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FÍSICA TEÓRICA EXPERIMENTAL II

1ª edição SESES rio de janeiro

2016

autora do original

LUCIANE MARTINS DE BARROS

FÍSICA TEÓRICA EXPERIMENTAL II 1ª edição SESES rio de janeiro 2016 autora do original LUCIANE MARTINS

Conselho editorial

regiane burger, luiz gil guimarães, roberto paes, gladis linhares

Autora do original

luciane martins de barros

Projeto editorial

roberto paes

Coordenação de produção

gladis linhares

Projeto gráfico

paulo vitor bastos

Diagramação

bfs media

Revisão linguística

Revisão de conteúdo

bfs media

robson florentino

Imagem de capa

focal point | shutterstock.com

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip) B277f Barros, Luciane Martins Física teórica experimental
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)
B277f Barros, Luciane Martins
Física teórica experimental II / Luciane Martins Barros.
Rio de Janeiro: SESES, 2016.
184 p: il.
isbn: 978-85-5548-267-0
1. 1. Hidrostática. 2. Oscilações. 3. Ondas. 4. Termodinâmica. 4. Óptica.
I SESES. II. Estácio.
cdd 530

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj cep 20261-063

Sumário

Prefácio

9

1. Mecânica dos Fluidos

11

1.1

Introdução

13

1.2

Densidade

14

1.3

Peso específico

16

1.4

Pressão

18

1.4.1

Introdução

18

1.4.2

Pressão em um fluido

19

1.4.2.1

Consequências do Teorema de Stevin

22

1.4.3

Medidores de Pressão

24

1.4.3.1

Pressão absoluta e Manométrica

25

1.4.3.2

Manômetros de tubo em U

27

1.4.4

Empuxo

29

1.4.5

Escoamento de um fluido

33

1.4.5.1

Equação da Continuidade

34

1.5

Atividade experimental I – Verificação da Massa

específica de objetos sólidos

38

1.5.1 Objetivos gerais

38

1.5.2 Material necessário:

38

1.5.3 Procedimento experimental:

39

1.6 Atividade experimental II – Verificação da Pressão que um corpo sólido

exerce sobre uma superfície plana

40

1.6.1 Objetivos gerais

40

1.6.2 Material necessário:

40

1.6.3 Procedimento experimental:

40

1.7

Atividade Experimental III – Princípio de Arquimedes (Empuxo)

41

1.7.1 Objetivos gerais

41

1.7.2 Material necessário:

41

1.7.3 Procedimento experimental:

42

1.8.1

Objetivos gerais

43

1.8.2 Material necessário:

43

1.8.3 Procedimento experimental: Forma Direta

43

1.8.4 Forma Indireta (vasos comunicantes) –

Não utiliza nenhum dado obtido anteriormente

44

2. Oscilações e Ondas

47

2.1

Introdução

49

2.2

Movimento harmônico simples (MHS)

50

2.3

Energia mecânica do oscilador massa-mola

56

2.4

Oscilações amortecidas, forçadas e ressonância

60

2.4.1

Cinemática do MHS

63

2.5

Gráficos do MHS

65

2.6

Ondas

67

2.6.1

Introdução

67

2.6.2

Conceito de onda e definição de onda

68

2.6.3

Forma de propagação, dimensões e frente de ondas

69

2.6.4

Função de onda harmônica

71

2.6.5

Princípio da superposição- Interferência

74

2.6.6

Ondas estacionárias

75

2.6.6.1 Relação entre o comprimento de onda das ondas (l) em cordas limitadas a um comprimento fixo (l).

76

2.7

Atividade experimental V – Estudo qualitativo e

quantitativo de ondas em uma cuba de ondas.

77

2.7.1 Objetivos gerais

77

2.7.2 Material necessário:

77

2.7.3 Introdução teórica

78

2.7.4 Procedimento Experimental

80

2.7.5 Montagem da cuba de onda

80

2.7.6 Comprimento da onda (γ)

81

2.8

Parte 2 – Reflexão Em Barreira Retilínea

81

2.8.1

Fundamentos Teóricos

81

2.8.2

Objetivos gerais

83

2.8.3

Material

83

2.8.4

Procedimento Experimental

83

2.9 Parte 1- Reflexão de pulsos retos em barreiras retilíneas

83

2.10 Parte II – Reflexão de pulsos circulares em

barreiras retilíneas

85

2.11

Atividade experimental VI - Vibrações num disco metálico -

Figuras de Chladni

86

2.11.1 Objetivos gerais

86

2.11.2 Material necessário

87

2.11.3 Procedimento experimental

87

2.12

Atividade experimental VII – Ondas sonoras:

Experimentos de Interferência e Ondas em Tubos.

88

2.12.1 Objetivos gerais

88

2.12.2 Material necessário:

88

2.12.3 Procedimento experimental:

88

3. Temperatura

91

3.1

Introdução

93

3.1.1

Equilíbrio térmico e temperatura

94

3.1.2

Termômetros e escalas de temperatura

95

3.1.2.1

3.3.1. Como relacionar as principais escalas

Kelvin, Celsius e Fahrenheit

98

3.1.3

Dilatação térmica

100

3.1.3.1

Dilatação Linear

102

3.1.3.2

Gráfico da dilatação linear

103

3.1.3.3

Dilatação superficial

106

3.1.3.4

Dilatação volumétrica

107

3.2

Atividade experimental VIII – Dilatação Térmica

110

3.2.1

Objetivos gerais

110

3.2.1.1

Material necessário:

110

3.2.1.2

Procedimento experimental:

110

4.

Calor e as Leis da Termodinâmica

113

4.1

Introdução

115

4.1.1

Conceito de calor

118

4.1.2

Capacidade térmica, calor específico e de transformação

119

4.1.2.1

Caloria e calor específico da água

122

4.1.2.2

Calor de transformação

122

4.1.2.3

Transmissão de Calor

124

4.2

Primeira Lei da Termodinâmica

132

4.2.2.1 Transformação isobárica (Pressão Constante)

133

4.2.2.2 Transformação isocórica (Volume Constante)

134

4.2.2.3 Transformação isotérmica (Temperatura Constante)

135

4.2.1

Segunda lei da termodinâmica

136

4.2.1.1

Segunda lei da termodinâmica- Entropia

136

4.2.2

Máquinas térmicas e refrigeradores

138

4.2.2.1

Rendimento de uma máquina térmica

139

4.2.2.2

4.6.2 Refrigeradores

141

4.3

Atividade experimental IX –

A Transferência de Calor

142

4.3.1 Objetivos gerais

142

4.3.2 Procedimento experimental:

142

4.4

Atividade experimental X – Equilíbrio Térmico e Curva de

Aquecimento

147

4.4.1 Objetivos gerais

147

4.4.2 Material necessário:

147

4.4.3 Procedimento experimental

148

5. Óptica Geométrica

151

5.1

Introdução

153

5.2

Luz e fontes de luz

154

5.3

Propagação da luz e princípios da óptica geométrica

155

5.4

Reflexão da luz

157

5.4.1

Leis da Reflexão

157

5.5.1

Leis da Refração

159

5.6

Polarização da luz

162

5.7

Espelhos

164

5.7.1

Espelho plano

164

5.7.1.1

Imagens de um objeto entre dois espelhos planos

166

5.7.2

Espelho esférico

167

5.7.3

Espelhos esféricos de Gauss

168

5.7.4

Propriedades dos espelhos esféricos

168

5.7.5

Formação de imagens nos espelhos esféricos

168

5.8

Lentes esféricas

171

5.8.1

Tipos de lentes

172

5.8.2

Lentes Convergentes e Divergentes

173

5.8.3

Estudo analítico das lentes

174

5.8.3.1

Equação de Gauss para lentes

174

5.8.3.2

Aumento Linear Transversal

176

5.9

Atividade Experimental XI – Espelhos Planos

177

5.9.1 Objetivos:

177

5.9.2 Material Utilizado

178

5.9.3 Procedimento Experimental

178

5.10 Atividade Experimental XII – Espelhos Esféricos

179

5.10.3.1 Objetivos

179

5.10.1 Material Utilizado

180

5.10.2 Procedimento Experimental

180

Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

Bem-vindos à Física Teórica e Experimental II, seu livro de apoio aos seus es- tudos que foi estruturado em 5 capítulos, onde o conteúdo está dentro da Física Clássica: Mecânica dos Fluidos, Oscilações e Ondas, Temperatura e Equilíbrio Térmico, Calor e Leis da Termodinâmica e Óptica Geométrica. Nosso intuito, é motivar e despertar em vocês a vontade e o prazer em ter conhecimento científico. Tenham em mente que, todo processo de conheci- mento é marcado por experiências, trabalhos, erros e acertos, e também mui- ta dedicação. No capítulo 1, apresentamos a Mecânica dos Fluidos dividida em Hidrostática e Hidrodinâmica, no capítulo 2 conheceremos as Oscilações e Ondas com os seus modos de vibração e seus fenômenos associados, estuda- remos as ondas mecânicas, o oscilador harmônico, estudaremos as Oscilações Amortecidas, forçadas e Ressonância, a equação fundamental das ondas e os modos de interferência das ondas Nos capítulos 3 e 4, mudamos radicalmente para falar de uma física cercada de várias imposições para seus sistemas, a temperatura, as escalas principais de temperatura, a capacidade térmica, o calor específico e o que é calor, suas formas de transferências e transformações, tudo isso para entender melhor a Termodinâmica com as suas Leis e processos, as máquinas térmicas quentes e frias, a entropia e sua desordem. No capítulo 5, fecharemos nosso estudo com os principais conceitos da óp- tica geométrica, discutiremos a característica ondulatória da luz como sendo uma oscilação eletromagnética, as fontes de luz, das leis da reflexão, refração e do fenômeno da polarização e terminaremos com espelhos e lentes esféricas. Espero que de alguma maneira eu tenha conseguido apresentar a física como uma ciência interessante e agradável, e que nossos objetivos sejam ple- namente atingidos, felicidades e sucesso. Dedique-se!

Bons estudos!

1

Mecânica dos Fluidos

OBJETIVOS

OBJETIVOS

•  Destacar a importância da Mecânica dos Fluidos; •  Definir fluido; •  Definir densidade, massa específica e peso específico; •  Definir pressão absoluta e manométrica; •  Enunciar o Princípio de Stevin; •  Enunciar o Princípio de Pascal; •  Definir Empuxo; •  Enunciar o Princípio de Arquimedes; •  Deduzir Equação da Continuidade; •  Deduzir a Equação de Bernoulli.

1.1 Introdução

Mecânica dos Fluidos é a parte da física que estuda os fluidos em re- pouso (hidrostática) e os fluidos em movimento (hidrodinâmica). Neste ca- pítulo, vamos estudar as equações que nos permite conhecer e dimensionar os fenômenos relacionados com fluidos. Voce sabe qual é o melhor lugar para observar os efeitos da Mecânica dos Fluidos? Se você respondeu praia, acertou! A praia é um lugar maravilhoso para observar o movimento das águas provocado pela gravidade e por diferenças de pressão nas vizinhanças do fluido e o escoamento da água que muda de laminar para turbulento quan- do as ondas se quebram.

de laminar para turbulento quan- do as ondas se quebram. Figura 1.1 – Praia. Fonte: http://www.agencia.se.gov.br

Figura 1.1 – Praia. Fonte: http://www.agencia.se.gov.br

No cotidiano, nós bebemos, respiramos, mergulhamos em fluidos, e tam- bém sabemos que os mesmos sustentam aviões e fazem enormes navios flutuarem. O que podemos chamar de fluido? Temos a seguir a definição de dois autores:

CONCEITO

CONCEITO

Denomina-se fluido qualquer substância que pode fluir; o termo pode ser usado para um gás ou para um líquido. Fluido é uma substância que não tem forma própria, assume o formato do recipiente.

Os gases se deixam comprimir e por este motivo surgem enormes aplica- ções que são estudadas em uma área específica chamada pneumática, e os líquidos são quase incompressíveis, salvo algumas exceções, e é por isso que temos inúmeras aplicações estudadas na hidráulica. Para se entender o comportamento dos fluidos em repouso (hidrostá- tica), analisaremos situações de equilíbrio, baseadas nas leis de Newton, mais especificamente a primeira e terceira leis. O estudo dos fluidos em movimento (hidrodinâmica) é bem mais complexo, mas felizmente podemos usar as leis de Newton e a lei da conservação da energia.

1.2 Densidade

Todo material tem uma propriedade chamada densidade, vamos utilizar a letra grega r (rô) para densidade. A densidade r de um material homogêneo é a re- lação entre a sua massa m e o volume V que ocupa. A densidade se confunde com outro conceito a de massa específica. Vale a pena esclarecer esta diferença. A massa específica é relacionada à substância que constitui certo objeto de que estamos falando, que é definida pela razão entre a massa de substância e o vo- lume desta amostra. Equação 1. Material homogêneo significa que em todos os pontos de sua extensão pos- suem as mesmas propriedades, incluindo densidade.

ρ = m

(1)

v

A massa específica (m) é relacionada à substância que constitui certo objeto de que estamos falando, que é definida pela razão entre a massa da subs- tância e o volume desta amostra. Assim, para obter a massa específica de certa substância, é necessário subtrair o volume da parte oca do volume ocupado pelo objeto.Equação 2.

µ =

massa

Volume

objeto

Volume

parteoca

(2)

2. µ = massa Volume − objeto Volume parteoca (2) ATENÇÃO Estes dois conceitos se confundem,

ATENÇÃO

Estes dois conceitos se confundem, uma vez que objetos maciços terão igual valor para densidade e massa específica. Entretanto, objetos ocos ou porosos apresentarão diferentes valores para densidade e massa específica, haja vista que o volume ocupado pelo objeto não é equivalente ao volume de matéria que o constitui.

não é equivalente ao volume de matéria que o constitui. COMENTÁRIO Densidade é uma característica do

COMENTÁRIO

Densidade é uma característica do corpo, independe de sua forma e só é igual a massa es- pecífica se o corpo for homogêneo.

é igual a massa es- pecífica se o corpo for homogêneo. CURIOSIDADE O material mais denso

CURIOSIDADE

O material mais denso encontrado na superfície terrestre é o Ósmio (r = 22,5x103 kg/m 3 ), porém é muito pequena se comparada com a densidade de estrelas de neutrôns entre outras. A unidade de densidade no S.I é o kg/m 3 ,, mas também é muito utilizada as unidades do sistema CGS, grama por centímetro cúbico g/cm 3 .

Fator de conversão

1 g

3

kg

cm

3

m

3

= 10

A tabela 1.1 a seguir mostra a densidade de algumas substâncias comuns.

MATERIAL

DENSIDADE (kg/m 3 )

MATERIAL

DENSIDADE(kg/m 3 )

Ar

1,20

Ferro, aço

7,8x10 3

Álcool Etílico

0,81x10 3

Latão

8,6x10 3

Benzeno

0,90x10 3

Cobre

8,9x10 3

Gelo

0,92x10 3

Prata

10,5x10 3

Água

1,00x10 3

Chumbo

11,3x10 3

Água do mar

1,03x10 3

Mercúrio

13,6x10 3

Sangue

1,06x10 3

Ouro

19,3x10 3

Glicerina

1,26x10

Platina

21,4 x10 3

Concreto

2x10 3

Anã Branca

x10 10

Alumínio

2,7x10 3

Estrelas de Nêutrons

x10 18

Tabela 1.1 – Densidade de algumas substâncias comuns.

1.3 Peso específico

Peso específico (g) é o peso do fluido por unidade de volume, ou seja,

γ

m g

=

V

em unidades do SI Newton/m 3 = N/m 3

γ m ⋅ g = V em unidades do SI Newton/m 3 = N/m 3 EXERCÍCIO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. Em um recipiente mistura-se um volume V 1 de um líquido de densidade r 1 com um vo- lume V 2 de outro líquido de densidade r 2 . Determine a densidade da mistura, admitindo que não haja diminuição de volume devido a mistura.

Figura 1.2 –

Figura 1.2 – r m i s t u r a = ? Resolução: A densidade
Figura 1.2 – r m i s t u r a = ? Resolução: A densidade
Figura 1.2 – r m i s t u r a = ? Resolução: A densidade

r mistura = ?

Resolução:

A densidade da mistura é dada por: ρ = m

V

Como m = m 1 + m 2 , temos: m= r 1 V 1 + r 2 V 2

O volume total é V= V 1 + V 2 Então, a densidade é:

ρ =

(

ρ

1

V

1

+

ρ

V

2 2

)

V

1

+

V

2

a densidade é: ρ = ( ρ 1 V 1 + ρ V 2 2 )

ATIVIDADES

01. A nata do leite apresenta densidade de 865 kg/m 3 quando pura e constitui 2% do

volume do leite. Qual a densidade do leite desnatado, sabendo que sua massa é de 1,052 kg?

02. Escreva a expressão do peso de um corpo em função de sua densidade r seu volume V

e da aceleração da gravidade g*.

03.

Um cubo de ouro tem 1 cm de aresta. Calcule a massa do cubo. Consulte a densidade

do ouro na tabela 1.

04. Calcule o peso específico da água e do mercúrio. Considere g = 10m/s 2

com altura 2,80m, 7,00 m

de comprimento e 10m de largura. Qual seria a massa e o peso de um igual volume

de água?

05. Ache a massa

e

o

peso do ar no interior de uma sala

1.4 Pressão

1.4.1 Introdução

O conceito de pressão está vinculado ao conceito de força, mas são grandezas físicas completamente diferentes. Quando aplicamos uma força F em uma área A, conforme na figura abaixo:

F A
F
A

A força F terá duas componentes, uma perpendicular (F N ) e outra tangencial (F t ) à área A. No nosso curso vamos nos concentrar na componente normal (F N ) que dá origem a Pressão de Compressão, deixando a componente tangencial (F t ), cisalhamento, para Resistência dos Materiais.

F F N F t A
F
F N
F t
A

* letras em negrito representam grandezas vetoriais

EXERCÍCIO RESOLVIDO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. Em um jogo de Biribol (Volei praticado dentro de uma piscina), um atleta ao impulsionar-

se verticalmente para cima com os dois pés apoiados em uma área de aproximadamente

3x10 2 m 2 exerce uma força de 784N. Qual a pressão exercida neste movimento dos pés do

atleta? Considere g = 9,8 m/s 2 . A força exercida ao impulsionar é F N =784N

P =

F

N

A

P

=

F

N

A

=

784

0 , 03

= 26 133 kPa

,

1.4.2 Pressão em um fluido

Quando um fluido está em repouso, ele exerce uma força perpendicular sobre qualquer superfície que esteja em contato com ele, tal como as paredes de uma piscina ou nas paredes internas de garrafas e em corpos submersos, o fluido exerce uma pressão P em todos os pontos da superfície A , definida como:

P =

F

N

A

Onde F N é a força que o fluido exerce perpendicularmente às paredes do recipiente que o contém sobre a área A. A unidade de Pressão no SI é N/m 2 = 1 Pa (Pascal)

F N A
F
N
A

Figura 1.3 – A água de uma piscina exerce pressão na parede da piscina.

A Pressão Atmosférica, P atm , é a pressão exercida pela atmosfera terrestre, é influenciada com as condições do tempo e com a altitude. A Pressão atmosféri- ca normal no nível do mar 1 atm equivale a 101 · 325 Pa ou 1 atm = 1,01 · 10 5 Pa

A pressão atmosférica em grandes altitudes é menor do que a pressão at- mosférica ao nível do mar e é maior quando mergulhamos. Como a pressão está relacionada com a elevação ou depressão de um local? Considere um fluí- do com densidade r , queremos descobrir a diferença de pressão entre dois pontos 1 e 2, por exemplo:

ρ

h

1 2
1
2

Mentalmente, vamos destacar um cilindro no fluido que está em equi- líbrio, está em repouso

F 1 Peso
F 1
Peso

Análise do equilíbrio:

F 2

•  Na horizontal as forças se anulam, pois tem o mesmo módulo, dire- ção, mas sentidos contrários. •  Na vertical agem as forças na tampa superior do cilindro F 1 , a força na tampa inferior do cilindro F 2 e a força peso do fluido.

No equilíbrio: S Forças = 0 F 1 + Peso – F 2 = 0

(3)

ATENÇÃO

ATENÇÃO

(Observação: a resultante aponta no sentido de F 1 e Peso)

Da equação (2) tiramos que: F 1 = p 1 · A e F 2 = p 2 · A. Substituindo na equação (3)

p 1 · A + m · g + p 2 · A = 0 onde peso = m · g

(4)

mas m=r · V onde r= densidade e V=volume, substituindo em (4), temos:

p 1 ·

A +

· V g + p 2 · A = 0

(5)

mas V = Volume = A · base h, substituindo em 5, temos p 1 · A+ r · A h g + p 2 · A = 0

Podemos cancelar a Área pois em todos os termos ela está multiplicando, chegamos

a equação (6). p ⋅ A + ρ ⋅ Ahg p + ⋅ A =
a equação (6).
p
A
+ ρ ⋅
Ahg p
+
A
= 0
1
2
p 1 + r · h g + p 2 = 0
p 2 – p 1 = r · h g

(6)

A Equação 6 é conhecida como Teorema de Stevin.

h g (6) A Equação 6 é conhecida como Teorema de Stevin. CONCEITO Teorema de Stevin

CONCEITO

Teorema de Stevin diz que a diferença de pressão entre dois pontos de uma mesma

massa fluida homogênea (densidade constante), em equilíbrio sob a ação da gravidade, é

igual ao produto da densidade do fluido pela aceleração da gravidade e pela diferença de

profundidade entre os pontos:

gravidade e pela diferença de profundidade entre os pontos: MULTIMÍDIA Saiba mais sobre a vida de

MULTIMÍDIA

Saiba mais sobre a vida de Stevin:

http://geocities.ws/saladefisica9/biografias/stevin.html

EXERCÍCIO RESOLVIDO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. Princípio de Stevin- Em um recipiente, colocam-se dois líquidos imiscíveis cujas densida-

des são r 1 = 800 kg/m 3 e r 2 = 1.200 kg/m 3 . Considerando a pressão atmosférica no local

igual a 1,01 x 10 5 Pa, determine:

ρ 1

ρ 2

a) a pressão no ponto A;

b) a pressão no ponto B;

c) a pressão no ponto C.

Resolução:

A B C
A
B
C

3m

1m

a) A pressão no ponto A é a pressão atmosférica:

P A = P atm = 1,01 x 10 5 Pa

b) A pressão no ponto B é a pressão atmosférica acrescida da pressão devida à coluna do líquido 1. P B = 1,01 x 10 5 + r 1 g h 1 = 1,01 x 10 5 + 800 · 9,8 · 3 = 124,520 kPa

c) A pressão do ponto C é a pressão no ponto B acrescida da pressão devida ao líquido 2. P C = P B + r 2 g h 2 = 124,520 kPa + 1200 · 9,8 · 1= 136,280 kPa

1.4.2.1 Consequências do Teorema de Stevin

Se aumentarmos a pressão p1 na superfície do fluido, a pressão p2 aumenta de um valor exatamente igual. Lei de Pascal: a pressão aplicada a um fluido no interior de um recipiente é transmitida sem nenhuma diminuição a todos os pontos do fluido e para as paredes do recipiente. O Princípio de Pascal é aplicado no funcionamento dos elevadores hi- dráulicos (figura 1.4) e prensas hidráulicas.

A pressão aplicada em uma área pequena (A 1 ) é transmitida integralmente pelo fluido hidráulico através dos tubos até um pistão maior (A 2 ).

F 1 A 2 A 1 F 2 Fluído hidráulico
F 1
A 2
A 1
F 2
Fluído hidráulico

Figura 1.4 – Princípio de funcionamento de um elevador hidráulico, uma aplicação da Lei de Pascal.

P =

F 1 F

2

=

A 1 A

2

•  Em um fluido em equilíbrio a pressão é igual para todos os pontos situados na mesma horizontal, já que não existe desnível entre eles.

Princípio dos vasos comunicantes. (Figura 1.6)

A

Figura1.5 – Vasos comunicantes.

B C D
B
C
D

Os pontos A, B, C e D estão na mesma horizontal, a forma do recipiente não altera a pressão, por isso:

P A = P B = P C = P D

Se um líquido está em equilíbrio, sua superfície livre é horizontal

1.4.3 Medidores de Pressão

A Pressão atmosférica é medida com um aparelho chamado barômetro (fi- gura 1.7) do século XVII inventado por Torricelli [2], figura 1.7a e um barômetro atual figura 1.7b.

Experimento Vacío de Torricelli Mercúrio Altura de la columna de mercurio (76 cm) Tubo de
Experimento
Vacío
de Torricelli
Mercúrio
Altura de
la columna
de mercurio
(76 cm)
Tubo
de vidro
Cubeta
(a)

Figura 1.6 – Modelos de Barômetros.

de mercurio (76 cm) Tubo de vidro Cubeta (a) Figura 1.6 – Modelos de Barômetros. (b)

(b)

Segundo Torricelli, a pressão atmosférica é igual à pressão exercida por uma coluna de mercúrio de 76 cm, ou por uma coluna de água de 10,3m. A pressão quando vamos calibrar pneus nos postos e em geral é medida com

um aparelho chamado de manômetro figura 1.7, nestes

encontramos outras

unidades de pressão, como quilograma-força por centímetro quadrado (kgf/

cm 2 ) , libra-força por polegada quadrada (lib/pol 2 ) e bar. 1 bar equivale a 10 5 Pa.

1.4.3.1 Pressão absoluta e Manométrica

Quando enchemos um pneu com ar, estamos fazendo com que a pressão no

interior seja maior do que a pressão atmosférica, caso contrário este continua-

ria murcho. Quando dizemos que a pressão de um pneu é “4 atm”, queremos

dizer que o ar no interior do pneu possui uma pressão total de 5 atm. Chamamos o excesso de pressão acima da atmosférica de pressão mano- métrica e a pressão total denomina-se pressão absoluta.

e a pressão total denomina-se pressão absoluta . EXEMPLO Cálculo da pressão manométrica e da pressão

EXEMPLO

Cálculo da pressão manométrica e da pressão absoluta. Um sistema de aquecimento de água aproveitando a energia solar usa painéis solares sobre um telhado situado a uma altura de 12,0 m acima do tanque de armazenamento. A pressão da água no nível dos painéis é igual a uma atmosfera. Qual é a pressão no tanque? Qual é a pressão manométrica? Solução de acordo com a equação (6), a pressão absoluta é

p = p 1 + rgh

Onde p 1 = pressão atmosférica = 1,01 x 10 5 Pa

p

= p 1 + r · h g

p

= 1,01 x 10 5 + 1.000 · 9,8 · 12 = 2,19 x 10 5 Pa

A

pressão manométrica é:

p

– p 1 = 2,19 x 10 5 – 1,01 x 10 5 = 1,18 x 10 5 Pa

O manômetro da figura 1 . 8 é chamado de manômetro metálico ou de Bourdon. Ao ligar o manômetro pela tomada de pressão, o tubo fica interna- mente submetido a uma pressão P que o deforma, havendo um deslocamento de sua extremidade que, ligada ao ponteiro por um sistema de alavancas, rela- cionará sua deformação com a pressão do reservatório. A leitura do manômetro quando este está exposto a pressão atmosférica é chamada de leitura na escala efetiva de pressão. P manômetro = Pressão Entrada – Pexterna ao manômetro

Pressão

externa

Pressão

externa

Pressão 300 200 400 externa 100 500 0 600 Pressão externa Pressão entrada
Pressão
300
200
400
externa
100
500
0 600
Pressão
externa
Pressão entrada

Figura 1.7 – Manômetro Metálico.

No caso da figura abaixo a pressão mostrada no manômetro, sendo que p1 é a pressão de entrada no tubo metálico e p2 é a externa ao tubo.

p 2 p 1 P manômetro = p 1 – p 2
p 2
p 1
P manômetro = p 1 – p 2
EXERCÍCIO RESOLVIDO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

Determine a leitura dos manômetros A, B, C e D. Considere Patm = 1,013 x10 5 .

A patm 79kPa 45kPa B D C
A patm
79kPa
45kPa
B
D
C

Calculando para o manômetro A

P manômetro =

p 1 p 2

P A = 45k – 1,013 x 10 5 = – 56,3 KPa

P B = 45k – 79k = –34kPa

P C = 79k – Patm = – 22,3 kPa

P D = Patm – 45k = 56,3 kPa

1.4.3.2 Manômetros de tubo em U

A figura 1.9 mostra manômetros de tubo em U. Na figura 1.9(a) e 1.9(b), são os manômetros abertos e os chamados diferenciais, respectivamente. Este manô- metro é útil quando temos leituras de pressões manométricas negativas.

h 1 fluido monométicro
h 1
fluido
monométicro

(a)

A

h 2

A B (b)
A
B
(b)

Figura 1.8 – Exemplos de Manômetros em tubo U.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

Calcule a pressão no reservatório (PA). Considere g = 9.8 m/s 2 , h1=5 cm e h2= 7cm

Dados: rHg = 13.600 kg/m 3 rágua = 1.000 kg/m 3 . PA = ?
Dados: rHg = 13.600 kg/m 3 rágua = 1.000 kg/m 3 .
PA = ?
A
Água
h 1
fluido
monométicro
1.000 kg/m 3 . PA = ? A Água h 1 fluido monométicro A h 2

A

h

2

Mercúrio (Hg). PA = ? A Água h 1 fluido monométicro A h 2 Resolução: Aplicamos a

Resolução:

Aplicamos a condição equilíbrio para um fluido estático

P fe =

P fe = Pressão no fundo do lado esquerdo = P A + r água g h 1

P fd = Pressão no fundo do lado direito = P atm + r Hg · g h 2

P fd

(1)

Substituindo em (1), temos:

P A + r água g h 1 = P atm + r Hg · g h 2

P A = P atm + r Hg · g h 2

r água g h 1 P A = 1,01 x 10 5 + 13.600 · 9,8 0,07 – 1.000 · 9,8 0,05

P A = 92,160 kPa

· 9,8 0,07 – 1.000 · 9,8 0,05 P A = 92,160 kPa ATENÇÃO Pontos que

ATENÇÃO

Pontos que estão a uma mesma altura como consequência do Teorema de Stevin, tem a

mesma pressão. No exercício anterior a linha pontilhada inferior indicam estes pontos no

fluido mercúrio tanto do lado esquerdo quanto no lado direito do tubo por isso, vão se cancelar.

1.4.4 Empuxo

Quando estamos em uma piscina ou no mar, sentimos não somente os efeitos do aumento da pressão sobre nosso corpo quando mergulhamos, mas tam- bém observamos que podemos flutuar (boiar) na superfície, isso devido ao fato que nosso corpo possui uma densidade menor que a da água. Quando mergulhamos um corpo em um líquido, aparentemente seu peso diminui, e em certas situações o corpo flutua, quando o seu peso é totalmente anulado. A explicação para isso é que existe naturalmente uma força vertical de baixo para cima, exercida pelo líquido sobre o corpo, chamada empuxo. Arquimedes, na Grécia antiga, estabeleceu experimentalmente que:

Um corpo mergulhado em um fluido em equilíbrio recebe uma força vertical de baixo para cima chamada empuxo (E), cuja intensidade é igual ao peso (W) do fluido deslo- cado pelo corpo.

volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroade baixo para cima chamada empuxo (E) , cuja intensidade é igual ao peso (W) do

E w
E
w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
cado pelo corpo. volume de água deslocado na cuba corresponde ao volume da coroa E w
MULTIMÍDIA

MULTIMÍDIA

Para saber mais sobre a fascinante história de Arquimedes

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1404

Podemos

encontrar

uma

equação

matemática

para

o

princípio

de

Arquimedes, considerando que o fluido tem densidade constante.

E = W fluido , onde

W fluido = Peso do fluido deslocado E = r fluido V fluido g

Situações:

•  Corpo Totalmente imerso, o volume do fluido deslocado (Vfluido ) é o vo- lume do próprio corpo (VC)

V C
V C

V fluido

•  Corpo Flutuando, o volume do fluido deslocado é igual à parcela do corpo que se acha imersa.

o volume do fluido deslocado é igual à parcela do corpo que se acha imersa. V

V fluido

EXEMPLO

EXEMPLO

Corpo Imerso: Uma coroa de massa 150g e volume V = 90 cm 3 é mergulhado em água. Qual o peso aparente da coroa dentro do líquido? g = 9,8 m/s 2.

E w
E
w

O peso aparente da coroa é a força resultante entre seu peso e o empuxo exercido

pelo líquido.

W ap = W – E

W = 150 · 10 3 · 9,8 = 1,47 N

E = r fluido V fluido g = 1.000 · 90 · 10 6 · 9,8 = 0,882 N

W ap = 1,47 – 0,882 = 0,59 N

Um bloco de metal é mergulhado em um recipiente contendo mercúrio. Sabendo que a den- sidade do metal é de 7,8 x10 3 kg/m 3 e a do mercúrio é 13.600 kg/m 3 , determine que porção do volume do bloco ficará submersa no mercúrio.

Eporção do volume do bloco ficará submersa no mercúrio. w W = peso do bloco Vb

porção do volume do bloco ficará submersa no mercúrio. E w W = peso do bloco

w

do volume do bloco ficará submersa no mercúrio. E w W = peso do bloco Vb

W = peso do bloco

Vb ´= volume do bloco

V Hg deslocado

O

peso do bloco é dado por:

W= r bloco V bloco g = 7,8 · 10 3 · Vb · g

O

empuxo exercido pelo mercúrio é dado por:

E = r Hg V Hg g = 13.600 · V Hg g

Estando o bloco em equilíbrio, podemos escrever:

E = W 13.600 · V Hg g = 7,8 · 10 3 · Vb · g V Hg = 0,57 V b

g g = 7,8 · 10 3 · Vb · g V H g = 0,57

COMENTÁRIO

Como o volume do mercúrio deslocado é igual ao volume do bloco que fica submerso, podemos afirmar que a porção do volume do bloco que ficará submersa é 0,57 Vb , ou seja, 57% do seu volume.

ficará submersa é 0,57 V b , ou seja, 57% do seu volume. ATIVIDADES Densidade Considere

ATIVIDADES

Densidade Considere g = 9,8 m/s 2

01. Qual é a densidade do material do núcleo de um átomo de hidrogênio? O núcleo

pode ser considerado uma esfera de 1,20.10 -15 m de raio e de 1,67. 10 -27 kg de massa.

02. O ar tem densidade de 1,29 kg/m 3 em condições normais. Qual é a massa de ar em

uma sala de dimensões 10 m X 8 m X 3 m?

03. Um bloco de metal flutua num recipiente de mercúrio, de modo que 2/3 do seu

volume ficam submersos. Sendo a densidade do mercúrio de 13,6 g/cm 3 , qual a densidade do metal?

04. A densidade do óleo é de 0,85 g/cm 3 .

a)

Quanto pesa o óleo contido em uma lata de 900ml?

b)

Quantas latas de 900ml podem ser preenchidas com 180 kg de óleo?

05.

Uma esfera de alumínio ocupa um volume de 150 cm 3 e possui massa de 100 g.

06.

Qual a densidade da esfera?

07.

Colocada numa piscina cheia de água, ela flutuará ou não? Explique.

Pressão

01. O que acontece com a pressão exercida por um tijolo apoiado sobre uma mesa, se mu-

darmos sua posição de modo a apoiá-lo por uma das faces cuja área é um terço da anterior?

02. Quando um submarino desce a uma profundidade de 120 m, qual a pressão total a

que está sujeita sua superfície externa? Dados: densidade da água do mar = 1030 kg/m 3 ; pressão atmosférica = 1,01.10 5 Pa;

03. O que é pressão atmosférica? A pressão atmosférica aumenta ou diminui com a alti-

tude? Por quê?

04. Se não existisse pressão

canudinho. Explique a afirmação.

atmosférica,

seria

impossível

05. Enuncie o princípio de Arquimedes.

tomar

um

refresco

por

06. Explique o que determina se um corpo sólido vai flutuar ou afundar num líquido.

07. Escreva a expressão matemática que determina o valor do empuxo que age num corpo

imerso num fluido. Especifique cada termo dessa expressão.

1.4.5

Escoamento de um fluido

Estudar fluidos em movimento ( mar agitado, correnteza de um rio) é ainda um grande desafio, pois não nos deparamos com situações simples (com- portadas). Porém, a boa notícia é que podemos utilizar modelos ideali- zados simples dessas situações e isso, vem dando bons resultados. Na disciplina, Fenômenos de Transporte o estudo do movimento dos fluidos é mais aprofundado. Para seguir no nosso estudo, precisaremos definir as condições que utilizaremos:

Fluido Ideal: É aquele cuja densidade é constante, ou seja, incompressível. E que não tem viscosidade. Linha de escoamento: É também chamada linha de fluxo. Tubo de escoamento Figura 9: Formato que as linhas de escoamento formam ao atravessar seções imaginárias de áreas A e A’. Fluido está em um escoamento estacionário: Escoamento que não depende do tempo, é chamado também de permanente.

que não depende do tempo, é chamado também de permanente. COMENTÁRIO No escoamento estacionário todo elemento

COMENTÁRIO

No escoamento estacionário todo elemento que passa através de um dado ponto segue sempre a mesma linha de escoamento.

A A’
A
A’

Linha de

escoamento

Figura 1.9 – Um de escoamento

tubo

de escoamento seção de área A e A’ delimitado

por

linhas

Escoamento Laminar: É quando as camadas finas ( lâminas) adjacentes ao fluido deslizam uma sobre as outras e o escoamento é estacionário. Escoamento turbulento: Escoamento que varia continuamente com o tempo, irregular e caótico.

1.4.5.1 Equação da Continuidade

A massa do fluido que passa pela seção de área A1 é a mesma que passa na seção de área A2 (a massa se conserva), este fato determina uma relação impor- tante chamada de equação da continuidade. Considere o tubo de escoamento delimitado entre duas seções de áreas A1 e A2 , a velocidade do fluido na seção A1 chamamos de v1 e na seção de área A2 de v2 o fluido tem densidade constante.

m 1 v 1 m 2 v 2 A A ∆ X 2 ∆ X
m 1
v 1
m 2
v 2
A
A
∆ X 2
X 1

Onde Dx 1 é o deslocamento do fluido com massa m1 em um instante de tempo dt e Dx 2 é o deslocamento do fluido de massa m2 no mesmo instante de tempo dt.

r V 1 = r V 2

m 1 = m 2

(1)

mas o volume V 1 = A 1 · Dx 1 e V 2 = A 2 · Dx 2 , substituindo em (1), temos:

A 1 · Dx 1 = A 2 · Dx 2

mas Dx 1 = v 1 dt e Dx 2 = v 2 dt

A 1 v 1 dt = A 2 v 2 dt

Equação da Continuidade fluido incompressível

A 1

v 1 = A 2 v 2

(3)

O produto A.v é a vazão volumétrica m 3 /s 4.5.

Equação de Bernoulli A equação de Bernoulli é uma importante equação na análise de escoa- mentos em sistemas de encanamentos, em usinas hidrelétricas e no vôo de aeronaves, pois relaciona a velocidade do escoamento com a pressão em pontos de diferentes alturas no fluido.

Vamos considerar que o fluido seja incompressível e que esteja em es- coamento estacionário conforme a figura a seguir:

v 2 t = s 2

v 1 ∆t = s 1 P 2 P 2 P 1 P 1 h
v 1 ∆t = s 1
P 2
P 2
P 1
P 1
h 2
A 2
h 1
A 1

Figura 1.10 –

Pela equação da continuidade o volume do fluido que passa nas dife-

rentes seções é o mesmo, então V1= A1 s1 = A2 s2, calculando o trabalho total realizado pelas vizinhanças sobre o fluido durante um intervalo de tempo t,

t = p 1 . A 1 s 1 -

p 2 . A 2 s 2 = ( p 1

p 2 ) V

(4)

- p 2 . A 2 s 2 = ( p 1 – p 2 )

ATENÇÃO

O sinal de menos no segundo termo da equação (4) é porque a força se opõe ao sentido do deslocamento.

A variação total da energia cinética K durante o intervalo de tempo t,

mas m = rV

K =

(

ρ V v

2

2

v

2

1

)

2

K =

mv

2

2

(5)

A variação da energia potencial U durante o intervalo de tempo t

U = m g h = rV g (h 2 – h 1 )

(6)

Substituindo as equações 4, 5 e 6 na equação do trabalho- energia t = K + U

(

ρ

1

ρ

2

)

V =

(

2

2

2

1

) +

ρ V v

v

2

(

ρ Vg h

2

h

1

)

podemos cancelar o volume e rearranjar

ρ

1

ρ

2

=

(

2

2

2

1

) +

ρ v

v

2

(

ρ g h

2

h

1

)

(7)

A equação (7) é a Equação de Bernoulli, ela afirma que o trabalho realizado pelo fluido das vizinhanças sobre uma unidade de volume do fluido é igual à soma das varia- ções da energia cinética e da potencial.

Podemos expressar de uma maneira mais conveniente:

p + =

1

ρ

v

2

1

2

1

2

2

+

ρ g h

=

p

+

ρ

v

2

2

+ ρ g h

2 Equação de Bernoulli

+ ρ g h = p + ρ v 2 2 + ρ g h 2

EXERCÍCIO RESOLVIDO

A água é descarregada de um tubo cilíndrico horizontal com uma taxa de 465 cm 3 /s. Em um ponto do tubo onde o raio é 2,05 cm a pressão absoluta é igual a 1,60x10 5 Pa. Qual é o raio do tubo em um ponto onde a pressão se reduz para 1,20x10 5 Pa? Estratégia para usar Equação de Bernoulli Comece identificando os pontos 1 e 2 mencionados na equação

Ponto 2 r 2 = ? p 2 = 1,2 x105 Pa 2 1 Faça

Ponto 2 r 2 = ? p 2 = 1,2 x105 Pa

2

1
1
Ponto 2 r 2 = ? p 2 = 1,2 x105 Pa 2 1 Faça uma

Faça uma lista das grandezas conhecidas e desconhecidas:

Ponto 1 r 1 = 2,05 cm = 0,0205 m p 1 = 1,60 x10 5 Pa

Importante:

Vazão em 1 = Vazão em 2 = 465 x10 6 m 3 Podemos calcular a velocidade em 1

Vazª o

465

×

10

6

= 0 , 35

m/s

 
 

A

=

π

(

0 0205

,

)

2

ρ

v

2

+

ρ

v

2

 

1

+

ρ g h

 

=

 

2

++ pg h

 
 

2

1

p

2

2

2

h

2

(

tubo

horizontal)

 
2 ρ v 1 + 2
2
ρ
v
1
+
2

ρ gh

1

=

p

ρ

2

v

2

2

2

10

5 +

(

1 000 0 , 35

.

)

2

2
2

+ ρ gh

=

1,20

×

10

5

+

1 . 000

v

2

2

   

2

   

2

v 1 =

p

h

p

1 +

=

1

1 +

1,6 00

v

= 8,95 m/s

2

Substituindo na equação para vazão, temos que o raio 2 (r2):

r =

vazª o π v 2
vazª o
π
v
2

=

− 6 465 × 10 π 8,95
6
465
×
10
π 8,95

= 0,0041 m = 0,41 cm

1.5 Atividade experimental I – Verificação da Massa específica de objetos sólidos

1.5.1 Objetivos gerais

Ao término desta atividade o aluno deverá ser capaz de:

•  Usar o micrômetro para medir o comprimento e o volume de objetos; •  Usar uma balança para medir a massa de objetos; •  Calcular a massa específica de objetos sólidos.

1.5.2 Material necessário:

•  Objeto de diversos materiais (blocos de madeira, esferas de vidro ou aço,

bloco metálicos

)

•  Micrômetro (detalhes na última página); •  Balança digital (usar balança de precisão e ± 0,1g).

1.5.3

Procedimento experimental:

•  Usando o micrômetro faça as medidas necessárias para se calcular o volu- me do objeto. Calcule e anote os valores obtidos na tabela abaixo; •  Usando a balança meça a massa do objeto e anote os valores obtidos na tabela abaixo; •  Usando seus conhecimentos de geometria espacial, calcule o volume e a densidade da esfera. Anote o valor obtido na tabela abaixo; •  Calcule a Incerteza da Densidade e anote na tabela abaixo.

σ =

f

σ =

d

2 2  ∂ f  σ   ∂ f   2 +
2
2
 ∂ f 
σ
 ∂ f 
2 +
σ
+
x
y
x
 
∂ y
2
2
∂ f 
 ∂ f 
2
σ +
m
σ v
∂ m
 
  ∂ v 
 

VOLUME (CM 3 )

MASSA(G)

DENSIDADE (G/CM 3 )

INCERTEZA DA DEN- SIDADE (G/CM 3 )

OBJETO 01

       

OBJETO 02

       

Tabela 1.2 –

1.6 Atividade experimental II – Verificação da Pressão que um corpo sólido exerce sobre uma superfície plana

1.6.1 Objetivos gerais

Ao término desta atividade o aluno deverá ser capaz de:

•  Usar o paquímetro para colher medidas do objeto a ser analisado; •  Calcular área de contato do objeto com superfície; •  Usar uma balança para medir a massa de objetos; •  Calcular a pressão exercida pelo objeto sólido na superfície plana.

1.6.2 Material necessário:

•  Objeto de estudo (material que tenha, pelo menos, três superfícies dife- rentes. Pode ser um paralelepípedo); •  Paquímetro; •  Balança digital.

1.6.3 Procedimento experimental:

•  Usando o paquímetro faça as medidas necessárias para se calcular a área de contato do objeto com a superfície. Calcule e anote os valores obtidos na tabela abaixo; •  Usando a balança meça a massa do objeto e anote os valores obtidos na tabela abaixo; •  Usando seus conhecimentos de geometria espacial, calcule as três áreas possíveis de contato para que haja equilíbrio. Anote o valor obtido na tabe- la abaixo; •  Calcule a pressão exercida pelo corpo sobre a base de apoio; •  Explique o fato da grande diferença entre os valores encontrados.

ÁREA DE CONTATO (M 2 )

MASSA (KG)

FORÇA PESO (N)

PRESSÃO (N/M 2 )

Tabela 1.3 –

1.7 Atividade Experimental III – Princípio de Arquimedes (Empuxo)

1.7.1 Objetivos gerais

Ao término desta atividade o aluno deverá ser capaz de:

•  Verificar as forças que atuam sobre uma porção de fluido em equilíbrio com o resto do fluido. •  Comparar o peso real com o peso aparente de objetos submetidos ao e mpuxo; •  Prever o volume necessário para que um copor flutue.

1.7.2 Material necessário:

•  Dinamômetro •  Cilindro de nylon; •  Recipiente aparador; •  Paquímetro •  Água; •  Béquer; •  Suporte (tripé universal com kit pêndulo simples); •  Garra de jacaré.

1.7.3

Procedimento experimental:

•  Usando o paquímetro faça as medidas necessárias para se calcular o vo- lume do cilindro. Calcule e anote os valores obtidos completando a tabela 1.4; •  Com o dinamômetro, meça o peso real (anote na tabela 1.5); •  Megulhe o cilindro no béquer com água e meça o peso aparente (anote na tabela 1.5); •  Calcule o empuxo observado (E = PR – PA) •  Com o recipiente aparador, colha a quantidade de água ocupada por todo o seu volume, meça seu peso, anote na tabela 1.6 e compare o valor com os valores teóricos e experimentais do Empuxo e comprove o princípio de Arquimedes. (E = Peso do volume deslocado)

DIÂMETRO (M)

RAIO (M)

ALTURA (M)

(VOLUME) (M3)

EMPUXO (N)

Tabela 1.4 – Dados teóricos.

PESO REAL (N)

PESO APARENTE (N)

EMPUXO (N)

Tabela 1.5 – Dados experimentais.

PESO DO RECIPIENTE (N)

PESO DO RECIPIENTE + LÍQUIDO (N)

PESO DO LÍQUIDO (N)

Tabela 1.6 – Dados experimentais.

Proponha um mergulho do mesmo cilindro em outro líquido, de maior ou menor densidade, e explique o que aconteceria.

1.8 Atividade Experimental IV – Densidade de líquidos

1.8.1 Objetivos gerais

Ao término desta atividade o aluno deverá ser capaz de:

•  Determinar a densidade de líquidos de forma direta e indireta; •  Determinar a densidade de líquidos através da lei de Stevin.

1.8.2 Material necessário:

•  Sistema de vasos comunicantes •  Seringa de injeção ou funil; •  Óleo; •  Água; •  Corante; •  Balança digital; •  Provetas.

1.8.3 Procedimento experimental: Forma Direta

•  Com a balança, verifique a massa das duas provetas; •  Acrescente água na proveta 1 e óleo na proveta 2; •  Verifique a massa das provetas, após o acréscimo dos líquidos; •  Verifique o volume ocupado pelos líquidos nas provetas; •  Calcule a densidade dos dois líquidos.

 

MASSA (G)

MASSA (G)

MASSA (G)

VOLUME

DENSIDADE

(PROVETA)

(CONJUNTO)

(LÍQUIDO)

(CM

3 )

(G/CM 3 )

ÁGUA

 

ÓLEO

 

Tabela 1.7 –

1.8.4 Forma Indireta (vasos comunicantes) – Não utiliza nenhum dado obtido anteriormente

•  Acrescente água com corante no vaso comunicante e nivele-o para a água esteja à mesma altura em todos os vasos. •  Com a seringa coloque um pouco de óleo em um dos ramos e anote na tabela os valores de h 1 e h 2 (1 a medida); •  Aumente a quantidade de óleo em seu respectivo ramo, determinando as alturas e anotando os valores na tabela (2 a medida); •  Através da equação de Stevin que iguala a pressão do óleo com a pressão da água, calcule o valor da densidade do óleo nos dois casos. (Dados da água: µ = 1 g/cm 3 ) •  Em todas as determinações calcule as médias e os erros médios relativos comparados aos valores tabelados.

os erros médios relativos comparados aos valores tabelados. Tabela 1.8 – µ 1 1 µ 2

Tabela 1.8 –

µ 1

1

µ 2 h 2 h 1 2
µ
2
h
2
h
1
2

Nº MEDIDAS

H0 (CM)

H1 (CM)

H2 (CM)

(H1 - H0) CM

(H2 – H0) CM

1

         

2

         

Tabela 1.9 –

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

YOUNG, H. D.; Freedman, R. A. FISICA II: Termodinâmica e Ondas. Editora Pearson Addison Wesley. 12 ed. 2003. Capítulo 14 ISBN 85-88639-03-3 BRUNETTI, F. Mecânica dos fluidos. São Paulo: Prentice-Hall, 2008. Capítulo 2. ISBN 978-85 7605

182-4.

CHIQUETTO, M. J.; PARADA, A. A.; Física, Vol1, Mecânica. Editora Scipione: São Paulo, 1991 SALES, Vítor, Ensino de hidrostática através de atividades investigativas, 2012. (Dissertação de Mestrado) – Instituto de Física Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2012.

2

Oscilações e Ondas

OBJETIVOS

OBJETIVOS

•  Estudar as causas da oscilação; •  Estudar o Movimento Harmônico Simples (MHS); •  Compreender Energia no MHS; •  Estudar Oscilações Amortecidas, forçadas e Ressonância; •  Definir Onda; •  Classificar Ondas quanto a natureza e formas de propagação; •  Descrever matematicamente as ondas; •  Definir período, frequência e amplitude; •  Definir a velocidade de propagação das ondas; •  Definir princípio da superposição; •  Compreender Interferência Construtiva e Destrutiva; •  Definir Onda Estacionária.

2.1 Introdução

Neste capítulo, vamos estudar as oscilações e os movimentos que tem origem em um movimento oscilatório (ondas). A importância de se estudar estes fe- nômenos está relacionada ao fato de que tudo oscila, desde os átomos em es- truturas cristalinas até mesmo estruturas maiores como pontes, monumentos, torres de energia, etc. Estudar sistemas com oscilações permite-nos entender sistemas oscilatórios mais complexos, por exemplo o batimento cardíaco. Desde as contribuições de Galileu até os nossos dias o estudo e pesquisa das oscilações aumentou a compreensão da nossa própria visão de universo e da constituição da matéria. O prêmio Nobel em física de 2015 foi atribuído a dois pesquisadores, o japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur McDonald, pela descoberta da oscilação dos neutrinos, o que demonstra que essas partículas têm massa, fato de enorme relevância. A descoberta de ambos os físicos “mu- dou nossa compreensão do funcionamento mais profundo da matéria e pode ser crucial para nossa visão do universo”. Vale a pena conferir no link abaixo a matéria sobre essa pesquisa.

no l i n k abaixo a matéria sobre essa pesquisa. MULTIMÍDIA

MULTIMÍDIA

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/ciencia/1444125814_641821.html

As figuras abaixo mostram um movimento oscilatório bem comum na nossa infância. Oscilar é se movimentar de um lado para outro. Qual é o tipo de osci- lação de um balanço? Você vai descobrir ao longo do capítulo, vamos começar?

Você vai descobrir ao longo do capítulo, vamos começar? Figura 2.1 – Movimento oscilatório de um
Você vai descobrir ao longo do capítulo, vamos começar? Figura 2.1 – Movimento oscilatório de um

Figura 2.1 – Movimento oscilatório de um balanço.

2.2 Movimento harmônico simples (MHS)

A palavra harmônico lembra-nos de harmonia que ligamos a consenso e ordem,

na música é a perfeita combinação de sons que tem origem em oscilações descri- tas matematicamente por funções chamadas harmônicas simples seno e cosseno. Chamamos de Movimento Harmônico Simples (MHS) um movimento de um ponto material que possui características bem simples e pontuais, ou seja,

o movimento do ponto material é unidimensional e o sentido da sua velocidade se inverte periodicamente.

O sistema mais interessante que utilizamos para estudar o MHS é o sistema

constituído de um bloco de massa m preso em uma mola de constante elástica k, esse sistema chama-se Oscilador Massa-Mola.

k m
k
m

(a)

m
m

x

(b)

F

Figura 2.2 – Oscilador Massa - Mola.

O bloco de massa m está em repouso na posição (a), preso a uma mola de

constante elástica k sobre um plano horizontal sem atrito. Quando se aplica

uma força

(b), abandonando-o em seguida, ele passa a oscilar em trajetória retilínea. Dessa forma, enquanto oscila, o centro de massa do bloco passa, contínua e

F desloca-se o bloco de sua posição de equilíbrio alongando a mola

alternadamente, de posições de abscissa positiva para posições de abscissa ne-

gativa. A origem desse movimento está na força elástica Seu módulo varia de acordo com a lei de Hooke:

F , exercida pela mola.

F = Kx

em que K é a constante elástica e x é o alongamento sofrido pela mola sob

F exercida sobre a mola. Mas não é essa força a

a ação de uma força externa

causa direta do movimento; ele se deve à força de reação exercida pela mola

sobre o bloco.

ATENÇÃO

ATENÇÃO

A lei de Hooke leva em conta apenas a força externa exercida sobre a mola, não considera a

força de reação que a mola exerce sobre o agente que a traciona. [1] Observe a figura 2.3, abaixo, em (a) deslocamos o bloco, alongando a mola para a direita da posição de equilíbrio de um valor +A (Amplitude) e soltamos, o bloco tende a voltar para

a posição de equilíbrio, essa tendência é a mola exercendo sobre o bloco uma força que chamamos restauradora, pois restaura a posição de equilíbrio do sistema.

Posição

Equilíbrio

(a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) –A 0 A Figura 2.3 – Movimento do
(a)
(b)
(c)
(d)
(e)
(f)
(g)
–A
0
A
Figura 2.3 – Movimento do Oscilador Massa - Mola.

Em (c) a mola está comprimida do mesmo valor (-A), mas a mola tende a voltar sempre para a posição de equilíbrio, como em (d), mas o sistema tem

energia suficiente para alcançar a posição +A novamente (e), e ficar neste movi- mento oscilatório indefinidamente.

A linha tracejada vermelha indica o movimento do centro de massa do blo-

co no movimento oscilatório. Do ponto de vista da dinâmica, define-se movi-

mento harmônico simples como o movimento retilíneo do ponto material de massa m sujeito à ação de força resultante elástica restauradora. Assim, pode- mos escrever que a força resultante

F

=

m a

R

m a = −

= −

Kx

Kx

Que nos permite obter a expressão do módulo e sinal da aceleração do MHS:

a = −

K

x

(1)

m

A equação (1) é considerada a equação fundamental do MHS, pois estabele-

ce condições que definem como movimento harmônico simples o movimento de um ponto material como sendo:

•  trajetória retilínea e posição descrita por uma única coordenada x. •  aceleração diretamente proporcional a essa coordenada.

Definem-se para o MHS mais duas grandezas, período e frequência, caracte- rísticas dos movimentos periódicos. Para isso precisamos definir o que é uma oscilação completa. Vamos voltar a analisar a figura 2.4. Uma oscilação completa é quando o bloco sai de uma posição e retorna a esta mesma posição.

Figura 2.4 – Oscilação completa. Situação inicial Situação final O sistema massa-mola oscila entre as

Figura 2.4 – Oscilação completa.

Situação inicial

Situação final

O sistema massa-mola oscila entre as abscissas +A e -A diz-se que o centro de massa do bloco efetua uma oscilação completa quando passa duas vezes su- cessivas pela mesma posição com a mesma velocidade. Na situação inicial o bloco está em +A vai até -A e retorna até a situação final em +A. Definimos então para um bloco em MHS:

Frequência (f) de um ponto material em MHS é o número de oscilações completas por ele efetuadas na unidade de tempo. No SI é dada em hertz (Hz) Período (T) de um ponto material em MHS é o intervalo de tempo em que ele efetua uma oscilação completa. No SI é medido em segundos (s). Amplitude (A) é o módulo da abscissa de valor máximo,

A A O + X máx
A
A
O + X máx
(A) é o módulo da abscissa de valor máximo, A A O + X máx –

X máx

x

A frequência e o período tanto no MCU e MHS são os mesmos, portanto

as equações:

T =

1

f

=

1

e

f

T

Como o ponto material no MHS não descreve ângulo algum a velocidade angular (w) passa a ser chamada no MHS de frequência angular ou pulsação, cuja a unidade no SI é radiano por segundo (rad/s). Portanto:

w = 2p f

A equação que vincula o MCU ao MHS é:

a = –w 2 · x

então, da equação 1, obtemos que a frequência angular do sistema é:

ω =

K m
K
m

Da expressão w = 2p f e da relação T = 1

f

podemos obter as expressões da

frequência e do período do oscilador massa-mola.

f =

1 K 2 π m
1
K
2
π
m

T

= π

2

m K
m
K
do oscilador massa-mola. f = 1 K 2 π m T = π 2 m K

COMENTÁRIO

Note que as expressões de w, f e T são equivalentes e evidenciam uma característica impor- tante desse sistema oscilante: essas grandezas não dependem da amplitude de oscilação, mas apenas da mola e da massa do corpo.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

EXERCÍCIO RESOLVIDO

Um bloco de massa m =0,35 kg está preso a uma mola de constante elástica K=35 N/m.

Suponha que o bloco apoiado sobre um plano horizontal sem atrito, seja deslocado por um

agente externo 5 cm de sua posição de equilíbrio, como indica a figura abaixo, e solto, pas-

sando a oscilar.

k m m
k
m
m

x

F

Adotando como origem do referencial a posição de equilíbrio do bloco, determine:

a) a amplitude do MHS descrito pelo bloco.

b) a frequência angular, a frequência e o período desse movimento.

Resolução:

a) Deslocando 5 cm de sua posição de equilíbrio, o bloco vai se movimentar com essa

amplitude, portanto A = 5 cm = 0,05 m.

b)

Sendo m = 0,15 kg e k = 35 N/m, a frequência angular é:

 

ω =

K m
K
m
 
35 0 35 ,
35
0 35
,

ω = 10 rad/S

=

A

frequência é:

 

f =

1 K 2 π m
1
K
2 π
m

f =

1

10

= 1,59 Hz

2

π

O

período é:

 

T = 1 T =

1

= 0,63 s

 

f 1,59

2.3 Energia mecânica do oscilador massa-mola

Para descobrir ou justificar como o sistema massa-mola entra em equilíbrio, vamos voltar a figura:

–A 0 +A
–A
0
+A

Figura 2.5 – Oscilador Massa-Mola.

Quando deslocamos o bloco para a posição +A alongando a mola, realizamos trabalho sobre o sistema e dessa forma fornecemos energia para o sistema, ele adquiriu uma energia potencial elástica (cap 5, Física Teórica e Experimental I).

E

pel = 1

2

Kx

2

Depois de solto o sistema passou a oscilar como essa energia, transforman- do a energia potencial elástica E pel em energia cinética E C e vice-versa. Nesse caso, a energia mecânica (E M ) do oscilador massa- mola é dada pela expressão:

E

M

=

E

pel

+

E

c

Enquanto o sistema massa-mola oscila, há uma transformação contínua da energia potencial elástica em cinética, e vice-versa, mas a energia mecânica permanece constante. Quando o sistema está nas posições de alongamento ou compressão máximas a energia potencial elástica coincide com a energia me- cânica do sistema.

Logo,

E

M = 1

2

KA

2

A Energia cinética nessas posições é zero é onde o bloco pára (velocidade

para inverter seu movimento. Observe o gráfico figura 2.7, abaixo, ele

zero)

apresenta a Energia Mecânica em função da posição do bloco.

E

m

Energia –A 0 A
Energia
–A
0
A

E

E

p

c

da posição do bloco. E m Energia –A 0 A E E p c x Figura

x

Figura 2.6 – Gráfico da Energia do oscilador massa-mola em função da posição. A curva tracejada é a variação da Energia Cinética, a rosa representa a variação da energia potencial elástica e a preta, a energia mecânica.

energia potencial elástica e a preta, a energia mecânica. EXERCÍCIO RESOLVIDO O gráfico energia cinética x

EXERCÍCIO RESOLVIDO

O

gráfico energia cinética x posição, abaixo, é de um oscilador massa-mola de massa

m

=0,20 kg.

E C (J) –0,12cm 0,12cm
E C (J)
–0,12cm
0,12cm

Determine:

a) a amplitude e a constante elástica;

b) o módulo e sinais das velocidades máximas do bloco;

Resolução:

a) Deslocando 0,12 cm de sua posição de equilíbrio, o bloco vai se movimentar com essa

amplitude, portanto A = 0,12cm = 1,2 x10 -3 m.

Pelo gráfico quando o oscilador passa pela origem temos E c