Você está na página 1de 61

FGV Management

MBA do SETOR ELÉTRICO

TRABALHO DE CONCLUSÃO
DE CURSO

Metodologia para otimização dos indicadores de


continuidade empregando religadores monofásicos de
Distribuição Aérea

Elaborado por:

Franklin Lopes Klock

Trabalho de Conclusão de Curso de


MBA do SETOR ELÉTRICO

Prof. Orientador:

Diogo Mac Cord de Faria

Curitiba
Maio/2016
Trabalho de Conclusão de Curso 2

Franklin Lopes Klock

Metodologia para otimização dos indicadores de


continuidade empregando religadores
monofásicos de distribuição aérea

Diogo Mac Cord de Faria

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao curso MBA do SETOR
ELÉTRICO de Pós-Graduação lato sensu,
Nível de Especialização, do Programa FGV
Management como pré-requisito para a
obtenção do título de Especialista TURMA
01/2013

Curitiba – PR
2016
Trabalho de Conclusão de Curso 3

O Trabalho de Conclusão de Curso

Metodologia para otimização dos indicadores de


continuidade empregando religadores
monofásicos de distribuição aérea

elaborado por Franklin Lopes Klock e aprovado pela Coordenação


Acadêmica, foi aceito como pré requisito para a obtenção do MBA do
Setor Elétrico, Curso de Pós-Graduação lato sensu, Nível de
Especialização, do Programa FGV Management.

Data da aprovação: _____ de ______________ de _________

__________________________________________________________
Coordenador Acadêmico
Prof. Diogo Mac Cord de Faria

__________________________________________________________
Professor orientador
Prof. Diogo Mac Cord de Faria
Dedicatória (opcional)
Agradecimentos
Trabalho de Conclusão de Curso 6

Declaração (opção 1, caso de empresa privada)

DECLARAÇÃO

A Empresa .......................................................................................,

representada neste documento pelo Sr (a)...........................................,

(cargo)..........................................., autoriza a divulgação de

informações e dados coletados em sua organização, na elaboração do

Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado:

.......................................................................................................

................................................................ realizado pelo aluno

..............................................................................................., do

Curso...........................................................................do programa

FGV Management, com objetivos de publicação e / ou divulgação em

veículos acadêmicos.

......................................, de, ...................... de 20__ __

(assinatura)
(cargo)
(Nome da Empresa)
Trabalho de Conclusão de Curso 7

Declaração (opção 2, caso de empresa S.A. com informações públicas)

DECLARAÇÃO

Declaro que os dados utilizados neste Trabalho de Conclusão de Curso

referentes à Empresa ........................................................................,

foram obtidos a partir da divulgação da própria empresa em fontes

publicamente disponíveis. Além disso, este trabalho é de cunho

estritamente acadêmico, não servindo de base para quaisquer tomadas de

decisão econômica por parte de seu usuário.

.............................................., de, ......................... de 20__ __

(assinatura)

(Nome do aluno)
Trabalho de Conclusão de Curso 8

TERMO DE COMPROMISSO

O aluno ..................................................................................,

abaixo-assinado, do Curso...........................................................do

Programa FGV Management, realizado nas dependências da instituição

conveniada..........................................................., no período de

............................de................ a .............................. de ..........,

declara que o conteúdo do trabalho de conclusão de curso

intitulado:....................................................., é autêntico, original, e

de sua autoria exclusiva.

________________________, _____ de ___________ de ________

(assinatura)

(Nome do aluno)
Trabalho de Conclusão de Curso 9

Sumário

1 INTRODUÇÃO ........................................................................ Error! Bookmark not defined.


2 DESENVOLVIMENTO ............................................................. Error! Bookmark not defined.
2.1 Planejamento Estratégico do Negócio ................................................................................... 26
2.1.1 Visão da Empresa .............................................................. Error! Bookmark not defined.
2.1.2 Missão da Empresa ........................................................... Error! Bookmark not defined.
2.1.3 Análise do Ambiente Externo e Interno ........................... Error! Bookmark not defined.
2.1.4 Análise da Situação Atual.................................................. Error! Bookmark not defined.
2.1.5 Metas e Objetivos ............................................................. Error! Bookmark not defined.
2.1.6 Formulação da Estratégia ................................................. Error! Bookmark not defined.
2.2 Descrição da Empresa ............................................................... Error! Bookmark not defined.
2.2.1 Equipe Gerencial ............................................................... Error! Bookmark not defined.
2.2.2 Estrutura Legal .................................................................. Error! Bookmark not defined.
2.2.3 Localização ........................................................................ Error! Bookmark not defined.
2.2.4 Manutenção de Registros ................................................. Error! Bookmark not defined.
2.2.5 Seguro ............................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.2.6 Segurança.......................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.3 Produtos e Serviços................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.3.1 Ciclo de Vida do Produto .................................................. Error! Bookmark not defined.
2.3.2 Estratégia de Produto ....................................................... Error! Bookmark not defined.
2.3.3 Produtos Atuais................................................................. Error! Bookmark not defined.
2.3.4 Tecnologia ......................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.3.5 Benefícios e Características do Produto e/ou Serviço ...... Error! Bookmark not defined.
2.3.6 Pesquisa e Desenvolvimento ............................................ Error! Bookmark not defined.
2.3.7 Alianças Estratégicas ......................................................... Error! Bookmark not defined.
2.3.8 Critérios de Seleção de Produtos ...................................... Error! Bookmark not defined.
2.3.9 Produção e Distribuição .................................................... Error! Bookmark not defined.
Trabalho de Conclusão de Curso 10

2.3.10 Custos................................................................................ Error! Bookmark not defined.


2.3.11 Embalagem e Transporte .................................................. Error! Bookmark not defined.
2.3.12 Serviço Pós-Venda ............................................................ Error! Bookmark not defined.
2.4 Análise de Mercado .................................................................. Error! Bookmark not defined.
2.4.1 Análise da Indústria/Setor ................................................ Error! Bookmark not defined.
2.4.2 Descrição do Segmento de Mercado ................................ Error! Bookmark not defined.
2.4.3 Análise SWOT do Produto/Serviço ................................... Error! Bookmark not defined.
2.4.4 Análise da Concorrência ................................................... Error! Bookmark not defined.
2.5 Plano de Marketing................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.5.1 Estratégia de Marketing.................................................... Error! Bookmark not defined.
2.5.2 Produto (Posicionamento) ................................................ Error! Bookmark not defined.
2.5.3 Preço ................................................................................. Error! Bookmark not defined.
2.5.4 Praça (Canais de Distribuição) .......................................... Error! Bookmark not defined.
2.5.5 Propaganda ....................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.5.6 Promoção .......................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.5.7 Projeção de Vendas .......................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6 Plano Operacional ..................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.1 Premissas organizacionais / estruturais ........................... Error! Bookmark not defined.
2.6.2 Definição de processos operacionais (COMO) ................. Error! Bookmark not defined.
2.6.3 Definição de investimentos em ativo permanente (com o quê) ..... Error! Bookmark not
defined.
2.6.4 Premissas operacionais..................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.5 Volumes de vendas ........................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.6 Preços unitários de vendas ............................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.7 Deduções de vendas ......................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.8 Estrutura dos gastos variáveis de vendas (exceto pessoal) ............. Error! Bookmark not
defined.
2.6.9 Gastos fixos (exceto pessoal, depreciação e amortização) ............. Error! Bookmark not
defined.
2.6.10 Imposto de Renda e Contribuição Social .......................... Error! Bookmark not defined.
2.6.11 Políticas operacionais ....................................................... Error! Bookmark not defined.
2.6.12 Fontes de recursos ............................................................ Error! Bookmark not defined.
2.7 Gerência e organização............................................................. Error! Bookmark not defined.
Trabalho de Conclusão de Curso 11

2.8 Plano Financeiro ....................................................................... Error! Bookmark not defined.


2.8.1 Balanço Patrimonial – Inicial e Projetados ....................... Error! Bookmark not defined.
2.8.2 Demonstração de Resultados – Inicial e Projetadas ......... Error! Bookmark not defined.
2.8.3 Fluxos de Caixa Projetados ............................................... Error! Bookmark not defined.
2.8.4 Valuation ........................................................................... Error! Bookmark not defined.
2.8.5 Índices Financeiros............................................................ Error! Bookmark not defined.
2.8.6 .................................................................................................. Error! Bookmark not defined.
3 CONCLUSÃO .......................................................................... Error! Bookmark not defined.
4 Bibliografia ............................................................................ Error! Bookmark not defined.
ANEXOS ........................................................................................ Error! Bookmark not defined.
Orientações .................................................................................. Error! Bookmark not defined.
A. Orientações Gerais: ...................................................................... Error! Bookmark not defined.
B. Orientações sobre a elaboração e trâmites do TCC ..................... Error! Bookmark not defined.
C. ESTRUTURA DO TCC ...................................................................... Error! Bookmark not defined.
D. Preliminar ou pré-textual:............................................................. Error! Bookmark not defined.
E. Corpo do trabalho ......................................................................... Error! Bookmark not defined.
F. Índices Pós-Textuais ............................................................. Error! Bookmark not defined.
Referências (obrigatório) – a serem elaboradas conforme a ABNT NBR 6023 /2002. ............ Error!
Bookmark not defined.
Apêndice(s) (opcional) ..................................................................... Error! Bookmark not defined.
Anexo(s) (opcional) ........................................................................... Error! Bookmark not defined.
FORMATOS DE APRESENTAÇÃO .................................................. Error! Bookmark not defined.
A. Papel e Margens ........................................................................... Error! Bookmark not defined.
B. Numeração das Páginas ................................................................ Error! Bookmark not defined.
C. Formato final do Trabalho ............................................................ Error! Bookmark not defined.
D. Entrega do TCC aprovado ............................................................. Error! Bookmark not defined.
E. Aprovação do TCC ......................................................................... Error! Bookmark not defined.
TERMOS DE CONFIABILIDADE, COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE ...................................61
REFERÊNCIAS................................................................................ Error! Bookmark not defined.
Trabalho de Conclusão de Curso 12

RESUMO

Este documento visa compilar e descrever as atividades realizadas durante execução de


um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da Companhia Campolarguense de Energia,
desenvolvido em parceria com os Intitutos Lactec, cuja proposta é a concepção e
elaboração de uma Metodologia para otimização dos indicadores de continuidade
empregando religadores monofásicos de Distribuição Aérea. Portanto, alguns conceitos
regulatórios e técnicos serão introduzidos, tais como distribuição de energia elétrica,
definição e importância dos indicadores de qualidade do serviço prestado, rudimentos de
proteção da distribuição, aplicação da Busca Tabu Reativa na metodologia desenvolvida e
as instalações iniciais dos religadores monofásicos.

Palavras-Chave: Distribuição de Energia Elétrica, Pesquisa e Desenvolvimento, Indicadores de Continuidade,


Proteção da Distribuição, Busca Tabu Reativa.
Trabalho de Conclusão de Curso 13

1 INTRODUÇÃO

Atualmente a redução dos indicadores de continuidade é uma das principais


preocupações das concessionárias de distribuição de energia, conforme as exigências de
qualidade descritas no Módulo 8 dos Procedimentos de Distribuição. Dentre as tecnologias
empregadas pelas concessionárias para redução dos índices de continuidade, pode-se
mencionar a utilização de fusíveis, religadores automáticos e seccionalizadores, que atuam na
eliminação de faltas, temporárias e permanentes, do sistema de distribuição.
Muitas empresas do Setor Elétrico lançam mão do programa de Pesquisa e
Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL para ajudar a resolver
problemas do seu cotidiano e fazer frente aos desafios tecnológicos e de mercado surgidos nos
últimos anos.
Nas palavras da própria ANEEL, o objetivo de seu programa de Pesquisa e
Desenvolvimento – P&D é “alocar adequadamente recursos humanos e financeiros em
projetos que demonstrem a originalidade, aplicabilidade, relevância e a viabilidade
econômica de produtos e serviços, nos processos e usos finais de energia” [ANEEL,2000].
Neste âmbito, o poder concedente busca através do amparo legal estimular as empresas do
Setor Elétrico a investir um mínimo anual de sua receita operacional líquida em projetos de
Pesquisa e Desenvolvimento, fomentando a inovação.
Com isto em mente, o terceiro projeto de P&D da COCEL, desenvolvido em parceria
com os Institutos Lactec, teve início em meados de 2012 com a proposta de melhorar os
indicadores de continuidade da Companhia, através da criação de uma metodologia para
alocação ótima de religadores monofásicos de distribuição aérea num alimentador da COCEL,
escolhido após avaliação de alguns critérios, e resultando num software que implementará tal
metodologia para uso cotidiano na empresa. Os religadores monofásicos escolhidos para
aplicação no projeto foram os TripSaver, os quais consistem em equipamentos de proteção
unipolar à vácuo, tendo como diferencial unir as características de religador e elo fusível,
fabricados e fornecidos pela empresa americana S&C.
Trabalho de Conclusão de Curso 14

Assim este trabalho busca compilar e descrever o que foi feito desde o início do
projeto até a presente data, quando este se encontra em seu estágio final de aplicação em
campo e início do período de avaliação.

2 COMPANHIA CAMPOLARGUENSE DE
ENERGIA

A Companhia Campolarguense de Energia – COCEL é uma empresa municipal de


economia mista responsável pelo serviço público de Distribuição de Energia Elétrica no
município de Campo Largo, Estado do Paraná.
Conforme Art. 2º de seu Estatuto Social, a COCEL tem por objetivo:
a) Pesquisar e estudar os aspectos técnicos e econômicos de quaisquer fontes de
energia e seus meios de exploração e utilização;
b) Planejar, construir e explorar sistemas de produção, transmissão, transformação,
transporte, armazenamento, distribuição e comercialização de energia em qualquer de suas
formas, principalmente elétrica, de combustível e de matérias primas energéticas;
c) Estudar, planejar, construir, operar e proteger barragens e seus reservatórios, bem
como outros empreendimentos, visando o aproveitamento múltiplos das águas;
d) Prestar serviços de informações e assistência à comunidade quanto ao uso racional,
seguro e econômico de energia, em suas diversas formas;
e) Desenvolver as ações supracitadas com os objetivos de fomentar o desenvolvimento
do município de Campo Largo e utilizar racionalmente as fontes energéticas disponíveis,
visando sempre o aumento de qualidade dos serviços prestados à comunidade
Campolarguense.
Possui 19 circuitos alimentadores em nível de tensão de 13,8 kV e 34,5 kV, para
distribuir energia a aproximadamente 43 mil consumidores. Três dos seus 19 circuitos são
Medições de Fronteira com a Companhia Paranaense de Energia – COPEL, a distribuidora
acessada.
Trabalho de Conclusão de Curso 15

Duas Subestação de Distribuição são responsáveis pelo abastecimento de energia


elétrica do município de Campo Largo: SE Distrito Industrial de Campo Largo, a qual
consiste em uma subestação compartilhada onde parte dos ativos elétricos e estruturas é da
COCEL e outra parte é da distribuidora acessada, e SE Campo Largo, inteiramente de
propriedade da Copel.

3 AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA


ELÉTRICA

Em dezembro de 1996 houve a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica –


ANEEL mediante a Lei nº 9.427 de 26 de Dezembro, “com a finalidade de regular e
fiscalizar a produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, em conformidade
com as Políticas e Diretrizes do Governo Federal”. É, portanto, a sucessora legal do
Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica – DNAEE, e foi instituída como uma
autarquia sob regime especial vinculada ao Ministério das Minas e Energia - MME.
Seu regimento interno foi aprovado pouco mais de um ano após sua constituição, em
28 de dezembro de 1997, pela Portaria MME nº 349, na qual consta, além da estrutura interna
do órgão fiscalizador, a informação de que a ANEEL deve exercer suas funções segundo as
normas específicas do Decreto nº 24.643 de 10 de Julho de 1934, também conhecido como
Código de Águas.
Conforme artigo 3º da Lei nº 9.427/96, as principais atribuições da Aneel são:
- implementar as políticas e diretrizes do governo federal para a exploração da energia
elétrica e o aproveitamento dos potenciais hidráulicos, expedindo os atos regulamentares;
- promover, mediante delegação, os procedimentos licitatórios para a contratação de
concessionárias e permissionárias de serviço público para produção, transmissão e
distribuição de energia elétrica e para a outorga de concessão para aproveitamento de
potenciais hidráulicos;
- gerir os contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia
elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como fiscalizar, diretamente ou mediante
Trabalho de Conclusão de Curso 16

convênios com órgãos estaduais, as concessões, as permissões e a prestação dos serviços de


energia elétrica;
- dirimir, no âmbito administrativo, as divergências entre concessionárias,
permissionárias, autorizadas, produtores independentes e autoprodutores, bem como entre
esses agentes e seus consumidores;
- fixar os critérios para cálculo do preço de transporte de energia nos sistemas de
distribuição e transmissão e arbitrar seus valores nos casos de negociação frustrada entre os
agentes envolvidos;
- estabelecer, com vistas a propiciar concorrência efetiva entre os agentes e a impedir a
concentração econômica restrições, limites ou condições para empresas, grupos empresariais
e acionistas, quanto à obtenção e transferência de concessões, permissões e autorizações;
- fixar as multas administrativas a serem impostas aos concessionários,
permissionários e autorizados de instalações e serviços de energia elétrica;
- estabelecer, para cumprimento por parte de cada concessionária e permissionária de
serviço público de distribuição de energia elétrica, as metas a serem periodicamente
alcançadas, visando a universalização do uso da energia elétrica;
- aprovar as regras e os procedimentos de comercialização de energia elétrica,
contratada de formas regulada e livre;
- homologar as receitas dos agentes de geração na contratação regulada e as tarifas a
serem pagas pelas concessionárias, permissionárias ou autorizadas de distribuição de energia
elétrica, observados os resultados dos processos licitatórios;
Assim, sua finalidade última é preservar o interesse público, assegurando a qualidade
dos serviços coletivos de eletricidade prestados por concessionárias, permissionárias e
autorizadas as quais operam no país.
Com regularidade a ANEEL emite Resoluções, publicando-as no Diário Oficial da
União. Estes documentos possuem efeito normativo e são voltados à regulação dos serviços
de eletricidade. Visam “o estabelecimento de diretrizes, obrigações, encargos, condições,
limites, regras, procedimentos, requisitos ou quaisquer direitos e deveres” de todos os
agentes do Setor Elétrico.
Trabalho de Conclusão de Curso 17

4 INDICADORES DE CONTINUIDADE

4.1 Breve Histórico Regulatório

O primeiro registro oficial aludindo ao conceito de Qualidade de Energia data do final


da década de 70, quando o extinto DNAEE emitiu a Portaria 46/1978, a qual definia e
estabelecia indicadores de continuidade do fornecimento de energia elétrica, coletivos e
individuais, às concessionárias do serviço público de eletricidade da época. Os indicadores
brasileiros foram baseados nos indicadores internacionais, retirados das normativas do
Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, ou do inglês Institute of Electrical and
Electronics Engineers – IEEE.
Em janeiro de 2000 a portaria 46 foi revogada e substituída pela resolução ANEEL de
número 24, onde foram lançados importantes conceitos e revisados outros existentes, além da
aplicação do método de comparação yardstick competition. Através do citado instrumento, a
Agência também conseguiu determinar penalizações pelos descumprimentos das metas e a
atualização dos índices a cada ciclo de revisão tarifária das distribuidoras.
No ano de 2008, após a aprovação da Audiência Pública 14/2008, os Procedimentos
de Distribuição – PRODIST foram criados e definidos como “documentos elaborados pela
ANEEL, com a participação dos agentes de distribuição e de outras entidades e associações
do setor elétrico nacional, que normatizam e padronizam as atividades técnicas relacionadas
ao funcionamento e desempenho dos sistemas de distribuição de energia elétrica”.
Os PRODIST são divididos em Módulos e o de número 8 trata da Qualidade de
Energia, discorrendo basicamente sobre Qualidade do Produto e Qualidade do Serviço. Esta
última dispõe da frequência e duração das interrupções e da continuidade dos serviços
Trabalho de Conclusão de Curso 18

públicos de distribuição de energia elétrica, bem como dos tempos adequados para
atendimento às ocorrências emergenciais.
Igualmente, a RES ANEEL 24/2000 foi revogada pela resolução 395 de dezembro de
2009, a qual aprovou os PRODIST, explicando e enumerando seus módulos.
Desde então, os Indicadores de Continuidade, e as formulações relacionados, constam
nos Procedimentos de Distribuição, tendo sua metodologia de cálculo e seus conceitos
atualizados paulatinamente, juntamente com as revisões dos demais módulos do PRODIST.

4.2 Definições

Os indicadores de continuidade, como o próprio nome denota, podem ser definidos


como uma forma de avaliar e quantificar o desempenho de um dado sistema elétrico de
distribuição, no que concerne à duração e frequência das interrupções. Para manter um padrão
aceitável dos serviços de distribuição de energia, a ANEEL edita limites, coletivos e
individuais, calculados mediante metodologia específica, e através da comparação dos
indicadores mesmos e seus limites, os consumidores, as distribuidoras e a Agência conseguem
avaliar a qualidade do serviço prestado.
A compreensão dos limites de continuidade individuais depende da definição do que é
um “indivíduo” para o Sistema de Distribuição, sendo esta entidade a Unidade Consumidora –
UC. A UC é entendida como sendo o “conjunto de instalações e equipamentos elétricos
caracterizado pelo recebimento de energia elétrica em um só ponto de entrega, com medição
individualizada e correspondente a um único consumidor”, conforme consta na resolução
ANEEL 24/2000.
Assim, consoante ao módulo 8 dos PRODIST, os indicadores individuais de
continuidade são:
- Duração de Interrupção Individual por UC ou Por Ponto de Conexão – DIC,
calculado pela seguinte expressão:

𝐷𝐼𝐶 = ∑𝑛𝑖=1 𝑡(𝑖) (1)


Trabalho de Conclusão de Curso 19

A variável 𝑖 da expressão (1) refere-se ao índice de interrupções da UC, variando de 1


a 𝑛 , sendo 𝑛 o número total de interrupções, ambos para um dado período de apuração. Por
sua vez, 𝑡(𝑖) representa o tempo de duração da interrupção (𝑖) da UC considerada.
- Frequência de Interrupção Individual por UC ou Por Ponto de Conexão – FIC,
calculado pela seguinte expressão:

𝐹𝐼𝐶 = 𝑛 (2)

- Duração Máxima de Interrupção Contínua por UC ou Por Ponto de Conexão –


DMIC, calculado pela seguinte expressão:

𝐷𝑀𝐼𝐶 = 𝑡(𝑖) 𝑚𝑎𝑥 (3)

Na expressão (3), 𝑡(𝑖) 𝑚𝑎𝑥 representa o tempo de máxima duração da interrupção


contínua (𝑖) num dado período de apuração.
- Duração da Interrupção individual ocorrida em Dia Crítico por UC ou Por Ponto de
Conexão – DICRI, calculado pela seguinte expressão:

𝐷𝐼𝐶𝑅𝐼 = 𝑡𝑐𝑟í𝑡𝑖𝑐𝑜 (4)

O Dia Crítico para o indicador acima, segundo o Módulo 1 dos PRODIST é o “dia
em que a quantidade de ocorrências emergenciais, em um determinado conjunto de unidades
consumidoras supera a média acrescida de três desvios padrões dos valores diários”. E, por
fim, 𝑡𝑐𝑟í𝑡𝑖𝑐𝑜 denota a duração da interrupção em Dia Crítico.
Estes indicadores devem ser calculados para períodos de apuração mensais,
trimestrais e anuais. Exceto o DICRI, que será apurado por interrupção no dia considerado
Crítico. Para as equações acima, todos os indicadores devem ser calculados em horas e
centésimo de horas.
Em relação aos Indicadores de Continuidade coletivos, é preciso antes esclarecer o
conceito de Conjunto de Unidades Consumidoras. Conforme consta na resolução ANEEL
24/2000, o Conjunto de Unidades Consumidoras, é “qualquer agrupamento de Unidades
Trabalho de Conclusão de Curso 20

Consumidoras, global ou parcial, de uma mesma área de concessão de distribuição, definido


pela concessionária ou permissionária e aprovado pela ANEEL”.
Ou seja, não é somente um ajuntamento de clientes da distribuidora, mas uma
subdivisão, aprovada pela ANEEL, dentro de sua área de concessão na qual as UC guardam
características em comum. Os Conjuntos, portanto, são resultantes de um estudo com
metodologia específica. Também é comum as Companhias definirem um dado Conjunto pelos
consumidores atendidos por uma mesma Subestação de Distribuição.
Neste contexto, os indicadores de continuidade coletivos, segundo o Módulo 8 do
Prodist são:
- Duração Equivalente de Interrupção por UC – DEC, calculado pela seguinte
expressão:

∑𝐶𝑐
𝑖=1 𝐷𝐼𝐶(𝑖)
𝐷𝐸𝐶 = (5)
𝐶𝑐

- Frequência Equivalente de Interrupção por UC – FEC, calculado pela expressão


abaixo:

∑𝐶𝑐
𝑖=1 𝐹𝐼𝐶(𝑖)
𝐹𝐸𝐶 = (6)
𝐶𝑐

Nas expressões (5) e (6), a variável 𝑖 é o índice de unidades consumidoras atendidas


em baixa ou média tensão e 𝐶𝑐 é o número total de UC faturadas do Conjunto no período de
apuração.
A partir do mês de Abril de 2011 a ANEEL começou a publicar anualmente outro
indicador, o Desempenho Global de Continuidade - DGC, a fim de criar um ranking da
continuidade das empresas do país e servir como ferramenta de comparação mutua do
desempenho das distribuidoras de energia. Mediante este indicador é possível avaliar e
quantificar o nível de continuidade dos serviços de distribuição de uma dada concessionária e
compará-lo aos limites estabelecidos para seus conjuntos em sua área de concessão.
Trabalho de Conclusão de Curso 21

O DGC é previsto no módulo 8 dos PRODIST e é calculado pela expressão abaixo,


consistindo na média aritmética simples das razões entre os valores apurados e limites anuais
dos indicadores DEC e FEC:

𝐷𝐸𝐶𝐴𝑝𝑢𝑟𝑎𝑑𝑜 𝐹𝐸𝐶𝐴𝑝𝑢𝑟𝑎𝑑𝑜
+
𝐷𝐸𝐶𝐿𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒 𝐹𝐸𝐶𝐿𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒
𝐷𝐺𝐶 = (7)
2

4.3 Importância do cumprimento dos limites de


continuidade

Após a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL em 1996 e as


posteriores resoluções normativas as quais definiram índices de continuidade, qualidade do
produto e serviço, prazos de atendimentos, e estabeleceram limites para tais indicadores, a
confiabilidade, eficiência e sustentação do fornecimento dos circuitos distribuidores tornaram-
se não somente uma questão de boa imagem diante dos clientes, mas algo imprescindível para
a manutenção e continuidade da exploração dos serviços públicos de distribuição de energia.
Até a primeira metade de 2015 havia um total de 42 distribuidoras com contratos de
concessão aguardando resposta ao pedido de prorrogação, com 36 concessões vencendo em
2015, 5 em 2016 e uma em 2017.
Em junho de 2015 a ANEEL abriu a audiência pública 038/2015 com o objetivo de
obter subsídios e informações para o aprimoramento do modelo do termo aditivo ao contrato
de concessão para prorrogações das concessões de distribuição, resultando no DESPACHO
Nº 3.540, DE 20 DE OUTUBRO DE 2015 que aprovou a minuta do referido termo aditivo.
O documento final, dentre outras informações, apresentou então as condicionantes à
prorrogação dos contratos de concessão, valendo-se de duas métricas: qualidade do serviço
(DEC e FEC) e sustentabilidade econômico-financeira.
No que diz respeito ao primeiro quesito, a avaliação da empresa dar-se-á inicialmente
por um período de 5 anos, com início no ano seguinte à assinatura do contrato, tempo no qual
se houver o descumprimento do critério de eficiência com relação à qualidade do serviço
prestado, isto é, a violação dos limites anuais globais de pelo menos um dos indicadores
Trabalho de Conclusão de Curso 22

coletivos (DEC ou FEC), por dois anos consecutivos ou no último ano do período de
avaliação, haverá a extinção da concessão. Para o cálculo dos índices realizados, serão
computadas somente interrupções de origem interna ao sistema, programadas ou não e não
expurgáveis.
A partir do sexto ano civil subsequente à celebração do contrato, caso a
concessionária apresente inadimplência decorrente do descumprimento dos limites anuais
globais de indicadores de continuidade coletivos por três anos consecutivos, ou em relação à
gestão econômico-financeira, será aberto o processo de caducidade da concessão de
distribuição.
À vista disso, mostra-se de capital importância para a sobrevivência da
concessionária o respeito aos limites definidos pelo órgão regulador, não somente no período
de avaliação, mas ao longo de toda a vigência da prorrogação do contrato de concessão.
Transgressões dos índices de qualidade não afetam somente a subsistência das
concessões das distribuidoras, porém podem impactar também o caixa. Quando a
concessionária viola o limite de continuidade individual dos indicadores DIC, FIC, DMIC e
DICRI em relação ao período de apuração (anual, trimestral ou mensal), a resolução exige que
haja compensação ao consumidor acessante do sistema de distribuição, efetuando-se o crédito
na fatura em até dois meses após o período de apuração, conforme PRODIST Módulo 8. Cada
distribuidora deve calcular a compensação aos seus consumidores, caso haja violação, e
enviar os registros ao órgão regulador mensalmente, juntamente com os indicadores de
qualidade realizados. Os dados encaminhados são passíveis de verificação pela
Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade – SFE da ANEEL. No ano de
2015, por exemplo, interrupções de energia geraram R$ 646,4 milhões em compensações aos
consumidores [ANEEL, 2015].
Outro índice vinculado, mesmo que em parte, ao desempenho das distribuidoras em
relação aos indicadores de continuidade é o Fator X, o qual busca garantir o equilíbrio
econômico entre receitas e despesas eficientes ao logo de todo o clico tarifário das
companhias, sendo definido “ex-post”, ou seja, em cada reajuste tarifário posterior à Revisão
Tarifária.
É calculado pela expressão abaixo e sua metodologia de cálculo é descrita no módulo
2.5 dos Procedimentos de Regulação Tarifária – PRORET.
Trabalho de Conclusão de Curso 23

𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑋 = 𝑃𝑑 + 𝑄 + 𝑇 (8)
Onde:
Pd: Ganhos de produtividade da atividade de distribuição;
Q: Qualidade técnica e comercial do serviço prestado ao consumidor;
T: Trajetória de custos operacionais;
O Componente influenciado pelos índices de continuidade realizados é o Q: Qualidade
técnica e comercial do serviço prestado ao consumidor, onde 70% de seu valor refere-se à
qualidade técnica e 30 % à qualidade comercial. O componente Q é uma forma da Agência
incentivar a melhoria contínua da qualidade do serviço de distribuição, alterando a tarifa de
cada empresa de acordo com seu desempenho.
Quando houver um reajuste tarifário, o Fator X será deduzido do IGP-M (Índice Geral
de Preços ao Mercado da Fundação Getúlio Vargas) reduzindo o índice de atualização da
parcela B da distribuidora.
Além das condicionantes e benefícios descritos, o cumprimento das metas de DEC e
FEC também possibilita prestar o serviço de distribuição de energia com aptidão,
contribuindo para a satisfação dos clientes.
Trabalho de Conclusão de Curso 24

5 PROTEÇÃO DOS SISTEMAS AÉREOS DE


DISTRIBUIÇÃO

Este capítulo objetiva introduzir os conceitos rudimentares da proteção dos sistemas


aéreos de distribuição necessários ao entendimento deste trabalho, bem como descrever os
dispositivos de proteção utilizados neste estudo de caso.

5.1 Topologia dos Alimentadores de Distribuição Aérea

Existem distintas topologias utilizadas em sistemas de distribuição, porém as mais


empregadas são as em rede, em anel e radial. No Brasil, como a maioria dos alimentadores de
distribuição são aéreos, destacam-se as topologias em anel aberto e radial, sendo a topologia
em rede mais aplicada a circuitos subterrâneos.
A topologia radial também é bastante comum devido ao seu baixo custo e
simplicidade em relação às demais. Caracteriza-se por somente uma fonte de suprimento, isto
é, todas as unidades consumidoras são alimentadas a partir de um único alimentador. É
especialmente empregada para distribuição em Média Tensão em áreas rurais, onde há grande
dispersão geográfica e pequena densidade de carga.
Na Fig. 1 é possível visualizar um alimentador radial típico.
Trabalho de Conclusão de Curso 25

Fig. 1 – Alimentador Radial típico.


Trabalho de Conclusão de Curso 26

A topologia em anel aberto, por sua vez, vale-se duas ou mais linhas de alimentação
para suprir a carga, ou seja, mais de um caminho elétrico é passível de suprir uma unidade
consumidora, porém não ao mesmo tempo. É mais confiável e mais cara que a topologia
radial, uma vez que a alimentação de retaguarda é dada por outro circuito. Geralmente é
aplicada em regiões urbanas com alta densidade de população e de carga.
A Fig. 2 apresenta um sistema típico em anel aberto.

Fig. 2 – Alimentador em Anel Fechado típico.

5.2 Zona de Proteção e Sensibilidade

A zona de proteção tem relação íntima com a sensibilidade e é definida como o trecho
de uma rede de distribuição protegido por um ou mais elementos de proteção, sendo
determinada em função do tipo do equipamento protetor. A Fig. 3 ilustra a zona de proteção
de um religador.
Todo equipamento de proteção é suscetível a falhas e mau funcionamento, assim, ao
se estabelecer a zona de proteção dos dispositivos, é salutar antever proteção de retaguarda,
pelo menos, para o primeiro equipamento instalado a jusante.

Fig. 3 – Zona de proteção do RA em verde e em azul das chaves fusíveis. Neste


exemplo, o RA é a proteção de retaguarda das chaves fusíveis.
Trabalho de Conclusão de Curso 27

A sensibilidade é a característica da proteção que permite interromper a menor


corrente de curto circuito no final do trecho considerado como zona de proteção, e
simultaneamente não atuar para a máxima corrente de carga no ponto onde for instalado. O
que determinará para o equipamento de proteção se um dado valor de corrente elétrica é
considerado como corrente de carga nominal do circuito ou sobrecorrente (proveniente de
uma falta ou condição de sobrecarga) é o valor da corrente de ajuste (ou de pick-up).
Diz-se que um equipamento de proteção tem sensibilidade quando a relação entre o
valor mínimo da corrente de curto circuito do trecho protegido e sua corrente de ajuste for
maior que 1.

5.3 Sistema Seletivo e Sistema Coordenado

Antes de discorrer sobre as características dos sistemas seletivo, coordenado ou


combinado, é relevante classificar as faltas segundo sua origem.
Os defeitos podem ter origem transitória ou permanente. O primeiro é aquele que se
auto dissipa, ou se extingue após a primeira atuação (identificação da falta) seguida de um
religamento que reestabeleça o fornecimento (chamado de religamento com sucesso), não
havendo necessidade de reparos imediatos ou longas interrupções. O defeito permanente, por
sua vez, provoca prolongados desligamentos e exige atenção imediata das equipes de
manutenção corretiva para a recomposição do sistema. Segundo a literatura, estatisticamente
80% dos defeitos são temporários e apenas 20% são permanentes (Guiger, 1998).
As faltas são oriundas de dois tipos de curtos circuitos. Os curtos circuitos envolvendo
o neutro e uma ou mais fases (quando um cabo cai à terra ou um galho toca a rede de
distribuição energizada, por exemplo) e curtos circuitos envolvendo somente as fases, sendo
estes bifásicos ou trifásicos. Por conseguinte, os equipamentos de proteção e seus ajustes
devem ser escolhidos e dimensionados de forma correta, segundo as características do circuito
os quais irão proteger.
Um sistema de proteção dito seletivo é aquele no qual, dada uma falta na rede, apenas
o equipamento de proteção imediatamente antes do defeito deve atuar, extinguindo o curto
circuito antecipadamente em relação à proteção de retaguarda. Deste modo, o equipamento de
proteção que atuou manterá isolado o menor trecho defeituoso do sistema, sem interromper o
Trabalho de Conclusão de Curso 28

fornecimento de energia aos clientes instalados a montante dele. Como exemplo, supõe-se um
sistema comum formado por um Religador Automático - RA e duas chave fusíveis F1 e F2,
consoante Fig. 4. Cada equipamento de proteção possui uma característica tempo x corrente,
ou curva de tempo, que representa sua resposta aos valores de ajuste, em função da corrente
de curto circuito do sistema.
Assim, caso aconteça um defeito a jusante da chave fusível F1, ela atuará antes que o
religador, conforme a curva tempo x corrente verde do elo fusível na Fig 5.

Fig. 4 – Exemplo de um sistema comum com um Religador Automático – RA e duas chaves


fusíveis F1 e F2.

Fig. 5 – Sistema seletivo típico. O fusível, representado por sua curva em verde, atuará num
tempo menor que o religador, em azul, para um determinada corrente de curto circuito I1.
Um sistema seletivo tem como principal atributo a ser avaliado o tempo de espera para
recomposição do circuito faltoso, podendo ser de poucos minutos a várias horas, dependendo
Trabalho de Conclusão de Curso 29

da disponibilidade das equipes de campo. Esta situação estará presente para qualquer tipo de
defeito, transitório ou permanente. Porém, somente os consumidores a jusante do elemento de
proteção que atuou terão seu fornecimento de energia interrompido.
Os principais aspectos de um sistema seletivo são:
- Geralmente as interrupções demoram a ser sanadas;
- As faltas apontam os trechos que demandam manutenção;
- Os consumidores, na maior parte dos casos, reclamam da demora no
reestabelecimento do serviço;
- Para que o atendimento seja de qualidade, é necessário ter uma equipe maior;
- Apresenta um custo operacional superior.
O sistema de proteção coordenado permite que dois ou mais equipamentos operem
numa sequência pré-determinada quando ocorre uma falta. Quando há um defeito permanente,
semelhante ao sistema seletivo, o trecho faltoso, e somente ele, deverá ser isolado o mais
rápido possível. No caso de uma falta transitória, o sistema também deverá eliminar a falta o
quanto antes, porém oferecer um esquema de religamento que garanta o fornecimento. Na
Fig. 6 há um típico sistema coordenado.
Quando uma falta transitória (como um galho tocando a rede num dia de ventania)
ocorre a jusante da chave F1 da Fig. 4, o religador perceberá o curto circuito e desligará antes
deste elo fusível, segundo a curva rápida R1 da Fig. 6. Após um tempo definido pelo
engenheiro, geralmente de poucos segundos, o RA religará numa primeira tentativa. Caso o
defeito tenha se dissipado, o sistema voltará ao seu funcionamento normal, caso contrário, o
RA sentirá novamente o curto circuito e desligará mais uma vez antes do fusível, se outra
tentativa tiver sido programada. Pode-se parametrizar até 3 religamentos.
Trabalho de Conclusão de Curso 30

Fig. 6 – Sistema coordenado típico. A curva rápida R1 do religador atuará antes que o elo
fusível, representado por sua curva em verde.
Se outro religamento não tiver sido programado, o RA deixará a chave fusível F1
fundir seu elo e eliminar o curto circuito, restando os consumidores a jusante dela sem
energia. Durante os religamentos, todos os clientes na zona de proteção do RA
experimentarão desligamentos de poucos segundos (tempo entre as tentativas). Usualmente, o
engenheiro de proteção parametriza os religadores para quatro operações, sendo duas
operações rápidas e duas operações lentas (curva L1 na Fig. 6).
Os principais aspectos de um sistema coordenado são:
- Geralmente as interrupções demoram a ser sanadas;
- Os consumidores, na maior parte dos casos, reclamam da demora no
reestabelecimento do serviço;
- As faltas apontam os trechos que demandam manutenção;
- É necessário ter uma equipe menor para o mesmo nível de qualidade do serviço;
- Apresenta um custo operacional menor.
O sistema combinado, como o nome propõe, é a aplicação das duas filosofias de
proteção num mesmo alimentador de distribuição. Suas características, portanto, serão mistas.
Por fim, para ilustrar e estudar a interação entre proteções em sequência, os
engenheiros valem-se do coordenograma, que consiste num gráfico semelhante aos mostrados
na Fig. 5 e 6, com a variável tempo no eixo X e a grandeza corrente no eixo Y, porém com
escalas logarítmicas.
Trabalho de Conclusão de Curso 31

5.4 Equipamentos de proteção

Os equipamentos de proteção mais utilizados em redes aéreas de distribuição são as


chaves fusíveis, chaves repetidoras, religadores hidráulicos, eletrônicos e microprocessados e
seccionalizadores. Esta seção, porém, irá discorrer brevemente apenas sobre os equipamentos
utilizados nas redes da Cocel, assim como o religador monofásico empregado no projeto de
P&D.

5.4.1 Chaves e Elos Fusíveis

As chaves fusíveis ou corta-circuitos são de longe os dispositivos de proteção contra


sobrecorrentes mais empregados em redes aéreas primarias (nível de média tensão), dado seu
baixo custo e simplicidade de instalação e operação. São compostas basicamente pelo
isolador, cartucho (ou porta-fusível) e elo fusível, sendo instaladas em circuitos rurais ou
urbanos.
O Elo fusível é um componente metálico que possui uma parte sensível a correntes
elétricas elevadas (elemento fusível), sejam elas provenientes de uma falta ou sobrecarga,
fundindo-se e interrompendo o circuito num intervalo de tempo inversamente proporcional à
magnitude da corrente passante. Na Fig. 7 estão os aspectos construtivos do elo fusível.

Fig. 7 – Aspectos construtivos do Elo Fusível.


Trabalho de Conclusão de Curso 32

Do ponto de vista da velocidade de atuação, os elos fusíveis são separados em tipo K


(rápidos), tipo T (lentos) e tipo H (alto surto e operação lenta), sendo estes destinados à
proteção de transformadores de distribuição, até 75 kVA. A Fig. 8 apresenta as curvas de
tempo x corrente máximas e mínimas dos elos tipo K. A curva mínima apresenta o tempo
mínimo de fusão do elo e a curva máxima considera o tempo máximo em que o fusível irá
romper e extinguir o arco elétrico.

Fig. 8 – Curvas tempo versus corrente dos elos fusíveis tipo K.


Além da velocidade de operação, os elos também são classificados em dois grupos
segundo o valor da corrente nominal: preferenciais e não-preferenciais. Essa nomenclatura e
ordenação foram criadas para facilitar a seletividade de um projeto de distribuição, ou seja, os
elos preferenciais são seletivos entre si, bem como os não-preferenciais têm seletividade entre
si. Os valores de corrente dos elos preferenciais são 6, 10, 15, 25, 40, 65, 100, 140 e 200 A.
Os não-preferenciais são 8, 12, 20, 30, 50 e 80 A. A Tab. 1 exibe as características elétricas
dos elos fusíveis.
Trabalho de Conclusão de Curso 33

Tab. 1 – Características elétricas dos elos fusíveis tipo K, T e H.


O cartucho ou porta-fusível é um tubo que envolve o elo e é responsável, em parte,
pela geração dos gases deionizantes que extinguem o arco elétrico quando a chave fusível
opera em serviço. O tubo é fabricado em fibra de vidro ou fenolite e revestido internamente
por uma fibra óssea, aumentando sua robustez. A cada operação, o revestimento interno é
erodido levemente, porém suporta muitas operações se bem dimensionado para as correntes
de curto circuito em sua zona de proteção. Outra função relevante do cartucho é a indicação
de atuação da chave fusível, uma vez que fica suspenso na extremidade inferior desta quando
ocorre uma falta na rede.
Por fim, o isolador é a estrutura na qual está o suporte para fixação e os terminais de
fonte e carga, por onde circulam as correntes do alimentador. Portanto, é essencial observar a
corrente nominal do circuito a ser protegido e verificar a capacidade máxima do isolador.
Normalmente é construído em porcelana vitrificada e deve possuir resistência mecânica
suficiente para suportar as operações de abertura e, sobretudo, de fechamento mediante vara
de manobra. A Fig. 9 traz a montagem completa de uma chave fusível e a identificação de
suas partes principais.
Trabalho de Conclusão de Curso 34

Fig. 9 – Chave fusível e indicação dos principais componentes

5.4.2 Chaves repetidoras

As chaves repetidoras são equipamentos de proteção formados por mais de uma chave
fusível por fase, montadas sobre uma única estrutura, conforme Fig. 10. Por esta razão,
conseguem extinguir defeitos transitórios, pois dada a atuação de um elo fusível em
determinada fase, seu cartucho desarmará, fazendo com que o próximo cartucho assuma a
carga do circuito passando a protegê-lo. Geralmente são empregados três cartuchos por fase,
permitindo dois religamentos automáticos.

Fig. 10 – Chave fusível repetidora.


Trabalho de Conclusão de Curso 35

5.4.3 Religadores Automáticos

Os Religadores Automáticos - RA são equipamentos de proteção os quais abrem e


fecham seus contatos automaticamente por um determinado número de vezes, segundo os
parâmetros inseridos, quando percebem uma falta no circuito por eles protegido. Os
religamentos visam extinguir faltas temporárias, e caso tais tentativas não obtenham êxito, a
última operação do dispositivo tem como propósito isolar o defeito permanentemente. Um
ciclo de operação típico de um RA pode ser visualizado na Fig. 11 abaixo.

Fig. 11 – Ciclo típico de operações de um RA.


Geralmente, três tipos de RA são empregados pelas distribuidoras para proteção de
redes aéreas, os religadores hidráulicos, os eletrônicos e os microprocessados. A COCEL
utiliza somente RA microprocessados.
Estes têm programação flexível, permitindo ajustar correntes de pick-up, curvas de
proteção e número de religamentos. Também possuem proteção contra defeitos de outra
natureza, como subtensão, sobrefrequência e sequência negativa, mediante sinais dos
transformadores de tensão e corrente recebidos pelo relé.
As funções de proteção mais utilizadas pela Companhia são:
- Proteção contra sobrecorrente temporizada de fase, 51P;
- Proteção contra sobrecorrente instantânea de fase, 50P;
- Proteção contra sobrecorrente temporizada de neutro, 51N;
- Proteção contra sobrecorrente instantânea de neutro; 50N;
- Proteção contra sobrecorrente de sequência negativa, 46;
- Alarme para sobretensões e subtensões, 59 e 27;
Trabalho de Conclusão de Curso 36

O relé microprocessado pode ser considerado o cérebro do equipamento, pois processa


e calcula os sinais recebidos, e quando percebe uma falta previamente parametrizada, atua e
emite um sinal de abertura aos contatos da parte eletromecânica (disjuntor), interrompendo a
anomalia.
A união entre o módulo de controle (Fig. 12) e o disjuntor (Fig. 13) forma o RA.

Fig. 12 – Módulo de controle contendo o relé microprocessado.

Fig. 13 – Estrutura eletromecânica (disjuntor a vácuo).

Existem RA trifásicos, como o ilustrado acima, todavia também há religadores


unipolares, reservados à proteção de circuitos monofásicos.
Trabalho de Conclusão de Curso 37

5.4.4 TripSaver

O TripSaver® II Cutout-Mounted Recloser - TS é um religador automático


monofásico fabricado pela empresa S&C Electric Company, cuja sede se encontra em
Chicago, nos EUA.
É um equipamento autoalimentado, servindo-se da própria corrente de carga do
circuito protegido para seu funcionamento, e dispõe de um interruptor a vácuo para suspender
correntes de falta, sendo controlado eletronicamente. Por não utilizar baterias, quando a
corrente no ponto onde o TS está instalado se encontra abaixo de 4 A, este fica em modo de
espera, despertando em menos de um ciclo para interromper sobrecorrentes conforme os
ajustes inseridos.
Seu diferencial em relação aos demais equipamentos do mercado é apresentar as duas
filosofias de proteção (seletiva e coordenada) num único dispositivo. Suporta até quatro
operações (três operações de religamento), com um intervalo de abertura de 0,5 a 5 segundos
configurável pelo usuário. Outra vantagem é poder ser montado numa chave fusível já
existente em campo, no lugar do cartucho, conforme Fig. 14. Isso torna a instalação e a
substituição dos TS mais rápidas.

Fig. 14 – TripSaver instalado em chave fusível.


Trabalho de Conclusão de Curso 38

Caso o circuito protegido pelo TS sofra uma falta permanente, após todas as tentativas
previamente definidas o dispositivo ficará suspenso na extremidade inferior da chave,
semelhante ao cartucho convencional, indicando que a jusante daquele ponto há uma defeito a
ser verificado.
As principais características elétricas do TS estão na Tab. 2 abaixo:

Tab. 2 – Principais características elétricas do TripSaver.

O TS possui todas as curvas disponíveis de um RA convencional, sendo possível


também simular curvas de elos fusíveis, possibilitando uma gama razoável de ajustes. Uma
tela de LCD na parte inferior do equipamento exibe informações a respeito do circuito e do
dispositivo, quando ativada pela alavanca de modo de ciclagem, a qual também serve para
bloquear religamentos quando há serviços de linha viva em sua zona de proteção.
Uma desvantagem apresentada é a necessidade da retirada do equipamento de
operação a fim de se extrair os registros de eventos, assim como inserção de novos ajustes,
porquanto o TS só permite que seus dados sejam manipulados quando alimentado em baixa
tensão, conforme Fig. 15.

Fig. 15 – TripSaver instalado em chave fusível.


Trabalho de Conclusão de Curso 39

6 ALIMENTADOR PILOTO

6.1 Escolha do Alimentador Piloto

O trabalho de seleção dos circuitos de distribuição localizados na área de concessão da


COCEL foi realizado de forma a se antever em qual dos circuitos previamente selecionados se
obteria o melhor benefício nas aplicações da metodologia para otimização de indicadores de
continuidade empregando religadores monofásicos de distribuição. Deste modo, efetuou-se
uma pesquisa no sistema de gerenciamento de rede de distribuição da Companhia, buscando
identificar os alimentadores que pudessem servir de substrato para os estudos, como circuitos
candidatos ao circuito piloto. Assim, as seguintes características as quais se mostraram
primordiais para esta seleção foram:

 Possuir elevados indicadores de continuidade (DEC e FEC) – tal critério foi precípuo,
visto que a melhoria nestes índices é o foco do projeto, com o qual se pretende ao final
obter resultados de redução significativa de DEC/FEC, adequando-os aos limites;

 Energia não distribuída – as interrupções no fornecimento, a quais contribuem para o


aumento do DEC e FEC, também trazem prejuízos financeiros à COCEL, pois a
empresa deixa de distribuir energia e aumentar seu lucro;

 Nível de curto circuito – É desejável que o circuito piloto tenha um determinado nível
de curto circuito médio, pois os equipamentos de religamento monofásico possuem
níveis mínimos de corrente de pick-up. Ademais, como estes equipamentos deverão se
coordenar com outros dispositivos de proteção, tais valores de correntes são
necessários para se conseguir estabelecer os tempos totais de atuação da proteção;

 Número de consumidores – a quantidade de clientes é importante, porque se pretende


com a metodologia contribuir para que a menor quantidade possível de consumidores
seja submetida aos eventuais impactos de uma falta permanente e do processo de
religamento que se pretende estabelecer em pontos críticos do circuito.
Trabalho de Conclusão de Curso 40

 Facilidade de acesso e manutenção – como último quesito para a escolha do


alimentador piloto, a facilidade de acesso, especialmente para instalação de
equipamentos de proteção e monitoração também foi considerada, uma vez que serão
necessárias diversas visitas aos pontos onde serão instalados os religadores
monofásicos e realizadas as medições de qualidade de energia.

Desta maneira, utilizando-se os critérios norteadores acima, sobretudo o desempenho


dos índices de continuidade DEC e FEC, três alimentadores em 13,8 kV foram pré-
selecionados: Ferraria, Cidade 1 e Três Córregos.
O alimentador Ferraria trata-se de um circuito com característica mista, ou seja, parte
urbano e parte rural. É abastecido pela subestação Distrito Industrial de Campo Largo - DCL,
através de um barramento de 13,8 kV e 41 MVA. Em 2012, época da avaliação e seleção do
alimentador piloto, possuía uma demanda máxima de 3 MVA na ponta (período 2, das
18h00min até 21h00min) e corrente de curto circuito mínima de 142,3 A. Considerando esta
informação, não haveria problemas de pick-up para correntes de curto circuito mínimo ao
longo do alimentador.
A Tab. 3 traz os índices de qualidade do alimentador Ferraria.

Tab. 3 – Índices DEC e FEC do circuito Ferraria.


Diferentemente do circuito Ferraria, o alimentador Cidade 1 é em sua maioria urbano.
Seu fornecimento de energia provém da Subestação Campo Largo, onde ocorre a mesma
configuração da SE DCL, com um barramento de 41 MVA, em 13,8 kV.
Trabalho de Conclusão de Curso 41

A demanda máxima do circuito na época da avaliação estava em 3,6 MVA na ponta


(período 2). Além disso, a corrente de curto circuito mínima observada pelos estudos de
curto-circuito foi de 144 A. Assim, da mesma forma que o circuito Ferraria, não haveria
qualquer problema de corrente mínima de curto circuito para atuação do TripSaver.
No que diz respeito aos índices de continuidade, a Tab. 4 traz os valores de DEC e
FEC da maior parte do ano de 2012.

Tab. 4 – Índices DEC e FEC do circuito Cidade 1.


O Alimentador Três Córregos, por sua vez, é o alimentador mais extenso da COCEL,
com características majoritariamente rurais. Também é alimentado pela subestação DCL
através de um barramento de 13,8 kV, 41 MVA e possui mais de 600 km.
Importa salientar que o Três Córregos possuía uma demanda total de
aproximadamente 1,3 MVA na ponta (período 2) e corrente de curto circuito mínima de 44 A,
a qual também está acima da corrente mínima de atuação dos religadores monofásicos.
Apresenta os piores índices de continuidade dentre os circuitos pré-selecionados,
conforme Tab. 5, inclusive os piores indicadores dentre todos os alimentadores da
Companhia.
Trabalho de Conclusão de Curso 42

Tab. 5 – Índices DEC e FEC do circuito Três Córregos.


Neste sentido, o circuito Três Córregos foi, e ainda é, aquele que disparadamente
apresenta a melhor oportunidade de melhoria, por se tratar de um circuito rural com grande
parte de sua rede cruzando regiões com muitas árvores e com acesso dificultado pela
topografia.
O retorno financeiro, quando considerada a energia não distribuída, era o menor dentre
os três alimentadores apresentados em 2012, porém atualmente, devido à instalação de
algumas indústrias, sua demanda máxima está acima de 4 MVA, o que se mostra mais uma
justificativa favorável à escolha feita na época.
Portanto, mesmo que em alguns critérios outros alimentadores se sobressaíssem, o
desempenho deste circuito o faria merecer ser selecionado, já que o objetivo do projeto de
P&D é a melhora dos índices de continuidade.
Para confirmar a escolha do alimentador Três Córregos, foi realizada uma visita a
diversos pontos ao longo do circuito, a fim de se verificar possíveis dificuldades logísticas
para instalação e monitoramento daquela rede. A maior preocupação foi obter informação dos
possíveis locais em que os TripSaver seriam instalados.
Notou-se que todos os postes de derivação e proteção instalados ficaram próximos às
estradas rurais que singram a região atendida, assim, após as razões expostas, decidiu-se que
tal circuito seria o alimentador piloto do projeto de P&D “Metodologia para Otimização dos
Indicadores de Continuidade empregando Religadores Monofásicos de Distribuição”.
Trabalho de Conclusão de Curso 43

6.2 Alimentador Três Córregos

Para efeitos de cálculo de DEC e FEC a COCEL detém dois grandes conjuntos de
consumidores, os quais são referentes às duas Subestações de Distribuição que abastecem o
município de Campo Largo e as três medições de fronteira anteriormente citadas com a
distribuidora acessada Copel.
No conjunto Distrito Industrial de Campo Largo está o alimentador piloto Três
Córregos, escolhido para testar a Metodologia de Alocação Ótima e posterior instalação dos
religadores monofásicos TripSaver.
O Alimentador Três Córregos possui um comprimento total de 657 km, considerando
o tronco e as derivações, com uma quantidade significativa de rede cortando propriedades
privadas. É formado, em muitos trechos, por vãos longos sobre regiões densamente
arborizadas, devido características geográficas da região. Alguns dos vãos extensos foram
construídos sobre grotas há mais de três décadas, pois, como não existiam índices de
qualidade na época, compunham-se as redes de maneira econômica e/ou funcional.
Em algumas destas propriedades privadas os donos modificaram sua cultura nos
últimos anos, plantando cedro, ou eucalipto, ao invés de vegetação de alturas medianas como
outrora. Tal vegetação, por muitas vezes, se desenvolve rapidamente abaixo das linhas de
distribuição ou próximo a elas, prejudicando-as em relativo pouco tempo. Em dias de vento
forte ou durante tempestades, esta condição é a principal geradora de desligamentos,
temporários ou permanentes, e que pelas características rurais e dificuldades de acesso,
demoram a ser sanados.
A Fig. 16 mostra a Área de Concessão de Distribuição de Energia da Cocel e seus
alimentadores, evidenciando a proporção do Al. Três Córregos em vermelho.
Trabalho de Conclusão de Curso 44

Fig. 16 – Área de concessão COCEL com os respectivos alimentadores, denotando a


proporção do Alimentador Três Córregos em vermelho.
Trabalho de Conclusão de Curso 45

Para atendimentos a ocorrências mais distantes do início do alimentador, em regiões


bem menos urbanizadas, é disponibilizada uma empreiteira exclusiva (formada por duas
equipes) para prestar os atendimentos. Como anteriormente mencionado, a maior parte do
alimentador adentra consideravelmente no interior do município, o que torna o acesso árduo
em dias chuvosos. A área de abrangência do trabalho das referidas equipes tem mais de
600,00 km2. A Fig. 17 ajuda a compreender a proporção da região atendida.

Fig. 17 – Região assistida pela empreiteira, acima da linha escura.

Por conseguinte, diante do demonstrado, instalar equipamentos que atenuem a


amplitude e o impacto dos desligamentos num alimentador com as características do Três
Córregos mostra-se racional e seguramente será uma das ocasiões nas quais os resultados
positivos mais se mostrarão profícuos.
Trabalho de Conclusão de Curso 46

7 METODOLOGIA DE ALOCAÇÃO ÓTIMA

A metodologia proposta tem como base o trabalho desenvolvido em Romero et al.


(2012) sobre a alocação de chaves para transferência automática de cargas entre subestações
de distribuição de energia elétrica, sendo fundamentada num algoritmo de “Reactive Tabu
Search (RTS)”, o qual tem sido utilizado com êxito para otimização de análise onde se
pretende reduzir custos de um determinado problema.

7.1 Método

A metodologia para alocação otimizada de religadores monofásicos com a finalidade


de redução de indicadores de continuidade (DEC e FEC) em sistemas de distribuição com
topologia radial propõe a instalação de um número fixo de chaves em pontos do sistema de
energia onde a função objetivo seja a melhor possível. Sendo assim, o problema é formulado
como um modelo de programação não linear inteiro, misto, restrito e sujeito a um conjunto de
limitações de natureza física e econômica. Para solução deste modelo é utilizado um
algoritmo de Busca Tabu Reativa - BTR (do inglês Reactive Tabu Search – RTS).
Os algoritmos BTR pertencem ao âmbito dos métodos de pesquisa descritos por
Glover [2]. Uma busca Tabu otimiza uma determinada função de custo f, usando um
componente interativo "ganancioso" (busca local modificada) para polarizar a procura em
direção aos pontos de valores onde f seja mais baixo possível, enquanto emprega estratégias
de proibição para evitar a ocorrência de ciclos.
O BTR pode ser aplicado a praticamente qualquer problema de otimização, onde
otimizar significa minimizar ou maximizar a função, com a seguinte nomenclatura:
Otimizar f(x)

Sujeito a

x∈X

A função f(x) pode ser linear, não linear, ou mesmo estocástica, e o conjunto X resume
restrições sobre o vetor de decisão das variáveis x. As restrições podem incluir desigualdades
Trabalho de Conclusão de Curso 47

lineares, não lineares ou as estocásticas, e pode obrigar todos ou alguns componentes de x a


receber valores discretos.
A BTR tornou-se ao longo tempo um método popular para elaborar procedimentos de
solução de problemas de otimização combinatória difíceis. Sucessos generalizados em
aplicações práticas de otimização estimularam uma disseminação rápida da técnica como um
meio de identificar soluções de altíssima qualidade com eficiência. Métodos BTR também
têm sido aplicados para criar procedimentos híbridos com outros métodos heurísticos e
algorítmicos, fornecendo soluções de melhoria para problemas de programação,
sequenciamento, alocação de recursos, planejamento de investimentos e telecomunicações.

7.2 Modelo Matemático

Tal como o padrão proposto por Romero et al. (2012), o modelo matemático
modificado e utilizado neste trabalho foi desenvolvido a partir da topologia do sistema de
distribuição de média tensão, e busca maximizar a quantidade de cargas que não deve ser
desligada sob faltas permanentes, com a alocação otimizada de religadores nos pontos dos
sitema de distribuição onde já se encontram instaladas chaves fusíveis. A filosofia de
maximizar as cargas as quais não devem ser desligadas permite estabelecer um fator de
qualidade do local da instalação, e reflete como a alocação dos religadores monofásicos pode
melhorar o circuito candidato ao recebimento de um equipamento, aumentando a
confiabilidade do sistema.

A opção por alocar religadores prioritariamente em pontos onde o desligamento


evitado é máximo, parte da premissa que no local onde foram indicados os religadores
monofásicos a degradação dos índices de continuidade decorrente de desligamentos de sua
fonte primária será fortemente amortecida. Isto ocorre porque ao se instalar os equipamentos,
o tempo de permanência da falta será o mínimo possível para os consumidores a jusante dela,
devido à característica de atuação dos dispositivos de religamento.

Igualmente, de modo a aplicar a metodologia apresentada em Romero et al. (2012) à


proposta de alocação ótima dos dispositivos, algumas adaptações foram necessárias. A função
objetivo passou a ser definida conforme a equação (8).
Trabalho de Conclusão de Curso 48

𝐶ℎ
𝑀𝑎𝑥 𝑤 = ∑𝑖=1[𝑞(𝑖) ∙ 𝐿(𝑖) ∙ 𝑘𝑖 ] ∙ 𝑡 (9)

Onde:
w: função objetivo a ser maximizada;
Ch: número de chaves candidatas;
q(i): fator de priorização da chave candidata;
L(i): carga a jusante da chave candidata i;
ki: fator de ponderação do impacto das chaves a jusante da chave candidata i;
t: horizontal de planejamento de um ano.

O fator de priorização da chave candidata q(i) é resultado da multiplicação dos valores


de DEC e FEC da chave i, e visa atribuir maior peso às chaves que apresentam os maiores
índices de interrupção, conforme mostrado pela equação (9).

𝑞(𝑖) = 𝐷𝐸𝐶(𝑖) ∙ 𝐹𝐸𝐶(𝑖) (10)

Por sua vez, o coeficiente de ponderação do impacto das chaves a jusante ki atribui
maior peso às chaves que possuem um número maior de consumidores protegidos por ela,
uma vez que aumentam os índices de interrupção em caso de atuação. A equação (10)
apresenta a forma como este fator é determinado.

𝐶ℎ 𝑐𝑑(𝑗)
𝑘𝑖 = ∑𝑗=1𝑑 𝑐(𝑖)+𝑐𝑑(𝑗) (10)

Onde:
Chd: número de chaves a jusante da chave i;
c(i): número de consumidores a jusante da chave i;
cd(j): número de consumidores da chave j, a jusante da chave i.

A solução deste modelo matemático através de técnicas de otimização clássica seria


extremamente difícil por considerar as restrições como índices de continuidade e frequência
de interrupção e capilaridade (muitas derivações) do sistema de distribuição. Para contornar
Trabalho de Conclusão de Curso 49

estas dificuldades propõe-se a solução do problema através da metaheurística Busca Tabu


Reativa (BTR) descrita anteriormente.

7.3 Aplicação ao Alimentador Três Córregos

Com o intuito de avaliar a metodologia apresentada, algumas chaves do alimentador


Três Córregos nas quais foi possível o cálculo dos indicadores DEC e FEC foram
selecionadas para a realização do primeiro teste. As chaves selecionadas se encontram
representadas na Fig.18 e compõem um trecho do referido alimentador.

Fig. 18 – Segmento selecionado do alimentador Três Córregos.


Neste cenário inicial foram selecionadas oito chaves do alimentador Três Córregos,
cujos valores de DEC, FEC, número de chaves e carga a jusante encontram-se resumidos na
Tab. 6.
Trabalho de Conclusão de Curso 50

Tab. 6 – Valores referentes às chaves potenciais.

O algoritmo desenvolvido faz um ranqueamento das chaves que apresentam os


maiores valores de w. Com isso, ao invés de determinar qual a combinação fornece o maior
valor da função objetivo, o resultado apresenta quais chaves devem receber religadores. A
Tab. 7 apresenta a resultado obtido.

Tab. 7 – Resultado para o caso teste.

Observa-se que o algoritmo determina que as chaves 2233, 2242 e 2241 devem
receber religadores. Tal resultado era esperado uma vez que estes dispositivos têm outras
chaves a jusante.
É possível também perceber que a chave 2233 apresentou maior valor de w mesmo
apresentando DEC e FEC menores do que os valores da chave 2242, que aparece em segundo.
Isso se deve ao fato da chave 2233 apresentar um número maior de chaves a jusante e maior
carga.
Os demais dispositivos apresentaram valores zerados para a variável w porque não
possuem chaves a jusante. Isso era esperado, já que a alocação de religadores nestas pouco
impactaria na melhoria dos indicadores de continuidade do alimentador como um todo. Desta
forma, para este segmento reduzido, apenas três religadores devem ser alocados, nas chaves
2233, 2242 e 2241.
Isto posto, o programa foi executado para todo o alimentador Três Córregos,
considerando o universo de todas as chaves. O resultado encontra-se na Tab. 8.
Trabalho de Conclusão de Curso 51

Tab. 8 – Resultado para o alimentador completo.


Das 106 chaves testadas, apenas 33 apresentaram valores de w diferentes de zero,
conforme a Tab. 8. Por conseguinte, estas são as chaves as quais deveriam receber os
religadores.
Trabalho de Conclusão de Curso 52

8 RANQUEAMENTO DEFINITIVO E
INSTALAÇÕES INICIAIS

8.1 Ranqueamento definitivo e Instalação dos TripSaver

O ranqueamento preliminar apresentado no capítulo anterior considerou como entrada


de dados o cálculo do DEC e FEC proveniente de todo o tipo de ocorrência classificada no
sistema da COCEL, como desligamentos emergenciais, desligamentos programados, outros
(emergencial e não-emergencial), interrupções por curtos circuitos na rede (defeitos
temporários e permanentes) e rompimento de cabos.
É inequívoco que para hierarquizar corretamente as chaves que receberão os
religadores monofásicos é necessário filtrar as ocorrências pela causa geradora do
desligamento, deixando apenas as faltas de energia por curtos circuitos temporários e
permanentes, já que o TS é destinado a melhorar índices de continuidade referentes a este tipo
de defeitos.
Logo, o algoritmo da metodologia foi executado novamente aplicando os filtros
citados, e o resultado se encontra abaixo, na Tab. 9.

Tab. 9 – Ranqueamento definitivo. As chaves em verde foram escolhidas para receber o


religador monofásico, totalizando 15 equipamentos.
Trabalho de Conclusão de Curso 53

Embora as modificações sejam pequenas em relação ao rankeamento inicial, é possível


afirmar que o resultado da Tab. 9 foi considerado apenas em relação aos defeitos contra os
quais os religadores monofásicos podem contribuir. Além disso, no ranqueamento definitivo
foram utilizados índices de continuidade de um maior período, de 01/01/2013 a 01/07/2015.
Como citado anteriormente, este projeto dispõe de 15 (quinze) religadores
monofásicos para instalação. Em vista da quantidade fixa e limitada de equipamentos, foi
necessário fazer algumas considerações para se ter a melhor seleção dos pontos de aplicação.
Evitou-se colocar equipamentos em série, pois entendeu-se que, dado o número reduzido de
TS, haveria redundância desnecessária da proteção. Também não foram escolhidas chaves
trifásicas que protegessem grandes indústrias, pois o religamento das fases é independente e
isso poderia danificar grandes motores trifásicos. Esse, felizmente, foi somente o caso da
chave 2247 a qual protege o ramal da Empresa Ouro Fino.

Após tais considerações, na Tab. 9 em verde estão as chaves as quais foram


definitivamente selecionadas para receber os TS, e os pontos cujos cartuchos já foram
substituídos pelo religador monofásico são 2252, 2289, 2298 e 2081, totalizando 10 (dez)
equipamentos, restando ainda para ser instalados 5 religadores monofásicos.

Um detalhe importante a se ponderar é o fato da S&C, fornecedora dos TS, somente


assegurar as características e a garantia do religador monofásico se ele for instalado em
chaves fusíveis da própria empresa de Chicago, ou da empresa MacLean Power Systems.
Logo, algumas chaves precisaram ser substituídas, tal como algumas estruturas de distribuição
necessitaram de maior robustez (como cruzeta dupla e troca de postes), dado o impacto
superior nas manobras devido à maior massa do religador monofásico em relação ao cartucho
convencional.

8.2 Instalações Preliminares

Abaixo pode-se visualizar como ficou a instalação dos TS na chave 2081, conforme
Fig. 18.
Trabalho de Conclusão de Curso 54

Fig. 18 – Instalação dos TS na chave 2081, sexta no ranqueamento.


Após o término de algumas obras de reforço, outros religadores monofásicos foram
instalados, conforme Fig. 19.
Trabalho de Conclusão de Curso 55

Fig. 19 – Instalação dos TS na chave 2289, quarta no ranqueamento.


Trabalho de Conclusão de Curso 56

O conjunto de dados que serão utilizados para comparação entre os indicadores de


continuidade dos meses do ano 2016 contra os mesmos meses de 2015 referem-se aos índices
de DEC e FEC realizados por chave (ou instalação seccionadora), isto é, quanto menos a
chave interromper o circuito por defeitos em sua zona de proteção, menor serão os seus
índices de continuidade e melhor o desempenho daquele trecho. Se a chave nunca abriu no
período considerado, seus índices serão zero.

O software especialista NIX, da empresa PROTEASY INFORMÁTICA E


ENGENHARIA LTDA, foi utilizado para os estudos de proteção da distribuição deste estudo
de caso. A Fig. 20 exibe o alimentador três córregos e as proteções em série.

Fig. 17 – Alimentador três córregos e as proteções em série. A curva em amarelo é


o ajuste inserido no TripSaver da chave 2289. As curvas em rosa e em azul são os ajustes dos religadores
automáticos de trecho e o RA da SE DCL, respectivamente.

Devido à grande extensão do alimentador Três córregos e os vários equipamentos de


proteção, em alguns casos não foi possível garantir a seletividade entre todos os dispositivos
em série para todos os valores de falta entre as correntes de curto circuito máximas e mínimas.
Trabalho de Conclusão de Curso 57

9 CONCLUSÃO

Percebe-se que a Agência Nacional de Energia Elétrica está disposta a obrigar as


empresas de distribuição de energia, as quais não se encontram no Norte e Nordeste do Brasil,
a melhorar rapidamente seus indicadores de continuidade, sob pena de sanções e extinção da
concessão, fato que faz as companhias reconsiderarem sua estratégia de investimento, gestão
de recursos e temas de projetos de pesquisa e desenvolvimento.

É interessante notar que resultados positivos de intervenções como a descrita por este
documento demoram a aparecer, assim como qualquer obra que se destine a melhorar índices
de continuidade. Inicialmente, em verdade, se os trabalhos não forem feitos com equipes de
linha viva, haverá um aumento dos indicadores.

O propósito do projeto de P&D descrito é aumentar o desempenho total do


alimentador Três Córregos, e por consequência do conjunto Distrito Industrial de Campo
Largo, portanto para validar a eficácia da proposta mostra-se imprescindível um tempo
mínimo de avaliação, em torno de seis meses. Também configura-se imperativo que o tempo
Trabalho de Conclusão de Curso 58

de observação contemple o período úmido, quando temporais são mais frequentes, para pôr à
prova a metodologia criada, o estudo de proteção realizado e a precisão e qualidade dos
equipamentos adquiridos.

Mostraram-se de uma dificuldade não desprezível os estudos de proteção considerando


os 650 km do alimentador Três Córregos, pois muitas proteções restaram em série, não sendo
possível assegurar a seletividade para todas as faixas de curto circuito. Outro complicador foi
o fato do Tripsaver ser um equipamento de proteção monofásico, o que obrigou a usar o
mesmo valor de corrente de pick-up tanto para faltas envolvendo o neutro como para aquelas
envolvendo somente as fases, limitando as possibilidades de ajustes do estudo de proteção.

Duas questões a se considerar na aplicação de equipamentos novos no cotidiano de


uma companhia de distribuição, especialmente aqueles utilizados em proteção e diretamente
relacionados aos índices de qualidade do serviço, são:

- O cuidado para que sejam materiais e equipamentos de relativa facilidade de


substituição e aquisição, os quais sejam fabricados em território nacional, por exemplo, visto
que os TripSaver demoraram mais de um ano para serem fabricados e chegarem ao Brasil,
atrasando o projeto de P&D da Companhia.

- Oferecer treinamento adequado aos eletricistas e controladores de serviço, pois


diante de uma situação de contingência, se as equipes de campo não detiverem o
conhecimento específico para operar e manipular um equipamento mais avançado como o
TripsSaver, soluções intempestivas e não ótimas acabam sendo implementadas, podendo
comprometer a proteção dos circuitos e ativos da empresa e o adequado fornecimento de
energia elétrica.

Um fato que também atrasou a instalação dos TripSaver nos pontos escolhidos foi a
necessidade de substituição de certas chaves e algumas intervenções nas estruturas de
distribuição para deixá-las mais robustas. A substituição das chaves foi recomendação da
S&C, fabricante dos TS. Portanto, a aquisição de equipamentos novos para instalação nas
redes de distribuição deve ser analisada com zelo, para se optar por equipamentos mais
flexíveis em relação à implementação e substituição.
Trabalho de Conclusão de Curso 59

10 Referências
ANEEL. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Procedimentos de distribuição
de energia elétrica no sistema elétrico nacional – PRODIST – Módulo 8 – Qualidade da
energia elétrica. Aneel, 2015.
Trabalho de Conclusão de Curso 60

ANEEL. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Procedimentos de Regulação


Tarifária – PRORET – Módulo 2.5 – O Fator X, 2015.

ROMERO, M. E. V.; WESZ DA SILVA, L. G.; MANTOVANI, J. R. S. Alocação de


Chaves para Transferência Automática de Cargas entre Subestações de Distribuição
de Energia Elétrica. Seminário Brasileiro de Sistemas Elétricos - SBSE. Anais... p.1–
6, 2012.

Glover, F (1995). Tabu search fundamentals and uses. Boulder:


University of Colorado.

IEEE Std 1366-2003: IEEE Guide for Electric Power Distribution Reliability Indices.

Resolução ANEEL nº 024, de 27 de janeiro de 2000;

Lei nº 9.427 de 26 de Dezembro de 1996.


Mamede Equipamentos Elétricos
Apostila do França
Trabalho de Conclusão de Curso 61

(*)TERMOS DE CONFIABILIDADE,
COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE

Será garantido ao aluno o direito de omitir ou criar nome fictício para a(s) empresa(s)
referenciadas na elaboração do TCC, visando resguardar sua(s) identidade(s), na
eventualidade do trabalho vir a ser publicado virtualmente ou em livro, ou mesmo usado
como referência bibliográfica por outro autor. Os nºs poderão ser disfarçados visando proteger
dados confidenciais da empresa.

Neste caso, o coordenador acadêmico e o professor orientador deverão ter acesso aos
nomes e números reais utilizados como base de dados para elaboração do trabalho,
autorizando a omissão ou substituição do nome real e comprometendo-se com a guarda de
sigilo sobre a identidade da(s) empresa(s).

No caso do TCC ser elaborado a partir de caso verídico, se houver interesse na


divulgação do nome da empresa associada ao TCC, deverá haver autorização expressa da
mesma para a divulgação, conforme MODELO DE DECLARAÇÃO – páginas 6 ou 7,
conforme o caso. O aluno autor do TCC, em qualquer dos formatos definidos no artigo 25 do
Regulamento dos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu FGV Management, deverá assinar
termo de autenticidade de autoria e originalidade do trabalho realizado, conforme MODELO
DE TERMO DE COMPROMISSO - – página 8.