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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS DA BAHIA

BACHALERADO EM DIREITO

DANIEL DA COSTA

ELIAS CRUZ

MORAL

ALAGOINHAS-BA

2019
DANIEL DA COSTA

ELIAS CRUZ

MORAL

Atividade escrita apresentada à


disciplina Filosofia do Direito da
Faculdade de Tecnologia e Ciências da
Bahia como requisito parcial de nota do
curso Bacharel em Direito.

ALAGOINHAS-BA

2019
1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo expor o conceito de


moral. A moral é um conjunto de regras que servem para conferir uma conduta
à vida (NEGRI, 2003). Seu contexto histórico se inicia com o desenvolvimento
das ideias morais na Grécia Antiga. A evolução do conceito de moral percorre
toda a história da humanidade.

Durante a Idade Média, a visão teocêntrica do mundo fez com


que os valores religiosos impregnassem as concepções éticas, de modo que os
critérios de bem e de mal se achavam vinculados à fé e dependiam da
esperança de vida após a morte.

No trabalho, aborda-se algumas de muitas relações que a moral


estabelece com outras áreas do pensamento humano, tais como: a ética e a
filosofia do direito, a moral e a justiça, a moral e a cultura entre outros.

O trabalho foi produzido a partir de uma pesquisa bibliográfica,


como método de aquisição de conhecimento. Faz-se uma breve
contextualização histórica do tema e em seguida, uma análise comparativa
entre moral e direito.

Parte-se da premissa de que vivemos uma crise moral instalada


nos vários setores da sociedade pós-moderna e busca-se identificar o conceito
de ética na contemporaneidade.

Desse modo, pretende-se contribuir para a reflexão sobre o


tema, fazendo uma releitura dos conceitos clássicos e modernos, sob o olhar
da modernidade e suas características.
2. CONTEXTO HISTÓRICO

A moral teve início propriamente com as teorias clássicas na


Antiga Grécia. Precisamente nos séculos V e IV a.C. Surgem teorias sofísticas,
socráticas e aristotélicas, relacionadas com a necessidade da busca por
compreender as virtudes e os vícios que podem ser cultivados pelo ser humano
(COMPARATO, 2006. P. 91).

As teorias sofisticas defendiam o relativismo de todos os


valores. Alguns sofistas, como Cálicles ou Trasimaco, afirmam que o valor
supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. O máximo prazer
pressupunha o domínio do poder político. Ora este só estava ao alcance dos
mais fortes, corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou
inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos mais fortes
(COMPARATO, 2006. P. 102).

As teorias socráticas falavam sobre o caráter eterno de certos


valores como o Bem, Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir
a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser
obtido através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a
obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O homem sábio
só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos ignorantes
(COMPARATO, 2006. P. 49).

As teorias aristotélicas defendiam o valor supremo da felicidade.


A finalidade de todo o homem é ser feliz. Para que isto aconteça é necessário
que cada um siga a sua própria natureza, evite os excessos, seguindo sempre
a via do "meio termo" (Justa Medida). Ninguém consegue, todavia, ser feliz
sozinho. Aristóteles, à semelhança de Platão coloca a questão da necessidade
de reorganizar a sociedade de modo a proporcionar que cada um dos seus
membros possa ser feliz na sua respectiva condição. Ética e política acabam
sempre por estar unidas (REALE, ANTISERI, 1990. Pág. 174).

Durante a Idade Média, a visão teocêntrica do mundo fez com


que os valores religiosos impregnassem as concepções éticas, de modo que
os critérios de bem e de mal se achavam vinculados à fé e dependiam da
esperança de vida após a morte (COMPARATO, 2006. P. 124).
No entanto, a partir da Idade Moderna, culminando no
movimento do Iluminismo, no século, XVIII, a moral se torna laica, ou seja, ser
moral e ser religioso não são pólos inseparáveis, sendo possível um homem
ateu ser moral, afinal, o fundamento dos valores não está em Deus, mas no
próprio homem (COMPARATO, 2006. P. 156).

Ainda no século XIX, Nietzsche faz a análise histórica da


moral, critica Sócrates por ter encaminhado pela primeira vez a reflexão moral
em direção ao controle racional das paixões, pois, segundo Nietzsche, “nasce
aí o homem desconfiado de seus instintos”, e denuncia a incompatibilidade
entre a moral e a vida, afinal, para ele, o homem sob o domínio da moral se
enfraquece, tornando-se doentio e culpado (KRIEGER, 2018).

A moral surge com a passagem da forma natural de vida para o


convívio social, que implica um distanciamento da natureza e o seu domínio
mediante o trabalho social. Isso significa que a relação dos homens entre si
com a relação que eles estabelecem com a natureza, de que continuam
fazendo parte (VÁZQUEZ, 2017).
3. CONCEITO

Negri (2003), preleciona que, a moral é um conjunto de regras


que servem para conferir uma conduta à vida. Em sentido amplo, a moral é um
conjunto de valores e de regras de ação propostas aos indivíduos por
intermédio de estruturas prescritivas (família, instituições educativas, igrejas,
partidos, etc.).
Definindo a moral como sendo o conjunto de normas que
regulam as relações dos indivíduos entre si e destes com a sociedade, o autor
conclui que a função da moral é, principalmente, a de harmonizar os interesses
de cada indivíduo com os da sociedade (NEGRI, 2003).
Segundo Nader (2017), a moral em sua composição, além de
reunir normas jurídicas e fatos sócias, integra-se de valores, que são juízos
estimativos emitidos pelo legislador na tentativa de produzir o direito justo,
direito que corresponda aos princípios do direito natural.
Para o positivismo radical o direito independe da moral e o juiz
ao aplicar as normas jurídicas nos casos concretos, não haverá uma
observância aos princípios morais (NADER, 2017).
Já no inicio da era moderna, Immanuel Kant, filósofo inglês,
conceituava a moral como a doutrina que nos ensina como devemos nos tornar
dignos da felicidade. Para ele, a ação humana deveria ser orientada pela
moral, de modo que ela pudesse ser transformada em princípio universal
(Kant, Crítica da Razão Pura, 1981).
Nietzsche, por sua vez, conceitua a moral em seu livro
Genealogia da Moral, como sendo aquilo que é útil às ações altruístas que
foram louvadas e reputadas boas por aqueles a quem eram úteis (KRIEGER,
2018).
4. A MORAL E O MULTIPLURALISMO

Iremos abordar algumas, de muitas, relações que a moral


proporciona com seus estudos, tais como: a ética e a filosofia do direito.

4.1. A MORAL E A ÉTICA

Segundo Vásquez (2017), tanto ethos como mos indicam um


tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem
não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é “adquirido ou
conquistado por hábito”.
Apesar de serem etimologicamente semelhantes no seu
conceito, a moral e a ética são distintas, a moral um caráter prático imediato e
restrito, visto que corresponde a um conjunto de normas que regem a vida do
indivíduo e, consequentemente, da sociedade, apontando o que é bom e o
que é mau, influenciando os juízos de valores e as opiniões. Contrariamente,
a ética diz respeito à maneira pela qual cada um constrói a si mesmo como
sujeito moral, a fim de analisar os princípios, as causas, mas, também as
consequências das ações dos indivíduos para a sociedade. (KORTE, 1999)

4.2. A MORAL E A FILOSOFIA DO DIREITO

Podemos perceber que o envolvimento entre a filosofia do


direito e a moral são intensos. “O direito, como produto cultural que é, realiza
valores; é engenho humano que visa à consagração da justiça, e esta se acha
enlaçada com a moral.” (NADER, 2017)

A filosofia do direito, ao avaliar o direito positivo, o faz


considerando a moral como um de seus pontos de referência, tanto a moral
natural, que expressa a noção pura de bem derivada da natureza das coisa,
quanto a moral positiva, que é aquela consagrada historicamente por
determinada sociedade. (NADER, 2017)
5. CONTEMPORANEIDADE

A moral contemporânea é muito influenciada pelos pensadores


do século XIX. Apesar disso, Kant e Hegel despontam como preceptores de
uma moral que buscou uma transformação no mundo social, principalmente
após a revolução Francesa (VÁZQUEZ, 2017).

A contemporaneidade é buscou revelar na lógica capitalista ou


burguesa uma irracionalidade implícita nos modos de agir daquela época. Os
iluministas do século XVIII buscaram provar que a ética cristã estava eivada de
contradição. Assim, conceberam uma ética racionalista (VÁZQUEZ, 2017).

Como afirmava Kant (1994), que mesmo na presença de ações


justas e ou generosas, a rigor nunca sabemos se a pessoa age segundo o
dever ou por dever (sendo que apenas a ação realizada por dever merece o
nome de moral).

Para Zygmunt Bauman O homem contemporâneo não é mais


ligado aos valores tradicionais, por tanto, vivemos numa crise moral
(Modernidade liquida - 2000).

“A vida liquida é uma sucessão de reinícios, e precisamente


por isso é que os finais rápidos e indolores (...) tendem a ser os
momentos mais desafiadores e as dores de cabeça mais
inquietantes”.
Para Bauman, a modernidade busca se adequar aos ditames
sociais, se permitindo certas escolhas a fim de ser aceito pelo grupo social a
que quer pertencer, mesmo abrindo mão da própria identidade. A modernidade
é assim, um momento da história em que os valores clássicos ou tradicionais
são deixados de lado.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora a moral seja fundamental para a pacificação social e a


vida em harmonia, conclui-se que a evolução da humanidade não é prova de
que o homem evolui em questões morais.

Hoje em dia, muitas pessoas sofre com a indiferença, as


desigualdades, a exploração em todas as suas formas. Depois de tantos
sáculos de reflexões sobre a ética e a moral, o homem ainda não aprendeu a
agir de modo que suas ações não afetem negativamente o outro.

Pode-se citar o exemplo da Venezuela em que de todos os


lados os mais pobres vem sofrendo tanto com a violência generalizada quanto
com a falta de recursos básicos à sobrevivência. Eis a razão pela qual se pode
afirmar que a moral está em crise, já que há diversas situações em que a
insensibilidade ou a burocracia estatal impedem a consolidação da harmonia e
da paz social.

Vivemos uma era em que muitos políticos e empresários estão


sendo presos por corrupção, o que demonstra que a imoralidade já está
impregnada desde os altos escalões da vida pública do país. É mais um
argumento para comprovar a crise moral pela qual estamos passando.

Sair dessa crise não será fácil, mas o desafio que cabe a todos
os cidadãos é a reflexão constante sobre os valores que realmente precisamos
para formar uma sociedade mais justa.

Desse modo, espera-se que este trabalho contribua para a


ampliação do debate em torno de tema da moral.
7. REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 3. ed. Brasilia: Universidade de Brasília,


1992.

BAUMAN, Z. Modernidade Liquida. Rio de Janeiro: Zahar, P. 8. 2007.

COMPARATO, Fábio Konder. Direito, Moral e Religião no mundo moderno.


São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

HART, H. L. A.. Visita a Kelsen. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, [s.l.],
n. 64, p.153-177, abr. 2005.

KORTE, Gustavo. Iniciação à Ética. São Paulo: Juarez Oliveira, 1999.

KRIEGER, Saulo. Um olhar de Nietzsche ao século XVII: os subterrâneos


da revolução cartesiana. Cadernos Nietzsche, 2018.

NADER, Paulo. Filosofia do direito. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017.

NEGRI, Antonio. CINCO LIÇOES SOBRE IMPERIO. Rio de Janeiro: Dp&a,


2003.

REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. História da Filosofia, Volume 1 -


Antiguidade e Idade Média. São Paulo : Paulus, 1990.

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 37. ed. Rio de Janeiro: Civilização


Brasileira, 2017.