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O RELEVO TERRESTRE

A superfície terrestre não é uniforme, mas sim composta por irregularidades,


apresentando formas altas ou baixas, planas ou onduladas. O relevo pode ser definido como o
conjunto das formas assumidas pela superfície terrestre. A Geomorfologia é o ramo da ciência
que estuda as formas de relevo e os processos responsáveis por sua formação e
transformação.
A grande variedade de formas do relevo terrestre se deve à atuação de duas forças
contrárias, porém complementares: os agentes internos e os agentes externos.
Os agentes internos, também chamados de agentes endógenos, são as forças que
atuam a partir do interior do planeta. Entre os exemplos desses agentes estão o movimento
das placas tectônicas (tectonismo), os terremotos (abalos sísmicos) e os vulcões (vulcanismo).
Esses agentes podem ser considerados estruturadores do relevo, já que são responsáveis pela
criação de grandes estruturas, que são posteriormente modificadas pelos agentes externos.
Já os agentes externos ou exógenos são as forças que atuam sobre a superfície
terrestre a partir da ação do calor do sol, da água, dos seres vivos, do vento e de outros
fenômenos atmosféricos. Tais agentes são considerados modeladores do relevo, já que, ao
longo de milhares ou milhões de anos, modificam as grandes estruturas criadas pelos agentes
internos.

Exemplos de atuação dos agentes internos na superfície terrestre

Algumas formas de relevo estão diretamente relacionadas à atuação dos agentes


internos. O choque entre placas tectônicas, por exemplo, resulta na formação das grandes
cadeias montanhosas ou cordilheiras. A atividade vulcânica, por sua vez, altera a fisionomia da
paisagem, já que, a cada erupção, uma nova camada de rocha é depositada sobre a
superfície. Vulcões submarinos ativos podem, por sua vez, formar ilhas vulcânicas.

Orogênese (formação de montanhas): o choque entre placas tectônicas forma as cordilheiras.

Vulcanismo: a cada erupção, uma nova camada de rocha é depositada sobre a superfície.

Os processos relacionados aos agentes externos


A atuação dos agentes externos ocorre por meio de três processos complementares: o
intemperismo, a erosão e a sedimentação.
Intemperismo é o processo responsável pela destruição ou decomposição das rochas e
a desagregação dos seus minerais. Ele pode ser físico (quando não há transformações
químicas na rocha e a destruição da rocha é causada pela ação do calor e do vento, sem a
presença de água) e químico (quando a água participa do processo, permitindo reações e
transformações químicas na rocha).
Erosão, muitas vezes chamada apenas de desgaste da rocha ou do solo, é o processo
por meio do qual ocorre a retirada e o transporte de materiais de áreas altas para as de menor
altitude.
Sedimentação corresponde ao depósito dos materiais (solo, areia ou fragmentos de
rochas) oriundos da erosão.

A atuação dos agentes externos na transformação do relevo

Muitas formas de relevo encontradas no território brasileiro foram formadas devido à


atuação dos agentes externos. As planícies litorâneas, por exemplo, onde se encontram as
praias, resultam de um longo processo de sedimentação. As serras, por sua vez, possuem
morros bastantes arredondados por causa da ação erosiva da água da chuva ao longo de
milhares de anos.

Falésia: exemplo de alteração no relevo terrestre provocada pela água do mar.


Relevo ruiniforme: formas produzidas pela ação do vento

Os tipos de erosão

A erosão pode ser definida de acordo com o agente responsável pelo desgaste e
transporte do material. Pode-se definir os seguintes tipos de erosão:

- Erosão eólica: provocada pela ação do vento.


- Erosão solar: provocada pelo calor do sol.
- Erosão pluvial: provocada pela ação da água da chuva.
- Erosão fluvial: provocada pela ação da água dos rios.
- Erosão marinha ou abrasão marinha: provocada pela ação da água dos oceanos e mares.
- Erosão glacial: provocada pela ação da neve ou gelo.
- Erosão acelerada ou antrópica: provocada pelas atividades humanas.

As principais formas de relevo

Planaltos: superfícies irregulares, em geral superiores aos 300 metros de altitude, nas quais
predominam os processos de erosão.

Planícies: superfícies muito planas e baixas, geralmente com menos de 200 metros de
altitude, nas quais predominam os processos de sedimentação.

Depressões: superfícies rebaixadas em relação ao seu entorno, geralmente com poucas


irregularidades e predomínio de processos erosivos. Podem ser classificadas em: a)
depressões absolutas, situadas abaixo do nível do mar (muito raras) e b) depressões
absolutas, situadas entre dois ou mais planaltos.

As formas de relevo abaixo são muito comuns no território brasileiro e, em geral, estão
associadas aos planaltos:

Morro: elevação da superfície de forma arredondada, com declives suaves. Muitas vezes,
também é chamado de montanha.

Colina: morro ou pequeno morro.


Serra: superfície que apresenta um conjunto (uma sucessão ou sequência) de morros e, em
determinadas porções, apresenta um terreno muito escarpado.

Chapada: também chamada de planalto tabular, é uma superfície elevada, bastante aplainada
na parte superior, com limites muito escarpados, ou seja, com paredes abruptas (verticais) na
sua borda (elevado declive).

Há ainda outras formas de relevo que podem ser citadas, entre as quais destacam-se:

Vale: Depressão, compreendida entre duas áreas de maior altitude, geralmente atravessada
por um rio ou ribeirão, podendo ser largo ou estreito.

Montanha: grande elevação da superfície terrestre que apresenta forte declive e, em geral,
pico pontiagudo e rochoso. Associa-se, normalmente, às forças internas (tectônicas),
responsáveis pelos dobramentos.

Cordilheira: conjunto (sequência) de montanhas.

Glossário

- Altitude: altura da superfície terrestre em relação ao nível médio do mar.


- Declive: inclinação do relevo (do terreno).
- Encosta: superfície inclinada, ou seja, com forte declive, que delimita as áreas elevadas do
relevo (o termo pode ser utilizado como sinônimo de vertente).
- Escarpa: Paredes abruptas das bordas dos planaltos e serras, com declives bastante
acentuados, podendo até mesmo ser verticais, como no caso das chapadas. Em outras
palavras, queda muito acentuada no relevo.
- Vertente: porção do relevo com um declive (inclinação) que permite o escoamento da água
da chuva (o termo pode ser utilizado como sinônimo de encosta).
Relevo do Estado de São Paulo

De forma simplificada, considerando-se as formas de relevo predominantes, é possível


identificar quatro compartimentos no Estado de São Paulo.
O Estado conta com dois planaltos: o Planalto Ocidental (I), que abrange a porção oeste
do território, e o Planalto Atlântico, que abrange a porção leste, estende-se ao longo do litoral e
possui a presença de serras (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira). Entre os dois planaltos,
situa-se a Depressão Periférica (III), na qual encontra-se Pirassununga e os municípios
vizinhos. Por fim, ocupando uma estreita faixa no litoral, encontra-se a Planície Litorânea (IV).

Na classificação do relevo brasileiro, proposta pelo geógrafo Jurandyr Ross, em 1989,


os compartimentos citados recebem as seguintes denominações:
I. Planalto Ocidental: Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.
II. Planalto Atlântico: Planaltos e Serras do Atlântico Leste e Sudeste.
III. Depressão Periférica: Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná.