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Memorial de calculo

Linha de Vida Temporária PCG

Introdução

A linha de vida é um equipamento obrigatório para trabalhos em altura, sua finalidade é garantir a
segurança do trabalhador, quando não há outros meios de proteção coletiva.

As linhas de vida temporárias montadas pela empresa E.A está conforme a NR 35 e NBR 16325-2.
O SPCQ possui projeto, memorial de cálculo, procedimento operacional de montagem e utilização e
ART no Crea feito por responsável técnico competente.

Especificação técnica

Cabos de aço com diâmetro de 3/8”, amarração na ancoragem feito com 5 clipes leve para cabo de
3/8 e esticador de cabo. Possui 15 metros de comprimento e a ancoragem é feita com tubos de aço
carbono galvanizado (DIN 2440 com costura), com vãos de 5 metros, diâmetro 1 ½, espessura da
parede 3,05 mm, diâmetro externo 48,3 mm e peso 3,65 Kg/m. O travamento em vigas de madeira é
feito através de um suporte travado com parafusos de 5/8” e em vigas de aço o travamento é feito em
outro tubo de aço carbono ligado por dois grampos tipo U de 5/8”.

Pontos importantes adotados:

• Todos os funcionários que vão trabalhar em altura foram treinados e capacitados conforme
a NR 35 solicita.
• Todo trabalhado acima de 1,80 m de altura é feito a ART, ARL, PTE e AES antes de iniciar
as atividades.
• É utilizado todo o EPI necessários a atividade como cinto de segurança tipo paraquedista,
talabarte duplo com abertura mínima de 50 mm com trava dupla.
• Ferramentas atadas/presas ao montador para evitar queda de material.

Memorial de calculo

PASSO 1

CÁLCULO DE f1

Tomamos o valor da flecha > 3% do vão


f1 = 0,03 L

PASSO 2

CÁLCULO DE L1 (comprimento do cabo parabólico)

O cabo com a flecha de montagem deve ser no mínimo 3% do vão. Quanto maior a flecha de
montagem, menor será a força de reação do cabo na ancoragem.

PASSO 3

CÁLCULO DE f2 – Flecha triangular considerando o comprimento L1 do cabo

PASSO 4

CÁLCULO DO ALONGAMENTO DO CABO SUBMETIDO A UMA FORÇA DE TRAÇÃO


DE VALOR QUALQUER

Para se calcular a flecha dinâmica f3, é necessário saber o alongamento que o cabo irá sofrer. Para
isso, é preciso saber qual a força de tração no cabo (T1).

Essa força depende da carga dinâmica sobre o corpo P e do ângulo formado pelo cabo de aço quando
submetido a carga dinâmica, que depende de f3. Por isso deve-se fazer o cálculo iterativo, iniciando
com uma força T qualquer, por exemplo 1.500,00 kgf. Calculamos então o alongamento do cabo com
tal força arbitrada.
Onde, ΔL = Alongamento do cabo submetido a uma força T.

T = Força inicial adotada para o início do cálculo de iteração.

L1 = Comprimento do cabo com a flecha adotada.

Ac = Área metálica do cabo (informação obtida dos catálogos dos fabricantes de cabo de aço).

E = Modulo elástico do cabo (retirado do manual técnico CIMAF = 9,5 x 105 kgf/cm² para o cabo
6x19).

PASSO 5

CÁLCULO DA FLECHA DINÂMICA f3 PARA A FORÇA ADOTADA

PASSO 6

DETERMINAÇÃO DA CARGA DINÂMICA VERTICAL QUE ATUA


PERPENDICULARMENTE AO CABO

Considera-se que a máxima carga dinâmica que se deve ter no corpo em queda na desaceleração seja
600 kgf. As normas brasileiras de fabricação de absorvedores de energia e de trava-quedas retráteis
indicam que esses equipamentos com queda de pessoas de 100 kgf não devem ultrapassar os 600 kgf
de carga dinâmica no corpo durante a desaceleração. Por isso, podemos tomar esse valor para o
projeto. Vale ressaltar que alguns trava-quedas retráteis não servem para trabalhos em linhas de vida,
pois no retorno do choque podem desacoplar e descer mais um tramo. Dessa forma, confira sempre
com o fabricante se o trava-quedas retrátil pode ser utilizado nessa aplicação. Para quedas de mais de
uma pessoa acoplada a uma linha, existem várias normas que dão valores de acréscimo diferentes,
para a segunda e terceira ou quarta pessoa.
PASSO 7

DETERMINAÇÃO DA FORÇA NO CABO DE AÇO

No início do cálculo, adotamos uma força qualquer T (força no cabo). Logo após, calculamos a
mesma força T1 por semelhança de triângulos.

A flecha máxima dividida pela metade do comprimento do cabo, tomando a metade do alongamento,
será igual à metade da força no corpo dividida pela força no cabo por semelhança de triângulos.

Compara-se a força de tração de T1 encontrada nos cálculos com a T adotada inicialmente. Se forem
diferentes, interpolam-se os dois valores. Esse valor é utilizado para entrada no início do processo de
cálculo com essa nova força adotada e assim sucessivamente, até que o valor de força adotada T seja
igual à força calculada T1, aí teremos o ponto de trabalho do sistema.

PASSO 8

FORÇA DE TRAÇÃO T DE PROJETO E FATOR DE SEGURANÇA

Quando a força T1 calculada for de mesma magnitude que a força T (tentativa), ela será a força de
tração no cabo adotada no projeto para dimensionamento do cabo de aço e ancoragens do sistema.
Para o dimensionamento do cabo de aço, adota-se um fator de segurança no mínimo de 2,0.
Valores para Vãos de 5 metros:

Calculo da ancoragem na tesoura de madeira

Foi realizado cálculo de tensão de cisalhamento na madeira de caibro, pois após análise foi constatado
que esse local é o mais crítico do projeto.
DCL:

O esforço do poste é aplicado no centro da viga o qual tem 2 metros até o próximo ponto de
fixação.
Medidas: 0,07 x 0,11 x 2 m
Composição dos esforços
Composição dos esforços
τ = F𝑋𝑏ℎ
τ = 37 MPa – (Tensão adm para o caibro)

A = bh F=τ x A

F = 284.900 N

Dividindo pelos 2 apoios

F= 284.900 N F=142.45 N=14.520,Kgf


Fator de segurança de 3,5

V = P / F.s
V = 14.520 / 3,5
V = 3.630 Kgf

Valor suportado com segurança é de 3.630 Kg

Obs: A tensão admissível utilizada no cálculo está de acordo com tabela de propriedades
mecânicas da madeira, encontrada no site:

https://docente.ifrn.edu.br/marciovarela/disciplinas/estruturas-metalica-e-
madeira/estrutura-de-madeira/aula-3-compressao

Composição dos esforços em solda filete do olhal-tubo

Após analise foi constatado que a solda é o ponto mais critico do olhal, por isso foi realizado
o cálculo nesse ponto. Por tabela do fabricante o olhal sem a solda suporta 2,4 T. Dessa forma
fica proibido o uso de dois trava quedas diretamente no olhal dos pontos de ancoragem pois
não suporta mais de 3.000 Kgf.

O olhal foi soldado na extremidade do tubo de 48,3 mm pelo processo de eletrodo revestido
com eletrodo E 7018, o filete tem 5 mm de espessura por 48,3 de comprimento.

Resistencia das soldas de filete

𝑅𝑑 = 𝐴𝑤 (0,60𝑓𝑤 )/𝑦𝑤2

A = 𝑡𝑙

𝑆𝑑 = 1,5 𝑋 30 = 45 kN carga variado

𝑅𝑑= 129 kN
𝑅𝑑 > 𝑆𝑑

O dimensionamento satisfaz com folga o esforço de 3.000 kgf por vão.


Obs: O limite de escoamento utilizado no cálculo está de acordo com tabela de
propriedades mecânicas do eletrodo E 7018, encontrada no site:
http://www.elbras.com.br/tabelas/catalogo-elbras-impermeavel.pdf

Inspeção de fabricação

Encontrada alguma anomalia: SIM NÃO


Acabamento de soldagem X
Fissura e/ou amassados X
Trincas X

Calculo de tensão no tubo.

A linha é amarrada ponto a ponto, ou seja, cada vão é individual, porém em caso de queda
em um vão o esforço vai ser divido para todas as fixações e por ultimo no estai. O cabo
estaiado é um cabo de aço 3/8”, com resistência a ruptura de 6.700 Kgf. Em caso de queda
o esforço máximo no cabo de aço conforme calculo apresentado acima é 2.551 Kgf, porém
por norma uma linha para duas pessoas tem que resistir 3.000 Kgf.

Utilizando o calculo para o maior ângulo possível que nesse caso é 45º, o esforço no estai é:

T = sen(45º)x 3.000 Kgf

T = 2.121,32 Kgf

Utilizando um fator de segurança de 2, o estai suporta 3158,80 Kgf.

Conclusão
Diante da inspeção de segurança mecânica realizada, analisando os esforços mecânicos
através do memorial de cálculo considerando as tensões envolvidas, cada vão suporta 3.000
kg com segurança. Fica proibido o uso de dois trava quedas diretamente no olhal do ponto
de ancoragem.

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ENG. Rafael Baia Mano


CREA 30983 D PA