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Aula 1: OS CONCEITOS DE INDIVÍDUO E SOCIEDADE PARA AS CIÊNCIAS SOCIAIS

As Ciências Sociais compreendem o conjunto de saberes relativos às áreas da


Antropologia, da Sociologia e da Ciência Política.

A Sociologia tem como objeto de estudo a sociedade, com ênfase nas suas diferentes
formas de organização, bem como nos processos que interligam os indivíduos em grupos e
instituições.

A Sociologia tem como objeto de estudo a sociedade, com ênfase nas suas diferentes
formas de organização, bem como nos processos que interligam os indivíduos em grupos e
instituições.

O olhar antropológico privilegia os aspectos culturais da sociedade, como costumes,


crenças e valores morais dos diferentes de grupos e comunidades. Sua abordagem possui um
caráter integrativo, cujo propósito é não “parcelar o homem”.

Na Ciência Política, analisam-se as questões ligadas às instituições do poder, como a


sua origem, manutenção, distribuição, transferência, ou perda.

As relações entre indivíduo e sociedade

“O homem faz a sociedade, ou a sociedade faz o homem?” (Rodrigues, Alberto Tosi.


Sociologia da Educação, pg. 19).

“Sem dúvida temos consciência, ao mesmo tempo, de que esse abismo entre os
indivíduos e a sociedade não existe na realidade. Toda sociedade humana consiste em
indivíduos distintos e todo indivíduo humano só se humaniza ao aprender a agir, falar e sentir
o convívio com outros.” (Elias, Norbert. A Sociedade dos Indivíduos, pg. 67).

“O ofício de sociólogo”: objeto e método das Ciências Sociais.

Ao observar os fenômenos sociais somos levados a nos confrontar com nossas


próprias posições, nossos valores, nossa visão de mundo, que interferem na nossa pesquisa.
Nossa fala, nossos gestos, nosso modo de ser e de agir revelam o tipo de socialização que
tivemos e que influencia em nossa visão de mundo.

“Abordagens teóricas são como lentes de aumento, que nos ajudam a ver e
compreender melhor certos aspectos da realidade.” (Santos, Myriam Sepúlveda dos. Memória
Coletiva e Teoria Social, pg.

Aula 2: O objeto e o método das Ciências Sociais

As ciências naturais e exatas estudam fatos simples, ou seja, eventos que são
facilmente isoláveis recorrentes e sincrônicos. Nestes casos há uma distância significativa entre
o cientista e o seu objeto de pesquisa. Nas ciências naturais, a prova ou teste de uma dada
teoria pode ser feita por dois observadores situados em locais diversos, que chegarão a
resultados iguais.
A matéria prima da ciência natural, portanto, é todo o conjunto de fatos que se
repetem e têm uma constância verdadeiramente sistêmica, já que podem ser vistos, isolados
e, assim, reproduzidos dentro de condições de controle razoáveis, num laboratório. (Da
Matta, Roberto. Relativizando, pg. 17)

Já as Ciências Sociais estudam fenômenos complexos, situados em planos de


causalidade, cuja determinação pode ser consideravelmente varada.

Um bolo pode ser comido porque se tem fome, mas também pode ser comido por
motivos sociais, como comemorar uma festa, demonstrar solidariedade, lembrar de uma
determinada data e, ainda, por todos estes motivos juntos. (Da Matta, Roberto. Relativizando,
pg. 18).

A matéria prima das Ciências Sociais, assim, são eventos com determinações
complicadas e que podem ocorrer em ambientes diferenciados tendo, por causa disso, a
possibilidade de mudar seu significado de acordo com o ator (Da Matta, Roberto.
Relativizando, pg. 18).

Ao observar os fenômenos sociais somos levados enfrentar nossa própria posição,


nossos valores, nossa visão de mundo que interfere na nossa pesquisa.

O problema não é o de somente reproduzir e observar o fenômeno, mas


substancialmente o de como observá-lo. (Da Matta, Roberto. Relativizando, pg. 22).

O método de pesquisa das Ciências Sociais

Os indicadores e a construção de conceitos

Em sentido figurado, podemos dizer que os conceitos são as ferramentas de trabalho, como o
binóculo ou a bússola, enquanto as técnicas de pesquisa são as instruções para o uso correto
desses instrumentos. Existe, portanto, uma relação direta entre os conceitos e o modo de
abordar a realidade, observada a partir dos indicadores escolhidos pelo pesquisador.

“Nasce, daí, um debate inovador, numa relação dialética entre investigador e


investigado”. (DA MATTA, Roberto in Relativizando: uma introdução à antropologia social).

Aula 3: A análise antropológica da cultura

O conceito antropológico de cultura

Edward Tylor foi um dos primeiros antropólogos a sistematizar o conceito de cultura.


Segundo este autor, em seu trabalho intitulado Primitive Culture, de 1871, a cultura poderia
ser definida como todo aquele conjunto de conhecimentos, que inclui crenças, arte, moral, lei,
costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro de
um grupo ou sociedade.

A origem da cultura
Segundo o antropólogo norte-americano, Leslie White, a capacidade de produzir
cultura se dá quando o cérebro do homo-sapiens foi capaz de gerar símbolos, com significados
próprios.

A abordagem antropológica e as práticas etnográficas

• A abordagem antropológica é caracterizada pela observação direta, por impregnação


lenta e contínua dos grupos sociais estudados, com os quais são mantidas relações
pessoais.

• A experiência da alteridade trouxe como consequência uma modificação a imagem


que se tinha sobre si memo.

• (Laplantine, François. Aprender Antropologia).

A cultura condiciona a visão de mundo do homem

Segundo Ruth Benedict, a cultura é como a lente, através da qual o homem vê o


mundo.

Aula 4: O CONTEXTO HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA

Thomas Hobbes foi um filósofo inglês, que em 1651 publica sua principal obra
denominada O Leviatã. Neste trabalho o autor afirma que a sociedade necessita de uma
autoridade à qual todos os membros devem se render, mesmo com prejuízo de sua liberdade
individual. Isto seria necessário para que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa
do bem comum. Este soberano, quer seja um monarca ou uma assembléia, deveria ser o
Leviatã, que possuiria uma autoridade inquestionável.

John Locke pode ser considerado o precursor do liberalismo político. Em suas obras
são feitas críticas a teoria do direito divino dos reis, ao princípio da afirmação com base na
autoridade inata. Para Locke, a soberania não reside no Estado, mas sim na população. Embora
admitisse a supremacia do Estado, Locke dizia que este deve respeitar as leis natural e civil.
Ele também defendeu a separação da Igreja do Estado e a liberdade religiosa, recebendo por
estas ideias forte oposição da Igreja Católica.

Montesquieu era nobre de origem e teve como sua principal obra um trabalho
intitulado O espírito das leis. Nele o autor desenvolvia a teoria da separação dos poderes em
Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um destes poderes deveria agir de forma a limitar a
força dos demais.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

Considerando as desigualdades sociais um fato lastimável, Rousseau tenta responder a


questão do que compele um homem a obedecer a outro homem ou por que direito um
homem exerce autoridade sobre outro. Ele concluiu que somente um contrato tácito e
livremente aceito por todos permite cada um "ligar-se a todos enquanto retendo sua vontade
livre". A liberdade está inerente na lei livremente aceita. "Seguir o impulso de alguém é
escravidão, mas obedecer uma lei auto-imposta é liberdade".
O "Contrato social", ao considerar que todos os homens nascem livres e iguais, encara
o Estado como o resultado de um contrato no qual os indivíduos não renunciam a seus direitos
naturais, mas ao contrário entram em acordo para a proteção desses direitos, cabendo ao
estado o exercício desta tarefa.

AS FORMAS DE DOMINAÇÃO LEGÍTIMA PARA MAX WEBER

A história humana, segundo Max Weber, poderia ser definida como um processo
crescente de racionalização das relações sociais. O agir em sociedade pressupõe determinadas
normas, que se enraízam, institucionalizam e em seguida assumem a forma de leis.

Para explicar este movimento Weber constrói novamente uma tipologia, num sentido
ideal, destinada analisar as diferentes formas de dominação legítima.

A DOMINAÇÃO TRADICIONAL

Baseada nas tradições e mais diretamente relacionadas às monarquias absolutistas do


período conhecido como Idade Moderna.

Aula 5: O CONTEXTO HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA

A CIÊNCIA

A sociedade ocidental produziu uma forma específica de explicar o mundo, chamada


de ciência, ou seja, uma forma racional, objetiva, sistemática, metódica e refutável de
formulação das leis que regem os fenômenos.

As condições históricas para o desenvolvimento do pensamento científico e para o


surgimento da Sociologia.

O racionalismo e a Revolução Científica do século XVII

Francis Bacon 1561 a 1626

René Descartes 1596 e 1650

Galileu Galilei 1564 e 1642

Isaac Newton 1643 a 1727

Os movimentos revolucionários do século XVIII

O Iluminismo

Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre
a visão teocêntrica do mundo, que predominava na Europa desde o período medieval. O
próprio homem deveria passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram
justificadas somente pela fé.

A Revolução Francesa
A Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, em
1789,alteraram o quadro político e social da França. Em causa estavam o Antigo Regime,
marcado pela autoridade da nobreza e do clero. Foi influenciada pelos ideais do iluminismo e
pela independência americana. No mundo ocidental marca o início da chamada idade
contemporânea.

A Revolução Industrial

A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra em meados do século XVIII, expandiu-


se pelo mundo a partir do século XIX. Ela marca o início da mecanização dos sistemas de
produção, que consistiu na substituição da energia humana pela energia motriz no processo
de fabricação de mercadorias.

O POSITIVISMO

Auguste Comte (1798-1857)

A Lei dos Três Estados: Teológico Metafísico Positivo

As bases da teoria positivista

A teoria positivista pode ser considerada como um tipo de cientificismo, que tenta
explicar e compreender a sociedade humana, como se suas leis fossem derivadas das
chamadas ciências naturais. Por esta razão, Comte também definia a nova disciplina como
Física Social.

A Lei dos Três Estados

TEOLÓGICO: A explicação do mundo com base em concepções místicas e no


pensamento religioso.

METAFÍSICO: Predomínio de princípios e construções teóricas de natureza filosófica.

POSITIVO: A conduta humana pautada nas convicções e deliberações da ciência.

Herbert Spencer e o darwinismo social

O filósofo inglês Herbert Spencer foi o principal representante do evolucionismo nas


ciências humanas. Ele especulava sobre a existência de regras evolucionistas na natureza antes
de seu compatriota, o naturalista Charles Darwin, que foi o autor da teoria da evolução das
espécies. É dele a expressão "sobrevivência do mais apto", muitas vezes atribuída a Darwin. Os
princípios do darwinismo social foram construídos a partir da obra de Spencer.

CHARLES DARWIN

Darwin foi um naturalista britânico que alcançou destaque no meio acadêmico ao


desenvolver a teoria da evolução da vida na Terra. Em seu livro publicado em 1859, A Origem
das Espécies ele introduziu a ideia de evolução a partir de um processo de seleção natural. Este
princípio se tornaria a explicação científica dominante para a diversidade das espécies no
mundo natural.
Aula de Revisão para AV1 em tópicos

1. As Ciências Sociais compreendem o conjunto de saberes relativos às áreas da


Antropologia, da Sociologia e da Ciência Política.
2. Ao observar os fenômenos sociais somos levados a nos confrontar com nossas
próprias posições, nossos valores, nossa visão de mundo, que interferem na nossa
pesquisa. Nossa fala, nossos gestos, nosso modo de ser e de agir revelam o tipo de
socialização que tivemos e que influencia em nossa visão de mundo.
3. As condições históricas para o desenvolvimento do pensamento científico e para
o surgimento da Ciências Sociais.
4. O racionalismo e a Revolução Científica do século XVII
5. O Iluminismo - Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o
domínio da razão sobre a visão teocêntrica do mundo, que predominava na Europa
desde o período medieval. O próprio homem deveria passar a buscar respostas para
as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.
6. A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra em meados do século XVIII,
expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. Ela marca o início da mecanização
dos sistemas de produção, que consistiu na substituição da energia humana pela
energia motriz no processo de fabricação de mercadorias.
7. O positivismo de Comte: A teoria positivista pode ser considerada como um tipo
de cientificismo, que tenta explicar e compreender a sociedade humana, como se
suas leis fossem derivadas das chamadas ciências naturais. Por esta razão, Comte
também definia a nova disciplina como Física Social e A lei dos três estados:
TEOLÓGICO: A explicação do mundo com base em concepções místicas e no
pensamento religioso.

METAFÍSICO: Predomínio de princípios e construções teóricas de natureza


filosófica. POSITIVO: A conduta humana pautada nas convicções e deliberações da
ciência.

8. As origens das Ciências Sociais e os seus três autores clássicos.


O pensamento sociológico de Émile Durkheim - Bastante influenciado pelo
positivismo e pela lógica cientificista do século XIX, Émile Durkheim (1858-1917)
imaginava a existência de um “reino moral” ou “reino social”. Este reino moral seria
o espaço no qual se processariam as representações coletivas.
O conceito de fato Social: Em As Regras do Método Sociológico, Durkheim afirma
que o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Eles seriam aqueles modos
de agir, pensar e sentir que exercem sobre os indivíduos uma coerção externa e que
possuem existência própria. Para este autor os fatos sociais deveriam ser percebidos
como coisas.

9. A SOCIOLOGIA DE KARL MARX: Marx se propôs a analisar a sociedade


capitalista de modo profundo, buscando a compreensão daqueles fatores que
contribuiriam para o surgimento da miséria e do elevado nível de exploração da mão
de obra assalariada. Suas teses e princípios teóricos eram baseados no materialismo
dialético. Neste sentido, para Marx, as contradições não seriam situações anômalas
presentes na sociedade, mas ao contrário, fariam parte de sua própria essência.

10. Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) é considerado um dos principais


representantes do idealismo alemão. Para Hegel, o movimento do pensamento, que
ele encarna com o nome de idéia, é o criador da realidade. Esta não seria mais do que
a manifestação objetiva e concreta das idéias.

11. O método de abordagem da vida social, elaborado por Marx, foi chamado
posteriormente de Materialismo Histórico. De acordo com tal concepção, as relações
materiais que os homens estabelecem entre si, o modo como produzem os seus meios
de vida, formam a base de todas as suas relações.

12. Marx concebe as sociedades como formas materiais de existência humana que
sintetizam em si três ordens ou estruturas: a infraestrutura produtiva (ou econômica)
e duas superestruturas: a ideológica e a jurídico-política. “As formas como os
indivíduos manifestam a sua vida reflete muito exatamente aquilo que são. O que são
coincide, portanto, com sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como
com a forma como produzem. Aquilo que os indivíduos são depende, por
conseguinte, das condições materiais de sua produção (Marx, Karl. A Ideologia
Alemã, pg.19).”

13. A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER O sociólogo Max Weber parte do princípio


de que a sociedade não é apenas algo exterior aos indivíduos. Ao contrário ela seria o
resultado de uma imensa rede de interações entre os seus membros. Para analisar esta
rede de relações não basta observá-la de modo distante, é necessário se aproximar,
interagir e partir daí assimilar os diferentes tipos de racionalidade que motivam as
relações sociais existentes.

14. Esta compreensão do sentido subjetivo das ações dos indivíduos, que se
relacionam com os demais membros da sociedade ou grupo é a base da sociologia
weberiana. Neste sentido, para Weber a sociologia seria uma ciência compreensiva.

15. O CONCEITO DE AÇÃO SOCIAL - A base da sociologia weberiana pode ser


estruturada a partir do conceito de ação social, que segundo Weber seria todo tipo de
conduta humana relacionada a outros indivíduos e dotada de um sentido
subjetivamente elaborado.

Aula 6: O pensamento sociológico de Émile Durkheim (1858-1917)

A INFLUÊNCIA POSITIVISTA

Bastante influenciado pelo positivismo e pela lógica cientificista do século XIX, Émile
Durkheim imaginava a existência de um “reino moral” ou “reino social”. Este reino moral seria
o espaço no qual se processariam as representações coletivas. Tanto Durkheim quanto Karl
Marx imaginavam ser possível descobrir o que poderia ser definido como “as leis naturais” da
sociedade humana.

Em As Regras do Método Sociológico, Durkheim afirma que o objeto de estudo da


Sociologia são os fatos sociais. Eles seriam aqueles modos de agir, pensar e sentir que
exercem sobre os indivíduos uma coerção externa e que possuem existência própria. Para
este autor os fatos sociais deveriam ser percebidos como coisas.
É todo fato que extrapola os limites aceitos pela consciência coletiva de uma
determinada sociedade. Nestes casos eles engendram conflito ao invés de solidariedade,
colocando em risco o consenso e representando uma espécie de estado “mórbido” para a
sociedade.

AS CARACTERÍSTICAS DOS FATOS SOCIAIS

• Exterioridade: os fatos sociais agem sobre os indivíduos independentemente de suas


vontades particulares. São maneiras de pensar, de agir e sentir que existem fora das
consciências individuais.

• Poder de coerção: para que o fato seja considerado social, deve também exercer
algum poder de coerção sobre os indivíduos.

• Generalidade: todo fato social necessariamente possui um caráter de generalidade, ou


seja, precisa ser percebido de modo coletivo

A CONSCIÊNCIA COLETIVA

É o modo como a sociedade vê a si mesma e as demais, através de suas lendas,


mitos, concepções religiosas, crenças morais etc... Em outras palavras, seria o sistema
de representações coletivas presente em determinada sociedade.

O MÉTODO DE PESQUISA EM SOCIOLOGIA

Segundo Durkheim, o pesquisador deve assumir uma postura de


distanciamento e neutralidade em relação aos fatos estudados, ou seja, deve
abandonar as suas pré-noções. Estes, por sua vez, devem ser medidos e observados
de forma objetiva. “Os fatos sociais devem ser encarados como coisas.”

A SOLIDARIEDADE MECÂNICA

Predomina nas sociedades pré-capitalistas. A união do grupo se dá com base


na ideia de identidade entre os indivíduos, manifestada através de costumes, religião,
laços de família. É forte, neste contexto, a consciência coletiva.

A SOLIDARIEDADE ORGÂNICA

Típica das sociedades capitalistas, nas quais a união do grupo se dá com base
na interdependência entre os indivíduos. Esta, por sua vez, está ligada ao aumento da
divisão do trabalho social, com a conseqüente especialização de funções. Neste
contexto é mais fraca a consciência coletiva, com maior autonomia dos indivíduos.

O CONCEITO DE ANOMIA

Segundo Durkheim uma situação de anomia pode ser identificada toda vez que
as relações sociais, assim como a divisão do trabalho, engendram conflito ao invés de
solidariedade. Isto acontece quando deixa de existir correspondência entre as regras
jurídicas e morais estabelecidas e as condições geradas pelas transformações das
relações sociais, presentes em determinada sociedade.
Aula 7: A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER

O sociólogo Max Weber parte do princípio de que a sociedade não é apenas


algo exterior aos indivíduos. Ao contrário ela seria o resultado de uma imensa rede de
relações entre os seus membros. Para analisar esta rede de interações não basta
observá-la de modo distante, é necessário se aproximar, interagir e partir daí assimilar
os diferentes tipos de racionalidade que motivam as relações sociais existentes.

Esta compreensão do sentido subjetivo das ações dos indivíduos, que se


relacionam com os demais membros da sociedade ou grupo é a base da sociologia
weberiana. Neste sentido, para Weber a sociologia seria uma ciência compreensiva.

O CONCEITO DE AÇÃO SOCIAL

A base da sociologia weberiana pode ser estruturada a partir do conceito de


ação social, que segundo Weber seria todo tipo de conduta humana relacionada a
outros indivíduos e dotada de um sentido subjetivamente elaborado.

AS RELAÇÕES SOCIAIS

São estabelecidas quando os agentes partilham o sentido de suas ações e


agem reciprocamente, de acordo com certas expectativas que possuem do outro.
(Quintaneiro, Tania et al. Um toque de clássicos. Ed. UFMG).

A RUPTURA COM O CIENTIFICISMO

Weber rompe de forma mais sistemática com o cientificismo de influência


positivista, muito presente nas obras de pensadores do século XIX. Em sua opinião as
ciências sociais, que ele define como ciências da cultura, são disciplinas cujas diretrizes
metodológicas e teóricas são profundamente influenciadas pelo ponto de vista do
investigador.

O CONCEITO DE TIPO IDEAL

Para Weber, os tipos ideais, ou tipos puros, seriam instrumentos ou conceitos


criados pelo cientista social, para a análise da sociedade por meio de um princípio de
comparação. Todo conceito seleciona alguns aspectos da realidade infinita, enquanto
exclui outros.

ALGUNS TIPOS IDEAIS DE AÇÃO SOCIAL

Ação social racional com relação a fins

São aquelas cujo sentido subjetivo envolve os meios adequados para se atingir
determinados objetivos, previamente estabelecidos. Ex.: uma pesquisa científica, um
projeto econômico, fazer um curso de graduação etc...

Ação social racional com relação a valores


São aquelas cujo princípio racional se caracteriza pela tentativa de influenciar
outros indivíduos sobre a afirmação de determinados valores. Ex.: participar de uma
manifestação em defesa da natureza ou em prol dos direitos humanos, ou entrar para
a universidade porque a família considera este um ponto importante.

Ação social afetiva

São aquelas cujo sentido subjetivo racional se mistura a uma forte carga emocional,
muitas vezes comprometendo a própria análise da racionalidade em questão. Ex.:
ações motivas por ciúme, cólera, paixão etc...

Ação social racional com relação ao regular ou ação social tradicional

São aquelas cujo sentido subjetivo se constrói com vistas à observação de costumes ou
tradições. Ex.: o casamento religioso, ou o batismo dos filhos em determinada igreja,
para quem não é praticante daquela crença. Ir para a universidade porque todos na
família assim o fizeram etc...

ACESSEM: http://www.culturabrasil.pro.br/weber.htm

Aula 8: A SOCIOLOGIA DE KARL MARX

Karl Marx (1818-1883)

Com a participação de seu amigo e colaborador Friedrich Engels, Marx tinha,


como objeto de sua pesquisa, a sociedade capitalista do século XIX.

Friedrich Engels (1820-1895)

Com a participação de seu amigo e colaborador Friedrich Engels, Marx tinha,


como objeto de sua pesquisa, a sociedade capitalista do século XIX.

A obra de Marx também teve influência sobre a construção do primeiro regime


socialista a ser instituído na história recente da humanidade. Esta experiência se daria
na Rússia, em 1917, ano em que o partido bolchevique, liderado por Lênin, no
comando de um movimento revolucionário instituiria naquele país um projeto
socialista de inspiração marxista.

A partir daí, a Rússia passou a se chamar União das Repúblicas Socialistas


Soviéticas – URSS, ou como se costumava dizer ao nível do senso comum, União
Soviética.

A DIALÉTICA

A dialética é uma corrente filosófica, que tem sua origem na filosofia grega,
com Heráclito de Éfeso e se estrutura afirmando a contradição como a própria
substância da realidade. Esta se superaria num processo incessante de negação,
conservação e síntese. Aplicada aos fenômenos historicamente produzidos, a ótica
dialética cuida de apontar as contradições constitutivas da vida social que resultam na
negação de uma determinada ordem.

A DIALÉTICA DE HEGEL

Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) é considerado um dos principais


representantes do idealismo alemão. Para Hegel, o movimento do pensamento, que
ele encarna com o nome de ideia, é o criador da realidade. Esta não seria mais do que
a manifestação objetiva e concreta das ideias.

O MATERIALISMO DIALÉTICO

Para Marx, ao contrário, o movimento do pensamento é o reflexo do


movimento real, transportado para a mente do homem. A partir daí, passaria a se
desenvolver um movimento de interação e transformação recíprocos entre o
pensamento e a realidade material.

O método de abordagem da vida social, elaborado por Marx, foi chamado


posteriormente de Materialismo Histórico. De acordo com tal concepção, as relações
materiais que os homens estabelecem entre si, o modo como produzem os seus meios
de vida, formam a base de todas as suas relações.

“As formas como os indivíduos manifestam a sua vida refletem muito


exatamente aquilo que são. O que são coincide, portanto, com sua produção, isto é,
tanto com aquilo que produzem como com a forma como produzem. Aquilo que os
indivíduos são depende, por conseguinte, das condições materiais de sua produção
(Marx, Karl. A Ideologia Alemã, pg.19).”

OS MODOS DE PRODUÇÃO

Entende-se por modo de produção a maneira pela qual os homens obtêm seus
meios de existência material, isto é, os bens de que necessitam para viver. Na história
podemos distinguir alguns modos de produção como o escravismo na antiguidade, o
feudalismo, o capitalismo e o socialismo. Os modos de produção de uma sociedade
dependem do estágio das forças produtivas e do desenvolvimento das relações de
produção.

FORÇAS PRODUTIVAS

O conceito de forças produtivas refere-se aos instrumentos e habilidades


utilizados na produção material, possibilitando o controle da natureza. Seu
desenvolvimento é cumulativo.

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO

A ideia de relações sociais de produção implica em diferentes formas de


organização da produção, da distribuição, da posse e da propriedade dos meios de
produção; bem como as suas garantias legais, constituindo-se dessa forma no
substrato para a estruturação das classes sociais. De forma sintética, seriam as
relações estabelecidas pelos indivíduos entre si e com o grupo, para a organização do
trabalho social.

A LUTA DE CLASSES

A presença de diferentes classes sociais nos diversos modos de produção, com


interesses muitas vezes antagônicos, levou Marx a considerar a luta de classes como o
fator de motivação das transformações da história humana. No capitalismo a duas
classes predominantes são a burguesia e o proletariado.

Na sociedade capitalista, segundo Marx, este antagonismo de classes se daria


entre Burguesia X Proletariado

Para Marx, esta “luta de classes seria o motor da história”. Este modo de
pensar a sociedade representaria a base do materialismo histórico, que corresponde a
aplicação da dialética materialista ao estudo da história humana.

A IDEOLOGIA

[Para a teoria marxista a ideologia seria] “o conjunto de proposições existentes


com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse
coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe, tornando-se uma verdade
absoluta e natural”. (Chauí, Marilena. O que é ideologia, São Paulo, Ed. Brasiliense, pg.
81).

A ALIENAÇÃO

O trabalho na sociedade capitalista é considerado como algo sobre o qual o


próprio trabalhador não possui nenhum controle. Este saber lhe foi expropriado num
processo histórico, juntamente com os meios de produção. Este mecanismo é definido
por Marx como alienação.

Aula 9: A atualidade das Ciências Sociais na compreensão da sociedade


contemporânea: globalização, desigualdades e exclusão social

A GLOBALIZAÇÃO CULTURAL

A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações


sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que
acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de
distância e vice-versa. (Giddens, Anthony. As consequências da modernidade, pg. 69.)

A economia globalizada

A globalização do mundo expressa um novo ciclo de expansão do capitalismo,


como modo de produção e processo civilizatório de alcance mundial. (Ianni, Octavio.
Globalização e a nova ordem internacional, pg. 207)

As identidades nacionais estão sendo “homogeneizadas”?


Globalizar é homogeneizar?

É claro que a globalização não tem nada a ver com homogeneização. Esse é um
universo de diversidades, desigualdades, tensões e antagonismos, simultaneamente às
articulações, associações e integrações regionais, transnacionais, e globais. (Idem, pg.
220)

O global e o regional

Ao lado da tendência em direção à homogeneização global, há também uma


fascinação com a diferença com a mercantilização da etnia e da alteridade. (Hall,
Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade, pg. 77)

Para além do estado nação

Se considerarmos as diversas maneiras pelas quais a globalização incorpora


diferentes nações, e diferentes setores dentro de cada nação, sua relação com as
culturas locais e regionais não pode ser pensada como se aquela procurasse
homogeneizá-las. Muitas diferenças nacionais persistem com a transnacionalização.
(Canclini, Nestor Garcia. Consumidores e cidadãos, pg. 34).

A SOCIEDADE EM REDE

As redes sociais constituem a nova morfologia da nossa sociedade e a difusão


da lógica de redes modifica de forma substancia a operação e os resultados dos
processos produtivos e de experiência, poder e cultura. (Castells, Manuel, A sociedade
em rede, vol.1, pg.112)

UMA SOCIEDADE DE CONSUMIDORES

Os consumidores são primeiro e acima de tudo acumuladores de sensações. O


desejo não deseja satisfação. Ao contrário, o desejo deseja o desejo. (Bauman,
Zygmunt. Globalização: as consequências humanas, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. pg.
91)

DESIGULADADE E EXCLUSÃO

O mundo unificado é um mundo dividido. O modelo da industrialização


capitalista visivelmente não é universálizável. Ele possui um lado ordeiro no norte e
um lado caótico no sul. (Altvater, Elmar. O preço da riqueza, São Paulo, Ed. UNESP,
1995, pg. 25)

SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE / O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL e Os


limites ambientais para o desenvolvimento industrial.