Você está na página 1de 64

UFCD

3502 TURISMO DE DESCOBERTA


Turismo de descoberta

ÍNDICE

Introdução ........................................................................................................................ 3
Âmbito do manual .......................................................................................................... 3
Objetivos ....................................................................................................................... 3
Conteúdos programáticos ................................................................................................ 3
Carga horária ................................................................................................................. 3
1.Recursos ........................................................................................................................ 4
1.1.Definição e tipologia de recursos turísticos .................................................................. 4
1.2.O Inventário de recursos turísticos.............................................................................. 9
1.3.A Avaliação dos recursos turísticos.............................................................................12
2. Aspectos rurais, urbanos e regionais ...............................................................................15
2.1.Região Norte ...........................................................................................................15
2.2.Região Centro ..........................................................................................................18
2.3.Região de Lisboa e Vale do Tejo ................................................................................20
2.4.Região do Alentejo ...................................................................................................22
2.5.Região do Algarve ....................................................................................................24
2.6.Região dos Açores ....................................................................................................26
2.7.Região da Madeira ...................................................................................................28
3. Itinerários de descoberta ...............................................................................................30
3.1 – Definições no âmbito dos itinerários ........................................................................30
3.2 – Tipos de itinerários ................................................................................................32
4. Descoberta e turismo ....................................................................................................35
4.1 – O mercado do produto “Touring cultural e paisagístico” ............................................35
4.2 – O mercado do produto “turismo de natureza” ..........................................................38
5. Atividades de turismo descoberta ...................................................................................41
5.1 – “A clientela” dos percursos pedestres de descoberta.................................................41
5.2 – As principais componentes do produto passeio pedestre ...........................................44

1
Turismo de descoberta

5.3 – Iniciar um projeto de “passeio pedestre” .................................................................47


5.4 – As infraestruturas e os serviços oferecidos aos caminhantes .....................................50
5.5. – A informação e a promoção...................................................................................60
Bibliografia .......................................................................................................................63

2
Turismo de descoberta

Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 3502 – Turismo de descoberta, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.

Objetivos

 Identificar e implementar atividades de Turismo Descoberta

Conteúdos programáticos

 Recursos
 Aspetos rurais, urbanos e regionais
 Itinerários de descoberta
 Descoberta e turismo
 Atividades de turismo descoberta

Carga horária

 25 horas

3
Turismo de descoberta

1.Recursos

1.1.Definição e tipologia de recursos turísticos

Como parte da oferta primária, os recursos turísticos constituem a condição básica de


desenvolvimento turístico. Sem terem originalmente uma ligação direta com o turismo,
determinam contudo a capacidade atrativa de uma região ou de um local, assim como definem
as potencialidades e trunfos turísticos das mesmas.

Genericamente, podemos classificar os recursos turísticos em duas tipologias fundamentais:


 Recursos naturais
 Recursos culturais

4
Turismo de descoberta

Os recursos naturais são todos os elementos do meio natural que podem ser utilizados para
satisfação de necessidades humanas.

Designa-se como núcleos recetores naturais todos os destinos que baseiam a sua capacidade
de geral movimentos turísticos na existência de atracões naturais, ou seja, não produzidas
pela atividade humana.

O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e subtipos de
atracões naturais que se constituem como recursos para o turismo:

TIPOS SUB-TIPOS

Elementos climáticos Sol


Neve

Montanhas Serras
Picos
Morros/ colinas

Outras formas de relevo Vales


Arribas
Planaltos
Planícies

5
Turismo de descoberta

Formações geológicas Grutas


Jazidas minerais
Vestígios paleontológicos

Hidrografia Rios
Estuários
Lagos/ lagoas
Praias fluviais
Quedas d’água

Zonas costeiras ou litorais Praias


Baías/ enseadas
Falésias
Cabos/ pontas
Dunas

Terras insulares Ilhas


Arquipélagos
Recifes

Florestas Pinhais
Eucaliptais
Soutos

6
Turismo de descoberta

Diversos Pântanos
Reservas especiais de flora e fauna
Fontes hidrominerais/ termais
Áreas de caça e pesca

Os recursos culturais

Os recursos culturais constituem os elementos ligados à evolução das civilizações


decorrentes da intervenção humana.

As atrações culturais, desde sempre um dos principais motivadores de deslocações turísticas,


podem ser de natureza material ou imaterial, podendo ainda englobar equipamentos
produzidos exclusivamente com o fim de usufruir de certos elementos ou testemunhos de índole
social, cultural, técnica, científica ou artística.

O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e subtipos de
atracões culturais que se constituem como recursos para o turismo:

Tipos Subtipos

Monumentos Arquitetura militar


Arquitetura civil
Arquitetura religiosa
Arquitetura industrial
Arquitetura vernacular

7
Turismo de descoberta

Sítios Sítios históricos


Sítios arqueológicos
Sítios científicos

Equipamentos de pesquisa e Museus


lazer Bibliotecas
Arquivos
Institutos históricos e geográficos

Manifestações, usos e tradições Festas/ comemorações/


populares atividades religiosas
Festas/ comemorações populares
e folclóricas
Festas/ comemorações cívicas
Gastronomia
Artesanato
Feiras e mercados

Realizações técnicas e científicas Exploração agrícola/ pastoril


Exploração industrial
Jardins zoológicos/ aquários/
viveiros
Jardins botânicos
Planetários
Outros

Eventos Congressos e convenções


Feiras e exposições
Realizações desportivas
Realizações artísticas/ culturais

8
Turismo de descoberta

Realizações sociais/ assistenciais


Realizações gastronómicas e
enológicas
Outros

Cada recurso determina uma ou mais atividades, que necessitarão, por vezes, de um tratamento
pontual ou global, com uma definição racional dos equipamentos a colocar no local.

1.2.O Inventário de recursos turísticos

Convém sublinhar a necessidade de cada região ou cada país estabelecer um inventário exato
dos recursos turísticos que possui, de modo a poder adotar uma política turística, que permita
uma exploração racional das suas riquezas.

O inventário dos recursos turísticos permite-nos o conhecimento dos recursos que a


especificidade do território em causa. Instrumento fundamental no planeamento turístico, o
ordenamento do território, na identificação e definição da vocação turística de uma região. Torna-
se, assim, muito mais fácil pensar nas ações promocionais que podem e devem ser desenvolvidas,
bem como orientá-las.

A informação relativa a cada recurso, que estrutura cada ficha de inventário, pode genericamente
integrar-se nos seguintes campos:

 Designação do recurso
 Localização
 Acessibilidades
 Categoria

9
Turismo de descoberta

 Descrição; particularidades
 Estado de conservação
 Entidade proprietária e gestora
 Modalidade de acesso
 Tipo de visita/ horário/ preçário
 Infraestruturas
 Serviços disponibilizados ao público
 Atividades realizadas no interior e exterior
 Eventos de marketing e promoção
 Fontes de informação

CAMPO SUB-CAMPO INFORMAÇÃO A RECOLHER

Identificação Nome/ Designação Designação oficial


principal

Outras designações Outras designações que identificam o


elemento; nome pelo qual é conhecido a nível
local

Localização Lugar; freguesia; Concelho; NUT II, NUT III

Coordenadas geográficas Coordenadas GPS

Acessibilidades Terrestre / Aéreo / Marítimo / Fluvial /


Pedestre
Distância em km/ Tempo do percurso
Caracterização
Categoria/ Tipo/ Subtipo Recurso primário vs. Recurso secundário

10
Turismo de descoberta

Descrição Descrição geral do elemento; história;


cronologia; dados que detalham a categoria a
que pertence

Particularidades Elementos geográficos, históricos ou


socioculturais que singularizam o elemento e o
diferenciam dos restantes: informação em que
se baseia o seu potencial de atracão turística

Estado atual Estado de conservação


Intervenção
Entidade gestora Identificação e contactos da entidade
responsável pela gestão do elemento

Historial de intervenção Ações de conservação, restauro, proteção;


classificação etc. acionadas para este
elemento, no sentido de lhe conferir
valorização e facilitar a sua utilização para fins
turísticos

Infraestrutura básica Infraestruturas dentro e fora do recurso: água,


eletricidade, telefone, sanitários, sinalização,
etc.

Infraestruturas Sinalização informativa e/ ou interpretativa


específicas
Utilização
Tipo de acessibilidade ao Visitável/ Não visitável
público Acesso livre/ pago
Visita livre/ visita orientada

Época propícia de visita

11
Turismo de descoberta

Especificações sobre a Horário de abertura


visita Condições especiais de acesso (descontos,
programas especiais)

Serviços realizados no Interpretação; animação; desporto, circuitos;


interior atividades artísticas; folclore, etc.

Atividades realizadas no Alojamento, restauração, comércio, animação,


interior e no exterior etc. (especificar para cada um deles)

Modalidades de Edições impressas (brochuras, desdobráveis,


divulgação monografias); web (Site, blog, etc.)
específicas

Eventos e ações de Logotipo, slogan, branding, plano de


marketing e promoção marketing; ações promocionais - feiras

1.3.A Avaliação dos recursos turísticos

Após o levantamento de recursos, a avaliação do respectivo potencial de atracão deverá ter em


conta os seguintes critérios:

 1. Importância das atrações a nível local, regional e nacional


 2. Acessibilidade a nível regional, local e nacional
 3. Viabilidade económica de desenvolvimento
 4. Capacidade de carga das áreas onde estão localizadas as atrações
 5. Implicações no desenvolvimento em termos socioculturais e ambientais

Ainda no âmbito do exemplo dos recursos culturais, os quais constituem a base da oferta turística
de grande parte dos locais, apresentam-se os elementos fundamentais a trabalhar no intuito de

12
Turismo de descoberta

potenciar a atratividade de um recurso turístico-cultural, de acordo com os seguintes níveis de


intervenção:
 1 – Envolvente ao recurso
 2 – Interior do recurso
 3 – Informação
 4 – Programação
 5 – Promoção/ comercialização

1 – Envolvente ao recurso
 Localização - O fator localização apresenta-se como fundamental para a atividade
turística. Quando controlável, por exemplo, o caso da decisão sobre a implementação de
um núcleo museológico ou um centro de artesanato, deve ser pensada em função da
importância deste elemento.
 Acessibilidade - O acesso ao recurso deve ser facilitado, que do ponto de vista físico,
através da construção ou arranjo das vias de acesso (p. ex. no caso de ruínas
arqueológicas, capelas, etc.); quer seja do ponto de vista da informação, através da
colocação de sinalética ou criação de canais de divulgação e distribuição que permitam
fazer chegar o turista ao recurso.

2 – Interior do recurso
 Estrutura física – Apostar na recuperação da estrutura dos edifícios, no caso de
património material como igrejas, castelos, etc. Intervencionar ao nível das estruturas é
a etapa que permite tornar visitável o recurso, mas o processo de transformação não pode
ficar por aqui. É necessário posteriormente avançar para a disponibilização de informação,
fontes de comunicação/ distribuição, etc.
 Temática – Este nível de intervenção refere-se sobretudo aos recursos culturais
imateriais, nomeadamente feiras, festas, festivais, espetáculos que visam promover a
identidade de um território. É cada vez mais importante não só melhorar a qualidade de
muitos eventos culturais, mas também procurar explorar novas temáticas que possam
servir de base para a promoção dos recursos endógenos. Estes eventos constituem

13
Turismo de descoberta

interessantes exemplos de transformação de recursos culturais em verdadeiras atracões


turísticas.

3– Informação
 Material informativo – A disponibilização de informação é uma componente
fundamental do recurso, permitindo trabalhar o seu grau de atratividade. Quer seja
através de folhetos, guias de visita, publicações é essencial apostar neste fator valorizador
do recurso. Não devemos esquecer que o “consumo” do recurso é uma experiência e,
como tal, a informação contribui para acrescentar valor à visita.
 Visitas guiadas – A par de material informativo dirigido a turistas individuais, a
experiência de visitas guiadas permite valorizar o recurso. Trata-se de uma componente
fundamental, uma vez que o guia é o Maio que permite ao turista entender e interpretar
o recurso cultural.

4– Programação
 Rotas turísticas – A inclusão de um recurso cultural numa oferta organizada permite
criar e vender um produto ao cliente sob a forma de rotas, por exemplo. A definição de
rotas temáticas permite “embalar” o recurso e disponibilizá-lo, não individualmente, mas
num produto integrado.

5– Promoção/ comercialização
 Canais de promoção/ distribuição – Uma aposta em instrumentos de divulgação
permite dar a conhecer o recurso ao cliente. Todavia, a venda de um produto apenas
ocorre quando existem canais de distribuição que permitem comercializar o recurso.

14
Turismo de descoberta

2. Aspectos rurais, urbanos e regionais

2.1.Região Norte

OFERTA NATURAL  Belas praias, estâncias balneares e vilas


encantadoras (Caminha, Vila Nova de Cerveira, Moledo,
Vila Praia de Âncora, Espinho);
 Cenário ideal para o Montanhismo, a Canoagem ou o
repouso do Turismo Termal (Carvalhelhos, Chaves,
Pedras Salgadas e Vidago);
 Destaca-se o único Parque Nacional de Portugal, que
se estende pelas serras de Peneda, Soajo e Gerês.

OFERTA CULTURAL  Quintas produtoras de Vinho do Porto (entre Mesão


Frio e Pinhão);
 Caves do Vinho do Porto (Vila Nova de Gaia);

15
Turismo de descoberta

 Património Arqueológico: Gravuras Rupestres de Vila


Nova de Foz Côa;
 Património Arquitetónico: castelos e conventos
medievais; pequenas igrejas românicas; casas
solarengas; grandes santuários setecentistas;
 Cidades históricas: Porto, Guimarães, Viana do
Castelo, Braga;
 Património Cultural: Danças e cantares; vira
minhoto, pauliteiros de Miranda, Caretos de Podence
 Festividades: S. João no Porto, Senhora da Agonia em
Viana do Castelo, Festas da Semana Santa em Braga,
Romaria da Nossa Senhora dos Remédios em Lamego
OFERTA GASTRONÓMICA  Caldo Verde
 Bacalhau (1001 receitas)
 Broa de milho
 Enchidos e presuntos
 Azeites e azeitonas
 Pão de centeio
 Bolas e folares
 Feijoada à Transmontana
 Trutas e Lampreia
 Tripas à Moda do Porto
 Rojões e serrabulho
 Doces: rabanadas, papos de anjo, barrigas-de-freira,
aletria, toucinho-do-céu
 Vinhos verdes e vinho do Porto.
OFERTA ARTESANAL  Bordados
 Tecelagem em linho
 Tapeçarias
 Rendas de Bilros
 Ourivesaria e Filigrana
 Cerâmica popular e Olaria

16
Turismo de descoberta

 Trabalhos em madeira, couro, cobre, estanho, ferro


forjado, verga e vime.

17
Turismo de descoberta

2.2.Região Centro

OFERTA NATURAL
 A serra mais alta de Portugal continental (Serra da
Estrela);
 Águas medicinais, que fizeram nascer elegantes
estâncias termais, como Curia, Luso e S. Pedro do Sul;
 Existência de serranias de florestas seculares;
 Praias: Costa Nova, Barra, Figueira da Foz, Buarcos,
Mira, etc.
OFERTA CULTURAL  Mosteiros, conventos e igrejas dão testemunho de
uma herança histórica e artística de reconhecido valor
universal (Sé de Viseu, Sé de Coimbra, ...)
 - Cidades e aldeias históricas, guardadas por
castelos que os primeiros reis de Portugal, mandaram
construir para defesa do reino;
 - Existência de museus com coleções de inesperado
valor (Museu do Caramulo, Biblioteca Joanina, Museu
da Vista Alegre, Museu Grão Vasco,...);
 Festividades: Carnaval de Ovar, Festa de S.
Gonçalinho, Cavalhadas de Vildemoinhos, Feira de
Março, Feira de S. Mateus, Festas da Rainha Santa.

OFERTA GASTRONÓMICA  Peixe e marisco;


 Leitão assado;
 Chanfana de cabrito e cabrito assado;
 Carne de caça: Javali, lebre, perdiz;
 Enguias (ensopado e escabeche);
 Enchidos e Fumados;
 Vitela à Lafões;
 Queijos: da serra da Estrela, de Alcains, do Rabaçal, de
Castelo Branco;

18
Turismo de descoberta

 Fruta da cova da beira: cerejas e maçãs;


 Castanhas;
 Doces: ovos moles, pão-de-ló, creme queimado, folares,
cavacas, filhós;
 Vinhos: da Bairrada, espumantes, Rosé, Lafões, Região
do Dão.
OFERTA ARTESANAL  Vidros e Cristais de Alcobaça
 Porcelanas da Vista Alegre
 Louça de Coimbra (pintada à mão)
 Colchas de seda bordadas (Castelo Branco)
 Cerâmicas e barros negros
 Tecelagem em linho
 Rendas de Bilros
 Trabalhos em cobre e ferro

19
Turismo de descoberta

2.3.Região de Lisboa e Vale do Tejo

OFERTA NATURAL  Especial encanto das localidades ribeirinhas,


onde os vales verdejantes são palco de arreigadas
tradições culturais, das danças e músicas populares
aos trajes garridos dos seus campinos que, a cavalo,
conduzem nos pastos o gado bovino;
 Reservas naturais de flora secular (Serra da
Arrábida);
 Desportos náuticos e exploração subaquática;
 Campos de Golfe;
 Praias de areia branca e lagoas próximas do
mar.
OFERTA CULTURAL  Paisagem cultural classificada pela UNESCO
(Sintra);
 Casas solarengas, Quintas seculares e
aristocráticas, Palácios exemplares;
 Castelos e mosteiros contemporâneos do início da
nacionalidade são testemunhos de um valioso
património histórico;
 Festivais de música ao ar livre.

OFERTA GASTRONÓMICA  Peixes e mariscos;


 Sopas fartas (sopa da pedra);
 Sopas de peixe e caldeiradas;
 Sardinhas e carapaus assados;
 Petiscos diversos: Caracóis, amêijoas à Bulhão pato;
 Queijos: de Azeitão e frescos;
 Doces: queijadas (Sintra), pastéis de Belém (Lisboa);
 Doces conventuais (Tomar e Santarém);
 Vinhos: Ribatejo, Carcavelos, Colares, Palmela,
Bucelas, Moscatel de Setúbal

20
Turismo de descoberta

OFERTA ARTESANAL  Cestos e artigos de vime


 Bordados e Rendas de Bilros
 Faiança decorada das Caldas da Rainha
 Olaria, cerâmica artística e popular
 Cobres
 Colchas de Linho, lã e algodão (teares manuais)

21
Turismo de descoberta

2.4.Região do Alentejo

OFERTA NATURAL  Frescura das barragens que convidam os


apreciadores de desportos náuticos;
 Magníficas e inexploradas praias atlânticas;
 Paisagem: extensas planícies favoráveis à prática
da caça e pastoreio.

OFERTA CULTURAL  Abundância de património arqueológico (arte


rupestre, Dólmens, antas e cromeleques);
 Notável herança de sucessivas culturas (vestígios
romanos e árabes e ainda, alguns testemunhos mais
recentes de cristandade);
 Lindíssimas vilas e cidades que integram a chamada
“Rota dos Castelos”;
 Património mundial classificado pela UNESCO
(Évora);

OFERTA GASTRONÓMICA  Carne de Porco à alentejana e migas


 Ervas aromáticas
 Azeites
 Açordas de coentros
 Coelho e lebre
 Sopas (de cação, de peixe, de tomate e gaspacho)
 Ensopados (cabrito e borrego)
 Queijos: Niza, Serpa e Évora
 Doces conventuais
 Vinhos: Borba, Redondo, Vidigueira, Cuba e Alvito
OFERTA ARTESANAL  Tapetes de Arraiolos e Portalegre
 Bordados de Nisa

22
Turismo de descoberta

 Mobiliário pintado à mão


 Ferro forjado
 Artigos de cabedal
 Olaria e louça de barro vidrada e pintada

23
Turismo de descoberta

2.5.Região do Algarve

OFERTA NATURAL  Recanto de temperaturas idílicas;


 Região verde e fértil colorida por figueiras,
laranjais e amendoeiras em flor;
 Fabulosas praias entre rochas arenosas e
falésias avermelhadas esculpidas pela erosão;
 Desportos náuticos (marinas de Lagos,
Vilamoura e Vila Real de Stº. António);
 Famosos campos de golfe.

OFERTA CULTURAL  Arquitetura singular ligada aos à herança árabe


(açoteias, chaminés rendilhadas e casario caiado);
 Património arqueológico e arquitetónico bem
preservado;
 Animação nos centros históricos e nos
empreendimentos turísticos.

OFERTA GASTRONÓMICA  Sopas de peixe


 Marisco e peixe
 Polvo e lulas
 Cataplanas
 Feijoadas de peixe e marisco
 Bifes de atum de cebolada
 Doces: doces de figo, amêndoa e ovos.

OFERTA ARTESANAL  Artefactos de verga e vime


 Chapéus e alcofas de palha
 Artigos de cobre e latão

24
Turismo de descoberta

 Artigos de madeira
 Cerâmica de Porches

25
Turismo de descoberta

2.6.Região dos Açores

OFERTA NATURAL  Pico (Ponto mais alto do território português)


 Lagoas de azul-safira e verde esmeralda;
 Prados férteis;
 Paisagem vulcânica (cones e crateras);
 Flora típica: hortênsias, azáleas;
 Terras de lenda (diz-se que são restos da mítica
Atlântica), as nove ilhas de poéticos nomes
oferecem um clima temperado todo o ano;
 Paisagem vinícola do Pico (Património da UNESCO)
OFERTA CULTURAL  Igrejas quinhentistas e casas senhoriais;
 Centros históricos com património arquitetónico bem
preservado;
 Património da UNESCO (Angra do Heroísmo);
 Festividades religiosas tradicionais (ex. Espírito
Santo);
 Tradição baleeira.

OFERTA GASTRONÓMICA  Sopa do Espírito Santo;


 Cozido das Furnas;
 Alcatra de vaca;
 Cracas e Lapas;
 Polvo guisado em vinho;
 Queijos e lacticínios;
 Ananás;
 Vinho de cheiro, verdelho e licores.

OFERTA ARTESANAL

 Chapéus, Cestos e mobiliário de vime;

26
Turismo de descoberta

 Miniaturas em miolo de figueira;


 Bordados e rendas;
 Mantas e colchas de tear;
 Flores artificiais em escama de peixe;
 Faiança azul e branca.

27
Turismo de descoberta

2.7.Região da Madeira

OFERTA NATURAL  Floresta Laurissilva (Património da UNESCO);


 Santuários de aves marinhas (as ilhas Desertas e
as Selvagens);
 As estradas que serpenteiam na ilha da Madeira
são pontos de interesse pela impressionante
paisagem entre arvoredos, ravinas e quedas
d’água;
 Densa vegetação exótica disposta em socalcos,
entrecortada por falésias escarpadas e alvo
casario;
 As flores e frutos tropicais;
 A temperatura amena das águas do mar e das
piscinas naturais.

OFERTA CULTURAL  A riqueza do património histórico;


 Aldeias com arquitetura típica (ex. Santana);
 Animação e vida cosmopolita do Funchal (bares,
discotecas, casino);
 Folclore e festividades tradicionais (ex. Carnaval).

OFERTA GASTRONÓMICA  Bifes de Atum, espadarte e peixe-espada;


 Espetadas de carne;
 Mariscos;
 Milho Frito;

28
Turismo de descoberta

 Frutos tropicais;
 Doces: bolo de mel;
 Vinhos: Madeira, boal, verdelho e malvasia;
 Licores.

OFERTA ARTESANAL
 Bordados e tapeçarias;
 Trabalhos em vime e giesta (cestos, mobiliário);
 Botas de pele debruadas a vermelho.

29
Turismo de descoberta

3. Itinerários de descoberta

3.1 – Definições no âmbito dos itinerários

Definições gerais

Em primeiro lugar, será relevante apresentar as diversas definições relativas à realização


de deslocações turísticas.

Neste âmbito, podemos distinguir as seguintes:

30
Turismo de descoberta

 Circuito turístico
 Itinerário turístico
 Rota turística
 Forfait
 Excursão
 Percurso
 Visita

1. Circuito Turístico
Conjunto de caminhos e visitas que se complementam constituindo um itinerário fechado. Trata-
se de uma viagem combinada em que intervêm vários serviços: transportes, alojamento, guia,
..., que se realiza de acordo com um itinerário programado e com um desenho circular sempre
que seja possível (o ponto de partida e de chegada serão coincidentes), de modo a que se passe
por um caminho anteriormente percorrido.

2. Itinerário turístico
Descrição de um caminho especificando os lugares de passagem e propondo uma série de
atividades e serviços durante a sua duração. Este caminho pode ser seguido numa viagem entre
dois locais distintos, com referências aos vários pontos de interesse turístico que se encontram
pelo meio, e que está, em muitos casos, sujeito a um tema específico. De forma a serem seguidos
com maior facilidade, os itinerários podem incluir indicações de distâncias e tempos previstos
para as deslocações e visitas sugeridas.

3. Rota
Sinónimo de itinerários, em sentido restrito, em que a saída e a chegada não são coincidentes
no mesmo ponto. Semelhante ao itinerário, no entanto obrigatoriamente sujeita a um tema ou
a uma delimitação geográfica.

31
Turismo de descoberta

O conceito de Rota e Itinerário podem ser considerados sinónimos embora seja de realçar o facto
de Rota estar associada a uma direção, a um percurso dirigido, o qual tem sido usado
preferencialmente em termos institucionais e promocionais.

4. Forfait
Nome técnico utilizado para um tipo de Itinerário organizado cujo preço inclui todos os serviços.
Dentro deste podemos distinguir:
 Forfait para a Oferta – viagens programadas para serem posteriormente vendidas
pelos retalhistas
 Forfait para a Procura – viagens organizadas à medida do cliente

5. Excursão
Viagem com fins turísticos, culturais ou outros, organizada em grupo, com regresso ao ponto de
origem e incluindo todos os serviços básicos (transporte de pessoas e bagagem, refeições,
circuitos turísticos, guia-intérprete, entradas em museus e monumentos, etc.). Tem uma duração
igual ou inferior a um dia, não incluindo a componente alojamento.

6. Percurso
Refere-se apenas ao caminho físico (estradas, ruas, etc.) a ser percorrido entre dois pontos de
uma viagem. Está presente em cada um dos tipos de viagem anteriores.

7. Visita
Deslocação para observação ou participação em qualquer atividade, a um determinado local,
turístico ou não, na qual se dá o reconhecimento, exame ou inspeção de um lugar de paragem
incluído num itinerário. A visita representa cada uma das paragens que compõem um itinerário.

3.2 – Tipos de itinerários

a) Tipos de itinerários segundo o eixo condutor:

32
Turismo de descoberta

 Itinerários geográficos
 Itinerários temáticos

b) Tipos de itinerários segundo o âmbito geográfico:

 Itinerários locais - Quando a realização de um itinerário se limita a um ou


vários locais, ou seja, abaixo da escala regional.
 Itinerários regionais – Quando a realização de um itinerário se estende à
escala regional.
 Itinerários Nacionais – Quando a realização de um itinerário engloba vários
pontos que abrangem a totalidade de um país.
 Itinerários internacionais – Quando a realização de um determinado
itinerário abrange o âmbito territorial de dois ou mais países.

c) Tipos de itinerários segundo o tipo de turismo associado

 Itinerários culturais
o Itinerários de interesse histórico ou literário
o Itinerários de interesse patrimonial ou monumental
o Itinerários de interesse folclórico ou artesanal
o Itinerários gastronómicos ou enológicos

 Itinerários religiosos
 Itinerários naturais ou de ecoturismo –
 Itinerários desportivos ou de aventura
 Itinerários de saúde e bem-estar

d) Tipos de itinerários segundo o enquadramento do destino

33
Turismo de descoberta

 Itinerários urbanos
 Itinerários rurais

34
Turismo de descoberta

4. Descoberta e turismo

4.1 – O mercado do produto “Touring cultural e paisagístico”

De acordo com Henriques (2003), pode definir-se turismo cultural como sendo “O movimento
de pessoas para atracões culturais fora do seu local de residência, com a intenção de compilar
novas informações e experiências para satisfazer as suas necessidades culturais”.

35
Turismo de descoberta

Estas atrações culturais englobam não só os produtos culturais do passado como também da
cultura contemporânea ou do modo de vida de um povo ou região. Desta forma, o turismo
cultural compreende todas as visitas motivadas no todo ou em parte por interesse na oferta
histórica, artística, científica, mas também no contexto cultural de uma comunidade.

O turista cultural é, portanto, aquele para quem a cultura detém um papel essencial na
selecção do destino e nas atividades que desenvolve durante a estada. Pode estar motivado
por razões de ordem cultural ou pode conciliar motivações culturais com outras na sua visita ao
destino.

O turismo cultural pode ser desenvolvido em espaço urbano, caso em que encontra coincidência
com o turismo urbano, em espaço rural ou ainda entre ambos os espaços, caso em que se
insere na realização de rotas e circuitos temáticos, designados como touring.

De acordo com o estudo “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo


em Portugal – City-breaks”, realizado pelo Instituto de Turismo de Portugal, a principal
motivação dos turistas de touring é descobrir, conhecer e explorar os atrativos de uma
região.

As principais atividades desenvolvidas são percursos em tours, rotas ou circuitos de


diferente duração e extensão, em viagens independentes e organizadas.

Os principais mercados são:


 Touring genérico – Tours, rotas ou circuitos de conteúdo abrangente e diverso. O tour,
rota ou circuito são, em si mesmos, a essência do produto. Representa cerca de 90% das
viagens de Touring.
 Touring temático - Tours, rotas ou circuitos focalizados num determinado tema, o qual
constitui o núcleo da experiência. Representa cerca de 10% do total de viagens de touring.

36
Turismo de descoberta

Os destinos prioritários para o desenvolvimento do produto touring cultural e


paisagístico são o Porto e Norte, a Região Centro, Lisboa e a Região do Alentejo.

37
Turismo de descoberta

4.2 – O mercado do produto “turismo de natureza”

De acordo com o estudo “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo


em Portugal – Turismo de natureza”, realizado pelo Instituto de Turismo de Portugal, a
motivação principal dos turistas de natureza é de Viver experiências de grande valor
simbólico, interagir e usufruir da Natureza

38
Turismo de descoberta

Esta tipologia de consumidores são crescentemente sofisticados, dando origem ao “novo


turista”, em oposição ao “turista de massas” que constitui, agora, um reconhecido e significativo
segmento do mercado turístico.

Mercados
 Natureza soft - As experiências baseiam-se na prática de atividades ao ar livre de
baixa intensidade (passeios, excursões, percursos pedestres, observação da fauna,
etc.). Representa cerca de 80% do total de viagens de Natureza.
 Natureza hard - As experiências relacionam-se com a prática de desportos na
Natureza (rafting, kayaking, hiking, climbing, etc.) e/ou de atividades que requerem
um elevado grau de concentração ou de conhecimento (birdwatching, etc.). Este
mercado representa cerca de 20% do total das viagens de Natureza.

Os destinos prioritários para o desenvolvimento do produto turismo de natureza são


o Porto e Norte, Região Centro, os Açores e a Madeira.

39
Turismo de descoberta

40
Turismo de descoberta

5. Atividades de turismo descoberta

5.1 – “A clientela” dos percursos pedestres de descoberta

O passeio pedestre parece ser uma atividade largamente praticada em todos os países
desenvolvidos.

Testemunha disso são os números invocados nas diferentes regiões do globo, sempre superiores
ao milhão: 3 milhões de “verdadeiros” caminhantes em Itália e na França, 10 milhões no Reino
Unido, etc. Outras ordens de grandeza exprimem a mesma importância atribuída à atividade:

41
Turismo de descoberta

30% dos Suecos dedicam-se ao passeio em florestas ou caminhos rurais, metade dos “Anglo-
Saxões” marcha ocasionalmente...

Outra constante verificada largamente é que este passatempo está em expansão acentuada em
todos os países.

Estas ordens de grandeza e este crescimento não têm equivalente noutras atividades de lazer.
Mas veremos a seguir que a mesma terminologia, ou seja, “passeio pedestre”, abrange práticas
muito diferentes, que vão da simples marcha a pé até caminhadas de natureza desportiva. A
marcha e o passeio pedestre ocupam um lugar preponderante nos tempos livres dos turistas
europeus durante as suas férias de Verão.

Assim, segundo um estudo do English Tourist Board, 80% dos turistas passeiam a pé durante as
férias, sem no entanto se considerarem “caminhantes”. No Inverno, a marcha sobre trilhos com
neve também é muito corrente à volta das estações de desportos de Inverno da Áustria e da
Alemanha, estando agora a desenvolver-se nas estações francesas.

Tendo em conta a dimensão do mercado de passeio pedestre, esta atividade recruta adeptos em
todas as categorias da população e não existe por isso um perfil típico do caminhante. No entanto,
aparecem grandes tendências:
 A posição importante das mulheres (representam 50% dos caminhantes na Alemanha e
mais ainda em França);
 O desenvolvimento do passeio pedestre em família;
 O lugar privilegiado da marcha e do passeio pedestre entre as pessoas com mais de 50
anos;
 O facto de os praticantes da marcha e do passeio pedestre pertencerem às camadas
médias e superiores.
Capítulo 1
O sentido do termo “passeio pedestre” é muito amplo e algumas línguas têm mesmo vários
termos que refletem as diferentes maneiras de fazer estes passeios.

42
Turismo de descoberta

Distinguem-se, nomeadamente:
 O passeio pedestre itinerante do passeio de um dia;
 O passeio “desportivo”, num terreno acidentado ou com um ritmo desenvolto, do simples
passeio, designado em França, por exemplo, “pequeno passeio”.

Para a grande massa de praticantes, o passeio pedestre constitui uma atividade de lazer e não
uma atividade desportiva. A sua prática dominante corresponde então a:
 Pequenas saídas (2 a 3 horas de marcha fácil);
 Passeios em círculo, com regresso ao ponto de partida.

A grande maioria (90 a 95%) dos caminhantes pratica esta atividade de forma autónoma*, ou
seja, sem ser no quadro de uma prestação com tudo incluído. Este valor deve ser tido em conta,
para não reduzir o produto turístico “passeio pedestre” apenas aos produtos com tudo incluído*.

A percentagem de passeios organizados aumenta sensivelmente quando a atividade se desenrola


num país estrangeiro.

Além disso, varia segundo os costumes nacionais: os alemães são considerados maiores
consumidores de estadias com tudo incluído do que os franceses, sendo estes mais renitentes à
noção de estadia organizada.

Durante a sua estadia turística, grande parte dos caminhantes dedica-se, de resto, a outras
atividades culturais ou de lazer.

As motivações associadas à natureza estão sempre presentes: procura de um ambiente


considerado intacto, preservado, contemplação de belas paisagens, etc. Os alemães, austríacos
e escandinavos referem, em especial, a procura de espaços naturais intactos.

A procura de um certo bem-estar físico está sempre presente nos caminhantes. O passeio
pedestre permite um esforço suave, moderado, sem espírito de competição nem procura de

43
Turismo de descoberta

resultados e sem confrontação com um meio difícil, como o alpinismo. O passeio pedestre é
praticado sem contraindicações, contrariamente ao jogging, por exemplo. As motivações relativas
ao bem-estar físico e à manutenção da forma verificam-se especialmente nas mulheres e nos
grupos etários mais idosos.

A descoberta faz parte do passeio e caminhar é um meio de descobrir uma região, modos de
vida, o património natural, cultural, histórico, etc. Tudo pode servir de pretexto para a descoberta,
ou quase tudo, desde que o objeto da descoberta esteja próximo da natureza e tenha um carácter
“autêntico”. Prova disto é o sucesso dos passeios até explorações agrícolas, com provas de queijo
ou de tartes, bem como os circuitos de descoberta de vales e aldeias.

O passeio pedestre também pode constituir, para alguns, uma demarcação cultural, um meio
para afirmar a sua diferença, para não “consumir como um idiota”. Isto corresponde, por
exemplo, nos alemães às “críticas alternativas”.

Se é verdade que a marcha ou o passeio pedestre se aparentam a uma atividade de lazer e não
a um desporto, também parece que suscitam um elevado grau de fidelidade por parte dos
praticantes. Isto significa que a ausência de oferta de passeio pedestres será dissuasiva, aos
olhos dos amadores desta prática, mesmo em relação a um território de qualidade.

5.2 – As principais componentes do produto passeio pedestre

Quem diz “passeio pedestre” diz “itinerário”. Para além da sua imagem “natural”, um itinerário
de passeio pedestre constitui uma verdadeira infraestrutura, concebida e adaptada para esse
efeito específico, e obedece a determinadas regras, que serão evocadas mais à frente. A
concretização do itinerário no terreno traduz-se depois na realização de obras, muitas vezes
ligeiras, mas às vezes mais importantes.

Os elementos de base
Distinguem-se em primeiro lugar vários tipos de circuitos:

44
Turismo de descoberta

 Os itinerários em vários dias, do tipo travessia de um maciço ou de uma região. Permitem


frequentemente a descoberta ótima de uma região, mas por vezes colocam o problema
do regresso ao ponto de partida;
 Os grandes círculos em vários dias, que não têm o inconveniente mencionado;
 Os itinerários de um dia, que podem ser mais ou menos longos.

O ideal consiste em conceber uma verdadeira rede onde se articulam vários itinerários, a fim de
fornecer o máximo de possibilidades aos praticantes.

Os serviços aos caminhantes constituem a segunda componente da oferta de passeios pedestres.


Tratando-se de uma atividade turística, os serviços de base são, classicamente, o alojamento, a
restauração e os transportes.

Também podem ser criados outros serviços: acompanhamento, visitas guiadas, transferência de
bagagens, etc. A tendência vai no sentido do aumento dos serviços propostos aos caminhantes.

O dispositivo de informação sobre os itinerários de passeio faz parte da oferta. Sem informação,
é como se o itinerário não existisse para o caminhante. A balizagem “acompanha” o caminhante
no terreno quase sistematicamente, sendo completada a maior parte das vezes por outros meios
de informação, sobretudo um guia do percurso e, mais recentemente, as páginas Web ou os CD-
ROM.

Todas estas componentes fazem sentido num território, que é mesmo o elemento determinante:
o caminhante não marcha só por marchar e o passeio deixa de fazer sentido se não se inserir
num território valorizado. As expectativas dos caminhantes em relação ao território são
particularmente fortes.

Existem mil e uma maneiras de apresentar um território, mas é necessário que este tenha um
verdadeiro potencial turístico. A qualidade e a diversidade das paisagens, a riqueza do património
natural, a vivacidade das tradições locais ou a presença de um património histórico ou cultural

45
Turismo de descoberta

importante constituem vantagens essenciais. Um ambiente respeitado, ou mesmo preservado, é


também um critério determinante para a imagem do território.

Um produto complexo e heterogéneo


A lista de componentes revela a mistura de elementos de natureza diferente. É aí que reside a
principal especificidade (e dificuldade) do turismo de passeio pedestre.

Uma parte dos seus elementos pertence à esfera não comercial: trilhos e caminhos, paisagens,
espaços naturais e património fazem parte do bem coletivo de uma região, ou mesmo de uma
nação. Estes elementos são por vezes difíceis de quantificar e de controlar. Dependem
frequentemente de responsabilidades cruzadas, onde se misturam diferentes autarquias, o sector
associativo e agentes privados: as paisagens, ou a rede de caminhos, constituem o melhor
exemplo. E no entanto são o próprio fundamento de um produto de passeio pedestre.

A esta esfera não comercial vêm juntar-se bens e serviços comerciais de natureza muito diversa:
alojamentos, pertencentes a profissionais, mas também a particulares ou a agricultores, bem
como mapas ou guias de passeio, de transportes, etc.
Capítulo 2
Esta complexidade é reforçada pela natureza da atividade que se exerce num espaço difuso; é
necessário, por conseguinte, raciocinar em termos de uma “malha”, de rede, que deve ser
completa e coerente. A gestão desta oferta variada é ainda mais complexa por se dirigir a uma
procura extremamente fragmentada.

Estas reflexões têm implicações concretas:


 A criação de uma política de turismo de passeio pedestre não pode evitar uma fase de
“harmonização” do conjunto dos agentes, privados e públicos.

Será possível conceber um projeto de turismo de passeio pedestre, mesmo o mais acabado, se
as paisagens do território se degradam devido, por exemplo, a um emparcelamento intenso?

46
Turismo de descoberta

 Um projeto de passeio pedestre não pode ser transplantado para uma região, exceto se
se criar um produto completamente estanque, desligado do circuito local.
 Uma parte dos “fatores essenciais” do produto de passeio pedestre pertence ao bem
coletivo. Como não entram na conta de exploração do produto, não são objeto de
valorização económica direta. A sua aplicação faz parte do desenvolvimento local.

5.3 – Iniciar um projeto de “passeio pedestre”

Como acontece com qualquer projeto de desenvolvimento, é preciso uma certa ordem entre o
aparecimento da ideia e a finalização de um plano de ação: análise das vantagens e
desvantagens, avaliação do potencial, etc. Sem pretender retomar a metodologia a que obedece
a elaboração de um projeto de desenvolvimento, é possível no entanto preconizar alguns aspectos
específicos do passeio pedestre.

As parcerias indispensáveis
Como a oferta de turismo de passeio pedestre combina componentes públicas e privadas, é
indispensável estabelecer muito cedo a montante uma parceria estreita para definir uma
estratégia e um plano de ação.

Segundo as modalidades de organização de cada país, a iniciativa da reflexão compete às


autoridades locais, a agências de desenvolvimento, a associações ou aos “privados”.

De qualquer modo, o conjunto dos agentes institucionais, das estruturas turísticas e dos
prestadores de serviços deve ser associado à reflexão.

Os grupos de ação local LEADER podem desempenhar um importante papel impulsionador no


lançamento da reflexão. Podem também assegurar a interface e a mediação entre os agentes.

No início da ação, o recurso a uma estrutura especializada externa ao território tem a vantagem
de trazer um ponto de vista, ao mesmo tempo novo e distanciado. O especialista também deve

47
Turismo de descoberta

partilhar grande parte da sua experiência adquirida noutras regiões e noutros países. Pode assim
ser um “promotor” de ideias.
Capítulo 3
Iniciar um projeto de “passeio pedestre”
As pessoas qualificadas que habitam no local também são essenciais para a análise do potencial
da região, devido ao seu conhecimento profundo do território.

Quando existem, os clubes locais de passeio pedestre devem ser inquiridos ou integrados no
grupo de trabalho.

Se o passeio pedestre não é uma prática corrente, existem sempre pessoas-recurso que já
percorreram muitas vezes os caminhos e os trilhos por razões profissionais ou por paixão.

Nas regiões que ainda são novas no turismo, os operadores turísticos* estrangeiros
desempenham por vezes o papel de especialistas ou de “dinamizadores” de projetos.

O aparecimento do projeto
Porquê iniciar um plano de desenvolvimento de turismo de passeio pedestre? A origem da
iniciativa pode ser extremamente variada:
 Criar uma nova atividade numa região que não se valorizou muito economicamente.
 Acompanhar as mutações das atividades económicas tradicionais (agricultura e pesca).
 Redinamizar o turismo tradicional em declínio, diversificando a oferta turística.
 Valorizar economicamente uma atividade de passeio pedestre já existente.
 Iniciar uma ação de desenvolvimento sustentável, promovendo uma forma de turismo
respeitadora do ambiente.
 Perpetuar a salvaguarda do património local atribuindo-lhe uma função turística.

A primeira etapa da ação é a realização de uma auditoria para identificar os recursos e as


insuficiências do território.

48
Turismo de descoberta

Para a análise do potencial, procede-se primeiro a um exame “clássico” do território: bacia de


clientela, acessibilidade, património, etc.

São igualmente abordados elementos específicos do turismo de passeio pedestre:


 A qualidade ambiental, que se torna um critério cada vez mais importante;
 A importância dos meios naturais;
 A presença de espaços naturais protegidos, que tem sempre um efeito de atracão;
 A variedade das paisagens num espaço restrito, à escala do ritmo do caminhante (com
efeito, a monotonia pode instalar-se rapidamente);
 A notoriedade do território (uma notoriedade acompanhada de algum mistério pode
constituir uma vantagem);
 A prática local de passeio pedestre, que é um bom augúrio para a perenidade das
infraestruturas e dos serviços, permite uma melhor apropriação do projeto a nível local e
facilita a comunicação entre os visitantes e a população; etc.

Esta análise constitui uma condição prévia para a determinação das clientelas, em função do
potencial turístico, dos objetivos atribuídos e da análise da concorrência.

Num mercado muito segmentado, é essencial visar determinadas clientelas. Enquanto a tendência
mais natural, o “sonho”, é às vezes pensar em clientelas estrangeiras, mesmo do outro lado do
Atlântico, o mercado mais evidente e potencialmente mais importante é muitas vezes a clientela
regional ou nacional.

A reflexão sobre a clientela permitirá construir seguidamente uma oferta relevante, adaptada à
procura dos praticantes visados:
 A conceção dos itinerários (comprimento, localização, etc.);
 O nível das prestações;
 A natureza dos serviços propostos (privilegiar ou não o acompanhamento).

49
Turismo de descoberta

Deste posicionamento dependerão igualmente as condições de comercialização dos produtos. A


partir desta fase de reflexão, convém refletir sobre os circuitos de distribuição mais adequados e
possíveis parcerias.

5.4 – As infraestruturas e os serviços oferecidos aos caminhantes

Oferecer aos turistas de passeio pedestre o prazer de descobrir e deliciar-se com uma região à
dimensão do homem exige uma organização discreta e complexa, paradoxo da atividade humana
mais simples do mundo, que consiste simplesmente em colocar um pé à frente do outro.

O quadro jurídico da criação de um itinerário de passeio


O estatuto jurídico dos trilhos e caminhos O conceito de itinerário de passeio não constitui uma
entidade jurídica em si mesmo: um itinerário utiliza vias, cujo regime é determinado pelo regime
fundiário e pela função atribuída à via.

A primeira questão a colocar quando se criam itinerários é a do estatuto das vias utilizadas: o
itinerário previsto passa por vias privadas ou públicas? Se as vias são públicas, é permitido o seu
acesso aos caminhantes?

O quadro jurídico que rege os itinerários de passeio pedestre pode variar segundo o país,
nomeadamente em função das particularidades do direito fundiário e do regime das servidões de
passagem.

O promotor de um projeto de itinerário de passeio não pode nunca deixar de proceder a uma
análise profunda e rigorosa destas limitações jurídicas. Qualquer que seja a natureza das vias
utilizadas, é altamente recomendado agrupar as obras dos itinerários sob a responsabilidade de
uma única entidade pública, em geral uma autarquia (município, estrutura intermunicipal,
distrito), a fim de assegurar um controlo rigoroso e coerente deste aspeto fundamental da criação
do itinerário.

50
Turismo de descoberta

Mais vale privilegiar as vias públicas...


Em princípio, as vias públicas são acessíveis aos caminhantes, salvo exceções evidentes: estradas
de grande circulação, etc. É bom que se saiba, no entanto, que as vias pertencentes às autarquias
podem estar abrangidas por um regime que restringe o seu acesso ao público.

Embora não seja impossível, a passagem por vias privadas (ou através de um terreno privado) é
mais problemática, porque está sujeita ao acordo do proprietário ou da pessoa que explora os
terrenos. Se o proprietário recusar a passagem, é necessário analisar se existem meios jurídicos
para o obrigar a tal e decidir se vale a pena iniciar um processo que é frequentemente moroso.

Mesmo no caso de o proprietário dar o seu acordo, é sempre melhor formalizar esse acordo
através de uma autorização de passagem.

Esta convenção, devidamente redigida e assinada pelas duas partes, proprietário e organismo
público, deve estabelecer os direitos e deveres de cada um, nomeadamente no que se refere a:
 Arranjos (quem constrói as transposições das vedações, por exemplo?);
 Utilização do caminho (autorizar ou não os outros tipos de passeantes, como os cavaleiros,
etc.?);
 Conservação do caminho (quem o limpa das silvas?);
 Seguros.

Que se passa em caso de ocorrerem acidentes ou prejuízos num itinerário de passeio?


Esta questão é tanto mais importante quanto se está a verificar na Europa uma tendência nítida
para a atribuição de responsabilidades e pedidos de reparação.

Podem ser aqui recordados alguns princípios gerais.


Em caso de acidente, a procura de responsabilidades pode dizer respeito ao utilizador, ao
proprietário, à entidade que realizou as obras de adaptação e à autarquia local:
 Um caminhante pode ter de responder pelo seu comportamento, se o mesmo for de molde
a causar prejuízos a bens ou pessoas.

51
Turismo de descoberta

 A responsabilidade do proprietário de um terreno privado pode eventualmente ser


estabelecida, com base no princípio de que um proprietário é responsável pelo seu bem.
 A entidade que efetuou as obras de adaptação do caminho pode ser posta em causa por
não ter assegurado a segurança dos caminhantes, devido a arranjos mal adaptados ou
mal realizados, a uma apreciação deficiente dos perigos objetivos ou ainda dos riscos a
que os caminhantes ficam sujeitos.
 Teoricamente, a estrutura que emite uma informação que incita a percorrer um caminho
(guia do percurso, mapa, sinalética, etc.) pode ser acusada de emitir uma informação com
erros ou insuficiente.

As convenções de passagem prevêm, em geral, que a autarquia se substitui ao proprietário no


endosso da responsabilidade civil eventualmente incorrida por este último e que a mesma
autarquia subscreve um seguro que cobre os prejuízos eventualmente causados por caminhantes.

Exista ou não uma convenção, a responsabilidade penal de uns e de outros é total se for
estabelecida.

Por último, independentemente do seu papel no arranjo dos itinerários, é à autarquia local que
de um modo geral cabe a garantia da segurança dos cidadãos, devendo para esse efeito utilizar
o seu poder de polícia.

Estas regras gerais devem ter em conta a legislação e a regulamentação específicas de cada país.
Sobretudo, devem ser interpretadas em função da jurisprudência: o direito em matéria de
responsabilidade vai-se escrevendo em parte à medida que as sentenças vão sendo proferidas.

Compete a cada agente verificar como é que se coloca a questão da responsabilidade no seu país
e rodear- -se das precauções exigidas ao seu nível, sem no entanto ter um temor irracional que
provocaria um imobilismo sistemático.

Que proteções para garantir a continuidade dos caminhos?

52
Turismo de descoberta

Como se sabe os caminhos são frágeis. O seu abandono deixa campo livre às silvas ou ao arado
do agricultor. Umas vezes, são as vedações que barram o caminho, noutros sítios é a urbanização
ou o ordenamento rodoviário que faz desaparecer este caminho “sem valor”.

Os meios para assegurar a perenidade de um caminho são variáveis, de acordo com as situações
e os países: controlo dos aspectos fundiários e inscrição da vocação do caminho nos documentos
de urbanismo.

A conceção de itinerários de passeio pedestre


A conceção dos itinerários é assegurada por intervenientes que conhecem simultaneamente o
terreno e a prática de passeio pedestre. Ganha-se em associar à conceção dos itinerários os
clubes ou federações de caminhantes, que são frequentemente bons conselheiros.

Só é preciso velar por que os itinerários propostos correspondam ao caderno de encargos (tipo
de circuitos, valorização patrimonial, acesso aos alojamentos, comprimento máximo dos
itinerários).

A escolha do traçado
Na definição de um traçado entram em jogo múltiplos critérios. Existem contudo algumas regras
básicas que devem ser conhecidas:
 Excluir as vias alcatroadas, salvo exceções muito curtas;
 Procurar a diversidade de itinerários;
 Manter a coerência a nível da dificuldade do itinerário;
 Não sobrestimar as capacidades de evolução e de orientação dos caminhantes;
 Privilegiar a qualidade das paisagens e do ambiente;
 Valorizar o património da região: riquezas naturais, monumentos religiosos, habitat
tradicional, etc.;
 Prever o impacto dos itinerários e evitar as zonas ecologicamente frágeis;
 Excluir os sectores potencialmente perigosos.

53
Turismo de descoberta

Os traçados são por vezes concebidos diretamente em função dos objetivos fixados e da
clientela visada.

Os itinerários devem ser reservados exclusivamente às pessoas que andam a pé?


Existe uma incompatibilidade fundamental entre o passeio pedestre e os passeios motorizados.
Consoante os países, a coexistência com os caçadores também pode ser delicada. A única solução
reside então na concertação com os caçadores e eventualmente na restrição do acesso às zonas
dos itinerários mais expostas nos períodos de caça.

A coabitação entre caminhantes e cavaleiros ou ciclistas de BTT pode provocar riscos de


acidentes, com maior ou menor gravidade consoante a intensidade de frequência dos trilhos e de
acordo com a natureza do relevo.

Pelo contrário, pontualmente podem ser apreciados itinerários multifunções pela sua animação e
pelas possibilidades de encontros entre praticantes.

A realização dos itinerários


De um modo geral, o itinerário recorrerá a caminhos já existentes. É raro um itinerário de passeio
pedestre exigir a criação de um trilho a partir do zero, salvo se existirem condições ou restrições
excecionais: necessidade de ligar dois troços ou dois caminhos já existentes; desaparecimento
físico do caminho de origem devido à ação humana (alcatroamento ou lavra do caminho) ou por
razões naturais (deslizamento de terrenos).

No entanto, serão necessárias frequentemente obras de arranjo do caminho para o adaptar à


prática do passeio pedestre:
 Limpeza de silvas ou poda de árvores;
 Reforço do piso do caminho;
 Drenagem;
 Empedramentos;
 Reparação de muros;

54
Turismo de descoberta

 Realização de obras de transposição de cursos de água ou de estradas.

Outros equipamentos completarão eventualmente as obras de adaptação do caminho:


 Criação de uma zona de estacionamento no ponto de partida do caminho (deve ser
facilmente acessível e não provocar incómodos à vizinhança nem representar uma fonte
de danos ambientais);
 Instalação de caixotes de lixo;
 Arranjo de zonas de piquenique;
 Instalação de dispositivos de transposição de vedações.

A sinalética
A balizagem é indispensável, exceto no caso de uma oferta baseada exclusivamente em passeios
acompanhados.

São possíveis várias formas de balizagem:


 Marcas de tinta colocadas em suportes disponíveis no terreno (árvores, rochas, postes);
é este o tipo de balizagem mais frequente;
 Pictogramas ou figuras de cor e em plástico colocados em postes;
 Simples montes de pedras.

O mais importante e mais problemático é definir previamente um mapa de balizagem à escala de


um território. Sem um mapa corre-se o risco de multiplicação de balizas de todas as formas e
todas as cores, que ao fim de algum tempo se tornarão incompreensíveis para o utilizador.

Este risco de proliferação é ainda acentuado pelo facto de outras atividades também colocarem
as suas próprias balizas: BTT, passeio equestre.

A sinalética direcional, muito presente na Suíça e na Áustria, pode constituir uma alternativa à
balizagem. O princípio consiste em colocar nos cruzamentos de caminhos flechas com a indicação
da denominação tradicional dos locais seguintes e respetiva distância, bem como nas estradas.

55
Turismo de descoberta

Este sistema evita a sobreposição de balizagens. No entanto, é difícil de instalar e é bastante


caro.

A balizagem pode ser completada por outras sinaléticas, sobretudo um painel colocado à partida
dos itinerários com um plano geral do circuito, o código de balizagem, a duração e a distância,
as regras a respeitar, as informações turísticas, etc.

A conservação dos caminhos


A conservação dos caminhos é indispensável para assegurar a continuidade do itinerário e para
oferecer um bom produto aos praticantes.

Intervenções regulares e/ou sazonais permitem combater a invasão de silvas e de mato, verificar
o estado do caminho, substituir as balizas em falta ou estragadas, etc.

Nos países onde a prática do passeio pedestre está bem implantada, o sector associativo assegura
tradicionalmente uma certa conservação. Mas em princípio a conservação desta infraestrutura
turística compete às autarquias locais, que podem eventualmente ser auxiliadas pelas entidades
administrativas superiores (distritos, regiões, etc.). As obras de conservação dos caminhos são
integradas frequentemente nos dispositivos de inserção social ou de ajuda para o regresso ao
emprego.

Custos do arranjo e conservação de um caminho


Não faz qualquer sentido citar valores, nem que seja uma ordem de grandeza do custo dos
arranjos, uma vez que as variáveis induzem grandes diferenças, até num mesmo país.

O mais que se pode fazer é invocar os principais fatores que têm algum peso na formação dos
custos:
 O estado inicial da via que será utilizada pelo itinerário – um caminho que desapareceu e
que é preciso criar de novo ou um caminho muito estragado pela erosão exige mais obras;

56
Turismo de descoberta

 A localização do itinerário – os trilhos de montanha ou em zonas suburbanas são muito


dispendiosos por razões obviamente diferentes. Podem citar-se no primeiro caso as
dificuldades de transporte (os materiais têm muitas vezes de ser transportados às costas
de homens, ou mesmo de helicóptero) ou a importância dos arranjos necessários para
garantir a segurança, por exemplo, de uma passagem delicada, etc.; nas zonas
suburbanas (criação de uma obra de transposição de uma estrada, instalação de uma
sinalética reforçada);
 O modo de realização das obras – a intervenção de voluntários do meio associativo
reduzirá os custos diretos; o custo das obras realizadas diretamente pelas autarquias nem
sempre é objeto de uma contabilidade analítica exaustiva.

Os custos de manutenção também sofrem grandes variações. Como a mão-de-obra constitui


frequentemente a rubrica principal das despesas de conservação, pode ser relevante raciocinar
em termos de tempo de trabalho necessário.

O alojamento
Aparentemente estranho à atividade, o alojamento ocupa um lugar importante no produto
turístico “passeio pedestre”.

Para o cliente, o alojamento, para além do descanso, é também um lugar de sociabilidade, através
dos encontros e intercâmbios com os outros residentes, bem como uma fonte preciosa de
informação sobre a região.

Se nalguns países existem alojamentos dedicados especificamente aos caminhantes (os refúgios
ou abrigos de etapa), essa situação está longe de ser norma. Pelo contrário, independentemente
do tipo de estruturas de acolhimento, as mesmas devem propor prestações* que dêem resposta
às necessidades específicas dos praticantes de passeios pedestres.

As suas expectativas estão associadas ao seu gosto pelo passeio pedestre, mas também à sua
curiosidade e procura de autenticidade. Sabe-se também que essas expectativas variam segundo

57
Turismo de descoberta

as nacionalidades: os alemães são considerados muito meticulosos em matéria de limpeza das


instalações e sensíveis às formas de habitat tradicional, os britânicos são exigentes em relação à
qualidade dos serviços. As clientelas do norte da Europa também têm fortes expectativas no que
se refere à gestão ambiental dos estabelecimentos.

O alojamento ideal deverá portanto oferecer:


 Instalações adaptadas, com possibilidades de limpar e secar os equipamentos dos
caminhantes;
 Um acolhimento e uma disponibilidade específicos;
 Uma capacidade de informação sobre os itinerários e a região;
 Documentação sobre a região e o seu património;
 Refeições fartas e que valorizem os produtos da região;
 Um pequeno-almoço rico e nutritivo;
 A possibilidade de fornecer um cesto de piquenique para a refeição do meio-dia.

Praticamente todos os planos de desenvolvimento do turismo de passeio pedestre incluem um


dispositivo de melhoramento das estruturas de alojamento. Nalguns casos, a concessão de apoios
financeiros é subordinada à participação do prestador em ações de formação ou a compromissos
sobre a qualidade das prestações.

Atualmente, a procura tem menos a ver com a categoria do alojamento do que com a qualidade.
O caminhante procura agora mais conforto e mais serviços (restauração e outros serviços).

A frequência de estalagens e restaurantes ao longo do passeio está longe de ser sistemática. É


aos prestadores situados perto dos itinerários que cabe adaptarem-se para atrair esta parte de
clientela. Existe nos caminhantes uma grande expectativa de “autenticidade” no que se refere à
sua refeição. Não se deve propor uma refeição vulgar, sendo preferível propor refeições
específicas da região.

Podem ser propostos outros serviços aos caminhantes:

58
Turismo de descoberta

 A transferência para regressar ao ponto de partida;


 O encaminhamento das bagagens;
 O transporte para a estação.

Estes serviços estão a desenvolver-se, mas continuam a ser consumidos essencialmente no


quadro de produtos com tudo incluído.

O acompanhamento dos caminhantes


O acompanhamento dos caminhantes constitui uma prestação de serviços muito específica,
consumida no quadro de produtos com tudo incluído ou em saídas de um dia. Da sua qualidade
depende grande parte da satisfação do caminhante.

A formação dos guias constitui por isso uma vertente importante de um plano de desenvolvimento
do turismo de passeio pedestre.

As competências exigidas para acompanhar um grupo de caminhantes implicam numerosos


domínios. Nas saídas temáticas de um dia deve ser privilegiado o conhecimento da região e do
património ou o domínio do assunto tratado.

No caso de produtos completos em que o acompanhante está sempre com o grupo, a missão do
acompanhante tem a ver ao mesmo tempo com a orientação no terreno, a logística e a animação.
Se é verdade que é preciso possuir as competências técnicas e o conhecimento do terreno, o
mais importante é a capacidade de relacionamento necessária à animação e gestão de um grupo
e por vezes para se ocupar de pessoas em situação de aflição (cansaço, stress, afastamento de
casa, etc.).

Quem pode acompanhar os caminhantes?


A regulamentação varia muito consoante os países: alguns exigem diplomas oficiais, outros não
e outros introduzem distinções de acordo com a natureza do terreno onde se desenrola a
atividade.

59
Turismo de descoberta

Sendo o passeio pedestre muitas vezes “filho” do alpinismo, o enquadramento dos caminhantes
continua por vezes reservado aos guias de montanha.

Como é evidente, a livre circulação dos profissionais instituída teoricamente no interior da União
Europeia ainda se defronta com a especificidade dos diplomas nacionais.

5.5. – A informação e a promoção

Tal como para qualquer outro produto, a informação e a promoção são duas ações essenciais
para a comercialização do turismo de passeio pedestre.

A informação
A informação em suporte papel
Fichas, brochuras, folhas de papel fotocopiadas, verdadeiros guias...: as ambições e a forma dos
documentos de informação diferem em função dos objetivos e dos orçamentos disponíveis.

O conceito de base é a descrição do itinerário. Deve ser simples e compreensível para um


caminhante neófito, que não saiba consultar um mapa nem situar os pontos cardeais no terreno.
A falta de clareza será ainda pior no caso dos passeios em liberdade*, em que a descrição do
itinerário é suposto colmatar a ausência de acompanhante.

Uma última precaução: testar o guia do percurso


No âmbito da criação de passeios pedestres em liberdade, na Sardenha, foram tomadas todas as
precauções. Assim, o guia local foi encarregado de seguir, a alguma distância, os primeiros
clientes para verificar a correção da sinalização e das informações fornecidas no desdobrável que
descrevia o itinerário.

60
Turismo de descoberta

O texto será apoiado pela representação gráfica do itinerário, num mapa ou num esboço
simplificado. A descrição é acompanhada por informações de base: duração do percurso, distância
a percorrer, nível de dificuldade, eventuais precauções exigidas, etc.

Alguns guias mais sofisticados incluirão, além das informações sobre a região percorrida, a fauna
e a flora, os monumentos que se avistam, etc. Por último, o guia do percurso pode aproximar-se
do guia turístico, fornecendo informações de natureza turística sobre os alojamentos, os meios
de transporte, etc.

Seria imperdoável ter apenas em conta o aspeto funcional do guia: disponível nas livrarias e nos
pontos de venda, trata-se também de um instrumento de promoção, uma montra da oferta de
passeios terrestres na região.

Quem publica e quem paga o guia do percurso?


Raramente a publicação de um guia do percurso é lucrativa, com exceção dos que se referem a
destinos e itinerários muito procurados, que não têm necessidade de um plano de
desenvolvimento. Por conseguinte, é pouco provável que um editor assuma o risco financeiro.

A edição será então assegurada e financiada pela estrutura encarregada do desenvolvimento do


turismo de passeio (é o caso de numerosos grupos LEADER). A edição também pode ser confiada
a um editor privado (que terá a vantagem da experiência no que se refere à distribuição da obra),
mas mediante o pagamento de uma ajuda financeira.

A informação no terreno
Os balcões e os serviços de informação instalados no local têm um papel estratégico, porque
constituem muitas vezes a primeira fonte de informações, mesmo antes dos guias de percurso.
Devem poder informar corretamente os visitantes sobre os itinerários, aconselhá-los
adequadamente sobre a escolha de um itinerário, sobre o estado dos trilhos, etc.

61
Turismo de descoberta

Para isso é indispensável um conhecimento mínimo do terreno. Algumas estruturas turísticas


organizam anualmente, no início da época, uma saída destinada aos funcionários dos pontos de
informação, a fim de os fazer descobrir um dos itinerários de passeio pedestre. Também se podem
associar a esta saída os fornecedores de alojamento e as outras fontes informais de informação.

Os suportes multimédia
A utilização de suportes multimédia, CD-ROM e sítios Web está agora muito difundida. Revelam-
se um bom contributo pela flexibilidade da sua utilização, pela sua interatividade, pela sua
qualidade gráfica e pela importância das informações que podem conter. No entanto, não podem
substituir os documentos em papel e funcionam por conseguinte como um complemento.
5
A publicidade
As campanhas publicitárias relativas a um território integram cada vez mais os passeios pedestres
na sua imagem, com um efeito de atracão. Todavia, as campanhas publicitárias consagradas
especificamente a um produto de passeio são mais raras, devido à importância do orçamento
necessário.

Para uma campanha de publicidade, os planificadores de meios privilegiam em geral as revistas


especializadas, mais acessíveis e que visam um público específico. A imprensa regional pode
constituir um apoio eficaz se se pretende visar uma clientela de proximidade.

A promoção
A promoção através da imprensa demonstrou repetidas vezes a sua eficácia. Para além da
imprensa especializada e regional, a imprensa nacional pode estar interessada num aspeto
original do produto ou numa adaptação aos seus leitores. O recurso à eletrónica é cada vez mais
indicado.

62
Turismo de descoberta

Bibliografia

 AA VV. A valorização do turismo de passeio pedestre nos territórios rurais – Guia


pedagógico sobre a elaboração e execução de um projeto de passeio pedestre - Programa
LEADER+/ LEADER European Observatory. Coleção guias metodológicos.
 AA VV., Avaliar o potencial turístico do território. Programa LEADER+/ LEADER European
Observatory. Coleção guias metodológicos.
 AA VV. Percursos pedestres: normas para implementação e marcação, Centro de estudos
e formação desportiva – Ministério da juventude e do desporto
 Ignarra, Luiz Renato, Fundamentos do Turismo, São Paulo, Ed. Thomson, 2003
 Prieto, Julia Gomes et al., Rutas y itinerarios turisticos en Espana, Madrid, Editorial
Sintesis, 1992
 Picazo, Carlos, Asistencia y Guía a grupos turísticos, Madrid, Editorial Sintesis, 1996

Webgrafia
 Turismo de Portugal
http://www.turismodeportugal.pt
 Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade
http://portal.icnb.pt/

63