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Curso Só Humanas-​ Profº Vicente Gualberto​ - Curso Só Humanas 

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​História da Bahia
Organização: Prof Vicente Gualberto

​1.Descobrimento 

Descobrimento e formação do Estado da Bahia Segundo os mais diversos autores de História do Brasil, o
descobrimento de nosso país foi mais um acontecimento, certamente planejado, da expansão marítima realizada
por países europeus de grande poder como Portugal e Espanha além dos Países Baixos e da França. Segundo
Tavares (1987) em março de 1500 partiu de Portugal a esquadra comandada pelo fidalgo Pedro Álvares Cabral,
em direção a Índia e, que desviando de sua rota, ao entardecer do dia 22 de abril atingiu um ponto do litoral sul do
atual Estado da Bahia, hoje chamado Bahia de Cabrália. Segundo o mesmo autor, o efetivo descobrimento das
terras baianas, mais especificamente da Bahia de Todos os Santos, que marca o descobrimento do estado, deu-se
no dia 1º de novembro de 1501, sendo responsável pelo evento, a esquadra pilotada por Américo Vespúcci que
partiu de Lisboa em 10 de maio de 1501. A maior prova da veracidade desta data é o trecho da carta de Vespúcci
à Pedro Soderini, a respeito da viagem de 1503, onde se refere à viagem de 1501: "...porque tínhamos um
regimento d'El-Rei ordenado que, se qualquer dos navios se extraviasse da frota ou do seu capitão, fosse ter à
terra descoberta (na viagem passada), a um ponto que pusemos o nome de Baía de Todos os Santos..." Desde
então, a Bahia passou a constar nos mapas das terras do Brasil, mais especificamente, de sua costa leste. Também
passou a ser seguidamente visitada por armadas portuguesas que iam para a Índia, servindo de local para
renovação de água potável e conserto de embarcações, entre outros. Esta esquadra foi também responsável pela
constatação da existência de pau-brasil em grande quantidade, produto já conhecido pelos europeus cujo corante
extraído já era usado nas manufaturas têxteis da Itália, França e Flandres. A exploração desta matéria-prima
tornou-se a principal atração das novas terras, atraindo não só os comerciantes portugueses, mas também de
outros povos europeus, principalmente os franceses que mantinham largo contrabando das toras de pau-brasil
para a Europa. Várias outras expedições sucederam-se às já citadas trazendo, aos poucos, os portugueses
interessados nas novas terras. Segundo Tavares (1987) a partir da primeira metade do século XVI o território hoje
chamado Estado da Bahia foi conquistado, colonizado e povoado lentamente em por expedições chamadas
entradas que partiam de Salvador, porto Seguro e Ilhéus em direção ao interior do estado. As entradas eram em
tudo semelhantes às bandeiras de São Paulo mas, foram menos valorizadas que estas. Saíam do litoral e
chegaram ao norte/nordeste, hoje Minas Gerais, Piauí e Maranhão, subindo os rios São Francisco, Paraguaçu,
Grande, Verde e das Contas. Chegaram também ao sul/sudeste navegando o Jequitinhonha, Pardo, Doce e
Mucuri. Tanto no século XVI como no XVII tais expedições foram de grande importância para o inicial
reconhecimento da geografia, riqueza mineral, hídrica, florística e faunística do estado, ainda que seu objetivo
principal fosse a ocupação e o reconhecimento puro das terras. Também forneceram preciosa documentação em
defesa dos limites da Bahia com os estados vizinhos. Holandeses Dentre os europeus que contribuíram e
influenciaram a formação do estado da Bahia, destacam-se os holandeses, Em 1624, durante o governo de
D.Diogo de Mendonça Furtado, foi invadida pelos holandeses, vencendo a resistência dos cidadãos que
abandonaram a cidade. Em 1º de maio de 1625, após diversas batalhas e estando os holandeses isolados e
cercados, a chegada da ajuda dos espanhóis determinou a saída dos holandeses da Bahia. Os holandeses
tentaram em outras ocasiões retomar a cidade do Salvador sem sucesso, o que tornou a Bahia uma referencia na
resistência da colônia aos invasores holandeses que obtiveram sucesso em Recife.

​ ..Grupos Étnicos Formadores 


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A população baiana surgiu da mistura de três grupos humanos: o índio que já habitava o território milhares de
anos antes da chegada dos Portugueses, o africano que foi trazido contra vontade da África e os Portugueses que
vieram para colonizar e explorar as novas terras.

Estes grupos não se mantiveram física ou culturalmente separados e após um curto espaço de tempo, a sociedade
em formação já possuía tipos caracteristicamente brasileiros resultantes da mistura dos grupos iniciais. O mulato
(negro e branco), o cafuzo (negro e índio) e o caboclo (branco e índio) e o resultado de sua mistura, tornaram-se
cada vez mais numerosos numa população dominada pelos preconceituosos brancos Portugueses que detinham o
poder financeiro e político da colônia.

Cada grupo contribuiu de uma maneira para a modelagem da sociedade em formação dando-lhe características
próprias em aspectos físicos e culturais.

Índios

Segundo Ribeiro (1997), ao chegar à Bahia, o primeiro grupo indígena com o qual os europeus tiveram contato foi
o tupiniquim, da família tupinambá, tronco tupi-guarani que já habitava, quase totalmente o litoral de todo o
território baiano. Segundo Soares apud Celene Fonseca, o litoral baiano foi denominado pelos Tapuias
desalojados pelos Tupinambás. Estes chegaram a costa por volta de 100-1200 d.C., ou seja, 300 a 500 anos antes
dos Portugueses. Alencar et all afirma que pesquisas permitem dizer que desde 8000 a.C. grupos humanos
habitam a região que é hoje o Brasil, vindos da Ásia ou Europa. No entanto, pouco se conhece sobre a vida dos
habitantes anteriores à chegada dos Europeus, por isso toda a história do Brasil foi criada pelos colonizadores e
tem uma visão eurocêntrica da vida. Mesmo a denominação ÍNDIO dada aos povos que habitavam as terras do
Brasil é equivocado e decorre da errada idéia dos espanhóis que, anteriormente, pensavam ter chegado à Índia,
ao chegar à América Central.

Além do litoral, também outros grupos indígenas foram logo conhecidos pelos europeus. aimorés e patachós
habitavam as terras próximas ao Espírito Santo e Minas Gerais. Entre o Rio Prado e o Rio de Contas estavam os
camacãs, nagoiós, gongoiós e crancaiós. Os famosos maracás ocupavam o vale do Rio Paraguaçu e Serra Sincorá.
O Nordeste do estado era ocupado pelos cariris. No Rio São Francisco encontravam-se os anaiós e caiapós. Por
fim, chicriabás e acroás habitavam a fronteira da Bahia com Goiás.

Dentre as mais diversas contribuições dos povos indígenas para a formação do novo povo brasileiro está o habito
de tomar banho todos os dias, o uso da mandioca na culinária, a diversificação das bebidas destiladas, o uso de
utensílios de barro e a prática da queimada (coivara) hoje prejudicial à conservação do solo quando praticada em
extensas faixas de terra. Os índios foram de fundamental importância para o reconhecimento das terras e das
riquezas do Brasil fazendo todo tipo de trabalhos para os portugueses como mostrar fontes de madeira ou de
metais preciosos até carregar toda espécie de produtos até os navios. Além disso, foram fundamentais na
construção e manutenção da cidade do Salvador sempre com a intermediação de Caramuru, europeu com o qual
tinham grande aproximação. Com a crescente escravização dos índios em nome da Coroa e da propagação do
cristianismo, os grupos antes simpáticos aos europeus, passaram a se impor ao trabalho tornando difícil o
controle e uso dos povos nativos, também chamados negros pelos europeus.

Negros

A chegada dos primeiros negros à Bahia deu-se próximo aos anos de 1549 e 1550, substituindo o trabalho forçado
de índios escravizados, inicialmente nos engenhos e plantações e posteriormente até nas casas grandes,
baseando toda a economia do estado. Na verdade, não foi por falta de mão-de-obra que a escravização alcançou
as colônias portuguesas, mas por exigência do capitalismo comercial europeu que via no negro cara e lucrativa
mercadoria. As colônias como o Brasil eram obrigadas a comprar escravos das metrópoles européias que
ganhavam muito dinheiro com o tráfico de escravos negros vindos de toda a África. Para a Bahia foram vendidos
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africanos das diversas áreas e nações desde o atual Senegal à atual Angola, na costa ocidental, à costa oriental da
atual Moçambique à atual Etiópia, passando pelos povos do Congo, Niger e Benin. Pela língua foram identificadas
as nações yoruba, ewês, fulás, tapas, ardas, calabares e aussás que falavam árabe e talvez fossem religiosos do
Corão.

Segundo Luis Viana Filho apud Tavares existiu uma sucessão no de povos ou nações trazidos para a Bahia o que
permitiu a organização dos seguintes ciclos: I-Ciclo da Guiné (XVI); II-Ciclo de Angola (XVII); III-Ciclo da Costa da
Mina (XVII); IV-Última fase - da ilegalidade (XIX).Oficialmente o último desembarque de escravos africanos para a
Bahia ocorreu em 1852, na Pontilha, Ilha de Itaparica.

As incontáveis importantes contribuições dos negros para a formação do povo brasileiro e dos seus costumes
estão fortemente presentes no dia-a-dia da população ao longo destes 500 anos. A religiosidade africana
misturada à religião católica formou, no estado da Bahia, a mais brasileira das formas de reverenciar deuses e
santos. O famoso sincretismo religioso é uma das características do estado que teve sua origem nas senzalas
quando em vez de aceitar as determinações católicas para a fé, os negros as adaptaram às suas próprias crenças.
A culinária baiana é quase que totalmente dominada pelos temperos africanos, ainda que tenham os europeus
portugueses rejeitado por algum tempo o sabor forte dos condimentos. Os pratos típicos do estado apresentam
sempre ingredientes como azeite de dendê, camarão seco, amendoim e outros. As danças e músicas, a forma de
comemorar, de vestir e outras mais especificamente baianas tem grande influencia dos rituais religiosos e lutas
negras lentamente assimiladas pela população em geral desde o momento em que foram trazidos para o Brasil.

Assim como os índios, os negros resistiram e lutaram muito contra a escravidão à qual eram submetidos no Brasil.
A mais notável e organizada forma de luta foi, sem dúvida a formação dos Quilombos, que se constituíam em
pequenas e organizadas cidades auto-suficientes na maioria dos aspectos, fundadas pelos negros que conseguiam
fugir das senzalas, dos engenhos e plantações em todo o estado. Exemplos importantes são os quilombos do Rio
Vermelho conhecido no início do século XVII , Cabula de 1807 e Buraco do Tatu formado em 1744, os três na área
ocupada hoje por Salvador atacados diversas vezes. Também no interior do estado formaram-se diversos
quilombos como os de Muritiba e Maragogipe descobertos em 1713, os de Nazaré e Santo Amaro encontrados
em 1801 e muitos outros os quais podem ser melhor conhecidos através do trabalho de Pedreira (1973). Embora
mais conhecidos, os quilombos não foram a única forma de resistência dos negros africanos no Brasil e, mais
especificamente na Bahia. Os registros históricos falam de várias manifestações principalmente no século XIX
como a revolta dos Aussás em 1807, dos escravos em Itapuã e outras armações em 1813, insurreição da Vila de
São Mateus em 1822, todas severamente reprimidas, mas que demonstraram a insatisfação e a revolta dos
negros escravos que lutavam contra a situação de injustiça em que viviam.

​Europeus

O Português foram, sem dúvida, o europeu que mais contribuiu para a formação do povo baiano. Segundo Carlos
Ott apud Tavares a origem dos portugueses habitantes da Bahia no século XVI é, em ordem crescente de
quantidade: Entre-Douro-e-Moinho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo, Algarve, Ilhas, na maioria
homens do campo e de artes manuais. Além dos Portugueses, os Franceses, os Holandeses e por fim Ingleses
influenciaram de alguma forma a população em formação, já que todos mantiveram estreito contato com o povo
brasileiro que nascia da miscigenação entre os chamados três grupos humanos: branco, índio e negro. Estes
últimos, diferentes dos Portugueses passavam pela Bahia em viagem comerciais, principalmente de contrabando
de escravos e matérias-primas como o pau-brasil.

Dentre os mais conhecidos Portugueses que contribuíram para o desbravamento e exploração das terras baianas
está Diogo Álvares, o Caramuru. Segundo alguns autores, Diogo Álvares saiu do Norte de Portugal e foi náufrago
de uma embarcação francesa para a qual trabalhava, nas proximidades do Largo da Mariquita, Rio Vermelho, por
volta de 1509 ou 1511. Recebeu este nome, diz a lenda, por ter saído entre as pedras, coberto de limo na frente
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de um grupo de índios que notou semelhanças entre o Português e o peixe. Diz ainda a lenda que, graças a um
tiro dado para o alto, Caramuru escapou de ser devorado pelos Tupinambás e conquistou seu respeito e aceitação

Caramuru foi o primeiro europeu a conviver com os índios aprendendo sua língua e seus hábitos, por isso, foi
importante ponte entre os índios e os colonizadores servindo mesmo como intérprete e pacificador. Convenceu
os índios a ajudar na construção das vilas como a Ponta do Pedrão (hoje Forte e Farol da Barra) onde viveu e
uniu-se a algumas índias incluindo a Catarina Paraguaçu, com quem se casou e teve filhos legítimos e onde se
instalaram outros europeus como o próprio Tomé de Souza, antes da construção de Salvador. A construção da
Cidade de Salvador foi viabilizada pela ajuda dos mesmos índios que conseguiram material para a construção,
carregaram-no até o local escolhido e edificaram a cidade.

Por defender interesses dos índios ou próprios contra a exploração dos colonizadores ou, como afirmam alguns
autores por sua ligação com os Franceses, Caramuru desentendeu-se seriamente com os representantes de
Portugal e morreu em 1557 sem ter sido reconhecido pelo governo português como fundamental elemento para
a colonização do Brasil.

Dos Portugueses os baianos, como todos os brasileiros, herdaram a forma de sociedade patriarcal. O Português
criou, segundo Tavares (1987) a Bahia agrária, mercantil e escravocrata voltada para as necessidades do
capitalismo comercial que dominava o mundo dito civilizado. As cidades herdaram a arquitetura da moda em
Portugal dando ares europeus à cidade de Salvador. Também a música, a religião Católica, a estrutura familiar
com base no casamento, a prática da monocultura e outras características mais.

3.Política 
Durante quase 50 anos, as terras do Brasil permaneceram administradas à distância, não havendo no país um
cargo específico para o controle político das terras brasileiras .
Em 1549 foi finalmente criado o Governo-Geral com a chegada de Tomé de Souza e a construção de Salvador, a
sede do Governo. Contrariando a opinião de alguns autores, Tavares (1987) afirma que o Governo-Geral não foi
criado para substituir as Capitanias, mas para conservá-las. Portanto, não havia substituição, mas sim a criação de
um centro político, administrativo, militar, judiciário e fiscal.
Segundo regimentos próprios o Governo-Geral deveria promover a segurança militar no litoral, administrar a
cidade de Salvador, cobrar dízimas e redízima devidas ao rei em todas as Capitanias, fiscalizar os deveres dos
donatários e dos colonos para com o rei, julgar os delitos civis e penais. Segundo Alencar (1981) o Governo-Geral
deveria combater tribos rebeladas aliando-se a outras e promovendo adversidades entre elas, realizar entradas
em busca de riquezas minerais, desenvolver a construção naval e estimular a catequese.
Para o Governo-Geral foram criados os cargos de Governador-Geral, Ouvidor-Geral, Provedor-Mor da Fazenda e
Capitão-Mor da Costa. Também foi instituída a Casa da Câmara composta de membros indiretamente eleitos ou
nomeados. Em 1646 passou a denominar-se Senado da Câmara.
A organização política do Brasil se deu, inicialmente, em três sucessivos Governos-Gerais, que foram:

Primeiro governo:
Em 7 de janeiro de 1549 foi nomeado o fidalgo Tomé de Souza para exercer por três anos a função de
Governador-Geral do Brasil com os títulos de Governador das Capitanias e terras da Bahia e Governador das
Capitanias e terras do Brasil. Com ele vieram em torno de 1000 pessoas entre colonos e funcionários subalternos
da Coroa e religiosos da Companhia de Jesus chefiados pelo Padre Manuel da Nóbrega. Inicialmente, Tomé de
Souza e sua gente ocuparam a Vila do Pereira mas,logo foi construída a cidade do Salvador, primeira ação do
Governador-Geral, para onde a população foi deslocada. Ainda durante o primeiro Governo-Geral foi criado o
bispado de Salvador, o primeiro do Brasil que teve como titular o bispo D. Pero Fernandes Sardinha.
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Em 1551 foi introduzido no Brasil o gado trazido de Cabo Verde e a pecuária aliou-se à cultura da cana e do
algodão nas sesmarias concedidas por Tomé de Souza.

Segundo governo:
Duarte da Costa, segundo Governador-Geral, chegou ao Brasil em 13 de junho de 1553, trazendo mais alguns
jesuítas como Jose de Anchieta. Este governo caracterizou-se pela desarmonia existente entre membros do
governo, jesuítas e colonos. No entanto, foi no segundo Governo de Duarte da Costa que se efetuou a conquista
do Recôncavo cujas terras férteis de massapé impulsionaram ainda mais a produção de cana-de-açúcar.
Seu filho Álvares da Costa destacou-se na guerra contra os índios que não aceitavam o domínio europeu, sendo
formada neste governo uma tropa regular e paga usada nas batalhas de extermínio.

Terceiro governo:
No ano de 1557, Men de Sá veio para o Brasil e iniciou o terceiro Governo-Geral.
Sua administração durou quinze anos, contra sua vontade, pois solicitou sua volta para Lisboa, sempre adiada
pelo rei de Portugal. Apoiou jesuítas na catequese de índios, mas ao mesmo tempo, promoveu o extermínio dos
mesmos índios em guerras financiadas pelo seu Governo. Criou igrejas e concluiu a construção da Santa Casa de
Misericórdia, mas suas ações não se limitaram a capitania da Bahia. Men de Sá foi responsável pela expulsão dos
franceses que se encontravam desde 1555 na Bahia de Guanabara.
Trouxe para o Brasil 336 escravos africanos e moças órfãs para casarem-se com os colonos, agradando muito a
igreja que condenava as ligações entre os europeus e as índias.
Com a morte de Men de Sá, foi Governador o Ouvidor-geral e Provedor-Mor, Fernão da Silva.

Quarto Governo:
O quarto Governador-Geral, Luís Vasconcelos, faleceu antes de chegar à Bahia. Após esse fato, o rei bipartiu a
administração das terras do Brasil e nomeou dois governadores. D. Luiz de Brito e Almeida, Governo-Geral de
Bahia, Ilhéus, Pernambuco e terras mais ao norte; e D. Antonio de Salema, Governo-Geral de Porto Seguro,
Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Vicente e terras mais ao Sul. Nesta nova situação houve a nomeação de muitos
para ocuparem os cargos do Governo, agora em dobro.
Em 12 de abril de 1577 Lourenço da Veiga foi nomeado Governador-Geral e as terras e a administração foram
unidas outra vez. Esta medida reduziu os gastos e o número de funcionários em muito aumentados por causa da
divisão.

Até a invasão dos holandeses foram os seguintes os Governadores-Gerais:


Diogo Lourenço da Veiga, D. Manuel Teles de Menezes que governou até 1587, D. Francisco de Sousa, Diogo
Botelho que governou de 1602 a 1608, Diogo de Menezes quando se dividiu outra vez o Brasil em Norte e Sul,
Gaspar de Souza e Luís de Sousa.
Em 1624, durante o Governo de D. Diogo de Mendonça Furtado, Salvador foi invadida pelos holandeses,
vencendo a resistência dos moradores que fugiram da cidade, mas voltaram diversas vezes para atacar e cada vez
mais enfraquecer os holandeses. Em 1625, após um ano de dominação holandesa da cidade e transcorridas
diversas batalhas, encontraram-se os holandeses isolados, sem comida e cansados. A chegada da ajuda dos
espanhóis determinou definitivamente a rendição e saída dos holandeses da Bahia. Houve posteriores tentativas
de tomar de assalto a cidade de Salvador, mas todas sem sucesso.

A Bahia no século XVIII:


No século XVIII a estrutura político-administrativa voltada para os interesses da colônia e orientada pelo pacto
colonial conflitava com os interesses da população da capitania da Bahia. Por tais motivos houve diversos
conflitos entre colonos e a colônia que, no quadro nacional da história, não receberam devida valorização, mas
que tiveram grande importância para a organização dos colonos em direção à Independência. Alguns conflitos
não apontavam a condição de colônia como promotora da difícil situação em que se encontravam os colonos do
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Brasil, outros apontavam a independência como única maneira de resolver a situação. Desta forma, alguns
importantes movimentos foram precursores da independência da Bahia e do Brasil.
Em 1711, o Motim do Maneta, o Motim de Dezembro e o Levante do Terço Velho apresentavam uma insatisfação
da população para com a situação de domínio e pobreza em que se encontrava a cidade de Salvador e a capitania
de modo geral. O primeiro e mais importante protestava contra os valores dos artigos importados e contra os
altos impostos que eram obrigados a pagar para manter a segurança da colônia e as regalias da metrópole. No
entanto, ainda não se cogitava na Bahia as idéias de separação entre Brasil e Portugal.
De 1794 a 1798 ocorreu o movimento denominado Conjuração dos Alfaiates, Inconfidência Baiana, Sedição dos
Mulatos entre outros nomes. O movimento caracterizou uma das mais importantes manifestações anticoloniais
do estado e do país no século XVIII. Influenciados pelas idéias iluministas, os baianos queriam a República na qual
todos seriam iguais perante a lei, não importando a cor, e o poder originasse do povo. No estado em que mulatos
e negros predominavam em número, apenas os europeus possuíam o poder de decisão e ocupavam os altos
cargos. Em contrapartida, eram os mulatos e pobres os mais cobrados pela coroa que exigia cada vez mais e
maiores impostos.
Este movimento caracterizou-se por 11 boletins chamados sediciosos, manuscritos e colocados em pontos
centrais da cidade em 12 de agosto de 1798. Os revolucionários reivindicavam a igualdade de direitos sem
distinção de cor e equivalência entre colônia e metrópole, exigindo que o porto de Salvador fosse aberto para que
o Brasil pudesse comercializar livremente com todos os países do mundo e não apenas com a metrópole.
Denúncias contra os sediciosos levaram a prisão e morte de diversos baianos em várias ações de repressão.

A Bahia no século XIX:


A abertura dos portos do Brasil e da Bahia se deu em 28 de janeiro de 1808, através do chamado Decreto de
Abertura dos Portos do Brasil e permitiu livre comércio dos baianos com todos os povos do mundo. Isso
aconteceu quando o Príncipe D. João já estava refugiado no Brasil, fugindo dos franceses que tomaram Lisboa.
Segundo diversos autores como Alencar (1981) a atitude do rei nada tinha a ver com as exigências dos brasileiros,
mas sim com as exigências da Inglaterra que desejava explorar o crescente mercado das colônias portuguesas.
Portugal devia à Inglaterra a proteção que recebeu durante a fuga para o Brasil. A presença da família real no
Brasil proporcionou à Bahia outros benefícios como a criação da Escola Médico-Cirúrgica, posterior Faculdade de
Medicina da Bahia, a criação da Companhia de Seguros Comércio Marítimo e a resolução favorável à existência de
indústrias na colônia.
O movimento chamado Pronunciamento de 10 de fevereiro de 1821 marcou a adesão da Bahia ao movimento
liberal-constitucionalista instalado na Europa e que determinou a Revolução Constitucional de 1820 no Porto e
em Lisboa. Na Bahia, ele foi liderado de dentro da prisão do Aljube, pelos prisioneiros políticos da Revolução de
1817, que foi pouco expressiva na Bahia, mas importante em Recife. O movimento evidenciava o desejo dos
baianos em participar da formação da Constituição que regiria os destinos de Portugal e suas colônias e que
poderia permitir a instituição de direitos para a Capitania e deveres para a metrópole.
Na Câmara Municipal de Salvador, por determinação do governador Conde de Palma pressionado pelos baianos,
foi constituída a Junta Provisória de Governo da Província da Bahia, composta de representantes das principais
camadas da sociedade: igreja, comércio, exército e agricultura. Embora liberal, o movimento pela Constituição
ainda adotava compromisso de subordinação a Portugal, o que desagradava muito os revolucionários de 1821
que clamavam a independência. Isso ficou claro quando a junta jurou obediência à Coroa e à igreja católica como
também à constituição que a Corte elaborasse.
Deputados baianos foram escolhidos para participarem, na Corte, da elaboração da Constituição para o Reino
Unido de Portugal, Brasil e Algarves, por eleição indireta no dia 3 de setembro de 1821. Ao chegarem a Portugal
os deputados baianos encontraram a discussão para a futura Constituição em pleno andamento colocando-os em
divergência imediata com os portugueses. Os representantes brasileiros (baianos, pernambucanos e paulistas)
reivindicavam autonomia para o Brasil enquanto os portugueses desejavam retrocesso de concessões como a
abolição do livre comércio.
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Vários movimentos e manifestações a favor da Independência da Bahia e do Brasil ocorreram em Salvador e no


Recôncavo, tendo sido sempre reprimidos pelos Portugueses que ainda tinham o poder militar na Bahia. As
Câmaras das cidades do Recôncavo proclamavam a formação de um centro do Poder Executivo no Brasil exercido
por D. Pedro, já aclamado no Rio de Janeiro como Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil. Mas a força
militar impedia as sessões da Câmara e reprimia com prisões as manifestações do povo.
Aos poucos os conflitos tornaram evidente a aproximação da independência não só do estado mas de todo o
Brasil. Alguns fatos importantes antecederam a independência como a Batalha do Pirajá travada na área de
Cabrito-Campinas-Pirajá foi a maior demonstração de resistência militar pela independência no estado da Bahia.
Foram oito horas de luta armada entre os soldados baianos e os portugueses que resultou na morte de vários
soldados brasileiros e lusitanos.
Vários episódios de batalhas e conflitos antecederam o episódio conhecido pelo nome de Libertação da Bahia.
Ilhados na cidade do Salvador, os portugueses sofriam com a falta de gêneros básicos para a sobrevivência como
comida e água. Todo o entorno da cidade já estava ocupado pelos soldados baianos que impediam os
portugueses de saírem da cidade ou de entrar nela qualquer pessoa ou suprimento. No dia 1º de julho, cansados,
com fome e sede, os portugueses começaram a abandonar a cidade. Embarcaram em navios mercantes ou de
guerra soldados, oficiais e mesmo as famílias portuguesas, na maioria comerciantes que permaneceram na
cidade.
Enfim, no dia 2 de julho de 1823 entrou na cidade o exército brasileiro, marcando a Independência da Bahia.
Neste dia consolidou-se a separação política entre Brasil e Portugal, deixando de haver um ponto de apoio para os
portugueses vindos da Europa para lutar pela Monarquia portuguesa. A partir de então, um período Monárquico
Constitucional Unitário instalou-se também na Bahia. Em 2 de julho o príncipe D.Pedro tornou-se Imperador da
Bahia, mas na verdade, já era Imperador do Brasil desde 12 de outubro de 1822 e já havia uma Assembléia
Constituinte no Rio de Janeiro. Como no episódio da Carta Constitucional Portuguesa, a Bahia estava atrasada,
desta vez no processo de independência do país.
As províncias ainda não estavam sob um só governo executivo, mas com a Independência da Bahia, a
independência e a consolidação do Império do Brasil tornou-se viável. No entanto também nesse período alguns
conflitos e manifestações importantes ocorreram na Bahia.
Ordens do Imperador D.Pedro, como a transferência do Sargento-Mor Silva Castro, importante oficial na luta pela
Independência da Bahia, para o Rio de Janeiro, evidenciavam uma tendência do império em centralizar as
decisões e as ações no Rio de Janeiro. Algumas províncias como Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do
Norte e Ceará desligaram-se do poder executivo central estabelecido no Rio de Janeiro, era a Confederação do
Equador que pretendia liberar as províncias das ordens do Rio. A Bahia se dividia entre obedecer irrestritamente o
Imperador ou desligar-se como outros estados do Nordeste do país.
O levante do Terceiro Batalhão (Periquitos), batalhão do qual fez parte Maria Quitéria nas lutas pela
independência, evidenciava o descontentamento dos baianos em relação à administração do Imperador D.Pedro I
e chegou a beirar uma guerra civil entre adeptos e contrários à Monarquia. Já haviam então rumores sobre a
República.
Para manter a submissão da Bahia à sua autoridade, D.Pedro I visitou rapidamente a província e, com discursos e
audiências, tentou manter os ânimos frios e controlados, dando a falsa impressão de preocupação com os
interesses baianos. No entanto, sua política tendenciosa que beneficiava Portugal e a Inglaterra com o mercado e
o dinheiro brasileiros, só causava desconfiança e temor na população baiana.
Nos anos seguintes de 1829, 1830 e 1831 sucederam-se diversos conflitos entre brasileiros e portugueses,
principalmente na cidade de Salvador e nas vilas de Cachoeira e Santo Amaro. Havia, então, um sentimento
anti-lusitano que estimulava que estimulava conflitos dentre os quais aquele conhecido como Mata-Maroto, que
resultou na substituição do Presidente da Província da Bahia e do Governador das Armas, todos portugueses e
sua substituição por representantes brasileiros, baianos.
Estes conflitos passaram com algum tempo, a criticar diretamente ao regime Monárquico Constitucional Unitário
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instalado no Brasil e passaram a sugerir o federalismo que permitiria autonomia às províncias, antes que D.Pedro I
tentasse reunificar Portugal e Brasil num novo Reino Unido, como desconfiavam alguns baianos.
A Revolução Federalista de 1832 e 1835 definiu-se com a deposição de D.Pedro em 7 de abril de 1831. No
entanto, apenas em 1832 foi proclamada a Federação da Província da Bahia e formado um Governo Provisório o
qual não se subjugava mais às ordens do Rio de Janeiro e pretendia reformular leis contrárias ao federalismo na
Bahia após a formação de uma Assembléia Constituinte Legislativa Provincial. Tais transformações, no entanto,
não tinham o aval do governo da província baiana que reprimiu o movimento com armas e prendeu os
federalistas mais importantes, enfraquecendo o movimento.
No entanto, o movimento federalista não findou na Bahia. Ao contrário, deu vazão à revolução conhecida como
Sabinada, de grande importância para a história da Bahia e do Brasil. Era um movimento federalista que pedia
revisão da Constituição de 1824 e a descentralização política sem desligar-se do poder executivo central no Rio de
Janeiro. A Sabinada já apresentava inclinação ainda pouco definida para a República.O levante de 7 de novembro
marca o começo do aspecto militar da Sabinada, já que a revolução teve início muito antes com a publicação das
idéias revolucionárias. O levante do Forte de São Pedro de 7 de novembro de 1837 iniciou uma série de conflitos
que culminaram com a formação de um governo baiano desligado do Governo Central do Rio de Janeiro. No
entanto, o movimento baiano não estimulou a adesão de outras províncias e ainda desagradou aos grandes
proprietários do Recôncavo que investiram contra os chamados sabinos.
Sem apoio a Sabinada limitou-se ao estado livre e independente da Bahia até a maioridade de D.Pedro II, que
corria sérios riscos de perder o trono.
Segundo Tavares (1987) o movimento tornou-se contra a submissão administrativa e política da Bahia ao Rio de
Janeiro, a centralização. No entanto, não se opunha a Monarquia Constitucional nem ao Príncipe D.Pedro II. Era
contra o trabalho escravo, mas não obteve conquistas neste campo.
Teve seu fim com a retomada do controle de Salvador pelo exército do Imperador, controle esse que perdurou
até depois da maioridade de D.Pedro II, evitando maiores conflitos tão comuns na província. A Sabinada foi a
última revolução armada da Bahia até o movimento republicano no qual ressurgem ideais federalistas.
Segundo alguns autores, o federalismo de Rui Barbosa foi o que mais caracterizou e animou a política na Bahia, na
última década do Império. Neste fim de século, um dos maiores problemas do Brasil era encontrar um regime que
garantisse a unidade do país. Embora D.Pedro tentasse manter o Império a todo custo, seus esforços e dos
monarquistas só popularizavam as idéias republicanas e a proclamação da República torna-se cada vez mais
próxima.
Organizaram-se no estado três partidos políticos, dois antigos o Conservador e o Liberal e um novato e pouco
representativo, o Republicano que embora defendesse as idéias republicanas, tinham pouca representação no
estado e pouco decidiam sobre os rumos da República a ser proclamada.

A Bahia e a República:
Apenas na noite de 15 de novembro de 1889, Salvador conheceu os acontecimentos, que na manhã do mesmo
dia, levaram a Proclamação da República no Rio de Janeiro. A notícia foi recebida através de um telegrama de Rui
Barbosa, então Ministro da Fazenda do Governo Provisório. Além de informar sobre as novas da capital do país, o
telegrama nomeava Manuel Victorino Pereira o Governador do Estado da Bahia.
Houve em Salvador demonstrações desaprovação e reprovação por parte dos representantes políticos e militares
da Bahia. Os nomes importantes da cidade se dividiram entre os que aderiam a República e os que juravam
obediência à Coroa e ao Rei, como faziam há anos.
Ironicamente, era do Comandante das Armas Marechal Hermes Ernesto da Fonseca, irmão mais velho do
Marechal Deodoro da Fonseca, chefe militar do movimento republicano no Rio de Janeiro, a liderança do
movimento monarquista em Salvador. Hermes da Fonseca, junto ao ex-presidente da Província da Bahia, decidiu
continuar acatando as ordens do Imperador e desacatar as ordens do Governo Provisório, que já havia indicado
um Governador para o recém proclamado Estado da Bahia.
Líderes militares como Christiano Buys do grupo dos republicanos, tentavam adesão suficiente da população e
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dos representantes políticos para a Proclamação da República na Bahia, promovendo diversos pequenos conflitos
na cidade do Salvador. O Governador nomeado Manuel Victorino recusou-se a se envolver nesses conflitos e,
mesmo sem sua presença, mas já com o apoio do Marechal Hermes Ernesto da Fonseca o Coronel Buys
proclamou a República na Bahia somente no dia seguinte a proclamação no Rio de Janeiro. Ocorreu as seis horas
da arde do dia 16 de novembro de 1888, no Forte de São Pedro.
Mas o estado permaneceu sem governador até o dia 18 de novembro quando, às 13 horas Virgílio Damásio foi
empossado Governador do estado da Bahia. Damásio, que teve papel atuante no processo da proclamação,
permaneceu no cargo até o dia 23 de novembro quando, em obediência ao Governo Provisório, passou o cargo ao
médico e político Manuel Victorino. Por ter sido sempre liberal, Victorino surpreendeu a todos quando se uniu a
políticos do Partido Conservador, propondo mudanças no sistema de saúde e educação, desagradando os liberais
e os republicanos. Esses últimos promoveram o movimento que levou a renúncia de Victorino no dia 23 de abril
de 1890.
Ao contrário do que imaginaram os republicanos, a renúncia resultou na posse do Marechal Manuel Hermes
Ernesto da Fonseca como governador e na ascensão do grupo conservador do qual participavam Luiz Vianna, José
Marcelino de Souza, José Gonçalves Dias e Satyro de Oliveira Dias.
Isso demonstrou que os liberais e os conservadores, grandes fazendeiros do Recôncavo e do Sertão, realmente
detinham o poder, enquanto os novatos republicanos eram pouco representativos. Os liberais e os conservadores
elegeram a maioria dos representantes da Assembléia Constituinte e o primeiro governador republicano do
Estado da Bahia, José Gonçalves da Silva.
Em novembro de 1891, devido às manifestações de insatisfação de alguns setores da sociedade baiana, o
Marechal Deodoro da Fonseca dissolveu o Poder Legislativo demonstrando autoritarismo que foi renegado e
combatido na Bahia, principalmente por representantes militares, sempre envolvidos nos movimentos
revolucionários e contra o governo do estado.
Após diversas mudanças no governo do estado, finalmente o Partido Republicano da Bahia conseguiu
consolidar-se e eleger, em 1892, por voto direto, o Governador Joaquim Manuel Rodrigues que comandou o
Estado até 1896, quando o Conselheiro Luiz Vianna tornou-se Governador.
Foi no mandato de Luiz Vianna que ocorreu o episódio conhecido na história do Brasil como Guerra de Canudos.
O povoado de Canudos surgiu sob a liderança religiosa do beato Antonio Conselheiro, Antonio Vicente Mendes
Maciel, um homem exótico,de cabelos e barba sempre grandes e vestindo uma longa bata azul. A cidade abrigava
uma grande quantidade de fiéis, ex-escravos, índios e todo tipo de excluídos que encontravam apoio e acolhida
em meio às difíceis condições do sertão nordestino. O lugarejo foi formado na Região da Serra do Cambaio e do
Vale do Rio Vasa-Barris. A comunidade se fundamentava em ideais puramente religiosos, mas acabou
representando ameaça à Monarquia por rejeitar ordens legais como o casamento civil e o registro em cartório dos
recém-nascidos. Além disso, a comunidade cresceu muito rapidamente e não podia ser controlada pelas
autoridades republicanas, pois o povo de Belo Monte só obedecia as ordens do beato Conselheiro, espécie de
porta-voz de Deus na terra. Conhecendo os perigos de não seguir o regime, Belo Monte sempre esteve preparada
para possíveis ameaças de invasão já que possuía um grande arsenal de rústicas armas de fogo.
Várias tentativas de acabar com a suposta conspiração monarquista instalada em Canudos realizadas pelas forcas
armadas brasileiras falharam, mas exterminaram aos poucos os 25 mil habitantes do povoado. Em 5 de outubro
de 1897. uma quinta expedição conseguiu exterminar os moradores do povoado que ainda resistiam
heroicamente. Em 22 de setembro de 1897 morreu Antonio Conselheiro.
Segundo Antonio Olavo (site) a guerra de Canudos foi um massacre sem precedentes no Brasil de milhares de
pessoas que nada tinham de subversivas e apenas defendiam sua fé e seus princípios. Durou um ano e mobilizou
mais de 10 mil soldados de 17 estados brasileiros culminando com a destruição irracional da cidade.
De 1896 a 1912 diversos fatos acompanharam as mudanças de governadores da Bahia. Foi no mandato de
Severino Vieira, sucessor de Luiz Vianna, que o Partido Republicano da Bahia se dividiu e originou o Partido
Republicano Dissidente no mandato seguinte, o de José Marcelino de Souza. Os dissidentes apoiavam J.J. Seabra
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para a sucessão no governo do estado, sendo chamados de seabristas.


Na primeira década do século XX as dissidências em questões políticas eram evidenciadas nos diversos grupos que
surgiram, cujos nomes mostravam a preferência para a sucessão no governo do estado. Eram os vianistas,
severinistas, seabristas cujas divergências levaram ao grave episódio do bombardeio de Salvador no dia 10 de
janeiro de 1912, no mandato de João Ferreira de Araújo Pinho. Segundo Tavares (1987), forcado a renunciar, o
governador Araújo Pinho transmitiu o governo a seu substituto legal, Aurélio Vianna, que foi recusado pela
maioria da Câmara Estadual. Em represália, o prédio da Câmara foi fechado e a capital do estado transferida para
Jequié. Houve briga judicial que favoreceu os vereadores, no entanto, a decisão legal de liberar a Câmara não foi
aceita pelo Governo do estado. A reação militar foi imediata e no dia 10 de janeiro, os Fortes de São Pedro e do
Barbalho canhonearam o centro da cidade por 4 horas causando grandes estragos às construções do local.
O bombardeio causou não só muitas confusões e estragos para a população, mas também, muitas confusões
políticas em todo o estado e até para o Presidente, Marechal Hermes da Fonseca. Na Bahia resultou na eleição
para Governador do Estado vencida por J.J. Seabra, dezesseis dias depois do bombardeio.

Governadores e vice-reis da capitania da Bahia e das terras do Brasil


(1549-1763)

Nome Governo

Tomé de Souza 1549-1553

Duarte da Costa 1553-1557

Mem de Sá 1558-1572

Luiz de Brito e Almeida 1573-1578

Diogo Lourenço da Veiga 1578-1581

Junta Governativa 1581-1582

Manuel Telles Barreto 1583-1587

Junta Governativa 1587-1591

Francisco de Souza 1592-1602

Diogo Botelho 1602-1607

Diogo de Menezes 1608-1612

Gaspar de Souza 1613-1617

Luiz de Souza, Segundo Conde do Prado 1617-1621

Diogo de Mendonça Furtado 1621-1624

Francisco de Moura Rolim 1625-1626

Diogo Luiz de Oliveira 1626-1635

Pedro da Silva 1635-1639


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Fernando de Mascarenhas, Conde da Torre 1639-1640

Vasco de Mascarenhas 1640

Primeiro Vice-rei Jorge de Mascarenhas


1640-1641
Primeiro Marques de Montalvao

Junta governativa 1641-1642

Antonio Telles da Silva 1642-1647

Antonio Telles de Menezes


1647-1650
Segundo Conde de Vila Pouca

João Rodrigues de Vasconcelos e Souza


1650-1654
Segundo Conde de Castelo Melhor

Jerônimo de Ataíde
1654-1657
Quinto Conde de Atouguia

Francisco Barreto de Menezes 1657-1656

Segundo Vice-rei Vasco de Mascarenhas


1663-1667
Conde de Óbidos

Alexandre de Souza Freire 1667-1671

Afonso Furtado de Mendonça Castro do Rio de


Menezes 1671-1675
Primeiro Visconde de Barbacena

Junta Governativa 1675-1678

Roque da Costa Barreto 1678-1682

Antonio de Sousa de Menezes 1682-1684

Antonio Luiz de Souza Telles de Menezes


1684-1687
Segundo Marquês das Minas

Mathias da Cunha 1687-1688

Governo Interino do Arcebispo Frei Manoel da


1688-1690
Ressurreição

Antonio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho 1690-1694

João de Lencastre 1694-1702

Rodrigo da Costa 1702-1705

Luiz César de Menezes 1705-1710

Lourenço de Almada 1710-1711


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Pedro de Vasconcellos e Sousa


1711-1714
Segundo Conde de Castelo Melhor

Terceiro Vice-rei Pedro Antonio de Noronha


1714-1718
Primeiro Marquês de Angeja

Sancho de Faro e Souza


1718-1719
Segundo Conde de Vimieiro

Governo Interino
Arcebispo D. Sebastião Monteiro da Vide
1719-1720
Mestre-de-campo João de Araújo de Azevedo
Ouvidor do Crime Caetano de Britto e Figueredo

Quarto Vice-rei Vasco Fernandes César de


Menezes, 1720-1735
Primeiro Conde de Sabugosa

Quinto Vice-rei André de Mello e Castro,


1735-1749
Segundo Conde de Galvêas

Sexto Vice-rei Luiz Pedro P. de Carvalho Menezes


de Ataíde, 1749-1754
Décimo Conde de Atouguia

Junta Governativa
Sétimo Vice-rei Marcos de Noronha 1755-1760
Sexto Conde dos Arcos

Oitavo Vice-rei Luiz Antonio de Almeida Portugal


Soares de Alarcao
Eca Mello e Silva Mascarenhas 1760
Quarto Conde de Avintes e Segundo Marquês de
Lavradio

Junta Governativa 1760-1761

Governo Interino
Arcebispo D. Frei Manuel de Santa Inez
1761-1763
Gonçalo Xavier de Barros e Alvim
José de Carvalho de Andrade

Governadores e capitães-gerais da capitania da Bahia


(1763-1821)

Nomes Governos
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Antonio Rolim de Moura Tavares 1763-1767

Luiz de Almeida Portugal de Alarcao


Eca Mello Silva e Mascarenhas 1768-1769
Marques de Lavradio

José da Cunha Gran Ataíde e Mello 1769-1774

Manuel da Cunha Menezes 1774-1779

Afonso Miguel de Portugal e Castro


1779-1783
Quarto Marquês de Valença

Rodrigo José de Menezes e Castro 1784-1788

Fernando José de Portugal e Castro 1788-1801

Francisco da Cunha Menezes 1802-1805

João de Saldanha da Gama Mello e Torres


1805-1810
Sexto Conde da Ponte

Marcos de Noronha e Brito


1810-1818
Conde dos Arcos

Francisco de Assis Mascarenhas


1818-1821
Conde de Palma

   
4.A Economia 
A economia Colonial:

A economia da Bahia colonial foi, desde o início, voltada para o mercado externo, respondendo às exigências da
metrópole e do comércio europeu. Segundo Tavares (1987) entre outros autores, era uma economia de
exportação, mercantil, agrária e escravista.

Desta maneira o país produziu e consumiu somente o que interessava ao comércio externo, mais especificamente
o de Portugal, funcionando como produtor de matéria-prima e consumidor de produtos manufaturados e
escravos. À colônia não cabia a produção industrial ou literária, podia apenas comprar da metrópole o que era
proibida de produzir. Segundo Alencar (1981) fábricas, imprensa e circulação de livros sempre sofreram sérias
restrições. A colônia não podia manufaturar ou industrializar e só podia comercializar com a metrópole e nunca
concorrer com ela. Segundo Junior (1994) a economia brasileira era complementar a portuguesa devendo suprir
as necessidades desta última. Foi o Brasil uma colônia de exploração por mais de três séculos.

A base da economia na Bahia colonial foi, sem dúvida, o trabalho escravo que sustentou todos os ciclos
econômicos até o século XIX, enriquecendo cada vez mais os senhores brancos. Além de ser mão-de-obra sem
custo, o escravo era importante mercadoria humana e dava grandes lucros aos traficantes portugueses, que
venderam nos séculos XVI, XVII e XVIII dois milhões de escravos negros no Brasil, segundo Alencar (1981).
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A escravidão também permitia a existência de trabalho livre e assalariado dos que desempenhavam funções de
vigilância dos escravos ou que exigiam conhecimento técnico. Permitiu rápido enriquecimento dos portugueses
moradores do Brasil e para comerciantes de vários países europeus como França e Itália.

O porto de Salvador, único para a exportação de produtos baianos teve grande importância e intenso movimento
durante o desenvolvimento da economia no estado voltada para a exportação para a Europa, África e outras
capitanias.

Dividida em ciclos, a economia da Bahia e de toda a colônia caracterizou-se como extrativista, inicialmente. Já nas
primeiras expedições exploradoras das terras brasileiras nos anos de 1501 e 1503, os portugueses detectaram na
mata atlântica do litoral baiano a ocorrência, em abundância, do chamado pau-brasil. O pau-brasil é uma madeira
de interior cor de brasa (daí o nome Brasil) da qual se extraía um corante muito usado na indústria têxtil européia
e de valor comercial para a construção civil e naval.

Desde a descoberta do pau-brasil na colônia, o rei de Portugal estabeleceu monopólio da metrópole sobre sua
exploração, cobrando impostos sobre os lucros obtidos com a comercialização do produto.

Os portugueses transportavam pau-brasil para a Europa e lucravam muito com esse comércio, mas eram os índios
que cortavam as árvores, rachavam as toras e transportavam o pau-brasil até as feitorias criadas no litoral para
armazenar o produto. Além disso, eram também os índios que carregavam o navio e trocavam seu trabalho e o
produto por facas, espelhos, tecidos e outros objetos de irrisório valor comercial para os Portugueses. Assim se
estabeleceu na Bahia e em todo o Brasil a troca direta de produto por produto chamada escambo.

Os franceses também fizeram escambo com os índios e exploraram largamente o pau-brasil do litoral da Bahia,
desde a região de Rio Real até a Baía de Todos os Santos.

Ainda no século XVI, a produção do açúcar foi escolhida para iniciar a exploração permanente do Brasil. O açúcar
era muito raro e procurado na Europa e Portugal já o produzia em suas ilhas no atlântico quando decidiu
implantar a cultura da cana no Brasil. As terras baianas do tipo massapé mostraram-se perfeita para o cultivo da
cana-de-açúcar e o clima do Nordeste beneficiava seu desenvolvimento. A grande quantidade de mão-de-obra
necessária para a derrubada da mata, preparação do solo, plantio e colheita da cana e processamento do açúcar
veio da África como escravos negros.Os escravos eram responsáveis por todo tipo de trabalho nas fazendas
chamadas engenhos. Plantavam e colhiam cana, processavam o açúcar nos engenhos, trabalhavam na casa
grande e em outros serviços.

A cana era plantada em grandes latifúndios como monocultura e processada nos engenhos das fazendas. Em 1585
a Bahia já possuía 35 engenhos de açúcar, no fim do século XVIII já eram 260 espalhados pelo Recôncavo. Em
1834 havia na Bahia 603 engenhos de açúcar e em 1875 já eram 892, a vapor, hidráulico ou de tração animal.

No final do século XIX, o açúcar, embora apresentando sinais de declínio, ainda cumpria importante papel na
economia da Bahia a ponto de serem construídos engenhos centrais que permitiam maior eficiência e controle da
produção no estado.

O açúcar produzido no Brasil era vendido aos holandeses que por sua vez o distribuíam para toda a Europa, sendo
a Bahia um dos principais produtores do gênero para exportação. Quando os holandeses foram expulsos do Brasil,
deixaram de comercializar o açúcar brasileiro. Financiaram a produção do açúcar nas Antilhas que passaram a
concorrer com o Brasil pelo mercado europeu. Graças à larga experiência holandesa na distribuição do produto , o
açúcar antilhano logo dominou o mercado europeu e promoveu a decadência da economia açucareira na Bahia e
no Brasil.
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Ao lado do açúcar, o algodão e o fumo desempenharam importante papel para a economia das mais importantes
regiões baianas.

Desde o século XVI a Bahia produziu e exportou algodão em menor quantidade que o açúcar, já que o comércio,
externo para o qual toda a colônia devia servir, interessa-se menos pelo algodão, no momento. A produção do
algodão teve seu auge no século XIX, período em que a Inglaterra passou a comprar a matéria-prima do Brasil. No
entanto. Após reatar relações comerciais com suas ex-colônias americanas produtoras de algodão, a Inglaterra ao
deixar de comercializar com a Bahia, promove um enfraquecimento na produção do algodão que volta a atender
apenas o mercado português e o mercado interno.

Em relação ao fumo, a Bahia manteve de estável a crescente a produção que não era direcionada ao mercado
europeu, mas sim ao africano. As regiões chamadas tabuleiros (Cruz das Almas e Cachoeira, por exemplo)
produziram e ainda produzem fumo que, à partir de do século XVIII melhorou muito em qualidade na tentativa de
atingir o mercado europeu.

Segundo Tavares (1987) diversos outros produtos foram produzidos e exportados pela Bahia nos séculos XVI,XVII
e XVIII como couros, aguardente, mel, diversos grãos e produtos da mandioca.

Ainda no século XVIII, também ouro e pedras preciosas foram extraídas das terras baianas, mais precisamente de
Jacobina, Rio de Contas, Araçuaí e Tucambira. No entanto, Portugal preferiu concentrar a produção de ouro e
pedras preciosas em Minas Gerais, a ponto de fechar minas de ouro da Bahia, mesmo havendo no século XVIII
cerca de 2000 mineradores no estado.

O gado introduzido no Brasil ainda em 1551 por Tomé de Souza passou, no século XVI, a concorrer com as
plantações de cana pela terra do litoral. Durante muito tempo, a criação de gado ateneu às necessidades das
populações locais, era a criação para consumo próprio. Com o crescimento dos rebanhos a extensão de terra do
litoral baiano tornou-se pequena; ou se plantava cana ou se criava gado. O açúcar ainda era muito lucrativo e os
interesses do mercado externo se sobrepunham em importância. A criação de gado chegou a ser proibida no
litoral e banida para o sertão de todo o Nordeste. Dessa forma, a pecuária migrou em direção ao interior do
estado da Bahia adaptando-se ao clima semi-árido e abrindo os caminhos dos sertões. A pecuária teve grande
importância para a exploração do interior do estado, através das marchas das boiadas ligou regiões distantes e
promoveu a fundação de cidades importantes como Feira de Santana. Segundo Alencar (1981) foi assim a
colonização do sertão, promovida pelos vaqueiros que viajavam cada vez mais em direção ao centro do estado e
do país.

Cidades como Vitória da Conquista, Xique-Xique, Juazeiro, Feira de Santana, Barreiras e Alagoinhas foram
importantes pontos de pecuária do estado e grandes beneficiadores do couro que também era artigo de
exportação do estado.

No século XIX a economia baiana ainda tentava responder às exigências do mercado internacional produzindo e
exportando produtos primários. No entanto, diversificou um pouco seus produtos sendo ainda o açúcar o mais
importante para a exportação, seguido do fumo, diamantes, café, couros, aguardente, cacau e algodão.

Sem dúvida, o comércio tornou-se no século XIX a principal atividade econômica da Bahia, principalmente de sua
capital Salvador. Os grandes comerciantes baianos eram exportadores muito importantes para a economia de
todo o país, mas a cidade abrigava outros tipos de comércio. Havia desde bancos até vendedores ambulantes,
passando pelos lojistas dos mais diversos artigos e produtos que a sociedade baiana exigia.

Após a Abertura dos Portos:


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Até a abertura dos portos eram os luso-brasileiros que dominavam o comércio , após a abertura dos portos os
comerciantes estrangeiros passaram a dominar o comércio baiano, permanecendo na mão dos luso-brasileiros o
papel de intermediário, lojista ou traficante de escravos negros. Os ingleses se destacaram em setores como a
exportação e a importação de produtos nos portos baianos e brasileiros de modo geral, nos grandes comércios,
nas casas bancárias e nas indústrias.

Instalou-se em 13 de novembro de 1840 a Associação Comercial da Bahia, segundo Mattos (1961). Segundo
Mattoso (1992), na tentativa de forjar seu próprio sistema bancário, os grandes comerciantes da Bahia criaram
em 1817 o Banco da Bahia, que operava como filial do primeiro Banco do Brasil e em 1834 foi fundada a Caixa
Econômica do Estado da Bahia. O New London and Brasilian Bank Limited foi o mais importante banco estrangeiro
desse período, segundo Tavares (1987). Após esse período houve grande queda de exportação dos produtos
baianos o que tornou o comércio apático e estagnado por algum tempo.

No início do século, em 1808 foi cancelada a proibição da atividade industrial na colônia e na Bahia já havia a
permissão para a construção de uma fábrica de recipientes de vidro. A partir de então a industrialização na
colônia inicia lento processo de implantação e desenvolvimento.

A industrialização na Bahia iniciou-se efetivamente em 1841 com a instalação de fábricas de tecidos grosseiros de
algodão que chegaram ao número de sete fábricas passados 32 anos. Os ingleses se tornaram peças importantes
e até fundamentais neste processo já que monopolizavam a experiência e o conhecimento em relação às
máquinas utilizadas. Na Bahia da mão-de-obra escrava foram os estrangeiros os donos ou técnicos das industrias
nascentes, sobrando para os brasileiros apenas o trabalho "pesado".

Foram se estabelecendo lentamente na Bahia no século XIX, mais especialmente na Segunda metade do século
indústrias, estradas de ferro, companhias de navegação , seguros e outros. Em setembro de 1887 foi fundada uma
fábrica de chapéus com cerca de 250 operários. Em 1865 foi fundada uma farmácia e drogaria. Em 22 de fevereiro
de 877 iniciou-se a industrialização do sal na Bahia.

Em 1879 a construção da Estrada de Ferro Bahia e Minas começou a permitir melhor escoamento da pequena
produção das indústrias nascentes no estado . Em 1899 existiam 1248 quilômetros em tráfego, 30 anos depois
eram 2669 - Bahia ao São Francisco; Central; santo Amaro; Nazaré; Bahia-Minas; Centro-Oeste e Ilhéus-Conquista.
Havia também a preocupação com a construção de estradas de rodagem iniciadas no começo do século X. Houve
também a ampliação do transporte por via marítima que alcançava cidades do Recôncavo como Nazaré São Félix
e Itaparica, portos do litoral atlântico e Alagoas e Sergipe. Em relação ao transporte urbano, em 1897 trafegou o
primeiro bonde elétrico pelas ruas de Salvador. Os dois planos inclinados junto com o Elevador Lacerda ,
inaugurado em 08 de dezembro de 1872 já ligavam a cidade baixa e a alta diminuindo o percurso e o tempo de
deslocamento. Logo outros serviços começaram a ser desenvolvidos no estado e em 2 de maio de 1884
instalou-se o serviço de telefone em Salvador.

Segundo Garcez (1975), a Bahia viveu um período de relativa prosperidade do fim do século XVIII até o primeiro
quartel do século XIX, graças ao estímulo trazido pelas guerras de independência das colônias inglesas na América
que deixavam livre o mercado com a Europa. Também a revolução industrial permitia melhorias na exportação de
algodão e as guerras napoleônicas que desarticularam a produção das colônias francesas e inglesas, aumentavam
a demanda externa de produtos brasileiros tradicionais na exportação. Em 1900 e 1901 o açúcar europeu de
beterraba já representava 68% da safra mundial.

No entanto, a partir das lutas pela independência , o Brasil começa a sofrer restrições do mercado internacional o
que reduziu muito as exportações de açúcar, algodão e fumo. Já no fim do século XIX, a febre da industrialização
sem planejamento, mergulhou o país inteiro em uma das maiores crises da história que promoveu numerosas
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falências. A própria libertação dos escravos em 1888 provocou grande declínio na economia baiana, ainda
baseada no trabalho escravo e no tráfico.

A Crise do final do século XIX, começo do século XX

A Bahia viveu então um período de estagnação na indústria e no comércio , principalmente em função da crise da
sua principal riqueza, o açúcar. Esse fator ocasionou queda dos preços e afetou a balança comercial baiana. A
exportação do fumo, ligada ao tráfico, foi afetada pelo fim oficial da escravidão no Brasil e pela concorrência da
América do Norte que reatou as ligações comerciais com a Europa.

O cacau e o café surgiram então como alternativas que poderiam substituir o açúcar o algodão e o fumo na
economia exportadora baiana. Diferente dos estados do sudeste, os solos e o clima da Bahia não favoreceram a
produção do café. No entanto, o cacau encontrou no sul da Bahia solo e clima adequados para o seu
desenvolvimento e produção, demonstrando ser um eficiente substituto do açúcar.

Segundo Garcez (1979), o cacau foi introduzido na região em meados do século XVIII, importado do Pará. De 1890
a 1930 o cacau se fixa como importante produto de exportação e monta-se toda uma estrutura de produção e
comercialização do cacau e seus derivados. A partir de 1926 além do Porto de Salvador, o Porto de Ilhéus passou
a exportar o cacau baiano.

A crise da economia mundial de 1929 afetou a exportação de todos os produtos voltados ao mercado externo,
inclusive o cacau. Outros problemas, como pragas, aliados à crise promoveram a criação do Instituto do Cacau em
8 de junho de 1931.

No século XIX e XX alguns produtos andaram lado a lado com o cacau na exportação como cana, mandioca, feijão,
milho, fumo e diversas frutas e verduras. Merece destaque a cultura do algodão, mamona e sisal já que é a Bahia
um dos maiores produtores regionais. A pecuária ainda é uma das mais importantes atividades econômicas do
sertão baiano e em parte do Recôncavo. A Bahia é um dos principais estados produtores de leite do Nordeste do
Brasil.

Segundo CEPLAB (1978), na última década do século XIX, a economia baiana registrou um surto de
empreendimentos industriais que marcou o nascimento da indústria fabril no Estado, independente da economia
açucareira.

No entanto, as décadas seguintes apresentaram, sob todos os aspectos, sintomas de estagnação econômica. Até
os anos 50 do século XX a economia estadual não permitia a evolução em direção à industrialização.

​O Renascimento econômico:

A grande mudança se deu a partir de 1949 com a implantação da PETROBRÁS que iniciou a exploração dos
campos de petróleo do Recôncavo e a instalação da Refinaria Landulfo Alves (Mataripe). Posteriormente a criação
da SUDENE e incentivos fiscais promoveram fortalecimento da industrialização de toda a região Nordeste. Tudo
isso junto provocou grandes repercussões na economia baiana e importantes melhorias como a mudança na
estrutura do parque industrial, na composição do valor de transformação industrial, na formação da renda interna
total e industrial e no próprio espaço econômico.

O CIA (Centro Industrial de Aratu) e distritos industriais como e de Subaé, Ilhéus, Jequié entre outros iniciaram a
industrialização do Recôncavo e de parte do interior do estado. A implantação da indústria petroquímica na Bahia,
concentrada na Região Metropolitana de Salvador, supriu as necessidade4s de material da indústria química
baiana em franco desenvolvimento. A chamada indústria de transformação é ainda de grande importância para a
economia baiana e seu desempenho esteve em 1998 superior ao da indústria de transformação nacional.
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Segundo Análise & Dados, até o início dos anos 60, o comércio baiano concentrou-se na exportação. Foram
produtos como açúcar, algodão, farinha e por último o cacau que reinaram na produção do estado, nada
preocupado com o mercado interno. Com a industrialização o comércio tornou-se mais dinâmico. No entanto, um
estado de apatia permanece instalado na economia baiana e o número de vendas, exportações e empregos nunca
voltou a ser como nos períodos de ouro da exportação.

A partir de 1967 o turismo na Bahia ainda pouco representativo, passou a ser explorado de forma planejada.
Foram criados órgãos especializados em turismo como a BAHIATURSA, a CONBAHIA e a EMTUR, e projetos de
valorização dos recursos naturais e do Patrimônio Histórico passaram a ser implantados lentamente. Hoje a
indústria do turismo é uma das maiores geradoras de divisas do estado, focalizando cidades litorâneas como
Salvador, Ilhéus e Porto Seguro entre outras.

Por fim, nos anos 90, grandes transformações na economia brasileira promoveram oscilações na economia do
estado da Bahia que se mantém hoje dividida entre turismo, as indústrias de transformação e automobilísticas. 

5.Revoltas 
Conjura Baiana/Revolta dos Alfaiates/Revolta dos Búzios 

(1798) 

A Conjuração Baiana foi uma rebelião popular que ocorreu na Bahia, no dia 25 de agosto de 1798, que
pretendia libertar o Brasil de Portugal e atender as reivindicações das camadas pobres da população. Também
conhecida como Revolta dos Alfaiates, a agitação popular era composta, em sua maioria, por escravos, negros
livres, mulatos, brancos pobres e mestiços que exerciam as mais diferentes profissões, como alfaiates, sapateiros,
pedreiros, entre outras.

Repercutia na Bahia o movimento chefiado pelo bravo negro Toussaint Louverture, no Haiti, contra os
colonizadores franceses - o primeiro grande levante de escravos bem sucedidos na história. Aquelas mesmas
ideias de república, liberdade e igualdade pregadas na Revolução Francesa e na Conjuração Mineira agitavam
agora a Bahia.

O contexto desse movimento é importante para entendê-lo. Em 1788 até 1801, quem governou a capitania da
Bahia foi Fernando José de Portugal e Castro, mas a população em geral não estava nem um pouco satisfeita com
o governo vigente, fervilhando com queixas, pois os preços das mercadorias básicas eram elevados todos os dias.
A população passou a realizar saques nos açougues, mercados e vendas no geral, a fim de obter essas
mercadorias essenciais e vivendo em situação de penúria, depois que a capital do Brasil colônia foi transferida
para o Rio de Janeiro (1763), pregava a necessidade de se fundar no Brasil uma "República Democrática" e uma
sociedade onde não houvesse diferenças sociais, onde todos fossem iguais, e onde houvesse "Liberdade,
Igualdade e Fraternidade".

Cerca de dez anos antes havia ocorrido a chamada ​Inconfidência Mineira​ na região das Minas Gerais e os ideais
desse movimento acabaram chegando à capitania da Bahia, sendo amplamente divulgados. Chegaram também ao
conhecimento dos moradores da Bahia as ideias iluministas e republicanas das Treze Colônias Inglesas. Eles
ficaram sabendo que a revolta das Treze Colônias deu resultado e agora estavam livres da tirania de sua
metrópole, a Inglaterra. Importante ressaltar que essas ideias revolucionárias eram, em sua maior parte,
difundidas pela elite cultural da Bahia, reunidas em associações como nas Lojas Maçônicas.

Haviam seis principais motivos de revolta que a Conjuração Baiana adotou e reivindicou que eram: a ​abolição da
escravidão​, a ​proclamação da República​, a diminuição dos impostos, a a​ bertura dos portos​, o fim do preconceito e
o aumento salarial. Foram por esses pontos que os revoltosos lutaram na Bahia. É muito interessante perceber
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que essa revolta tinha a libertação dos escravos, diferente de outras revoltas como a própria Inconfidência
Mineira, proporcionando um governo igualitário, onde todos têm direitos e deveres individuais.​ ​A Conjuração
Baiana teve como principais líderes os alfaiates João de Deus e Faustino dos Santos Lira, os soldados Luís Gonzaga
das Virgens e Lucas Dantas, homens pobres, de cor e sem prestígio social, que estavam ligados aos movimentos
da maçonaria; a primeira loja maçônica, Cavaleiros da Luz, criada na Bahia, contava com a participação de
intelectuais, como José da Silva Lisboa, futuro visconde de Cairu, o cirurgião Cipriano Barata, o farmacêutico João
Ladislau de Figueiredo, o padre Francisco Gomes, o "médico dos pobres" Cipriano Barata, o professor de latim
Francisco Barreto e o tenente Hermógenes Pantoja, que se reuniam para ler Voltaire, traduzir Rousseau e
organizar a conspiração.

Foi no dia 12 de agosto de 1798 que o movimento estourou. Os membros da revolta estavam distribuindo
panfletos sobre o movimentos em frente a igrejas e as ruas da capitania, quando algumas autoridades prenderam
essas pessoas. Um dos panfletos que foram distribuídos dizia:

"​Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos
irmãos: o tempo em que todos seremos iguais.​ " (RUY, 1942, p. 68.)

À exemplo do que ocorreu com o movimento da Inconfidência Mineira, os envolvidos na Conjuração Baiana
também foram reprimidos e os membros que foram presos acabaram deletando o restante dos envolvidos.
Assim, centenas de pessoas foram denunciadas, entre eles militares, funcionários públicos, pessoas da igreja
como padres, sendo que quarenta e nove dessas foram presas

A ação do governo foi rápida, o coronel Teotônio de Souza foi encarregado de surpreendê-los em flagrante. Com a
aproximação das tropas do governo, muitas pessoas conseguiram fugir. Reprimida a rebelião, as prisões
sucederam-se e o movimento foi desarticulado. Foram presos 49 pessoas, três eram mulheres, nove eram
escravos, a grande maioria eram alfaiates, barbeiros, soldados, bordadores e pequenos comerciantes. Os
principais envolvidos foram levados a julgamento. Um ano e dois meses depois, eram condenados à morte por
enforcamento e depois esquartejados: Luís Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, João de Deus e Manuel Faustino
dos Santos Lira e intelectuais como Cipriano Barata que foram absolvidos. Os corpos esquartejados foram
expostos em diversos locais da cidade de Salvador.
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Referências Bibliográficas:

BERTOL, R. Conjuração Baiana de 1798 (Revolta dos Alfaiates) e Biografia de Cipriano


Barata. ​http://www.juraemprosaeverso.com.br/HistoriaDoBrasil/ConjuracaoBaianade1798ETC.htm​. Acesso em
21/09/2017.

RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. São Paulo: Editora Laemert, 1970, p. 68.

SILVA, Roberto Aguilar M. S. A Maçonaria e a Revolta dos Alfaiates. Link


em: ​http://www.revistaartereal.com.br/wp-content/uploads/2010/07/A-Ma%C3%A7onaria-e-a-Revolta-dos-Alfai
ates.pdf​ Acesso em: 21/09/2017

​REVOLTA DOS MALÊS ( 1835) 

A TENTATIVA DE CRIAR UM ESTADO ISLÂMICO NO BRASIL 


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A historiografia brasileira sobre a África é paupérrima e repleta de engodos.


Caso paradigmático é a REVOLTA DOS MALÊS guerra de escravos de origem islâmica (em forma de jihad), ocorrida
em 1835 em Salvador, capital da então província da Bahia, no Brasil.

Planejada por elementos que possuíam experiência anterior de combate, na África, de maneira geral, os malês
PROPUNHAM O FIM DO CATOLICISMO e confisco dos bens de todos os brancos e mulatos com a consequente
implantação de uma MONARQUIA ISLÂMICA.

Texto completo do site: https://nacaomestica.org/blog4/?p=20196

Entre 25 e 27 de janeiro de 1835 ocorreu uma revolta na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia.
Os principais personagens desta revolta foram escravos pretos muçulmanos que exerciam atividades livres e eram
denominados “negros de ganho” (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros). Por serem
seguidores do Islamismo mantinham uma comunidade com costumes próprios em relação aos pretos e mestiços
cristãos e de religiões africanas.

Conflitos entre pretos islamizados e de religiões nativas africanas ocorriam por séculos na África e, além da
diversidade étnica e de línguas, eram um dos elementos de divisão entre os africanos escravizados trazidos ao
Brasil e seus descendentes. Os pretos muçulmanos eram em sua maioria iorubás (também conhecidos como
nagôs), mas havia também hauçás (povo originário da atual organização islâmica Boko Haram). Muitos falavam
árabe, diferentemente dos pretos de religião nativa africana. Os de idioma iorubá referiam-se a eles como
‘malês’, que significa muçulmano.

“Salvador tinha na época da revolta em torno de 65.500 habitantes, dos quais cerca de 40 por cento eram
escravos. Entre a população não-escrava a maioria era também formada por africanos e seus descentes,
chamados na época de crioulos quando eram negros nascidos no Brasil, além dos mestiços de branco e negro,
chamados de pardos, mulatos e cabras. Juntando os negros e mestiços escravos e livres, os afro-descendentes
representavam 78 por cento da população. Os brancos não passavam de 22 por cento. Entre os escravos, a
grande maioria (63 por cento) era nascida na África, chegando a 80 por cento na região dos engenhos de açúcar, o
Recôncavo”, afirma João José Reis em ​“180 anos da Revolta dos Malês”​.

Os revoltosos, cerca de 1500, queriam acabar com o Catolicismo (religião oficial do Império do Brasil e introduzida
no país desde a chegada dos conquistadores portugueses), realizar o confisco dos bens e escravizar ou eliminar
mulatos, brancos e pretos não muçulmanos, e implantar uma república islâmica:

“Há indícios de que não tinham planos amigáveis para as pessoas nascidas no Brasil, fossem estas brancas, negras
ou mestiças. Umas seriam mortas, outras escravizadas pelos vitoriosos malês. Isso refletia as tensões existentes
no seio da população escrava entre aqueles nascidos na África e aqueles nascidos no Brasil. Que fique bem claro:
os negros nascidos no Brasil, e por isso chamados crioulos, não participaram da revolta, que foi feita
exclusivamente por africanos”, comenta o mesmo autor.

De acordo com o plano, os revoltosos sairiam do bairro de Vitória e se reuniriam com outros malês vindos de
outras regiões da cidade. Invadiriam os engenhos de açúcar e capturariam os escravos. Arrecadariam dinheiro e
comprariam armas para os combates. O plano do movimento foi todo escrito em árabe.

Uma mulher contou o plano da revolta para um Juiz de Paz de Salvador. Os soldados das forças oficiais
conseguiram reprimir a revolta. Bem preparados e armados, os soldados cercaram os revoltosos na região da
Água dos Meninos. Violentos combates aconteceram. No conflito morreram sete soldados e setenta revoltosos.
Cerca de 200 integrantes da revolta foram presos pelas forças oficiais. Todos foram julgados pelos tribunais. Os
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líderes foram condenados a pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a prisão, prisão com
trabalhos forçados, açoites ou deportados para a África.

O governo local, para evitar outras revoltas do tipo, decretou leis proibindo a circulação de muçulmanos no
período da noite bem como a prática de suas cerimônias religiosas.

Foi posto um fim à importação de escravos muçulmanos para o Brasil de modo que o Islamismo possivelmente
desapareceu do país até retornar por meio de imigrantes brancos, em sua maioria sírios e libaneses, provenientes
do Império Otomano. A imigração islâmica acentuou-se especialmente a partir da década de 1960.

​ Cemiterada 
​A

(1836) 

No dia 24 de outubro de 1836, entrava em vigor uma lei em Salvador que proibia os tradicionais enterros no
interior das igrejas e dava a uma companhia privada o monopólio dos enterros por trinta anos, no cemitério
chamado de Campo Santo. Insatisfeitos com a postura do governo da Bahia, um dia após a lei ser outorgada, as
irmandades católicas se organizam e vão protestar em frente ao palácio do governo provincial.

As irmandades eram organizações responsáveis pela devoção festiva de santos específicos e seus membros
estavam reunidos de acordo com a classe que pertenciam na sociedade. Haviam irmandades predominantes, mas
não exclusivas, de brancos, mulatos e pretos, ricos e pobres. As irmandades se responsabilizavam pelos funerais
dos seus membros, chegando a enterras pessoas estranhas por um valor determinado.

No dia 25 de outubro de 1836, as irmandades marcham em direção ao palácio provincial, convidando seus
membros e o público em geral para protestar contra a nova lei. A multidão se reuniu, vestidos a caráter,
carregando cruzes e bandeiras referentes a sua irmandade, o protesto tomou tal proporção que polícia estimou
cerca de duas a quatro mil pessoas. Devido a imensa multidão que se postou frente ao palácio, o presidente da
província, Francisco de Sousa Paraíso, aceitou negociar com os principais representantes das irmandades. Devido
a pressão exercida, Paraíso decide convocar uma reunião extraordinária da Assembléia Provincial para rever a lei,
acalmando em parte, os ânimos dos protestantes e enquanto a reunião não ocorria para dar o parecer final, os
enterros continuariam sendo nas igrejas.

Mesmo com a decisão do governador que atendia, por enquanto, a vontade do povo, um grupo aproximou-se do
escritório da companhia do cemitério gritando “vivas às Irmandades e morras aos Pedreiros livres”,
em seqüência apedrejaram o lugar. Em seguida, a multidão marchou sentido ao Campo Santo, que ficava a três
quilômetros do centro da cidade, lá a destruição foi praticamente total. Os policiais que acompanharam tudo de
perto não puderam fazer nada, a quantidade de pessoas era imensa e usar a força contra homens e mulheres que
carregavam cruzes seria politicamente incorreto. A manifestação só teve fim a noite, o cemitério estava destruído
e o povo contente. Assim ocorreu a ​Cemiterada​ de1836 na Bahia.

“A Cemiterada é um exemplo do conflito entre tradição e reforma, tão comum na formação do capitalismo e dos
estados nacionais modernos. Mais especificamente, ela pode ser entendida à luz das mudanças de atitudes frente
a morte e aos mortos, em parte do mundo católico, entre meados do século XVIII e meados do XIX,
aproximadamente.” (REIS, 2006, p. 229)
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DISCUTINDO O TEMA

Observando a cemiterada conseguimos pereceber que foi um movimento atípico dos diversos que vieram a
ocorrer naquele período, exemplo da Revolta dos Malês em 1835 e a Sabinada em 1837. Analisando o contexto
histórico, observamos que houve uma mudança da organização social da época após o declínio do mercado
açucareiro, a população baiana passou por uma crise de abastecimento de alimentos o que causou fome e miséria
a grande parte da sociedade, as tensões sociais estavam refletidas em problemas como: crise econômica,
desigualdades sociais, preconceito de cor e diferentes ideologias religiosas.

Revolta dos Malês

Percebe-se que havia uma grande preocupação quando se falava em morte naquela época, haviam rituais que
deviam ser cumpridos para que os mortos “descansassem em paz”, os baianos se sentiam atraídos pelos funerais,
era um dos passatempos favoritos da população. Quando um grande número de pessoas acompanhava o enterro
demonstrava o prestígio social da família do morto, poder e proteção para a alma do defunto. As famílias
poderosas da época distribuíam centenas de convites para os seus enterros.

As classes baixas, a grande maioria da população, freqüentavam os enterros, pois sabiam que iriam receber
gratificações por está ali. O pagamento era feito através de velas utilizadas na cerimônia, dinheiro e comida. Para
a classe alta a participação de gente humilde nos enterros representava orações precisas para o bem-estar da
alma do morto.

Os enterros eram feitos nas igrejas pois as pessoas acreditavam que morrer em terra firme e ocupar um túmulo
em lugar sagrado representava o verdadeiro “descanso em paz”. A igreja era vista como um pedaço do céu na
Terra. Ocupar uma cova no interior de um espaço sagrado era uma forma de manter os mortos em contato com o
mundo dos vivos, sendo sempre lembrados pelos freqüentadores das igrejas em suas orações. Os locais dos
túmulos eram devidamente escolhidos de acordo com o poder aquisitivo do morto, aqueles que tinha dinheiro
para serem enterrados próximo do altar significava estar mais próximo de Deus.
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Enterro de uma negra

Muitas pessoas não tinham como serem enterrados em igrejas católicas, a maioria dos escravos eram levados
para o cemitério no Campo da Pólvora, onde além de escravos, eram enterrados também, cadáveres de
indigentes, em valas e não havia nenhuma cerimônia religiosa. Os escravos se esforçavam para se associar a uma
irmandade negra para escapar desse destino humilhante perigoso para as suas almas.

“A irmandade substituía, na vida e na morte, os laços cortados pela escravidão africana no Brasil” (REIS, 2006,
p.241)

O escravo buscava na morte, além da liberdade, um respeito que nunca teve quando estava vivo e que o novo
cemitério não lhe proporcionaria.

A partir do início do século XIX, a opinião médica brasileira começa a questionar a higienização das igrejas devido
os constantes enterros, a idéia de uma solução mais prática e higiênica para os enterros começa a ser elaborada.
A reforma funerária, acreditavam os médicos brasileiros, iria significar a civilização do país. Os cemitérios seria
adaptados para comportar maior quantidade de mortos, os túmulos teria uma profundidade determinada
impedindo a propagação do mau cheiro e serviria de vitrines para exibição de atitudes cívicas, a virtude seria
exaltada em lugar da piedade religiosa. Seria um projeto burguês para uma sociedade escravocrata.

Os médicos receberam o apoio do alto clero da Igreja, que acreditaram que a verdadeira religião poderia acabar
com os enterros nas igrejas e quem insistisse no antigo costume seria adepto de uma superstição ultrapassada. A
Igreja e o Estado cederam a pressão das irmandades, o cemitério foi destruído e os enterros nas igrejas
continuaram durante mais vinte anos.

Visconde de Pirajá
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O Visconde de Pirajá, foi sem dúvida um dos personagens mais importantes deste movimento, membro
conservador da Assembléia Provincial e adepto fervoroso do catolicismo barroco. Pirajá pertencia a duas
irmandades de prestígio, as Ordens Terceiras de São Francisco e de São Domingos, valorizava a forma tradicional
dos enterros e sua família possuía um jazigo perpétuo no convento franciscano, simbolizando assim privilégios
aristocráticos consagrados. Pirajá encabeçou o manifesto contra o cemitério recebendo 280 assinaturas, um
número muito alto devido a grande maioria analfabeta que compunha a sociedade. A proibição de enterros nas
igrejas poderia causar o rompimento com a ordem social e política.

Ficou evidente que o movimento da Cemiterada contou com as diferentes classes sociais, cada uma com
um propósito, porém um único objetivo, impedir a proibição dos enterros nas igrejas. O enterro nas igrejas
simbolizava os privilégios e poder dos senhores, a transferência dos enterros determinaria o rompimento da
ordem senhorial dando lugar a ordem burguesa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REIS, João José. A morte é uma festa: Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo:
Companhia de Letras, 1991.

MATTOSSO, Kátia. Bahia século XIX: uma provincia do Império. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. São Paulo: Editora Unesp: Salvador, BA: EDUFBA, 2001.

Sabinada 

(1837) 

Durante o Período Regencial e os primeiros anos após a coroação do imperador D. Pedro II, o Brasil passou por
diversas revoltas que abalaram a unidade do país. Esta foi uma época conturbada no mundo inteiro, e aqui no
Brasil não foi diferente.

A Sabinada foi mais uma rebelião do período regencial, junto à Balaiada no Maranhão, a Cabanagem no Pará e a
Farroupilha no Rio Grande do Sul, e foi um movimento contrário à Regência ocorrido entre 1837 e 1838 na Bahia,
que já havia sido palco da Conjuração Baiana em 1798, da Federação dos Guanais em 1832 e da Revolta dos
Malês em 1835. Portanto, a província já tinha um histórico de revoltas e lutas.

O médico e jornalista Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira foi o principal mentor da revolta, que não desejava
a independência da província da Bahia, mas sim a instalação de uma república independente do Império Brasileiro
até o fim da Regência, a “República Bahiense” , que vigoraria até ​D. Pedro II​ alcançar a maioridade. Portanto, a
insatisfação da revolta foi estritamente dirigida ao governo regencial.

Havia um certo descontentamento em todo o Brasil com a excessiva centralização da Regência. Na Bahia esta
situação ficava pior, pois as autoridades nomeadas para governar a província — representadas pelo governador
Francisco de Souza Paraíso — agiam, segundo os revoltosos, de uma forma despótica e repressora.

Em 1837 começaram as discussões para a implantação do Ato Adicional, que mudaria muitas coisas na
Constituição promulgada por D. Pedro I, assim como mudou a Regência Trina para Regência Una, instituindo o
mandato de quatro anos para o regente. Como as discussões do Ato Adicional duraram até 1840, na época
abriu-se uma brecha, um vácuo de indecisão política no Império que impulsionou atitudes como a de Francisco
Sabino.
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Outro fato que deixou muitos descontentes foi o alistamento militar imposto pela Regência para combater
a Revolução Farroupilha no sul do país. Aliás, é por causa — em parte — da Revolução Farroupilha que a
Sabinada teve início.

. Francisco Sabino, quando ficou preso no Rio Grande do Sul entre os anos de 1834 e 1837, teve contato com os
ideais farroupilhas, conheceu e iniciou uma amizade com Bento Gonçalves. Este, por sua vez, foi capturado pelo
Império em 1836, enviado para o Rio de Janeiro e depois para a Bahia, onde ficou até ser libertado pela Sabinada:
A fuga de Bento Gonçalves, tramada pelos sabinos, foi um dos estopins da revolta

O Império tentava, com estes deslocamentos, separar as lideranças de seus pares. Só que neste caso não
adiantou muito…

Sabino, auxiliado por parte dos militares de Salvador, conseguiu expulsar o governo provincial em 7 de novembro
de 1837 e proclamou a República Bahiense. Segundo os revoltosos,

“A Bahia fica desde já separada, e independente da Corte do Rio de Janeiro, e do Governo Central, a quem desde
já desconhece, e protesta não obedecer nem a outra qualquer Autoridade ou ordens dali emanadas, enquanto
durar somente, a menoridade do sr. dom Pedro II.”​ [1]

Talvez o maior erro dos revoltosos foi não ter envolvido mais a população no movimento. Na época os
intelectuais e membros mais ​abastados​ da sociedade de Salvador — os mentores ao lado de Sabino, como o
político João Carneiro da Silva Rego, o advogado Inocêncio da Rocha Galvão e os militares Luiz Antônio Barbosa de
Almeida e José Duarte da Silva — discutiram a possibilidade de manter o apoio popular à margem da revolta.

Antes da tomada do poder alguns intelectuais até incitavam a população — através de textos em panfletos e
jornais — a ficar do lado de uma possível revolta, mas na hora H o apoio à Sabinada não foi tão grande.
Fazendeiros do interior, principalmente, não viam com bons olhos a revolta.

Os republicanos até tentaram, sem sucesso, obter apoio destes fazendeiros, principalmente os do Recôncavo
Baiano. Mas nem os fazendeiros, nem os escravos — estes certamente ​escaldados​ após a repressão imperial que
desarticulou a Revolta dos Malês em 1835 — ficaram do lado da recém-fundada República.

Em pouco tempo a cidade de Salvador estaria sitiada por tropas imperiais sufocando a revolta.

[1]​ CHIAVENATO, Júlio. “As lutas do povo brasileiro”. Ed. Moderna

L​ evante sertanejo

Horácio de Matos: o coronel que bateu a “invicta” Coluna Prestes


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Danilo Santana*

RESUMO

No início do século XIX, levas de garimpeiros de Minas Gerais desceram pelo Rio São Francisco e procuraram na
região central da Bahia encontrar novos meios para a extração de ouro e diamante. Quando as primeiras pedras
são descobertas, começa uma corrida que atraem do mais simples coronel do interior ao mais ilustre cidadão do
litoral. Todos interessados em trabalhar e fazer fortunas para suas famílias.

Os Matos foram uma das primeiras famílias a tentarem a sorte na Chapada Velha, município de Brotas de
Macaúbas, região pioneira na exploração de diamantes na Bahia. Devido à falta de representatividade política
junto ao governo do Estado, a abundância de diamantes, acaba despertando cobiça e gerando adversários
poderosos.

Na segunda metade do século XIX, Clementino, assume a liderança dos Matos. Ele protege os interesses da
família sustentando uma guerra sem trégua contra o coronel Militão Rodrigues Coelho, chefe da vizinha vila de
Barra do Mendes.

É neste cenário que no dia 18 de março de 1882, nasce em Brotas de Macaúbas (Fazenda Capim Duro –
Chapada Velha), Horácio Querós de Matos, sobrinho de Clementino de Matos, que tempos depois seria seu
sucessor e a partir dele os Matos sairiam do anonimato de uma simples família sertaneja, para a história do Brasil.

Cansado com as freqüentes disputas entre as duas famílias inimigas na Chapada Velha, e na intenção de
garimpar e adquirir riqueza, Horácio de Matos muda-se para a cidade de Morro do Chapéu, estabelecendo-se em
Ventura, distrito que prospera sob o comando do coronel Dias Coelho.

Mas em 1912, Horácio recebe um chamado de seu tio Clementino, que estava à beira da morte. Ao retornar a
Chapada Velha, seu tio o nomeia chefe dos Matos, lhe atribuindo todo o poder que o pertencia.
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A primeira medida tomada por Horácio, já na condição de líder dos Matos, é procurar o coronel Militão Coelho,
desafeto da família Matos, e lhe propor a paz entre as duas famílias. A princípio, Militão aceita, e os dias de paz
parecem chegar ao sertão. Por pouco tempo. Depois de quatro anos de trégua, Vítor, irmão de Horácio, rapaz de
temperamento forte, mata uma moça e um jagunço de Juvenal Cuscus, homem do também inimigo implacável
dos Matos, o coronel Manuel Fabrício.

Pouco tempo depois, Cuscus, com mais outros três jagunços armam uma armadilha e mata o irmão de Horácio
com dois tiros pelas costas, se refugiando em seguida no distrito de Capestre, município de Seabra. Toda família
Matos querem vingança com a mesma moeda, mas Horácio decide resolver o ocorrido pelas vias legais. Mas, a
justiça dominada por Manuel Fabríco nada faz, forçando Horácio a publicar no Diário de Notícias da capital –
edição de 28 de junho de 1915 – um longo Manifesto ao Governador do Estado no qual relata os acontecimentos:

“… Cruzados os braços das autoridades acerca de tão bárbaro crime, e acoitados em Campestre os seus autores,
dali começaram a sair recados e mais recados para os membros da família Queirós Matos, recados dentre os quais
uns simplesmente desaforados outros ameaçadores e outros mais imorais. E enquanto os parentes do morto
descansavam na esperança da repressão legal do crime, o que não se verificou, eis que os homens de Campestre,
sonhando com a possível vingança dele, transformaram a cidade, por meio de aliciamento de jagunços,
construção de trincheiras, abertura de fojos, valados e subterrâneos, em verdadeira praça forte. Ao mesmo
tempo, despachavam capangas para outros pontos a caça de outros membros da família do assassinado, como
sucedeu comigo próprio, meu irmão José de Queirós Matos e meu tio Ângelo de Queirós, que, felizmente,
escapamos.” (MORAES, 1997, p. 64)

Com a demora de meses sem resposta, Horácio e seu bando invadem Campestre, Manuel Fabrício foge, e
Horácio sai como vencedor do combate, sendo esta a primeira das muitas batalhas que travará no sertão e que
levará seu nome por toda Chapada Diamantina.

Com a vitória de Horácio, o então governador da Bahia, J. J. Seabra, envia um emissário para assinar um tratado
de paz, reconhecendo a supremacia política de Horácio sobre a região, o desterro do coronel derrotado e a prisão
dos assassinos de seu irmão.

Mas a prova de fogo aconteceria em 1918, quando Horácio de Matos enfrentaria o coronel Militão Rodrigues,
antigo inimigo dos Matos. Tudo começa quando Militão invade Brotas de Macaúbas e prende o tabelião Joviniano
dos Santos Rosa, o major Venas, acusado de desobediência. O major era compadre de Horácio, inclusive
criando-lhe duas filhas naturais, Neusa e Noêmia. Como castigo, o major recebe um tiro na boca, para que nunca
mais reclame das ordens de Militão. O major Venas sobrevive, mas fica com graves seqüelas, lhe prejudicando na
deglutição dos alimentos. Ao saber, Horácio invade Brotas de Macaúbas, resgatando seu compadre. Inicia-se aí o
combate.

Serão mais de dois meses de combate, tendo as duas partes muitas perdas. Nessa primeira batalha Horácio sai
vitorioso. Militão e seus jagunços refugiam-se em Barra do Mendes, então distrito de Brotas. Horácio assume a
chefia política da cidade, feito Intendente.

Derrotado em combate, Militão obtém uma vitória política, junto ao governador Antônio Muniz, com a
emancipação de Barra do Mendes, levando ainda o distrito de Fundão e exigindo o distrito de Guigós ao vizinho
Gameleira. Renovato Alves Barreto, líder daquela cidade, pede ajuda a Horácio, que envia cinqüenta homens a
Gentio do Ouro, então um povoado entre as duas localidades. Em represália, o coronel Militão manda um grupo
de jagunços invadirem a Fazenda Melancia, terras de Manoel Pereira de Matos, parente de Horácio, tomando
todo gado que lá se encontrava. Nesse mesmo tempo, um amigo de Horácio, Onésimo Lima, é morto e crucificado
em uma estaca pelos homens de Militão. Estava declarada novamente a guerra.
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Primeiro Horácio retoma a Fazenda Melancia, e em seguida, marcha para Barra do Mendes, o quartel-general
de Militão Rodrigues, transformando a vila em um campo de guerra.

“Vencendo trincheiras pelo caminho, Horácio de Matos e seus homens cercam Barra do Mendes. O coronel
manda um aviso para a vila sitiada: as famílias podem sair, tranquilamente, a fim de não serem molestadas.
Esgotando o prazo para a retirada, os homens de Horácio atacam a fortaleza de Militão. A luta dura cinco meses,
envolvendo mais de 600 combatentes dos dois lados” (CÉSAR, 2002, p. 15).

Quando o último forte é destruído pelos jagunços de Horácio, Militão Rodrigues foge, consolidando assim a
vitória de Horácio. Segundo Walfrido Moraes, autor de “Jagunços e Heróis”, mais de 400 pessoas perderam a vida
nesse sangrento confronto. E mesmo perdendo dois irmãos na batalha, Isidoro e Manuel de Queiróz Matos,
Horácio mostra sua grande capacidade de liderança e honra, entregando pessoalmente a mãe, o filho de Militão
Rodrigues, Nestor Rodrigues Coelho, que fora capturado durante a batalha. Era o fim do velho coronel Militão
Rodrigues. Horácio de Matos mais uma vez sai vitorioso, consolidando ainda mais seu poder e prestígio nos
sertões.

A REAÇÃO SERTANEJA

O ano de 1919 foi muito conturbado no que diz respeito a política baiana. O atual governador, Antônio Muniz
Ferrão de Aragão, emprega todas suas forças para eleger José Joaquim Seabra, a quem o sucedera, evidenciando
um acordo pessoal entre os políticos para garantirem a sua perpetuação no poder. Mas a oposição, que lançara o
nome do Juiz Federal Paulo Martins Fontes, se mostrará implacável na condição de acabar com o conchavo que
existia entre a situação. Nomes como Otávio Mangabeira, João Mangabeira, Ernesto Simões Filho, Pedro Lago,
Luis Viana, Medeiros Neto, Lemos Brito, Madureira de Pinho, Homero Pires, Ubaldino Gonzaga e Rui Barbosa, com
seus discursos inflamados, estavam dispostos a vender caro a cadeira de Governador da Bahia.

Mesmo assim, como num jogo de cartas marcadas, J. J. Seabra ganha as eleições daquele ano, obrigando a
oposição a mudar de tática. Horácio de Matos, cujo prestígio crescera com a vitória em Barra do Mendes, aceita o
apelo dos oposicionistas para que ele e seus homens marchem para a capital no intuito de impedir a posse de J. J.
Seabra, provocando assim uma intervenção federal na Bahia. Alguns coronéis são designados a ajudarem Horácio
e seus jagunços. Nomes como Manoel Alcântara de Carvalho, Anfilófilo Castelo Branco e Marcionílio Antônio de
Souza, disponibilizariam seus homens para a marcha que ficou conhecida como “reação sertaneja”. Nisso, Horácio
manda um telegrama em tom desafiador ao governador:

“O sertão irá para a capital vingar o sangue dos seus irmãos e pelejar ao lado da causa defendida pelo conselheiro
Rui Barbosa” (CÉSAR, 2002, p. 16).

Em fevereiro de 1920, depois de ocupar dez cidades, Horácio e seus jagunços invadem Lençóis, que não reage à
investida, expulsando sem que houvesse nenhum disparo, o coronel Aureliano de Andrade Sá, tradicional
adversário da família Matos.

Horácio, comandante-chefe da reação sertaneja, não vacila. Envia telegramas para várias autoridades federais e
estaduais, cujos textos abalam significativamente a opinião pública de Estado e do País. O primeiro telegrama é
dirigido ao então Presidente da República, Epitácio Pessoa:

“Em nome da consciência oprimida do povo sertanejo, animado pela idéia de sua independência, peço vênia para
ainda mais uma vez, impetrar o auxílio benéfico de V. Exª no emprego de uma fórmula única que o movimento
está a exigir e com a qual fiquem assegurados a Paz e a tranqüilidade públicas neste Estado ora divorciado dos
demais da Federação pela intolerância de um governo que abraçou o despotismo contra a liberdade, acreditando
na eficácia do crime conta os mais sagrados princípios da boa moral política. Essa, a causa da jornada
reivindicadora que levantou o povo sertanejo como um só corpo, para, batendo-se pela salvaguarda comum,
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oferecer resistência ao regime do arbítrio, sem temer dar em holocausto a própria vida, como manifestação
consciente de muito amor à sua liberdade. E quando, hoje, o povo sertanejo, caminhando juntamente com a idéia
de sua libertação, marcha para a Capital, procurando socorrer tantos outros irmãos, vítimas dessas mesmas
injustiças que nos envergonham em face do País, não é demais que imploremos novamente de V. Exª, há de
concorrer, porque à anarquia sucede a ordem; às injustiças, o respeito a todos os direitos. Acreditando V. Exª na
obediência sempre sincera de seus mais humildes compatriotas. (a) Horácio de Matos” (MORAES, 1997, p. 83)

Epitácio Pessoa decreta em 17 de fevereiro de 1920, a intervenção federal na Bahia. A medida é sustentada por
dez mil soldados do Exército, que desembarca em Salvador. Com o apoio do governo federal, proclama-se
efetivamente eleito para Governador do Estado da Bahia, José Joaquim Seabra.

Considerando a arrancada dos jagunços um desaforo, o governo estuda táticas para atacar o levante em seu
próprio reduto. Devido aos caminhos tortuosos, íngremes e de difíceis acessos que poderiam levar o governo da
República a uma possível e vergonhosa derrota para um bando de jagunços, o general Santa Cruz recua com essa
idéia, prevendo que não se repetisse nas Lavras Diamantinas o mesmo que acontecera em Canudos. Então o
general propõe a Horácio uma conferência de paz. O “Convênio de Lançóis”, como ficou conhecido a conferência,
foi uma humilhação para o governo federal. Horácio de Matos fica com o domínio político de toda região da
Chapada até o Rio São Francisco, e ainda é nomeado delegado regional do mesmo território. U m “Estado” dentro
do Estado.

Em menos de uma década, o patriarca de um pequeno clã perseguido por coronéis e governadores, sai dos
confins da Chapada Velha, para comandar toda Chapada Diamantina.