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FILIGRANAS EM SELOS BRASILEIROS

Filigranas são marcas feitas no próprio corpo do papel por processo consistente na
colocação de fio ou matrizes de metal na forma ou rolo em que é prensada a polpa do
papel durante sua fabricação, de maneira que as partes em que houver contato com
esses fios se tornam mais finas e transparentes.
A finalidade da filigrana é servir como marca do fabricante do papel ou como
elemento preventivo às falsificações, sendo que por esta razão são usados papel
filigranado na confecção de selos postais e outras fórmulas emitidas pelo Estado.
Também se usa para a filigrana a denominação marca d’água que querem alguns
seja específica para a marca do fabricante enquanto que a primeira seria nos casos em
que as legendas são privativas do consumidor. Convém lembrar a existência de certas
filigranas, como uma simples estrela, cujo desenho não é marca do fabricante, nem
desenho privilegiado.
Em geral os desenhos e palavras das filigranas ocupam uma porção de papel bem
maior do que o espaço ocupado por um selo, razão porque os selos em via de regra
apresentam-se apenas com fragmentos da filigrana completa. Selos existem cujas
filigranas são feitas especialmente para que cada selo receba um desenho, como
acontece nos selos das Colônias Inglesas, portadora da filigrana “Coroa e C.C.”

Fig. 2

A filigrana não deve ser confundida com o papel tramado (penteado) ou com o
papel estriado “vergé” (linhas paralelas) resultantes de igual processo da filigrana na
fabricação do papel.
Sendo a filigrana um adelgaçamento do papel, a parte deste que é atingida por
aquela, é mais transparente de maneira a permitir que se constate a filigrana fazendo-se
o exame contra a luz.
Método mais prático, entretanto, para tal exame, é o uso de pequeno recipiente de
fundo escuro - filigranoscópio (Fig. 2) - preferivelmente preto, sobre o qual se coloca a
peça a ser examinada com a parte não impressa voltada para cima e a seguir goteja-se
benzina pura (retificada) até que se dê a impregnação pela benzina aparecendo, então, a
filigrana em linhas escuras sobre um fundo mais brilhante.
Certas tintas utilizadas na impressão em fotogravura são solúveis na benzina de
maneira a acarretar borrões nos selos assim impressos quando imersos naquele fluido.
Os selos do Brasil que se encontram neste caso são os de Nº 520, 524, Ae. 45 e 46.
Da mesma forma a benzina dissolve o óleo usado em carimbos, devendo-se tomar
especial cuidado com os selos fortemente ou recém carimbados.
Os selos que não tiverem suas superfícies limpas dificultam o exame da filigrana e
quando não houver inconveniência, deverão ser previamente lavados.
Quando o papel é bastante espesso a filigrana é mais facilmente visível pelo
exame contra a luz. Os selos do Brasil que apresentam este característico são os
impressos em papel com filigrana Armas do Brasil (L) e alguns com filigrana Casa da
Moeda (C).
POSIÇÕES DAS FILIGRANAS
A colocação do papel filigranado na máquina impressora poderá ser feita de várias
maneiras considerando-se a posição, direção e sentido da filigrana.
Para a filatelia, a classificação das posições das filigranas é feita tornando-se a
posição, direção e sentido da filigrana em relação à posição, direção e sentido da gravura
do selo.

Assim quanto à direção diz-se horizontal a filigrana cujos dizeres ou desenhos


estão na mesma direção do desenho do selo e vertical quando as direções são
ortogonalmente opostas, formando entre si, um ângulo de 90º.
Quanto à posição propriamente dita a filigrana será normal quando não está
diametralmente oposta ao desenho do selo e contraposta quando tal fato se verifica.
Finalmente, quanto ao sentido, temos que a filigrana pode ser direta ou invertida. A
primeira o é quando seus dizeres são lidos da esquerda para a direita e invertida quando
lidos da direita para a esquerda.
Pela exposição acima as filigranas podem se apresentar em oito posições,
conforme quadro abaixo.

Direção Tipo Posição Sentido


A Normal Direta
B Normal Invertida
Horizontal
C Contraposta Direta
D Contraposta Invertida
E Normal Direta
F Normal Invertida
Vertical
G Contraposta Direta
H Contraposta Invertida

Convém notar que não são todas as filigranas que se apresentam em todas as
posições.
FILIGRANAS DOS SELOS DO BRASIL
[ A-B ]
Em 1905 apareceram os primeiros selos filigranados do Brasil em virtude das
falsificações dos selos de Nº 122, 127 e 128 que levaram os dirigentes da Casa da
Moeda a adotar o papel com filigrana “CORREIO FEDERAL REPUBLICA DOS
ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL” em letras maiúsculas.
Tendo se esgotado esse papel foi lançado mão do papel filigranado “IMPOSTO DE
CONSUMO REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL”, também em caracteres
maiúsculos semelhantes aos da filigrana anterior. Essa filigrana destinava-se aos selos
fiscais.

Essas duas filigranas têm em comum as seis últimas palavras de maneira que
tendo um selo parte de “de” qualquer dessas palavras não é identificável quando isolado.

Por esse motivo classificam-se os selos que existem nessas duas filigranas em
três séries: “CORREIO FEDERAL” (A). “IMPOSTO DE CONSUMO” (B) e “REPUBLICA
DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL” (indistinta).
Atendendo-se à combinação das letras quando são visíveis fragmentos de duas
linhas da inscrição poder-se-á saber a filigrana comparando-se com as reproduções
completas das duas filigranas.
Essas filigranas somente aparecem em posição vertical.
[C]
Em 1918 foi posta em uso a filigrana “CASA DA MOEDA” (C), sendo que
posteriormente sofreu modificações que dizem respeito ao espaço entre os vocábulos. As
legendas “CASA DA MOEDA” seguem-se continuadamente, sendo que os intervalos
entre “MOEDA” e “CASA”, conforme a fabricação do papel, variam de 22 a 49mm.
Dependendo desse espaço e do formato do selo as emissões de selos filigranados
“CASA DA MOEDA” apresentam selos sem filigrana que são de maior raridade.

Os espaços de 22mm são encontrados somente em alguns valores da série de


1918 e de 38 mm nos valores de 200, 1000, 2000 e 5000 rs. dessa mesma série. Os
espaços de 26 mm aparecem nas emissões posteriores a 1922, sendo que encontramos
com 49mm nas emissões de 1918, Comemorativa do Rei Alberto, 600 e 1.000 rs.
Navegação, 1.000 rs. Rui Barbosa, 2.000 e 5.000 rs. Instrução e na série de Wenceslau
Braz, todos em papel espesso.
Esta filigrana aparece em todas as posições.
[D]
Em 1923 surge uma filigrana semelhante a “CASA DA MOEDA” (C) em seus
caracteres, é a filigrana “ESTADO UNIDOS DO BRASIL” (D) que nos selos se distingue
da primeira quando presente fragmentos de certas combinações de letras não existentes
comumente nas duas filigranas. As letras “C” e “M” de persi qualificam a filigrana “CASA
DA MOEDA” (C) e “T”, “U”, “N”, “I”, “B”, “R” e “L” a filigrana “ESTADOS UNIDOS DO
BRASIL” (D).
Esta filigrana é chamada de Estados Unidos do Brasil letras grandes em
contraposição a sua homônima que é de letras menores, chamada letras pequenas.
[E]
Em 1924, nova filigrana é utilizada, constante de estrelas justapostas separadas
horizontalmente pela inscrição “CASA DA MOEDA”, “CASA CASA DA MOEDA” ou
“CASA MOEDA”, continuadamente.
A filigrana com legenda “CASA DA MOEDA” foi empregada nos selos emitidos em
1924/5, sendo que em 1926/7 surgiu a modificada que tem a legenda “CASA CASA DA
MOEDA”.
Para distinção entre as legendas “CASA DA MOEDA” e “CASA MOEDA” observa-
se o seguinte: as estrelas da primeira medem de largura 23 mm e da segunda 21 mm, as
letras têm a altura de 8 mm na primeira e ligeiramente menor na segunda. Na largura das
letras apresentam sensíveis diferenças, conforme quadro abaixo:

Legenda C A S D M O E
CASA DA MOEDA 10 mm 10 mm 8 mm 10 mm 10 mm 10 mm 7 mm
CASA MOEDA 9 mm 9 mm 7 mm 8 mm 8 mm 9 mm 8 mm

Na primeira as pontas horizontais das estrelas se tocam ou quase se tocam


enquanto que na segunda essas pontas estão distanciadas de 2,5 mm aproximadamente.
Para saber-se a posição da filigrana, quando aparece isoladamente, uma estrela
atente-se para a linha formada pelas pontas horizontais da estrela de cinco pontas ()
que quando for paralela à direção horizontal do selo () será horizontal.
Distingue-se a filigrana “CASA DA MOEDA” da “CASA CASA DA MOEDA”
somente em blocos ou pares em que incida a combinação “SAC”.
Esta filigrana existe nas várias posições.

[ G-H ]
Em 1929 apareceu nova filigrana consistente de legendas “EUBRASIL”
seguidamente e superpostas. É da mesma época uma filigrana de igual legenda, porém,
a superposição da mesma é acróstica de maneira a poder ser lida tanto horizontal como
verticalmente.
[L]
Em 1934 foram impressos os primeiros selos com “PAPEL SELLADO” muito
espesso. Esse papel apresenta no centro de cada folha as Armas da República em oval
de fundo liso encimada pela legenda “PAPEL SELLADO” tendo na parte inferior a data
“1905”. A parte não tomada pelo oval de fundo liso é formada por um campo de linhas
paralelas horizontais (estrias) cortadas a grandes intervalos por linhas verticais.
São classificados como sem filigrana os selos que não foram atingidos por
qualquer parte das Armas do Brasil, letras de “PAPEL SELLADO” ou algarismo de “1905”.

A verificação da filigrana melhor se faz pelo exame contra a luz. As linhas da


filigrana apresentam ligeiros sulcos na superfície do papel observados com relativa
facilidade.
[M]
Em 1935 com a série comemorativa do Dia da Criança surgiu a filigrana Cruz de
Malta, também chamada Cruz Potêntea, Cruz Pátea e Cruz de Cristo, prendendo-se
essas várias denominações a controversos pareceres sob o ponto de vista da heráldica.
A designação mais vulgarizada é a de Cruz de Malta.
Esta filigrana tem em comum com a filigrana CORREINHO (N) a palavra “BRASIL”
em iguais caracteres. Selos há que isolados são indistintos por existirem nas duas
filigranas e apresentarem apenas letras de “BRASIL”
[ O-R ]
Em 1939 é que apareceu a primeira filigrana CASA + DA + MOEDA + DO +
BRASIL, em letras grandes, (O) por contraposição à de letras pequenas (R). A diferença
entre ambas é de fácil constatação, mesmo que não existem selos impressos com as
duas filigranas. Numa as letras medem de altura 8 mm e na outra 5 mm.
Na filigrana CASA + DA + MOEDA + DO + BRASIL (R) letras menores, surgida em
1942 existem dois tipos diferentes. O primeiro deles com 5,5 mm. de altura. Melhor nota-
se a diferença medindo-se verticalmente o espaço ocupado por várias letras. A filigrana
menor aparece em selos de papel fino ou médio (tramado) enquanto que a outra somente
em selos de papel grosso.
Esta filigrana tem em comum com a filigrana CORREIO  BRASIL (P) a palavra
“BRASIL” em caracteres semelhantes, existindo, portanto. selos isolados indistintos, por
terem apenas fragmentos da palavra “BRASIL”.
[ P-Q.]
Em 1940 foram impressos os primeiros selos com filigrana CORREIO  BRASIL
(P) tendo sido posteriormente modificada aparecendo em 1942 em tipo diferente (letras
menores) para em 1944, ainda um novo tipo (letras pequenas). A distinção entre a
primeira e as duas últimas é facilmente visível, pois, a diferença na altura das letras é de
7mm para 5mm.
Já na distinção entre a de letras menores e letras pequenas, devemos para maior
facilidade, atentar à trama do papel. A de letras pequenas tem o papel liso com filigrana
pouco visível e a de letras menores tem o papel tramado.
Diferença existe, também, no espaço ocupado pela legenda ocasionado pelo maior
ou menor intervalo existente entre as letras.
[ S-T-U ]
Em 1943 foram utilizados para impressão de alguns selos comemorativos papéis
estrangeiros com filigrana marca do fabricante. São elas: linhas onduladas, raias e
círculos e onduladas e transversais duplas.
[EV]
Em 1949 foi usado na impressão dos blocos do Presidente Roosevelt, papel,
também, com marca do fabricante em filigrana. Esta filigrana não é continua, aparecendo
unicamente nos bordos da folha de papel, ocasionando dessa maneira a existência de
blocos com e sem filigrana.
[ AA-AB-AC-AD-AE-AF ]
Empresas particulares — Os selos emitidos pelas empresas particulares VARIG e
SINDICATO CONDOR foram impressos em papeis estrangeiros com marcas dos
fabricantes. As filigranas Cruzes e círculos, rosetas (Condor) e Labirinto (Varig) são
continuas ocupando toda a superfície do papel, o mesmo não acontecendo com as
filigranas Vencedor, Western e Metrópole (Varig) que são marginais.
REPRODUÇÕES EM TAMANHO NATURAL DAS FILIGRANAS EM BLOCOS.

A – “CORREIO FEDERAL”

B – “IMPOSTO DE CONSUMO”

AB – “REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL”


Indistinta
C – “CASA DA MOEDA”

D – “ESTADOS UNIDOS DO BRASIL” – Letras grandes.

E – “CASA DA MOEDA” e estrelas.


F – “CORREIO”

G – “EUBRASIL” – Regular.

H – “EUBRASIL” – Acróstico.
J – “ESTADOS UNIDOS DO BRASIL”
Letras pequenas.

I – “CORREIO BRASIL” – Cruzeiro do Sul.

K – Sigla “CM” inscrita em estrelas.


L – “Armas do Brasil”

M – “CASA DA MOEDA DO BRASIL”


Cruz de Malta (Potêntea, Cristo ou Pátea)
N – “BRASIL o CORREIO” – Correinho.

O – “CASA + DA + MOEDA + DO + BRASIL”


Sinal mais – Letras grandes.

P – “CORREIO  BRASIL”
Estrela de cinco pontas – Letras grandes.
letras pequenas
menores

Q1 – “CORREIO  BRASIL”
Letras pequenas.

Q2 – “CORREIO  BRASIL”
Letras menores.
R – “CASA + DA + MOEDA + DO + BRASIL”
Casa mais – Letras pequenas.

U – Linhas onduladas.
Papel
liso liso
Tramado Tramado

V – “HOWARD SMITH – KRUETON


PARCHMENT – MADE IN CANADA”
Esquilo

AA – Cruzes e círculos.

S – “CERBERUS – SECURITY – CHEQUE PAPER”


Raias e círculos.
T – Linhas onduladas e transversais duplas.

AB – Rosetas.

AC – “VENCEDOR – EXTRA STRONG”


AF – “WESTERN POST”

AD – Labirinto.

AE – “METROPOLE BOND”