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SISTEMA CONSTRUTIVO SUSTENTAVEL COM UTILIZAÇÃO DE PAINÉIS


MONOLÍTICOS DE POLIESTIRENO EXPANDIDO (EPS) EM UMA RESIDÊNCIA
EM VITÓRIA DA CONQUISTA: ESTUDO DE CASO

Fabiana Trindade Teixeira*


Fabricio Trindade Teixeira*
Débora Valim Sinay Neves **

Resumo: A utilização do EPS está entre as inúmeras tecnologias construtivas


existentes, sendo que com a sua utilização são atendidas com mais vantagens as
exigências estruturais e de isolamento térmico e acústico em relação ao sistema de
construção tradicional em concreto ou tijolo cerâmico. O presente artigo descreve o
sistema construtivo sustentável, com enfoque na utilização de painéis monolíticos de
EPS, explicitando as contribuições para a sustentabilidade na construção civil. Os
resultados da pesquisa, apontam para o fato que é cada dia mais usual e necessario
nas edificações a utilização do Poliestireno Expandido (EPS), possibilitando
construções mais rápidas, com menos resíduos, sendo assim economicamente
viável e diferenciado pela possibilidade de reutilizá-lo. Entretanto, há certas
resistências em aderir e nas formas de manusear o EPS devido ao
desconhecimento, porém é evidente a necessidade de um arquétipo de construção
sustentável e o EPS como um material alternativo efetiva tais necessidades.

Palavras-chave: sustentabilidade. EPS. tecnologias.

1 INTRODUÇÃO

Estamos cercados por mais de 7 bilhões de habitantes no mundo, onde os


impactos exercidos pelas atividades humanas sobre o ambiente nunca foram tão
intensas. À medida que há um crescimento populacional mundial, aumenta
*
Fabiana Trindade Teixeira, é graduanda em Engenharia Civil pela FTC,
fabiana_trindade123@hotmail.com
*
Fabrício Trindade Teixeira, é graduando em Engenharia Civil pela FTC,
fabricio_trindade1@hotmail.com
**
Débora Valim Sinay Neves, é Professora da FAINOR/BA e FTC/BA, Doutoranda em Ensino pela
FAINOR/BA, Mestre em Ensino de Ciências pela UNIVATES/RS, Especialista em Metodologias
Inovadoras Aplicadas a Educação – FACINTER/PR, Especialista em Mídias na Educação, Graduada
em Matemática pela UESB/BA, Bacharelanda em Direito pela FAINOR/BA, deborauesb@gmail.com.
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proporcionalmente a procura por novas fontes de energias, capazes de suster o


desenvolvimento da população mundial, atendendo as recentes demandas
energéticas que despontam a cada dia.
No entanto, não há como minimizar os impactos ambientais sem um
desenvolvimento contínuo de Educação Ambiental, ficando evidente a necessidade
de uma compreensão sobre as questões ambientais como um todo, e para que isso
seja consumado, é necessário prover condições para a formação dos caminhos de
desenvolvimento econômico sustentável, concedendo ao homem oportunidades de
reorientar a sua relação com o meio ambiente.
Para possibilitar o desenvolvimento sustentável é necessário a busca da
interdisciplinaridade, como um método interativo de conhecimentos provenientes de
vários campos do saber científico, que nos remetam a diversos caminhos
metodológicos para tornar concreta a inter-relação entre o ensino, extensão e
pesquisa. E nesse contexto se destaca as Engenharias, onde conjuga os diversos
conhecimentos qualificados, no sentido de possibilitar as habilidades, levando em
consideração a economia, a sociedade e o meio ambiente.
O encadeamento de atividades relacionados a construção civil produzem um
dos mais elevados índices de impacto ambiental, com o marco de apoderação de
75% dos recursos extraído do meio ambiente, sendo apenas utilizados 20 a 50%,
gerando resíduos sólidos, conhecido como entulho. É por esse e outros motivos que
o sistema construtivo atual visa os parâmetros que direcionam para que se possam
obter edificações sustentáveis revertendo o quadro de degradação ambiental e
poluição.
Atualmente um material ganha espaço na área da construção civil como uma
solução econômica e ecologicamente correta. O Poliestireno Expandido (EPS),
produto derivado do petróleo, não é biodegradável, mas é inerte e não contamina o
ar, a água ou o solo. O processo de fabricação consome poucos recursos naturais e
gera baixo volume de resíduos, além de não utilizar o gás CFC, nocivo à camada de
ozônio. Dentre as principais vantagens, o EPS apresenta alta resistência à
compressão, conforto térmico e acústico, baixa absorção de água e umidade. Sua
aplicação na construção civil é variada, podendo ser encontrada em todas as áreas
da edificação. Segundo a ABRAPEX (texto digital) nos últimos 35 anos o EPS
ganhou uma posição estável na construção civil, não apenas por suas
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características isolantes, mas também por sua leveza, resistência, facilidade de


manuseio e baixo custo.
Partindo dessa premissa, o presente artigo descreve o sistema construtivo
sustentável, com enfoque na utilização de painéis monolíticos de EPS, explicitando
as contribuições para a sustentabilidade na construção civil.
Trata-se de um projeto descritivo de natureza qualitativa, de cunho
exploratório descritivo, utilizando-se da pesquisa de campo para o conhecimento
sobre o sistema construtivo sustentável onde foi desenvolvida a pesquisa numa
residência localizada na BR 116, no condomínio de médio porte na cidade de Vitória
da Conquista, Bahia, Brasil.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 SISTEMA CONSTRUTIVO SUSTENTÁVEL

Segundo Mattar (2007), citado por Furukawa e Carvalho (2011, p.6),


“sustentabilidade é a característica de um sistema que responde às necessidades do
presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às
suas necessidades”. Não sendo diferente na construção civil, a utilização de
materiais com baixo impacto ambiental e métodos construtivos que visam a
economia e o bom aproveitamento de recursos finitos, são algumas interações
necessárias para uma construção sustentável. Em outras palavras, segundo Araújo
(2014, texto digital):

Construção sustentável é um sistema construtivo que promove alterações


conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação,
habitação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os
recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e
futuras (...). Quanto mais sustentável uma obra, mais responsável ela será
por tudo o que consome, gera, processa e descarta. Sua característica mais
marcante deve ser a capacidade de planejar e prever todos os impactos que
pode provocar, antes, durante e depois do fim de sua vida útil
(ARAÚJO, 2014, texto digital).
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Segundo Goulart (2007), a sustentabilidade não é um objetivo a ser


alcançado, não é uma situação estanque, mas sim um processo, um caminho a ser
seguido. Advém daí que a expressão mais correta a ser utilizada é um projeto “mais”
sustentável.
É fundamental que na busca pela mais sustentabilidade, proposto por Goulart
(2007), todos os envolvidos no projeto e execução do ambiente edificado trabalhem
em coletividade (em rede) onde todos devem fazer sua parte, e ao mesmo tempo
incentivar os demais a fazê-lo, todas as decisões devem ser resultado de uma
sintonia com os demais projetistas, gerenciadores, consultores, fornecedores,
executores e usuários, na medida em que esta escolha pode condicionar ações a
serem efetivadas pelos demais.
A construção civil também possui normas próprias no campo da
sustentabilidade, por meio do sistema ISO. São elas as normas ISO 21930 (2007) -
Sustentabilidade na construção civil – Declaração ambiental de produtos para
construção e ISO 15392 (2008) – Sustentabilidade na construção civil – Princípios
gerais.
Segundo Bernardo (2012), citado por Araújo (2012), para o Comitê Técnico
da ISO, o conceito de obra sustentável é:

Edificação sustentável é aquela que pode manter moderadamente ou


melhorar a qualidade de vida e harmonizar-se com o clima, a tradição, a
cultura e o ambiente na região, ao mesmo tempo em que conserva a
energia e os recursos, recicla materiais e reduz as substâncias perigosas
dentro da capacidade dos ecossistemas locais e globais, ao longo do ciclo
de vida do edifício (ISO/TC 59/SC3 N 459) (ARAUJO, 2012 apud
BERNADO,2012).

Segundo Silva et.al (2017) , a sustentabilidade se associa cada vez mais à


capacidade de inovação, logo, gestores têm que estar atentos ao presente e ao
futuro: se hoje é preciso atender às necessidades das partes envolvidas nos
empreendimentos, é igualmente fundamental mapear e pesquisar novas práticas
gerenciais, produtos e serviços, para se antecipar às necessidades do mercado de
amanhã.
É verídico que toda edificação nasce de um projeto, e sendo ele bem feito, é
possível construir sustentavelmente sem gastar muito por isso. A maioria das
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tecnologias se paga sozinha com a economia que geram, sem falar que valorizam a
construção no caso de uma futura venda. (SILVA et al 2017)

2.2 EPS

EPS é a sigla internacional do Poliestireno Expandido, desenvolvido através


de experencias laboratoriais na Alemanha. No Brasil, é mais conhecido como
Isopor®, marca registrada da Knauf Isopor Ltda.
De acordo com a ABRAPEX (texto digital):

O EPS é um plástico celular rígido, resultante da polimerização do estireno


em água. Em seu processo produtivo não se utiliza e nunca se utilizou o gás
CFC ou qualquer um de seus substitutos. Como agente expansor para a
transformação do EPS, emprega-se o pentano, um hidrocarbureto que se
deteriora rapidamente pela reação fotoquímica gerada pelos raios solares,
sem comprometer o meio ambiente. O produto final é composto de pérolas
de até 3 milímetros de diâmetro, que se destinam à expansão. No processo
de transformação, essas pérolas são submetidas à expansão em até 50
vezes o seu tamanho original, através de vapor, fundindo-se e moldando-se
em formas diversas (ABRAPEX, texto digital).

Conforme Figura 1, pode-se observar todo o processo produtivo do EPS


desde a matéria prima até a etapa final.

Figura 1: Processo produtivo do EPS


Fonte: EPS BRASIl (2018)
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O diferencial do EPS está em sua composição final ser inodoras, não


contaminar o solo, água e ar, sendo ainda reaproveitáveis e recicláveis em sua
totalidade. Atualmente o EPS tem aplicação no setor comercial, industrial e em
diversos seguimentos devido a sua facilidade e praticidade na utilização e manejo,
abrindo leques em seu emprego nos mais diversos âmbitos. Como complemento, a
ABRAPEX (texto digital) reforça que:

O EPS tem inúmeras aplicações em embalagens industriais, artigos de


consumo (caixas térmicas, pranchas, porta-gelo etc.) e até mesmo na
agricultura. É na construção civil, porém, que sua utilização é mais
difundida. É comprovadamente um material isolante. Sem ele, os países
mais evoluídos não construiriam de modo atualizado e econômico, visando
a economia de energia. Nos últimos 35 anos esse material ganhou uma
posição estável na construção civil, não apenas por suas características
isolantes, mas também por sua leveza, resistência, facilidade de manuseio e
baixo custo (ABRAPEX, texto digital).

Segundo a AMBIENTE BRASIL, (pagina virtual) a matéria prima do EPS é


sujeita a um processo de transformação física, processando-se em três etapas,
sendo elas:

a) A pré expansão: A expansão do poliestireno (PS) expansível é efetuada


numa primeira fase num pré-expansor através de aquecimento por contato
com vapor de água. O agente expansor incha o PS para um volume cerca
de 50 vezes maior do original. Daí resulta um granulado de partículas de
isopor constituídas por pequenas células fechadas, que é armazenado para
estabilização. b) O armazenamento intermediário: O armazenamento é
necessário para permitir a posterior transformação do isopor. Durante esta
fase de estabilização, o granulado de isopor arrefece o que cria uma
depressão no interior das células. Ao longo deste processo o espaço dentro
das células é preenchido pelo ar circundante. c) A moldagem: O granulado
estabilizado é introduzido em moldes e novamente exposto a vapor de
água, o que provoca a soldadura do mesmo; assim obtém-se um material
expandido, que é rijo e contém uma grande quantidade de ar (AMBIENTE
BRASIL, texto digital)
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A regra que normatiza o EPS é a NBR 11752, estabelecendo os requisitos


para o uso de materiais celulares de poliestireno para isolamento térmico na
construção civil. No mercado existem duas versões do EPS: Classe P, não
retardante à chama, e Classe F, retardante à chama. E três grupos de massa
específica aparente: I - de 13 a 16 kg/m3, II - de 16 a 20 kg/m3, III - de 20 a 25
kg/m3. (ABRAPEX, texto digital)
Abaixo, no Quadro 1, as características exigíveis para o EPS pela NBR
11752:

Quadro 1: Características exigíveis para o EPS pela NBR 11752

Fonte: ABRAPEX (texto digital)

Sua aplicabilidade é diversificada, estando presente na construção civil,


embalagens e agricultura. Na construção civil as aplicações do EPS são variadas,
podendo encontrá-lo em todas as áreas da construção, sendo aprofundada
posteriormente. Em embalagens, segundo a ABRAPEX (texto digital), as
embalagens de EPS são produzidas a partir de projetos específicos, de acordo com
as necessidades de cada cliente e de cada produto, garantindo assim, uma proteção
eficiente durante o transporte, manuseio, armazenamento e distribuição das
mercadorias. E por fim na agricultura, sendo bastante utilizado em diferentes
funções, como aeração de solo, drenagem e produção de mudas.
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2.3 O EPS NA CONTRUÇÃO CIVIL

Segundo a EPS Brasil, são diversos os usos do Poliestireno expandido na


construção civil, inclusive em obras de estruturas grandes, como estradas e
ferrovias. O material tem variações de usos dentro do mercado da construção civil,
desde sistemas construtivo como os Painéis Autoportantes, Wall System, até sua
utilização em lajes, isolantes térmicos, molduras e fôrmas.
O sistema construtivo utilizado na residência em estudo é composto por
painéis monolíticos/autoportantes de EPS e malha de aço, recoberto “in loco” por
argamassa estrutural. A seguir apresentamos as especificações de algumas
aplicações do EPS na construção civil.

2.3.1 PAINÉIS AUTOPORTANTES

Os painéis autoportantes com EPS são considerados um dos sistemas


construtivos mais avançados do ponto de vista técnico. Segundo Isorecort (2016),
esses painéis são pré-fabricados e leves, formados por uma alma de EPS entre duas
malhas eletrossoldadas de aço. Em geral, as placas de EPS têm 55 mm de espessura
e o conjunto, depois de revestido, tem 100 mm de espessura, como pode-se observar
na figura 2 abaixo. No entanto, podem ser produzidos painéis com espessuras de até
110 mm, dependendo da necessidade do projeto.

Figura 2: Painéis autoportantes com EPS


Fonte: Construção com EPS (2016)
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A montagem dos painéis na construção civil não é complexa, mas requer alguns
cuidados e normas para evitar equívocos na construção:

Após concretar as fundações calculadas para suportar apenas 100 kg/m2 de


paredes e tetos, e deixando nelas pontas de ferro para amarração dos painéis,
estes são montados no prumo e amarrados entre si por grampos ou arame
recozido. As tubulações de água e eletrodutos são facilmente inseridos nos
painéis, após abrir seu espaço com calor. Faz-se a primeira projeção de
argamassa em ambas as faces dos painéis de EPS. Após fixar os caixilhos e
esquadrias, repete-se a projeção de argamassa, dando-se ao mesmo tempo o
acabamento com desempenadeira e feltro. Nas áreas molhadas, colam-se
azulejos com argamassa aditivada. Após concluída, a casa fica com aspecto de
casa de alvenaria, porém com paredes mais delgadas, muito mais leves e
muito mais confortável (ABRAPEX, texto digital).

Os painéis atendem as exigências normativas de desempenho estrutural,


conforto térmico e impermeabilização, integrando facilmente com outros materiais,
sendo que esses fatores impelem grandes dificuldades de dimensionamento utilizando
os métodos convencionais. Destacando Panhan (2018) sobre a diminuição do uso da
água e energia quando se opta pela utilização de painéis autoportantes. Para executar
um metro quadrado de alvenaria, gasta-se muita água desde a fabricação das
matérias-primas até a instalação, com uso de água para preparação da argamassa,
limpeza, entre outros processos. Na fabricação do painel, a água não é utilizada e
também não são necessários produtos auxiliares que dependem do líquido.

2.3.2 CONCRETO LEVE

O concreto leve de EPS é um concreto do tipo cimento-areia que, em vez de


utilizar pedra britada, usa EPS (poliestireno expandido) em pérolas pré-expandidas ou
flocos reciclados. Quando a mistura se solidifica, envolve as pérolas de EPS
(compostas por mais de 95% de ar), resultando em um concreto de baixa densidade
aparente. (ISORECORT,2016)
Segundo a ABRAPEX (texto digital), as principais aplicações do concreto leve
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são:
Regularização de lajes em geral: Inclinação para escoamento
Painéis de fechamento: Prédios/casas pré-fabricadas/galpões
Elementos pré-fabricados: Lajotas/blocos vazados, pilares para
muros, elementos vazados, elementos decorativos para fachadas
e jardins
Pavimentos: Calçadas, painéis para fechamento de galerias
Elementos tipo "móveis": Bancos para ambientes externos, base
para montagem de sofás / balcões / camas.
Áreas de Lazer: Quadras de esporte, base para dispositivos de
exercícios (ABRAPEX, texto digital).

Para obtenção dos melhores resultados, é indicado que a quantidade de cada


material seja seguida segundo o traço de concreto leve (QUADRO 2):

QUADRO 2: Composição da mistura para 1 m³ de concreto leve

Fonte: Construção com EPS (2016)

O concreto leve é reconhecido pelo seu reduzido peso específico e elevada


capacidade de isolamento térmico e acústico. Segundo ECOPORE (2018), enquanto
os concretos normais possuem sua densidade variando entre 2300 e 2500 kg/m³, os
concretos leves chegam a atingir densidades próximas a 500 kg/m³. Esta diminuição da
densidade afeta diretamente a resistência do concreto.
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2.3.3 FORROS ISOLANTES

O forro de placas de EPS sustentadas por perfilados metálicos é um dos mais


práticos, baratos e isolam termicamente os ambientes forrados. Complementando, a
ABRAPEX (texto digital) reforça que o sistema de sustentação pode ser simples
perfilados de chapa galvanizada pintada suspensos por tirantes. As placas de EPS são
autoportantes, isolantes, impermeáveis, permitem relevos decorativos e podem ser
pintadas com tintas à base de PVA e acrílico. São de manuseio muito fácil,
antialérgicas e não são atacadas por cupins.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Como mencionado anteriormente, esta pesquisa tem como objetivo descrever


o sistema construtivo sustentável com enfoque na utilização de painéis monolíticos
de EPS. Para embasamento da pesquisa foi apresentado referencial teórico que da
suporte a realização deste estudo pesquisa, utilizando também uma residência
localizada na BR 116, quadra 4, lote 4, em um condomínio de médio porte na região
sudoeste da Bahia, na cidade de Vitória da Conquista como estudo de caso.
A metodologia que será utilizada foi definida através dos objetivos como uma
pesquisa qualitativa de estudo de caso. Gil (2008, p.57-58), afirma que o estudo de
caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos,
de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente
impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados. De acordo com
Yin (2005, p. 32), apud Gil (2008), o estudo de caso é um estudo empírico que
investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as
fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são
utilizadas várias fontes de evidência.
Com a intenção de obter a opinião dos profissionais da área, foram realizadas
duas entrevistas, sendo um engenheiro civil responsável pelo projeto e execução da
residência em estudo e outro Mecânico que responderá sobre as questões do aço
nos painéis monolíticos. As entrevistas ocorreram entre Fevereiro e Abril de 2019.
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A partir do referencial teórico realizado, o roteiro das entrevistas foram


direcionadas para os métodos e questões do sistema construtivo sustentável
aplicado na construção da edificação em estudo, adotou-se um questionário
semiestruturado com 10 questões referentes aos projetos, montagem dos painéis e
todo o processo construtivo sustentável utilizado na residência em estudo, sendo
feito uma visita in loco para poder estratificar dados para apresentação na pesquisa
Após a realização das entrevistas, os dados foram transcritos para que
fossem executados os procedimentos de análise das informações levantadas.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com as informações obtidas nas entrevistas com os profissionais, somado


aos dados secundários e a revisão na literatura, chegou-se aos resultados que serão
apresentados nesta alínea. Nas questões referentes a sustentabilidade na
construção civil foi possível identificar que os entrevistados acham de extrema
importância realizar a diminuição do impacto ambiental causado, prezando ao
máximo pela sustentabilidade. O Engenheiro Civil relata que todos os projetos
desenvolvidos na sua empresa utilizam somente materiais que tem na sua trajetória
atribuições que prezam o máximo pela sustentabilidade, mas nem sempre seus
clientes aceitam por motivos de viabilidade econômica. Já o Engenheiro Mecânico
afirma não elaborar projetos que apliquem a sustentabilidade, pois o aço em si já
tem em sua propriedade ser 100% aproveitável, mas que a cultura ambiental pela
sustentabilidade não é mencionada pelos seus clientes. Sendo relatado pelo
Engenheiro Mecânico: “Devemos entender sustentabilidade num conceito mais
amplo, dessa forma quando fazemos escolhas de materiais devemos atentar para
algumas resultantes. Aproveitamento, Fonte de Fornecimento, Reaproveitamento do
excedente, materiais alternativos, novas tecnologias e novos produtos.”
A partir dessa linha de pensamento, os entrevistados são questionados sobre
as limitações da utilização dos painéis monolíticos. Os entrevistados explicitaram
sobre a importância do projeto que dará os verdadeiros nortes para as limitantes que
inicialmente não existem. Como é citado pelo Engenheiro Mecânico: “O projeto e
calculo são os referencias para a engenharia. Não como nascer algo sem antes
passar por esse caminho”. E o engenheiro Civil complementa: “Ainda existe certa
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falta de conhecimento no mercado, porém trata-se de uma estrutura bem mais


robusta do que qualquer outra solução convencional”.
Ao perguntar para os entrevistados sobre os custos em relação a construção
convencional, o Engenheiro Civil relatou que é possível a redução de custos devido
como exemplo na diminuição do investimento nas fundações devido a diminuição
das cargas da estrutura, porém o Engenheiro Mecânico afirmou que não deve haver
paramentos quando o impacto ambiental está envolvido.
E por fim foi apresentado o desafio da implantação dos painéis monolíticos de
EPS nas construções e nessa linhagem os entrevistados foram questionados a
possibilidade de as construções adentrarem plenamente na utilização dos mesmos.
As respostas foram apresentaram variáveis. O engenheiro Civil disse que o futuro
pertence ao EPS por todo o processo desde a fabricação a sua resultante ser
totalmente reciclável. Porem o Engenheiro Mecânico acredita que as tecnologias
serão sempre aprimoradas, e seria falho acreditar que generalizar esse material
para todas as construções seriam incoerentes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O EPS é um sistema que representa uma das respostas tecnologicamente


mais avançadas e vantajosas do ponto de vista das exigências estruturais e de
isolamento térmico e acústico em relação ao sistema de construção tradicional em
concreto ou tijolo cerâmico. Todas as propriedades do EPS mantêm-se inalteradas
ao longo da vida do material, portanto mantém inalterado o painel de que faz parte.
O EPS não apodrece, não propicia a formação do bolor, além de não liberar
substâncias nocivas para o ambiente. Também não constitui substrato ou alimento
para o desenvolvimento de animais ou microrganismos. Propriedades estas que
evitam inúmeras patologias construtivas. A versatilidade que as placas podem
apresentar através das diferentes formas e tamanhos, se ajustam sempre às
necessidades específicas de cada projeto. O que não impede de fazer projetos
ousados, diferente dos inúmeros sistemas pré-fabricados. Identificam-se inúmeras
vantagens no uso do sistema que utiliza placas de EPS e argamassa armada para
edificações, porém verifica-se que na etapa de execução da obra se detectam
problemas. Acredita-se que se as equipes de trabalho devam ser exaustivamente
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treinadas a realizar este tipo de técnica construtiva onde se evitariam as falhas que
surgem, porque o processo de aprendizagem já estaria assimilado.

Entende-se que já existem diversas alternativas ecologicamente corretas e


socialmente unidas para construir de forma sustentável, porém, o setor de
construção civil precisa avançar ainda mais e adotar tais tecnologias, investir na
pesquisa e no desenvolvimento de outros métodos que contribuam com a
preservação do meio ambiente, bem como a sociedade civil precisa se conscientizar
sobre as alternativas que podem ser utilizadas. Os resultados da pesquisa, nos
levam a apontar para o fato que é cada dia mais usual nas edificações a utilização
do Poliestireno Expandido (EPS), possibilitando construções mais rápidas, com
menos resíduos, sendo assim economicamente viável e diferenciado pela
possibilidade de reutilizá-lo. Entretanto, há certas resistências em aderir e nas
formas de manusear o EPS devido ao desconhecimento, porém é evidente a
necessidade de um arquétipo de construção sustentável e o EPS como um material
alternativo efetiva tais necessidades.

6 REFERÊNCIAS

ABRAPEX - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO POLIESTIRENO EXPANDIDO.


Disponível em: < http://www.abrapex.com.br/>. Acesso em: 02 de maio de 2019.

ARAÚJO, Márcio Augusto. 2014. A moderna construção sustentável. Artigo


Virtual, IDHEA – Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica.
Disponível em: <http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/
17293/material/A_moderna_construcao_sustentavel.pdf>. Acesso em 30 de maio de
18.

BERNARDO, Danieli Aline. CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS. Disponível em: <


http://fait.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/flUfnOnW8rEyn7z_20
14 -4-22-19-43-27.pdf>. Acesso em: 30 de maio de 2018.
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FURUKAWA, Fábio Massaharu; CARVALHO, Bruno Branco. 2011. Técnicas


construtivas e procedimentos sustentáveis – estudo de caso: edifício na
cidade de São Paulo. Disponível em:<
https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/1
19174/furukawa_fm_tcc_guara.pdf?sequence=1>. Acesso em: 30 de maio de 2018.

GOULART, S. 2007. Sustentabilidade nas Edificações e no Espaço Urbano.


Disciplina desempenho Térmico de Edificações. Laboratório de Eficiência
Energética em edificações, UFSC. Disponível em: http://www.labeee.ufsc.br/
sites/default/files/disciplinas/ECV5161_Sustentabilidade_a postila.pdf. Acesso em:
30 de maio de 18.

ISORECORT – CONSTRUÇÃO COM EPS. Painéis autoportantes com EPS.


Disponível em: < http://www.construcaocomeps.com.br/paineis-auto portantes-com-
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http://www.epsbrasil.eco.br/aplicacoes.html>. Acesso em: 02 de maio de 2019.

RICARDO PANHAN 2018. Painéis de EPS para construção: vantagens e


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maio de 2019.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social- 6. ed. - São Paulo:
Atlas, 2008.

Imagem 2 http://www.construcaocomeps.com.br/paineis-autoportantes-com-eps/