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AULA 2 – MACONHA E DERIVADOS

1 CONCEITOS

Droga de abuso é qualquer substância que modifica, aumenta, inibe ou


reforça as funções fisiológicas, psicológicas ou imunológicas do organismo de
maneira transitória ou permanente, ou seja, é a droga propriamente dita como
heroína e crack, são substâncias que viciam e causam dependência, sendo o
contrário das drogas de uso indevido que possuem um fim terapêutico, ou seja,
são permitidas para determinada utilização e as pessoas fazem uso para outros
fins, como os opiáceos, e na maioria das vezes são substâncias com fim
terapêutico para dor, como analgésicos e as pessoas utilizam como se fosse
uma droga de abuso, hoje em dia a que mais temos ouvido falar é a cack,
ketamina, que é um anestésico para cavalo e as pessoas utilizam como droga
recreativa nas baladas.

Tolerância ocorre quando a droga não realiza mais o efeito desejado na


pessoa porque seu corpo já se acostumou a droga e a dependência é a
necessidade da droga, não conseguir ficar sem e está extremamente
relacionada com o vício, já a abstinência é quando se tem dependência e tiram
isso de você.

2 INTRODUÇÃO / HISTÓRICO

A maconha entra na classe de drogas que não causam dependência, o


que é debatido, uns defendem que há dependência e outros que não, mas o que
ocorre é uma dependência física da maconha e não psíquica. Na verdade ao
falarmos maconha estamos generalizando, pois a planta que origina a maconha,
que muitos falam Cannabis sativa, mas na verdade seu nome primitivo é
Cânhamo, origina diversas outras drogas, não só a maconha.

É um arbusto pequeno, possui origem asiática, não sendo natural das


américas e sim foi trazida, tem seus primeiros relatos em 2723 a.C, e era utilizada
na China para dores reumáticas, constipação intestinal, enfermidade do aparelho
do reprodutor feminino e malária. No Brasil seu uso começou devido a
colonização e era utilizada devido suas fibras para a produção de tecidos e até
mesmo papel e fins recreativos até que se difundiu pela população.
3 ESTATÍSTICAS DE CONSUMO

Alguns dados em relação estatística são importantes para entendermos o


motivo da maconha ser muito importante para nós no ponto de vista da
toxicologia social.

A maconha é a mais barata de todas as drogas e por esse motivo é muito


popular no Brasil inteiro, existindo uma grande diferença em relação a
quantidade de usuários de maconha e de outra drogas. Se pegarmos a
prevalência do uso de diversas drogas, na América do Sul são estimados 15
milhões de usuários de maconha, um número baixo se pensar em população,
mas alto se pensar em outras drogas.

Em relação a estimativa de produção dessa droga são 185 toneladas


anuais, se for considerar que é uma planta de cultivo proibido, as pessoas estão
escondendo bem, e isso é um número estimado, o que temos de concreto são
as apreensões, e por ano são 11,2 toneladas, uma quantidade considerada de
plantas, uma vez que não existem leis que obriguem a polícia fazer o
recolhimento desse material.

O Brasil é um dos países que mais consome maconha do mundo, porém,


se pegarmos o mapa das principais drogas problema nós não vemos a maconha
aparecendo em praticamente parte nenhuma da América, sendo a principal
droga problema nas Américas a cocaína, isso porque a maconha é considerada
uma droga leve em comparação com as outras drogas e ela não leva
necessariamente a criminalidade e violência.

A maconha não é considerada um problema de toxicologia social no


Brasil, porém, é considerada uma droga de ponto de entrada para outras drogas,
não é uma lei, mas existe uma certa tendência de se começar a ter contato com
grupos de usuários de outras drogas e passar para drogas “mais pesadas” como
ecstasy, heroína, morfina, que possuem um perfil de toxicidade bem maior.
Normalmente tem-se uma sequência cultural em que começa com tabaco, evolui
para a maconha e depois para outras drogas, mas muitas vezes não tem essa
linha tabaco  maconha, o tabaco está caindo em desuso atualmente. Mas
segundo a ONU, o consumo de Cannabis quase sempre precede o uso de outras
drogas ilícitas, incluindo a cocaína, metanfetamina, alucinógenos (incluindo LSD
e ecstasy), medicamentos obtidos ilegalmente, e opiáceos, como heroína ou
morfina.

4 BOTÂNICA E FITOQUÍMICA

Em relação a fitoquímica, a planta possui 489 substâncias diferentes com


18 classes químicas, sendo os principais óleos essenciais, flavonoide, açúcar,
aminoácido, ácidos graxos, compostos nitrogenados e os mais importantes em
relação à atividade farmacológica e atividade psicoativa são os terpenofenóis,
em que desses existe uma classe de compostos chamada canabinoides,
constituída por 70substâncias especificas da planta, que só existem no cânhamo
e dentre essas substâncias algumas são consideradas psicoativas e outras que
não são psicoativas

Ser psicoativa é causar efeito psicológico, causar efeito recreativo e


“dependência” e são essas substâncias que proporcionam os efeitos procurados
na droga.

 Canabinoides psicoativos (Δ8-THC, Δ9-THC)


 Canabinoides não psicoativos (canabidiol)

O THC, (-)∆9 trans-tetrahydrocannabinol, é a principal substância ativa,


possuindo o maior efeito psicoativo dentre todas as outras presentes na planta,
e sua porcentagem varia muito de acordo com a parte da planta utilizada. Se
pensarmos que o principal representante da Cannabis é a folha, ela possui bem
menos THC do que as flores, o que influencia na produção das drogas e sua
utilização.

 Folhas: 1 a 2% de THC
 Flores: 10 a 12% de THC
 Caules: 0,1 a 0,3% de THC

A diferença é tão grande que as vezes ocorre apreensão da droga e a


triagem inicial dá falso-negativo, pois a maconha é muito contaminada, muito
adulterada, e muitas vezes vem misturada com outras plantas e até mesmo
esterco, além de poder ser um problema de amostragem, existindo a
possibilidade de que a amostra para fazer o teste tem pouco THC, podendo ser
uma parte do caule, tendo outras partes misturadas e por isso nunca descartar,
pois triagem nunca tem um resultado conclusivo.

O THC é a principal substância, possui propriedades farmacológicas


interessantes, causa euforia, é anti-inflamatório, analgésico anti-hemético. A
propriedade anti-hemética é muito pronunciada na utilização da maconha por via
oral ou via inalatória pelo trato respiratório, e chamou muita atenção ao longo do
tempo para o desenvolvimento de substâncias com o mesmo efeito anti-
hemético da maconha tanto que tem muitas pessoas com alguma doença no
estágio terminal que recorrem ao uso da maconha a fim de não sentir muita dor
devido a analgesia e os vômitos que o tratamento causa, sendo um efeito
bastante importante da maconha. O THCA, (-)∆9 trans-ácido
tetrahydrocannabinolico é o precursor do THC e possui uma atividade
antibacteriana e antibiótica.

O canabinol (CBN) é um sedativo, assim, na mesma planta temos uma


substância que causa euforia e outra que causa sedação, o efeito que o usuário
irá sentir depende de qual está em maior concentração na droga e da
susceptibilidade. Já o canabidiol (CBD) possui uma atividade antiespasmódica e
com isso, pessoas com epilepsia são beneficiados com seu uso.
Essas 4 primeiras são mais interessantes para nós, mas temos também
temos o cannabigeral (CBG), que possui atividade antifúngica e o
cannabicromeno (CBC) que é antifúngico e analgésico.

Em termo de geração desses compostos, tudo parte do ácido


canabigerólico, que vai dar origem a 3 vias principais:

O ácido canabigerólico origina o ácido canabidiólico que origina o


canabidiol, que não possui atividade psicoativa, não causando alucinações,
euforia, sendo sua principal atividade antiespasmótica. Já a via do ácido
tetraidrocanabinólico gera o canabinol que possui atividades psicoativas, menos
que o THC, mas tem. E a terceira via gera o canabicromeno que tem propriedade
anti-fúngica e analgésica. Assim, é a via do meio que nos interessa em termos
de efeitos psicoativas e recreativos.

O canabidiol não interage com os receptores canabinoides, não tem


atividade psicoativa. A RDC 17 de 2015 liberou o canabidiol para utilização como
último recurso caso nenhum outro tratamento tenha surgido efeito, é uma
substância antiespasmódica, utilizada em crianças e adolescentes com epilepsia
e tratamento de náuseas e vômitos recorrentes da quimioterapia.

O produto na portaria 344 que trata sobre substâncias de uso proibido ou


controlado saiu da lista F, lista das substâncias proscritas, ou seja, e foi para a
lista dos controlados, O CANABIDIOL, A CANNABIS CONTINUA PROIBIDA NO
BRASIL. O que foi legalizado foi a importação dessa substância, a sua produção
no Brasil ainda não é regulamentada, existe o tramite para isso acontecer, mas
o que tem de concreto é que se precisou o médico vai prescrever, entra com o
pedido na Anvisa para poder trazer de algum país que comercialize, como
Canadá, Espanha e Inglaterra que produzem esse óleo, pois o canabidiol é um
óleo bastante lipofílico. Assim a RDC define os critérios e os procedimentos para
a importação em caracter de excepcionaldade, de produto a base de canabidiol
em associação com outros canabinóides, por pessoa física, para uso próprio,
mediante a prescrição de profissional legalmente habilitado, para
TRATAMENTO DE SAÚDE.

Os principais produtos derivados da maconha ou do óleo da maconha


(canabidiol) como o Marinol e Cesamet são canabinoides sintéticos com efeitos
parecidos com o dos canabinoides e por serem sintéticas são permitidas nos
países e possuem efeitos parecidos com o da maconha, efeitos sedativos para
pessoas em tratamento com doenças como câncer, AIDS. Um outro foi muito
utilizado no Brasil entre 2006 a 2008, conhecido como super pílula queimava
gordura da região abdominal, e foi baseado na maconha, sendo um antagonista
da mesma, a maconha faz com que a pessoa sinta fome, ele produziram uma
substância que bloqueava os receptores canabinoides, consequentemente
bloqueava o apetite e por um mecanismo desconhecido causava a destruição da
gordura abdominal, porém teve um pequeno problema, pois os receptores
canabinoides não estão ligados somente a sensação de fome, mas também a
sensação de prazer, a pessoa ficava magra e depressiva e isso gerou suicídios,
o que fez com que o produto fosse retirado do mercado.

Os fitocanabinoides (substâncias presentes na planta) estão na forma de


ácidos carboxílicos na planta in natura, não tendo assim efeitos psicoativos. Para
produzirem efeitos psicoativos, os ácidos carboxílicos precisam ser
descarboxilados, assim o ácido tetraidrocanabinólico precisa virar
tetraidrocanabinol, e isso acontece através de processos como:

 Ressecamento: deixar a planta secando já começa esse processo de


produção da substância psicoativa
 Estocagem: se for no escuro ajuda também na geração dessas
substância, porém o THC é fotossensível, assim, se a planta for estocada
no sol terá menos efeito psicoativo.
 Pirólise: quando a Cannabis é fumada ocorre a conversão na hora dessas
substâncias psicoativas, sendo um processo bastante eficaz.

5 TOXICINÉTICA

Ao compararmos as duas vias temos uma certa diferença de efeitos se


você fuma ou come, quando se come algo com “maconha” faz efeito, mas de o
perfil é bem diferente.

A via pulmonar/inalatória tem um inicio de ação bem rápido, se


distribuindo bem rapidamente pelo nosso cérebro e o THC é detectado
rapidamente no plasma após a tragada, já pela via oral ela tem uma absorção
bem lenta e devido a metabolizada pode-se perder algumas substâncias e o
efeito demora um pouco mais para acontecer.
A Cannabis não é utilizada somente para a produção da maconha, mas
para diversas drogas:

• Maconha: Planta inteira com proporções variadas de folhas,


inflorescências, caules e frutos, ou seja, tudo que tem na planta é seco,
triturado e feito o cigarro e contém um teor de Δ9-THC entre 1 a 3%.

• Haxixe: Exsudato resinoso seco (goma, borracha) coletado das


inflorescências das plantas cultivadas, tendo maior efeito psicoativo,
usado com cachimbo e tendo o teor de Δ9-THC entre 10 a 20%, bem mais
elevado que o da maconha e além disso, o óleo de haxixe (Hash oil)
podeter até 60% de Δ9-THC.

• Sinsemilla: Sumidades floridas das plantas femininas que não foram


polinizadas, seu uso se dá pelo fumo e contém teor de Δ9-THC: 5 a 14%,
esse teor é maior que o da maconha devido ao fato de se utilizar somente
as flores.

• Ganja: Massa resinosa composta por folhas pequenas e inflorescências


de plantas cultivadas, pode ser fumada ou adicionada a bebidas ou doces,
tendo um teor de Δ9-THC de 3%, bem próximo ao da maconha.

• Bhang: Folhas secas e inflorescências de plantas não cultivadas,


normalmente é bebida na forma de decocção. Teor de Δ9-THC: 1 a 3%
• AMP joint: A maconha é embebida em formaldeído, seca e depois
fumada.

• Skunk: Chamado “super maconha” ou “maconha de laboratório”, cujo


cultivo é controlado em laboratório, tendo espécies selecionadas ou sjea,
é feita uma seleção genética, tendo maiores teor de THC, podendo chegar
de 7 a 10 vezes mais que em espécies “naturais”.

Em relação a distribuição desses compostos no organismo, assim que


você fuma, come ou bebe, tem-se uma distribuição rápida no sangue e vai
passando para outros tecidos. Ela tem uma afinidade em um primeiro momento
maior no cérebro, devido sua ação psicoativa, especificamente no sistema
nervoso central, depois começa a ir para tecidos de alta perfusão, depois para
tecidos de baixa perfusão e por fim fica na gordura.

As substâncias presentes na maconha possuem uma afinidade pela


gordura, principalmente o THC, assim pessoas com mais gordura abdominal
podem criar depósitos de THC no seu corpo que pode ser liberado aos poucos,
assim a meia vida é maior em pessoas sem gordura. E isso é importante pois
nos exames laboratoriais consegue detectar depois de algum tempo do
consumo, pois a pessoa vai liberando aos poucos.

BIOTRANSFORMAÇÃO / EXCREÇÃO

A meia vida do THC é de 28 horas em dependentes (usuários frequentes,


pessoas que utilizam todos os dias) e 57 horas em não dependentes. É uma
substância lipofílica, se armazenando nos tecidos adiposo e seu metabolismo é
essencialmente hepático. O Δ9-THC é quase inteiramente biotransformado,
principalmente pelo citocromo P-450(CYP), outros tecidos, como coração e
pulmão, também biotransformam, porém, em extensão muito menor. Os
principais produtos de biotransformação são os compostos mono-hidroxilados,
especialmente: 11-OH-∆9-THC e 8-β-OH-∆9-THC.

Esses dois são compostos ativos, ou seja, não adianta nada metabolizar,
pois metabolizou e continuou tendo efeito psicoativo, o 11-OH-∆9-THC é o principal
metabólito encontrado em até 1 semanada em grande quantidade no sangue e até 3
meses em menores quantidades, e exibe atividade e disposição similar ao Δ9-THC,
enquanto o segundo é menos potente.

Depois o 11-OH-Δ9-THC é oxidado a 11-nor-Δ9-THC-COOH, conjugado


com o ácido glicurônico e excretado em quantidades significativas na urina.
Aproximadamente 70% de Δ9-THC é excretado em 72 h, sendo 30% na urina e
40% nas fezes, assim, o efeito do THC começa rápido e demora um pouco para
sair do organismo, o que é bem diferente de outras drogas, por isso falamos que
a capacidade de vício da maconha é menor, pois quanto maior o efeito da droga
maior a capacidade de causar vício, o que faz com que o crack e heroína sejam
tão viciantes, pois o efeito começa e termina muito rápido.

EFEITOS FARMACOTÓXICOS

Nós temos no nosso sistema nervoso central dois receptores


canabinoides, CB1 e CB2, mas na verdade não temos receptores para maconha
no nosso organismo e sim para canabinoides endógenos, ou seja, substâncias
que possuem o mesmo efeito que a droga, como a anandamida, que causa as
mesmas sensações da maconha, em níveis menores, quando passamos por
estresse ou alguma coisa o organismo tenta liberar essa anandamida. Só que o
canabinoide exógeno tem uma afinidade maior por esses receptores.

A anandamida foi a primeira substância endógena, isto é, produzida pelo


nosso organismo, capaz de agir nos receptores canabinóides. Seu nome deriva
do sânscrito ananda, que significa “felicidade” ou “prazer extremo”, e é uma
molécula mensagem com participação em diversas atividades do corpo, como o
apetite, memória, dor, depressão e fertilidade.
Os receptores canabinóides tornam-se ativos ao interagirem com ligantes
como a anandamida (agonista endógeno de receptores canabinóides) ou o THC
(agonista exógeno). Esse fenômeno desencadeia uma séries de reações, como
a ativação da proteína G e a inibição da adenilato ciclase, o que
consequentemente diminui a produção de AMPcíclico, importante para a
homeostasia celular, abertura dos canais de potássio e bloqueio dos canais de
cálcio.

Sobre a neurotransmissão glutamatérgica e noradrenérgica, os


canbinóides inibem canais de cálcio e ativam canais de potássio, promovendo
um bloqueio na liberação desses neurotransmissores. Quando sob o efeito do
THC, os opioides endógenos estimulam indiretamente o sistema dopaminérigico,
promovendo o reforço positivo.

A maconha afeta a via da adenocilase que por sua vez afeta a produção
e consequentemente afeta os canais de potássio e isso libera dois efeitos
principais: bloqueio (diminuição) da norepinefrina e aumento da dopamina,
que está relacionada com a maioria das drogas, e ao aumenta a liberação da
dopamina, aumenta-se a sensação de prazer e isso é devido ao CB1, ou seja, o
efeito de CB1, que está no SNC, é o aumento da liberação de dopamina.

Mas temos os receptores CB2 que estão no sistema imunológico, e o uso


da droga causa uma depressão no sistema imunológico, ou seja, a imunidade
diminui, com isso, usuários crônicos da maconha tem uma imunidade mais
enfraquecida do que os que não fazem uso da mesma, não é nada absurdo, mas
existe uma certa diminuição desse sistema.

Nós temos a maior parte dos receptores no cérebro, principalmente no


hipocambo e cerebelo.

 Cerebelo controla os movimentos, tendo assim um descontrole desses


movimentos, perdendo a coordenação motora, por isso não pode dirigir
depois de fumar.
 Hipocampo está relacionado com a memória e aprendizagem e também
é afetado, diz-se que quando a pessoa usa a droga por um longo período
perde a memória e afeta o aprendizado.
 Neocótex temos uma função cognitiva e informações sensoriais, e aqui
tem-se em vez de depressão, uma estimulação, e com isso alguns dos
nossos sentidos ficam um pouco mais apurados, como por exemplo o tato,
tanto que muitas pessoas utilizam a maconha como droga pré-relação
sexual, a fim de aumentar as sensações do ato sexual.
 Hipotálamo relaciona-se com o comportamento sexual e a pessoa fica
mais desinibida e mais relaxada.
 Ganglio da base se relaciona com a coordenação motora e planejamento
das ações, e assim, a pessoa quando está fumando ela começa a falar
uma coisa e não termina, esquecendo o que estava falando, não
consegue terminar suas ações.
 Na amigdala tem-se relações de medo, e a pessoa fica com menos medo.
 Tronco encefálico tem-se o efeito das sensações de dor e vomito, e é nele
que tem-se o efeito anti-hemético e analgésico, que são efeitos muito
importantes da maconha.

Temos vários efeitos, como vermelhidão (vasos sanguíneos dilatados) e


diminuição da pressão ocular nos olhos, a boca fica seca e começa a ter
aumento das sensações na pele, tanto de calor quanto de frio, em algumas
pessoas tem-se um aumento da frequência cardíaca e no geral um relaxamento
muscular, não sendo assim uma droga muito utilizada na balada para ficar
“louco”.

Existem estudos que falam que provoca uma diminuição na motilidade


dos espermatozoides, não quer dizer que a pessoa fica estéril, os
espermatozoides ficam “lerdinhos”, o que não significa que não conseguem
chegar.
Ao longo do prazo a maconha pode levar à dependência, contudo o
diagnóstico da dependência tem controvérsias. Existem dois tipos de
dependência, a física (corpo precisa consumir a droga novamente) e a psíquica,
a maconha em geral não tem dependência física e sim psíquica, a pessoa que
fuma maconha todos dias é por gostar da sensação de prazer que a mesma
proporciona, mas ao parar de fumar não passa por uma crise abstinência muita
severa, o que pode ocorrer com as outras pessoas, que não conseguem viver
sem. Ao se comparar com outras drogas, a maconha em geral é a mais amena,
inclusive com o próprio tabaco, que é bem menos agressivo em termos de
destruição do organismo do que a maconha, pois quem fuma cigarro fuma muito
mais do que quem fuma maconha.

A Cannabis é considerada “inócua” e assim, a prevalência do uso regular


ou esporádico tem aumentado e pesquisas mostram que o uso da maconha na
adolescência aumenta a probabilidade de ter problemas com outras drogas para
o resto da vida.

A tolerância (ou seja, quanto mais você fuma, menos você sente efeito e
mais tem que fumar) desenvolve-se para a maioria dos efeitos da Cannabis,
canabioides e análogos sintéticos que atuam no receptor canabinóde CB1 e
pode ser atribuída a alterações farmacodinâmicas, e a velocidade e duração da
tolerância varia conforme os diferentes efeitos da mesma.

A abstinência não é reconhecida como uma crise, como crises de


abstinência que ocorrer por tabaco, álcool e outros, o que acorrer é uma fase
leve se abstenção com diminuição do apetite, dificuldade para dormir, perda de
peso, agressão, raiva e irritabilidade. E isso não faz com que a pessoa pare sua
vida, o que ocorre com outras drogas.

A pessoa viciada em maconha é tratada com a retirada da droga dela e


os sintomas da crise de abstenção desaparecem em até 8 horas, e além disso
não existe nenhum relato na literatura de overdose por uso exclusivo de
maconha, existe de maconha associada a outras drogas, mas somente de
maconha não.

7 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Temos uma lei sobre drogas e ela diz que comercializar ou consumir é
crime, porém a legislação prevê punição distinta, sendo melhor ser pego como
usuário do que como traficante.

A portaria 344/98 lista a Cannabis duas vezes: Lista E como planta que
pode originar substâncias entorpecentes e lista F como substância proscrita no
Brasil, ou seja, uso proibido, diferente do uso prescrito. E temos algumas
substancias na lista F2como substância psicotrópica, como o THC.

Em alguns estados dos EUA, Holanda e Uruguai a maconha é legalizada,


no Brasil seu uso é ilegal, mas é descriminalizada, ou seja, se você for pego
consumido não irá preso.

Atualmente, o Contran exige que motoristas de caminhão façam o exame


toxicológico do cabelo, a fim de detectar se a pessoa tem feito o uso de drogas,
no cabelo você consegue pegar a droga a muito tempo, em 6 meses da
utilização.

8 MÉTODOS ANALÍTICOS

As principais matrizes biológicas para a detecção da maconha são urina


em que é possível detectar a utilização da droga em passados 7 dias se for um
usuário eventual e 25 dias se for um usuário frequente, o sangue detecta
algumas horas após o uso, o cabelo de 1 a 6 meses e saliva de 12 a 24 horas.
Assim, urina ou cabelo são os mais indicados.

Dentre os testes indicativos temos os testes colorimétricos: Fast Corinth


V, Fast Blue B e Duquenois-Levine são os mais utilizados para apreensão de
droga vegetal. O imunoensaio não é muito utilizado por ser caro e não definitivo.
Já a IMS, espectrometria de mobilidade iônica não é muito legal devido a
resultados falso positivo com heroína e o TLC/CCD, ou seja, cromatografia em
camada delgada consegue ter um perfil bem comprobatório de que a pessoa
utilizou a droga mas não identifica. Um método muito interessante é a
cromatografia gasosa, devido os óleos voláteis, não tendo problema de
degradação, uma vez que faz-se a pirólise delas para fumar, não tendo problema
de termo estabilidade e sim de foto estabilidade. E o HPLC é o método de
escolha para quantificar a quantidade de canabinóides e THC na planta,
conseguindo separar e quantificar os principais componentes. No Brasil só
temos 5 laboratórios credenciados pela Anvisa para fazer esses ensaios de
toxicologia forense. Existem também métodos rápidos:

O Fast Corinth V e Fast Blue podem dar resultado falso positivo com
inúmeras plantas, e inclusive os dois métodos colorimétricos são resultado
positivo para o guaraná.