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PRODUÇÃO DE FALA

Orientações para você preparar uma excelente terapia

Produzido por Erica Sitta


SUMÁRIO

•  Fatores que intervém o processo de articulação


•  Para uma adequada fonação
•  Avaliação de fala
•  Como fazer o levantamento dos dados
•  Ao nível da recepção
•  Ao nível da emissão
•  Análise dos dados
•  Terapia de fala – análise dos fonemas
INTRODUÇÃO

Muita gente acha graça quando ouve uma criança falando errado. Na maioria das vezes,
pronunciar as palavras de maneira errônea, sem um “L” ou um “R”, faz parte do desenvolvimento
normal de meninos e meninas. Mas, se trocas e omissões de sons permanecem depois dos 3
anos, isso pode se tornar um problema no futuro ou até mesmo indicar uma doença mais grave.

O pior é que grande parte dos pediatras, especialistas a quem recorrem pais e mães nos primeiros
anos de vida dos filhos, muitas vezes não repara a tempo naqueles sinais capazes de denunciar
alterações na fala.
INTRODUÇÃO

Entre os riscos da demora em identificar problemas na comunicação infantil está, além do óbvio
atraso para encontrar uma solução, a possibilidade de passar despercebido um caso de surdez ou
outros transtornos globais, como autismo.

Não existe marcador claro para dizer se a criança se encaixa ou não em um desses casos. Tudo é
sintoma. Assim, quanto mais precoce o diagnóstico, melhor. E para que possamos entender a
alteração de fala para depois reabilitar o indivíduo com esta alteração, precisamos saber alguns
aspectos importantes...
FATORES QUE
INTERVÉM O
PROCESSO DE
ARTICULAÇÃO
PROCESSO DE ARTICULAÇÃO

Os fatores que interferem diretamente no processo articulatório podem ser divididos em


dois grupos de acordo com a função que exercem:

•  Aferentes (que levam a informação ao SNC);
•  Eferentes (que trazem os estímulos do SNC para a periferia).
AFERENTE

Constituídos por todas as informações que servem de modelo ou correção dos atos articulatórios (feedback
externo e interno). Apoiam-se em:

•  Função auditiva – responsável pelo fornecimento do modelo acústico (recepção, discriminação e
retenção) vindas do exterior e do próprio indivíduo (feedback acústico).

•  Função tátil – responsável pela informação sobre os pontos de contato durante a articulação (feedback
tátil).

•  Função proprioceptiva que, informando sobre as sensações dos músculos e tendões, fornece condições
para análise do movimento articulatório, da pressão no momento do contato e da tonicidade da
musculatura envolvida (feedback cinestésico).

•  Função visual – responsável pela formação de modelos visuais das produções articulatórias.
EFERENTE

Constituídos principalmente pelas funções responsáveis pela execução dos movimentos articulatórios.

Para que a produção da cadeia fonológica se dê adequadamente, é preciso que os movimentos se façam com:

•  Precisão – que os deslocamentos dos órgãos fono-
articulatórios os levem às posições relativas corretas,
seja estabelecendo pontos de contato (plosivas), seja
fornecendo a formação de canais (fricativas).

•  Velocidade, energia e pressão adequadas.

•  Sequência requerida.

•  Adequada coordenação de grupos musculares
agonistas e antagonistas.
PARA UMA
ADEQUADA
FONAÇÃO
ADEQUADA FONAÇÃO

O controle motor da fala decorre da integração dos sistemas motor, sensório e auditivo. É influenciado pelo
crescimento e desenvolvimento músculo-esquelético e pela maturação neural, nos primeiros anos de vida,
havendo, assim, um aprimoramento gradual da produção motora da fala. As demais funções
estomatognáticas de respiração, sucção, mastigação e deglutição vão dando suporte para seu
aperfeiçoamento, por meio do processo de maturidade da tonicidade e da mobilidade.


Para a fonação acontecer de maneira adequada, o indivíduo deve possuir, além de adequada função cerebral,
também boas tonicidade e mobilidade da musculatura orofacial, pois os sons produzidos no órgão da fonação
são controlados, moldados e articulados pela interferência da laringe, faringe, cavidade oral e nasal.
ADEQUADA FONAÇÃO

Desse conjunto de órgãos utilizados para a fonação, a boca desempenha o articulador fonético. A
posição da língua e sua capacidade de se movimentar, a presença e a posição dos dentes, a
movimentação dos lábios e das bochechas, são condições imprescindíveis para a inteligibilidade do
som. Além disso, para a articulação correta de cada sílaba, é necessária posição mandibular que
proporcione em espaço interdental a fala produzida.

O prejuízo de mobilidade dos elementos do Sistema Sensório Motor Oral causam alterações na
articulação da fala. Portanto, se houver intercorrências na estrutura anatômica facial, refletirá na
função executada.
AVALIAÇÃO
DE FALA
AVALIAÇÃO DE FALA

Tem-se procurado utilizar formas cada vez mais precisas de se avaliar o sistema fonêmico de pacientes com
distúrbio articulatório, pois toda a programação terapêutica baseia-se neste tratamento. É importante
considerar estes aspectos pois:

•  Pela determinação do tipo de erros, poderemos ter ideia daqueles que são mais resistentes ao
trabalho terapêutico (Ex.: fonemas /r/, sibilantes, etc.).
•  Pelo índice do número de erros, conhecemos a severidade do problema.

Pela caracterização deles, saberemos como atuar em suas correções.
A severidade é um dos primeiros itens que procuramos estimar quando examinamos o paciente. Isto é possível
através de uma avaliação global da sua fala em termos do quanto se nota o problema, do quanto interfere na
compreensão do ouvinte (inteligibilidade) e do quanto está interferindo em seu ajuste emocional.
TIPOS DE PROVAS

Uma avaliação rápida destinada apenas a levantar o diagnóstico de distúrbio de articulação, e a


apurar quais crianças necessitam de atendimento, contém uma combinação das seguintes provas:

•  Nomeação de objetos ou figuras, com o maior número possível de fonemas
•  Repetição de sons isolados ou sílabas
•  Repetição de vocábulos
•  Repetição de frases
•  Emissão de série de palavras, como: contar, nomear os dias da semana, nomear as
cores de uma cartela.
•  Respostas e perguntas
•  Conversa

TIPOS DE PROVAS

Porém um teste mais profundo, com vista ao trabalho em terapia, deve prover informação
detalhada sobre a habilidade do paciente em produzir os sons numa variedade de posições e
contextos fonéticos.

A avaliação deve nos dar informações quanto ao nível receptivo e emissivo do paciente, para
podermos concluir se as alterações são devidas à má discriminação auditiva e/ou uma
impossibilidade articulatória.

COMO FAZER O
LEVANTAMENTO
DOS DADOS
LEVANTAMENTO DOS DADOS

Após a avaliação formal ou informal ter sido realizada, o examinador deverá levantar todos
os dados conseguidos, de maneira a se obter um quadro geral de como se apresenta a fala
do paciente, para posterior análise.

Este levantamento deverá apresentar:

•  Ao nível da recepção
•  Ao nível da emissão


AO NÍVEL DA RECEPÇÃO
AO NÍVEL DA RECEPÇÃO

Discriminação auditiva de pares de sílabas ou palavras, para que o paciente responda se são
iguais ou diferentes.

Ex.:
Esta prova exige que se tenha o conceito de
igual e diferente, que pode ser verificado, no
exemplo acima. Mostra-se as figuras de uma
faca e uma vaca e solicite a criança que
aponte qual é a vaca.
FACA ou VACA


AO NÍVEL DA RECEPÇÃO

Repetição de sílabas, vocábulos e frases:


Podem ser dadas séries de sílabas, uma lista de
palavras e várias frases para que o paciente as
repita.

Pode-se utilizar como sugestão a lista de
fonemas de Genaro, Yamashita e Trindade,
2004 (imagem ao lado). É uma lista de fonemas
da língua portuguesa com exibição de fonemas,
palavras e frases em diferentes posições no
vocábulo do fonema.



AO NÍVEL DA RECEPÇÃO

Repetição de vocábulos sem sentido


Este teste difere do anterior por não sofrer
interferência do treino e memorização de padrões já
Ex.: casa estabelecidos. Podem serem apresentadas figuras
sem sentido do contexto ou até mesmo desenhadas
pelo examinador, mas que contenham os fonemas a
serem testados, pedindo que o paciente as repita.

Ex.: Figuras com o fonema /k/
Ex.: casaco
CONCLUSÃO

A validade das provas estarão na avaliação conjunta das mesmas.

1.  Caso o paciente tenha apresentado erros na prova de pares para discriminação e os mesmos
tipos de erros ocorrerem na repetição, se constará a presença de uma falha receptiva
também;

2.  Caso não tenha havido erros na discriminação dos pares e ocorrerem na repetição, será
constatada uma falha apenas ao nível da articulação;

3.  Além disso, poderemos observar nas provas de emissão espontânea erros que devido ao
modelo do terapeuta, desapareceram na repetição, sugerindo a presença de possíveis
distúrbios a nível de retenção ou evocação da imagem auditivo-motora dos vocábulos.

AO NÍVEL DA EMISSÃO
AO NÍVEL DA EMISSÃO

Assim como as provas apresentadas, anteriormente, para avaliação da recepção também poderão
serem utilizadas para o achado das trocas articulatórias.

Repetição de sílabas, vocábulos e frases de vocábulos com e sem sentido.

Podem ser dadas séries de sílabas, uma lista de palavras e várias frases para que o paciente as
repita (pode-se também utilizar a lista apresentada anteriormente).

AO NÍVEL DA EMISSÃO

Produção de vocábulos: sem modelo do terapeuta



A nomeação de gravuras ou objetos a serem emitidas devem ser apropriadas ao nível de
conhecimento do paciente.

Para este teste deve-se selecionar figuras claras. Lembrando que elas devem ser apresentadas
uma por vez , havendo a necessidade de recortar o quadrado com a figura a ser trabalhada.

Um erro comum é utilizar gravuras contendo vários itens de interesse ou representando uma
complexa coleção de coisas. Esse tipo de material provoca confusão e a figura colorida e de um
único objeto é preferível. Para as crianças pequenas, a prova pode tornar-se figuras, objetos reais,
que quando pequenos ou miniaturas, podem ser presos ás cartelas, assim como as gravuras.

AO NÍVEL DA EMISSÃO

Produção de frases: sem modelo do terapeuta



– Respostas a questões de adivinhação, ainda ao nível do vocábulo.

” Depois do banho, eu me enxugo com a ……………………….”.

” Estou com o dedo na ponta do ……………………………”.

– Elaboração de frases a partir de palavras dadas ou figuras apresentadas.

AO NÍVEL DA EMISSÃO
Conversa
Esta prova falha na precisão uma vez que, para todos
os sons aparecerem, ela consumiria muito tempo.
Porém é justificada para observar o comportamento
fonético e fonológico do falante.

Produção de estórias: sem modelo do terapeuta


Elaboração de estória a partir de gravuras que,
colocadas numa determinada sequência,
sugerem uma estória; ou a partir de uma gravura
que sugere um acontecimento.
CONCLUSÃO

A validade das provas estarão na avaliação conjunta das mesmas. Executando-se as provas de
emissão devem conter vocábulos que nos deem amostra dos fonemas e suas combinações nas três
posições possíveis na palavra: na sílaba inicial, medial e final; tônica, pré ou pós-tônica.

Feita a transcrição fonética deverão ser anotados os acertos e erros da seguinte forma:

1.  Quais os fonemas corretos e em que posição ocorreram na palavra.
2.  Quais os fonemas errados, especificando-se a posição na palavra e o tipo de desvio.

CONCLUSÃO

Tipos de desvios possíveis:

•  Omissão: que poderá ser anotada com um (-).


•  Substituição: que poderá ser anotada com um (/), colocando -se a esquerda o som correto e a
direita o som emitido.
•  Distorção: onde se utilizará uma descrição ou símbolo pré-estabelecido que corresponda ao som
produzido pelo paciente.
•  Adição: que poderá ser anotada com um (+) seguido do fonema inserido pelo paciente.
•  Transposição: que poderá ser anotada com um (/), onde a esquerda escreve-se a palavra correta e
a direita a emissão errada.

ANÁLISE DOS
DADOS
ANÁLISE DOS DADOS
A análise da avaliação da fala do paciente deve indicar quais seus padrões de articulação, com vista ao
planejamento e implementação do programa de correção. Para orientar o diagnóstico e terapia, ela deverá dar
subsídios, que lhe permitam saber: com quais sons iniciará o treinamento, quais áreas deverão ser mais
enfatizadas no trabalho de todos ou de alguns fonemas (se a auditiva, motora, proprioceptiva etc.) e que pistas
facilitarão o trabalho com cada fonema.

Desta forma, uma análise cuidadosa deverá considerar os seguintes aspectos:

•  Performance do paciente: estabelecer comparação com a hierarquia de aquisições.
•  Análise dos erros: informa a severidade do problema e especifica o tipo de erro.
•  Análise da consistência dos erros: a inconsistência pode se apresentar de duas formas: ou um
determinado fonema ora é corretamente, ora não; ou para um mesmo fonema, o paciente apresenta
múltiplas formas de erro.


ANÁLISE DOS DADOS

•  Análise cinestésica dos sons errados: a fim de sabermos como estão sendo produzidos estes sons deve
ser feita uma descrição de cada produção inadequada.

•  Análise quanto ao tipo de situação e material comunicativos: aqui estão envolvidas observações de
vários itens:

a.  Comparação da fala do paciente em situações distintas
b.  Comparação dos erros (nomeações , repetições, elaboração e velocidade)
c.  Comparação da emissão de palavras significativas, com sons emitidos isoladamente, em
sílabas e palavras sem sentido.
d.  Comparação de erros em emissões espontâneas e por repetição

ANÁLISE DOS DADOS

Esses dados auxiliarão na terapia, no sentido de ajudar a encontrar a forma mais fácil para reproduzir o som
corretamente. Os fonemas devem ser apresentados em uma progressão: antes isolados, depois em sílabas e
por fim em palavras, anotando-se sua performance em cada diferente tipo de estimulação.

Finalmente, a fala do paciente deverá ser analisada com relação ao seu ambiente, para que se observem
dados como: a quantidade e tipo de estimulação recebida, a adequacidade dos modelos da fala aos quais
está exposto, as recompensas pelos seus esforços para falar e sua necessidade em falar.



TERAPIA DE FALA
SELEÇÃO DOS FONEMAS
TERAPIA DE FALA

A partir do levantamento e análise de como se apresenta o quadro fonêmico do paciente,


dever-se-á programar a sequência de trabalho com os fonemas que seja mais adequada para
ele, considerando-se suas facilidades e dificuldades.

Existem alguns critérios que poderão ser úteis na escolha dos fonemas a serem trabalhados
inicialmente:

Quando o paciente for ouvinte e apresentar apenas alguns fonemas pode-se seguir a
aquisição normal do sistema fonêmico pelas crianças em geral, sendo comum iniciar com as
nasais, depois plosivas, fricativas, líquidas e grupos.

TERAPIA DE FALA

Deve-se também, ao escolher o fonema, levar-se em conta quais são aqueles que, omitidos ou
substituídos, estão prejudicando mais a inteligibilidade da fala do paciente.

Dessa forma, deve-se procurar agir mais rapidamente sobre as áreas que estão dando maior
prejuízo na inteligibilidade da fala do paciente, para que correções ou aquisições de alguns
fonemas já revertam em melhor compreensão de sua fala e, consequentemente, recompense
seus esforços.

Sempre é melhor e mais recompensador que o trabalho se inicie com o treino dos fonemas
instáveis do sistema. Se o paciente ora os produz, ora não, terá mais facilidade e rapidez em
utilizá-los, do que adquirir um fonema ausente.

TERAPIA DE FALA


Dentre os fonemas a serem primeiro trabalhados, aconselha-se começar por aqueles que o
paciente demonstrar maior facilidade em conseguir realizar. Essa facilidade terá sido
percebida, quando, na avaliação de sua fala, por estimulação auditiva mais intensa ou por
repetição, o paciente tiver conseguido realizar os fonemas uma ou mais vezes a contento.

Tomara que você tenha gostado dos
aconselhamentos para o preparo de
uma excelente terapia de fala.
TERAPIA DE FALA

Para aprender a trabalhar com todos os fonemas nós criamos este maravilhoso material:

Esse guia de terapia é um norteador de como trabalhar com
essas alterações. Ele contém:

Descrição do ponto articulatório de todos os fonemas.

Dicas de terapia para os fonemas : m, p, b, n, ƞ, t, d, k, g, f, v,
s, z, ʃ, Ʒ, l, ʎ, r, R

Orientação do caminho de fixação do fonema adquirido (som
isolado, sílaba, palavras e sentença).

E tudo isso de maneira organizada e simples. Um guia "de
bolso" para aquele momento de desespero com dicas para
sua terapia dar certo.


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