Você está na página 1de 4

Durkheim

- indivíduo socialmente ajustado


- socializaçao pela escola, regras morais
- a educação tem como objetivo promover a coesão social, em uma sociedade articulada pela
divisão do trabalho.
Teorias conceberam a socialização como uma estratégia de treinamento para assegurar a
internalização de normas e regras, de forma que as crianças se tornassem integradas à sociedade, o
que colaborou para a construção científica da irracionalidade, da natureza e da universalidade da
infância.
A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram
ainda preparadas para a vida social; tem objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de
estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio
especial a que a criança, particularmente, se destine. (DURKHEIM apud PEREIRA e FORACCHI, 1973,
p.42).
É a educação que o indivíduo recebe desde sua infância, sobretudo pelos costumes que garante
a diversidade e as especificidades. A educação garante a criança condições necessárias para a sua
existência. “A educação não é, pois, para a sociedade, senão o meio pelo qual ela prepara, no íntimo
das crianças, as condições essenciais da própria existência.” (DURKHEIM apud PEREIRA e
FORACCHI, 1973, p.42).
“Cada sociedade, considerada num momento determinado de seu desenvolvimento, tem um
sistema de educação que se impõe aos indivíduos”, não existe nada que confirme a hipótese de que a
educação é válida, universal e única para todos os homens, indistintamente.
A escola se torna o lugar central da continuidade social, pois nela se transmite os valores, as
normas e os saberes.
O processo de socialização e a velocidade com que acontece é diretamente proporcional ao
grau de industrialização da sociedade, ou, em outras palavras, a divisão do trabalho. Quanto mais
fragmentado e especializado o processo produtivo, mais rápido deve acontecer à socialização.

Jean Piaget
- reciprocidade entre estruturas mentais
- Ser Social como o indivíduo que se relaciona com os outros, seus semelhantes, de forma
equilibrada.
- a moral se desenvolve em um processo crescente que vai da dependência moral á autonomia
moral
o equilíbrio a que Piaget se refere somente pode existir entre pessoas que estejam no mesmo
nível de desenvolvimento, ou seja: “A maneira de ser social de um adolescente e uma, porque é capaz
de participar de determinadas relações (...) e a maneira de ser social de uma criança de cinco anos é
outra, justamente porque ainda não é capaz de participar de relações sociais que expressam e que
demandam um equilíbrio de trocas intelectuais”. (TAILLE, 1992, p. 14).
A criança é capaz de criar, recriar e experimentar de forma autônoma, impulsionando seu próprio
desenvolvimento. Nesse sentido, o ato de errar não pode ser visto como falha e sim como um momento
necessário da aprendizagem; a ausência do erro denuncia a ausência da experimentação e,
consequentemente, a ausência da aprendizagem.

No desenvolvimento da autonomia, há dois mecanismos fundamentais , a cooperação e a


reciprocidade, que comportam dois tipos de sanções: as sanções expiatórias, e as sanções de
reciprocidade.
Sanções expiatórias: essas sanções caracterizam-se por não apresentar qualquer relação entre
a falta cometida e a punição recebida, porque estão baseadas, apenas, na autoridade dos adultos.
Sanções de reciprocidade: nessas sanções, há relação estreita entre o ato e a punição, por isso,
apresenta "elo de reciprocidade", de coerência.

As regras são praticadas e internalizadas pela criança em três momentos subsequentes:


anomia, heteronomia e autonomia.
Anomia: nesse momento, a criança não segue regras, mas busca satisfazer seus interesses.
Aqui, não importa para a criança participar de atividades coletivas regidas por regras estabelecidas em
comum acordo.
Heteronomia: nessa fase, já começa a ser desenvolvido certo interesse por atividades coletivas,
com regras estabelecidas mutuamente.
Autonomia: na autonomia, a criança já consegue jogar e relacionar-se, obedecendo a regras que
são estabelecidas em comum acordo.

Herber Blumer
- interacionismo simbolico
três premissas: 1) o modo como um indivíduo interpreta os fatos e age perante outros indivíduos
ou coisas depende do significado (ou significados) que ele atribui a esses outros indivíduos e coisas; 2)
o significado, porém, é resultado dos (ou é construído a partir dos) processos de interação social; e 3)
os significados podem sofrer mudanças ao longo do tempo.
A primeira premissa é que os seres humanos agem em relação às coisas baseados nos
significados que essas coisas possuem para eles. [...] A segunda premissa é que o significado dessas
coisas é derivado, ou originado, da interação social que um indivíduo tem com seus iguais. A terceira
premissa é que esses significados são manipulados em, e modificados por, um processo interpretativo
usado pela pessoa ao lidar com as coisas com que ele se depara. (BLUMER, 1986, p.02)

Charles Horton Cooley


- looking-glass self
- “eu espelhado”
Esse modelo de autoconsciência afirma que uma pessoa nunca está sozinha quando olha para
si mesma, ela sempre olhará para si com os olhos dos outros, com a visão dos padrões sociais.
As observações do crescimento infantil levou Cooley a perceber que o pensamento e a
linguagem não antecedem ou sucedem uma à outra, mas surgem e evoluem juntos.
Coloca a comunicação como mecanismo de prova e contraprova epistemológica, tanto subjetiva,
objetiva, simbólica, como social. A comunicação é o fundamento do reconhecimento do indivíduo (o eu
espelhado) e do reconhecimento social (as estruturasda organização e dos processos sociais).
O "eu espelhado" possui três fases interativas: a primeira, ideias que o sujeito tem de si (mundo
subjetivo); a segunda, as ideias que as pessoas têm desse sujeito (referência ao mundo objetivo); e
terceira, as ideias que o sujeito imagina que as pessoas tenham dela (consolidação pragmática dos
significados).

George Herbert Mead


role taking

Pierre Bordieu
habitus
- O habitus é uma subjetividade socializada (Bourdieu, 1992, p. 101).
O processo de construção dos habitus individuais passa a ser mediado pela coexistência de
distintas instâncias produtoras de valores culturais e referências identitárias.
O conceito de habitus como um instrumento conceptual que me auxilia pensar a relação, a
mediação entre os condicionamentos sociais exteriores e a subjetividade dos sujeitos.
Habitus como uma matriz cultural que predispõe os indivíduos a fazerem suas escolhas.
[...] um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências
passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e
torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas
de esquemas [...] (Bourdieu, 1983b, p. 65)
Habitus surge então como um conceito capaz de conciliar a oposição aparente entre realidade
exterior e as realidades individuais. Capaz de expressar o diálogo, a troca constante e recíproca entre o
mundo objetivo e o mundo subjetivo das individualidades. Habitus é então concebido como um sistema
de esquemas individuais, socialmente constituído de disposições estruturadas (no social) e
estruturantes (nas mentes), adquirido nas e pelas experiências práticas (em condições sociais
específicas de existência), constantemente orientado para funções e ações do agir cotidiano.

Weber
- a escola poderia transformar o conhecimento em poder
Weber compreendeu a especificidade dos diferentes sistemas educacionais.
Weber (1906), ao expressar sua desilusão sobre o capitalismo afirma que o mesmo reduzia
tudo, inclusive a Educação, à mera busca por riqueza material e ascensão social.
além de minimizar uma formação humanística de caráter mais integral, a Educação
racionalizada (pedagogia do treinamento), continua a ser usada como mecanismo de ascensão social e
de consecução de status pessoal.
Weber previu o acirramento da polarização das qualificações com o desenvolvimento do
capitalismo e em nenhum momento emitiu julgamento a esse respeito. Isso leva a crer que, para ele,
era racional a existência de uma Educação segmentada.
Em Weber existe um conceito amplo de Educação que engloba: a educação religiosa, a
educação familiar, a educação carismática, a educação filosófica, a educação literária, a educação
política e a educação especializada.
“O âmbito da influência com caráter de dominação sobre as relações sociais e os fenômenos
culturais é muito maior do que parece à primeira vista. Por exemplo, é a dominação que se exerce na
escola que se reflete nas formas de linguagem oral e escrita consideradas ortodoxas. Os dialetos que
funcionam como linguagem oficial das associações políticas autocéfalas, portanto, de seus regentes,
vieram a ser formas ortodoxas de linguagem oral e escrita e levaram às separações „nacionais‟ (por
exemplo, entre a Alemanha e a Holanda). Mas a dominação exercida pelos pais e pela escola
estende-se para muito além da influência sobre aqueles bens culturais (aparentemente apenas) formais
até a formação do caráter dos jovens e com isso dos homens.” (WEBER, 1997 p.172).

Giddens
- modernidade

Considera a realidade das transformações da modernidade por três critérios: as novas


redefinições das noções de tempo e espaço, os mecanismos de desencaixe e, por último, o fenômeno
da reflexividade.
Segundo Giddens, vivemos em um mundo descontextualizado cujos espaços de convivências e
integração, tanto materiais como simbólicos, não se reduzem ao aqui e ao agora. Várias instituições
sociais emergiram como que concomitantemente à realização deste novo modelo de interação. O
avanço tecnológico, os sistemas peritos, o rádio, a TV, os computadores são novos mediadores dessa
ordem social. Em uma situação de modernidade, uma quantidade cada vez maior de pessoas vive em
circunstâncias nas quais instituições desencaixadas, ligando práticas locais a relações sociais
globalizadas, organizam os aspectos principais da vida cotidiana.
Nesse cenário, a noção de confiança é então reformulada, passando a ter dois sentidos: aquele
preso a uma rotinização, aos aspectos familiares de ajuste, e aquele que remete aos sistemas
peritos.21 Muitas das decisões individuais pautam-se segundo critérios que foram decididos e
organizados por círculos distantes. Conhecimentos técnicos e específicos de várias ordens estão
permeando as ações, opções e práticas. A conduta passa a ser baseada em conhecimentos com
origem em discussões das quais os sujeitos não participam e nem teriam condições de participar. Estão
em um nível de elaboração em que, como leigos, não poderiam contribuir. Apenas assumem e
respeitam a legitimidade que esses sistemas adquirem na sociedade.
Nesse sentido, o caráter transitório dos conhecimentos é um elemento chave para a reflexão
sobre o conceito de habitus, o processo de socialização e a construção das identidades individuais.
Vive-se em um mundo com uma variedade crescente de instituições produtoras e promotoras de
saberes, valores e comportamentos. Observa-se como fato o ritmo das mudanças tecnológicas, o
questionamento das instâncias de referências e as transformações na construção das experiências
individuais. As influências antigamente generalizadas de agentes solidamente constituí- dos, como a
tradição (nos papéis da família e da escola), passam aos poucos a ser fragmentadas e dispersas.
O caráter transitório das relações, dos papéis e das instituições sociais pode deixar espaço para
uma liberdade de ação dos indivíduos. No entanto, ao mesmo tempo que confere maior margem de
escolhas, maior flexibilidade nas relações, mais referências identitárias, acrescenta, simultaneamente,
mais insegurança, mais riscos e mais responsabilidade.
A variedade de instituições com competência e autoridade distintas, a circulação de modelos de
conduta, a redefinição das funções das instituições tradicionais caminham com a mudança de sentido
das ações e aspirações individuais. A reflexividade moderna consiste no fato de que as práticas sociais
são freqüentemente examinadas à luz de informações renovadas sobre essas práticas, podendo alterar
sempre seu caráter. O que é característico da modernidade não é uma adoção do novo por si só, mas a
suposição da reflexividade no cotidiano. Ela é introduzida na base da reprodução do sistema. Não se
aprova uma ação ou prática, não se obedece a uma autoridade porque elas são tradicionais, mas sim
pelo conhecimento de suas razoabilidades
A diferença está em que, em numa situação de modernidade, a reflexividade faz parte intrínseca
das ações, práticas e consciências. A reflexividade do moderno implica que as ações, escolhas e
destinos sejam constantemente minados e reformulados à luz de novas informações, alterando assim
continuamente seu caráter e sentido. Na modernidade, a revisão das convenções são radicalizadas em
todas as esferas e instâncias da vida social.
É possível pensar o indivíduo portador de uma experiência que o predispõe a construir sua
própria identidade, a fazer suas próprias escolhas sem obedecer cega e unicamente a uma memória
incorporada e inconsciente. Ou seja, trata-se de uma experiência incorporada, mas também em
construção contínua na forma de um habitus que habilita o indivíduo a construir-se processual e
relacionalmente com base em lógicas práticas de ação ora conscientes, ora inconscientes. Na falta de
um eixo estruturador único (família, escola e/ou cultura de massa) e pela circularidade das referências,
o indivíduo contemporâneo estaria mantendo novas relações com o mundo exterior.

Você também pode gostar