a primeira variação da energia total como:

δπ = ∫ δ {εg}.[ C].{εg} .dx - δ {d}.{f} = 0


T
(equação A.3)
0

onde {ε g} é o vetor que contém as componentes da deformação em um ponto no centro


de gravidade da seção transversal e [C] é a matriz de relação secante entre tensões e
deformações. A partir da expansão da equação (A.3) se obtém:

L  ∆  P 
δπ = δ {∆ Θ}. ∫ [B].[C].[B ] .dx .  − δ {∆ Θ}.  
T
(equação A.4)
0  Θ  M 

onde [B] é a matriz das relações entre tensões e deslocamentos nodais.


A partir da equação (A.4) é obtida a expressão da segunda variação da energia
total, que dá origem à expressão da matriz de rigidez tangente do elemento utilizado :

L  ∆  L 
δπ = δ {∆ Θ}. ∫ [B].[D].[B ] .dx .  + δ {∆ Θ}. ∫ {Φ ' }.Nx.{Φ ' } .dx 
 
2 T T

0  Θ  0  (equação A.5)
P 
− δ {∆ Θ}. 
 M

onde [D] é definida de modo idêntico à matriz [C], porém contendo o módulo de
elasticidade tangente Et do material em lugar do módulo secante Es.
Para facilitar a implementação computacional e a visualização dos termos
lineares e não lineares é feito um desdobramento do primeiro termo entre parênteses da
equação (A.5) em várias parcelas:
∆  P 
δ 2π = δ {∆ Θ}.([ K11] + [K1n] + [K nn] + [ Kp]).  − δ {∆ Θ}.  (equação A.6)
Θ   M
onde [K 11 ] é a matriz tangente do elemento que contém os termos constantes, [K 1n ] a
matriz tangente que contém os termos que variam linearmente com os deslocamentos,
[K nn ] a matriz tangente que contém os termos que variam quadraticamente com os
deslocamentos e, finalmente, a matriz [Kp ] é aquela que contém os termos que
dependem do esforço normal Nx
113

A equação do equilíbrio incremental é definida através da relação (A.7), pois a


equação (A.6) é válida para qualquer variação de deslocamento δ[d].

[ KT].{∆d} = {∆f} (equação A.7)

onde {∆d} representa o vetor dos incrementos dos deslocamentos nodais, {∆f}
representa o vetor das forças não equilibradas e [K T ] a matriz de rigidez tangente ou
incremental do elemento, definida por :

[ KT] = .([ K11] + [K1n] + [Knn] + [ Kp]) (equação A.8)

A.3 - Análise física não - linear


A não-linearidade física ocorre pelo fato de a matriz [D], que aparece na equação
(A.5), variar em função do nível de solicitação a que são submetidos os materiais
concreto e aço. Além disso, a matriz de rigidez tangente [K T ] depende da magnitude dos
esforços normais através do termo [K p ].
A matriz de relações incrementais [RD] é definida por KRÜGER (1989) como:

 D11 D12   ∂NRς/δε 0 ∂NRς/ δχ 0 


[RD] =   =   (equação A.9)
 D21 D22   ∂NRξ/δε 0 ∂NRξ/δχ 0 

A.3.1 - Obtenção dos esforços seccionais resistentes


A partir da geometria da seção (coordenadas dos vértices da poligonal fechada,
coordenadas das barras e suas respectivas áreas) e das relações constitutivas dos
materiais, podem-se obter os esforços seccionais resistentes (momento fletor e esforço
normal) para um sistema local de coordenadas (ξ,η,ζ) que passa pelo centro de
gravidade da seção (considera-se perfeita a aderência entre o concreto e o aço). Faz-se
então a integração das tensões tanto para o concreto como para o aço, sendo as mesmas
definidas em função das curvas tensão-deformação.

 NB

MRξ = - ∫ σc(ε ).η .dA + ∑ ρi.As.σs(εi).ηi 
 AC i =1 
(equação A.10)
 NB

NR ξ = -  ∫ σc(ε ).dA + ∑ ρi.As.σs(εi) 
 AC i =1 
114

onde ρi é a percentagem da armadura total As correspondente à i- ésima barra, NB é o


número total de barras e Ac é a área de concreto comprimida considerando que a seção
seja homogênea.

A.3.2 - Determinação das derivadas parciais dos esforços resistentes em relação ao


parâmetro de deformação
Derivando-se os termos das equações (A.10) em relação a cada um dos
parâmetros (ε 0 , χ0 ), tem-se:

∂MR ξ   ∂σc ∂ε  NB
 ∂σs ∂ε  
=  − ∫  .
∂ε 0  AC ∂ε ∂ε 0  .η .dA − ∑
i =1
ρi.As. .
 ∂ε ∂ε 0  

.ηi 

∂NRζ   ∂σc ∂ε 
NB
 ∂σs ∂ε  
=  − ∫  .
∂ε 0  AC  ∂ε ∂ε 0 
dA − ∑ ρ i.As.
 ∂ε . ∂ε 0  
i =1 
(equação A.11)
∂MR ξ   ∂σc ∂ε  NB
 ∂σs ∂ε  
= − ∫  . 
∂χ 0  AC ∂ε ∂χ 0 
.η .dA − ∑ ρi.As. . .ηi 
i =1  ∂ε ∂χ 0  
∂NRζ   ∂σc ∂ε  NB
 ∂σs ∂ε  
=  − ∫  .
∂χ 0  AC  ∂ε ∂χ 0 
 dA − ∑ ρi.As. .  
i =1  ∂ε ∂χ 0  

KRÜGER (1989) mostra que estas integrais de área podem ser transformadas em
integrais em todo o contorno da seção transversal de cada elemento. Logo, a matriz
[RD] pode ser escrita genericamente:
 ∂σ 
[RD] = ∫ {H}.
T
.{H} .dA (equação A.12)
 ∂ε 
onde {H} representa o vetor de transformação das deformações no centro de gravidade
da seção transversal da peça, para um ponto qualquer da mesma.