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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ____ VARA DO

TRABALHO DA COMARCA DE VITÓRIA E/S

Devanir Siqueira, brasileira, estado civil, profissão, nascido em , Nome


da Mãe titular do RG n° ... SSP-SP, e CPF n° ..., PIS n° ..., CTPS n° ..., Série ...
SP, residente e domiciliado a Rua ..., n° ...,endereço completo, vem por meio
de seus Advogado, Patrick Correa Alves , devidamente inscrito na OAB/SP,
sob n° ..., devidamente qualificado no mandado incluso, com escritório tel. (11)
46482399 e (11) 46482399, com endereço eletrônico
patrick_correaa@hotmail.com, e endereço profissional à Rua Santa Tereza,
n°69, Sala ..., Itaquaquecetuba/SP, onde recebe intimações, vem, com o
devido respeito à presença de Vossa Excelência, no RITO ORDINÁRIO com
fulcro nos artigos 840 § 1° da CLT e 319 do CPC, propor a presente:

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face de:

Banco Equatorial S/A, pessoa jurídica de direito privado, estabelecida na Rua


grão para, n° 315, quinta da boa vista , Itaquaquecetuba/SP, CEP nº...., inscrita
no CNPJ(MF) sob o nº. 0000000000, em razão das justificativas de ordem
fática e de direito, tudo abaixo delineado.

1.DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

A reclamante requer a concessão ampla e irrestrita dos benefícios da justiça


gratuita, por não ter condições de arcar com as despesas processuais,
declarando, na forma do caput do art. 98 e do § 3º do art. 99, ambos do CPC, a
sua hipossuficiência econômica, declaração realizada, neste ato, mediante
poderes especiais constantes da procuração anexa, à luz do caput do art. 105
do CPC. Requer a decretação da inconstitucionalidade do § 4º do art. 790 da
CLT, pois a “comprovação”, nele exigida, viola o inciso III do art. 1º da CF
(princípio da dignidade da pessoa humana) e o caput do art. 5º da CF (princípio
da isonomia). Com efeito, o § 3º do art. 99 do CPC reveste, a declaração de
hipossuficiência econômica, de presunção de veracidade, não exigindo, em
momento algum, qualquer comprovação do declarante, transformando o § 4º
do art. 790 da CLT em norma iníqua e que afronta os princípios gerais do
direito, tais como os da dignidade da pessoa humana, da isonomia, da
razoabilidade, da equidade, da proporcionalidade e da boa-fé. Situações
idênticas, douto julgador, não podem atrair normas distintas, afinal, Ubi eadem
ratio ibi idem jus – “onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo
direito”. Requer, por cautela, no caso de arquivamento da reclamação pelo não
comparecimento do reclamante à audiência, a dispensa do recolhimento das
custas, sem a necessidade de comprovação de qualquer motivo legalmente
justificável, mediante a decretação da inconstitucionalidade do § 2º do art. 844
da CLT, por violação ao inciso III do art. 1º da CF (princípio da dignidade da
pessoa humana) e por violação ao caput do art. 5º da CF (princípio da
isonomia).

2. DO CONTRATO DE TRABALHO:

A reclamante foi contratada pela reclamada em 02/01/2000, com


remuneração de R$: 3.600,00 ( três mil e seiscentos reais ) sendo que percebia
R$: 600,00 ( seiscentos reais ) a titulo de gratificação, em 05/01/2005 a
reclamada foi promovida a gerente de contas . Todavia, apesar de ser
submetida a condições idênticas de trabalho de seu colega Antônio Marcos da
Silva , a reclamada recebia gratificaçao no importe inferior , enquanto seu
colega recebia um valor correspondente de 40% a reclamada recebia 20%. Na
data de 30/12/2010 a reclamante foi despedida sem justa causa , sendo
dispensada de cumprimento de aviso prévio.
Porem, não foi entregue ao reclamante a guia para recebimento do
Seguro do Desemprego. Além disso, não houve recebimento de verbas
rescisórias, recolhimento de FGTS ou previdência social, no período em
questão.

3. DO MÉRITO:

3.1 DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO

A reclamada excelência , foi dispensada do cumprimento do Aviso


prévio. Portanto, tendo em vista a inexistência de justa causa para a rescisão
do contrato de trabalho , surge para a reclamante o direito ao Aviso prévio
indenizado , prorrogando o término do contrato para o mês de fevereiro de
2011 , uma vez que o § 1 º do artigo 487, da CLT, estabelece que a não
concessão de aviso prévio pelo empregador dá direito ao pagamento dos
salários do respectivo período ,integrando-se ao seu tempo de serviço para
todos os fins legais.

Desta forma , o período de aviso prévio indenizado , corresponde a 57


dias de tempo de serviço ( consoante art. 10,§ 1º da lei 12.206 de 2011)
contados a partir de 01 de Janeiro de 2011.

Assim, requer que a reclamada seja condenada ao pagamento do Aviso


prévio indenizado.

Seguem os cálculos :

Salario total : R$ 3.600,00 / 30 (dias) = R$ 120,00

R$ 120,00 X 57(dias) = R$ 6.840,00


3.2 DO SALDO DE SALÁRIO

Memorial de calculo :

Salario + horas extras integralizadas = R$ 3.600,00

Salario total : R$ 3.600,00 / 30 (dias) = R$ 120,00

Saldo de salário = R$ 3.600,00

3.3 DO PRAZO PARA PAGAMENTO:

Em consonância como o descrito nos fatos, a reclamada não cumpriu o


prazo previsto no artigo 477, § 6° da CLT, que consta como até 10 dias, a partir
do termino do contrato, para que seja pago os valores constantes do
instrumento de rescisão ou recibo de quitação.

O termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, foi entregue ao


reclamante somente dia 16/10/2018, e o pagamento efetuado no dia
26/10/2018.

A reclamada não cumprindo esses prazos, enseja ao reclamante, o


recebimento de uma multa no valor equivalente ao seu salário, conforme o
artigo 477, § 8° da CLT, sendo essa no valor de R$: 4.017,00.

DO PERIODO DE LABOR SEM REGISTRO:


3.4 DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO:

Extrai-se do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho que


“considera-se empregado toda e qualquer pessoa física que prestar serviços de
natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante
salário. “

Como consabido, desse conceito surgem os requisitos que devem estar


concomitantemente presentes para a caracterização do contrato de trabalho,
quais sejam: continuidade, subordinação jurídica, onerosidade e
pessoalidade.

O reclamante em foi contrato em 02/07/2018, para assumir o escritório


de Guarulhos da mesma empresa, que ora havia sido dispensado, porém sua
CTPS, não foi registrada, durante o tempo que esteve na função.

Continuidade: O reclamante trabalhou nessa função de 02/07/2018 á


26/10/2018, de segunda à sexta, das 08 às 18hs.

Subordinação jurídica: O reclamante se reportava ao Sr. Guilherme,


sobre qualquer problema, havido no decorrer do trabalho, e o mesmo pedia
para repassar as situações para a Sra. Debora, que é da área administrativa da
matriz da SAUDE, e passados 2 meses, veio para Guarulhos, a Sra. Denise,
para a área administrativa.

Onerosidade: Havia pagamento, pelo trabalho prestado.

Pessoalidade: O reclamante abria e fechava a unidade em Guarulhos,


situado à Avenida Salgado Filho, n° 252, sala 1907, 9° andar, sendo
responsável em ir todos os dias, e no horário, pois não havia outra pessoa, que
pudesse enviar no seu lugar, ou o restante das pessoas, não poderiam entrar
para trabalhar.
Ante o que fora exposto, impõe-se a conclusão de que o Reclamante
laborou, na condição de empregado, sendo remunerada na forma de salário
de R$: 2,224.00 (calculado sobre a média de salários do mesmo cargo, no
Estado de São Paulo) e comissionamento variável de R$: 2,000.00.
Considerando, pois, o reconhecimento do vínculo empregatício e a inexistência
de comprovante de quitação das parcelas salariais e rescisórias, o Reclamado
deve ser condenada nas parcelas abaixo requeridas.

3.4.1. SALDO DE SALÁRIO

Tendo-se em conta que a Reclamante laborou de 02/07/2018 até o dia


26 de outubro de 2018, o Reclamado deve ser condenado a pagar os salários
decorrentes desse período, uma vez que não foram pagos.

Referido montante de R$: 4.224,00, para fins rescisórios, deverá ser


apurado à luz da média dos últimos doze meses trabalhados dita a CLT, art.
487, § 3º. Esta média salarial antes deverá ser atualizada monetariamente,
para feitos de compor o cálculo de férias, décimo terceiro salário e verbas
rescisórias.

3.4.2. AVISO PRÉVIO INDENIZADO

A Reclamante fora dispensada, sem justa causa, no dia 26 de outubro de


2018, contudo sem o pagamento do aviso prévio indenizado, conforme CLT,
art. 487, § 1º e c/c CF, art. 7º, inc. XXI.

Ressalte-se, mais, que o aviso prévio indenizado deve compor o cálculo


do FGTS, consonante com a Súmula 305 do TST, assim como a sua projeção
de proporcionalidade de férias e do décimo terceiro salário.

3.4.3. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO


Uma vez que a Reclamante foi demitida sem justa causa, a mesmo faz
jus ao décimo terceiro salário, na forma proporcional como preconiza a CF, art.
7º, inc. VIII e a Lei nº 4090/62, art. 3º. Deverão ser tomadas como base de
cálculo o salário, comissões, aviso prévio e demais gratificações.

3.4.4. FÉRIAS

Considerando ainda o reconhecimento da relação de emprego, impõe-se


a condenação da Reclamada ao pagamento de férias proporcionais,
computando-se o aviso prévio indenizado conforme a CLT, art. 487, § 1º, todas
acrescidas do terço constitucional, descrito na CF, art. 7º, XVII e Súmula 328,
do TST. Deverão ser tomadas como base de cálculo o salário, comissões,
aviso prévio e demais gratificações.

3.3.5 DEPÓSITO E SAQUE DO FGTS:

Do quadro fático delimitado, verifica-se que


a Reclamante fora demitida, sem justa causa. Nesse diapasão, reconhecido o
vínculo de trabalho em debate, a Reclamante merece o pagamento do FGTS
do período trabalhado, acrescido da multa de 40% (quarenta por cento, em
consonância com a CF, art. 7º, inc. III c/c Lei 8.036/90, art. 18, § 1º.

Essa deverá incidir sobre todas as parcelas de caráter


remuneratório, inclusive o adicional de horas extras e aviso prévio indenizado.
CLT, art. 457, § 1º; c/c Súmulas 63 305, do TST.

O caso em análise é daqueles onde a Lei do FGTS permite o saque pelo


empregado, no caso demissão sem justa causa, diz a Lei nº. 8036/90, art. 20.
Deste modo, o Reclamante pede a condenação da Reclamada a pagar
diretamente aquelas quantias devidas pelo período que deixou de depositar o
FGTS, com os acréscimos legais antes ventilados

3.4.6 RECOLHIMENTOS PREVIDENCIÁRIOS

Reconhecido o vínculo, espera-se o recolhimento das contribuições


previdenciárias das partes envoltas nesta querela trabalhistas.

3.5 DO DANO MORAL PELA FALTA DE PAGAMENTO

A RECLAMADA ao contratar o RECLAMANTE firmou contrato de


trabalho por tempo indeterminado, ficando o mesmo obrigado a cumprir de
segunda a sexta das 8h às 18h.

Ao contratá-lo fora estabelecida uma remuneração na forma de


salário de R$: 2,224.00 (calculado sobre a média de salários do mesmo
cargo, no Estado de São Paulo), pois não havia valor fixo, e
comissionamento variável de R$: 2,000.00), deixando-a míngua durante 3
(quatro) meses e 24 dias, em que laborou.

Para que não exista dúvida quanto a competência da Justiça do


Trabalho para processar e julgar as ações de indenizações por danos morais,
cumpre destacar a Súmula Vinculante 22:

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as


ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de
acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador,
inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em
primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional
nº 45/04.
Nesse sentido, em seu Art. 5º, inciso X. O seguinte: são invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material decorrente de sua violação.”

Por esta norma, sobressai que o sistema positivo concede a devida


proteção ao dano moral, decorrente também de lesão à honra e a dignidade
das pessoas.

Além da nossa Constituição Federal, devemos também citar os


Arts. 186 e 927do Código Civil, onde os mesmos falam que aquele que por
conduta ilícita gerar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Isto posto, reclama que seja devidamente indenizada por todo transtorno
causado pela falta de pagamento durante todo pacto laboral.

3.5.1 DO DEPÓSITO DE TODOS OS SALÁRIOS

O RECLAMANTE vem a presença de Vossa Excelência pedir que sejam


devidamente depositados os salários referentes aos 3 (três) meses e 24 dias
de labor.

Assim, requer e faz jus, o Reclamante ao pagamento em dobro de todos


os salários em atraso ou o pagamento de multa de um salário mínimo por mês
em atraso.

4. DOS PEDIDOS

Diante das considerações expostas, requer:


1. Que seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita, devido à
difícil situação econômica do Reclamante, que não possui condições de custear o
processo, sem prejuízo próprio.

2. A notificação da Reclamada para comparecer à audiência a ser designada


para querendo apresentar defesa a presente reclamação e acompanha-la em todos os
seus termos, sob as penas da lei.

3. O pagamento da diferença das verbas rescisórias, do período em que


o reclamante laborou com registro em carteira, das comissões pagas
diretamente ao empregado, que se integram na remuneração do mesmo, no
valor total

A pagar:

Saldo do Último Salário_________________________________ R$: 2.142,00

13° Salário ___________________________________________R$: 2.000,00

Férias proporcionais 8/12 _______________________________ R$: 2.600,00

Terço Constitucional ___________________________________ R$: 890,00

Verbas Rescisórias ____________________________________ R$: 7.632,00

4. Além disso, condenar a Reclamada ao pagamento da multa prevista


no § 8º, do art. 477 da CLT, e, em não sendo pagas as parcelas incontroversas
na primeira audiência, seja aplicada multa do art. 467 da CLT, tudo acrescido
de correção monetária e juros moratórios, no valor do salário do reclamante

R$ ____________________________________________________ 4.017,00.
5. Efetuar o complemento dos depósitos correspondentes a todo o
período da relação de emprego do FGTS, acrescido da multa de 40%
(quarenta por cento):

FGTS QUE INCIDE SOBRE COMISSÕES ___________________R$:


2.250,00

MULTA 40% SOBRE FGTS _______________________________R$:1.055,00

Total _________________________________________________ R$
3.355,00

6. Do período em que laborou sem registro em CTPS, julgar ao final


TOTALMENTE PROCEDENTE a presente Reclamação, declarando o vínculo
empregatício existente entre as partes, condenando a empresa Reclamada a:

a) Pagar:

Salários em Atraso: ____________________________________R$: 12.672,00

Aviso prévio indenizado _________________________________ R$ 3.660,00

Saldo de salário ________________________________________ R$ 4.224.00

Férias ________________________________________________ R$
1.408,00

Férias proporcionais ______________________________________ R$ 470,00


13º salário integral ______________________________________ R$ 1.408,00

b) liberar o FGTS e multa do art. 18 da lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990,

FGTS _______________________________________________R$: 1.700,00

MULTA 40% __________________________________________R$: 709,00

c) diferenças de recolhimento de FGTS e INSS

d) Pagar honorários advocatícios no patamar de 15% sobre a condenação;

7. Além disso, condenar a Reclamada ao pagamento da multa prevista


no § 8º, do art. 477 da CLT, e, em não sendo pagas as parcelas incontroversas
na primeira audiência, seja aplicada multa do art. 467 da CLT, tudo acrescido
de correção monetária e juros moratórios, no valor do salário do reclamante

R$ ____________________________________________________ 4.224,00.

8. Requer, ainda, seja a Reclamada condenada ao pagamento das


contribuições previdenciárias devido em face das verbas acima requeridas,
visto que caso tiverem sido pagas na época oportuna, não acarretariam a
incidência da contribuição previdenciária.

9. Requer Ainda que a reclamada seja condenada ao pagamento de


indenização por DANOS MORAIS à reclamante no Valor:

Danos Morais ________________________________________ R$: 10.000,


00
10. Protesta provar o alegado por todos os meios no Direito permitidos,
notadamente oitiva de testemunhas e depoimento pessoal.

Dá-se à causa o valor de R$ 54.700,00 (cinquenta e quatro mil e setecentos


reais reais) para efeitos fiscais.

Nestes termos, pede deferimento.

Guarulhos, 13 de fevereiro de 2019.

Dra. THAIS CUNHA TUZI DE OLIVEIRA

OAB/SP n° 373.898

Dr. PAULO CEZAR AZARIAS DE CARVALHO

OAB/SP n° 305.475