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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA

MARILEY GONÇALVES BORGES

FITOFISIONOMIAS DO CERRADO E AS ÁREAS


POTENCIAIS DE OCORRÊNCIA DO PEQUIZEIRO
(CARYOCAR BRASILIENSE) E BURITIZEIRO (MAURITIA
FLEXUOSA) NO NORTE DE MINAS GERAIS

MONTES CLAROS - MG
2018
MARILEY GONÇALVES BORGES

FITOFISIONOMIAS DO CERRADO E AS ÁREAS POTENCIAIS


DE OCORRÊNCIA DO PEQUIZEIRO (CARYOCAR BRASILIENSE)
E BURITIZEIRO (MAURITIA FLEXUOSA) NO NORTE DE MINAS
GERAIS

Dissertação de mestrado apresentada ao


Programa de Pós-Graduação em Geografia -
PPGEO, da Universidade Estadual de
Montes Claros, como parte dos requisitos
para obtenção do título de Mestre em
Geografia.
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e
Meio Ambiente
Orientador: Marcos Esdras Leite

MONTES CLAROS - MG
2018
Borges, Mariley Gonçalves.
B732f Fitofisionomias do cerrado e as áreas potenciais de ocorrência do pequizeiro
(Caryocar Brasiliense) e buritizeiro (Mauritia Flexuosa) no Norte de Minas Gerais
[manuscrito] / Mariley Gonçalves Borges. – Montes Claros, 2018.
108 f. : il.

Bibliografia: f. 99-108.
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes,
Programa de Pós-Graduação em Geografia/PPGEO, 2018.
Defesa: 23/04/2018.

Orientador: Prof. Dr. Marcos Esdras Leite.

1. Cerrado. 2. Pequizeiro. 3. Buritizeiro. 4. Sensoriamento remoto. 5. Norte de


Minas Gerais. I. Leite, Marcos Esdras. II. Universidade Estadual de Montes Claros.
III. Título.

Catalogação: Biblioteca Central Professor Antônio Jorge


MARILEY GONÇALVES BORGES

FITOFISIONOMIAS DO CERRADO E AS ÁREAS POTENCIAIS


DE OCORRÊNCIA DO PEQUIZEIRO (CARYOCAR BRASILIENSE)
E BURITIZEIRO (MAURITIA FLEXUOSA) NO NORTE DE MINAS
GERAIS

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa


de Pós-Graduação em Geografia - PPGEO, da
Universidade Estadual de Montes Claros, como
parte dos requisitos para obtenção do título de
Mestre em Geografia.
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Meio
Ambiente

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________
Prof. Dr. Marcos Esdras Leite (Orientador)
Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

____________________________________________________
Prof. Drª. Maria Ivete Soares de Almeida
Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

____________________________________________________
Profª. Drª. Leidivan Almeida Frazão
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

MONTES CLAROS - MG
2018
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente a Deus e a todos aqueles que ajudaram em minha
trajetória, em especial à minha mãe Maria Aparecida .
AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da vida e por todas as bênçãos concedidas.

Aos meus pais (Maria Aparecida e Gercino) e irmãos (Marinete, Ronivon e Reginaldo)
pela confiança, zelo e apoio na realização deste sonho.

Ao Benvindo, à Maria, Cleuza, Eustáquio, Sandy e Emmyle pela hospitalidade no


início e durante minha trajetória acadêmica.

Ao Hérick, por sempre acreditar em minha capacidade, fazendo-me dar o melhor de


mim mesmo em momentos adversos. Pelo companheirismo e parceria, estímulos
incessantes e pelos momentos de ócio criativo.

Ao professor Dr. Marcos Esdras Leite pela oportunidade de ingresso no Laboratório de


Geoprocessamento da UNIMONTES, pela confiança, apoio e incentivos constantes,
assim como, pela orientação de mestrado.

À professora Yule Roberta Ferreira Nunes, pela implementação da bolsa de mestrado.

Ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) fomentado pelo


Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo auxílio
financeiro e pela bolsa de incentivo à pesquisa.

Ao Projeto Pró-Pequi fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de


Minas Gerais (FAPEMIG), pelo auxílio financeiro e pela oportunidade de estudar o
pequizeiro.

Ao Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Estadual de Montes Claros -


UNIMONTES, pela concessão das imagens WorldView-II do Norte de Minas Gerais e
pelo suporte técnico.

Ao Manoel, Jefferson, André, Raul, Riard e Matheus, colegas do Laboratório de


Geoprocessamento, pelo auxílio prestado e pelas contribuições efetivadas.

Às professoras Maria Ivete, Iara França, Ana Ivânia e ao professor Carlos Bortolo do
Programa de Pós-Graduação em Geografia - PPGEO/UNIMONTES, pelas disciplinas
ofertadas e pelas contribuições diretas e indiretas na realização deste trabalho.

Ao professor Dr. Expedito José Ferreira e à professora Drª. Leidivan Almeida Frazão
pelas contribuições efetuadas em banca de qualificação.

Ao Ederson, pelo incentivo, auxílio e parceria. E aos colegas do PPGEO/UNIMONTES,


em especial à Igor e Dione, pelos bons momentos compartilhados.

À Universidade Estadual de Montes Claros, pela oportunidade de ingresso no Programa


de Pós-Graduação em Geografia - PPGEO/UNIMONTES.
"[...] Mapas digitais não são feitos apenas para serem vistos e
sim para serem analisados exaustivamente, preferencialmente
por Geoprocessamento, isto é, buscando a informação neles
contida. Esta análise instrumentada permite ganhar, ordenada e
seguramente, conhecimentos documentados sobre a realidade
ambiental, segundo suas dimensões taxonômica, espacial e
temporal, ou seja, conhecimentos úteis e mesmo indispensáveis
para o apoio à decisão."

Jorge Xavier da Silva, 2017.


RESUMO

Monitorar áreas com potencialidade de ocorrência do pequizeiro e buritizeiro é


importante para definir políticas públicas de conservação ambiental e, ao mesmo tempo,
ações de desenvolvimento social. Para identificação destas espécies vegetais é
imprescindível o mapeamento das fitofisionomias do Cerrado, visto que apresentam
características particulares e são classificadas de acordo com os estratos vegetais.
Partindo deste pressuposto, as técnicas de sensoriamento remoto são ferramentas que
permitem identificar as características espectrais, espaciais e temporais de cada
fitofisionomia do Cerrado e uso antrópico presente nesse bioma, tornando possível
constatar as alterações na paisagem dos Cerrados ao longo do tempo. Assim sendo, o
objetivo deste trabalho foi mapear as fitofisionomias do Cerrado e as áreas de
ocorrência de pequizeiro e de buritizeiro no Norte de Minas Gerais, usando as técnicas
de sensoriamento remoto. Este trabalho justifica-se pela necessidade de monitorar esse
ecossistema, uma vez que, apresenta espécies vegetais que são endêmicas do Cerrado e
com o crescimento do desmatamento, há risco de sua extinção. A metodologia utilizada
consistiu em uma classificação supervisionada, usando classificadores como o Máxima
Verossimilhança (Maxver) e a Árvore de Decisão, além de condições de bandas
isoladas e vetorização de imagens, ambos foram realizados em softwares de
geoprocessamento, tais como o ARC GIS 10.2 e ENVI 5.3. Como resultado, gerou-se o
mapeamento sistemático das fitofisionomias do Cerrado, a identificação das áreas
naturais e antrópicas, as áreas com potenciais de ocorrência do pequizeiro e do
buritizeiro e o uso e cobertura do solo dos anos de 1986, 1999 e 2015 no Norte de
Minas Gerais. Constata-se neste trabalho, que a criação de Unidades de Conservação
apresenta contribuições significativas frente ao desmatamento das áreas naturais,
entretanto, outras medidas de conservação devem ser criadas e estabelecidas, tais como
a criação de Corredores Ecológicos, Áreas de Preservação Permanente e programas de
apoio ao extrativismo vegetal, pois os diversos cultivos têm-se realocado na região.
Sobre a ocorrência de espécies vegetais como o pequizeiro e o buritizeiro, o pequizeiro
é encontrado em fitofisionomias como o Cerrado sentido restrito, o Cerradão e em
pastos com presença de árvores. Quanto ao buritizeiro, este é encontrado em áreas de
Veredas e Campo Limpo. Os municípios de Bonito de Minas e Januária merecem
destaque como os municípios com maior potencialidade de ocorrência destas duas
espécies no Norte de Minas Gerais. As áreas aplainadas, com solos argilosos e arenosos
são as principais características para local destas espécies vegetais.

Palavras-chave: Cerrado, Pequizeiro, Buritizeiro, Sensoriamento Remoto.


ABSTRACT

Monitoring areas with potential occurrence of pequizeiro and buritizeiro is important to


define public policies of environmental conservation and, at the same time, actions of
social development. In order to identify these plant species, it is essential mapping of
the Cerrado phytophysiognomies, since they have particular characteristics and are
classified according to the vegetal strata. Based on this assumption, remote sensing
techniques are tools, that allow you to identify the spectral, spatial and temporal
characteristics of each Cerrado phytophysiognomy and anthropic use present in this
biome, making it possible to verify changes in Cerrado landscape over time. Therefore,
the objective of this work was to map the phytophysiognomies of the Cerrado and the
areas of occurrence of pequizeiro and buritizeiro in the North of Minas Gerais, using
remote sensing techniques. This work is justified by the need to monitor this ecosystem,
since there are plant species that are endemic to the Cerrado and with the growth of
deforestation, there is a risk of extinction. The methodology used consisted of a
supervised classification, using classifiers such as Maximum Likelihood (Maxver) and
Decision Tree, in addition to isolated band conditions and vectorization of images, both
were performed in geoprocessing software such as ARC GIS 10.2 and ENVI 5.3. As a
result, the systematic mapping of Cerrado phytophysiognomies, the identification of
natural and anthropic areas, areas with potential occurrence of pequizeiro and
buritizeiro, and land use and cover of the years 1986, 1999 and 2015 for the North of
Minas Gerais. It is observed in this work, that the creation of Conservation Units
presents significant contributions to the deforestation of natural areas; however, other
conservation measures should be created and established, such as the creation of
Ecological Corridors, Permanent Preservation Areas and support programs to plant
extractivism, because the diverse cultures have been reallocated in the region.
Regarding the occurrence of vegetal species such as pequizeiro and buritizeiro,
pequizeiro is found in phytophysiognomies such as the restricted sense Cerrado, the
Cerradão and in pastures with trees. About the buritizeiro, this is found in areas of
Veredas and Campo Limpo. The municipalities of Bonito de Minas and Januária
deserve to be highlighted as the municipalities with the greatest potential of occurrence
of these two species in the North of Minas Gerais. The planed areas, with clayey and
sandy soils are the main characteristics for the location of these plant species.

Key words: Cerrado, Pequizeiro, Buritizeiro, Remote Sensing.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Unidades de Conservação (UCs) no Brasil......................................................9


Figura 2: Fitofisionomias do Bioma Cerrado.................................................................11
Figura 3: Espécie de Pequizeiro (Caryocar brasiliense) no Norte de Minas Gerais.....15
Figura 4: Estados Brasileiros Produtores de Pequi e os Tipos de Solos com Maior
Ocorrência da Espécie.....................................................................................................17
Figura 5: O Buritizeiro (Mauritia flexuosa) no Contexto das Veredas do Município de
Januária - MG..................................................................................................................20
Figura 6: Mapeamento Semidetalhado do Uso da Terra em Área de Cerrado..............26
Figura 7: Localização Geográfica do Norte de Minas - MG..........................................29
Figura 8: Fluxograma dos Procedimentos Metodológicos.............................................32
Figura 9: Máscaras dos Usos do Solo do Norte de Minas Gerais..................................38
Figura 10: Esquematização da Classificação do Uso e Cobertura do Solo em 2015.....41
Figura 11: Imagens Landsat 8 e WorldView-II de Áreas de Veredas do Norte de Minas
Gerais...............................................................................................................................42
Figura 12: Áreas Naturais e Antrópicas do Norte de Minas - Ano 2014 e 2015...........49
Figura 13: Fitofisionomias do Cerrado no Norte de Minas Gerais................................52
Figura 14: Área Potencial de Ocorrência do Pequizeiro no Norte de Minas Gerais......63
Figura 15: Área Potencial de Ocorrência do Buritizeiro no Norte de Minas Gerais.....68
Figura 16: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - Ano 1986.................71
Figura 17: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - Ano 1999.................74
Figura 18: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - Ano 2015.................78
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: PEVS - Quantidade Produzida na Extração Vegetal no Brasil.......................12


Tabela 2: Chave de Interpretação do Uso do Solo no Norte de Minas Gerais...............36
Tabela 3: Pacote de Imagens de Satélite Obtidas do Norte de Minas Gerais.................43
Tabela 4: Fitofisionomias do Cerrado por Municípios do Norte de Minas em km².......56
Tabela 5: Potencial Ocorrência de Pequizeiro por Município do Norte de Minas Gerais
em km².............................................................................................................................65
Tabela 6: Potencial Ocorrência de Buritizeiro no Norte de Minas Gerais em km²........67
Tabela 7: Uso e Cobertura do Solo do Norte de Minas Gerais - Anos 1986, 1999 e
2015.................................................................................................................................80
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

APA - Área de Proteção Ambiental


APP - Área de Preservação Permanente
CBERS - Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres
CCD - Câmara Imageadora de Alta Resolução
CMMA - Conselho Municipal de Meio Ambiente
CODEVASF - Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento
CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
ESRI - Environmental Systems Research Institute
ETM - Enhanced Thematic Mapper
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IEF - Instituto Estadual de Florestas
INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IR-MSS - Varredor Multiespectral Infravermelho
IRS - Imageador Multiespectral e Termal
HRC - High Resolution Panchromatic Camera
LAI - Leaf Area Index
MAXVER - Máxima Verossimilança
MDE - Modelo Digital de Elevação
MIR - Middle Infra-Red
MMA - Ministério do Meio Ambiente
MODIS -Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer
MSS - Multi-spectral Scanner System
NASA - National Aeronautics and Space Administration
NDVI - Normalized Difference Vegetation Index
NIR - Near Infra-Red
OLI - Operational Land Imager
PAA - Programa de Aquisição de Alimentos
PADAP - Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba
PAN - Pancromática
PCA - Análise de Componentes Principais
PEC - Proposta de Emenda Constitucional
PEVS - Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura
PFM - Produtos Florestais Madeireiros
PFNMs - Produtos Florestais Não-Madeireiros
PMDBBS - Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por
Satélite
PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
POLOCENTRO - Programa de Desenvolvimento dos Cerrados
PPCerrado - Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das
Queimadas do Bioma Cerrado
PRODECER - Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos
Cerrados
PRONAF - Programa de Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
RBV - Ray Beam Vidicom
RESEX - Reserva Extrativista
SAVI - Soil-Adjusted Vegetation Index
SNCR - Sistema Nacional de Crédito Rural
SRTM - Shuttle Radar Topography Mission
THIRS - Thermal Infrared Sensor
TM - Thematic Mapper
UCs - Unidades de Conservação
UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros
USGS - United States Geological Survey
WFI - Imageador de Visada Larga
μm - Micrômetro
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................................1
1. REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................3
1.1 Características gerais do Cerrado e seu processo de ocupação...................................3
1.2 O contexto da agricultura em áreas de Cerrado...........................................................5
1.3 A paisagem dos Cerrados na perspectiva geográfica..................................................7
1.4 Conceito de bioma e fitofisionomia do Cerrado........................................................10
1.5 Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNMs) no Brasil........................................11
1.6 Aspectos ecológicos e socioambientais do pequizeiro (Caryocar brasiliense)........14
1.7 Contribuições socioambientais do buritizeiro (Mauritia flexuosa) e seus aspectos
ecológicos........................................................................................................................19
1.8 Sensoriamento remoto aplicado a análise ambiental.................................................22
2. MATERIAIS E MÉTODOS.....................................................................................28
2.1 Caracterização da área de estudo...............................................................................28
2.2 Procedimentos metodológicos...................................................................................31
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO...............................................................................47
3.1Áreas naturais e antrópicas do Norte de Minas Gerais...............................................47
3.2 Fitofisionomias do Cerrado no Norte de Minas Gerais............................................ 50
3.3 Potencial ocorrência de pequizeiro no Norte de Minas Gerais.................................62
3.4 Potencial ocorrência de buritizeiro no Norte de Minas Gerais..................................66
3.5 Mapeamento sistemático de uso e cobertura do solo no Norte de Minas Gerais......69
3.6 Implicações das ações antrópicas sobre as potenciais áreas de ocorrência do
pequizeiro e buritizeiro no Norte de Minas Gerais e a questão do extrativismo.............81
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................84
REFERÊNCIAS.............................................................................................................86
INTRODUÇÃO

Localizado no Planalto Central Brasileiro, o Cerrado é o segundo bioma


brasileiro de maior extensão em área (2.189.169,62 km²), somente ultrapassado pela
Floresta Amazônica (KLING e MACHADO, 2005; RIBEIRO e WALTER, 1998).
Abrange os estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Goiás, Tocantins, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Paraná, Maranhão, Piauí e o Distrito Federal (IBGE, 2004; SANO
et al. 2008). No estado de Minas Gerais, aproximadamente 368.398,44 km² (56%) de
seu território é composto pelo bioma Cerrado (IBGE, 2004). Além do Brasil, autores
como Ratter, Ribeiro e Bridgewater (1997) mencionam a existência de áreas de Cerrado
em outros países da América do Sul, tais como Venezuela, Bolívia e Paraguai.
O Cerrado é considerado o bioma brasileiro mais rico em biodiversidade devido as
suas particularidades vegetais e ao seu ecótono com a Mata Atlântica, a Floresta
Amazônica, o Pantanal e a Caatinga (SAWYER, 2002). Além da diversidade da fauna e
da flora, Silva (2011) ressalta que as áreas de Cerrado apresentam também destaque
social. Apresenta uma riqueza hídrica conforme mencionada por Sawyer (2002), uma
vez que a região compreende afluentes da bacia hidrográfica do rio São Francisco,
Paraná e Amazonas.
Não obstante ser considerada uma área com elevada biodiversidade, o Cerrado
não é reconhecido por lei como Patrimônio Nacional da Constituição Federal, não
apresenta uma rede de monitoramento eficiente e atenção necessária às populações
tradicionais (AGUIAR et al. 2016).
O desmatamento das áreas naturais para a implantação de pastagens e do cultivo
de grãos é considerado uma problemática para as áreas de Cerrado, prova disso é que
até o ano de 2011 aproximadamente 48,89% do bioma Cerrado foi desmatado. Somente
no estado de Minas Gerais em 2011 houve um desmatamento de 0,21% (MMA, 2015).
Nesse sentido, para efeito de monitoramento das áreas naturais, as técnicas de
sensoriamento remoto são ferramentas valiosas, pois através delas podemos identificar e
delimitar os elementos da superfície, de maneira rápida, prática e eficaz. Partindo desse
pressuposto, é importante a realização de estudos que disponham de maior nível de
detalhamento dos mapeamentos, para efeito de um monitoramento mais eficaz do
Cerrado, e de suas espécies vegetais endêmicas, tais como o pequizeiro (Caryocar
brasiliense) e o buritizeiro (Mauritia flexuosa).

1
Estas duas espécies vegetais apresentam contribuições econômicas, sociais,
culturais e ambientais através do extrativismo racional e sustentável de seu fruto, o
pequi e o buriti, e ao mesmo tempo contribui na conservação do Cerrado. No estado de
Minas Gerais, por exemplo, estas espécies são protegidas por leis e vetadas de corte,
destarte como explícito na Lei nº 10.883 de 02 de outubro de 1992, na Lei nº 20.308 de
27 de julho de 2012 e na Lei nº 13.635 de 12 de julho de 2000. Além de vetar o corte,
estas leis restringem a supressão do pequizeiro e buritizeiro em Minas Gerais, onde
somente o Instituto Estadual de Florestas (IEF) pode autorizar as exceções.
Entretanto, mesmo com a existência de legislações que visam conservar as áreas
de ocorrência de pequizeiro e buritizeiro, o aumento do desmatamento para implantação
de pastagens, cultivos agrícolas e a silvicultura têm crescido na região. Por isso, o
objetivo deste trabalho é analisar por meio das técnicas de sensoriamento remoto, a
ocorrência das fitofisionomias do Cerrado e as áreas com potencialidade de pequizeiro e
de buritizeiro na mesorregião Norte de Minas Gerais. Esta pesquisa justifica-se pela
necessidade de monitorar esse ecossistema, que apresenta desmatamento provocado
pela expansão das atividades agrícolas. Com isso, espécies vegetais endêmicas do
Cerrado são suprimidas, gerando risco de extinção.
Assim sendo, o mapeamento proposto visa atingir três objetivos específicos.
Primeiramente, pretende-se delimitar as fitofisionomias do Cerrado presentes no Norte
de Minas Gerais, destacando sua distribuição espacial perante os municípios e suas
características altimétricas, litológicas, pedológicas e geomorfológicas de cada
fitofisionomia. O segundo objetivo visa identificar as áreas com potenciais de
pequizeiro e buritizeiro, evidenciando as características físicas de sua área de ocorrência
e suas contribuições sociais através da extração racional de seus frutos. O terceiro
objetivo é analisar o uso e cobertura do solo nos anos de 1986, 1999 e 2015
determinando as fitofisionomias do Cerrado mais desmatadas e suas implicações nas
potenciais áreas de ocorrência do pequizeiro e buritizeiro da região.

2
1. REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 Características gerais do Cerrado e seu processo de ocupação

A primeira definição de Cerrado é datada de 1908 com Warming, em que o


Cerrado é destacado como uma vegetação xerófita, que se divide em diferentes
fisionomias (SILVA, 2000). Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
(2004) define o Cerrado como uma vegetação xeromórfica, de estações definidas
(inverno e verão), também, considerado como savana1.
Dentre as características do Cerrado, pode-se citar o clima tropical chuvoso (Aw
de Köppen) e chuvas concentradas de outubro a março (RIBEIRO e WALTER, 1998;
BASTOS e FERREIRA, 2010). Normalmente os solos do Cerrado são de baixa
fertilidade (EITEN, 1978) e apresentam grande concentração de alumínio e ferro.
Em uma constatação realizada por Ab’Sáber (2003) das áreas de Cerrado
referindo-se a 20.000 anos atrás, concluiu-se que os solos pedregosos que temos em
áreas de Cerrado, são resultantes da fragmentação de diques e quartzos e que através do
lençol freático esse material foi carreado e fez com que criasse uma área homogênea.
Outras constatações realizadas pelo mesmo autor foram que as áreas de Cerrado
são do Quaternário2 e que a sua área de ocorrência era menor. Além do mais, as áreas
correspondentes à região de Brasília e às Depressões do Urucuia já foram áreas com
fragmentos de Caatinga, assim também como nas proximidades de Belo Horizonte.
Em áreas de Cerrado predominam solos do tipo Latossolos, há uma rica
hidrografia e possui diversas paisagens devido à litologia existente nestas áreas. Esta
cobertura vegetal possui resistência e adaptabilidade a solos de poucos nutrientes
(AB’SÁBER, 2003).
Embora o Cerrado apresente uma concentração de biodiversidade e seja
considerado como sumidouro de carbono (RATTER, RIBEIRO e BRIDGEWATER,
1997) é também avaliado como o mais passível de supressão (ANGELO et al. 2012). A
ampliação das áreas de agricultura e pecuária, queimadas, uso intensivo do solo, são
alguns exemplos citados por Nepstad et al. (1997) como ameaça à diversidade biológica
desse bioma.

1
Vide o Manual Técnico de Vegetação Brasileira, disponibilizado pelo IBGE (2012).
2
Período da Era Cenozóica que teve início a aproximadamente 11.000 anos atrás, apresenta como
principal característica a ocorrência da glaciação (IBGE, 2004).

3
Estas mudanças do uso da terra em áreas de Cerrado têm ocorrido desde o
processo de ocupação com as Entradas e Bandeiras3 paulistas e intensificou-se através
da exploração aurífera (SILVA, 2000). Com o declínio do ouro, a criação de gado
ganhou destaque na região centro-oeste do país, e esta atividade foi intensificada a partir
da década de 1930 com a criação da ferrovia que interliga São Paulo a Anápolis, em
Goiás (AFONSO, 2012).
Deflagrada a partir de 1930, a Era Vargas também contribuiu na história da
ocupação do bioma Cerrado no Brasil, uma vez que através do projeto “Marcha para o
Oeste” estabeleceu incentivos à migração da população para o Centro-Oeste do Brasil,
assim também como o processo de industrialização (MELO, 2013). Outro fator que
contribuiu para a reestruturação do Cerrado foi a política de incentivos agrícolas através
do fornecimento de crédito rural, seguro agrícola e investimentos públicos, criado em
meados de 1960.
O Sistema Nacional de Crédito Rural – SNCR instituído pela Lei nº 4.829 de 5
de Novembro de 1965, foi primordial na mudança de uso e cobertura do solo do
Cerrado. Essa lei tinha como propósito aumentar a produtividade da zona rural dos
pequenos e médios produtores, reduzir o custo de produção dos produtos agropecuários,
fortalecer a economia rural, dentre outros. Além do crédito rural, Toledo (2006)
acrescenta a ampliação das rodovias do território nacional e a criação de Brasília na
reestruturação das áreas de Cerrado.
Outro evento importante para o processo de ocupação do Cerrado foi a
Revolução Verde, que teve como objetivo a modernização da agricultura e
consequentemente o aumento da produção agrícola, em especial para a produção de
grãos como a soja (CARVALHO, 2007).
A modernização agrícola, considerada como a mudança mais significativa dos
Cerrados (MELO, 2013), contribuiu para a concentração fundiária, pois, na maioria das
vezes, os trabalhadores rurais foram retirados de suas propriedades e as terras foram
ocupadas por grandes proprietários e/ou por grileiros4 (MAGNOLI e ARAÚJO, 1996).
Após a década de 1970, programas agrícolas como o Programa de
Desenvolvimento dos Cerrados – POLOCENTRO, Programa de Cooperação Nipo-
Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados – PRODECER e o Programa de

3
Expedições controladas pela Coroa Portuguesa a fim de dominar novos territórios .
4
Posse de terras por meio de documentos ilegais.

4
Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba – PADAP, integrado aos incentivos estatais,
colaboraram na reorganização espacial do Cerrado no Brasil (PIRES, 2000).
O PADAP foi estabelecido em 1973 no estado de Minas Gerais, com o propósito
de colaborar no povoamento das áreas de Cerrado no Triângulo Mineiro. Instituído pelo
Decreto nº 75.320 de 29 de janeiro de 1975, o POLOCENTRO tinha como finalidade a
modernização da agricultura e da pecuária do oeste de Minas Gerais e do Centro-oeste
do Brasil. Quanto ao PRODECER, este foi criado em meados de 1979 a partir da
cooperação entre o governo brasileiro e japonês, que tinha como objetivo expandir as
áreas agrícolas existentes no Cerrado brasileiro, conforme ressalta Afonso (2012).
A partir dos anos de 1990 houve redução do fornecimento do crédito rural,
entretanto, outras medidas foram implementadas para efeito de subsidiar a expansão
agrícola em áreas de Cerrado. Dentre as medidas estabelecidas pelo Estado, têm-se
financiamentos com baixa taxa de juros, ampliação da quantidade de parcelas para
pagamento do déficit, dentre outros (MATOS e PESSÔA, 2011) .

1.2 O contexto da agricultura em áreas de Cerrado

Programas agrícolas como o PADAP, POLOCENTRO e o PRODECER foram


importantes, pois contribuíram ainda mais na modernização da agricultura. Nesse
sentido, a acidez do solo e a ausência de nutrientes que eram consideradas como as
principais limitações do Cerrado, não impossibilitavam mais o desenvolvimento da
agricultura nessas áreas. Entretanto, Gobbi (2004) afirma que esses programas agrícolas
beneficiaram especificamente o médio e o grande produtor rural.
A afirmação de Gobbi (2004) pode ser fundamentada por Sawyer (2002) quando
destaca que as áreas do Cerrado que estão mais desmatadas não estão localizadas em
locais com alta densidade demográfica, ou seja, a maior taxa de desmatamento ocorre
devido à pecuária extensiva e às grandes áreas de cultivo agrícola. Além das
modificações causadas no uso e cobertura da terra, houve também mudanças estruturais
na região, dentre elas temos o êxodo rural, o crescimento das áreas urbanas e a
concentração de terras. Melo (2013) revela que estas modificações afetaram a
disponibilização de energia elétrica, o volume pluviométrico e as condições climáticas.
Assim sendo, pode-se afirmar que a ocupação agrícola em área de Cerrado está
relacionada ao baixo preço das terras, que por sua vez, está totalmente associado a sua
localização perante o mercado consumidor (REZENDE, 2003). Magnoli e Araújo

5
(1996) associam o baixo preço das terras às mudanças da economia, uma vez que, as
áreas com maior industrialização e urbanização serão mais atrativas e consequentemente
o preço da terra será maior.
Desta forma, as áreas localizadas longe do mercado consumidor, de áreas
urbanas e áreas com baixa industrialização são ocupadas pela atividade agropecuária.
Todavia, Ab’Sáber (2003) ressaltou que a ocupação dos solos do Cerrado pela
agricultura, pecuária e pelas monoculturas, tornaram também esses espaços
improdutivos e degradados, no entanto, esse processo intensificou-se após os anos
2000.
Conforme dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas
Brasileiros por Satélite (PMDBBS) (2015) as áreas desmatadas no bioma Cerrado entre
o período de 2002 a 2008 foi de 85.074 km², entre os anos de 2008 a 2009 houve um
total de 7.637 km², entre 2009 a 2010 houve cerca de 6.469 km² e entre 2010 a 2011
houve aproximadamente 7.247 km² desmatados, totalizando uma área de 997.063 km²,
isto é, 48,89% do bioma Cerrado (MMA e IBAMA, 2015).
Sobre as áreas desmatadas que foram identificadas e mapeadas em 2011, estados
brasileiros como Maranhão (1.310,62 km²), Piauí (1.292,23 km²), Tocantins (1.160,61
km²), Bahia (1.002,97 km²), Mato Grosso (797,92 km²), Minas Gerais (720,56 km²) e
Goiás (640,67 km²) apresentaram as maiores áreas. Quanto aos municípios que tiveram
as maiores áreas desmatadas em 2011, temos Baixa Grande do Ribeiro (PI), Uruçuí (PI)
e Formosa do Rio Preto (BA) (MMA e IBAMA, 2015).
De acordo com o MMA, IBAMA e PNUD (2009) depois da Mata Atlântica, o
Cerrado pode ser considerado como o segundo bioma que teve as maiores mudanças em
sua estrutura devido às ações antrópicas, que ocorreram devido ao crescimento do
mercado da soja, da carne e da produção de carvão vegetal na região.
Walker et al. (2002) destacam que o desmatamento pode ser considerado um
grande problema das áreas tropicais e tem afetado diretamente a biodiversidade como
um todo. Outra constatação realizada pelos autores é que a alteração no ambiente
realizado pelo homem pode ser considerado como o principal agente de transformação
do meio natural.
Esta transformação do meio natural intensificou-se com o processo de
modernização da agricultura. Santos (2002) aponta que a modernização agrícola está
associada a inserção de técnicas no meio, pois o homem tem modificado o meio natural,
tornando-o um espaço mecanizado. Assim sendo, há uma dialética entre a modernização

6
agrícola dos Cerrados com a cultura regional devido às modificações na paisagem
natural (SANTOS, 2003).

1.3 A paisagem dos Cerrados na perspectiva geográfica

Dentro da perspectiva geográfica, o estudo da paisagem de acordo com Schier


(2003) está correlacionado ao positivismo (Escola Alemã), uma vez que era considerada
como materialidade do espaço integrado às ações antrópicas. Na Geografia Física, a
conceituação da paisagem por Humboldt e Ritter, era baseado na relação entre a
cobertura terrestre e a questão cultural da população, conforme aponta Vitte (2007).
Bertrand (2004) define a paisagem como um conjunto de elementos biológicos e
físicos, localizados em uma determinada área do espaço geográfico que se integram,
desenvolvem e evoluem. No entanto, Schier (2003) revela que as definições da
paisagem são pluralistas, sendo que fatores como a escala e tempo são considerados
fundamentais no estudo e compreensão da paisagem. Desta forma, pode-se destacar que
a paisagem encontra-se em permanente mutação e que apresenta interferências das
ações antrópicas.
Assim sendo, com a modificação da paisagem dos Cerrados, esta afetará também
a biodiversidade, consequentemente teremos mudanças no regime hidrológico, no
ecossistema e nas comunidades tradicionais decorrentes das reestruturações das áreas do
Cerrado. Para Pedroso (2004) essas modificações no ambiente seriam reduzidas caso
houvesse a efetivação de políticas públicas. Sawyer (2002) acrescenta também a
participação efetiva da população, que aconteceria através da assistência a órgãos
ambientais, adesão ao consumo sustentável, participação e desenvolvimento de
atividades que valorizam a cultura e a história da região, dentre outros.
A fim de contribuir na conservação do Cerrado, durante o Fórum Global
realizado no ano de 1992 foi criada a Rede Cerrado. O documento gerado tinha como
principal objetivo informar à população a ausência de políticas públicas no Cerrado,
reportar os impactos socioambientais e apresentar alternativas para controlar as taxas de
desmatamento no bioma, conforme apontado por Aguiar et al. (2016).
Desde o ano de 1995, foi proposta uma emenda constitucional (PEC) para efeito
de tornar o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais, desta forma, o Cerrado
poderia ser reconhecido e valorizado. No entanto, até o momento a PEC não foi

7
colocada em votação no congresso nacional, o mesmo fato ocorre com o projeto de lei
elaborado em 2015 que propõe conservar e realizar o uso sustentável do bioma Cerrado.
O Programa Iniciativa Cerrado Sustentável, criado em 2003 pelo Ministério do
Meio Ambiente, tinha como objetivo a criação de propostas, a fim de conservar as áreas
de Cerrado e realizar o uso sustentável do bioma, de maneira que o Cerrado fosse mais
valorizado (MMA, s/d). A partir da Iniciativa Cerrado Sustentável, projetos como
“Políticas para o Cerrado e Monitoramento do Bioma” foram desenvolvidos.
Em setembro de 2010, foi instituído o Plano de Ação para Prevenção e Controle
do Desmatamento e das Queimadas do Bioma Cerrado – PPCerrado, com a finalidade
de monitorar as áreas vegetadas, conservar a biodiversidade e incentivar o consumo
sustentável, tornando-se possível a redução da taxa de desmatamento existente no
bioma. Além dos objetivos citados, o PPCerrado atua na recuperação de áreas
degradadas, na conservação da hidrografia, na fiscalização das áreas de desmatamento,
no combate a incêndios florestais, no planejamento do território, dentre outros (MMA,
2010). No momento, o PPCerrado encontra-se na 3ª fase (2016-2020).
Como alternativa para a conservação da biodiversidade das áreas de Cerrado,
Sawyer (2002) destaca a criação de Unidades de Conservação, Corredores Ecológicos,
Reservas Legais, Áreas de Preservação Permanente e áreas de Reservas Indígenas,
integrados com o manejo sustentável dos recursos naturais.
A criação de Unidades de Conservação podem também estar correlacionadas ao
extrativismo vegetal, como exemplo, pode-se citar as contestações dos seringueiros do
Acre nos anos de 1990, criando a primeira Reserva Extrativista (RESEX Chico Mendes)
no Brasil (SILVA et al. 2016). A partir de então, houve aplicação de investimentos na
criação de Reservas Extrativistas. Deste modo, o extrativismo vegetal pode ser
considerado como inibidor do desmatamento (ALMEIDA et al. 1998; SILVA et al.
2016) pois, proporciona o desenvolvimento socioeconômico, visa o uso sustentável das
espécies vegetais e é uma alternativa para conservar a biodiversidade.
Diante do exposto, a Figura 1 apresenta a distribuição espacial das Unidades de
Conservação (UCs) no Brasil. De acordo com o IBGE (2016), há 285 Áreas de Proteção
Ambiental, 58 Reservas Biológicas, 97 Reservas Extrativistas, 25 Reservas de
Desenvolvimento Sustentável e 330 Parques (nacionais e estaduais). Estas UCs
divididas pelos biomas, apresentam um total de 381 na Mata Atlântica, seguida por 196
na Amazônia e 142 no Cerrado. Em menores quantidades temos 56 na Caatinga, 12 no
Pampa e 8 no Pantanal.

8
Figura 1: Unidades de Conservação (UCs) no Brasil.
Fonte: IBGE, 2016.
9
Ângelo et al. (2012) destacam que além da criação de Unidades de Conservação,
há a necessidade de haver um maior número de informações disponíveis, sobre as
consequências ambientais causadas pelo manejo inadequado dos recursos naturais do
bioma Cerrado. Como exemplo citado pelos autores, há a falta de informações sobre os
prejuízos causados pelo desmatamento na cadeia produtiva5 do pequizeiro.
Desta forma, a obtenção de informações do bioma e das fitofisionomias do
Cerrado é primordial para mensurar os impactos ambientais e auxiliar na conservação
da biodiversidade do Cerrado como um todo. Nesse sentido, a distinção das
fitofisionomias do Cerrado torna-se necessária para identificar as características físicas
de sua área de ocorrência, quais áreas têm sido mais desmatadas nos últimos anos e as
atividades antrópicas dominantes em cada fitofisionomia do Cerrado.

1.4 Conceito de bioma e fitofisionomia do Cerrado

O naturalista alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), é


considerado o pioneiro em estudos de vegetação do Brasil. O bioma Cerrado que
conhecemos hoje era denominado por ele de “Oréades”, termo baseado na mitologia
greco-romana (WALTER, 2006). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -
IBGE (2004) define bioma como uma área regional composta pelo agrupamento de
espécies animais e vegetais, marcado pelo compartilhamento de histórias.
De acordo com o IBGE (2004) os biomas existentes no território brasileiro são
denominados de Cerrado, Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e
Pantanal. A localização geográfica do bioma Cerrado está relacionada especificamente
aos fatores climáticos, conforme apontado por Ribeiro e Walter (1998).
Quanto às fitofisionomias6 do Cerrado, estas se relacionam às particularidades
da vegetação (RIBEIRO e WALTER, 1998). A diversidade de nomenclatura das
fitofisionomias existentes na literatura é muito vasta, como consequência há uma
dificuldade em definir seus conceitos. Assim sendo, neste trabalho, utilizamos a
classificação fitofisionômica de Ribeiro e Walter (1998), uma vez que estes autores se
basearam na análise da fisionomia vegetal, dos fatores físicos e da diversidade florística
do Cerrado. Além do mais, é uma classificação regional, pertinente ao Cerrado e que
possibilita o mapeamento da vegetação em escala de detalhes.

5
Vide Afonso (2012).
6
Termo utilizado primeiramente por Humboldt (COUTINHO, 2006).

10
As fitofisionomias do Cerrado abordadas por Ribeiro e Walter (1998)7 são
denominadas de Cerradão, Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca, Cerrado sentido
restrito, Parque de Cerrado, Palmeiral, Vereda, Campo Sujo, Campo Limpo e Campo
Rupestre. A Figura 2 apresenta as fitofisionomias Cerrado por formações florestais,
savânicas e campestres e suas características estruturais.

Figura 2: Fitofisionomias do Bioma Cerrado.


Fonte: Ribeiro e Walter, 2008.

A cobertura vegetal do Cerrado é composta por Produtos Florestais Madeireiros


– PFM e os Produtos Florestais Não-Madeireiros – PFNMs. Considera-se como
Produtos Florestais Madeireiros as árvores que podem ser utilizadas na produção de
madeiras. Quanto aos Produtos Florestais Não-Madeireiros – PFNMs, esta é uma
denominação dada aos produtos de origem vegetal tais como resinas, óleos, sementes,
etc., obtidos através dos recursos naturais existentes (FIEDLER, SOARES e SILVA,
2008).

1.5 Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNMs) no Brasil

Os PFNMs podem ser considerados como uma alternativa para diminuir o nível
de desmatamento, uma vez que, através destes produtos será possível gerar renda sem
impactar os recursos naturais. Nesse sentido, há a necessidade de maior informação
fornecida à população sobre o custo de produção, industrialização e comercialização a
fim de contribuir no funcionamento e desenvolvimento da cadeia produtiva dos PFNMs,
conforme apontado por Fiedler, Soares e Silva (2008).

7
Vide Ribeiro e Walter (1998) para eventual detalhamento das fitofisionomias do Cerrado.

11
No Brasil, de acordo com os dados da Produção da Extração Vegetal e da
Silvicultura (2016) os produtos alimentícios que obtiveram a maior quantidade, em
toneladas, produzida através da extração vegetal são a erva-mate, o açaí, a castanha-do-
pará e o pequi. Dentre os aromáticos, medicinais, tóxicos e corantes a folha do jaborandi
se destaca e o látex coagulado e o líquido da hevea são predominantes dentre as
borrachas. Quanto às ceras temos o predomínio da carnaúba e entre as fibras temos a
piaçava, a carnaúba e o buriti.
Enquanto produtos como o açaí e a erva-mate apresentam produtividade
progressiva, o pequizeiro tem apresentado abatimento em sua quantidade produzida,
uma vez que entre os anos de 2014 a 2016 houve uma redução de 10% na quantidade
produzida. Quanto ao buritizeiro, embora possua valores inferiores ao pequizeiro, este
por sua vez apresentou oscilação em sua quantidade produzida e reduziu 5% entre os
anos de 2011 a 2016. A Tabela 1 apresenta a quantidade em toneladas produzida através
da extração vegetal no Brasil entre os anos de 2011 a 2016, referindo-se aos produtos
alimentícios, aromáticos, borrachas, ceras e fibras.

PEVS - Quantidade produzida na extração vegetal no Brasil em toneladas


Grupo do produto 2011 2012 2013 2014 2015 2016
1 - Alimentícios 514.355 519.598 574.807 595.090 623.712 622.756
1.1 - Açaí (fruto) 215.381 199.116 202.216 198.149 216.071 215.609
1.2 - Castanha-de-caju 3.179 3.054 2.931 2.489 2.160 1.745
1.3 - Castanha-do-pará 42.152 38.805 38.300 37.499 40.643 34.664
1.4 - Erva-mate 229.681 252.700 300.128 333.017 341.251 346.953
1.5 - Mangaba (fruto) 680 677 639 685 663 922
1.6 - Palmito 5.563 4.787 4.620 4.729 4.669 4.260
1.7 - Pequi (fruto) ... ... ... 19.241 18.866 17.305
1.8 - Pinhão 8.032 9.638 8.293 8.777 8.393 7.746
1.9 - Umbu (fruto) 9.323 7.980 7.561 7.466 7.451 8.390
1.10 - Outros 364 2.842 10.120 2.280 2.412 2.466
2 - Aromáticos, medicinais,
730 551 458 459 463 468
tóxicos e corantes
2.1 - Ipecacuanha ou poaia (raiz) 2 3 3 1 1 1
2.2 - Jaborandi (folha) 299 294 291 252 238 229
2.3 - Urucum (semente) 10 2 0 0 0 20
2.4 - Outros 418 252 164 206 225 218
3 - Borrachas 3.005 2.337 1.958 1.539 1.499 1.206
3.1 - Caucho (Toneladas) - - - - - -
3.2 - Hevea (látex coagulado) 2.856 2.143 1.760 1.446 1.447 1.202
3.3 - Hevea (látex líquido) 149 194 198 93 52 4

12
4 - Ceras 21.274 20.330 20.362 21.085 22.034 19.631
4.1 - Carnaúba (cera) 2.638 2.486 2.112 1.948 2.060 1.674
4.2 - Carnaúba (pó) 18.636 17.844 18.251 19.137 19.974 17.957
4.3 - Outras 0 0 0 0 - -
5 - Fibras 65.903 61.840 49.081 48.474 46.840 47.550
5.1 - Buriti 465 469 466 466 451 441
5.2 - Carnaúba 1.640 1.667 2.317 1.878 1.298 1.125
5.3 - Piaçava 61.409 57.762 44.617 45.758 44.805 45.645
5.4 - Outras 2.389 1.943 1.680 371 286 339
Total 1.210.533 1.209.314 1.293.333 1.352.535 1.407.964 1.400.526
Tabela 1: PEVS - Quantidade Produzida na Extração Vegetal no Brasil.
Fonte: Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura - 2016.

O mercado dos PFNMs no Brasil, tem aumentado principalmente nas regiões


Norte, Nordeste e Centro-Oeste, contribuindo na geração de renda da população
(FIEDLER, SOARES e SILVA, 2008). O extrativismo dos PFNMs é considerado por
Lima, Scariot e Giroldo (2013) e Saraiva (2009) como uma forma sustentável de
conservar a biodiversidade. Este modelo de sustentabilidade ambiental é respaldado
pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio
92, realizada na cidade do Rio de Janeiro. No entanto, mesmo com sua importância para
o meio ambiente, os produtos oriundos do extrativismo apresentam instabilidade no
comércio internacional (AFONSO, ANGELO e ALMEIDA, 2015).
Duboc (2008) ressalta que o extrativismo dos PFNMs normalmente é conciliado
às práticas agrícolas e com a pecuária. Desta forma, através da integração destas
atividades econômicas têm-se os Sistemas Agroflorestais que apresentam resultados
satisfatórios, pois proporcionam maior lucratividade à população sem afetar a
sustentabilidade ambiental.
A Lei nº 9.985 de Julho de 2000 define o extrativismo como uma extração de
elementos naturais sem causar impactos ambientais. Na concepção de Homma (2012) o
extrativismo é uma forma de extrair e/ou coletar elementos existentes na natureza pela
comunidade local, de forma sustentável. Viana (2010) ressalta a dependência de
instrumentos tecnológicos, da estrutura e composição da vegetação, da cultura e do
mercado consumidor na realização do extrativismo sustentável em áreas de Cerrado.
Adas (1985) salienta que no extrativismo, o homem apenas retira da natureza os
seus produtos (madeira, frutos, etc.), e que não participa do processo produtivo,
diferentemente da agricultura e pecuária, esta por sua vez é baseada na reprodução
animal e vegetal pelo próprio homem. Desta forma, os produtos obtidos no extrativismo

13
podem ser de origem vegetal, animal e/ou mineral. Sobre a finalidade do extrativismo
vegetal, temos a simples coleta de produtos para a subsistência, como complemento
econômico e o extrativismo realizado por empresas para finalidades comerciais.
Dentre os produtos de origem vegetal extraídos do Cerrado brasileiro, Afonso,
Ângelo e Almeida (2015) realizaram um comparativo, entre os anos 1990 a 2005,
relativo à produtividade do pequizeiro. Constatou-se que dentre as espécies do Cerrado,
o pequizeiro apresentou destaque em sua produtividade perante as demais espécies. Este
fator ocorreu devido as suas múltiplas finalidades.
Os autores supracitados, revelam ainda a importância do Plano Real, criado em
1994, para os produtos derivados do pequi, uma vez que trouxe estabilidade na moeda
brasileira, assim também como nos preços do mercado. No entanto, em um estudo
realizado por Carvalho (2007) demonstrou-se que os produtos extrativistas no geral,
apresentam oscilações anuais nos valores comerciais, desta forma afeta a estabilidade no
mercado e consequentemente interfere nas atividades extrativistas. Oliveira (2008)
ressalta que o extrativismo deve estar integrado à criação de Unidades de Conservação e
com o cooperativismo, a fim de contribuir na organização do sistema produtivo do
pequizeiro.
Existem programas em âmbito federal que visam dar suporte às atividades
extrativistas, como é o caso do Programa de Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar – PRONAF com o financiamento de atividades agroextrativistas e o Programa
de Aquisição de Alimentos – PAA que tem por objetivo a compra de alimentos
oriundos da agricultura e do extrativismo e sua distribuição a famílias carentes e
vulneráveis à pobreza (CARVALHO, 2007).
No entanto, os Programas de apoio ao extrativismo no Cerrado têm sido
escassos, quando comparados com as medidas de apoio ao extrativismo na Amazônia,
por exemplo. Na Amazônia há investimentos na assistência técnica, no revigoramento
social e econômico, no acesso às comunidades, Programas sociais como o Bolsa Verde,
dentre outros (BRASIL, 2013).

1.6 Aspectos ecológicos e socioambientais do pequizeiro (Caryocar brasiliense)

Considerada como uma das espécies vegetais mais importantes do Cerrado, o


pequizeiro (Caryocar brasiliense) apresenta contribuição na renda familiar a partir da
comercialização do seu fruto e seus derivados (LIMA, SCARIOT e GIROLDO, 2013).

14
Seu fruto, o pequi, pode ser consumido in natura ou em conservas, sendo utilizado para
produzir óleos, bombons, sabão, doces, cremes, geleias, sorvetes, vitaminas, farofas,
ração para aves e suínos. Além destas utilidades, as folhas do pequizeiro podem ser
usadas como medicamento em caso de doenças respiratórias (OLIVEIRA, 2015).
No geral, o pequizeiro é considerado uma planta oleaginosa, semidecídua,
normalmente apresenta uma altura de 8 a 12 metros e é considerada uma espécie de
difícil proliferação (OLIVEIRA et al. 2008). Collevatti, Brondani e Grattapaglia (1999)
destacam a importância do morcego para esta planta, uma vez que é o polinizador da
espécie.
Pertencente à família Caryocaraceae, o pequizeiro também pode ser
denominado popularmente como piqui, piquiá, piqui-do-cerrado ou pequi. Sua área de
ocorrência de acordo com Almeida et al. (1998) são em fitofisionomias do Cerrado
denominadas de Cerradão, Cerrado sentido restrito, Cerrado Ralo e Denso.
Ainda conforme os autores mencionados, a distribuição espacial do pequizeiro
perfaz doze estados brasileiros (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia,
Tocantins, Goiás, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí),
além do Distrito Federal. Na Figura 3 pode-se registrar fotos de espécie do pequizeiro
(Caryocar brasilense) em áreas de Cerrado do Norte de Minas Gerais.

a) b)
)

c) d)

Figura 3: Espécie de Pequizeiro (Caryocar brasiliense) no Norte de Minas Gerais.


Fonte: Projeto Pró-Pequi, 2017 (a e b). BORGES, M. G. 2018 (c e d).

15
O pequizeiro apresenta dificuldade em sua proliferação devido à dormência de
suas sementes, uma vez que demora entre 120 a 360 dias para germinar. Isto fez com
que pesquisa da Embrapa Cerrados desenvolvesse um tratamento baseado em ácido
giberélico para diminuir o processo de germinação para 40 dias (RIGUEIRA, 2003). A
autora menciona ainda que a época de chuvas é o momento apropriado para realizar o
plantio das mudas e a mesma deve ser adubada com calcário, uma vez que este mineral
realiza a correção do solo através do aumento do pH.
Conforme Rigueira (2003) a espécie está sujeita a doenças como as causadas
pelo fungo Cylindrocladium clavatum ocasionando o apodrecimento das mudas, temos
também o “mau de cipó" causada pelo fungo Cerotelium giacometti e Phomopsis sp que
causa o contorcimento dos galhos da árvore. Há também a “Morte Descendente”
causado pelo fungo Botryodiplodia theobromae, gerando rachaduras nas árvores e
depois a morte da mesma.
Quanto à podridão dos frutos, este pode ser ocasionado pelos fungos
Botryodiplodia theobromae e pelo Phomopsis (RIGUEIRA, 2003). Além das doenças
citadas, em um estudo realizado por Oliveira (2015), constatou-se que o besouro é outro
problema que vem afetando a produtividade do pequizeiro, causando mortes da espécie.
O estágio biológico do pequizeiro é dividido em quatro fases conforme cita
Oliveira (2009), denominada de Infantes, Jovens, Pré-adultos e Adultos. Quando o
pequizeiro está no primeiro estágio, este apresenta maior risco de perecimento, na fase
Jovem e Pré-adulta a espécie está em fase de crescimento e desenvolvimento. Sobre a
germinação de frutos, este ocorre quando o pequizeiro apresenta idade superior a seis
anos, ou seja, na fase adulta. Sobre a fenologia, normalmente a espécie apresenta
floração entre os meses de julho a outubro e frutificação entre novembro a abril.
Biologicamente, o fruto do pequizeiro é constituído pelo pericarpo e pelo
putâmens. O pericarpo pode ser utilizado para ração animal, sabão e no composto
orgânico e os putâmens podem ser divididos em mesocarpo e endocarpo, o mesocarpo é
utilizado no uso culinário (óleo, conserva, etc.), licores e produção de sabão e o
endocarpo pode ser utilizado em forma de amêndoa e para a produção de carvão
(OLIVEIRA, 2009). O autor também aponta algumas dificuldades para a extração do
fruto, dentre elas, estão em falta de equipamentos adequados, a dificuldade no acesso e
a ausência de sistema de transportes.
A Figura 4 apresenta os estados produtores de pequi no Brasil. Minas Gerais
apresenta 73% da área de ocorrência, Goiás apresenta 17% e o Ceará 10% (CONAB,

16
2017). Embora possua predominância de Latossolos no Cerrado, as áreas que
apresentam a maior densidade desta espécie são em solos denominados de Cambissolos
e Litossolos, em menores densidades temos o Latossolo Vermelho-amarelo, quanto a
sua produtividade frutífera, esta depende do tamanho da copa da árvore (SANTANA e
NAVES, 2003).

Figura 4: Estados Brasileiros Produtores de Pequi e os Tipos de Solos com Maior Ocorrência da Espécie.
Fonte: SANTANA E NAVES, 2003; IBGE, 2010 e CONAB, 2017.

Assim sendo, embora o extrativismo do pequizeiro não apresente grande


lucratividade, esta atividade econômica promove benefícios econômicos, sociais e
ambientais para as populações tradicionais (AFONSO, ANGELO e ALMEIDA, 2015)
como também para o meio ambiente. Assim sendo, a partir do momento em que o
pequizeiro trouxer rentabilidade a população local e regional, este será também
preservado e valorizado, conforme aponta Lima, Scariot e Giroldo (2013).
É importante destacar que o extrativismo do pequizeiro não impede totalmente o
desmatamento do Cerrado, mas pode ser considerada uma alternativa para minimizar os
efeitos do avanço da agricultura e pecuária. Desta forma o extrativismo pode atuar como
inibidor do desmatamento através de legislações que protegem as espécies de corte, da
criação de fomentos para cultivo, dentre outros.

17
Devido a sua importância socioambiental, o pequizeiro é uma espécie vetada de
corte pela Lei nº 10.883 de 02 de outubro de 1992 do estado de Minas Gerais. Somente
há exceção em caso de autorização concedida pelo Instituto Estadual de Florestas – IEF,
para realização de obras públicas e/ou de utilidade coletiva. Em áreas urbanas quem é
responsável pela autorização é o Conselho Municipal de Meio Ambiente – CMMA.
Entretanto, mesmo com esta exceção, a Lei nº 10.883 de 02 de outubro de 1992
ressalta que, para cada árvore retirada, o empreendedor poderá escolher entre fazer
restituição de 5 a 10 árvores da mesma espécie, recolher 100 unidades fiscais do Estado,
ou então, criar uma reserva de desenvolvimento sustentável de aproximadamente 100
hectares para cada 20 árvores abatidas. Caso o empreendedor escolha realizar a
compensação ambiental através do plantio das mudas, ele deverá ser feito na mesma
sub-bacia hidrográfica em que se localiza o empreendimento.
Para retirar o pequizeiro de um dado local para a implantação de obras públicas,
deverá haver auxílio de um profissional, assim também como no plantio de novas
mudas. A fiscalização das mudas plantadas nos primeiros cinco anos é fundamental para
garantir o seu desenvolvimento, conforme constatado no artigo 2º da Lei nº 10.883 de
02 de outubro de 1992. O artigo 3º da mesma lei, destacava que somente poderia
implantar espécies exóticas8 em área de incidência de pequizeiro, caso não atrapalhasse
o desenvolvimento da espécie, entretanto, este artigo foi revogado pela Lei nº 20.308 de
27 de julho de 2012.
Silva (2011) relata que espécies exóticas como o eucalipto, pode ser considerada
como o principal problema da evolução do pequizeiro, pois, embora a espécie não seja
cortada e/ou retirada, na maioria das vezes encontra-se localizada em meio à plantação
de eucalipto e como consequência a espécie acaba perecendo devido ao sombreamento.
Em âmbito nacional, a Portaria Nº 113, de 29 de Dezembro de 1995 do IBAMA,
também proíbe o corte do pequizeiro em quatro regiões do Brasil (Sul, Sudeste,
Nordeste e Centro-Oeste), no entanto, esta lei não se aplica aos estados que compõem a
região Norte do país porque a ocorrência é baixa.
Como medida de incentivo à conservação, consumo e comercialização
sustentável pelas comunidades tradicionais relativas às áreas de ocorrência do
pequizeiro e de outros frutos endêmicos do Cerrado, o governo do estado de Minas
Gerais criou o Programa Pró-Pequi instituído pela Lei nº 13.965 de 27 de julho de 2001

8
Tipo de vegetação que não é comum na região, espécie oriunda de outra nacionalidade (Dicionário
Online de Português, 2017).

18
e regulamentado pelo Decreto nº 47.278, de 25 de outubro de 2017. Esta lei autoriza
também o poder executivo a criar um grupo de pesquisas que contribua na
sensibilização da população, na valorização cultural das comunidades tradicionais, na
obtenção e divulgação de informações sobre o pequizeiro.
Estudos realizados por Ângelo et al. (2012) nos anos de 2004 a 2006,
verificaram que a comercialização do pequizeiro foi comprometida devido não haver
um mercado estruturado e organizado. Como consequência obteve-se o aumento das
áreas de desmatamento. Desta forma, as comunidades tradicionais que dependem do
extrativismo do pequizeiro para a subsistência foram as mais afetadas.
Viana (2010) destaca que o desmatamento vem sendo um dos problemas que
tem afetado a espécie. A mesma autora cita uma quantia de R$ 2,3 milhões de gastos
públicos, em 2006, relativo a devastação do pequizeiro somente no estado de Minas
Gerais e Goiás. Como consequência houve a queda no rendimento e a redução de
empregos.
Salienta-se que, embora o pequizeiro apresente rendimento econômico, o
aumento das áreas de cultivos como a soja e a cana-de-açúcar têm contribuído no
desmatamento da espécie, uma vez que são consideradas por Viana (2010) como
atividades economicamente mais atrativas. Além do mais, através da supressão vegetal
para implantação destes cultivos afetou diretamente os polinizadores da espécie
(morcegos e abelhas), provocando a destruição de seu habitat natural.
Consequentemente, acarreta o desaparecimento da espécie com o decorrer dos anos
(VIANA, 2010).

1.7 Contribuições socioambientais do buritizeiro (Mauritia flexuosa) e seus


aspectos ecológicos

O buritizeiro (Mauritia flexuosa) é uma palmeira, que apresenta múltiplas


funcionalidades, é utilizada para finalidades ornamentais, artesanais, medicinais e
alimentar. A partir desta palmeira e de seu fruto, o buriti, é possível produzir doces,
sorvetes, vinhos, cremes, óleos, redes, chapéus, brinquedos, dentre outros produtos
(ALMEIDA et al. 1998).

19
Pertencente à família Arecaceae, o buritizeiro é considerado uma espécie
dióica9, ocorrendo em áreas alagadas com altitudes inferiores a 900 metros (SARAIVA,
2009). Sua nomenclatura é variada, o mesmo pode ser chamado de miriti, muriti,
palmeira-do-brejo, moriche, carangucha e aguaje (SAMPAIO, 2011), ou ainda, carandá-
guaçú, carandaí-guaçú, mariti, bariti (EMBRAPA, 2006).
O buritizeiro é encontrado em três biomas brasileiros, a saber: Amazônia,
Cerrado e Pantanal (EMBRAPA, 2006). No bioma Cerrado, a ocorrência desta espécie
são em fitofisionomias do Cerrado denominadas de Veredas e Campo Limpo
(ALMEIDA et al. 1998; SAMPAIO, 2011) dos estados de Minas Gerais, São Paulo,
Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Maranhão, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do
Distrito Federal (ALMEIDA et al. 1998). A Figura 5 apresenta o buritizeiro no contexto
das Veredas do município de Januária no Norte de Minas Gerais.

a) b)

c) d)

Figura 5: O Buritizeiro (Mauritia flexuosa) no Contexto das Veredas do Município de Januária - MG


Fonte: Nunes, Y. R. F. 2017 (a e b); BELÉM, R. A. 2018 (c e d).

Os aspectos ecológicos do buritizeiro também variam de acordo com o bioma.


No entanto, tratando-se neste trabalho especificamente do Cerrado, a espécie apresenta
características como a floração entre os meses de março a maio, embora disponha de
frutos em quase todos os meses do ano, há maior quantidade de indivíduos masculinos

9
Espécies vegetais em que o sexo (masculino e feminino) encontra-se separado, isto é, em indivíduos
diferentes (IBGE, 2004).

20
por hectare e a antogênese10 do buritizeiro é um processo longo, assim sendo, demoram
para atingir a fase de reprodução (EMBRAPA, 2006).
Deve-se destacar que os indivíduos masculinos e femininos florescem, mas
somente os indivíduos femininos produzem frutos. No entanto, são fundamentais um ao
outro, pois os indivíduos masculinos fornecem pólen aos indivíduos femininos,
transportados através das abelhas, besouros e pequenas moscas. Seu fruto, o buriti, é
composto pelo pericarpo, mesocarpo, endocarpo e pelo endosperma. O pericarpo refere-
se a sua casca avermelhada que envolve o mesocarpo, o mesocarpo refere-se a sua
polpa, o endocarpo é branco e encontra-se entre o mesocarpo, e o endosperma é a
semente do fruto (SAMPAIO e CARRAZA, 2012).
Matos et al. (2014) apontam que a dimensão do fruto do buritizeiro depende do
estágio de conservação de sua área de ocorrência e de aspectos edafoclimáticos. No
Norte de Minas Gerais, especificamente na APA do Rio Pandeiros, os autores
supracitados encontraram variação morfométrica dos frutos e sementes amostrados,
apresentando maior tamanho e peso, frutos cujo local de ocorrência estavam menos
impactados.
Assim, ressalta-se que o buritizeiro apresenta destaque social e econômico, uma
vez que, em um período de safra de 4 a 5 meses, algumas famílias conseguem gerar
aproximadamente R$ 10.000 com o extrativismo de buriti (SAMPAIO, 2011). Além da
contribuição socioeconômica, temos os benefícios ambientais tais como a conservação
da fauna e dos recursos hídricos, além de evitar o assoreamento do canal fluvial
(SARAIVA, 2009).
Vários estudos etnobotânicos têm demonstrado a importância do buritizeiro para
as famílias camponesas, tais como Rocha e Silva (2005)11 no município de Bragança -
PA; Santos e Ferreira (2012)12 no município de Abaetetuba - PA; Ribeiro et al. (2014)13
no município de Currais - PI, dentre outros.
É importante destacar que mesmo com as vantagens sociais, econômicas e
ambientais, decorrentes das múltiplas finalidades do seu fruto, do alto valor de mercado

10
Período que compreende o desenvolvimento, isto é, desde a plântula até a idade adulta.
11
ROCHA, A. E. S.; SILVA, M. F. F. Aspectos fitossociológicos, florísticos e etnobotânicos das
palmeiras (Arecaceae) de floresta secundária no município de Bragança, PA, Brasil. Acta Botanica
Brasilica. v. 19, 2005.
12
SANTOS, R. da. S.; FERREIRA, M. C. Estudo etnobotânico de Mauritia flexuosa L. f. (Arecaceae) em
comunidades ribeirinhas do Município de Abaetetuba, Pará, Brasil. Acta Amazonica. v,42. 2012.
13
RIBEIRO, E. M. G. de. A.; BAPTISTEL, A. C.; LINS NETO, E. M. F.; MONTEIRO, J. M.
Conhecimento etnobotânico sobre o buriti (Mauritia flexuosa L. F) em comunidades rurais do município
de Currais, sul do Piauí, Brasil. Gaia Scientia, Ed. Esp.Populações Tradicionais. 2014.

21
e da conservação das áreas naturais, o buritizeiro tem apresentado dificuldade em sua
cadeia produtiva, uma vez que apresenta ausência de informação sobre as práticas de
manejo e coleta, assim também como pouca organização social e produtiva (SARAIVA,
2009).
A Lei nº 13.635 de 12 de julho de 2000 do estado de Minas Gerais, veta o corte
do buritizeiro. Assim sendo, a supressão desta espécie somente pode ser realizada com
autorização do Instituto Estadual de Florestas - IEF. Caso não tenha autorização, o
responsável poderá sofrer penalidades, uma vez que é considerado como infração
administrativa.

1.8 Sensoriamento remoto aplicado a análise ambiental

Para efeito de delimitar, espacializar e monitorar as áreas potenciais de


ocorrência do buritizeiro e pequizeiro, as técnicas de sensoriamento são essenciais, uma
vez que, permite obter informações dos objetos da superfície através da interação
eletromagnética sem a necessidade de haver contato com os mesmos, conforme destaca
Rosa (2009). De acordo com Rosendo (2005) esta técnica permite o monitoramento de
grandes áreas da superfície terrestre e a comparação de dados através do histórico de
imagens.
O sensoriamento remoto pode ser definido por Florenzano (2011) como uma
técnica que visa obter dados a partir da emissão e reflexão da radiação solar, pelos alvos
da superfície terrestre. Em sua gênese, o sensoriamento remoto está relacionado e
associado a origem das fotografias áreas, difundidas a partir da 1ª Guerra Mundial.
No Brasil, o sensoriamento remoto somente foi utilizado a partir da década de
1940 e ganhou vigor, principalmente a partir do Projeto RADAMBRASIL, realizado na
década de 1960, no entanto, só foi introduzido na ciência geográfica a partir da década
de 1970 (ROSA, 2009).
De acordo com o referido autor, a introdução do sensoriamento remoto na
ciência geográfica ocorreu em meados de 1972, quando os Estados Unidos lançaram o
primeiro satélite de utilidade civil, cujo objetivo era coletar dados da superfície terrestre,
de forma rápida e constante. Desde então, foram desenvolvidos e lançados vários outros
satélites de coleta de dados, contribuindo no mapeamento e monitoramento terrestre,
marítimo e atmosférico.

22
Assim sendo, contata-se que o sensoriamento remoto tornou-se uma ferramenta
importantíssima no monitoramento dos recursos naturais. Esta técnica pode ser utilizada
em estudos de vegetação, solos, hidrografia, dentre outros. Em estudos que utilizam o
sensoriamento remoto, a compreensão do comportamento espectral dos alvos ao longo
do espectro eletromagnético, é fundamental para identificar e distinguir os elementos da
superfície. Uma vez que cada elemento possui reflectância e absortância distinta
dependendo do comprimento de onda, conforme aponta Rosa (2009).
De acordo com Ponzoni, Shimabukuro e Kuplich (2012) o sensoriamento remoto
aplicado a estudos de vegetação está totalmente ligado a atividade fotossintética dos
vegetais, dependendo da absorção da radiação eletromagnética e a sua reflectância
dentro do espectro eletromagnético. Rosa (2009) acrescenta a morfologia e as funções
físico-químicas das folhas como fatores que interferem no comportamento espectral da
vegetação.
A imagem de satélite no comprimento de onda na faixa do visível (0,4 μm– 0,7
μm), a vegetação apresenta baixa reflectância devido a absortância da radiação pela
clorofila. No Infravermelho Próximo (0,7 μm – 1,1 μm) há grande absorção da radiação
pelas folhas e o consequente espalhamento interno, já na região do Infravermelho
Médio (1,1 μm – 3,2 μm) há a absorção da reflectância devido a presença da água na
estrutura interna das folhas (PONZONI, SHIMABUKURO e KUPLICH, 2012).
Sobre o comportamento espectral dos solos, Rosa (2009) revela que está
relacionado à quantidade de material orgânico presente no solo, da concentração de
minerais, taxa de umidade e da composição química. Dentro do espectro, o
comprimento de onda que há maior reflectância do solo é a faixa do Vermelho (0,62 μm
- 0,7 μm).
Quanto aos elementos que interferem no comportamento espectral da água
temos os organismos vivos, as partículas orgânicas e inorgânicas, etc. No geral, a água
apresenta baixa reflectância e alta absortância, no entanto, sua reflectância é mais
elevada no comprimento de onda do Azul (0,45 μm - 0,49 μm) e do Verde (0,49 μm -
0,58 μm), isto é, no espectro visível14.
Florenzano (2011) destaca que o comportamento espectral dos alvos depende de
fatores como o nível e o método de aquisição dos dados, da geometria de visada, das
condições ambientais e atmosféricas. Rosendo (2005) acrescenta o ângulo zenital, o

14
Porção do espectro eletromagnético que é possível ser visualizado pelo ser humano.

23
vapor d’água, aerossóis, a estrutura do dossel, dentre outros. É importante ressaltarmos
também, que para distinguir os diferentes alvos, a resolução espacial, espectral,
temporal e radiométrica, exercem grande importância nos estudos que envolvem o
sensoriamento remoto.
No Brasil, o Landsat é o principal satélite utilizado dentro do sensoriamento
remoto na disponibilização de imagens de satélite gratuitas para estudos ambientais. A
série Landsat apresenta destaque devido seu histórico de cenas, uma vez que contribuem
no monitoramento temporal da superfície.
O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no ano de 1972 pela National
Aeronautics and Space Administration – NASA, o sistema Landsat tinha como objetivo
“[...] a aquisição de dados espaciais, espectrais e temporais da superfície terrestre, de
forma global, sinóptica e repetitiva” (ROSA, 2009. p. 97).
Assim sendo, foi lançado em 1972 o Landsat 1, em 1975 o Landsat 2, em 1978 o
Landsat 3, em 1982 o Landsat 4, em 1984 o Landsat 5, em 1993 o Landsat 6, em 1999 o
Landsat 7 e em 2013 foi lançado o Landsat 8. O Landsat 1, 2, 3 e 4 possuíam o sensor
Multi-spectral Scanner System(MSS) e o Ray Beam Vidicom (RBV).O Landsat 4 e o 5
possuíam os sensores MSS e o Thematic Mapper (TM), o 6 foi lançado com o sensor
TM porém foi perdido antes de entrar em órbita.
O Landsat 7 foi lançado com o sensor Enhanced Thematic Mapper (ETM+) e o
8 foi lançado com o sensor Operational Land Imager (OLI) e Thermal Infrared Sensor
(TIRS). O Landsat 8 teve alterações na resolução radiométrica do sensor, foram
incorporadas duas bandas multiespectrais, sendo a banda 1 – Coastal aerosol (0.43 μm –
0.45 μm) e a banda 9 – Cirrus (1.36 μm – 1.38 μm) com 30 metros de resolução
espacial. No entanto, de todos os satélites lançados da série, o Landsat 5 se destaca
devido ao maior período em órbita (1984 - 2011).
Dentre os métodos utilizados dentro no sensoriamento remoto para o estudo da
vegetação, pode-se citar a Fotointerpretação, a Classificação Supervisionada, a
Classificação Não-Supervisionada, os Índices de Vegetação, dentre outros. A
fotointerpretação pode ser definida por Fitz (2008) como uma técnica que visa
identificar os elementos da imagem através da interpretação do usuário, analisando
atributos como cor, tamanho, forma, textura, padrão, localização e sombreamento.
Ainda de acordo com o referido autor, a classificação supervisionada está
relacionada ao treinamento do software pelo usuário através de parâmetros da imagem,
como exemplo, temos o classificador Máxima Verossimilhança – MAXVER e a Árvore

24
de Decisão. Já a classificação Não-Supervisionada é um método automático em que o
próprio software estabelece critérios e realiza agrupamentos (FITZ, 2008).
Sobre os Índices de Vegetação, este refere-se ao cálculo da biomassa da
vegetação através da razão de bandas do Vermelho e do Infravermelho Próximo. Os
Índices normalmente são muito utilizados no monitoramento da vegetação, uma vez que
a vegetação apresenta 90% do comportamento espectral nestas faixas do espectro
eletromagnético (ROSA, 2009). Dentre os Índices de Vegetação comumente utilizados,
temos o Normalized Difference Vegetation Index – NDVI, Soil Adjusted Vegetation
Index – SAVI e o Leaf Area Index– LAI.
Em um mapeamento semidetalhado realizado por Sano et al. (2008) do bioma
Cerrado em uma escala de 1:250.000 utilizando imagens Landsat, os autores além de
delimitar a área de ocorrência do Cerrado perante as Unidades da Federação, fizeram
também o uso da terra referente ao ano de 2002, conforme pode ser visualizado na
Figura 6.
No Piauí, a área de Cerrado corresponde a 37% do estado, no entanto 8% é
ocupada por cultura agrícola. Cerca de 65% do estado do Maranhão corresponde a área
do Cerrado e 11% destas áreas correspondem a cultura agrícola e pastagem. No estado
do Tocantins, aproximadamente 91% da área total pertence ao Cerrado e somente 19% é
ocupado por pastagem e cultivo.
Quanto a Bahia, 27% do estado referem-se ao Cerrado, entretanto, 26% é
ocupado por pastagem e cultivo agrícola, isto é, apresenta apenas 1% de vegetação
natural em área de Cerrado. Cerca de 40% do estado do Mato Grosso faz parte do
Cerrado e apenas 6% é vegetação natural. Em Minas Gerais, cerca de 57% é
considerado como área de domínio do Cerrado, compreendendo o noroeste, oeste, parte
do sudoeste e norte do estado. No entanto, 45% dessa área é ocupada por cultivo,
pastagem e reflorestamento de pinus e eucalipto.
No noroeste do estado de Minas Gerais, a supressão da vegetação ocorre devido
a implantação de pastagens, cultivos agrícolas e reflorestamento. Na região oeste e
sudoeste praticamente toda a área natural do Cerrado foi substituída por pastagens
cultivadas e cultivos agrícolas. Quanto a região do Norte de Minas, as áreas de Cerrado
foram desmatadas para a implantação de reflorestamentos e pastagem cultivada.
Constata-se, então, que a região oeste de Minas Gerais, embora esteja totalmente
localizada em área de Cerrado, também é a região que apresenta o maior grau de
desmatamento no estado.

25
No estado de Goiás, cerca de 97% é área de Cerrado, entretanto 55% desta área é
composta por pastagem e cultivo. Quanto ao Distrito Federal, este encontra-se
totalmente em área de Cerrado e 62% desta área refere-se a área de pastagem e cultivo.
Aproximadamente 61% do Mato Grosso do Sul está incluso em área de Cerrado e
destes, 68% está ocupada por pastagem, cultivo e reflorestamento. Cerca de 2% da área
do estado do Paraná corresponde ao Cerrado e 68% desta área é composta por cultivos e
pastagens. E por último, 33% do estado de São Paulo é área de domínio do Cerrado,
sendo que 85% desta área corresponde a outros usos do solo (pastagem, cultivo e
reflorestamento) (SANO et al. 2008).

Figura 6: Mapeamento Semidetalhado do Uso da Terra em Área de Cerrado.


Fonte: SANO et al. 2008.

Em um mapeamento realizado pelo MMA, IBAMA, PNUD (2009) sobre o


desmatamento do bioma Cerrado entre os anos de 2002 a 2007. Os dados obtidos,
mostraram que cerca de 7,5% das áreas de Cerrado foram desmatadas, ou seja, houve

26
redução da área natural dos Cerrados de 1.136.521 km² para 1.051.182 km², sendo que
Mato Grosso – MT apresentou o maior aumento do percentual de desmatamento.
Na literatura, os mapeamentos oficiais dos biomas brasileiros e da área de
domínio dos Cerrados existentes são realizados em escalas nacionais, resultando em
generalizações cartográficas dos limites dos domínios do Cerrado e dos demais biomas.
Quanto à utilização das técnicas de sensoriamento remoto aplicado no mapeamento das
áreas de ocorrência do pequizeiro, este por sua vez é marcado pela escassez de dados e
por limitações devido às resoluções espaciais e temporais das imagens de satélite.
Desta forma, é importante a realização de estudos que disponham de um maior
nível de detalhamento dos mapeamentos, para efeito de um monitoramento mais eficaz
da área de domínio do Cerrado e das áreas potenciais de ocorrência do pequizeiro e
buritizeiro.

27
2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Caracterização da área de estudo

A mesorregião Norte de Minas Gerais localiza-se entre os paralelos de 14º24'0"


e 17º33'0" de latitude sul e entre os meridianos de 41º56'0" e 45º44'0" de longitude
oeste de Greenwich. A região é constituída por sete microrregiões (Montes Claros,
Salinas, Grão Mogol, Janaúba, Januária, Bocaiúva e Pirapora) perfazendo um total de
89 municípios distribuídos em uma área de 139.112,21 km² (IBGE, 2010).
Composta pelo Bioma Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, a região Norte de
Minas apresenta 02 Reservas de Desenvolvimento Sustentável (Veredas do Acari,
Nascentes Geraizeiras), 02 Reservas Biológicas (Serra Azul e Jaíba), 04 Áreas de
Proteção Ambiental (Serra do Sabonetal, Pandeiros, Lajedão, Cochá e Gibão), 10
Parques Estaduais (Caminho dos Gerais, Lapa Grande, Montezuma, Grão Mogol, Lagoa
do Cajueiro, Mata Seca, Serra das Araras, Serra Nova, Verde Grande e Veredas do
Peruaçu) e 01 Parque Nacional (Cavernas do Peruaçu), (Figura 7).

28
Figura 7: Localização Geográfica das Unidades de Conservação do Norte de Minas Gerais
Fonte: IBGE, 2010.
29
A região compreende três grandes bacias hidrográficas, sendo a bacia do Rio
São Francisco, Rio Pardo e do Rio Jequitinhonha. Apresenta dois tipos climáticos, o
semiúmido, com média de 4 a 5 meses secos durante o ano, e o semiárido, com média
de 6 meses secos. Em ambos, a temperatura apresenta valores superiores a 18 ºC
(IBGE, 2010).
No geral, a pedologia da área é dinâmica, apresenta Neossolos (Flúvico, Litólico
e Quartzênico), Latossolos (Vermelho, Amarelo e Vermelho-Amarelo), Argilossolos
(Vermelho, Vermelho-Amarelo), Cambissolo Háplico e Gleissolo Háplico (IBGE,
2010).
O Norte de Minas apresenta áreas que vão até 1797 metros de altitude. Desta
forma, em áreas superiores a 700 metros teremos a Serra do Espinhaço, Planalto dos
Geraizeiros, Chapadas do Rio São Francisco, Chapadas, Planaltos e Patamares dos Rios
Jequitinhonha/Pardo, Patamares dos Rios São Francisco/Tocantins e Serra da Saudade.
Já em altitudes inferiores a 700 metros, temos as Depressões do Alto-Médio Rio São
Francisco e Baixadas dos Rios Jacaré/Salitre e as Planícies Fluviais e/ou Fluviolacustres
(SRTM, 2000; IBGE, 2010).
De acordo com o IBGE (2010) a região é composta por 62% de sedimentos
arenosos e argilo-carbonáticos desde muito pouco até fraco grau metamórfico do
Neoproterozóico, 11% de sedimentos argilosos, arenosos e cascalhos do Mesozóico, 9%
de sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno, 8% de
sequências sedimentares, principalmente psamíticas, podendo incluir piroclásticas do
Mesoproterozóico. Em menores quantidades, temos 5% de sequências metamórficas de
origem sedimentar de médio a baixo grau metamórfico do Paleoproterozóico, 4% de
sedimentos arenosos e argilosos do Cenozóico e 1% de rochas magmáticas de
composição félsica e máfica do Neoproterozóico. Em quantidades inferiores a 1%
temos, sedimentos arenosos e argilo-carbonáticos de grau metamórfico fraco a médio,
rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio grau metamórfico e
rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo (IBGE, 2010).
Além do mais, a região possui riqueza em sua biodiversidade, uma vez que
apresenta aves, mamíferos, répteis, insetos, anfíbios, dentre outros. Apresenta também
espécies vegetais endêmicas do cerrado, tais como a Mauritia flexuosa (buritizeiro),
Caryocar brasiliense (pequizeiro), Hancornia speciosa (mangaba), Butia capitata
(coquinho-azedo), Annona crassiflora (araticum), Eugenia dysenterica (Cagaita),
Hymenaea courbaril (jatobá), etc.

30
A economia da região apresenta predominância do setor agropecuário, têm-se
grandes projetos de Irrigação como o Projeto Jaíba entre os municípios de Jaíba, Matias
Cardoso e Verdelândia, o Projeto Gorutuba no município de Nova Porteirinha e o
Projeto Jequitaí entre os municípios de Jequitaí, Francisco Dumont, Claro dos Porções,
Engenheiro Navarro, Lagoa dos Patos e Várzea da Palma (IBGE, 2010). Este último,
encontra-se em fase de construção pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do
São Francisco e Parnaíba - CODEVASF.
De acordo com os dados da Pesquisa Pecuária Municipal realizada pelo IBGE
(2016) o rebanho bovino do Norte de Minas Gerais, em 2015, é de aproximadamente
2.589.350 (cabeças) e somente a quantidade de leite corresponde a um total de 311.316
litros. Dentre os municípios que compõe a região, São Francisco apresenta a maior
quantidade de rebanho bovino (130.926 cabeças), seguido por Montes Claros (125.241
cabeças).
Com relação à quantidade produzida na extração vegetal somente no ano de
2015 no Norte de Minas Gerais, há o destaque da lenha com 309.479 metros cúbicos, o
carvão vegetal com 23.727 toneladas, o pequi com 11.407 toneladas e a madeira em tora
com 5.723 metros cúbicos. O buriti e a amêndoa do pequi não tiveram valor informado.
Com relação ao valor produzido em reais para a região em 2015, o carvão vegetal
representou cerca de 35,37%, seguido pela lenha (34,59%) e o pequi (24,22%). A
madeira em tora representou 0,15% do valor total produzido, conforme dados da
Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (2016).

2.2 Procedimentos metodológicos

A fim de cumprir os objetivos propostos, realizou-se, primeiramente, uma


revisão bibliográfica de autores que discutem sobre o Cerrado e suas fitofisionomias,
espécies vegetais como o pequizeiro (Caryocar brasiliense) e o buritizeiro (Mauritia
flexuosa). Assim também como técnicas de monitoramento ambiental como o
sensoriamento remoto. Nesse sentido, com o propósito de simplificar as etapas
metodológicas a Figura 8 apresenta as imagens obtidas, o pré-processamento e o
processamento efetuado nos softwares ARC GIS 10.2 e ENVI 5.3, e os produtos finais
que foram gerados.

31
Figura 8: Fluxograma dos Procedimentos Metodológicos.
Org: BORGES, M. G. 2018.

32
Em seguida, adquirimos as imagens do sensor OLI do Landsat 8 do Norte de
Minas Gerais através da plataforma digital da United States Geological Survey (USGS).
As imagens obtidas são referentes ao inverno de 2015, e correspondem a órbita/ponto
217/71-72, 218/70-71-72, 219/70-71-72 e 220/70-71. As bandas utilizadas
correspondem ao comprimento de onda do Azul (0.450 - 0.51 μm), Verde (0.53 - 0.59
μm), Vermelho (0.64 - 0.67 μm), Infravermelho Próximo (0.85 - 0.88 μm),
Infravermelho Médio 1 (1.57 - 1.65 μm) e Infravermelho Médio 2 (2.11 - 2.29 μm),
ambas com 30 metros de resolução espacial.
Após a aquisição, inseriu as cenas no software ENVI 5.3 e efetuou a composição
espectral de imagens por meio da ferramenta Layer Stacking e o mosaico das cenas
usando do Seamlles Mosaic. Esta ferramenta foi escolhida por executar, junto ao
processo de mosaico, a equalização das cenas, removendo o forte contraste entre as
cenas usadas.
Adiante, por meio da fotointerpretação, isto é, interpretação visual de imagens,
realizou-se a identificação preliminar das classes que seriam abordadas e mapeadas
neste trabalho, tais como as fitofisionomias do Cerrado e os usos antrópicos. Esta etapa
foi importante, pois determinou quais seriam os elementos a serem delimitados na
imagem de satélite e as características apresentadas por cada classe.
Tendo como base teórica a classificação fitofisionômica do Cerrado abordada
por Ribeiro e Walter (1998), as fitofisionomias identificadas neste trabalho foram o
Campo Limpo, Campo Sujo, Campo Rupestre, Cerrado sentido restrito, Cerradão, Mata
Seca, Mata Ciliar, Mata de Galeria e as Veredas. Quanto aos demais usos, tem a
silvicultura, pastagens, cultivos, solo exposto e a manchas urbanas, além do Corpo
Hídrico.
A identificação e a delimitação destes usos deram-se, a partir dos atributos
apresentadas por cada elemento, tais como cor, textura, estrutura, sombra e localização,
ambos de acordo com Panizza e Fonseca (2011). No Norte de Minas, na chave de
interpretação dos usos, contatou-se que as áreas de Mata Seca e Cerrado sentido restrito
foram as fitofisionomias que apresentaram a maior heterogeneidade de tonalidade e
estrutura. As formações antrópicas variam entre as tonalidades rosa, verde, azul e no
geral apresentam forma geométrica, textura lisa e se localizam em áreas aplainadas. O
Campo Limpo e o Campo Sujo confundem espectralmente com o solo exposto e a
pastagem, o que necessita de imagens de alta resolução espacial, tais como do

33
WorldView-II, por exemplo, usadas neste trabalho como suporte na distinção das
classes.
As Veredas, a Mata Ciliar e a Mata de Galerias diferenciam-se pela dimensão e
tamanho do canal. Esta diferenciação é apontada na Tabela 2. As Veredas em particular,
podem também ser distinguidas da Mata Ciliar e da Mata de Galeria através de sua
estrutura, uma vez que é composta por dois estratos, um arbóreo-arbustivo e outro
herbáceo (RIBEIRO e WALTER, 1998). Além do mais, apresentam estrutura retilínea,
com poucas curvaturas. Deve-se destacar que as áreas circundadas por fitofisionomias
do tipo Mata Seca não apresentam a Vereda.

34
CHAVE DE INTERPRETAÇÃO DO USO DO SOLO NO NORTE DE MINAS GERAIS - MG
Mata Seca Mata Seca Mata Seca
Cor: Marron; Textura: lisa; Estrutura: Cor: Marron/verde; Textura: lisa; Cor: Marron/laranja; Textura: rugosa;
retangular; Estrutura: retangular; Estrutura: reticulado;

Mata Seca Cerrado sentido restrito Cerrado sentido restrito


Cor: Marron/Azul; Textura: rugosa; Cor: verde escuro; Textura: lisa; Cor: verde claro; Textura: lisa;
Estrutura: reticulado; Estrutura: contornado; Estrutura: retangular;

Cerrado sentido restrito Cerrado sentido restrito Campo Sujo


Cor: verde médio; Textura: lisa; Cor: verde claro; Textura: lisa; Cor: rosa escuro; Textura: lisa;
Estrutura: contornado; Estrutura: retangular; Estrutura: oblíquo;

Campo Sujo Campo Sujo Campo Limpo


Cor: verde/rosa; Textura: lisa; Cor: rosa claro; Textura: lisa; Estrutura: Cor: rosa médio; Textura: lisa;
Estrutura: arredondado; arredondado; Estrutura: oblíquo;

Cerradão Veredas Mata Ciliar


Cor: verde escuro; Textura: lisa; Cor: verde médio; Textura: lisa; Cor: verde médio; Textura: lisa;
Estrutura: retangular; Estrutura: retilínea; Estrutura: paralela;

Continua...

35
Mata de Galeria Campo Rupestre Campo Rupestre
Cor: verde médio/escuro; Textura: Cor: marron/verde; Textura: ondulado; Cor: marron/azul; Textura: ondulado;
lisa; Estrutura: paralela; Estrutura: subparalelo; Estrutura: subparalelo;

Água Mancha Urbana Eucalipto


Cor: Azul escuro; Textura: lisa; Cor: azul; Textura: granulado; Cor: verde claro; Textura: lisa;
Estrutura: subparalelo; Estrutura: radial; Estrutura: retangular;

Cultivo Cultivo Pivô Central


Cor: rosa/verde; Textura: lisa; Cor: azul/verde; Textura: lisa; Cor: verde/branco; Textura: lisa;
Estrutura: retangular; Estrutura: retangular; Estrutura: circular;

Projeto de Irrigação Solo Exposto Solo Exposto


Cor: verde claro; Textura: lisa; Cor: rosa médio; Textura: lisa; Cor: rosa claro; Textura: lisa;
Estrutura: retangular; Estrutura: paralela; Estrutura: paralela;

Pastagem Pastagem Pastagem


Cor: azul/verde; Textura: lisa; Cor: rosa médio; Textura: lisa; Cor: rosa/verde; Textura: lisa;
Estrutura: retangular; Estrutura: paralela; Estrutura: retangular;

Tabela 2: Chave de Interpretação do uso do solo no norte de Minas Gerais.


Org: BORGES, M. G. 2017.

36
Posteriormente, o processo de vetorização permitiu criar máscaras para delimitar
os usos (pivôs, projetos de irrigação, silvicultura, mancha urbana, cultivos e os cursos
d'água de maior dimensão) e separar a área de ocorrência do Campo Rupestre e da Mata
Seca das demais fitofisionomias do Cerrado.
O objetivo de identificar, inicialmente, os usos antrópicos, deu-se devido à
resposta espectral destes usos serem similares à vegetação natural, o que resultaria na
dificuldade de separar os elementos. Quanto à criação das máscaras da Mata Seca e do
Campo Rupestre distinguido da máscara do Cerrado foi necessário, pois conforme
constatado na literatura e em levantamentos de campo, não há ocorrência de espécies de
pequizeiro e buritizeiro nestas áreas. Estas máscaras foram criadas para efeito de
contribuir no mapeamento da área potencial de ocorrência destas espécies vegetais.
Em seguida, via-se diferença de contraste das imagens na Máscara do Cerrado,
separou-as em "Cerrado Leste" e "Cerrado Oeste", para efeito de otimizar a etapa da
classificação supervisionada. Foi classificado primeiramente o "Cerrado Oeste" e
posteriormente o "Cerrado Leste". A Figura 9 apresenta as máscaras que foram criadas e
que serviram de suporte no decorrer do mapeamento.
Devemos destacar que a criação das máscaras não isola a possibilidade de haver
áreas de Mata Seca somente dentro da máscara "Mata Seca", como também o Campo
Rupestre somente dentro da máscara "Campo Rupestre", uma vez que há áreas destas
fitofisionomias na máscara "Cerrado Oeste", por exemplo. Logo, as máscaras são
apenas um suporte para auxiliar na distinção das classes, visto que em alguns casos, há
confusão espectral entre os elementos.

37
Figura 9: Máscaras dos Usos do Solo do Norte de Minas Gerais - MG.
Fonte: Imagens Landsat 8, 2015; Laboratório de Geoprocessamento, 2017.
38
O primeiro passo consistiu no recorte da máscara dos usos antrópicos da imagem
de satélite. Em seguida, usando a máscara "Cerrado Oeste" coletou amostras das áreas
com tonalidade verde escuro e através do Classificador Máxima Verossimilhança
(Maxver) identificou-as e classificou como Cerradão. Após a definição das áreas de
Cerradão em formato raster, recortou-as da máscara "Cerrado Oeste". Ressalta-se que
na máscara "Cerrado Leste", identificou, a partir da interpretação visual de imagens, a
não existência de áreas correspondentes ao Cerradão.
Na sequência, para efeito de delimitar o Cerrado sentido restrito, foi usada a
Calculadora Raster do ArcGis10.2 na criação de condições. Assim, considerou-se a
Banda 4, Banda 5 e Banda 6, com níveis digitais superiores a 11000 e a Banda 3 com
valores inferiores a 10000 como áreas de Cerrado sentido restrito. Além destas
condições, as áreas com tonalidade marron, roxo e azul claro (na composição colorida
RGB 6/4/5) situadas em áreas de escarpas e com maior declividade foram classificadas
como Mata Seca. A tonalidade azul em altitudes mais elevadas foram classificadas
como Campo Rupestre. Feito isto, as áreas consideradas como Campo Limpo e Campo
Sujo (tonalidade rosa médio e escuro) foram identificadas, mapeadas e retiradas da
imagem (com o Maxver). Com o auxílio das imagens WorldView-II separou-se as áreas
de Campo Limpo das áreas de Campo Sujo, baseando-se nas características
apresentadas por Ribeiro e Walter (1998).
Utilizando a máscara "Mata Seca" aplicamos uma condição utilizando a Banda 2
do Landsat 8. Nesse sentido, se a Banda 2 apresentasse valores de números digitais
igual ou superior a 8000, esta por sua vez seria considerada como Mata Seca. O valor
8000 foi baseado na análise estatística e testes na Calculadora Raster, que por sua vez,
apresentou a maior separabilidade entre classes. O Campo Rupestre foi extraído
utilizando a álgebra do Infravermelho Próximo (NIR) com o Infravermelho Médio
(MIR) considerando valores superiores a -0,012 e inferiores a 0,133 como áreas de
Campo Rupestre.
Em seguida, usando a fotointerpretação identificamos as áreas características de
Veredas na imagem e com base na rede hidrográfica do IBGE (2010), em formato
shapefile, selecionou sua área aproximada de ocorrência. Logo após, visto que as
Veredas do Norte de Minas não ultrapassam 700 metros de sessão transversal, gerou-se
um mapa de distância de 700 metros nestes canais através da ferramenta buffer do
ArcGis 10.2 e, em seguida, recortou-as da imagem. Posteriormente, através de
condições na Calculadora Raster, usamos a banda do Infravermelho Médio para

39
identificar o estrato arbóreo-arbustivo e o Maxver para identificar o estrato herbáceo da
Vereda.
Adiante, os canais fluviais de 1ª ordem restantes foram selecionados e aplicou-se
um buffer de 60 metros, recortou estas áreas da imagem e os valores digitais do
Infravermelho Médio superiores a 7500 foram classificados como Mata de Galeria.
Quanto a Mata Ciliar, foram efetuados os mesmos procedimentos que à Mata de
Galeria. No entanto, o mapa de distância aplicado aos principais rios da região, tais
como o rio Verde Grande e o rio São Francisco, por exemplo, foi de três quilômetros.
A princípio, a Banda 6 do Landsat 8 obteve resultados promissores na
identificação da pastagem, no entanto, parte do produto final foi obtido a partir do
processo de vetorização. Esse procedimento foi efetuado com o intuito de obter maior
precisão na classificação da pastagem, que por sua vez, confunde com vários outros
elementos, como o solo exposto. Ressalta-se que nos nós "falsos" de todas as máscaras
aplicamos uma condição usando a Banda 5 da imagem, desta forma, números digitais
com valores iguais ou superiores a 11.051 e iguais ou inferiores a 60.138 foram
considerados como pastagem. Consideramos em todas as máscaras criadas que a
tonalidade branca na imagem multiespectral é solo exposto.
Adiante, produtos como Normalized Difference Vegetation Index (NDVI), Soil
Adjusted Vegetation Index (SAVI) e Leaf Area Index (LAI) Tasseled Cap e
Componentes Principais foram gerados. No entanto, o Maxver e as condições de bandas
isoladas apresentaram resultados satisfatórios na distinção das classes, por isso, não
houve necessidade de usar os índices de vegetação, bem como outros classificadores.
Todos estes procedimentos foram trabalhados dentro do classificador Árvore de
Decisão do software ENVI 5.3. A Árvore de Decisão é um classificador supervisionado
que apresenta resultados binários, sua estrutura é composta por nós, ramos e folhas.
Latorre et al. (2007) destacam que cada nó apresenta dois resultados, o nó a direita
contém os resultados adequados a cada categoria, e o nó a esquerda apresenta os
resultados que ainda precisam ser aprimorados.
Inicialmente, realizou-se o registro das máscaras (Cerrado Leste, Cerrado Oeste,
Mata Seca, Campo Rupestre, Mancha Urbana, Silvicultura, Projeto de Irrigação e Pivô
Central), ambas unidas em um único raster. Nesse sentido, a identificação das máscaras
a serem declaradas na operação está correlacionada ao gridcore do raster. A partir de
então, todos os produtos foram chamados em ambiente da Árvore. O modelo
esquemático da Árvore de Decisão utilizada neste trabalho é apresentado na Figura 10.

40
Figura 10: Esquematização da Classificação do Uso e Cobertura do Solo em 2015.
Org: BORGES, M. G. 2017.

Deve-se destacar que a delimitação das Veredas usando as imagens Landsat 8


apresentaram restrições, uma vez que a resolução espacial das imagens (30 x 30 metros)
impediram que atributos como o estrato herbáceo e arbóreo-arbustivo de algumas
veredas sejam visualizados, o que não possibilitou a delimitação. Desta forma, utilizou-
se imagens WorldView-II, consideradas de alta resolução espacial, na identificação e
delimitação da fitofisionomia Vereda no Norte de Minas Gerais.
Lançado no ano de 2009 pela empresa americana Digital Globe, o WorldView-II
apresentou contribuições significativas para o sensoriamento remoto, uma vez que foi o
primeiro satélite composto por 8 bandas multiespectrais (Coastal, Azul, Verde,
Amarelo, Vermelho, Red Edge, Infravermelho próximo, Infravermelho próximo 2) de
alta resolução espacial (PINHO, UMMUS e NOVACK, 2011; DIGITAL GLOBE,
2017).
No entanto, estas imagens não são fornecidas gratuitamente à sociedade civil,
desta forma, para adquiri-las, é necessário efetuar a compra das imagens. Neste
trabalho, as imagens WorldView-II (2015) de 1,20 metros de resolução espacial, foram
concedidas pelo Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Estadual de Montes
Claros – UNIMONTES.

41
Assim, a delimitação final das Veredas do Norte de Minas - MG foi efetuada
manualmente, ou seja, a partir do processo de classificação visual, isto é, a vetorização,
usando como base principal a imagem WorldView-II. Uma vez que, a delimitação das
Veredas a partir do algoritmo classificador Maxver e das condições de bandas isoladas
usando as imagens do Landsat 8, identificamos uma área de 197,70 km², enquanto
usando as imagens WorldView-II constatou-se cerca de 233,69 km², diferença esta de
35,99 km², isto é, 15%. A Figura 11 (a e c - Landsat) e (b e d - WorldView-II) permite
notar que a resolução espacial das imagens de satélite contribui ativamente na
delimitação das Veredas do Norte de Minas Gerais. Pois, há casos que usando somente
a imagem Landsat não é possível visualizar a Vereda, consequentemente, impossibilita
sua delimitação.

a) b) c) d)

Figura 11: Imagens Landsat 8 e WorldView-II de Áreas de Veredas do Norte de Minas Gerais.
Org: BORGES, M. G. 2017.

Após efetuar o mapeamento de uso e cobertura do solo do ano de 2015,


adquiriu-se do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) imagens do sensor TM
do Landsat 5, anos 1999 e 1986. Estes anos (1986, 1999 e 2015) foram escolhidos
devido apresentarem baixa cobertura de nuvens e por atender um período histórico de
trinta anos aproximadamente.
As imagens adquiridas são referentes ao inverno, e correspondem à órbita/ponto
217/71-72, 218/70-71-72, 219/70-71-72 e 220/70-71. As bandas utilizadas referem-se
ao Azul (0,45 - 0,52 μm), Verde (0,52 - 0,60 μm), Vermelho (0,63 - 0,69 μm),
Infravermelho Próximo (0,76 -0,90 μm) e Infravermelho médio (1,55 - 1,75 μm). A
Tabela 3 contém o período de cada cena Landsat (sensor TM e OLI) que foram obtidas
para o mapeamento do Norte de Minas Gerais.

42
Órbita/Ponto 1986 1999 2015
217/71 25/set 29/set 24/ago
217/72 25/set 29/set 25/set
218/70 18/out 22/set 31/ago
218/71 16/set 03/ago 12/jun
218/72 16/set 03/ago 12/jun
219/70 09/out 10/ago 06/ago
219/71 06/ago 25/jul 19/jun
219/72 06/ago 10/ago 06/ago
220/70 26/jun 02/set 28/jul
220/71 10/jun 02/set 28/jul
Tabela 3: Pacote de Imagens de Satélite Obtidas do Norte de Minas Gerais
Org: BORGES, M. G. 2018.

Adiante, fêz-se o a composição espectral de imagens através da ferramenta


Composit Bands do ArcGis 10.2 e o registro das imagens do Landsat 5 (1986 e 1999)
em relação as imagens Landsat 8 (2015), uma vez que, esta última é fornecida já
georreferenciada. Por fim, realizamos o mosaico das cenas e o recorte da área de estudo.
Em seguida, iniciou-se o mapeamento sistemático de uso e cobertura do solo do
ano de 1999. As máscaras criadas, em 2015, foram adaptadas, visto que os usos
antrópicos apresentaram alterações de áreas. Utilizando inicialmente a "Máscara Oeste",
o corpo hídrico foi identificado através de uma condição na Calculadora Raster, tendo
como base o Infravermelho Próximo (Banda 4 < 30). Considerou-se como solo exposto,
as áreas com tonalidade branco na imagem multiespectral, assim sendo, criou amostras
referente a esta classe e as classificou usando o Maxver.
O Campo Rupestre também foi mapeado por meio do classificador Maxver, suas
áreas na imagem de satélite correspondem à tonalidade azul e marrom. Deve-se destacar
que, na identificação do Campo Rupestre utilizou-se o critério altitude como
diferenciador das áreas de Mata Seca, que, embora, apresentem resposta espectral
similar, são diferenciadas pela altitude e declividade do relevo. Para mapear a Mata
Seca, além da tonalidade azul, marrom e roxo escuro identificadas pelo Maxver,
empregou-se uma condição da banda do Infravermelho Próximo (Banda 4<50 & Banda
4 >= 30).
As áreas de Cerradão foram identificadas pelo Maxver, pois apresentam
tonalidade verde escuro. As áreas de Campo Sujo também foram identificadas pelo
Maxver, entretanto, teve intervenção manual, uma vez que havia confusão espectral

43
com o solo exposto e com o Cerrado sentido restrito, quando havia forte resposta
espectral do solo.
Na distinção do Cerrado sentido restrito, além do Maxver (tonalidade verde
claro e médio), em condições de bandas isoladas usou-se a banda do Vermelho, com
isso as áreas em que a banda 3 com valores em números digitais inferiores a 40, foram
computados como Cerrado sentido restrito. Dessa forma, à medida que se avançou no
mapeando dos usos, retirou-se essas áreas das imagens de satélite através da ferramenta
Erase.
Utilizando a "Máscara Leste", extraiu o corpo hídrico através de uma condição
na Calculadora Raster, tendo como base o Infravermelho Médio, ou seja, se a banda 5
apresentasse valor de números digitais menor ou igual a 50, seriam computados como
corpo hídrico. As áreas que tinham tonalidade branco na imagem foram classificadas
pelo Maxver como solo exposto.
O Cerrado sentido restrito foi extraído através do Maxver (tonalidade verde claro
e médio). As áreas com tonalidade azul claro, marron e roxo escuro foram classificadas
como Mata Seca através do Maxver. Ao utilizar o Maxver no mapeamento as respostas
foram isoladas e homogêneas, assim, conseguiu-se distinguir as classes de uso do solo
com maior precisão.
Por meio da Máscara "Mata Seca", a classe corpo hídrico foi mapeada usando
condições na Calculadora Raster (Infravermelho próximo com níveis digitais inferiores
a 30). O solo exposto (tonalidade branco) e a Mata Seca (tonalidade roxo escuro e
marron) foram identificados com o Maxver. Destaca-se que na Máscara "Mata Seca"
não houve áreas com resposta espectral de Cerrado sentido restrito, Campo Rupestre,
Cerradão, Campo Sujo, Campo Limpo e Veredas.
Por último, utilizando a Máscara "Campo Rupestre" as áreas de Cerrado sentido
restrito (tonalidade verde claro e médio), Campo Rupestre (tonalidade marron/roxo) e
solo exposto (tonalidade branca), foram identificadas e mapeadas com o classificador
Maxver, visto que apresentaram respostas espectrais bastante isoladas.
As áreas de cultivo, silvicultura, pivôs, pastagens, projetos de irrigação e mancha
urbana foram identificados e mapeados usando a classificação visual. Quanto às áreas
de Veredas, Mata Ciliar e Mata de Galeria, considerou-se como valor verdade os dados
de 2015 para os anos anteriores, visto que não tinham em 1999, imagens de alta
resolução como do WorldView-II para suporte ao mapeamento.

44
Adiante, seguiu para o mapeamento de uso e cobertura do solo do ano de 1986,
assim como em 1999, assumiu como valor verdade o mapeamento de 2015 para as
Veredas, Mata Ciliar e Mata de Galeria. Os usos antrópicos foram retirados pela
vetorização, pois confundiam espectralmente com as áreas naturais. Quanto às máscaras
criadas, estas também foram adaptadas ao ano de 1986, pois os usos antrópicos não
eram os mesmos.
Não muito diferente dos anos citados (2015 e 1999), na Máscara "Cerrado
Oeste", as áreas de Cerrado sentido restrito (tonalidade verde claro e médio), Cerradão
(tonalidade verde escuro), Mata Seca (tonalidade roxo e azul claro em baixas altitudes),
Campo Rupestre (tonalidade azul claro em altitudes elevadas), queimadas (tonalidade
azul escuro), solo exposto (tonalidade branco) foram todas mapeadas usando o
classificador o Maxver. Quanto ao corpo hídrico, este foi identificado pelas condições
de bandas isoladas utilizando o Infravermelho Próximo (Banda 4 < 20).
Na Máscara "Cerrado Leste" o Cerrado foi identificado com o classificador
Maxver (tonalidade verde claro e médio) e por condições como, a banda do Vermelho
com valores em números digitais inferiores a quarenta (Banda 3 < 40). Quanto aos
demais usos, usou o Maxver com amostras isoladas, a saber: solo exposto (tonalidade
branco) e Mata Seca (Tonalidade roxo, azul claro e marron).
Com a Máscara "Mata Seca" o corpo hídrico foi mapeado pela condição na
Calculadora Raster (Banda 4 >= 20 & Banda 4 < 30). O Solo Exposto (tonalidade
branco), Mata Seca (tonalidade marron e azul) foram mapeados utilizando o Maxver.
Por último, na Máscara "Campo Rupestre" as áreas de Cerrado sentido restrito, Campo
Rupestre e solo exposto, foram retiradas, também, com o Maxver, seguindo as
tonalidades citadas acima.
Cabe destacar que no ano de 1986 as áreas de nuvens e sombras, em todas as
máscaras, foram retiradas por meio de condições de bandas isoladas. Para identificar as
sombras usou a banda do Azul (Banda 1 > 100 & Banda 1 < 255) e para identificar os
rios utilizou a banda do Infravermelho Próximo (Banda 4 < 20).
Logo após todos os procedimentos citados adquiriu-se gratuitamente o Modelo
Digital de Elevação (MDE) da missão Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), de
30 metros de resolução espacial, disponível no Portal da United States Geological
Survey (USGS). As cartas utilizadas correspondem a 18S465ZN, 18S45ZN, 17S465ZN,
17S45ZN, 17S435ZN, 15S465ZN, 15S45ZN, 15S435ZN, 15S42ZN,16S465ZN,
16S45ZN, 14S465ZN, 16S435ZN, 14S45ZN, 16S42ZN e 14S435ZN.

45
Em seguida, inseriu-as no software ArcGis 10.2, recortou a área de estudo e
gerou a hipsometria do Norte de Minas Gerais. Este procedimento foi realizado com o
objetivo de identificar as altitudes que predominam em cada fitofisionomia do Cerrado,
e nas áreas potenciais de ocorrência do pequizeiro e do buritizeiro.
Adquiriu ainda, as variáveis físicas (litologia, geomorfologia e pedologia) do
Norte de Minas Gerais no portal do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e os dados de
clima no portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fêz-se o
cruzamento dos resultados obtidos via sensoriamento remoto com os aspectos físicos.
Por último, as áreas foram quantificadas e espacializadas, gerando produtos como áreas
naturais e antrópicas, fitofisionomias do Cerrado, potencial ocorrência do pequizeiro e
do buritizeiro no Norte de Minas Gerais.

46
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Áreas naturais e antrópicas do Norte de Minas Gerais

Conforme mapeamento sistemático de uso e cobertura do solo do Norte de


Minas Gerais, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, ano
de 2014, constata-se cerca de 60.393,25 km² referente as áreas naturais e 68.037,97 km²
de áreas antrópicas, isto é 47% e 53% do Norte de Minas Gerais, respectivamente.
Em conformidade aos dados do IBGE (2014), pode-se considerar como áreas
naturais o corpo d'água continental, pastagem natural, vegetação campestre, vegetação
florestal e área úmida. A classe áreas antrópicas refere-se à pastagem plantada, área
artificial, área agrícola, silvicultura, mosaico de agropecuária com remanescentes
florestais, mosaico de vegetação campestre com áreas agrícolas e mosaico de vegetação
florestal com áreas agrícolas.
Quanto ao mapeamento do uso e cobertura do solo do Norte de Minas Gerais
utilizando imagens Landsat 8 (2015), realizado no âmbito desta pesquisa, constatou-se ,
aproximadamente 91.407,97 km² relacionados às áreas naturais, isto é 66%, e 47.704,24
km² referem-se às áreas antrópicas, ou seja, 34% do Norte de Minas Gerais.
No mapeamento realizado em 2015, a áreas naturais referem-se a corpo d'água,
vegetação florestal, vegetação campestre e vegetação savânica15. As áreas antrópicas
são constituídas por pastagem, silvicultura, área agrícola, área artificial e solo exposto.
Esta última é considerada pelo IBGE (2013) como áreas descobertas.
A diferença entre os dados de áreas naturais e antrópicas apresentados, alusivo
aos anos de 2014 e 2015 (Figura 12), ocorre em função da escala, uma vez que o
mapeamento de 2015 apresenta maior detalhe que o mapeamento de 2014. Outro fator
que deve ser pontuado é que o IBGE (2014) mescla áreas naturais e antrópicas em uma
mesma classe, como exemplo, há as classes "mosaico de agropecuária com
remanescentes florestais, mosaico de vegetação campestre com áreas agrícolas e
mosaico de vegetação florestal com áreas agrícolas".
Portanto, este trabalho não visa contradizer os dados do IBGE (2014), apenas
vale ressaltar que, mesclar áreas naturais com áreas antrópicas gera generalizações

15
Esta classe corresponde as fitofisionomias do Cerrado que estão inseridas na formação savânica
(Cerrado sentido restrito e Vereda) conforme Ribeiro e Walter (1998).

47
cartográficas que podem dificultar na conservação da vegetação natural, uma vez que
não há sua identificação concreta e pontual.
Dentre os impasses da generalização cartográfica decorrente da agregação de
elementos naturais e antrópicos em uma mesma classe, há a interferência na adoção de
leis e diretrizes para conservação das áreas naturais frente ao desmatamento, na
fiscalização efetiva pelos órgãos ambientais e no monitoramento ambiental. Ressalta-se
que o IBGE é o principal fornecedor de dados geográficos e estatísticos do Brasil
utilizados para finalidades ambientais, territoriais, políticas e socioeconômicas pelos
órgãos gestores.
De acordo com o IBGE (2014) temos no Norte de Minas Gerais uma área de
55.923,14 km² (43,5%) de pastagem natural, seguido por 28.134,21 km² (21,9%) de
mosaico de vegetação campestre com áreas agrícolas e 23.201,93 km² (18,1%) de
pastagem plantada. Com menores áreas, tem-se aproximadamente 7.395,01 km² (5,8%)
de silvicultura, 4.960,02 km² (3,9%) de mosaico de agropecuária com remanescentes
florestais, 2.903,44 km² (2,3%) de vegetação campestre, 2.042,86 km² (1,6%) de área
agrícola, 1.991,41 km² (1,6%) de mosaico de vegetação florestal com áreas agrícolas,
1.216,72 km² (0,9%) de corpo d'água continental, 361,73 km² (0,3%) de vegetação
florestal, 318,55 (0,2%) de área artificial e 3,94 km² (0,003%) de área úmida.
Com relação aos dados do mapeamento de 2015, há 48.402,83 km² (34,8%) de
vegetação savânica (Cerrado sentido restrito e Veredas), 37.573,10 km² (27%) de
vegetação florestal (Cerradão, Mata Seca, Veredas, Mata Ciliar e Mata de Galeria) e
35.903,69 km² (25,8%) de pastagem. Com menores áreas tem cerca de 7.480,58 km²
(5,4%) de silvicultura (pinus e eucalipto), 4.987,07 km² (3,6%) de vegetação campestre
(Campo Sujo, Campo Limpo e Campo Rupestre), 3.161,86 km² (2,3%) de área agrícola
(Projetos de Irrigação, pivôs e outros cultivos), 895,39 km² (0,6%) de solo exposto,
444,96 km² (0,3%) de corpo hídrico e 262,72 km² (0,2%) de área artificial.

48
Figura 12: Áreas Naturais e Antrópicas do Norte de Minas - Ano 2014 e 2015.
Fonte: IBGE, 2010; IBGE, 2014; Imagens Landsat 8, 2015 e Laboratório de Geoprocessamento, 2017.
49
Diante dos dados apresentados, há duas classes (solo exposto e Vegetação
Savânica) em 2015 que não estão no mapeamento de 2014. Quanto à área artificial,
agrícola, pastagens, silvicultura e a vegetação campestre são as classes que mais se
assemelharam no mapeamento apresentado. Os mosaicos de vegetação com cultivos,
vegetação florestal e a pastagem natural apresentada pelo IBGE (2014) são as classes
mais discrepantes em relação ao mapeamento do ano de 2015, visto que algumas áreas
de vegetação florestal e savânica como o Cerrado sentido restrito, o Cerradão e a Mata
Seca (2015), estão como pastagem natural (2014) e os mosaicos de vegetação com
cultivos (2014), apresentam áreas correspondentes à vegetação florestal e savânica
(2015).

3.2 Fitofisionomias do Cerrado no Norte de Minas Gerais

Utilizando Ribeiro e Walter (1998) como parâmetro na classificação


fitofisionômica do Cerrado no Norte de Minas Gerais, tornou-se possível identificar e
delimitar nove fitofisionomias. Dentre as formações florestais, identificou-se o
Cerradão, a Mata Seca, a Mata Ciliar e a Mata de Galeria das formações savânicas,
delimitou-se o Cerrado sentido restrito e a Vereda dentre as formações campestres,
identificou-se o Campo Limpo, Campo Sujo e o Campo Rupestre.
Todas as fitofisionomias da formação florestal e campestre foram identificadas,
exceto da formação savânica (Parque de Cerrado e o Palmeiral). Uma vez que
apresentam características muito específicas, como a localização em pequenas elevações
do relevo e apresentam a presença de uma única espécie vegetal de forma abundante.
Outro fator que impediu a identificação das fitofisionomias Parque de Cerrado e do
Palmeiral foi a limitação da resolução espacial das imagens de satélite e/ou de radar.
O mapeamento gerado (Figura 13) mostrou que as áreas de Cerradão encontram-
se concentradas no leste e nordeste da mesorregião Norte de Minas Gerais. O Cerrado
sentido restrito apresentou uma faixa contínua (nordeste, leste, sudeste, sul, sudoeste,
oeste e noroeste) a exceção perfaz no extremo norte da região. Quanto à Mata Seca,
concentra-se no extremo norte e sul do Norte de Minas Gerais e apresenta reentrâncias
no leste, oeste, sudeste, sudoeste, nordeste e noroeste da região, especificamente em
Fundos de Vale.
A Mata de Galeria acompanha os pequenos canais e córregos da região e a Mata
Ciliar os canais fluviais maiores. As Veredas também acompanham os canais fluviais,
50
no entanto diferenciam-se da Mata Ciliar e da Mata de Galeria, pois possuem o estrato
herbáceo e arbóreo-arbustivo, e a estrutura retilínea. Sua localização predomina no oeste
da região, contudo, há, também, ao sul, leste, sudeste, nordeste e na área central do
Norte de Minas Gerais.
Quanto ao Campo Rupestre, este se localiza em uma faixa contínua (sul, sudeste,
leste, nordeste e norte) acompanhando especificamente a Serra do Espinhaço, e
apresenta também áreas a sudoeste da região, mesmo que em menores proporções. O
Campo Limpo e o Campo Sujo situam-se na porção oeste da região Norte de Minas, à
esquerda do rio São Francisco. O corpo hídrico é representado pelo rio São Francisco,
perpassando a região Norte de Minas Gerais sentido norte-sul, pela barragem Bico da
Pedra no município de Janaúba e pelo rio Itacambiruçu no município de Grão Mogol,
ambos a leste da região.
As Áreas Antrópicas referem-se à pastagem, solo exposto, mancha urbana,
silvicultura e cultivos (soja, café, algodão, etc.). A pastagem localiza-se em todos os
segmentos do Norte de Minas Gerais, entretanto predomina ao sul, sudoeste e extremo
norte da região. O solo exposto concentra-se no extremo norte, no entanto apresenta
poucas áreas no leste e noroeste e a mancha urbana predomina na área central da
mesorregião. A silvicultura além de estar presente na área central da região, é
encontrada também, no leste, nordeste, sudeste, sul e sudoeste do Norte de Minas
Gerais. Quanto aos cultivos, as maiores áreas são encontradas no extremo norte,
noroeste e sul da mesorregião Norte de Minas Gerais. Assim, a localização geográfica
dos usos antrópicos dá-se em todo o Norte de Minas Gerais, predominando ao sul e
extremo norte da mesorregião (Figura 13).

51
Figura 13: Fitofisionomias do Cerrado no Norte de Minas Gerais.
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015; Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

52
Compreendendo 35% do Norte de Minas, o Cerrado sentido restrito é a
fitofisionomia que apresenta a maior área (48.169,15km²). Encontra-se presente em 80
municípios, sendo Januária (3.895,06 km²), Bonito de Minas (2.860,1456km²),
Buritizeiro (2.446,896km²), Grão Mogol (2.311,28km²), Rio Pardo de Minas (2.214,75
km²) e Chapada Gaúcha (2.048,89 km²), os municípios que possuem as maiores áreas
desta fitofisionomia. Quanto aos municípios de Capitão Enéas, Catuti, Jaíba, Janaúba,
Juvenília, Matias Cardoso, Nova Porteirinha, Pai Pedro e Verdelândia, estes não
apresentaram áreas de Cerrado sentido restrito.
Situada, principalmente no extremo norte da região, a Mata Seca abrange uma
área de 28.346,18 km², isto é 20,4% do Norte de Minas Gerais. Embora apresente área
inferior ao Cerrado sentido restrito, a Mata Seca encontra-se presente nos 89 municípios
que constituem a mesorregião Norte de Minas Gerais. As maiores áreas estão
localizadas em municípios como Jaíba (1.405,97 km²), Montes Claros (1.312,61 km²),
Matias Cardoso (1.203,38 km²), Janaúba (1.168,12 km²), Manga (1.149,74 km²) e
Francisco Sá (1.109,10 km²).
A Mata Ciliar apresenta uma área de 5.875,53 km² e possui áreas mesmo que
pequenas em todos os municípios do Norte de Minas. Sendo que os municípios que
circundam o rio São Francisco apresentam as maiores áreas, como exemplo, pode-se
citar os municípios de Januária (325,35 km²), São Francisco (225,46km²), Buritizeiro
(224,38 km²), Pedras de Maria da Cruz (199,45 km²) e Manga (199,45 km²).
Diferentemente da Mata Ciliar, a Mata de Galeria apresenta uma área de 623,01
km² distribuídos apenas em 73 municípios. Uma vez que Capitão Enéas, Catuti,
Espinosa, Gameleiras, Glaucilândia, Ibiracatu, Janaúba, Juramento, Mamonas, Matias
Cardoso, Monte Azul, Pai Pedro, Patis, Porteirinha e Verdelândia não apresentaram
áreas com resposta espectral de Mata de Galeria. As maiores áreas foram identificadas
no município de Grão Mogol (54,74 km²), Salinas (53,95km²) e Rio Pardo de Minas
(50,38 km²), localizados no leste da região.
Considerada a formação florestal com maior dificuldade de regeneração
(AB'SABER, 2003) o Cerradão abrange uma extensão territorial de 2.670,01 km², isto é
2% do Norte de Minas Gerais. É encontrado em 12 municípios da região, a saber:
Bonito de Minas, Buritizeiro, Chapada Gaúcha, Cônego Marinho, Itacarambi, Januária,
Miravânia, Montalvânia, Riachinho, Santa Fé de Minas, São João das Missões e
Urucuia. Estes municípios em que há a presença de Cerradão estão todos localizados na
margem esquerda do rio São Francisco.

53
Presente em 23 municípios (Botumirim, Buritizeiro, Bocaiúva, Cristália,
Espinosa, Francisco Dumont, Francisco Sá, Grão Mogol, Guaraciama, Itacambira,
Juramento, Lassance, Mato Verde, Monte Azul, Olhos D'água, Porteirinha, Riachinho,
Rio Pardo de Minas, Santa Fé de Minas, Santo Antônio do Retiro, São Romão,
Serranópolis de Minas e Várzea da Palma), o Campo Rupestre engloba uma área de
4.510,89 km², equivalente a 3% do Norte de Minas.
Conforme o mapeamento de uso e cobertura do solo do Norte de Minas Gerais
relativo ao ano de 2015, as fitofisionomias do Cerrado que apresentam as menores áreas
foram o Campo Sujo, Veredas e o Campo Limpo. O Campo Sujo abarca uma área total
de 372,55 km² e situam-se apenas em 5 municípios. A maior área encontra-se presente
no município de Chapada Gaúcha (227,59 km²), seguido por Urucuia (56,43 km²),
Bonito de Minas (42,31 km²), Januária (37,94 km²), e por último, temos o município de
Riachinho (8,28 km²).
As Veredas são encontradas em 27 municípios do Norte de Minas e abrangem
uma área total de 233,69 km². Os municípios de Bonito de Minas (70,73 km²), Januária
(49,26 km²), Chapada Gaúcha (35,47 km²), Urucuia (18,14 km²) e Buritizeiro (12,57
km²) destacam-se com as maiores áreas. Em sua totalidade, tem-se, em 2015,
aproximadamente 439 Veredas distribuídas na região, a maior quantidade de Veredas
são encontradas em Buritizeiro (90), Bonito de Minas (87), Januária (57), Chapada
Gaúcha (43), Cônego Marinho (35), Urucuia (26), Montalvânia (19), São Romão (18),
Grão Mogol (9), São João da Ponte (9), Santa Fé de Minas (8) e São Francisco (6).
Quanto ao Campo Limpo, este apresentou a menor quantidade de áreas (103,63
km²) e encontra-se presente em apenas dois municípios (Santa Fé de Minas e São
Romão). A Tabela 4 apresenta a quantificação de áreas em km² de cada fitofisionomia
do Cerrado identificadas no Norte de Minas Gerais, em 2015, divididas pelos 89
municípios que constituem a mesorregião.

54
Municípios do Veredas Cerradão Cerrado Mata Campo Mata de Mata Campo Campo
Norte de Minas sentido Seca Rupestre Galeria Ciliar Limpo Sujo
restrito
Águas Vermelhas - - 847,52 13,18 - 3,58 32,93 - -
Berizal - - 335,09 12,41 - 3,16 14,57 - -
Bocaiúva - - 1785,28 147,81 521,84 42,73 159,2 - -
Bonito de Minas 70,73 724,45 2860,15 52,03 - 10,93 94,03 - 42,31
Botumirim 2,24 - 1064,18 40,71 232,46 28,05 72,42 - -
Brasília de Minas - - 787,16 175,6 - 3,79 47,3 - -
Buritizeiro 12,57 4,87 2446,9 1021,68 89,96 11,27 224,38 - -
Campo Azul - - 153,87 177,52 - 0,83 18,5 - -
Capitão Enéas - - - 686,67 - - 26,71 - -
Catuti - - - 111,98 - - 6,64 - -
Chapada Gaúcha 35,47 33,01 2048,89 134,03 - 17,34 89,13 227,59
Claro dos Poções 0,55 318,39 73,93 - 2,48 28,72 - -
Cônego Marinho 6,03 799 602,51 132,11 - 3,52 32,95 - -

Coração de Jesus - - 1293,21 326,85 - 2,82 82,03 - -


Cristália - - 661,61 15,51 26,02 19,46 30,86 - -
Curral de Dentro - - 357,54 28,76 - 4,16 19,22 - -
Divisa Alegre - - 97,27 1,03 - 0,43 1,7 - -
Engenheiro - - 344,93 23,5 - 4,14 29,73 - -
Navarro
Espinosa - - 311,12 850,69 105,92 - 87,67 - -
Francisco Dumont - - 511,23 23,29 613,81 2,32 57,37 - -
Francisco Sá - - 216,71 1109,1 276,94 0,002 168,19 - -
Fruta de Leite - - 570,28 68,92 - 24,47 29,61 - -
Gameleiras 0,97 - 164,79 1022,63 - - 70,6 - -
Glaucilândia - - 6,19 96,95 - - 5,96 - -
Grão Mogol 4,38 - 2311,28 174,29 350,4 54,74 146,52 - -
Guaraciama - - 172,03 9,45 68,63 5,19 17,96 - -
Ibiaí - - 197,63 278,65 - 0,29 29,75 - -
Ibiracatu 0,13 - 204,88 76,33 - - 10,2 - -
Icaraí de Minas - - 41,52 264,69 - 0,34 57,56 - -
Indaiabira - - 763,99 23,97 - 16,29 33,93 - -
Itacambira - - 765,9 61,8 588,81 35,94 103,61 - -
Itacarambi - 88,28 107,15 603,1 - 1,47 116,54 - -
Jaíba - - - 1405,97 - 0,12 47,6 - -
Janaúba - - - 1168,12 - 67,6 - -
Januária 49,26 648,32 3895,06 922,94 - 14,98 325,35 - 37,94
Japonvar 0,04 - 130,11 132,34 - 0,43 13,19 - -
Jequitaí - - 348,09 282,58 - 3,81 45,11 - -
Josenópolis - - 315,37 75,17 - 9,31 19,59 - -
Juramento - - 31,26 222,01 31,32 - 17,07 - -
Juvenília - - - 722,98 - 0,89 36,03 - -
Lagoa dos Patos - - 128,5 206,46 - 1,91 18,88 - -
Lassance 0,95 - 833,16 600,75 541,72 8,07 119,18 - -
Lontra - - 109,28 70,03 - 0,26 7,42 - -
Luislândia - - 293,27 30,28 - 0,3 10,44 - -
Mamonas - - 51,73 96,56 - - 17,27 - -

Continua...

55
Manga - - 16,65 1149,74 - 0,26 179,8 - -
Matias Cardoso - - - 1203,38 - - 139,16 - -
Mato Verde - - 30,52 167,78 44,9 0 30,62 - -
Mirabela 1,25 - 502,77 87,66 - 0,29 22,48 - -
Miravânia 0,16 138,04 277,13 81,89 - 0,18 14,57 - -
Montalvânia 3,55 50,62 629,13 434,52 - 2,78 44,62 - -
Monte Azul - - 90,65 416,91 36,68 - 59,25 - -
Montes Claros - - 1346,93 1312,61 - 2,99 134,63 - -
Montezuma 2,74 - 834,19 6,19 - 12,14 36,34 - -
Ninheira - - 606,78 35,69 - 3 24,57 - -
Nova Porteirinha - - - 22,58 - 5,33 - -
Novorizonte - - 179,73 41,89 - 6,65 10,49 - -
Olhos-d'Água - - 1086,29 53,57 499,77 36,5 90,81 - -
Padre Carvalho - - 297,83 21,62 - 10,81 16,89 - -
Pai Pedro - - - 395,79 - - 23,61 - -
Patis 0,88 - 180,71 134,96 - - 14,39 - -
Pedras de Maria da - - 34,17 830,16 - 0,95 199,45 - -
Cruz
Pintópolis 0,36 - 688,27 25,51 - 3,56 71,21 - -
Pirapora - - 108,85 132,19 - 1,96 20,37 - -
Ponto Chique 0,14 - 121,41 176,45 - 0,24 69,29 - -
Porteirinha - - 126,92 751,29 56,45 - 105,75 - -
Riachinho - 31,45 664,41 86,7 167,21 5,48 63,85 - 8,28
Riacho dos - - 613,9 259,41 - 9,17 69,69 - -
Machados
Rio Pardo de Minas 1,70 - 2214,75 87,42 123,67 50,38 140,99 - -
Rubelita - - 298,84 514,91 - 36,04 49 - -
Salinas - - 425,04 888,41 - 53,95 91,69 - -
Santa Cruz de - - 242,88 140,35 - 11,18 23,05 - -
Salinas
Santa Fé de Minas 6,31 14,35 1566,8 127,86 3,37 6,56 104,15 25,77 -
Santo Antônio do - - 626,89 8,54 32,67 16,7 34,31 - -
Retiro
São Francisco 1,64 - 1232,94 781,02 - 5,39 225,46 - -
São João da Lagoa 0,92 - 500,86 167,77 - 2,78 35,57 - -
São João da Ponte 2,45 - 231,42 904,3 - 0,01 51,21 - -
São João das - 97,16 135,95 241,06 - 0,22 17,86 - -
Missões
São João do Pacuí - - 149,89 104,76 - 0,27 15,56 - -
São João do Paraíso - - 998,53 55,71 - 13,67 54,85 - -

São Romão 9,11 - 1510,55 44,68 4,18 3,66 154,87 69,50


Serranópolis de - - 96,12 220,12 79,93 2,17 47,82 - -
Minas
Taiobeiras - - 602,81 155,27 - 13,08 38,12 - -
Ubaí - - 196,03 304,63 - 0,41 41,74 - -
Urucuia 18,14 40,47 1072,66 34,36 - 7,75 67,33 - 56,43
Vargem Grande do - - 350,98 11,23 - 6,98 17,14 - -
Rio Pardo
Várzea da Palma 0,94 - 367,85 544,65 14,24 2,45 78,78 - -
Varzelândia - - 37,26 523,75 - 0,11 20,62 - -
Verdelândia - - - 879,81 - - 30,83 - -
Total 233,69 2670,01 48169,15 28346,18 4510,89 681,38 5875,53 103,63 372,55
Tabela 4: Fitofisionomias do Cerrado por Municípios do Norte de Minas em km².
Org: BORGES, M. G. 2018.

56
Mediante associação das fitofisionomias do Cerrado do Norte de Minas Gerais
com o clima, relevo, a litologia e a hipsometria, constatou-se que o Cerradão
compreende áreas que vão desde 495 a 922 metros de altitude, no entanto apresenta
76% de sua área total em intervalos que variam entre 750 a 835 metros (SRTM, 2000).
Sobre sua descrição física, o Cerradão compreende solos Litólicos, Latossolo
Vermelho-Amarelo, Cambissolo, Glei Pouco húmico, Latossolo Vermelho-Escuro,
Podzólico Vermelho-Amarelo, Areias Quartzosas e Solos Aluviais (CPRM, 2009).
De acordo com o IBGE (2010) o clima em que o Cerradão se encontra é o
semiúmido, apresentando como característica, cerca de 4 a 5 meses secos durante o ano.
As unidades litológicas que compreendem esta fitofisionomia estão associadas ao
Grupo Areado, Mata da Corda, Complexo Januária, Coberturas detrito-lateríticas com
concreções ferruginosas, Depósitos aluvionares, Fáceis Lagoa do Jacaré (siltito e
calcário), Supergrupo Paraopeba, Litofácies Paraopeba, Formação Serra de Santa
Helena, Serra de Santa Helena, Três Marias e Grupo Urucuia (CPRM, 2009).
A morfologia do relevo corresponde a Chapadas e Platôs, Degraus Estruturais e
Rebordos Erosivos, Domínio de Colinas Amplas e Suaves, Domínio de Colinas
Dissecadas e Morros Baixos, Escarpas Serranas, Planaltos e Baixos Platôs, Tabuleiros,
Superfícies Aplainadas Conservadas e Degradadas, Vales Encaixados e Tabuleiros
Dissecados (CPRM, 2009).
Ab'Saber (2003) revela que as áreas de chapadas do Grupo Urucuia já foram
ocupados por fragmentos de Caatinga. Esta constatação pode ser fundamentada por
Ribeiro e Walter (1998) quando os autores destacam que as alterações climáticas e
geomorfológicas ocorridas no Quaternário repercutiram na expansão e/ou retração das
formações florestais da América do Sul.
A fitofisionomia Cerrado sentido restrito apresenta áreas que vão até 1784
metros de altura, assim como o Cerradão. O Cerrado sentido restrito predomina em
altitudes intermediárias, uma vez que apresenta 68% entre 620 a 911 metros (SRTM,
2000). A pedologia compreendida pelo Cerrado sentido restrito equivale a Solos
Litólicos, Solos Aluviais Indiscriminado, Plintossolo, Podzólico (Vermelho-Escuro,
Vermelho-Amarelo plíntico e Vermelho-Amarelo), Latossolo (Vermelho-Escuro,
Amarelo e Vermelho-Amarelo), Glei Pouco húmico, Cambissolo Epiconcrecionário,
Cambissolo, Areias Quartzosas e Solos Aluviais (CPRM, 2009). No Norte de Minas,
esta fitofisionomia encontra-se em dois climas, o semiúmido e o semiárido,

57
apresentando cerca 4 a 5 meses secos e/ou 6 meses secos, respectivamente (IBGE,
2010).
A litologia da área pertence ao Corpo Água Boa, Barrinha-Mamonas, Barrocão,
Botumirim, Catolé, Grupo Areado, Coberturas detrito-lateríticas com concreções
ferruginosas, Conceição do Mato Dentro, Córrego dos Borges, Depósitos aluvionares,
Formação Duas Barras, Rio Peixe Bravo, Chapada Acauã, Supergrupo Espinhaço,
Fazendinha, Formação Nova Aurora, Galho do Miguel, Gavião (migmatitos),
Granitóide Água Branca, Grupo Macaúbas, Formação Jequitaí, Jequitinhonha - unidade
gnáissica, Lagoa do Jacaré (Siltito, Calcário e Marga), Lagoa Nova, Macaúbas -
Unidade Serra Inhaúma, Macaúbas indiviso-Quartzito, Mata da Corda, Suíte Medina-
Maristela, Nova Aurora, Paciência, Subgrupo Paraopeba, Complexo Porteirinha,
Januária, Riacho dos Machados, Ribeirão da Folha, Rio Gorutuba, Rio Itacambiruçu,
Rio Maranhão, Salinas, Santa Fé, Santa Isabel, Santa Rita, Santo Onofre, Serra de Santa
Helena, Serra do Catuni, Sete Lagoas, Sienitóides Cara Suja, Estreito e Ceraíma, Sopa-
Brumadinho, Três Marias e Urucuia (CPRM, 2009).
Ainda de acordo com o CPRM (2009), o relevo das áreas de Cerrado sentido
restrito correspondem a Chapadas e Platôs, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos,
Domínio de Colinas Amplas e Suaves, Domínio de Colinas Dissecadas e Morros
Baixos, Domínio de Morros e de Serras Baixas, Domínio Montanhoso, Escarpas
Serranas, Planaltos e Baixos Platôs, Superfícies Aplainadas Conservadas e Degradadas,
Tabuleiros, Terraços Fluviais e Vales Encaixados.
Quanto à Mata Seca, encontra-se localizada em áreas que vão até 1714 metros.
No entanto, apresenta 50% de suas áreas em altitudes inferiores a 590 metros, ou seja,
predomina em baixas altitudes (SRTM, 2000). Assim como o Cerrado sentido restrito, a
Mata Seca localiza-se no clima semiúmido e semiárido (IBGE, 2010).
Conforme dados do CPRM (2009) a Mata Seca ocorre em Solos Litólicos,
Vertissolo, Podzólico (Vermelho-Escuro, Vermelho-Amarelo plíntico e Vermelho-
Amarelo), Plintossolo, Planossolo Solódico, Latossolo Amarelo, Cambissolo, Glei
Pouco húmico, Areias Quartzosas e Solos Aluviais.
As unidades litológicas em que a Mata Seca se encontra, fazem parte do Corpo
Água Boa, Botumirim, Lagoa Nova, Sienitóides Cara Suja, Estreito e Ceraíma, Medina-
Maristela, Morro do Quilombo, Mulungu, Canabrava, Barrocão, Serra Branca,
Barrinha-Mamonas, Rio Gorutuba, Grupo Areado, Suíte Catolé, Formação Nova Aurora
- ferrífera, Três Marias, Rio Peixe Bravo, Salinas, Jequitaí, Serra de Santa Helena, Serra

58
do Catuni, Ribeirão da Folha, Galho do Miguel, Santo Onofre, Chapada Acauã, Sete
Lagoas, Fazendinha, Lagoa do Jacaré (siltito, calcário e marga), Duas Barras, Córrego
dos Borges, Coberturas detrito-lateríticas com concreções ferruginosas e na Unidade
Conceição do Mato Dentro (CPRM, 2009).
Ainda de acordo com o CPRM (2009) há Mata Seca também, em Depósitos
aluvionares, Supergrupo Espinhaço (metaconglomerado, quartzito micáceo e quartzito
puro), Complexo Gavião (migmatitos), Santa Isabel, Rio Maranhão, Porteirinha,
Januária, Granitóide Água Branca, Grupo Macaúbas - Unidade Rio Preto, Jequitinhonha
- unidade gnáissica, Litofáceis Macaúbas (Unidade Serra Inhaúma, indiviso-quartzito),
Grupo Mata da Corda, Santa Fé, Suíte Rio Itacambiruçu, Urucuia, Paciência,
Supergrupo Paraopeba e Sequência Metavulcanossedimentar Riacho dos Machados.
No Norte de Minas Gerais, a fitofisionomia Mata Seca encontra-se presente em
áreas de Vales Encaixados, Terraços Fluviais, Tabuleiros Dissecados, Superfícies
Aplainadas Conservadas e Degradadas, Planaltos e Baixos Platôs, Escarpas Serranas,
Domínio Montanhoso, Domínio de Morros e de Serras Baixas, Domínio de Colinas
Dissecadas e Morros Baixos, Domínio de Colinas Amplas e Suaves, Degraus
Estruturais e Rebordos Erosivos, Chapadas e Platôs e em Planícies Fluviais, conforme
dados do CPRM (2009).
O Campo Rupestre embora localizado em áreas superiores a 900 metros
(EMBRAPA, s/d). No Norte de Minas, identificou-se que esta fitofisionomia em
altitudes compreendidas entre 479 a 1717 metros, sendo que aproximadamente 32%
localizam-se em áreas inferiores a 900 metros, tais como nos municípios de Buritizeiro
e Riachinho (SRTM, 2000). Situado inteiramente no clima semiúmido (IBGE, 2010), o
Campo Rupestre apresenta Solos Litólicos, Podzólico (Vermelho-Escuro, Vermelho-
Amarelo), Latossolo Vermelho-Amarelo, Cambissolo, Areias Quartzosas, Afloramentos
de Rocha e Solos Aluviais (CPRM, 2009).
O relevo que esta fitofisionomia ocorre no Norte de Minas Gerais são em
Chapadas e Platôs, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos, Domínio de Colinas
Amplas e Suaves, Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos, Domínio de
Morros e de Serras Baixas, Domínio Montanhoso, Escarpas Serranas, Planaltos e
Baixos Platôs, Superfícies Aplainadas Conservadas e Degradadas, Tabuleiros e Vales
Encaixados (CPRM, 2009).
Quanto à litologia, o Campo Rupestre é encontrado no Grupo Areado, Corpo
Barrinha-Mamonas, Barrocão, Suíte Catolé, Rio Itacambiruçu, Formação Jequitaí,

59
Chapada Acauã, Fazendinha, Rio Gorutuba, Nova Aurora, Galho do Miguel, Sopa-
Brumadinho, Córrego dos Borges, Duas Barras, Lagoa do Jacaré (marga), Três Marias,
Rio Peixe Bravo, Santa Rita, Serra de Santa Helena, Santo Onofre, Coberturas detrito-
lateríticas com concreções ferruginosas, Formação e Litofáceis Serra do Catuni,
Unidade Conceição do Mato Dentro, Depósitos aluvionares, Supergrupo Espinhaço
(metaconglomerado, quartzito micáceo, quartzito puro), Grupo Macaúbas - Unidade Rio
Preto, Rio Peixe Bravo, Santa Fé, Litofáceis Macaúbas (indiviso, indiviso- Quartzito),
Paraopeba, Supergrupo Nova Aurora, Complexo Porteirinha (CPRM, 2009).
Com predominância no clima semiúmido, as Veredas são encontradas em áreas
com altitudes compreendidas entre 462 a 1.103 metros. Na margem esquerda do Rio
São Francisco, as Veredas apresentam altitudes que variam 462 a 760 metros e na
margem direita esta fitofisionomia situa-se entre 761 a 1.103 metros. As altitudes
elevadas na margem direita do São Francisco devem-se em função das ramificações da
Serra do Espinhaço (SRTM, 2000).
Em conformidade aos dados do CPRM (2009) a pedologia em que esta
fitofisionomia ocorre compreende Solos Litólicos, Latossolo (Vermelho-Escuro e
Vermelho-Amarelo), Podzólico Vermelho-Amarelo, Cambissolo, Glei Pouco húmico e
húmico, Areias Quartzosas e Solos Aluviais. No Norte de Minas Gerais, as Veredas
ocorrem em áreas de Chapadas e Platôs, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos,
Domínio de Colinas Amplas e Suaves, Domínio de Colinas Dissecadas e Morros
Baixos, Domínio de Morros e de Serras Baixas, Escarpas Serranas, Planaltos e Baixos
Platôs, Superfícies Aplainadas Conservadas e Degradadas, Tabuleiros Dissecados,
Vales Encaixados e em Planícies Fluviais.
Sobre as unidades litológicas, temos a presença de Veredas no Grupo Areado,
Urucuia, Santa Fé, Supergrupo Espinhaço, Supergrupo e Litofáceis Paraopeba,
Coberturas detrito-lateríticas com concreções ferruginosas, Formação Galho do Miguel,
Serra de Santa Helena,Três Marias, Ribeirão da Folha, Nova Aurora, Rio Peixe Bravo,
Complexo Januária, Porteirinha, Lagoa do Jacaré, Fáceis Lagoa do Jacaré (siltito e
calcário), Macaúbas (indiviso) Suíte Rio Itacambiruçu e nos Depósitos aluvionares
(CPRM, 2009).
Inseridos completamente no clima semiúmido (IBGE, 2010), o Campo Limpo e
o Campo Sujo apresentam altitudes distintas. O Campo Limpo situa-se entre 502 a 551
metros e o Campo Sujo entre 565 a 857 metros (SRTM, 2000). Quanto aos solos, o
Campo Limpo encontra-se somente em áreas de Areias Quartzosas, enquanto o Campo

60
Sujo além das Areias Quartzosas, também é encontrado em áreas de Solos Litólicos,
Cambissolo, Glei Pouco húmico, Solos Aluviais e Latossolo Vermelho-Amarelo
(CPRM, 2009).
O Campo Limpo é encontrado em áreas de Coberturas detrito-lateríticas
ferruginosas dos Tabuleiros e Campo Sujo é encontrado no Grupo Areado e Urucuia,
Complexo Januária, Grupo Santa Fé, Formação Três Marias, Coberturas detrito-
lateríticas com concreções ferruginosas e nos Depósitos aluvionares das Chapadas e
Platôs, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos, Planaltos e Baixos Platôs, Superfícies
Aplainadas Conservadas e Degradadas, Planícies flúvio-lacustres e dos Tabuleiros
Dissecados (CPRM, 2009).
Quanto à Mata Ciliar e a Mata de Galeria compreende os Fundos de Vale do
semiúmido e semiárido (IBGE, 2010). A Mata Ciliar compreende áreas de Solos
Litólicos, Vertissolo, Planossolo Solodico, Latossolo (Vermelho-Escuro, Vermelho-
Amarelo e Amarelo), Glei húmico, Cambissolo, Solos Aluviais, Podzólico (Vermelho-
Escuro, Vermelho-Amarelo plíntico e Vermelho-Amarelo) e Areias Quartzosas. A Mata
de Galeria apresenta Solos Aluviais, Litólicos, Plintossolo, Latossolo (Vermelho-
Escuro, Vermelho-Amarelo e Amarelo), Glei pouco húmico, Cambissolo, Solos
Aluviais, Podzólico (Vermelho-Escuro e Vermelho-Amarelo) e Areias Quartzosas
(CPRM, 2009). São encontradas em todas as unidades litológicas que o Norte de Minas
compreende, uma vez que esta vegetação acompanha o canal fluvial (IBGE, 2010).
Conforme Ribeiro e Walter (1998) as áreas de Mata Ciliar apresentam
dimensões que raramente ultrapassam 100 metros, são mais densas e altas que a Mata
de Galeria, que por sua vez, apresentam dimensões menores e situam-se em áreas de
topografias acidentadas.
É importante destacar, que constatamos uma área de 3.160,87 km² com resposta
espectral de Floresta Estacional Semidecidual. No entanto, não a identificamos neste
mapeamento, pois este trabalho foi fundamentado na classificação fitofisionômica de
Ribeiro e Walter (1998). Nesse sentido, a Floresta Estacional Semidecidual foi agregada
à classe Cerrado sentido restrito no mapeamento das fitofisionomias e do uso do solo,
no entanto, foi retirada da área potencial de ocorrência do pequizeiro e buritizeiro, uma
vez que conforme os levantamentos de campo, constatou-se que não há ocorrência
destas espécies vegetais em áreas de Floresta Estacional Semidecidual.

61
3.3 Potencial ocorrência de pequizeiro no Norte de Minas Gerais

Na revisão da literatura, juntamente com o mapeamento das fitofisionomias do


Cerrado e nos levantamentos de campo realizados, constatou-se que a área potencial de
ocorrência de pequizeiro no Norte de Minas Gerais equivale a 49.428,98 km², isto é,
36% da mesorregião.
A área potencial de ocorrência do pequizeiro no Norte de Minas corresponde às
áreas de Cerradão, Cerrado sentido restrito e pasto com presença de árvores. As
fitofisionomias como Campo Limpo, Campo Sujo, Campo Rupestre, Veredas, Mata
Ciliar, Mata de Galeria e Mata Seca não apresentaram potencial de ocorrer pequizeiro.
Esta afirmação foi constatada a partir de levantamentos de campo realizados no âmbito
da área de estudo e também na literatura (ALMEIDA et al. 1998; FERREIRA et al.
2015).
A Figura 14 apresenta a área potencial de ocorrência do pequizeiro (Caryocar
brasiliense) no Norte de Minas Gerais - MG. A área potencial apresenta adensamento,
principalmente no oeste, nordeste e leste. Entretanto, apresenta áreas mesmo que
disjuntas no sudeste, sudoeste e sul e em menores proporções no extremo norte da
região.

62
Figura 14:Área Potencial de Ocorrência do Pequizeiro no Norte de Minas Gerais.
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015; Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

63
Compreendendo 80 municípios da mesorregião, a potencial ocorrência de
pequizeiro no Norte de Minas Gerais engloba a maior área nos municípios de Januária
(4.301,86 km²), Bonito de Minas (3.336,18 km²), Buritizeiro (2.460,07 km²), Chapada
Gaúcha (1.961,39 km²), Rio Pardo de Minas (1.933,46 km²) e Grão Mogol (1.920,68
km²).
As áreas elevadas nestes municípios citados ocorrem em função de apresentarem
as maiores extensões territoriais e devido o Cerrado sentido restrito ser a fitofisionomia
do Cerrado dominante. Deve-se destacar que as Unidades de Conservação como a APA
Bacia do Rio Pandeiros e a APA Cochá e Gibão nos municípios de Januária e Bonito de
Minas, o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, o Parque Estadual Serra das Araras, a
Reserva de Desenvolvimento Sustentável Veredas do Acari no município de Chapada
Gaúcha e o Parque Estadual de Grão Mogol apresentam contribuições significativas,
uma vez que contribuem na conservação e uso racional da vegetação natural (Cerradão,
Cerrado sentido restrito), portanto, implica também na conservação das áreas potenciais
de ocorrência do pequizeiro.
Com valores de área entre 1.540 km² a 605 km², tem-se área potencial de
pequizeiro nos municípios de São Romão, Santa Fé de Minas, Bocaiúva, Montes
Claros, Cônego Marinho, Coração de Jesus, São Francisco, Urucuia, são João do
Paraíso, Brasília de Minas, Águas Vermelhas, Riachinho, Montezuma, Pintópolis,
Botumirim, Indaiabira, Ninheira, Várzea da Palma, Lassance, Montalvânia e Riacho dos
Machados.
Em áreas entre 600 km² a 200 km², há potencial de ocorrência de pequizeiro nos
municípios de Cristália, Taiobeiras, São João da Lagoa, Jequitaí, Santo Antônio do
Retiro, Olhos d'Água, Fruta de Leite, Mirabela, Salinas, Itacambira, Claro dos Porções,
Miravânia, Curral de Dentro, Francisco Dumont, Engenheiro Navarro, Berizal, Vargem
Grande do Rio Pardo, Rubelita, Josenópolis, Luislândia, Santa Cruz de Salinas, Padre
Carvalho, Espinosa, São João das Missões, São João da Ponte, Ibiaí e Lagoa dos Patos.
As menores áreas, isto é, inferior a 200 km² foram situadas em municípios como
Ubaí, Itacarambi, Ibiracatu, Patis, São João do Pacuí, Novorizonte, Gameleiras, Campo
Azul, Japonvar, Guaraciama, Pirapora, Ponto Chique, Francisco Sá, Lontra, Porteirinha,
Divisa Alegre, Monte Azul, Serranópolis de Minas, Mamonas, Varzelândia, Icaraí de
Minas, Pedras de Maria da Cruz, Manga, Mato Verde, Glaucilândia e Juramento. Estes
municípios, além de possuírem menores extensões territoriais, apresentam áreas de
Mata Seca que são dominantes, tais como em Serranópolis de Minas, Ubaí,

64
Varzelândia, Campo Azul e Francisco Sá, logo, restringem as áreas que podem ocorrer
o pequizeiro.
Quanto aos municípios de Capitão Enéas, Catuti, Jaíba, Janaúba, Juvenília,
Matias Cardoso, Nova Porteirinha, Pai Pedro e Verdelândia, estes não apresentaram
áreas de ocorrência de pequizeiro em 2015. Assim sendo, a Tabela 5 mostra a área em
km² dos municípios com potencialidade de ocorrer o pequizeiro (Caryocar brasiliense)
na mesorregião Norte de Minas Gerais.

Área Área Área


Municípios (km²) Municípios (km²) Municípios (km²)
Januária 4301,86 Cristália 593,47 Ubaí 197,70
Bonito de Minas 3336,18 Taiobeiras 586,90 Itacarambi 194,07
Buritizeiro 2460,07 São João da Lagoa 575,86 Ibiracatu 193,53
Chapada Gaúcha 1961,39 Jequitaí 551,34 Patis 170,33
Rio Pardo de Minas 1933,46 Santo Antônio do Retiro 550,15 São João do Pacuí 162,09
Grão Mogol 1920,68 Olhos-d'Água 544,59 Novorizonte 160,84
São Romão 1539,37 Fruta de Leite 522,21 Gameleiras 153,61
Santa Fé de Minas 1515,65 Mirabela 494,35 Campo Azul 151,05
Bocaiúva 1409,04 Salinas 481,98 Japonvar 135,74
Montes Claros 1357,09 Itacambira 411,29 Guaraciama 133,34
Cônego Marinho 1295,40 Claro dos Poções 394,38 Pirapora 128,33
Coração de Jesus 1266,50 Miravânia 391,89 Ponto Chique 117,7
São Francisco 1238,29 Curral de Dentro 361,13 Francisco Sá 114,39
Urucuia 1113,61 Francisco Dumont 352,42 Lontra 106,18
São João do Paraíso 960,89 Engenheiro Navarro 349,33 Porteirinha 100,77
Brasília de Minas 879,45 Berizal 339,62 Divisa Alegre 93,22
Águas Vermelhas 864,92 Vargem Grande do Rio Pardo 338,20 Monte Azul 50,52
Riachinho 842,32 Rubelita 291,46 Serranópolis de Minas 48,17
Montezuma 779,96 Josenópolis 289,30 Mamonas 47,98
Pintópolis 750,07 Luislândia 276,45 Varzelândia 40,48
Botumirim 745,47 Santa Cruz de Salinas 269,28 Icaraí de Minas 39,59
Indaiabira 709,12 Padre Carvalho 268,23 Pedras de Maria da Cruz 31,85
Ninheira 689,90 Espinosa 241,62 Manga 16,23
Várzea da Palma 674,15 São João das Missões 227,91 Mato Verde 7,18
Lassance 672,37 São João da Ponte 219,57 Glaucilândia 5,55
Montalvânia 649,90 Ibiaí 218,49 Juramento 4,81
Riacho dos Machados 605,77 Lagoa dos Patos 209,43
Tabela 5: Potencial Ocorrência de Pequizeiro por Município do Norte de Minas Gerais em km².
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015;
Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

Localizadas no clima semiúmido (97%) e semiárido (3%) (IBGE, 2010), as áreas


com maior potencial de ocorrer pequizeiro são encontrados em altitudes compreendidas
entre 583 a 837 metros, uma vez que abarca cerca de 28.408,69 km² (57,5%) nestas
65
áreas. Há, também, aproximadamente 12.079,06 km² (24,4%) entre 837 a 1.091 metros
e 8.695,36 km² (17,6%) em altitudes inferiores a 583 metros. Em menores proporções,
temos cerca de 240,16km² (0,5%) entre 1.091 a 1.345 metros e 2,70 km² (0,01%) em
áreas superiores a 1.345 metros (SRTM, 2000).
As maiores áreas são encontrados em solos do tipo Latossolo Vermelho-
Amarelo (17.951,67km²), Areias Quartzosas (11.511,58 km²) e em Cambissolos
(6.193,34 km²). No entanto, há áreas também em Solos Litólicos, Latossolo Vermelho-
Escuro, Glei Húmico e Pouco Húmico, Latossolo Amarelo, Podzólico (Vermelho-
Amarelo, Vermelho-Escuro e Vermelho-Amarelo plíntico), Plintossolo e em Solos
Aluviais (CPRM, 2009).
Sobre a litologia, as maiores áreas são encontradas em unidades como no Grupo
Santa Fé (28.962,03 km²), Coberturas detrito-lateríticas com concreções ferruginosas
(10.643,91 km²), Grupo Areado (1.683,34 km²) e no Grupo Urucuia (1.324,85 km²). No
entanto, há áreas potenciais de ocorrência de pequizeiro também na Formação Chapada
Acauã, Nova Aurora, Jequitaí, Rio Peixe Bravo, Serra de Santa Helena, Sete Lagoas,
Lagoa do Jacaré, Córrego dos Borges, Serra do Catuni, Ribeirão da Folha, Formação e
Litofáceis Três Marias, Grupo Macaúbas (indiviso), Mata da Corda, Complexo
Porteirinha, Rio Maranhão, Corpo Barrocão, Botumirim, Suíte Rio Itacambiruçu,
Supergrupo Espinhaço, Paraopeba e em Depósitos aluvionares (CPRM, 2009).
Como as áreas de Cerradão, Cerrado sentido restrito e a pastagem com presença
de árvores estão localizadas em áreas de relevo mais aplainado, consequentemente o
potencial de pequizeiro terão as mesmas características, uma vez que ocorrem nestas
áreas. Assim sendo, de acordo com o CPRM (2009), há potencial de pequizeiro no
Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos, Domínio de Morros e de Serras
Baixas, Chapadas e Platôs, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos, Domínio de
Colinas Amplas e Suaves, Escarpas Serranas, Superfícies Aplainadas Conservadas e
Degradadas, Tabuleiros, Vales Encaixados, Terraços Fluviais e em Planícies Fluviais.

3.4 Potencial ocorrência de buritizeiro no Norte de Minas Gerais

A partir das constatações realizadas, identificou-se o potencial de ocorrência do


buritizeiro (Mauritia flexuosa) no Norte de Minas Gerais correspondente a 328,96 km²,
significando 0,2% da região. Sua área de ocorrência equivale a fitofisionomias do
Cerrado denominadas de Campo Limpo e Veredas (ALMEIDA et al. 1998). Este

66
potencial é encontrado em 27 municípios, concentrando especificamente nos municípios
de São Romão (78,61 km²), Bonito de Minas (70,73 km²), Januária (49,26 km²),
Chapada Gaúcha (35,47 km²) e Santa Fé de Minas (32,08 km²).
Há também, potencial de buritizeiro nos municípios de Urucuia, Buritizeiro,
Cônego Marinho, Grão Mogol, Montalvânia, Montezuma, São João da Ponte,
Botumirim, Rio Pardo de Minas, Patis, São Francisco, Mirabela, Gameleiras, Lassance,
Várzea da Palma, São João da Lagoa, Claro dos Poções, Pintópolis, Miravânia, Ponto
Chique, Ibiracatu e Japonvar (Tabela 6).

Municípios Área (km²) Municípios Área (km²) Municípios Área (km²)


São Romão 78,61 Montalvânia 3,55 Várzea da Palma 0,94
Bonito de Minas 70,73 Montezuma 2,74 São João da Lagoa 0,92
Januária 49,26 São João da Ponte 2,45 Patis 0,88
Chapada Gaúcha 35,47 Botumirim 2,24 Claro dos Poções 0,55
Santa Fé de Minas 32,08 Rio Pardo de Minas 1,70 Pintópolis 0,36
Urucuia 18,14 São Francisco 1,64 Miravânia 0,16
Buritizeiro 12,57 Mirabela 1,25 Ponto Chique 0,14
Cônego Marinho 6,03 Gameleiras 0,97 Ibiracatu 0,13
Grão Mogol 4,38 Lassance 0,95 Japonvar 0,04
Tabela 6: Potencial Ocorrência de Buritizeiro no Norte de Minas Gerais em km²
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015;
Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

Sua localização espacial (Figura 15) concentra-se no oeste e noroeste, no


entanto, abrange áreas mesmo que pequenas no sudoeste, leste e nordeste da região,
predominando especificamente na margem esquerda do rio São Francisco seguido pela
Serra do Espinhaço a leste.

67
Figura 15:Área Potencial de Ocorrência de Buritizeiro no Norte de Minas Gerais.
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015; Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

68
Presente no clima semiúmido (99,8%) e semiárido (0,2%) (IBGE, 2010), a área
com potencial de ocorrência de buritizeiro apresenta altitudes compreendidas entre os
intervalos de 462 a 1.103 metros. Temos cerca de 227,91 (69,3%) em altitudes
inferiores a 675 metros, aproximadamente 100,93 km² (30,7%) entre 675 a 888 metros e
4,82 km² (1,5%) em áreas superiores a 888 metros de altitude (SRTM, 2000).
De acordo com o CPRM (2009) a pedologia da área é composta por solos
Litólicos, Podzólico Vermelho-Amarelo, Latossolo (Vermelho-Escuro, Vermelho-
Amarelo), Glei Húmico e Pouco Húmico, Cambissolo, Areias Quartzosas e Solos
Aluviais dos Planaltos e Baixos Platôs.
Sobre a litologia, as maiores áreas com potencial de ocorrência do buritizeiro são
encontradas em Coberturas detrito-lateríticas com concreções ferruginosas (37,1%),
Depósitos aluvionares (22,7%) e no Grupo Urucuia (20%). Entretanto, há áreas também
no Grupo Areado, Santa Fé, Formação e Litofáceis Três Marias (arenito), Nova Aurora,
Galho do Miguel, Rio Peixe Bravo, Ribeirão da Folha, Serra de Santa Helena, Sete
Lagoas, Complexo Januária, Porteirinha, Formação e Fáceis Lagoa do Jacaré (siltito e
calcário), Supergrupo e Litofáceis Paraopeba (calcário), Espinhaço, Macaúbas
(indiviso) e Suíte Rio Itacambiruçu (CPRM, 2009).

3.5 Mapeamento sistemático de uso e cobertura do solo no Norte de Minas Gerais

De acordo com o uso e cobertura do solo no ano de 1986 do Norte de Minas


Gerais, o Cerrado sentido restrito também predominava com a maior quantidade de
áreas (47.059,10 km²), seguido pela Mata Seca (33.147,47 km²) e pela pastagem
(31.816,56 km²). As áreas de Veredas (233,69 km²), Mata Ciliar (5.875,53 km²) e Mata
de Galeria (681,38 km²), assim como em 1999 continuaram inalteradas.
A silvicultura é o segundo uso antrópico com a maior quantidade de áreas
(5.361,85 km²) somente ultrapassado pela pastagem. Em 1986, este uso se encontrava
presente em 51 municípios, apresentando as maiores áreas em Buritizeiro (835,49 km²),
São João do Paraíso (545,97 km²), Rio Pardo de Minas (508,77 km²), Grão Mogol
(444,11 km²) e Lassance (412,89 km²).
As áreas de Campo Rupestre foram computadas com 4.214,56 km² (3,03%), é a
quarta fitofisionomia com maior quantidade de áreas e assim como os anos
subsequentes (1999 e 2015) encontrava-se presente em 23 municípios da mesorregião
Norte de Minas Gerais. Assim sendo, a alteração de áreas (perda ou ganho) ocorre

69
dentro destes 23 municípios. O Solo Exposto refere-se a 3.056,04 km² (2,20%) é
encontrado nos 89 municípios, as maiores áreas foram identificadas em Matias Cardoso
(143,89 km²), Salinas (143,68 km²), Manga (130,12 km²) e Montalvânia (128,77 km²).
Os cultivos apresentaram uma área de 3.114,70 km² (2,2%) situados em 43
municípios. As maiores áreas foram encontradas em Buritizeiro (746,07 km²), Januária
(567,68 km²), Bonito de Minas (369,38 km²), Chapada Gaúcha (321,05 km²) e Cônego
Marinho (247,12 km²). Nesta classe, os pivôs centrais representam 83,78 km² e os
projetos de irrigação representam 127,46 km². Os projetos de irrigação apresentaram em
1986 cerca de 80% de sua área inferior ao apresentado no ano de 2015, pois em 1986
não havia sido implementado o Projeto Jaíba.
Em 1986, havia 96 pivôs centrais distribuídos em 28 municípios, a saber:
Taiobeiras (18), Itacarambi (11), Verdelândia (7), Januária (7), Várzea da Palma (6),
Manga (5), Montes Claros (4), Chapada Gaúcha (4), Pirapora (3), Buritizeiro (4),
Indaiabira (3), Lassance (3), Vargem Grande do Rio Pardo (2), Porteirinha (2),
Montalvânia (2), Juvenília (2), Jequitaí (2), São João da Ponte (1), Rubelita (1), Rio
Pardo de Minas (1), Pedras de Maria da Cruz (1), Matias Cardoso (1), Francisco Sá (1),
Engenheiro Navarro (1), Lagoa dos Patos (1), Ibiaí (1), Capitão Enéas (1) e Jaíba (1).
Detectou-se uma área de 2.658,06 km² (1,91%) relativo ao Cerradão, nesse ano
analisado (1986) a quantidade em km² de Cerradão por município foi diferente, visto
que nos anos posteriores analisados o cultivo se realocou em outras áreas de Cerradão.
A classe Outros apresentou uma área de 801,28 km² (0,58%) e refere-se a
nuvens, sombras e queimadas, sendo encontrada ao sul, oeste e noroeste. Adiante, o
corpo hídrico corresponde a 462,08 km² (0,33%), e é representado pelos mesmos rios
dos anos subsequentes analisados. O Campo Sujo se compõe de uma área de 362,35
km² (0,26%) e também se concentra no oeste na região, em municípios como Chapada
Gaúcha (197,72 km²) e Urucuia (57,73 km²), embora mostre áreas inferiores em
Riachinho (7,22 km²), Bonito de Minas (2,54 km²) e Januária (2,11 km²).
A mancha urbana em 1986 era reduzida com relação a 1999 e 2015, uma vez
que consistiu em uma área de 172,31 km² (0,12%). A cidade de Montes Claros se
destaca com a maior extensão territorial (54,02 km²). Quanto ao Campo limpo, esta é a
fitofisionomia com o menor número de áreas (95,27 km²) apresentada na mesorregião
Norte de Minas Gerais em 1986 (Figura 16).

70
Figura 16: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - ano 1986
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 5, 1986.
71
De acordo com os dados do mapeamento de uso e cobertura do solo alusivo ao ano de
1999, as áreas referentes às Veredas, Mata de Galeria e de Mata Ciliar seguiram inalteradas,
pois, por serem áreas de pequena dimensão, consideramos a área mapeada em 2015 como
valor verdade para os anos anteriores (1999 e 1986), uma vez que não tínhamos respaldo das
imagens WorldView-II e do Google Earth, o que poderia causar uma subestimação ou
superestimação dos dados. Assim, há Veredas no Norte de Minas Gerais identificadas pelas
imagens WorldView-II (1,20 x 1,20 m) que não puderam ser visualizadas nas imagens Landsat
(30 x 30 m) em função de seu diâmetro.
O Cerrado sentido restrito é a fitofisionomia que predomina com a maior quantidade
de áreas (44.610,86 km²), isto é, 32,07%. Presente em 80 municípios assim como em 2015,
as maiores áreas em km² foram encontrados nos municípios de Januária (2.835,50 km²),
Bonito de Minas (2.438,38 km²), Buritizeiro (2.015,66 km²) e Grão Mogol (1.784,62 km²).
A pastagem corresponde a uma área de 36.479,31 km² (26,22%) distribuídos nos 89
municípios da região. As maiores áreas no ano de 1999 são apresentadas em Buritizeiro
(2.053,18 km²), Januária (1.787,24 km²), Montes Claros (1.449,76 km²), Santa Fé de Minas
(1.138,40 km²) e Janaúba (1.014,11 km²). A Mata Seca abrange uma área de 27.744,02 km²
(19,94%) e correspondeu em 1999, às maiores áreas em municípios como Manga (1.211,63
km²), Matias Cardoso (1.175,94 km²), Francisco Sá (1.080,51 km²), Gameleiras (1.065,33
km²) e São Francisco (1.003,55 km²).
A silvicultura aparece com área de 6.322,28 km² (4,54%). Este uso foi encontrado em
53 municípios do Norte de Minas Gerais, concentrando-se em Buritizeiro (630,99 km²), São
João do Paraíso (613,36 km²), Lassance (606,84 km²), Grão Mogol (474,26 km²), Rio Pardo
de Minas (442,22 km²) e em Olhos d'Água (365,90 km²).
O solo exposto apresentou em 1999 cerca de 6.011,00 km² (4,32%), compõe-se de
áreas degradadas, de pousio, que foram e/ou serão ocupadas por atividades agrícolas. Esta
classe foi encontrada nos 89 municípios da região, abarcando as maiores áreas nos municípios
de Riachinho (431,30 km²), Buritizeiro (374,80 km²), Salinas (370,69 km²), Urucuia (260,58
km²) e Santa Fé de Minas (210,21 km²).
O Campo Rupestre compreendeu uma área de 4.171,14 km² (3%), e foi encontrado em
23 municípios, sendo as maiores áreas nos municípios de Francisco Dumont (558,06 km²),
Itacambira (538,81 km²), Lassance (490,86 km²), Bocaiúva (474,97 km²) e Olhos d'água
(454,49 km²). Com áreas inferiores ao apresentado, temos Campo Rupestre em Grão Mogol,

72
Francisco Sá, Botumirim, Riachinho, Rio Pardo de Minas, Espinosa, Buritizeiro, Serranópolis
de Minas, Guaraciama, Porteirinha, Mato Verde, Monte Azul, Cristália, Santo Antônio do
Retiro, Juramento, Várzea da Palma, Juramento, São Romão e Santa Fé de Minas.
Com uma área de 2.846,71 km² (2,05%), há Cerradão em 12 municípios, a saber:
Urucuia, São João das Missões, Santa Fé de Minas, Riachinho, Montalvânia, Miravânia,
Januária, Itacarambi, Cônego Marinho, Chapada Gaúcha, Buritizeiro e Bonito de Minas. A
classe cultivos correspondeu em 1999, a 2.265,84 km² (1,6%), e assim como em 2015, refere-
se aos mesmos elementos. Os cultivos estão compreendidos em 57 municípios, apresentando
as maiores áreas em Buritizeiro (757,68 km²), Jaíba (216,54 km²), Chapada Gaúcha (202,26
km²), Bocaiúva (163,09 km²) e Várzea da Palma (109,30 km²).
Incluso na classe cultivos, os projetos de irrigação possuem 369,71 km² e os pivôs
centrais representam 285,91 km². Ao todo são 330 pivôs distribuídos em 49 municípios, a
saber: Verdelândia (26), Itacarambi (23), Taiobeiras (20), Manga (19), Jaíba (18), Buritizeiro
(18), Capitão Enéas (18), Matias Cardoso (14), Urucuia (14), Janaúba (13), Januária (13),
Jequitaí (11), Montalvânia (11), Pedras de Maria da Cruz (11), Montes Claros (10), Chapada
Gaúcha (9), Várzea da Palma (8), Lassance (7), Águas Vermelhas (6), Rio Pardo de Minas
(5), Juvenília (5), São João da Ponte (4), Brasília de Minas (4), São Romão (4), Indaiabira (4),
Riachinho (4), Divisa Alegre (3), Vargem Grande do Rio Pardo (3), Bonito de Minas (3),
Engenheiro Navarro (3), Cônego Marinho (3), São Francisco (3), Porteirinha (2), Coração de
Jesus (2), Bocaiúva (2), Icaraí de Minas (2), Claro dos Poções (2), Lagoa dos Patos (2),
Francisco Sá (2), Campo Azul (1),Curral de Dentro (1), Montezuma (1), Ibiaí (1), São João da
Lagoa (1), Juramento (1), São João do Paraíso (1), Rubelita (1), São João das Missões (1).
A classe Outros corresponde a áreas de nuvens, sombras e queimadas, em 1999, esta
classe representou 759,90 km² (0,5%) e encontrou-se presente nos 89 municípios do Norte de
Minas Gerais. Adiante, temos o corpo hídrico com 432,21 km² (0,31%) e o Campo Sujo com
349,20 km² (0,25%). Este último, encontra-se presente nos municípios de Riachinho, Bonito
de Minas, Januária, Urucuia e Chapada Gaúcha. A mancha urbana apresentada, em 1999, era
233,88 km² (0,17%), isto é, área inferior a 2015, uma vez que a área de cidades como são
Francisco, Montes Claros, Janaúba, dentre outras, eram menores. A fitofisionomia do Cerrado
que apresentou a menor extensão de áreas em 1999 foi o Campo Limpo (95,27 km²), e o
mesmo situava-se somente nos municípios de Santa Fé de Minas e em São Romão (Figura
17).

73
Figura 17: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - Ano 1999
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 5, 1999.
74
Conforme dados do mapeamento sistemático do uso e cobertura do solo no Norte de
Minas Gerais pertinente ao ano de 2015, constatou que as que áreas naturais referem-se a
91.407,97 km² (66%) e as áreas antrópicas referem-se a 47.704,24 km² (34%). O Cerrado
sentido restrito abrange a maior área (48.169,15 km²), seguido pela pastagem (35.903,69 km²)
e pela Mata Seca (28.346,18 km²).
A Mata Seca, embora seja uma área menor que o Cerrado sentido restrito, possui áreas
em todos os municípios do Norte de Minas Gerais, uma vez que sua localização geográfica na
maioria dos municípios ocorre em escarpas, enquanto o Cerrado sentido restrito ocorre em
áreas mais aplainadas e elevadas. Diferentemente das fitofisionomias citadas, a pastagem é
encontrada em áreas mais elevadas e planas em áreas com menores altitudes e com maior
declividade, isto ocorre em função de ser um uso antrópico cultivado por grandes, médios e
pequenos produtores rurais.
A silvicultura compreende uma área de 7.480,58 km² e tem como principal
característica sua forma geométrica, uma vez que é cultivada em mosaicos. Sua localização
geográfica está em áreas elevadas e planas, pois o relevo é uma condicionante em sua
implantação, tendo em vista que pode comprometer a colheita e o transporte das madeiras. No
geral, a cobertura vegetal que a silvicultura apresenta no Norte de Minas Gerais, são áreas de
Cerrado sentido restrito. Assim sendo, presente em 56 municípios, as maiores áreas foram
encontradas em Buritizeiro (905,13 km²), Lassance (765,07 km²), São João do Paraíso
(691,86 km²), Grão Mogol (687,39 km²), Rio Pardo de Minas (549,04 km²) e Olhos d'Água
(445,50 km²).
A Mata Ciliar abrangeu, em 2015, uma área de 5.875,53 km², esta fitofisionomia
acompanha os canais fluviais maiores e apresenta as maiores áreas em municípios que
circundam o rio São Francisco. O Campo Rupestre apresentou uma área de 4.510,89 km²,
situa-se em áreas elevadas, predomina na Serra do Espinhaço no leste da região e possui como
principal característica a presença de afloramentos de rocha. O Cerradão apresentou em 2015
uma área de 2.670,01 km², é a quinta fitofisionomia do Cerrado com maior extensão em área
no Norte de Minas Gerais, sua localização espacial compreende áreas planas e mais elevadas,
concentrando especificamente na porção oeste da mesorregião.
Os cultivos, com cerca de 3.161,86 km², são o terceiro uso antrópico que predomina na
região, concentra-se nas margens dos grandes rios do sul, oeste e extremo norte da região,
todavia, apresenta áreas mesmo que pequenas em outras posições. A classe cultivos referem-

75
se às plantações de soja, café, feijão, algodão, etc., no entanto, deve-se destacar que os
cultivos entre si apresentam semelhança espectral, desta forma, neste trabalho não separamos,
devido onerar o processamento dos dados. Assim, trabalhos futuros serão muito úteis no
discernimento fidedigno dos elementos que compõe esta classe.
Presente em 55 municípios, as maiores áreas são encontradas em Buritizeiro (754,55
km²), Jaíba (462,89 km²), Chapada Gaúcha (380,76 km²) e Januária (292,27 km²). Com
menores áreas, há cultivos em Bocaiúva, Várzea da Palma, Bonito de Minas, Nova
Porteirinha, Matias Cardoso, Janaúba, São Romão, Pirapora, Ninheira, Cônego Marinho,
Jequitaí, Urucuia, Verdelândia, Itacarambi, Porteirinha, Lassance, Engenheiro Navarro,
Manga, Santa Fé de Minas, Pedras de Maria da Cruz, Taiobeiras, Guaraciama, Capitão
Enéas, Montes Claros, Águas Vermelhas, Ibiaí, Rio Pardo de Minas, Indaiabira, Riachinho,
Francisco Dumont, Berizal, Vargem Grande do Rio Pardo, Montalvânia, Divisa Alegre, São
João do Paraíso, Juvenília, Francisco Sá, São Francisco, Curral de Dentro, São João das
Missões, Miravânia, Lagoa dos Patos, Icaraí de Minas, Rubelita, Gameleiras, Brasília de
Minas, Varzelândia, São João da Lagoa, Olhos d'Água e Montezuma.
Incluso nesta classe, os pivôs centrais representam 472,04 km², situam-se próximo à
áreas de cultivos e de pastagens. Ao todo, temos em 2015 aproximadamente 610 pivôs
centrais distribuídos em 49 municípios, a saber: Jaíba (142), Matias Cardoso (62), Buritizeiro
(35), Várzea da Palma (26), Manga (24), Urucuia (23),Verdelândia (23), Jequitaí (22),
Itacarambi (22), Capitão Enéas (19), Taiobeiras (19), Pirapora (16), Rio Pardo de Minas (16),
Lassance (16), Januária (13), Janaúba (12), São Romão (12), São João da Ponte (11), Pedras
de Maria da Cruz (11), Montalvânia (9), Indaiabira (9), Chapada Gaúcha (9), Montes Claros
(8), Ibiaí (7), Águas Vermelhas (6), Berizal (5), Bocaiúva (5), Juvenília (4), Engenheiro
Navarro (4), Francisco Dumont (3), Cônego Marinho (3), Curral de Dentro (3), Divisa Alegre
(3), Riachinho (3), Vargem Grande do Rio Pardo (3), Bonito de Minas (3), Icaraí de Minas
(3), São João do Paraíso (2), Lagoa dos Patos (2), São João das Missões (2), Francisco Sá (2),
Porteirinha (2), São Francisco (2), Rubelita (1), Ninheira (1), Gameleiras (1), Brasília de
Minas (1) e Montezuma (1).
Ainda incluso na classe cultivos, os Projetos de Irrigação são representados pelo
Projetos de Jaíba e Gorutuba, compreendem uma área total de 644,52 km² e situam-se no
extremo norte da região, nos municípios de Jaíba (435,73 km²), Nova Porteirinha (92,21 km²),
Matias Cardoso (68,95 km²), Janaúba (62,93 km²) e Porteirinha (28,33 km²).

76
O solo exposto engloba 895,39 km², situa-se em todo o Norte de Minas, no entanto,
predomina no extremo norte da mesorregião. Estas áreas referem-se a locais que foram e/ou
serão ocupados por usos antrópicos como a pastagem, a silvicultura e os cultivos, não
descartando também, a possibilidade de serem áreas erodidas e degradadas.
Com uma área de 681,38 km², a Mata de Galeria acompanha os canais fluviais
menores, situando-se nos Fundos de Vale do Norte de Minas Gerais. O Corpo Hídrico
apresentou em 2015 uma área de 444,96 km², representado pelo rio Gorutuba, rio São
Francisco e o rio Itacambiruçu. O Campo Sujo compõe uma área de 372,55 km², esta
fitofisionomia predomina no oeste da região, apresenta como principal característica a sua
localização em áreas aplainadas. A Mancha Urbana compreende 262,72 km² e apresenta as
maiores extensões nas cidades de Montes Claros, Pirapora, Januária, São Francisco e Janaúba.
Por último, temos as Veredas e o Campo Limpo. As Veredas correspondem a 233,69
km² localizam-se próximos a cursos d'água, concentrando-se no oeste da região. Quanto ao
Campo Limpo, este se compõe na menor área (103,63 km²) e assim como o Campo Sujo, esta
fitofisionomia predomina no oeste da mesorregião Norte de Minas Gerais. A Figura 18
contém a espacialização dos dados do uso e cobertura do solo no Norte de Minas Gerais
referente ao ano de 2015.

77
Figura 18: Uso e Cobertura do Solo no Norte de Minas Gerais - Ano 2015
Fonte: IBGE, 2010; Imagens Landsat 8, 2015; Imagens WorldView-II, 2015; Google Earth, 2015; Laboratório de Geoprocessamento, 2017.

78
De acordo com os dados expostos (1986, 1999 e 2015), pode-constatar que o
Cerrado sentido restrito é a fitofisionomia que predomina, em termos territoriais, no
Norte de Minas Gerais. Assim sendo, ao correlacionarmos os dados de 1986 com 2015,
percebe-se que esta fitofisionomia teve ganho de 0,8%. Esse aumento de áreas de
Cerrado sentido restrito ocorreu em função da criação de UCs e da regeneração das
áreas queimadas, principalmente no oeste e noroeste da região.
Diferentemente do Cerrado sentido restrito, a Mata Seca reduziu 3,42% sua área
de ocorrência, isto ocorreu em função do aumento dos cultivos, tais como da criação do
Projeto Jaíba, do aumento de áreas do Projeto Gorutuba, das manchas urbanas e das
pastagens.
O Cerradão teve oscilação de áreas entre os anos analisados e apresentou a maior
quantidade de áreas no ano de 1999 (2.846,71 km²). Embora em 1986 tenha havido
expressiva área de cultivos no município de Januária e Bonito de Minas e com a criação
das UCs estas áreas se reduziram, tivemos em 2015 o aumento das áreas de cultivos no
município de Chapada Gaúcha, ou seja, houve uma realocação dos cultivos em áreas de
Cerradão.
O Campo Sujo, também, apresentou oscilação de áreas, a menor área embora
não expressiva, foi apresentada em 1999 (349,20 km²). A redução de áreas do Campo
Sujo em 1999 ocorreu em função do aumento dos cultivos na região, no entanto, em
2015, houve um aumento de 6% desta fitofisionomia, visto que os cultivos se
realocaram. O Campo Rupestre aumentou 7% e o Campo Limpo 8% em 2015 com
relação ao ano de 1986, decorrente da redução das pastagens nessas áreas.
Quanto aos usos antrópicos, a silvicultura ampliou 28% entre 1986-2015, este
aumento ocorreu em áreas de Cerrado sentido restrito, solo exposto, pastagens e
cultivos, concentrando-se em áreas de chapadas ao sul e no decorrer de toda a Serra do
Espinhaço a leste. A sobreposição das áreas de silvicultura sobre outros usos antrópicos
pode ser comprovada por Nunes, Soares e Soares (2012) quando revelam que este
mesmo fato ocorreu no município de Claro dos Porções, no Norte de Minas Gerais.
A pastagem apresentou expansão em áreas de Mata Seca e do Cerrado sentido
restrito. Assim sendo, correlacionando os dados expostos, tivemos um aumento de 13%
entre 1986-1999 e uma redução de 2% entre 1999-2015. Esta redução de 2% das
pastagens ocorreu em função do aumento da silvicultura no leste e sul da região.
Os cultivos reduziram 27,3% entre 1986-1999 devido à criação das UCs onde
estavam instalados, no entanto, aumentaram 28,3% em 2015 devido à realocação de

79
suas áreas. Os projetos de irrigação obtiveram crescimento de 80% entre os anos
analisados, uma vez que, em 1986 não havia sido instalado o Projeto Jaíba, e após sua
instalação, houve aumento de sua área irrigável, assim como houve também do Projeto
Gorutuba. Os pivôs centrais tiveram aumento de 84% em sua quantidade, uma vez que
tinha em 1986 aproximadamente 96 pivôs centrais enquanto que em 2015 temos cerca
de 610 pivôs. Esse aumento ocorreu, principalmente no município de Jaíba, visto que
havia 1 pivô central em 1986 e 142 pivôs em 2015.
O solo exposto teve variação em suas áreas, pois teve um aumento de 49% entre
os anos de 1986-1999 e uma redução de 85% entre 1999-2015. A redução de áreas do
solo exposto se deve em função da regeneração da cobertura vegetal em áreas que já
foram ocupadas por usos antrópicos e também da sobreposição de usos antrópicos como
a silvicultura, pastagens e cultivos em áreas que estavam descobertas. Quanto à mancha
urbana, tivemos um crescimento de 34% devido a expansão de cidades como Montes
Claros, Janaúba, Pirapora, São Francisco, dentre outras.
Em consonância com o exposto, a Tabela 7 apresenta a quantidade de áreas de
cada fitofisionomia do Cerrado e de usos antrópicos presente na região Norte de Minas
Gerais, assim também como o percentual que cada uma representa para a mesorregião
nos anos analisados, isto é, em 1986, 1999 e 2015.

1986 1999 2015


Classes de Uso da
Terra km² % km² % km² %
Mata Seca 33.147,47 23,80% 27.744,02 19,94% 28.346,18 20,38%
Cerradão 2.658,06 1,91% 2.846,71 2,05% 2.670,01 1,92%
Cerrado sentido restrito 47.059,10 33,83% 44.610,86 32,07% 48.169,15 34,63%
Mata Ciliar 5.875,53 4,22% 5.875,53 4,22% 5.875,53 4,22%
Mata de Galeria 681,38 0,49% 681,38 0,49% 681,38 0,49%
Veredas 233,69 0,17% 233,69 0,17% 233,69 0,17%
Campo Limpo 95,27 0,07% 95,27 0,07% 103,63 0,07%
Campo Sujo 362,35 0,26% 349,2 0,25% 372,55 0,27%
Campo Rupestre 4.214,56 3,03% 4.171,14 3,00% 4.510,89 3,24%
Silvicultura 5.361,85 3,85% 6.322,28 4,54% 7.480,58 5,38%
Pastagem 31.816,56 22,87% 36.479,31 26,22% 35.903,69 25,81%
Solo Exposto 3.056,04 2,20% 6.011,00 4,32% 895,39 0,64%
Malha Urbana 172,31 0,12% 233,88 0,17% 262,72 0,19%
Cultivos 3.114,70 2,24% 2.265,84 1,63% 3.161,86 2,27%
Corpo Hídrico 462,08 0,33% 432,21 0,31% 444,96 0,32%
Outros 801,28 0,58% 759,9 0,55% 0 0,00%
Tabela 7: Uso e Cobertura do Solo do Norte de Minas Gerais - anos 1986, 1999 e 2015
Fonte:Imagens Landsat 5, 1986 e 1999; Imagens Landsat 8, 2015; Lab. de Geoprocessamento, 2017.

80
De acordo com a qualidade das imagens de satélite do ano de 2015, a classe
Outros, não obteve áreas em 2015 visto que não havia nenhuma cobertura de nuvens e
por não haver áreas com resposta espectral de queimadas. Comparando as imagens dos
anos de 2015 com relação a 1986 e 1999, esta classe em sua grande maioria estava
sobreposta a áreas de Cerradão e Cerrado sentido restrito.

3.6 Implicações das ações antrópicas sobre as potenciais áreas de ocorrência do


pequizeiro e buritizeiro no Norte de Minas Gerais e a questão do extrativismo

Através da correlação de dados de uso e cobertura do solo no Norte de Minas


Gerais (1986, 1999 e 2015) podemos constatar que as áreas de Cerradão e Cerrado
sentido restrito apresentaram oscilação de áreas. O Cerradão mostrou redução entre
1999 e 2015 e o Cerrado sentido restrito aumentou sua área no período analisado.
Devemos destacar que o fato de ter aumentado as áreas de Cerrado sentido
restrito não necessariamente significa que tivemos aumento da quantidade de
pequizeiro, mas, há uma probabilidade de maior ocorrência, pois aumentou sua área em
potencial. O mesmo fato pode ser citado para o buritizeiro, que embora tenha
aumentando a área do Campo Limpo entre 1999 e 2015, também não significa que
tenhamos mais indivíduos de buritizeiro na região, entretanto, aumenta a possibilidade
de ocorrer.
Deve-se mencionar que não somente a supressão da vegetação natural pode
ocasionar a redução destas espécies e de sua produtividade, como também, outros
fatores, tais como incêndios florestais, represamento do canal fluvial, compactação dos
solos, redução de polinizadores como os morcegos e abelhas, dentre outros, que causam
impactos diretos e/ou indiretos a estas espécies vegetais.
A supressão da cobertura vegetal além de causar impacto ambiental, causa
também impacto social, visto que várias famílias dependem do extrativismo vegetal do
pequizeiro e buritizeiro para sua sobrevivência. Assim, se há uma redução da
produtividade por parte destas espécies, logo teremos uma redução da fonte de renda de
algumas famílias.
O aumento das áreas de silvicultura sobre as áreas naturais, por exemplo, além
das consequências ambientais, como a supressão da cobertura vegetal, assoreamento do
canal fluvial, represamento do curso hídrico para irrigar as mudas de eucalipto no

81
estágio inicial, há também os impactos sociais, decorrentes de sua implantação em áreas
de lavouras (NUNES, SOARES e SOARES, 2012), como em áreas utilizadas pela
população para o extrativismo.
De acordo com Silva (2011) o extrativismo do pequizeiro causa benefícios para
a população rural e urbana e é considerado como uma importante fonte de renda para a
população do Norte de Minas Gerais. O autor também destaca que, além da geração de
renda, o pequizeiro contribui na consolidação da cultura através das festividades da
região, como exemplo temos a Festa Nacional do Pequi na cidade de Montes Claros, a
Festa de São Sebastião em Campo Azul e a Festa do Biscoito em Japonvar, todas com
referência ao pequizeiro.
No município de Japonvar em Minas Gerais, através da Lei Pró-Pequi o poder
público proibiu a retirada do fruto diretamente da árvore sem estar totalmente maduro,
uma vez que,era uma prática exercida pelos “atravessadores”16 e prejudicavam os
extrativistas da região (CARVALHO, 2007).
Existem casos como no município de Chapada Gaúcha no norte do estado, em
que existe uma população que realiza o extrativismo do pequizeiro, porém se sente
ameaçada de perder seu espaço para as empresas de eucalipto, de pinus e/ou para o
Instituto Estadual de Florestas – IEF para a criação de Reservas e Parques. Aconteceram
inúmeros casos registrados na região, quando os agricultores perderam suas
propriedades devido a estes fatores (OLIVEIRA, 2015).
Devemos destacar também que com o desmatamento, a cultura das populações
existentes nestas áreas pode futuramente ser perdida. Um grande exemplo citado por
Lima, Scariot e Giroldo (2013) é a comunidade de Água Boa 2 localizado no município
de Rio Pardo de Minas – MG. Uma vez que a população jovem tem migrado para
lugares com mais oportunidade de trabalho, e outros, substituem o extrativismo pela
produção de carvão vegetal de espécies de eucalipto, pois apresenta maior viabilidade
financeira. Oliveira (2015) destaca que a saída da população destas áreas não é maior
devido a Programas do Governo Federal, tais como o Bolsa Família e devido a zona
rural da mesorregião Norte de Minas Gerais possuir um grande número de população
idosa.
Em um levantamento de campo realizado por Cândido, Malafaia e Rezende
(2012) no Norte de Minas Gerais, constatou-se aproximadamente 47 cidades como as

16
Comerciantes que repassam os produtos e não residem na região.

82
principais do Norte de Minas que realizam o extrativismo do pequizeiro. Montes Claros,
Japonvar, Chapada Gaúcha, São Francisco e Buritizeiro são as principais cidades que
possuem equipamentos para o processamento do pequi na região.
Por serem ambientes de fragilidade ambiental (BAHIA et al. 2009) as Veredas,
áreas de ocorrência do buritizeiro no Norte de Minas Gerais, são consideradas como
Áreas de Preservação Permanente (APP) pela Lei Nº 12.727, de 17 de Outubro de
2012, e devido ao papel que desempenham para o Cerrado como um todo, são
registradas por Bahia et al. (2009) e Nunes et al. (2009) como Reserva Ecológica.
No entanto, mesmo sendo considerada como APP e Reserva Ecológica, autores
como Bahia et al. (2009) apresentaram a pressão antrópica que as Veredas da APA
Pandeiros vem sofrendo, tais como queimadas, compactação do solo, construção de
barragens, dentre outros. Estes impactos ambientais afetam diretamente o buritizeiro,
porque, há alterações no ecossistema, logo, interfere no equilíbrio natural de sua área de
ocorrência.
Na literatura, temos uma carência de estudos sobre o extrativismo do buritizeiro
no Norte de Minas Gerais, o que requer trabalhos futuros para suprir essa escassez. No
entanto, trabalho de cunho nacional como Sousa (2015) apontou que no município de
Barreirinhas no estado do Maranhão - MA, o extrativismo da fibra do buritizeiro tem
trazido melhorias à região, visto que tem contribuído no crescimento da economia como
um todo.

83
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o mapeamento do Cerrado no Norte de Minas Gerais, constatou-se que o


Cerrado sentido restrito (34,63%) e a Mata Seca (20,38%) são as fitofisionomias com as
maiores áreas. As características de suas áreas de ocorrência diferem, pois o Cerrado
sentido restrito ocorre em áreas aplainadas e mais elevadas, enquanto a Mata Seca
ocorre em Fundos de Vale e em áreas com maior declividade.
O Campo Rupestre (3,24%), Cerradão (1,92%) e a Mata Ciliar (4,22%)
apresentam percentuais intermediários e também se diferem quanto a sua localização
geográfica. Aproximadamente 68% das áreas de Campo Rupestre são encontradas em
altitudes mais elevadas (900 a 1717 metros). Esta fitofisionomia tem como principal
característica a presença de afloramentos rochosos. O Cerradão se concentra no oeste da
região e há na sua área de ocorrência, áreas inferiores a 922 metros de altitude. Por sua
vez, a Mata Ciliar, acompanha os canais fluviais da região, ocupando as maiores áreas
no entorno do rio São Francisco.
As menores áreas são compostas pela Mata de Galeria (0,49%), Campo Sujo
(0,27%), Veredas (0,17%) e o Campo Limpo (0,07%). A Mata de Galeria e as Veredas
acompanham o canal fluvial de pequena dimensão. O Campo Sujo (565 a 857 metros) e
o Campo Limpo (502 a 551 metros) apresentam-se concentrados em alguns municípios
e são encontrados em altitudes distintas, embora não elevadas.
Conforme o mapeamento das fitofisionomias do Cerrado, pode-se identificar a
potencial ocorrência de espécies vegetais como o pequizeiro e o buritizeiro. O
pequizeiro é encontrado em fitofisionomias como o Cerrado sentido restrito, o Cerradão
e em pastos com presença de árvores. Quanto ao buritizeiro, este é encontrado em áreas
de Veredas e Campo Limpo.
Por meio do mapeamento de uso e cobertura o solo no Norte de Minas Gerais
(2015, 1999 e 1986), verificou-se que embora a Mata Seca seja a segunda fitofisionomia
com o maior número de áreas, as áreas de pastagens vêm aumentando com o decorrer
dos anos, e ultrapassaram-na em 1999. A pastagem é o uso antrópico com o maior
número de área nos três anos analisados.
A silvicultura e a mancha urbana apresentam aumento progressivo no decorrer
dos anos analisados. Sendo que, a silvicultura aumentou em áreas de Cerrado sentido
restrito e em Campos Rupestres e as manchas urbanas aumentaram em áreas de Mata
Seca. Os cultivos, embora tenham ocorrido oscilações de áreas entre 1986-2015,

84
apresentaram aumento das áreas de pivôs e projetos de irrigação em áreas de Mata Seca.
Vale destacar que estes usos de aumento de áreas não foram somente em áreas naturais,
uma vez que há áreas de pastagens, cultivos e solo exposto, por exemplo, que foram
sobrepostos pela silvicultura.
As alterações que ocorrem na paisagem dos Cerrados podem afetar diretamente
e/ou indiretamente a ocorrência do pequizeiro e do buritizeiro, uma vez que perturbam o
equilíbrio ambiental e alteram as características de sua área de ocorrência. Nestas
espécies ocorrem dificuldades em sua proliferação, assim sendo, a regeneração do
Cerrado não apresenta resposta imediata de aumento destas espécies, mas aumenta a
possibilidade de ocorrê-la, visto que apresentam ambientes propícios.
A supressão da cobertura vegetal também não indica o desmatamento destas
espécies, pois em muitos casos, há o desmate ao redor do pequizeiro, por exemplo,
todavia o indivíduo é preservado. No entanto, isso ocorre devido a legislação que veta o
corte destas espécies. Mas, mesmo que a espécie não seja retirada, observa-se que em
muitos casos as espécies podem perecer devido ao sombreamento, quando estão
circundadas por eucalipto e a redução da produtividade, porque os polinizadores da
espécie migraram ao perderem seu habitat natural, dentre outros fatores.
Há casos também, de impactos ambientais causados de forma natural ou
antrópica que afetam as áreas de buritizeiro, tais como assoreamento do canal fluvial,
incêndios naturais ou criminosos, compactação dos solos, abertura de estradas vicinais,
criação de barragens, dentre outros. E assim como o pequizeiro, os impactos ao
buritizeiro são os mesmos, perecimento das espécies mesmo que de forma não imediata
e a redução da produtividade frutífera.
No geral, estas espécies contribuem na conservação do Cerrado e inibem o
aumento do desmatamento. Portanto, a adoção de políticas públicas que incentivem o
extrativismo sustentável e o fortalecimento da cadeia produtiva poderão trazer
benefícios ambientais, sociais, culturais e econômicos para a população da região.
Desta feita, o mapeamento gerado em escala de detalhes, conciliado ao
mapeamento da cobertura vegetal efetuado pelo IBGE poderá apresentar contribuições
como o conhecimento da biodiversidade regional e auxiliar na conservação do Cerrado.

85
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