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Índice

1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1
1.1. Problematização ................................................................................................................... 1
1.1.1. Pergunta de partida ......................................................................................................... 2
1.2. OBJECTIVOS...................................................................................................................... 3
1.2.1. Objectivo geral: ................................................................................................................ 3
1.2.2. Objectivos específicos: ............................................................................................. 3
1.3. Metodologiao ................................................................................................................ 3
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................................... 4
2.1. Breve histórico ..................................................................................................................... 4
2.2. REFLEXÃO SOBRE ATROCIDADES HUMANISTAS DE DARFUR ........................... 6
2.2.1. O conflito.......................................................................................................................... 8
2.2.1.1. Sequestros ..................................................................................................................... 9
2.2.2. Antecedentes dos conflitos de Darfur .............................................................................. 9
2.2.3. Causas dos conflitos ....................................................................................................... 10
2.3. Crimes Cometidos em Durfur ............................................................................................ 11
2.3.1. Crime Comtra a Humanidade ........................................................................................ 11
2.3.2. Crime De Guerra ........................................................................................................... 12
2.3.3. Crime De Genocídio....................................................................................................... 12
3. CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 13
3.1. Referências Bibliográficas ................................................................................................. 14
1. INTRODUÇÃO

O trabalho em curso tem como foco a reflexao em torno das atrocidades de Darfur. Darfur é uma
região localizada no extremo oeste da República do Sudão, esse é dividido em três estados,
denominados de Darfur ocidental, Darfur do sul e Darfur do norte. Darfur possui uma população
aproximada de 5,5 milhões de pessoas que vivem com pouco acesso à escola e aos serviços
assistenciais do governo, se trata de uma área de restrito desenvolvimento, os povos do local são
divididos em três tribos que são os fur, masalit e os zaghawa, são basicamente todos negros e
muçulmanos.

Em fevereiro 2003, iniciou um conflito em Darfur, o ponto de partida da ofensiva foram os


rebeldes que lutam pela separação de seu território, afirmaram que o governo a qual eram
subordinados agia representando apenas a elite de religião islâmica, e por outro lado tratava as
pessoas de Darfur com displicência, ou seja, eram deixados de lado. Darfur é composta quase
totalmente por negros, com actividade económica ligada à produção de agricultura de
subsistência e uma restrita parcela de nómades que criam animais. O governo sudanês respondeu
de forma violenta e repressora as ofensivas dos rebeldes separatistas, apoiados pela milícia dos
árabes que habitavam o local e que eram chamados de janjaweed, o governo esperava acabar
com os rebeldes que eram de religiões e etnias diferentes.

1.1. Problematização

Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur rebelaram-se contra o governo


central sudanês, pro-árabe. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Libertação
Sudanesa (SLA, na sigla em inglês) acusaram o governo de oprimir os não árabes em favor dos
árabes do país e de negligenciar a região de Darfur. Em reacção, o governo lançou uma
campanha de bombardeios aéreos contra localidades darfurianas em apoio a ataques por terra
efectuados por uma milícia árabe, os janjawid. Estes últimos são acusados de cometer grandes
violações dos direitos humanos, como assassinatos em massa, saques, destruição de povoados e o
estupro sistemático da população não árabe de Darfur.

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Os janjawid também praticam o incêndio de vilarejos inteiros, forçando os sobreviventes a fugir
para campos de refugiados localizados a Oeste de Darfur e no Chade; muitos dos campos
darfurianos encontram-se cercados por forças janjawid. Até meados de 2006, entre 150 000 e
200 000 pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido, provocando uma
grave crise humanitária na região.

O conflito de Darfur deixou um saldo bastante desumano, segundo as estimativas da ONU a


guerra civil já deixou cerca de 30 mil mortos e milhões de refugiados. De acordo com estudos e
estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde) a realidade no qual vive os refugiados do
conflito é extremamente degradante, aproximadamente 10 mil pessoas morrem mensalmente
vítimas da violência, fome e das diversas doenças epidêmicas presentes como, por exemplo, a
AIDS.

1.1.1. Pergunta de partida

Com intuito de compreender o fenómeno surge a seguinte pergunta de partida: Até que ponto o
as atrocidades desumanas do conflito de Darfur no Sudão influencia na desestabilização do
desenvolvimento economia, politico e cultural do pais.

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1.2. OBJECTIVOS

1.2.1. Objectivo geral:


 Fazer uma análise reflexiva em torno das atrocidades desumanas do conflito de Darfur.

1.2.2. Objectivos específicos:


 Descrever um breve histórico de Sudão e dos conflito de Darfur;
 Identificar as principais causas de conflito de Darfur e os tipos de crimes cometidos com
estes conflitos;
 Destacar os antecedentes históricos dos conflito de Darfur.

1.3. Metodologiao
Dentre vários tipos de método de pesquisa, privilegiou-se como principal método para
elaboração deste trabalho, a consulta bibliográfica, que caracterizou-se pela busca de dados em
varias obras como fonte de inspiração na elaboração trabalho. Esta consulta fez com que releva-
se mais qualidade de informação no desenvolvimento do trabalho, e de uma forma minuciosa
foram analisados os dados encontrados e apuradas as melhores informações como produto final
que resultou nesse trabalho, e usou se a internet para fazer uma reflexão condigna das várias
informações.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Breve histórico

O Sudão é um país africano, limitado a norte pelo Egito, a leste pelo Mar Vermelho, por onde faz
fronteira com a Arábia Saudita, pela Eritreia e pela Etiópia, a sul pelo Sudão do Sul e a oeste
pela República Centro-Africana, Chade e Líbia. O Rio Nilo divide o país em duas metades: a
oriental e a ocidental. Sua religião predominante é o islamismo. Quase um quinto da população
do Sudão vive abaixo da linha internacional de pobreza, vivendo com menos de U$ 1,25 por dia.

Até 2011, o Sudão era o maior país da África e do Mundo árabe, quando o Sudão do Sul se
separou em um país independente, após um referendo sobre a independência. O Sudão é hoje o
terceiro maior país da África (após a Argéliae a República Democrática do Congo) e também o
terceiro maior país do mundo árabe (depois da Argélia e Arábia Saudita). Sua área consiste em
1.886.068 km². FREITAS, J.S. 2013.

A nação é membro da Organização das Nações Unidas, União Africana, Liga


Árabe, Organização da Conferência Islâmica e do Movimento de Países Não Alinhados, bem
como um observador na Organização Mundial do Comércio. Sua capital é Cartum, o centro
político, cultural e comercial da nação. É uma República federal presidencial democrática e
representativa. As políticas do Sudão são reguladas pela Assembleia Nacional. O sistema legal
sudanês é baseado na lei islâmica.

Grande parte da história do Sudão é marcada por conflitos étnicos, além de dois conflitos
internos em andamento (um na região sul e outro na região de Darfur) e duas guerras civis,
entre 1955 e 1972 e 1983 e 2005. Há inúmeros casos de limpeza étnica e escravidão no país. O
Índice de Percepção da Corrupção indicou o Sudão como o quarto país mais corrupto do mundo.
De acordo com o Índice Global da Fome de 2013, o Sudão tem um valor indicador GHI de 27,0,
indicando que o país tem um "estado alarmante de situação de fome", fazendo desta a quinta
nação mais faminta do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,414, o
classifica como um dos mais baixos níveis de desenvolvimento humano no mundo. Collins,
Robert O. (2008).

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Darfur é a terra dos Fur, ou fourrás, tribos africanas sedentárias, vivendo da agricultura de
subsistência, que lhe terão dado o nome. Mas existem ainda outras tribos africanas igualmente
sedentárias como por exemplo os Masalites e os Zaghawa. Para além destes povos, existem aqui
igualmente os “baggara”, beduinos, nómadas, vivendo fundamentalmente da pastorícia. Algumas
destas etnias prolongam-se no vizinho Chade. Os povos assumem algumas diferenças, embora
possa ser difícil a um estrangeiro, apenas pela aparência, notar essas diferenças, pelo menos
nalgumas áreas. FREITAS, J.S. 2013.

O que é um facto é que se assumem como diferentes. A diferença mais notória entre estes povos
é o seu estilo de vida, uns agarrados ao direito de propriedade da terra, outros reivindicando o
direito universal à pastagem do gado - inicialmente esta diferença teria sido a essencial para
justificar o conflito, contudo, com o tempo foram-se apelando para outras, de natureza étnica,
religiosa e política. É importante notar ainda a circunstância de se falarem doze dialectos
diferentes, neste mosaico étnico.

De facto, uns consideram-se africanos, outros árabes, uns muçulmanos, outros cristãos, outros
ainda professando outras crenças, e são estas clivagens que normalmente estão associadas ao
conflito mais vasto no interior do Sudão. Contudo, é preciso referir que o conflito é muito mais
de natureza tribal e política, de reivindicação da terra, e da percepção que uns são autóctones e
outros serão estranhos, embora outras diferenças possam vir a reforçar estas na busca de
legitimidade para a acção violenta. Collins, Robert O. (2008)

A história desta região tem sido uma história de conflito quase permanente entre as várias tribos,
e entre estas e os reinos vizinhos, designadamente o Sudão e o Egipto. Darfur esteve constituído
em Reino, durante muitos séculos, embora com a fragmentação de poder característica da forma
de vida das populações que o habitavam, e também imposta pelas condições naturais
relativamente agrestes.

Desde o século XIII foram três as dinastias que dominaram: a Dajo, até ao século XVI, a Tunjur
até ao século XVIII e a Keira, que foi derrotada pelos turcos em 1874. O Islão entrou nesta
região no século XIV, constituindo um factor de agregação política; contudo, a organização
política trazida pela influência da tribo que o propagou baseou-se numa lei que não era

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exactamente a lei corânica. Só por volta de 1700 é que o Islão foi considerado como a religião do
Estado.

Foram essencialmente razões de partilha do Reino que levaram às grandes divisões internas, o
que deu origem a uma guerra interna generalizada durante os anos de 1785 e 1786, e que
conduziu a uma perda de importância e de estatuto e portanto a uma apetência à ocupação e
influência por parte dos vizinhos.

O reino do Darfur ajudou Napoleão nas suas campanhas no Egipto, especialmente com o forneci-
mento de escravos - Darfur era de longa data um centro de comércio de escravos, e as tribos
africanas competiam com as tribos árabes neste negócio, sendo o escravo o elemento de raça
negra. Mas para além da exportação de escravos, Darfur era também um entreposto comercial
com alguma importância na região, por essa época.

Apesar da ocupação otomana, que foi tardia em relação aos reinos de leste do Sudão (no leste
teve lugar a partir de 1820), nunca deixou de existir resistência por parte das populações de
Darfur a essa ocupação, desenvolvendo-se uma guerra permanente de guerrilha.

Em 1875 sofreu a ocupação egípcia e depois britânica, mas em 1899 recuperou a sua autonomia.
Em 1916 aliou-se ao Império Otomano, declarou guerra à Grã-Bretanha, em decorrência dessa
aliança, e por isso sofreu as consequências da sua atitude no final da Guerra com a perda do seu
estatuto político, e com a ocupação egipcio-britânica. No entanto, o ocupante político assumiu
sempre uma certa autonomia, relativamente ao vizinho Sudão.

Com a independência do Sudão em 1956, integrou o território deste Estado, embora tenha
continuado a resistir a essa situação de facto. Nos princípios da década de oitenta verificou-se
uma revolta contra Cartum que foi anulada, e em 1994 o Governo Central decidiu constituir três
estados federais em Darfur, integrados no Estado do Sudão.

2.2. REFLEXÃO SOBRE ATROCIDADES HUMANISTAS DE DARFUR

O conflito de Darfur (ou genocídio de Darfur) é um conflito armado em andamento na região


de Darfur, no oeste do Sudão, que opõe principalmente os janjawid - milicianos recrutados entre
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os bagaras, tribos nômades africanas de língua árabe e religião muçulmana - e os povos não
árabes da área. O governo sudanês, embora negue publicamente que apoia os janjawid, tem
fornecido armas e assistência e tem participado de ataques conjuntos com o grupo miliciano.

O conflito iniciou-se, oficialmente, em Fevereiro de 2003, com o ataque de grupos rebeldes do


Darfur a postos do governo sudanês na região, mas suas origens remontam a décadas de
abandono e descaso do governo de Cartum, eminentemente muçulmano, para com as populações
que vivem neste território.

As mortes causadas pelo conflito são estimadas entre 50 000 (Organização Mundial da Saúde,
Setembro de 2004) e 450 000 (Dr. Eric Reeves, 28 De Abril de 2006). A maioria das ONGs
trabalha com a estimativa de 400 000 mortes. O número de pessoas obrigadas a deixar seus lares
é estimado em 2 000 000.

A mídia vem descrevendo o conflito como um caso de "limpeza étnica" e de "genocídio". O


governo dos EUA também o considera genocídio, embora as Nações Unidas ainda não tenham
feito, pois a China, grande parceira comercial do governo sudanês, defende o país em todos os
fóruns internacionais que abordam o tema. Algumas propostas de intervenção militar
internacional realizadas na ONU não foram aprovadas por veto deste país.

Quando os combates se intensificaram em Julho e Agosto de 2006, no entanto, o Conselho de


Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1706, de 31 de agosto de 2006, que prevê o
envio de uma nova força de manutenção da paz da ONU, composta de 20 000 homens, para
trabalhar em conjunto com as tropas da União Africana presentes no local, que contam com
cerca de 7000 soldados. O Sudão opôs-se à Resolução e, no dia seguinte, lançou uma grande
ofensiva militar na região.

Assim como na Segunda Guerra Civil Sudanesa, que opôs o norte muçulmano ao
sul cristão e animista, em Darfur trata-se de um conflito entre muçulmanos e não muçulmanos,
onde a maioria da população muçulmana, inclusive os janjawid, promove o extermínio da
minoria não árabe e não muçulmana. O que pode parecer ser apenas um conflito étnico-cultural
iniciado por motivos políticos (grupos não muçulmanos rebelaram-se contra a política pró-
muçulmana do governo), ganhou contornos de holocausto ao longo dos últimos anos, promovido
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por forças militares, hoje muitas vezes uma célula de poder independente, e impulsionado por
interesses econômicos, com o uso do fortalecimento das relações comerciais com outros países
para inibir ações interventoras da ONU capazes de trazer a paz a região.

2.2.1. O conflito

Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur rebelaram-se contra o governo


central sudanês, pro-árabe. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Libertação
Sudanesa (SLA, na sigla em inglês) acusaram o governo de oprimir os não árabes em favor dos
árabes do país e de negligenciar a região de Darfur.

Em reacção, o governo lançou uma campanha de bombardeios aéreos contra localidades


darfurianas em apoio a ataques por terra efectuados por uma milícia árabe, os janjawid. Estes
últimos são acusados de cometer grandes violações dos direitos humanos, como assassinatos em
massa, saques, destruição de povoados e o estupro sistemático da população não árabe de Darfur.

Os janjawid também praticam o incêndio de vilarejos inteiros, forçando os sobreviventes a fugir


para campos de refugiados localizados a Oeste de Darfur e no Chade; muitos dos campos
darfurianos encontram-se cercados por forças janjawid. Até meados de 2006, entre 150 000 e
200 000 pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido, provocando uma
grave crise humanitária na região.

Em setembro de 2004, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução no.
1564, que estabeleceu uma comissão de inquérito em Darfur para avaliar o conflito. Em janeiro
de 2005, a ONU divulgou um relatório afirmando que embora tenha havido assassinatos em
massa e estupros, aquela organização internacional não estava em condições de classificá-los
como genocídio, devido a "uma aparente falta de intenção genocida" (tradução livre do inglês) e
um forte lobby do governo chinês.

Em maio de 2006, o Exército de Libertação Sudanesa, principal grupo rebelde, concordou com
uma proposta de acordo de paz com o governo. O acordo, preparado em Abuja, Nigéria, foi
assinado com a facção do Movimento liderada por Minni Minnawi. No entanto, o acordo foi

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rechaçado tanto pelo Movimento Justiça e Igualdade como por uma facção rival do próprio
Exército de Liberação Sudanesa, dirigida por Abdul Wahid Mohamed el Nur.

Os principais pontos do acordo eram o desarmamento das milícias janjawid e a incorporação dos
efectivos dos grupos rebeldes ao exército sudanês. Apesar do acordo, os combates continuaram.

Muitos dos grupos militares actuando no Sudão passaram a exercer um poder autónomo, sem
responder necessariamente aos grupos dos quais se originaram, o que gera uma falácia de poder e
milícias que combatem para defender seus próprios interesses mais imediatos, e não políticas
mais abrangentes, relativas ao território de Darfur como um todo.

2.2.1.1. Sequestros

Ao longo de 2009, Darfur foi palco de inúmeros sequestros - a maior parte deles para pedir
resgate. As agências humanitárias enfrentam hostilidade crescente, desde que o Tribunal Penal
Internacional emitiu mandado de prisão contra o presidente Omar Hassan al-Bashir, por crimes
de guerra.

Em Outubro dois trabalhadores da organização humanitária irlandesa Goal foram libertados


depois de passarem mais de 100 dias no cativeiro. Dois soldados da paz da União Africana ainda
são mantidos reféns.

Em 22 De Outubro homens armados sequestraram um funcionário francês do Comitê


Internacional da Cruz Vermelha, Gauthier Lefévre, que estava em um veículo com clara
identificação da Cruz Vermelha, na fronteira com o Chade. Lefèvre passou 147 dias em cativeiro,
sendo libertado em 18 de março de 2010.

2.2.2. Antecedentes dos conflitos de Darfur

Darfur tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, numa região com baixo nível de desenvolvimento:
apenas 15% das crianças do sexo masculino - e 10% do feminino - frequentam a escola.

Três etnias são predominantes na região: os furis (que emprestam o nome à região),
os massalites e os zagauas, em geral muçulmanos da localidade ou seguidores de outras religiões
da África Sub-Saariana.
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O Sudão tem uma história de conflitos entre o sul e o norte do país, que resultaram na primeira
(1955-1972) e na segunda (1983-2005) guerras civis sudanesas. A segunda confrontação causou
cerca de dois milhões de mortos e mais de um milhão de refugiados, em ambos os casos
principalmente no sul.

2.2.3. Causas dos conflitos

A combinação de décadas de secas, desertificação e superpopulação estão entre as causas do


conflito de Darfur, onde os nômades árabes bagaras, em procura por água, levam seu rebanho
para o sul, uma terra ocupada predominantemente por comunidades agrárias.

Existem muitas vítimas: estimativas geralmente convergem entre centenas de milhares de


pessoas. As Nações Unidas estimam que o conflito deixou em torno de 300 000 mortos da
violência e doenças. O Museu em Memória ao Holocausto dos Estados Unidos estima que
100 000 morrem todos os anos graças aos ataques do governo. A maioria das ONGs estimam de
200 000 para 500 000, o último é uma estimativa da Coalizão Internacional pela Justiça.
Aproximadamente 2.5 milhões de pessoas foram deslocadas até Outubro de 2006.

O governo sudanês tem sido acusado de suprimir informações prendendo e matando testemunhas
desde 2004, além de destruir vestígios para eliminar seu valor como prova. O governo sudanês,
por obstruir e prender jornalistas, tem sido capaz de esconder os acontecimentos. Enquanto o
governo dos Estados Unidos tem descrito o conflito como genocídio, as Nações
Unidas continuamente não tem mostrado suporte para esta designação. Em Março de 2007, uma
missão das Nações Unidas acusou o governo do Sudão de orquestrar e tomar parte de "graves
violações" em Darfur, e clamou por uma acção internacional urgente para proteger os civis.

Após os conflitos terem cessado em Julho e Agosto, em 31 de agosto de 2006 o Conselho de


Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução 1706, que atribuiu mais 20 600 tropas de paz,
as UNAMID (African Union - United Nations Hybrid Operation in Darfur) para complementar
as 7000 tropas da União Africana, que sofrem de graves problemas de fundos e falta de
equipamentos. O Sudão foi veementemente contra a resolução, e declarou que trataria as forças
da Nações Unidas na região como invasores estrangeiros. No dia seguinte, o governo do Sudão
lançou uma grande ofensiva na região.
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Em 14 de Julho de 2008, procuradores da Corte Penal Internacional processaram o presidente do
Sudão, Omar al-Bashir, por dez crimes de guerra, três processos por genocídio, cinco crimes
contra a humanidade e dois homicídios.

Os procuradores argumentaram que al-Bashir "planejou e implementou um plano para destruir


em parte substancial" três grupos tribais de Darfur por conta de sua designação étnica. Em Março
de 2009, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o presidente Omar
Hassan al-Bashir, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur.

2.3. Crimes Cometidos em Durfur


2.3.1. Crime Comtra a Humanidade

Esta expressão compreende “quaisquer atrocidades e violações de direitos humanos perpetrados


em larga escala para cuja punição é possível aplicar-se o princípio da jurisdição universal”.
(MAZZUOLI, 2007, p. 753)

A definição mais recente é a do estatuto do TPI, em seu artigo 7º: [...] entende-se por «crime
contra a Humanidade» qualquer um dos actos seguintes, quando cometido no quadro de um
ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento
desse ataque: a) Homicídio; b) Extermínio; c) Escravidão; d) Deportação ou transferência à força
de uma população; e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação
das normas fundamentais do direito internacional; f) Tortura; g) Violação, escravatura sexual,
prostituição forçada, gravidez à força, esterilização à força ou qualquer outra forma de violência
no campo sexual de gravidade comparável; h) Perseguição de um grupo ou colectividade que
possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou
de sexo, tal como definido no n.º 3, ou em função de outros critérios universalmente
reconhecidos como inaceitáveis em direito internacional, relacionados com qualquer ato referido
neste número ou com qualquer crime da competência do Tribunal; i) Desaparecimento forçado
de pessoas; j) Crime de apartheid; k) Outros actos desumanos de carácter semelhante que causem
intencionalmente grande sofrimento, ferimentos graves ou afectem a saúde mental ou física.

Esse tipo de crime atenta contra bens jurídicos individuais e fundamentais, quais sejam a vida,
integridade física, saúde, liberdade, etc. É portanto, uma ofensa a certos princípios do direito
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internacional e para a sua configuração não é necessário que tenha sido declarada a guerra.
(SOUZA, 2005)

2.3.2. Crime De Guerra

Segundo Mazzuoli, este crime é também conhecido como “crimes contra as leis e os costumes
aplicáveis em conflitos armados”. Exemplos desse crime são as violações às Convenções de
Genebra, como o homicídio doloso e a tortura. (MAZZUOLI, 2007, p. 754) A competência deste
crime é tratada no parágrafo primeiro do artigo 8º do estatuto de Roma e diz que: “o tribunal terá
competência para julgar os crimes de guerra, em particular quando cometidos como parte
integrante de um plano ou uma política ou como parte de uma prática em larga escala desse tipo
de crime.” Para o direito internacional consuetudinário, os crimes contra a humanidade são
passíveis de ocorrer a qualquer momento, ou seja, mesmo em tempos de paz e essa é a diferença
essencial entre estas duas categorias de crimes. (MAZZUOLI, 2007)

2.3.3. Crime De Genocídio

Este conceito foi uma das principais preocupações do período pós Segunda Guerra que acabou
culminando na Resolução 260-A da Assembléia Geral das Nações Unidas em 1948, na qual
ficou determinado que genocídio é um crime internacional e é a espécie mais grave de crime
contra a humanidade. (MAZZUOLI, 2007)

O artigo 6º do estatuto de Roma definiu Genocídio como: [...] um dos actos enumerados a seguir,
cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou
religioso, tais como: a) Homicídio de membros do grupo; b) Ofensas graves à integridade física
ou mental de membros do grupo; c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida pensadas
para provocar a sua destruição física, total ou parcial; d) Imposição de medidas destinadas a
impedir nascimentos no seio do grupo; e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro
grupo. Sobre esse conceito, não é preciso levar em consideração circunstancias exteriores de paz
e de guerra ou a qualidade do autor, que pode ser um governante ou até mesmo um particular
agindo por conta própria.

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3. CONCLUSÃO

Em geral, importa referir, que o Sudão é hoje a capital mundial da dor, do sofrimento e da agonia.
Portanto, uma parte da população foi– e continua sendo – submetida pela parte dominante à
humilhação, à fome e à morte. Por algum tempo o assim chamado mundo civilizado sabia disto
mas preferia olhar para o outro lado. Agora, as pessoas sabem e, portanto, não têm mais
justificativa para sua passividade, que mais parece indiferença.

As pessoas que, como vocês meus amigos, tentam derrubar os muros da apatia merecem o apoio
e a solidariedade de todos. O conflito de Darful iniciou, oficialmente, em Fevereiro de 2003, com
o ataque de grupos rebeldes do Darfur a postos do governo sudanês na região, mas suas origens
remontam a décadas de abandono e descaso do governo de Cartum, eminentemente muçulmano,
para com as populações que vivem neste território. As mortes causadas pelo conflito são
estimadas entre 50 000 (Organização Mundial da Saúde, Setembro de 2004) e 450 000 (Dr. Eric
Reeves, 28 De Abril de 2006). A maioria das ONGs trabalha com a estimativa de 400 000
mortes. O número de pessoas obrigadas a deixar seus lares é estimado em 2 000 000.

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3.1. Referências Bibliográficas

i. BADAL, R.K. Religion and Conflict in the Sudan: a Perspective. Departament of


Political Science, University of Sudan. Bulletin of Peace Proposals. v.21, n.3, p. 263-272,
1990.

ii. MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2007.

iii. SOUZA, Fernanda Nepomuceno. Tribunais de Guerra. Belo Horizonte: Del Rey, 2005.

iv. BAZELAIRE, Jean-Paul; CRETIN, Thierry. A Justiça Penal Internacional. São Paulo:
Manole, 2004.

i. African Union Force Ineffective, Complain Refugees in Darfur». Washington Post. 16


de outubro de 2006

ii. FREITAS, J.S. Cruzando as Fronteiras: causas e consequências dos refugiados no Sudão
do Sul. Revista Política Hoje da Universidade Federal de Pernambuco – 2ª Edição. v. 22,
p. 171-187, 2013.

iii. Collins, Robert O. (29 de maio de 2008). A History of Modern Sudan (em inglês). [S.l.]:
Cambridge University Press.

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