Você está na página 1de 27

UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA

CENTRO DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS

CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

CAMPINA GRANDE

2011
GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

Relatório Final apresentado como requisito parcial


para avaliação da disciplina de Estágio
Supervisionado de Filosofia II do Curso de
Graduação em Filosofia – Licenciatura da UEPB/
Campus de Campina Grande

Orientadora: Profa. Ms. Rosemary Marinho da


Silva

CAMPINA GRANDE

2011
AGRADECIMENTOS

Em tudo dando sempre graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo e por sua fidelidade,
ainda que sejamos infiéis, por ter sempre nos abençoados no desenvolvimento das atividades
propostas. Agradeço também a minha orientadora Professora Rosemary Marinho que não
poupou esforços e sempre me incentivou nos momentos difíceis. Ao professor Ayice Chaves
que nos recebeu muito bem, cedendo espaço em suas turmas para o desenvolvimento do nosso
trabalho e não somente isso nos orientou e nos incentivou a prática do ensino; mas que um
orientador tornou-se um amigo. Meus agradecimentos também se estendem a turma do 3° ano
C do Estadual da Prata, que foram importantíssimos para a realização desse estágio. Por fim
meus agradecimentos a todos os meus colegas estagiários e amigos que de alguma forma
contribuíram para a melhoria de meus conhecimentos teóricos e práticos durante minha vida
acadêmica.
SUMÁRIO

RESUMO ............................................................................................................................ 05

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 06

1. CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO PEDAGÓGICO ..................................................... 07

1.1. ORGANIZAÇÃO GERAL ............................................................................................ 07

1.2. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PEDAGÓGICA .................................................. 09

1.3. PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA ................................................................. 09

1.4. HISTÓRICO DA ESCOLA ........................................................................................... 10

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 11

2.1. O CENÁRIO DAS LEIS QUE REGEM A EDUCAÇÃO BRASILEIRA .................... 12

2.2. PRESENÇA/AUSÊNCIA DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO NAS


DÉCADAS DE 60 E 70 ........................................................................................................ 13

2.3. O PAPEL DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO ....................................................... 15

3. REFLEXÕES FILOSÓFICAS ACERCA DO ENSINO DE FILOSOFIA ....................... 18

3.1 FILOSOFIA E “SER CIDADÃO” ................................................................................. 18

3.2. A IMPORTÂNCIA DA CONCEITUALIZAÇÃO FILOSÓFICA PARA O ENSINO DE


FILOSOFIA ................................................................................................................... 21

4. RECOMENDAÇÕES METODOLÓGICAS ................................................................... 23

4.1. O INÍCIO DE “TUDO” .................................................................................................. 23

4.2. OS DESAFIOS E A SUPERAÇÃO ............................................................................... 23

CONCLUSÃO ................................................................................................................... 26

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 27

ANEXOS ................................................................................................................... 28
RESUMO

O presente relatório de Estágio Supervisionado II em Filosofia descreve em seu


conteúdo os eventos e atividades relacionadas às experiências vividas durante o período
de atividade prática que aconteceu na E.E.E.M.E.P. Dr. Elpídio de Almeida, no bairro
da Prata, Campina Grande. E faz também uma abordagem teórico-filosófica acerca da
importância do ensino de filosofia para a formação do cidadão, trás para a discussão
filósofos da educação, como Platão, Deleuze e outros. E através do que tais filósofos
pensaram desenvolve-se no texto argumentos que põe em evidência a atual situação do
ensino de filosofia e ainda põe sugestões que apontariam para uma atividade filosófica
que estivesse apoiada naquilo que a filosofia de fato é especialista, que seja, criar
conceitos, uma proposta de um ensino de filosofia que trabalhe conceituação como
forma de colaborar para a educação real do cidadão. Pois, A Filosofia como matéria de
ensino, sua história e questões metodológicas, refere-se a uma abordagem que visa tratar
de modo panorâmico sobre como se realizou.
E tem se realizado o ensino de filosofia nas escolas de nível médio no Brasil.

Palavras-Chave: Ensino, Filosofia, Educação, Conceitos.


INTRODUÇÃO

A presente atividade propõe-se entre outros objetivos tratar dos assuntos que
dizem respeito ao espaço pedagógico onde se desenvolveu o Estágio Supervisionado II
do Ensino de Filosofia. Bem como se propõe a discutir algo que se mostra de uma
grande relevância diante das atuais necessidades de justificativas para a presença da
filosofia no Ensino Médio, pois o mesmo trás em seu cerne a discussão a cerca da
importância que a filosofia tem no âmbito da formação do cidadão e qual o seu papel
nesse processo.
Para isso aborda-se na sua fundamentação teórica o processo de formação das
Leis que determinaram sua saída e seu regresso como disciplina aos currículos escolares
nos estabelecimentos de ensino no País, bem como a sua presença nas décadas de 60 e
70. Também revela-nos o papel que está teve e tem no processo de educação no Ensino
Médio.
No que diz respeito à fundamentação filosófica essa atividade aborda as questões
referentes ao “SER CIDADÃO”, e num segundo momento mostra-nos a importância da
conceitualização como objeto da filosofia no ensino e seu papel inerente a essa.
1. CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO PEDAGÓGICO

1.1 ORGANIZAÇÃO GERAL

1.1.1. Identificação da Unidade Escolar

 Escola Estadual de Ensino Médio E Educação Profissionalizante Dr.


Elpídio de Almeida – Estadual da Prata.
 Entidade mantenedora: Governo do Estado da Paraíba.
 CNPJ: 05.304.698/0001-52
 Localização: R. Duque de Caxias N° 235, Prata, CEP 58400-506, Fone:
3321-3265 Campina Grande – PB,
http://www.colegiodaprata.xpg.com.br/.

1.1.2. Caracterização da Estrutura Funcional da Escola

 Níveis de ensino: Ensino Médio e Profissionalizante.

 Modalidades Especiais: Ensino Médio integrado ao Profissionalizante.

 Quantidade de alunos por turma e turno: com 28 turmas no horário da


manha, 22 à tarde e 15 no período da noite, o corpo discente tem em média
com 40 alunos por sala de aula.

 Horário de funcionamento da escola: 07h00min às 12h00min horas,


13h00min às 17h00min, e 18h00min às 22h00min.

1.1.3. Caracterização do Público Participante Escola

 Perfil geral dos alunos e familiares: com uma faixa etária entre 14 e 18
anos, o nível socioeconômico desses alunos é médio, com algumas
exceções ao nível baixo.

1.1.4. Caracterização dos recursos: humanos, administrativos, didáticos e outros.

 Espaço físico da escola: com uma ótima estrutura física e acessibilidade à


cadeirantes e pessoas com outras necessidades especiais, a escola oferece
um número grande de salas de aulas. Salas essas que são amplas e
arejadas, iluminadas, mas carecia de estruturas antirruídos. Os alunos
podem estudar na biblioteca que tem um acervo razoável, com ambiente
adequado as necessidades mais urgentes. Há também um laboratório de
informática e uma área para esportes com quadra e campo de futebol.
 Departamentos: há um conselho escolar formado por presidente, vice-
presidente, tesoureiro, secretário representante dos professores,
representantes dos funcionários, representantes dos alunos e representantes
dos pais. Todo o conselho se volta para determinar às datas de reuniões
com os pais, comunicação do desempenho dos alunos por meio de boletim
escolar, a comunicação das supostas faltas dos alunos e principalmente o
desenvolvimento do diálogo com a família e acima de tudo, o acolhimento
para a participação nas atividades da escola.

 Recursos Humanos: o corpo administrativo é formado por uma diretora


geral, duas diretoras adjuntas, um secretário geral e coordenadores que são
designados pelos professores de cada área (conjunto de disciplinas afins).
Com um corpo de funcionário de: cinco inspetores, três bibliotecárias,
quatro merendeiras, cinco porteiros, cinco auxiliares de serviços gerais,
cinco zeladores e dois vigilantes. A equipe de especialistas da escola é
forma por dois orientadores educacionais, dois supervisores educacionais,
um psicólogo escola, um assistente social e um nutricionista que trabalha
no nível técnico.

 Recursos didáticos: a escola dispõe de laboratório de informática, sala de


vídeo, biblioteca e ambientes para jogos.

1.1.5. Articulação da instituição com a Comunidade

 Caracterização geral da comunidade: localizado num bairro nobre da


cidade, o bairro da prata, a escola serve como ponto de referência a todos
que desejam se locomover entre as várias clínicas e hospitais situados no
seu entorno. Com um fácil acesso e trânsito intenso, as ruas no período da
noite são bem iluminadas facilitando o desenvolvimento do transporte
público nas imediações.

 Convênios: O PDDE- Plano Dinheiro Direto na Escola (do Governo) é a


principal fonte de recurso para manutenção da mesma. Uma das políticas
da instituição está voltada ao incentivo à capacitação dos professores,
atendendo às determinações do PDDE. A administração tem procurado
manter sempre, uma boa abertura aos alunos. Sua coordenação também se
disposições ao diálogo com a 3ª região de ensino e SEC (estadual).

1.2 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA – PEDAGÓGICA

1.2.1 Regimento Escolar e Regulamento Interno: a escola oferece uma proposta


pedagógica curricular onde o aluno é inserido diretamente nela, para que a construção
do projeto político pedagógico se dê dentro da própria escola com a participação de
todos. A escola ainda conta com um regimento escolar de normas e regras direitas com
os deveres dos alunos e dos demais profissionais.

1.2.1.1. Calendário escolar: o calendário escolar que vai de fevereiro a dezembro e


com um sistema de avaliação bimestral. No total, os dias letivos são 208.

1.2.2 Planejamento

 Plano escolar: Os eventos que a escola promove estão de acordo com o


planejamento que, por sua vez, está em comunicação direta com os alunos,
professores, pais e funcionários.

1.2.3 Reuniões

 De pais e professores: As reuniões com os pais acontecem uma vez a cada


semestre.

1.3. PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA

1.3.1. Projeto Político pedagógico da Unidade de Ensino: Atualmente o ensino


vem tomando uma dimensão mais significativa no universo do aluno, onde suas
experiências e seu conhecimento de mundo têm maior importância.
A importância da conscientização do individuo e o seu crescimento como
sujeito político, social e transformador, o que supõe a democratização dos conteúdos
nos levando a necessidades de um planejamento participativo, visando a realização e
a transformação da comunidade na qual está inserida.
Esta proposta de propões a compreender alguns fatores que afetam a
aprendizagem do aluno, de modo a encontrar novas alternativas para diminuir ou até
mesmo contribuir para a extinção de evasão escolar, partindo do princípio de que se
faz necessário uma mudança efetiva na prática pedagógica, tornando uma educação
escolar mais humana e mais participativa, determinando metas, ações, prazos e
responsáveis. (mais informações em anexo)

1.4. HISTÓRIA DA ESCOLA

1.4.1. Data da Fundação: no dia 31 de janeiro de 1953, que o atual governador o


Dr. José Américo de Almeida veio pessoalmente e inaugurou em Campina Grande o
estadual da prata com o decreto Nº 456 de 18/07/1952, que autorizava o seu
funcionamento e com a Resolução Nº 145/95 do CEE que reconheceria o
funcionamento da E.E.E.M Dr. Elpídio de Almeida.
O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A FORMAÇÃO DO
CIDADÃO

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para que possamos abordar esse tema com maior precisão devemos partir da
analise do que está presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, ou das Leis
de Diretrizes e Bases - LDB. Esses documentos foram desenvolvidos com a proposta de
facilitar e melhorar a qualidade da educação no ensino fundamental e médio.

2.1. O CENÁRIO DAS LEIS QUE REGEM A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Os PCNs Elaborados a partir da análise das sugestões de docentes de


universidades públicas e particulares, técnicos de Secretarias Estaduais e Municipais de
Educação, bem como de instituições representativas de diferentes áreas do
conhecimento, especialistas e educadores, estendidos ainda em encontros regionais
organizados pelas delegacias do Ministério da Educação - MEC nos Estados da
Federação onde também tiveram participação professores, técnicos de Secretarias
municipais e Estaduais e representantes de entidades ligadas ao ensino. São resultado de
todas as discussões e propostas que contribuíram para a reelaboração do currículo
escolar que já não atendia as necessidades da realidade técnico - científica atual e da
condição social do cidadão.
Então, partindo-se do entendimento de que as constatações sobre as mudanças e
evoluções que ocorreram no conhecimento no que diz respeito às produções e relações
sociais em geral, demandavam uma renovação no currículo das escolas brasileiras, pois
se percebeu que o modelo tecnicista vigente de educação não mais satisfazia as
necessidades para a sociedade atual, qual seja, da década de 90 que foi quando
efetivamente se revelou essa nova necessidade que surge por conta das novas
tecnologias que eram e são constantemente superadas, e exigem não mais uma formação
especializada que acumule conhecimentos em determinada área do saber, mas uma
formação que permita ao cidadão dialogar, utilizar e refletir sobre as diferentes áreas do
saber. Daí então surge à proposta de uma formação geral do cidadão, não mais
específica como foi nas décadas anteriores. Pois como podemos constatar ao fazermos
uma consulta a LDB, encontramos na Lei n° 5.692/71 que o 2° grau caracterizava-se
basicamente por duas finalidades “preparar para o prosseguimento dos estudos e
habilitar para o exercício de uma profissão técnica”. Foi essa a base para o ensino por
décadas.
Diante da necessidade evidente de uma reforma nos Parâmetros Curriculares
Nacionais, tendo-se depois de muitos debates acerca desse assunto elaborando-se as
reformas necessárias. Em 1996 entrou em vigor a Lei n° 9.394/96, que trouxe em seu
escopo mudanças significativas, pois “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo
do trabalho e a prática social” (Art. 1° inciso 2°)
Observadas essas mudanças no cenário das Leis da educação brasileira, podemos
então partir para o desenvolvimento do tema proposto, qual seja, “O Papel da Filosofia
e sua importância na formação do cidadão”. Uma vez iniciado o processo de mudança,
por meio da Lei supracitada o cenário da educação no Brasil nunca mais seria o mesmo,
pois diante da necessidade de uma formação cidadã que permitisse uma leitura crítica
do mundo e suas mudanças por parte do cidadão fez-se necessário à reintrodução de
disciplinas como filosofia e sociologia que já apresentavam sua importância na LDB de
96. Vejamos como o conhecimento desses saberes já aparece como necessárias na
formação do cidadão que deveria ter “domínio dos conhecimentos de Filosofia e
Sociologia necessários ao exercício da cidadania” (Lei n° 9.394/96 Art. 36. inciso 1°.
Item. III). E introduzidas definitivamente em 2008, através da Lei n° 11.684/08 que no
Art. 1° do Item I, altera o Art. 36 da Lei n° 9.394/96, as quais passam a vigorar da
seguinte maneira: “serão incluídas a filosofia e a Sociologia como disciplinas
obrigatórias em todas as séries do ensino médio” (Art. 1°, Item IV).
Vimos então que diante do panorama da educação pragmática e tecnicista vividos
no Brasil, o ensino de filosofia tem sua importância evidenciada pela obrigatoriedade de
sua presença no currículo do ensino médio.

2.2. PRESENÇA/AUSÊNCIA DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO


NAS DÉCADAS DE 60 E 70

Muito se têm especulado sobre a retirada da filosofia dos currículos de ensino


durante o período militar, os argumentos de que a causa de sua retirada esteja ligada a
sua prática crítica e opinativa que teria sido considerada segundo acreditam subversiva
são as mais frequentes como encontramos na maioria das literaturas que tratam do tema,
como por exemplo, no livro: A filosofia e seu ensino Caminhos e sentidos, o professor
Renê José Trentin Silveira faz uma citação do professor Álvaro Valls, da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul que evidencia o exposto, veja:

Na época da ditadura e da ideologia profissionalizante do capital


humano, a filosofia foi considerada subversiva e inútil. Não se
desejava um pensamento crítico para a juventude [...] Os
melhores professores foram cassados, a filosofia desapareceu
dos vestibulares, as disciplinas dogmáticas e ideológicas
trataram de preencher o espaço antes aberto à discussão crítica
(apud CEPERGS 1987).

Esse pensamento é defendido quase por unanimidade, mas, existem estudiosos


que discordam quanto à verdade dessa justificativa, apelando para outras que não
estariam ligadas necessariamente a postura subversiva da filosofia, qual seja, o
argumento de que a filosofia teria sido removida do ensino médio por não atender as
demandas da política econômica estabelecida no País. Nessa linha de pensamentos
encontramos uma citação feita pelo professor Renê na mesma Obra supracitada da
professora Maria Célia Simon, da Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro:

Muito já se discutiu sobre as razões que teriam levado ao


afastamento do ensino da filosofia do 2° grau. Na opinião de
alguns, seria a “ameaça” que o ensino da filosofia passou a
significar dentro do nosso contexto sociopolítico vigente a partir
de 1964. Mas será que, realmente, esse ensino, tal como era
ministrado nas escolas de 2° grau no Brasil, significava uma
ameaça? É pouco provável. Talvez. Essas pessoas tenham se
esquecido do papel submisso que, de modo geral, a filosofia
desempenhou no Brasil e lembram-se apenas de privilegiar o seu
lado crítico e libertador (SIMON 1986, p.19).
Porém, deixando as questões que dizem respeito à retirada da filosofia do Ensino
Médio voltamo-nos para o real, para o que tivemos de concreto em toda essa discussão:
a retirada da filosofia dos currículos independentemente dos porquês.
Possivelmente encontremos uma justificativa para o afastamento da disciplina de
filosofia, bem como de outras das conhecidas ciências humanas; no plano desenvolvido
pelo País para assegurar o desenvolvimento e a segurança, conhecido como Doutrina de
Segurança Nacional e Desenvolvimento (DSND), que se baseava na tese de que,
segurança interna e desenvolvimento econômico de um país não podem ser concebíveis
separadamente.
Para que desenvolvessem seus projetos trabalhavam regidos por conceitos e
princípios doutrinários, vejamos alguns dos principais:

a) “Guerra subversiva” ou “guerra revolucionária”- trata-se de um conflito interno


onde parte da população busca a queda do governo. Era a que mais preocupava os
militares brasileiros. É aqui que planejam a segurança das fronteiras ideológicas, as
quais sentiam ameaçadas pelo pensamento comunista. A radicalidade é evidenciada,
pois, cada cidadão era visto como um revolucionário em potencial, ou seja, um inimigo
interno. É regido por esse princípio que estabelecem a implantação de reformas no
ensino de 1° e 2° graus, em resposta a uma suposta propaganda marxista infiltrada no
País.
b) “Segurança interna” ou “Segurança Nacional”- segurança interna como
neutralização de oposição de qualquer natureza. Qualquer atividade que viesse a
contestar a política nacional.
c) “Desenvolvimento econômico”- com o pensamento de que a segurança interna
dependia também do desenvolvimento econômico do País, buscou-se implantar as
condições necessárias para isso, para uma promoção da chamada “paz social”, pois
indivíduos insatisfeitos com a economia seriam presas fáceis para o comunismo. O
processo de industrialização, aproveitamento de recursos naturais e extensão de rede de
transporte e comunicação têm grande desenvolvimento nesse período bem como
“treinamento de força de trabalho especializada” o que levou o País a adotar um sistema
de ensino voltado basicamente para a profissionalização do cidadão, retirando dos
currículos disciplinas humanísticas como filosofia, que por conta do processo instaurado
no País e a vigente intensificação de acumulação de capital parecia sem utilidade.
Diante do exposto fica evidenciado que embora a retirada da disciplina de
filosofia do ensino médio brasileiro não esteja ligado ao seu caráter subversivo, tendo
em vista que o ensino de filosofia no Brasil deixava muito a desejar, o fato é que de
alguma maneira incomodava e parecia empecilho aos planos do governo militar. Isto
vimos claramente quando de sua retirada para implantação de disciplinas mais
habilitadas para realizar a contraofensiva do governo a suposta estratégia comunista.

2.3 O PAPEL DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO

A filosofia ressurge depois de décadas com a tarefa de colaborar com a formação


do cidadão e desenvolver nele a criticidade e o pensamento próprio, vejamos o que nos
diz Silvio Gallo, um dos conhecidos filósofos da educação, ao falar sobre o papel da
filosofia, ele nos mostra sua importância, pois “oferece aos jovens a oportunidade de
desenvolver um pensamento crítico e autônomo. Em outras palavras, a Filosofia permite
experimentar um „pensar por si mesmo‟” (GALLO, 2007) 1. Assim cumprindo, o que
seria determinado para os alunos do ensino médio pela LDB que diz que ao concluir o
ensino médio o jovem deve ter conhecimentos que sejam capazes de lhes possibilitarem
“o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o
desenvolvimento da autonomia intelectual, e o pensamento crítico” (Sec. IV. Art. 35.
Item III).
Embora como o próprio Gallo comente na obra: FILOSOFIA no ensino médio:
temas, problemas e proposta.

Quando tratamos do tema do ensino da filosofia na educação


média, somo sempre chamados a justificar sua razão [...] tem
sido lugar comum justificar a presença da filosofia no ensino
médio por dois vieses [...] para garantir o desenvolvimento da
criticidade do estudante [...] para garantir uma interlocução entre
as diversas disciplinas (GALLO, 2003, p19).

1
Como o artigo não tem paginação, indico que a citação encontra-se no site:
HTTP://www.cartanaescola.com.br/edicoes/20/a-filosofia-noensino-medio
Para satisfazer ao pragmatismo presente na educação brasileira e em seus
parâmetros esses dois vieses parecem ser suficientes. No entanto, podemos observar
ainda na mesma obra Gallo dizer: “penso que essas duas justificativas tomadas em
conjunto, são complicadas e, mesmo perigosas” (p.19). Observando que a criticidade
possivelmente não é exclusividade da filosofia e, portanto não pode ser o argumento
que justifique seu retorno para o ensino médio, embora seja evidente que a crítica é uma
das principais características da filosofia. Portanto, esses vieses são aceitáveis enquanto
justificativas legais, mas devem ser refletidas por professores e alunos se, de fato,
correspondem ao papel e a importância da filosofia para a formação do cidadão.
Gallo ainda levanta outro problema ao lembrar que a Lei n° 9.394/96 (LDB) tenta
instrumentalizar a filosofia com o fim de estabelecer a cidadania. Ele argumenta que
“instrumentalizá-la numa política educacional pode significar, pois, sua própria morte”
(p.20).
Como poderíamos então justificar a presença da filosofia no ensino médio? Para
ele “pela própria caracterização desse nível de ensino”, pois:

sabemos que o ensino médio é conhecido como a etapa terminal


da formação abrangente do educando. Ora podemos falar em
três grandes áreas do conhecimento humano, fundamentais em
todo processo educativo, constituído pelas ciências, pelas artes e
pelas filosofias (GALLO, 2003, p.20).

Aqui Gallo cita o pensamento de dois grandes filósofos: Gilles Deleuze e Félix
Guattari em “O que é a filosofia?” no qual afirmam que “arte, ciência e filosofia são as
três potências do pensamento à medida que permitem o exercício da criatividade”
(GALLO, 2007, p.20).
Como podemos observar somente uma educação que enfatize essas três potências
do conhecimento é capaz de permitir experiências distintas de pensamento criativo, pois
só assim teremos condições de fugir do nosso currículo de ensino médio absolutamente
científico. Precisamos fugir do conteudismo e do ensino instrumentalizado. Os jovens
estudantes do ensino médio precisam conhecer e manter equilíbrio entre os
conhecimentos científicos, aprendendo a pensar por meio de suas funções, da arte, por
meio da percepção e afetividades e da filosofia, por seus conceitos.
Uma vez que possamos oferecer a oportunidade aos estudantes de conhecer essas
três potências do saber e desenvolver um equilíbrio entre elas significa proporcionar-lhe
talvez a única oportunidade de encontro com essas experiências. “Daí a importância da
presença da filosofia no ensino médio, ela se constitui numa experiência singular de
pensamento”. (GALLO, 2003, p.21)
Podemos perceber que embora Gallo afirme que as justificativas para o ensino de
filosofia como previstas pela Lei sejam perigosas, pois parecem querer instrumentalizá-
la - o que seria a própria morte da filosofia- não reprova a valorização da filosofia na
formação do cidadão. O que ele tenta ao fazer algumas críticas é mostrar que quanto a
isto a filosofia não é um instrumento de formação, mas uma área do conhecimento
humano produzido para juntamente com os conhecimentos das ciências e das artes
possibilitar experiências singulares de pensamento criativo. Pois o ensino da filosofia
tem seu papel importante enquanto criadora de conceitos, vejamos:

assim, o conceito não deve ser procurado, pois não está aí para
ser encontrado. O conceito não é uma „entidade metafísica‟ ou
um „operador lógico‟, ou uma „representação mental‟. O
conceito é um dispositivo, uma ferramenta, algo que opera no
âmbito mesmo dessas condições. O conceito é um dispositivo
que faz pensar, que permite, de novo, pensar. O que significa
dizer que o conceito não indica, não aponta uma suposta
verdade, o que paralisaria o pensamento; ao contrário, o
conceito é justamente aquilo que nos põe a pensar. Se o conceito
é o produto, ele é também produtor: produtor de novos
pensamentos, produtor de novos conceitos; e, sobretudo,
produtor de acontecimentos, na medida em que é o conceito que
recorta o acontecimento, que o torna possível (GALLO, 2003,
p.51-52).

Assim na defesa de um ensino de filosofia voltado para a formação de conceitos


Gallo acredita que poderá essa mesma filosofia, de maneira efetiva, contribuir para a
formação do cidadão.

3. REFLEXÕES FILOSÓFICAS A CERCA DO ENSINO DE FILOSOFIA

Para uma análise a cerca do ensino de filosofia, e sua importância para a educação
do cidadão é interessante partimos de alguns pensamentos que filósofos preconizadores
do tema tiveram, os quais ainda nos dias de hoje nos oferecem parâmetros norteadores
no que diz respeito à educação filosófica e o seu papel fundamental para uma vida
produtiva em sociedade.
3.1. FILOSOFIA E “SER CIDADÃO”

Durante todo esse texto vimos analisando sobre a importância da filosofia para a
formação do cidadão, interessa-nos então conhecer um pouco do que vem a ser isso que
conceituamos com titulo de cidadão. Partindo da definição mais simples encontrada em
nossos dicionários podemos sinteticamente falar que, “cidadão é o indivíduo no gozo de
seus direitos civis e políticos”. Essa definição não parece ser a mais adequada
filosoficamente falando, pois se fossemos tratar o termo sob o olhar da filosofia
teríamos certamente outros problemas filosóficos. No entanto, parece satisfazer ao que
sugere a LDB quando diz que:

A educação abrange os processos formativos que se


desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais (Lei 9.394, 1996, Art. 1°).

Sendo assim, podemos entender que a educação forma cidadãos capazes e atuantes
em sua sociedade, daí a importância do conhecimento filosófico que o ajudará na
tomada de decisões a partir de princípios éticos e morais que possibilitarão então o gozo
completo de sua cidadania, (ao menos teoricamente). Como aparece na LDB seção IV
Art. 36 inciso 1° Item III que sugere “domínio dos conhecimentos de Filosofia e
Sociologia necessários ao exercício da cidadania”.
Podemos perceber o caráter formador da filosofia desde os tempos mais antigos.
Começando pela Republica idealizada por Platão na Grécia Antiga onde podemos ver
com clara evidência a valorização da educação e em especial do ensino de filosofia para
aqueles que governariam a cidade tendo seus estudos principiados na mais tenra idade
passando pelos estágios infanto-juvenis na educação musical e física, bem como de
matemática, astronomia, geometria e estereometria as quais precederiam então o
conhecimento dialético. Pois, como acreditava uma cidade ou um cidadão que não
tivesse conhecimento filosófico, não poderiam governar o Estado, o que poríamos
contextualizar como não teriam condições de exercerem sua cidadania, pois lhes faltaria
o conhecimento conceitual mesmo do que seria isso. Vimos ainda, a importância que o
mesmo atribuiu à filosofia em todas as suas obras, mas, aqui queremos remeter-nos à
apenas uma em especial, intitulada A REPÚBLICA, onde trata de assuntos pertinentes à
formação de uma cidade justa e da formação dos cidadãos dessa cidade. Nesse sentido
ele desenvolve suas ideias acreditando que uma das principais atitudes a serem
consideradas seria justamente a instituição de um sistema educacional diferente do que
vigorava em seus dias, vejamos o que ele mesmo nos diz: “Quando são adolescentes e
crianças, devem empreender-se uma educação filosófica juvenil, cuidando muito bem
dos corpos, em que desenvolvam e adquiram virilidade, pois eles estão destinados a
servir a filosofia” (REP. VI. 498b).
Portanto como percebemos claramente a filosofia desde os tempos mais antigos já
figurava como uma das bases da educação do cidadão, digo uma das bases por que
como podemos observar na obra supracitada não é exclusividade da filosofia a
interdisciplinaridade, pois o cidadão precisava ter conhecimentos de outras disciplinas,
vejamos “[...] desde criança que devem aplicar-se a ciência do cálculo, geometria e a
todos os estudos que hão de preceder a dialética” (REP. VII. 536d). Pois só depois de
cumprir esse currículo ele poderia alcançar conhecimento dialético, que propriamente
falando em Platão é a arte de discutir, dialogar com os outros, e consigo mesmo.
A função da filosofia e dos outros conhecimentos nos dias de Platão parece em
sua essência, com os da filosofia, arte e ciências nos dias atuais, pois quanto ao objetivo
de tornar o cidadão dialético possibilitando o conhecimento do sumo bem e, portanto de
uma vida justa, pode ser comparado àquilo que é proposto ao ensino médio através do
ensino de filosofia na atualidade. Pois, que é preparar o jovem para a autonomia
intelectual e pensamento crítico, bem como para o exercício da cidadania se não
dialética? O processo do conhecimento estabelecido através do diálogo entre todas as
disciplinas, potencializando o educando ao exercício da cidadania por meio da aplicação
coerente dos métodos e conhecimentos apreendidos e desenvolvidos durante sua
formação possibilitando que viva em sociedade, compreendendo e fazendo-se
compreender, interagindo e estabelecendo relações harmoniosas que o permitam o pleno
exercício de sua cidadania.
Podemos perceber claramente que a filosofia fora e sempre será importante para a
formação do cidadão, resta-nos apenas refletir se a forma como tem sido ensinada
corresponde a sua história, pois como nos diz Horn “a filosofia está visceralmente
ligada ao seu passado”.
Abordando o pensamento de Hegel a cerca do ensino da filosofia, Horn salienta
que para Hegel só podemos ter algum conhecimento de filosofia quando estudamos a
história da filosofia, pois como Hegel diz: “[...] não se pode aprender a filosofar sem
aprender a filosofia, do mesmo modo como só se aprende a pensar quando se aprende os
conteúdos do pensamento” (HORN, 2000, p.9). Diante do exposto por Horn sobre a
posição de Hegel quanto ao ensino de filosofia percebemos que os conteúdos de
filosofia bem como de todas as demais disciplinas devem ser considerados importantes
no processo de formação, pois não se pode em nome de uma “educação moderna”
desprezar a história do pensamento e as ideias produzidas durante séculos. Precisamos
aprender a estudá-las de forma crítica, com um olhar investigativo e procurar
desenvolver novos pensamentos e ideias a partir dessas, pois que é este o processo que a
filosofia nos permite através do dialogo com os outros e consigo mesmo (aprimorar e
desenvolver nossas ideias). Pois:

as ciências filosóficas contêm os verdadeiros pensamentos


universais dos seus objetos, são o produto resultante do trabalho
do gênio pensante de todas as épocas; [...] uma vez cheia a
cabeça de pensamentos, terá então também a possibilidade de
ela própria fazer avançar a ciência e lhe conquistar uma
verdadeira originalidade. (HEGEL, 2005, p.12)

O pensamento hegeliano quanto ao ensino de filosofia centra-se, pois no estudo da


própria história da filosofia, contudo, estudar filosofia e seus conteúdos não implica em
estagnação do pensamento, nem improdutividade intelectual, pois como vimos à
preocupação que ele tem é justamente que o jovem possa pensar filosoficamente e
desenvolver sua própria originalidade não desvalorizando, contudo as ideias e
pensamentos desenvolvidos no passado, mas que trabalhe - mesmo que dando outros
aspectos de entendimento e compreensão dessas – a partir de determinados pressupostos
estabelecidos filosoficamente.

3.2 A IMPORTÂNCIA DA CONCEITUALIZAÇÃO FILOSÓFICA PARA O ENSINO


DE FILOSOFIA:

Podemos chamar então para esse diálogo dois outros filósofos muito importantes
da contemporaneidade, que também escreveram sobre o papel da filosofia e a
importância dessa disciplina para a formação do cidadão, Deleuze e Guattari, tentando
estabelecer uma possível relação entre o pensamento destes com o de Hegel e até
mesmo com o de Platão, pois se a filosofia é fundamental para a formação do cidadão
como vimos em Platão e para aprendermos ela devemos levar em consideração toda a
sua história como em Hegel, podemos então colocar em questão a principal
característica da filosofia apresentada por Deleuze e Guattari, que segundo dizem é o
conceito. Pois como observam a filosofia traz em suas características em primeiro lugar,
o pensamento conceitual, em segundo, o caráter dialógico, e em terceiro, a postura
crítica e radical. Contudo o que Deleuze e Guattari argumentam é que quanto ao caráter
dialógico e a postura critica radical são encontrados também em outras áreas do saber,
no entanto quanto ao conceitual é intrínseca a disciplina de filosofia visto que:

o filosofo é amigo do conceito, ele é conceito em potência. Quer


dizer que a filosofia não é uma simples arte de formar, de
inventar ou fabricar conceitos, pois os conceitos não são
necessariamente formas, achados ou produto. A filosofia, mais
rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos [...]
criar conceitos sempre novos é o objetivo da filosofia. É porque
o conceito precisa ser criado que ele remete ao filósofo como
aquele que o tem em potência, ou que têm sua potência e
competência [...] os conceitos não nos esperam inteiramente
feitos, como corpos celestes. Não há céu para os conceitos. Eles
devem ser inventados, fabricados, ou antes, criados, e não
seriam nada sem a assinatura daqueles que os cria [...] Que
valeria um filósofo do qual se pudesse dizer: ele não criou um
conceito, ele não criou seus conceitos?(DELEUZE,
GUATTARI, 1992, p.13-14).

Gallo ainda nos lembra de que é importante observar “que o que Deleuze e
Guattari chamam de conceito não é exatamente aquilo que estamos acostumados”, pois
para eles “conceito é uma forma racional de equacionar o problema ou problemas,
exprimindo uma visão coerente do vivido”. (GALLO, 2003, p.23), ou seja, é a partir do
que se conhece na história da filosofia e fazendo filosofia como vimos em Hegel, e
também a partir daquilo que se constrói através do diálogo entre saberes como vimos
em Platão, que os conceitos são estabelecidos. “Importa que cada estudante possa passar
pela experiência de pensar filosoficamente, de lidar com conceitos criados na história,
apropriar-se deles, compreendê-los, recriá-los e, quem sabe, chegar mesmo a criar
conceitos próprios” (GALLO, 2007, p.26).
Podemos então concluir a partir dos pensamentos dos filósofos citados nessa
atividade que o papel e a importância da filosofia para a formação do cidadão vão muito
além do que sugere os Parâmetros Curriculares Nacionais ou do que está presente na
LDB. A filosofia possibilita àqueles que a conhecem a oportunidade não apenas de
criticar o mundo, ou poder viver em sociedade de forma cidadã. Possibilita a magnífica
chance de conhecer e mudar não o mundo, mas conhecer e mudar-se a si mesmo.

4. RECOMENDAÇÕES METODOLÓGICAS

4.1. O INÍCIO DE “TUDO”


Ao principiarmos essa etapa da atividade proposta, partimos das orientações do
que diz respeito a formação e ao perfil do curso de Licenciatura Plena em Filosofia
assim como encontramos no site da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, que diz:
“O Curso de Licenciatura Plena em Filosofia da UEPB forma profissionais
docentes/pesquisadores qualificados para trabalhar com o ensino/pesquisa na área de
Filosofia. [...] a LDBN determina o ensino obrigatório de Filosofia no Ensino Médio”.
Sendo assim e estando legitimamente matriculado nesse curso no presente ano de 2011,
nos submetemos dentro do currículo da Universidade na disciplina de Estágio
Supervisionado II a essa experiência ímpar que muito contribui para a formação do
graduando, pois lhe oferece a oportunidade de conhecer o futuro ambiente de trabalho, e
lhe põe diante da realidade das escolas brasileiras com todos os seus desafios a serem
aceitos e problemas a serem superados.
Assim começamos nossas atividades preparando-nos durante o primeiro semestre
de 2011 trabalhando ainda em sala de aula na universidade, as metodologias que nos
ajudariam nessa tarefa, assim desenvolvemos projetos voltados para a Filosofia e seu
ensino, esses procuravam facilitar o domínio dos conteúdos necessário para o ensino
médio e nos capacitava a trabalhar com textos clássicos abordando também os temas
transversais que estão em evidência nos dias atuais.

4.2. OS DESAFIOS E A SUPERAÇÃO


Num segundo momento já embasado pela teoria fomos à prática, basicamente no
segundo semestre devido a greve dos professores da Rede Estadual de Ensino, o que já
se nos apresentou como o primeiro obstáculo a ser superado pois a greve prejudicou os
alunos e também o estágio, pois tivemos que adiar por um mês nosso estágio e os alunos
ficaram sem aula, prejudicando principalmente os concluintes do ensino médio que se
preparavam para o ENEM e o Vestibular.
Resolvido o problema da greve voltamos às atividades, nos reunimos come o
professor de filosofia da Escola Estadual da Prata, o professor Ayice Chaves o qual nos
recebeu e nos orientou quanto aos procedimentos dali em diante, pois como havia quase
trinta dias sem aula, os conteúdos estavam atrasados e também as notas do segundo
bimestre, por isso num primeiro momento em sala de aula ficamos apenas como
observadores, pois o professor titular precisava adiantar conteúdos e fazer provas e
trabalhos para as nota atrasadas, isso evidenciou um dos problemas que a escola pública
brasileira enfrenta na atualidade a desvalorização da categoria dos professores e a
irresponsabilidade do governo para com a educação pois o mesmo não se preocupa o
quanto deveria com os nossas crianças e jovens.
Posteriormente, quando as aulas começaram a voltar a sua normalidade,
começamos também a participar mais ativamente nas discussões que se faziam em sala
de aula, nas primeiras participações de forma bastante discreta, pois queríamos ganhar a
confiança dos alunos sem que para isso precisássemos ostentar alguma aparência de
“sabe tudo”, dessa forma adquirimos o respeito e a amizade e enfim com a oportunidade
franqueada pelo professor Ayice Chaves podemos começar as primeiras aulas, seguindo
sempre suas orientações.
Nas primeiras aulas trabalhamos com textos que se referiam à filosofia antiga, ou
seja, a filosofia em seus primórdios sustentada pelo mito, onde entendemos que o mito
já é filosofia como disse Aristóteles, pois tenta explicar o mundo e sua origem. Assim
podemos juntamente com o professor sugerir atividades e aplicar provas a respeito do
conteúdo. Observamos durante esse período que muitos alunos são bastante esforçados
e buscam uma formação para melhorar de vida, ou de situação econômica, enfim, são
alunos que querem alguma coisa com a educação, que se esforçam para tê-la. Por outro
lado, em oposição a esses encontramos também aqueles que infelizmente não assumem
nem compromisso e passam a maior parte do tempo sem se importar com sua vida
estudantil, isso fica evidenciado pelo grande número de alunos nos corredores do
colégio em quanto isso a biblioteca da escola, que possui um número considerável de
obras a maior parte do tempo se encontra vazia. Esse é outro problema que precisa ser
visto, o que tem levado os nossos jovens a serem tão irresponsáveis com o próprio
futuro? Podemos enquanto professores dos mesmos, incentivar de alguma maneira de
forma mais eficaz para que mudem de atitude e pensem mais em seus futuros? Ficam
essas questões como desafios para todos nós (os que já fazem e os que ainda farão parte
do processo de educação) que nos propomos serem educadores.
Existem certos elementos do passado que precisam ser preservados conforme
podemos verificar nos vídeos relacionados a Escola Estadual da Prata que dizem
respeito a isso, como os alunos respeitavam seus professores e como havia ordem na
escola, hoje podemos perceber que o professor tem perdido em grande parte sua
autoridade e os alunos conhecedores de seus direitos, usam-no muitas vezes para
cometerem perversões na escola porquê sabem que ficaram impunes, aqui fica também
uma crítica ao Sistema que afrouxou demais e agora não sabem mais o que fazer.
Durante o terceiro bimestre começamos a trabalhar com a turma do terceiro ano C
o filósofo Epicuro, desenvolvemos as aulas no texto Carta a Meneceu (Sobre a
Felicidade) a qual se encontra em anexo. A aula foi muito produtiva, pois podemos
discutir sobre a felicidade, como alcançar a felicidade, o tetrapharmakon de Epicuro
para a felicidade, fizemos o calculo dos prazeres, onde abordamos que segundo nem
toda felicidade relaciona-se com prazer, mas nem todo prazer relaciona-se com
felicidade, aí discutimos sobre os prazeres oferecidos pelas drogas, pela prostituição e
vícios e constatamos juntos que esses são prejudiciais à vida. Por fim fizemos uma
atividade sobre o tema, à mesma ficou em posse do professor Ayice Chaves para ser
avaliada como nota do terceiro bimestre.
Na última aula fizemos as considerações finais acerca da filosofia da felicidade
em Epicuro e acrescentando a isso uma palavra de incentivo a continuidade dos estudos,
bem como também motivação para os desafios da vida.
Por fim, fizemos nossos agradecimentos ao professor Ayice Chaves, pela força
que nos deu durante as atividades, por ter nos recebido tão bem e ter se tornado um
amigo, estendemos esse agradecimento aos alunos que por sua vez também se
emocionaram e agradeceram nossa participação, fizemos algumas fotografias para
constar em nosso trabalho como segue em anexo e finalizamos a aula.
Acreditamos que o estágio cumpriu-se na medida do possível seus objetivos, e
ficamos felizes por termos de alguma maneira não apenas adquirido conhecimentos para
nossas vidas, mas também ter contribuído para o conhecimento e crescimento
intelectual de alguns alunos que durante o estágio acompanharam nossas aulas com
muito entusiasmo e assiduidade.
CONCLUSÃO

Diante de tudo que vimos no discorrer desse relatório podemos concluir que no
que diz respeito ao Ensino de Filosofia no Brasil muito se tem ainda a aprender tendo
em vistas que a presença dessa disciplina nos currículos escolares foi muito oscilante o
que causou muitos prejuízos à educação, observamos também que a filosofia no Brasil
sempre se mostrou subserviente as ideologias e privada de sua criticidade inerente ao
filosofar.
O retorno oficial dessa disciplina aos currículos do Ensino Médio no Brasil
possibilita uma nova oportunidade para que se desenvolva de forma crítica e
independente firmando-se como de fato é, ou seja, pensamento atuante.
Todo o trabalho apresentado mostrou-nos que o ensino de filosofia ainda é muito
deficiente, mas as possibilidades estão sendo aproveitadas e a cada dia os desafios são
vencidos. Assim esperamos que a Filosofia cumpra seu papel para com a formação do
cidadão.
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei Federal no 4.024/1961.


Disponível no endereço eletrônico: www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/htm.

BRASIL. Projeto de Lei, 2003. Altera dispositivos do artigo 36 da Lei


n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Brasília, DF: Câmara dos Deputados,
2003.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e


Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

GALLO, S.; CORNELLI, G.; DANELON, M. (Orgs.). Filosofia do ensino de filosofia.


Petrópolis: Vozes, 2003.

GALLO, S., KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no ensino médio. Petrópolis, RJ: Vozes,
2000.

HORN, G. B. A presença da filosofia no Ensino Médio brasileiro: uma perspectiva


histórica. In: GALLO, S.; KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no Ensino Médio.
Petrópolis: Vozes, 2000.

HORN, G. B. Do ensino da filosofia à filosofia do ensino: contraposições entre Kant e


Hegel. In:http:/www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/geraldobalduinohorn.

http://www.colegiodaprata.xpg.com.br/

http://www.youtube.com/?gl=BR&hl=pt

PLATÃO. A República. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste


Gulbenkian, 1990.

Parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio: Parte VI – Ciências Humanas


e suas Tecnologias. Brasília, MEC/SEMTEC, 1999.

SILVEIRA, R.; GOTO, R. (Orgs.). Filosofia no ensino médio: temas, problemas e


propostas. São Paulo: Loyola, 2007.
ANEXOS

Os anexos referentes ao estágio no Estadual da Prata encontram-se na pasta anexos.