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SEMINÁRIO PRESBITERIANO DE BRASÍLIA

JOÃO RICARDO S. GALHENO

CAPELANIA

Brasília /DF
2019
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JOÃO RICARDO S. GALHENO

RESENHA LIVRO CAPELANIA CRISTÃ

Resenha apresentada, como exigência para


conclusão da matéria de Capelania no Curso de
Bacharel em Teologia, do prof. Rev. João
Geraldo, no Seminário Presbiteriano de Brasília,
D.F.

Brasília /DF
2019
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O autor, Ivanaldo Ferreira Santos é Capelão Militar do Exército Brasileiro. A


presente obra é fruto da dissertação do autor. Que percebeu a carência de obras que falam
sobre o oficio, vocação e o preparo para desempenhar as funções da capelania. O autor
destaca a importância do preparo na vida de um capelão, já que o mesmo lidará com um
povo multifacetado e necessitado de cuidado. Por isso a ênfase constantemente
mencionada pelo autor é que o aconselhamento e cuidado pastoral são essenciais.
A capelania é um ofício que representa o cristianismo nas diversas esferas da
sociedade. Sendo um instrumento que possibilita a criação de pontes para o compartilhar
do evangelho. Sendo assim de suma importância a correta compreensão da sua tarefa,
responsabilidades e história. É justamente a historicidade da capelania apresentada neste
livro o se primeiro ponto positivo a ser destacado nessa obra. O autor consegue construir
um fio condutor para uma maior compreensão da historicidade e oficio do capelão. Ele
menciona que a capelania reporta-se ao cristianismo antigo, decretada pelo Imperador
Constantino, tendo seus fatos históricos entre os militares do exército romano ocorridos no
século IV.
A história é marcada por diversos acontecimentos alguns de pequena expressão,
outros, porém capazes de mudar toda uma cultura. Os dados históricos sobre o surgimento
da capelania são elucidados na biografia de Martinho Tours, (316-397 d.C). Apesar de ter
enorme interesse na vida eclesiástica o mesmo sendo pressionado por seu pai segue a
carreira militar. Martinho de Tours é protagonista de um evento singular, percebe na entrada
da cidade de Amiens um pobre, em meio a um frio devastador clamando por ajuda as
pessoas que passavam. Martinho de Tours consternado com tal situação tira sua espada e
corta a sua capa ao meio dando uma metade ao pobre homem. Durante a noite ele tem um
sonho onde Jesus aparece vestido com a metade de sua capa lhe dizendo; “Martinho
apesar de ser ainda um catecúmeno, vestiu-me com esse manto”, então logo em seguida
se batiza, deixa o exército e torna-se um cristão. A capa compartilhada com aquele mendigo
se transformaria posteriormente em uma relíquia, sendo construída uma cabana que se
chamava capela, assim o guardião dessa capela foi denominado de capelão, surgindo
então o cargo.
O ofício da capelania apesar de ter iniciado em um ambiente militar se expande na
sociedade, realizando um notório trabalho como Guardiães da fé, compartilhando de Cristo
em diversos lugares. O autor citando escritores como Doris L. Bergen e David S. Bachrach.
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mostra que no século XIII o oficio da capelania alcança uma base firme na lei tendo o Papa
Gregório IX emitindo uma bula papal com uma lista das tarefas dos capelães. O livro mostra
o início da capelania no contexto protestante no ano de 1517, sendo Ulrico Zuinglio o
primeiro capelão, foi ferido na batalha quando exercia seu oficio. Joao Knox serviu como
capelão do exército da Prússia e tornou-se posteriormente capelão hospitalar na cidade em
1796. Os ajustes realizados em cada período foram necessários para potencializar o
trabalho capelão. Em 1775 a capelania foi estabelecida nos Estados Unidos se tornando
parte das forças armadas, onde o capelão pode atingir a patente de general. No Brasil a
capelania chega em 1500, mas somente em 1850 o autor menciona que foi criado um
decreto criando o Corpo Eclesiástico no exército possibilitando assim existir a função. Essa
linha histórica apresentada no primeiro capítulo mostra como a capelania se firmou como
um importante oficio, com o passar do tempo tendo o seu papel destacado em diversas
esferas da sociedade e chegando até nosso contexto. Compreender a identidade da
capelania vendo o fio condutor ao longo da história é fundamental para a preservação da
mesma.
Segundo ponto positivo desta obra é que o autor mostra as lentes necessárias para
o correto exercício da capelania, ressalta a necessidade de compaixão, empatia,
valorização da vida e tolerância no exercício da capelania, destaca a questão do autor está
subordinado a uma instituição sendo um referencial de seus valores e princípios. O autor
mostra que a compaixão não está apenas em se condoer, mas em suprir a necessidade
independente de quem está recebendo ser merecedor ou não. O autor destaca que a igreja
tem o papel de suma importância sendo responsável por instruir, preparar e capacitar o
capelão para que o mesmo sirva a comunidade. Levando-os ao entendimento de aceitar as
pessoas como elas são. Não sendo um religioso que está mais preocupado em passar sua
visão do que mostrar a Cristo.
Terceiro ponto positivo o livro mostra o aspecto missional da capelania. As
Escrituras nos ensinam como Jesus demostrou o seu amor, se tornando homem e servo
morrendo para resgatar a humanidade. Cristo se importou com as pessoas, seus princípios
de cuidado e piedade com o próximo logo nos direciona qual o modelo a seguir. Jesus
revela a chegada do reino dos céus e a capelania é um instrumento para criar pontes de
contatos para anunciar esse reino. O autor citando, Graves afirma que a capelão é um
clérigo ou leigo representando uma religião ou instituição que ministra a pessoas
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necessitadas. Sendo assim a compaixão um sentimento necessário para realizar esse


oficio. Como citado pela obra se faz necessário a humanização do ambiente de trabalho
seja; presidio, escola, hospitais repartições públicas a compaixão se faz necessário
oferecendo o apoio que a pessoa necessita. Sendo assim a iniciativa deve partir do capelão
em construir pontes de acesso a sociedade, que carece de cuidados, melhorando seu bem-
estar em momentos difíceis. Cada líder de uma igreja local deveria tomar conhecimento
deste conteúdo, bem como por meio de um estudo dominical, poderia este conteúdo ser
ensinado em nossas igrejas, pois se queremos ser relevantes, precisamos ser missionais
e a capelania é um excelente instrumento para alcançar os eleitos de Deus. Outro fator
positivo desta obra é que o autor mostra como a capelania ao ser bem executada, de forma
piedosa e bíblica pode construir pontes de acesso entre a sociedade e a igreja. Além de
alcançar o necessitado você alcança o coração dos seus familiares, e das pessoas mais
próxima que estão acompanhando o doente podendo assim compartilhar da graça.
Quanto aos pontos desfavoráveis da presente obra pode se destacar na página
dezoito o autor coloca mostra uma distorção no oficio pastoral. Ele declara que o capelão
necessita de habilidades por lidar com um público multifacetado diferente de um pastor local
que lida com um público comum. Essa declaração mostra a ausência de uma correta
teologia pastoral alicerçada nas Escrituras. Talvez essa declaração esteja firmada na
teologia pentecostal do autor, que coloca a responsabilidade da missionalidade sob a figura
do evangelista e missionários. Segundo ponto negativo da obra é a carência de maior e
correta fundamentação bíblica. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo destaca a
suficiência e importância que a Escritura tem, que é útil para ensinar, para repreender, para
corrigir e para formar na justiça. Sendo ela o meio que o homem se torna habilitado e
capacitado para toda boa obra. O autor utiliza alguns textos bíblicos fora de seu contexto
para consolidar sua argumentação. Os milagres de Jesus apresentado no livro mostram um
pensamento humanista, colocando o cuidado e objetivo da obra de Jesus apenas nesta
vida. Os milagres seriam apenas para o bem-estar e promover esperança essa ideia acaba
negligenciando o caráter redentivo dos seus milagres.
Terceiro ponto negativo da presente obra se encontra na página 66. Onde fica
confusa a declaração que uma opção é mudar o termo de cuidado pastoral para cuidado
espiritual, em seguida é colocado como sendo ferramentas psicológicas e espirituais
praticas pastorais como; oração, aconselhamento e a própria leitura bíblica. O autor mostra
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ações do capelão apenas como um ajudador e não como um instrumento de Deus


capacitado para compartilhar da graça do evangelho de Deus. Ele menciona que o capelão
deve; estar presente, ouvir, auxiliar, fornecer informações e ensinar. Esses princípios
segundo o autor podem contribuir para o resgate da dignidade, amor próprio da pessoa. O
autor tira do evangelho que é o poder de Deus para salvar e resgatar o homem caído no
Éden e escravo do pecado. A obra apresenta métodos e terapias como sendo necessárias
ao oficio da capelania tirando assim a centralidade das Escrituras.
Este artigo sendo assim não é recomendado a todo cristão, ele é uma exposição,
de forma muito detalhada da historicidade da capelania. Aponta para o desenvolver de um
oficio tão precioso e útil para o reino de Deus. Porém apresenta certas distorções do oficio
da capelania, sendo assim necessário o leitor possuir uma boa Teologia Biblica.