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Atendimento Educacional em

Ambiente Hospitalar e Domiciliar


Módulo III
Prof.ª Mª. Itamara Peters

A ESCOLARIZAÇÃO DO ESTUDANTE
AFASTADO DAS ATIVIDADES ESCOLARES
PARA TRATAMENTO DE SAÚDE

Campo Grande - MS
2019
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO............................................................................................................................................3

PLANO DE ENSINO......................................................................................................................................4

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................................5

I - CONTEXTO BRASILEIRO: O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO DOMICILIAR.......................5

II - AMPARO LEGAL DA EDUCAÇÃO AO ESTUDANTE EM TRATAMENTO DE SAÚDE QUE


SE ENCONTRA EM DOMICÍLIO ...............................................................................................................8

III - OS ASPECTOS ÉTICOS DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL EM DOMICÍLIO ................12


2
IV - O ESPAÇO DE ENCONTRO COM O OUTRO ...............................................................................17

V - A FAMÍLIA ...............................................................................................................................................19

VI - A DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO DOMICILIAR .............................................................................26

COMO PENSAR O AFASTAMENTO DA ESCOLA PARA TRATAMENTO DE SAÚDE? ...........30

O ASPECTO PEDAGÓGICO NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL DOMICILIAR ...................33

CONSIDERAÇÕES........................................................................................................................................37

REFERÊNCIAS...............................................................................................................................................38
APRESENTAÇÃO
Caro (a) aluno (a),

Seja Bem-Vindo (a) as discussões sobre: Atendimento educacional domiciliar, nesta etapa iremos
refletir sobre os aspectos específicos do atendimento educacional afastados da escola em virtude
do tratamento de saúde, mas que se encontram em processo de recuperação em domicilio. Trata-
se de contexto educativo peculiar que apresenta suas especificidades e nuances.

Bom estudo!

Profa. Prof.ª Mª. Itamara Peters

3
PLANO DE ENSINO OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Compreender o campo de atuação.
Disciplina: Atendimento Educacional em Ambiente Domiciliar
2) Reconhecer a escolarização domiciliar como um processo de Educa-
Carga horária: 35 horas ção Inclusiva.

Área temática: Educação e áreas afins 3) Identificar instrumentos legais do direito à educação e dos direitos da
criança e adolescente em tratamento de saúde.
Público-Alvo: Professores, pedagogos, gestores, estudantes e a quem
mais interessar. 4) Promover a reflexão sobre o processo pedagógico oferecido para
crianças e adolescentes em atendimento educacional domiciliar.
JUSTIFICATIVA
5) Promover a compreensão da importância da educação no contexto
A proposta deste módulo é discutir os aspectos relevantes e necessários domiciliar.
ao atendimento de estudantes em tratamento de saúde no âmbito do-
6) Discutir aspectos relacionados ao convívio constante do docente com
miciliar, considerando aspectos éticos, sociais, de saúde e educacionais
a família em espaço domiciliar.
como elementos importantes, no saber docente para atuação no espaço
da família, tendo em vista que a escola irá até a casa do estudante e aden- METODOLOGIA – ORIENTAÇÕES GERAIS 4
trará em seu espaço de intimidade e convívio familiar.
Aula teórico-expositiva.
CONTEÚDOS Estudo de textos e mapeamento conceitual.
Contexto Realização de trabalho como forma de pesquisa.
Amparo legal da educação ao estudante em tratamento de saúde um
AVALIAÇÃO
processo indefinido
Será realizada de forma contínua, através de frequência e participação
Os aspectos éticos
nas atividades escritas, socialização em fóruns; produções e reflexões in-
O espaço do outro dividuais. Observando o nível de coerência com o conteúdo apresenta-
A família do e a capacidade crítica discursiva do cursista.

A docência na educação domiciliar

OBJETIVO GERAL
Reconhecer, analisar e compreender as ações pedagógicas desenvolvi-
das em contexto do atendimento educacional em ambiente domiciliar,
sua legalidade e aspectos didáticos envolvidos.
INTRODUÇÃO
Estudar o atendimento educacional domiciliar exige discussões que envolvem aspectos distintos:
a condição de tratamento de saúde, afastamento da escola, a acolhida da família e as interligações
com o processo de apoio educacional em domicilio. Para além desses aspectos, é necessário refletir
o modo como esse processo se organiza e considerar todas as nuances de se atender um sujeito
que tem sua rotina organizada e determinada pela sua condição de saúde.
Considerando todos estes aspectos, ousamos propor uma reflexão que contempla o contexto
histórico do atendimento educacional domiciliar, o apoio pedagógico domiciliar e seu amparo
legal, ou seja, desde quando a legislação brasileira contempla esta modalidade e quais termos
garantem e validam os atendimentos, ampliando a reflexão. O texto apontará os aspectos éticos do
atendimento em domicilio e a relação direta entre eu (docente) e o outro (estudante e/ou familiar),
focando também na história da família e nas particularidades deste espaço e dessa construção
social, para finalmente discutir, analisar e construir saberes com relação à docência na educação
domiciliar.
Tomaremos como base, para as discussões, textos e estudos de diversas áreas, tais como: filosofia,
5
história, sociologia, direito, saúde e educação, a fim de criar mecanismos de investigação, pesquisa,
estudo, comparação e construção teórica de uma área de atuação docente que ainda exige
construção e formulação de escopo teórico.

Reflexão inicial: Atendimento Pedagógico Domiciliar ou Atendimento Educacional


Domiciliar? Múltiplas configurações ou modelo único? O que temos? Como é feito na tua
cidade? Existe? É necessário?

I - Contexto brasileiro: o atendimento pedagógico domiciliar


Se a história do atendimento educacional hospitalar já é indefinida, a história do atendimento
educacional em domicilio é mais complexa ainda. Seu início coincide com o histórico das classes
hospitalares e os atendimentos estão, na maioria das vezes, vinculados às ações da Educação
Especial e Inclusiva.
Em termos mundiais, o acompanhamento escolar em domicilio também é um processo em plena
construção. Há muitos países organizados e com legislação já solidificada como é o caso de França,
Alemanha, Espanha, Portugal, Argentina, Chile, entre outros e há casos como o Brasil em que a
legislação prevê o processo de atendimento educacional à criança afastada da escola por questões
de saúde, mas que não estabelece um formato definido.
Estados e municípios se organizam de acordo com suas possibilidades e capacidades, tomando
como base o documento, Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e
orientações, publicado pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC, em 2002.
O documento ressalta a importância do acompanhamento escolar tendo em vista que:

Na impossibilidade de frequência à escola, durante o período sob tratamento


de saúde ou de assistência psicossocial, as pessoas necessitam de formas
alternativas de organização e oferta de ensino de modo a cumprir com os direitos
à educação e à saúde, tal como definidos na Lei e demandados pelo direito à vida
em sociedade. (BRASIL, 2002, p. 11).

Dessa forma, o documento aponta para a busca de alternativas ao processo de escolarização em


razão do afastamento para tratamento de saúde, entendendo que essas formas alternativas são 6
compreendidas a partir das necessidades de aprendizagem, das condições de estados e municípios
para gerir a educação e dos recursos que cada sujeito necessita. Assim, compreendendo a sua
realidade, cada nível educativo organiza os processos de atendimento educacional a sua maneira,
criando uma gama de modelos, formas de atendimento e regulamentação, tanto para concessão
do direito de ter o acompanhamento pedagógico como para a organização desse processo de
atendimento.
Além de abrir a busca de alternativas para o ensino o texto do MEC (2002), enfatiza que:

Atendimento pedagógico domiciliar é o atendimento educacional que ocorre


em ambiente domiciliar, decorrente de problema de saúde que impossibilite o
educando de frequentar a escola ou esteja ele em casas de passagem, casas de
apoio, casas-lar e/ou outras estruturas de apoio da sociedade. (BRASIL, 2002, p. 13)

Ou seja, o atendimento educacional domiciliar ou apoio pedagógico domiciliar é um


acompanhamento escolar que se dá na residência da criança ou adolescente, em período de
recuperação e tratamento de saúde.
O público alvo do atendimento pedagógico domiciliar é compreendido, a partir do documento,
como sendo aquele que está impedido de estar na escola em razão do tratamento como afirma o
texto.
O alunado do atendimento pedagógico domiciliar compõe-se por aqueles
alunos matriculados nos sistemas de ensino, cuja condição clínica ou exigência
de atenção integral à saúde, considerados os aspectos psicossociais, interfiram
na permanência escolar ou nas condições de construção do conhecimento,
impedindo temporariamente a frequência escolar. (BRASIL, 2002, p. 16).

Assim, na definição do público alvo do atendimento pedagógico domiciliar, há a premissa de que


haja um vínculo com a escola de origem e que este estudante esteja matriculado no sistema de
ensino de Educação Básica, independente do nível de escolaridade e da modalidade de ensino.
Segundo Salla (2017):

A Pedagogia Hospitalar e o Atendimento Domiciliar são unidos pelo público alvo


e diferenciados pelo local do atendimento. A Pedagogia Hospitalar acontece no
ambiente de internação, em salas adaptadas ou nos leitos dos pacientes. Já o
7
APD1 está inserido na Pedagogia Hospitalar, mas se caracteriza por acontecer no
ambiente domiciliar do paciente. Geralmente este é acometido de uma doença
que o impossibilita de frequentar a escola, mas o possibilita estar no aconchego
do lar, com o acompanhamento da equipe médica. (SALLA, 2017, p. 48).

Dessa forma, compreende-se que os aspectos pedagógicos e as necessidades de organização,


adequação e adaptação das atividades para o atendimento educacional em domicilio são
semelhantes às do atendimento educacional em ambiente hospitalar. E que cabe, neste caso, o
respeito ao aspecto contextual e, suas nuances e complexidades.
Embora o atendimento educacional domiciliar esteja vinculado diretamente com a escola em que
o estudante está matriculado, este processo de escolarização não é o mesmo da escola regular,
há uma grande necessidade de adaptação e reorganização dos conteúdos que devem estar
relacionadas ao contexto do aluno e as singularidades do mesmo, não se pode esquecer que ele
está acamado, debilitado e em uma situação de fragilidade física e emocional.
Neste sentido, retomamos e reiteramos a necessidade dos conhecimentos teóricos que envolvem
a educação como um todo, os conhecimentos que envolvem o processo de ensino em educação
1
APD- Atendimento Pedagógico Domiciliar
Atividade
hospitalar, ou seja, discutir o modo como a aprendizagem se dá face a doença e ao tratamento de Pesquise em seu estado ou região qual é o
saúde é conhecimento necessário no atendimento educacional domiciliar, pois o professor estará tempo de afastamento previsto em lei para
atuando com esse sujeito que sofre as interferências do tratamento. que o apoio pedagógico domiciliar seja
garantido ao estudante.
II - Amparo legal da educação ao estudante em tratamento de saúde que se encontra em
domicílio.

Fonte2: https://www.pirai.rj.gov.br/materias/item/577.

Ao analisar os aspectos legais do atendimento educacional domiciliar, observamos que não é


nenhuma surpresa de que haja o direito à educação, entretanto ter uma legislação que ampare
esse direito não garante políticas públicas adequadas ao apoio pedagógico domiciliar.
Traçando uma linha do tempo, já em 19693, o decreto lei que trata dos alunos portadores das
afecções indica que: a educação é direito, que haja avaliação da frequência e que a legislação
admite, o regime excepcional de classes especiais, o da equivalência de cursos e estudos, bem
como o da educação peculiar dos excepcionais; ou seja, há uma observação sobre o processo de
ensino para haja uma adaptação e uma organização das aulas e do sistema para acolher estes
2
Imagem disponível em: https://www.pirai.rj.gov.br/materias/item/577-comecou-a-semana-de-direito-a-educacao-in-
clusiva.
3
DECRETO-LEI Nº. 1.044, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1044.
htm.
estudantes. Embora mencione a exigência de exercícios e não do professor o texto da lei enfatiza
no Art. 2º que a escola deve: Atribuir a esses estudantes, como compensação da ausência às aulas,
exercício domiciliares com acompanhamento da escola, sempre que compatíveis com o seu estado de
saúde e as possibilidades do estabelecimento.
Em 19754, o direito de atendimento domiciliar por meio de exercícios é ampliado. Neste caso,
quem passa a ser incluído na lei são as mães estudantes. O texto prevê que as mulheres, a partir do
oitavo mês de gestação e pós-parto, sejam acompanhadas com exercícios e tarefas domiciliares,
mediante apresentação de atestado médico.
Logo na sequência, a Lei nº. 6.5035 de 13 de dezembro de 1977, garantiu a educação física facultativa
aos estudantes em tratamento de saúde e a públicos específicos delimitados por condições físicas
e faixa etária.
Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB6 , apresentou o direito à educação
como direito de todos, e ao delimitar níveis e modalidades de ensino abordou na Educação
Especial, no artigo 58, § 2º que assim informa: o atendimento educacional será feito em classes,
escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não
9
for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. Trazendo nesta redação uma
brecha que permite incluir os estudantes em tratamento de saúde nesta condição especifica que
não permite a frequência na escola regular, cabendo assim o atendimento especializado também
a estes estudantes.
Mais tarde, em 19887 , a lei é revista e ampliada incluído também as mulheres mães. Ainda neste
mesmo ano a publicação da Constituição Federal (1988), expressa em seu artigo 205 que a educação
é direito de todos e dever do Estado e da família, enfatizando ainda que o ensino é obrigatório, deve
ser oferecido pelo poder público e cabe também a ele o desenvolvimento de ações integradas
para promover a universalização e o acesso ao atendimento escolar.
Com a publicação da Resolução Nº 02 (2001), o Conselho Nacional de Educação – CNE e a Câmara
de Educação Básica – CEB, instituíram as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação
Básica e com ela apontaram que:

4
LEI, Nº. 6.202, DE 17 DE ABRIL DE 1975. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1970-1979/L6202.htm.
5
Lei Nº 6.503, de 13 de dezembro de 1977. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6503.htm.
6
LEI Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm.
7
LEI Nº 7.692, de 20 de dezembro de 1988. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7692.htm.
Art. 13. Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de
saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos
impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que
implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência
prolongada em domicílio.
§ 1o As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar
continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem
de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu
retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo flexibilizado
com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local,
facilitando seu posterior acesso à escola regular.
§ 2o Nos casos de que trata este Artigo, a certificação de frequência deve ser
realizada com base no relatório elaborado pelo professor especializado que
atende o aluno. (BRASIL, CNE/CEB, 2001, art. 13).

Enfatizando assim, o dever dos estados e municípios em organizar os seus sistemas de ensino para 10
que garantam o atendimento especializado aos estudantes que se encontram em tratamento de
saúde e, em razão deste, não podem frequentar as aulas em suas escolas de matricula, seja ela,
regular ou especial.
Um ano a mais, 2002, o Ministério da Educação e Cultura – MEC, lança o documento Classe hospitalar
e atendimento pedagógico domiciliar: Estratégias e orientações, documento já mencionado que visa
apontar estratégias de organização para a implementação de serviços de atendimento educacional
a estudantes em tratamento de saúde, por meio de classes hospitalares e do atendimento
pedagógico domiciliar.
Com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva8 (2008), há o
reforço do conceito de inclusão e da necessidade de acompanhamento pedagógico dos estudantes,
mediante ação conjunta entre os profissionais da escola regular e os professores especializados.
Ressaltando o papel do professor no processo de inclusão e no desenvolvimento de programas de
apoio que minimizem as perdas causadas pela ausência da escola.

8
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/
politicaeducespecial.pdf.
Observando o texto legal, entendemos que os estudantes afastados da escola em função de
tratamento de saúde, seja este físico ou mental, têm respaldo legal para dar continuidade a seus
estudos em ambiente domiciliar. Entretanto, a legislação menciona que esse atendimento se dê
quando o afastamento for por longos períodos, porém o que se considera um longo período de
afastamento em termos de conhecimento e aprendizagem? Em virtude desta brecha legal, cada
ente federado organiza o atendimento pedagógico domiciliar como lhe convém e do modo que o
seu sistema de ensino comporta esse atendimento.
No Estado do Paraná, por exemplo, os atendimentos domiciliares ocorrem desde 1999, se
tornam mais efetivos a partir de 2007 com a implantação do Serviço de Atendimento a Rede de
Escolarização Hospitalar – SAREH, e ganham em 2017, uma instrução normativa9 que regulamenta
e dita as regras do atendimento domiciliar. Neste documento constam aspectos relacionados a
legislação, a definição do que é o atendimento, a quem se destina e como o direito se garante, o
aspecto da contratação e vinculação dos professores, os procedimentos necessários para que se
faça o atendimento, enfatizando a orientação médica e o laudo de afastamento das atividades
escolares. E por fim, tratando da organização do próprio sistema de educação para que o direito à
educação dos adolescentes e crianças seja garantido.
11
Outro modelo de atendimento educacional domiciliar organizado e estruturado vem da vizinha
Argentina. Lá são criadas Escolas Hospitalares e domiciliares, chamadas de Institutos que se
responsabilizam pelo atendimento seja ele no hospital ou em domicilio. A legislação regulamenta
os serviços escolares hospitalares e domiciliares desde 2006 e envolve os níveis iniciais, primários
e secundários o que equivale no Brasil a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Porém, as escolas hospitalares argentinas já estavam em atendimento desde 1946, tiveram seu auge
no início dos anos 70 quando o país possuía uma escola em cada hospital, a partir da ditadura (1976-
1983) houve o fechamento das escolas hospitalares e domiciliares que só retomaram seus serviços
a partir de 1989 com duas escolas segundo Álvarez10 (2014). Atualmente, as Escolas Hospitalares
e Domiciliares da Argentina contam com um aporte legal bem definido, e apresentam-se como
modelos educativos inovadores ao levar aos domicílios laboratórios móveis, tecnologia inclusiva e
uma proposta de ensino completamente distinta e aberta que faz a interface com o currículo, mas
pauta-se principalmente na pesquisa e na descoberta como ferramentas do conhecimento.
9
INSTRUÇÃO Nº 09/2017-SUED/SEED. Disponível em: http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/instrucoes2017/
instrucao092017sued_seed.pdf
La educación hospitalaria en Argentina: entre la supervivencia y compromiso social. Antonio García Álvarez. In. Foro
10

de Educación, v. 12, n. 16, enero-junio 2014, pp. 123-139. 123, ISSN: 1698-7799 // ISSN (on-line): 1698-7802.
No Brasil, em virtude das grandes dimensões e da variedade dos sistemas educativos o atendimento
educacional domiciliar esbarra nas mesmas dificuldades da educação hospitalar, ainda está em
fase de implementação, embora seja direito não está concretizado em todos os estados e sua
organização é lenta, gradual e depende dos sistemas de ensino, bem como de produção do aporte
teórico e técnico que referencie e respalde as propostas, pois, somente o documento orientador
do MEC e a inserção em legislação educacional não são suficientes para garantir a efetivação de
políticas públicas para essa condição.

Reflexão: na atividade anterior você pesquisou sobre o tempo de afastamento que marca a
necessidade do atendimento educacional domiciliar. Identifique como é a relação de tempo
para garantia do atendimento educacional domiciliar e o tempo da aprendizagem. Como
podemos pensar sobre esta questão e propor alternativas com relação a essa questão?

III - Os aspectos éticos do atendimento educacional em domicílio


12

Disponível em: http://migre.me/bvdaQ

A educação em domicilio está no limite entre o espaço íntimo e a ação pública, e em razão desta
questão há a exigência de um cuidado ético nas ações e intenções de todo o processo educativo. Ao
cruzar a fronteira do público e adentrar no espaço privado, que é a casa do estudante a dimensão
ética e o olhar atento e cuidadoso dos docentes precisam estar em alerta. Simultaneamente o
espaço de intimidade se torna público e aberto a indivíduos (professores) até então, estranhos ao
convívio diário da família.
O espaço doméstico exige uma preocupação com a questão ética na medida em que o professor
irá se deparar não apenas com a criança/adolescente em tratamento de saúde, mas com toda sua
família, com a rotina da casa, com os animais de estimação, com as lembranças e memórias da
família e toda sua intimidade, além das suas condições socioeconômicas.
Há na rotina do atendimento educacional domiciliar o contato com um universo do estudante que
talvez não fosse aberto na sala de aula comum, e isso exige claramente um compromisso ético e
estético do professor, a delicadeza de ouvir, acompanhar e tratar tudo com carinho sem expor o
que acompanha na rotina dos atendimentos em domicilio.
Segundo Silva (1998), há aspectos da intimidade que, se revelados, não podem ser desvelados a
terceiros, pois quebram uma relação de confiança além de ferirem princípios legais. De acordo com
o autor,
13
É importante tutelar a intimidade, especialmente porque a revelação de certos
aspectos das vidas das pessoas pode por vezes causar discórdia, dor e sofrimento.
Imaginem-se as consequências de revelar a alguém as relações adulterinas do
seu cônjuge; a sua condição de filho adotivo; aos pais, que o filho ou a filha é
homossexual; e muitas outras situações em que a dor e o sofrimento, o profundo
abalo moral, surgem como consequência inevitável de tais revelações. (SILVA,
1998, p.52-53).

Diante de tais afirmações, cabe compreender que a presença do professor em domicilio esbarra
em certos segredos íntimos, mas que cabe também a este profissional o cuidado e a competência
para lidar com a situação. Além disso, é dever do docente ter clareza de que há na Constituição
Federal um artigo que trata do direito a privacidade e é seu papel respeitar o espaço íntimo. O
artigo 5º, inciso X, afirma que: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Diante deste texto, reforça-se o caráter ético necessário ao apoio pedagógico domiciliar.
De acordo com Guerra (2006), a definição de intimidade envolve questões da vida que não dizem
respeito a terceiros, segundo o autor:
[...] a intimidade é algo a mais do que a vida privada, ou seja, a intimidade
caracteriza-se por aquele espaço, considerado pela pessoa, como impenetrável,
intransponível, indevassável e que, portanto, diz respeito única e exclusivamente
à pessoa, como por exemplo, recordações pessoais, memórias, diários etc. Este
espaço seria de tamanha importância que a pessoa não desejaria partilhar com
ninguém. São os segredos, as particularidades, as expectativas, enfim, seria o que
vamos chamar de o “canto sagrado” que cada pessoa possui. (GUERRA, 2006, p.06).

Logo, o professor inserido no ambiente domiciliar para o atendimento ao sujeito em tratamento


de saúde, deve compreender essas dimensões e saber trabalhar com estes aspectos de estar no
espaço privado em contato com questões íntimas da família e do estudante.
Ainda de acordo com Guerra (2006, p.06), a vida privada consiste naquelas particularidades que
dizem respeito, por exemplo, à família da pessoa, tais como relações de família, e outros fatos do
cotidiano. São neste caso, fatos e informações que a pessoa compartilha com quem é próximo de
si, mas num nível de confiança com relação à informação confidenciada.
Compreende-se que a função do docente, no atendimento educacional hospitalar, não está neste
14
campo, porém intimidade e privacidade estão no limite da ação do professor domiciliar, e quando
tais informações vêm à tona, o aspecto ético é essencial.
Para Maito (2018, p. 54), na atividade do professor do Atendimento Educacional Domiciliar, é
determinante que haja a preocupação com princípios éticos e valores morais. Pois, é por meio de
tais princípios que se podem estabelecer parâmetros adequados às ações educacionais que serão
desenvolvidas. De acordo com a autora:

O Atendimento Educacional Domiciliar propicia a interação do pro¬fessor com a


família e o resgate do estudante como ser e cidadão de direito. Nessa dinâmica,
o professor precisa ter clareza de sua função social para não assumir papéis que
não lhe cabem. O comportamento e as atitudes éticas ganham uma importância
ainda maior nesse contexto pedagógico que envolve atores com diferentes
relações estabelecidas com o estudante domiciliar. (MAITO, 2018, p. 54-55).

Assim, o papel do professor se define e se organiza a partir de sua função docente, mas atrelada
a ela, há a exigência de um princípio norteador e balizador do seu agir que é a ética como ação e
procedimento.
Porém, o que é ética e por que tratar tão claramente dela no contexto educacional domiciliar, como
se tal conceito não fosse importante em outros espaços educativos também. A grande questão
contextual é a individualidade e inserção no espaço da intimidade do outro, o que exige um rigor
técnico do docente e princípios éticos muito bem apurados.
Segundo Arroyo (2007, p.04), até mesmo na Paidéia a pedagogia se interroga sobre a formação ética
do cidadão da polis, sobre o que é ético e o que deixa de sê-lo, sobre a formação do sujeito virtuoso.
Entretanto, essa discussão não se fixa apenas nos termos, é necessário investir na construção teórica
e de postura humana, para que essa postura seja uma postura ética. Arroyo (2007) discute a ética
e o comportamento docente como constructos que devem ser trabalhados durante a formação
acadêmica e profissional. Para o autor,

Em contraste com essa presença inquietante das questões éticas no cotidiano


da prática educativa e em contraste com a rica herança de reflexão sobre as
relações entre ética e educação pode ser constatada a secundarização e até o
silenciamento dessa relação na história mais recente. Essa tradição foi silenciada.
Não obstante haver uma riquíssima tradição herdada no campo da ética, do 15
pensamento filosófico, social e pedagógico, essa herança não é aprendida como
componente central de todo profissional da educação nos cursos de formação
de professores educadores. (ARROYO, 2007, p. 04).

Diante de tais apontamentos, nos cabe refletir sobre o momento em que o aspecto ético tão
urgente e necessário será discutido, compreendido e colocado em prática na ação docente.
Porém, no próprio fazer pedagógico o componente ético aparece com um outro elemento associado
a ele, a dicotomia ética/moral. Em uma indefinição de termos e conceitos. Para La Taille, Souza e
Viziolli (2004, p.98) moral e ética não são termos que precisam ser necessariamente empregados como
sinônimos. No entanto, não são discutidos e entendidos na educação em todos os seus aspectos.
De acordo com os autores, pode-se falar em moral para designar os valores, princípios e regras
que, de fato, uma determinada comunidade, ou um determinado indivíduo legitima, e falar em ética
para se referir à reflexão sobre tais valores, princípios e regras. (LA TAILLE, SOUZA e VIZIOOLI, 2004,
P. 98). E estabelecer um parâmetro de estudo e discussão em linhas distintas filosofia e ciência,
compreendendo como tais conceitos interferem e fazem parte do contexto e do processo
educativo. Ainda segundo os pesquisadores,
A segunda diferença que se faz entre moral e ética não incide sobre o grau de
abstração de uma em relação à outra (na definição anterior, a ética estaria em
nível superior), mas sim sobre duas problemáticas diferentes, embora certamente
indissociáveis. A moral referir-se-ia à dimensão do dever, enquanto a ética diria
respeito à dimensão da felicidade. (LA TAILLE, SOUZA e VIZIOOLI, 2004, P. 98).

Assim, poderíamos entender que a dimensão pedagógica exige tanto princípios éticos, como
princípios morais, para que o processo educativo cumpra seu papel de formador de sujeitos
atuantes no desenvolvimento da cidadania. A compreensão do dever docente para com o sujeito
em atendimento educacional hospitalar e domiciliar perpassa também o conceito ético desse
docente com relação a todo processo de escolarização, tratamento de saúde e estabelecimento
de relações educativas.
No campo educacional, ética e moral agem como balizadores das ações de docentes e estudantes
em todos os níveis do processo. Porém Rodrigues (2001), ressalta que ao mesmo tempo que há
uma determinação de papéis e ações tais conceitos podem determinar as finalidades do processo
educativo. 16
Ao definir os atributos do ato educativo como o de preparar os indivíduos para
a vida social, institui-se um parâmetro universal sobre os fins da Educação.
E esse parâmetro pode ser expresso em um outro discurso paralelo e a ele
correspondente: o de formar os indivíduos para o exercício da Cidadania. O que
se coloca como fim ou finalidade da ação educativa constitui-se, ipso facto, em
seu próprio conceito. Um exame mais acurado dessas proposições indicaria que,
por esse caminho conceitual, o discurso educativo acaba se convertendo numa
proposição tautológica, e coopera para enfraquecer a construção de um bom
entendimento a respeito do que seja a Educação. (RODRIGUES, 2001, p. 234).

Logo, compreender os conceitos de ética, moral e educação exigem a elaboração, a construção e a


reelaboração de significados mais significativos, radicais, rigorosos e claros tanto para a educação
como para os conceitos de cidadania e sociedade.
Dessa forma, a educação hospitalar e domiciliar se constitui num mecanismo que inventa e
reinventa os significados do processo educativo ao considerar como essenciais para sua ação
os princípios éticos e morais, atrelados ao respeito ao outro e ao debate do que seja educação,
escolarização e conhecimento. Trombetta e Trombetta (2017, p.167) apontam que: educadores e
educandos não podem escapar à rigorosidade ética, pois esta está atrelada a uma reflexão crítica que
se volta para as discussões relacionadas à condição humana. Assim, educar é formar sujeitos éticos
tendo em vista a humanização dos homens e sua rede de relações em sociedade.
Ao discutirem os conceitos de ética Trombeta e Trombeta (2017, p.167) afirmam que a educação
é, na sua essência, um encontro ético entre o eu e o outro, reafirmando os ideais que temos de
educação hospitalar e domiciliar como processo educativo, centrado na relação dos sujeitos.

IV - O espaço de encontro com o outro

Eu não sou eu nem sou o outro,


Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
(SÁ-CARNEIRO, 1914).

A partir dos versos de Sá-Carneiro (1914), poeta do início do século XX, iniciamos as discussões
17
sobre o espaço do atendimento educacional domiciliar e o espaço do outro, a casa do estudante.
Nessa perspectiva, pensamos a educação enquanto processo de mediação, metaforicamente
traduzindo como uma ponte que liga o conhecimento escolar ao conhecimento da vida, da saúde,
da medicação e de muitas outras coisas necessárias à vida. Assim, a educação se constitui em um
elo de ligação com o outro, com o mundo e com os outros. Para Gallo (2015), não há como pensar
a educação sem a relação dos sujeitos envolvidos.

A educação é, necessariamente, um empreendimento coletivo. Para educar –


e para ser educado – é necessário que haja ao menos duas singularidades em
contato. Educação é encontro de singularidades. (GALLO, 2015, p. 01).

Ou seja, só há educação se tivermos os sujeitos envolvidos nesse processo, e se nesse envolvimento


houver um encontro entre os sujeitos, educadores e educandos, que tornam esse processo único
e distinto de outros processos humanos. Logo, a educação é coletiva e exige a interação entre os
sujeitos num processo dialógico e dialético que deve contemplar todos os envolvidos.
De acordo com Freire (1996),
[...] toda prática educativa demanda a existência de sujeitos, um que, ensinando,
aprende, outro que, aprendendo, ensina, daí o seu cunho gnosiológico; a
existência de objetos, conteúdos a serem ensinados e aprendidos; envolve o uso
de métodos, de técnicas, de materiais; implica, em função de seu caráter diretivo,
objetivo, sonhos, utopias, ideais. (FREIRE, 1996, p. 41).

Estabelecendo entre os sujeitos um contrato pedagógico que exige do professor a direção e a


orientação, requerendo os saberes específicos da sua formação e os conhecimentos humanos que
envolvem a condição do educando. Dessa forma, a educação se refere a uma mediação feita para o
outro, ela se constrói e reconstrói na ação e interação eu e outro (educador – educando).
Para Gallo (2015), ao concebermos a educação como um processo dialético entre os sujeitos e o
conhecimento, estamos abandonando a dualidade de ensino – aprendizagem e criando um novo
foco o da aprendizagem compartilhada, mediada. Assim,

[...] educar significa lançar convites aos outros; mas o que cada um fará – e se
fará – com estes convites, foge ao controle daquele que educa. Para educar,
portanto, é necessário ter o desprendimento daquele que não deseja discípulos,
18
que mostra caminhos, mas que não espera e muito menos controla os caminhos
que os outros seguem. (GALLO, 2015, p. 15).

Isto posto, nos cabe compreender que na educação hospitalar e domiciliar, lançamos sempre
um convite a descoberta, ao estudo, ao conhecimento, a pesquisa e ao prazer da aprendizagem.
Aprendizagem esta, que é construída num processo de mediação qualificada, consciente e pontual.
Ainda nesta linha de pensamento, Paulo Freire nos faz refletir ao apontar que:

[...] o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é
educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa.
Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que
os “argumentos de autoridade” já, não valem. (FREIRE, 1987, p. 44).

Enfatizando assim, o processo dialógico que envolve os sujeitos do atendimento educacional


domiciliar. E reafirmando que os atendimentos educacionais domiciliares têm uma relação
direta com o espaço da família, com o estudante e com a produção, ampliação e recriação do
conhecimento. Considerando sempre que os estudantes são agora investigadores críticos, em
diálogo com o educador, investigador crítico, também (FREIRE, 1987, p. 45).
Cabe ainda, na relação com o outro, compreender que o professor nesta modalidade de
escolarização (atendimento educacional domiciliar) está inserido no contexto da intimidade e dos
aspectos mais reservados de cada sujeito. Atividade
Sendo assim, cabe discutir os modos de lidar com este espaço e com esta família que acolhe o Para iniciar as discussões deste capítulo
professor na sua casa diante de uma condição da criança/ adolescente em tratamento de saúde. assista à animação Viva – a vida é uma
Ao mesmo tempo, trata-se da escola que vai até a casa, e de múltiplos sentidos e significados que festa, e pense na família como
se configuram a partir desta entrada. elemento do processo de educação e
elemento constituinte do atendimento
V - A família educacional domiciliar.

19

Fonte: imagem do filme Coco (Viva - a vida é uma festa).

Observando e analisando a sociedade podemos perceber que ela não existe sem um dos seus
elementos que, a priori, é o mais importante, a família. A organização grupal é um fato natural e
sempre ocorreu na existência dos seres humanos, embora seja modificada de tempos em tempos
a família dificilmente deixará de existir.
Esse grupo social, denominado família, sofreu muitas modificações e ainda assim continua existindo.
Dessa forma, cada pessoa possui um conhecimento a respeito de uma família; conhecimento este
que vai se modificando pela ação da própria sociedade e principalmente pelo papel dos meios de
comunicação que informam as modificações e alterações que ocorrem frequentemente alterando
as instituições familiares.
De um período de enfraquecimento da família; a sua supervalorização e declínio há longas histórias
que valem ser consideradas para que possamos entender o perfil dual de família que a sociedade
criou e assim interagir com o contexto de ação docente.
As primeiras ideias de representação da família aparecem quando a idade média retrata os ofícios,
embora não seja a intenção, a família é aí representada porque marca a contribuição nas atividades
dos homens e da vida dos trabalhadores. Nessa época, a família é uma imagem discreta, pois a
intenção é mostrar o trabalho e a importância dele na vida do homem.
Somente a partir do século XVI, que as mulheres começam a fazer parte das representações; sendo
vistas em dois papéis bem distintos: a dama do amor cortês ou a dona de casa. Começou nesse
mesmo período a representação do trabalho doméstico, quebrando a imagem de que a mulher
é o ser ocioso. Já no final do século XVI, toda a família faz parte das atividades camponesas e é
representada nas imagens, pinturas da época, participando do trabalho cotidiano.
A ideia de família e a sua representação se constituem como elementos importantes, quando
surge uma nova simbologia para retratar as fases da vida; marcadas no século XV, por imagens
que representam uma criança, um casal e um velho. Logo adiante, a representação passa a ser
20
de um conjunto de elementos; mostrando uma representação familiar. Assim,, se entendermos
a família como uma instituição social, percebemos que ela é, com toda certeza, a mais antiga das
instituições, fundada pelo próprio homem em sua natureza, através da história e da cultura.
De uma família medieval quase sem importância e representatividade, nas famílias atuais
encontramos várias formas de representação desse grupo. Se analisarmos a idade média, por
exemplo, percebemos que a família não era um fator relevante para ser representado de alguma
forma seja na literatura, nas artes ou outro meio. E a partir do século XVI, as imagens desse grupo
ficam explícitas, e ele recebe uma nova importância, já que suas ações vão estar centradas a partir
desse período na criança.
Acompanhando os estudos de Ariès (1998) verificamos que no século X, a família era um grupo
reduzido baseado em uma única célula conjugal sem muitos laços de ligação. Nos séculos seguintes,
os laços familiares começaram a se modificar por dois fatores interessantes, uma lei do estado que
obrigava os homens a se agruparem mais estreitamente. Nos séculos, a ideia de família passou a
existir como um sentimento de proteção entre as pessoas do mesmo grupo. Foi nesses séculos que
os bens de herança passaram a ser comum e não poderiam ser vendidos, gerando assim famílias
imensas reunidas em um mesmo ambiente.
Já no século XIII, a situação se inverteu e em função das condições financeiras, as famílias voltam a
ser independentes, porém os laços familiares ainda se mantêm. O sentido de família é diretamente
relacionado à casa, seu governo e sua vida. Até o final do século o que se entendia por família era
a linhagem do indivíduo sem que isso tivesse muita importância social.
Entretanto, é somente no século XIV, que os novos modelos familiares começam a surgir e revelam
a origem da família moderna, que em partes ainda se assemelham ao modelo dessa época.
No século XVIII, a família é reconhecida como um valor social do homem e é exaltada em toda
sua forma e emoção; sentimento este que cresceu em torno da família conjugal formada por pais
e seus filhos. A grande família ou a família patriarcal formada por avós, tios, primos e etc. é uma
criação dos dois últimos séculos e da cultura tradicional.
Quando a sociedade começou a reconhecer o valor da família, muitas áreas da ciência viram esse
grupo social como objeto de estudo. Tais estudos mostram com muita clareza, todo o processo de
transformação pelo qual a família passou.
Como a família é, em grande parte, a responsável pela formação e repasse de valores morais, éticos 21
e sociais ao indivíduo, vale considerar que em cada época temos diferentes modelos familiares,
que vão formar uma consciência coletiva diferente. Porém, a modernidade nada mais é do que o
resultado de uma nova adaptação às condições que a sociedade passou a exigir.
Entre os setores da sociedade que mais sofreu modificações, a família vai dos casamentos precoces
à prostituição infantil, dos casamentos indissolúveis aos divórcios e o convívio dos filhos com as
novas uniões que se formam. Cada época conhece suas transformações familiares, em grande parte
evidenciada pelos meios de comunicação com tecnologia avançada, pelo progresso na agricultura
e na industrialização.
A partir de 1970, com o aumento e autenticidade da produção sociológica sobre a família, a
sociedade passou a conhecer os fatos e fatores de evolução da família, de acordo com a história,
permitindo assim, uma análise estatística mais detalhada do comportamento familiar.
O parentesco das sociedades ocidentais reaparece com grande força e fica marcado na paisagem
demográfica e social. Em primeiro lugar o aumento da expectativa de vida faz com que várias
gerações estejam presentes no contexto familiar. Sendo assim, as representações coletivas geradas
socialmente passam a se alterar em função desse novo perfil. Para compreender a estrutura familiar,
as linhas sociológicas propõem que os estudos sejam feitos observando a esfera dos costumes, do
direito, dos hábitos, pois algumas informações sobre o costume da herança, por exemplo, podem
mostrar, de forma mais clara, a constituição da família.
Dessa forma, a família é entendida como espaço de posições sociais, e surge como uma construção
ideológica, uma abstração, um domínio desencadernado que supõe uma total ausência de
variedade de modelos.
Enquanto a interrogação global se refere às relações entre organização familiar e mudança social,
uma outra vertente analisa a família a partir de conceitos de industrialização e urbanização,
mostrando perspectivas similares da nova organização familiar.
Para Freire L. (2017), a ideia de família está relacionada também a construção conceitual do próprio
termo e aos aspectos culturais,
A família talvez seja uma das instituições mais antigas da vida no planeta. Os
antropólogos e arqueólogos já encontraram rastros dessa forma tão peculiar
que diga-se de passagem, não é privilégio do Homo sapiens. Desde muito
cedo no planeta, talvez até porque a família está intrinsecamente relacionada
22
à reprodução, enquanto seres vivos, a família existiu. O homem pré-histórico,
evidentemente, logo sentiu a necessidade de constituir uma “família” para poder
ter mais potência e dominar as forças da natureza e, assim, milênios mais tarde
criar o que para nós, seres humanos, nos é tão precioso: a cultura. Família está
muito estreitamente relacionada com a cultura, não existe família sem cultura,
assim como também não existe cultura sem família. (FREIRE, L. 2017, p.176).

Ao apontar que os aspectos culturais têm relação direta com a família, o autor nos faz refletir sobre
a relação do docente no atendimento educacional domiciliar e a relação direta deste docente com
a cultura da família, seus valores, seu modo de organizar e pensar a vida, entre outros aspectos. Tal
reflexão retoma a discussão dos princípios éticos e morais envolvidos no atendimento educacional
hospitalar e domiciliar.
Compreender a família como um constructo social responsável pelos cuidados de uma criança ou
adolescente, em especial numa situação de tratamento de saúde, exige a clareza de que é a família
que apresenta papel essencial no desenvolvimento do indivíduo, é a partir dela que o sujeito se
constrói como humano, cresce e se desenvolve.
O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (BRASIL, 27/09/1990) aponta que a base familiar
é de significativa importância para o desenvolvimento da criança, com a função de ajuste físico,
mental, moral, espiritual e social, resguardando sempre, a dignidade dos menores. Cabe ainda a
família as obrigações referentes a educação e a escolarização. Conforme o artigo 53, que trata dos
direitos à Educação, Cultura, Esporte e Lazer, a família deve acompanhar e participar das propostas
pedagógicas e processos que envolvem a formação de seus filhos.

“Art. 53º - A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno


desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho, assegurando-se lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias
escolares superiores;
IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; 23
V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Parágrafo único.
É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como
participar da definição das propostas educacionais. (BRASIL, 1990, Lei 8069).

Assim, compreende-se que o atendimento educacional domiciliar à criança ou adolescente em


tratamento de saúde deve contemplar todo o aspecto familiar envolvido, considerando as etapas
de planejamento e execução das atividades escolares, a participação da família, a sua rotina e a sua
dinâmica de funcionamento. Bertolin e Maito (2015), ressaltam este aspecto ao afirmar que:

O envolvimento da família neste processo é de extrema relevância. Esta exerce


o papel de anfitriã do profissional da educação que adentra o lar do estudante
mediante prévia autorização do responsável. Cabe a família proporcionar um
ambiente adequado para os atendimentos como: lugar arejado com cadeiras e
mesa para a realização das atividades pedagógicas e ambiente livre de excessiva
circulação de pessoas, que permita ao estudante, concentração no período do
atendimento. Além disso, durante o período do APD a família deve motivar o
estudante quanto à continuidade de seus estudos formais, auxiliando o mesmo
nas tarefas de casa, quando solicitadas e na organização do seu material para os
dias previamente agendados de APD. (BERTOLIN e MAITO, 2015, p.13449).

Logo, a ação docente em ambiente domiciliar é organizada pelo viés da participação e atuação da
família, tanto no cuidado com o sujeito em tratamento de saúde, como na atenção e valorização
do processo de escolarização. Acreditamos, diante dessa discussão, que o professor tem papel
essencial no desenvolvimento de uma proposta pedagógica domiciliar ao compreender as
dinâmicas de organização e respeitar as condições desse espaço de atuação.

Para refletir: leia a letra da música Família, de Fábio Correa Ayrosa Galvão, e discuta qual
a ideia vinculada à família na atualidade e como é entendida, por você, a diversidade de
composições familiar?

Família
24
Família é coisa mais maluca que eu conheço
Família tem cheiro, tem cor, tem endereço
Família pode ser a minha, pode ser a sua
Família se constrói em casa, e também na rua
Família é uma pessoa que vem com defeito
Família pode ser do seu ou do meu jeito
Família é um instrumento difícil de tocar
Família parece casa, mas é um lar
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família é fonte de amor inesgotável
Família é um monte de dor inexplicável
Família faz coisas que ninguém explica
Família não vai embora, família fica
Família as vezes briga quase todo dia
Família se você não escolhe, devia
Família é tempestade num copo d’agua
Família magoa, mas perdoa toda mágoa
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família é assim mesmo, família é uma doideira
Família é pra hoje, pra agora e pra vida inteira
Família é uma luz, um porto seguro
Família é passado, presente, futuro
Família eu sou, família amor
Família eu quero, eu tô sendo sincero.
(GALVÃO, 2015).
25
Inegavelmente a família faz parte do processo educativo, o atendimento educacional hospitalar e
domiciliar essa relação se acentua e se aproxima, exigindo do docente, habilidades que se diferem
do rol didático corriqueiro. Há na nova rotina uma gama de saberes, de tempos, de dúvidas e de
descobertas que são compartilhados entre estudante, professor e familiar que acompanha as aulas.
Para Borges (2009), o ato educativo pauta-se na função materna como condição para que o
educador tenha laços identificatórios, para que seu discurso se sustente. (BORGES, 2009, p. 07).
Assim, a relação da escola com a família estabelece uma conexão com todos os aspectos humanos,
e cria uma relação triangular que envolve diretamente o conhecimento que se constrói com base
nestes aspectos.
VI - A docência na educação domiciliar

Fonte: CORGA, Elsa. 2019.

Pensar na docência em ambiente domiciliar exige a consciência do processo de mediação e


das relações com o outro e com o seu espaço de vida, proteção, aconchego, segurança, etc. Ao
adentrar na casa do estudante, o processo de escolarização exige a si mesmo uma reconfiguração 26
do espaço, das metodologias, do tempo e até de alguns objetivos.

Entende-se que o atendimento educacional domiciliar contribui para que os estudantes


readquiram novas expectativas, tanto com relação ao tratamento de saúde, como em relação ao
seu processo de escolarização. Matos & Mugiatti (2014), ressaltam que ao ter garantido o processo
de escolarização crianças e adolescentes vão deixando de lado as inseguranças, a indiferença a
quaisquer atendimentos psicopedagógicos, situações de depressão e alheamento que lembram a
pseudodebilidade mental, aspectos estes que interferem no tratamento.

Esse afastamento no seu cotidiano, provocado pela doença e pela hospitalização,


traz uma nova situação à vida do enfermo que, além de afastá-lo do curso normal
de suas atividades escolares, o induz a apresentar alterações de ordem psíquica
possíveis no contexto. (MATOS e MUGIATTI, 2014, p. 71).

Embora a escola tenha especificamente o caráter de lidar com o aspecto pedagógico. Há inúmeros
recursos didáticos que auxiliam no desenvolvimento cognitivo e psíquico, levando o sujeito a
mudar o foco e enfatizar a possibilidade de desenvolvimento do conhecimento, da descoberta da
literatura, da arte, dos jogos, da música, etc., fazendo com que o centro de interesse não seja a
doença. Daí a importância da inserção dos programas de escolarização em hospitais e domicílios
entre outros espaços. É inegável o benefício do processo educativo, Matos e Mugiatti (2014),
destacam ainda:
O que mais importa é que a criança ou adolescente hospitalizado venha receber,
sempre e com o máximo empenho, o atendimento a que fazem jus, nessa tão
importante fase da vida, da qual depende a sua estrutura, enquanto pessoa e
cidadão. (MATOS e MUGIATTI, 2014, p. 65).

Diante de tais apontamentos, retomamos a urgência e a importância do atendimento educacional


à crianças e adolescentes em tratamento de saúde, ressaltando que todo o viés qualitativo desse
processo educacional passa pela função, empenho e formação dos professores que irão atuar com
o estudante em tratamento de saúde. Corroborando com essas questões, Fonseca (2012, p.18)
afirma que diante de uma situação de doença é possível refletir e aprender uma série de questões
pertinentes não apenas a escolaridade da criança doente, mas também à qualificação profissional
docente, pois o processo educativo exige a reconfiguração do ensinar e aprender. 27
Assim, para Fonseca (2012, p.18) ensinar e aprender só se efetiva se o professor estiver, de fato,
atento ao aluno, o que enfatiza o caráter personalizado do atendimento educacional domiciliar,
reforçando a necessidade de reformulação do processo educativo e a recriação dos mecanismos e
recursos de ensino, para atingir os objetivos de avanço na aprendizagem.
Logo, entende-se que ao se dedicar ao atendimento educacional domiciliar o docente dever ser
capaz de:
[...] desdobrar-se frente às reações do aluno, especialmente aquelas manifestas
no olhar de desinteresse, na apatia e nos silêncios que, traduzidos, revelam seus
medos e anseios infantis. Daí a necessidade de se aprender a valorizar os gestos
infantis, de saber decifrar nas pequenas atitudes o que não conseguem expressar
pela fala. (ALMEIDA, 2015, p. 10).

Ou seja, a atuação docente com o sujeito em tratamento de saúde exige um profissional que escute
suas necessidades, e faça o processo de modo diferenciado: organizando, adaptando, priorizando
aspectos que envolvem brincar, pesquisar, descobrir, criar, em que o interagir com o professor e
com o conhecimento, seja um momento prazeroso de tal modo que amenize o sofrimento do
adoecer e de estar afastado da sua rotina.
A condição de tratamento de saúde impõe uma série de restrições que vão do afastamento da
escola e de suas atividades ao distanciamento da rede de convívio social e familiar. Segundo
Moreno (2015), é necessário que tenhamos a compreensão do que é o adoecimento e de como
acompanhar esse processo.

O processo do adoecimento pode ser interpretado de maneiras diferentes pelos


hospitalizados, assim como pelos envolvidos com a situação, como família,
professores e outros. O adoecimento está relacionado à cultura e à relação
educação e saúde. (MORENO, 2015, p. 223).

Nesta perspectiva, cabe ao professor o entendimento de como a cultura familiar percebe


esse adoecimento, e isso implica considerar que todo processo de adoecimento demanda
medicação, procedimentos muitas vezes invasivos, dificuldades, regras de alimentação, ingestão
de bebidas, horários de medicação, horários de visitas, horários de terapias ou fisioterapias, etc.
tudo rigorosamente estabelecido e determinado de acordo com o tipo de doença e a prescrição
de tratamento.
28
A atividade escolar nesta linha, se encaixa na rotina do sujeito que está em tratamento. A adaptação
de horário deve considerar todo o quadro de tratamento da saúde, e se organizar para ser um
momento agradável e de alivio durante o cuidado da saúde. Inevitavelmente, um quadro delicado
de saúde requer um atendimento humanizado que respeite e contemple a situação de dor e de
perda presente na vida do outro. Em outras palavras, requer do profissional docente um perfil
empático, dentre outras especificidades.
Rubio e Gonzales (2001, p. 133) destacam que:

A atenção educacional deve acontecer em parceria com a assistência médica, para


que a criança que precise de um professor em sua casa, para dar continuidade a
escolarização, tanto quanto possível, tenha o currículo escolar, em colaboração
com o professor da sala de aula do hospital e do centro educacional de referência.
(RUBIO e GONZÁLES, 2001, p. 133 - 134). .Tradução nossa.

Marcando assim, a projeção de uma teia de atenção ao desenvolvimento escolar que integra
multiplas possibilidades e que exige ações de todos os sujeitos envolvidos. Trazendo claramente
o conceito e a perspectiva de uma escola inclusiva e centrada nas necessidades individuais,
onde cada sujeito (estudante) é compreendido a partir do seu nível de conhecimento, da sua
escola de origem, do seu tratamento de saúde, do seu currículo específico e do seu processo de
desenvolvimento cognitivo, social, emocional, afetivo, etc.
Ao considerarmos o direito à educação dos sujeitos, em tratamento de saúde, inseridos nos
programas de atendimento educacional hospitalar e domiciliar, é necessário compreender que
essa escola exige uma reconfiguração. Covic e Oliveira (2011) afirmam que:

[...] a escola que atenda a essa demanda não está posta, no entanto,
compreendemos que possa acontecer com um processo de aprendizagem por
ressignificação de seus espaços, tempos, horizontes, concepções, posições e
formação. Ressignificar, compreendido aqui, como o processo criativo de atribuir
novos significados a partir daquele já conhecido, validando um novo olhar sobre
o contexto em que o sujeito está imerso. Em termos mais concretos, nessa ação
temos o moto mudança/permanência. (COVIC e OLIVEIRA, 2011, p. 27).

Ou seja, a escolarização hospitalar e domiciliar requer um formato mais aberto, centrado na 29


relação dos sujeitos e nas suas trajetórias de vida, de tratamento de saúde e de conhecimento.
Paulo Freire enfatizou em sua obra que nenhuma prática educativa se dá no ar, mas num contexto
concreto, histórico, social, cultural, econômico, político, não necessariamente idêntico a outro
contexto. (FREIRE, 1981, p.14). Reforçando o caráter situado do processo educativo e enfatizando a
personalização dessa educação, em especial do atendimento educacional hospitalar e domiciliar,
em que cada encontro é único e deve ser pensado exclusivamente a partir das demandas do
sujeito que será atendido.
Como pensar o afastamento da escola para tratamento de saúde?

30
Fonte: http://das.prodegesp.ufsc.br/portaria-licenca-para-tratamento-de-saude.

Iniciamos nossa reflexão partindo do princípio de que ninguém quer ficar doente, entretanto
a doença acontece e com ela, vem uma série de procedimentos e questões que precisam ser
resolvidas. De acordo com Rubio (2001), grande parte das necessidades educativas domiciliares
e das defasagens de aprendizagem, está associada às doenças crônicas e enfermidades de longa
duração, ou seja, é o tratamento da doença crônica, da doença grave que exige maiores períodos
de afastamento da escola.
Segundo Albertoni e Chiari (2014), a tipologia das condições de saúde faz-se a partir da forma
como os profissionais da saúde se organizam nos cuidados e manifestação das doenças. Ou seja,
tal determinação considera fatores como transmissão, contágio, tempo de tratamento, formas de
tratamento, entre outros aspectos. Para as autoras,

Em geral, as condições agudas apresentam um curso curto, inferior a três meses


de duração, enquanto que as condições crônicas têm um período de duração
mais ou menos longo, superior a três meses, e nos casos de algumas doenças
crônicas, tendem a se manifestar de forma definitiva e permanente. (ALBERTONI
e CHIARI, 2014, p.37).

Dessa forma, os estudos brasileiros, corroboram com o que apontou Rubio (2001) ao enfatizar que
é a doença crônica a que exige mais tempo de afastamento das atividades regulares e pressupõe
maior atenção da saúde e da família nos cuidados.
Há inúmeros fatores que envolvem as doenças e suas múltiplas causas. Assim como, apresentam
também um conjunto de sintomas que muitas vezes vão se associando e desencadeando a exigência
de muitos cuidados. Essas ocorrências são comuns em cardiopatias, nefrologias, síndromes raras e
casos oncológicos, por exemplo.
Outra questão importante relacionada à doença crônica envolve o quadro de instabilidade, há
momentos mais críticos em que a doença se manifesta de forma aguda e requer tratamentos
emergenciais e outros momentos em que o tratamento é de manutenção, acompanhamento ou
protocolar como nos casos de tratamento oncológico, em que há um tempo longo de medicação,
acompanhamento, afastamento da escola para que o tratamento seja feito.
31
Porém, o afastamento em virtude do tratamento de saúde acarreta uma série de dificuldades.
Holanda e Collet (2012, p.35), evidenciam em sua pesquisa que os estudantes com uma doença
crônica apresentam, uma baixa frequência na escola e [...] dificuldades para acompanhar o curso
regular durante o tratamento. Reforçando apontamentos já feitos por outros autores, de que há
comprovações da dificuldade de manutenção da sequência de conteúdos da escola regular, da
regularidade das avaliações e de acompanhar efetivamente as discussões, conteúdos e propostas
desse processo escolar.
Fonseca (2008) elenca um conjunto de fatores que envolvem a criança / o adolescente em
tratamento de saúde. Para a autora, o sujeito que passa por uma hospitalização e tem uma
problemática de saúde para resolver, sente-se angustiado com relação a frequência escolar, suas
atividades e até mesmo com relação a matrícula e ao vínculo com a escola. E isso pode interferir
claramente na sua percepção de si e do mundo. Fonseca (2008) defende ainda que a criança da
escolarização hospitalar é uma criança de risco.

Risco à sua saúde mental. Risco em relação à visão que seus familiares possam ter
dela. Risco a sua autoestima. Risco a utilização plena de seu potencial, apesar das
limitações impostas adoecimento. E não seria uma criança de risco uma criança
portadora de necessidades especiais? (FONSECA, 2008, p. 34).

Desta forma, ao organizar os planos de trabalho para o atendimento educacional domiciliar o


professor deve considerar todos os condicionantes que envolvem este estudante, e propor um
planejamento de atividades que seja capaz de contemplar a complexidade e ao mesmo tempo
associar o currículo escolar da escola de origem criança / adolescente. Concordamos com os
apontamentos de Fonseca (2008) ao indicar a função da escola hospitalar e acrescentamos nesta
discussão a educação domiciliar.

As relações de aprendizagem numa escola hospitalar são injeções de ânimo,


remédio contra os sentimentos de abandono e isolamento, infusão de coragem,
instilação de confiança no seu progresso e em suas capacidades. (FONSECA,
2008, p.34).

Diante de tais apontamentos compreendemos que as interligações do processo de apoio


educacional em domicilio devem estar relacionadas a todo o contexto vivido pelo estudante em 32
tratamento de saúde, ou seja, será impossível dissociar a escolarização da vida.

Atividade de reflexão: nesta etapa você terá duas sugestões de filme, para refletir sobre o
cotidiano de uma pessoa que tem o curso da sua vida alterado em função de uma situação
de saúde.

Atividade
Opção 1. O escafandro e a borboleta.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=sex6LWH_0lU.
Opção 2. Como eu era antes de você.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=QC8jtNWYvRA.
O aspecto pedagógico no atendimento educacional domiciliar

Fonte: https://www.dicionariodesimbolos.com.br/simbolo-pedagogia.
33
Iniciamos as discussões deste tópico retomando o texto do MEC (2002), que indica a finalidade do
atendimento educacional domiciliar.

[...] elaborar estratégias e orientações para possibilitar o acompanhamento


pedagógico-educacional do processo de desenvolvimento e construção
do conhecimento de crianças, jovens e adultos matriculados ou não nos
sistemas de ensino regular, no âmbito da educação básica e que encontram-
se impossibilitados de frequentar escola, temporária ou permanentemente
e, garantir a manutenção do vínculo com as escolas por meio de um currículo
flexibilizado e/ou adaptado, favorecendo seu ingresso, retorno ou adequada
integração ao seu grupo escolar correspondente, como parte do direito de
atenção integral. (BRASIL, MEC, 2002, p. 13).

Revisitamos o texto para destacar o papel docente que é o de promover a construção do


conhecimento, considerando todos os aspectos já enfatizados e mais destacar que sua tarefa é
a de manter o vínculo do estudante com a escola. Focamos então no que destaca Fonseca (2012,
p.24), a função do professor é a de trabalhar os processos de desenvolvimento e de aprendizagem
e que esse deveria ser o interesse maior dos profissionais da educação, voltando-se assim para as
compreensões de como o estudante aprende e que recursos utilizar para favorecer e facilitar a
aquisição do conhecimento.
Outro aspecto a ser destacado se refere a adaptação curricular como elemento facilitador do
processo de conhecimento e aquisição do mesmo. Quando pensamos no que e como ensinar,
estamos pensando em um currículo e nas adaptações que iremos fazer dele para que esse conteúdo
proposto se aproxime dos nossos estudantes. Para Fonseca, cabe ao professor criar estratégias que
favoreçam o processo de ensino-aprendizagem, contextualizando-o com o desenvolvimento e
experiências daqueles que o vivenciam (FONSECA, 2008, p.30). Considerando essas discussões
podemos dizer que:

[...] o professor precisa conhecer e lidar com as prescrições oficiais do ensino


(Diretrizes nacionais, estaduais, municipais e planos de ensino das escolas de
origem) tomando-as como elemento orientador, mas a sua atuação com os
estudantes se dá com planos e programas abertos, adaptáveis, móveis, variantes
que são alterados constantemente pela situação especial e individual de cada
criança/adolescente da educação hospitalar. (PETERS, 2016, p. 250). 34
Compreendemos que para o atendimento educacional hospitalar ou domiciliar, voltado para
sujeitos procedentes de diversos estabelecimentos de ensino, em diferentes níveis no processo de
ensino e aprendizagem, é necessário que se tenha clareza quanto às condições em que se dará este
atendimento, uma vez que outros aspectos, além do educacional, estarão em evidência, tendo em
vista o tempo e os espaços peculiares da realidade do ambiente domiciliar.
De acordo com os documentos oficiais do MEC – Política Nacional de Educação Especial (1994);
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica; Parecer CNE/CEB n.017/2001;
Adaptações Curriculares e Projeto Escola Viva , há a necessidade de adaptar o espaço, o tempo,
o conteúdo e os recursos de aprendizagem para garantir o acesso e a permanência de todos os
estudantes na escola, flexibilizando o processo e garantindo aquisição de conhecimentos. Isso não
é diferente para o estudante em apoio pedagógico domiciliar, para ele esse processo é ainda mais
específico.
A manutenção do vínculo escolar e o retorno pós tratamento de saúde, exigem o registro cuidadoso
de todas as informações sobre o processo pedagógico tanto do atendimento educacional
hospitalar, como da educação domiciliar. O registro diário das informações, conteúdos, métodos,
recursos didáticos e parecer descritivo repassam a escola o que foi desenvolvido, indicando o
ponto de partida da etapa seguinte.
Porém o retorno à escola, pós tratamento de saúde, é também um processo cuidadoso. A perspectiva
é de um retorno motivado pela experiência anterior a situação da doença, mas nem sempre a
criança/adolescente volta da mesma forma que saiu, e a acolhida precisa ser preparada e pensada
com carinho. Em alguns casos, as sequelas deixadas pela doença serão visíveis e o processo de
inclusão será necessário para evitar preconceito, discriminação e exclusão no espaço escolar.
Cabe ressaltar que a inclusão pressupõe aceitação da diferença, flexibilização das posturas,
eliminação de barreiras físicas, atitudinais comunicacionais com o objetivo de conviver com o
diferente e compartilhar as atividades da vida em sociedade.

Para refletir: Ouça a música “Pra ser feliz”, e procure respostas sobre o processo de inclusão
e escolarização. Que relações podemos estabelecer entre a canção e os conceitos de
educação discutidos no capítulo? 35

Pra Ser Feliz – Daniel –


Às vezes é mais fácil reclamar da sorte
Do que na adversidade ser mais forte
Querer subir sem batalhar
Pedir carinho sem se dar
Sem olhar do lado
Já imaginou de onde vem
A luz de um cego
Já cogitou descer
De cima do seu ego
Tem tanta gente por aí
Na exclusão e ainda sorri
Tenho me perguntado
Pra ser feliz
Do que o ser humano necessita?
Atividade
a prática pedagógica no atendimento
O que é que faz a vida ser bonita?
educacional domiciliar requer amplo
A resposta, onde é que está escrita?
conhecimento da rotina escolar aplicada ao
Pra ser feliz ambiente domiciliar. Destaque os aspectos
O quanto de dinheiro eu preciso que considera como os mais relevantes
Como é que se conquista o paraíso no processo educativo do estudante
Quanto custa em tratamento de saúde com base nas
Pro verdadeiro sorriso discussões apresentadas no texto.
Brotar do coração
Talvez a chave seja a simplicidade
Talvez prestar mais atenção na realidade
Porque não ver como lição
O exemplo de superação
De tantas pessoas 36
O tudo às vezes se confunde com o nada
No sobe e desce da misteriosa escada
E não tem como calcular
Não é possível planejar
Não é estratégico
Pra ser feliz
Do que o ser humano necessita?
O que é que faz a vida ser bonita?
A resposta, onde é que está escrita?
Pra ser feliz.
Composição: Elias Muniz (2011).
Considerações desta etapa
Nesta etapa, nos propomos a refletir sobre o atendimento educacional domiciliar ressaltando
que esta construção teórica exige a reflexão de múltiplos aspectos relacionados que envolveram
uma introdução aos estudos sobre condição de tratamento de saúde, o afastamento da escola, a
acolhida da família e as interligações com o processo de apoio educacional em domicilio.
Buscamos também apresentar pontos sobre modo como esse processo se organiza, considerando
os matizes do apoio pedagógico ao sujeito que tem sua rotina organizada e determinada por um
processo de tratamento de saúde.
Considerando todos estes aspectos, enfatizamos que o papel do professor ganha destaque
nessa tarefa de ensino, pois mantém viva a possibilidade do conhecimento e de continuidade de
aprendizagem. Destacamos que a educação domiciliar é um processo peculiar e inclusivo, pois
assume como meta a tarefa de não deixar que o vínculo com a escola se perca em virtude da
condição de doença.

37
Reflexão: finalizamos esta etapa, com um convite ao estudo, a reflexão, a pesquisa e a
descoberta de novos caminhos. Leia o texto “O ato de estudar” e reflita como esse processo
se organiza na tua carreira acadêmica e docente.

O ato de estudar
Tinha chovido muito toda a noite. Havia enormes poças de água nas partes mais
baixas do terreno. Em certos lugares, a terra, de tão molhada, tinha virado lama.
Às vezes, os pés apenas escorregavam nela. Às vezes, mais do que escorregar,
os pés se atolavam na lama até acima dos tornozelos. Era difícil andar. Pedro e
Antônio estavam transportando numa camioneta cestos cheios de cacau para
o sítio onde deveriam secar. Em certa altura, perceberam que a camioneta não
atravessaria o atoleiro que tinham pela lente. Pararam. Desceram da camioneta.
Olharam o atoleiro, que era um problema para eles. Atravessaram os dois metros
de lama, defendidos por suas botas de cano longo. Sentiram a espessura do
lamaçal. Pensaram. Discutiram como resolver o problema. Depois, com a ajuda
de algumas pedras e de galhos secos de árvores, deram ao terreno a consistência
mínima para que as rodas da camioneta passassem sem se atolar. Pedro e Antônio
estudaram. Procuraram compreender o problema que tinham a resolver e, em
seguida, encontraram uma resposta precisa. Não se estuda apenas na escola.
Pedro e Antônio estudaram enquanto trabalhavam.
Estudar é assumir uma atitude séria e curiosa diante de um problema.
Esta atitude séria e curiosa na procura de compreender as coisas e os fios
caracteriza o ato de estudar. Não importa que o estudo seja feito no momento e
no lugar do nosso trabalho, como no caso de Pedro e Antônio, que acabamos de
ver. Não importa que o estudo seja feito noutro focal e noutro momento, como
o estudo que fazemos no Círculo de Cultura. Em qualquer caso, o estudo exige
sempre esta atitude séria e curiosa na procura de compreender as coisas e os
fatos que observamos.
Um texto para ser lido é um texto para ser estudado. Um texto para ser estudado
é um texto para ser interpretado. Não podemos interpretar um texto se o lemos
sem atenção, sem curiosidade; se desistimos da leitura quando encontramos a
primeira dificuldade. Que seria da produção de cacau naquela roça se Pedro e 38
Antônio tivessem desistido de prosseguir o trabalho por causa do lamaçal?
Se um texto às vezes é difícil, insiste em compreendê-lo. Trabalha sobre ele como
Antônio e Pedro trabalharam em relação ao problema do lamaçal. Estudar exige
disciplina. Estudar não é fácil porque estudar é criar e recriar é não repetir o que
os outros dizem. Estudar é um dever revolucionário! (FREIRE, 1989, p. 33).
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