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Prática de Ensino em

Ciências nos Anos


Finais do Ensino
Fundamental
Material Teórico
O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. João Paulo Silva Pinheiro

Revisão Textual:
Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti
O Aluno “Docente”: Possibilidades
e Desafios do Estágio

• A Prática do Estágio Curricular Supervisionado


• As Possibilidades de Ação de um Estagiário em Ciências
• Os Desafios do Estagiário: Superando os Medos da Prática Docente

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Analisar o contexto histórico do Estágio Curricular Supervisionado;
· Compreender a importância do estágio na formação docente em
Ciências;
· Reconhecer a postura, os direitos e os deveres de um estagiário;
· Avaliar de forma crítica-reflexiva algumas situações-problemas em
relação ao papel do estagiário de Ciências.

ORIENTAÇÕES
Nesta unidade, iremos fazer uma leitura sobre um tema de fundamental
importância para um curso de licenciatura, que é o Estágio Curricular
Supervisionado. Com isso, você poderá desmistificar alguns pontos e
aperfeiçoar a sua prática “docente” como aluno.

Para isso, é importante que você leia atentamente essa unidade, além disso,
assista a alguns vídeos, relacione algumas imagens ao assunto proposto e
pense de forma crítica sobre alguns questionamentos e soluções para os
desafios da prática docente.

Não se esqueça de visualizar o material complementar e participar do fórum,


pois é crucial para a construção do conhecimento. Em caso de dúvida, não
hesite em perguntar ao tutor.

Observe com atenção os prazos das atividades!

Bom estudo!
UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Contextualização
Uma das principais formas de aprender a ser professor é ler sobre a prática
docente e praticar, é envolver-se com o contexto educacional, desde a estrutura da
escola à individualidade de cada aluno. Em um curso de licenciatura, isso é possível
por meio de algumas disciplinas, como essa e os Estágios Curriculares Obrigatórios.

Nessa unidade, você irá estudar sobre esse primeiro passo de atuação docente:
o aluno ser “professor” sob a supervisão de alguém mais experiente, ou seja, um
professor graduado. Para isso, iremos abordar alguns assuntos que lhe capacitará
nessa etapa, como o contexto histórico do estágio, a legislação, bem como a
postura, os direitos e os deveres do estagiário.

Com isso, essa unidade visa tornar a atuação mais fácil e prazerosa para todos
os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, além de fornecer algumas
experiências e propor situações-problemas para que você possa refletir e resolver.

Se por acaso você ficasse frente a seguinte situação: durante o estágio, em uma
aula expositiva, um dos alunos da turma em que você está atuando decide não
participar da aula e promove uma algazarra atrapalhando a realização da mesma.
Você como estagiário deve fazer o quê?

Que tal buscar a resposta nessa unidade?

Mãos à obra!

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A Prática do Estágio Curricular
Supervisionado
Ao ingressar no seu curso de licenciatura, você deve ter tido as seguintes
perguntas desde o primeiro dia de aula: Como ser um bom professor? Como devo
fazer para dar uma “boa aula”? Será que conseguirei a formação adequada para
ser um bom professor? Como faço para aprender a prática docente? É possível?

Diante desses questionamentos, vamos fazer uma leitura sobre o estágio curricular
supervisionado como prática docente, ressaltando a importância, as etapas, os
aspectos históricos, bem como os aspectos legais.

Introdução ao Estágio Curricular Supervisionado em Ciências –


A Importância de Praticar
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) - Nº 9.394/96 estipula a
obrigatoriedade de que haja a formação de profissionais de educação com nível
superior, por meio da realização de cursos de licenciatura plena. Contudo, muitas
faculdades e universidades focam na formação de pesquisadores, não priorizando
o currículo que capacite a atuação de professores de ensino regular, de acordo com
a realidade das escolas.

Umas das formas, na graduação, de permitir uma atuação expressiva de


futuros professores no ensino básico é o Estágio Curricular Supervisionado, que
constitui uma etapa primordial dos cursos de licenciatura, em que os alunos (futuros
professores) irão praticar o que fora visto de forma teórica; além de lidar com o
contexto educacional, a fim de que se possa garantir uma aprendizagem significativa
tanto para os alunos das escolas quanto para os estagiários.

De acordo com a lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, artigo 1º, a


definição de estágio no âmbito dos cursos de licenciatura é um:
[...] ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de
trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos
que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação
superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial
e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da
educação de jovens e adultos.

Essa etapa curricular permite que o graduando avalie e conheça a estrutura da


escola, com a finalidade de propor a utilização do espaço disponível e observar de
que forma o ambiente interfere no processo de construção do conhecimento. No
ensino de Ciências, geralmente, os ambientes mais procurados para ser realizada
essa análise são o laboratório de Ciências, a biblioteca, o pátio da escola e ambientes
que proporcionem o contato com a Natureza, com o intuito de que possa ser
realizada a contextualização do conteúdo com a realidade do aluno.

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Após essa observação do ambiente físico escolar, acontece o contato do aluno


estagiário com o professor supervisor, em que são apresentados os planos de ensi-
no e de aulas e decidido, da melhor forma, como o estagiário poderá ser inserido
nesses planejamentos. Além do mais, o estagiário observa algumas aulas do profes-
sor para que se tornem exemplos a serem seguidos ou não e possam ser levantados
alguns pontos que permitam a atuação do graduando no contexto da turma.

Com isso realizado, o estagiário irá iniciar a docência sob a supervisão do


professor da escola. Nessa etapa, o graduando poderá utilizar várias estratégias de
ensino, realizar palestras, propor intervenções na comunidade, auxiliar os alunos
na resolução de questões dentre outras atividades.

Importante! Importante!

Antes de qualquer uma das atividades supracitadas, primeiro o estagiário deve pedir
autorização à gestão da escola. Além do mais, toda atividade realizada pelo estagiário
deverá estar de comum acordo com a escola e com o professor regente da turma.

Por fim, chegará o momento de você avaliar-se por meio da escrita de um


relatório, em que deverá conter todas as atividades realizadas durante o estágio,
assim como os pontos positivos e negativos da sua atuação. Esse instrumento
permitirá o aperfeiçoamento da sua prática docente e a sua avaliação pela faculdade
em que você estuda.

Trocando ideias...Importante!
E aí, o que você pensa sobre o estágio? É um momento rico para o seu aprendizado?
Você receberá várias instruções para que sua prática docente seja efetiva e proporcione
um ambiente propício a ser desenvolvido com uma aprendizagem significativa para
todos os envolvidos nesse processo!

Qual é a diferença entre estágio curricular e estágio profissional? De acordo com Pimenta
Explor

e Lima (2004), o primeiro tem o objetivo de “integrar o processo de formação do aluno,


futuro profissional, de modo a considerar o campo de atuação como objeto de análise, de
investigação e de interpretação crítica, a partir dos nexos com as disciplinas do curso”. Já
o estágio profissional tem o intuito de que o aluno ingresse no campo de trabalho, sendo
“uma porta de entrada a este, portanto volta-se à especialização e treinamento nas rotinas
de determinado segmento do mercado de trabalho. Este é o sentido da residência médica,
por exemplo, ou do estágio na empresa, no escritório de advocacia, etc.”.

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O “Percurso” da Prática Docente
A formação de professores no Brasil iniciou-se com a criação de escolas
destinadas para esse fim, a partir do século XIX. Tal fato ocorreu em 1835, no Rio
de Janeiro, em Niterói. Essa primeira escola, denominada de Escola Normal, teve
o intuito de capacitar os professores, porém não era essa a sua real preocupação,
uma vez que o interesse era formar pessoas que espalhassem as ideias do governo
pela população e mantivesse a ordem da sociedade.

Após alguns anos, foram surgindo novos tipos de Escolas, mas que não priorizava
a Pedagogia e nem a prática de ensino. Isso foi revertido a partir de 1914, quando
a Escola de Aplicação começou a depender da Escola Normal, permitindo um
“diálogo” entre a teoria e a prática, consequentemente favorecendo a formação
de professores.

No ano de 1946, por meio do Decreto-Lei No. 8.530/46 (Lei Orgânica do


Ensino Normal), houve a unificação do currículo para os Estados. Além do mais,
essa lei aborda as bases da organização (inclui a formação de professores), a
estrutura, a vida escolar, a administração e a organização e as medidas auxiliares
do ensino normal.

Em seguida, houve o surgimento de várias universidades federais no Brasil


entre as décadas de 50 e 70, juntamente com a criação da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, de 1961 – Lei nº 4.024, porém não influenciou na
formação docente. Contudo, nesse período, foi exigido a implantação do Estágio
Supervisionado (prática) em todos os cursos de formação de professores, isso
se deu por meio do Parecer do Conselho Federal de Educação 292, de 14 de
novembro de 1962.

No que se refere ao Estágio, a Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977


(regulamentada pelo Decreto Nº 87.497/82) “dispõe sobre os estágios de
estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do
2º grau e Supletivo”, em que se observam algumas normas, responsabilidades e
estrutura do estágio curricular.

Finalmente, em 1996, é criada a Lei de diretrizes e bases da educação nacional


(Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que abrange os princípios, os fins,
a organização da Educação Nacional, os níveis e as modalidades de ensino, os
recursos financeiros dos profissionais de educação, em que traz o papel do estágio
como etapa importante na formação docente: “a associação entre teorias e práticas,
mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço” (incluído pela Lei nº
12.014, de 2009), dentre outros aspectos.

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Acesse a lei e veja alguns pontos importantes que a mesma traz para a Educação Nacional:
Explor

http://goo.gl/jVT8oK

Em 2001, com a regulamentação do Conselho Nacional de Educação, por meio


das Diretrizes Curriculares Nacionais (Resoluções CNE nºs 1/2002 e 2/2002),
os cursos de graduação de licenciatura foram responsabilizados pela formação
de professores. Dessa forma, aborda no artigo terceiro, parágrafo terceiro, das
resoluções CNE/CO nº1/2002, a obrigatoriedade da realização de estágios em
escola de educação básica, havendo o “diálogo” entre os sistemas de ensino.

Já em 2008, com a lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, traz de forma


mais abrangente sobre o estágio de um estudante de curso de graduação (ensino
superior), definindo como:
Art. 1º Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no
ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo
de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições
de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da
educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade
profissional da educação de jovens e adultos.

Além do mais, essa lei traz a classificação, as relações de estágio, sobre a


instituição de ensino (obrigações), a parte concedente, o estagiário (por exemplo, a
carga horária) e a fiscalização.

Em 2015, é publicada a resolução nº2, 1 de julho de 2015, que “define as


Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos
de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda
licenciatura) e para a formação continuada”. No capítulo V dessa resolução traz a
carga horária de trabalho acadêmico exigido para professor de educação básica:
§ 1º Os cursos de que trata o caput terão, no mínimo, 3.200 (três mil e
duzentas) horas de efetivo trabalho acadêmico, em cursos com duração
de, no mínimo, 8 (oito) semestres ou 4(quatro) anos, compreendendo:

I- 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular,


distribuídas ao longo do processo formativo;

II- 400 (quatrocentas) horas dedicadas ao estágio supervisionado, na área


de formação e atuação na educação básica, contemplando também outras
áreas específicas, se for o caso, conforme o projeto de curso da instituição;

III- pelo menos 2.200 (duas mil e duzentas) horas dedicadas às atividades
formativas estruturadas pelos núcleos definidos nos incisos I e II do artigo
12 desta Resolução, conforme o projeto de curso da instituição;

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IV- 200 (duzentas) horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento
em áreas específicas de interesse dos estudantes, conforme núcleo
definido no inciso III do artigo 12 desta Resolução, por meio da iniciação
científica, da iniciação à docência, da extensão e da monitoria, entre
outras, consoante o projeto de curso da instituição.

Leia mais sobre essa resolução (Resolução nº2, 1 de julho de 2015):


Explor

http://goo.gl/0C1UYH

Que tal verificar essas disposições sobre o “estágio de estudantes de estabelecimentos


Explor

de ensino superior e de 2º grau regular e supletivo?”. Disponível em:


http://goo.gl/HyAscu

As Possibilidades de Ação de um
Estagiário em Ciências
Frente ao que foi introduzido, podem ter surgidos alguns dos seguintes
questionamentos: Sei a importância do estágio para minha futura atuação docente,
mas como devo fazer para desenvolver essa etapa de forma significativa? Como
deve ser a minha postura? Quais os meus deveres como estagiário? Enfim, várias
perguntas... Vamos tentar encontrar as respostas?

A postura de um Estagiário – Como praticar a docência de forma


significativa?
Existe uma receita para você ser professor? Posso afirmar que não... Mas por
quê? O ensino é algo que depende de diversas variáveis, como a estrutura física e
organizacional do local de ensino, os recursos didáticos disponíveis, a individualidade
de cada aluno e o contexto da turma. Então, o que deve ser feito? Adiante, serão
abordados alguns tópicos de como você pode desenvolver o estágio de forma
tranquila e benéfica para todos os envolvidos nesse processo (Escola x Alunos x
Professor Supervisor x Estagiário x Instituição de Ensino Superior).

1º Planeje a aula ou qualquer outra atividade que você vá desenvolver


no estágio

O planejamento é primordial para a realização de qualquer atividade, uma vez


que proporciona traçar os objetivos, a metodologia e os recursos de avaliação. Essa
etapa irá favorecer um bom desempenho da prática docente, já que a aula terá
um “norte” a ser seguido e permitirá você abordar aquilo que é necessário para o
processo de construção do conhecimento dos alunos.

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Além do mais, o planejamento irá dar mais confiança ao docente em diversos


aspectos, como o desenvolvimento de uma melhor estratégia de ensino para o
assunto a ser trabalhado com a turma. No entanto, esteja preparado, pois ao longo
da aula surgem algumas surpresas... Mas, não precisa ter medo. Você é capaz!

Ao planejar, pense naquilo que você gostaria de que o seu professor trabalhasse
em relação àquele assunto, leia alguns livros, artigos e jornais, procure metodologias
que facilitem a aprendizagem significativa, proponha algumas reflexões e não
esqueça de fazer a interdisciplinaridade e a contextualização, pois são essenciais
para o processo de construção do conhecimento, permitindo o aluno fazer uma
ligação com outras disciplinas e com a realidade da sociedade.

2º Treine

Após o planejamento, monte a sua aula e treine. Você pode fazer isso na
frente do espelho, para outra pessoa ou até mesmo gravar, com o intuito de
observar a postura, a entonação e o volume da fala. O treino também permite
você selecionar e estudar o conteúdo a ser abordado em sala de aula, além de
cronometrar o tempo.

Cuidado com oscilações de entonação e volume da voz, pois podem demonstrar


insegurança na abordagem do conteúdo.

3º Crie uma boa relação com a escola e com o professor supervisor

Antes de iniciar o estágio propriamente dito, é necessário você levar uma carta
de apresentação da Instituição de Ensino Superior e outra de autorização para que
o diretor possa assinar. Também, não se esqueça de conversar com o professor,
ele é o seu elo com a turma. Peça e aceite as sugestões e tente acrescentar algo,
apresentando artigos, vídeos de metodologias que podem ser eficientes na prática
docente em relação a cada um dos conteúdos de Ciências. Além disso, proponha
o uso de tecnologias educacionais, já que os alunos vivem na “era da mídia digital”.

Combine tudo com a escola e com o professor! Isso é primordial para que
você atue da melhor forma no campo de estágio, uma vez que eles possuem mais
experiência em relação ao contexto de cada uma das turmas. Somado a isso,
poderão te ajudar na seleção das estratégias de ensino, no controle da turma e na
utilização de outros espaços da escola.

4º Proporcione uma relação “amigável” com os alunos

Lembre-se, você já foi aluno do ensino básico. Como você gostava de ser tratado
pelo seu professor? Qual era a melhor aula? Como era seu comportamento em
sala de aula? Você conseguia aprender mais quando seu professor era bom ou
“carrasco”? Todos esses questionamentos podem nortear a sua prática docente.
Ponha-se no lugar do seu aluno!

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A relação entre aluno e estagiário deve ser amigável, pois há muitos trabalhos
na literatura científica que comprovam a eficiência do processo de ensino-
aprendizagem, por meio do bom relacionamento entre o aluno e o professor.
Muitos professores pensam que o autoritarismo será um fator importante para
conquistar o respeito dos alunos, mas por outro lado, ocasiona momentos de
conflito e repulsa pelas aulas daquele conteúdo, consequentemente interferindo de
forma negativa no processo de construção do conhecimento.

Diante de tantas normas impostas pela sociedade e, até mesmo pela própria
escola, é importante que o docente-estagiário tente “aliviar” as normas por meio
do diálogo, pois irá garantir um bom relacionamento com receptividade dos
alunos, confiança, respeito, além de incentivar a construção do conhecimento e
dos aspectos morais e éticos da sociedade.

Cada aluno tem sua individualidade e vive em um contexto diferente do outro,


investigue de forma cautelosa e pense nisso, levando em consideração que a aula
tem que ser para a turma e não para um indivíduo.

5º “Interaja” com os assuntos que você irá apresentar à turma

Antes de iniciar a regência, conheça o livro didático. Observe atentamente de que


forma o livro expõe o conteúdo, se é contextualizado e de forma interdisciplinar,
quais os recursos complementares que são disponibilizados, se o mesmo traz
questões de direcionamento para o estudo e revisão do conteúdo. Isso será crucial
para o direcionamento da aula, a fim de que você possa enfatizar alguns pontos,
usar algumas estratégias didáticas, além de propor alguns questionamentos e a
pesquisa em outras fontes bibliográficas, como jornais, revistas e livros didáticos.

Veja o que a mídia traz em relação aquele conteúdo que será exposto, se possível,
com a finalidade de esclarecer e desmistificar alguns conceitos e proporcionar o
ponto de vista dos alunos de forma crítica-reflexiva sobre o assunto.

A estratégia de ensino deve ser escolhida


de acordo com as características da turma
(número de alunos, comportamento,
interesse em participar das atividades entre
outras) e do conteúdo a ser trabalhado
(algo que exige mais dinâmica, se é
polêmico ou não, se provoca discussão,
se há divergência de pensamento na
literatura entre outros aspectos).

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

6º Seja acessível antes e após as aulas ou as atividades desenvolvidas

Mostre-se acessível. O momento de contato com o aluno antes e após as


atividades desenvolvidas proporciona uma relação amigável, possibilitando o
docente investigar a “individualidade”, e ainda destinar um tempo para sanar
dúvidas por meio de resolução de questões, conversa informal, aula de reforço ou
qualquer outro método pertinente. Essa acessibilidade do professor também pode
oferecer um momento de descontração e possibilidade de “ensinar” valores éticos,
morais e sociais.

7º Avalie-se

A auto avaliação é essencial para qualquer profissional, já que permite verificar


como está sendo o desempenho do ofício e incide consequentemente na qualidade
do “produto” que é oferecido. Esse mecanismo de avaliação possibilita ainda a
análise crítica da prática, a comparação com atividades realizadas anteriormente,
o planejamento das próximas atividades, o reconhecimento e reparo dos erros
cometidos e a escolha de novas estratégias de ensino em relação a determinados
conteúdos.

Com essa avaliação é interessante você checar o planejamento da aula e verificar


se os objetivos propostos foram alcançados, se a metodologia proposta foi aceita
pelos alunos e se a avaliação dos alunos possibilitou verificar o conhecimento
construído. Alguns questionamentos você pode fazer: O que eu mudaria na próxima
aula? Os recursos didáticos utilizados foram eficientes? Poderia repetir algo? Ou
seria interessante mudar o quê? Como foi o comportamento dos alunos? Enfim,
questione-se e mude o que for necessário para garantir um processo de ensino-
aprendizagem significativo.

Além do mais, é interessante que o professor proponha de forma indireta a


auto avaliação dos alu nos. Isso pode ser realizado por meio de questionamentos
durante e no final da aula, com a finalidade do discente refletir sobre o papel que
ele vem executando e sentir-se um sujeito ativo na construção do conhecimento.

Direitos e Deveres
Com o intuito de que haja uma ação efetiva durante a prática docente no
estágio, é importante levar em consideração alguns fatores, de forma mais precisa,
os direitos e os deveres de cada uma das partes envolvidas (Escola x Professor
Supervisor x Estagiário x Alunos da escola x Instituição de Ensino Superior). Para
isso, serão elencados de forma resumida alguns pontos pertinentes a cada um dos
envolvidos nessa prática docente:
·· Escola:

Tem como deveres:

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· Oferecer a estrutura física disponível para que sejam realizadas atividades
relacionadas à disciplina de Ciências ou afins. O estagiário docente
poderá utilizar, por exemplo, biblioteca, laboratórios de Ciências e de
Informática, praça, auditório, pátio da escola e as salas de aula;
· Disponibilizar os materiais didáticos para a realização das aulas, como
projetor multimídia, computador, modelos tridimensionais, equipamentos
e vidrarias de laboratório entre outros.

Tem como direitos:


· Autorizar ou não as atividades propostas no estágio;
· Acompanhar o desenvolvimento das atividades do aluno-estagiário;
· Suspender a atuação do estagiário na escola por algum motivo que venha
a prejudicar o funcionamento da instituição e o desempenho dos alunos.
· Professor Supervisor:

Tem como deveres:


· Orientar o aluno “docente” no desenvolvimento das atividades do estágio,
desde o planejamento até a regência propriamente dita;
· Auxiliar na condução da turma;
· Facilitar a utilização da estrutura física da escola e dos recursos didáticos
disponíveis;

Tem como direitos:


· Reunir-se com a gestão da escola para entrar em acordo sobre alguma
atividade proposta ou realizada pelo estagiário;
· Autorizar ou não as atividades propostas no estágio;
· Acompanhar o desenvolvimento das atividades do aluno-estagiário;
· Suspender a atuação do estagiário na escola por algum motivo que venha
a prejudicar o funcionamento da instituição e o desempenho dos alunos.
· Estagiário:

Tem como deveres:


· Realizar as atividades propostas;
· Proporcionar um “clima amigável” com todos os funcionários, professores
e alunos da escola;
· Seguir as normas da escola e as propostas do professor supervisor;
· Zelar por todo recurso disponibilizado, desde a estrutura física aos
materiais didáticos oferecidos para a realização das atividades;

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

·· Avisar com antecedência, se possível, sobre qualquer problema que venha


a prejudicar a realização de alguma atividade, como a sua falta no dia e
horário proposto;
·· Manter a disciplina da(s) turma(s) durante as atividades.

Tem como direitos:


·· Utilizar a estrutura física e os recursos didáticos disponíveis;
·· Propor atividades durante o estágio, como oficinas, aulas de campo,
palestras, aulas de reforço entre outras;
·· Realizar qualquer ação, de acordo com os princípios éticos, para manter
a ordem durante as atividades e proporcionar o processo de construção
do conhecimento da turma.
·· Alunos da Escola:

Tem como deveres:


·· Participar das atividades propostas;
·· Seguir as normas da escola e do professor;
·· Respeitar os demais alunos e professor;
·· Ser avaliado.

Tem como direitos:


·· Questionar sobre alguma dúvida do conteúdo proposto;
·· Explanar sua satisfação em relação às atividades realizadas.
·· Instituição de Ensino Superior:

Tem como deveres:


·· Acompanhar o desenvolvimento do estagiário;
·· Oferecer suporte teórico ao estagiário;
·· Esclarecer dúvidas e auxiliar no processo de planejamento;
·· Propor avaliações ao estagiário.

Tem como direitos:


·· Ser informada de qualquer atitude, tanto positiva quanto negativa, do
estagiário;
·· Suspender a atuação do estagiário;
·· Dialogar com os envolvidos no Estágio Supervisionado.

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Os Desafios do Estagiário: Superando os
Medos da Prática Docente
Chegando o momento de estagiar... Você se sentiria preparado para essa prática?
Ou surgem medos e outros sentimentos que poderiam atrapalhá-lo? Lembre-se,
você pode e você é capaz.

O estágio é um momento de descoberta, em que você tentará desvendar várias


incógnitas, por exemplo, como devo fazer para realizar uma excelente aula? O
que devo fazer para alcançar os objetivos propostos no plano de ensino ou no
planejamento da aula? Como consigo fazer com o que os alunos me “respeitem”
e tenham atenção na aula? Se me perguntarem algo e eu não souber a resposta,
o que faço? Esse último questionamento passa por quase todos os docentes ao
iniciarem a carreira profissional, até mesmo, perduram durante anos da prática.

Essas descobertas só serão realizadas com a vivência em sala de aula, uma vez que
todo indivíduo comporta-se diferente do outro. Durante essa docência orientada,
você perceberá algumas características, como o entusiasmo e o de tentar ser o
“revolucionador” do ensino, mas podem surgir outras, como a dúvida, a ansiedade,
a timidez, o medo, o nervosismo e até mesmo a frustração, que lhe “incentivarão”
a desistir. Mas lembre-se, quando a prática é planejada e você dedica-se para tal é
muito difícil dar errada.

Durante e após o estágio, você perceberá que esses medos vão desaparecendo
e no lugar surge a confiança e o prazer por estar desenvolvendo as atividades do
estágio. Além do mais, vamos conseguindo encarar algumas situações e resolvê-las
de forma mais simples, possibilitando a construção da identidade de professor.

Isso pode ser confirmado por algumas ideias de Paulo Freire (1996), em que
mostram o papel significativo do exercício da docência:
A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar,
inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa
alegria. A professora democrática, coerente, competente, que testemunha
seu gosto da vida, sua esperança no mundo melhor, que atesta sua
capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor
que tem para a modificação da realidade...

Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não
poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Não posso
ser professor a favor de quem quer que seja e a favor não importa o
que. Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da
humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a
concretude da prática educativa. Sou professor a favor da decência contra
o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade
contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou
de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer
forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente


que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professor a favor
da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o
desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza
de minha própria prática...

Vamos ler esse artigo, que traz algumas reflexões e posicionamentos de alunos de um curso
Explor

de Ciências Biológicas sobre o papel do estágio na construção do perfil de docente.


Disponível em: http://goo.gl/n4tYof

Com base em diversos autores, que abordam alguns relatos de experiência do


estágio supervisionado, pode-se resumir que durante essa prática docente muitos
desafios irão surgir, como a aceitação da escola, a relação entre o estagiário e os
demais envolvidos no processo, a falta de recursos didáticos para serem explorados
nas aulas, a falta de participação dos alunos juntamente com a indisciplina entre
outros. No entanto, diante de tudo isso, os resultados possibilitarão a formação
do licenciando e do perfil de professor, permitindo o autoconhecimento (se é
essa “carreira” profissional que desejam seguir ou não), a desenvolver a confiança
no exercício da docência, por meio de estratégias vivenciadas durante o estágio,
possibilitando a transposição didática.
Explor

A transposição didática é transformar o conhecimento em algo que possa ser assimilado,


ou seja, o assunto tornar-se ensinável e aprendido pelo aluno. A utilização de algumas
estratégias/recursos didáticos possibilitará a transposição didática.

Após todo esse embasamento teórico, você sente-se capaz de responder as


seguintes perguntas feitas no início dessa unidade?

Como ser um bom professor? Como devo me portar para dar uma “boa aula”?
Será que conseguirei a formação adequada para ser um bom professor? Como
faço para aprender a prática docente? É possível?

Observamos que não existe uma “receita” de como ser um bom professor e muito
menos de dar uma “boa aula”. Tudo isso vai depender do contexto educacional,
mas é necessário que o professor desenvolva estratégias que possibilitem isso,
como possuir um bom relacionamento com a turma, utilizar recursos didáticos
que proporcionem a transposição didática e, consequentemente, a construção
do conhecimento, além do mais, fazer com que o aluno seja um sujeito ativo no
processo de aprendizagem.

Quanto à formação adequada para ser um bom professor, vai depender


do interesse de cada licenciando, uma vez que as Instituições de Ensino Superior
fornecem os subsídios, mas cabe ao aluno explorá-los a fim de possibilitar a prática
docente, que pode ser vivenciada e aprimorada desde o primeiro estágio curricular.
Também, é necessário que o aluno busque a auto formação e posteriormente alie
à formação continuada.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Metodologia e prática de ensino de ciências: A aproximação do estudante de magistério das aulas de ciências no
1º grau
http://goo.gl/wX4HLu
Importância do estágio supervisionado nos cursos de licenciatura
http://goo.gl/juAeIx

Vídeos
Ser Professor Hoje
http://goo.gl/2QeTbo
Podcast: Celso Antunes analisa a formação de professores no Brasil
http://goo.gl/mjjp5Z

Leitura
Os problemas e as soluções no ensino de ciências e biologia
http://goo.gl/d8O6zV
Formação inicial de professores e ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental: uma investigação
sobre a elaboração e o desenvolvimento de unidades didáticas
http://goo.gl/g4M5Y2
Uma reflexão acerca do estágio supervisionado na formação dos professores de ciências biológicas
http://goo.gl/VQmFhy

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UNIDADE O Aluno “Docente”: Possibilidades e Desafios do Estágio

Referências
ANDRADE, R. C. R.; RESENDE, M. R. Aspectos legais do estágio na formação
de professores: uma retrospectiva histórica. Educação em Perspectiva, Viçosa, v.
1, n. 2, p. 230-252, 2010.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.


19.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. São Paulo: Edusp, 2008.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, 2004.

ULIANA, E. R. Estágio Supervisionado: uma Oportunidade de Reflexão das Práticas


na Formação Inicial de Professores de Ciências. In: IX Congresso Nacional de
Educação – EDUCERE, 2009, PUCPR, 2009, Anais, p.4152-4163.

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