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Geopolímero para

principiantes

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Apresentação

Prof. Joseph Davidovits...

“Inventei os geopolímeros em 1979, mas já havia


começado em 1972. Nessa época, por causa da
Cortina de Ferro; eu não sabia que outros colegas
trabalhavam com temas científicos mais ou menos
idênticos.

Encontrei-me pela primeira vez com os cientistas


tchecos num congresso em Kiev em 1994, ou seja,
Em que áreas da atividade humana, a descoberta
mais de 25 anos após ter iniciado o meu trabalho.
do geopolímero pode ser aplicada?
Desse modo, na República Tcheca, há cientistas
que há várias décadas têm trabalhado de forma Ele não é um produto, é uma nova classe de
diferente”. materiais, é o contratipo de polímeros orgânicos,
que são materiais plásticos feitos de petróleo;
enquanto os geopolímeros são feitos de rochas e por
conseguinte tudo está em aberto. Na verdade não
existe limite, é necessário apenas trabalhar; inovar
uma tecnologia já conhecida há mais de 4500 anos.

Mas eles têm certo conhecimento que agora pode


ser utilizado no desenvolvimento dos geopolímeros. É
necessário apenas harmonizar as duas experiências
e, para isso, a Universidade de Tomas Bata em Zlín,
direcionou estudos específicos para universitários
do mundo inteiro, por causa da grande procura
por especialização nesta área. Até agora, os
geopolímeros eram ensinados apenas em nível de
doutorado, sendo assim apresentados de uma forma
mais complexa.

A Universidade de Tomas Bata em Zlín foi a primeira


universidade do mundo a ter um curso universitário
sobre geopolímeros.

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Apresentação

Apresentação

Em 1985, Kenneth Mackenzie da Nova Zelândia


Professor Joseph Davidovits do Geopolymer Institute em Saint-Quentin,
França.
utilizou a espectroscopia de ressonância magnética
nuclear para estudar a estrutura do metacaulim.
Este curso sobre geopolímeros é direcionado a
professores universitários, doutorandos, estudantes Ele fez o espectro de RMN do 29Si para mostrar a
de mestrado e também para pesquisadores espécie Q4(1 Al) de metacaulim e descobriu uma
industriais autodidatas que querem desenvolver nova sequência, uma nova espécie, a qual chamou
aplicações do geopolímero de baixo custo/baixa de alumínio pentavalente (Al(V)) o qual representa a
tecnologia ou alto custo/alta tecnologia. maior parte do metacaulim. Foi uma grande surpresa
e gerou grande discussão na comunidade científica.
O curso é dividido em 9 tópicos, totalizando 6 horas.
A seguir uma breve demonstração do curso.

Tecnologia de cerâmica industrial com


baixo consumo de energia e baixa emissão
de CO2

Podemos acelerar o tempo de produção e diminuir


consideravelmente a energia necessária para a
produção de cerâmica regular, sem alterarmos nada
em termos de produto.

No gráfico a seguir, se observarmos o consumo de


A estrutura da caulinita é densa e dentro das
energia em kcal/kg telha que é necessário para
camadas; entre cada camada, não existe espaço
a produção de telhas, podemos perceber que a
para aceitar grandes moléculas e, a primeira
tecnologia antiga requer 5000 kcal/kg telha e que
etapa envolve apenas reações com pequenos
com os sistemas modernos rápidos temos 2500
cátions como sódio e potássio e ânions como
kcal/kg telha, com o sistema geopolimérico podemos
OH - que migram entre as camadas e reagem
atingir a mesma quantidade somente com 800 kcal/
com a estrutura da caulinita e nas extremidades
kg telha.

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das superfícies das placas onde há reações com


NaOH, KOH e siloxanos.

É uma apresentação intensa. É um curso


surpreendente sobre geopolímeros, portanto; é
necessário ouvir e reler o curso mais de uma vez,
dependendo do seu nível de conhecimento.

Embora você tenha todo o conteúdo de cada conceito


no livro “Geopolymer Chemistry & Applications”,
é aconselhável que você também consulte outras
referências em textos científicos de Física, Ciências
e Química.

Palavras simples foram usadas para alunos não


fluentes em inglês. Este curso e o livro apresentam o
uso e os conceitos do geopolímero de duas maneiras
diferentes.

Este método de ensino o ajudará a compreender


melhor e mais rapidamente todos os principais
conceitos sobre o geopolímero.

Bem vindo à Ciência do Geopolímero, e prepare-se


para abrir as portas para novas e emocionantes
possibilidades.

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Sumário
1. Introdução 13
Minerais reativos em baixa temperatura....................................................................................................... 14
Compensados de madeira resistentes ao fogo............................................................................................. 15
Aplicações cerâmicas...................................................................................................................................... 16
Metacaulim...................................................................................................................................................... 17
Terminologia “geopolímero”............................................................................................................................ 18
Aplicações do geopolímero............................................................................................................................. 19
Aplicações do cimento..................................................................................................................................... 21

2. Conceito de geopolímero mineral 26


O caráter polimérico dos silicones................................................................................................................. 28
Terminologia polissiloxo e polissialato........................................................................................................... 30
O monômero hipotético oligossialato............................................................................................................. 31
Terminologia sialato (Si-O-Al-O-) e derivados................................................................................................. 33

3. Estrutura macromolecular de silicatos naturais e aluminossilicatos 35


A estrutura tridimensional dos tectossilicatos............................................................................................... 39
Quartzo............................................................................................................................................................. 40

4. Ferramentas científicas: raios X, FTIV, RMN 42


Difração de raios X.......................................................................................................................................... 43
FTIV, espectroscopia infravermelha................................................................................................................ 44
Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN-RAM)................................................................ 45
RMN do 27Al...................................................................................................................................................... 46

5. Estrutura macromolecular do silicato solúvel, polissiloxonato 51


Composição química dos silicatos solúveis................................................................................................... 52
Fabricação dos silicatos.................................................................................................................................. 52
Mecanismo químico........................................................................................................................................ 52
Processos de produção................................................................................................................................... 52
Processos industriais....................................................................................................................................... 53
Processo em forno........................................................................................................................................... 53
Mecanismo de formação e estruturas........................................................................................................... 60

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Sumário
6. Química macromolecular do metacaulim MK-750 65
Primeira resina polimérica mineral................................................................................................................ 66
Mecanismo de desidroxilação da caulinita em MK-750............................................................................... 68
Sequências covalentes do MK-750................................................................................................................ 70
Reatividade do MK-750.................................................................................................................................. 70
Mecanismo de reação da geopolimerização com MK-750.......................................................................... 73
Mecanismo de reação com NaOH, KOH........................................................................................................ 75
Geopolimerização do ortossialato com Na2O-siloxonatos............................................................................ 76
Geopolimerização do ortossialato com K2O-siloxonatos............................................................................... 78
Formação da kalsilita e leucita....................................................................................................................... 78

7. Cimentos geopoliméricos de baixo consumo energético e baixa emissão de CO2 80


Alcalinização da escória.................................................................................................................................. 82
Geopolimerização do MK-750 + escória....................................................................................................... 84
Espectroscopia RMN-RAM.............................................................................................................................. 84
Tipos de cimento geopolimérico..................................................................................................................... 85
Geopolimerização da cinza volante de carvão.............................................................................................. 89

8. Cerâmica geopolimérica de baixo consumo energético e baixa emissão de CO2 93


L.T.G.S. (Low Temperature Geopolymeric Setting)........................................................................................ 98
Reagente geopolimérico na África?.............................................................................................................. 100
Cerâmicas arqueológicas.............................................................................................................................. 102

9. Sistemas de fácil utilização 104


10. Construção das pirâmides do Egito 109
Ari Kat, fato comprovado de como as pirâmides foram construídas. A revelação das pedras das pirâmides....... 110
A tecnologia de Ari-Kat.................................................................................................................................. 113
Introdução ao estudo dos métodos para construção das pirâmides........................................................ 114
Geopolímeros Antigos.................................................................................................................................... 119
11. Conferência sobre o tijolo LTGS 138
“Geopolímeros: uma oportunidade para pequenas produções não prejudiciais ao ambiente”..............139
Low Temperature Geopolymeric Setting (L.T.G.S.)...................................................................................... 140
Pedra / blocos de rocha................................................................................................................................ 144
12. Tutorial Cimento Davya 60 145
13. Tutorial da Cerâmica Datobe 150

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1. Introdução

O primeiro tópico é a introdução aos principais


resultados obtidos em 36 anos de pesquisas e
aplicações (1972-2008).

Desenvolvimento de um material resistente ao


fogo e ao calor, envolvimento com o aquecimento
global (emissões de CO2) assim como tecnologias
ambientais, indústrias de cimento-concreto e
também ciências arqueológicas.

Propriedades
As propriedades dos geopolímeros dependem da tecnologia de compósitos de fibras resistentes ao
estrutura química. Começando pelas aplicações do fogo e ao aquecimento.
cimento, aplicações industriais, até sistemas de alta

Sistema de alta tecnologia


de compósitos de f ibras
resistentes ao fogo e ao
aquecimento.

Aplicações industriais

Aplicações do cimento

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Em 1977 descobrimos a primeira resina polimérica


mineral resultado da reação do metacaulim MK-750
e silicato solúvel.

O geopolímero tem sido erroneamente assimilado


por diversas pessoas como uma simples ativação
alcalina. Eles afirmam que qualquer resíduo que
Com essa resina mineral fomos capazes de criar em é ativado alcalinamente é geopolímero. A ativação
1986 o primeiro material compósito geopolimérico, alcalina requer condições corrosivas, é um sistema
que tinha excelentes propriedades. hostil ao usuário, em contrapartida o geopolímero
é realizado em condições favoráveis, é um sistema
favorável ao usuário.

Temos atualmente quatro classes de geopolímero:

- polissiloxo e derivados;
- polissialato e derivados;
- polifosfatos e derivados;
- geopolímero organo-mineral.

2. Conceito de geopolímero mineral


As aplicações do cimento, começaram em 1983 nas
Introduz a representação molecular para estruturas
indústrias Lone Star nos EUA. Abaixo um exemplo de
geopoliméricas baseadas nos mais recentes
uma aplicação:
resultados da ciência físico-química.

Fig. 2.1 - 5 espécies de ortossialato solúvel isoladas em soluções de KOH

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3. Estrutura macromolecular dos silicatos e 5. Estrutura macromolecular do silicato


aluminossilicatos naturais solúvel: Polissiloxonato
Descreve os numerosos minerais naturais e Este tópico revisita uma antiga indústria a saber,
aponta as suas semelhanças com moléculas silicato solúvel, um ingrediente químico geopolimérico
geopoliméricas (monômeros, dímeros, trímeros etc.) básico.
e macromoléculas (polímeros).
Estudaremos a estrutura macromolecular do silicato
Obtemos polímeros lineares no nosso mineral como solúvel, que designei de siloxonato, o polissiloxonato
o piroxênio, wollastonita e até a estrutura helicoidal (Si:Al = 1:0). Observaremos a estrutura desses
do quartzo. silicatos através da ressonância magnética nuclear
do silício e a distribuição das várias espécies, como
para o silicato de sódio e o silicato de potássio,
dependendo da relação molar (Fig. 5.1 e 5.2).

Fig. 3.1 - 3 exemplos de cadeias lineares de polissilicatos com


representações covalentes e tetraédricas

A maioria dos geopolímeros que obtemos, estão


próximos de uma rede tridimensional como a
estrutura da anortita.
Fig. 5.1 - Estrutura molecular de soluções de silicato de sódio em função da
razão molar

4. Ferramentas científicas: raios X, FTIV,


RMN
Neste tópico discutimos as ferramentas científicas:
raios X, infravermelho e espectroscopia de
ressonância magnética nuclear. Fig. 5.2 - Estrutura molecular de soluções de silicato de potássio em função
da razão molar

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Estudaremos o mecanismo de formação e estruturas


das soluções de polissiloxonato. O resultado da
despolimerização e dissolução, mostrado no exemplo
(Fig. 5.3), o silicato de sódio acima, formado por pelo
menos três estruturas diferentes que produziram
durante a dissolução moléculas cíclicas menores, Fig. 6.2 - MK-750 com Al em coordenação IV, com sequência Al-O-Al-O-.

hexagonais, trímeros e hexâmeros.

Fig. 6.3 - MK-750 com Al em coordenação VI, com sequência Al-O-Al-O-H.

Os mecanismos de reação desses três sistemas com


álcalis leva a formação de uma importante molécula,
o ortossialato.

Fig. 5.3 - Etapas estruturais do vidro a micela na solução do siloxonato de


sódio com RM=2, criando trímeros e hexâmeros solúveis.

6. Química macromolecular do
metacaulim MK-750
O tópico 6 é dedicado a um precursor muito
importante para o geopolímero chamado de Seguindo essa etapa da reação que produz o
metacaulim. A calcinação do caulim provê três ortossialato e acompanhando a geopolimerização do
precursores reativos diferentes: o primeiro é o ortossialato com a adição de siloxonato e adição de
siloxo-alumoxil que tem coordenação V (Fig. 6.1); o silicato, há a formação de um sistema de estrutura
segundo é o siloxo-alumoxil, que é trivalente e tem do tipo da albita.
coordenação IV (Fig. 6.2) e o terceiro é o hidróxido de
alumoxil trivalente e tem coordenação VI (Fig. 6.3).

Fig. 6.1 - MK-750 com Al em coordenação V, com grupo alumoxil Al=O

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7. Cimentos geopoliméricos de baixa


emissão de CO 2 e baixo consumo de Fig. 7.1 - 4 espécies de fly ash de procedências diversas.

energia
No gráfico abaixo temos a comparação da emissão de
Neste tópico observamos o desenvolvimento de um CO2 do cimento Portland com o geopolímero, vemos
diferente cimento geopolimérico de baixo consumo que o cimento Portland emite para uma tonelada
de energia e baixa emissão de CO2. de Portland uma tonelada de CO2, enquanto que o
cimento geopolimérico emite 0,1 a 0,15 toneladas,
Foi inventado pela primeira vez nos EUA em 1984,
que significa uma redução de 90%.
a patente intitulada “Early High-Strength Mineral
Polymer”, resultado da reação de metacaulim e da
escória de alto-forno.

Quanto ao consumo de energia, o cimento Portland


Temos atualmente três sistemas básicos de consome mais de 3000 MJ para produzir uma
geopolímero: à base de metacaulim e escória, à base tonelada de cimento, enquanto o geopolímero,
de rocha e à base de fly ash. dependendo do tipo, consome de 600 a 990 MJ.

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um bloco de concreto. Quanto ao L.T.G.S., tem


essa resistência a 70°C e fornece um material
extraordinário até 400°C, em condições de
aquecimento.

8. Cerâmicas geopoliméricas de baixo


consumo energético e baixa emissão de
CO2
Este tópico relata um sistema para produção de
Fig.8.1 - Resistência à compressão para materiais não-tratados e argilas
tijolos com argila laterítica que chamei de L.T.G.S. cauliníticas geopolimerizadas. Temperatura de cura entre 20° - 1000°C.

(Low Temperature Geopolymeric Setting), que é a Nós devemos adaptar a tecnologia L.T.G.S. para
cura do geopolímero em temperatura mais baixa, implementar a tecnologia de baixo consumo de
não a 900-1000°C, mas a 70°C. energia e baixa emissão de CO2 na indústria de
cerâmica. É claro que este L.T.G.S. tem sido usado
para explicar algumas cerâmicas arqueológicas.

Isto é possível reagindo a caulinita com uma pequena


quantidade de álcalis. No gráfico (Fig. 8.1), se
acompanharmos o desenvolvimento da resistência
de acordo com a temperatura, vemos que os
materiais não-tratados, em preto, estão alcançando
apenas após 1000°C a resistência de

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