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Matemática

Financeira

Rio de Janeiro
UVA
2016
Vicente Eudes Veras da Silva

Matemática
Financeira

Rio de Janeiro
UVA
2016
Copyright © UVA 2016
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer
meio sem a prévia autorização desta instituição.

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico


da Língua Portuguesa.

ISBN: 978-85-69287-23-0

Autoria do Conteúdo
Vicente Eudes Veras da Silva

Design Instrucional
Sylvia Regina Silva Fernandes

Projeto Gráfico
UVA

Diagramação
Isabelle Martins

Revisão
Débora Silvestre Costa
Lydianna Lima

S586 Silva, Vicente Eudes Veras da

Matemática financeira [livro eletrônico] / Vicente


Eudes Veras da Silva – Rio de Janeiro : UVA, 2016.

2,7 MB.
ISBN 978-85-69287-23-0
Disponível também impresso.

1. Matemática financeira. 2. Títulos (Finanças) - Brasil.


3. Taxas de juros - Brasil. I. Universidade Veiga de
Almeida. II. Título.

CDD – 650.01513

Ficha Catalográfica elaborada pelo Sistema de Bibliotecas da UVA.


Biblioteca Maria Anunciação Almeida de Carvalho.
SUMÁRIO
Apresentação...............................................................................................................7
Sobre o autor................................................................................................................8

Capítulo 1 - Fundamentos da matemática financeira e


regime de capitalização simples.................................9
Conceitos fundamentais............................................................................10
Regime de capitalização simples........................................................21
Taxas de juros: efetiva, nominal e proporcional............................36
Referências......................................................................................................41

Capítulo 2 - Regime de capitalização composta e taxa


de juros...........................................................................43
Regime de capitalização composta....................................................44
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e
planilhas..........................................................................................................52
Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida............66
Referências......................................................................................................77

Capítulo 3 - Séries de pagamentos e sistemas de


amortização....................................................................79
Séries de pagamentos...............................................................................80
Sistemas de amortização........................................................................87
Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização
por meio de recursos eletrônicos.........................................................97
Referências...................................................................................................107

Capítulo 4 - Análise de fluxo de caixa e equivalência de


capital.......................................................................109
Valor presente líquido – VPL................................................................110
Taxa interna de retorno – TIR...........................................................120
Equivalência de capital...........................................................................128
Referências....................................................................................................134

Considerações finais.....................................................135
7

APRESENTAÇÃO

A Matemática Financeira é uma ferramenta útil para a análise de al-


gumas alternativas de investimentos ou financiamentos de bens de
consumo e consiste em empregar procedimentos matemáticos para
simplificar uma operação financeira. Ela tem por objetivo estudar as
diversas formas de evolução do valor do dinheiro no tempo, bem como
as formas de análise e comparação de alternativas para aplicação ou
obtenção de recursos financeiros.

Assim, este livro foi produzido com o objetivo de permitir que você co-
nheça e aprenda mais profundamente os assuntos aqui abordados, sem
a necessidade de estar diante de um computador ou mesmo on-line.

No entanto, alertamos para o fato de que todo e qualquer conhecimen-


to deve ser complementado por pesquisas em outras fontes. Nas refe-
rências ao final de cada capítulo você encontrará uma lista bastante
interessante, que poderá fornecer-lhe valioso conhecimento comple-
mentar a respeito de todos os temas sobre os quais aqui discorremos.

Desejamos que você aproveite ao máximo esta experiência e que a lei-


tura desta obra promova uma oportunidade de reflexão, contribuindo
efetivamente para o seu enriquecimento cultural e acadêmico.
8

SOBRE O AUTOR
Vicente Eudes Veras da Silva é doutor e mestre em Educação pela
Universidade Estácio de Sá — Unesa. É também especialista em Ma-
temática e Estatística pela Universidade Federal de Lavras — UFLA,
especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade Caste-
lo Branco — UCB e bacharel em Administração, também pela Unesa.
Licenciado e bacharel em Matemática pela Faculdade de Humanidades
Pedro II — Fahupe, atua como professor universitário das disciplinas
de Análise de Investimentos, Estatística, Matemática, Matemática Fi-
nanceira, Métodos Quantitativos e Raciocínio Lógico em cursos de gra-
duação e pós-graduação nas áreas de Administração, Economia, Finan-
ças, Licenciaturas e Pedagogia.

Currículo Lattes: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visuali-


zacv.do?id=K4779432P7>

.........................................................................................................
Conceitos fundamentais 9

CAPÍTULO 1
FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
FINANCEIRA E REGIME DE
CAPITALIZAÇÃO SIMPLES

Este capítulo aborda os fundamentos e conceitos básicos


da matemática financeira, além do regime de capitalização
simples e sua aplicação na resolução de problemas de ma-
temática financeira.

..........................................................................................................
10 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

O que é a matemática financeira?


A matemática financeira possui no dinheiro e no tempo
os seus objetos de trabalho e estudo. Ela dedica-se, entre
outras coisas, ao estudo da relação que existe entre essas
duas quantidades. Podemos citar, ainda, o estudo dos regi-
mes de capitalização (simples ou composto), séries de pa-
gamento e amortização e avaliação de investimentos como
outros assuntos tratados por esse ramo da matemática.

Origens da matemática financeira


Tanto a moeda como o dinheiro são o resultado de uma
evolução que começou ainda nos tempos antigos. Existem
registros informando que os babilônios cediam sementes
aos agricultores com a condição de as receberem de volta,
acrescidas de uma parte da colheita.

Atualmente, os conceitos da matemática financeira estão


interligados a várias situações do dia a dia de cada cida-
dão, desde uma simples compra em um supermercado até
situações mais complexas, como a obtenção dos melhores
resultados em aplicações financeiras.

Objetivo da matemática financeira


Quando uma pessoa física ou jurídica dispõe de uma im-
portância em dinheiro, por certo período é possível aplicá-
-la em uma operação financeira, à determinada taxa, a fim
de que renda “juros”.

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Conceitos fundamentais 11

Por outro lado, se essa mesma pessoa necessita de um


empréstimo, ela deverá quitá-lo — acrescido de juros —
após decorrido o prazo. Em ambos os casos, o valor dos
juros varia de acordo com o prazo da operação, a quantia
aplicada ou emprestada e a taxa de juros pactuada.

O sistema financeiro mundial


O Banco Central Europeu — BCE gere o euro e define e
executa a política econômica e monetária da União Euro-
peia – UE, tendo como principais objetivos manter a esta-
bilidade dos preços e apoiar o crescimento econômico e a
criação de empregos.

As atribuições do Sistema Europeu de Bancos Centrais –


SEBC e do Eurossistema encontram-se definidas no Trata-
do sobre o Funcionamento da União Europeia – TFUE e es-
pecificadas no Protocolo relativo aos Estatutos do Sistema
Europeu de Bancos Centrais e do Banco Central Europeu, a
seguir designado “Estatutos”, anexado ao TFUE.

De modo geral, o TFUE faz referência ao SEBC, e não ao


Eurossistema, uma vez que foi ele formulado sob a pre-
missa de que todos os Estados-membros da UE acabariam
por adotar o euro. O Eurossistema é composto pelo BCE e
pelos bancos centrais nacionais – BCN dos Estados-mem-
bros da UE cuja moeda é o euro, ao passo que o SEBC
compreende o BCE e os BCN de todos os Estados-membros
da UE (UNIÃO EUROPEIA, n. 1, art. 282, 2010). Enquanto
existirem Estados-membros da UE cuja moeda não seja o
euro, será necessário fazer uma distinção entre o Euros-
sistema e o SEBC.

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12 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha.

O papel do Federal Reserve – Fed, banco central dos Estu-


dos Unidos, é um dos mais complexos da economia não
só norte-americana, mas mundial. Formalmente conhecido
como Federal Reserve, o Fed é o porteiro da economia nor-
te-americana. Ele regulamenta as instituições financeiras,
administra o dinheiro da nação e influencia a economia
mundial. Elevando e reduzindo as taxas de juros, criando
dinheiro e usando alguns outros truques, assim como os
demais bancos centrais dos outros países, ele tanto pode
estimular como desacelerar a economia. Essa manipulação
ajuda a manter a inflação baixa, as altas taxas das aplica-
ções e o rendimento da produção.

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Conceitos fundamentais 13

Federal Reserve (banco central norte-americano).

O sistema financeiro brasileiro


O Banco Central do Brasil – Bacen foi criado pela Lei nº
4.595, de 31 de dezembro de 1964, e é o principal exe-
cutor das orientações do Conselho Monetário Nacional e
o responsável por garantir o poder de compra da moeda
nacional, tendo por objetivos:

• Zelar pela adequada liquidez da economia.


• Manter as reservas internacionais em nível ade-
quado.
• Estimular a formação de poupança.
• Zelar pela estabilidade e promover o permanente
aperfeiçoamento do sistema financeiro.

Dentre suas atribuições estão:

• Emitir papel-moeda e moeda metálica.


• Executar os serviços do meio circulante.
• Receber recolhimentos compulsórios e voluntá-
rios das instituições financeiras e bancárias.

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14 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

• Realizar operações de redesconto e empréstimo


às instituições financeiras.
• Regular a execução dos serviços de compensação
de cheques e outros papéis.
• Efetuar operações de compra e venda de títulos
públicos federais.
• Exercer o controle de crédito.
• Exercer a fiscalização das instituições financeiras.
• Autorizar o funcionamento das instituições fi-
nanceiras.
• Estabelecer as condições para o exercício de quais-
quer cargos de direção nas instituições financeiras.
• Vigiar a interferência de outras empresas nos
mercados financeiro e de capitais.
• Controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país.
Sua sede fica em Brasília, capital do país, mas possui re-
presentações nas capitais dos estados do Rio Grande do
Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia,
Pernambuco, Ceará e Pará.

Sede do Bacen, em Brasília.

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Conceitos fundamentais 15

Conceitos básicos
Para o domínio da matemática financeira, há seis concei-
tos básicos que devem ser assimilados: razão, proporção,
regra de três, juros, taxa de juros e fluxo de caixa.

• Razão:
Razão é o quociente de dois números. Observemos
o seguinte exemplo: o salário de Carlos é o triplo
do de Ana, ou seja, o quociente entre o salário de
Carlos e o de Ana é 3. Desse modo, podemos notar
que o quociente de um número por outro é útil para
podermos compará-los.

• Proporção:
É a igualdade de duas razões.

Qualquer que seja a proporção, o produto dos ex-


tremos é igual ao produto dos meios. Assim, dados
os números a, b, c e d, todos diferentes de zero e
formando, nessa ordem, uma proporção, o produto
de a por d será igual ao produto de b por c:

a c
= a.d=b.c
b d

As proporções possuem uma enorme aplicabili-


dade em situações-problema envolvendo informa-
ções comparativas, enquanto, na regra três, a pro-
porcionalidade é usada a fim de calcular o quarto
valor com base nos três valores estabelecidos pelo
problema.

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16 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

• Regra de três:
A regra de três é uma importante ferramenta para a
resolução de problemas que envolvam vários valores
dos quais não conhecemos a totalidade.

Por meio dela, pode-se estabelecer um valor desco-


nhecido.

Exemplo:

1. O investimento de R$ 10.000,00 na melhoria da


logística de uma empresa gera uma economia de R$
2.000,00.

a) Qual será a economia se investirmos R$ 4.000,00?

Investimento Economia
10.000 2.000
4.000 X

Então:
10.000 = 4.000 . 2.000
10.000 = 8.000.000
X = R$ 800,00

b) Para termos uma economia de R$ 2.500,00, quan-


to devemos investir?

Investimento Economia
10.000 2.000
X 2.500

Então:
2.000 = 10.000 . 2.500
2.000 = 25.000.000
X = R$ 12.500,00

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Conceitos fundamentais 17

• Juros:
O juro pode ser definido como a compensação fi-
nanceira obtida por um aplicador durante certo tem-
po ou, ainda, como o custo do capital para uma pes-
soa que, durante certo tempo, usa o capital de outra.

O juro é cobrado em função de um coeficiente, cha-


mado taxa de juros, que é fornecido geralmente em
termos percentuais e sempre referido a um intervalo
de tempo, tomado como unidade e denominado pe-
ríodo financeiro.

O tempo, o risco e a quantidade de dinheiro disponí-


vel no mercado para empréstimos definem qual de-
verá ser a remuneração, mais conhecida como taxa
de juros.

Pode ser dito que o juro é o rendimento em dinheiro


proporcionado pela utilização de uma quantia mo-
netária e por certo período de tempo.

• Taxa de juros:
A taxa de juros é a razão entre os juros recebidos
(ou pagos) no fim de um período financeiro e o ca-
pital aplicado.

Ela pode ser representada de duas formas:

• Taxa percentual: ao representar os juros de


100 (cem) unidades de capital durante o período
financeiro a que se refere.

• Taxa unitária: ao representar, nas mesmas


condições, os juros de uma unidade de capital.

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18 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

Exemplo: considerando uma taxa de juros de


12% ao ano:

12
12% = = 0,12
100

0,12 ao ano taxa unitária

12% ao ano taxa percentual

Como passar de uma forma para outra?

Basta seguir as duas regrinhas abaixo:

• Para passar de porcentagem para decimal, divida o


valor da porcentagem por 100.

Exemplo: 3,5% = 3,5 ÷ 100 = 0,035.

• Para passar de decimal para porcentagem, multi-


plique o valor decimal por 100.

Exemplo: 0,18 = 0,18 × 100% = 18%.

• Conceito de fluxo de caixa:


Fluxo de caixa (de uma empresa, de um financiamen-
to, de um investimento, etc.) é um conjunto de entra-
das e saídas de caixa (dinheiro) ao longo do tempo.

A sua representação ao longo do tempo pode ser


feita mediante um diagrama, como mostra a figu-
ra abaixo, no qual a escala horizontal representa o
tempo (em meses, trimestres, semestres, anos, etc.),
enquanto as flechas para baixo correspondem a saí-
das de caixa ou despesas, tendo sinais negativos, e

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Conceitos fundamentais 19

as flechas para cima, a entradas de caixa ou receitas,


que terão sinais positivos.

$
$
$
$ $

0 3 5
1 2 4 6 n (tempo)

$ $
$

O instante zero representa a data de hoje: é o mo-


mento atual, o instante da decisão a ser tomada.

O tempo 1 ocorre daqui a um ano e representa o


instante final do ano 1, ou seja, 31 de dezembro do
primeiro ano.

Da mesma forma, o tempo 2 representa o instante


final do ano 2, que começa em 1º de janeiro e termi-
na em 31 de dezembro do segundo ano, e os tempos
3, 4 e 5, os instantes finais referentes ao terceiro,
quarto e quinto anos, respectivamente.

Observe que os períodos de um fluxo podem repre-


sentar não só anos, mas também meses, semanas,
dias, trimestres ou qualquer período que se queira.

Receitas/entradas FV

4 5 7
n
0 1 2 3 6
(período de tempo)

PV
Despesas/saídas

..........................................................................................................
20 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

• A linha horizontal representa o tempo.


• As setas para baixo são os valores investidos, ou
seja, as saídas.

• E as setas para cima são os retornos do investi-


mento, ou entradas.

Observe que valor futuro – FV (future value) no pe-


ríodo n é equivalente ao valor presente – PV (present
value) no período zero, se levarmos em conta a taxa
de juros – i.

Observação importante: ao entrar com o PV em


uma calculadora financeira, deve-se seguir esta con-
venção: mude o sinal da quantia considerada como
PV para negativo usando a tecla CHS, que significa
uma abreviação de change signal, ou seja, “mudar
o sinal”.

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Regime de capitalização simples 21

REGIME DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES

Os juros que incidem sobre um empréstimo serão chama-


dos de juros com capitalização simples se, a cada período
que durar o empréstimo, eles forem calculados sempre
em cima do valor inicial do empréstimo.

Nessa categoria, os juros de cada período são sempre cal-


culados em função do capital inicial.

Considere um poupador que investiu $1.000 em uma apli-


cação de renda fixa que lhe renderá juros simples à taxa
de 10% a.m. durante quatro meses. Qual será o saldo ao
final desse período?

Saldo Saldo
Taxa de Base de Juros do
Ano no início final
juros cálculo período
do ano do ano
1 $1.000 10% $1.000 $100 $1.100
2 $1.100 10% $1.000 $100 $1.200
3 $1.200 10% $1.000 $100 $1.300
4 $1.300 10% $1.000 $100 $1.400

Fórmula geral:

FV = PV . (1 + i . n)

Essa é a fórmula básica, mas podemos dela derivar as que


seguem abaixo a fim de encontrar o PV, a taxa de juros – i,

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22 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

o valor dos juros a pagar – J ou, ainda, o período de apli-


cação – n.

FV
PV =
1+i.n

FV – PV
i=
PV . n

J = FV – PV = PV . i . n

FV – PV
n=
i . PV

Em que:
FV: é o valor futuro, que é a soma de juros no período
mais o principal.
PV: é o PV do principal aplicado.
i: é a taxa de juros expressa em decimais.
J: é o total de juros pagos sobre o principal durante o in-
vestimento.
n: é o período de aplicação.

Observação importante: os números que expressam a


taxa de juros são acompanhados de uma expressão que
indica a temporalidade da taxa. Essas expressões são abre-
viadas da seguinte forma:

a.d. = ao dia.
a.m. = ao mês.
a.t. = ao trimestre.
a.q. = ao quadrimestre.

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Regime de capitalização simples 23

a.s. = ao semestre.
a.a. = ao ano.

Exemplo 1: uma pessoa aplicou o capital de R$ 1.200,00


a uma taxa de juros simples de 2% a.m. durante 14 meses.
Determine os juros e o montante dessa aplicação.

Dados:
n = 14 meses
PV = R$ 1.200,00
I = 2% a.m. = 0,02
FV = ?

Solução:
FV = PV . (1 + i . n)
FV = 1.200 . (1 + 0,02 . 14)
FV = 1.200 . (1 + 0,28)
FV = 1.200 ​. 1,28
FV = R$ 1.536,00 (esse é o montante da aplicação).

Somente os juros:
1.536,00 - 1.200,00 = R$ 336,00 (esse é o valor dos juros
da aplicação).

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24 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

Exemplo 1 na HP 12C:

Como calcular os juros e o montante na HP 12C

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal CHS PV

3º Prazo (em dias) n

4º Taxas (ao ano) i

5º f INT Juros (comercial)

6º + Montante (comercial)

Transforme a taxa mensal em anual: 2% a.m. x 12 = 24% a.a.


Transforme o período em dias comerciais (mês de 30
dias): 14 meses x 30 dias = 420 dias.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.200,00 CHS PV

n
420
i
24
f INT
(Aparecerá no visor: 336,00).
+
(Aparecerá no visor: 1.536,00).

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Regime de capitalização simples 25

Exemplo 2: qual é o capital que deve ser aplicado, com uma


taxa de juros de 1,5% ao mês, para produzir um montante de
R$ 10.000,00 no prazo de um ano, no regime de juros simples.

Dados:
n = 1 ano = 12 meses
FV = R$ 10.000,00
I = 1,5% a.m. = 0,015
PV = ?

Solução:
FV = PV . (1 + i . n)
10.000 = PV . (1 + 0,015 . 12)
10.000 = PV . (1 + 0,18)
10.000 = PV . (1,18)
PV = 10.000 ÷ 1,18
PV = R$ 8.474,58 (Esse é o capital que deve ser aplicado).

Exemplo 2 na HP 12C:

Como calcular o capital (principal ou VP)


a partir do montante

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Prazo ENTER

3º Taxa de juros x

4º 100 +

5º Montante %T Principal

..........................................................................................................
26 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

Transforme a taxa mensal em anual: 1,5% a.m. x 12 = 18% a.a.


Período = 1 ano.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
1
x
18
+
100
%T
10.000  (Aparecerá no visor: 8.474,58).

Exemplo 3: qual é o capital que deve ser aplicado com


uma taxa de juros de 1,5% ao mês para, ao final de um ano,
produzir juros de R$ 1.525,42 no regime de juros simples?

Dados:
n = 1 ano = 12 meses
J = R$ 1.525,42
I = 1,5% a.m. = 0,015
PV = ?

Solução:
J = FV – PV = PV . i . n
1.525,42 = PV . 0,015 . 12
1.525,42 = PV . 0,18
PV = 1.525,42 ÷ 0,18
PV = R$ 8.474,56

.........................................................................................................
Regime de capitalização simples 27

Exemplo 3 na HP 12C:

Como calcular o capital (principal ou VP)


a partir dos juros

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Prazo ENTER

3º Taxa de juros x

4º Juros %T Principal

Transforme a taxa mensal em anual: 1,5% a.m. x 12 = 18% a.a.


Período = um ano.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
1
x
18
%T
1.525,42  (Aparecerá no visor: 8.474,56).

Exemplo 4: determine o número de meses (período) ne-


cessários para um capital dobrar de valor, com uma taxa
de juros de 2% ao mês.

Solução:
Vamos supor um PV = R$ 100,00. Teríamos, então, FV = R$
200,00, pois o capital dobra de valor conforme os dados
da questão.

..........................................................................................................
28 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

FV = PV . (1 + i . n)
200 = 100 . (1 + 0,02 . n)
200 = 100 + 2n
2n = 200 – 100
2n = 100
n = 100 ÷ 2
n = 50 meses

Exemplo 4 na HP 12C:

Como calcular o período (prazo de capitalização)

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal ENTER

3º Juros %T

4º Taxa de juros ÷ Prazo

Sabemos que PV = R$ 100,00 e FV = R$ 200,00, então J =


R$ 100,00.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
100
%T
100

2 ÷ (Aparecerá no visor: 50).

.........................................................................................................
Regime de capitalização simples 29

Exemplo 5: se aplicarmos a quantia de R$ 12.000,00 pelo


prazo de quatro meses, teremos como remuneração desse
capital a quantia de R$ 1.440,00. Qual é a taxa de juros
simples ao mês dessa operação?

Dados:
n = 4 meses
J = R$ 1.440,00
C = R$ 12.000,00
i=?

Solução:
J = FV – PV = PV . i . n
1.440 = 12.000 . i . 4
1.440 = 48.000i
i = 1.440 ÷ 48.000
i = 0,03 (3% a.m.)

Exemplo 5 na HP 12C:

Como calcular a taxa de juros simples


com base no valor dos juros

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal ENTER

3º Juros %T

4º Prazo ÷ Taxa de juros

..........................................................................................................
30 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
12000
%T
1440

4 ÷ (Aparecerá no visor: 3).

Exemplo 6: se aplicarmos a quantia de R$ 12.000,00 pelo


prazo de quatro meses, teremos, ao final desse período, a
quantia de R$ 13.440,00. Qual a taxa de juros simples ao
mês dessa operação?

Dados:
n = 4 meses
PV = R$ 12.000,00
FV = R$ 13.440,00
i=?

Solução:
J = FV – PV = PV . i . n
1.440 = 12.000 . i . 4
1.440 = 48.000i
i = 1.440 ÷ 48.000
i = 0,03 (3% a.m.).

.........................................................................................................
Regime de capitalização simples 31

Exemplo 6 na HP 12C:

Como calcular a taxa de juros simples


com base no valor do montante

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal ENTER

3º Montante ∆%

4º Prazo ÷ Taxa de juros

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
12.000
∆%
13.440

4 ÷ (Aparecerá no visor: 3).

Desconto simples
Na capitalização simples, existem dois tipos básicos de
desconto simples: o desconto simples racional (por den-
tro) e o desconto simples comercial ou bancário (por fora).

• Desconto simples racional (por dentro)


É o aplicado no VP (também chamado de valor atual
ou, ainda, valor descontado) do título n períodos antes
do vencimento, ou seja, é o mesmo que juros simples.

D = PV . i . n

..........................................................................................................
32 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

O i representa a taxa de desconto, e n, o prazo. E,


para obter o PV, basta subtrair o valor do desconto
do VF do título, como segue:

 
PV = FV – D

Daí que:
PV = FV – PV . i . n
FV = PV + PV . i . n
FV = PV . (1 + i . n)

Exemplo 7: uma pessoa descontou uma nota promissória


no valor de R$ 20.000,00 com vencimento em quatro me-
ses, recebendo um total de R$ 19.000,00. Determine a taxa
de desconto na modalidade de desconto simples racional
(por dentro).

Dados:
FV = 20.000,00
PV = 19.000,00
n = 4 meses
i=?

Solução:
D = FV – PV = 20.000,00 – 19.000,00 = 1.000,00

Então:
FV = PV . (1 + i . n)
20.000 = 19.000 . (1 + i . 4)
20.000 = 19.000 + 76.000i)
76.000i = 1.000

.........................................................................................................
Regime de capitalização simples 33

i = 1.000 ÷ 76.000
I = 0,0132 (= 1,32% a.m.).

Exemplo 7 na HP 12C:

Como calcular a taxa de desconto na modalidade


de desconto racional simples (por dentro)

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Valor atual (VP) ENTER

3º Valor Nominal (VF) ∆%

4º Prazo ÷ Taxa de desconto

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
ENTER
19.000
∆%
20.000

4 ÷ (Aparecerá no visor: 1,31579) aprox. 1,32% a.m.

• Desconto simples comercial (por fora)


É aquele em que a taxa de desconto incide sempre
sobre o VF, também chamado de valor nominal. Ele
é utilizado no Brasil principalmente nas chamadas
operações de “desconto de duplicatas”, que são rea-
lizadas pelos bancos, sendo, por essa razão, também
conhecido como desconto bancário ou comercial.

D = FV . i . n

..........................................................................................................
34 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

O i representa a taxa de desconto, e n, o prazo. E,


para obter o VP, basta subtrair o valor do desconto
do VF do título, como segue:
 
PV = FV – D

Daí que:
PV = FV – FV . i . n
PV = FV . (1– i . n)

Exemplo 8: uma pessoa descontou uma nota promissó-


ria no valor de R$ 20.000,00 com vencimento em quatro
meses, recebendo um total de R$ 19.000,00. Determine
a taxa de desconto na modalidade de desconto simples
comercial (por fora).

Dados:
FV = 20.000,00
PV = 19.000,00
n = 4 meses
i=?

Solução:
D = FV – PV = 20.000,00 – 19.000,00 = 1.000,00

Então:
PV = FV . (1 – i . n)
19.000 = 20.000 . (1 – i . 4)
19.000 = 20.000 – 80.000i
80.000i = 1.000

.........................................................................................................
Regime de capitalização simples 35

i = 1.000 ÷ 80.000
I = 0,0125 (= 1,25% a.m.).

Exemplo 8 na HP 12C:

Como calcular a taxa de desconto na modalidade


de desconto comercial simples (por fora)

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Valor nominal ENTER

3º Valor do desconto %T

4º Prazo ÷ Taxa de desconto

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores)
ENTER
20.000
%T
1.000

4 ÷ (Aparecerá no visor: 1,25).

..........................................................................................................
36 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

TAXAS DE JUROS: EFETIVA, NOMINAL E


PROPORCIONAL

Os juros pagos pelo consumidor


Ao comprar a prazo, o consumidor está contraindo uma
dívida que deverá ser paga em um período predetermina-
do. É preciso ter muito cuidado e atenção, pois, quando
se parcela o valor de um determinado produto, além de
pagar pelo que está comprando, o consumidor também
pagará pelo prazo que lhe está sendo cedido.

Quase sempre a compra a prazo não é vantajosa, porque


os juros cobrados fazem com que o consumidor pague
muito mais do que o valor real do produto que está com-
prando. Por isso, é preciso atenção com a taxa de juros e
cautela antes de fechar um negócio.

O ideal é tentar poupar e fazer o pagamento à vista, ne-


gociando um desconto no preço de vitrine. Alguns comer-
ciantes anunciam seus produtos com os juros embutidos,
a fim de estimular o consumidor a parcelar sua compra.
Assim, eles podem efetivar a venda a prazo afirmando que
o valor cobrado é o mesmo que à vista.

Trata-se de uma atitude de má-fé, realizada para ludibriar


e enganar o consumidor, e que proporciona uma lucrativi-
dade exagerada para o comerciante que usa esse artifício.

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, nominal e proporcional 37

Muitas vezes, o consumidor fecha negócios sem sequer


saber o valor dos juros ele está se comprometendo a pa-
gar. Ele ouve na loja a oferta de que poderá pagar o bem
em suaves prestações, com juros fixos e outras facilida-
des, invariavelmente apresentadas como vantagens.

Contudo, é preciso atenção e não esquecer que, quanto


menor a taxa de juros, melhor será a opção da compra
a prazo.

• Taxa efetiva:
É aquela em que a unidade de referência de seu tem-
po coincide com as unidades de tempo dos perío-
dos de capitalização.

• 2% a.m., capitalizados mensalmente.


• 3% a.t., capitalizados trimestralmente.
• 5% a.s., capitalizados semestralmente.
• 8% a.a., capitalizados anualmente.

• Taxa nominal:
É aquela em que a unidade de tempo de referência
não coincide com a unidade de tempo do período de
capitalização.

A taxa nominal, apesar de bastante utilizada, não


representa uma taxa efetiva. O que se deve buscar é
a taxa efetiva contida na taxa nominal.

• 72% a.a., capitalizados mensalmente, representam


uma taxa efetiva de 6% a.m.

..........................................................................................................
38 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

• 40% a.a., capitalizados semestralmente, represen-


tam uma taxa efetiva de 20% a.s.

Observação: evidentemente, a taxa anual equiva-


lente a essa taxa efetiva embutida é maior do que a
taxa nominal que lhe deu origem, pois essa equiva-
lência é feita no regime de juros compostos (veja o
tópico 3 do capítulo 2).

• Taxa proporcional:
Duas ou mais taxas são ditas proporcionais quando,
ao serem aplicadas a um principal (capital) idêntico,
durante o mesmo prazo, produzirem um montante
acumulado igual ao final daquele tempo, no regime
de juros simples.

O conceito de taxas proporcionais está, portanto, di-


retamente ligado ao regime de capitalização simples.

Desse modo, considerando o período de um ano, as


seguintes taxas são proporcionais entre si:

1% a.m. 3% a.t. 6% a.s. 12% a.a.

Os cartões de crédito estão entre as linhas de


crédito com os mais altos juros
Engana-se quem acha que os custos do cartão de crédito
(para o consumidor) resumem-se a taxas de anuidade. Para
entender, precisamos olhar para a outra ponta: o lojista.

Para ele, o pagamento via cartão é mais custoso, pois ele


precisa:

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, nominal e proporcional 39

• Dar uma fatia do retorno das vendas às operado-


ras de cartões.

• Pagar pelo aluguel das maquininhas.


• Arcar com o custo da espera para receber o di-
nheiro das vendas, que não cai imediatamente no
seu caixa.

Assim, parte desses custos é repassada para os preços fi-


nais de todo produto. Ou seja, a parcela dos gastos é ban-
cada justamente pelo consumidor.

E a lei não livra o consumidor de gastar mais que a anuidade


que ele já paga quando decide comprar com cartão.

Portanto, os cartões de crédito estão entre as linhas de


crédito com os mais altos juros.

Por isso, eles devem ser usados com cuidado e pagos inte-
gralmente, para evitar a incidência de juros.

Para encontrar as melhores taxas, é importante pesquisar


os valores cobrados em cada instituição.

O Bacen publicou em sua página na internet tabelas com


as taxas de juros cobradas por cada instituição financeira
em várias operações de crédito, como cheque especial, cré-
dito pessoal, financiamento de veículos e compra de bens.

Veja quais são os bancos que cobram os maiores e os me-


nores juros do mercado em: <http://www.bcb.gov.br/pt-
-br/sfn/infopban/txcred/txjuros/Paginas/default.aspx>.

..........................................................................................................
40 Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples

A matemática financeira é o ramo da matemática que es-


tuda o comportamento do dinheiro no tempo e tem por
objetivo o manuseio, a transformação e a comparação de
fluxos de caixa. Neste capítulo, abordamos os fundamen-
tos da matemática financeira e o regime de capitalização
simples, no qual os juros são calculados sempre sobre o
valor inicial, não ocorrendo qualquer alteração da base de
cálculo durante o período de cálculo dos juros. Na moda-
lidade de juros simples, a base de cálculo é sempre o PV,
enquanto na modalidade de desconto bancário a base de
cálculo é sempre o valor nominal do título ou FV. O regime
de capitalização simples representa, portanto, uma equa-
ção aritmética, na qual o capital cresce de forma linear,
seguindo uma reta. Logo, é indiferente se os juros são pa-
gos periodicamente ou ao final do prazo total. Esse regime
representa o início do estudo da matemática financeira e
o regime de capitalização simples, uma vez que todos os
seus fundamentos partem da capitalização simples.

.........................................................................................................
41

REFERÊNCIAS

BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO


PAULO. Matemática Financeira: 216 questões com gabari-
to. São Paulo: BM&FBovespa, 2008.

PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática Financeira: obje-


tiva e aplicada. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

SAMANEZ, Carlos Patricio. Matemática Financeira: aplica-


ções à análise de investimentos. 5. ed. São Paulo: Pearson,
2010.

UNIÃO EUROPEIA. Versões consolidadas do Tratado da


União Europeia e do Tratado sobre o Funcionamento da
União Europeia e Carta dos Direitos Fundamentais da
União Europeia. Luxemburgo: Serviço das Publicações da
União Europeia, 2010. Disponível em: <http://europa.eu/
pol/pdf/consolidated-treaties_pt.pdf>. Acesso em: 24 jan.
2016.

VIEIRA SOBRINHO, José Dutra. Matemática Financeira. 7.


ed. São Paulo: Atlas, 2011.

WAKAMATSU, André. Matemática Financeira. São Paulo:


Pearson, 2012.

..........................................................................................................
42

.........................................................................................................
Regime de capitalização composta 43

CAPÍTULO 2
REGIME DE CAPITALIZAÇÃO
COMPOSTA E TAXA DE JUROS

Este capítulo aborda o regime de capitalização composta e


o da taxa de juros equivalente. Poderemos, então, definir
os conceitos básicos do regime de capitalização composta
e aplicá-los na resolução de problemas de matemática fi-
nanceira.

..........................................................................................................
44 Regime de capitalização composta e taxa de juros

REGIME DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA

Juros sobre juros


O regime de capitalização composta é o mais comum em
nosso dia a dia. Ele é largamente aplicado pelas institui-
ções financeiras e no cálculo econômico em geral. Nesse
regime, os juros calculados em um determinado período
são incorporados ao principal e passam a fazer parte da
base para o cálculo dos juros no período seguinte. É o que
comumente chamamos de “juros sobre juros”.

No regime abordado, o juro produzido em cada período é


agregado ao saldo do início desse período, constituindo,
assim, uma nova base para o cálculo do juro no período
seguinte. A esse processo de agregação de juro aos saldos
iniciais de cada período dá-se o nome de capitalização de
juros, ou simplesmente capitalização.

Período de capitalização é o período ao final do qual é


processada essa agregação ao capital do juro produzido.

Mais à frente, você analisará o problema da capitalização


dos valores financeiros em regime de juros compostos,
isto é, o crescimento desses valores ao longo do tempo, e,
depois, o problema oposto, ou seja, a diminuição desses
valores futuros quando trazidos para o presente — o des-
conto de valores financeiros futuros.

.........................................................................................................
Regime de capitalização composta 45

Montante – M ou Valor Futuro – FV


Vamos iniciar com a fórmula relativa à capitalização de
valores financeiros no tempo (M ou FV). Para isso, supo-
nha um valor financeiro presente (C = capital ou PV), apli-
cado durante n períodos a uma taxa de juros periódica i.
Essa aplicação gera um M ao final da aplicação cujo valor
deseja-se conhecer.

Nesse sentido, o capital inicial (C = PV), ao final de n perí-


odos de aplicação, a uma taxa de juros i ao período, gerará
um M ou FV de:

M = C . (1 + i)n ou FV = PV . (1 + i)n

Os problemas de capitalização composta podem ser redu-


zidos a quatro situações específicas:

Dados PV, n e i calcular FV.


Dados FV, n e i calcular PV.
Dados PV, FV e n calcular i.
Dados PV, FV e i calcular n.

Exemplo 1: calcule o montante de um capital de R$


1.000,00 aplicado por seis meses a uma taxa de juros de
3% a.m., sabendo que a capitalização é mensal.

Dados:
PV = 1.000,00
n = 6 meses
i = 3% a.m.
FV = ?

..........................................................................................................
46 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Solução:
FV = PV . (1 + i)n
FV = 1.000 . (1 + 0,03)6
FV = 1.000 . (1,03)6
FV = 1.000 . 1,19405
FV = R$ 1.194,05

Exemplo 2: qual é o valor de um capital que, aplicado por


seis meses a uma taxa de juros de 3% a.m. e com capitali-
zação mensal, rendeu um montante de R$ 1.000,00?

Dados:
FV = 1.000,00
n = 6 meses
i = 3% a.m.
PV = ?

Solução:
FV = PV . (1 + i)n
1.000 = PV . (1 + 0,03)6
1.000
PV =
(1,03)6

1.000
PV =
1,19405

PV = R$ 837,48

Exemplo 3: qual é a taxa de rentabilidade mensal para um


investimento de R$ 300.000,00 produzir o montante de
R$ 440.798,42 ao fim de cinco meses?

.........................................................................................................
Regime de capitalização composta 47

Dados:
PV = R$ 300.000,00
FV = R$ 440.798,42
n = 5 meses
i=?

Solução:
FV = PV . (1 + i)n
440.798,42 = 300.000 . (1 + i)5
440.798,42 ÷ 300.000 = (1 + i)5
1,469328 = (1 + i)5
1 + i = 5√1,469328
1 + i = 1,08
i = 1,08 – 1
i = 0,08 (8% a.m.)

Exemplo 4: qual é o prazo necessário para uma aplicação


de R$ 50.000,00, sob uma taxa de 7% ao mês, produzir o
montante de R$ 65.539,80?

Dados:
PV = R$ 50.000,00
FV = R$ 65.539,80
i = 7% a.m.
n=?

Solução:
FV = PV . (1 + i)n
65.539,80 = 50.000 . (1 + 0,07)n
65.539,80 ÷ 50.000 = (1,07)n
1,3108 = (1,07)n

..........................................................................................................
48 Regime de capitalização composta e taxa de juros

A partir daqui, é necessário recorrermos ao conceito de


logaritmos:

log (1,07)n = log 1,3108


n . log 1,07 = log 1,310796

log 1,3108
n=
log 1,07
Então:
0,11754
n=
0,02938

Logo:
n = 4 meses

Desconto composto
Na capitalização composta, existem dois tipos básicos de
descontos compostos: o desconto composto racional (por
dentro) e o desconto composto comercial ou bancário
(por fora).

• Desconto composto racional (por dentro):


O desconto composto “por dentro” (ou racional) é o
estabelecido segundo as conhecidas relações do regi-
me de juros compostos. Assim sendo, esse descon-
to é a diferença entre o valor nominal (FV) e o valor
atual de um título (PV), quitado antes do vencimento.
Na prática, o desconto “por dentro” ou racional nada
mais é do que a diferença entre o FV de um título e o
seu PV, determinado com base no regime de capitali-
zação composta, ou seja, de aplicação generalizada.

.........................................................................................................
Regime de capitalização composta 49

• Cálculo do PV:

FV
PV =
(1 + i)n

• Cálculo do desconto composto racional:

1
DR = FV . (1 – )
(1 + i)n

Exemplo 5: antecipando em dois meses o pagamento de


um título, obtive um desconto racional composto, que foi
calculado com base na taxa de 2% a.m. Sendo R$ 31.104,00
o valor nominal do título, quanto paguei por ele, em R$?
Qual o valor do desconto?

Dados:
FV = R$ 31.104,00
i = 2% a.m.
n = 2 meses
PV = ?

Solução:
FV
PV =
(1 + i)n

31.104
PV =
(1 + 0,02)2

31.104
PV =
(1,02)2

31.104
PV =
1,0404

..........................................................................................................
50 Regime de capitalização composta e taxa de juros

PV = R$ 29.896,19 (Valor atual do título).

Para achar o valor do desconto:


D = FV – PV
D = 31.104 – 29.896,19
D = R$ 1.207,81 (Valor do (desconto composto ra-
cional).

• Desconto composto comercial (por fora):


O desconto composto “por fora” caracteriza-se pela
incidência sucessiva da taxa de desconto sobre o
valor nominal do título (FV), o qual é deduzido, em
cada período, dos descontos obtidos em períodos
anteriores. O desconto composto “por fora” não
possui, pelo menos no Brasil, qualquer utilização
prática conhecida.

• Cálculo do PV:

PV = FV . (1– i)n

• Cálculo do desconto composto comercial:

DC = FV . (1 – (1 – i)n)

Exemplo 6: antecipando em dois meses o pagamento de


um título, obtive um desconto comercial composto, que foi
calculado com base na taxa de 2% a.m. Sendo R$ 31.104,00
o valor nominal do título, quanto paguei por ele, em R$?
Qual o valor do desconto?

.........................................................................................................
Regime de capitalização composta 51

Dados:
FV = R$ 31.104,00
i = 2% a.m.
n = 2 meses
PV = ?

Solução:
PV = FV . (1– i)n
PV = 31.104 . (1 – 0,02)2
PV = 31.104 . (0,98)2
PV = R$ 29.872,28 (Valor atual do título).

Para achar o valor do desconto:


D = FV – PV
D = 31.104 – 29.872,28
D = R$ 1.231,72 (Valor do desconto composto co-
mercial).

..........................................................................................................
52 Regime de capitalização composta e taxa de juros

RESOLVENDO PROBLEMAS DE JUROS


COMPOSTOS

O regime de capitalização composta envolve cálculos


mais complexos do que os correspondentes da capitaliza-
ção simples. Desse modo, é comum que sejam utilizadas
calculadoras e planilhas eletrônicas para a resolução de
problemas referentes a juros compostos.

Nesta parte, iremos estudar dois desses auxílios eletrôni-


cos: a calculadora HP 12C (provavelmente, a calculadora
financeira mais utilizada na atualidade) e planilhas de Ex-
cel (a mais completa do mercado).

Juros compostos na HP 12C


Vamos, agora, refazer os exercícios de 1 a 6, localizados
nas páginas 45 a 51, utilizando a calculadora HP 12C.

Exemplo 1: calcule o montante de um capital de R$


1.000,00 aplicado por seis meses a uma taxa de juros de
3% a.m., sabendo que a capitalização é mensal.

Dados:
PV = 1.000,00
n = 6 meses
i = 3% a.m.
FV = ?

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 53

Solução:

Cálculo do montante (FV) a juros compostos

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal CHS PV

3º Prazo n

4º Taxa de juros i

5º FV Montante

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.000 CHS PV

n
6

3 i FV
(Aparecerá no visor: 1.194,05) O valor
do montante é de R$ 1.194,05.

Exemplo 2: qual é o valor de um capital que, aplicado por


seis meses a uma taxa de juros de 3% a.m. e com capitali-
zação mensal, rendeu um montante de R$ 1.000,00?

Dados:
FV = 1.000,00
n = 6 meses
i = 3% a.m.
PV = ?

..........................................................................................................
54 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Solução:

Cálculo do capital ou principal (PV) a juros compostos

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Montante CHS FV

3º Prazo n

4º Taxa de juros i

5º PV Principal

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.000 CHS FV

n
6

3 i PV
(Aparecerá no visor: 837,48) O valor do
capital é de R$ 837,48.

Exemplo 3: qual é a taxa de rentabilidade mensal para um


investimento de R$ 300.000,00 produzir o montante de
R$ 440.798,42 ao fim de cinco meses?

Dados:
PV = R$ 300.000,00
FV = R$ 440.798,42
n = 5 meses
i=?

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 55

Solução:

Cálculo da taxa a juros compostos a par-


tir do principal e do montante

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal CHS PV

3º Prazo n

4º Montante FV

5º i Taxa de juros

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

300.000 CHS PV

n
5

440.798,42 FV
i (Aparecerá no visor: 8) A taxa de rentabilidade
mensal é de 8% a.m.

Exemplo 4: qual é o prazo necessário para uma aplicação


de R$ 50.000,00, sob uma taxa de 7% ao mês, produzir o
montante de R$ 65.539,80?

Dados:
PV = R$ 50.000,00
FV = R$ 65.539,80

..........................................................................................................
56 Regime de capitalização composta e taxa de juros

i = 7% a.m.
n=?

Solução:

Cálculo do prazo a juros compostos a partir


do principal e do montante

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º Principal CHS PV

3º Taxa i

4º Montante FV

5º n Prazo

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

50.000 CHS PV

7 i

65.539,80 FV
n
(Aparecerá no visor: 4) O prazo é de quatro meses.

Observação: na função financeira da HP 12C, ao calcu-


larmos o prazo, o valor sempre será arredondado para o
imediatamente acima. O valor exato é obtido somente pela
fórmula do prazo, com o uso de logaritmos (como vimos

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 57

no exemplo 4 encontrado nas páginas 47 e 48). Mesmo


que o prazo seja de 3,15, a calculadora HP 12C arredon-
dará para 4.

Exemplo 5: antecipando em dois meses o pagamento de


um título, obtive um desconto racional composto, que foi
calculado com base na taxa de 2% a.m. Sendo R$ 31.104,00
o valor nominal do título, quanto paguei por ele, em R$?
Qual o valor do desconto?

Dados:
FV = R$ 31.104,00
i = 2% a.m.
n = 2 meses
PV = ?

Solução:

Cálculo do valor atual e do desconto


no desconto racional composto

f REG

31.104 CHS FV

2 i

2 n

PV 29.896,19 (Valor atual do título).

(Desconto racional
31.104 – 1.207,81
composto = R$ 1.207,81).

..........................................................................................................
58 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Exemplo 6: antecipando em dois meses o pagamento


de um título, obtive um desconto comercial composto,
que foi calculado com base na taxa de 2% a.m. Sendo R$
31.104,00 o valor nominal do título, quanto paguei por
ele, em R$? Qual o valor do desconto?

Dados:
FV = R$ 31.104,00
i = 2% a.m.
n = 2 meses
PV = ?

Solução:

Observação: para utilizarmos a HP 12C no desconto co-


mercial composto, é necessário observarmos os seguintes
passos:

• Na tecla “FV”, é digitado o PV, ou seja, o valor


recebido.

• Na tecla “PV”, digita-se o FV.


• A taxa de juros deverá ser informada com sinal
negativo.

• O valor do desconto, no final do cálculo, aparece-


rá negativo (-), mas ele deve ser considerado como
positivo.

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 59

Cálculo do valor atual e do desconto


no desconto comercial composto

f REG

31.104 CHS PV

2 CHS i

2 n

FV 29.872,28 (Valor atual do título).

(Desconto racional
31.104 – – 1.231,72
composto = R$ 1.231,72).

Juros compostos no Excel


Para representar o regime de capitalização composta no
Excel, podemos utilizar esta fórmula como padrão:

FV = PV * (1 + taxa) NPER

O Excel possui funções específicas para o cálculo de FV,


PV, taxa e NPER. A vantagem de trabalhar com funções
predefinidas é que você só precisa informar quais são o
PV, a taxa e o NPER, e o Excel irá calcular o FV, sem você
ter de preocupar-se com quais cálculos estão sendo feitos.
Ao trabalhar com essas funções, é importante que você
não se esqueça de que elas trabalham como em uma cal-
culadora financeira, com a noção de fluxo de caixa. Por-
tanto, se você informar o valor presente positivo (entrada
de caixa), o valor futuro calculado será negativo (saída de
caixa), e vice-versa.

..........................................................................................................
60 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Observação 1: o Excel realiza facilmente cálculos de ex-


ponenciação. Basta usar o acento circunflexo (^) da mes-
ma forma que faz em adições e multiplicações.

Exemplo:
=2^4 (essa fórmula calcula o valor de 2 elevado à quarta
potência, o que dá 16).

Observação 2: quando você for informar ao Excel um PV


e um FV para calcular a taxa, por exemplo, precisará lem-
brar-se de que ou o PV ou o FV deverá ser negativo. Caso
contrário, obterá um erro como resultado.

Observação 3: com a função =NPER do Excel, é possível


projetar o tempo necessário para fazer o investimento
ideal. A função vale-se de pagamentos constantes e perió-
dicos, além de taxa de juros fixas.

Apesar de o Excel possuir várias funções prontas para cal-


cular os juros compostos, consideramos importante que
saibamos dominar as fórmulas, pois muitas vezes é mais
fácil construir uma fórmula do que gravar a aplicação de
cada função.

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 61

Vamos a um exemplo prático:

Exemplo 7: suponha, por exemplo, que você queira saber


como evolui um capital de R$ 10.000,00 que foi aplicado a
uma taxa de 6% a.m. durante 20 meses.

Passo 1: abra o Microsoft Office Excel e crie a planilha com


o valor do capital na célula B1, a taxa de juros na B2 e os
meses devidamente distribuídos, conforme a figura abaixo:

..........................................................................................................
62 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Passo 2: logo em seguida, clique na célula B4 e coloque


a fórmula: =$B$1*(1+($B$2/100))^A4, conforme a figura
abaixo:

O que a fórmula =$B$1*(1+($B$2/100))^A4 significa?

Na fórmula acima, o capital (B1) é multiplicado pelo valor


de (1 + taxa (B2) ÷ 100) elevado ao prazo (A4) do primeiro
mês, conforme código abaixo:

Montante = B1*(1+(B2/100))^A4.
Montante = capital * (1+(taxa/100))^prazo.

Observação: o símbolo $ significa “endereço absoluto”: o


valor que não se alterará na fórmula, independentemente
da célula que a contiver.

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 63

Passo 3: em seguida, vamos calcular os juros acumulados


em R$ e os juros acumulados em %, assim, ficará fácil de
observar a evolução do capital mês a mês.

Clique na célula C4 e digite a seguinte fórmula =B4-$B$1,


conforme a figura abaixo:

O que a fórmula = B4-$B$1 significa?

Na fórmula acima, calculamos o valor dos juros (em R$)


realizando a subtração do montante (B4) no mês um (pra-
zo um) pelo valor do capital (B1).

..........................................................................................................
64 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Passo 4: agora, clique na célula D4 e digite a seguinte fór-


mula =(C4/$B$1), conforme a figura abaixo:

O que a fórmula = (C4/$B$1) significa?

Na fórmula acima, calculamos o percentual dos juros (em


%) realizando a divisão do valor dos juros (C4) no mês um
(prazo um) pelo valor do capital (B1).

Observação: não se esqueça de formatar a célula com a


porcentagem de desconto para o formato porcentagem (%).

Passo 5: para compor todos os resultados, selecione a li-


nha quatro e posicione o cursor no canto inferior direito
para que ela se transforme em um sinal de adição (+).

.........................................................................................................
Resolvendo problemas de juros compostos em calculadoras e planilhas 65

Passo 6: por fim, arraste a alça de preenchimento para


baixo (faça isso em todas as células que você desejar pre-
encher, no nosso caso, até o prazo 20, ou seja, célula 23).
Quando você soltar, a fórmula será preenchida automa-
ticamente nas demais células, conforme a figura abaixo:

..........................................................................................................
66 Regime de capitalização composta e taxa de juros

TAXAS DE JUROS: EFETIVA, EQUIVALENTE,


BRUTA E LÍQUIDA

Você se lembra de que, conforme visto no terceiro tópico


do capítulo 1, sobre regime de capitalização simples, as
taxas de juros proporcionais são também equivalentes?

Já no regime de capitalização composta isso não aconte-


ce, pois duas taxas de juros são equivalentes quando, ao
serem aplicadas ao mesmo capital e pelo mesmo prazo,
geram montantes iguais.

• Taxa efetiva:
Taxa efetiva é aquela em que a unidade de refe-
rência do seu tempo coincide com as unidades de
tempo dos períodos de capitalização:

• 2% a.m., capitalizados mensalmente.


• 3% a.t., capitalizados trimestralmente.
• 5% a.s., capitalizados semestralmente.
• 8% a.a., capitalizados anualmente.

• Taxa equivalente:
Taxas equivalentes são taxas de juros fornecidas
em unidades de tempo diferentes que, ao serem
aplicadas a um principal idêntico e durante um mes-
mo prazo, produzem um montante acumulado igual
ao do final desse período no regime de juros com-
postos.

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida 67

O conceito de taxas equivalentes está, portanto,


diretamente ligado ao regime de capitalização
composta.

Assim, a diferença entre taxas equivalentes e taxas


proporcionais prende-se exclusivamente ao regime
de juros considerado. Já as taxas proporcionais ba-
seiam-se em juros simples, e as equivalentes, em
juros compostos.

A fim de relacionar de modo sistemático essas equi-


valências, considere as seguintes nomenclaturas:

• ia = taxa de juros anual.


• it = taxa de juros trimestral.
• is = taxa de juros semestral.
• im = taxa de juros mensal.
• id = taxa de juros diária.

Assim, chegamos à expressão que permite trans-


formar as taxas de juros efetivas de uma tempora-
lidade para outra, considerando os montantes ge-
rados por um capital unitário em um ano e as taxas
como efetivas:

(1 + ia)1 = (1 + is)2 = (1 + it)4 = (1 + im)12 = (1 + id)360

..........................................................................................................
68 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Vamos verificar o cálculo da taxa equivalente na prática,


usando os dados da planilha do Excel da página 65, que
segue abaixo:

Exemplo 1: calcule a taxa anual equivalente a 6% a.m.

Sabemos que um ano = 12 meses, então:

(1 + ia)1 = (1 + im)12
1 + ia = (1 + 0,06)12
1 + ia = (1,06)12
1 + ia = 2,0122
ia = 2,0122 – 1
ia = 1,0122 A taxa anual equivalente é de 101,22%.

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida 69

Exemplo 1 na HP 12C:

Cálculo da taxa equivalente de um período


menor para um período maior

Passos HP 12C

1º f REG

2º 100 CHS PV

3º xxxx n

4º xxxx i

5º FV

6º RCL PV +

Observação: observe se a calculadora apresenta a letra “c”


na parte inferior do lado direito do visor (ela pode ser ha-
bilitada/desabilitada com o procedimento STO EEX).

Dados:
n = um ano = 12 meses
i = 6 % a.m.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

100 CHS PV

n
12

6 i

FV

..........................................................................................................
70 Regime de capitalização composta e taxa de juros

RCL PV +
(Aparecerá no visor: 101,22) A taxa
anual equivalente é de 101,22%.

Exemplo 2: calcule a taxa semestral equivalente a 6% a.m.

Sabemos que um semestre = seis meses, então:

(1 + is)1 = (1 + im)6
1 + is = (1 + 0,06)6
1 + is = (1,06)6
1 + is = 1,41852
is = 1,41852 – 1
is = 0,41852 A taxa semestral equivalente é de 41,85%.

Exemplo 2 na HP 12C:

Cálculo da taxa equivalente de um período


menor para um período maior

Passos HP 12C

1º f REG

2º 100 CHS PV

3º xxxx n

4º xxxx i

5º FV

6º RCL PV +

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida 71

Dados:
n = um semestre = seis meses
i = 6 % a.m.

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

100 CHS PV

n
6

6 i

FV

RCL PV +
(Aparecerá no visor: 41,85) A taxa se-
mestral equivalente é de 41,85%.

Exemplo 3: calcule a taxa mensal equivalente a 101,22% a.a.

Sabemos que um ano = 12 meses, então:

(1 + ia)1 = (1 + im)12
im = (1 + ia)1/12 - 1
im = (1 + 1,0122)1/12 – 1
im = (2,0122)1/12 – 1
im = 1,06 – 1
im = 0,06 A taxa mensal equivalente é de 6%.

..........................................................................................................
72 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Exemplo 3 na HP 12C:

Cálculo da taxa equivalente de um período


maior para um período menor

Passos HP 12C

1º f REG

2º 100 CHS PV

3º xxxx 1/x n

4º xxxx i

5º FV

6º RCL PV +

Dados:
n = um ano = 12 meses
i = 101,22%

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores)

100 CHS PV

n
12 1/x

101,22 i

FV

RCL PV +
(Aparecerá no visor: 6,00) A taxa men-
sal equivalente é de 6%.

.........................................................................................................
Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida 73

• Taxa bruta x taxa líquida:


• Taxa bruta: a taxa bruta de uma aplicação finan-
ceira é a taxa de juros obtida considerando o valor
da aplicação e o valor do resgate brutos, sem levar
em conta o desconto do imposto de renda sobre os
juros que é retido pela instituição financeira.

• Taxa líquida: a taxa líquida de uma aplicação fi-


nanceira é a taxa de juros obtida considerando o va-
lor da aplicação e o valor do resgate líquidos, levan-
do em conta o desconto do imposto de renda sobre
os juros que é retido pela instituição financeira.

Exemplo 4: supondo que você aplicou em um fundo de in-


vestimento que lhe proporcionou um retorno de 0,90% em
um mês, qual foi o seu ganho líquido se considerar que foi
cobrado 20% sobre o ganho a título de imposto de renda?

Dados:
Taxa bruta: 0,90%
IR: 20%
Taxa líquida: taxa bruta – IR

Solução:
Calculando a taxa líquida: 0,90 x 0,80 (fator de descapita-
lização) = 0,72%.

Logo, a taxa líquida do investidor foi de 0,72%

Observação: como a taxa bruta considera o PV e o FV bru-


tos, sem levar em conta o desconto do imposto de renda,
que é retido pela instituição financeira, enquanto a Taxa

..........................................................................................................
74 Regime de capitalização composta e taxa de juros

Líquida considera o PV e o FV líquidos, levando em conta


o desconto do imposto de renda, que é retido pela insti-
tuição financeira, a taxa bruta é sempre maior que a taxa
líquida.

• Taxa real x taxa aparente:


Quando ocorre um aumento persistente dos preços
de bens e serviços, a moeda perde o seu poder aqui-
sitivo ao longo do tempo, gerando um fenômeno co-
nhecido como inflação, que ocorre devido a vários
fatores, como, por exemplo, a escassez de produtos,
o déficit orçamentário do governo — com emissão
descontrolada de dinheiro —, o desequilíbrio da ba-
lança de pagamentos, etc.

Em época de inflação elevada, é fundamental a aná-


lise dos efeitos das taxas de inflação nos resulta-
dos das aplicações financeiras, pois a perda rápida
do poder aquisitivo da moeda pode fazer com que
essas aplicações produzam resultados meramente
ilusórios.

• Taxa aparente: é a taxa que vigora nas operações


financeiras, sem levar em consideração a inflação
do período. É a que vigora nas operações correntes.

• Taxa real: é a taxa que leva em consideração a


inflação do período. A taxa real é calculada depois
de serem expurgados os efeitos inflacionários.

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Taxas de juros: efetiva, equivalente, bruta e líquida 75

As taxas aparente e real relacionam-se da seguinte forma:

(1 + i) = (1 + ir) . (1 + I)

Em que:
“i” é a taxa aparente.
“ir” é a taxa real.
“I” é a taxa de inflação.

Exemplo 5: qual será a taxa real de um empréstimo a uma


taxa aparente de 20% a.m., considerando uma inflação de
15% para o mesmo período?

(1 + i) = (1 + ir) . (1 + I)
(1 + 0,2) = (1 + ir) . (1 + 0,15)

1,2 = (1 + ir) . 1,15

1,2
= 1 + ir
1,15

ir = 1,043478 – 1

ir = 0,043478 ir = 4,35% a.m.

Exemplo 6: um capital foi aplicado, por um ano, à taxa de


juros compostos de 18% a.a. No mesmo período, a taxa de
inflação foi de 12,5%. Qual a taxa real de juros?

(1 + i) = (1 + ir) . (1 + I)
(1 + 0,18) = (1 + ir) . (1 + 0,125)

1,18 = (1 + ir) . 1,125

1,18
= 1 + ir
1,125

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76 Regime de capitalização composta e taxa de juros

ir = 1,04889 – 1

ir = 0,04889 ir = 4,89% a.m.

Neste capítulo, falamos sobre o regime de capitalização


composta, que é diferente do regime de capitalização sim-
ples, na medida em que o capital vai acumulando os juros
ao longo do tempo. Nesse regime, o valor do capital e,
consequentemente, o valor dos juros a pagar aumentam
ao longo do tempo. Como os juros compostos são soma-
dos ao saldo devedor, os juros aumentam cada vez mais.
São os famosos “juros sobre juros”. O crescimento, nesse
caso, é exponencial (uma curva cada vez mais íngreme),
enquanto, nos juros simples, esse crescimento é constante
(uma reta).

.........................................................................................................
77

REFERÊNCIAS

BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO


PAULO. Matemática Financeira: 216 questões com gabari-
to. São Paulo: BM&FBovespa, 2008.

PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática Financeira: obje-


tiva e aplicada. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

SAMANEZ, Carlos Patricio. Matemática Financeira: aplica-


ções à análise de investimentos. 5. ed. São Paulo: Pearson,
2010.

VIEIRA SOBRINHO, José Dutra. Matemática Financeira. 7.


ed. São Paulo: Atlas, 2011.

WAKAMATSU, André. Matemática Financeira. São Paulo:


Pearson, 2012.

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78

.........................................................................................................
Séries de pagamentos 79

CAPÍTULO 3
SÉRIE DE PAGAMENTOS E
SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

Este capítulo aborda as séries de pagamentos e os siste-


mas de amortização e suas relações matemáticas aplicados
aos casos práticos do cotidiano dos mercados comercial e
financeiro. Assim, você poderá identificar a relação entre
o PV ou o FV, bem como o prazo, a taxa de juros e o valor
das parcelas de uma série de pagamentos, além de também
conseguir analisar e determinar as séries de pagamentos e
planos de amortização por meio de recursos eletrônicos.

..........................................................................................................
80 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

SÉRIES DE PAGAMENTOS

Uma série de pagamentos, também conhecida como anui-


dade, está relacionada às saídas de recursos financeiros
do seu caixa, seja para pagamento de seus empréstimos
ou financiamentos, seja para construir um montante até o
final de um período (poupança programada).

Com relação ao início dos pagamentos, as rendas podem


ser classificadas em:

• Rendas imediatas: quando o primeiro pagamen-


to é devido no primeiro período, contado a partir da
origem da renda.

• Rendas diferidas: quando o primeiro pagamento


só é devido no período subsequente ao período m,
denominado período de diferimento. As séries di-
feridas envolvem apenas cálculos relativos ao valor
atual, pois o montante é igual ao montante de uma
série de pagamentos iguais com termos vencidos,
uma vez que, durante o prazo de carência, não há
pagamentos e capitalizações.

Série de pagamento uniforme


Define-se anuidade, renda certa ou série uma sucessão de
pagamentos ou recebimentos exigíveis em épocas prede-
terminadas, destinada a extinguir uma dívida ou consti-
tuir um capital.

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Séries de pagamentos 81

Vamos analisar o procedimento de duas séries de paga-


mentos uniformes:

• Série uniforme com pagamentos protelados:-


Nas séries uniformes com termos protelados, os
pagamentos ou recebimentos são efetuados no final
de cada intervalo de tempo a que se refere a taxa de
juros considerada.

• Série uniforme com pagamentos antecipados:


Nas séries uniformes com termos antecipados, os
pagamentos ou recebimentos são efetuados no iní-
cio de cada intervalo de tempo a que se refere a taxa
de juros considerada. Assim, a primeira prestação
é sempre paga ou recebida no momento “zero”, ou
seja, na data do contrato, do empréstimo, do finan-
ciamento ou de qualquer outra operação que impli-
que pagamentos ou recebimentos de prestações.

Séries uniformes na HP 12C


Vamos desenvolver e apresentar as principais fórmulas
usadas na solução de problemas envolvendo uma série
uniforme de valores monetários (pagamentos ou recebi-
mentos), no regime de juros compostos, ao longo de inter-
valos regulares, e mostrar suas aplicações.

Essa modalidade de prestação é usualmente conhecida


como modelo price, no qual todas as prestações têm o mes-
mo valor, o qual representaremos genericamente por PMT.

O fato de as prestações terem o mesmo valor permite a


obtenção de fórmulas simplificadas para capitalização,

..........................................................................................................
82 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

assim como o desconto dessas parcelas, mediante a utili-


zação da expressão para a soma dos termos de uma pro-
gressão geométrica.

As principais funções financeiras da HP 12C, para opera-


ções com séries uniformes são:

Observação 1: a tecla PMT (periodic payment amount) da


HP 12C é o valor de uma parcela que pode ser adicionada
ou subtraída do montante a cada período.

Observação 2: para operar com o registrador PMT da HP


12C, é preciso, inicialmente, determinar se a série calcula-
g END
da é postecipada (configurada por ) ou antecipa-
g BEG
da (configurada por ).

Observação 3: vale a pena lembrar, mais uma vez, que


os desembolsos de caixa devem ser colocados com sinal
negativo, e os recebimentos, com sinal positivo.

BEG END

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Séries de pagamentos 83

Exemplo 1: série uniforme com pagamentos protelados:


dado o PV, ache o PMT.

Um par de sapatos está anunciado por R$ 200,00 para pa-


gamento à vista ou em cinco prestações iguais e mensais,
sendo a primeira para 30 dias após a compra. Calcule o
valor das prestações, sabendo que a taxa de juros compos-
tos cobrada pela loja é de 5% a.m.

Dados:
PV = R$ 200,00
n= 5 meses
i = 5 a.m.
PMT = ?

Solução:
g END
Observação: a série calculada é protelada (use ).
Série uniforme com pagamentos protelados: dado o PV,
ache o PMT.

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º 200 CHS PV

3º 5 n

4º 5 i

Valor da
5º PMT 46,19
prestação

..........................................................................................................
84 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Exemplo 2: série uniforme com pagamentos protelados:


dado o FV, ache o PMT.

Uma pessoa deseja acumular R$ 100.000,00 aplicando um


valor todo mês durante cinco anos, a uma taxa de juros de
1,2% ao mês, a fim de realizar a viagem dos seus sonhos.
Determine o valor de cada parcela a ser depositada men-
salmente.

Dados:
FV = R$ 100.00,00
n = 5 anos = 60 meses
i = 1,2% a.m.
PMT = ?

Solução:
g END
Observação: a série calculada é protelada (use ).
Série uniforme com pagamentos protelados: dado o FV,
ache o PMT.

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º 100.000 CHS FV

3º 60 n

4º 1,2 i

Valor da
5º PMT 1.147,61
parcela

.........................................................................................................
Séries de pagamentos 85

Exemplo 3: série uniforme com pagamentos antecipados:


dado PV, ache PMT.

Um veículo custa, à vista, R$ 50.000,00, mas pode ser ad-


quirido em 12 prestações mensais e iguais sob uma taxa
de 1,5% a.m., sendo a primeira prestação no ato da com-
pra. Determine o valor das prestações.

Dados:
PV = R$ 50.00,00
n = 12 meses
i = 1,5% a.m.
PMT = ?

Solução:
g BEG
Observação: a série calculada é antecipada (use ).
Série uniforme com pagamentos antecipados: dado PV,
ache PMT.

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º 50.000 CHS PV

3º 12 n

4º 1,2 i

Valor da
5º PMT 4.516,26
prestação

..........................................................................................................
86 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Exemplo 4: série uniforme com pagamentos antecipados:


dado o FV, ache o PMT.

Um investidor tem uma promissória no valor de R$


95.000,00 para quitar daqui a oito meses. Considerando
que um título em renda fixa rende 1,45% a.m., calcule o va-
lor do depósito mensal que deve ser realizado, a partir de
hoje, em uma instituição bancária, a fim de que ele tenha
o valor de resgate que precisa.

Dados:
FV = R$ 100.00,00
n = 5 anos = 60 meses
i = 1,25% a.m.
PMT = ?

Solução:
g BEG
Observação: a série calculada é antecipada (use ).
Série uniforme com pagamentos antecipados: dado o FV,
ache o PMT.

Passos HP 12C Resposta

1º f REG

2º 95.000 CHS FV

3º 8 n

4º 1,45 i

Depósito
5º PMT 11.124,06
mensal

.........................................................................................................
Sistemas de amortização 87

SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

Quando fazemos o financiamento de um bem, seja de um


automóvel ou de uma casa, ou um empréstimo para uma
empresa, é preciso determinar como serão pagos os juros e
as amortizações devidos ao longo do tempo. Por exemplo,
pode-se determinar quem é o principal se ele somente fos-
se pago ao final do prazo do empréstimo, ou ele pode ser
amortizado durante a sua vigência. Assim, cada parcela de
pagamento pode incluir tanto os juros do período como a
amortização do principal. Os sistemas mais utilizados são:

• Sistema de Amortização Constante – SAC.


• Sistema de Amortização Francês (Tabela Price) – SAF.
• Sistema de Amortização Misto – SAM.
• Sistema de Amortização Americano – SAA.

Sistema de Amortização Constante – SAC


O financiamento é pago em prestações decrescentes. Cada
parcela compreende o pagamento dos juros e da amortiza-
ção de parte do principal. Essa modalidade é utilizada em
financiamentos imobiliários e em financiamentos feitos a
empresas por parte de entidades governamentais.

Cálculos:

a) Cálculo da amortização do principal, que tem valor cons-


tante em todas as prestações, por meio da divisão do prin-
cipal pelo número de prestações.

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88 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

b) Cálculo dos juros do período pela aplicação da taxa do


contrato sobre o valor do saldo (remanescente do princi-
pal) no início do período.
c) Cálculo do valor da prestação pela soma da amortização
do principal com os juros do período.

Em cada período, o principal remanescente decresce do


valor de uma amortização. Como todas as amortizações
são iguais, esse decréscimo será uniforme, e, portanto, os
juros dos períodos também serão uniformemente decres-
centes ao longo do tempo.

Exemplo 1: um empréstimo no valor de R$ 30.000,00 foi


contraído para ser pago pelo SAC em 24 prestações men-
sais a uma taxa de juros de 2% a.m.

Solução:
Para montagem da planilha, devemos inicialmente calcu-
lar o valor da amortização:

P
A=
n

Em que:
A = amortização.
P = principal.
n = números de prestações.

Resolução:

P 30.000
A= A= A = R$ 1.250,00
n 24

.........................................................................................................
Sistemas de amortização 89

Amortização do saldo devedor pelo SAC

Saldo
Nº Prestação Amortização Juros
devedor
1 1.850,00 1.250,00 600,00 28.750,00
2 1.825,00 1.250,00 575,00 27.500,00
3 1.800,00 1.250,00 550,00 26.250,00
4 1.775,00 1.250,00 525,00 25.000,00
5 1.750,00 1.250,00 500,00 23.750,00
6 1.725,00 1.250,00 475,00 22.500,00
7 1.700,00 1.250,00 450,00 21.250,00
8 1.675,00 1.250,00 425,00 20.000,00
9 1.650,00 1.250,00 400,00 18.750,00
10 1.625,00 1.250,00 375,00 17.500,00
11 1.600,00 1.250,00 350,00 16.250,00
12 1.575,00 1.250,00 325,00 15.000,00
13 1.550,00 1.250,00 300,00 13.750,00
14 1.525,00 1.250,00 275,00 12.500,00
15 1.500,00 1.250,00 250,00 11.250,00
16 1.475,00 1.250,00 225,00 10.000,00
17 1.450,00 1.250,00 200,00 8.750,00
18 1.425,00 1.250,00 175,00 7.500,00
19 1.400,00 1.250,00 150,00 6.250,00
20 1.750,00 1.250,00 125,00 5.000,00
21 1.350,00 1.250,00 100,00 3.750,00
22 1.325,00 1.250,00 75,00 2.500,00
23 1.300,00 1.250,00 50,00 1.250,00
24 1.275,00 1.250,00 25,00 0,00
TOTAL 37.500,00 30.000,00 7.500,00

Observações:

• No período 1, você já estaria devendo R$


30.600,00 (R$ 30.000,00 + R$ 600,00 de juros, que
correspondem a 2% de R$ 30.000,00).

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90 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

• Então, a prestação a ser paga seria no valor de


R$ 1.850,00 (R$ 1.250,00 da amortização constante
mais R$ 600,00 de juros, que correspondem a 2% de
R$ 30.000,00).

• Logo, o saldo devedor ficaria em R$ 28.750,00


(R$ 30.600,00 menos R$ 1.850,00, referente à pri-
meira prestação).

Sistema de Amortização Francês (Tabela Price)


– SAF
Essa modalidade de amortização consiste em uma série
de pagamentos iguais e periódicos, conforme já visto an-
teriormente. A parcela periódica de pagamentos compre-
ende os juros do período mais a amortização de parte do
principal. Essa modalidade é utilizada principalmente no
crédito direto ao consumidor.

Cálculos:

a) Cálculo do valor da prestação constante (com o uso de


tabelas ou de calculadoras).
b) Cálculo dos juros do período pela aplicação da taxa do
contrato sobre os valores do saldo (remanescente do prin-
cipal) no início do período.
c) Cálculo da amortização do principal pela diferença en-
tre o valor da prestação e o valor dos juros do período.

Observe que os juros de cada prestação vão diminuindo


com o tempo, pois o principal remanescente torna-se cada
vez menor. Como o valor da prestação é constante, a par-
cela de amortização de cada prestação vai aumentando ao
longo do tempo.

.........................................................................................................
Sistemas de amortização 91

Exemplo 2: um empréstimo no valor de R$ 30.000,00 foi


contraído para ser pago pelo SAF em 24 prestações men-
sais a uma taxa de juros de 2% a.m.

Solução:
Como no SAF a prestação é constante, utilizamos a fórmu-
la a seguir para calcular a prestação:

(1 + i)n . i
P = PV .
(1 + i)n – 1
Onde: 
PV = valor presente.
P = prestação.
n = número de parcelas.
i = taxa de juros na forma unitária, isto é, i ÷ 100 (2 ÷ 100
= 0,02).

(1 + i)n . i
P = PV .
(1 + i)n – 1

(1 + 0,02)24 . 0,02
P = 30.000 .
(1 + 0,02)24 – 1

P = R$ 1.586,13

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92 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Amortização do saldo devedor pelo SAF

Saldo
Nº Prestação Amortização Juros
devedor
1 1.586,13 986,13 600,00 29.013,87
2 1.586,13 1.005,85 580,28 28.008,02
3 1.586,13 1.025,97 560,16 26.982,05
4 1.586,13 1.046,49 539,64 25.935,56
5 1.586,13 1.067,42 518,71 24.868,14
6 1.586,13 1.088,77 497,36 23.779,37
7 1.586,13 1.110,54 475,59 22.668,83
8 1.586,13 1.132,75 453,38 21.536,08
9 1.586,13 1.155,41 430,72 20.380,67
10 1.586,13 1.178,52 407,61 19.202,15
11 1.586,13 1.202,09 384,04 18.000,06
12 1.586,13 1.226,13 360,00 16.773,93
13 1.586,13 1.250,65 335,48 15.523,28
14 1.586,13 1.275,66 310,47 14.247,62
15 1.586,13 1.301,18 284,95 12.946,44
16 1.586,13 1.327,20 258,93 11.619,24
17 1.586,13 1.353,75 232,38 10.265,49
18 1.586,13 1.380,82 205,31 8.884,67
19 1.586,13 1.408,44 177,69 7.476,23
20 1.586,13 1.436,61 149,52 6.039,62
21 1.586,13 1.465,34 120,79 4.574,28
22 1.586,13 1.494,64 91,49 3.079,64
23 1.586,13 1.524,54 61,59 1.555,10
24 1.586,13 1.555,03 31,10 0,07
TOTAL 38.067,12 29.999,93 8.067,19  

Observações:

• No período 1, você já estaria devendo R$


30.600,00 (R$ 30.000,00 + R$ 600,00 de juros, que
correspondem a 2% de R$ 30.000,00).

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Sistemas de amortização 93

• O valor da amortização seria R$ 986,13 (R$


1.586,13 da prestação constante menos R$ 600,00
de juros, que correspondem a 2% de R$ 30.000,00).

• Logo, o saldo devedor ficaria em R$ 29.013,87


(R$ 30.600,00 menos R$ 1.586,13, referente à pres-
tação constante).

Sistema de Amortização Misto – SAM


Nesse sistema, o principal é pago por parcelas periódi-
cas cujos valores correspondem à média do SAF e do
SAC. Assim, poderemos chegar ao valor das prestações
do SAM somando as prestações do mesmo mês desses
outros dois métodos.

Exemplo 3: um empréstimo no valor de R$ 30.000,00 foi


contraído para ser pago pelo SAM em 24 prestações men-
sais a uma taxa de juros de 2% a.m.

Solução:
Se considerarmos a primeira prestação do SAC (R$
1.850,00) e a primeira do SAF (R$ 1.586,13) e calcularmos
a média aritmética [(1.850,00 + 1.586,13) ÷ 2] chegaremos
ao valor da primeira prestação do SAM (R$ 1.718,065,
aprox. R$ 1.718,07).

Amortização do saldo devedor pelo SAM

Saldo
Nº Amortização Juros Prestação
devedor
0       30.000,00
1 1.118,07 600,00 1.718,07 28.881,93
2 1.127,93 577,64 1.705,57 27.754,01
3 1.137,99 555,08 1.693,07 26.616,02

..........................................................................................................
94 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

4 1.148,25 532,32 1.680,57 25.467,77


5 1.158,71 509,36 1.668,07 24.309,06
6 1.169,39 486,18 1.655,57 23.139,68
7 1.180,27 462,79 1.643,07 21.959,40
8 1.191,38 439,19 1.630,57 20.768,03
9 1.202,71 415,36 1.618,07 19.565,32
10 1.214,26 391,31 1.605,57 18.351,06
11 1.226,05 367,02 1.593,07 17.125,01
12 1.238,07 342,50 1.580,57 15.886,95
13 1.250,33 317,74 1.568,07 14.636,62
14 1.262,83 292,73 1.555,57 13.373,79
15 1.275,59 267,48 1.543,07 12.098,20
16 1.288,60 241,96 1.530,57 10.809,59
17 1.301,87 216,19 1.518,07 9.507,72
18 1.315,41 190,15 1.505,57 8.192,31
19 1.329,22 163,85 1.493,07 6.863,09
20 1.343,30 137,26 1.480,57 5.519,78
21 1.357,67 110,40 1.468,07 4.162,11
22 1.372,32 83,24 1.455,57 2.789,79
23 1.387,27 55,80 1.443,07 1.402,52
24 1.402,52 28,05 1.430,57 0,00

Sistema de Amortização Americano – SAA


Essa modalidade é utilizada em papéis de renda fixa com
renda paga periodicamente, como letras de câmbio com
renda mensal, certificados de depósito com renda mensal,
trimestral, etc.

Nessa modalidade, o principal é também devolvido em


uma única parcela no vencimento, e os juros são pagos
no final de cada período. Essa é a razão porque muitos
autores a classificam como sistema de juros constantes.

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Sistemas de amortização 95

Exemplo 4: um empréstimo no valor de R$ 30.000,00 foi


contraído para ser pago pelo SAA em 24 prestações men-
sais a uma taxa de juros de 2% a.m.

Amortização do saldo devedor pelo SAA

Saldo
Nº Amortização Juros Prestação
devedor
0 30.000,00
1 0,00 600,00 600,00 30.000,00
2 0,00 600,00 600,00 30.000,00
3 0,00 600,00 600,00 30.000,00
4 0,00 600,00 600,00 30.000,00
5 0,00 600,00 600,00 30.000,00
6 0,00 600,00 600,00 30.000,00
7 0,00 600,00 600,00 30.000,00
8 0,00 600,00 600,00 30.000,00
9 0,00 600,00 600,00 30.000,00
10 0,00 600,00 600,00 30.000,00
11 0,00 600,00 600,00 30.000,00
12 0,00 600,00 600,00 30.000,00
13 0,00 600,00 600,00 30.000,00
14 0,00 600,00 600,00 30.000,00
15 0,00 600,00 600,00 30.000,00
16 0,00 600,00 600,00 30.000,00
17 0,00 600,00 600,00 30.000,00
18 0,00 600,00 600,00 30.000,00
19 0,00 600,00 600,00 30.000,00
20 0,00 600,00 600,00 30.000,00
21 0,00 600,00 600,00 30.000,00
22 0,00 600,00 600,00 30.000,00
23 0,00 600,00 600,00 30.000,00
24 30.000,00 600,00 30.600,00 0,00

..........................................................................................................
96 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Observação:

O sistema padrão caracteriza-se por pagamentos iguais


de juros (R$ 600,00), exceto no último, quando o valor do
capital é adicionado aos juros (R$ 30.600,00).

Importante:

Notem que a taxa de juros em todos os casos vistos foi


sempre a mesma (2%), mas isso resultou em pagamentos
de juros diferentes em cada caso estudado.

Com isso, pode-se concluir que a forma como foram feitos


os pagamentos teve implicação direta na quantidade de
juros paga.

Outro ponto a ser observado é que, mesmo por diversos


“caminhos”, em todos os casos, o saldo devedor final foi
zero, ou seja, a dívida foi paga.

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Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização por meio de recursos 97
eletrônicos

DETERMINAÇÃO DE SÉRIES DE PAGAMENTO


E PLANOS DE AMORTIZAÇÃO POR MEIO DE
RECURSOS ELETRÔNICOS

Séries uniformes na HP 12C


A palavra begin que aparece no visor da calculadora signi-
fica “início do período”, ou seja, quando a primeira pres-
tação é antecipada, paga no ato (à vista). Dessa forma, ao
efetuar o cálculo, você não precisa descontar a parcela de
entrada, contudo, precisará informar a quantidade de par-
celas, incluindo a entrada.

g BEG
Lembre-se de que as teclas  devem ser usadas
somente em caso de prestações iguais, quando a parcela
de entrada for igual às demais.

Nesse caso, a HP 12C estará programada para cálculos com


prestações antecipadas, e essa informação estará no visor,
não sendo necessário repetir o comando a cada cálculo.

Quando as prestações forem proteladas, retire esse recur-


g END
so do visor, com o comando: .

..........................................................................................................
98 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Exemplo 1: determine o valor das prestações anuais de


um financiamento realizado com a taxa efetiva de 8% ao
ano, no regime de juros compostos, sabendo que o valor
do principal é de R$ 1.800,00 e que o prazo da operação
é de seis anos.

Dados:
PV = 1.800
n = 6 anos
i = 8% a.a.
PMT = ?

Registre nas teclas financeiras:


g END
Observação: a série calculada é postecipada (use ).

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.800 CHS PV

n
6

8 i

PMT
(Aparecerá no visor: 389,3677) O valor da pres-
tação é R$ 389,37.

Exemplo 2: um smartphone no valor de R$ 950,00, à vista,


é vendido em 12 pagamentos mensais iguais e sem entra-
da no valor de R$ 100,00 cada. Qual a taxa de juros mensal
cobrada pela loja?

Dados:
PV = 950
n = 12 meses

.........................................................................................................
Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização por meio de recursos 99
eletrônicos

PMT = 100
i=?

Registre nas teclas financeiras:


g END
Observação: a série calculada é protelada (use ).

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

100 CHS PMT

950 PV
n
12
i (Aparecerá no visor: 3,79) A taxa mensal é de 3, 79%.

Exemplo 3: determine o valor principal de um financia-


mento realizado com uma taxa efetiva de 1% ao mês, no
regime de juros compostos, e que deve ser liquidado em
12 prestações mensais e sucessivas de R$ 1.200,00.

Dados:
n = 12 meses
PMT = 1.200
i = 1 % a.m.
PV = ?

Registre nas teclas financeiras:


g END
Observação: a série calculada é protelada (use ).

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1200 CHS PMT


n
12

..........................................................................................................
100 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

1 i

PV
(Aparecerá no visor: 13.506,09) O valor princi-
pal é R$ 13.506,09.

Exemplo 4: quanto terei de aplicar mensalmente, a partir


de hoje, para acumular, no final de 12 meses, um montan-
te no valor de R$ 30.000,00, sabendo que a taxa de juros
compostos a ser firmada é de 3% a.m. e que serão 12 apli-
cações mensais?

Dados:
FV = 30.000
n = 12 meses
i = 3% a.m.
PMT = ?

Registre nas teclas financeiras:


g BEG
Observação: a série calculada é antecipada (use ).

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

30.000 CHS FV

n
12

3 i

PMT
(Aparecerá no visor: 2.052,29) O valor da pres-
tação é R$ 2.052,29.

.........................................................................................................
Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização por meio de recursos 101
eletrônicos

Exemplo 5: um financiamento de R$ 7.000,00 é concedido


à taxa de juros de 4% a.m. no prazo de 12 meses. Calcule
o valor das prestações mensais iguais, sendo o primeiro
pagamento ao final do quinto mês.

Observação 1: trata-se de uma série diferida ou com ca-


rência, pois o primeiro pagamento só ocorre depois de de-
corridos m períodos de tempo, os quais se referem à taxa
de juros considerada (m ≥ 2).

Observação 2: como há um período de carência (quatro


meses), vamos resolver essa questão em duas partes:

• Parte I (período de carência)


Dados:
PV = 7.000
n = 4 meses
i = 4% a.m.
FV = ?

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

7.000 CHS PV

n
4

4 i

FV
(Aparecerá no visor: 8.189,009) O valor
atualizado é R$ 8.189,01.

..........................................................................................................
102 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

• Parte II (período após a carência)


Dados:
PV = 8.189,01
n = 8 meses
i = 4% a.m.
FV = ?

Registre nas teclas financeiras:


f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

8.189,01 CHS PV

n
8

4 i

PMT
(Aparecerá no visor: 1.216,30) O valor da
prestação é R$ 1.216,30.

SAF na HP 12C
A função amarela AMORT permite o desdobramento das
prestações do SAF em suas parcelas de amortização e ju-
ros, além de conseguir o valor do saldo devedor após o
pagamento de uma determinada prestação.

Observação 1: para apagar TODOS os registros armazena-


dos na calculadora, pressione f REG .

Observação 2: para apagar os registros financeiros na cal-


culadora, pressione f FIN .

.........................................................................................................
Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização por meio de recursos 103
eletrônicos

f REG
Observação 3: cuidado: apaga todos os regis-
tros, inclusive os financeiros.

AMORT

Exemplo 6: um empréstimo no valor de R$ 30.000,00 foi


contraído para ser pago pelo SAF em 24 prestações men-
sais, a uma taxa de juros de 2% a.m. Determine:

a) O valor da prestação.
b) Os juros pagos no primeiro mês.
c) A amortização no primeiro mês.
d) O saldo devedor após o pagamento da primeira prestação.
e) Os juros pagos no segundo mês.
f) A amortização no segundo mês.
g) O saldo devedor após o pagamento da segunda prestação.
h) Os juros pagos nos quatro primeiros meses após o pri-
meiro bimestre (lembrar que já calculamos dois meses).
i) O saldo devedor após o pagamento da sexta prestação
(lembrar que já calculamos 2 + 4 = 6 meses).

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104 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Registre nas teclas financeiras:


f FIN
(Para zerar os registros financeiros).

30.000 CHS PV

n
24

2 i

PMT
(Aparecerá no visor: 1.586,13) a) O valor da
prestação é de R$ 1.586,13.

f AMORT
1 (Aparecerá no visor: 600,00) b) Os
juros pagos no primeiro mês.

(Aparecerá no visor: 986,13) c) A amortização


no primeiro mês.

RCL PV
(Aparecerá no visor: -29.013,86) d) O saldo
devedor após o pagamento da primeira prestação.

f AMORT
1 (Aparecerá no visor: 580,27) e) Os
juros pagos no segundo mês.

(Aparecerá no visor: 1.005,85) f) A amortização


no segundo mês.

RCL PV
(Aparecerá no visor: -28.008,01) g) O saldo
devedor após o pagamento da segunda prestação.

Observação: ao digitarmos um número n qualquer e as


teclas f AMORT obteremos os juros acumulados corres-

pondentes aos n primeiros períodos. E se, em seguida, di-

gitarmos outro número m seguido das teclas f AMORT

teremos os juros acumulados dos m períodos seguintes.

.........................................................................................................
Determinação de séries de pagamentos e planos de amortização por meio de recursos 105
eletrônicos

f AMORT
4 (Aparecerá no visor: 2.115,87) h) Os
juros pagos nos quatro primeiros meses após o primeiro bi-
mestre.

RCL PV
(Aparecerá no visor: -23.779,35) i) O saldo
devedor após o pagamento da sexta prestação.

AMORT

Neste capítulo, falamos sobre os modelos conceituais de


anuidades ou rendas que são as bases para os principais
modelos de financiamento de dívidas existentes no mer-
cado. A partir do que foi exposto, podemos afirmar que
uma série de capitais uniformes representa um conjunto
de pagamentos ou de recebimentos projetado para ocor-
rer em determinado intervalo de tempo e, ainda, que o
plano de amortização consiste no processo de pagamento
de um empréstimo ou financiamento durante um determi-
nado período — geralmente em longo prazo —, em que, ao
final desse período, o débito consta totalmente liquidado.

..........................................................................................................
106 Séries de pagamentos e sistemas de amortização

Nesse sentido, foram verificados os principais sistemas de


amortização de dívidas utilizados pelo mercado, e qua-
dros de amortização de dívidas foram construídos.

.........................................................................................................
107

REFERÊNCIAS

BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO


PAULO. Matemática Financeira: 216 questões com gabari-
to. São Paulo: BM&FBovespa, 2008.

PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática Financeira: obje-


tiva e aplicada. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

SAMANEZ, Carlos Patricio. Matemática Financeira: aplica-


ções à análise de investimentos. 5. ed. São Paulo: Pearson,
2010.

VIEIRA SOBRINHO, José Dutra. Matemática Financeira. 7.


ed. São Paulo: Atlas, 2011.

WAKAMATSU, André. Matemática Financeira. São Paulo:


Pearson, 2012.

..........................................................................................................
108

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 109

CAPÍTULO 4
ANÁLISE DE FLUXO DE CAIXA E
EQUIVALÊNCIA DE CAPITAL

Neste capítulo, abordaremos os seguintes assuntos: avalia-


ção de investimentos de capital por meio das técnicas de
fluxo de caixa e equivalência de capital; compreensão da di-
nâmica do fluxo de entrada e saída de caixa (capital) em um
projeto; e utilização de, forma básica, dos recursos ofere-
cidos pelas ferramentas digitais de cálculo na modelagem
financeira dos problemas relacionados à análise de fluxo
de caixa.

..........................................................................................................
110 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

VALOR PRESENTE LÍQUIDO – VPL

Executamos projetos por motivos pessoais e organizacio-


nais. Do ponto de vista pessoal, realizamos projetos para,
por exemplo, abrir um novo negócio (empresa), expandir
ou melhorar um negócio já existente, fazer aquele curso
ou viagem sonhada há tempos, entre outros. Do ponto de
vista organizacional, executamos projetos para lançar um
novo produto ou serviço, abrir uma nova filial ou ramo de
negócio, criar ou reestruturar uma área ou unidade orga-
nizacional, etc.

O fato é que todo projeto, seja ele pessoal ou organizacio-


nal, terá um custo (orçamento do projeto) a ser desembol-
sado ao longo de sua duração, e, assim, todo projeto tem
riscos associados. Desse modo, é para ajudar o investidor
em sua decisão — se vale a pena (se é viável) investir de-
terminado montante em um projeto (orçamento do proje-
to) — que existem as técnicas de análise de investimento.

Neste capítulo, vamos analisar uma dessas técnicas de


análise de investimento: o VPL.

Valor presente líquido – VPL


Para Gitman (2010), o VPL é uma técnica de orçamento
sofisticada, e o seu valor é determinado pela subtração do
valor inicial de um projeto pelo valor presente dos fluxos
de entrada de caixa, os quais são descontados a uma taxa
igual ao custo do capital da empresa.

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 111

Por sua vez, Casaroto (2011), define VPL como a diferença


entre o valor presente da estimativa líquida das entradas
de caixa e o valor presente das saídas de caixa.

O VPL (ou Net Present Value – NPV) é um dos instrumen-


tos sofisticados mais utilizados para avaliar propostas de
investimento de capital. Essa avaliação é baseada princi-
palmente na utilização do custo de capital, que consiste
em descontar os fluxos de caixa futuros, sendo, portanto,
aceito o projeto cujo valor de VPL for positivo. Caso con-
trário, ele será rejeitado. As empresas normalmente con-
sideram os novos projetos com VPL zero ou positivos, e
os projetos com VPL negativos não são de seu interesse.

O VPL também é uma técnica adotada como parâmetro


para analisar a sensibilidade de projetos, possibilitando
sua aceitação ou rejeição. Para efetivar a análise do VPL, é
necessária a aplicação da matemática financeira. A análise
consiste em trazer para o momento presente o fluxo de
caixa dos “n” períodos de um projeto, a uma taxa de juros
conhecida, e descontar o valor do investimento inicial. O
resultado do cálculo é o VPL, que pode apresentar um va-
lor positivo ou negativo.

Considerando que o método do VPL requer conhecimento


prévio de alguns requisitos, como matemática, finanças e
lógica, esse conhecimento é possível a partir da qualifica-
ção dos profissionais que atuam na área não somente em
termos conceituais ou teóricos, mas também na aplicabi-
lidade do método.

..........................................................................................................
112 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

FC1 FC2 FCn


VPL = FC0 + + +
(1 + i) 1
(1 + i) 2
(1 + i)n

Método prático:

Investimento FC1 FC2 FCn


VPL = – inicial + + +
(1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)n

Em que:
FCn = saldo do fluxo de caixa no período n.
i = taxa de juros estipulada (taxa mínima de atratividade)
ou custo de capital do projeto de investimento.

Análise: a viabilidade econômica de um projeto é encon-


trada quando o VPL dos fluxos de caixa esperados é su-
perior ao valor presente dos custos do investimento. É
considerado atraente todo investimento que apresenta
VPL maior ou igual a zero. As principais características do
método do VPL são:

• Considerar como certos os fluxos de caixa futu-


ros do empreendimento.

• Utilizar períodos determinados.


• Usar taxas fixas de desconto para atualizar o flu-
xo de caixa.

Observação: em determinadas circunstâncias, como a de


novos negócios, a análise do VPL é fundamental para as
tomadas de decisão, mesmo que ela apresente um valor
negativo. Nesse caso, deve-se considerar outras variáveis
que possam interagir com o projeto, como a perspecti-
va de crescimento do mercado, o bloqueio à entrada de

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 113

algum futuro concorrente ou a saída de um concorrente


atual em determinada área ou região, a projeção de valo-
rização imobiliária de determinada área e a valorização
futura de um bem ou serviço.

Vantagens e desvantagens do VPL


As principais vantagens encontradas no método do VPL são:

• Usar fluxos de caixa (lucro líquido + deprecia-


ção), em vez de lucro líquido.

• Analisar o valor do dinheiro no tempo.


• Identificar o aumento de riqueza do empreendi-
mento.

• Ser usado para tomar decisões entre investimentos.


• Aceitar projetos com VPL positivo.
• Considerar o risco embutido na taxa mínima de
atratividade – TMA.

Entre as desvantagens relacionadas ao método do VPL estão:

• A necessidade de usar uma TMA fixa como taxa


de desconto para todo o período de projeto.

• Usar períodos estanques para a análise de pro-


jetos.

• Não possibilitar a captação de opções.


• Não possibilitar flexibilidade no gerenciamento
de projetos.

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114 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Exemplo 1: uma empresa está analisando a perspectiva de


um novo empreendimento, o que permitirá alavancar as
suas vendas. Sabe-se que o custo de capital da empresa é
igual a 10% ao ano, e o fluxo de caixa operacional líquido
está estimado na tabela apresentada a seguir:

Anos 0 1 2 3 4
Valores (2.500.000) 600.000 750.000 800.000 1.500.000

Diagrama do fluxo de caixa

600.000 750.000 800.000 1.500.000

2.500.000

Observação:
Escala horizontal: representa o tempo (meses, semestres,
anos, etc.)

Entradas de caixa ou receitas:

Saídas de caixa ou despesas:

ATENÇÃO: o investimento é feito no instante 0.

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 115

Pede-se: determine o VPL.

Solução: substituímos os valores dos respectivos fluxos


de caixa na fórmula abaixo:

Investimento FC1 FC2 FCn


VPL = – + + + ... +
inicial (1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)n

600.000 750.000 800.000 1.500.000


VPL = – 2.500.000 + + + +
(1,10)1 (1,10)2 (1,10)3 (1,10)3

600.000 750.000 800.000 1.500.000


VPL = – 2.500.000 + + + +
1,1 1,21 1,331 1.4641

VPL = – 2.500.000 + 545.455 + 619.835 + 601.052 + 1.024.520

VPL = -2.500.000 + 2.790.862 = R$ 290.862,00

Solução: VPL calculado na HP 12C:

NPV
CFo CFj

..........................................................................................................
116 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
2.500.000 CHS
g CFj
600.000
g CFj
750.000
g CFj
800.000
g CFj
1.500.000

10 i (Lembre-se de que a taxa i é de 10%).

f NPV f
(Tecle e, em seguida, NPV ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: R$ 290.861,28.

Interpretação do VPL:

• O projeto é viável, pois o VPL (considerando o


período de quatro anos) é maior que zero (+ R$
290.862,00).

• Se o VPL fosse igual a zero, também indicaria


que o projeto é viável, pois, ao contrário do que al-
guns possam interpretar, isso não significa resulta-
do econômico igual a zero. Significa que o projeto,
além de pagar os valores investidos, proporcionou
um lucro exatamente igual ao mínimo esperado,
atingindo a TMA de 105.

• O VPL apurado indica que a empresa atingiria,


além do mínimo esperado (10%), um resultado exce-
dente em dinheiro de R$ 290.862,00.

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 117

Em resumo, o VPL é um dos melhores métodos e o mais


indicado como ferramenta para analisar projetos de inves-
timentos, não apenas porque trabalha com fluxo de caixa
descontado e por sua consistência matemática, mas tam-
bém porque o seu resultado é em espécie ($), revelando a
riqueza absoluta do investimento. A dificuldade em seu
uso está na identificação da taxa de desconto a ser utiliza-
da, que, muitas vezes, é obtida de forma complexa ou até
mesmo subjetiva.

Exemplo 2: uma empresa está analisando a perspectiva


de um novo empreendimento, o que permitirá alavancar
as suas vendas. Sabe-se que o custo de capital da empresa
é igual a 9% ao ano, e o fluxo de caixa operacional líquido
está estimado na tabela apresentada a seguir. Determine
o VPL.

0
Anos (investimento 1 2 3 4
inicial)
Valores (250.000) 70.000 90.000 100.000 150.000

Solução: VPL calculado na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
250.000 CHS
g CFj
70.000
g CFj
90.000
g CFj
100.000

..........................................................................................................
118 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

g CFj
150.000

9 i (Lembre-se de que a taxa i é de 9%).

f NPV f
(Tecle e, em seguida, NPV ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: R$ 73.453,51.

Exemplo 3: uma empresa está analisando a perspectiva


de um novo empreendimento, o que permitirá alavancar
as suas vendas. Sabe-se que o custo de capital da empresa
é igual a 8 % ao ano, e o fluxo de caixa operacional líquido
está estimado na tabela apresentada a seguir. Determine
o VPL.

0
Anos (Investimento 1 2 3 4
Inicial)
Valores (250.000) 70.000 90.000 150.000 100.000

Solução: VPL calculado na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
250.000 CHS
g CFj
70.000
g CFj
90.000
g CFj
150.000
g CFj
100.000

.........................................................................................................
Valor presente líquido – VPL 119

8 i (Lembre-se de que a taxa i é de 8%).

f NPV f
(teclar e em seguida NPV ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: R$ 84.553,13.

..........................................................................................................
120 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

TAXA INTERNA DE RETORNO – TIR

A Taxa Interna de Retorno – TIR (ou Intern Rate of Re-


turn – IRR) é um dos métodos mais sofisticados para ava-
liar propostas de investimentos. Ela representa a taxa de
desconto que iguala, em um único momento, os fluxos de
entrada com os de saída de caixa.

A TIR caracteriza-se pela remuneração de um empreen-


dimento durante um período de tempo e fluxo de caixa
preestabelecido e representa a rentabilidade interna de
um projeto, que é obtida pelo desconto do fluxo de caixa
observado nos períodos de análise e que anula o valor do
investimento inicial. A TIR obtida pelo projeto é compara-
da a uma taxa mínima de atratividade desejada e arbitrada
como retorno pelo investidor.

Nesse sentido, a TIR é utilizada para comparar alternati-


vas de investimentos em projetos, desde que os períodos
sejam equivalentes e os valores não sejam muito discre-
pantes, a fim de que os resultados da análise não se mos-
trem distorcidos.

Normalmente, as empresas utilizam como TMA os custos


dos financiamentos ou os índices econômicos, levando em
conta também o risco dos projetos.

.........................................................................................................
Taxa interna de retorno – TIR 121

Entende-se por TMA aquela que será alcançada em um


determinado projeto; caso contrário, o mesmo deve ser re-
jeitado. Trata-se do rendimento mínimo de uma segunda
melhor alternativa de mercado. A caderneta de poupança
é um referencial que pode ser utilizado pelas pessoas fí-
sicas em seus investimentos. Já para as pessoas jurídicas,
pode-se utilizar, por exemplo, a taxa de remuneração de
títulos bancários, como os CDBs, ou a taxa média ponde-
rada do custo das contas de capital de giro.

Esse método consiste em calcular a taxa que anula o valor


presente dos fluxos de caixa do projeto. Em outras pala-
vras: essa é a taxa que produz um VPL igual a zero e que
pode ser obtida mediante a seguinte fórmula:

n
Fn
TIR = ∑
T=0 (1 + i)n
=0

Na realidade, a TIR é a taxa de desconto que torna o VPL


das entradas de caixa igual ao das saídas.

F1 F2 FCn
0= + + ... + – F0
(1 + TIR)1 (1 + TIR)2 (1 + TIR)n

A regra de decisão é a seguinte:

TIR ≥ TMA projeto viável.


TIR < TMA projeto não é viável.

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122 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Interpretação: o retorno relativo do investimento é revelado:

• Quando a TIR for maior do que a TMA, o que


significa que o investimento estará rendendo mais
do que a taxa de retorno requerida. A riqueza do
investidor estará aumentando.

• Quando a TIR for igual à TMA, o que implica que


o investimento renderá o mesmo que a taxa requeri-
da de retorno. A riqueza estará aumentando, porém
o investimento estará em uma situação de indife-
rença, pois será possível optar pelo mercado finan-
ceiro com a mesma taxa de retorno e sem risco.

• Quando a TIR for menor do que a TMA, o que


indica que o investimento não é viável, pois há in-
vestimentos sem risco que trarão uma taxa maior
de retorno.

Na decisão entre vários projetos de investimento, é consi-


derado melhor o que tem a maior taxa interna de retorno.
Uma TIR superior à TMA indica a tendência a aceitar um
determinado projeto, que pode ser um investimento em-
presarial, um financiamento ou uma determinada aplica-
ção financeira.

A complexidade na determinação da TIR pode ser eviden-


ciada ao observar a equação que envolve o seu cálculo,
uma vez que ela consiste na resolução de um polinômio
de grau “n” (número de períodos no fluxo de caixa), por in-
terpolação linear ou por processos matemáticos iterativos.

.........................................................................................................
Taxa interna de retorno – TIR 123

Para facilitar esse cálculo, vamos recorrer à HP 12C.

Exemplo 1: vejamos o seguinte fluxo de caixa do projeto


do Sr. Werneck para cinco anos.

13.000 9.000 10.000 7.000 20.000

24.000

Solução: TIR calculada na HP 12C:

IRR

CFo CFj

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
24.000 CHS
g CFj
13.000

..........................................................................................................
124 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

g CFj
9.000
g CFj
10.000
g CFj
7.000
g CFj
20.000

f IRR f
(Tecle e, em seguida, IRR ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 37,71 (37,71%).

Interpretação da TIR: embora o método da TIR não incor-


pore a TMA em seu cálculo, o critério de decisão depende
desta. No exemplo em questão, vamos supor que o Sr. Wer-
neck estivesse trabalhando com uma TMA de 15%:

• O projeto é viável, pois a TIR é maior do que a


TMA (37,71% são visivelmente superiores a 15%).

• Se a TIR fosse igual a 15%, isso também indicaria


que o projeto é viável, pois o mínimo esperado tam-
bém teria sido atingido.

• Esse excedente da TIR em relação à TMA (37,71


– 15 = 22,71%) não tem significado na análise de in-
vestimento, pois apenas evidencia a viabilidade do
projeto. Trata-se de um indicativo da riqueza que
está sendo agregada.

Exemplo 2: considere o Projeto A da Empresa XYZ. O


projeto apresenta padrão convencional de fluxo de caixa,
mas, além disso, vamos supor que todos os fluxos de cai-
xa apresentem o mesmo nível de risco para cinco anos.

.........................................................................................................
Taxa interna de retorno – TIR 125

14.000 14.000 14.000 14.000 14.000

42.000

a) Calcule a TIR.
b) Considerando o custo de capital de 10%, o Projeto A é
aceitável?

Solução: TIR calculada na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
42.000 CHS
g CFj
14.000
g CFj
14.000
g CFj
14.000
g CFj
14.000
g CFj
14.000

f IRR f
(Tecle e, em seguida, IRR ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 19,86 (19,86%).

a) A TIR será de 19,86 (19,86%).


b) Considerando o custo de capital de 10%, o Projeto A
é aceitável? Sim, o Projeto A é aceitável, pois a TIR =
19,86%, com o custo de capital de 10%.

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126 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Observação: veja outra forma de usar a HP 12C quando


os valores de entrada são iguais:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
42.000 CHS
g CFj
14.000
g Nj
5 (Cinco lançamentos de 14.000).

f IRR f
(Tecle e, em seguida, IRR ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 19,86 (19,86%).

Exemplo 3: considere o Projeto A de uma determinada


empresa, conforme os fluxos de caixa abaixo, para cinco
anos. Qual a TIR?

15.000 15.000 15.000 15.000 15.000

45.000

Solução: TIR calculada na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
45.000 CHS
g CFj
15.000

.........................................................................................................
Taxa interna de retorno – TIR 127

g CFj
15.000
g CFj
15.000
g CFj
15.000
g CFj
15.000

f IRR f
(Tecle e, em seguida, IRR ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 19,86 (19,86%).

Observação: veja outra forma de usar a HP 12C quando


os valores de entrada são iguais:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
45.000 CHS
g CFj
15.000
g Nj
5 (Cinco lançamentos de 15.000).

f IRR f
(Tecle e, em seguida, IRR ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 19,86 (19,86%).

..........................................................................................................
128 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

EQUIVALÊNCIA DE CAPITAL

Dois capitais são equivalentes a uma taxa de juros quan-


do levados a uma mesma data e, a partir dessa taxa, resul-
tarem em valores iguais. A data de comparação dos capi-
tais é chamada data focal.

Dois fluxos de caixa (conjuntos de capitais) são equiva-


lentes a uma determinada taxa de juros se seus valores
presentes (soma de suas parcelas levadas à data focal zero
a essa taxa) forem iguais.

No regime de capitalização simples, a equivalência de ca-


pitais depende da data focal escolhida, e, por esse motivo
ela não é utilizada na prática.

No regime de capitalização composta, a data focal pode


ser qualquer uma, pois se dois ou mais capitais são equi-
valentes em uma data, eles o serão em qualquer outra.

Equivalência de dois capitais


Consideremos dois capitais, x e y, separados por n perío-
dos de tempo, por exemplo, sendo o primeiro na data 0, e
o segundo, na data n. Dizemos que x e y são equivalentes
a uma taxa de juros compostos i, se:

y
x (1 + i)n = y ou seja: x=
(1 + i)n

.........................................................................................................
Equivalência de capital 129

Exemplo 1: a uma taxa de juros compostos de 2% ao mês,


R$ 1.500.000,00, daqui a três meses, equivalem a quanto
hoje?

x 1.500.000

y
x=
(1 + i)n

1.500.000
x=
(1 + 0,02)3

x = R$ 1.413.483,50

Solução: PV calculado na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.500.000 CHS FV

n
3

2 i

PV
(Aparecerá no visor da calculadora o valor: 1.413.483,50).

..........................................................................................................
130 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Exemplo 2: o valor equivalente à dívida de uma empresa, em


dois anos, a uma taxa de 12% a.a., é igual a R$ 1.000.000,00.
Nesse caso, o valor presente da dívida equivale, aproxima-
damente, a:

x 1.000.000

0 2

y
x=
(1 + i)n

1.000.000
x=
(1 + 0,12)2

x = R$ 797.193,88

Solução: PV calculado na HP 12C:

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).

1.000.000 CHS FV

n
2

12 i

PV
(Aparecerá no visor da calculadora o valor: 797.193,88).

.........................................................................................................
Equivalência de capital 131

PV de um conjunto de capitais
Considere os capitais y0, y1, y2, ..., yn, nas datas 0, 1, 2, 3,
..., n, respectivamente. Chamamos de PV, na data 0 desse
conjunto, a uma taxa de juros i, a soma dos valores equi-
valentes a esses capitais na data 0.

Chamando de PV o valor presente, teremos:

y1 y2 yn
PV = y0 + + + ... +
(1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)n

Exemplo 3: uma empresa prevê o pagamento de R$


200.000,00 daqui a um mês, e R$ 500.000,00, daqui a três
meses. Quanto ela deverá aplicar hoje, a juros compostos
e à taxa de 1,5% ao mês, para fazer frente a essas despe-
sas?

PV 200.000 500.000

0 1 2 3

y1 y3
PV = +
(1 + i)1 (1 + i)3

200.000 500.000
PV = +
(1 + 0,015)1 (1 + 0,015)3

PV = R$ 675.202,83

..........................................................................................................
132 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

Solução: PV de um conjunto de capitais calculado na


HP 12C:

NPV

CFo CFj

Registre nas teclas financeiras:

f REG
(Para limpar todos os registros anteriores).
g CFo
0
g CFj
200.000
g CFj
0
g CFj
500.000

1,5 i

f NPV f
(Tecle e, em seguida, NPV ).

Aparecerá no visor da calculadora o valor: 675.202,83


(R$ 675.202,83).

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Equivalência de capital 133

Neste capítulo, tratamos sobre o VPL e a TIR. Vimos que o


VPL é a diferença entre o valor investido e o valor regatado
ao fim do investimento, trazidos ao PV, e, se este for posi-
tivo, então, o valor investido será recuperado e haverá um
ganho. Porém, se for negativo, isso significa que o investi-
dor estará resgatando um valor menor do que o investido,
e, por isso, não deverá aplicar nesse investimento. Além
disso, constatamos que a TIR é a que relaciona o valor in-
vestido com o resgatado ao fim do investimento. Ou seja,
trata-se da taxa necessária para trazermos o valor final do
investimento para o valor presente, a fim de que este seja
igual ao valor investido.

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134 Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital

REFERÊNCIAS

BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO


PAULO. Matemática Financeira: 216 questões com gabari-
to. São Paulo: BM&FBovespa, 2008.

CASSAROTTO, Nelson Filho. Análise de Investimentos.


11. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Finan-


ceira. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.

PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática Financeira: obje-


tiva e aplicada. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

SAMANEZ, Carlos Patricio. Matemática Financeira: aplica-


ções à análise de investimentos. 5. ed. São Paulo: Pearson,
2010.

VIEIRA SOBRINHO, José Dutra. Matemática Financeira. 7.


ed. São Paulo: Atlas, 2011.

WAKAMATSU, André. Matemática Financeira. São Paulo:


Pearson, 2012.

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135

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Matemática Financeira é o ramo da matemática que es-


tuda o comportamento do dinheiro ao longo do tempo e
que tem por objetivos o manuseio, a transformação e a
comparação de fluxos de caixa.

No capítulo 1, vimos os fundamentos da matemática fi-


nanceira e o regime de capitalização simples. Neste último,
os juros são calculados sempre sobre o valor inicial, não
ocorrendo qualquer alteração da base de cálculo durante o
período de cálculo dos juros.

No capítulo 2, conhecemos o regime de capitalização com-


posta, que é diferente do simples, visto no primeiro capítu-
lo, na medida em que o capital vai acumulando os juros ao
longo do tempo. Nesse regime — capitalização composta
—, o valor do capital e, consequentemente, o valor dos ju-
ros a pagar aumentam ao longo do tempo. Sendo os juros
compostos somados ao saldo devedor, esses juros aumen-
tam cada vez mais.

No capítulo 3, observamos os modelos conceituais de anui-


dades, ou rendas, que são as bases para os principais mo-
delos de financiamentos de dívidas existentes no mercado
financeiro. Verificamos também os principais sistemas de
amortização de dívidas utilizados pelo mercado e constru-
ímos quadros de amortização de dívidas.

Por fim, no capítulo 4, vimos o VPL e a TIR. Verificamos


que o VPL é a diferença entre o valor investido e que a TIR

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136

é a taxa que relaciona o valor investido ao valor resgatado


no fim do investimento.

O enfoque adotado neste livro de Matemática Financeira


foi o de privilegiar o aspecto prático, sendo os conceitos
demonstrados a partir de exemplos enquadrados nos pa-
drões adotados pelas tabelas financeiras, pela calculadora
HP 12C e pela planilha eletrônica Excel.

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