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Certificação Nº.

C 364

MANUAL DE FORMAÇÃO

TÉCNICAS DE ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Área de Formação: 812. Turismo e Lazer


Tipologia: 1.1. Sistema de Aprendizagem
Curso: Técnico/a de Informação e Animação Turística
Módulo: UFCD 3496
Entidade Formadora: Avalforma, Lda.
Conceção/Autoria: António Luís Nave D`Elvas
Validação: Maria Eugénia Pombal Amaro (Gestora da Formação)

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 1 de 40


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FICHA TÉCNICA DO SUPORTE


Curso: Técnico/a de Informação e Animação Turística
Destinatários: Jovens com idade compreendida entre os 15 e os 25 anos, detentores do
Ensino Básico Completo, a frequentar Curso de Aprendizagem para obtenção do 12º. Ano de
Escolaridade e Qualificação Profissional de Nível 4.

Conteúdos (tipo):
 Textos de enquadramento teórico dos conteúdos/temas

 Tabelas, gráficos, quadros e/ou figuras de apoio aos textos teóricos

 Exercícios e/ou actividades de aprendizagem para execução autónoma por


parte do utilizador (formando)
 Propostas de resolução dos exercícios

 Conteúdos organizados em capítulos

 Ilustrações de orientação para a execução de determinadas operações (numa


lógica demonstrativa)
 Glossário

 Legislação (extractos relevantes para a formação em causa)

 Bibliografia

 Links de interesse

Exploração esperada por parte do utilizador:

 Durante a formação, como suporte de apoio às actividades dos planos de


sessão
 Durante a formação, como forma de aprofundamento da aprendizagem
realizada em sala
 Após a formação, como ferramenta de apoio à transferência do aprendido
para o posto de trabalho

O suporte pode ser utilizado numa lógica de auto-aprendizagem pelos formandos?

 Sim  Não  Apenas em alguns capítulos

Autor: António Luís Nave D´Elvas

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Data de entrega para validação:

Índice

Apresentação e objectivos…………………………………………………………………………………………….2
1. Animação Turística………………………………………………………………………………………………..…3
1.1. Conceitos………………………………………………………………………………………..
……………….3
1.2. Objectivos…………………………………………………………………………………………………..
….5
1.3. Vantagens económicas…………………………………………………………………………….…5
1.4. Evolução histórica………………………………………………………………………………….….6
2. Enquadramento Legal…………………………………………………………………………………….……….9
2.1. Empresa de Animação Turística……………………………………………………………….….9
2.1.1. Conceito……………………………………………………………………………….
…………….9
2.1.2. Actividades próprias…………………………………………………………………….9
2.1.3. Actividades acessórias…………………………………………………………….…10
2.1.4. Requisitos principais………………………………………………………………….11
2.1.5. Processo de licenciamento………………………………………………………….12
3. A Animação Turística no âmbito do turismo de natureza………………………………………….…17
3.1. Enquadramento geral……………………………………………………………………………….17
3.2. Modalidades de animação…………………………………………………………………………21
4. O Animador Turístico………………………………………………………………………………………………31
4.1. Estatuto……………………………………………………………………………………………….…31
4.2. Perfil do animador……………………………………………………………………………………33
4.3. Características gerais……………………………………………………………………………….34
4.4. Características específicas…………………………………………………………………………35
5. Funções do animador……………………………………………………………………………………………..42
5.1. Animador chefe……………………………………………………………………………………….42
5.2. Animador gestor……………………………………………………………………………………...42
5.3. Animador polivalente……………………………………………………………………………....43
5.4. Animador técnico………………………………………………………………………………….…43
Bibliografia……………………………………………………………………………………………………………….44

Apresentação
Este módulo é uma introdução ao tema que pretende fornecer ao aluno uma visão
genérica das possibilidades da animação turística, como uma área de actuação
composta por um conjunto de actividades que permitem ao turista usufruir de uma
forma mais plena uma determinada experiência turística, concedendo aos destinos
turísticos um maior sucesso e vitalidade.

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O agente da animação – Animador Turístico – é apresentado como uma figura
incontornável dos tempos modernos, capaz de motivar novas sensações no âmbito de
uma animação cada vez mais participada, que se afirma cada vez mais como a “ponte”
entre os turistas e os recursos locais.

Considerando o carácter multidisciplinar e integrador deste módulo, sugere-se que se


privilegiem e actualizem conhecimentos de outras disciplinas, nomeadamente, no
âmbito da legislação turística e da rede nacional de áreas protegidas, com vista ao
planeamento e à implementação de projectos de animação previstos em módulos
subsequentes.

Objectivos de Aprendizagem
 Identificar a evolução histórica da Animação Turística;
 Precisar um conceito de Animação Turística;
 Reconhecer a interdependência entre o Turismo e a Animação;
 Interpretar e aplicar o enquadramento legal da Animação Turística a casos
concretos;
 Identificar e explicitar as diferentes modalidades de Animação Turística
previstas nas áreas protegidas;
 Definir o perfil adequado do profissional da Animação;
 Distinguir as funções do animador: Animador gestor, animador técnico,
animador polivalente.

1.Animação Turística
1.1.Conceitos

A animação ocupa um lugar privilegiado no cruzamento dos caminhos da educação,


identidade cultural, atitude democrática, democracia cultural, participação, expressão
colectiva, espírito crítico, mudança social.
 Animação e educação - A prática de actividades de animação permite ao
indivíduo enriquecer o conhecimento adquirido e assimilar novos
conhecimentos, contribuindo para o seu desenvolvimento intelectual.
 Animação e identidade cultural - Existem locais onde a identidade cultural
corre o risco de ser esquecida ou mesmo destruída. A animação permite
recuperar algumas tradições e costumes perdidos, despertar a memória

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histórica, recriar momentos festivos e divulgar legados tradicionais, tais como
práticas medicinais, artesanato e iguarias culinárias.
 Animação e atitude democrática - A animação não pressupõe uma
imposição de ideias, de comportamentos ou acções. Antes pelo contrário, une
grupos de pessoas com objectivos comuns e permite que, de forma autónoma
e colectiva, gerem actividades e ideias. Neste contexto, o animador assume o
papel de impulsionador.
 Animação e democracia cultural - A animação, apesar de aplicada a
diversos âmbitos, destaca-se com maior intensidade no contexto cultural. A
cultura é um bem social que deve ser acessível a todos os indivíduos,
independentemente da classe social a que pertence. Contudo, na prática,
existem distinções claras. Somente quando todos os grupos tiverem acesso à
cultura podemos falar de democracia cultural.
 Animação e participação - A participação existe quando as pessoas têm a
possibilidade efectiva de tomar decisões em todos os assuntos relacionados
com a sua existência, seja enquanto indivíduos, grupos, membros de uma
organização ou cidadãos. As actividades de animação promovem e facilitam a
participação.
 Animação e expressão colectiva - As actividades de animação geram um
sentimento colectivo que enriquece as pessoas de forma gratificante.
 Animação e espírito crítico - A generalidade dos indivíduos revelam-se
conformistas em função de uma atitude intelectual passiva. A animação permite
uma libertação deste estado de passividade. Aumenta a percepção da realidade
desenvolvendo um espírito crítico.
 Animação e mudança social - A animação tem como principal objectivo
promover interacção entre as pessoas e desenvolver o seu espírito colectivo,
actuando sobre as condições sociais que geram problemas e marginalização, A
animação procura impulsionar transformações sociais positivas.
Funções da animação
Funções em relação aos cidadãos
 Despertar a consciência cívica
 Proporcionar uma educação social
 Superar a passividade pessoal
 Promover o associativismo
 Convidar à participação
 Cultivar capacidades pessoais

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 Descobrir vocações
 Fomentar a ocupação do tempo livre
Funções em relação aos animadores
 Desenvolver aptidões pessoais
 Oferecer possibilidades profissionais
Funções em relação aos grupos sociais
 Proporcionar um sentido colectivo
 Manter os valores do grupo
 Revitalizar as tradições
 Sensibilizar para determinados problemas
 Consciencializar perante situações injustas
 Dar a conhecer necessidades

1.2.Objectivos

Constituem objectivos da animação turística:


 Aumentar a qualidade da oferta
 Gerar dinâmica e movimento
 Obter maior e mais activa participação do turista
 Enriquecer o tempo de lazer
 Transformar os espectadores passivos em activos
 Facilitar a comunicação, as relações, o conhecimento e o convívio,
 Satisfazer o turista e superar as suas expectativas
 Permitir o relaxamento e aliviar tensões nervosas
 Favorecer a auto-expressão
 Despertar o sentido de grupo, favorecendo a convivência
 Provocar uma maior vontade de permanência nos locais
 Integrar os participantes
 Distrair, tanto os que participam activamente quanto aqueles que só querem
assistir

1.3.Vantagens económicas

Porquê investir em animação turística?


 Porque o novo turista assim o exige;
 Porque o turismo português precisa de qualificar a oferta;
 Porque é necessário rentabilizar o investimento ao máximo;
 Porque é preciso criar condições para que o turista visite Portugal, goste de cá
estar, prolongue a sua estadia, repita a visita e passe uma palavra positiva do
nosso país.
Vantagens da animação turística
 Diversificação dos produtos turísticos
 Valorização e preservação do património cultural
 Rentabilização económica das empresas turísticas
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 Desenvolvimento regional mais equilibrado
 Criação de emprego qualificado
 Diversificação da oferta de serviços
 Atenuação da sazonalidade
 Novas estratégias comerciais
 Diferenciação positiva
 Vantagens competitivas face aos concorrentes

Impactos positivos da animação nas comunidades


 Aumento das receitas
 Criação de emprego
 Melhoria do nível de vida
 Diversificação da mão-de-obra
 Maior evidência dos valores regionais e suas tradições
 Projecção internacional de reconhecimento da região como lugar para investir

1.4.Evolução histórica

Foi no início do século passado que surgiu a animação turística, mediante uma das
modalidades de viagem, a travessia do atlântico em navios de luxo, estabelecendo os
primeiros modelos que posteriormente seriam desenvolvidos em outras áreas.

Nessas viagens, observou-se que para preencher satisfatoriamente o tempo livre dos
passageiros geralmente ricos e exigentes, era necessário criar algumas distracções. E,
a pouco e pouco, as diversas recreações e atracções forma-se estruturando num
esquema de animação, suscitando o surgimento de profissionais especializados.

O conceito de animação foi ampliado e revalorizado a partir de 1950, quando o Club


Mediterranée lançou um novo tipo de viagens de férias: quinze dias em acampamentos
fixos de tendas de lona, com as demais instalações igualmente de pouco conforto. Em
compensação, ofereceu-se uma actividade complementar e ainda pouco conhecida, a
animação colectiva, que criaria vida própria nesse novo tipo de comunidade turística,
por sinal, sempre situada em áreas bastantes afastadas das aglomerações.

A sorte do Club foi possuir entre os seus fundadores algumas pessoas com
extraordinária força de comunicação, que rapidamente se transformariam em grandes
mestres da animação. De modo que, quando se abriram as inscrições para a nova

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temporada, os seus associados escolhiam destinos oferecidos mais em função desse
ou daquele animador, do que pelas belezas paisagísticas dos locais de acampamento.

A animação colectiva passou a ser uma atracção por si mesma e constituiu-se como
um novo produto turístico, que rapidamente passou a ser a coqueluche os turistas
jovens, dos intelectuais e daqueles que procuravam algo de novo.

O indiscutível mérito do Club foi de revelar uma necessidade reprimida de turistas


cansados de fazerem parte de um grupo indiferenciado, se serem guiados para fazer
ou olhar isto ou aquilo, quando no íntimo desejavam ter uma participação mais
efectiva na realização das suas viagens.
A súbita valorização da animação turística passou a ser explicada por outros factores
surgidos nos últimos anos.

Em primeiro lugar, como consequência da crise energética, houve uma mudança


bastante sensível nos modos de viajar das pessoas que planeiam sozinhas as suas
viagens e que representam a grande maioria dos turistas.

Actualmente, eles deslocam-se menos de forma itinerante e aumenta o chamado


turismo sedentário, centrado num só destino. Isso significa que, permanecendo por um
maior período de tempo num só local, o turista exigirá dele muito mais do que aquele
que permanece apenas por um ou dois dias.

Outro factor refere-se ao amadurecimento do turista. À medida que aumenta o seu


hábito de viajar e, consequentemente, enriquece a sua experiência, parece que o
alojamento confortável e a boa comida, assim como as obras de arte e as belas
paisagens, não são suficientes para satisfazer os seus desejos.

O turista moderno ambiciona por uma participação mais activa. Ele gostaria de ser o
verdadeiro protagonista das suas férias e para isso espera encontrar equipamentos e
serviços que lhe possa propiciar uma melhor utilização do tempo livre e maior
convivência ambiental.

Em termos de marketing, o enriquecimento dos produtos pela animação, bem como o


surgimento de produtos específicos com base nela, estão a produzir efeitos positivos

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sobre a procura, que poderá ser motivada, pelo factor novidade, a aderir ao consumo
turístico.

2.Enquadramento legal

2.1 Empresas de animação turística

2.1.1. Conceito

De acordo com o Decreto-Lei nº 108/ 2009, de 15 de Maio:

Artigo 1.º - Objecto


O presente decreto -lei estabelece as condições de acesso e de exercício da actividade
das empresas de animação turística e dos operadores marítimo -turísticos.

Artigo 2.º - Âmbito de aplicação


Para efeitos do presente decreto -lei, a noção de empresa compreende o empresário
em nome individual, o estabelecimento individual de responsabilidade limitada, a
cooperativa e a sociedade comercial sob qualquer um dos seus tipos.

Consideram -se excluídas do âmbito de aplicação do presente decreto -lei, as visitas a


museus, palácios e monumentos nacionais, e outras actividades de extensão cultural,
quando organizadas pelo Instituto dos Museus e da Conservação, I. P., ou pelo
Instituto de Gestão do
Património Arquitectónico e Arqueológico, I. P., ou pelos respectivos serviços
dependentes, considerando -se actividades de divulgação do património cultural
nacional.

2.1.2. Actividades próprias

São consideradas actividades próprias das empresas de animação turística, a


organização e a venda de actividades recreativas, desportivas ou culturais, em meio
natural ou em instalações fixas destinadas ao efeito, de carácter lúdico e com interesse
turístico para a região em que se desenvolvam.

2.1.3. Actividades acessórias

São actividades acessórias das empresas de animação turística, nomeadamente, a


organização de:
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a) Campos de férias e similares;
b) Congressos, eventos e similares;
c) Visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de relevante
interesse turístico, sem prejuízo da legislação aplicável ao exercício da
actividade de guia turístico;
d) O aluguer de equipamentos de animação.

As actividades de animação turística desenvolvidas em áreas classificadas ou outras


com valores naturais designam -se por actividades de turismo de natureza, desde que
sejam reconhecidas como tal pelo Instituto de Conservação da Natureza e da
Biodiversidade, I. P. (ICNB, I. P.).

As actividades de animação turística desenvolvidas mediante utilização de embarcações


com fins lucrativos designam -se por actividades marítimo -turísticas e integram as
seguintes modalidades:
a) Passeios marítimo-turísticos;
b) Aluguer de embarcações com tripulação;
c) Aluguer de embarcações sem tripulação;
d) Serviços efectuados por táxi fluvial ou marítimo;
e) Pesca turística;
f) Serviços de natureza marítimo -turística prestados mediante a utilização de
embarcações atracadas ou fundeadas e sem meios de propulsão próprios ou
selados;
g) Aluguer ou utilização de motas de água e de pequenas embarcações
dispensadas de registo;
h) Outros serviços, designadamente os respeitantes a serviços de reboque de
equipamentos de carácter recreativo, tais como bananas, pára -quedas, esqui
aquático.

As embarcações, com ou sem propulsão, e demais meios náuticos utilizados na


actividade marítimo–turística estão sujeitos aos requisitos e procedimentos técnicos,
designadamente em termos de segurança, regulados por diploma próprio.

2.1.4. Requisitos principais

De acordo com o Decreto-Lei nº 108/ 2009, de 15 de Maio:

Artigo 11.º - Requerimento de inscrição no RNAAT

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1 — O exercício da actividade das empresas de animação turística e dos operadores
marítimo -turísticos depende de inscrição no Registo Nacional dos Agentes de
Animação Turística (RNAAT) e da contratação dos seguros previstos no artigo 27.º

2 — O requerimento de inscrição no RNAAT é dirigido ao Turismo de Portugal, I. P.,


através de formulário electrónico disponibilizado no seu sítio da Internet, do qual deve
constar:
a) A identificação do requerente;
b) A identificação dos titulares, administradores ou gerentes da empresa;
c) A localização da sede e dos estabelecimentos da empresa;
d) A indicação do nome adoptado para o estabelecimento e de marcas que a
empresa pretenda utilizar;
e) As actividades de animação turística que a empresa pretenda exercer,
especificando, no caso das actividades marítimo -turísticas, as modalidades a
exercer;
f) A indicação de interesse em obter o reconhecimento da actividade de turismo
de natureza, quando se verifique.
O requerimento de inscrição no RNAAT deve ser instruído com os seguintes
documentos:
a) Cópia simples do acto constitutivo da empresa;
b) Código de acesso à certidão permanente ou, em alternativa, certidão do
registo comercial actualizada e em vigor ou a respectiva cópia simples;
c) Declaração do interessado a autorizar a consulta ao sítio da Internet, no qual
possa ser consultado o registo das marcas que se pretendam utilizar;
d) Cópia simples das apólices de seguro obrigatórias, com discriminação das
actividades cobertas e comprovativo do pagamento do prémio ou fracção
inicial;
e) Programa detalhado das actividades a desenvolver, com indicação dos
equipamentos a utilizar;
f) Declaração de como os equipamentos e as instalações satisfazem os
requisitos legais, acompanhados de cópia simples da licença de utilização,
autorização de utilização
ou outro documento similar emitido pelas entidades competentes, quando
previsto na legislação aplicável;
g) Documentos previstos no n.º 1 do artigo 20.º, quando se pretenda o
reconhecimento de actividades de turismo de natureza.

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2.1.5. Processo de licenciamento

Com a apresentação do requerimento de inscrição no RNAAT por via electrónica é


enviado, automaticamente, pelo Turismo de Portugal, I. P., um recibo de recepção
para o endereço electrónico remetente.

O Turismo de Portugal, I. P., designa um gestor de processo a quem compete


assegurar o desenvolvimento da tramitação procedimental do requerimento de
inscrição no RNAAT, e que acompanha, nomeadamente, a instrução do processo, o
cumprimento dos prazos e a prestação de informação e esclarecimentos ao
requerente.

Se for detectada a falta ou desconformidade de algum dos elementos ou documentos


referidos no artigo anterior, o Turismo de Portugal, I. P., solicita ao requerente, no
prazo de cinco dias a contar da data da recepção do requerimento de inscrição no
RNAAT, o envio dos elementos ou documentos em falta, fixando um prazo não inferior
a 10 dias, ficando suspensos, durante esse período, os termos ulteriores do processo.

O processo só se encontra devidamente instruído na data da recepção do último dos


elementos em falta.

O Turismo de Portugal, I. P., tem 10 dias, contados da recepção do requerimento


devidamente instruído, para notificar o requerente da decisão sobre o requerimento de
inscrição no RNAAT, sem prejuízo do disposto no número seguinte.

Havendo lugar à consulta prevista no artigo anterior, o prazo para notificação referido
no número anterior começa a contar -se do termo do prazo para resposta do ICNB, I.
P.

Com a inscrição no RNAAT, é emitido e enviado ao requerente, preferencialmente por


via electrónica, um certificado de registo com os elementos referidos nas alíneas a) a
g) do n.º 2 do artigo 9.º

No prazo de 10 dias a contar da data do registo, o Turismo de Portugal, I. P.,


comunica ao Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, I. P. (IPTM, I. P.), ou à
Direcção -Geral da Autoridade Marítima (DGAM), consoante os casos, e ao Instituto da
Água, I. P., o registo de
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operadores marítimo -turísticos e de empresas de animação turística cujo projecto de
actividades inclua o exercício de actividades marítimo -turísticas, e à Direcção -Geral
das Pescas e Aquicultura (DGPA), quando o exercício destas actividades inclua a
modalidade da pesca turística.

O requerimento de inscrição no RNAAT é indeferido pelo Turismo de Portugal, I. P.,


sempre que da análise dos elementos instrutórios resultar que o mesmo é contrário às
disposições legais ou regulamentares aplicáveis.

O indeferimento do requerimento é devidamente fundamentado e comunicado ao


requerente.

Em caso de indeferimento do requerimento, o interessado pode apresentar novo


requerimento, por via electrónica, com dispensa de junção dos documentos enviados
anteriormente que se mantenham válidos e adequados, devendo identificá-los
expressamente.

Pelo registo das empresas de animação turística no RNAAT é devida uma taxa única no
valor de:
a) € 950, para empresas certificadas como microempresas de acordo com o previsto
no Decreto -Lei n.º 372/2007, de 6 de Novembro;
b) € 1500, para as restantes.

Pelo registo de operadores marítimo -turísticos no RNAAT é devida uma taxa única no
valor de € 245.

Os operadores marítimo -turísticos que pretendam registar -se como empresas de


animação turística e reúnam os requisitos previstos no presente decreto -lei para o
efeito pagam uma taxa de valor correspondente ao diferencial entre o valor pago pelo
registo como operadores marítimo-turísticos e o valor da taxa devida pelo registo como
empresas de animação turística.

Os valores das taxas referidos nos n.os 1 e 2 são automaticamente actualizados a 1 de


Março de cada ano, com base na variação do índice médio de preços no consumidor
no continente, relativo ao ano anterior, excluindo a habitação, e publicado pelo
Instituto Nacional de Estatística.

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 13 de 40


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O produto das taxas referidas nos números anteriores, reverte em:
a) 20 % para o ICNB, I. P.;
b) 20 % para o IPTM, I. P.;
c) 20 % para a DGAM;
d) 40 % para o Turismo de Portugal, I. P.

Com o pagamento das taxas a que se referem os n.os 1 e 2, as empresas de animação


turística e os operadores marítimo -turísticos ficam isentos do pagamento de quaisquer
outras taxas ou licenças exigidas para o exercício das suas actividades próprias, sem
prejuízo da necessidade de pagamento:
a) De licenças individuais de pesca turística quando seja exercida esta
modalidade da actividade marítimo-turística;
b) De taxas e licenças referentes à realização de espectáculos de natureza
artística;
c) Das taxas, incluindo a prestação de cauções, devidas pela emissão de títulos
de utilização de recursos hídricos nos termos do disposto na Lei da Água,
aprovada pela Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro, e respectiva legislação
complementar e regulamentar.

O requerente pode iniciar a sua actividade com a recepção do certificado de registo


previsto no n.º 3 do artigo 14.º, desde que se encontre paga a taxa prevista no artigo
anterior.

Uma vez ultrapassados os prazos referidos nos artigos 12.º, 13.º e 14.º sem resposta
ao requerente, entende –se o requerimento deferido, podendo aquele iniciar actividade
desde que:
a) Se encontrem cumpridos os demais requisitos legais para o exercício da
actividade;
b) Tenha sido previamente paga a taxa prevista no artigo anterior;
c) Tenha sido entregue uma declaração prévia de início de actividade ao
Turismo de Portugal, I. P., na qual o requerente se responsabiliza pelo
cumprimento dos requisitos adequados ao exercício da respectiva actividade.

Verificados os pressupostos referidos no número anterior, o Turismo de Portugal, I.


P., procede ao registo da empresa no prazo máximo de 10 dias contados da recepção
da declaração prévia de início de actividade.

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 14 de 40


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As empresas de animação turística e os operadores marítimo -turísticos apenas podem
desenvolver as actividades de animação inscritas ou averbadas no respectivo registo,
que se mantém válido enquanto se mantiverem válidos os requisitos estabelecidos no
presente decreto -lei.

O registo no RNAAT é cancelado por despacho do presidente do Turismo de Portugal,


I. P., sempre que:
a) Deixe de se verificar algum dos requisitos legais para a sua admissão;
b) Não seja entregue, junto do Turismo de Portugal, I. P., comprovativo de que
os seguros obrigatórios se mantêm em vigor no prazo de 30 dias contados da
data do termo de vigência das respectivas apólices;
c) Se verifique a insolvência ou a extinção da entidade registada;
d) Se verifique a violação reiterada das normas previstas no presente decreto
-lei ou das normas de protecção ambiental;
e) Seja expressamente pedido o cancelamento pela empresa registada.

Para efeitos da alínea d) do número anterior, considera -se que a empresa de


animação turística ou o operador marítimo -turístico violou de forma reiterada o
presente decreto -lei, ou as normas de protecção ambiental, quando, durante o
período de dois anos, incorra em pelo menos três contra -ordenações punidas com
coima.

A decisão de cancelamento é fundamentada e notificada à empresa visada, salvo no


caso previsto na alínea e) do n.º 2 em que é dispensada a fundamentação da decisão.

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 15 de 40


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3.A animação turística no âmbito do turismo de natureza
3.1.Enquadramento geral

A Animação Ambiental é uma classificação específica para a Animação Turística


desenvolvida no interior de uma Área Protegida, que tem como objectivo promover a
ocupação dos tempos livres dos turistas e visitantes através do conhecimento e da
fruição dos valores naturais e culturais próprios destes espaços.

Legislação Aplicável à Animação Ambiental


 Decreto Regulamentar nº 18/99, de 27 de Agosto
Regula a Animação Ambiental nas modalidades de animação, interpretação
ambiental e desporto de natureza nas áreas protegidas, bem como o processo
de licenciamento das iniciativas e projectos de actividades, serviços e
instalações de animação ambiental.
Alterado pelo Decreto Regulamentar nº 17/2003, de 10 de Outubro.
 Decreto-Lei nº 218/95, de 26 de Agosto
Regula a circulação de veículos motorizados nas praias, dunas, falésias e
reservas integrais.
 Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril
Revê a transposição para a ordem jurídica interna da Directiva nº 74/409/CEE ,
do Conselho, de 2 de Abril (relativa à conservação das aves selvagens), e da
Directiva nº 92/43/CEE , do Conselho, de 21 de Maio (relativa à preservação
dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens). - Revoga os Decretos-
Leis nºs 75/91, de 14 de Fevereiro, 224/93, de 18 de Junho, e 226/97, de 27
de Agosto.
 Dec. Reg. nº 17/03, de 10/10 (altera o Dec. Reg. nº 18/99, de 27/08).
 Portaria nº 164/2005, de 11/02 e Dec. Rectificação nº 12/2005, de 13/03.
 DL nº 49/2005, de 24/02 (Altera e republica o DL 140/99, de 24/05).

Entidades que podem pedir o licenciamento para actividades, iniciativas ou


projectos de Animação Ambiental
 Comerciante em nome individual, um estabelecimento individual de
responsabilidade limitada, uma sociedade comercial ou uma cooperativa;
 Federações, clubes e associações desportivas;
 Instituições particulares de solidariedade social;
 Institutos públicos;
 Associações juvenis;

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 Outras associações e demais pessoas colectivas sem fins lucrativos, cujo
objecto abranja as actividades previstas no nº 1 do artigo 3º do Decreto-Lei nº
204/2000, de 1 de Setembro.

Estas entidades deverão ainda ter como Objecto Social o exercício de actividades de
animação turística ou ambiental.

A legislação que regula a Animação Turística deve ser cumprida por qualquer
actividade, serviço ou instalação de Animação Ambiental88, nomeadamente no que
respeita ao licenciamento, sem prejuízo de as mesmas terem que ser licenciadas no
âmbito do procedimento específico previsto em diploma próprio.

Assim, as entidades referidas no nº 1 do artº 8º do DR nº 17/03, de 10/10 devem ser


portadoras, simultaneamente, de:
 Alvará de licenciamento exigido para o exercício da actividade das empresas de
animação turística, a conceder pela Direcção-Geral do Turismo; Para
actividades náuticas em zonas marítimas, as empresas devem apresentar o
Alvará como Operadores Marítimo-Turístico (Dec. Lei nº 269/03, de 28/10 -
altera e republica o DL nº 21/02, de 31/01 – Regulamento da Actividade
Marítimo-Turística).
 Licença específica prevista para as actividades, iniciativas e projectos de
Animação Ambiental.

De salientar que não é exigido o licenciamento de Animação Turística às actividades


de:
 Comercialização directa dos seus produtos e serviços pelos empreendimentos
turísticos, empreendimentos de turismo no espaço rural, casas de natureza,
estabelecimentos de restauração ou de bebidas, agências de viagens e turismo
e pelos operadores marítimo-turísticos;
 O transporte de clientes pelos empreendimentos turísticos, casas e
empreendimentos de turismo no espaço rural, casas de natureza,
estabelecimentos de restauração e de bebidas e agências de viagens e turismo,
com veículos que lhes pertençam, ou contratados para esse fim;
 A venda de serviços de empresas transportadoras;
 As actividades de animação turística desenvolvidas por misericórdias,
mutualidades, instituições privadas de solidariedade social, institutos públicos,

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clubes e associações desportivas, associações juvenis e as entidades análogas,
cujo objecto abranja as actividades previstas para a animação turística e que as
exerçam para os respectivos associados ou beneficiários, sem regularidade nem
fim lucrativo.

No caso de entidades que, não tendo licenciamento, pretendam, pontual e


isoladamente, organizar actividades, iniciativas ou projectos de Animação Ambiental,
deverão solicitar uma autorização para o evento em concreto, junto do ICN e da(s)
Câmara(s) Municipal(is) da área respectiva.

Para além destas entidades e dependendo, caso a caso, da natureza, dimensão e


localização do evento, devem ser tidos em conta os pareceres necessários de outras
entidades competentes, como pode ser o caso das forças policiais, das autoridades
portuárias, do Instituto de Estradas de Portugal, dos Bombeiros, etc.

Por outro lado, há outras condicionantes legais a ter em conta, como sejam os
seguros, os direitos de autor (no caso de espectáculos), etc. O conjunto de todos estes
procedimentos, variável consoante o caso, deve ser avaliado concretamente em
conjunto com a a(s) Câmara(s) Municipal(is) da área respectiva.

Os requisitos gerais e específicos das actividades, iniciativas e projectos de animação


ambiental prendem-se com os princípios que estão na base do próprio Programa
Nacional de Turismo de Natureza, nomeadamente através do respeito pela natureza,
da valorização do património sociocultural, da aposta nos produtos e actividades
tradicionais e do seguimento do enquadramento legislativo próprios de cada actividade
ou sector.

Requisitos gerais das actividades, iniciativas e projectos de Animação


Ambiental:
 Contribuir para a descoberta e fruição dos valores naturais e culturais das AP;
 Contribuir para a revitalização e divulgação dos produtos artesanais
tradicionais, em particular os produtos de qualidade legalmente reconhecida e
das manifestações socioculturais características das AP, bem como do seu meio
rural envolvente;
 Contribuir para a realização de tarefas ligadas às actividades económicas
tradicionais ou à conservação da natureza;
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Certificação Nº. C 364
 Contribuir para a promoção do recreio e lazer;
 Contribuir para a atracção de turistas e visitantes, nacionais e estrangeiros, ou
constituir um meio para a ocupação dos seus tempos livres ou para a satisfação
das necessidades ou expectativas decorrentes da sua permanência na AP;
 Respeitar as áreas condicionadas ou interditas de acordo com os instrumentos
de gestão territorial em vigor e com os diplomas de criação e de reclassificação
das AP;
 Respeitar as zonas sensíveis ao ruído e à invasão dos seus territórios, bem
como as zonas vulneráveis à erosão;
 Respeitar as regras e recomendações constantes do código de conduta (Carta
de Desportos da Natureza);
 Não estarem próximos de estruturas urbanas ou ambientais degradadas, com
excepção das já existentes ou a construir quando se enquadrem num processo
de requalificação urbana ou ambiental;
 Possuir projecto aprovado pelas entidades competentes para o efeito, quando
exigível;
 Estar aberto ao público em geral.

3.2.Modalidades da animação

Existem três modalidades de actividades, iniciativas ou projectos de Animação


Ambiental: a Animação, a Interpretação Ambiental e os Desportos de
Natureza.

 Considera-se Animação o conjunto de actividades que se traduzam na


ocupação dos tempos livres dos turistas e visitantes, permitindo a diversificação
da oferta turística através da integração dessas actividades e outros recursos
das áreas protegidas, contribuindo para a divulgação da gastronomia, do
artesanato, dos produtos e tradições da região onde se inserem,
desenvolvendo-se com o apoio das infra-estruturas e dos serviços existentes no
âmbito do turismo de natureza.
 Interpretação Ambiental é toda a actividade que permite ao visitante o
conhecimento global do património que caracteriza a área protegida, através da
observação no local, das formações geológicas, da flora, fauna e respectivos

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Certificação Nº. C 364
habitats, bem como de aspectos ligados aos usos e costumes das populações
com recurso às instalações, sistemas e equipamentos do turismo de natureza.
 Consideram-se actividades de Desporto de Natureza todas as que sejam
praticadas em contacto directo com a natureza e que, pelas suas
características, possam ser praticadas de forma não nociva para a conservação
da natureza.

Animação
Da definição das actividades de Animação, destacam-se os seguintes elementos chave:
 Ocupação dos tempos livres dos turistas;
 Integração dessas actividades com outros recursos das áreas protegidas;
 Contribuição para a divulgação dos recursos locais;
 recurso às infra-estruturas e aos serviços existentes no âmbito do turismo de
natureza.

A legislação refere algumas actividades, serviços e instalações de Animação, que


podemos sintetizar da seguinte forma:

Actividades Serviços Instalações


− Gastronomia − Informação - Centros de Interpretação
− Artesanato − Guias de Natureza - Pólos de recepção/locais
− Circuitos temáticos − Comércio Tradicional
de
− Expedições − Transportes
animação
− Produtos locais
- Locais tradicionais de
− Eventos
comércio
− Passeios (a pé, a
− Feiras
cavalo, de bicicleta, de − Parques de merendas
− Outras infra-estruturas
barco…)
de
apoio

Para que determinado projecto possa ser enquadrada no âmbito da Animação, há que
ter em conta certas condicionantes legais, nomeadamente no que respeita a:
 Gastronomia - Deve promover as receitas e formas de confecção tradicionais,
designadamente incorporando as matérias-primas e os produtos tradicionais,
bem como os produtos de base local e regional, constituindo um meio de
divulgação de estabelecimentos de restauração e bebidas tradicionais.
 Produtos Tradicionais Regionais - Devem ser promovidos e comercializados,
obedecendo aos requisitos exigidos por lei.
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Certificação Nº. C 364
 Artes e Ofícios Tradicionais da Região - São as actividades que compreendem o
fabrico de materiais e objectos, de prestação de serviços, de produção e
confecção de bens alimentares e arte tradicional de vender, ou incorporem uma
quantidade significativa de mão-de-obra e manifestem fidelidade aos processos
tradicionais. Devem ser promovidos por forma a garantir o interesse para a
economia e tradição do saber fazer local, contribuindo para a dinamização de
feiras regionais.
 Estabelecimentos tradicionais de convívio, de educação e de comércio - São
estabelecimentos comerciais onde se consomem e transaccionam produtos
resultantes das actividades ligadas às artes e aos ofícios. A instalação ou
recriação destes locais deve garantir a manutenção das características
arquitectónicas da região e contribuir para a identificação cultural e social que
estes estabelecimentos representam.
 Feiras, Festas e Romarias - Devem contribuir para a dinamização da economia
local e manifestações socioculturais características de cada AP.
 Rotas Temáticas e Expedições Panorâmicas e Fotográficas - Devem privilegiar a
divulgação e promoção dos contextos mais representativos da economia,
cultura e natureza de cada AP e devem promover a utilização e a recuperação
de meios de transporte tradicionais.
 Passeios a Pé, de Barco, a Cavalo e de Bicicleta - Devem respeitar os trilhos e a
sinalização existente, bem como as limitações estabelecidas quanto ao número
de actividades ou visitantes em relação a alguns locais e ou época do ano.
 Passeios em Veículos Todo-o-Terreno - Devem respeitar os trilhos e a
sinalização existente, bem como as limitações estabelecidas quanto ao número
de actividades ou visitantes em relação a alguns locais e ou época do ano.
Devem ainda ter como objectivo a divulgação dos valores naturais e culturais.
 Jogos Tradicionais e Parques de Merendas - Devem contribuir para a
dinamização e revitalização de formas de convívio e ocupação dos tempos
livres.
 Pólos de Animação - São locais onde se reúnem uma ou mais ocorrências de
animação, podendo integrar valências da interpretação e do desporto de
natureza. Devem contribuir para a revitalização dos lugares através da
recuperação e promoção do seu património cultural e das actividades
económicas características de cada AP.
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 Meios de Transporte Tradicionais - Devem ser adequados ao fim da visita e da
manutenção das condições ambientais, nomeadamente através da utilização de
transportes colectivos, tradicionais ou que adoptem energias alternativas.
Técnica multidisciplinar de tradução da paisagem, do património natural e
cultural.

Interpretação ambiental
Da definição das actividades de Interpretação Ambiental, destacam-se os seguintes
elementos chave:
 Conhecimento global do património que caracteriza a área protegida;
 Observação no local, das formações geológicas, da flora, fauna e respectivos
habitats;
 Observação dos usos e costumes das populações;
 Recurso às instalações, sistemas e equipamentos do turismo de natureza.

A legislação refere algumas actividades, serviços e instalações de Interpretação


Ambiental, que podemos sintetizar da seguinte forma:

Actividades Serviços Instalações


− Conhecimento global Informação − Centros de informação
− Guias de natureza − Centros de interpretação
da AP:
− Técnicos da AP − Circuitos interpretativos
. Exposições
− Transportes − Pólos eco-museológicos
. Colóquios
− Observatórios
. Palestras
− Outras infra-estruturas
− Observação local:
de apoio
. Paisagens
. Formações geológicas
. Flora
. Fauna
. Habitats
− Usos e costumes
locais
Para que determinado projecto possa ser enquadrada no âmbito da Interpretação
Ambiental, há que ter em conta certas condicionantes legais, nomeadamente no que
respeita a:
 Pólos de Recepção - São locais devidamente equipados destinados à recepção
de visitantes e à prestação de informação sobre a AP, podendo dispor de
serviços específicos da animação ambiental. Devem estar estrategicamente

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localizados, contribuindo para ordenar o acesso e a visitação à AP. Devem
privilegiar a recuperação e reutilização dos imóveis existentes.
 Centros de Interpretação - São infra-estruturas destinadas a proporcionar ao
visitante o conhecimento global e integrado da AP de forma comparativa e
evolutiva, com recurso a uma base científica que, para além da simples
descrição dos fenómenos, permite a sua compreensão no tempo e no espaço.
Devem ser constituídos por instalações, equipamentos e serviços que
proporcionem o conhecimento global e integrado da AP, sendo a sua concepção
e gestão da responsabilidade da AP. Devem privilegiar a recuperação e
reutilização dos imóveis existentes.
 Percursos Interpretativos - Caminhos ou trilhos devidamente sinalizados que
têm como finalidade proporcionar ao visitante, através do contacto directo com
a natureza, o conhecimento dos valores naturais e culturais da AP. Devem
indicar o teor, a extensão, a duração, o número máximo de participantes por
grupo e por dia e os meios de transportes permitidos ou aconselháveis e ser
obrigatoriamente acompanhadas por guias de natureza, ou em alternativa por
pessoal com formação adequada.
 Núcleos Ecomuseológicos - Locais ou instalações onde através da interpretação
se remete o visitante para a compreensão de determinados fenómenos
culturais, sociais e naturais, através do seu contacto directo e ou da recriação
dos mesmos. Devem contribuir para a recuperação do património histórico,
arquitectónico e etnográfico e ser representativos das principais manifestações
socioculturais e económicas que ao longo dos tempos contribuíram para a
construção das paisagens de cada AP e da sua identidade.
 Observatórios - Locais ou instalações destinados à observação da avifauna.
Devem estar estrategicamente localizados e concebidos de forma a não
provocar distúrbios na avifauna.
 Iniciativas, projectos ou actividades sem instalações físicas próprias - Devem
promover exposições, colóquios e palestras que proporcionem o debate e a
discussão de matérias relativas à conservação da natureza e às actividades
socioeconómicas da AP.

Desportos de natureza

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 23 de 40


Certificação Nº. C 364
Da definição das actividades de Desporto de Natureza, destacam-se os seguintes
elementos chave:
 Praticadas em contacto directo com a natureza;
 Praticadas de forma não nociva para a conservação da natureza.

Desportos de Natureza são todos aqueles cuja prática aproxima o homem da natureza
de uma forma saudável e sejam enquadráveis na gestão das áreas protegidas e numa
política de desenvolvimento sustentável.

Os desportos de natureza devem:


 Respeitar o enquadramento legislativo próprio de cada actividade ou sector;
 Respeitar os locais indicados para a prática de cada modalidade desportiva;
 Respeitar os acessos e trilhos definidos, bem como os locais de estacionamento
e de acampamento;
 Respeitar as condicionantes estabelecidas quanto aos locais, ao número de
praticantes e à época do ano;
 Acondicionar e dotar de forma adequada os locais com equipamentos de
qualidade e segurança necessários à prática de cada modalidade;
 Dotar os locais com sinalização e informação sobre as condições de utilização
dos mesmos e recomendações para a prática de cada modalidade;
 Garantir a manutenção dos equipamentos, sinalização, acessos,
estacionamento e locais de pernoita, bem como a qualidade ambiental de cada
local e respectiva área envolvente;
 Respeitar as regras e orientações estabelecidas no código de conduta (manual
contendo as principais regras e orientações de visitação e fruição das Área
Protegida).

A legislação refere algumas actividades, serviços e instalações de Desporto de


Natureza, que podemos sintetizar da seguinte forma:

Actividades Serviços Instalações


Pedestrianismo − Promotores Percursos
− Montanhismo − Agentes − Cais de atracamento
− Escalada − Guias e monitores − Pistas de descolagem
− Orientação − Guardas e vigilantes − Pistas em terra batida
− BTT − Monitorização − Abrigos de montanha
− Hipismo − Transportes − Refúgios
− Espeleologia − Outras infra-estruturas
− Desportos do Ar de apoio
. Balonismo
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. Voo Livre
. Parapente
. Asa delta
− Desportos Aquáticos
. Mergulho
. Vela
. Windsurf
. Surf
. Canoagem
. Remo
. Rafting
. Hidrospeed
− Outros desportos de
carácter não nocivo para
a natureza

Cada Área Protegida deve possuir uma carta de desporto de natureza e respectivo
regulamento, a aprovar conjuntamente pelos membros do Governo responsáveis pelas
áreas do desporto e do ambiente. A carta referida deve conter as regras e orientações
relativas a cada modalidade desportiva, incluindo, designadamente, os locais e as
épocas do ano em que as mesmas podem ser praticadas, bem como a respectiva
capacidade de carga.

Para a elaboração da sua carta, a AP deve consultar as federações desportivas dotadas


do estatuto de utilidade pública desportiva (UP D), representativas das diferentes
modalidades e outras entidades que julgue adequadas.

Sendo que neste momento muitas Áreas Protegidas não têm ainda a sua Carta de
Desporto de Natureza em vigor, com excepção do Parque Natural da Serra de Aire e
Candeeiros (Portaria nº 1465/2004, de 17/12 (Regulamento do Desporto de Natureza
no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros), o ICN pode ou não aprovar
determinada actividade, consoante possa interferir mais ou menos com a preservação
do meio ambiente.

Para regular determinado desporto, uma Federação deve estar reconhecida como de
Utilidade Pública Desportiva.

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 25 de 40


Certificação Nº. C 364
Os Desportos de Natureza são, em muitos casos, desportos algo recentes em Portugal,
sendo, nos restantes casos, igualmente recente o alargamento da sua prática ao
Turismo de Natureza.

O funcionamento de uma empresa de Animação Ambiental que promova actividades


de Desportos de Natureza depende, como já vimos, de licença do ICN e parecer do
Instituto do Desporto de Portugal (IDP). Este parecer visa atestar o interesse
desportivo do projecto bem como aferir da capacidade técnica dos monitores para as
actividades desportivas propostas, pelo que o pedido de parecer deve especificar que
modalidades estão previstas bem como anexar os documentos comprovativos da
formação adequada dos monitores para essas actividades.

O parecer do IDP é emitido com base nos seguintes pressupostos:


 No caso das modalidades com regulamentação legal própria (como é o caso do
mergulho ou do voo livre), o IDP verifica o cumprimento dessa legislação,
incluindo os requisitos de formação;
 Nos restantes casos (a grande maioria), o IDP avalia o currículo do responsável
técnico pela actividade em causa, que deverá ter formação técnica adequada.
Esta avaliação depende muito da modalidade e do seu grau de risco, mas,
genericamente, pode exigir:
- Formação específica para a modalidade, obtida a nível nacional ou
internacional; esta formação poderá ser obtida através da respectiva
Federação (o que será uma mais-valia) ou de outra entidade privada
com competência devidamente reconhecida pelo IDP;
- Formação universitária, nas áreas das actividades físicas e desporto;
- Em casos de reduzido risco (como no caso do pedestrianismo ou da
orientação), poderá ser exigido apenas um currículo de praticante e
experiência como monitor relevante.

Para além da legislação específica de cada modalidade, e da legislação relativa ao


Turismo de Natureza e à Animação Ambiental, para realizar Actividades Desportivas
em Áreas Protegidas, há que considerar ainda a seguinte legislação geral:
 Decreto-Lei nº 218/95 , de 26 de Agosto
Regula a circulação de veículos motorizados nas praias, dunas, falésias e
reservas integrais.
 Decreto-Lei nº 317/97, de 25 de Novembro

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Certificação Nº. C 364
Regime de instalação e funcionamento das instalações desportivas
 Decreto-Lei nº 385/99, de 28 de Setembro
Regime da responsabilidade técnica pelas instalações desportivas
 Decreto-Lei nº 407/99, de 15 de Outubro

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Certificação Nº. C 364
4.O animador turístico
4.1.Estatuto

Uma das componentes mais importantes na realização de projectos de animação é


sem dúvida o animador.

A função do animador consiste em “coordenar e controlar as actividades de animação


de uma unidade turística/ hoteleira ou de uma instituição pública ou privada, em
função dos objectivos e estratégias definidas. Procura construir uma boa imagem do
local receptor, garantindo a satisfação dos visitantes e clientes, criando condições para
a fidelização pela qualidade”.

Indiciada esta necessidade de animação/animador, ele “animador” tem de possuir


grandes qualidades de comunicação, abertura de espírito, muita disponibilidade, um
carácter extrovertido, talentoso e ser especialista em pelo menos uma actividade
desportiva ou lúdica.
Tem de ter uma personalidade forte, e ser possuidor de grande imaginação, ser
dinâmico, flexível e ter grande capacidade sugestiva, enfim possuir um conjunto de
aptidões que tornam esta profissão difícil e mais completa do que muitos podem
pensar.

De acordo com diversos especialistas existem 14 qualidades que qualquer bom


animador deve possuir:
1. Ser um excelente comunicador
2. Ser criativo dinâmico e espírito de líder
3. Ter forte capacidade de adaptação
4. Ter grande capacidade organizativa
5. Dominar técnicas e recursos
6. Ter uma atitude de permanente aprendizagem
7. Ter capacidade de improviso
8. Ter capacidade pedagógica
9. Ser tolerante
10. Ser observador
11. Ter simpatia e amabilidade
12. Ser aglutinador de grupo
13. Ser entusiasta
14. Ser resistente física e psicologicamente

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Certificação Nº. C 364
Estas são sem dúvida as principais aptidões que um animador deve possuir, mas para
que do ponto de vista da intervenção do animador e para seu próprio controlo e
orientação, o evento seja um sucesso às aptidões atrás referidas deveremos
acrescentar alguns princípios orientadores.

Os princípios orientadores de um bom animador são:


 Nunca esquecer que o objectivo principal do animador é satisfazer os gostos e
as expectativas do maior número possível de clientes e de os entreter
 Tentarem sempre uma adaptação às condições específicas do trabalho a
efectuar, sem apresentarem demasiados obstáculos
 Terem sempre presente que um animador não é apenas considerado como
indivíduo, mas também com o que faz. Do seu comportamento depende o
trabalho e a credibilidade de toda uma equipa
 Tentarem desde o primeiro minuto atrair a simpatia dos colegas e gestores. Tê-
los como amigos poderá significar melhores condições de trabalho. Tê-los como
inimigos pode levar ao insucesso total
 Devem publicitar de todas as formas possíveis as suas iniciativas e as da
equipa, para que nunca alguém possa dizer “eu não sabia”
 Devem procurar aproveitar-se de todas as ocasiões em que se verifique
disponibilidade e entusiasmo por parte dos participantes para implementar uma
nova actividade que vá de encontro das suas expectativas
 Recordar que o segredo para agradar a todos é não ter preferência por
ninguém em particular. Tem de ser dada atenção a todos e da mesma forma
 Não esgotar em poucos dias todas as energias, deitando-se tarde e
acumulando sonos em atraso. Tem de aprender a gerir a fadiga e o stress, pois
de tem de estar activo por longos períodos
 Nunca se envolver em comportamentos mais ou menos íntimos ou de fácil
equívoco com qualquer cliente.

4.2 Perfil do animador

O animador tem algo de ilusionista, algo de formador, algo de vendedor, algo de


malabarista, algo de médico, algo de psicólogo, algo de apaziguador, algo de líder,
algo de transformador de estados de espírito, algo de amigo e muito de mensageiro de
felicidade.

Dez mandamentos do animador

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 Sorri
 Saúda os clientes
 Sê educado e amável
 Controla o teu estado de ânimo em frente aos clientes
 As necessidades dos clientes são as tuas
 Personaliza o serviço
 Surpreende com a tua eficácia e comportamento
 Sê organizado
 Mantém os participantes informados
 Respeita os clientes e os teus colegas de trabalho

O animador, para além da função de entreter os turistas e incentivá-los a participar


nas actividades de animação, deve contribuir para que os mesmos enriqueçam o seu
conhecimento e desenvolvam novas aptidões e competências.

Por outro lado, o animador deve possuir um conjunto de conhecimentos cognitivos


(saber saber), competências técnicas (saber fazer), assim como aptidões pessoais
(saber estar) que lhe permitem exercer a sua profissão de forma eficiente.

4.3 Características gerais

Os animadores turísticos são os profissionais que planeiam, organizam e promovem


diversas actividades de animação.

Dado que existem várias áreas de animação turística, estes profissionais habitualmente
especializam-se numa delas, podendo desenvolver actividades tão diferentes como a
animação desportiva em terra, na água, ou no ar; a animação na natureza (observação
da fauna, da flora, das configurações geológicas da terra, etc.); entre um imenso leque
de possibilidades.

Também se podem especializar na animação de grupos divididos por faixas etárias


(crianças, jovens, adultos ou seniores), ou no acompanhamento de grupos portadores
de incapacidades físicas ou psíquicas.

Também aos animadores turísticos é-lhes exigido um variado conjunto de


competências profissionais, das quais se destacam a capacidade para preparar e
realizar programas de animação adequados às expectativas dos turistas, bem como ter
uma sólida preparação na respectiva área de especialização.

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Devem ainda ter fortes noções de segurança e primeiros socorros, uma vez que deverá
ser salvaguardada sempre, a integridade física dos clientes, especialmente nas
actividades de animação desportiva ou de animação na natureza.

4.4 Características específicas

As funções dos profissionais de animação turística estão oficialmente definidas no


catálogo nacional de qualificações, as quais se passam a transcrever:

OBJECTIVO GLOBAL - Efectuar o planeamento, a organização, a


comercialização e a dinamização de actividades de animação turística, de
modo a garantir um serviço de
qualidade e a satisfação dos clientes.

ACTIVIDADES

1. Planear actividades de animação turística, em colaboração com os órgãos


responsáveis da organização, tendo em conta, a estratégia e a política
comercial da organização, os clientes alvo e o mercado:
 Acompanhar as tendências de evolução de tipos e segmentos de turismo, bem
como de novos programas de animação turística;
 Proceder à actualização de informação turística de carácter geral, histórico e
cultural, de forma a elaborar novos programas de animação turística ou
reformulá-los;
 Auscultar as motivações e interesses dos clientes, de modo a constituir uma
oferta de actividades de animação turística vendáveis e a garantir a sua
satisfação;
 Colaborar no planeamento e na aquisição de produtos de consumo e de
equipamentos necessários à realização das actividades de animação turística;
 Colaborar na determinação dos recursos humanos a afectar às actividades de
animação turística, tendo em conta, nomeadamente, as actividades a efectuar,
as condições do espaço onde se realizarão as actividades e o número de
participantes;
 Colaborar na implementação de programas de promoção das actividades de
animação turística comercializadas.

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2. Organizar, desenvolver e comercializar actividades de animação turística,
em espaços abertos e/ou fechados, de acordo com a estratégia e a política
comercial da organização e as necessidades e as motivações dos clientes:
 Elaborar programas de animação turística, definindo, nomeadamente, as
actividades a realizar, os objectivos a alcançar, a duração de cada actividade, o
alojamento e o orçamento;
 Prestar informações e aconselhar os clientes sobre os programas de animação
turística, nomeadamente, os recursos turísticos e culturais e as infra-estruturas
de lazer da região e a oferta de serviços adicionais e complementares,
promovendo-os e transmitindo aos clientes toda a informação e documentação
sobre estes;
 Efectuar a comercialização de actividades de animação turística,
nomeadamente, informando os clientes sobre as opções possíveis e as
alternativas, calculando tarifas, preços, condições especiais e encargos
adicionais e acordando as condições de pagamento;
 Proceder às reservas dos produtos e serviços associados às actividades de
animação turística a desenvolver, nomeadamente, transporte, alojamento,
alimentação e acesso a atracções turísticas e entretenimento, utilizando,
quando necessário, as tecnologias de informação e comunicação, e de acordo
com as condições acordadas com os clientes;
 Emitir os bilhetes, os vouchers e outra documentação necessária à prestação
dos serviços de animação turística;
 Proceder à facturação dos produtos e serviços de animação turística adquiridos
e emitir a respectiva factura.

3. Prestar assistência aos clientes com vista a garantir um serviço de


qualidade e de acordo com os procedimentos adequados:
 Prestar informações detalhadas aos clientes sobre os serviços de animação
turística adquiridos;
 Assegurar a resposta a alterações e cancelamentos das actividades de
animação turística, assim como, a imprevistos e contingências entretanto
surgidas, respeitantes, nomeadamente, aos clientes, aos espaços de realização
das actividades e aos transportes;

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 Atender a reclamações e sugestões dos clientes, identificando as suas
necessidades e expectativas e assegurando a sua resolução/satisfação e/ou
transmitindo-as ao seu superior hierárquico;
 Contactar com os clientes após a realização das actividades de animação
turística, de forma a identificar possíveis anomalias e avaliar o seu grau de
satisfação com o serviço prestado.

4. Efectuar o atendimento e a recepção de clientes aquando da realização


das actividades de animação turística, de acordo com os procedimentos
adequados e as necessidades e as motivações dos clientes:
 Atender e receber clientes no local de realização das actividades de animação
turística, nomeadamente, acolhendo-os e dando-lhes as boas vindas e
motivando-os para a participação nas actividades;
 Conduzir briefings antes da realização das actividades de animação turística, de
modo, nomeadamente, a prestar informações e a fornecer orientações sobre as
actividades a realizar e os procedimentos de segurança a aplicar, assim como, a
preparar os participantes para eventuais imprevistos que possam ocorrer e
assegurar formas de actuação correctas.

5.Dinamizar e conduzir actividades de animação turística, nomeadamente,


organizando as actividades e os participantes no tempo e no espaço previsto
para a animação, demonstrando os objectivos e as regras das actividades,
fornecendo indicações aos participantes sobre os progressos e os resultados
atingidos e garantindo a aplicação das normas de segurança adequadas.

6. Efectuar o acompanhamento e a avaliação das actividades de animação


turística desenvolvidas, nomeadamente, registando o grau de satisfação e
de participação dos clientes nas actividades, assim como, as eventuais
anomalias ocorridas e propondo as necessárias correcções ou alterações ao
serviço.

7.Efectuar ou colaborar na prospecção de novos clientes, assim como, na


gestão da carteira de clientes.

8. Elaborar relatórios e outros documentos de controlo, relativos à sua


actividade.
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COMPETÊNCIAS

SABERES
Noções de:
1. Matemática – métodos quantitativos.
2. Técnicas de gestão de clientes.
3. Gestão de stocks.
4. Divulgação e promoção de actividades de animação turística
5. Funcionamento e organizações do sector do turismo.
6. Orçamentação.
7. Mercado turístico nacional e internacional.
8. Técnicas de primeiros socorros.
9. Segurança, higiene e saúde aplicadas à actividade profissional.
10. Planeamento e organização do trabalho.
11. Qualidade dos produtos e serviços turísticos

Conhecimentos de:
20. Legislação aplicada à actividade profissional.
21. Relações interpessoais e comunicação.
22. Língua inglesa e outra língua estrangeira (conversação fluente e utilização de
vocabulário técnico específico).
23. Comercialização de actividades de animação turística (tarifários, taxas, descontos,
reservas e facturação de actividades de animação turística).
24. Informática aplicada à actividade turística.
25. Técnicas de venda e de negociação.
26. Técnicas de atendimento e recepção de clientes.
27. Informação turística.
28. Técnicas de assistência ao cliente.
29. Tipologia e caracterização dos produtos de consumo e dos equipamentos utilizados
nas actividades de animação turística.

Conhecimentos aprofundados de:


21. Técnicas de condução de briefings.
22. Técnicas de animação turística.
23. Organização de actividades de animação turística.

SABERES-FAZER
1. Aplicar as técnicas de planificação de actividades de animação turística.
2. Identificar as tendências de evolução de tipos e segmentos de turismo, bem como,
de novos programas de animação turística.
3. Utilizar as técnicas e os métodos de recolha de informação turística de carácter
geral, histórico e cultural.
4. Identificar as motivações e interesses dos clientes.

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5. Identificar as necessidades de produtos de consumo e de equipamentos.
6. Aplicar as técnicas e os instrumentos de planeamento e organização de recursos
humanos.
7. Aplicar as directrizes comerciais da organização.
8. Utilizar os métodos e as técnicas de promoção das actividades de animação
turística.
9. Utilizar as técnicas e os métodos de elaboração de programas de animação turística.
10. Utilizar os métodos e as técnicas de comercialização de actividades de animação
turística.
11. Aplicar os métodos e as técnicas de execução de orçamentos.
12. Aplicar as técnicas de comunicação.
13. Aplicar as técnicas de atendimento e recepção de clientes.
14. Aplicar as técnicas de venda e de negociação.
15. Utilizar os métodos e os procedimentos adequados às operações de reservas dos
produtos e serviços associados às actividades de animação turística.
16. Utilizar os meios informáticos aplicados à actividade turística.
17. Utilizar os procedimentos adequados à emissão de bilhetes, vouchers e outra
documentação.
18. Utilizar os procedimentos necessários à facturação dos produtos e serviços de
animação turística e à emissão de facturas.
19. Utilizar os procedimentos adequados à prestação de assistência aos clientes.
20. Utilizar os procedimentos adequados de resposta a situações anómalas na
prestação do serviço turístico.
21. Aplicar os procedimentos adequados à resolução/tratamento de reclamações e
sugestões de clientes e definir medidas correctivas.
22. Aplicar as técnicas de condução de briefings.
23. Aplicar as técnicas de animação turística.
24. Aplicar as técnicas de primeiros socorros em situações de emergência.
25. Utilizar as técnicas e os instrumentos de acompanhamento e avaliação das
actividades de animação turística desenvolvidas.
26. Exprimir-se oralmente e por escrito, em língua portuguesa, em língua inglesa e em
outra língua estrangeira, de forma a facilitar a comunicação com clientes e com outros
interlocutores.
27. Utilizar a documentação técnica respeitante ao registo da actividade desenvolvida.
28. Aplicar as normas de segurança, higiene, saúde e protecção ambiental respeitantes
à actividade profissional.
29. Aplicar as normas e os procedimentos de sistemas de gestão na área da qualidade

SABERES-SER
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1. Identificar-se com os objectivos e a cultura da organização.
2. Comunicar, a nível interno e externo à organização, com interlocutores
diferenciados.
3. Facilitar o relacionamento interpessoal a nível interno e externo à organização.
4. Integrar as normas de segurança, higiene, saúde e protecção ambiental no exercício
da sua actividade profissional.
5. Integrar as normas e os procedimentos de sistemas de gestão na área da qualidade
no exercício da sua actividade profissional.
6. Tomar iniciativa no sentido de encontrar soluções adequadas para a resolução de
problemas.
7. Adaptar-se a novas situações e formas de organização do trabalho.
8. Motivar os clientes para a utilização dos serviços da organização

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5.Funções do animador
5.1.Animador chefe

 O animador deve coordenar todas as actividades sociais, desportivas e


culturais.
 Deve receber os grupos.
 Deve apresentar os componentes dos grupos.
 Deve motivar os grupos a participar nas diversas actividades.
 Deve manter reuniões periódicas com todos os membros da equipe para
programação das actividades.
 Deve divulgar as programações.
 Deve informar sobre os eventos de interesse geral fora do hotel.
 Deve proceder à contratação de todas as pessoas necessárias para ao devido
desempenho das actividades programadas.
 Deve orientar a avaliação das actividades e elaborar o respectivo relatório final.

5.2.Animador gestor

 Identifica e estuda as práticas de animação realizadas pela concorrência.


 Identifica as características e as necessidades do seu público-alvo.
 Estuda as tradições, hábitos e culturas locais.
 Promove acontecimentos festivos identificados ao longo do ano.
 Selecciona e programa novas actividades de animação.
 Elabora programas direccionados a todas as idades.
 Fixa objectivos e metas a tingir relativas à qualidade na animação.
 Identifica as necessidades de ordem técnica, material e humana.
 Efectua orçamentos relativos aos programas a implementar.
 Assume as responsabilidades dos eventos promovidos.
5.3.Animador polivalente

 O animador deve ser fluente em pelo menos duas línguas para poder passar a
mensagem correctamente. Para além da comunicação verbal, o animador deve
socorrer-se da comunicação não-verbal e dos meios à sua disposição para
dinamizar, entusiasmar e motivar o turista.
 O animador não se encarrega apenas de divertir. Quando entra em contacto
com os turistas fica incumbido de vender diversão, entretenimento, mediante
as actividades de animação programadas.
 O animador tem de fazer a promoção diária das actividades programadas para
o dia e seguintes, promover a qualidade e a segurança das actividades por

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forma a que, ao mesmo tempo, se promova a qualidade da unidade que
representa e os serviços disponibilizados.
 O animador deve estar preparado para resolver conflitos, uma vez que trabalha
com grupos heterogéneos de pessoas. Deve ser capaz de controlar a situação
sem perder a razão, a postura e o respeito pelos turistas.

5.4.Animador técnico

 Exercita e põe em prática as técnicas de animação aprendidas no sentido de


dar respostas perante determinadas situações, formular hipóteses, definir
estratégias, escolher instrumentos e realizar procedimentos.
 Prepara antecipadamente os projectos e programas de animação, assim como,
as actividades a realizar no que concerne a:
o Meios técnicos necessários,
o Equipamentos e materiais,
o Recursos humanos e financeiros,
o Gestão do tempo e do espaço,
o Condições de segurança.
Bibliografia
 Chaves, A. e Mesalles, L. (2001) El animador: como organizar las actividades
de los clientes de un hotel divertido, Barcelona, Laertes.
 Laginha, M. (1998) “Reflexões sobre a problemática da animação no turismo”,
Actas do encontro de turismo – “Praia do sol – O passado, o presente, que
futuro?
 Manual para o investidor em turismo de natureza (2005), Vicentina: Associação
para o desenvolvimento do sudoeste
 Puertas, Xavier (2004) Animación en el âmbito turístico, Madrid, Editorial
Sintesis.
 Torres, Zilah (2004) Animação Turística, 3ª edição, São Paulo, Editora Roca.

Legislação
 Decreto-Lei nº 108/ 2009, de 11 de Maio (Regime Jurídico das empresas de
animação turística)

Webgrafia
 Turismo de Portugal – www.turismodeportugal.pt
 Catálogo Nacional de qualificações – www.catalogo.anq.gov.pt

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