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Considerações sobre o
Fomento de Pesquisa
em Psicologia do
Desenvolvimento Humano
no Brasil: História e Desafios
Consideration about the Furtherance of Research in Psychology of
Human Development in Brazil: History and Challenges

Consideraciones sobre el Fomento de Pesquisa en Psicología del


Desarrollo Humano en el Brasil: Historia y Desafíos

André de Carvalho-Barreto,
Pollianna Galvão Soares &
Silviane Bonaccorsi Barbato

Universidade de Brasília

http://dx.doi.org/10.1590/1982 - 370000772013

PSICOLOGIA:CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2014, 34(4), 1002-1013


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Resumo: O presente trabalho objetiva discutir o fomento à pesquisa no Brasil, destacando os


papéis da história e das políticas de pesquisa e desenvolvimento científico, assim como das agên-
cias de pesquisa e associações relacionadas à área da Psicologia do Desenvolvimento Humano.
Inicialmente, foi realizado um resumo da história da ciência brasileira e sua aplicabilidade no
desenvolvimento humano. Posteriormente, é discutido como a Ciência do Desenvolvimento é
interdisciplinar e a importância do aprofundamento do diálogo da Psicologia com outras áreas
de conhecimento para a criação de novas tecnologias. São apresentadas, finalmente, possíveis
tendências e mudanças científicas para a implementação de novos campos de conhecimento,
considerando a Psicologia do Desenvolvimento Humano como área relevante para essas mu-
danças. Conclui-se que os recursos, assim como as pesquisas, estão inseridos em contextos his-
tóricos, sociais, culturais e econômicos dinâmicos, que devem ser considerados na captação de
recursos.
Palavras-chave: Psicologia do desenvolvimento. Fomento à pesquisa. Agências de fomento.

Abstract: This paper aims at discussing furtherance of research in Brazil, highlighting the roles of
research history and policies and scientific development, as well as research agencies and asso-
ciations related to the Psychology of Human Development field. Initially, an overview of the Bra-
zilian sciences history and it applicability in human development was carried out. Later, one
discusses how interdisciplinary is the science of development and the importance of deepening
the dialogue of Psychology with other areas of knowledge in order to set new techniques. Finally,
possible scientific trends and changes to implement new fields of knowledge are presented, con-
sidering the Psychology of Human Development as relevant area for those changes. One con-
cludes that resources, as well as researches, are inserted in dynamic historical, social, cultural,
and economic contexts that should be considered when fundraising.
Keywords: Developmental psychology. furtherance of research, develoopment agencies.

Resumen: El presente trabajo objetiva discutir el fomento a la pesquisa en el Brasil, destacando


los papeles de la historia y de las políticas de pesquisa y desarrollo científico, así como de las
agencias de pesquisa y asociaciones relacionadas al área de la Psicología del Desarrollo Humano.
Inicialmente fue realizado un resumen de la historia de la ciencia brasileña y su aplicabilidad en
el desarrollo humano. Posteriormente, es discutido cómo la ciencia del desarrollo es interdisci-
plinaria y la importancia de la profundización del diálogo de la Psicología con otras áreas de co-
nocimiento para la creación de nuevas tecnologías. Son presentadas, finalmente, posibles
tendencias y mudanzas científicas para la implementación de nuevos campos de conocimiento,
considerando la Psicología del Desarrollo Humano como área relevante para esas mudanzas.
Se concluye que los recursos, así como las pesquisas, están inseridos en contextos históricos, so-
ciales, culturales y económicos dinámicos, que deben ser considerados en la captación de re-
cursos.
Palabras-clave: Psicología del desarrollo. fomento a la pesquisa, agencias de fomento.

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O presente trabalho objetiva discutir o fo- trial, paralelamente à baixa infraestrutura da


mento à pesquisa no Brasil, especialmente, administração pública, a Capes surgiu para
às pesquisas em Psicologia e na área da incentivar a formação profissional, fomen-
Ciência do Desenvolvimento, destacando tando pesquisas que visassem ao aumento
agências financiadoras e associações. Com o da produtividade industrial e provessem a
avanço da tecnologia a partir do início do sé- manutenção ou reorientação das políticas
culo XX e a “era do desenvolvimento cientí- públicas que atendessem às demandas da
fico” (Pires-Alves, Paiva, & Falleiros, 2010, p. sociedade e das universidades que estavam
156) instaurada após a Segunda Guerra, sendo implementadas. A situação de centra-
foram criados diversos organismos intergo- lização de fomento em algumas áreas se
vernamentais, governamentais e não gover- agravou no fim da década de 1950, com a
namentais destinados a promover o avanço criação da Comissão Nacional de Energia
científico e a colaboração entre países. Nuclear (CNEN), ocasionando a transferên-
cia de mais da metade dos recursos das ou-
O fim da década de 1940 e início da de tras agências de fomento (Capes, 2010;
1950 são caracterizadas por um expressivo CNPq, 2010).
avanço em políticas científicas e de gestão
governamental no Brasil. Em 1948, um Observou-se, então, já nas décadas de 1950
grupo de professores pesquisadores que de- e 1960, que áreas de conhecimento consi-
cidiu que o Brasil precisava ter mais ciência, deradas pelos governos federal e estaduais
sendo necessária uma sociedade que pro- como menos estratégicas, a exemplo da Psi-
movesse o desenvolvimento da ciência na- cologia do Desenvolvimento, que no período
cional, propõe a Sociedade Brasileira para o era voltada, especialmente, para o desen-
Progresso da Ciência (SBPC). Para acompa- volvimento infantojuvenil, recebia menos fo-
nhar as mudanças científicas mundial e re- mento que a Física, Engenharias e Ciências
gionais, em 1951, o governo federal apoia Biológicas e da Saúde (CNPq, 2010).
essa necessidade e constitui o Conselho Na-
cional de Pesquisa (CNPq) – que em 1974 Dois anos após a criação da Capes e do
mudou seu nome para Conselho Nacional CNPq, os Ministérios da Saúde e da Educação
de Desenvolvimento Científico e Tecnoló- são consolidados como entidades distintas.
gico – e a Campanha Nacional de Aperfei- Na década seguinte, 1960, alguns dos estados
çoamento de Pessoal de Nível Superior (atual mais ricos da federação (e.g., São Paulo e
Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento Rio Grande do Sul) constituíram as primeiras
de Pessoal de Nível Superior). Universidades Fundações de Apoio à Pesquisa nos estados,
federais e estaduais foram implementadas inserindo-se no desenvolvimento científico
também nessa década nos estados com in- nacional (FAPESP, 2010). Essa política de
centivo federal e apoio estrangeiro (Capes, Fundações de Apoio à Pesquisa nos estados
2010; CNPq, 2010; SBPC, 2011). prossegue pelas décadas seguintes passando
a existir em 17 estados mais o Distrito Federal
O CNPq, no início de sua fundação, passa a até o fim da década de 1990.
oferecer mais bolsas às ciências relacionadas
à Física Nuclear – por interesse em produzir Nas décadas de 1950 e 1960 ainda, Capes
esse tipo de tecnologia – e às Ciências Bio- e CNPq implementaram financiamento para
lógicas, por elas já serem bastante desenvol- pesquisadores que desejassem realizar seus
vidas no Brasil. Como nesse período o país cursos de pós-graduação no exterior. Esses
teve expressivo aumento da produção indus- recém-doutores que regressaram ao país au-

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xiliaram a implantar os primeiros programas ciados em Grupos de Trabalhos (GTs) com li-
de pós-graduação. Outros, no entanto, por nhas específicas de investigação na Psicolo-
maior incentivo para suas pesquisas nos paí- gia. Nos GTs, são traçadas estratégias de
ses estrangeiros e melhor condição de vida publicação, consolidação das linhas, inter-
socioeconômica, optaram por não regressar câmbio de informações e estratégias de cap-
(CNPq, 2010). Com o aumento expressivo tação de recursos (ANPEPP, 2003).
de pesquisas em 1985, foi criado o Ministé-
rio da Ciência e Tecnologia (MCT), pelo qual Por interferência dessa Associação, a Psico-
o CNPq passa a responder. Para regularizar logia, que ocupava até o início da década de
a nova demanda de programas de pós-gra- 1980 a quinta posição de solicitantes de re-
duação que surgia, a Capes, na década de cursos financeiros na Área de Ciências Hu-
1990, passou por uma reestruturação para manas e Sociais do CNPq, passou para o
diversificar suas atividades, assumindo tam- segundo lugar ainda naquela década (CNPq,
bém a atribuição de avaliadora desses pro- 2010; Guedes, 2002). Os resultados do es-
gramas. No final da década de 1990, o MCT tudo de Seidl de Moura e Moncorvo (2006),
criou o primeiro Fundo Setorial (CT-Petro), em 2004, sobre os GTs da ANPEPP, identifi-
objetivando com esse tipo de fundo fomen- caram que, aproximadamente, 40% deles
tar áreas estratégicas de desenvolvimento no tratam de temas ligados à Ciência do Desen-
país por recursos de instituições públicas e volvimento Humano, indicando essa disci-
privadas (Capes, 2010). plina como uma das que mais captavam
recursos. Devido ao crescimento das pesqui-
Na Psicologia, os dois primeiros programas sas em Psicologia do Desenvolvimento, em
de mestrado foram instituídos na Universi- 1998, um grupo de pesquisadores brasileiros
dade de São Paulo (USP), em 1970, direcio- funda a Associação Brasileira de Psicologia
nados para a Psicologia Experimental e para do Desenvolvimento (ABPD), que objetivava
a Psicologia Escolar e do Desenvolvimento fomentar a pesquisa na área da Ciência do
Humano, sendo igualmente esses dois pro- Desenvolvimento Humano, sobretudo, pela
gramas os primeiros a implementar, em troca de informações sobre estudos entre
1974, o doutorado em Psicologia nessas pesquisadores (ABPD, 1998).
áreas (Carvalho, 1999; Yamamoto, 2006).
Nessa mesma década, em 1971, também Dentre as metas de captação dos pesquisadores
pela USP, é fundada a Sociedade Brasileira da Psicologia estão a inserção deles nas bolsas
de Psicologia (SBP), que tinha entre os seus de Produtividade em Pesquisa (PQ) e a apro-
objetivos principais promover a Psicologia vação de seus projetos de pesquisa nos Editais
como ciência, realizando, assim, em outubro Universal e das Ciências Humanas, Sociais e
daquele ano, o primeiro evento científico Sociais Aplicadas do CNPq. Esses editais, em
nacional da área (Gorayeb, 1990). suma, visam a atender às demandas de pes-
quisas que ofereçam uma contribuição signifi-
Objetivando congregar os programas de pós- cativa para o desenvolvimento científico e tec-
graduação para fomentar e estimular a for- nológico nacional (Neves, Antunes, Júnior, &
mação de profissionais para pesquisa e Gorgati, 2007; Yamamoto, 2010), podendo es-
pós-graduação em Psicologia, em 1983, foi ses fomentos serem submetidos e obtidos pes-
fundada a Associação Nacional de Pesquisa soalmente, ou seja, o pesquisador doutor pede
e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), diretamente o recurso para a agência – pedido
financiada, inicialmente, pelo CNPq. Basica- “balcão” – ou por solicitação conjunta e articu-
mente, essa Associação organiza seus asso- lada institucionalmente entre pesquisadores.

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As bolsas PQ do CNPq pretendem valorizar foram destinados para pesquisadores nível


pesquisadores com elevada produção e in- 1A, dois para nível 1B e dois nível 1C (Ya-
serção em suas disciplinas. Esse auxílio é mamoto, 2009).
concedido individualmente, levando em
consideração o mérito da proposta e a ade- Dados do resultado do Edital Universal de
quação do pesquisador nos pré-requisitos 2010, todavia, indicaram uma mudança ex-
delimitados pelo CNPq e pelos Comitês de pressiva dessa situação na Psicologia. Ao
Assessoramento de cada área. O valor das todo, 63 investigações psicológicas foram
bolsas aumenta segundo o nível do pesqui- contempladas. Destas, dois autores eram
sador, que inicia no nível 2, seguindo para os pesquisadores 1A, quatro 1B, quatro 1C, três
níveis 1D, 1C, 1B e 1A (Neves, Antunes, Jú- 1D e 17 Nível 2. Dentre os projetos aprova-
nior, & Gorgati, 2007; Yamamoto, 2010). Na dos, 12 eram de pesquisadores direcionados
área da Psicologia do Desenvolvimento à Ciência do Desenvolvimento Humano.
constavam, em 2011, 59 pesquisadores com Um dado, contudo, chama atenção: dos
nível 2, 15 1D, sete 1C, 11 1B e nove 1A. pesquisadores contemplados nesse Edital,
Destes, 25 eram homens e 76 mulheres, 56 sete não tinham doutorado, mestrado ou
eram de instituições do Sudeste, 22 do Sul, graduação em Psicologia. Outro dado rele-
14 do Nordeste, nove do Centro-Oeste e vante é que, apesar do aumento de projetos
três do Norte brasileiro (CNPq, 2011). aprovados na Psicologia, muitos pesquisado-
res da área têm buscado recursos em outras
Apesar de a Psicologia do Desenvolvimento áreas de concentração, como no Fundo Se-
ser uma subárea da Psicologia, a distribuição torial da Saúde (CNPq, 2011). Ainda que
dos bolsistas PQs por região do país nessa tenha se observado o aumento na regulari-
área coincide com as outras áreas de conhe- dade de editais e dos seus recursos na última
cimento, ou seja, o Sudeste é o detentor da década, eles ainda são insuficientes perante
maioria das bolsas, seguido pelo Sul, Nor- o fluxo de pesquisas em andamento.
deste, Centro-Oeste e Norte (Cavalcante et
al., 2008; Martelli-Junior et al., 2010). Na A Ciência do Desenvolvimento
distribuição de fomento entre instituições e como área interdisciplinar
pesquisadores pelo Edital Universal, a desi-
gualdade entre regiões do Brasil é também A necessidade de se compreender os proces-
presente (Yamamoto, 2000). Na distribuição sos de desenvolvimento do ser humano é
entre as regiões brasileiras dos recursos do um tema antigo na ciência que desde muitos
primeiro Edital Universal lançando em 2000, séculos vem intrigando filósofos e estudiosos
para a Psicologia, por exemplo, o Sudeste re- de diversas disciplinas (Cairms, Elder, & Cos-
presentou 63% da arrecadação, seguido pelo tello, 1996). Os estudos sobre desenvolvi-
Sul, com 15%; Nordeste, com 15%; Centro- mento humano na Psicologia tiveram seu
Oeste, com 14%; e Norte, que não obteve período formativo entre os anos de 1882 e
arrecadação. 1912 na França e nos Estados Unidos
(Cairns, 1983). Nessa época, os focos de es-
O levantamento apresentado divulga ainda tudo eram a Psicobiologia, a Psicologia da
que, dos recursos totais alocados para o Personalidade e o Desenvolvimento Cogni-
Edital de 2000, somente 6% da demanda tivo, tendo como principais pensadores Al-
nacional foi atendida. Na Psicologia, dos fred Binet (1857-1911), William Preyers
137 projetos encaminhados, apenas dez (1841-1897) e Stanley Hall (1844-1924).
foram selecionados. Nessa arrecadação, três Ainda no período inicial dos estudos sobre o

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desenvolvimento humano, essa área já apre- xões sobre o ser humano e com enfoque
sentava tecnologias relevantes capazes de tanto no fenômeno da experiência humana
auxiliar, como, por exemplo, na seleção de quanto nos seus processos, abrangendo
soldados que seguiriam para a frontaria de alianças entre diferentes áreas – incluindo as
batalha durante a Primeira Guerra Mundial. tecnológicas aplicadas – em um esforço de
abrangências inter e intradisciplinares. Esse
Estudiosos da história da Ciência do Desen- novo modelo incentivava o diálogo da Psico-
volvimento Humano na Psicologia dividem logia com outras áreas como com a Gené-
em quatro momentos os focos de estudo tica, Medicina, Saúde Pública, Biologia,
dessa ciência após seu período formativo Economia, Engenharias, Ciências Sociais,
(Biaggio & Monteiro, 1998; Bronfenbrenner, Linguística, Comunicação, Artes, Educação e
2011; Cairns, 1983; Mota, 2005). O pri- Filosofia. As relações indivíduo-cultura pas-
meiro deles ocorreu nas décadas de 1920 e saram a ser constituintes do sujeito e estabe-
1930, tendo como principais interesses de lecidas em práticas culturais concretizadas e
estudo o desenvolvimento intelectual, a ma- atualizadas nas interações e atividades diver-
turação e o crescimento do ser humano cen- sas em contextos históricos e sociais especí-
trado na criança. No segundo momento ficos. Esses contextos exercem significativa
(1940-1959), por influência do contexto da influência nas interações e atividades dos su-
Segunda Guerra Mundial, o objetivo de aná- jeitos que são alvo da investigação científica.
lise do período era, especialmente, o estudo
de relações e correlações de variáveis que A emergência de sistemas heterogêneos glo-
afetavam o desenvolvimento humano. Nesse bais instaurou novas tendências nas pesqui-
período, as pesquisas enfatizavam a criação sas com enfoque nas relações entre “zonas
de tecnologias de intervenção. Seus conhe- de contato entre culturas, a complexidade
cimentos passam a ser utilizados tanto com do self, identidade e a experiência de incer-
crianças e adolescentes no contexto escolar titude” (Hermans & Kempen, 1998, p.
quanto no tratamento de ex-combatentes da 1.111). Essas ênfases derivam da relevância
Segunda Guerra Mundial. que se passou a atribuir aos diferentes aspec-
tos de desenvolvimento local e dimensões da
O terceiro, compreendido entre 1960 e globalização para a compreensão do desen-
1989, caracterizou-se pela emergência de volvimento humano, como, por exemplo, os
novas pesquisas teóricas no campo do de- processos de identificação, migração, hibri-
senvolvimento humano, entre as quais se dização (Canclini, 2003).
destacam o desenvolvimento infantil e da
adolescência (Biaggio & Monteiro, 1998; Os fatores externos e as relações estabeleci-
Cairns, 1983). Muitas das investigações das entre as pessoas com a concretização de
foram organizadas em volta de modelos co- novas condições de socialização começaram
nhecidos como os três grandes sistemas: (a) a ser estudados em uma perspectiva sistê-
Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Pia- mica e a concepções de ser humano e de
get; (b) Teoria Psicanalítica; (c) Teoria da desenvolvimento, anteriormente calcada nas
Aprendizagem (Bronfenbrenner, 2011). aptidões inatas e/ou no determinismo bioló-
gico, foi repensada (Vasconcelos, 2002). Foi
As transformações sociais e tecnológicas nesse cenário, portanto, que emergiu um
ocorridas no final do século XX suscitaram a novo paradigma da Ciência do Desenvolvi-
necessidade de se construir um novo modelo mento Humano inter e multidisciplinar, pelo
de Ciência do Desenvolvimento com refle- qual se busca não apenas a compreensão do

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desenvolvimento como um fenômeno com- senvolvimento, ressignifica e amplia a função


plexo, mas procura sistematizar o conheci- de compreender o desenvolvimento em pe-
mento envolvendo fatores históricos, ríodos específicos, abrangendo todas as fases
contextuais e relacionais (Valsiner & Con- do desenvolvimento continuamente, sob
nolly, 2003). uma perspectiva histórica e processual. Além
disso, os paradigmas atuais da Psicologia do
Assim, a partir das trocas e avanços em teo- Desenvolvimento orientam que se ultrapasse
rizações e as possibilidades de aplicação, es- a análise do indivíduo, seguindo para a so-
tudos em desenvolvimento humano também ciedade, a família e contemplando, ainda,
passaram a ser fonte para diversas áreas cien- aspectos culturais, históricos, políticos e eco-
tíficas e tecnológicas ao longo das últimas dé- nômicos (Dessen, 2005; Gergen, 2010; Mat-
cadas, havendo ainda espaços a serem her, 2000; Morawski, 2005; Parker, 2009;
conquistados. Ao serem considerados os Smedslund, 2009; Smith, 2005). Portanto,
quatro momentos da história da Ciência do embora a Psicologia avance no sentido de
Desenvolvimento, é destacado a relevância contemplar mais aspectos na compreensão
dessa ciência para apoio na construção de do seu objeto de estudo, passa a situá-lo em
conhecimentos teóricos e empíricos sobre o caráter interdisciplinar, uma vez que com-
desenvolvimento da pessoa nessas novas preende as colaborações de sua atividade
condições de socialização nos diferentes científica para a compreensão multifacetada
contextos de nossa sociedade. Os resultados do fenômeno humano.
de estudos nos três primeiros momentos da
história sobre o desenvolvimento infantoju- Tendências e desafios para o
venil, nos diversos paradigmas e perspecti- fomento da pesquisa em
vas, foram aplicados em pesquisa básica e desenvolvimento humano
aplicada com enfoque em migração, políti-
cas públicas, apoio às tecnologias na educa- Conciliar áreas de conhecimento que pouco
ção, no trabalho, na saúde, na assistência, dialogaram ao longo da história das ciências
dentre outras áreas. implica em desafios para a interdisciplinari-
dade (Teixeira, 2004; Richards, 2002). Os
O período que compreendeu a década final principais incluiriam a organização e coorde-
do século XX até a primeira década do século nação de projetos de pesquisa interdiscipli-
XXI destaca-se como o momento de maior mu- nar por envolver pesquisadores que, muitas
dança dessa ciência, ocorrida por forte influên- vezes, pertencem a instituições diferentes e
cia de pensadores da Psicologia do Desenvol- partem de perspectivas epistemológicas dis-
vimento – Baltes, Bronfenbrenner, Elder, Hinde, tintas, o que ocasionam diferenças de con-
Lewin, Magnusson, Valsiner, Vygotsky, entre ou- ceitos e compreensões sobre um mesmo
tros. O desenvolvimento do ser humano, nesse fenômeno (Almeida, et al 2004). Por exem-
quarto momento, é estudado ao longo do curso plo, nos diálogos possíveis entre Psicologia
de vida da pessoa, ou seja, compreendendo Desenvolvimento e Neurociências; Psicolo-
todas as fases e estágios do desenvolvimento gia do Desenvolvimento, Sociologia e Antro-
humano, incluindo a tradicional ênfase na in- pologia; e entre Psicologia do
fância e adolescência (Bronfenbrenner, 2011; Desenvolvimento, Psicologia da Aprendiza-
Mota, 2005). gem e Ciências da Computação.

A Psicologia do Desenvolvimento Humano, A prática interdisciplinar é, portanto, mais


como uma das disciplinas da Ciência do De- um ponto de partida, não sendo dada por

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regras preestabelecidas, fórmulas ou concei- projetos na Ciência do Desenvolvimento,


tos comuns (Teixeira, 2004). Um projeto in- entre outras, facilitando a captação de recur-
terdisciplinar que envolva a Ciência do sos para pesquisas de caráter interdisciplinar
Desenvolvimento Humano é construído pelo (e.g., Yamamoto & Seidl de Moura, 2010). A
respeito entre as áreas com uma dinâmica e possibilidade, portanto, da Ciência do De-
pode gerar inovações que influenciam os fa- senvolvimento de constituir investigações em
zeres além de avanços na compreensão dos áreas distintas da Psicologia, com a solidifi-
fenômenos estudados. Inovações que impac- cação de redes interdisciplinares, eleva sig-
tam as práticas cotidianas societárias e o pró- nificativamente a viabilidade de obtenção de
prio fazer cientifico (Dessen, 2005). fomento em editais além do Universal e das
Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplica-
Um exemplo pode ser ilustrado pela pes- das do CNPq.
quisa de Santos (2010) realizada sobre trans-
porte escolar rural, desenvolvida sob as No entanto, deve ser clarificada a relação
perspectivas da Psicologia do Desenvolvi- dialética existente na interdisciplinaridade
mento Humano somada à Ciência Política. (Teixeira, 2004). Da mesma forma que a Psi-
Esse estudo teve entre os seus objetivos in- cologia do Desenvolvimento precisa dialogar
vestigar o impacto no desenvolvimento de com outras áreas como as Engenharias, Ciên-
crianças e adolescentes matriculados em es- cias Biológicas, Ciências da Saúde, na pers-
colas em áreas rurais com dificuldade de pectiva da Ciência do Desenvolvimento,
acessibilidade. Nesse estudo, como em ou- essas áreas também necessitam buscar a
tros que envolvem a interdisciplinaridade complementaridade entre si. Afirma-se que
com área do desenvolvimento humano, fica a Psicologia do Desenvolvimento tem contri-
evidenciado como o trabalho de pesquisa buições potenciais para a produção de pes-
nessa área pode criar tecnologias essenciais quisas robustas e amplas na Ciência do
para/com outras áreas e práticas organizacio- Desenvolvimento, a fim de somar força ao
nais e institucionais (e.g., hospitalar, educa- empreendimento científico na sua coletivi-
cional, habitação, transporte, militar, dentre dade visando, assim, a consolidar tecnologias
outras). eficazes às necessidades sociais, públicas e
econômicas do país (Parker, 2009).
Esse é um dos exemplos pelos quais se pode
afirmar que ações e políticas de apoio às vin- Outro desafio diz respeito à internacionali-
culações entre pesquisadores de áreas diver- zação da produção científica do país. Apesar
sas têm sido desencadeadas nesse século e, de pesquisadores doutores com nível de pro-
principalmente, entre instituições diferentes, dução acadêmica elevada apresentarem
dada a ênfase contemporânea da internacio- maior probabilidade de obtenção de recur-
nalização entre os pesquisadores em Psico- sos para suas investigações considerando-se
logia (Anpepp, 2012). Para facilitar a os parâmetros das agências de fomento
obtenção desse perfil interdisciplinar e de in- (CNPq, 2010; MCT, 2011) e as Ciências Hu-
ternacionalização das produções, vincula- manas serem as que possuem mais doutores,
ções entre pesquisadores de áreas diversas e, esses pesquisadores tem direcionado, apro-
principalmente, entre instituições diferentes ximadamente, 85% de suas produções para
podem ratificar a proposta. Observa-se que periódicos nacionais, diferentemente das
as associações de pesquisa, como a SBPC, Ciências Exatas e da Terra, Biológicas e da
Anpepp, ABPD e SBP, assumiram uma fun- Saúde, Engenharia e Computação, que des-
ção central no fortalecimento de linhas e tinam, no geral, uma média de 65% de suas

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produções para periódicos internacionais como as pesquisas, estão inseridos em con-


(Alencar, 2006). textos históricos, sociais, culturais, econômi-
cos e, especialmente, dinâmicos. Nessa
As instituições de fomento, ao longo dos direção, enfatiza-se a relevância de a Psico-
anos, têm proposto uma distribuição pirami- logia possibilitar articulações interdisciplina-
dal de recursos, ou seja, editais com vários res com outros campos do saber,
níveis de solicitação de auxílio à pesquisa especialmente com vistas ao aumento da
têm optado por atender mais às demandas qualidade de vida das pessoas nos diversos
dos projetos de menor custo em detrimento contextos atuais de nossa sociedade. Assim,
dos mais elevados. Assim, os recursos são a Psicologia e a Ciência do Desenvolvimento
distribuídos para uma quantidade maior de devem adotar estratégias político-institucio-
pesquisadores com o valor mínimo de fo- nais que visem a direcionar as demandas ad-
mento e um número limitado para investiga- vindas das agências de fomento que tratem
dores com o valor máximo de apoio à sobre questões relativas ao homem.
pesquisa (CNPq, 2010).
Dessa forma, unindo-se a outras áreas, a
A pesquisa no Brasil em sua história segue o Psicologia e a Ciência do Desenvolvimento
fluxo dos interesses nacionais e mundiais humano têm potencialidades não apenas
(Pires-Alves, Paiva, & Falleiros, 2010). O pro- para participar ativamente nas novas políticas
gresso socioeconômico nacional, as tendên- de pesquisas, mas também mobilizar ações
cias de pesquisa mundiais e, especialmente, profissionais que liderem debates críticos
as demandas macrossistêmicas que surgem sobre as tendências do fomento em pesquisa
no Brasil, possibilitam uma análise sobre os no país. Chama-se a atenção aos grupos de
direcionamentos de fomento. Nesse con- pesquisas em Psicologia para um necessário
texto, ao considerarmos a produção do co- apoio mútuo entre as instituições, e mesmo
nhecimento e de teorias sobre o processo de entre as áreas, especialmente em relação às
desenvolvimento, necessitamos abarcar demandas de estudos específicos e transversais
questões que fundamentam a identificação que surgem como tendência ao fomento
de novos temas teóricos, empíricos e aplica- em pesquisa da Ciência do Desenvolvimento.
dos que enfoquem as problemáticas públi- Os estudos que já têm reconhecimento na-
cas, econômicas e tecnológicas prioritárias cional e que se enunciam relacionados às
na política atual. mudanças para a construção de novas agen-
cialidades e instrumentos mediacionais, vi-
Considerações Finais sando a serem insumos empíricos para atua-
ções de prevenção e superação em diferentes
Projetos relevantes de investigação no desen- frentes ambientalistas, organizacionais, co-
volvimento humano são necessários, sendo municacionais e interculturais, são exemplos
importante considerar que os recursos, assim desse avanço ao qual precisamos persistir.

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PSICOLOGIA:
CIÊNCIA E PROFISSÃO, André de Carvalho-Barreto, Pollianna Galvão Soares & Silviane Bonaccorsi Barbato
2014, 34(4), 1002-1013

André de Carvalho-Barreto
Doutorando em Processos do Desenvolvimento Humano e Saúde pela Universidade
de Brasília, Brasília – DF. Brasil.
E-mail: andrecarvalhobarreto@yahoo.com.br

Pollianna Galvão Soares


Doutora em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde pela Universidade de
Brasília, Brasília – DF. Brasil.
E-mail: polliannagalvao@yahoo.com.br

Silviane Bonaccorsi Barbato


Doutora em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde pela Universidade de
Brasília, Brasília – DF. Brasil. Docente da Universidade de Brasília, Brasília – DF. Brasil.

Endereço para envio de correspondência:


Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Instituto Central de
Ciências Sul, Instituto de Psicologia, Laboratório de Desenvolvimento Familiar. Asa
Norte. CEP: 70904-970. Brasília – DF. Brasil.

Recebido 23/04/2013, 1ª Reformulação: 06/03/2014, Aprovado 26/08/2014.

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