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2018

2018/2019/2020

RAFAEL DA SILVA ANOLLI


SONETOS A D. ÂNGELA DE SOUSA PAREDES
GREGÓRIO DE
MATOS GUERRA ▪ O soneto tem como foco central a temática do barroco
acerca da contradição do ideal religioso com o sentimento de
excitação com o corpo feminino o que acaba gerando um
sentimento de culpa nas pessoas.
[BARROCO] ▪ Assim, ao utilizar o nome Ângela e o SOL para caracterizar a
personagem o autor pretende mostrar o lado angelical, puro
 O barroco tem início com o poema e radiante da mulher,
PROSOPOPÉIA de Bento Teixeira “De uma mulher, que em Anjo se mentia;
 Uso de ANTÍTESES De um Sol, que se trajava em criatura:”
(aproximação de termos opostos)
que em vez de ajudar os outros, como um anjo faria, ela os
e PARADOXOS (ideia que foge
coloca na tentação da carne e desperta o desejo nos homens.
do comum e quebra o sentido
lógico) ▪ Por fim, o eu lírico, analisando que os olhos são a fonte do
 Fuga do tempo, linguagem pecado, pede a eles que se ceguem, evitando desse modo a
rebuscada morte e a perdição espiritual.
 Gregório faz parte do “Olhos meus, disse então por defender-me,
CONCEPTISMO/GONGORISMO Se a beleza heis de ver para matar-me,
que tem como características Antes olhos cegueis, do que eu perde-me.”
principais o uso de METÁFORAS,
HIPÉRBOLES e ANTÍTESES,
predominando a linguagem À MESMA D. ÂNGELA
CULTA

▪ O soneto mostra uma contradição da visão da mulher no


plano espiritual (1°) e material (2°). Metáforas são utilizadas
para comparar a sua beleza a de uma flor (2°)
▪ Segue a tradição de Camões ao comparar a mulher com a
natureza e nesse soneto o CULTISMO fica evidente com o
jogo de palavras (Ângela – Angélica - Anjo; Flor – Florente)
“Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente”
e com isso Gregório nos mostra o lado angelical e floral da
mulher, colocando-a como pura e delicada.
▪ Assim como no soneto na parte superior, este busca mostrar
a temática central do barroco pelo paradoxo de que como
um anjo seria capaz de tentar os desejos dos homens.
“Sois anjo, que me tenta, e não me guarda”
▪ Por fim, o soneto apresenta o esquema de rima: ABBA / ABBA
/ CDC / DCD

1
BENZE-SE O POETA DE VÁRIAS AÇÕES QUE
OBSERVAVA NA SUA PÁTRIA

 Esse soneto fala da corrupção no contexto do Brasil


colônia. Tem uma crítica de como as pessoas
conseguem as coisas apenas pela indicação dos amigos,
sem o conhecimento/capacidade necessária.
“Destes que campam no mundo
sem ter engenho profundo,
e, entre gabos dos amigos,
os vemos em papa-figos sem tempestade,
nem vento: Anjo bento. ”
Obs. papa-figos para o autor seria um local de
“trabalho”, onde seria desempenhada uma função.
Engenho: conhecimento, instrução.
 Além disso, fala da corrupção na igreja, comparando os
padres à JANOS (na mitologia considerado um monstro
de duas caras). O que para ele era inadmissível.
“Destes beatos fingidos,
cabisbaixos, encolhidos,
por dentro fatais maganos,
sendo nas caras uns Janos,
que fazem do vício alarde:
Deus me guarde. ”
 Fez críticas aos cidadãos e políticos, denunciando
aqueles que tinham dinheiro para ter conforto, mas que
não queriam gastar pelo simples fato de não querer
dividir. Com isso, passou a ser chamado de BOCA DO
INFERNO
“Destes avaros mofinos
que põem na mesa pepinos
de toda a iguaria isenta,
com seu limão e pimenta,
[LINKS DOS SONETOS] porque diz que queima e arde:
Deus me guarde. ”
D. Ângela
À mesma Ângela
Benze-se o Poeta

2
SE EU MORRESSE AMANHÃ
ÁLVARES DE
AZEVEDO  Tem os verbos no SUBJUNTIVO (expressa
dúvida/incerteza)

 O título coloca a preocupação do eu lírico diante do seu


[ROMANTISMO]
futuro e da sua família.
 O romantismo tem início
com SUSPIROS POÉTICOS  A 1° estrofe aborda a relação do que a sua morte pode
E SAUDADES de Gonçalves
provocar na sua família. Usa a sua irmã como a pessoa que
de Magalhães.
fecharia os seus olhos no leito de morte e pensa no que a
 Álvares faz parte da 2°
sua mãe vai sofrer.
GERAÇÃO que tem
como características
 Já a 2° estrofe ele diz que se não morresse ele teria uma
principais o
vida de glória, dada a sua genialidade
NARCISISMO e o
GROTESCO (Byronista)
 A 3° estrofe coloca a morte como um ser que vai tirar a
 Ultrarromântico,
sua glória e o seu prazer de ver o céu azul, o sol e a
individualista e coloca a
natureza.
morte como temática
dos poemas.
 Por outro lado, a 4° estrofe ele utiliza para expressar o lado
 Presença de emoção,
bom da morte, como algo que vai aliviar a sua morte.
subjetivismo, escapismo
e idealização da mulher
 Retrata as desilusões Obs. Ele morre por volta dos 20 anos devido possuir
amorosas, os amores TUBERCULOSE e esse poema é escrito dias antes da sua morte.
não correspondidos,
acontecimentos tristes e
trágicos e a lembrança da
infância.

[LINK DO POEMA]

O SE EU MORRESSE
AMANHHÂ

2° GERAÇÃO
ROMÂNTICA

3
O CANTO DO GUERREIRO
GONÇALVES
DIAS  Presente no livro “Primeiros Cantos”, que tem como
abertura o poema canção do exílio, o Canto do Guerreiro
é o primeiro de caráter indianista.
 Diferente do que Basílio da Gama e outros poetas,
[ROMANTISMO] Gonçalves colocou o índio como personagem principal.
 Diferente de Álvares,  Fala da parte heroica do índio, da sua dignidade e
ele faz parte da 1° coragem.
geração romântica que  Tenta resgatar essa imagem e passar para gerações futuras
tem como temática o0  A restrição da liberdade dos índios só é tirada com a sua
indianismo e o morte, o que caracteriza um povo forte e digno de ter sua
nacionalismo e não memória como temática para Gonçalves.
possui uma regra  A guerra engrandece os homens fortes e abate os mais
estrutural. fracos. Fato que se reflete na perspectiva de vida dos índios,
que acreditam que a vida só dá lugar para os mais fortes.

[LINK] AUTOR
O CANTO DO
GUERREIRO

1° GERAÇÃO
ROMÂNTICA

o Gonçalves Dias um lado


mais clássico, com uma
escrita equilibrada e rígida.
o O índio é retratado como
um guerreiro nobre, um
herói. Enquanto o branco
simboliza a exploração. O
sentimentalismo também
está presente nas obras do
autor

4
REMORSO
OLAVO BILAC
 É um poema que coloca bem o encadeamento sintático do
parnasianismo (não terminar uma ideia em um verso, mas
[PARNASIANISMO] retomá-la em outro).
 Tem início com  Tem como foco o seu arrependimento de não ter
FANFARRAS de Teófilo arriscado o amor durante a sua juventude e a sua
Dias. lamentação diante do começo da velhice, por ter deixado
 Temas nacionalistas, passar a oportunidade de amar.
com cenas inspiradas na
 A PRIMAVERA representa a juventude, em que ele era
Antiguidade grega e
contido, tímido, reservado e vivia de aparências.
romana.
 Já o OUTONO representa a velhice, a qual se mostrava
 Escrita rigorosa,
Arrependido, triste, angustiado e com remorso por não
vocabulário rico e
ter vivido.
erudito.
“Às vezes, uma dor me desespera... Nestas ânsias e
 Contrapõe o modelo de
dúvidas em que ando. Cismo e padeço, neste outono,
versos livres e brancos,
quando Calculo o que perdi na primavera. ”
com uma métrica
 Os versos são decassílabos e divididos em 2 quartetos e 2
alexandrina de 12
tercetos respectivamente.
sílabas.
 Os homens eram vistos
como pessimistas e
preso à matéria sem
O INCÊNDIO EM ROMA
conseguir a libertação.

[LINK]  Soneto que não tem uma sequência de ações, mas uma
REMORSO descrição do incêndio que ocorreu em Roma. Coloca Nero
O INCÊNDIO EM ROMA como um sádico e bêbado que assiste a cidade pegar fogo
com prazer.
 O soneto esta presente no livro PANÓPLIAS.
 Os verso são dodecassílabos (12)

Obs. CAPITÓLIO são os montes romanos que abrigam os


templos
ÉBRIOS – embriagado
MANTO NEGRO – é a metáfora que fala da morte

5
ACROBATA DA DOR
CRUZ E SOUZA
 O poema se inicia com dois verbos no imperativo:
“Gargalha, ri...” com os quais o “eu-lírico” provavelmente
[SIMBOLISMO] se direciona ao leitor, sugerindo que este assuma, perante
a vida, um posicionamento de ânimo e alegria. Porém, ao
 Tem início com a publicação de final, essas palavras não são para nós leitores, mas para o
Missal (prosa) e Broquéis Acrobata da Dor.
(poesia) de Cruz e Souza.  O título tem a intenção de deixar a pessoa curiosa para
saber quem é o Acrobata e no desenrolar do texto, ele
 A obra de Cruz e Souza é vai dando dicas metaforicamente e final fala que é o
marcada pela musicalidade, CORAÇÃO.
subjetivismo, individualismo,  Tem uma parte que ele coloca o artista como um palhaço,
pessimismo, misticismo e o qual é capaz de mascarar os seus sentimentos e levar
espiritualidade. alegria ao publico
 Retrata o amor, sofrimento, ”Gargalha, ri, num riso de tormenta, Como um palhaço,
sensualidade, morte, religião e que desengonçado, Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
abolicionismo. De uma ironia e de uma dor violenta”
 Na SEGUNDA estrofe o autor coloca a tristeza reprimida
do palhaço como foco de temática. Ao mesmo tempo que
ele ‘salta’ e é ‘agita’ ele guarda apara si os coisas ruins.
Assim, ele utiliza-se de termos como “gavroche”, “clown”
e “estertor” para enfocar o palhaço diante dos seus
sentimentos.
Obs. GAVROCHE do francês significa “os garotos de Paris”
CLOWN do inglês é palhaço
ESTERTOR é a respiração rouca dos marimbondos (utiliza isso
para colocar toda essa tristeza guardada, escrita anteriormente,
do palhaço)
O poema mostra que a dor faz  O poema tem como características do simbolismo a
parte da existência humana, sendo ALITERAÇÂO (Repetição de consoantes) ASSONÂNCIA
necessário, portanto, conviver com (repetição de vogais) REITERAÇÃO (dar enfoque ao que
ela e aceitá-la da melhor maneira já foi falado) e SINESTESIA (mistura de sentidos).
possível. Assim, são necessárias  Ao utilizar o termo piruletas d’aço o autor buscar colocar
inúmeras “acrobacias”: é preciso que mesmo diante do seu sofrimento, o pedido de bis da
superar as dificuldades, os platéia é atendido pelo palhaço com piruletas que
sofrimentos e as angústias enganam a sua tristeza.
mantendo a alegria e mascarando
as tristezas para seguir em frente,
com determinação; sendo, acima de
tudo, um artista nos palcos da vida.

6
QUARTO MOTIVO DA ROSA
CECÍLIA
MEIRELES  A rosa é o foco principal do poema; e na primeira estrofe
a autora coloca que é ela quem consola o artista e não o
contrário. Além disso, os versos dão uma outra
possibilidade de existência ao ser.
[MODERNISMO] “Não te aflijas com a pétala que voa:
 O modernismo teve a também é ser, deixar de ser assim. ”
semana da arte  Já na segunda estrofe a rosa diz ao artista que assim como
moderna (1922) COMO ela, toda a beleza é passageira, um dia fica como pétalas
O MARCO INCIAL. mortas pelo jardim.
 Pertencente à 2° “Rosas verá, só de cinzas franzida, mortas, intactas pelo
GERAÇÃO MODERNA, teu jardim”
Cecília Meireles aborda  A terceira estrofe coloca o poeta e a rosa como íntimos
uma postura mais na questão da efemeridade.
espiritualista.  O poema em si é conectado nas estrofes centrais com a
 Tem como características ampla visão do efêmero e da questão individual da rosa. Já
principais a valorização da a conexão da primeira com a última decorre do diálogo
cultura nacional, linguagem acerca de uma outra realidade
coloquial, versos brancos e
livres, universalismo e
regionalismo influenciado
pelo romantismo e
realismo.
 A SEGUNDA GERAÇÃO
tem como foco os
problemas sociais,
retratando romances
regionalistas e urbanos.

[LINK]

QUARTO MOTIVO
DA ROSA

7
ACENDEDOR DE LAMPIÃO
JORGE DE LIMA
 Tem estrutura clássica (versos decassílabos)
 Se afasta do parnasianismo, simbolismo e realismo por
[MODERNISMO 2° FASE]
não ser descritivo e não focar no interior do Eu poético.
 O caráter modernista se revela na denúncia da realidade
 A segunda fase tem início
social brutal que coisifica o homem.
com a publicação de
 O acendedor de lampiões é comparado com o sol e é
ALGUMA POESIA de
obrigado a realizar o trabalho. E o seu estado de espírito
Carlos Drummond
é caracterizado como imperturbável.
Andrade.

 Liberdade formal Obs. ENEGRECE – desacreditar


 Uso de ironias e humor ATROZ – cruel, desumano
 Regionalismo e DOIRA – corrente de água provocada pela chuva
coloquialismo
 Uso de versos brancos
e livres com a rejeição
ao academicismo
AUTOR
 Jorge ainda faz uma
transição da tradição
para o novo e do
regional para o
universal.

[LINK]

ACENDEDOR DE
LAMPIÃO

2° GERAÇÃO
MODERNA

8
ALGUMA POESIA
CARLOS
DRUMMOND  É um livro que possui 49 poemas que foram dedicado ao
seu amigo Mario de Andrade
ANDRADE  Neles ele não se preocupa com a rima e aborda uma
linguagem direta sem o uso de metáforas.
 Como são vários poemas, analisar cada um é uma tarefa
um pouco demorada, portanto, foquei apenas nas
[2° FASE MODERNISTA]
características temáticas presentes, sendo divididas em 5.
 TEM INÍCIO COM ESSE  1° FOCO NO INDIVÍDUO, os poemas que têm essa
LIVRO DELE. característica abordam a visão do poeta diante do mundo
 Suas características e do indivíduo; tendo presente o pessimismo, a ironia,
principais são a humor. Um exemplo é o “POEMA DE SETE FACES” em
liberdade linguística, a que prevê o seu destino,
ironia e o humor.  2° FOCO NA FAMÍLIA, são poemas que colocam que a
 Faz reflexões acerca do família como algo que ele criou e não como algo advindo
amor, morte e de Deus (ele fala isso), além de abordar o passar do
sensualismo. tempo e a infância. “INFÂNCIA” “FAMÍLIA” “SESTA”
 Sua carreira poética é  3° FOCO NO AMOR, são poemas que ele utiliza muito a
dividida em 4 fases, palavra AMARO (junção de AMOR ao adjetivo AMARGO
sendo esse livro – AMARO). Além disso, trata de forma humorada e
pertencente à 1° fase. satírica os relacionamentos, colocando em foco as
contradições da vida. “TOADA DO AMOR”
 1° FASE – retrata o “SENTIMENTOS” “QUERO ME CASAR” “QUADRILIA”
pessimismo,  4° FOCO NAS VIAGENS, são poemas que falam das suas
isolamento, anotações em viagens. Exemplos: “BAHIA” “EUROPA”
individualismo e “FRANÇA” “LANTERNA MÁGICA”
descaso com a vida  5° FOCO NA EVOLUÇÃO, nesses ele fala da questão do
tempo. “A LUA DIFERENTE OU SOBREVIVENTE”

AUTOR

[LINK]

ALGUMA POESIA

9
POEMA DE NATAL
VINÍCIUS DE
MORAES  Se encontra na obra intitulada de POEMAS, SONETOS E
BALADAS de Vinícius, ela faz parte da 2° fase do poeta.
 Nela ela difere do parnasianismo e faz uma comemoração
da morte da tristeza para colocar que devemos passar por
[2°FASE MODERNISTA] esses momentos para alçar a felicidade.
 TEM INÍCIO NA POESIA  O poema em si fala que a vida é assim mesmo; choramos e
COM O LIVRO DE fazemos chorar; temos braços longos para dar adeus e mão
DRUMMOND E NA para colher o que foi dado.
PROSA COM A ”Para isso fomos feitos:
PUBLICAÇÃO DE JOSÉ Para lembrar e ser lembrados
AMÉRICO DE ALMEIDA “A Para chorar e fazer chorar
BAGACEIRA” Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
 Ele possui duas fases, a Mãos para colher o que foi dado
1° é transcendental, Dedos para cavar a terra. “
voltado para o lado
místico; já a 2° fase é
voltada para o lado
material. AUTOR
 CARACTERÍSTICAS
DA 2° FASE
 Renúncia à superstição e
ao purismo abordando
uma atitude mais
brincalhona e amorosa
 Faz uma passagem do
espiritual para o sensual,
do metafísico para o
físico e retoma o
romantismo.

[LINK]

 POEMA DE NATAL

10
CARTAS AO MEU AVÔ
MANUEL
BANDEIRA  Publicado no seu livro de estreia “CINZA DAS HORAS”
tem como tema central não só o amor vivido pelos avós,
mas também a leitura em si, pois segundo ele é ela quem
permite conhecer o amor antes da sua existência.
 Lendo as cartas o eu lírico se comove com o romance que
existiu antes da sua existência.
[MODERNISMO]  A CHUVA é colocada como uma busca por refúgio. Além
disso, ela dá a ideia de monotonia ao poema.
1° FASE “A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente...
 Poesia nacionalista,
A chuva, em gotas glaciais,
polêmica e contra o
tradicionalismo. Uso de Chora monotonamente.”
versos livres e sem o uso  Ele busca colocar forma e sentido na sua poesia,
de métrica. proporcionando ao leitor a melancolia (estado de tristeza,
 Poemas com muito saudade) com a atmosfera chuvosa, no ritmo repetitivo,
lirismo e voltados à para mostrar a sua frustação pessoal diante da sua
temas do cotidiano e a imaturidade nos seus relacionamentos em contradição ao
melancolia. amor dos seus avós que nasceu, cresceu, amadureceu e
 Crítico do envelheceu sem se desfazer.
parnasianismo
“E eu bendigo, envergonhado,
Esse amor, avô do meu...
Do meu, — fruto sem cuidado
Que ainda verde apodreceu”
[LINK]
 O autor ainda faz o suo de dois momentos em que o eu
lírico chora: um metafísico e o outro Físico.
 CARTAS AO MEU
AVÔ
 EU VI UMA ROSA FÍSICO
“A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.”
METAFÍSICO
“Mas a alma, em gotas mansas,
Chora abismada no luto
Das minhas desesperanças...”

11
EU VI UMA ROSA

AUTOR
 Publicado na coletânea “LIRA DOS CINQUENT’ANOS”
em 1940 o poema começa com uma ANÁFORA (repetindo
o título no 1° verso)
 Com um tema central de solidão a primeira estrofe, por
colocar a rosa sozinha, é uma antítese da segunda que em
seu entorno tem a natureza, o sol e os sons. Além disso,
tem o uso de hipérbole.
“Tudo isso era excesso”
 Na terceira estrofe o autor faz uma reflexão de como uma
rosa, ali sozinha no galho consegue ser tão bela, guardar
tantos segredos e ainda continuar pura.
 Na quarta estrofe o uso de anáfora e aliteração marcam
uma abstração, que sem sair do plano físico expressa a paz
(nesse momento estava acontecendo a segunda guerra
mundial) e se comunica com o anjo Gabriel.
“Tão pura e modesta,
Tão perto do chão,
Tão longe na glória,
Da mística altura,
Dir-se-ia que ouvisse
Do arcanjo invisível
As palavras santas
De outra Anunciação”.
 Nesse poema o autor se realiza, pois se compara a rosa.
Ele lutou a adolescência e a vida adulta contra a
tuberculose e se viu sempre sozinho e sem amigos no
hospital. E por fim, como termina o poema (a rosa acaba
ficando sozinho, por não ter mais atenção) ele fica só.

12
CATAR FEIJÃO
JOÃO
CABRAL DE  Faz parte do livro A EDUCAÇÃO PELA PEDRA publicado
em 1965.
MELO NETO  Tendo como objeto a construção do poema, o autor
coloca que ela deriva de um processo de escolha e
combinação, em que assim como o feijão, as palavras leves
e ocas são selecionadas (feijões que boiam na água) pelos
[3° FASE DO MODERNISMO] verdadeiros artistas para construir uma poesia que fale.
 Diferente dos outros poetas da mesma escola literária, ele
não aborda uma perspectiva idealizadora ou pessimista,
 Culto ao passado,
ele é nu e cru com as palavras, as coloca sem um sentido
defesa do academicismo
valorativo.
e oposição a liberdade
“Catar feijão se limita com escrever:
formal de escrita.
joga-se os grãos na água do alguidar
 João tem uma relação
e as palavras na folha de papel;
com o teatro vicentino
e depois, joga-se fora o que boiar.
(teatros escritos por
Certo, toda palavra boiará no papel,
GIL VICENTE) e é
água congelada, por chumbo seu verbo:
considerado um poeta
pois para catar esse feijão, soprar nele,
de poucas palavras.
e jogar fora o leve e oco, palha e eco”.

AUTOR
[LINK]

 CATAR FEIJÃO

13
AO REI D. AFONSO VI - 1967
PADRE
ANTÔNIO  Apesar de ser endereçada ao D. Afonso, a carta era para a sua
mãe.
VIEIRA  A carta e inicia com os dizeres de que a empresa de catequização
e colonização estava sendo boa.
 Antônio dizia que era contra a escravização dos índios e defendia
que era necessário dar condições a eles, respeitando as leis. Ou
seja, não bastava que existissem leis, era necessário que elas
[BARROCO] fossem respeitadas. E para endossar o seu argumento fala que a
cólera divina pode ameaçar a coroa espanhola caso isso não fosse
cumprido.
 TEM INÍCIO COM  Faz um apelo místico (recorrendo a menção de Deus) para dizer
PORSOPOPÉIA DE BENTO que caso não se faça o que o Padre recomenda, muitos coisas
TEIXIERA. ruins viriam para a coroa.
 Além disso, coloca recomendações do que poderia ser feito com
 Uso de antíteses e o que ele já tinha dito que deveria ter feito; como a expulsão de
paradoxos quem colocasse uma religião como correta ou quando os
 Fuga do tempo e governadores fossem duros com os índios. Por fim ele consegue
incerteza da vida a promulgação do que queria.
 Rebuscamento e
ornamentação
exagerada.
 Luta do Espiritual X
Carne.
 CONCEPTISTA
“JOGO DE IDEIAS”

[LINK]

 CARTA AO REI

14
PAI CONTRA MÃE
MACHADO DE
ASSIS  Um conto em 3 PESSOA, tem o narrador como um
representante da classe branca, é escravocrata, cruel e
irônico.
 É voltado para a questão da escravidão, tendo CÂNDIDO
[REALISMO] NEVES como protagonista.
 TEM INÍCIO COM A  Ele começa com uma ampla descrição do processo de
PUBLICAÇÃO DE escravidão, como os castigos sofridos pelos negros –
MEMÓRIAS PÓSTUMAS “máscara de folha-de-flandres” que fechava a boca deles e
DE BRAS CUBAS. os impedia de beber; “Corrente de aço” que prendia
 Traz na sua obra a ironia aqueles que tentavam fugir.
e o humor.  Cândido era um cara chamado de caiporismo pois não
 Apesar de ser conseguia parar em emprego nenhum. Certo dia ele
considerado por muitos conhece CLARA, com quem, depois de casado, vai morar
do realismo, ele tem a sua na casa da tia da moça
obra dividida em duas  Eles resolvem ter um filho, o que acaba assustando a tia,
fases: ROMÂNTICA E uma vez que a oscilação de emprego do moço não era
REALISTA. garantia de um futuro próspero aos dois.
 Tem um uso psicológico  Um certo dia eles têm o filho e como previsto, não
dos personagens muito possuem dinheiro para o sustento. São ameaçados de
forte, apresenta uma despejo e recomendados pela tia para dar o pia para a roda
descrição delicada, com o dos enjeitados.
uso da metalinguagem.  Convencidos de dar o menino, Cândido, que depois de
 Tem como característica casado resolveu levar uma vida caçando os escravos, dá a
o pessimismo ao retratar cartada final pegando uma escrava a qual pagariam 1000
a imperfeição da contos de réis.
humanidade.
 Cria personagens
femininas racionais, O ENFERMEIRO
dominadoras, sensuais e
principalmente adúlteras.
 A narrativa é em 1° PESSOA, com foco no personagem
PROCÓPIO.
 Tem como estratégia de prender a atenção do leitor
iniciando a narrativa do conto pelo final
 Enfim, o conto fala de Procópio, um enfermeiro ledor da
[LINK]
bíblia que resolveu cuidar de um coronel enfermo.
 CONTOS  O pedido de perdão no início do texto remete à tortura
psicológica que o enfermeiro passa depois de ter matado o
coronel e ter recebido toda a herança do homem. O pior

15
de tudo é que a população achava que o PROCÓPIO era
O ESPELHO um homem bom por ter aguentado o velho chato

 O conto fala de Jacobina, O CASO DA VARA


um homem que subiu na
vida depois de ser
nomeado a um posto  O conto fala de um protagonista egocêntrico que para sair
militar. Certo dia, do seminário acaba envolvendo três pessoas, em que uma
debatendo com mais exerce poder sobre a outra em prol dos seus benefícios
quatro amigos sobre a próprios.
alma e o universo, ele  O narrador é representado por alguém de uma classe
ficou calado até dominante. Nesse conto os negros são vistos como
perguntarem a sua submissos e dependentes.
opinião. Defendia que o  Ao final ele usa a ironia para criticar a escravidão
ser humano tinha duas  O livro fala sobre um moço Damião que foge do seminário
almas: a interior e por não querer seguir carreira eclesiástica, que tinha sido
exterior. escolhida pelo pai. Então sem querer ir para o seminário,
 Certo dia sua tia – ele busca refúgio na casa de Sinhá Rita - viúva com quem
MARCOLINA – o chama seu padrinho, João Carneiro mantinha relações sexuais.
para ir em seu sitio.  Ao explicar seu desgosto pelo seminário, Sinhá Rita resolve
Chegando lá ele recebe ajudá-lo. Por isso, manda chamar João Carneiro a fim de
um espelho que pertencia que ele intercedesse junto ao pai de Damião.
à família real portuguesa.  Damião, em pouco tempo, está à vontade, animando a
A partir disso, ele começa negrinha Lucrécia, criada da casa. Assim, Sinhá Rita,
a se ver como os outros o percebendo o desleixo da menina com seus afazeres
enxergam, perdendo a sua ameaça Lucrécia com uma vara. Isso significava que se ela
essência. não terminasse suas tarefas até à noite seria punida.
 A sua tia vai viajar e no  Damião resolve que a protegeria, aso sinhá Rita resolvesse
sítio, com a fuga dos surrá-la com a vara. João Carneiro é colocado a par da
escravos ele acaba ficando situação e envia um bilhete, dizendo à sinhá Rita que o pai
sozinho, o que segundo do rapaz resistia a ideia de vê-lo fora do seminário.
ele o fez perder a sua alma  Então, por um bilhete sinhá Rita responde que ele salve o
exterior. Porém, veste sua moço ou nunca mais vai vê-la. À noite, quando era hora de
farda e se olha no espelho, recolher os trabalhos, Lucrécia não tinha terminado o seu.
recuperando a imagem Sinhá Rita, irada, pega a menina pela orelha e pede a Damião
dos outros sobre ele. a vara. Ele vacila, mas decide proteger-se a si mesmo.
 Por fim, é claro que o
autor resolveu mostrar ao
leitor que muitas vezes a
nossa aparência, visão dos
outros sobre nós, vale
mais do que a nossa
própria alma interna.
 SER X PARECER

16
O NEGRO BONIFÁCIO
SIMÕES DE
LOPES NETO  Faz parte do livro contos gauchescos de 1912 e é narrado
por BLAU NUNES – vaqueiro do RS, simboliza nos
contos a tradição e o respeito,
 O conto fala de Tudinha, filha de sinhá Firmina, que tinha
[PRÉ-MODERNISMO] 4 namorados, entre eles o Nadico.
 Tem início com OS  Chegando ao rio, Bonifácio faz uma aposta com a moça,
SERTÕES de Euclides da para ela escolher o cavalo que achasse que ganharia.
Cunha e CANAÃ de Graça Fazendo isso a menina ganha.
Aranha.  O cara foi lá pagar a aposta, mas os namorados da moça
 O PRÉ-MODERNISMO tem não gostaram e Nadico acabou jogando os doces na cara
como características uma do velho.
visão mais conservadora e  Emputecido, o Bonifácio deixa nadico com a barriga
uma mentalidade mais aberta sangrando; e ao mesmo tempo que coloca o facão
na mãe da menina, cai no chão depois de levar um tiro na
positivista, agnóstica e
cabeça.
liberal
 Tudinha, doida com o que aconteceu, vai e coloca o facão
 Simões é a principal figura no olho do Bonifácio.
do regionalismo rio-
grandense.
 Seus enredos são voltados NO MANANTIAL
ao modo de vida, costumes
e a psicologia.
 Faz uma exaltação do  Conto narrado em 3° pessoa
gaúcho, colocando-o como  Ele começa falando da que no meio da TAPEIRA – casa- de
guerreiro, honesto e Mariano havia um MANANTIAL (espécie de pântano), em que no
trabalhar, adotando para meio tinha uma roseira plantada por um defunto. Fato que, somado
isso uma linguagem com relatos dos carreteiros – viram duas almas, uma chorando e a
regionalizada sem romper outra suspirando-, influenciou para que o local fosse mal-
com a norma culta. assombrado.
 NOS TEXTOS  Então o foco vai para a paixão que surge depois da família
REGIONALISTAS NÃO HÁ de Mariano ter ido até a casa do brigadeiro Machado; Maria
DIVISÃO SOCIAL. Altina, filha do Marino, se apaixona pelo filho do dono da
 O pré-modernismo por sua casa depois dele ter lhe dado uma rosa vermelha.
vez, foi uma transição do  Chicão, filho do Chico Triste, estava apaixonado pela Maria
simbolismo ao modernismo, Altina, porém, ela não lhe dava bola. Então ele aproveita
rompendo com a estrutura que um batizado está rolando na sua casa e vai direto para
do parnasianismo, adotando a casa de Mariano, chegando lá, mata a avó e tenta pegar a
uma linguagem mais menina a força, contudo, ela acaba fugindo de cavalo e no
coloquial, retratando a manantial encontram apenas o seu chapéu com a rosa
marginalidade dos boiando. Mariano vê Chicão, dá um tiro, depois luta com
personagens: caipira, mulato ele e acaba morrendo junto.
e sertanejo.

17
O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS
LIMA BARRETO
 O conto faz uma crítica à artificialidade de alguns
intelectuais, a política dos favores, a eficiência dos títulos
[PRÉ-MODERNISMO]
num país de doutores, retratando a sociedade braileira
 TEM INÍCIO COM OS
com vocação para o improviso e oportunismo. Os
SERTÕES DE EUCLIDES
diplomas são usados de status e rotulam muitos como
DA CUNHA E CANAÃ DE
inteligentes.
GRAÇA ARANHA.
 O personagem principal, CASTELO, é quem narra a
história. Ele não gostava de trabalhar regularmente e
 Linguagem coloquial
sempre tinha que se mudar de pensão por falta de
 Temas políticos,
pagamento. Depois de conhecer o barão, ele começa a ter
econômicos, históricos
um olhar para trambicagens rendosas, disposto a levar
e sócias.
vantagem em tudo, ele não exita em mentir e enganar para
 Transição do
defender o seu.
simbolismo para o
 Barão que tinha medo de levar o nome da familia a ruinas,
modernismo.
resolve aprender javanês com o CASTELO, só para manter
 Lima Barreto tem uma
o seu status.
característica de falar
 Além de boa-fé o personagem tem muita sorte em não ser
acerca do amor, paz e
desmascarado devido o atraso do cônsul holandês e por
tranquilidade,
ter sido enviado para a parte de tupi guarani, não
retratando a vida urbana
precisando ter que provar o sue conhecimento em javanês.
e as transformações do
Voltando da viagem de paris, ele é consagrado por todos.
início do século
 O conto ainda fala da herança que o barão recebe de um
parente português e que ao morrer deixa-a para
CASTELO. Este, com dinheiro e amigos, consegue
ingressar na carreira de diplomático.
 Além disso, Lima Barreto nos apresenta um país sem leis e
pouco preocupado com verdades, talentos ou inteligências
sinceras. Embora satírico, O homem que sabia javanês é
uma crítica áspera "aos políticos e aos donos da vida em
geral, à mania de ostentação, ao vazio intelectual e à
incompetência"

[LINK]

 O HOMEM QUE SABIA


JAVANÊS

18
ESSES LOPES
JOÃO
GUIMARÃES  Está no livro TUTAMEIA e fala da questão da maldade e
ROSA violência e como isso pode contaminar a vítima quando ela
se torna vingadora.
 Para entender melhor o conto devemos nos atentar ao
significado o do sobrenome LOPES – LOBO.
[MODERNISMO]  Em segundo plano a moça, Flauzina, que é violentada, se
3° GERAÇÃO torna uma vingadora tão cruel como os seus agressores.
 Tem como  Primeiro ela se torna amante de um Lopes que segundo
características a ela é o mais cruel, pois é o que começa a história sexual
preocupação com ela. Com isso, ela começa a pegar todos os bens
existencialista, o desses Lopes e resolve ter um filho com ele para ganhar a
afastamento da confiança do cara. Por fim, na sua terceira estratégia ela
abordagem regional aprende a ler com as crianças que iam para a escola, para
 É introspectiva, eclética ter um conhecimento das letras e ficar mais instruída.
e universalista.  Um deles, àquele com o qual teve um filho, ela vai
matando-o colocando veneno na sua comida e bebida
[1°LOPES] e já no enterro do cara dois outros Lopes
DESENREDO buscam ela. O segundo acaba sumindo no mundo.
 Então, vira amante de um e lhe dá dois filhos, ganhando a
sua confiança, com isso, ela se aproxima de outro LOPES.
 A história Assim, os dois entram em um conflito para disputar o
aparentemente é de coração da jovem e acabam morrendo. [3° e 4° LOPES]
uma mulher adultera,  Por fim, tem-se o ultimo LOPES, o mais rico e mais velho.
porém ocorre uma Exige que ele case com ela e ele fixado nela casa-se com
discussão sobre a ela e o mata com excesso de sexo, prazer e comidas
linguagem. gordurosas [5° LOPES].
 Joaquim era apaixonado  Os seus filhos, ela os manda para fora para vender gado,
por uma mulher casada pois ela não tem apreço por eles, querendo se livrar deles
e acaba descobrindo  Análogo ao conto da chapeuzinho vermelho, a mulher de
que era o 2° amante da chapeuzinho vermelho se torna a loba cruel da história.
mulher, ficando tão
triste por saber que era
COTINUAÇÃO DE DESENREDO
apenas mais um, ele
volta a forma de barro  Na parte da bíblia de gênesis, Deus faz o mundo, chamando Adão
(na imagem bíblica é a para nomear as coisas. Já no conto, Joaquim começa a falar que a
forma com que DEUS mulher, a qual ele foi amante, nunca teve amantes, criando uma
fez Joaquim com um nova mulher pura, sem pecado através da linguagem, convencendo
sopro). a si e a população sobre a pureza dela. Com isso Guimarães nos
[LINK] faz perceber que a linguagem pode mudar as situações e que o
 DESENREDO e ESSES imaginário é importante na construção das coisas.
 A mulher, ao acreditar no cara, volta pra ele e vivem juntos.

19
FAZENDO A BARBA
LUIZ VILELA
 Narrado em terceira pessoa, o conto fala de um cara que
morreu e devem aparar a sua barba para o velório.
[3°FASE MODERNISMO]
 O conto se refere a conversa entre o barbeiro e o seu
 Fez prosas urbanas, que
jovem ajudante acerca da vida e da morte. Barbeando em
são narrativas que
uma manhã um cara que morreu de madrugada. E é isso
mostram como a
aí, não tem muito o que falar, o pia pergunta sobre a
influência do progresso
morte e o conto acaba tomando uma pinga para acalmar
gerou solidão,
os nervos.
marginalidade e
violência.
 Tem narrativas que
partem de cenas do
cotidiano e propõem
uma reflexão sobre elas.
 Diálogos rápidos e
limpos de excessos.

RUBEM O OUTRO

FONSECA
 Conta a história de um executivo que tem uma rotina de
trabalho intensa, no caminho encontra um pedinte e dá a
esmola para o cara. Chegando ao trabalho, ele tem um
[PÓS MODERNIDADE]
ataque cardíaco e com isso, o médico diz que vai ter que se
 Tem como afastar do trabalho. Fica dois meses fora.
característica o  Ele começa a ser seguido pelo pedinte, pois era o único
fetichismo (admiração que o ajudava. Chegando em casa, o cara vai até a sua
exagerada de santos) porta, então ele lhe dá um tiro e, ao fazer isso, toma
 estiona o racionalismo, conta de que o cara era apenas um menino.
da ênfase ao cotidiano,  O tempo do personagem era muito relacionado ao
faz representações trabalho. O conto faz essa referência com a correria do
grotescas e tem estilo dia a dia.
narrativo próprio.  O pedinte acaba atrapalhando a sua vida, por ser um
 Posicionamento obstáculo na sua rotina. Ai ele se pergunta o motivo de
antiburguês. porque ele tem culpa do cara ser pobre.

20
O PERU DE NATAL
MARIO DE
ANDRADE  O conto fala do primeiro natal em família depois da morte
do pai
 A família tem um conceito abstrato de felicidade; já o pai
era desprovido de sensibilidade, não aproveitava a vida. E
[1° FASE DO MODERNISMO]
desse modo não deixava a família curtir a vida.
 A mãe era caracterizada como adorável, preocupada,
 Poesia nacionalista, luta doce e meiga; o narrador tem um carinho muito grande
contra o tradicionalismo por ela.
e uso de versos livres e  O narrador personagem é JUCA, que era rude e não tinha
sem o uso de métricas. uma boa relação com o pai, julgando-o de pobre espirito.
 A REGRA ERA NÃO  O peru é tido como um símbolo da felicidade sem culpa;
TER REGRAS. pois ao comê-lo a família largou mão das tradições do pai,
que rejeitava comemorar o natal.

URUPÊS
MONTEIRO
LOBATO  O conto tem no seu título como apelido do personagem
– URUPÊS – que é um fungo parasita.
 A personagem de Jeca representa toda a miséria e atraso
económico do país de então, e o descaso do governo em
[PRÉ-MODERNISMO]
relação ao Brasil rural. Jeca Tatu foi caracterizado por
 Fala da miséria do Monteiro Lobato como um homem desleixado com sua
Caboclo e a decadência aparência e higiene pessoal, sempre de pés descalços e
da cultura cafeeira. que mantinha uma pequena plantação apenas para
 Retorno ao passado subsistência. Sem nenhum tipo de educação e cultura, Jeca
o regionalismo e a denúncia Tatu era um homem ingênuo e repleto de crendices. Por
dos contrastes, mazelas e fim, era visto pelas pessoas como um alcoólatra e
desigualdades na sociedade. preguiçoso. Porém, como afirma Monteiro Lobato, “Jeca
Como regionalista, ele nos Tatu não é assim, ele está assim”, percebe-se através do
mostra o Brasil rural, texto que Jeca é uma vítima do descaso do governo.
revelando, em tons satíricos,  Além disso, Monteiro Lobato estava preocupado em
sentimentais, irônicos e reproduzir nos seus textos a riqueza da fala brasileira da
patéticos seus costumes, sua zona rural, com seus coloquialismos e neologismos
gente e sua decadência. tipicamente orais.

21
O NEGÓCIO
DALTON
TREVISAN  O conto é uma obra ficcional que cria um universo de
seres e acontecimentos de ficção, fantasia ou imaginação.
 Aproxima-se da poesia e da crônica. Engloba o romance, a
novela e o conto.
 É um conto que fala da relação de Abílio com Julietinha,
que quando o marido viajava se encontrava com o velho.
O sinal deles era de dois toques na porta. Um dia o
vizinho foi tentar imitar e a mulher vai atender a porta; o
homem chantageia ela e ela o joga água quente na sua
mão.
 Depois conta tudo pra Abílio que nunca mais volta a se
encontrar com ela por medo.

MORRE DESGRAÇADO

 Fala da agressão do marido contra a mulher, o qual os


filhos interferem. Ele tenta bater nela com uma vassoura e
a quebra no canto da mesa, o que o deixa doido para
mata-la; além disso a mulher é surrada com um rosário,
conferindo sensacionalismo às cenas
Um coice me jogou contra a parede.
Não contente, passou a mão no rosário pendurado na
cabeceira, malhou a minha cabeça, só conta negra por
todo canto.
- Corra, mãe. Que o pai te mata.
Pegou a vassoura atrás da porta e me encheu de pancada.
Me desviei, a criança ali nos braços, o cabo deu no canto da
mesa e se quebrou.
- Aí, cavala. Viu o que fez? Agora me paga.
- Me mate, mulher. Senão você morre.
Saía sangue pelo nariz e a boca. Meio que se aprumou, e
disse:
- Se me levanto, diaba, é o teu fim.
Suspendi a acha, fechei o olho, dei o terceiro golpe.
- Morre, desgraçado.
A força de mãe foi que me valeu.

22
O ARQUIVO
VICTOR
GIUDICE  Escrito em 3° pessoa, o narrador é onisciente e fala da
trajetória de joão, um funcionário de repartição que é
promovido ao declínio de carreira e rendimento mensal.
Tem seu nome escrito em minúsculo para descaracteriza-
 Homem versátil, lo e diminuir o personagem.
transitava entre o  O conto fala da questão do agradecimento em relação a
erudito e o popular redução do salário e o aumento da jornada de trabalho, o
 Tematiza a hipocrisia e que joão encarou como algo bom, mostrando a
as disfunções da mecanização do ser enquanto cidadão, sem tempo e
sociedade. análogo à escravidão.
 Retrata uma forma irônica de apresentar as relações de
[LINK] trabalho (mais-valia – produzir mais por menos).
 O conto termina falando que depois de 40 trabalhando
para a empresa o cara virou apenas um objeto facilmente
 O ARQUIVO substituível.

CLARICE FELICIDADE CLANDESTINA

LISPECTOR  O conto se passa em Recife, com uma menina como


personagem principal.
 Ela descreve uma menina de cabelo crespos e um pai
dono de livraria. Essa sua amiga, mesmo tem o seu pai
[3°GERAÇÃO MODERNISTA] como empresário do ramo nunca dá um livro para as
 TEM UMA PROSA amigas nos aniversários.
MAIS  A amiga que ela descreve diz que possui um livro do seu
INTROSPECTIVA. interesse, porém, ela sempre posterga e inventa uma
 Não tem linearidade, ela desculpa. Um certo dia, a mãe da amiga atende a
está mais preocupada personagem e percebe que o livro que era prometido
com o fluxo de estava parado no quarto. Diz para a menina que pode ficar
consciência. o tempo que quiser com o livro.
 Narrativa epifania  Ela fica muito feliz com o livro, e sempre dá um jeito de
(quando o personagem esquecer onde o coloca só para ter a sensação de acha-lo.
tem uma sensação de
entendimento)

23
FOGO MORTO
JOSÉ LINS DO
REGO  Faz parte do romance de 30 e é ligado ao ciclo do engenho.
 A narrativa é composta de três partes:
1° - centrada no mestre José Amaro, fabricante de selas
para animais e cavalos, produtos decadentes ao período
[MODERNISMO 2° FASE] devido o processo de industrialização. Fala de um
 Tem influência do personagem que fica ressentido em ter sua mão de obra
romantismo e realismo substituída por um modelo de produção em série. Além
disso, o mestre possui uma filha, MARTA, que tem
 Valoriza a cultura
problemas e não se casa (não dando continuidade ao sangue
nacional com uma da família). Com isso fica evidente o seu descontentamento
temática cotidiana e com a vida, tanto no íntimo, como na vida profissional. O
linguagem coloquial. mestre curti o cangaceiro da região por considerá-lo como
 Lins, coloca a mulher alguém que faz justiça com os pobres, o que depois vai
solteira como algo ruim, resultar na sua prisão e humilhação pelo povo. Tem uma
ridicularizando-a quando parte que a filha começa a ter convulsões e ao tentar salvá-
a idade de casar estoura la ele espanca a menina. Já a sua aparência de cansado e
e ela não o faz. com olheiras faz o povoado o apelidar de lobisomem; com
isso, a própria mulher fica com medo do marido e foge e a
filha acaba enlouquecendo. Por fim, ele se mata.
[LINK] 2° - Fala do engenho de Seu Lula, sendo o dono o narrador
dessa parte, ela aborda o período de construção do
FOGO MORTO Engenho de Santa fé. O homem se tornou renomado e
tenha como sonho casar a sua filha com um cara educado
e que a merecesse; até que chega o filho de Antônio
Chacon lá de Pernambuco, encantando o pai da moça.
Depois de casados, o cara não se interessa pelos negócios.
Com a morte do Seu lula, ele assume o engenho e acaba
sendo autoritário, impondo severos castigos aos escravos;
com a abolição da escravidão ele se ferra e o engenho entra
em decadência. Impede sua filha de casar com um homem
humilde, prejudicando a imagem dela. E por fim, depois de
um ataque epilético ele se entrega à religião.
3° - é uma narrativa centrada em Vitorino, cavaleiro que
ostenta poder e dignidade (que não possuía), o que faz essa
parte ser uma paródia de Dom Quixote de La Mancha. Fala
da invasão de um capitão ao engenho e a atuação de
Vitorino na defesa do lugar, agredido, ele é salvo com a
intervenção de José Paulino. Todos acabam presos e o
protagonista acaba seguindo carreira política pela região.
ESTAR DE FOGO MORTO É NÃO ACENDER AS
FOGUEIRAS DO ENGENHO.

24
LAVOURA ARCAICA
RADUAN
NASSAR  O romance é estruturado em duas partes, sendo A
PARTIDA os vinte primeiros capítulos e O RETORNO os
outros oito.
A PARTIDA
[PÓS-MODERNISMO]
Narrado na pensão onde André estava, essa parte aborda a
recepção do irmão Pedro que foi enviado pelo pai para levar o
 Raduan Nassar cria um mais jovem de volta para o lar. Além disso ele fala dos motivos
universo literário que que o levaram a sair de casa, revelando ser epilético e que não
retrata o peso da suporta mais as leis clericais do pai na lavoura. Conta das suas
tradição cristã, experiências amoras, mostrando-o uma caixa com os pertences
patriarcado e do de umas prostitutas. Posteriormente lhe diz sobre a relação
trabalho. amorosa com a irmã Ana, expondo a rejeição que teve da moça.
 Não retrata apenas
circunstâncias do
“me entreguei feito menino à pressão daqueles dedos grossos que
contexto histórico,
como a promoção de me apertavam uma das faces contra o repouso antigo do seu seio;
curvando-se, ela amassou depois seus olhos, o nariz e a boca,
uma consciência política
contra o autoritarismo, enquanto cheirava ruidosamente meus cabelos, espalhando ali, em
mas também investiga língua estranha, as palavras ternas com que sempre me brindava
desde criança: meus olhos meu coração meu cordeiro”
os aspectos sociais que
determinam a “era Ana a minha fome, [...] era Ana a minha enfermidade, ela
constituição das minha loucura, ela o meu respiro, a minha lâmina, meu arrepio,
relações socais. meu sopro, o assédio impertinente dos meus testículos, [...] eu, o
irmão do cheiro virulento, eu que tinha na pele a gosma de tantas
lesmas, a baba derramada do demo”

O RETORNO
Fala da volta do menino para a casa, que será recebido por uma
festa (analogia à parábola do filho prodigo da bíblia). Retrata a
conversa de André com o pai em que o menino promete fazer os
afazeres da casa, sendo perdoado por ele. Ainda nessa parte, o
filho mais novo, Lula, conta para ele que queria fazer o mesmo
que André, mas que não irá voltar, buscando se libertar das
amarras de Pedro e do Pai. Além disso, O RETORNO, mostra a
Ana vestida com os pertences das prostitutas guardadas por
André, ela invade a festa e começa a dançar doidona; Pedro conta
para o pai o relacionamento que ela teve com o irmão ele à mata.
 Narrado em 1° PESSOA.

LAVOURA ARCAICA

25
DÔRA, DORALINA
RACHEL DE
QUEIROZ  Em Dôra, a autora retrata a liberdade das mulheres de
20,30 e 40 anos que se sentiam vítimas da sociedade
patriarcal.
 A história de dores e perdas é contada pela protagonista
[MODERNISMO 2° FASE] que, inicialmente frágil e dependente, torna-se uma mulher
 Retrata temas livre, emancipada, até apaixonar-se pelo Comandante de
espirituais, políticos, um navio, a quem se submete por opção e amor.
sociais, metafísicos e de  Dôra é uma personagem marcada pala dor. Perde o pai
questionamento muito criança e é criada pela mãe - uma mulher
existencial. dominadora, seca, que em vez do amor maternal lhe
 Diferente da primeira
oferece a indiferença. Além disso, elas não se amam, mal
fase – poesia – a
se suportam.
segunda fase retrata a
prosa, com destaque à  A história é composta de três livros (SENHORA)
de ficção. (COMPANHIA) (COMANDANTE)
 Prosa regionalista  No primeiro, SENHORA, Dora narra a relação
Busca os traços peculiares conflituosa com a sua mãe – a Senhora -; falava da sua
da realidade, usa uma frieza e falta de amor além de colocar a sua dor diante da
linguagem próxima da fala traição dela com Laurindo. Com isso, não se sente mais
do brasileiro e tem uma presa a Fazenda Soledade e começa a pensar em buscar
influência socialista. novos ares, deixando para traz até as suas lembranças da
 É inaugurada com A infância.
BAGACEIRA de  Essa decepção de Dôra lhe impulsiona para que consiga a
José Américo. sua liberdade; entrando na Companhia de Teatro dá um
 Raquel usa o discurso passo seguro para essa conquista. [LIVRO 2]
direto e a análise  Lá ela conhece Estrela e o Seu Brandini, pessoas com a
psicológica dos quais ela cria um forte vínculo de amizade e que, a
personagens. despeito da sua timidez e falta de talento, a transformam
em uma atriz do teatro. Tentando romper definitivamente
DÔRA, DORALINA com seu passado, ela assume uma nova identidade – se
torna na atriz Nely Sorel. De bilheteria em bilheteria Dora
vai realizando seu sonho – o sonho de liberdade.
No romance a figura da força  No entanto, em uma travessia do rio são Francisco para
patriarcal fica inicialmente com a chegar ao Rio de Janeiro ela acaba conhecendo o
SENHORA e depois se vê na COMANDANTE e se torna a prisioneira de um grande
própria Dora, que com a perda amor, desistindo da vida de atriz. Apesar de ser violento e
desse amor volta ao comando da machista, ela encontra nele a falta de afeto de Laurindo e
Fazenda Soledade, sempre da sua mãe, recebendo o amor que faltara na criação sem
ambicionada pela garota. o pai.
“A MÁ FILHA A CASA
VOLTA”

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