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Coerência, Correferenciação e Ensino

Cap 1

Texto e coerência: a perspectiva sociocognitiva

O texto pode ter qualquer extensão e possui uma unidade de sentido e uma intenção
Um texto pode gerar sentidos diversos, o que depende, entre outras coisas, da situação de
interlocução.
O contexto de produção é essencial para o reconhecimento do estatuto do texto e,
consequentemente, de sua coerência.
a existência de um texto está atrelada à possibilidade de se atribuir coerência a uma dada
ocorrência comunicativa (não exclusivamente linguística). A coerência surge da percepção
de uma unidade negociada de sentido que depende da intenção argumentativa do locutor,
da co-participação do interlocutor, das indicações marcadas na superfície do texto e de um
vasto conjunto de conhecimentos compartilhados
a análise do contexto de produção passa, obrigatoriamente, por um trabalho cognitivo
essencialmente colaborativo do interlocutor, que, por isso mesmo, deve ser entendido como
um coeunuciador.
Cotexto: superfície textual

Níveis de conhecimento:
linguístico
conhecimento de mundo
conhecimento interacional (expectativas que os
sujeitos têm sobre o desenrolar de cada interação.
A interação via texto como uma ação que demanda a ativação de conhecimentos
socialmente construídos.
Não há regras específicas e universais sobre a coerência que possam ser aplicadas
a todo e qualquer texto.

A Referenciação

Uma das formas de estabelecer a ligação entre as partes de um texto decorre da


retomada de elementos textuais por meio de expressões nominais (expressões referenciais)
Os mecanismos participantes da coesão referencial: a substituição (por retomada
lexical ou pronominal), a repetição e a elipse.
Cadeias coesivas: conjuntos de expressões nominais que contribuem para o
estabelecimento de um referente no texto.
Esse tipo de estudo procura investigar, principalmente, a maneira como a
informação sobre uma entidade pode ser estabelecida e processada, de modo a se
perceber como a continuidade textual é garantida.
Referenciação: proposta teórica que salienta o caráter altamente dinâmico do
processo de construção dos referentes em um texto. O dinamismo dessa proposta se
ancora em três princípios fundamentais: instabilidade do real, negociação dos interlocutores
e natureza sociocognitiva da referência.
O referente (ou objeto de discurso) é a representação na mente dos interlocutores
de uma entidade estabelecida no texto.
A representação referencial é uma estrutura linguística utilizada para manifestar
formalmente, na superfície do texto (ou seja, no cotexto) a representação de um referente.

Referenciação é uma (re)elaboração da realidade

A função primordial da linguagem é prover uma forma de acesso a uma dada


realidade.
Os objetos do mundo são sempre interpretados.
A correferencialidade é um processo de manutenção do mesmo referente, sempre
passível de transformações.
Os processos de referenciação desempenham funções textual-discursivas que vão
além da organização do fluxo de informação, inclusive o alargamento da coesão e também
a construção de uma representação ligada ao direcionamento argumentativo pretendido
pelo locutor.
Reconhecer os posicionamentos de um texto como tributários de uma perspectiva
(entre outras) da realidade.
Produção textual: propôr sentidos por meio de mecanismos linguísticos recrutados
para estabelecer a coerência condizente com o seu projeto de dizer.

O trabalho de construção dos referentes é uma atividade partilhada,


intersubjetiva

Se trata de submeter a versão da realidade à aceitação de outros participantes da


interlocução.
A negociação é um princípio constitutivo da linguagem
A negociação ocorre como antecipação ou projeção das atitudes dos prováveis
destinatários.
Qualquer atividade de interpretação demanda ações do sujeito leitor, como
coenunciador
Todas essas ações indicam que, de fato, ler é negociar.
o Uso da linguagem passa pela aceitação da audiência, o que demanda uma
antecipação sobre como representar os referentes.

A referenciação é um processo sociocognitivo

A natureza sociocognitiva da referenciação garante o caráter marcadamente


dinâmico do processo
Qualquer texto é naturalmente incompleto
Essa suposta clareza/objetividade se sustenta em um panorama de constante
ativação de esquemas socioculturais e que a superfície do texto é organizável por trilhas de
sentido.
Conceito de referenciação: construção sociocognitiva-discursiva de objetos de
discurso reveladores de versões da realidade estabelecidos mediante processos de
negociação.
Cap 2 - Os Processos Referenciais

Introdução referencial: ocorre quando um referente ou objeto de discurso "estreia" no


texto de alguma maneira, por meio de emprego de uma expressão referencial ainda não
mencionada anteriormente
Sempre que uma expressão referencial remeter aos participantes da comunicação
(locutor e interlocutor), ao tempo ou ao local em que se encontram, estaremos diantes de
um fenômeno referencial chamado de dêixis.
Falaremos de introdução referencial apenas quando um objeto for considerado novo
no cotexto e não tiver sido engatilhado por nenhuma entidade, atributo ou evento expresso
no texto.
A alusão é um fenômeno intertextual usado para nos referirmos indiretamente a uma
entidade presente em outro texto.

Anáforas

Todas têm em comum a propriedade de continuar uma referência, de modo direto ou


indireto

Anáforas indiretas

Essas anáforas indiretas, embora não retomem exatamente o mesmo objeto de


discurso e, aparentemente introduzam uma entidade "nova", na verdade remetem ou a
outros referentes expressos no cotexto, ou a pistas cotextuais de qualquer espécie, com as
quais se associa, para permitir ao coeunuciador inferir essa entidade. Sua interpretação
depende de outros conteúdos fornecidos pelo contexto, e elas não têm correferência com
nenhuma outra entidade já introduzida.
A associação mais prototípica das anáforas indiretas é a que se instaura pela
correspondência que existe nas relações metonímicas, sobretudo nas correlações
parte-todo.
Um referente explicitado pela primeira vez no cotexto, mas apresentado ao
coenunciador como se lhe fosse conhecido, porque outros elementos do cotexto fornecem
essa identificação.

Anáforas encapsuladoras

Sua característica primordial é resumir porções contextuais, isto é, o conteúdo de


parte do cotexto somado a outros dados de conhecimentos compartilhados.

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