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Disciplina: Direito Empresarial

Professor: Elisabete Vido


Aula: 19| Data: 21/03/2019

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

PROPRIEDADE INDUSTRIAL
1. Patente
1.1. Espécies
1.2. Procedimento
1.3. Autor

PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(Lei nº 9.279/96)

1. Patente

A exclusividade de exploração obtida através da patente é conferida quando o bem atende aos requisitos da
novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.

Atender ao requisito da novidade significa que o objeto a ser patenteado deve ser novo. É diferente de estado de
técnica.

Atividade inventiva é a atividade humana empregada. É o contrário da descoberta, que não envolve atividade
humana e, por esse motivo, não é patenteável, mas protegida pelo direito autoral.

A existência da aplicação industrial (art. 10 e 18, LPI) é verificada primeiramente pela existência de um objeto
concreto e pela investigação se é possível sua produção em escala.

Logo, modos de fazer não podem ser objetos de patente pois não é um objeto concreto.
Ex.: Uma teoria científica ou uma técnica de medicina não é patenteável
Ex2: Animais não podem ser produzidos em escala e, portanto, não são patenteáveis.

Apontamentos importantes:

1) Ser vivo, como regra, não é patenteável. Entretanto, os microrganismos transgênicos que apresentem os
requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial podem sim ser objeto de patente.

2) Programa de computador em si não é patenteável (sendo regulado pelo direito autoral), mas programa de
computador essencial ao funcionamento da máquina fará parte da patente da máquina.

1.1. Espécies

Existem duas espécies de patente, cada qual submetida a determinado prazo de registro, os quais estão descritos
nos arts. 9 e 40 da LPI.
Obs.: Ambas as espécies estão submetidas aos mesmos requisitos gerais da novidade, atividade inventiva e
aplicação industrial.

SAT EXTENSIVO ESSENCIAL DIURNO


CARREIRAS JURÍDICAS
Damásio Educacional
(i) Patente de invenção

A patente de invenção é concedida a algo novo, algo que não existe no mercado.

A exclusividade que essa espécie de patente confere dura 20 (vinte) anos a partir da data do depósito (do pedido
do registro).

O grande problema é que o INPI demora muito para analisar os pedidos de concessão de patente. Aí surge um
segundo prazo: O prazo mínimo de 10 anos a partir da concessão. Isso para que o titular possa ainda aproveitar a
exclusividade de sua invenção.
Obs.: Esse segundo tipo de prazo é mais raro de cair em prova.

(ii) Modelo de utilidade

O modelo de utilidade é sempre uma melhoria a algo que já existe anteriormente.


Ex.: TV  Desenvolvimento de antena que melhora o sinal.

Confere exclusividade por 15 (quinze) anos a partir do depósito.

Caso o INPI demore muito para analisar o pedido, o prazo mínimo de exclusividade é de 7 anos a partir da
concessão.

Atenção: Esses prazos não podem ser prorrogados, de modo que, independentemente da relevância da invenção
ou do modelo de utilidade, após os prazos apontados acima, o objeto ou melhoria entra em domínio público.

1.2. Procedimento (art. 30 e segs da LPI)

18 meses
Sigilo (facultativo) Exame prévio
Depósito no INPI Publicação1 Concessão da carta patente
(Docs + taxa)
Manifestação do autor
(para indicar se ainda tem interesse)

Observações importantes

1) O exame prévio do INPI não tem prazo definido, podendo perdurar por anos.

2) É a partir da carta patente que se tem efetivamente a titularidade da patente.

3) O cálculo para reparação de danos é contado a partir da publicação – é a partir do momento que as pessoas
podem saber da invenção (art. 42, LPI).

1A publicação será feita em Revista própria, na qual serão descritos todos os atributos da patente, para que caso já existente no mercado, terceiros possam
se manifestar.

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1.3. Autor

A patente pode ser concedida de forma conjunta, se duas ou mais pessoas dizem que, juntas, inventarem a coisa.

Contudo, o real problema surge se ambas as pessoas dizem que criaram a coisa sozinhas e querem a concessão da
patente de forma individual.

Nesse caso, descobrir quem é o autor quando uma ou mais pessoas se dizem inventoras pode ser um pouco
complicado.

Para resolver o problema, a Lei nº 9.279/96 aponta que a pessoa que primeiro depositou o pedido da patente
tem prioridade sobre qualquer outra pessoa que possa se declarar inventor posteriormente (arts 6º e 7º da LPI).

 E se a relação jurídica entre os sujeitos forem de empregado e empregador2?


R.: Os artigos 88 a 91 da LPI ditinguem três situações:

(a) O empregado foi contratado para desenvolver pesquisas  A patente é do empregador, já que ele está
pagando por todos os dias e anos de insucesso do profissional.
(b) O empregado não foi contratado para desenvolver pesquisas, mas utiliza recursos da empresa  A patente é
de ambos, do empregado e do empregador, já que sem os recursos da empresa o empregado não chegaria ao
resultado e tampouco o faria sem sua atividade intelectual.
(c) Empregado usa recursos próprios  A patente será tão somente do empregado.

Esse tipo de patente poderá ser concedida em todo o tempo em que perdurar o vínculo empregado/empregador
e até 1 anos após a extinção do vínculo.

Atenção: Qualquer discussão a respeito da titularidade de patentes deve ter participação obrigatória do INPI,
motivo pelo qual a competência para o julgamento de tal processo é da Justiça Federal.

2 E aqui as expressões empregado e empregador são utilizados da forma mais ampla possível.

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