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EMOÇÕES * PENSAMENTOS * COMPORTAMENTOS

ELIANA DE ALMEIDA
Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental
Coordenadora: Psicóloga Ms. Eliana Melcher Martins
2017
Baralhos

RENATO MAIATO CAMINHA e MARINA GUSMÃO CAMINHA são os autores dos


Baralhos das Emoções, dos Pensamentos e dos Comportamentos, publicados
pela editora Sinopsys.
Os Três Baralhos integram o modelo de tratamento chamado de T.R.I.,
abreviação para “Terapia de Reciclagem Infantil” e acrônimo de
Trabalhe as suas Emoções; Recicle os seus Pensamentos e Inove os
seus Comportamentos.
O protocolo de TRI nasceu para tratar Transtornos de Humor e
Ansiedade. Atualmente, há pesquisas e aplicações clínicas
sendo realizadas para outros problemas como o transtorno do
espectro do autismo.

Modelos de Intervenção:
- Clínico
- Preventivo
“Na literatura cognitiva-comportamental voltada para os problemas
infantis, ressalta-se sempre a necessidade de envolver pais,
principalmente com a finalidade de maximizar benefícios, tanto para os
filhos quanto para a família. (...) são vistos como peças fundamentais na
aliança terapêutica, base para uma eficaz avaliação e conceitualização
cognitiva, bem como para um processo terapêutico com bom
desfecho”. (CAMINHA & CAMINHA, 2011)
ENTREVISTA INICIAL COM OS PAIS

- Acolhimento aos pais, esclarecimento da queixa e exploração inicial da


demanda.

- Engajamento e Colaboração dos cuidadores (disposição para mudanças,


cumprimento das tarefas, observação e prática das orientações,
acompanhamento das atividades terapêuticas da criança, etc.).

- Orientação aos pais a respeito de esclarecerem para a criança sua ida ao


psicólogo, caso ainda não tenha sido feito, bem como os motivos pelos
quais está sendo levada à terapia, enfatizando que, seja qual for o
problema, este diz respeito aos pais e à criança. Logo, ambos serão
ajudados pela terapia.

- Apresentação da TCC, do modelo cognitivo e das ferramentas


terapêuticas.
Como aplicar o Baralho das Emoções
BARALHO DAS EMOÇÕES:
acessando a criança no trabalho clínico.
Visa o trabalho psicoeducativo acerca do reconhecimento,

evocação, verificação de intensidade e frequência de

ativação das emoções, bem como da adequação entre

emoções e respostas comportamentais. Ajuda o

desenvolvimento da empatia e consequente incremento

de socialização.
Metáfora do Baralho das Emoções

• O disparo biológico da emoção altera nossa percepção cognitiva.


• Emoções agradáveis também sacodem o barco. E, quando
estamos sendo sacudidos pelas ondas das emoções, pensamos e
fazemos coisas que, sem a tal emoção, talvez não pensássemos
nem fizéssemos. (Renato Caminha)
O que Compõe o Baralho das Emoções
Um manual
 Cartas com as emoções primárias (fundo amarelo) e secundárias
(fundo branco)

 Carta com termômetro


 Formulários on-line (meninos e meninas): registro semanal das
emoções, “afetivograma”, “sentimentos no corpo com Balão do
Pensamento”, formulário de identificação das emoções para os pais
e/ou cuidadores antes das sessões, termômetros.
As Emoções no BARALHO DAS EMOÇÕES

Emoções

Primárias ou Secundárias ou Emoções de


universais: sociais: ciúme, fundo: Bem-
Alegria, tristeza, culpa, inveja, estar, mal-estar,
medo, raiva, orgulho etc. calma ou tensão
surpresa e nojo
Ansiedade, Solidão,
Alegria, Amor, Saudades, Culpa, Corresponde à
Tristeza, Medo, Desconfiança, Tranquilidade no
Raiva e Nojo. A Desespero, Vergonha,
Preocupação, Bem Estar. É,
surpresa foi omitida quando o mar está
por ser considerada Decepção, Orgulho,
uma emoção Confusão, Cansaço, sem ondas.
decodificadora. Esperança.
Emoções Primárias (manual B.E)
Medo

• Emoção universal que desencadeia luta, fuga, freezing ou


a acumulação de ansiedade e estresse.
• Objetiva antecipar o dano físico ou psicológico.
• Emoção adaptativa e filogeneticamente transmitida.
• Ativação do sistema nervoso autônomo simpático.
• Transtornos de Ansiedade.

Raiva
• Surge de situações nas quais o sujeito se sente
restringido, privado.
• Aprender a controlar a ira é uma etapa natural
importante do desenvolvimento infantil e, no entanto, 1
em cada 5 pessoas cede a acessos de raiva que dizem não
poder controlar.
• A função positiva dessa emoção seria a expressão de
assertividade ao invés da agressividade.
Tristeza

• A expressão da tristeza pode se manifestar sutil ou


intensamente.
• Promove o retraimento global do indivíduo, podendo
evoluir para severos déficits cognitivos e sociais (como na
depressão)
• Quando em equilíbrio, promove reflexão, reparação,
estímulo de mudanças e novos atos produtivos e reforço
de laços sociais.

Nojo ou Repugnância

• Emoção básica relacionada a evitar excrementos ou


situações que possam gerar contaminação.
• Adquire uma configuração social, num nível secundário,
quando repudiamos um comportamento social ou moral.
• Gera o comportamento de rejeição. Reação
parassimpática reflexa de náusea.
• Uma das emoções mais influenciadas por questões
culturais.
Alegria
• Sensação fisiológica de calor e satisfação.
• Um dos mais prazerosos comportamentos é o RISO.
Entretanto, nem sempre está ligado à alegria.
• Importante sinalizador social. Pessoas riem 30 vezes mais
em ambientes sociais do que quando estão sozinhas.
• Ligada ao aumento de dopamina nos centros de prazer
do cérebro (hipotálamo, o septo e o núcleo accumbens).

Amor
• Promove o entrelaçamento afetivo, fundamental a
espécies sociais, como os seres humanos.
• Promove o apego entre mãe-bebê, que depois se
transforma em vínculo, aumentando a harmonia e a
reciprocidade social.
Emoções AGRADÁVEIS de sentir:

Emoções DESAGRADÁVEIS de sentir:


TERMÔMETRO DAS EMOÇÕES
Bem-estar Tranquilidade

Emoção mediadora
Modelo da TCC: Acesso Infantil
(Caminha&Caminha, 2010)

Emoções*

Situação

Pensamentos Comportamentos

*Ponto de partida da
Crenças: Sobre si; Mundo; Futuro abordagem
IMPORTANTE!

Na terapia infanto-juvenil, o que difere é que, quanto menor


a idade da criança, maior tempo e espaço é dedicado a
conversar também com os responsáveis, antes ou nos
minutos finais da sessão. No início da sessão, para verificar
alguma situação relevante ou mesmo recolher registros e, ao
final, para orientar quanto às atividades combinadas e/ou
ajustar direcionamentos quanto ao tratamento.
Protocolo para o Baralho das Emoções com os Pais
(descrito no manual do B.E)
Primeiro Passo – EMOÇÕES PRIMÁRIAS

• Psicoeducar sobre as emoções, sua importância e função


vital. Esclarecer sobre as emoções agradáveis e desagradáveis
de sentir
• Apresentar as emoções primárias e perguntar se as identifica
no funcionamento do filho
• Pedir exemplos
• Pedir que apontem no termômetro o grau em que percebem
a expressão da emoção em seu filho nos exemplos citados
• Perguntar se há outras situações relevantes que gostariam
de relatar

Segundo Passo – EMOÇÕES SECUNDÁRIAS

• Fazer o mesmo caminho anterior.


Orientação e Psicoeducação aos Pais
(descritas no manual do B.E)
 Ajude seu filho a nomear a emoção que ele está sentindo após a
ocorrência de um evento significativo (explique a ele sobre as emoções
agradáveis e desagradáveis de sentir).

 Peça a ele para mensurar a intensidade da emoção.

 Em caso de pontuação elevada (“muito forte”) pergunte se está


adequado ou se é possível que esteja exagerada a intensidade.

 Diga a ele que as emoções são comuns para todas as pessoas e que
ninguém é bom ou mau por senti-las.

 Ajude-o a expressar a emoção de um modo adequado.

 Diga a ele, em caso de emoção desagradável de sentir, que ele espere a


emoção diminuir ou a emoção “secar” assim como a água seca quando
molha algo.
I N Í C I O DA
TERAPIA
 Início da Aliança Terapêutica

 O que é terapia?

 O que vamos fazer nos nossos encontros

 Apresentar o Baralho com as Emoções Primárias

 O que são Emoções? Deixar que a criança fale sobre suas

referências e ampliar com Psicoeducação

 Avaliar as emoções com a criança. Como?


ALIANÇA TERAPÊUTICA

Pais
Terapeuta

Criança Escola,
demais
contextos
INSTRUMENTOS COMPLEMENTARES

 Baralho dos Problemas (Lopez e Lopez, 2013)

Baralho das Distorções (Cartaxo, 2014)

 Baralho de Histórias (Rodrigues e Neufeld, 2016)

Livros Psicoeducativos: Por que vou à terapia? Crianças


entendendo a terapia cognitivo-comportamental (Caminha e
Tisser); Meu Caderno de Terapia (Caminha & Caminha, 2016),
entre outros.

Jogos: Bingo das Emoções; Bichos Zangados; entre outros.


COMO UTILIZAR O BARALHO DAS EMOÇÕES:
Sessões “T”: Trabalhe suas Emoções

O começo é sempre pelas EMOÇÕES PRIMÁRIAS:

• “Há alguma emoção destas que você não conhece?” Se


necessário, ensine por meio de histórias envolvendo a
emoção.
• Peça que identifique as emoções AGRADÁVEIS e as
DESAGRADÁVEIS de sentir.
•“Me conte sua história através das emoções ou com as
emoções ou, ainda, falando sobre as emoções”.
• “Dessas emoções, quais você tem sentido mais vezes ou
mais forte nos últimos tempos?”
Continua...

• “Conte-me uma história sua sobre esta emoção. Quando


foi a última vez que a sentiu?” Depois da criança contar,
peça que ela mensure no termômetro a intensidade e
pergunte se houve alguma vez em que ela sentiu a mesma
emoção na parte mais alta do termômetro.

• “Há algo mais que faça você sentir (emoção)?” (quando a


criança relata situações mais intensas envolvendo uma
emoção específica). Se necessário, inclua exemplos trazidos
pelos pais. Depois peça para que ela mensure no
termômetro.
 Com crianças menores, é possível que o
trabalho inicie e permaneça por um tempo
apenas nas emoções primárias.
Com as EMOÇÕES SECUNDÁRIAS:

• “Quais destas emoções você tem mais sentido


ultimamente?” ou “Quais destas emoções têm mais a ver
com você ultimamente?”
• Para cada emoção escolhida: “Me conte uma situação em
que sentiu...?”
• Sempre mensure no termômetro junto à criança a
intensidade da emoção na situação contada.
 Pedir para a criança relatar exemplos de como observa as
mesmas emoções em seus pais. Isso auxilia a investigar suas
referências nas reações emocionais dos pais, bem como
estimula sua capacidade de empatia.
Dados recolhidos com os pais (e outros cuidadores que
sejam significativos) e com a criança a respeito das
emoções mais ativadas e sua relação com situações,
pensamentos e reações fisiológicas e comportamentais. O
que permitirá a Conceitualização Cognitiva referente aos
problemas apresentados pela criança e pelos cuidadores
na relação com a criança ou adolescente.
Conectando as emoções secundárias às
emoções primárias:

Raízes
Raízes
secundárias:
Primárias ou
emoções
principais:
secundárias
emoções
(nascem das
primárias
primárias)
Psicoeducando sobre os Problemas
“Se você fosse esta ilha, e seus problemas fossem como
uma sombra que não deixa a claridade do sol chegar, o
quanto desta ilha estaria coberta por sombras? Escolha
uma cor e pinte o tamanho da sombra que seus problemas
fazem na ilha”.

Na fase inicial Na fase final


Exemplo “Ilha”
G., menina, 13 anos

Início da terapia 1 mês depois


MONITORAMENTO DAS EMOÇÕES

FORMULÁRIOS disponíveis:

 Registro das emoções semanal menino / menina com legendas


 Registro das emoções semanal menino / menina sem legendas

- Passados como “combinado ou compromisso da semana”;

- Também podem ser preenchidos pelos pais, registrando as


emoções percebidas na criança durante a semana e anotando as
situações ocorridas no verso da folha, por exemplo.

- O registro auxilia na Conceitualização e já é em si uma


intervenção.
- Os formulários são em preto e branco para que a criança possa colorir,
se desejar. A criança ou adolescente identificará as emoções que sentiu
em cada período do dia e anotará o número respectivo no quadrante.
- Pode-se, também, combinar o monitoramento com a criança apenas
das emoções que foram identificadas como mais significativas
relacionadas aos problemas, cobrindo ou anulando as demais na folha.
Com crianças menores,
pode-se providenciar uma
folha de registro apenas
com as emoções primárias.

Adaptado de Caminha & Caminha, 2010.


- O Registro sem as legendas pode ser utilizado no caso de diferença na
denominação da emoção (diferenças regionais) ou quando a criança ou
adolescente identificar determinadas expressões com emoções diferentes.
Neste caso, pode-se nomear as emoções com a criança em sessão.
Monitoramento das Emoções
demais Formulários disponíveis

 Monitoramento menino / menina


 Afetivograma menino / menina
Monitoramento menino / menina
Este formulário pode ser entregue
antes de cada sessão ao responsável,
com o objetivo que marque as
emoções e suas intensidades
conforme tenha percebido a criança
durante a semana.
Pode-se também ser entregue para
que alguém significativo, como:
professor, babá ou outro cuidador
preencha ao longo de uma semana
e entregue para ser trazido na
sessão subsequente.
Dessa forma, o terapeuta poderá
comparar com o relato e registro da
criança e ter ampliada a visão do
caso.
Afetivograma menino/menina

O Afetivograma possibilita uma espécie de mapeamento da evolução


das emoções durante 1 mês. A cada dia, os pais ou a própria criança vai
avaliar qual foi a emoção predominante e anotar seu número no
quadrante referente à intensidade com que a sentiu.
Conforme a conceitualização, pode-se monitorar durante 1 mês apenas
as emoções mais significativas. Por ex.: ansiedade, preocupação e medo
num caso de “ansiedade de separação”.
Exemplo 1 – menina, 6 anos
Exemplo 2 – menina, 13 anos
RPD (Registro de Pensamentos Disfuncionais) Infantil

MODELO (partindo da emoção monitorada): O que passou


pela minha
Onde estava? O que
cabeça?
estava fazendo
quando me senti
triste?

O que senti no O que eu fiz? O que


meu corpo? aconteceu depois?
Marque onde foi.
Exemplo de RPD
Paciente: M., 06 anos.
Estou com saudades
Estava na casa do papai da mamãe! Queria ir
e a mamãe estava logo pra casa. Meu pai
demorando pra me nunca dorme na
buscar. minha casa!?

Senti vontade de
chorar. Pedi pro papai ligar
pra mamãe, mas ele
não ligou.
Exemplo de RPD a partir do Registro Semanal anterior –
menina, 13 anos

Quando? Onde estava? O que senti?


Domingo à noite. Na igreja.

O que aconteceu que O que pensei?


me deixou triste ,com Ela não gosta mais de mim. Ela foi
raiva e ansiedade? grossa comigo. Ela só quer ficar com o
Minha amiga disse que P., não quer ficar mais comigo.
não queria falar comigo.
Resultados:
Comecei a chorar e quis ir
embora da igreja.
Continuidade – Sessões “T”
(Trabalhe suas emoções) B.E.

 Objetiva introduzir a identificação dos pensamentos que


acompanham as emoções desagradáveis e os comportamentos
problemáticos com a criança ou adolescente. A criança também pode
pintar no corpo onde sente a emoção e desenhar a expressão desta
no rosto.
 Auxilia a construir com o paciente a percepção de que a emoção
age em seu corpo, em seus pensamentos e em suas ações. Conectado
ao RPD.
Descrição da atividade muscular facial de
5 emoções primárias
Descrição da atividade muscular facial de 5
emoções primárias
para aprimorar a eo
desenvolvimento da (individual e em dupla com o terapeuta,
na sessão, e com os pais, em casa)
MODELO: RAIVA
Desenhe nas carinhas abaixo a emoção RAIVA. Faça os olhos, sobrancelhas e
boca de RAIVA. Depois imite a carinha que você desenhou. Espere um minuto e
se concentre na emoção. Se quiser, pode lembrar de algo que te deixe com
RAIVA. Agora relate como você se sentiu e indique no termômetro o quanto
você conseguiu sentir a emoção exercitada. Agora você sabe como os outros se
sentem quando sentem RAIVA. (Caminha & Caminha)
 Estes exercícios são feitos com
todas as emoções primárias,
desagradáveis e agradáveis, nesta
ordem.
Como terapeuta, você pode dar
outros direcionamentos e
enfoques, objetivando promover
melhora da capacidade de
autopercepção das emoções e
desenvolvimento da capacidade
de ativação, memória e
mensuração da intensidade das
emoções.
Este exercício também é uma
oportunidade para aprofundar e
fortalecer com o paciente a
compreensão de como o que
pensamos, mesmo que seja algo
que lembramos, tem a força de
nos fazer reviver a emoção no
presente.
Exercício em dupla
Cada um escolhe uma emoção primária para expressar no rosto e
no corpo, sem que o outro saiba qual será, e também procura
expressar em uma determinada intensidade. Então, um de cada
vez expressa a emoção e, em seguida, o outro terá que dizer qual
emoção foi expressa e em qual intensidade. Cada um poderá
também desenhar a expressão facial da emoção que o parceiro
fez. (Adaptação: Cinthia de Almeida)
Estrutura das sessões
Segue as BASES de toda TCC:

- Verificação do humor
- Estabelecimento da agenda da sessão com a criança: o que vamos
fazer hoje
- Revisão das tarefas: dos combinados ou compromissos
- Intervenções com os baralhos
- Outras intervenções: jogos, histórias, planejamento de
experimentos comportamentais etc.
- Feedback: o que aprendi hoje?
- Nova tarefa: o que vou fazer durante a semana para me ajudar.
- Humor final: como estou me sentindo no final da sessão?
O Baralho dos Problemas
como instrumento auxiliar
“O objetivo principal do Baralho dos
Problemas é oferecer ao psicoterapeuta e ao
psicopedagogo um instrumento que o auxilie
na conceituação de caso nos transtornos
mentais da infância” (LOPES & LOPES, 2013).

100 cartas que exploram os principais sinais


e sintomas ligados a Depressão Infantil,
Ansiedade, Hiperatividade, TDO, TC, TEPT,
TOC na infância, problemas escolares, déficits
nas habilidades sociais, tiques e gagueira.
 1 carta termômetro.

- Não suprime o uso de testes e escalas para


um diagnóstico mais preciso.
MATERIAIS DE APOIO
Sessão com os pais : TRANSIÇÃO para o
Baralho dos Pensamentos
 Feedback do trabalho.

 Psicoeducação sobre a próxima etapa: relação das


emoções com os pensamentos e comportamentos.
Esclarecimento sobre as fases do trabalho:

1. emoções desagradáveis e pensamentos que ajudam e que


não ajudam; conceito de reciclagem, “máquina de
reciclagem”, palavras conectoras e cartão S.O.S;

2. emoções agradáveis, pensamentos que ajudam e


comportamentos que ajudam a difundir; conceito de
difusão, palavras conectoras, “máquina da difusão” e
cartão S.O.S.
Como Aplicar o Baralho dos Pensamentos
Baralho dos Pensamentos:
reciclando ideias, promovendo consciência
Sessões “R” – Recicle seus Pensamentos

Visa trabalhar a relação existente entre os pensamentos e a


manutenção de emoções e comportamentos. Ensina uma
metodologia para reciclar pensamentos disfuncionais e, por
extensão, emoções e comportamentos relacionados. Além
disso, trabalha na difusão das emoções agradáveis, dos
pensamentos que ajudam e de comportamentos que
ajudam a difundir as emoções agradáveis. Daí vem a
proposta “reciclando ideias, promovendo consciência”.
Metáfora do Baralho dos Pensamentos
“Somos o que
pensamos. Tudo o que
somos surge com
nossos pensamentos.
Com os nossos
pensamentos, fazemos
o nosso mundo” (Buda).
O QUE COMPÕE o
Baralho dos Pensamentos:
 Um manual

 164 cartas de pensamentos

 12 cartas de emoções (menino/menina)

 17 cartas diversas (conectoras, lúdicas, iniciais do


processo e de mensuração)

 Anexos: máquina de reciclagem, máquina de difusão,


cartão S.O.S, modelos de psicoeducação, roteiros de
aplicação, protocolos de aplicação e outros.
Uso Clínico

Normalmente, após o uso do Baralho das


Emoções, focando na ou nas emoções
mais frequentemente observadas (via
monitoramento do B.E.).
Uso do Baralho Conforme a Idade

• Modelo Completo: 9 a 14 anos

• Modelo Lúdico: 6 a 8 anos


PSICOEDUCANDO sobre os pensamentos...

“O pensamento é a voz da emoção”


Emoções AGRADÁVEIS de sentir Emoções DESAGRADÁVEIS de sentir

Pensamentos que AJUDAM Pensamentos que NÃO AJUDAM


(verdes) (vermelhos)
Trabalhando com
CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS
 O enfoque da intervenção é nos pensamentos
automáticos disfuncionais e nas crenças intermediárias.
 Crenças intermediárias são mais fáceis de serem
modificadas por meio de experimentos
comportamentais.
 São menos complexas para o entendimento da criança.
 Além disso, nas crianças, crenças centrais tendem a estar
em formação.
 A reestruturação cognitiva é feita por meio de
conectores linguísticos.
Três Fases de Aplicação
 FASE 1: aceitação, validação, controle, assertividade
e reciclagem de pensamentos que não ajudam
ligados à emoção desagradável mais ativada
(durante o trabalho com o Baralho das Emoções).

 FASE 2: promoção de assertividade e reforçamento


de vínculos afetivos, equilibrando as emoções
agradáveis com os pensamentos que ajudam.

 FASE 3: apenas para o modelo preventivo.


FASE 1
Trabalhamos com as emoções desagradáveis de
sentir e suas respectivas cognições:
Tristeza

Raiva

Medo

Nojo
Roteiro de Aplicação Sessões “R”
(Recicle os seus pensamentos)

1. Escolher a emoção desagradável mais intensa e


avaliar seus prejuízos.
2. Reforçar psicoeducação acerca das emoções.
3. Apresentar os 9 pensamentos que não ajudam
prontos (vermelhos) e oferecer a possibilidade da
criança escrever qualquer outro pensamento que
identificar num balão em branco.
Não consigo
Tenho medo
controlar as coisas
de morrer.
e isso me dá muito
medo. Tenho medo
de ficar
sozinho.
Algo de
ruim pode
acontecer.
Tenho medo de
coisas novas,
Tenho medo de desafios.
de ficar longe
de alguém
que confio. Algo que
desconheço
pode ser
Sinto-me Tenho medo perigoso.
ameaçado. de muitas
coisas.
A criança escolhe dentre estes pensamentos prontos
aqueles que se aproximam do que costuma passar pela
cabeça dela quando sente a emoção.

Se houver um pensamento que não esteja pronto, ela o


escreverá no balão em branco:
4. Mensurar a crença em cada pensamento
“O quanto você acredita nesse pensamento?”
5. Psicoeducação sobre os pensamentos que não
ajudam.
6. Introdução da Carta da Reciclagem.

Você conhece este símbolo?


De onde?

(fazer link entre: lixo e


pensamentos que não
ajudam e a reciclagem
para transformá-los em
pensamentos que ajudam.)
7. Apresentar as cartas lúdicas e a primeira palavra
que começará a reciclar o pensamento, “Porém”.
8. Apresentar os pensamentos amarelos, “esticados”, para que
a criança avalie qual estica melhor cada pensamento bruto. No
caso de pensamentos escritos no balão em branco, ajudar a
criança a esticá-los por meio de diálogo socrático e outras
técnicas.

(Pensamentos amarelos prontos ligados ao MEDO.)


9. Pedir que a criança faça o RESUMO do que ela
entendeu do que foi feito até o momento.
Orientar , também, que leia em voz alta todos
os passos de cada pensamento.
Objetivo: produção cognitiva, ativação do
processamento de informação.
A importância de pedir o “RESUMO”

Solicitar sempre que, após uma orientação ou uma


atividade realizada, tanto os pais como a criança ou
adolescente retornem com um resumo do que
compreenderam ou aprenderam é fundamental para
assegurar uma comunicação eficaz e uma continuidade
fluente e bem sucedida do tratamento.
10. Introdução da cartas lúdicas e da segunda
palavra de reciclagem, “Portanto”.
11. Auxiliar a criança a CONSTRUIR os pensamentos a
partir do “Portanto”, pois não há pensamentos prontos. O
terapeuta utiliza as técnicas de reestruturação cognitiva
da TCC para este fim: diálogo socrático, brainstorming,
dando exemplos de modelos, etc. É essencial que se
estimule a criança a produzir os próprios pensamentos.
Exemplo de novos pensamentos criados a
partir do “Portanto”:
...
...

Não conhecer algo


não significa que é
perigoso. Posso
analisar.
12. Pedir que a criança faça o RESUMO do que
ela entendeu do que foi feito até o momento.
Orientar , também, que leia em voz alta todos
os passos de cada pensamento.
13. CONCLUINDO A RECICLAGEM:
apresentar a carta lúdica e a frase conectora
que conduz ao pensamento reciclado,
pensamento que ajuda.
Exemplo com pensamentos verdes (Medo):

Logo, posso aceitar ...


-Que consigo aprender a diferenciar o
que é perigoso e o que não é. Que consigo
-Que a ideia de morrer faz parte do aprender a
meu medo e não deve ser levada a sério. diferenciar o
-Que há coisas que eu controlo e há
que perigoso
coisas que não controlo, assim como
qualquer pessoa. e o que não é.
- Que consigo aprender a ficar sozinho.
- Que na maior parte do tempo não acontecem coisas ruins.
- Que às vezes preciso buscar ajuda quando acontecer uma
ameaça de verdade.
- Que consigo me sentir seguro mesmo estando só.
- Que a maioria das coisas não são assustadoras.
14. Mensurar novamente o nível de crença nos
pensamentos brutos (vermelhos).

15. Pedir que a criança faça


o RESUMO.

“O que você entendeu do


que fizemos até agora?”
16. Mensurar o nível de crença em cada uma das
ideias recicladas.

Pensamentos
que ajudam.
17. Preencher com a criança todos os passos da
“Máquina de Reciclagem” (a criança passará a fazer
em casa)
Logo, posso
aceitar...

18. Pedir que a criança faça o RESUMO.

“O que você entendeu do que fizemos até agora?”


19. Introduzir o Cartão de enfrentamento S.O.S

Você já ouviu falar S.O.S ?


 É um pedido de ajuda usado pelas pessoas em
situações de emergência ou perigo.
 Quando sua cabeça estiver ocupada pelos
pensamentos que não ajudam, o cartão S.O.S vai
ajudá-la a lembrar-se do que foi trabalhado em
sessão e, com isso, manter os pensamentos que
ajudam na sua cabeça.
Montar o Cartão de Enfrentamento S.O.S

Auxiliar a criança a refletir


sobre todo o trabalho
realizado a fim de
sintetizar o aprendizado
em um LEMBRETE e um
desenho.
20. Certificar-se de que a
criança entendeu.
Pedir RESUMO...
21. ORIENTAÇÕES AOS PAIS* com as
respectivas tarefas extra ssessão: Máquina de
Reciclagem, utilização do Cartão S.O.S e
outras tarefas pertinentes (por exemplo,
exposições).
*Modelo de Orientação para os pais anexo ao B.P.
Reconsulta: quando e como fazer?
• QUANDO o pensamento vermelho, após a
aplicação tiver se mantido, no termômetro, de
médio para cima e/ou o verde abaixo do médio.
• COMO? Colocar os pensamentos vermelhos na
máquina de reciclagem (tanto os prontos,
quanto os preenchidos pela criança).
• Prescrever tarefas comportamentais para
diminuir a crença nos pensamentos vermelhos
(ex: paciente com medo de ficar sozinho. Passar
tarefa de ficar, em seu quarto, só por 10, 20
minutos , etc).
FASE 2
Trabalhamos com as emoções agradáveis de sentir e suas
respectivas cognições e comportamentos:

Atenção! Emoções agradáveis de sentir também podem estar


relacionadas a patologias. Cabe ao terapeuta avaliar e trabalhar de
forma coerente para a conscientização e reequilibrio da criança e
da própria família.
Assertividade e equilíbrio emocional
 O equilíbrio das emoções promove um
desenvolvimento saudável e a resiliência
infantil.

- desenvolver assertividade
- promover reforçamento de
vínculos afetivos e sociais.
Roteiro de Aplicação
1. Escolher a emoção a ser trabalhada primeiro. As duas
emoções serão trabalhadas e, se necessário, mais de uma
vez.
2. Mensurar com o termômetro o quanto a criança tem
sentido a emoção.

Exemplo:
3. Trabalhar com o princípio da balança das emoções.
Apresentar cartas lúdicas das balanças e psicoeducar
sobre a importância do reconhecimento, da ativação e da
expressão destas emoções positivas.
4. Apresentar os pensamentos que ajudam
prontos e a possibilidade do balão em branco.
- Consigo gostar de minha escola e
meus professores.
- Sinto amor próprio e me sinto bem
por isso.
- Consigo gostar dos meus amigos.
- Consigo gostar de conviver em
grupos com pessoas diferentes.
- Consigo mudar de opinião e gostar
de coisas que não gostava.
- Consigo gostar dos animais e da
natureza.
- Consigo gostar de pessoas novas em
minha vida.
- Sinto que sou amado pela minha
família.
5. Mensurar no termômetro o quanto a criança acredita em
cada pensamento.
6. Estes pensamentos precisam ser reciclados? Comumente,
a criança reconhece que não. Logo, psicoeducar sobre a
importância de “espalhar” estes pensamentos
apresentando a carta lúdica da Difusão e as palavras que
vão ajudar a espalhar estes pensamentos que ajudam.

Logo, posso
demonstrar...
7. Certificar-se de que a criança esteja entendendo.
Pedir RESUMO.
8. Apresentar os pensamentos prontos para que ela
escolha quais deles ajudam a “espalhar” melhor
cada pensamento anteriormente identificado, bem
como oferecer o balão em branco.
Exemplos de pensamentos relacionados
(Amor):

Logo, posso
demonstrar...
Demais pensamentos relacionados
(Amor)
- Consigo gostar de minha escola e meus professores.
Logo, posso demonstrar ... Que a escola e os professores
são importantes na minha vida.
- Sinto amor próprio e me sinto bem por isso. Logo, posso
demonstrar... Que gostarmos de nós mesmos é uma forma
de nos respeitarmos.
- Consigo gostar dos meus amigos. Logo, posso
demonstrar... Que gostar de meus amigos é uma
importante forma de manter os amigos.
- Consigo gostar de conviver em grupos com pessoas
diferentes. Logo, posso demonstrar... Prazer de estar
em grupo de pessoas amigas.
- Consigo mudar de opinião e gostar de coisas que não
gostava. Logo, posso demonstrar... Que há prazer em
coisas que ainda não conheço e posso descobrir.
- Consigo gostar dos animais e da natureza. Logo, posso
demonstrar... Que amar a natureza e os animais é
importante para o bem-estar de todos.
- Consigo gostar de pessoas novas em minha vida. Logo,
posso demonstrar... Que gostar de novas pessoas não
significa abandonar quem gostamos.
- Sinto que sou amado pela minha família. Logo, posso
demonstrar... Que o amor da família é importante para
mim.
9. Resumo para se certificar da compreensão da
criança.
10. Aplicar a MÁQUINA DA DIFUSÃO e pergunta que
ajudará a encontrar os meios para espalhar os
pensamentos que ajudam e fortalecer a emoção
trabalhada:

De que maneira posso demonstrar ?


Auxiliar a criança por meio de brainstorming,
questionamento socrático, observação de modelos,
etc. Estimular que a criança faça sugestões.
Máquina Difusora
Ideias / Ações
(comportamentos
difusores)
Exemplo
Consigo gostar dos meus amigos.
Logo, posso demonstrar...
Que gostar de meus amigos é uma importante forma de
manter os amigos.
De que maneira posso demonstrar?
Comportamentos:
- Perguntando se estão bem.
- Oferecendo minha ajuda quando precisarem.
- Convidando para brincar.
- Falando pra eles o quanto são importantes pra mim.
- Falando quando vejo que algo não está indo bem.
- Sendo educado com eles.
11. Mensurar o quanto a criança tem vontade de
pôr em prática cada ideia que teve.

Quanto mais forte for a


vontade apontada pela
criança, maiores as chances
de realmente executar as
ações.

12. RESUMO:
O que você entendeu do que
fizemos até agora?
12. A partir do resumo, elaborar o Cartão de
enfrentamento S.O.S
13. Orientação aos Pais e das tarefas extrassessão

• Estimule e valide as emoções positivas do seu filho


(reforçando estas com elogios e/ou contato físico);
• Ajude-o a ser assertivo;
• Aceite, valide e incentive emoções e pensamentos
construtivos;
• Use com ele (a) o logo, posso demonstrar;
• Faça com ele (a) a máquina da difusão;
• Avalie com ele os possíveis comportamentos e seus
respectivos resultados (efeito bumerangue);
• Estimule o uso do cartão S.O. S;
• Auxilie no monitoramento semanal da emoção
trabalhada.
Modelo Lúdico – fases 1 e 2
• O caminho é o mesmo, porém mais lúdico e
simplificado.
• Não há balões de pensamentos.
• A criança escreverá menos e desenhará mais.
• Maior ênfase nas cartas lúdicas e menor nos conectores
linguísticos.
Sessão com os pais : TRANSIÇÃO para o
Baralho dos Comportamentos
 Feedback do trabalho.

 Psicoeducação sobre comportamentos que ajudam e


comportamentos que não ajudam.

 Psicoeducação sobre o bem- estar como estado/emoção


almejado.

 Psicoeducação sobre o “efeito bumerangue”.

 Orientações a respeito dos exercícios respiratórios e de


relaxamento que serão ensinados e trabalhados com o
acompanhamento da família durante o processo.
Como aplicar o
Baralho dos Comportamentos
Baralho dos Comportamentos:
“efeito bumerangue”
Sessões “I” – Inove seus Comportamentos

Visa trabalhar o espectro dos comportamentos derivados de


comportamentos que ajudam e que não ajudam.
O comportamento é aqui entendido e relacionado
ao processamento emocional e cognitivo apontados nos
instrumentos anteriores. Serão trabalhadas classes
comportamentais no intuito de desenvolvermos comportamentos
mais cooperativos e com maior índice de empatia e socialização.
Ensinar resolução de problemas, desenvolver estratégias
comportamentais e ensinar a respirar e relaxar.
Metáfora do Baralho dos Comportamentos:
Efeito Bumerangue

Sentença: posso ter influência nos


acontecimentos da minha vida.
Nós colhemos aquilo que plantamos e
do qual cuidamos.
O QUE COMPÕE o
Baralho dos Comportamentos
 Um manual
 33 Cartas: 6 emoções básicas meninas; 6 emoções
básicas meninos; 1 carta lúdica “bem-estar”; 1 carta lúdica
“efeito bumerangue”; 11 cartas posições para relaxar
(yoga); 7 cartas posições para respirar; 1 carta termômetro.
 20 Cartões: 10 cenas comportamentais que ajudam (cor
verde); 10 cenas comportamentais que não ajudam (cor
vermelha).
 Anexos enviados via internet: cartas, cartões de
psicoeducação e 2 cadernos de exercícios.
Passos para a Aplicação
Sessões “I” (Inove seus comportamentos)
 PSICOEDUCAÇÃO acerca dos COMPORTAMENTOS – para os
pais e a criança ou adolescente
 ENSINANDO o “EFEITO BUMERANGUE” – para os pais e
paciente
 ENSINANDO sobre o BEM-ESTAR – para pais e paciente
 TRABALHANDO com as CENAS COMPORTAMENTAIS. Os
comportamentos que ajudam e os comportamentos que não
ajudam:
- Escolhendo as cenas comportamentais e a classe de
comportamentos a serem avaliadas e trabalhadas;
- Trabalhando com os comportamentos que ajudam;
- Trabalhando com os comportamentos que não ajudam.
...
 Como MODIFICAR os COMPORTAMENTOS QUE NÃO
AJUDAM e AMPLIAR os COMPORTAMENTOS QUE AJUDAM:
- Identificando o comportamento problema a partir da(s)
emoção (ões) prevalentes
- Aplicando os passos das Estratégias de Resolução de
Problemas (Caderno 1 de Exercícios)
 RELAXANDO meu corpo
 APRENDENDO a RESPIRAR para relaxar mais
 ACALMANDO a minha MENTE
 Trabalhando a PREVENÇÃO DE RECAÍDA
 Término da terapia
PSICOEDUCAÇÃO acerca dos COMPORTAMENTOS –
para os pais e a criança ou adolescente

Você sabe o que são comportamentos?


-atitudes, posturas e ações que praticamos e que constroem a nós
mesmos, nossas vidas e nossas relações . Exemplos: acordar para ir
para a escola, brincar, praticar esportes, refletir sobre um problema,
etc.
- são motivados e se inter-relacionam continuamente com nossas
emoções e pensamentos.
- há comportamentos que, mesmo sem percebermos, podem nos
trazer problemas. Podemos chamá-los de comportamentos que
não ajudam.
- podemos modificar estes comportamentos que não ajudam e
transformá-los em comportamentos que ajudam.
- dar exemplos observados na criança durante o processo.
RESUMO: o que você entendeu do que conversamos
sobre comportamentos até agora? Você consegue dar um
exemplo de um comportamento que você já teve ou tem
que não ajuda? E agora um exemplo de um
comportamento que você teve ou tem que pode ser
considerado um comportamento que ajuda.
ENSINANDO* o “EFEITO BUMERANGUE” –
para os pais e paciente

Você sabe o que é um bumerangue?


Apresentar a carta lúdica do “Efeito Bumerangue”

*Modelo de Psicoeducação contido no manual do B.C.


PSICOEDUCAÇÃO AOS PAIS E CRIANÇA
“Nossos comportamentos são como bumerangues. O que nós lançamos costuma
voltar para nós mesmos. (...) Atitudes positivas geram bem-estar; as negativas
geram mal estar. Raiva gera medo e raiva. Tristeza gera desânimo e mais tristeza.
Alegria gera bem estar e conforto social. Amor gera amor e cuidado”. – manual do
B.C.
Somos ativos em nossos processos cognitivos, afetivos e comportamentais . O que
recebemos da vida tem a ver com posturas que temos e escolhemos.
ENSINANDO* sobre o BEM-ESTAR –
para pais e paciente
Você sabe o que é bem-estar?

* Modelo de psicoeducação contido no manual do B.C.


1. VOCÊ SABE O QUE E BEM-ESTAR ?
Bem-estar é uma pré-emoção. Sentimos bem-estar quando
não estamos tendo nem uma onda de emoções agradáveis
ou nem uma onda de emoções desagradáveis ( mostrar a
carta lúdica). Imagine um barco parado na água. Assim é
sentir Bem-estar. O barco não se move nem por ondas
agradáveis e nem por ondas desagradáveis. Quando
sentimos alguma onda de emoção mais forte, seja ela
agradável ou desagradável, nos mudamos a nossa maneira
de pensar e de agir, normalmente fazendo coisas que não
faríamos se não existisse nenhuma onda nos “sacudindo”.
Ha comportamentos que geram Bem-estar. Nosso objetivo
é fortalecer tais comportamentos e mudar aqueles que nos
impedem de sentir o Bem –estar .
TRABALHANDO com as CENAS COMPORTAMENTAIS.
Os comportamentos que ajudam e os comportamentos que não ajudam

1. Escolhendo as cenas comportamentais e a classe de


comportamentos a serem avaliadas e trabalhadas.

CLASSES DE COMPORTAMENTOS A SEREM AVALIADAS E TRABALHADAS:


Que ajudam (verdes) Que não ajudam (vermelhos)
1. Assertividade 1. Passividade / agressividade
2. Cooperar/ajudar 2. Dificultar / não ajudar
3. Colocar-se no lugar do outro 3. Egoísmo
(Empatia) 4. Hostilidade
4. Amizade 5. Ofender
5. Elogiar 6. Retrair / fechar
6. Descobrir/ Explorar 7. Ignorar
7. Aprender 8. Dependência
8. Autonomia 9. Desistência
9. Persistência 10.Desrespeito
10.Respeito
1. Há dois caminhos possíveis:
a) Com base na conceitualização cognitiva e no trabalho
desenvolvido com os Baralhos das Emoções e dos
Pensamentos, eleger os principais comportamentos
que a criança necessita desenvolver ou reduzir a
frequência, até mesmo suprimir. Podem ser um, dois ou
mais. Para cada um deles, serão trabalhados os
comportamentos em ambas as classes: “que ajudam” e
que “não ajudam”.
b) Trabalhar todas as classes de comportamentos
elaborando ao final do processo um
“comportamentograma”, que permitirá visualizar os
comportamentos deficitários bem como os excessivos. O
Diagrama dos comportamentos também permitirá
monitorar o trabalho comportamental.
Empatia X Egoísmo
• Estas cartas sempre serão trabalhadas, independente dos
comportamentos selecionados.
1° - Trabalhando com os
comportamentos que ajudam

Passo 1: Apresentar a carta com a cena


comportamental, ler com ou para a criança e
certificar-se de que ela está entendendo.

Com crianças menores, muitas vezes é


necessário SIMPLIFICAR a história.
Exemplo
Passo 2: Avaliar no termômetro duplo a intensidade e a
frequência que a criança julga acerca do comportamento
descrito
1. Na história que você contou marque no lado direito do
termômetro o quanto você acha que foi empático (a)?
2. Indique no lado esquerdo do termômetro o quanto você acha que
é empático (a) em sua vida.
Passo 3:

Avaliar o percurso do bumerangue deste

comportamento por meio da identificação das

VANTAGENS que ele traz. Três vantagens estão prontas

no cartão, as outras duas deverão ser preenchidas por

ela, auxiliada pelo terapeuta por meio de diálogo

socrático.
Passo 4:

Marcar intensidade e frequência no


“COMPORTAMENTOGRAMA” como forma de
registro para paciente e terapeuta.
2° - Trabalhando com os
comportamentos que não ajudam
Passo 1 : Apresentar na sequência ao
comportamento que ajuda trabalhado, a carta
com a cena comportamental que não ajuda
correspondente, e certificar-se de que a criança
ou adolescente está entendendo.
Exemplo
Passo 2: Avaliar no termômetro duplo a intensidade e a
frequência que a criança julga acerca do comportamento
descrito.
1. Na história que você contou marque no lado direito do
termômetro o quanto você acha que foi egoísta?
2. Indique no lado esquerdo do termômetro o quanto você acha que
é egoísta em sua vida.
Passo 3:

Avaliar o percurso do bumerangue deste


comportamento por meio da identificação das
DESVANTAGENS que ele traz. Três desvantagens estão
prontas no cartão, as outras duas deverão ser
preenchidas por ela, auxiliada pelo terapeuta por meio
de diálogo socrático.
Passo 4:

Marcar intensidade e frequência no


“COMPORTAMENTOGRAMA” como forma de
registro para paciente e terapeuta.
Trabalhando com os
Diagramas de Comportamento
“Os registros poderão ser efetuados a partir das classes de
comportamentos eleitas (...), ou ainda, se o terapeuta preferir,
poderão ser avaliados todos os fluxos comportamentais”. (manual B.C.)

OS REGISTROS PERMITEM ENTÃO:


1 – visualizar a funcionalidade comportamental do paciente em
intensidade e frequência
2- visualizar comportamentos inexistentes, excessivos, com baixa ou
alta frequência
3- visualização de todo processo terapêutico pelo paciente e
familiares com o intuito psicoeducativo, algo como uma radiografia
dos comportamentos
4- monitoramento terapêutico do seguimento das mudanças
terapêuticas almejadas
Como MODIFICAR os COMPORTAMENTOS QUE NÃO
AJUDAM e AMPLIAR os COMPORTAMENTOS QUE AJUDAM:

Construindo estratégias para


Resolução de Problemas.

“Para que o trabalho transcorra de um modo adequado e


eficaz, faz-se de suma importância a inserção dos pais e
cuidadores em todo o processo. Mediante o andamento e
contextualização do trabalho, ao elencarmos os 10 passos a
seguir”. (manual do B.C.)
Avaliação:
1. Identificar os problemas do paciente (que podem ou não
estar relacionados às cenas comportamentais
trabalhadas).
2. Identificar os recursos do paciente: pontos fortes e apoio.
3. Decidir se a resolução de problemas é apropriada.
4. Decidir quanto às disposições práticas: quem estará
envolvido, número provável de sessões, duração, tempo
etc.
5. Estabelecer um contrato terapêutico que inclua as
responsabilidades do paciente, dos cuidadores e do
terapeuta na resolução de problemas.
Passo 1 – Identificando o comportamento
problema a partir das emoções prevalentes
“Além do destaque cognitivo dado ao comportamento a ser
alterado, esse passo possibilita ao paciente elaborar uma
relação entre a emoção prevalente e o comportamento
problema com vias de buscar, (com o uso das técnicas de
relaxamento e respiração, apresentadas mais adiante), o
manejo dessa emoção para prevalecer o Bem-Estar”. (manual B.C.)
Passo 2: provocando dissonância cognitiva para
conduzir à mudança
Passo 3: “apresentando os caminhos da mudança”
por meio de uma “chuva de ideias”

Na última linha, o paciente escreverá o


“comportamento que ajuda”, o qual pretende alcançar.
Passo 4: destacando as ideias em placas, inclusive o
“comportamento que ajuda” que o paciente pretende
alcançar.
Passo 5: testando a viabilidade de cada ideia. Ajuda ou não
ajuda? Quais vantagens e desvantagens.
Passo 6: quais ideias restaram e que realmente ajudam?

“O terapeuta deve auxiliar o paciente a não esquecer qual


comportamento problema está sendo modificado e qual
„comportamento que ajuda‟ as ideias que restaram
pretende ampliar”. (manual B.C.)
Passo 7: por onde seria mais fácil começar? Montando a
hierarquia em direção ao “comportamento que ajuda”
Passo 8: montando meu bumerangue em busca do bem-estar
Montagem do Bumerangue

Baseado na tradicional resolução de


problemas de D´Zurilla e Goldfried (1971).
Elaboração de um banco de reforços para
ser utilizado mediante a execução de cada
passo. Reforços materiais devem ser
evitados.
Passo 9: testando cada passo na imaginação
Passo 10: monitorando o percurso do meu bumerangue –
preenchido em casa em conjunto com o adulto referência.
Relaxando meu corpo
com posições derivadas da yoga
São apenas posições que promovem relaxamento, o
terapeuta não deve praticar yoga com a criança ou
adolescente.

- Antes, o terapeuta irá PSICOEDUCAR a criança e os pais


quanto à importância destes exercícios e como praticá-los
(orientações no manual do B.C.)

SEMPRE promover o treino das posições com a


presença de um dos pais ou responsáveis.
Aprendendo a RESPIRAR para relaxar mais

- PSICOEDUCAR paciente e pais sobre a natureza da respiração

e dos exercícios para harmonizá-la. Junto aos exercícios de

relaxamento, vai auxiliar a relaxar mais e também a diminuir os

efeitos e a duração de uma onda de emoção desagradável

(sugestões de orientação no manual do B.C.)

SEMPRE promover o ensino dos exercícios de respiração

com a presença de um dos pais ou responsáveis.


ACALMANDO a minha MENTE
por meio de cenas mentais relaxantes
Trabalhando a PREVENÇÃO À RECAÍDA
MEU CADERNO DE TERAPIA
(Caminha&Caminha,2016)
EXERCITANDO A CLASSIFICAÇÃO DA EMOÇÃO
Referências Bibliográficas
CAMINHA, Renato M.; CAMINHA, Marina G. Baralho das Emoções:
acessando a criança no trabalho clínico. 4° edição. Porto Alegre: Sinopsys,
2010.

CAMINHA, Marina G.; CAMINHA, Renato M. et.al. Intervenções e


treinamento de pais na clínica infantil. Porto Alegre: Sinopsys, 2011.

CAMINHA, Renato M.; CAMINHA, Marina G. Baralho dos Pensamentos:


reciclando ideias, promovendo consciência. Porto Alegre: Sinopsys, 2012.

CAMINHA, Renato M.; CAMINHA, Marina G. Baralho dos Comportamentos:


efeito bumerangue. Porto Alegre: Sinopsys, 2013.

LOPES, Renata F.; Lopes, Ederaldo J. Baralho dos Problemas: lidando com
transtornos da infância em busca do bem-estar. 1° edição. Porto Alegre:
Sinopsys, 2013.
Bibliografia Recomendada
EKMAN, Paul. A Linguagem das Emoções. Alfragide: Lua de
Papel, 2010.

DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. Tradução


Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

PETERSEN, Circe S.; WAINER, Ricardo et. al. Terapias cognitivo-


comportamentais para crianças e adolescentes: ciência e arte.
Porto Alegre: Artmed, 2011.

PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth D. Desenvolvimento


Humano. Tradução Cristina Monteiro, Mauro de Campos Silva –
12 ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
Contatos
Eliana de Almeida
Psicóloga – CRP 6ª/63707
Nutricionista – CRN 3ª/34425
Email: almeida.eliana@hotmail.com
(11) 98024-2928

CENTRO DE ESTUDOS EM TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL


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Cep 04101-200 – São Paulo – SP – fone 11-3361.7145