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Análise do livro “O GUARANI”

Introdução
Neste trabalho apresentaremos o seminário do livro O GUARANI de José de Alencar, mostrando suas figuras de
linguagem, personagens e cenário, além de uma pequena epítome deste incrível romance brasileiro.

Desenvolvimento

História de José de Alencar

[José Martiniano de Alencar] Escritor brasileiro (Mecejana CE, 1829/1877). Pelo volume e importância da mensagem
implícita em sua obra, pode ser considerado o patriarca da literatura brasileira.

Passou a primeira infância em sua terra natal, em contato com a natureza. Aos nove anos, viajou para a Bahia, em longa
travessia pelo sertão. “A essa jornada cheia de acidentes e feita aos nove anos, deve ao autor as mais vigorosas impressões
da natureza americana, e das quais se acham os traços em muitos de seus livros, especialmente no Guarani e Iracema.

No Rio de Janeiro, entre 1840 e 1843, freqüenta o colégio. Infatigável leitor, a sós ou em voz alta nos serões familiares, foi
devorando novelas de amor, aventura ou históricas. Mudou para São Paulo e então começou a escrever. Em 1847 escreve o
romance Os Contrabandistas. Sua obra de ficcionista iniciou-se dez anos depois com a publicação de O Guarani que lhe
granjeara enorme popularidade ao ser lançado em folhetins lidos avidamente até mesmo nas ruas, à luz dos lampiões.

Para encerrar podemos dizer que Alencar contribuiu muito para a nossa língua ao romper a acanhada forma de sintaxe
lusitana e escrever usando uma linguagem livre e de grande força poética.

A importância da obra

Publicado em 1857, O Guarani é a expressão máxima do Romantismo na ficção de José de Alencar e de nossa literatura.
Nesse romance, o escritor consegue adaptar com perfeição os valores do movimento romântico europeu à realidade
brasileira, de acordo como a percebiam nossos intelectuais no século XIX.

Peri personifica exatamente o ideal de herói que se encontra nas obras dos autores estrangeiros desta escola literária. Mais
que isto, Peri é um índio, um homem primitivo, cujo caráter está alheio às influências “perniciosas” da civilização.

Neste sentido, ele é a representação concreta do “bom selvagem” de Rousseau, ao mesmo tempo que simboliza a índole do
homem brasileiro, num momento em que o país recém-independente precisa afirmar-se como nação.

Da mesma forma, o cenário das matas virgens do passado colonial constitui a expressão nacional equivalente ao mundo
medieval que os românticos da Europa elegeram como o espaço e o tempo privilegiados, em sua literatura altamente
idealizada, que apresentava ao leitor uma visão de mundo sublime.

O desenvolvimento do enredo apresenta amor e aventura: os fatos se sucedem numa seqüência ininterrupta, característica
de imaginação prodigiosa de Alencar. Neles, o autor encontra os elementos adequados para fazer de sua narrativa uma
verdadeira epopéia: é a história de um povo que ele conta. Através da união do índio Peri com Ceci - a moça branca e
européia, filha do colonizador - podemos imbuir que ele narra a formação da nacionalidade brasileira.

História

A história do Livro “O Guarani” passa-se no estado da Paraíba, as margens do Rio Paquequer, próximo a esse rio morava a
nobre família de D. Antônio de Mariz, um fidalgo Português que era leal ao seu país. Casado com D. Lauriana tinha dois
filhos: Dom Diogo de Mariz e Cecília. Morava também nesta casa Isabel, filha de D. Antônio com uma índia, D. Álvaro,
um nobre cavalheiro, Aires Gomes, e os ajudantes de D. Antônio.

Isabel, andava muito com Cecília, as duas sempre estavam juntas, e em um certo dia ela contou-lhe sobre seu amor por
Álvaro, a partir daí Cecília deixou o caminho livre a para sua “Irmã” e apesar de Álvaro sentir uma atração por Isabel ele
acaba fazendo um juramento a D. Antônio que ele se casaria com Cecília.

Peri um Índio, que salvara a vida da filha do casal passou a freqüentar a casa e atender todos os pedidos de Ceci, ele deixou
sua tribo e sua família. Entre estas pessoas que conviviam com a família existia um estrangeiro cujo nome era Loredano,
que na verdade viera atrás de um tesouro, e que sonhava em casar-se com Cecília.

Em uma caçada, D. Diogo mata uma índia da tribo dos Aimorés e então toda a família fica ameaçada pelo que aconteceu.
A tribo jura vingança contra todos os moradores da casa através do assassinato de Cecília. Com isso a casa é assediada por
diversos perigos. Dom Antônio prevendo o pior manda seu filho ao Rio de Janeiro para procurar ajuda.

Loredano se amotina com os capangas e planeja matar toda a família, exceto Cecília. Seu plano não foi possível porque os
Aimorés chegam para a vingança. Com isso a família fica isolada na sala principal da casa e os capangas em outro cômodo
da residência. Nesse alvoroço Álvaro declara seu amor perante Isabel, mas fica com receio de quebrar sua palavra.

Devido a ameaça, Peri teve uma idéia e resolve acabar ele mesmo com os Aimorés e os Capangas e salvar a sua senhora.
Para isso era necessário a sua morte. Não pensou duas vezes, colocou veneno nos suprimentos dos causadores do motim,
passou no corpo e também tomou desse veneno. Feito isso entregou-se ao Aimorés. Ele sabia que eles eram Antropófagos,
e que ao ser morto todos os índios também morreriam.

O seu plano não foi concretizado, porque D. Álvaro, a mando de D. Antônio e de Ceci foi salvá-lo. Peri para não morrer do
veneno que ingeriu foi buscar na mata um antídoto natural. Na volta encontrou D. Álvaro ferido, mas este não conseguiu
sobreviver. Ao chegar na casa, Pei o levou até o quarto de Isabel, esta devido o seu grande amor acaba suicidando-se.

O clima esquenta, os Aimorés começam a lançar flechas de fogo em direção a casa. Dom Antônio vendo que não havia
mais esperanças de salvação, pede a Peri para se tornar cristão e salvar Ceci.

Feito isso, Peri sai rumo as margens do Paquequer com Cecília em seus braços. Já no rio, ouve uma explosão vinda da casa
e uma bola de fogo saindo da colina.

Já ao amanhecer, Cecília acorda e Peri lhe conta tudo o que havia se passado. No início ela se revolta, queria morrer junto a
seu pai e sua mãe. Após uma pequena reflexão, vê que estava ao lado da pessoa que lhe salvara a vida pela terceira vez.
Lembrou-se de todos os pedidos que fez a Peri e que este os cumpriu com muito amor, também lembrou que Peri fazia de
tudo para arrancar um simples sorriso de seu rosto. Salvou-lhe de uma pedra, de uma flecha dos Aimorés e da explosão da
casa.

No entanto queria ficar com Peri, só que ele tinha prometido ao já falecido D. Antônio que a levaria para o Rio de Janeiro
junto a seu irmão D. Diogo.

Então começaram uma caminhada pela floresta e de repente ocorre uma enchente. Eles sobem rápido para o topo de uma
palmeira, mas a água continua a subir e a palmeira acaba sumindo no horizonte.

Figuras de Linguagem

No texto encontramos algumas figuras de linguagem, que ao serem utilizadas dão qualidade e embelezamento ao texto.
José de Alencar, usa diversas delas, principalmente nas falas de Peri.

Achamos a figura antítese nas seguintes frases:

“Peri, guerreiro livre, tu és meu escravo.” P. 96


“... me lembrará que fui má para ti; e me ensinará a ser boa” P. 96

Encontramos também comparação:


“Suas ondas são calmas e serenas com as de um lago” P. 15
“... precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.” P. 15
“tu é belo como o sol” P. 96

Metonímia:

“Aos pés daquela a quem ama” P. 159

Paralelismo:

“Tu és grande, tu és forte” P. 95


“Peri ouviu e não respondeu, nem a voz a sua mãe, nem o canto dos guerreiros, nem o amor das mulheres.” P. 96

Metáfora

“Tinha a cor do céu nos olhos; a cor do sol nos cabelos, estava vestida de nuvens, com um cinto de estrelas e uma pluma de
luz.” P. 96

Personificação

“O cajueiro quando perde sua folha, parece morto. Não tem tem flor nem sombra, chora umas lágrimas doces como o mel
de seus frutos.” P. 96

Pleonasmo

“Viu passar o gavião


Se Peri fosse o gavião, ia ver a senhora no céu.” P. 96

Ironia

“É que eu serei a irmã mais velha.


Apesar de seres mais moça?...” P. 36

Personagens

A história apresenta os seguintes personagens e suas respectivas características.

Dom Antônio de Mariz - Fidalgo português que lutou contra os franceses e fundou o Rio de Janeiro. Com domínio
espanhol, retirou-se para o sertão, às margens do Paquequer.

Dona Lauriana - Mulher de D. Antônio de Mariz, tinha bom coração, era um pouco egoísta mas dedicada.

Aires Gomes - Escudeiro e amigo fiel de D. Antônio de Mariz que o acompanhava em todas as suas expedições, luta
contra os amotinados e os índios

Dom Diogo de Mariz - Filho de D. Antônio, e responsável pela morte da índia que vem a provocar o ataque dos Aimorés
aos portugueses.

Cecília - Filha de D. Antônio, que era uma deusa desse pequeno mundo que ela iluminava com o seu sorriso. Tinha Peri
como seu “escravo” e era amada por Loredano e Álvaro.

Isabel - “Sobrinha” de D. Antônio (que todos sabem ser sua filha natural com uma índia). É apaixonada por Álvaro. -
Personagem Redonda

Peri - Índio da Tribo dos Goitacás, filho de Arerê. Salvou Ceci e posteriormente sua família. Era tão fiel a sua amada que
daria a própria vida para arrancar um simples sorriso de seu rosto. Peri, apesar de ser índio, tinha um bom vocabulário e
imaginação.
D. Álvaro - Nobre cavalheiro que servia à família de D. Antônio. Era apaixonado por Cecília, sua fidelidade era tão grande
que prometera a D. Antônio casar-se com sua filha.

Loredano - Ex-frade que quer explorar o tesouro de Robério Dias e casar-se com Cecília. Amotina-se contra D. Antônio. -
Vilão da história e personagem redonda.

Cenário

A história se desenvolve no cenário das matas virgens brasileiras da época - ela se passa no estado da Paraíba - .A casa de
D. Antônio se encontrava no alto de uma colina e às margens do rio Paquequer. O autor no primeiro capítulo descreve
detalhadamente todas as características da paisagem. Isso demostra que José de Alencar se preocupava em mostrar toda a
riqueza e beleza do Brasil através da adjetividade na descrição, isto é, ele usava para cada substantivo vários adjetivos.

Conclusão:
O livro “O Guarani” é uma história ficcionista, mas o autor consegue contá-la de uma forma que prende tanto a atenção do
leitor que esta acaba transfigurando o irreal e se transformando em uma história verídica na cabeça do leitor. Isso mostra a
capacidade e o poder da literatura em nossa vidas, através dela podemos viajar sem sair do sofá ou da cadeira em nos
encostamos ao pegar um livro como este.

O Guarani portanto constitui uma espécie de símbolo da Pátria, podendo ser comparado ao hino nacional, à bandeira, ao
brasão de armas. Sua leitura, portanto, é obrigatória para conhecer historicamente o pensamento brasileiro e refletir sobre o
Brasil e sobre nossa origem.