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Certificação Nº.

C 364

MANUAL DE FORMAÇÃO

TURISMO DESCOBERTA

Área de Formação: 812. Turismo e Lazer


Tipologia: 1.1. Sistema de Aprendizagem
Curso: Técnico/a de Informação e Animação Turística
Módulo: UFCD Turismo Descoberta
Entidade Formadora: Avalforma, Lda.
Conceção/Autoria: António Luís Nave D`Elvas
Validação: Maria Eugénia Pombal Amaro (Gestora da Formação)

Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 1 de 57


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FICHA TÉCNICA DO SUPORTE


Curso: Técnico/a de Informação e Animação Turística
Destinatários: Jovens com idade compreendida entre os 15 e os 25 anos, detentores do
Ensino Básico Completo, a frequentar Curso de Aprendizagem para obtenção do 12º. Ano de
Escolaridade e Qualificação Profissional de Nível 4.

Conteúdos (tipo):
 Textos de enquadramento teórico dos conteúdos/temas

 Tabelas, gráficos, quadros e/ou figuras de apoio aos textos teóricos

 Exercícios e/ou actividades de aprendizagem para execução autónoma por


parte do utilizador (formando)
 Propostas de resolução dos exercícios

 Conteúdos organizados em capítulos

 Ilustrações de orientação para a execução de determinadas operações (numa


lógica demonstrativa)
 Glossário

 Legislação (extractos relevantes para a formação em causa)

 Bibliografia

 Links de interesse

Exploração esperada por parte do utilizador:

 Durante a formação, como suporte de apoio às actividades dos planos de


sessão
 Durante a formação, como forma de aprofundamento da aprendizagem
realizada em sala
 Após a formação, como ferramenta de apoio à transferência do aprendido
para o posto de trabalho

O suporte pode ser utilizado numa lógica de auto-aprendizagem pelos formandos?

 Sim  Não  Apenas em alguns capítulos

Autor: António Luís Nave D´Elvas

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Data de entrega para validação:

ÍNDICE

Introdução...........................................................................................................................2
Âmbito do manual.............................................................................................................2
Objetivos..........................................................................................................................2
Conteúdos programáticos...................................................................................................2
Carga horária....................................................................................................................3
1.Recursos...........................................................................................................................3
1.1.Definição e tipologia de recursos turísticos....................................................................3
1.2.O Inventário de recursos turísticos................................................................................8
1.3.A Avaliação dos recursos turísticos..............................................................................11
2. Aspectos rurais, urbanos e regionais................................................................................15
2.1.Região Norte.............................................................................................................15
2.2.Região Centro............................................................................................................18
2.3.Região de Lisboa e Vale do Tejo.................................................................................20
2.4.Região do Alentejo.....................................................................................................22
2.5.Região do Algarve......................................................................................................24
2.6.Região dos Açores......................................................................................................26
2.7.Região da Madeira.....................................................................................................28
3. Itinerários de descoberta.................................................................................................30
3.1 – Definições no âmbito dos itinerários.........................................................................30
3.2 – Tipos de itinerários..................................................................................................32
4. Descoberta e turismo......................................................................................................35
4.1 – O mercado do produto “Touring cultural e paisagístico”.............................................35
4.2 – O mercado do produto “turismo de natureza”...........................................................38
5. Atividades de turismo descoberta.....................................................................................41
5.1 – “A clientela” dos percursos pedestres de descoberta.................................................41
5.2 – As principais componentes do produto passeio pedestre............................................44

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5.3 – Iniciar um projeto de “passeio pedestre”..................................................................47
5.4 – As infraestruturas e os serviços oferecidos aos caminhantes......................................50
5.5. – A informação e a promoção....................................................................................60
Bibliografia.........................................................................................................................63

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação


de curta duração nº 3502 – Turismo de descoberta, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Identificar e implementar atividades de Turismo Descoberta

Conteúdos programáticos

 Recursos
 Aspetos rurais, urbanos e regionais
 Itinerários de descoberta
 Descoberta e turismo
 Atividades de turismo descoberta

Carga horária
 25 horas

1.Recursos

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1.1.Definição e tipologia de recursos turísticos

Como parte da oferta primária, os recursos turísticos constituem a condição básica


de desenvolvimento turístico. Sem terem originalmente uma ligação direta com o
turismo, determinam contudo a capacidade atrativa de uma região ou de um local,
assim como definem as potencialidades e trunfos turísticos das mesmas.

Genericamente, podemos classificar os recursos turísticos em duas tipologias


fundamentais:
 Recursos naturais
 Recursos culturais

Os recursos naturais são todos os elementos do meio natural que podem ser
utilizados para satisfação de necessidades humanas.

Designa-se como núcleos recetores naturais todos os destinos que baseiam a sua
capacidade de geral movimentos turísticos na existência de atracões naturais, ou
seja, não produzidas pela atividade humana.

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O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e
subtipos de atracões naturais que se constituem como recursos para o turismo:

TIPOS SUB-TIPOS

Elementos climáticos Sol


Neve

Montanhas Serras
Picos
Morros/ colinas

Outras formas de relevo Vales


Arribas
Planaltos
Planícies

Formações geológicas Grutas


Jazidas minerais
Vestígios paleontológicos

Hidrografia Rios
Estuários
Lagos/ lagoas
Praias fluviais
Quedas d’água

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Zonas costeiras ou litorais Praias


Baías/ enseadas
Falésias
Cabos/ pontas
Dunas

Terras insulares Ilhas


Arquipélagos
Recifes

Florestas Pinhais
Eucaliptais
Soutos

Diversos Pântanos
Reservas especiais de flora e
fauna
Fontes hidrominerais/ termais
Áreas de caça e pesca

Os recursos culturais

Os recursos culturais constituem os elementos ligados à evolução das


civilizações decorrentes da intervenção humana.

As atrações culturais, desde sempre um dos principais motivadores de deslocações


turísticas, podem ser de natureza material ou imaterial, podendo ainda englobar
equipamentos produzidos exclusivamente com o fim de usufruir de certos elementos
ou testemunhos de índole social, cultural, técnica, científica ou artística.

O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e


subtipos de atracões culturais que se constituem como recursos para o
turismo:

Tipos Subtipos

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Monumentos Arquitetura militar


Arquitetura civil
Arquitetura religiosa
Arquitetura industrial
Arquitetura vernacular

Sítios Sítios históricos


Sítios arqueológicos
Sítios científicos

Equipamentos de pesquisa e Museus


Bibliotecas
lazer
Arquivos
Institutos históricos e
geográficos

Manifestações, usos e Festas/ comemorações/


tradições populares atividades religiosas
Festas/ comemorações
populares e folclóricas
Festas/ comemorações
cívicas
Gastronomia
Artesanato
Feiras e mercados

Realizações técnicas e Exploração agrícola/ pastoril


Exploração industrial
científicas
Jardins zoológicos/ aquários/
viveiros
Jardins botânicos
Planetários
Outros

Eventos Congressos e convenções


Feiras e exposições
Realizações desportivas
Realizações artísticas/
culturais
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Realizações sociais/
assistenciais
Realizações gastronómicas e
enológicas
Outros

Cada recurso determina uma ou mais atividades, que necessitarão, por vezes, de um
tratamento pontual ou global, com uma definição racional dos equipamentos a colocar
no local.

1.2.O Inventário de recursos turísticos

Convém sublinhar a necessidade de cada região ou cada país estabelecer um


inventário exato dos recursos turísticos que possui, de modo a poder adotar uma
política turística, que permita uma exploração racional das suas riquezas.

O inventário dos recursos turísticos permite-nos o conhecimento dos recursos que a


especificidade do território em causa. Instrumento fundamental no planeamento
turístico, o ordenamento do território, na identificação e definição da vocação turística
de uma região. Torna-se, assim, muito mais fácil pensar nas ações promocionais que
podem e devem ser desenvolvidas, bem como orientá-las.

A informação relativa a cada recurso, que estrutura cada ficha de inventário, pode
genericamente integrar-se nos seguintes campos:

 Designação do recurso
 Localização
 Acessibilidades
 Categoria
 Descrição; particularidades
 Estado de conservação
 Entidade proprietária e gestora
 Modalidade de acesso
 Tipo de visita/ horário/ preçário
 Infraestruturas
 Serviços disponibilizados ao público
 Atividades realizadas no interior e exterior
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 Eventos de marketing e promoção
 Fontes de informação

CAMPO SUB-CAMPO INFORMAÇÃO A RECOLHER

Identificação Nome/ Designação Designação oficial


principal

Outras designações Outras designações que identificam o


elemento; nome pelo qual é conhecido a
nível local

Localização Lugar; freguesia; Concelho; NUT II, NUT


III

Coordenadas Coordenadas GPS


geográficas

Acessibilidades Terrestre / Aéreo / Marítimo / Fluvial /


Pedestre
Distância em km/ Tempo do percurso
Caracterização
Categoria/ Tipo/ Recurso primário vs. Recurso secundário
Subtipo

Descrição Descrição geral do elemento; história;


cronologia; dados que detalham a
categoria a que pertence

Particularidades Elementos geográficos, históricos ou


socioculturais que singularizam o
elemento e o diferenciam dos restantes:
informação em que se baseia o seu
potencial de atracão turística

Estado atual Estado de conservação


Intervenção
Entidade gestora Identificação e contactos da entidade
responsável pela gestão do elemento

Historial de intervenção Ações de conservação, restauro, proteção;

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classificação etc. acionadas para este
elemento, no sentido de lhe conferir
valorização e facilitar a sua utilização para
fins turísticos

Infraestrutura básica Infraestruturas dentro e fora do recurso:


água, eletricidade, telefone, sanitários,
sinalização, etc.

Infraestruturas Sinalização informativa e/ ou


específicas interpretativa
Utilização
Tipo de acessibilidade ao Visitável/ Não visitável
Acesso livre/ pago
público
Visita livre/ visita orientada

Especificações sobre a Época propícia de visita


Horário de abertura
visita
Condições especiais de acesso (descontos,
programas especiais)

Serviços realizados no Interpretação; animação; desporto,


interior circuitos; atividades artísticas; folclore,
etc.

Atividades realizadas no Alojamento, restauração, comércio,


interior e no exterior animação, etc. (especificar para cada um
deles)

Modalidades de Edições impressas (brochuras,


divulgação desdobráveis, monografias); web (Site,
específicas
blog, etc.)

Eventos e ações de Logotipo, slogan, branding, plano de


marketing e promoção marketing; ações promocionais - feiras

1.3.A Avaliação dos recursos turísticos

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Após o levantamento de recursos, a avaliação do respectivo potencial de atracão
deverá ter em conta os seguintes critérios:

 1. Importância das atrações a nível local, regional e nacional


 2. Acessibilidade a nível regional, local e nacional
 3. Viabilidade económica de desenvolvimento
 4. Capacidade de carga das áreas onde estão localizadas as atrações
 5. Implicações no desenvolvimento em termos socioculturais e ambientais

Ainda no âmbito do exemplo dos recursos culturais, os quais constituem a base da


oferta turística de grande parte dos locais, apresentam-se os elementos fundamentais
a trabalhar no intuito de potenciar a atratividade de um recurso turístico-cultural, de
acordo com os seguintes níveis de intervenção:
 1 – Envolvente ao recurso
 2 – Interior do recurso
 3 – Informação
 4 – Programação
 5 – Promoção/ comercialização

1 – Envolvente ao recurso
 Localização - O fator localização apresenta-se como fundamental para a
atividade turística. Quando controlável, por exemplo, o caso da decisão sobre a
implementação de um núcleo museológico ou um centro de artesanato, deve
ser pensada em função da importância deste elemento.
 Acessibilidade - O acesso ao recurso deve ser facilitado, que do ponto de
vista físico, através da construção ou arranjo das vias de acesso (p. ex. no caso
de ruínas arqueológicas, capelas, etc.); quer seja do ponto de vista da
informação, através da colocação de sinalética ou criação de canais de
divulgação e distribuição que permitam fazer chegar o turista ao recurso.

2 – Interior do recurso
 Estrutura física – Apostar na recuperação da estrutura dos edifícios, no caso
de património material como igrejas, castelos, etc. Intervencionar ao nível das
estruturas é a etapa que permite tornar visitável o recurso, mas o processo de
transformação não pode ficar por aqui. É necessário posteriormente avançar
para a disponibilização de informação, fontes de comunicação/ distribuição, etc.
 Temática – Este nível de intervenção refere-se sobretudo aos recursos
culturais imateriais, nomeadamente feiras, festas, festivais, espetáculos que

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visam promover a identidade de um território. É cada vez mais importante não
só melhorar a qualidade de muitos eventos culturais, mas também procurar
explorar novas temáticas que possam servir de base para a promoção dos
recursos endógenos. Estes eventos constituem interessantes exemplos de
transformação de recursos culturais em verdadeiras atracões turísticas.

3– Informação
 Material informativo – A disponibilização de informação é uma componente
fundamental do recurso, permitindo trabalhar o seu grau de atratividade. Quer
seja através de folhetos, guias de visita, publicações é essencial apostar neste
fator valorizador do recurso. Não devemos esquecer que o “consumo” do
recurso é uma experiência e, como tal, a informação contribui para acrescentar
valor à visita.
 Visitas guiadas – A par de material informativo dirigido a turistas individuais,
a experiência de visitas guiadas permite valorizar o recurso. Trata-se de uma
componente fundamental, uma vez que o guia é o Maio que permite ao turista
entender e interpretar o recurso cultural.

4– Programação
 Rotas turísticas – A inclusão de um recurso cultural numa oferta organizada
permite criar e vender um produto ao cliente sob a forma de rotas, por
exemplo. A definição de rotas temáticas permite “embalar” o recurso e
disponibilizá-lo, não individualmente, mas num produto integrado.

5– Promoção/ comercialização
 Canais de promoção/ distribuição – Uma aposta em instrumentos de
divulgação permite dar a conhecer o recurso ao cliente. Todavia, a venda de
um produto apenas ocorre quando existem canais de distribuição que permitem
comercializar o recurso.

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2. Aspectos rurais, urbanos e regionais

2.1.Região Norte

OFERTA NATURAL  Belas praias, estâncias balneares e vilas


encantadoras (Caminha, Vila Nova de Cerveira,
Moledo, Vila Praia de Âncora, Espinho);
 Cenário ideal para o Montanhismo, a Canoagem ou o
repouso do Turismo Termal (Carvalhelhos, Chaves,
Pedras Salgadas e Vidago);
 Destaca-se o único Parque Nacional de Portugal,
que se estende pelas serras de Peneda, Soajo e
Gerês.

OFERTA CULTURAL  Quintas produtoras de Vinho do Porto (entre Mesão


Frio e Pinhão);
 Caves do Vinho do Porto (Vila Nova de Gaia);
 Património Arqueológico: Gravuras Rupestres de Vila

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Nova de Foz Côa;
 Património Arquitetónico: castelos e conventos
medievais; pequenas igrejas românicas; casas
solarengas; grandes santuários setecentistas;
 Cidades históricas: Porto, Guimarães, Viana do
Castelo, Braga;
 Património Cultural: Danças e cantares; vira
minhoto, pauliteiros de Miranda, Caretos de Podence
 Festividades: S. João no Porto, Senhora da Agonia em
Viana do Castelo, Festas da Semana Santa em Braga,
Romaria da Nossa Senhora dos Remédios em Lamego

OFERTA GASTRONÓMICA  Caldo Verde


 Bacalhau (1001 receitas)
 Broa de milho
 Enchidos e presuntos
 Azeites e azeitonas
 Pão de centeio
 Bolas e folares
 Feijoada à Transmontana
 Trutas e Lampreia
 Tripas à Moda do Porto
 Rojões e serrabulho
 Doces: rabanadas, papos de anjo, barrigas-de-freira,
aletria, toucinho-do-céu
 Vinhos verdes e vinho do Porto.

OFERTA ARTESANAL  Bordados


 Tecelagem em linho
 Tapeçarias
 Rendas de Bilros
 Ourivesaria e Filigrana
 Cerâmica popular e Olaria
 Trabalhos em madeira, couro, cobre, estanho, ferro
forjado, verga e vime.

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2.2.Região Centro

OFERTA NATURAL
 A serra mais alta de Portugal continental (Serra da
Estrela);
 Águas medicinais, que fizeram nascer elegantes
estâncias termais, como Curia, Luso e S. Pedro do Sul;
 Existência de serranias de florestas seculares;
 Praias: Costa Nova, Barra, Figueira da Foz, Buarcos,
Mira, etc.

OFERTA CULTURAL  Mosteiros, conventos e igrejas dão testemunho de


uma herança histórica e artística de reconhecido valor
universal (Sé de Viseu, Sé de Coimbra, ...)
 - Cidades e aldeias históricas, guardadas por
castelos que os primeiros reis de Portugal, mandaram
construir para defesa do reino;
 - Existência de museus com coleções de inesperado
valor (Museu do Caramulo, Biblioteca Joanina, Museu
da Vista Alegre, Museu Grão Vasco,...);
 Festividades: Carnaval de Ovar, Festa de S.
Gonçalinho, Cavalhadas de Vildemoinhos, Feira de
Março, Feira de S. Mateus, Festas da Rainha Santa.

OFERTA GASTRONÓMICA  Peixe e marisco;


 Leitão assado;
 Chanfana de cabrito e cabrito assado;
 Carne de caça: Javali, lebre, perdiz;
 Enguias (ensopado e escabeche);
 Enchidos e Fumados;
 Vitela à Lafões;
 Queijos: da serra da Estrela, de Alcains, do Rabaçal, de
Castelo Branco;
 Fruta da cova da beira: cerejas e maçãs;
 Castanhas;
 Doces: ovos moles, pão-de-ló, creme queimado, folares,

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cavacas, filhós;
 Vinhos: da Bairrada, espumantes, Rosé, Lafões, Região
do Dão.

OFERTA ARTESANAL  Vidros e Cristais de Alcobaça


 Porcelanas da Vista Alegre
 Louça de Coimbra (pintada à mão)
 Colchas de seda bordadas (Castelo Branco)
 Cerâmicas e barros negros
 Tecelagem em linho
 Rendas de Bilros
 Trabalhos em cobre e ferro

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2.3.Região de Lisboa e Vale do Tejo

OFERTA NATURAL  Especial encanto das localidades ribeirinhas, onde


os vales verdejantes são palco de arreigadas
tradições culturais, das danças e músicas populares
aos trajes garridos dos seus campinos que, a cavalo,
conduzem nos pastos o gado bovino;
 Reservas naturais de flora secular (Serra da
Arrábida);
 Desportos náuticos e exploração subaquática;
 Campos de Golfe;
 Praias de areia branca e lagoas próximas do
mar.

OFERTA CULTURAL  Paisagem cultural classificada pela UNESCO


(Sintra);
 Casas solarengas, Quintas seculares e
aristocráticas, Palácios exemplares;
 Castelos e mosteiros contemporâneos do início da
nacionalidade são testemunhos de um valioso
património histórico;
 Festivais de música ao ar livre.

OFERTA GASTRONÓMICA  Peixes e mariscos;


 Sopas fartas (sopa da pedra);
 Sopas de peixe e caldeiradas;
 Sardinhas e carapaus assados;
 Petiscos diversos: Caracóis, amêijoas à Bulhão pato;
 Queijos: de Azeitão e frescos;
 Doces: queijadas (Sintra), pastéis de Belém (Lisboa);
 Doces conventuais (Tomar e Santarém);
 Vinhos: Ribatejo, Carcavelos, Colares, Palmela,
Bucelas, Moscatel de Setúbal

OFERTA ARTESANAL  Cestos e artigos de vime


 Bordados e Rendas de Bilros

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 Faiança decorada das Caldas da Rainha
 Olaria, cerâmica artística e popular
 Cobres
 Colchas de Linho, lã e algodão (teares manuais)

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2.4.Região do Alentejo

OFERTA NATURAL  Frescura das barragens que convidam os


apreciadores de desportos náuticos;
 Magníficas e inexploradas praias atlânticas;
 Paisagem: extensas planícies favoráveis à prática
da caça e pastoreio.

OFERTA CULTURAL  Abundância de património arqueológico (arte


rupestre, Dólmens, antas e cromeleques);
 Notável herança de sucessivas culturas (vestígios
romanos e árabes e ainda, alguns testemunhos mais
recentes de cristandade);
 Lindíssimas vilas e cidades que integram a chamada
“Rota dos Castelos”;
 Património mundial classificado pela UNESCO (Évora);

OFERTA GASTRONÓMICA  Carne de Porco à alentejana e migas


 Ervas aromáticas
 Azeites
 Açordas de coentros
 Coelho e lebre
 Sopas (de cação, de peixe, de tomate e gaspacho)
 Ensopados (cabrito e borrego)
 Queijos: Niza, Serpa e Évora
 Doces conventuais
 Vinhos: Borba, Redondo, Vidigueira, Cuba e Alvito

OFERTA ARTESANAL  Tapetes de Arraiolos e Portalegre


 Bordados de Nisa
 Mobiliário pintado à mão
 Ferro forjado
 Artigos de cabedal

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 Olaria e louça de barro vidrada e pintada

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2.5.Região do Algarve

OFERTA NATURAL  Recanto de temperaturas idílicas;


 Região verde e fértil colorida por figueiras,
laranjais e amendoeiras em flor;
 Fabulosas praias entre rochas arenosas e
falésias avermelhadas esculpidas pela erosão;
 Desportos náuticos (marinas de Lagos,
Vilamoura e Vila Real de Stº. António);
 Famosos campos de golfe.

OFERTA CULTURAL  Arquitetura singular ligada aos à herança árabe


(açoteias, chaminés rendilhadas e casario caiado);
 Património arqueológico e arquitetónico bem
preservado;
 Animação nos centros históricos e nos
empreendimentos turísticos.

OFERTA GASTRONÓMICA  Sopas de peixe


 Marisco e peixe
 Polvo e lulas
 Cataplanas
 Feijoadas de peixe e marisco
 Bifes de atum de cebolada
 Doces: doces de figo, amêndoa e ovos.

OFERTA ARTESANAL  Artefactos de verga e vime


 Chapéus e alcofas de palha
 Artigos de cobre e latão
 Artigos de madeira
 Cerâmica de Porches

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2.6.Região dos Açores

OFERTA NATURAL  Pico (Ponto mais alto do território português)


 Lagoas de azul-safira e verde esmeralda;
 Prados férteis;
 Paisagem vulcânica (cones e crateras);
 Flora típica: hortênsias, azáleas;
 Terras de lenda (diz-se que são restos da mítica
Atlântica), as nove ilhas de poéticos nomes
oferecem um clima temperado todo o ano;
 Paisagem vinícola do Pico (Património da UNESCO)

OFERTA CULTURAL  Igrejas quinhentistas e casas senhoriais;


 Centros históricos com património arquitetónico bem
preservado;
 Património da UNESCO (Angra do Heroísmo);
 Festividades religiosas tradicionais (ex. Espírito
Santo);
 Tradição baleeira.

OFERTA GASTRONÓMICA  Sopa do Espírito Santo;


 Cozido das Furnas;
 Alcatra de vaca;
 Cracas e Lapas;
 Polvo guisado em vinho;
 Queijos e lacticínios;
 Ananás;
 Vinho de cheiro, verdelho e licores.

OFERTA ARTESANAL

 Chapéus, Cestos e mobiliário de vime;


 Miniaturas em miolo de figueira;
 Bordados e rendas;

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 Mantas e colchas de tear;
 Flores artificiais em escama de peixe;
 Faiança azul e branca.

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2.7.Região da Madeira

OFERTA NATURAL  Floresta Laurissilva (Património da UNESCO);


 Santuários de aves marinhas (as ilhas Desertas e
as Selvagens);
 As estradas que serpenteiam na ilha da Madeira
são pontos de interesse pela impressionante
paisagem entre arvoredos, ravinas e quedas
d’água;
 Densa vegetação exótica disposta em socalcos,
entrecortada por falésias escarpadas e alvo
casario;
 As flores e frutos tropicais;
 A temperatura amena das águas do mar e das
piscinas naturais.

OFERTA CULTURAL  A riqueza do património histórico;


 Aldeias com arquitetura típica (ex. Santana);
 Animação e vida cosmopolita do Funchal (bares,
discotecas, casino);
 Folclore e festividades tradicionais (ex. Carnaval).

OFERTA GASTRONÓMICA  Bifes de Atum, espadarte e peixe-espada;


 Espetadas de carne;
 Mariscos;
 Milho Frito;
 Frutos tropicais;
 Doces: bolo de mel;
 Vinhos: Madeira, boal, verdelho e malvasia;

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 Licores.

OFERTA ARTESANAL
 Bordados e tapeçarias;
 Trabalhos em vime e giesta (cestos, mobiliário);
 Botas de pele debruadas a vermelho.

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3. Itinerários de descoberta

3.1 – Definições no âmbito dos itinerários

Definições gerais

Em primeiro lugar, será relevante apresentar as diversas definições relativas à


realização de deslocações turísticas.

Neste âmbito, podemos distinguir as seguintes:

 Circuito turístico
 Itinerário turístico
 Rota turística
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 Forfait
 Excursão
 Percurso
 Visita

1. Circuito Turístico
Conjunto de caminhos e visitas que se complementam constituindo um itinerário
fechado. Trata-se de uma viagem combinada em que intervêm vários serviços:
transportes, alojamento, guia, ..., que se realiza de acordo com um itinerário
programado e com um desenho circular sempre que seja possível (o ponto de partida
e de chegada serão coincidentes), de modo a que se passe por um caminho
anteriormente percorrido.

2. Itinerário turístico
Descrição de um caminho especificando os lugares de passagem e propondo uma série
de atividades e serviços durante a sua duração. Este caminho pode ser seguido numa
viagem entre dois locais distintos, com referências aos vários pontos de interesse
turístico que se encontram pelo meio, e que está, em muitos casos, sujeito a um tema
específico. De forma a serem seguidos com maior facilidade, os itinerários podem
incluir indicações de distâncias e tempos previstos para as deslocações e visitas
sugeridas.

3. Rota
Sinónimo de itinerários, em sentido restrito, em que a saída e a chegada não são
coincidentes no mesmo ponto. Semelhante ao itinerário, no entanto obrigatoriamente
sujeita a um tema ou a uma delimitação geográfica.

O conceito de Rota e Itinerário podem ser considerados sinónimos embora seja de


realçar o facto de Rota estar associada a uma direção, a um percurso dirigido, o qual
tem sido usado preferencialmente em termos institucionais e promocionais.

4. Forfait
Nome técnico utilizado para um tipo de Itinerário organizado cujo preço inclui todos os
serviços. Dentro deste podemos distinguir:
 Forfait para a Oferta – viagens programadas para serem posteriormente
vendidas pelos retalhistas
 Forfait para a Procura – viagens organizadas à medida do cliente
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5. Excursão
Viagem com fins turísticos, culturais ou outros, organizada em grupo, com regresso ao
ponto de origem e incluindo todos os serviços básicos (transporte de pessoas e
bagagem, refeições, circuitos turísticos, guia-intérprete, entradas em museus e
monumentos, etc.). Tem uma duração igual ou inferior a um dia, não incluindo a
componente alojamento.

6. Percurso
Refere-se apenas ao caminho físico (estradas, ruas, etc.) a ser percorrido entre dois
pontos de uma viagem. Está presente em cada um dos tipos de viagem anteriores.

7. Visita
Deslocação para observação ou participação em qualquer atividade, a um determinado
local, turístico ou não, na qual se dá o reconhecimento, exame ou inspeção de um
lugar de paragem incluído num itinerário. A visita representa cada uma das paragens
que compõem um itinerário.

3.2 – Tipos de itinerários

a) Tipos de itinerários segundo o eixo condutor:


 Itinerários geográficos
 Itinerários temáticos

b) Tipos de itinerários segundo o âmbito geográfico:

 Itinerários locais - Quando a realização de um itinerário se limita a


um ou vários locais, ou seja, abaixo da escala regional.
 Itinerários regionais – Quando a realização de um itinerário se
estende à escala regional.
 Itinerários Nacionais – Quando a realização de um itinerário engloba
vários pontos que abrangem a totalidade de um país.
 Itinerários internacionais – Quando a realização de um determinado
itinerário abrange o âmbito territorial de dois ou mais países.

c) Tipos de itinerários segundo o tipo de turismo associado

 Itinerários culturais
o Itinerários de interesse histórico ou literário
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o Itinerários de interesse patrimonial ou monumental
o Itinerários de interesse folclórico ou artesanal
o Itinerários gastronómicos ou enológicos

 Itinerários religiosos
 Itinerários naturais ou de ecoturismo –
 Itinerários desportivos ou de aventura
 Itinerários de saúde e bem-estar

d) Tipos de itinerários segundo o enquadramento do destino

 Itinerários urbanos
 Itinerários rurais

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4. Descoberta e turismo

4.1 – O mercado do produto “Touring cultural e paisagístico”

De acordo com Henriques (2003), pode definir-se turismo cultural como sendo “O
movimento de pessoas para atracões culturais fora do seu local de residência, com a
intenção de compilar novas informações e experiências para satisfazer as suas
necessidades culturais”.

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Estas atrações culturais englobam não só os produtos culturais do passado como
também da cultura contemporânea ou do modo de vida de um povo ou região.
Desta forma, o turismo cultural compreende todas as visitas motivadas no todo ou em
parte por interesse na oferta histórica, artística, científica, mas também no contexto
cultural de uma comunidade.

O turista cultural é, portanto, aquele para quem a cultura detém um papel


essencial na selecção do destino e nas atividades que desenvolve durante a
estada. Pode estar motivado por razões de ordem cultural ou pode conciliar
motivações culturais com outras na sua visita ao destino.

O turismo cultural pode ser desenvolvido em espaço urbano, caso em que encontra
coincidência com o turismo urbano, em espaço rural ou ainda entre ambos os
espaços, caso em que se insere na realização de rotas e circuitos temáticos,
designados como touring.

De acordo com o estudo “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do


turismo em Portugal – City-breaks”, realizado pelo Instituto de Turismo de
Portugal, a principal motivação dos turistas de touring é descobrir, conhecer e
explorar os atrativos de uma região.

As principais atividades desenvolvidas são percursos em tours, rotas ou


circuitos de diferente duração e extensão, em viagens independentes e organizadas.

Os principais mercados são:


 Touring genérico – Tours, rotas ou circuitos de conteúdo abrangente e
diverso. O tour, rota ou circuito são, em si mesmos, a essência do produto.
Representa cerca de 90% das viagens de Touring.
 Touring temático - Tours, rotas ou circuitos focalizados num determinado
tema, o qual constitui o núcleo da experiência. Representa cerca de 10% do
total de viagens de touring.

Os destinos prioritários para o desenvolvimento do produto touring cultural


e paisagístico são o Porto e Norte, a Região Centro, Lisboa e a Região do
Alentejo.

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4.2 – O mercado do produto “turismo de natureza”

De acordo com o estudo “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do


turismo em Portugal – Turismo de natureza”, realizado pelo Instituto de Turismo
de Portugal, a motivação principal dos turistas de natureza é de Viver
experiências de grande valor simbólico, interagir e usufruir da Natureza

Esta tipologia de consumidores são crescentemente sofisticados, dando origem ao


“novo turista”, em oposição ao “turista de massas” que constitui, agora, um
reconhecido e significativo segmento do mercado turístico.

Mercados
 Natureza soft - As experiências baseiam-se na prática de atividades ao ar
livre de baixa intensidade (passeios, excursões, percursos pedestres,
observação da fauna, etc.). Representa cerca de 80% do total de viagens de
Natureza.
 Natureza hard - As experiências relacionam-se com a prática de desportos
na Natureza (rafting, kayaking, hiking, climbing, etc.) e/ou de atividades
que requerem um elevado grau de concentração ou de conhecimento
(birdwatching, etc.). Este mercado representa cerca de 20% do total das
viagens de Natureza.

Os destinos prioritários para o desenvolvimento do produto turismo de


natureza são o Porto e Norte, Região Centro, os Açores e a Madeira.

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5. Atividades de turismo descoberta

5.1 – “A clientela” dos percursos pedestres de descoberta

O passeio pedestre parece ser uma atividade largamente praticada em todos os países
desenvolvidos.

Testemunha disso são os números invocados nas diferentes regiões do globo, sempre
superiores ao milhão: 3 milhões de “verdadeiros” caminhantes em Itália e na França,
10 milhões no Reino Unido, etc. Outras ordens de grandeza exprimem a mesma

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importância atribuída à atividade: 30% dos Suecos dedicam-se ao passeio em florestas
ou caminhos rurais, metade dos “Anglo-Saxões” marcha ocasionalmente...

Outra constante verificada largamente é que este passatempo está em expansão


acentuada em todos os países.

Estas ordens de grandeza e este crescimento não têm equivalente noutras atividades
de lazer. Mas veremos a seguir que a mesma terminologia, ou seja, “passeio
pedestre”, abrange práticas muito diferentes, que vão da simples marcha a pé até
caminhadas de natureza desportiva. A marcha e o passeio pedestre ocupam um lugar
preponderante nos tempos livres dos turistas europeus durante as suas férias de
Verão.

Assim, segundo um estudo do English Tourist Board, 80% dos turistas passeiam a pé
durante as férias, sem no entanto se considerarem “caminhantes”. No Inverno, a
marcha sobre trilhos com neve também é muito corrente à volta das estações de
desportos de Inverno da Áustria e da Alemanha, estando agora a desenvolver-se nas
estações francesas.

Tendo em conta a dimensão do mercado de passeio pedestre, esta atividade recruta


adeptos em todas as categorias da população e não existe por isso um perfil típico do
caminhante. No entanto, aparecem grandes tendências:
 A posição importante das mulheres (representam 50% dos caminhantes na
Alemanha e mais ainda em França);
 O desenvolvimento do passeio pedestre em família;
 O lugar privilegiado da marcha e do passeio pedestre entre as pessoas com
mais de 50 anos;
 O facto de os praticantes da marcha e do passeio pedestre pertencerem às
camadas médias e superiores.
Capítulo 1
O sentido do termo “passeio pedestre” é muito amplo e algumas línguas têm mesmo
vários termos que refletem as diferentes maneiras de fazer estes passeios.
Distinguem-se, nomeadamente:
 O passeio pedestre itinerante do passeio de um dia;
 O passeio “desportivo”, num terreno acidentado ou com um ritmo desenvolto,
do simples passeio, designado em França, por exemplo, “pequeno passeio”.

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Para a grande massa de praticantes, o passeio pedestre constitui uma atividade de
lazer e não uma atividade desportiva. A sua prática dominante corresponde então a:
 Pequenas saídas (2 a 3 horas de marcha fácil);
 Passeios em círculo, com regresso ao ponto de partida.

A grande maioria (90 a 95%) dos caminhantes pratica esta atividade de forma
autónoma*, ou seja, sem ser no quadro de uma prestação com tudo incluído. Este
valor deve ser tido em conta, para não reduzir o produto turístico “passeio pedestre”
apenas aos produtos com tudo incluído*.

A percentagem de passeios organizados aumenta sensivelmente quando a atividade se


desenrola num país estrangeiro.

Além disso, varia segundo os costumes nacionais: os alemães são considerados


maiores consumidores de estadias com tudo incluído do que os franceses, sendo estes
mais renitentes à noção de estadia organizada.

Durante a sua estadia turística, grande parte dos caminhantes dedica-se, de resto, a
outras atividades culturais ou de lazer.

As motivações associadas à natureza estão sempre presentes: procura de um


ambiente considerado intacto, preservado, contemplação de belas paisagens, etc. Os
alemães, austríacos e escandinavos referem, em especial, a procura de espaços
naturais intactos.

A procura de um certo bem-estar físico está sempre presente nos caminhantes. O


passeio pedestre permite um esforço suave, moderado, sem espírito de competição
nem procura de resultados e sem confrontação com um meio difícil, como o alpinismo.
O passeio pedestre é praticado sem contraindicações, contrariamente ao jogging, por
exemplo. As motivações relativas ao bem-estar físico e à manutenção da forma
verificam-se especialmente nas mulheres e nos grupos etários mais idosos.

A descoberta faz parte do passeio e caminhar é um meio de descobrir uma região,


modos de vida, o património natural, cultural, histórico, etc. Tudo pode servir de
pretexto para a descoberta, ou quase tudo, desde que o objeto da descoberta esteja
próximo da natureza e tenha um carácter “autêntico”. Prova disto é o sucesso dos

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passeios até explorações agrícolas, com provas de queijo ou de tartes, bem como os
circuitos de descoberta de vales e aldeias.

O passeio pedestre também pode constituir, para alguns, uma demarcação cultural,
um meio para afirmar a sua diferença, para não “consumir como um idiota”. Isto
corresponde, por exemplo, nos alemães às “críticas alternativas”.

Se é verdade que a marcha ou o passeio pedestre se aparentam a uma atividade de


lazer e não a um desporto, também parece que suscitam um elevado grau de
fidelidade por parte dos praticantes. Isto significa que a ausência de oferta de passeio
pedestres será dissuasiva, aos olhos dos amadores desta prática, mesmo em relação a
um território de qualidade.

5.2 – As principais componentes do produto passeio pedestre

Quem diz “passeio pedestre” diz “itinerário”. Para além da sua imagem “natural”, um
itinerário de passeio pedestre constitui uma verdadeira infraestrutura, concebida e
adaptada para esse efeito específico, e obedece a determinadas regras, que serão
evocadas mais à frente. A concretização do itinerário no terreno traduz-se depois na
realização de obras, muitas vezes ligeiras, mas às vezes mais importantes.

Os elementos de base
Distinguem-se em primeiro lugar vários tipos de circuitos:
 Os itinerários em vários dias, do tipo travessia de um maciço ou de uma região.
Permitem frequentemente a descoberta ótima de uma região, mas por vezes
colocam o problema do regresso ao ponto de partida;
 Os grandes círculos em vários dias, que não têm o inconveniente mencionado;
 Os itinerários de um dia, que podem ser mais ou menos longos.

O ideal consiste em conceber uma verdadeira rede onde se articulam vários itinerários,
a fim de fornecer o máximo de possibilidades aos praticantes.

Os serviços aos caminhantes constituem a segunda componente da oferta de passeios


pedestres. Tratando-se de uma atividade turística, os serviços de base são,
classicamente, o alojamento, a restauração e os transportes.

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Também podem ser criados outros serviços: acompanhamento, visitas guiadas,
transferência de bagagens, etc. A tendência vai no sentido do aumento dos serviços
propostos aos caminhantes.

O dispositivo de informação sobre os itinerários de passeio faz parte da oferta. Sem


informação, é como se o itinerário não existisse para o caminhante. A balizagem
“acompanha” o caminhante no terreno quase sistematicamente, sendo completada a
maior parte das vezes por outros meios de informação, sobretudo um guia do percurso
e, mais recentemente, as páginas Web ou os CD-ROM.

Todas estas componentes fazem sentido num território, que é mesmo o elemento
determinante: o caminhante não marcha só por marchar e o passeio deixa de fazer
sentido se não se inserir num território valorizado. As expectativas dos caminhantes
em relação ao território são particularmente fortes.

Existem mil e uma maneiras de apresentar um território, mas é necessário que este
tenha um verdadeiro potencial turístico. A qualidade e a diversidade das paisagens, a
riqueza do património natural, a vivacidade das tradições locais ou a presença de um
património histórico ou cultural importante constituem vantagens essenciais. Um
ambiente respeitado, ou mesmo preservado, é também um critério determinante para
a imagem do território.

Um produto complexo e heterogéneo


A lista de componentes revela a mistura de elementos de natureza diferente. É aí que
reside a principal especificidade (e dificuldade) do turismo de passeio pedestre.

Uma parte dos seus elementos pertence à esfera não comercial: trilhos e caminhos,
paisagens, espaços naturais e património fazem parte do bem coletivo de uma região,
ou mesmo de uma nação. Estes elementos são por vezes difíceis de quantificar e de
controlar. Dependem frequentemente de responsabilidades cruzadas, onde se
misturam diferentes autarquias, o sector associativo e agentes privados: as paisagens,
ou a rede de caminhos, constituem o melhor exemplo. E no entanto são o próprio
fundamento de um produto de passeio pedestre.

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A esta esfera não comercial vêm juntar-se bens e serviços comerciais de natureza
muito diversa: alojamentos, pertencentes a profissionais, mas também a particulares
ou a agricultores, bem como mapas ou guias de passeio, de transportes, etc.
Capítulo 2
Esta complexidade é reforçada pela natureza da atividade que se exerce num espaço
difuso; é necessário, por conseguinte, raciocinar em termos de uma “malha”, de rede,
que deve ser completa e coerente. A gestão desta oferta variada é ainda mais
complexa por se dirigir a uma procura extremamente fragmentada.

Estas reflexões têm implicações concretas:


 A criação de uma política de turismo de passeio pedestre não pode evitar uma
fase de “harmonização” do conjunto dos agentes, privados e públicos.

Será possível conceber um projeto de turismo de passeio pedestre, mesmo o mais


acabado, se as paisagens do território se degradam devido, por exemplo, a um
emparcelamento intenso?
 Um projeto de passeio pedestre não pode ser transplantado para uma região,
exceto se se criar um produto completamente estanque, desligado do circuito
local.
 Uma parte dos “fatores essenciais” do produto de passeio pedestre pertence ao
bem coletivo. Como não entram na conta de exploração do produto, não são
objeto de valorização económica direta. A sua aplicação faz parte do
desenvolvimento local.

5.3 – Iniciar um projeto de “passeio pedestre”

Como acontece com qualquer projeto de desenvolvimento, é preciso uma certa ordem
entre o aparecimento da ideia e a finalização de um plano de ação: análise das
vantagens e desvantagens, avaliação do potencial, etc. Sem pretender retomar a
metodologia a que obedece a elaboração de um projeto de desenvolvimento, é
possível no entanto preconizar alguns aspectos específicos do passeio pedestre.

As parcerias indispensáveis
Como a oferta de turismo de passeio pedestre combina componentes públicas e
privadas, é indispensável estabelecer muito cedo a montante uma parceria estreita
para definir uma estratégia e um plano de ação.
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Certificação Nº. C 364

Segundo as modalidades de organização de cada país, a iniciativa da reflexão compete


às autoridades locais, a agências de desenvolvimento, a associações ou aos “privados”.

De qualquer modo, o conjunto dos agentes institucionais, das estruturas turísticas e


dos prestadores de serviços deve ser associado à reflexão.

Os grupos de ação local LEADER podem desempenhar um importante papel


impulsionador no lançamento da reflexão. Podem também assegurar a interface e a
mediação entre os agentes.

No início da ação, o recurso a uma estrutura especializada externa ao território tem a


vantagem de trazer um ponto de vista, ao mesmo tempo novo e distanciado. O
especialista também deve partilhar grande parte da sua experiência adquirida noutras
regiões e noutros países. Pode assim ser um “promotor” de ideias.
Capítulo 3
Iniciar um projeto de “passeio pedestre”
As pessoas qualificadas que habitam no local também são essenciais para a análise do
potencial da região, devido ao seu conhecimento profundo do território.

Quando existem, os clubes locais de passeio pedestre devem ser inquiridos ou


integrados no grupo de trabalho.

Se o passeio pedestre não é uma prática corrente, existem sempre pessoas-recurso


que já percorreram muitas vezes os caminhos e os trilhos por razões profissionais ou
por paixão.

Nas regiões que ainda são novas no turismo, os operadores turísticos* estrangeiros
desempenham por vezes o papel de especialistas ou de “dinamizadores” de projetos.

O aparecimento do projeto
Porquê iniciar um plano de desenvolvimento de turismo de passeio pedestre? A origem
da iniciativa pode ser extremamente variada:
 Criar uma nova atividade numa região que não se valorizou muito
economicamente.
 Acompanhar as mutações das atividades económicas tradicionais (agricultura e
pesca).
 Redinamizar o turismo tradicional em declínio, diversificando a oferta turística.
 Valorizar economicamente uma atividade de passeio pedestre já existente.

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 Iniciar uma ação de desenvolvimento sustentável, promovendo uma forma de
turismo respeitadora do ambiente.
 Perpetuar a salvaguarda do património local atribuindo-lhe uma função
turística.

A primeira etapa da ação é a realização de uma auditoria para identificar os recursos e


as insuficiências do território.

Para a análise do potencial, procede-se primeiro a um exame “clássico” do território:


bacia de clientela, acessibilidade, património, etc.

São igualmente abordados elementos específicos do turismo de passeio pedestre:


 A qualidade ambiental, que se torna um critério cada vez mais importante;
 A importância dos meios naturais;
 A presença de espaços naturais protegidos, que tem sempre um efeito de
atracão;
 A variedade das paisagens num espaço restrito, à escala do ritmo do
caminhante (com efeito, a monotonia pode instalar-se rapidamente);
 A notoriedade do território (uma notoriedade acompanhada de algum mistério
pode constituir uma vantagem);
 A prática local de passeio pedestre, que é um bom augúrio para a perenidade
das infraestruturas e dos serviços, permite uma melhor apropriação do projeto
a nível local e facilita a comunicação entre os visitantes e a população; etc.

Esta análise constitui uma condição prévia para a determinação das clientelas, em
função do potencial turístico, dos objetivos atribuídos e da análise da concorrência.

Num mercado muito segmentado, é essencial visar determinadas clientelas. Enquanto


a tendência mais natural, o “sonho”, é às vezes pensar em clientelas estrangeiras,
mesmo do outro lado do Atlântico, o mercado mais evidente e potencialmente mais
importante é muitas vezes a clientela regional ou nacional.

A reflexão sobre a clientela permitirá construir seguidamente uma oferta relevante,


adaptada à procura dos praticantes visados:
 A conceção dos itinerários (comprimento, localização, etc.);
 O nível das prestações;
 A natureza dos serviços propostos (privilegiar ou não o acompanhamento).

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Deste posicionamento dependerão igualmente as condições de comercialização dos
produtos. A partir desta fase de reflexão, convém refletir sobre os circuitos de
distribuição mais adequados e possíveis parcerias.

5.4 – As infraestruturas e os serviços oferecidos aos


caminhantes

Oferecer aos turistas de passeio pedestre o prazer de descobrir e deliciar-se com uma
região à dimensão do homem exige uma organização discreta e complexa, paradoxo
da atividade humana mais simples do mundo, que consiste simplesmente em colocar
um pé à frente do outro.

O quadro jurídico da criação de um itinerário de passeio


O estatuto jurídico dos trilhos e caminhos O conceito de itinerário de passeio não
constitui uma entidade jurídica em si mesmo: um itinerário utiliza vias, cujo regime é
determinado pelo regime fundiário e pela função atribuída à via.

A primeira questão a colocar quando se criam itinerários é a do estatuto das vias


utilizadas: o itinerário previsto passa por vias privadas ou públicas? Se as vias são
públicas, é permitido o seu acesso aos caminhantes?

O quadro jurídico que rege os itinerários de passeio pedestre pode variar segundo o
país, nomeadamente em função das particularidades do direito fundiário e do regime
das servidões de passagem.

O promotor de um projeto de itinerário de passeio não pode nunca deixar de proceder


a uma análise profunda e rigorosa destas limitações jurídicas. Qualquer que seja a
natureza das vias utilizadas, é altamente recomendado agrupar as obras dos itinerários
sob a responsabilidade de uma única entidade pública, em geral uma autarquia
(município, estrutura intermunicipal, distrito), a fim de assegurar um controlo rigoroso
e coerente deste aspeto fundamental da criação do itinerário.

Mais vale privilegiar as vias públicas...


Em princípio, as vias públicas são acessíveis aos caminhantes, salvo exceções
evidentes: estradas de grande circulação, etc. É bom que se saiba, no entanto, que as

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vias pertencentes às autarquias podem estar abrangidas por um regime que restringe
o seu acesso ao público.

Embora não seja impossível, a passagem por vias privadas (ou através de um terreno
privado) é mais problemática, porque está sujeita ao acordo do proprietário ou da
pessoa que explora os terrenos. Se o proprietário recusar a passagem, é necessário
analisar se existem meios jurídicos para o obrigar a tal e decidir se vale a pena iniciar
um processo que é frequentemente moroso.

Mesmo no caso de o proprietário dar o seu acordo, é sempre melhor formalizar esse
acordo através de uma autorização de passagem.

Esta convenção, devidamente redigida e assinada pelas duas partes, proprietário e


organismo público, deve estabelecer os direitos e deveres de cada um, nomeadamente
no que se refere a:
 Arranjos (quem constrói as transposições das vedações, por exemplo?);
 Utilização do caminho (autorizar ou não os outros tipos de passeantes, como os
cavaleiros, etc.?);
 Conservação do caminho (quem o limpa das silvas?);
 Seguros.

Que se passa em caso de ocorrerem acidentes ou prejuízos num itinerário de


passeio?
Esta questão é tanto mais importante quanto se está a verificar na Europa uma
tendência nítida para a atribuição de responsabilidades e pedidos de reparação.

Podem ser aqui recordados alguns princípios gerais.


Em caso de acidente, a procura de responsabilidades pode dizer respeito ao utilizador,
ao proprietário, à entidade que realizou as obras de adaptação e à autarquia local:
 Um caminhante pode ter de responder pelo seu comportamento, se o mesmo
for de molde a causar prejuízos a bens ou pessoas.
 A responsabilidade do proprietário de um terreno privado pode eventualmente
ser estabelecida, com base no princípio de que um proprietário é responsável
pelo seu bem.
 A entidade que efetuou as obras de adaptação do caminho pode ser posta em
causa por não ter assegurado a segurança dos caminhantes, devido a arranjos
mal adaptados ou mal realizados, a uma apreciação deficiente dos perigos
objetivos ou ainda dos riscos a que os caminhantes ficam sujeitos.
Fase: Desenvolvimento Processo: CON.SUP.P5 Documento: D5 Página 47 de 57
Certificação Nº. C 364
 Teoricamente, a estrutura que emite uma informação que incita a percorrer
um caminho (guia do percurso, mapa, sinalética, etc.) pode ser acusada de
emitir uma informação com erros ou insuficiente.

As convenções de passagem prevêm, em geral, que a autarquia se substitui ao


proprietário no endosso da responsabilidade civil eventualmente incorrida por este
último e que a mesma autarquia subscreve um seguro que cobre os prejuízos
eventualmente causados por caminhantes.

Exista ou não uma convenção, a responsabilidade penal de uns e de outros é total se


for estabelecida.

Por último, independentemente do seu papel no arranjo dos itinerários, é à autarquia


local que de um modo geral cabe a garantia da segurança dos cidadãos, devendo para
esse efeito utilizar o seu poder de polícia.

Estas regras gerais devem ter em conta a legislação e a regulamentação específicas de


cada país. Sobretudo, devem ser interpretadas em função da jurisprudência: o direito
em matéria de responsabilidade vai-se escrevendo em parte à medida que as
sentenças vão sendo proferidas.

Compete a cada agente verificar como é que se coloca a questão da responsabilidade


no seu país e rodear- -se das precauções exigidas ao seu nível, sem no entanto ter um
temor irracional que provocaria um imobilismo sistemático.

Que proteções para garantir a continuidade dos caminhos?


Como se sabe os caminhos são frágeis. O seu abandono deixa campo livre às silvas ou
ao arado do agricultor. Umas vezes, são as vedações que barram o caminho, noutros
sítios é a urbanização ou o ordenamento rodoviário que faz desaparecer este caminho
“sem valor”.

Os meios para assegurar a perenidade de um caminho são variáveis, de acordo com as


situações e os países: controlo dos aspectos fundiários e inscrição da vocação do
caminho nos documentos de urbanismo.

A conceção de itinerários de passeio pedestre

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A conceção dos itinerários é assegurada por intervenientes que conhecem
simultaneamente o terreno e a prática de passeio pedestre. Ganha-se em associar à
conceção dos itinerários os clubes ou federações de caminhantes, que são
frequentemente bons conselheiros.

Só é preciso velar por que os itinerários propostos correspondam ao caderno de


encargos (tipo de circuitos, valorização patrimonial, acesso aos alojamentos,
comprimento máximo dos itinerários).

A escolha do traçado
Na definição de um traçado entram em jogo múltiplos critérios. Existem contudo
algumas regras básicas que devem ser conhecidas:
 Excluir as vias alcatroadas, salvo exceções muito curtas;
 Procurar a diversidade de itinerários;
 Manter a coerência a nível da dificuldade do itinerário;
 Não sobrestimar as capacidades de evolução e de orientação dos caminhantes;
 Privilegiar a qualidade das paisagens e do ambiente;
 Valorizar o património da região: riquezas naturais, monumentos religiosos,
habitat tradicional, etc.;
 Prever o impacto dos itinerários e evitar as zonas ecologicamente frágeis;
 Excluir os sectores potencialmente perigosos.
Os traçados são por vezes concebidos diretamente em função dos objetivos
fixados e da clientela visada.

Os itinerários devem ser reservados exclusivamente às pessoas que andam a


pé?
Existe uma incompatibilidade fundamental entre o passeio pedestre e os passeios
motorizados.
Consoante os países, a coexistência com os caçadores também pode ser delicada. A
única solução reside então na concertação com os caçadores e eventualmente na
restrição do acesso às zonas dos itinerários mais expostas nos períodos de caça.

A coabitação entre caminhantes e cavaleiros ou ciclistas de BTT pode provocar riscos


de acidentes, com maior ou menor gravidade consoante a intensidade de frequência
dos trilhos e de acordo com a natureza do relevo.

Pelo contrário, pontualmente podem ser apreciados itinerários multifunções pela sua
animação e pelas possibilidades de encontros entre praticantes.

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A realização dos itinerários
De um modo geral, o itinerário recorrerá a caminhos já existentes. É raro um itinerário
de passeio pedestre exigir a criação de um trilho a partir do zero, salvo se existirem
condições ou restrições excecionais: necessidade de ligar dois troços ou dois caminhos
já existentes; desaparecimento físico do caminho de origem devido à ação humana
(alcatroamento ou lavra do caminho) ou por razões naturais (deslizamento de
terrenos).

No entanto, serão necessárias frequentemente obras de arranjo do caminho para o


adaptar à prática do passeio pedestre:
 Limpeza de silvas ou poda de árvores;
 Reforço do piso do caminho;
 Drenagem;
 Empedramentos;
 Reparação de muros;
 Realização de obras de transposição de cursos de água ou de estradas.

Outros equipamentos completarão eventualmente as obras de adaptação do caminho:


 Criação de uma zona de estacionamento no ponto de partida do caminho (deve
ser facilmente acessível e não provocar incómodos à vizinhança nem
representar uma fonte de danos ambientais);
 Instalação de caixotes de lixo;
 Arranjo de zonas de piquenique;
 Instalação de dispositivos de transposição de vedações.

A sinalética
A balizagem é indispensável, exceto no caso de uma oferta baseada exclusivamente
em passeios acompanhados.

São possíveis várias formas de balizagem:


 Marcas de tinta colocadas em suportes disponíveis no terreno (árvores, rochas,
postes); é este o tipo de balizagem mais frequente;
 Pictogramas ou figuras de cor e em plástico colocados em postes;
 Simples montes de pedras.

O mais importante e mais problemático é definir previamente um mapa de balizagem à


escala de um território. Sem um mapa corre-se o risco de multiplicação de balizas de
todas as formas e todas as cores, que ao fim de algum tempo se tornarão
incompreensíveis para o utilizador.

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Este risco de proliferação é ainda acentuado pelo facto de outras atividades também
colocarem as suas próprias balizas: BTT, passeio equestre.

A sinalética direcional, muito presente na Suíça e na Áustria, pode constituir uma


alternativa à balizagem. O princípio consiste em colocar nos cruzamentos de caminhos
flechas com a indicação da denominação tradicional dos locais seguintes e respetiva
distância, bem como nas estradas. Este sistema evita a sobreposição de balizagens. No
entanto, é difícil de instalar e é bastante caro.

A balizagem pode ser completada por outras sinaléticas, sobretudo um painel colocado
à partida dos itinerários com um plano geral do circuito, o código de balizagem, a
duração e a distância, as regras a respeitar, as informações turísticas, etc.

A conservação dos caminhos


A conservação dos caminhos é indispensável para assegurar a continuidade do
itinerário e para oferecer um bom produto aos praticantes.

Intervenções regulares e/ou sazonais permitem combater a invasão de silvas e de


mato, verificar o estado do caminho, substituir as balizas em falta ou estragadas, etc.

Nos países onde a prática do passeio pedestre está bem implantada, o sector
associativo assegura tradicionalmente uma certa conservação. Mas em princípio a
conservação desta infraestrutura turística compete às autarquias locais, que podem
eventualmente ser auxiliadas pelas entidades administrativas superiores (distritos,
regiões, etc.). As obras de conservação dos caminhos são integradas frequentemente
nos dispositivos de inserção social ou de ajuda para o regresso ao emprego.

Custos do arranjo e conservação de um caminho


Não faz qualquer sentido citar valores, nem que seja uma ordem de grandeza do custo
dos arranjos, uma vez que as variáveis induzem grandes diferenças, até num mesmo
país.

O mais que se pode fazer é invocar os principais fatores que têm algum peso na
formação dos custos:
 O estado inicial da via que será utilizada pelo itinerário – um caminho que
desapareceu e que é preciso criar de novo ou um caminho muito estragado
pela erosão exige mais obras;

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 A localização do itinerário – os trilhos de montanha ou em zonas suburbanas
são muito dispendiosos por razões obviamente diferentes. Podem citar-se no
primeiro caso as dificuldades de transporte (os materiais têm muitas vezes de
ser transportados às costas de homens, ou mesmo de helicóptero) ou a
importância dos arranjos necessários para garantir a segurança, por exemplo,
de uma passagem delicada, etc.; nas zonas suburbanas (criação de uma obra
de transposição de uma estrada, instalação de uma sinalética reforçada);
 O modo de realização das obras – a intervenção de voluntários do meio
associativo reduzirá os custos diretos; o custo das obras realizadas diretamente
pelas autarquias nem sempre é objeto de uma contabilidade analítica
exaustiva.

Os custos de manutenção também sofrem grandes variações. Como a mão-de-obra


constitui frequentemente a rubrica principal das despesas de conservação, pode ser
relevante raciocinar em termos de tempo de trabalho necessário.

O alojamento
Aparentemente estranho à atividade, o alojamento ocupa um lugar importante no
produto turístico “passeio pedestre”.

Para o cliente, o alojamento, para além do descanso, é também um lugar de


sociabilidade, através dos encontros e intercâmbios com os outros residentes, bem
como uma fonte preciosa de informação sobre a região.

Se nalguns países existem alojamentos dedicados especificamente aos caminhantes


(os refúgios ou abrigos de etapa), essa situação está longe de ser norma. Pelo
contrário, independentemente do tipo de estruturas de acolhimento, as mesmas
devem propor prestações* que dêem resposta às necessidades específicas dos
praticantes de passeios pedestres.

As suas expectativas estão associadas ao seu gosto pelo passeio pedestre, mas
também à sua curiosidade e procura de autenticidade. Sabe-se também que essas
expectativas variam segundo as nacionalidades: os alemães são considerados muito
meticulosos em matéria de limpeza das instalações e sensíveis às formas de habitat
tradicional, os britânicos são exigentes em relação à qualidade dos serviços. As

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clientelas do norte da Europa também têm fortes expectativas no que se refere à
gestão ambiental dos estabelecimentos.

O alojamento ideal deverá portanto oferecer:


 Instalações adaptadas, com possibilidades de limpar e secar os equipamentos
dos caminhantes;
 Um acolhimento e uma disponibilidade específicos;
 Uma capacidade de informação sobre os itinerários e a região;
 Documentação sobre a região e o seu património;
 Refeições fartas e que valorizem os produtos da região;
 Um pequeno-almoço rico e nutritivo;
 A possibilidade de fornecer um cesto de piquenique para a refeição do meio-
dia.

Praticamente todos os planos de desenvolvimento do turismo de passeio pedestre


incluem um dispositivo de melhoramento das estruturas de alojamento. Nalguns casos,
a concessão de apoios financeiros é subordinada à participação do prestador em ações
de formação ou a compromissos sobre a qualidade das prestações.

Atualmente, a procura tem menos a ver com a categoria do alojamento do que com a
qualidade. O caminhante procura agora mais conforto e mais serviços (restauração e
outros serviços).

A frequência de estalagens e restaurantes ao longo do passeio está longe de ser


sistemática. É aos prestadores situados perto dos itinerários que cabe adaptarem-se
para atrair esta parte de clientela. Existe nos caminhantes uma grande expectativa de
“autenticidade” no que se refere à sua refeição. Não se deve propor uma refeição
vulgar, sendo preferível propor refeições específicas da região.

Podem ser propostos outros serviços aos caminhantes:


 A transferência para regressar ao ponto de partida;
 O encaminhamento das bagagens;
 O transporte para a estação.

Estes serviços estão a desenvolver-se, mas continuam a ser consumidos


essencialmente no quadro de produtos com tudo incluído.

O acompanhamento dos caminhantes

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O acompanhamento dos caminhantes constitui uma prestação de serviços muito
específica, consumida no quadro de produtos com tudo incluído ou em saídas de um
dia. Da sua qualidade depende grande parte da satisfação do caminhante.

A formação dos guias constitui por isso uma vertente importante de um plano de
desenvolvimento do turismo de passeio pedestre.

As competências exigidas para acompanhar um grupo de caminhantes implicam


numerosos domínios. Nas saídas temáticas de um dia deve ser privilegiado o
conhecimento da região e do património ou o domínio do assunto tratado.

No caso de produtos completos em que o acompanhante está sempre com o grupo, a


missão do acompanhante tem a ver ao mesmo tempo com a orientação no terreno, a
logística e a animação. Se é verdade que é preciso possuir as competências técnicas e
o conhecimento do terreno, o mais importante é a capacidade de relacionamento
necessária à animação e gestão de um grupo e por vezes para se ocupar de pessoas
em situação de aflição (cansaço, stress, afastamento de casa, etc.).

Quem pode acompanhar os caminhantes?


A regulamentação varia muito consoante os países: alguns exigem diplomas oficiais,
outros não e outros introduzem distinções de acordo com a natureza do terreno onde
se desenrola a atividade.

Sendo o passeio pedestre muitas vezes “filho” do alpinismo, o enquadramento dos


caminhantes continua por vezes reservado aos guias de montanha.

Como é evidente, a livre circulação dos profissionais instituída teoricamente no interior


da União Europeia ainda se defronta com a especificidade dos diplomas nacionais.

5.5. – A informação e a promoção

Tal como para qualquer outro produto, a informação e a promoção são duas ações
essenciais para a comercialização do turismo de passeio pedestre.

A informação
A informação em suporte papel

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Fichas, brochuras, folhas de papel fotocopiadas, verdadeiros guias...: as ambições e a
forma dos documentos de informação diferem em função dos objetivos e dos
orçamentos disponíveis.

O conceito de base é a descrição do itinerário. Deve ser simples e compreensível para


um caminhante neófito, que não saiba consultar um mapa nem situar os pontos
cardeais no terreno. A falta de clareza será ainda pior no caso dos passeios em
liberdade*, em que a descrição do itinerário é suposto colmatar a ausência de
acompanhante.

Uma última precaução: testar o guia do percurso


No âmbito da criação de passeios pedestres em liberdade, na Sardenha, foram
tomadas todas as precauções. Assim, o guia local foi encarregado de seguir, a alguma
distância, os primeiros clientes para verificar a correção da sinalização e das
informações fornecidas no desdobrável que descrevia o itinerário.

O texto será apoiado pela representação gráfica do itinerário, num mapa ou num
esboço simplificado. A descrição é acompanhada por informações de base: duração do
percurso, distância a percorrer, nível de dificuldade, eventuais precauções exigidas,
etc.

Alguns guias mais sofisticados incluirão, além das informações sobre a região
percorrida, a fauna e a flora, os monumentos que se avistam, etc. Por último, o guia
do percurso pode aproximar-se do guia turístico, fornecendo informações de natureza
turística sobre os alojamentos, os meios de transporte, etc.

Seria imperdoável ter apenas em conta o aspeto funcional do guia: disponível nas
livrarias e nos pontos de venda, trata-se também de um instrumento de promoção,
uma montra da oferta de passeios terrestres na região.

Quem publica e quem paga o guia do percurso?


Raramente a publicação de um guia do percurso é lucrativa, com exceção dos que se
referem a destinos e itinerários muito procurados, que não têm necessidade de um
plano de desenvolvimento. Por conseguinte, é pouco provável que um editor assuma o
risco financeiro.

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A edição será então assegurada e financiada pela estrutura encarregada do
desenvolvimento do turismo de passeio (é o caso de numerosos grupos LEADER). A
edição também pode ser confiada a um editor privado (que terá a vantagem da
experiência no que se refere à distribuição da obra), mas mediante o pagamento de
uma ajuda financeira.

A informação no terreno
Os balcões e os serviços de informação instalados no local têm um papel estratégico,
porque constituem muitas vezes a primeira fonte de informações, mesmo antes dos
guias de percurso. Devem poder informar corretamente os visitantes sobre os
itinerários, aconselhá-los adequadamente sobre a escolha de um itinerário, sobre o
estado dos trilhos, etc.

Para isso é indispensável um conhecimento mínimo do terreno. Algumas estruturas


turísticas organizam anualmente, no início da época, uma saída destinada aos
funcionários dos pontos de informação, a fim de os fazer descobrir um dos itinerários
de passeio pedestre. Também se podem associar a esta saída os fornecedores de
alojamento e as outras fontes informais de informação.

Os suportes multimédia
A utilização de suportes multimédia, CD-ROM e sítios Web está agora muito difundida.
Revelam-se um bom contributo pela flexibilidade da sua utilização, pela sua
interatividade, pela sua qualidade gráfica e pela importância das informações que
podem conter. No entanto, não podem substituir os documentos em papel e
funcionam por conseguinte como um complemento.
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A publicidade
As campanhas publicitárias relativas a um território integram cada vez mais os passeios
pedestres na sua imagem, com um efeito de atracão. Todavia, as campanhas
publicitárias consagradas especificamente a um produto de passeio são mais raras,
devido à importância do orçamento necessário.

Para uma campanha de publicidade, os planificadores de meios privilegiam em geral as


revistas especializadas, mais acessíveis e que visam um público específico. A imprensa
regional pode constituir um apoio eficaz se se pretende visar uma clientela de
proximidade.
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A promoção
A promoção através da imprensa demonstrou repetidas vezes a sua eficácia. Para além
da imprensa especializada e regional, a imprensa nacional pode estar interessada num
aspeto original do produto ou numa adaptação aos seus leitores. O recurso à
eletrónica é cada vez mais indicado.

Bibliografia

 AA VV. A valorização do turismo de passeio pedestre nos territórios rurais –


Guia pedagógico sobre a elaboração e execução de um projeto de passeio
pedestre - Programa LEADER+/ LEADER European Observatory. Coleção guias
metodológicos.
 AA VV., Avaliar o potencial turístico do território. Programa LEADER+/ LEADER
European Observatory. Coleção guias metodológicos.
 AA VV. Percursos pedestres: normas para implementação e marcação , Centro
de estudos e formação desportiva – Ministério da juventude e do desporto
 Ignarra, Luiz Renato, Fundamentos do Turismo, São Paulo, Ed. Thomson, 2003
 Prieto, Julia Gomes et al., Rutas y itinerarios turisticos en Espana , Madrid,
Editorial Sintesis, 1992
 Picazo, Carlos, Asistencia y Guía a grupos turísticos, Madrid, Editorial Sintesis,
1996

Webgrafia
 Turismo de Portugal
http://www.turismodeportugal.pt
 Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade
http://portal.icnb.pt/

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