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A QUESTÃO BANDEIRANTE

A Querela Historiográfica entre Cortesão e Holanda (de Abril à Agosto de


1952)1

Douglas André Gonçalves Cavalheiro2

Introdução

Entre abril e agosto de 1952 os leitores dos suplementos literários de tiragens


dominicais, Diário Carioca e Diário de Notícias, presenciaram um aprofundado
debate historiográfico entre Sérgio Buarque de Holanda e Jaime Cortesão. Em
textos tangenciados por colunas escritas por Raquel de Queiroz, Tristão de Athayde
e poesias de Homero Homem – no caso do Diário de Notícias – e, crítica literária de
Otto Maria Carpeaux, textos de José Lins do Rego e poesia de Manuel Bandeira –do
Diário Carioca, demonstra um caráter distinto do jornalismo do início do século XX: a
maior influência francesa marcava o aspecto de textos opinativos sob a maneira da
escrita informativa e objetiva ao estilo norte-americano3.
No entanto, apesar do público acostumado com as múltiplas temáticas
abordadas pelos cadernos literários, essa questão indigesta se apresentou de forma
insólita aos leitores. Devido ao grau de complexidade e extensão, a querela foi
comentada pelo escritor Otto Lara Resende, imortal da academia brasileira de letras,
como uma polêmica monótona que poderia ser solucionada com uma mera ligação
telefônica. Contudo, a querela historiográfica é importante por ser capaz de relevar
diversos procedimentos do modus operandi sobre o ofício do historiador. A distinção

1 A pesquisa é resultado da investigação de iniciação científica de 01 de agosto de 2017 até 31 de


julho de 2018 sob a orientação do professor Dr. Renato Amado Peixoto, inserido no projeto: “As
fabricações de Jaime Cortesão: a formulação e construção da História da Cartografia, da Formação
Territorial do Brasil e das figuras de Alexandre de Gusmão e do Barão do Rio Branco entre 1930 e
1960”.
2 Possui licenciatura plena em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2010) e

mestrado em Filosofia, na área de Metafísica, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(2014). Atualmente é professor de filosofia da Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Rio
Grande do Norte. Também é graduando de História pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, e, bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq da base de pesquisa Cartografia Imaginária
(2015). Contato do e-mail: douglas.cavalheiro@gmail.com
3 A imprensa carioca passou por transformações ao longo da década de 1950. Entre esses pioneiros

estava o Diário Carioca (1928) que protagonizou uma modernização na gestão empresarial e na
maneira de escrita objetiva e na forma de tipografia das tiragens. Cf. Ribeiro, Ana Paula Goulart.
Imprensa História. Imprensa do Rio de Janeiro de 1950. Rio de Janeiro: ECO-UFRJ, 2000. Tese de
Doutorado.
interpretativa entre Sérgio Buarque de Holanda e Jaime Cortesão sobre a função
dos bandeirantes na expansão territorial do Brasil lança uma luz sobre a
compreensão da História dos Espaços. Pois, nessa categoria, a história surge como
um cenário teatral, construído, elaborado e fabricado diante de uma necessidade de
uma demanda. As delimitações do cenário representam significados para distintas
formações espaciais: no caso, a formação do Brasil. Os bandeirantes surgem nessa
narrativa como personagens, porém, o seu protagonismo é interpretado por um lado
na forma de heroica jornada épica lusitana – por Cortesão – e por outro lado como
uma tragédia das necessidades circunstanciais – por Holanda. Dessa forma, por
meio da querela é factível analisar a formação espacial do “saber sobre o espaço”
através da Cena de Escrita histórica.

A História dos Espaços: A Historiografia Espacial Paulista

A investigação sobre a querela entre Cortesão e Holanda se delineia a partir


da construção da historicidade dos bandeirantes, na qual, o responsável pela
formação territorial brasileira estaria sob um ideal geopolítico: a Ilha-Brasil. No
exame do tempo histórico, ao analisar o processo de construção do bandeirantismo,
a pesquisa segue a historicidade proposta por Araújo (2013), na qual afirma que a
historiografia possui uma história própria. Quanto ao aspecto sobre a constituição
espacial, a pesquisa baseia-se no processo de fabricação da cena historiográfica,
estabelecido por Peixoto (2014) através da ideia geopolítica da “ilha-Brasil”.
A modernidade transformou profundamente a concepção dos processos de
manufatura. Anteriormente, a função laboral alterava as matérias primas em objetos
de consumo com fim de atender uma demanda específica. Porém, com o advento da
Revolução Industrial, a produção tornou-se racionalmente sistematizada através de
um processo mecanizado a fim de atender uma demanda global. Essa fabricação
não foi uma exclusividade dos bens materiais, mas também sobre os bens culturais.
Nesse aspecto, a história se tornou fruto desse processo fabril visando atender as
demandas de determinados grupos sociais. “A historiografia como ciência é, por
definição, uma máquina de impropriedade, de transformação do tempo histórico em
objeto pronto para os mais diversos usos sociais” (ARAUJO, 2013, p.38). Logo, a
reificação da temporalidade em tempo histórico torna possível investigar a
transmissão dos acontecimentos passados sob a concepção de continuidade e
descontinuidade.
A partir da metodologia de uma história da historiografia é possível investigar
a concepção sobre os bandeirantes, em disputa por Cortesão e Holanda, sob uma
ótica de continuidade e descontinuidade. Jaime Cortesão, historiador lusitano, foi um
importante operador desse maquinário historiográfico no Brasil. Em virtude de
participar da comissão organizadora do IV Centenário da Cidade de São Paulo,
Cortesão defendia uma concepção apoteótica dos bandeirantes, ou seja, seguindo a
continuidade das concepções iniciadas por Afonso Taunay. Em contrapartida, numa
forma de descontinuidade, Sérgio Buarque de Holanda, na condição de Diretor do
Museu Paulista, apresenta uma perspectiva crítica em relação a atividade dos
bandeirantes, afirmando que as concepções de Cortesão consistiram numa tentativa
de construir uma mitologia sobre as atividades reais dos bandeirantes.
No que tange os aspectos hermenêuticos é preciso lançar uma compreensão
sobre o conceito de cenário, advindo da crítica literária e adaptado para análise
historiográfica por Peixoto (2005). Influenciado por Harold Bloom e Derrida, Peixoto
procura estabelecer uma compreensão das narrativas históricas como uma forma de
"saber sobre o espaço" que se constrói e se ressignifica por meio de uma "cena da
escritura". Todos os processos de construção sobre os cânones literários estão
sujeitos ao ato de releitura, transcendência e transgressão sobre uma provável
continuidade. Dessa forma, a definição da espacialidade da cena pode ir além da
compreensão usual de um local em que se desenvolve a representação cênica de
um enredo, sendo também um espaço de construção da historicidade na qual se
desenvolve a narrativa histórica. Tal como na concepção do Teatro da Crueldade, na
qual Antonin Artaud advoga uma ruptura na concepção clássica da distinção entre o
palco e a plateia, na qual, o espaço da representação, o cenário, estaria em
amálgama com a realidade, inserido numa contínua ressignificação sobre uma "nova
concepção de espaço".
Dessa forma, a concepção da "Ilha Brasil", apresentada por Cortesão, é
analisada pela história da historiografia como um cenário da produção histórica. Em
A Flecha e o Alvo, Peixoto (2014) apresenta que para investigação desse conceito
sobre a cena seria necessário: a) avaliar a finalidade do processo de criação da
narrativa historiográfica, b) abordar a performance do contexto social e político em
que são fabricadas as cenas históricas, c) inserir o produto do cenário historiográfico
em uma rede econômica sujeito a atender uma demanda, sendo por isso circulado e
divulgado visando ao consumo de determinados grupos sociais.
A partir dessa segmentação apresentada por Peixoto, o debate entre
Cortesão e Holanda será inicialmente apresentado a partir das diferentes finalidades
que foram abordadas as concepções historiográficas sobre a "ilha Brasil" e as ações
dos bandeirantes na formação do território do Brasil, apresentando,
consequentemente, o cenário político e social paulista, e, nacional, em que o enredo
do debate foi montado. Por fim, apresentar os grupos sociais que defendiam e
consumiam essa narrativa exposta tanto por Cortesão como por Holanda.

Espacialidade & Cenário Historiográfico: O contexto para a Cena de Escrita

Cortesão estava exilado de sua terra natal, porém, ainda gozava de prestígio
social devido ao seu cargo de Diretor da Biblioteca Nacional de Portugal. Através
dos conhecimentos de cartografia, Cortesão iniciou seu curso sobre a formação
territorial brasileira a partir dos estudos realizados no Ministério das Relações
Exteriores. Após organizar os manuscritos sobre a ocupação da região platina,
reunidos na Coleção de Angelis4, em 19515, Cortesão foi convidado para compor a
comissão organizadora do IV Centenário da Cidade de São Paulo, juntando esforços
com Francisco Matarazzo Sobrinho e Júlio Mesquita Filho. Nesse período Sérgio
Buarque de Holanda também já era um intelectual consagrado, ocupava o cargo de
diretor do Museu Paulista desde 1946, e, quando esteve na Alemanha em 1929, foi
jornalista correspondente do periódico Diários Associados. Durante a década de
1950, escrevia para coluna literária do Diário Carioca e dava aulas na Faculdade de
Filosofia em Sorocaba. Socialista convicto e atuante, Holanda participou da
fundação do Partido Socialista Brasileiro e lançou sua candidatura para vereador de
São Paulo em 1947.
O objeto central abordado pela querela entre Cortesão e Holanda é a
natureza dos bandeirantes e as suas responsabilidades na formação territorial do
4 O professor napolitano Pedro de Angelis (1784 – 1859) era secretário das Relações Exteriores em
Paris após as guerras napoleônicas. Em 1927 foi convidado por Bernardino Rivadávia, presidente da
Argentina, para se estabelecer em Buenos Aires. Durante esse período reuniu uma coleção de livros,
documentos, cerca de 90 mapas. De Angelis catalogou numa coleção de obras impressas sobre a
região do Rio da Plata. Posteriormente, esse material foi adquirido por D. Pedro II, em 1853 e passou
a integrar o acervo da Biblioteca Pública da Corte, atualmente conhecida como Biblioteca Nacional.
5 Cf. Manuscritos da Coleção De Angelis. 1. Jesuítas e Bandeirantes no Guairá. Biblioteca Nacional.

Divisão de Obras Raras. Rio de Janeiro, 1951),


Brasil. Segundo Cortesão, as expedições das bandeiras foram insimuladas e
patrocinadas pela coroa portuguesa, que desde as projeções cartográficas do século
XVI, já possuía a concepção de que o território colonial do Brasil seria uma ilha
continental circunscrita entre os fluxos dos rios e o oceano atlântico. Sob essa ideia
geopolítica da Ilha-Brasil, os portugueses reivindicavam o espaço interior do
continente. Para isso, realizaram uma série de expedições na busca por reivindicar
essa espacialidade para Portugal. Dessa maneira, Cortesão fundamenta que o
fenômeno dos bandeirantes é puramente lusitano, inspirado nos mesmo ideais
expansionistas que geraram as Grandes Navegações séculos anteriores. Em
contrapartida, Holanda discorda dessa concepção de uma ocupação organizada e
pré-estabelecida pela coroa lusitana. Os bandeirantes seriam um fruto da
miscigenação indígena e de lusitanos, na qual, devido a escassez material
buscavam metais preciosos e escravizavam indígenas, também executando papéis
de soldados mercenários nas lutas contra quilombos, como o caso de Palmares, e,
no interior do Nordeste na Guerra dos Bárbaros. Portanto, a expansão territorial do
Brasil realizada pelos bandeirantes não foi resultando de uma ação cosmopolita e
civilizatória, mas, marcada pela violência decorrente de uma escassez de uma
economia sustentável.
Por meio de uma análise da história sobre a historiografia do movimento
bandeirante, à luz do cenário social e político em que se encontrava o Brasil durante
1952, é compreensível a forma do discurso que foram fabricados na Questão
Bandeirante. No cenário nacional, a política apresentava no princípio de crise uma
frágil aliança política. Vargas conseguia governar com uma maioria simples no
congresso. Sua política externa e econômica era constantemente criticada pelo
Clube Militar carioca e o empresariado paulista. Tudo isso, em meio das
comemorações do IV Centenário de São Paulo, farão com que Cortesão e Holanda
transformem os bandeirantes em protagonistas da identidade paulista diante da crise
nacional.
O enredo desse debate foi elaborado num cenário social e político de tensões
regionais e nacionais. Em 1952, as tensões políticas se iniciavam dentro das classes
militares. Em março foi formada a chapa conservadora Cruzada Democrática para
as eleições do Clube Militar, composto pelos generais Alcides Etchegoyen e
Canrobert Pereira da Costa que derrotou a chapa nacionalista dos generais Estillac
Leal e Horta Barbosa. Os membros conservadores se posicionavam contrários à
política nacionalista de Vargas, principalmente sobre o discurso nacionalista da
campanha do O Petróleo É Nosso. Outro aspecto que chamava atenção apenas não
só dos militares, mas também dos empresários paulistas, foram as manifestações
sindicais em favor do reajuste do salário mínimo. Desde sua criação em 1942, o
salário mínimo não possuía nenhum reajuste e com a constante desvalorização
devido a inflação as manifestações públicas evoluíram exponencialmente. "O
número de grevistas cresce no país de ano para ano, passando de 264 mil em 1951,
para 411 mil em 1952 e a cerca de um milhão em 1953." (PRESTES, 1954,).
O cenário do governo estadual paulista refletia o aspecto nacional da frágil
aliança de Getúlio Vargas (PTB) e Adhemar de Barros (PSP) durante as eleições de
1950. Getúlio Vargas eleito presidente pelo PTB em conjunto com seu vice-
presidente, Café Filho, indicado por Adhemar de Barros. O PSP também fizera seu
sucessor no governo do estado de São Paulo com a vitória de Lucas Nogueira
Garcez. Porém, a elite paulista possuía uma ojeriza em relação ao trabalhismo de
Vargas desde os conflitos militares que ocorreram em 1932 e o golpe do Estado
Novo de 1937 "foi mais um motivo de rusga entre boa parte dos políticos e da
imprensa paulista com Vargas, uma vez que o governador de São Paulo, Armando
Sales de Oliveira, seria um dos nomes que concorreria ao cargo de presidente na
eleição que seria realizada em 1938." (FIDELIS, 2013). Armando de Sales Oliveira
era cunhado de Júlio Mesquita Filho, chefe do periódico O Estado de São Paulo, e,
grande opositor do regime de Getúlio Vargas, sendo por esse motivo preso e
exilado.
Em retorno ao Brasil, Mesquita vai integrar os setores políticos de oposição
ao Estado Novo, ingressando na União Democrática Nacional (UDN). Nesse
momento, a UDN integrava todos opositores do regime de Vargas, incluindo
intelectuais socialistas, como Sérgio Buarque de Holanda, que posteriormente, em
1947, irão fundar o Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Na ocasião do debate, Sérgio Buarque de Holanda era diretor do Museu
Paulista e Jaime Cortesão tinha sido chamado para fazer parte da comissão
organizadora do IV Centenário da cidade de São Paulo. Nessa condição, Cortesão
aproximou-se da elite paulista que organizava o evento, como Francisco Matarazzo
Sobrinho, o Ciccilo, e Júlio Mesquita Filho. Dessa maneira, a narrativa historiográfica
de Cortesão estava sintetizada na construção do cenário anti-vargas que se
orientava pelas organizações do IV Centenário da cidade de São Paulo. As críticas
de Holanda também não ficam fora desse cenário. Socialista e candidato a vereador
em São Paulo pelo Partido Socialista Brasileiro em 1947, Sérgio Buarque de
Holanda apresentava uma orientação crítica de esquerda ao regime político
nacional. A partir da conjuntura desse cenário político e social é possível observar
que Cortesão e Holanda se encontram em grupos rivais ao trabalhismo. Contudo a
narrativa de Cortesão será consumida e utilizada pelo grupo conservador da elite
paulista, no caso os Matarazzo e os Mesquita. Já a narrativa histórica de Holanda
sobre as finalidades do bandeirantismo vai estar associada aos grupos socialistas,
que possuíam em seu escopo críticas de esquerda ao governo Vargas.
A construção historiográfica dos bandeirantes como uma marca do
sentimento de orgulho paulista se iniciou já durante a década de 1920, durante o
contexto dos eventos comemorativos do centenário da independência brasileira. Era
preciso a fabricação de um discurso que integrasse o cenário da nacionalidade aos
aspectos regionais paulistas, e, a figura do bandeirante vai ser esse protagonista.
"Na historiografia paulista produzida nesse período as ideias de conquista e
civilização aparecem relacionadas com qualidades que as elites desejavam ver o
Brasil da época, tais como progresso, modernidade, riqueza e integração territorial."
(RAIMUNDO, 2012).
Os construtores dessa narrativa histórica reuniram mentes como Ellis Junior,
Alcântara Machado, Afonso Taunay e Basílio de Magalhães. Para elaboração
dessas narrativas, Afonso Taunay e Basílio Magalhães deram ênfase nas expansões
territoriais das bandeiras: "Alfredo Ellis Junior, numa mesma linha de exaltação
trabalhou para demonstrar a existência de uma estirpe paulista e Alcântara Machado
distanciou-se um pouco dos demais, estudou as condições econômicas da
sociedade seiscentista." (RAIMUNDO, 2012).
O surgimento dessas narrativas historiográficas sobre as bandeiras e
bandeirantes ocorreram no mandato do governador Washington Luís (1920-1924),
que foi responsável pela modernização do Arquivo do Estado de São Paulo, assim
como o Museu do Ipiranga que foi reformado e transformado em Museu Paulista,
que na direção de Afonso de Taunay passou a ter ênfase na história paulista
centrada na figura dos bandeirantes. Washington Luís procurava, dessa maneira,
apresentar um discurso sobre o sentimento regional paulista, que associado em sua
gestão, será um fator decisivo para sua futura candidatura para presidente nas
eleições de 1926. Enquanto o presidente Epitácio Pessoa centralizou as
comemorações do centenário da independência no Rio de Janeiro, Washington Luís
escolheu por uma festividade de caráter cívico. "As concepções que nortearam a
organização das duas festas caminharam em direções bem distintas. Se no Rio de
Janeiro as discussões giraram em torno da ideia de modernidade, em São Paulo,
vinculou-se a valores históricos locais." (RAIMUNDO, 2012).
Por isso, é possível inserir o debate entre Cortesão e Holanda no cenário
historiográfico sobre a condição dos bandeirantes, associando esses elementos aos
contextos políticos regionais e nacionais da década de 1950. Nesse momento em
que a elite paulista procurava representar, diante do IV Centenário da cidade de São
Paulo, uma proposta política alternativa as correntes populistas: o trabalhismo de
Vargas e ao social-progressivismo de Adhemar de Barros.
As fabricações de Jaime Cortesão vão produzir uma narrativa inovadora em
relação a condição dos bandeirantes paulistas. Somados com os estudos
cartográficos, técnica e objetos escassos aos estudiosos paulistas da década de
1920, Cortesão vai afirmar que as expansões dos bandeirantes obedeceram a um
plano de expansão territorial. Os bandeirantes não seriam representantes da
identidade brasileira, mas, do sentimento expansivo lusitano, tal qual foram durante
as Navegações. Os bandeirantes seriam, portanto, movidos por concepções da
cosmografia da geopolítica, mas não por meros interesses econômicos. Desde o
século XVI, os cartógrafos portugueses mapearam o território brasileiro instruído
pelo modelo da Ilha Brasil, na qual toda espacialidade interior seria contornada pelos
rios, no norte amazônico e no sul pela bacia platina, que circunscreveriam o espaço
insular inserido no continente americano. Por isso, Cortesão afirma que apenas a
colaboração do ameríndio não poderia "explicar a expansão territorial, por vez
fulminante do Estado brasileiro, não podemos esquecer que o português deu - o que
é essencial- consciência, direção, sentido político ao ímpeto e a cultura
expansionista aborígene." (CORTESÃO, 1952b, p.4).
Entre as principais referências historiográficas que abordaram a temática
dessa querela, entre Cortesão e Holanda, foram trabalhos publicados: Oliveira
(2012) Ribeiro (2015) e Rêgo (2016). É possível apresentar essas recentes
produções inseridas no discurso sobre a definição da espacialidade sertaneja e
interiorana do Brasil, centrados nos fundamentos cartográficos expostos por
Cortesão. No caso, a tese de doutorado de Oliveira (2012) é fundamentada pelo viés
de uma metodologia da História Econômica, na qual visa observar as cartografias
sertanejas da ocupação do Mato Grosso para relacionar com as formações dos
aspectos econômicos da espacialidade. Já a dissertação de Ribeiro (2015) se
destaca pelas interações pessoais de Cortesão no Brasil, priorizando pela sua
atuação como organizador do IV Centenário da cidade de São Paulo, na qual, por
meio de uma investigação museológica sobre a criação de um espaço da memória
paulista por meio da Exposição História da Cidade de São Paulo. E por fim, o artigo
científico de Rêgo que utiliza a cartografia de Cortesão para apresentar a concepção
imaginária sobre o interior do Brasil. Todos os trabalhos abordaram a questão sobre
a espacialidade e a construção do cenário da Ilha-Brasil, contudo, não houve
referências detalhadas aos protagonistas centrais que Cortesão tanto pesquisou e
debateu com Holanda: os Bandeirantes. Dessa maneira, é possível redimensionar o
cenário historiográfico do debate Cortesão e Holanda além dos aspectos sobre a
espacialidade, mas como também diferentes interpretações sobre a função dos
bandeirantes na ocupação territorial brasileira.

O Bandeirante entra em Cena: análise sobre a querela de Cortesão & Holanda

A fabricação historiográfica sobre a questão dos Bandeirantes ocorreu entre


abril e julho de 1952 nos periódico Diário Carioca e Diário de Noticias, ambos
cariocas, e posteriormente em agosto republicado n’O Estadão, da cidade de São
Paulo. O debate teve seu início em 6 de abril de 1952, com questões elaboradas por
Sérgio Buarque de Holanda, em sua coluna do periódico Diário Carioca, presente no
caderno dominical Letras e Artes.
Na ocasião das publicações dos Manuscritos da Coleção de Angelis editadas
sob a supervisão de Jaime Cortesão, em 1951. No artigo denominado Lenda Negra,
Holanda, a partir das concepções historiográficas de Leopold von Ranke, afirma
sobre a importância dos documentos para fundamentar uma pesquisa histórica,
evitando a elaboração de narrativas históricas que sejam frutos de meras
conjecturas imaginárias. Na reunião da documentação da Coleção Angelis sobre a
ocupação na região do Guairá, região fronteiriça do Paraná com Mato Grosso do Sul
e Paraguai, Holanda comenta que esse empreendimento teria uma finalidade de
poder absorver os bandeirantes do seu “legado negro”. Através da documentação,
Holanda atenta ao episódio em que os jesuítas teriam usado o poder de fogo contra
os bandeirantes em 1618.
E que dez anos mais tarde, sem terem licenças para isso, utilizavam
nas contra os bandeirantes, embora acentuado, em documentos
oficiais, que continuavam indefesos.
Para quem se preocupe em absorver os bandeirantes da espécie de
“legenda negra” que ainda hoje os envolve não será sem interesse
observar estas curiosas contradições. Figurantes mudos de nossa
história, é em grande parte pelo testemunho de outros, de seus mais
apaixonados inimigos e de suas vítimas que conhecemos certos
pormenores de sua obra. Agora, a palavra desses inimigos irá
ajudarmos a melhorar o retrato, por vezes infiel, que deles nos foi
legado. (HOLANDA, 1952a, p. 6).

No artigo, Holanda elogia o trabalho realizado por Cortesão em organizar e


torná-los acessível, pois assim possibilita denunciar o legado obscuro das ações de
violência dos bandeirantes. Holanda advoga que os manuscritos possibilitam a uma
melhor compreensão desses personagens tão importante para história da formação
territorial do Brasil, que nada deixaram escrito.
Posteriormente, no artigo História e Geopolítica, publicado no dia 13 de abril
de 1952, Holanda procura apresentar concepções antagônicas aos aspectos
defendidos por Cortesão. Holanda concordou com a perspectiva de Cortesão de que
os bandeirantes eram dotados de patriotismo lusitano e um forte sentimento anti-
hispânico, contudo, Holanda hesitou em aceitar que a atividade dos bandeirantes
estivesse inserida numa ação intencional e organizada através de um planejamento
geopolítico arquitetado pela coroa portuguesa, pois, em sua concepção, os
bandeirantes ao tomarem suas iniciativas de desbravamento além do território do
Tratado de Tordesilhas estariam contra as ordens da coroa lusitana. Nesse
questionamento sobre a tese de Cortesão foi utilizado como exemplo as expedições
de Aleixo Garcia que seria animada por notícias de “terras ocidentais, ricas em metal
precioso, não pode ser invocada sem reserva em favor da tese, quando a própria
nacionalidade portuguesa do pioneiro continua sujeita a consternações”.
(HOLANDA, 1952b, p. 6). Outro aspecto é abordado sobre o padre jesuíta Manuel
da Nóbrega:
E se Nóbrega, jesuíta português “pensou em alagar conjuntamente
as missões portuguesas e a soberania nacional até o Paraguai”,
segundo nota ainda o sr. Cortesão, pode-se lembrar que o desígnio
de alagar tanto aquelas missões fora animado pelo próprio capitão
espanhol do Paraguai, prova de que não via nele nenhum perigo de
extensão da soberania portuguesa. E embora Nóbrega tenha a
princípio alimentado dúvidas sobre o direito dos castelhanos sobre
Assunção, conforme se depreendo de uma das suas cartas, mais
tarde voltou aparentemente atrás e passou a chamar-lhe por várias
vezes “ferra do Imperador”, originando-se ao mesmo tempo em
defensor dos castelhanos contra portugueses e tupis que os
molestavam. (HOLANDA, 1952b, p. 6).

Em respostas aos apontamentos abordados por Holanda, Jaime Cortesão


escreveu no Diário de Notícias, em 18 de maio de 1952, intitulado: Aleixo Garcia –
descobridor de humanidades. Ao abordar sobre a expedição do bandeirante, que
teria acessado a região do atual Paraguai, durante o século XVI, através dos
caminhos de Peabiru, Cortesão ironiza ao questionamento elaborado por Holanda
sobre a nacionalidade de Aleixo Garcia:

O português? Esta é a primeira dúvida que nos opõe Sérgio Buarque


de Holanda. Permita-nos o crítico eminente recorda-lhe que ainda em
junho de 1948 ele falava, sem restrição alguma do “empreendimento
desse português” no seu notável ensaio: Expansão Paulista em fins
do século XVI e princípio do século XVII. Diz-nos agora que “a
nacionalidade portuguesa de Aleixo Garcia continua sujeita a
contestações”. É nós candidamente confessarmos ignorar que
espécie de razões, de razões sérias, ode fundamentar a dúvida,
quando aquela nacionalidade é afirmada pelo escrivão consista da
expedição de Alvar Nuñes Cabreza de Vaca (1541), isto é, quando
parte dos castelhanos, contemporâneos de Garcia e que
percorreram, uma grande parte, o seu itinerário; ou pelo hispano-
paraguaio Rui Diaz de Gusman, que privou no Paraguai com um filho
de Aleixo. (CORTESÃO, 1952a, p. 01).

Em 15 de junho de 1952, essa temática foi retomada por Holanda no artigo


Tentativa de Mitologia, titulação que se tornaria usada para edição do livro
homônimo em 1970. Nesse momento, Holanda agradece as considerações
realizadas por Cortesão às suas questões anteriormente esboçadas. Contudo,
Holanda ainda permanece crítico em aceitar de que a expansão dos bandeirantes
fosse uma ação lógica, orgânica, deliberada intencionalmente pela coroa lusitana e
legitimada pela fundamentação geopolítica da concepção de que o Brasil possuiria
em sua cartografia o formato de ilha. Encerrando essa etapa, Holanda afirma que
comentará sobre a natureza mitológica sobre a concepção geopolítica de que o
território brasileiro seria uma ilha, “pois o mito é o meio mais fecundo de se submeter
as gentes a uma dieta rigorosa, que encaminho os seus intentos e suas vontades a
certos fins magníficos, embora só obscuramente suspeitados” (HOLANDA, 1952c, p.
6). Holanda prossegue em suas críticas e afirma: “a noção dos chamados ‘limites
naturais’ não a encontro em nenhum dos seus escritos, mas é evidente que ela
preside para ele, aquela noção de unidade.” (HOLANDA, 1952c, p. 6). Dessa forma,
Holanda estabelece seus postulados no maior de todos seus artigos críticos ao
Jaime Cortesão - A Ilha Brasil, dividido em três partes: a primeira parte publicada em
22 de junho, a segunda em 29 de junho e a conclusão em 06 de julho. Nesses
escritos, Holanda reúne toda suas abordagens realizadas e aponta que as hipóteses
de Cortesão não são propriamente fundamentada pela documentação dos
manuscritos da Coleção De Angelis, mas, interpretações subjetivas sobre os
acontecimentos históricos.

E, por outro lado, aos momentos em que se racionalizam as


confusas aspirações é quando justamente, costumam reportar certas
razões contrárias, hesitações, ponderações amolecedora de toda
vontade e disciplina. Apenas não é difícil que esses mitos aflorem por
vezes à consciência, e o próprio sr. Cortesão nota que alguns
bandeirantes – e que se dirá dos sábios cartógrafos que, segundo
seus respectivos interesses nacionais, deslocavam caprichosamente
o traçado de Tordesilhas? - obedeciam àquela aspiração latente,
mas não deixavam, ao mesmo tempo, de perseguir um “plano
deliberado”. (HOLANDA, 1952d, p. 6)

Nesse ínterim, Cortesão escreveu suas resposta em três textos ao Diário de


Notícias: em 01 de junho de 1952, intitulado Obedeceu a um plano a expansão do
Brasil?; em 13 de julho de 1952, a Introdução ao debate sobre a Ilha-Brasil e em 27
de julho de 1952, Portugueses e Espanhóis na América. Posteriormente, esses
textos foram publicados em agosto pelo periódico paulista Estadão. Em forma
sintética, Cortesão expõe em oito tópicos suas ideias: I – Devido as experiências
marítimas, os portugueses teriam amadurecido cosmograficamente, fazendo
observar as extensões de terra de maneira geopolítica; II – O nome geo-mítico, Ilha
Brasil, foi a maneira como se poderia nomear as hipóteses geográficas que Portugal
teria para com o Brasil; III – Essa etapa geomítica foi fruto da relação dos
portugueses com a cultura tupi-guarani; IV – As cartas portuguesas do século XVI e
XVII sempre demonstravam o meridiano de Tordesilhas englobando o vale do prata
na soberania portuguesa; V – o conceito de Ilha-Brasil identifica a soberania
portuguesa através de uma unidade geográfica e cultural; VI – o mito da Ilha-Brasil
remonta ao governo Mem de Sá; VII – Alexandre Gusmão ao estabelecer o Tratado
de Madri circunscreveu toda vasta área de florestas, serras, cachoeiras e regiões
alagadiças como marcos de fronteira VIII – o processo evolutivo territorial do Brasil
evoluiu aos poucos do mito para as claridades políticas através das ações iniciais
dos bandeirantes e posteriormente racionalizadas pela diplomacia de Alexandre
Gusmão e Barão do Rio Branco. (CORTESÃO, 1952b, p. 01).
Dessa maneira, Cortesão fundamenta sua perspectiva de que os
bandeirantes eram um híbrido entre portugueses e indígenas, um conhecimento
anfíbio de cartografia lusitana e nativa do território, permite que se observem as
atividades expansionistas dos bandeirantes como uma realização do sentimento
lusitano, algo muito além do que é delimitado pela crítica de Holanda.

É na semelhança de métodos e processos de penetração, que


conservam as explorações levantadas a cabo pelos portugueses na
África e na Ásia, com a obra realizada pelos que determinaram o
recuo do meridiano de Tordesilhas, que se poderá encontra a causa
do sucesso obtido pelos construtores do Brasil geográfico.
E mais categoricamente:
“O bandeirantismo, na sua essência, é um fenômeno
eminentemente, visceralmente português”.
O nacionalismo luso, onde ele se esconda, está vingado.
(CORTESÃO, 1952c, p. 01).

Considerações Finais

A Questão dos Bandeirantes retrata duas possibilidades de visão sobre o


sentimento paulista diante da formação espacial territorial do Brasil. De um lado, a
perspectiva de Cortesão que compreende os bandeirantes como fruto da ação
expansionista e cosmopolita lusitana. As ações foram planejadas através da
concepção de que a croa lusitana concebia o território brasileiro como uma ilha
circunscrita no continente americano. Por outro lado, uma posição crítica dessa
perspectiva será a de Holanda, o qual advoga que os bandeirantes são resultado
espontâneo da miscigenação entre portugueses e indígenas, e apenas buscavam
metais preciosos e lutavam como mercenários em conflitos. Para Cortesão o
expansionismo do território brasileiro seria resultado de um cosmopolitismo lusitano,
por outro lado, Holanda compreende que essa cordialidade dos bandeirantes foi
resultado de atividades violentas.
Repensar a concepção das bandeirantes à luz da historiografia permite
compreender a função do paulista diante do cenário de crise nacional. A concepção
otimista sobre os bandeirantes de Cortesão serviu como unidade discursiva durante
a comemoração do IV Centenário de São Paulo, que foi usado pela elite paulista,
todos desgostosos com a administração federal de Getúlio Vargas. No entanto, a
crítica de Holanda visava destituir o entusiasmo do discurso paulista, no qual,
apresentava um perigo tão eminente quanto as medidas autoritárias que foram
resultados da administração de Getúlio Vargas.

Referências Metodológicas

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