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REPÚBLICA DE ANGOLA

GOVERNO DE UNIDADE E RECONCILIAÇÃO NACIONAL

RELATÓRIO DE SEGUIMENTO DAS METAS DA


CIMEIRA MUNDIAL PELA INFÂNCIA

DEZEMBRO 2000
INDICE

1. INTRODUCÃO E ANTECEDENTES ……….…………………………... 3

PROCESSO UTILIZADO NA AVALIAÇÃO DO FIM DE DECADA ... 4

ACÇÕES NOS NÍVEIS NACIONAL E INTERNACIONAL …………... 4

2. ACÇÕES ESPECÍFICAS PARA A SOBREVIVENCIA, A


PROTECÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA ………….... 6
4.1. Divulgação, promoção, implementação e monotorização da
convenção dos direitos da criança …………..…………..……………….... 6
4.2. Saúde infantil ………..……………………………………………….….….. 7
4.2.1 Mortalidade e Morbilidade das crianças ………………………..…………. 7
4.2.2 As doenças diarreicas ……………………………………………....……... 8
4.2.3 Doenças imuno-previníveis …………………………………………….…. 8
4.2.4 HIV/SIDA ..........................................................…....................................... 9
4.2.5 Agua e saneamento …….…………………………………….……………... 9
4.3 Alimentação e Nutrição ……………………………………….….….…..... 10
4.3.1 Micro-nutrientes …………………………………………..…………......... 11
4.3.2 Causas da mal nutrição ………………………………………………......…11
4.4 O Papel da mulher, saúde materna e planeamento familiar …….…........ 11
4.4.1 Micro-crédito …….…………………………………………………….….. 12
4.4.2 Sobrevivencia e saúde-maternas ………………………………….…….…. 12
4.5 O papel da família ….……………………………………….…….………... 12
4.5.1 Crianças separadas ………………………………………….……………... 13
4.5.2 Crianças que vivem for a do ambiente familiar ………………….…………13
4.5.3 Crianças de rua …………………………………………………………….. 13
4.6 Educação …………………………………………………………….……… 14
4.6.1 Acesso à educação …………………………………………….…………… 15
4.6.2 Qualidade e eficácia do sistema educativo ……………………….………... 16
4.6.3 Disparidades regionais e do género ………………………………………... 17
4.7 Crianças em circunstancias particularmente difíceis ……………….…… 17
4.7.1 Crianças com deficiencias ……………………………….…………..…….. 17
4.7.2 Crianças vítimas de minas ………………………………………………… 18
4.7.3 Trabalho infantil …………………………………………………………… 18
4.7.4 Crianças vítimas de exploração e abuso sexual …………………………….18
4.7.5 Crianças em conflito com a lei …………………………………………….. 19
4.8 Protecção da criança durante conflitos armados ………………………… 19
4.8.1 Traumas relacionados com a guerra e tensão psicosocial ………….….……20
4.9 A criança e o ambiente ……………………………………………...…..….. 20
4.10. Pobreza, dívida pública e mobilização de recursos ……………..…...…. 21
4.10.1. Despesas dos agregados familiares urbanos e linhas de pobreza ………... 21

5. LIÇÕES APRENDIDAS ………………………….…………………………. 22

6. ACÇÃO FUTURA …………………………………………………………… 23

7. ANEXO ESTATÍSTICO ……………………………………………………. 25


1. INTRODUÇÃO E ANTECEDENTES

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A República de Angola participou na Cimeira Mundial pela Infância de 1990 na pessoa de seu
Embaixador junto das Nações Unidas, por delegação de Sua Excelência José Eduardo dos Santos,
Presidente da República. Na ocasião foi adoptada uma Declaração Universal sobre a Sobrevivência, a
Protecção e o Desenvolvimento da Criança, assim como um Plano de Acção para ser aplicado na
década. Ambos os documentos foram subscritos pelo Representante Angolano na Cimeira.

Os Estados participantes comprometeram-se a implementar várias acções para melhorar a situação


das crianças no mundo, assim como a acompanhar o progresso no cumprimento das metas
estabelecidas.
O Governo, as Organizações Não-Governamentais nacionais e estrangeiras, as agências das Nações
Unidas, com especial destaque o UNICEF, e a Sociedade em geral, têm procurado dar uma particular
atenção à elaboração de programas e projectos e à execução de acções visando garantir as condições
de sobrevivência, protecção e desenvolvimento das crianças.

Nesta base, a República de Angola realizou alguns eventos de extrema importância, entre os quais se
destacam:

a) O Simpósio Nacional sobre a Criança, realizado em 1993;

b) A promoção do Encontro Nacional Contra a Exploração Sexual Comercial da Criança e o


Encontro Nacional sobre o Trabalho Infantil, ralizados em 1997.

c) O levantamento global da situação da criança em 1997/98. Como resultado desse processo


participativo, foi elaborado e publicado um documento intitulado “Um futuro de esperança para as
crianças de Angola” com vista a delinear um corpo coerente de informação factual e de análise,
contribuindo assim para uma melhor compreensão dos principais problemas e desafios a serem
enfrentados, fornecendo uma ampla avaliação da situação da criança angolana;

d) A Conferência Nacional de Assistência Social, o Parlamento Infantil e o Seminário Nacional de


Quadros do Instituto Nacional da Criança (INAC), constituíram-se em elementos fundamentais para
formulação do Plano Nacional Integrado de Acções no Domínio da Criança.

Em 1995, um Comité para elaboração do Programa Nacional de Acção a favor da sobrevivência, da


protecção e do desenvolvimento da criança, que visava responder aos compromissos da Cimeira
Mundial e que orientava a criação de mecanismos coerentes de definição de políticas, priorização e
articulação de acções, não chegou a funcionar.

Independentente dos esforços desenvolvidos pelo Governo, por razões decorrentes da guerra,
institucionalmente os mecanismos estabelecidos para a elaboração quer do Programa Nacional de
Acção quer do Plano Integrado de Desenvilvimento Nacional, foram essencialmente envolvidas em
acções viradas para a situação de emergência em face da vulnerabilidade a que estavam sujeitas as
crianças em detrimento de acções que proporcionassem o desenvolvimento.

O plano integrado de desenvolvimento nacional a longo prazo que servisse de instrumento de


coordenação para definir prioridades claras que orientassem as acções de desenvolvimento e a
atribuição dos recursos do Estado e da comunidade internacional em benefício da criança não foi
formulado. especificas para as crianças e que não mostravam uma visão de prioridade e de
desenvolvimento do sector social a longo prazo.

Relativamente à Convenção dos Direitos da Criança, o País não elaborou nenhum dos relatórios
exigidos conforme o Artigo 44 daquela Convenção. Importará sublnhar que Angola, apesar dos
constrangimentos impostos por uma guerra cruel que teima em prevalecer, que faz milhares de
vítimas, predominatemente crianças, deixando-as órfãs, abandonadas e algumas delas tendo de
assumir precocemente a paternidade de outros irmãos, tem vindo na medida do possível e nos vários

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sectores, a cumprir as recomendações emanadas das Nações Unidas reconhecendo, entretanto que, a
elaboração dos programas nem sempre são abrangentes em acções específicas, numa visão de
prioridades e desenvolvimento sustentado.

2. PROCESSO UTILIZADO NA AVALIAÇÃO DO FIM DA DÉCADA

O Instituto Nacional de Estatística realizou, em 1996, um inquérito MICS (Inquérito de Indicadores


Múltiplos) como subsídio para uma avaliação do meio da década dos compromissos assumidos pelo
Governo Angolano na Cimeira Mundial pela Infância. Tal avaliação não se concretizou, mas foram
criadas condições para que, entre Abril de 1997 e Setembro de 1998 fosse feita uma análise da
situação da criança e da mulher angolanas. O desenvolvimento desse processo analítico gerou o
documento Um Futuro de Esperança para as Crianças de Angola – Uma análise da situação da
criança, e envolveu ampla participação do Governo, em colaboração com o UNICEF,
de outras agências das Nações Unidas, das agências doadoras, das ONGs
nacionais e estrangeira, das Igrejas e da Sociedade Civil.

Para a preparação da análise da situação da criança em Angola, o Ministério do


Planeamento liderou e coordenou um Comité Nacional Orientador composto
pelos vice-ministros dos principais órgãos do Governo envolvidos com a situação
da criança. Esse processo marcou o início da preparação da presente avaliação das metas da
Cimeira, que está a ser realizada numa articulação entre os órgãos do Governo, de técnicos nacionais
e internacionais, de organizações internacionais, ONGs, ONU e doadores, envolvendo um cariz
científico assente sobre uma base de dados sociais, provenientes do MICS, de vários sectores do
Governo e de outros inquéritos e estudos.

Um segundo inquérito MICS, previsto originalmente para ser realizado no ano 2000, e que deveria
ser um instrumento auxiliar para a avaliação do fim da década, não foi finalizado a tempo. No
entanto, as informações a serem por ele geradas terão importância fundamental para as avaliações de
progresso dos próximos anos.

A 1ª Conferência Nacional de Assistência Social, precedida de uma participação no nível provincial e


nacional, abordou questões específicas à situação da criança angolana e aprovou as linhas principais
de uma Lei da Assistência Social, a qual contempla os instrumentos legais para melhorar a situação
da criança. Neste mesmo ano realizou-se o Seminário Nacional de Quadros do INAC, que visou
capacitar os quadros sobre os Direitos da Criança e analisou a situação da criança na especificidade de
cada uma das dezoito províncias do país.

Com reactivação Comité Nacional Orientador sobre a Análise da Situação da Criança em Angola,
coordenado pelo Ministério do Planeamento e integrando quadros de diferentes organismos do
Estado, com apoio do UNICEF, procedeu-se à avaliação das metas estabelecidas pela Cimeira
Mundial pela Infância e elaborou-se o respectivo relatório do fim da década. O Comité Orientador
utilizou um método de trabalho que privilegiava a participação multi-sectorial dos órgãos
governamentais na elaboração dos documentos de base do relatório. O documento assim produzido
foi posteriormente aprovado pelo ao Conselho de Ministros.

3. ACÇÃO NOS NÍVEIS NACIONAL E INTERNACIONAL

No espírito da Cimeira Mundial, foi criado, em1991, em substituição da Comissão Nacional da


Infância, o Instituto Nacional da Criança (INAC), um órgão governamental destinado à promoção e
desenvolvimento de políticas a favor da criança e que, do ponto de vista institucional, estabelece a
articulação de políticas entre as diferentes instituições governamentais e não-governamentais que
trabalham em prol da criança.
O reinicio da guerra, em 1992, limitou as iniciativas do Governo no sentido de planear e executar
acções específicas relacionadas aos compromissos da Cimeira Mundial. Contudo, várias acções têm

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sido executadas na Educação – promovendo campanhas de alfabetização; na Saúde – Campanhas de
vacinação contra a poliomielite, varíola e outras; na Assist~encia e Reinserção Social – prestando
apoio e assistência às crianças vítimas de guerra, acolhendo-as em estabelecimentos próprios, num
esforço conjugado e em colaboração com as ONG’s e instituições sociais, comunitárias, empresariais
e refiligiosas, bem como as Agências da Nações Unidas de que sobressai o UNICEF e a OMASD.

Entretanto, em 1993, foi realizado o Simpósio Nacional sobre a Criança, um evento que reuniu
representantes de todos os sectores preocupados com a situação da criança, incluindo partidos
políticos, instituições da Sociedade Civil e instituições internacionais. Nesse Simpósio foram
estabelecidas estratégias e directrizes de intervenção em benefício da criança angolana, no quadro
dos compromissos assumidos na Cimeira Mundial e na Convenção sobre os Direitos da Criança.

Não obstante as dificuldades, tem-se registado, especialmente a partir da metade da década, um


esforço de concertação e articulação entre órgãos governamentais, instituições da Sociedade Civil e
internacionais, no sentido de unir forças e evitar duplicação de tarefas na programação e execução de
actividades destinadas a aumentar as chances de sobrevivência e a procurar assegurar a protecção das
crianças angolanas.

Vários eventos foram realizados após o Simpósio Nacional sobre a situação da criança angolana, em
1993, destacando-se o Encontro Nacional sobre a Exploração Sexual de Crianças (1997) a partir do
qual foi elaborado, aprovado e posto em execução um Plano Nacional de Acção e Intervenção contra
a Exploração Sexual e Comercial de Crianças em Angola, a Campanha Nacional do Registo Gratuíto
das crianças em consequência da população ter perdido a noção de obrigatoriedade de Registo devido
ao fenómeno migratório das populações das sua zonas de origem para as cidades.

Persistem ainda limitações no que concerne à disponibilidade e qualidade das informações sociais de
procedência administrativa, como as referentes a educação e saúde, mas nota-se, uma evolução
positiva na quantidade e na qualidade de inquéritos por amostragem de âmbito nacional, regional e
local. Entre estes, um Inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS), com apoio técnico e financeiro do
UNICEF, foi realizado em 1996, e um segundo encontra-se actualmente em fase inicial de realização.

No que se refere às acções no nível internacional para a implementação do Plano de Acção da


Cimeira Mundial, destaca-se, a adopção da Carta Africana sobre os Direitos e o Bem-Estar da Criança
em Conferência da Organização de Unidade Africana (OUA) realizada em 1990. A Assembleia
Nacional da República de Angola aprovou a adesão à Carta Africana em Março de 1992.

O Governo Angolano tem participado em várias eventos internacionais relacionados com a protecção
da criança, entre as quais sublinham-se: as Sessões Anuais do Conselho de administração do
Unicef; o Congresso Internacional Contra a Exploração Comercial e Sexual das Crianças,
realizado em Estocolmo em 1996, cujas conclusões e recomendações foram postas em prática no
País através da realização de seminários e simpósios; a Conferência Internacional sobre o
Trabalho Infantil, em Oslo – Noruega; a Conferência Internacional sobre Crianças e Jovens
vítimas de conflitos armados, em Amesterdan; ao Fórum Internacional sobre os direitos da
criança e adolescentes em Copenhague; a VI Conferência de Ministros da Justiça da
Comunidade de Países de Língua Portuguesa, sob o tema Delinquência Juvenil, Meninos de
Rua, ocorrida em Luanda em 1997; ao Encontro Científico Internacional sobre Protecção
Jurídica da família e do menor em Havana; à Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações
Unidas para a avaliação de resultados da aplicação do Pacto de Beijing. Em Nova York
(Junho/2000).

Em Angola, muito do que se conseguiu realizar na tentativa de cumprimento das metas da Cimeira
Mundial pela Infância contou sempre com a orientação, o apoio e o incentivo dados pelo Governo
Angolano às instituições que desenvolvem acções de protecção integral da criança, incluindo as
organizações internacionais.

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4. ACÇÕES ESPECÍFICAS PARA A SOBREVIVÊNCIA, A PROTECÇÃO E O
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

4.1. Divulgação, promoção, implementação e acompanhamento da Convenção dos Direitos da


Criança (CDC).

No plano constitucional, o Estado Angolano consagra prioridade à criança e estabelece o princípio de


que a protecção à família e a promoção do desenvolvimento harmonioso da personalidade da criança
e do jovem é uma responsabilidade do Estado, da Família e da Sociedade. Nesta base, o Parlamento
angolano ratificou, em Novembro de 1990, a Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989.

São várias as dificuldades enfrentadas em relação a todos os aspectos que se relacionam à CDC,
destacando-se aquelas em que estão envolvidos a escassez de recursos financeiros e algumas
debilidades de carácter técnico-institucional. Para além disso, não foram elaborados os relatórios
previstos sobre as medidas adoptadas para o cumprimento das medidas previstas na Convenção.
Contudo, tem sido possível realizar uma série de actividades de promoção e divulgação, como: 1)
exibição de peças teatrais com encenações baseadas na CDC; 2) realização de palestras sob temas
com referências à CDC; 3) emissão de programas específicos e debates radiofónicos e televisivos na
língua portuguesa e nas línguas nacionais, retratando aspectos ligados aos Direitos da Criança em
Angola; 4) distribuição de brochuras; 5) a concepção, publicação e distribuição de folhetos infantis
ilustrados com conteúdos alusivos aos direitos da criança.

Um dos factores de constrangimento na promoção da implementação da CDC é a ausência de um


Plano de Acção. Entretanto, as actividades do Conselho Técnico do INAC, integrado por
representantes de Ministérios que intervêm na assistência à criança, têm permitido a aplicação dos
pressupostos da CDC na definição de políticas, no desenvolvimento de acções e no acompanhamento
dos programas e projectos ligados à criança.

4.2. Saúde infantil

Após três décadas de guerra e de privações, no decurso das quais morreu um grande número de
pessoas, muitas das quais crianças e mulheres, as condições de sobrevivência e saúde humanas em
Angola tornaram-se ainda mais precárias. A situação de pobreza generalizada criou
condições extremamente prejudiciais ao estado de saúde da população
angolana.

O impacto da guerra e as deficiências orçamentais e de gestão têm provocado uma redução da rede
sanitária e prejudicado a qualidade dos serviços prestados no sector saúde.

Embora a guerra tenha um impacto negativo na extensão e melhoria da rede sanitária, em comparação
com o ano de 1995 em que era constituida por 620 unidades que representava cerca de 71% até finais
de 2000, a rede era constituida por 637 unidades dos quais 1888 unidades foram reabilitadas e
reequipadas.

Os recursos humanos são insuficientes e mal distribuídos pelo território nacional, registando-se do
ponto de vista institucional uma reduzida capacidade de formação. Os baixos salários pagos à função
pública têm provocado, por toda a década, a fuga do pessoal de saúde do sector público para o
privado ou informal. Por sua vez, a falta de medicamentos, vacinas e outros materiais compromete
ainda mais a qualidade dos serviços prestados. O abastecimento normal desses produtos tem sido
prejudicado pelo orçamento reduzido, pela dificuldade de circulação no interior do País e pelo debil
sistema de gestão.

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4.2.1. Mortalidade e Morbilidade das Crianças. De acordo com o MICS de 1996, a probabilidade de
morrer antes de completar os cinco anos de idade (TMM5) em Angola estava estimada em de 274
mortes por mil nados vivos em meados da primeira metade da década, significando que mais de um
quarto das crianças morria antes de alcançar a idade de cinco anos. O MICS também permitiu
constatar que a TMM5 mantivera-se constante em anos imediatamente anteriores a 1990, significando
isso que não houve progresso no combate às causas da mortalidade na infância até os primeiros anos
da década. À luz das estimativas acima mencionadas, Angola tem uma das mais elevadas TMM5 do
mundo, bem acima da média de 170 para a África Sub-Sahariana. A taxa de mortalidade infantil
(TMI) está estimada em 166 por mil nados vivos.

Muitas das causas que conduzem à mortalidade infantil, tais como o paludismo e as doenças
diarreicas, estão estreitamente ligadas ao ambiente pouco saudável em que a maioria das crianças
vivem e aos movimentos migratórios provocados pela guerra.

Num inquérito por amostragem, posterior ao MICS (1998), realizado pelo Fundo das Nações Unidas
para População (FNUAP), entre a população deslocada dos municípios de Benguela e do Lubango,
foi encontrada uma TMM5 de 395 óbitos de menores de 5 anos por 1000 nascidos vivos, indicando
esse valor a persistência de uma conjuntura de muito elevada mortalidade das crianças, explicada, em
certa medida, pela precariedade das condições de vida desse grupo populacional.

Outro estudo, realizado em Luanda em 1994, baseado nos dados de cemitérios, apresenta
informações sobre as causas da mortalidade na infância, concluindo que nas crianças com menos de
cinco anos de idade morreram principalmente de malária (38%), doenças diarreicas (14%), sarampo
(10%) e anemia (10%). As outras principais causas, em grande parte evitáveis, foram a malnutrição,
as doenças respiratórias e outras infecções. Dados do Hospital Pediátrico de Luanda, sobre 13111
internamentos e 2416 óbitos ocorridos no primeiro semestre do ano 2000 naquela unidade hospitalar,
apontam a malária como causa de 24,4% dos óbitos das crianças até 8 anos de idade, seguida pelas
doenças diarreicas (14,4%) e pela bronco-pneumonia (9,5%). As principais causas de internamento
das crianças são, pela ordem, a malária (31,2%), a bronco-pneumonia (15,1%) e a diarreia (8,7%)

Durante a década, o Ministério da Saúde passou a executar programas específicos de combate às


principais causas da mortalidade na infância, quais sejam: Programa de Combate às Doenças
Diarreicas; Programa de Combate às Doenças Respiratórias Agudas; Programa Alargado de
Vacinação; Programa do Seguimento ao Crescimento e Desenvolvimento da Criança, Programa
Nacional de Nutrição e Programa de Luta contra a Malária

Para fazer face ao peso do paludismo nas condições de saúde da população, está em curso o
movimento para fazer recuar a doença (RBM), que iniciou acções de sensibilização e de mobilização
comunitária, treinamento de pessoal, estudos entomológicos e luta anti-vectorial, centrada
principalmente no uso de mosquiteiros impregnados. Face à magnitude do problema, os resultados
ainda são baixos, mas prosseguem os esforços para se aumentar o conhecimento da doença, a
disponibilidade de anti-maláricos e de diagnóstico.

4.2.2. As doenças diarreicas continuam a ser uma das principais causas da mortalidade na infância,
devido, principalmente, à dificuldade de acesso à água potável, ao saneamento básico e outros
aspectos ambientais e ao pouco conhecimento dos hábitos de higiene e ao tratamento da doença. Para
o tratamento das doenças diarreicas, a estratégia nacional tem incidido sobretudo na terapia de
reidratação oral (TRO), através da promoção do tratamento precoce caseiro, bem como da criação de
salas de reidratação oral a nível dos centros e postos de saúde. Na prática, a implementação desta
estratégia é prejudicada pela irregularidade do abastecimento de sais de reidratação oral (SRO) e pela
fraca capacidade financeira de alguns grupos vulneráveis, o que não lhes permite aceder a
combustível, açúcar e sal, elementos indispensáveis à confecção do soro de reidratação oral caseiro.

4.2.3. Doenças imuno-previníveis. Devido à cobertura limitada e à fraca qualidade dos serviços

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preventivos de saúde, a taxa de cobertura da imunização das crianças tem sido muito baixa. De
acordo com os dados do MICS, referentes ao ano de 1996, apenas 17% das crianças de um ano de
idade estavam totalmente vacinadas (contra a tuberculose, DTP, poliomielite e sarampo), sendo os
níveis de imunização idênticos para os rapazes e as raparigas. Quase 60% das crianças no mesmo
grupo etário estavam vacinadas com a dose única do BCG e cerca de 45% com a vacina anti-sarampo,
enquanto que apenas cerca de um quarto estavam vacinadas com o DTP3, com a vacina anti-pólio e
com o antigénio da febre amarela. Houve diferenças consideráveis de cobertura entre as áreas rurais
e urbanas, com 26% das crianças totalmente vacinadas nas áreas urbanas, contra menos de 10% nas
áreas rurais.

Uma característica adicional das práticas de vacinação em Angola consiste na grande variação
observada entre as taxas de cobertura de cada uma das vacinas (BCG, DTP, anti-pólio, anti-sarampo e
febre amarela). Assiste-se a um decréscimo nas taxas de cobertura das vacinas múltiplas, como
consequência de uma taxa de abandono, devido a oportunidades desperdiçadas e às constantes
rupturas de vacinas.

Verifica-se uma tendência geral de melhoria na cobertura da poliomielite, do sarampo e do BCG,


embora a cobertura geográfica destes dados seja limitada e variável de um ano para outro, por causa
da acessibilidade e das rupturas de vacinas. Há um compromisso mundial para a erradicação da
poliomielite no mundo. Angola pertence aos cinco grandes reservatórios mundiais do pólio vírus
selvagem. É fundamental que até o ano 2002 se interrompa a circulação desse tipo de vírus, razão
porque têm-se realizado jornadas nacionais de vacinação contra a poliomielite com pelo menos duas
sub-jornadas nacionais.

Não deve ser posta em causa a sustentabilidade dessas acções porque o objectivo é interromper a
circulação do vírus selvagem em Angola e, assim, não comprometer o objectivo mundial de
erradicação da pólio até 2005. A sustentabilidade será garantida pela melhoria da vacinação de rotina
e pela implementação de um sistema de vigilância epidemiológica integrada, que será centrada
principalmente na detecção das paralisias flácidas agudas – e que terá como premissas o melhor
tratamento e remuneração dos profissionais ao nível dos postos e centros de saúde, a melhoria da
mobilização social centrada na participação comunitária e a integração da vacinação nas agendas dos
governos provinciais.

Um factor importante na melhoria da imunização desde 1994 têm sido as campanhas especiais de
vacinação. Em 1994-95, a campanha de “Sarampo Plus” aumentou o nível de imunização contra o
sarampo, doença responsável, à época, por 10% das mortes de crianças menores de cinco anos. Foi
também instituído em 1994 o dia nacional de vacinação contra a poliomielite. Uma avaliação da
cobertura realizada pelo PAV (Programa Alargado de Vacinação), na sub-campanha de Novembro de
2000 na Província de Luanda, indicou uma população vacinada de aproximadamente 75%.

Visando reduzir a mortalidade das crianças, está-se a melhorar a intervenção parcial (malária, PAV,
DOAS, etc.) num programa comum de Assistência Integrada às Doenças da Infância, de acordo com
as orientações da OMS.

4.2.4. HIV/SIDA. Até Agosto de 2000 haviam sido notificados em Angola 6.291 casos de SIDA.
Apesar das limitações em termos de fontes de dados , a prevalência de HIV estava estimada em 3,4%
em 1999. Estudos sero-epidemiológicos realçam o facto de haver certos grupos mais infectados.
Num estudo realizado em doentes de tuberculose em 1999, 19% eram seropositivos na cidade de
Luanda e 34% na cidade de Cabinda. Apesar desses resultados serem baixos relativamente a alguns
países com elevada prevalência de HIV, a pouca representatividade dos dados limita o seu
significado.

Grande parte dos estudos realizados sobre conhecimentos, atitudes e práticas em relação às DTS e à
HIV/SIDA realizados em Angola revelam que os inquiridos sabem que o preservativo protege contra

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as DTS e a transmissão do HIV, mas apenas uma pequena percentagem (entre 15 e 30% segundo os
diferentes estudos) utiliza os preservativos aquando das relações sexuais ocasionais. Visto que 9% da
transmissão ainda é causada por via sanguínea, urge garantir-se sangue seguro pelo menos nas
capitais provinciais e aumentar-se a mobilização social para a desestigmatização da doença e para a
disponibilização de preservativos a muito baixo custo em todo o País. É urgente também que se dê
atenção aos já seropositivos, garantindo-se-lhes os medicamentos para o tratamento das infecções
oportunistas e, portanto, uma melhor qualidade de vida.

4.2.5. Água e saneamento. Durante muitos anos foram pouco significativos os investimentos em
água, saneamento e habitação em Angola. Por causa da guerra , muitas das infra-estruturas existentes
foram danificadas, algumas de forma repetida, e a manutenção foi inadequada ou impossibilitada por
falta de acesso e/ou recursos. Em consequência, a maioria dos Angolanos não têm acesso a água
potável ou a serviços de saneamento, sendo por isso as condições de vida muitas vezes pouco
higiénicas. Esta situação representa uma das mais sérias ameaças à saúde e sobrevivência humana.

De acordo com a Direcção Nacional de Águas (DNA), apenas 42% dos 2.840 pontos públicos de
água existentes estavam operacionais em 1996 (DNA, C-1997). Destes, 47% estavam danificados,
16% tinham sido entulhados com lixo e 34% estavam secos.

Com base no tipo de instalações utilizadas e a sua distância das casas, o MICS estimou que apenas
um terço dos agregados familiares, a nível nacional, têm acesso a água apropriada, sendo 46% nas
áreas urbanas e apenas 22% nas áreas rurais. Em relação ao saneamento básico, o MICS estimou que
apenas 40% da população nacional tem acesso a meios de saneamento adequado, com 61% nas áreas
urbanas e 27% nas áreas rurais.

O Governo tem desenvolvido, desde 1997, um esforço significativo na reabilitação dos degradados ou
paralisados sistemas urbanos de abastecimento de água e saneamento, a maioria dos quais concluídos
em 2000. Várias obras de vulto estão aí incluídas, entre as quais o reforço, a reabilitação e a
construção de sistemas de abastecimento de água nas mais importantes cidades do País. A ressaltar
que parcela substancial dos recursos financeiros necessários provieram do Orçamento Geral do
Estado, embora tenha havido apoio de vários países, do Banco Mundial e do UNICEF. A Direcção
Nacional de Águas tenciona, doravante, levar a cabo acções de reparação das redes de distribuição de
água.

4.3. Alimentação e nutrição

Desde a independência, não foi realizado em Angola um inquérito abrangente sobre o estado
nutricional da população, a nível nacional. A actividade de vigilância nutricional em Angola tem
sido limitada aos inquéritos ad hoc realizados pelo Ministério da Saúde e por ONGs envolvidas na
distribuição alimentar e na reabilitação nutricional.

Segundo as estimativas do Ministério da Saúde e das ONGs que realizaram estudos sobre a nutrição
em Angola, a percentagem de crianças com baixo peso ao nascer manteve-se num nível elevado, de
16% a 20%, entre os anos de 1992 e 1995.

Estimativas fornecidas pelo MICS em 1996 sobre atraso de crescimento, baixo peso e emagrecimento
das crianças confirmam que a malnutrição proteico-calórica é um dos mais sérios problemas que
afectam as crianças. As taxas globais, para cada tipo de malnutrição, eram: 53% com atraso de
crescimento; 42% com baixo peso para idade; e 6% com emagrecimento. De uma maneira geral, o
MICS mostrou que a malnutrição proteico-calórica é mais elevada nas áreas rurais do que nas áreas
urbanas.

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O recrudescimento da guerra em Dezembro de 1998 provocou um aumento dos deslocamentos
populacionais em direcção às já superpovoadas cidades. Esta situação ocasionou uma série crise
nutricional no Pais. Em Malanje, em 1999, por exemplo, as taxas de malnutrição global atingiram
mais de 30%. Um esforço concertado entre o Governo e algumas agências no sentido de melhorar a
coordenação das actividades relacionadas à nutrição levou a uma melhoria nessa situação. Em
setembro de 2000, o Ministério da Saúde, o UNICEF e parceiros finalizaram uma série de Protocolos
Nacionais Nutricionais.

Em 1998, um inquérito sobre a deficiência de Vitamina A e a anemia por deficiencia de ferro, que
levantou também indicadores antropométricos, veio confirmar a preocupante situação nutricional no
País. A prevalência do atraso de crescimento foi estimada em 37,4%, a malnutrição aguda em 6,8% e
a de baixo peso em 30.7%.

O resultado mais preocupante é o nível extremamente elevado de malnutrição crónica (atraso de


crescimento). O nível de atraso de crescimento em Angola constitui mais do que o dobro do
observado nos países mais desenvolvidos na região, tais como a África do Sul e Zimbabwe, isto
apesar do que a malnutrição aguda aparenta não mostrar diferenças significativas.

Durante a guerra pós-eleitoral de 1992, os níveis de malnutrição aguda atingiram entre 19% e 44%
nas áreas mais afectadas pelos combates, em particular nas cidades cercadas como Malanje e Kuito.
Durante a retomada dos combates, em 1999, aqueles níveis chegaram a 31% em Malanje, conforme
visto acima, e a cerca de 20% nos municípios do Kuíto e da Ganda.

4.3.1. Micro-nutrientes. Muitas crianças não têm iodo suficiente na sua dieta alimentar. Isto é
particularmente frequente nas províncias do planalto central. Um inquérito sobre o bócio nas
mulheres, realizado na província do Huambo em 1992, revelou uma situação especialmente grave no
município do Bailundo, onde mais de 60% das mães tinham bócio, enquanto na capital provincial a
taxa de prevalência era de 10%. Um outro estudo, realizado em 1994, que incidiu nas crianças do
Bié, mostrou uma prevalência de bócio que variava de 31% a 69%. Apesar de terem sido instaladas
fábricas de iodização de sal em zonas do litoral (Benguela e Namibe), o sal iodizado não é
amplamente distribuído pelo País, devido aos constrangimentos que impedem a livre circulação de
mercadorias, assim como ao fraco desenvolvimento dos mercados.

Num inquérito realizado em 1998 pelo Ministério da Saúde e pelo UNICEF, para crianças até 60
meses de idade, constatou-se que a ocorrência de sinais oculares (1,43%) ultrapassou os níveis de
prevalência crítica, tendo a maioria da população de algumas áreas do Planalto Central concentração
extremamente baixas de retinol sérico e no leite materno.

A prevalência da anemia por deficiência de ferro nas crianças foi estimada em 29,7%, predominando
na sua forma leve. A causa está no baixo consumo de alimentos ricos em ferro.

4.3.2. Causas da malnutrição. Nas condições de guerra e de deslocação massiva das populações
vividas nestas últimas duas décadas, a insuficiência da dieta alimentar tem estado estreitamente ligada
à insegurança alimentar. Uma outra causa é a situação de pobreza em que vive uma grande parte das
crianças angolanas.

4.4. Papel da mulher, saúde materna e planeamento familiar

A situação da mulher em Angola, à semelhança da maior parte dos países subdesenvolvidos em geral
e, em particular, os africanos, é caracterizada por morosidade na resolução dos principais problemas
que a afectam.

Diferentes factores estão na base desta situação, sendo os principais a remissão ao tradicional estatuto

10
de procriadora e mão-de-obra barata na actividade laboral e no campo, o analfabetismo, os baixos
níveis de escolaridade e de formação profissional e, ainda, as distorções políticas, económicas e
sociais mais recentes causadas pela longa guerra que o País vive.

Tem-se observado um aumento no número de mulheres como chefes de família, devido à viuvez ou à
separação dos cônjuges por razões sócio-económicas ou à quebra de valores morais na família,
provocando essas situações o crescente surgimento de crianças e jovens na rua, dispostas a todos os
riscos, inclusivamente a prática do roubo e o uso de drogas. As meninas, muitas vezes com idade
inferior à 14 anos, são prostituídas

Do ponto de vista do reforço do status das mulheres jovens e adultas – Angola aderiu, aos vários
instrumentos legais internacionais para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a
mulher, como Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Mulher, a Convenção da OIT
nº 100, relativa à igualdade de remuneração entre a mão-de-obra masculina e feminina, a Convenção
Relativa ao Estatuto dos Refugiados, a Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, a
Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos Políticos da Mulher.

No que toca a posição da mulher na tomada de decisão, o País conta com 13% na Magistratura
Pública, 15% no Parlamento, 15% no Governo como Ministras e 12% como Vice – Ministras. Neste
nível de representatividade, Angola ocupa boa posição a nível internacional. Contudo, muito se tem
a fazer a nível provincial e municipal, onde a representação feminina é muito reduzida ou, em alguns
casos, inexistente. Lembre-se apenas que nenhum dos 72 cargos de governador e vice-governador
provincial é exercido por uma mulher.

Para execução das políticas a ele inerentes, o Ministério da Família e Promoção da Mulher trabalha
com parceiros, tais como associações, ONG´s, instituições religiosas, estatais, privadas e outras
singulares ou colectivas. As actividades e as iniciativas dessas instituições estiveram voltadas, até o
ano 2000, para a promoção da Mulher, com base na Plataforma de Acção de Beijing encontrando-se
em fase de avaliação e de reformulação com vista ao estabelecimento da estratégia a ser seguida até
2005, na perspectiva da promoção da igualdade de género e na definição de áreas prioritárias para
mudança do status da mulher e da família.

A avaliação da estratégia a nível nacional foi a de que houve avanços satisfatórios, tendo-se, contudo,
a consciência da necessidade de prosseguir o exercício e a esperança de que os maiores
constrangimentos encontrados para a realização efectiva da estratégia - as baixas dotações
orçamentais e o fim do conflito armado - se resolverão.

4.4.1. Micro-crédito. No domínio das políticas de redução e alívio da pobreza, o Ministério da


Família e Promoção da Mulher está a executar um programa de micro – crédito, direccionado à
famílias pobres, nos domínios da actividade agrícola e pequenos negócios, iniciado no último
trimestre de 1998, tendo sido feita avaliação de meio termo com resultados positivos. O projecto está
a ser implementado nas Províncias do Bengo, Cabinda, Huambo, Kwanza-Sul, Luanda e Huambo

4.4.2. Sobrevivência e Saúde Maternas. À semelhança de muitos outros países africanos, Angola não
tem estatísticas fiáveis acerca da mortalidade materna. Atendendo a que as estimativas das
taxas de mortalidade materna baseadas em entrevistas dependem da memória e compreensão
das pessoas inquiridas, o MICS, infelizmente, não constitui em si uma base fiável para a
determinação dos seus níveis em Angola. Actualmente, a melhor estimativa disponível da
mortalidade materna é a de 1.281 mortes por 100.000 nados vivos, a luz dos resultados de um
estudo efectuado em 1993 em Luanda.

De acordo com o MICS, a maioria das mulheres angolanas em idade reprodutiva (63,5%) fez pelo
menos uma consulta pré-natal durante a última gravidez anterior àquele inquérito, com vantagem para
as mulheres da área rural. É necessário ressaltar que a dificuldade de identificação de gravidezes de

11
risco durante a fase pré-natal representa um dos principais factores que concorrem para a mortalidade
materna.. Uma reduzida proporção dos partos (22,5%) foi atendida por profissionais de saúde e a
grande maioria dos partos têm lugar em casa. A falta de acesso aos serviços básicos de obstetrícia e
os riscos de infecção devidos aos problemas de higiene domiciliar constituem um dos principais
factores que concorrem para a elevada taxa de mortalidade materna. A nível nacional, cerca de 83%
dos partos ocorreram em casa, com 72% nas áreas urbanas e 91% nas áreas rurais, em 1996.

4.5. O papel da família

Numerosas crianças ficaram separadas dos seus pais. A maioria foi acolhida por parentes ou por
outras famílias, mas uma minoria significativa acabou por viver fora de um meio familiar normal --
em orfanatos, em lares de infância, em famílias adoptivas temporárias, nas ruas das principais
cidades, em cadeias e nas forças armadas. Estas crianças estão privadas dos apoios normais de um
ambiente familiar e estão, provavelmente, em desvantagem no seu desenvolvimento, incluindo o
acesso à escola e ao baixo desempenho escolar. Os que vivem nas ruas e em cadeias correm um risco
particularmente elevado, quer a curto prazo, quer relativamente à marginalização social a mais longo
prazo.

4.5.1. Crianças separadas. Um estudo conduzido em 1993 constatou que mais de 15% de crianças
em Luanda não viviam com nenhum dos seus pais. A maioria delas vivia com parentes (da família
alargada), porque os seus pais não podiam mantê-los juntos por estarem separados devido à guerra.
As soluções espontâneas de adopção são muito mais numerosas do que as colocações formais das
crianças separadas com pais adoptivos, feitas pelo Estado, igrejas ou ONGs. Apesar de raramente ser
sancionada por procedimentos oficias, a tutela espontânea de crianças é geralmente no interesse da
própria criança. Contudo, existe uma preocupação por parte dos técnicos de serviços de apoio à
criança com uma minoria de casos de crianças que são adoptadas especificamente com o propósito de
exploração do seu trabalho e que se tornam pouco mais do que empregadas domésticas.

4.5.2. Crianças que vivem fora de um ambiente familiar. Existem duas categorias amplas de
crianças que vivem fora de um ambiente familiar:

aquelas que se encontram involuntariamente fora de um ambiente familiar, crianças


detidas crianças perdidas ou crianças que sofreram abusos por parte dos seus tutores e
colocadas pelo estado em lares de infância, crianças órfãs e crianças separadas durante o
decurso de deslocações súbitas de população.

aquelas que se encontram voluntariamente (embora nem sempre da própria criança)


fora de um ambiente familiar como resultado de uma decisão, incluindo crianças colocadas
em instituições pelos seus pais ou familiares por razões de pobreza e aquelas crianças, de
famílias em dificuldades, que procuram uma vida melhor nas ruas.

Estima-se que existiam quase 8,000 crianças a viver fora de um ambiente familiar em 1997. A
maioria (cerca de 6.000) estava a viver em lares de infância, geridos pelo Ministério da Assistência e
Reinserção Social (MINARS), ONGs e igrejas. As restantes incluem crianças que dormiam nas ruas,
encaminhads em centros de recuperação de menores e as colocadas em famílias adoptivas
temporariamente.

Há inquéritos confirmando que a morte dos pais, a pobreza e factores relacionados com a guerra têm
sido as principais causas das crianças acabarem fora de um contexto familiar. Por exemplo, um
inquérito a 378 crianças em lares em Benguela e Malange concluiu que 37,6% estava lá devido à
morte das pessoas que normalmente cuidavam delas, 20,1% devido aos seus pais ou parentes serem
demasiado pobres para cuidarem delas e 19,3% porque tinham sido separadas “enquanto fugiam de
um ataque”.

12
Dados do MINARS indicam que cerca de três quartos das crianças separadas que estão registadas são
rapazes. Esta grande disparidade entre os sexos pode reflectir três factores: primeiro, que as raparigas
têm mais probabilidades que os rapazes de serem tutelados espontaneamente por famílias substitutas,
em vez de serem colocadas em lares de infância; segundo, que poucas raparigas arriscam abandonar a
casa voluntariamente para viver nas ruas; e terceiro, que algumas raparigas adolescentes se integram
noutras famílias através do casamento ou outro tipo de relacionamento.

Os dados do MICS indicam que 15% das crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 18 anos,
ou quase 1 milhão de crianças, perderam pelo menos um dos seus pais. Para quase 2%, ou cerca de
100.000 crianças, os pais estão mortos. A maioria delas foi espontaneamente acolhida por famílias.

4.5.3. Crianças de rua. Crianças de rua, ou mais precisamente aquelas que fizeram das ruas a sua
casa, são um dos grupos de crianças de maior risco entre as que vivem fora de um ambiente familiar.
Elas estão concentradas em Luanda e, em menor número, em algumas outras grandes cidades, tais
como Benguela, Lobito, Lubango e Malange. Para além disso, existem números maiores de “crianças
na rua”, crianças que vivem com famílias mas passam a maior parte do seu tempo nas ruas, a vender
ou a mendigar para a sua sobrevivência ou para a das suas famílias.

É importante realçar que não se tem registado o fenomeno de crianças de rua nas províncias de
Cabinda, Kwanza Norte e Kunene, provincias onde geralmente as comunidades acolhem as crianças
orfãs e abandonadas.

As crianças de rua são, de modo geral, um fenómeno dos anos 90, em particular do período que
começa com o reacender da guerra em finais de 1992. Antes do início dos anos 90, não existiam
crianças a mendigar nas ruas e nunca se tinha ouvido falar de crianças a dormir nas ruas. Estas
características da vida urbana tornaram-se evidentes em meados e finais dos anos 90, à medida que as
condições sociais se deterioram em consequência da guerra. Uma contagem realizada em 2000
indicou um número de 23.752 crianças em situacão de rua em Angola.

Embora a grande maioria das crianças de rua seja do sexo masculino, algumas raparigas vivem
também na rua. Relatórios das ONGs que trabalham na assistência a estas raparigas indicam que elas
são um grupo de crianças em risco excepcionalmente elevado por serem vítimas de violações brutais,
doenças sexualmente transmissíveis, gravidez precoce e abortos feitos em condições perigosas.

4.6. Educação

Segundo o Relatório Estatístico do Ministério da Educação e Cultura para a ano lectivo de 1997/98, a
situação educacional do País mostrava-se, na época, grave, apresentando um quadro regional bastante
diferenciado que atinge pontos críticos nas províncias mais afectadas pela guerra. Constatava, então,
uma insuficiência quantitativa e qualitativa da rede escolar e do corpo docente, assim como dos meios
de ensino, condições de trabalho degradadas e inadequadas para o exercício da actividade docente-
educativa, para além de elevadas taxas de abandono e repetência, o que torna o sistema educativo
pouco rentável.

No momento da independência, em 1975, a maioria da população angolana ainda não havia


frequentado a escola primária. A taxa bruta de escolarização apenas tinha atingido 33% em
1973 e a esmagadora maioria da população adulta cerca de 85% no início da década de 70 era
analfabeta.

O alargamento do acesso ao ensino foi uma das principais metas sociais do Governo após a
Independência. As matrículas triplicaram entre 1973 e 1979, alcançando mais de 1,9 milhões de

13
crianças neste último ano. Ao mesmo tempo, o Governo lançou uma “Batalha da Alfabetização” que
atingiu mais de um milhão de adultos durante os seus primeiros dez anos.

Contudo, estes progressos não foram mantidos, na medida em que a guerra alastrou, na década de 80.
Os problemas tornaram-se ainda mais acentuados durante o conflito pós-eleitoral em 1992, quando a
guerra e as pressões orçamentais atingiram níveis sem precedentes. Como resultado foi
comprometida a universalidade do ensino nos primeiros quatro anos a um crescente número de
crianças angolanas.

Ao mesmo tempo, o esforço de alfabetização perdeu gradualmente a sua força. O número de adultos
atingidos pelas campanhas de alfabetização tem vindo a baixar entre os anos de 1994-1996, em parte
devido ao reacender da guerra, que impediu o acesso às áreas rurais.

Por todas estas razões, crê-se que a taxa de analfabetismo subiu em Angola durante a década de 90.
As estimativas de analfabetismo masculino (acima de 15 anos de idade) indicavam uma elevação de
seus níveis de 47% para 50% entre 1990 e 1995.

Como em quase toda a África, o analfabetismo das mulheres em Angola é significativamente superior
à dos homens, e sua evolução na primeira metade dos anos noventa indica que a situação agravou-se
naquele período. À semelhança da taxa de analfabetismo dos homens, estima-se que a das mulheres
elevou-se de 68% para 70% entre 1990 e 1995, numa época em que se observava uma diminuição
substancial na taxa de analfabetismo das mulheres na África Sub-Sahariana em geral.

Devido às desigualdades no acesso ao ensino, o analfabetismo é muito mais elevado nas áreas rurais e
nas províncias mais desfavorecidas do interior, em comparação com as do litoral. Em 1995 as taxas
de analfabetismo eram muito mais elevadas nas áreas urbanas do leste (41% no Moxico) do que em
Luanda (14%) ou na área de Benguela/Lobito (12%), cidades situadas no litoral. Para o País como um
todo, 15% dos adultos urbanos eram analfabetos, com uma taxa muito mais elevada para as mulheres
(23%) do que para os homens (6%)

4.6.1. Acesso à Educação. Apesar de dados sobre o analfabetismo serem limitados, a discussão do
problema pode ser deduzida do nível médio de escolaridade a que os Angolanos tiveram acesso. Os
dados do MICS indicam que 32% dos adultos com idades iguais ou superiores aos 19 anos nunca
foram à escola e mais de 25% entre eles nunca foram além da terceira classe. Em resumo, mais da
metade dos adultos ou nunca foram à escola ou não ficaram na escola o tempo suficiente para
alcançar um nível no qual fica normalmente assegurado o domínio da leitura e da escrita. Três anos
de ensino não consolidam, provavelmente, esses conhecimentos.

No que diz respeito a crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 18 anos, o MICS concluiu
que apenas 50% estavam na escola em 1996, com uma proporção mais elevada de rapazes do que
raparigas e de crianças das áreas urbanas do que as das áreas rurais a frequentarem a escola.

A segunda característica chave das matrículas é a sua estrutura piramidal muito acentuada, a partir da
1ª classe. De classe para classe, o número de alunos baixa abruptamente, muito embora uma pequena
variação positiva venha-se verificando. Os dados do Ministério da Educação indicam que, em
1990/91, 86% dos alunos do ensino de base foram inscritos no I nível e que apenas 3% se
inscreveram no III nível. Na Segunda metade da década, esses valores vem-se mantendo em torno de
81% e 6%, respectivamente.

Conforme foi acima referido, a rápida expansão das matrículas no ensino de base regular que se
seguiu à independência não podia manter-se à medida que a guerra alastrava e os recursos
orçamentais diminuíam. Dados do Ministério da Educação indicam que as matrículas atingiram seu
valor máximo em 1979/80, com 1,93 milhões de alunos, para depois baixarem rapidamente para uma
média de 1,2 milhões na segunda metade da década de oitenta e chegar a uma média de 1,1 milhões

14
entre 1990 e 1997. Apenas em 1998/99 as matrículas voltaram a superar 1,2 milhões, facto inédito
desde o ano lectivo de 1988/89. Mesmo assim, elas ainda representavam menos de 70% das
matrículas de 1979/80, quase vinte anos atrás.

Os dados mais recentes e ainda não inteiramente processados (1999/2000) parecem indicar uma
tendência ascendente das matrículas a partir de 1998. A Taxa Bruta de Escolarização para o I e II
níveis do ensino básico, estimada a partir desses dados e referente às crianças entre 6 a 11 anos de
idade, que estava em torno de 57% em 1990 e que havia caído para níveis inferiores a 45% entre
1995 e 1997, teria retomado o crescimento e chegado aos 50% em 1998/99 e perto de 55% em
1999/2000.

Deve-se chamar a atenção para o facto de esses dados podem estar subavaliados, devido à
inacessibilidade de algumas áreas e a dificuldades operacionais dos sectores estatísticos das Direcções
de Educação nas províncias e nos municípios. Não é assim surpreendente que a taxa bruta de
escolarização derivada dos dados do MICS para 1996 e aplicada às mesmas classes e ao mesmo
grupo etário seja muito mais elevada, em torno de 89%. Os dados do MICS implicam uma taxa
líquida de escolarização de 50%.

As taxas líquidas calculadas a partir dos dados do MICS (52% para os rapazes e 48% para as
raparigas até aos 18 anos em 1996) estão ainda significativamente abaixo das médias da África Sub-
Sahariana (66% e 56% respectivamente em 1995).

De acordo com o MICS, apenas 30,5% das crianças com seis anos de idade tinham entrado na
primeira classe em 1996, enquanto que os dados do Ministério da Educação mostram que ainda havia
alunos com 14 anos de idade matriculados na primeira classe em 1994/95. Juntando os I e o II níveis,
os dados administrativos indicam que apenas 71% dos alunos em 1994/95 estavam dentro do limite
oficial de idade (seis aos onze anos).

Muito há ainda a fazer em termos da expansão da rede escolar do País no próximo milénio. Apenas
no primeiro ano do novo milénio será necessário haver vagas nas escolas do País para mais de 3,5
milhões de crianças entre 5 e 13 anos de idade.

4.6.2. Qualidade e Eficácia do Sistema Educativo. A qualidade do ensino foi afectada com os
insuficientes recursos disponibilizados para a formação e remuneração dos professores, para a
construção e manutenção de infra-estruturas escolares e para o fornecimento de materiais didácticos e
equipamentos escolares. Não existem professores suficientes e muitos não têm uma formação
adequada. O ânimo e empenhamento dos professores foram afectados pelo declínio do valor real dos
seus salários. Investimentos insuficientes na construção e reabilitação de escolas forçaram as escolas a
aplicarem turnos duplos ou até mesmo triplos. As condições de aprendizagem foram afectadas pela
falta de materiais didácticos, equipamentos e mobiliario escolares e deficiências curriculares.

Segundo o Ministério da Educação, em 1996, no I nível do ensino de base, 28% dos alunos
matriculados abandonaram a escola no decurso do ano, 24% reprovaram nos exames finais e apenas
48% passaram. Do mesmo modo, menos de metade dos alunos matriculados nos II e III níveis
passaram nos exames (38% e 47% respectivamente), devido às elevadas taxas de abandono e
reprovação.

De acordo ainda com dados do Ministério da Educação, as taxas de repetência ultrapassaram em


1994/95 os 30% no primeiro e no segundo níveis. Na maior parte dos anos, as taxas de abandono têm
estado acima dos 20% no I nível do ensino de base. Assim, as taxas de promoção raramente excedem
os 50%. Consequentemente, os dados administrativos implicam taxas de sobrevivência muito baixas.
Em 1994/95 apenas cerca de 23% dos que entravam na primeira classe atingiram a quarta classe e
apenas 12% atingiram a quinta classe, isto é, ingressaram no II nível do ensino de base.

15
O MICS de 1996 dá cifras significativamente mais baixas para as taxas de repetência e de abandono
e, por conseguinte, apresenta taxas de promoção e de sobrevivência mais elevadas. De acordo com o
MICS, a taxa de repetência baixa gradualmente de 30% na primeira classe para 16% na quarta classe,
enquanto que a taxa de abandono varia de 14% na primeira classe para 23% na quarta classe. Assim,
segundo o MICS, 44% dos alunos sobrevivem até à quarta classe e 30% sobrevivem até à quinta
classe.

Deve ser realçado que estas taxas são ainda significativamente mais baixas do que as respectivas
médias para África Sub-Sahariana, onde 71% dos alunos sobrevivem até à quinta classe.

4.6.3. Disparidades Regionais e do Género. Quer os dados ministeriais quer os do MICS confirmam
que as raparigas estão em ligeira desvantagem em relação aos rapazes em termos de acesso à
educação, embora esta desigualdade tenha-se reduzido nos anos noventa e seja menos acentuada do
que anteriormente do que na maioria dos países de África Sub-Sahariana. A desigualdade de
oportunidades de escolarização no passado entre os sexos é bastante clara nos dados do MICS: muito
mais mulheres do que homens (com idades iguais ou superiores aos 19 anos) nunca foram à escola
(43% comparados com 18%) e apenas 18% das mulheres foram além da quarta classe, comparados
com 38% dos homens.

O equilíbrio entre rapazes e raparigas está a melhorar com os anos. Dados do Ministério da Educação
indicam que, em 1994/95, em nove das 18 províncias do País, as raparigas eram 48,0% dos alunos no
I nível do ensino de base, 49,6% no II nível e 48,5% no III nível. Essas proporções repetiam-se em
1997/98 e 1998/99.

Se se considerarem os dados originários do MICS para 1996, a discrepância entre os sexos é um


pouco mais elevada, pois 47% das raparigas com idades entre os 5 e os 18 anos estariam a frequentar
a escola, ao passo que a participação dos rapazes chegava aos 53%. Do mesmo modo, as taxas de
escolarização para as primeiras seis classes do ensino de base são mais baixas para as raparigas do
que para os rapazes (82% para 98% na taxa bruta e 48% para 52% na taxa líquida).

O acesso à educação é geralmente muito baixo nas províncias do interior, comparado com as
províncias do litoral ou vizinhas, um problema que reflecte as desigualdades geográficas do
investimento educacional e do desenvolvimento em geral. As disparidades são mais evidentes nos
níveis mais elevados do ensino de base, com Luanda a ter 54% das matrículas no II nível e 64% das
matrículas no III nível de todo o País (dados do Ministério da Educação de 1996).

Num outro sentido, as informações disponíveis reflectem a discriminação mais geral em desfavor das
áreas rurais, bem como a divisão litoral-interior. Os dados do MICS, em especial, indicam forte
disparidade nas oportunidades educacionais entre as áreas rurais e urbanas, revelados por
significativas diferenças entre os principais indicadores (escolarização, taxas bruta e líquida de
escolarização). É também nas províncias menos urbanizadas que as raparigas encontram-se em
desvantagem relativamente aos rapazes quanto à escolarização.

4.7. Crianças em circunstâncias particularmente difíceis

Em Angola quase todas as crianças têm estado a viver em circunstâncias difíceis. Elas cresceram
numa sociedade marcada e destroçada pela guerra, por deslocações da população, pela crise
económica e pela pobreza.

4.7.1. Crianças com deficiências. De acordo com o MICS, havia em Angola, em 1996, cerca de
85.000 crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 18 anos, sofrem de deficiências,
correspondendo a 1,3% desse estrato populacional. Os índices são ligeiramente inferiores nas áreas

16
urbanas. As taxas aqui citadas são ligeiramente inferiores às de outros países na África Austral, mas
elas podem estar a reflectir casos não notificados.

Em termos gerais, os principais tipos de deficiências entre as crianças angolanas são de ordem física,
seguidas pelas deficiências auditivas, visuais, da fala e pela deficiência mental. A paralisia das pernas
é a deficiência mais comum, responsável por cerca de 34% de todas as deficiências nas crianças . Os
outros principais tipos de deficiências identificadas pelo MICS são deficiências auditivas e da fala
(16%), perna mutilada (9%), doença mental (7%), cegueira (6%) e paralisia do braço (6%).

A maioria das deficiências é causada por doença ou é congénita. 42% de todas as deficiências em
crianças com menos de 18 anos de idade foram resultado de doença e 29% eram congénitas. As
outras principais causas são a guerra (12%), acidente (8%) e ferimentos provocados por minas (3%).

4.7.2. Crianças Vítimas de Minas. Em Angola, de acordo com o MICS (1996), 15% das deficiências
das crianças tinham sido causadas por incidentes de guerra, tais como a detonação de minas e de
engenhos explosivos não-detonados. Isto significa que, naquele ano, cerca de 11.000 crianças com até
18 anos de idade, sofriam de deficiências relacionadas com a guerra, das quais de 2.000 a 2.500
devido às minas.

As minas foram responsáveis por 3% das deficiências nas crianças, embora este número esconda o
facto de que uma proporção substancial de crianças vítimas de minas não sobrevive aos ferimentos
recebidos. Cerca de 85% das crianças que são vítimas de minas morrem antes de obterem cuidados
médicos e, como resultado disso, as crianças estão geralmente subrepresentadas em estatísticas de
acidentes com minas. No geral, cerca de um em cada 430 angolanos - crianças e adultos - tem uma
deficiência provocada por minas, o que representa a proporção mais elevada no mundo, depois do
Cambodja.

Estima-se que existam entre 6 e 8 milhões de minas, ou seja, quase uma mina por cada duas pessoas.
Um grande número de civis, incluindo mulheres e crianças, foi morto ou mutilado por causa de
minas colocadas dentro e à volta de áreas populacionais. Devido ao longo período de duração da
guerra, os civis acabaram por constituir a maioria das vítimas, e as crianças têm sido especialmente
vulneráveis. Isto deve-se a duas razões principais: primeiro, porque as crianças podem não saber o
que são minas ou engenhos explosivos não-detonados; e segundo, porque as crianças, em virtude do
seu papel nas actividades agrícolas, têm por vezes que percorrer longas distâncias, com probabilidade
de atravessar áreas onde foram colocadas minas;

4.7.3. Trabalho infantil. Em Angola, cada vez mais crianças urbanas são obrigadas a trabalhar desde
tenra idade, como pequenos vendedores ou empregados domésticos, para ajudar as suas famílias a
sobreviver.

Nas famílias rurais e urbanas pobres, o envolvimento das crianças no trabalho é uma necessidade
nascida da pobreza e sancionada do ponto de vista tradicionail sobre a contribuição da criança como
força de trabalho da família. Para além disso, algumas crianças das famílias mais pobres nas cidades
são obrigadas a trabalhar como zungueiros, e estão expostas aos perigos da vida nas ruas das cidades.

Na sociedade rural as crianças, a partir de tenra idade, têm sido tradicionalmente vistas como parte
da força de trabalho da família e não só como dependentes. Crianças com idades de cerca de 10-12
anos começam a ajudar os seus pais nos campos. As raparigas também ajudam as suas mães nas
tarefas domésticas e na recolha de água e lenha, o que frequentemente lhes consome uma grande parte
do dia. Os rapazes são responsáveis por guardar o gado, particularmente nas principais regiões de
criação. Na maioria das famílias rurais, tais imperativos tendem a limitar as oportunidades de
escolarização das crianças e, especialmente, a das raparigas.

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A luta pela sobrevivência também levou um grande número de famílias a mandarem os seus filhos
trabalhar fora de casa. Em 1993, 4,4% das crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 14
anos e 22,3% das crianças com idades entre os 15 e os 19 anos estavam empregadas. Cerca de 60%
dos trabalhadores com idades entre os 10 e os 14 anos eram raparigas, mas, no grupo etário dos 15
aos 19 anos os rapazes eram ligeiramente em maior número do que as raparigas.

4.7.4. Crianças vítimas de exploração e abuso sexual. Numa tentativa de fugirem à miséria material
e emocional, um número crescente de jovens raparigas voltam-se para a prostituição. A escala do
problema transformou-o num assunto de crescente preocupação pública e em Fevereiro de 1997 o
INAC realizou um encontro nacional sobre a exploração sexual e comercial das crianças do qual
resultou a elaboração do Plano Nacional de Acção e Intervenção Contra a Exploração Sexual e
Comercial de Crianças em Angola já em execução.

4.7.5. Crianças em Conflito com a Lei. No período entre 1990 e 1995, a polícia registou 22.728
casos envolvendo 30.723 menores, constituídos maioritariamente (27.189) por rapazes. Quase 70%
tinham idades entre os 13 e os 15 anos. As duas maiores categorias de violações da lei foram o
roubo e furto (39%) e a vadiagem (23%). Aproximadamente 90% dos infractores foram devolvidos
às suas famílias, enquanto que 10% foram formalmente acusados e apenas 1% (339) foram
encaminhados para o então "Centro de Recuperação de Menores”, o único do país. Entre 1996 e o 3º
trimestre de 2000 a polícia registou 2.730 casos, tendo deles participado 3.567 menores, dos quais
442 do sexo feminino. 2.587 desses menores foram restituídos aos respectivos pais ou tutores, com
medidas de acompanhamento sócio-educativo tomadas através de decisões do Ministério Público e
980 encaminhados ao tribunal competente e, posteriormente, entregues aos pais.

O sistema de justiça juvenil deixou de existir nos últimos anos. A lei 18/88, de 13 de Dezembro de
1988, sobre o sistema unificado de justiça, aboliu o anterior Julgado de Menores e referiu que uma lei
especial estabeleceria um novo quadro para a justiça juvenil. Oito anos mais foi aprovada Lei 9/96
de justiça juvenil.

Entretanto, os menores em conflito com a lei eram levados à presença do Presidente do Tribunal
Provincial.

De acordo com um inquérito realizado em 1996, pelo MINARS/Save the Children-UK, em oito
províncias (Benguela, Cunene, Huambo, Huíla, Kuando Kubango, Kwanza Sul, Luanda e Namibe),
os agentes da polícia, os procuradores e os juizes sentem-se frequentemente inseguros relativamente
às regras e procedimentos a serem usados em casos de menores. Apesar da idade de inimputabilidade
ser de 16 anos, por vezes muitas da crianças estão detidas em prisões, devido à falta de alternativas
institucionais mais apropriadas. São escassos os serviços sociais de apoio à criança e as instituições
ou programas devotados à prevenção da delinquência juvenil ou à reintegração social dos jovens
delinquentes. Em consequência, a polícia e os magistrados que são confrontados com casos que
envolvem menores têm na prática poucas opções, para além de deter ou libertar o infractor.

4.8. Protecção da criança durante conflitos armados

A lei do serviço militar estabelece a idade mínima de 18 anos para o recenseamento militar e de 20
anos para a incorporação nas Forcas Armadas Angolanas. Em relação específica às Forças Armadas
Angolanas (FAA), muitos adolescentes juntaram-se voluntariamente a unidades militares para sua
própria segurança e protecção, especialmente em zonas de guerra ou após terem sido deslocados ou
evacuados para áreas onde não tinham família ou laços com a comunidade. Convém ressaltar que
essas voluntariedade na busca de segurança e protecção nas unidades militares incluía a busca de
alojamento, alimentação e assistência médico-medicamentosa. O seu número era de cerca de 500.

No tocante à UNITA, muitas crianças estiveram e continuam a estar directamente envolvidas na


guerra que prevalece até os dias de hoje. Ainda no início da aplicação do Protocolo de Lusaka,

18
quando as tropas da UNITA foram reunidas nas Áreas de Aquartelamento (AAs), de acordo com as
disposições militares do Protocolo, os observadores da MONUA constataram que 15% dos
aquartelados eram menores de idade. Ao todo, foram registados 9.000 militares menores nas AAs e
mais 100 em centros da UNITA para soldados deficientes. A maioria tinha entre 14 e 18 anos de
idade, registando-se casos de menores com idades entre os 11 e 13 anos, que nas Áreas de
Aquartelamento da UNITA foram utilizadas para carregar equipamentos e provisões, fazer faxinas e
montar guarda nos postos de controlo.

Apesar destes números elevados, apenas uma minoria dos militares menores nas AAs tinham sido
verdadeiros combatentes..

4.8.1. Traumas relacionados com a guerra e tensão psicossocial. É importante não esquecer que
esses militares menores que participam na guerra como combatentes ou auxiliares estão expostos a
elevados níveis de tensão, devido ao grau de exposição à violência e brutalidade, e, quando
reintegrados à Sociedade, passam por uma forma anormal de socialização, fora da família ou do
ambiente comunitário e em condições onde as normas de comportamento social pacífico podem estar
postas de lado. Muitos precisam de ajuda para se adaptarem à vida civil normal e para ultrapassarem
as consequências de traumas e tensão.

Contudo, outras sofreram de uma multiplicidade de tensões contínuas, resultantes da exposição a


várias facetas do conflito e suas consequências. Estas incluem a destruição do mundo familiar da
criança, a estabilidade e o apoio das relações e interacções familiares e comunitárias e também a
perda de previsibilidade, normas e confiança que provêm de um ambiente estável e ordenado.

É evidente que as tensões psicossociais em Angola não estão exclusivamente relacionados com a
guerra. Para além das crianças que estiveram expostas às consequências directas da guerra, muitas
sofrem um nível extraordinário de tensão permanente nas suas vidas diárias, incluindo a privação
emocional e grandes carências físicas, devido ao ambiente de pobreza no qual estão crescer. Muitas
famílias estão tão submergidas e absorvidas na sua luta diária pela sobrevivência que não conseguem
dar os cuidados necessários aos seus filhos, quer emocional quer material.

De uma forma geral, as crianças angolanas estão a crescer numa sociedade onde os valores
tradicionais de solidariedade e ajuda mútua no seio da família alargada e da comunidade foram
enfraquecidos devido à destruição e despovoamento das comunidades rurais, à rápida e massiva
urbanização e à luta pela sobrevivência.

4.9. A criança e o ambiente

A Agenda 21, aprovada na Conferência do Rio de Janeiro, sensibilizou os governos na necessidade da


criação de condições que permitissem e garantissem aos respectivos cidadãos viver num ambiente
sadio e não poluído .

Foi com esse espírito que o Governo Angolano criou uma estrutura que se responsabilizasse dos
problemas e da gestão ambiental .

A primeira acção tendente a consideração sistemática dos aspectos de desenvolvimento económico e


da protecção da natureza foi o estabelecimento da Direcção Nacional de Conservação da Natureza
(DNACO). Esta preocupação ganhou alento durante a preparação da Cimeira do Rio e os
compromissos assumidos levaram a criação do organismo do Estado responsável pelo ambiente.

O sector do Ambiente tem encetado negociações com os distintos parceiros do Estado e da sociedade
civil para a definição de prioridades para a estratégia do sector e dos demais intervenientes na gestão
do ambiente.

19
Relativamente à sua acção, tem privilegiado discussões relacionadas com a implementação de
políticas viradas para: assegurar que os interesses das crianças sejam plenamente considerados no
processo participativo sobre desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida, com
ênfase à sensibilização e educação ambientais, à criação de uma consciência e cultura ecológicas,
criação de aptidões e de habilidades para a gestão do ambiente e melhoria do saneamento básico.

As actividades desenvolvidas quer pelo sector como por outros parceiros estão relacionadas com a
realização de concursos escolares e extra-escolares, palestras e campanhas de sensibilização,
seminários de formação e capacitação de professores dos diferentes níveis de ensino e o
financiamento de actividades da sociedade civil viradas para a saúde, o combate à pobreza e à
degradação do ambiente.

4.10. Pobreza, dívida pública e mobilização de recursos

A pobreza está tão generalizada que os indicadores de desenvolvimento humano de Angola estão
entre os piores do mundo. Poucas infraestruturas sociais básicas funcionam adequadamente (em
termos de qualidade e cobertura) e os serviços públicos, incluindo os de saúde e de educação,
sofreram da falta de políticas a longo prazo, bem como de recursos financeiros e pessoal qualificado.
Até agora, Angola tem tido grandes dificuldades em tirar partido dos seus abundantes recursos
naturais, incluindo os da agricultura, pescas e sector mineiro, para financiar o sector social e o
crescimento económico.

O frágil estado da existência humana em Angola pode ser sumariado através do Índice de
Desenvolvimento Humano do PNUD, composto pela esperança de vida ao nascer e os níveis de
educação e de renda. Em 1998 Angola ocupava a 156a posição entre 174 países considerados.

4.10.1. Despesas dos agregados familiares urbanos e linhas de pobreza. Dois inquéritos foram
especificamente direccionados para traçar o perfil da pobreza urbana em Angola. O primeiro foi o
Inquérito sobre as Despesas e Receitas dos Agregados Familiares em Luanda, levado a cabo pelo
Ministério do Planeamento em 1990. O segundo foi o Inquérito Prioritário das Condições de Vida da
População, realizado em 1995 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 7 das mais importantes
áreas urbanas do País. Ambos foram baseados no conceito de pobreza relativa. Utilizando a despesa
familiar como indicador do rendimento, ambos os inquéritos estabeleceram uma linha de pobreza
como uma percentagem da despesa média por adulto-equivalente, derivada da despesa do agregado
familiar relacionada com o número e idade dos membros do mesmo.

Os dois estudos também estabeleceram uma linha de pobreza extrema, definida em ambos os casos
como um terço da despesa média por adulto-equivalente. À taxa de câmbio do mercado paralelo na
altura do inquérito de 1995, a linha de pobreza era equivalente a cerca de 39 dólares por adulto-
equivalente por mês. A linha de pobreza extrema era de 14 dólares. O inquérito de 1995 apurou que
61% da população urbana estava a viver abaixo da linha de pobreza e 12% abaixo da linha de pobreza
extrema. Actualmente estima-se que 67% da população está a viver abaixo da linha da pobreza.

As condições de vida da população urbana são muito piores relativamente à rural -- excepto, talvez,
na capacidade de alimentar-se, em algumas zonas menos perturbadas pela guerra-. Um inquérito
levado a cabo sobre as condições de vida da Província do Kwanza Sul, em 1996, apurou que 82% de
sua população rural vivia abaixo da linha de pobreza (estabelecida em 58 dólares por adulto-
equivalente, por mês), comparados com 70% da população nas áreas urbanas. O mesmo inquérito
indicou que 33% da população rural vivia em extrema pobreza (abaixo dos 16 dólares por mês), valor
bem acima dos 10% encontrados para a população urbana da província.
Se, por um lado, a situação de crise social constitui uma fonte natural de pressão da despesa pública,
deve-se aí acrescer o peso excessivo da dívida pública externa e a sua concentração no curto e médio
prazo, privando o Governo de significativos recursos financeiros que deveriam ser utilizados para a
reconstrução social do País. O serviço da dívida externa, representou cerca de 87 porcento das

20
receitas fiscais e cerca de 34 porcento do PIB, em 1999, e estima-se que em 2000 as cifras sejam de
52 e 21 porcento, respectivamente.

Assim, a absorção de grande parte dos recursos financeiros do orçamento pelo serviço da dívida
externa e de outra parte significativa para os diferentes sectores da economia, impõem ao Governo
um grande constrangimento em relação à sua capacidade de atender às necessidades da sociedade no
seu todo de tal modo que parte importante das carências tem sido cobertas com a contribuição da
comunidade internacional.

5. LIÇÕES APRENDIDAS

Este relatório mostra que a ameaça à sobrevivência, protecção e desenvolvimento das crianças surgem
do agravamento da pobreza, da situação de guerra e da redução dos serviços sociais básicos.

Existem diversos grupos de crianças em situação extremamente precária. Cerca de uma criança em
cada dez é deslocada, 90.000 sofrem de deficiências, das quais 15% resultantes da guerra (incluindo
as minas), uma significativa proporção delas está fora do sistema escolar e 42% padecem de doenças ,
tais como a pólio e outras doenças perfeitamente evitáveis. Outras estão expostas aos horrores da
guerra e sofrem experiências traumatizantes.

Cerca de 15% das crianças perdeu o pai ou a mãe e cerca de 2% perdeu ambos. Um grande número
de crianças está separado dos seus pais biológicos (15% em Luanda), embora a maioria delas viva
com parentes e outras em lares de infância ou nas ruas das grandes cidades. A exploração sexual de
crianças nas principais cidades torna-se um assunto de preocupação crescente.

Enquanto na sociedade rural as crianças começam a ajudar os pais nos campos e na busca de água e
lenha desde tenra idade, nas áreas urbanas, cerca de 9% das crianças com idades entre os 10 e 17 anos
já trabalha, muitas vezes em condições perigosas, como no caso dos vendedores de rua, ou, por
exemplo como empregadas domésticas. Muitas outras crianças encontram-se em risco de conflito
com a lei ou com as forças da ordem, devido à sua precária situação social.

A continuação das tendências de empobrecimento e de declínio da cobertura e


qualidade dos serviços sociais básicos, que são as principais causas subjacentes
dos problemas descritos neste estudo, estão a conduzir ao grave risco de
ruptura do tecido social -- com consequências potencialmente perigosas mesmo
para a pacificação do país e a estabilidade política a longo prazo.

Inverter estas tendências é imprescindível e possível. A política seguida do Governo para se alcançar
a paz e as acções em curso para a estabilização macroeconómica poderão criar as condições básicas
para as intervenções necessárias à melhoria das condições sociais da população, especialmente as das
crianças e das mulheres. As oportunidades que podem ser criadas e os desafios a ela associados, para
a resolução dos problemas das crianças, podem ser resumidos nos pontos seguintes:

1. Paz e reconciliação nacional. É evidente que a paz é o pré-requisito essencial para melhoria
sustentável das condições de vida das populações e por conseguinte para melhoria da situação da
criança. Ela permite o retorno das populações deslocadas, maioritariamente crianças e mulheres, às
suas áreas de origem; a reposição da administração do Estado e a prestação de serviços sociais
básicos em todas as regiões do país; a desminagem e actividades afins; o melhoramento das
condições de segurança e o restabelecimento da livre circulação de pessoas e bens; a tolerância e o
respeito dos direitos humanos, incluindo, em primeiro lugar, os das crianças e das mulheres;

2. Recuperação da economia. Há também melhores perspectivas de saída da crise económica e de


estabilização macroeconómica. Estima-se um aumento da produção petrolífera nos próximos anos

21
provocando o crescimento das exportações criando assim uma oportunidade de se libertar dos
constrangimentos financeiros.

3. Combate à pobreza. Deve ser o sustentáculo de qualquer estratégia de melhoria da situação da


criança. O combate a pobreza passa necessariamente pela recuperação económica e estabilização
macroeconómica. O Governo vem já trabalhando na preparação de um programa específico e
integrado de combate à pobreza, envolvendo a comunidade internacional.

4. Restruturação das despesas do Estado a favor do sector social. Devido à prioridade dada à
defesa e à segurança interna e ao peso da dívida pública no orçamento, a parte das despesas do Estado
atribuída ao sector social tem diminuido relativamente nos últimos anos. O baixo nível das despesas
do Estado com os serviços sociais básicos contribuiu para o deficiente funcionamento do sector social
que se manifesta nos baixos salários, carências de medicamentos, material escolar e equipamentos e a
degradação e insuficiência das infra-estruturas.

5. Reforço da capacidade da administração pública. A paz e as melhores perspectivas financeiras e


de estabilização macroeconómica criam, também, um contexto mais favorável ao reforço da
capacidade institucional da função pública, que tem sido um dos principais factores do declínio da
capacidade de prestação de serviços sociais básicos. O reforço de capacidades que não se pode limitar
simplesmente ao desenvolvimento de recursos humanos (através da formação ou reciclagem) ou à
prestação de assistência técnica e equipamentos pelos doadores. Passa também pela revalorização dos
salários, a um nível que permita estimular a motivação dos funcionários públicos e evitar as
cobranças ilícitas pela prestação de serviços públicos.

6. ACÇÃO FUTURA

As questões expostas neste relatório e que apresentam de forma sumária o estado da criança em
Angola sugerem que qualquer acção futura deve estar assente numa programação de
médio e longo prazos e com uma perfeita coordenação institucional com todos os órgãos
envolvidos na assistência à criança.

A guerra prolongada criou o enfraquecimento da capacidade Institucional da Administração Pública,


tornando cada vez mais difícil a concretização dos direitos da criança, pois muitas são as debilidades
encontradas na concepção e implementação das políticas á favor da criança.

A avaliação feita neste final de década, após a realização da Cimeira Mundial da Infância em 1990,
mostra que grande parte das acções realizadas o foram numa perspectiva de curto prazo e
com uma fraca coordenação institucional. O Plano Nacional de Acções no Domínio da
Criança, um quadro de coordenação e de execução de acções de caracter social à favor
da criança, que devia ser elaborado logo após a cimeira, não foi ainda concluído;

Com efeito, o Plano Nacional de Acções à favor da Criança deverá ser o quadro orientador de acções
nos domínios da saúde, educação, assistência, ambiente e protecção jurídica para o período 2001-
2005 e o principal elo de ligação institucional na execução dos diferentes programas e projectos.
Deste modo, deverá ser dada prioridade com vista à sua finalização.

A par disso estará também a preparação e execução por porte do Governo do programa de combate à
pobreza, que será um dos principais sustentáculos para a melhoria da situação da criança.

É importante referir que as perspectivas de saída de crise, a estabilização macroeconómica, e a


recuperação económica, associados aos esforços na busca da paz e reconciliação nacional, poderão
também contribuir para uma melhor alocação de recursos financeiros para a área social.

As acções á favor da criança deverão desenvolver-se de forma articulada, abrangendo de forma

22
crescente a participação das comunidades locais, do Governo a todos os níveis, do sector privado, das
ONG’s, das associações diversas, das Igrejas, dos meios de comunicação social, com o apoio da
comunidade internacional, doadores e Agências das Nações Unidas. Torna-se imperioso a adopção de
uma “Agenda para o Futro da Criança em Angola” retirado do “Plano Nacional de Acção no
Domínio da Criança” com prioridade na alocação de recursos financeiros e materiais.

23
Statistical Annexes:

Indicators, Data and Sources


Goals

Goals 1: Between 1990 and the year 2000, • Under-five mortality rate: 274 per 1,000 (INE, 1997)
reduction of infant and under-five mortality
rate by one-third or to 50 and 70 per 1000 • Infant mortality rate: 166 per 1,000 (MICS 1997)
live births respectively, whichever is less
For displaced populations in camps in urban and peri-urban areas in Benguela and Huila
provinces:
- U5MR: 395 per 1,000 (UNFPA, 2000)
- Infant MR: 236 per 1,000 (UNFPA, 2000)

Goal 2: Between 1990 and the year 2000, • Maternal mortality ratio: 1,281 per 100,000 (INE, 1994)
reduction of maternal mortality rate by half

Goal 3: Between 1990 and the year 2000, • Underweight prevalence: 41.6% (INE, 1997)
reduction of severe and moderate
malnutrition among under-five children by • Stunting prevalence: 53.1% (INE, 1997)
half
 Wasting prevalence: 6.4% (INE, 1997)

Goal 4: Universal access to safe drinking • Use of improved drinking water sources: 31.2% (INE, 1997)
water
Goal 5: Universal access to sanitary means • Use of improved sanitary means of excreta disposal: 39.6% (INE, 1997)
of excreta disposal

Goal 6: Universal access to basic education • Children reaching grade 5: 30.2% (INE, 1997)
and achievement of primary education by at
least 80 per cent of primary school-age • Net primary school enrolment ratio: 49.7% (INE, 1997)
children through formal schooling or non-
formal education of comparable learning
standard, with emphasis on reducing the
current disparities between boys and girls

Goal 8: Reduction of the adult illiteracy rate • Literacy rate among population above 15 years of age:
(the appropriate age group to be determined
in each - Male: 47% in 1990 and 50% in 1995 (UNDP, UNESCO, WB, UNICEF, 1996)
country) to at least half its 1990 level, with - Female: 68% in1990, 70% in 1995(UNDP, UNESCO, WB, UNICEF, 1996)
emphasis on female literacy

Goal 9: Provide improved protection of • Proportion of children under 18 years of age with mental or physical disability: 1.3%
children in especially difficult circumstances (INE, UNICEF, 1997)
and tackle the root causes leading to such
situations

Goal 10: Special attention to the health and • Under-five mortality rate :
nutrition of the female child and to pregnant
and lactating women Male: 286 per 1,000 (INE, 1997)
Female: 261 per 1,000 (INE, 1997)

• Antenatal care: 63.5% (INE, 1997)


• HIV prevalence: 3.4% (MoH, 1999)

• Iron-deficiency anaemia: 29.7% in 1998 (MoH, 2000)

Goal 11: Access by all couples to • Contraceptive prevalence: 8.1% (INE, 1997)
information and services to prevent
pregnancies that are too early, too closely
spaced, too late or too many

Goal 12: Access by all pregnant women to • Antenatal care: 63.5% (INE, 1997)
pre-natal care, trained attendants during
childbirth and referral facilities for high-risk • Childbirth care: 22.5% (INE, 1997)
pregnancies and obstetric emergencies

Goal 13: Reduction of the low birth weight • Birth weight below 2.5 kg: between 16 and 20% at mid-decade (estimates from MoH and
(less than 2.5 kg) rate to less than 10 per cent specialised NGOs)

Goal 14: Reduction of iron deficiency No data available


anemia in women by one third of the 1990
levels

Goal 15: Virtual elimination of iodine No data available


deficiency disorders
Goal 16: Virtual elimination of vitamin A • Children receiving Vitamin A supplements: 11.9% (INE, 1997)
deficiency and its consequences, including
blindness • Low vitamin A: 64.3% (serum retinal less than 30 micrograms per decilitres) (MoH,
UNICEF, 2000)

Goal 17: Empowerment of all women to • Exclusive breastfeeding rate: 12% (INE, 1997)
breast-feed their children exclusively for four
to six months and to continue breastfeeding, • Timely complementary feeding rate: 69.6% (INE, 1997)
with complementary food, well into the
second year • Continued breastfeeding rate among children 20 to 23 months: 48% (INE, 1997)

• Number of baby-friendly facilities: 3 (2000)

Goal 18: Growth promotion and its regular No data available


monitoring to be institutionalized in all
countries by the end of the 1990s

Goal 19: Dissemination of knowledge and No data available


supporting services to increase food
production to ensure household food security

Goal 20: Global eradication of poliomyelitis • Suspected cases of Polio (MoH, Expanded Programme of Immunization)
by the year 2000 - 1991: 68
- 1992: 67
- 1993: 180
- 1994: 54
- 1995: 20
- 1996: 86
- 1999: 1,117 (outbreak of polio)
- 2000 (January to November): 210

Goal 21: Elimination of neonatal tetanus by • Neonatal tetanus cases (MoH, 1998)
1995 - 1991: 651
- 1992: 604
- 1993: 634
- 1994: 61
- 1995: 370
- 1997: 119

Goal 22: Reduction by 95 per cent in • Under-five deaths from measles: 655 in 1997 (MoH, Expanded Programme of
measles deaths and reduction by 90 per cent Immunization, 1998)
of measles cases compared to pre-
immunization levels by 1995, as a major step • Measles cases:
to the global eradication of measles in the - 1991: 18.382
longer run - 1992: 16.772
- 1993: 9.273
- 1994: 2.342
- 1995: 857
- 1996 (1o Semester): 270
- 1997: 9,012
- 1998: 2,576
- 1999: 2,822
-
Goal 23: Maintenance of a high level of • DPT immunization coverage: 1994: 27%; 1995: 42%; 1996: 28%; 1997: 41%; 1998:
immunization coverage (at least 90 per cent 45%; 1999: 29% (MoH, Expanded Programme of Immunization)
of children under one year of age by the year
2000) against diphtheria, pertussis, tetanus, • Measles immunization coverage: 1994: 44%; 1995: 65%; 1996: 41%; 1997: 78%; 1998:
measles, poliomyelitis, tuberculosis and 80%, 1999: 49% (MoH, Expanded Programme of Immunization)
against tetanus for women of child-bearing
age • Polio immunization coverage: 1994: 28%; 1995: 41%; 1996: 26%; 1997: 38%; 1998:
45%, 1999: 29% (MoH, Expanded Programme of Immunization)

• Tuberculosis immunization coverage: 79.7% (INE, 1997)

• Children protected against neonatal tetanus: 50.6% (INE, 1997)

Goal 24: Reduction by 50 per cent in the • ORT use: 81.4% (INE, 1997)
deaths due to diarrhoea in children under the
age of five years and 25 per cent reduction in • Home management of diarrhoea: 36% (INE, 1997)
the diarrhoea incidence rate
Under five deaths from diarrhoea

Goal 25: Reduction by one third in the • Care seeking for acute respiratory infections: 44.3% (INE, 1997)
deaths due to acute respiratory infections in
children under five years

Goal 26: Elimination of guinea-worm No data available


(dracunculiasis) by the year 2000
Goal 27: Expansion of early childhood No data available
development activities, including appropriate
low-cost family and community-based
interventions

Goal 28: Increased acquisition by No indicators


individuals and families of the knowledge,
skills and values required for better living,
made available through all educational
channels, including the mass media, other
forms of modern and traditional
communication and social action, with
effectiveness measure in terms of
behavioural change

Additional indicators for monitoring • Birth registration: No data available


children’s rights
• Children’s living arrangements: 15% (INE, MINARS, SCF-UK, 1993)

• Orphans in household:
- Orphans from mothers: 4.5% (INE, 1997)
- Orphans from fathers: 11.7% (INE, 1997)
- Orphans from both parents: 1.6% (INE, 1997)

• Child labour: 4% of children 10 to 14 years in Luanda City (INE, 1993) and 22.3% of
children 15 to 19 years in Luanda City (INE, 1993)
Bibliography:

INE, 1993. Inquérito Demográfico e Emprego na Cidade de Luanda. Instituto Nacional de Estatística, Luanda.

INE, 1994. Mortalidade das Crianas em Luanda: Estudo Comparativo. Instituto Nacional de Estatística, Luanda.

INE/MINARS/SCF-UK, 1993. Inquérito ás criancas separadas, 1a Fase, Relatório Preliinar, Série Social No I, Instituto Nacional de Estatística, Ministério
da Assistência e Reinsercão Social e Save the Children Fund (UK), Luanda.

INE/UNICEF, 1997. MICS – Inquerito de Indicadores Múltipos. Instituto Nacional de Estatística e UNICEF/Angola, Luanda.
Minist. Saúde, 1997. Relatório de Avaliacão da Implementacão da Estratégia de Saúde para Todos no Ano 2000. Período 1990-1995. Luanda.

Minist. Saúde, 1998. Anuário Estatïstico de Saúde de 1997. Luanda.

Minist. Saúde, 2000 – Relatório de vigiláncia epidemiológica dos casos de SIDA. Programa Nacional de Luta contra ao SIDA, Luanda, Agosto de 2000.

Minist. Saúde/UNICEF, 2000. Assessing Vitamin A and Iron Deficiency, Nutritional Aneamia among Children Aged 0 to 60 Month in the Republic of
Angola. Technical Report. Ministério da Saúde, Programa Nacional de Nutricão, e UNICEF/Angola. Luanda.

PNUD/UNESCO/UNICEF/B.Mundial, 1996. Education for All, Achieving the Goal. Statistical Document. Luanda.
Statistical Annexes:

Indicators, Data and Sources


Goals

Goals 1: Between 1990 and the year 2000, • Under-five mortality rate: 274 per 1,000 (INE, 1997)
reduction of infant and under-five mortality
rate by one-third or to 50 and 70 per 1000 • Infant mortality rate: 166 per 1,000 (MICS 1997)
live births respectively, whichever is less
For displaced populations in camps in urban and peri-urban areas in Benguela and Huila
provinces:
- U5MR: 395 per 1,000 (UNFPA, 2000)
- Infant MR: 236 per 1,000 (UNFPA, 2000)

Goal 2: Between 1990 and the year 2000, • Maternal mortality ratio: 1,281 per 100,000 (INE, 1994)
reduction of maternal mortality rate by half

Goal 3: Between 1990 and the year 2000, • Underweight prevalence: 41.6% (INE, 1997)
reduction of severe and moderate
malnutrition among under-five children by • Stunting prevalence: 53.1% (INE, 1997)
half
 Wasting prevalence: 6.4% (INE, 1997)

Goal 4: Universal access to safe drinking • Use of improved drinking water sources: 31.2% (INE, 1997)
water
Goal 5: Universal access to sanitary means • Use of improved sanitary means of excreta disposal: 39.6% (INE, 1997)
of excreta disposal

Goal 6: Universal access to basic education • Children reaching grade 5: 30.2% (INE, 1997)
and achievement of primary education by at
least 80 per cent of primary school-age • Net primary school enrolment ratio: 49.7% (INE, 1997)
children through formal schooling or non-
formal education of comparable learning
standard, with emphasis on reducing the
current disparities between boys and girls

Goal 8: Reduction of the adult illiteracy rate • Literacy rate among population above 15 years of age:
(the appropriate age group to be determined
in each - Male: 47% in 1990 and 50% in 1995 (UNDP, UNESCO, WB, UNICEF, 1996)
country) to at least half its 1990 level, with - Female: 68% in1990, 70% in 1995(UNDP, UNESCO, WB, UNICEF, 1996)
emphasis on female literacy

Goal 9: Provide improved protection of • Proportion of children under 18 years of age with mental or physical disability: 1.3%
children in especially difficult circumstances (INE, UNICEF, 1997)
and tackle the root causes leading to such
situations

Goal 10: Special attention to the health and • Under-five mortality rate :
nutrition of the female child and to pregnant
and lactating women Male: 286 per 1,000 (INE, 1997)
Female: 261 per 1,000 (INE, 1997)

• Antenatal care: 63.5% (INE, 1997)


• HIV prevalence: 3.4% (MoH, 1999)

• Iron-deficiency anaemia: 29.7% in 1998 (MoH, 2000)

Goal 11: Access by all couples to • Contraceptive prevalence: 8.1% (INE, 1997)
information and services to prevent
pregnancies that are too early, too closely
spaced, too late or too many

Goal 12: Access by all pregnant women to • Antenatal care: 63.5% (INE, 1997)
pre-natal care, trained attendants during
childbirth and referral facilities for high-risk • Childbirth care: 22.5% (INE, 1997)
pregnancies and obstetric emergencies

Goal 13: Reduction of the low birth weight • Birth weight below 2.5 kg: between 16 and 20% at mid-decade (estimates from MoH and
(less than 2.5 kg) rate to less than 10 per cent specialised NGOs)

Goal 14: Reduction of iron deficiency No data available


anemia in women by one third of the 1990
levels

Goal 15: Virtual elimination of iodine No data available


deficiency disorders
Goal 16: Virtual elimination of vitamin A • Children receiving Vitamin A supplements: 11.9% (INE, 1997)
deficiency and its consequences, including
blindness • Low vitamin A: 64.3% (serum retinal less than 30 micrograms per decilitres) (MoH,
UNICEF, 2000)

Goal 17: Empowerment of all women to • Exclusive breastfeeding rate: 12% (INE, 1997)
breast-feed their children exclusively for four
to six months and to continue breastfeeding, • Timely complementary feeding rate: 69.6% (INE, 1997)
with complementary food, well into the
second year • Continued breastfeeding rate among children 20 to 23 months: 48% (INE, 1997)

• Number of baby-friendly facilities: 3 (2000)

Goal 18: Growth promotion and its regular No data available


monitoring to be institutionalized in all
countries by the end of the 1990s

Goal 19: Dissemination of knowledge and No data available


supporting services to increase food
production to ensure household food security

Goal 20: Global eradication of poliomyelitis • Suspected cases of Polio (MoH, Expanded Programme of Immunization)
by the year 2000 - 1991: 68
- 1992: 67
- 1993: 180
- 1994: 54
- 1995: 20
- 1996: 86
- 1999: 1,117 (outbreak of polio)
- 2000 (January to November): 210

Goal 21: Elimination of neonatal tetanus by • Neonatal tetanus cases (MoH, 1998)
1995 - 1991: 651
- 1992: 604
- 1993: 634
- 1994: 61
- 1995: 370
- 1997: 119

Goal 22: Reduction by 95 per cent in • Under-five deaths from measles: 655 in 1997 (MoH, Expanded Programme of
measles deaths and reduction by 90 per cent Immunization, 1998)
of measles cases compared to pre-
immunization levels by 1995, as a major step • Measles cases:
to the global eradication of measles in the - 1991: 18.382
longer run - 1992: 16.772
- 1993: 9.273
- 1994: 2.342
- 1995: 857
- 1996 (1o Semester): 270
- 1997: 9,012
- 1998: 2,576
- 1999: 2,822
-
Goal 23: Maintenance of a high level of • DPT immunization coverage: 1994: 27%; 1995: 42%; 1996: 28%; 1997: 41%; 1998:
immunization coverage (at least 90 per cent 45%; 1999: 29% (MoH, Expanded Programme of Immunization)
of children under one year of age by the year
2000) against diphtheria, pertussis, tetanus, • Measles immunization coverage: 1994: 44%; 1995: 65%; 1996: 41%; 1997: 78%; 1998:
measles, poliomyelitis, tuberculosis and 80%, 1999: 49% (MoH, Expanded Programme of Immunization)
against tetanus for women of child-bearing
age • Polio immunization coverage: 1994: 28%; 1995: 41%; 1996: 26%; 1997: 38%; 1998:
45%, 1999: 29% (MoH, Expanded Programme of Immunization)

• Tuberculosis immunization coverage: 79.7% (INE, 1997)

• Children protected against neonatal tetanus: 50.6% (INE, 1997)

Goal 24: Reduction by 50 per cent in the • ORT use: 81.4% (INE, 1997)
deaths due to diarrhoea in children under the
age of five years and 25 per cent reduction in • Home management of diarrhoea: 36% (INE, 1997)
the diarrhoea incidence rate
Under five deaths from diarrhoea

Goal 25: Reduction by one third in the • Care seeking for acute respiratory infections: 44.3% (INE, 1997)
deaths due to acute respiratory infections in
children under five years

Goal 26: Elimination of guinea-worm No data available


(dracunculiasis) by the year 2000
Goal 27: Expansion of early childhood No data available
development activities, including appropriate
low-cost family and community-based
interventions

Goal 28: Increased acquisition by No indicators


individuals and families of the knowledge,
skills and values required for better living,
made available through all educational
channels, including the mass media, other
forms of modern and traditional
communication and social action, with
effectiveness measure in terms of
behavioural change

Additional indicators for monitoring • Birth registration: No data available


children’s rights
• Children’s living arrangements: 15% (INE, MINARS, SCF-UK, 1993)

• Orphans in household:
- Orphans from mothers: 4.5% (INE, 1997)
- Orphans from fathers: 11.7% (INE, 1997)
- Orphans from both parents: 1.6% (INE, 1997)

• Child labour: 4% of children 10 to 14 years in Luanda City (INE, 1993) and 22.3% of
children 15 to 19 years in Luanda City (INE, 1993)
Bibliography:

INE, 1993. Inquérito Demográfico e Emprego na Cidade de Luanda. Instituto Nacional de Estatística, Luanda.

INE, 1994. Mortalidade das Crianas em Luanda: Estudo Comparativo. Instituto Nacional de Estatística, Luanda.

INE/MINARS/SCF-UK, 1993. Inquérito ás criancas separadas, 1a Fase, Relatório Preliinar, Série Social No I, Instituto Nacional de Estatística, Ministério
da Assistência e Reinsercão Social e Save the Children Fund (UK), Luanda.

INE/UNICEF, 1997. MICS – Inquerito de Indicadores Múltipos. Instituto Nacional de Estatística e UNICEF/Angola, Luanda.
Minist. Saúde, 1997. Relatório de Avaliacão da Implementacão da Estratégia de Saúde para Todos no Ano 2000. Período 1990-1995. Luanda.

Minist. Saúde, 1998. Anuário Estatïstico de Saúde de 1997. Luanda.

Minist. Saúde, 2000 – Relatório de vigiláncia epidemiológica dos casos de SIDA. Programa Nacional de Luta contra ao SIDA, Luanda, Agosto de 2000.

Minist. Saúde/UNICEF, 2000. Assessing Vitamin A and Iron Deficiency, Nutritional Aneamia among Children Aged 0 to 60 Month in the Republic of
Angola. Technical Report. Ministério da Saúde, Programa Nacional de Nutricão, e UNICEF/Angola. Luanda.

PNUD/UNESCO/UNICEF/B.Mundial, 1996. Education for All, Achieving the Goal. Statistical Document. Luanda.