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MARINILZA BRUNO DE CARVALHO

A3 Metodologia de Avaliação
e Construção de Indicadores

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Uma visão sem ação é sonho;
uma ação sem visão é só passatempo;
Uma visão com ação pode mudar o mundo.
JOEL BARKER, 95

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Ao meu marido José Narciso,
amigo e companheiro, sempre ao meu lado.
Te amo muito.
Aos meus filhos queridos
Marcelo e Felipe.

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Agradecimentos

A DEUS pela força, saúde e determinação com que me consagrou, e por


ter me carregado nos momentos mais difíceis.
Agradecimento especial à minha equipe de trabalho, Sônia Lebeis Pires,
Sheila Perlingeiro Calvo, Daniel Olair Ferreira, Sandra Perello Marchiori,
Priscila Monzato, Mariane Wandenkolk, Patrícia Felix Granato, Marcelo
de Lima Cardoso, Marcelo Victor Alves da Silva e Rafael de Oliva Van
Boekel incansável, sempre pronta a colaborar e resolver os problemas, en-
quanto deste estudo eu me ocupasse. Sem esta equipe, muito deste trabalho
não teria sido possível de realizar.
Aos Amigos Antonio Carlos de Azevedo Ritto, Maria Georgina Wa-
shington, Maria Helena Rodrigues, Lúcia de Assis Alves, Jorge Guilherme
de Araújo Carvalho, Carmen Especotti da Silva, Alice Andrade de Araú-
jo, Mariluci Ferreira Portes e Tania Maria Carvalho de Castro Netto pelo
apoio, estímulo e sugestões.
Aos professores Thereza Penna Firme, Albanita Viana de Oliveira, Al-
berto Mello e Souza, Cristina Marília Teixeira da Silva e Mary Rangel por
toda a força, orientação, paciência e apoio.
Às funcionárias Flavia Gonzalez Freire e Ana Paula Menezes Pereira,
da UERJ, sempre prestativas e colaboradoras na busca de documentos e
informações acerca do programa no estudo de caso.
Ao corpo docente da UERJ, entrevistado, e aos gestores que colabora-
ram com relatos e sugestões, muito obrigado.
E, finalmente, a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram
para a realização deste trabalho.
Este trabalho teve como base o desenvolvimento da tese de doutorado
na UFRJ.

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Prefácio

E STE É UM TRABALHO DE FÔLEGO.Sua autora é uma corajosa empreendedo-


ra que abraçou a causa complexa da Avaliação que, no contexto da edu-
cação brasileira, sobretudo no âmbito da instituição, tem sido marcada pela
resistência à mudança de paradigma. A trajetória percorrida na construção
da obra foi cuidadosamente desenhada e executada desde a fundamentação
teórica do processo avaliativo até a aplicação prática de uma metodologia
criativamente proposta. Nesse sentido, a autora apresenta uma contribuição
significativa para a Avaliação Institucional especialmente no que se refere
ao desenvolvimento da cultura de avaliação ainda praticamente ausente na
plenitude da prática educacional. Sua preocupação persistente em convencer
gestores, educadores, instituições e organizações em geral, sobre a função
precípua da avaliação, em promover a transformação desejável, é uma ca-
racterística louvável da autora. Tendo emergido de uma tese de doutorado,
o texto aqui construído é fortalecido pela credibilidade, pela lógica e pela
consistência de seus argumentos. Por sua riqueza de aspectos abordados de
natureza teórica, metodológica e prática, é digno de se tornar um excelente
material de referência e consulta para os interessados na avaliação, de um
modo geral. Mais ainda, por ter conhecido a autora desde a gestação de sua
tese de doutorado até sua culminância, fui testemunha da paixão com que
tudo isso aconteceu. Aplausos para a obra e para a autora!

Thereza Penna Firme, Ph.D


Carioca, Professora, Pesquisadora e Psicóloga com especial formação em Avaliação.
(Psicologia Clínica (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio).
Obteve mestrado na University of Wisconsin, USA, mestrado em
Stanford University, EUA, e doutorado (Ph.D) em Educação e Psicologia)

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Sumário

Introdução .................................................................................................. XIII


C APÍTULO 1 A Avaliação no Mundo Contemporâneo .............................. 1
C APÍTULO 2 A Metodologia A3 – Princípiose Indicadores ..................... 21
C APÍTULO 3 A Modelagem A3 – Ferramenta de Modelagem
do Processo Avaliativo e seus Indicadores ........................... 39
C APÍTULO 4 Estudo de Caso com Aplicação da Metodologia A3 ............ 49
C APÍTULO 5 Conclusões e Recomendações .............................................. 159
Anexos ....................................................................................................... 171
Referências Bibliográficas ......................................................................... 197

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Introdução

O s intentos avaliativos desenvolvidos mais recentemente no Brasil


têm tido repercussão em âmbito internacional. Paradoxalmente, no
entanto, o conhecimento teórico e o amadurecimento na prática da disci-
plina Avaliação têm tímida ressonância no ambiente institucional como
um todo, e apresentam algumas estratégias e abordagens equivocadas na
avaliação de desempenho profissional e, no âmbito nacional da Educação,
não chegaram às esferas acadêmicas e escolares.
A visão positiva da avaliação se perde quando são apresentadas as pro-
postas de realização dos processos avaliativos nos departamentos e setores
das organizações, gerando desconforto e medo.
Poder-se-ia considerar que a comunidade nas organizações tem, no
mínimo, uma cultura de convívio com os processos avaliativos. A ava-
liação, porém, não participa da cultura da instituição ainda. O conví-
vio é pacato e a realidade é um pacto. As avaliações não são vetadas,
nem impedidas de acontecerem, contudo elas devem permanecer como
“processos” e não gerar “produtos”. Os resultados dos projetos são ar-
quivados e procedimento algum é implantado. Naturalmente, que este
diagnóstico é diferente, quando se refere à Instituição Privada ou à Ins-
tituição Pública. No caso das Instituições Privadas, os resultados geram
“medo”, e nas Instituições Públicas, os resultados não chegam, ou são
negligenciados.
Essa manifestação torna clara a necessidade de se alardear cada vez
mais alto, claro e transparente os objetivos da avaliação, suas vantagens
e seus benefícios. A cultura instalada em muitas instituições ainda é as-
sombrada, ou quem sabe “mal assombrada”, por uma avaliação que “tira
poder”, “transfere de cargo”, “aborta projetos”, “prejudica pessoas e orga-

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XIV METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE INDICADORES

nizações”, sempre com a visão de perda, prejuízo e punição para o caso de


algum processo de avaliação vir a ser implantado.
Este livro é sobre uma metodologia que considera a avaliação sob a
ótica da busca do aperfeiçoamento e do crescimento, orientada para uma
prática sem conflitos, minimizando a distância entre o discurso dos proje-
tos de avaliação e a realidade de sua aplicação, nos ambientes de trabalho
e na cultura instalada das instituições. No “Estudo de Caso” da pesquisa
avaliativa do Programa Institucional da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro – UERJ, a Metodologia A3 foi testada com a geração de indicado-
res e conclusões.

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A Avaliação no Mundo Contemporâneo

Avaliação é um processo pelo qual se determina


o mérito ou o valor de alguma coisa.
SCRIVEN, 1967

1. Cenário Contemporâneo

O século 20 sobressaiu-se no desenvolvimento de tecnologias e produ-


tos que mudaram radicalmente o modo de vida no Brasil e no mundo
em geral. As informações geradas chegaram a níveis impossíveis de serem
absorvidas na sua totalidade, exigindo processos de tratamento e armaze-
namento, de modo a serem compreendidas e analisadas especificamente,
no todo ou em partes.
Os valores também foram se transformando, alguns se perdendo e ou-
tros sendo adquiridos. O fator mais relevante foi a velocidade do processo.
A rapidez do desenvolvimento da ciência e da tecnologia foi muito maior
do que a capacidade do homem para absorver e incorporar esse desenvol-
vimento.
Neste cenário, a avaliação se manifesta como condição básica e fator
crítico de sucesso. Antiga e onipresente na sociedade em função de suas
demandas, a avaliação alcança níveis de importância cada vez maiores, na
medida em que seus resultados permitem a identificação e o mapeamen-
to dos segmentos da realidade. Os programas de qualidade difundidos no
mundo inteiro fizeram emergir estudos na criação de processos de avalia-
ção em âmbito institucional e, além de outros, também, nos processos téc-
nicos do desempenho profissional. As organizações, através das avaliações
realizadas, identificaram a importância dos resultados no crescimento e

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2 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE INDICADORES

inovação, tanto para seus funcionários, quanto para a missão institucional.


O início dos anos 90 trouxe para as organizações a preocupação de aperfei-
çoamento, capacitação e treinamento contínuos de seu corpo profissional,
ampliando o canal de comunicação destas organizações com a Academia.
Nas instituições de ensino, teve início um processo de investigação sobre
alunos egressos, informando sobre a adequação da formação ao mundo do
trabalho e sua inserção na sociedade.
Segundo Castro (1998-p304):

“É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes


para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma socieda-
de mais justa, democrática e desenvolvida exige um perfil de qualifica-
ção em que o desenvolvimento das inteligências cognitivas, emocional
e afetiva será decisivo na formação de crianças e jovens para a sua plena
inserção social e no mundo do trabalho”.

Com esta manifestação pode-se inferir que os paradigmas para os pró-


ximos anos devem mudar, de modo a responder a algumas questões do
tipo: Qual o papel da avaliação para o novo milênio? Como preparar as
organizações e os profissionais?
Castro (1998-p304) responde,com relação aos profissionais, que:

“(...) é preciso desenvolver sua capacidade de resolver problemas, sele-


cionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. É
preciso dar-lhe condições de utilizar os conhecimentos para que tenha
novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competi-
tivo”.

A avaliação deve ter um caráter emancipador, de modo a permitir


que o profissional e a organização sejam capazes de aprender. Esta nova
visão da avaliação precisa não somente de novos paradigmas, como
também de processos que sustentem estes novos direcionamentos e
principalmente mecanismos que assegurem a efetividade dos mesmos.
Somente programas de avaliação competentes poderão monitorar, me-
dir e julgar a adequação e os resultados de todos os processos. Urge a
geração de indicadores que informem sobre a eficiência dos sistemas,

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A AVALIAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO 3

o comportamento do fluxo de cada sistema em avaliação, as competên-


cias desenvolvidas e o próprio desempenho do sistema como um todo.
O retorno dos resultados deverá permitir o aprimoramento em todas as
etapas do processo organizacional, na construção de um sistema sempre
atual, adequado e efetivo. Vale considerar a complexidade dos processos
de avaliação, suas funções somativa e formativa, além da visão da cons-
trução do conhecimento como produto e processo atingindo um caráter
especial de completude. Várias interpretações deste novo foco da avalia-
ção foram definidas e estudadas, como necessidade de controle por um
lado e qualidade total por outro.
A análise de Afonso (2000) permite observar a avaliação em suas vá-
rias dimensões como regulação, instrumento de gestão, controle social e
legitimação política. Em todas estas dimensões, a avaliação apresenta, em
seu processo, duas grandes etapas: medida e julgamento de valor. Torna-se,
pois, relevante identificar quais instrumentos de medida e qual julgamento
de valor são considerados, o grau de subjetividade da equipe de avaliado-
res. Penna Firme (1994) e Dias Sobrinho (2000) consideram como rele-
vante conhecer os perfis dos avaliadores e avaliados.
Pode-se compreender que a avaliação, em qualquer de suas abordagens,
se reveste de manifestações sociais e técnicas. Essas manifestações sociais
se revelam no ambiente observado, nas circunstâncias do momento da ava-
liação, no objeto em estudo e no agente avaliador; as manifestações técni-
cas se revelam nos instrumentos de avaliação, nas estratégias e diretrizes
da avaliação.

2. Avaliação e suas Dimensões

O processo avaliativo é uma característica humana natural de seleção que


precede a tomada de decisão. A cada instante de sua vida o ser humano é
instado a escolher, optar e decidir.
Muitas escolhas e opções são instintivas, outras mais estudadas, mas em
nenhum dos casos deixa de existir o processo avaliativo. Tanto na escolha
instintiva como na escolha estudada e bem pensada, o processo de avalia-
ção acontece e o que varia são seus elementos e suas dimensões.
O objeto, o objetivo e o caráter da avaliação em cada momento têm di-
mensões diversas e precisam ser conceituadas especificamente.

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4 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE INDICADORES

Na dimensão do instinto, os elementos são mais sensíveis e intangíveis,


como “gosto”, “visual” e “satisfação”, todos regidos, em sua maioria, pe-
los sentidos humanos e o caráter é sempre pessoal.
Na dimensão da investigação e do pensamento, os objetivos específicos
são mais tangíveis e o caráter da avaliação pode ser profissional estratégi-
co, econômico, político e outros.
No tocante aos procedimentos de avaliação cabe ressaltar que, a des-
peito de todos os métodos, processos e instrumentos ofertados pelas tec-
nologias vigentes, as fases do processo avaliativo contemplam as concei-
tuações metodológicas, construção de indicadores e julgamento de valor.
Importante assinalar a relevância do perfil dos avaliadores que procederão
ao julgamento de valor.

3. Objetivos da Avaliação

Com base na visão de Dias Sobrinho (2003) sobre a visibilidade e legi-


timidade institucional e Penna Firme (1994), que imprime à avaliação a
responsabilidade de intervir e aprimorar, a avaliação institucional objetiva
captar as dimensões relevantes da organização, gerando intervenções de
aprimoramento e melhorias. A transparência para a comunidade como um
todo é outro objetivo do processo de avaliação, quer seja para o caso de
empresas privadas, a comunidade dos seus acionistas, como para as insti-
tuições públicas, a comunidade social.

4. Funções da Avaliação

A avaliação sintetiza quatro funções:


a) Função de verificar – com processos de verificação e monitora-
mento de produtos e resultados;
b) Função de controlar – com os níveis de comunicação com a socie-
dade e as instâncias gestoras;
c) Função de regular – com os procedimentos, entidades e agências
nos vários segmentos da sociedade;
d) Função de aprimorar – com os resultados dos processos avalia-
dos que poderão indicar ações transformadoras.

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A AVALIAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO 5

No que tange ao processo de investigação da avaliação, surgem ainda as


funções simbólicas e as funções da avaliação como poder e disciplinação.
As funções simbólicas de controle social e legitimação política, apesar
de menos referidas, são funções que têm maior interesse analítico quando
se problematiza a avaliação para além dos limites restritos de cada espa-
ço ou segmento. Por exemplo, pode-se considerar um projeto de avaliação
de desempenho profissional, em uma instituição pública. Um resultado de
mau desempenho, que indique uma não-ascensão profissional, pode gerar
um conflito jurídico, se consideradas as regras de aumento e as condições
de igualdade. Estes casos, que não são raros, devem ser resguardados em
programas de avaliação totalmente planejados, comunicados, divulgados e
juridicamente respaldados. As funções da avaliação são consideradas e com-
preendidas, cada uma per si, segundo sua especificidade e natureza, relativa-
mente a cada período histórico, onde auferem maior prestígio e relevância.
Neste cenário, as funções da avaliação necessitam ser contextualizadas
segundo as mudanças culturais, econômicas e políticas. Isso remete ao es-
tudo e prática da investigação avaliativa pela análise sociológica e antropo-
lógica das instituições, como um todo e de políticas públicas de avaliação,
regulação e controle, de modo a ser questionada a que interesses servem,
quais os efeitos, impactos e benefícios.

4.1 Funções da Avaliação como Poder e Disciplinação:

4.1.1 AVALIAÇÃO COMO FORMA DE PODER

A cultura institucional hierárquica (presidente, superintendente, diretor,


gerente etc.) deflagra um processo de poder, onde somente o superior ava-
lia e constrói seus próprios critérios.
Na educação, o ambiente de ensino com a sala de aula apresenta um ce-
nário baseado em redes de relação de poder com fontes variadas, inclusive
a avaliação. A relação professor-aluno, sob a ótica do avaliador-avaliado,
constrói uma relação de poder com importantes conseqüências na socieda-
de escolar e pós-escolar transformando a relação professor-aluno em uma
relação de dominação. Situação análoga à instituição. Nesta última, ainda
acrescido do fato de que a relação de poder afeta diretamente a família
(questão financeira) e a produtividade (desanimo e baixa estima).

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4.1.2 PODER COMO FORMA DE DISCIPLINAR

Segundo Halo Hutmacher (1978) estes poderes são estratégias-chave de


manutenção da ordem e para Carnoy & Levin (1885) são quatro tipos de
poder :
— poder da recompensa — poder da sanção
— poder cognoscitivo (especialista) — poder autoritativo (autoridade
formal).
Na figura a seguir podem ser observadas as ligações fracas ou fortes das
várias formas do poder disciplinar.

FIGURA 1 — Avaliação como Poder


FONTE: reconstrução de Marinilza Bruno sobre original de Afonso, Almerindo Afonso. Po-
líticas Educativas e Avaliação Educacional — para uma análise sociológica da reforma
educativa em Portugal (1985-1995). Lisboa: Editora da Universidade do Minho, s/d

Observando o quadro a seguir, evidencia-se forte ênfase tanto na visão


de aprendizagem, como de gestão, regulação e poder nos processos avalia-
tivos. Contudo, a relação entre o processo avaliativo, seus resultados e as
intervenções, mudanças e melhorias realizadas não são consideradas. Os
processos de avaliação, de modo geral, terminam com os resultados, sem
atividades de aprimoramentos ou atualizações. Em alguns casos, os resul-
tados não retornam para o conhecimento dos avaliados. Este é o ponto que
desejamos ressaltar e tratar, trazendo para a avaliação a fase “apresenta-

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A AVALIAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO 7

ção de resultados e recomendações”, aliada à passagem da “liderança do


processo de avaliação” para a “liderança do processo de transformação
e mudança”. Este último realizado e liderado pela equipe de avaliados,
participantes de todas as fases do processo de avaliação.
No quadro abaixo, apresentamos o resumo das ênfases da avaliação
mais comuns.

QUADRO 1 — Ênfases da Avaliação


Funções da avaliação escolar: Visão — aprendizagem Regulação/gestão e poder
Broadfoot/81 Forte —
D.Nevo/86 Forte fraca
M.Bonami/86 Fraca forte
Allal/96 Fraca forte
Perrenoud/84 Forte —
Halo Hutmacher/78 — forte
Carnoy & Levin/85 — forte

Respondendo à questão de como as nossas instituições poderão ser be-


neficiadas pela avaliação, a Metodologia A3 propõe um ambiente constru-
ído para a aplicação da avaliação de modo a permitir que as instituições
possam usufruir os resultados positivos dos processos avaliativos. O mo-
delo deste ambiente é dirigido para, e preocupado com os envolvidos na
avaliação que desconhecem o tema, suas características e benefícios.

5. Tipos de Medida e Avaliação

Avaliação utiliza vários tipos de medidas como: categórica, ordinal, in-


tervalar e de escala de razão. As avaliações, quantitativa e qualitativa são
diferentes, mas não são excludentes, e sim complementares. A avaliação
qualitativa exclui a larga escala.

6. Formatos da Avaliação

A avaliação se dá nos formatos de:

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6.1 Avaliação de Desempenho Profissional

No sentido de conhecer o desempenho da relação do profissional com seu


trabalho e sua empresa, na busca de estratégias melhores e sempre mais
adequadas a cada realidade Institucional, além de identificar os vários ti-
pos de perfis pessoais e profissionais. Válido para profissionais de toda e
qualquer área, incluindo a área da Educação, com a avaliação de docente e
do discente no sentido de conhecer o desempenho da relação pedagógica
entre ambos.

6.2 Avaliação de Aprendizagem

Visão diagnóstica voltada para quem aprende (aluno de uma escola, profis-
sional em atualização etc...), no sentido de mapear o processo de aprendi-
zagem e seus resultados. Considera-se o ambiente de aprendizagem, como
sendo todo e qualquer espaço de discussão, reflexão e construção de novos
conhecimentos, existente em todo tipo de Organização.

6.3 Avaliação de Programas ou Projeto

Finita (início, meio e fim), gera indicadores, utiliza a lógica dos custos e
benefícios. Qual a maneira mais eficiente em termos de custo de se fazer
uma determinada ação, e quais os meios alternativos para se chegar aos
objetivos desejados e seus custos.
Programas e projetos, ainda que colocados sob o mesmo quadrante,
apresentam entre si algumas fortes diferenças.
Os projetos, quando aprovados, acontecem uma única vez, totalmente
programados com fases de inicio, meio e fim.
Um programa tem caráter atemporal, acontece sempre e é constituído
por um ou mais projetos ou ações.
Os programas podem ser organizados de várias formas e podem ter
diretrizes específicas e diferenciadas. Os elementos de um programa são
calendário específico, seleção de ingresso, acompanhamento, avaliação,
exclusão, conclusão, prorrogação e resultados. Além destes elementos te-
mos que ressaltar a característica de controle do programa que varia de
acordo com o tipo de programa. Para fins de esclarecimentos estaremos

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A AVALIAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO 9

denominando programa Tipo A e programa Tipo B e alguns exemplos


Brasileiros
No Tipo A não existe um calendário específico, acontece a qualquer
tempo; a seleção dos candidatos é documental e de legislação; tem acom-
panhamento semestral ou anual através de relatórios; a avaliação é feita
por relatórios; não tem exclusão, isto é, os participantes não podem ser
excluídos durante a realização do programa; pode-se não concluir, com
justificativas e algumas penalidades; existe prorrogação com avaliação de
justificativas; pode acontecer avaliação de resultados ou não. Neste caso, o
controle do processo é realizado pelo participante, que detém as decisões
de período de entrada, desempenho e conclusão.
No Tipo B existe um calendário com datas específicas; a seleção é
documental, por mérito em processo eliminatório; o acompanhamento é
semestral ou trimestral através de relatórios e provas; a avaliação é feita
por relatórios e provas; tem exclusão, isto é, os participantes podem ser
excluídos em função de seu desempenho; o término só existe com conclu-
são, podendo abandonar; existe prorrogação com avaliação de justificati-
vas; existe a avaliação de resultados. O controle do processo, neste tipo de
programa, é realizado pela instituição, que detém as decisões de período de
entrada, continuidade pelo desempenho e conclusão.
Exemplos destes processos são, no Tipo A, os programas de bolsa de
estudo e capacitação ou programa de apoio às pequenas empresas, e no
Tipo B, são os programas de cursos stricto sensu, programas de avaliação,
programas de fomento e apoio a empresas e instituições de pesquisa, edi-
tais de concorrência, seleção e outros.
Alguns programas de capacitação, o profissional que satisfizer os que-
sitos estipulados pelo programa, como: titulação, tempo de casa, tipo de
curso etc., terá a licença concedida para estudo durante o tempo do curso
desejado, no prazo máximo estipulado pela Instituição, na época que lhe
aprouver e sem outro tipo de processo seletivo.
O profissional inscrito deverá encaminhar à coordenação do programa
documentação comprobatória dos estudos e relatórios semestrais. Como os
períodos de entrada no programa e término dos estudos são determinados
pelos próprios participantes, cabe aos gestores do programa de capacitação
o acompanhamento anual/semestral de acesso, permanência dentro dos li-
mites fixados, e os resultados alcançados.

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10 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE INDICADORES

Os relatórios semestrais enviados pelos participantes constituem docu-


mentação histórica, a avaliação tem o objetivo apenas de comprovar a re-
alização dos trabalhos. Não é prevista nenhuma avaliação sobre mérito ou
relevância, nem ações intervencionistas.
Algumas variações podem ser observadas, de acordo com a instituição.
Existem programas que exigem a permanência na instituição por um tem-
po determinado, a partir de sua volta. Outras instituições exigem que o pro-
fissional realize ações determinadas, como criação de projetos, pesquisas
ou compromisso de alta produção técnica ou científica etc.
Um programa do Tipo B, como um programa de stricto sensu de uma
IES, tem seu calendário definido pela organização do programa que realiza
a condução de todo o processo. Os prazos são mais rígidos para entrada e
manutenção. A avaliação é periódica, podendo ocorrer exclusão, caso os
resultados parciais não sejam satisfatórios. Para a conclusão, por exemplo,
existem regras mais rígidas como o cumprimento de créditos e monografia
para a obtenção do diploma. Aceitam-se pedidos de prorrogação com aná-
lise de justificativa, não sendo somente um procedimento administrativo.
O Quadro 2 — Tipos de Programas sintetiza as características de pro-
cessos do Tipo A, que podem ser encontradas em Programas de Capacitação
Profissional ou Programa para Pequenas Empresas, e as características do pro-
grama do Tipo B que podem ser comprovadas em editais de concorrência, pro-
gramas de pós-graduação stricto sensu e programa de dedicação exclusiva.

QUADRO 2 — Tipos de Programas e suas Características


Elementos e
Programas Tipo A Programa Tipo B
Características
Programa de
Programa para Pós-Graduação
Capacitação Docente Prociência (dedicação
Pequenas Empresas Stricto Sensu
exclusiva)

Calendário específico Acontece a qualquer tempo Acontec e a qualquer Datas determinadas Datas determinadas
por solicitação do interessado. tempo por solicitação pela coordenação. pela coordenação.
Requer aprovação do do interessado.
colegiado do departamento e
conselho da unidade.

Seleção de ingresso Atendimento às diretrizes Requisitos de ingresso Requisitos de Requisitos de ingresso


administrativas. Avaliação de com processo de ingresso com com processo de
documentação. Aprovação pela seleção. processo de seleção seleção eliminatório e
Comissão (CECAD) da gestão eliminatório. classificatório.
do programa.

QUADRO 2 — Tipos de Programas e suas Características (cont.)

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