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RELAÇÕES SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL

1. A PRODUÇÃO CAPITALISTA É PRODUÇÃO E REPRODUÇÃO DAS


RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO.

Para produzir e reproduzir os meios de vida e de produção, os homens estabelecem


determinados vínculos e relações mútuas, dentro e por intermédio dos quais exercem uma
ação transformadora na natureza. Tais relações se estabelecem, portanto, em condições
históricas determinadas, nas quais os elementos da produção articulam-se de forma especifica.
Assim sendo, a produção é essencialmente histórica. A produção social não trata de produção
de objetos materiais, mas de relação social entre pessoas, entre classes sociais que
personificam determinadas categorias econômicas. As relações sociais aparecem, pois,
mistificadamente, como relações entre as coisas, esvaziadas de sua historicidade. A reificação
do capital é, pois, a forma mistificada em que a relação social do capital aparece na superfície
da sociedade.

2. O CAPITAL COMO RELAÇÃO SOCIAL


2.1.O CAPITAL E FORMA DE MERCADORIA

O capital se expressa sob a forma de mercadoria: meios de produção e meios de vida


necessárias a reprodução da força de trabalho. As mercadorias são objetos úteis, produtos de
um trabalho de qualidade especifica, que atendem a necessidades sociais; como objetos uteis,
de qualidades materiais diferenciadas, são valores de uso. O valor de uso é a própria
materialidade da mercadoria e se realiza no consumo dos objetos úteis. Os produtos assumem,
historicamente, a forma de mercadoria porque são produtos de trabalhos privados que
necessitam serem trocados.

2.2. A TRANSFORMAÇÃO DA MERCADORIA EM CAPITAL

O capital na sua forma elementar de dinheiro ou mercadoria só é potencialmente capital;


deve se transformam em capital real e efetivo no processo de produção, mediante a
incorporação da força de trabalho viva, que conserva os valores das mercadorias que
ingressam no processo produtivo e cria novos valores. A transformação do dinheiro em
capital decompõe-se em três processos inter-relacionados, mas independentes, no tempo e no
espaço. O primeiro: a compra e venda dos meios de produção e da força de trabalho que se
desenvolve no mercado. O segundo, que se afetiva no processo de produção onde, mediante o
consumo produtivo da capacidade de trabalho, os meios de produção transformam-se em
produtos, os quais, além de conterem o valor do capital adiantado, contem, ainda, a mais-valia
criada. O terceiro que ocorre novamente na órbita da circulação, onde se realiza o valor do
capital e da mais-valia, mediante a transformação de mercadoria em dinheiro.

A transformação do dinheiro em capital exige, portanto, que os possuidores de dinheiro


encontrem no mercado não só os meios objetivos de produção como mercadorias, mas
também uma mercadoria especial: a força de trabalho, cujo valor de uso tem a qualidade de
ser fonte de valor, isto é, cujo consumo é ao mesmo tempo materialização de trabalho e,
portanto, criação de valor.

3. AS RELAÇÕES SOCIAIS MISTIFICADAS E O CICLO DO CAPITAL

As metamorfoses do capital são uma condição indispensável para o valor capital se


movimente, se crie e se acrescente e reinicie o seu ciclo. Partimos do valor capital na sua
forma dinheiro monopolizado pelo capitalista, que, no mercado e através da compra e venda
das condições de produção, transforma-o em mercadorias; esta forma de mercadoria do valor
capital é condição indispensável para que o processo de produção se realize, já que este é um
processo de trabalho que supõe instrumentos de produção, matérias-primas e auxiliares e
força viva de trabalho, através da qual não só estes meios de produção’ se transformam em
produtos, mas em produtos de um valor maior que o do capital adiantado no inicio do
processo. É no ciclo do capital produtivo que ocorre a verdadeira transformação do dinheiro
em capital, isto é, em valor que se valoriza, em valor que gera valor.

A classe trabalhadora cria, pois em antítese consigo mesma, os próprios meios de sua
dominação, como condição de sua sobrevivência. Capital e trabalho assalariado e criam
mutuamente no mesmo processo. A continuidade do processo de produção capitalista é um
processo de produção de classes sociais.

4. A REPRODUÇÃO DO CAPITAL E A TOTALIDADE DA VIDA SOCIAL

A produção de riqueza material, inseparável da criação e recriação das formas sociais de


que se reveste, é um processo eminentemente social. É indissociável das relações sociais que
na era do capital tem como agentes fundamentais os capitalistas e trabalhadores assalariados,
considerados não apenas individualmente, mas como representantes de classes sociais
antagônicas. A reprodução ampliada do capital supõe a recriação ampliada da classe
trabalhadora e do poder da classe capitalista e, portanto, uma reprodução ampliada da pobreza
e da riqueza e do antagonismo de interesse que permeia tais relações de classes, o qual se
expressa na luta de classe. A sociedade capitalista, expressão histórica do desenvolvimento
social e, portanto, necessária a expansão das forças produtivas do trabalho social, encontra-se
em processo de recriação e de negação. O mesmo processo que a recria, reproduz os seus
antagonismos.

Parte 1 - A produção capitalista é produção e reprodução das relações sociais de produção.

É na vida em sociedade que ocorre a produção. A produção é uma atividade social. Para
produzir e reproduzir os meios de vida e de produção, os homens estabelecem determinados
vínculos e relações mútuas, dentro e por intermédio dos quais exercem uma ação
transformadora da natureza, ou seja, realizam a produção.

A produção social é essencialmente histórica. A produção não trata de produção de objetos


materiais, mas de relação social entre pessoas, entre classes sociais que personificam
determinadas categorias econômicas (Marx e Engels).

Capital e trabalho assalariado são uma unidade de diversos: um se expressa no outro, um


recria o outro, um nega o outro. O capital pressupõe como parte de si mesmo o trabalho
assalariado. O capital se expressa através de mercadorias (meios de produção e de vida e do
dinheiro).

Parte 2 - O Serviço Social no processo de reprodução das relações sociais.

Reprodução das relações sociais é a reprodução da totalidade, do processo social, a


reprodução de determinado modo de vida que envolve o cotidiano da vida em sociedade: o
modo de vida, e de trabalhar de forma socialmente determinada, dos indivíduos em sociedade.

A totalidade concreta em movimento, em processo de estruturação permanente. Entendida


dessa maneira a reprodução das relações sociais atinge a totalidade da vida cotidiana,
expressando-se tanto no trabalho, na família, no lazer, na escola, no poder, etc, como também
na profissão.

O Serviço Social se gesta e se desenvolve como profissão reconhecida na divisão do trabalho,


tendo por passo de fundo o desenvolvimento capitalista industrial e a expansão urbana,
processos esses aqui apreendidos, sob o ângulo das novas classes sociais emergentes - a
constituição e expansão do proletariado e da burguesia industrial, e das modificações
verificadas na composição dos grupos e frações de classes que compartilham o poder de
Estado em conjunturas históricas - específicas.

Questão social afirma-se a hegemonia do capital industrial e financeiro - emerge novas formas
a chamada "questão social", o Estado passa a intervir diretamente nas relações entre o
empresariado e a classe trabalhadora, estabelecendo não só uma regulamentação jurídica do
mercado de trabalho, mas gerindo a organização e prestação dos serviços sociais, como um
novo tipo de enfrentamento da questão social.

Serviço Social no Brasil, afirma-se como profissão setor público em especial - face à
progressiva ampliação do controle e do âmbito da ação do Estado junto à sociedade civil.
Vincula-se a organizações patronais privadas, de caráter empresarial, dedicadas às atividades
produtivas propriamente ditas e à prestação de serviços sociais à população. A profissão se
consolida, então, como parte integrante do aparato estatal e de empresas privadas, e o
profissional, como um assalariado a serviço das mesmas. Não se pode pensar a profissão no
processo de reprodução das relações sociais independente das organizações institucionais a
que se vincula, como se a atividade profissional se encerrasse em si mesma e seus efeitos
derivassem exclusivamente, da atuação do profissional.

Serviço Social - Brasil - regulamentado como profissão liberal/ Portaria 35 de 19/04/1949, do


Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio - enquadra o Serviço Social ao décimo quarto
grupo de profissões liberais - O Serviço Social não tem uma tradição de prática peculiar às
profissões liberais na acepção corrente do termo.

Historicamente não é uma característica básica da profissão, não exclui integralmente certos
traços que marcam uma prática liberal entre os quais se poderia arrolar:

- A reivindicação de uma deontologia (Código de Ética);

- O carater não rotineiro da intervenção, viabilizando aos agentes especializados uma certa
margem de manobra e de liberdade no exercício de suas funções institucionais, existência de
uma relação singular no contato direto com os usuários, os "clientes", e que reforça um certo
espaço para a atuação técnica, abrindo a possibilidade de se reorientar a forma de intervenção,
conforme a maneira de se interpretar o papel profissional;
- A indefinição ou fluidez do que é ou do que faz o Serviço Social, abrindo ao Assistente
Social a possibilidade de apresentar propostas de trabalho que ultrapassem meramente a
demanda institucional;

- A definição jurídica do Serviço Social como profissão liberal abre possibilidades de seu
exercício independente, apesar de serem restritas tais experiências face ao panorama do
mercado de trabalho especializado.

Os assistentes sociais - divulgadores da riqueza intelectual existente, tradicionalmente


acumulada / instrumento básico de trabalho a linguagem.

Século XX - expansão dos Serviços Sociais estreitamente relacionada ao desenvolvimento da


noção de cidadania.

Relações Sociais e Serviço Social

Serviço Social situa-se no processo da reprodução das relações sociais fundamentalmente


como uma atividade auxiliar e subsidiária no exercício do controle social e na difusão da
ideologia da classe dominante/ junto à classe trabalhadora.

No desempenho de sua função intelectual, o assistente social, dependendo de sua oção


política, pode configurar-se como mediador dos interesses do capital ou do trabalho, ambos
presentes, em confronto, nas condições em que se efetua a prática profissional. Pode tornar-se
intelectual orgânico a serviço da burguesia ou das forças populares emergentes; pode orientar
a sua atuação reforçando a legitimação da situação vigente ou reforçando um projeto político
alternativo, apoiando e assessorando a organização dos trabalhadores, colocando-se a serviço
de suas propostas e objetivos.

A revisão da trajetória do Serviço Social no Brasil conduz s afirmar que, considerando o


antagonismo da relação capital e trabalho , a tendência predominante, no que se refere à
inserção da profissão na sociedade, vem sendo historicamente, o reforço dos mecanismos do
poder econômico, político e ideológico, no sentido de subordinar a população trabalhadora às
diretrizes das classes dominantes em contraposição à sua organização livre e independente .O
Assistente Social, no exercício de suas atividades vinculado a organismos institucionais
estatais, para estatais ou privados, dedicado ao planejamento, operacionalização e viabilização
de serviços sociais por eles programados para a população. Exerce funções tanto de suporte à
racionalização do funcionamento dessas entidades, como funcções técnicas propriamente
ditas. O Assistente Social é chamado a constituir-se no agente Institucional de 'linha de
frente", nas relações entre a Instituição e a população, entre os serviços prestados e a
solicitação dos interessados por esses mesmos serviços. Dispõe de um poder, atribuído
institucionalmente, de relacionar aqueles que têm ou não direito de participar de programas
propostos, discriminando, entre os elegíveis , os mais necessitados, devido à incapacidade da
rede de equipamento os sociais existentes de atender todo o público que, teoricamente, tem
acesso a eles. Nesse sentido, o profissional é solicitado a intervir como "fiscalizador da
pobreza", comprovando-a com dados objetivos e in loco, quando necessário, evitando assim
que a instituição caiu nas "armadilhas da conduta popular de encenação da miséria",, ao
mesmo tempo em que procura garantir, dessa forma, o emprego racional dos recursos
disponíveis.