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Segurança em Eletrotécnica Allan Christian Krainski Ferrari Curitiba-PR 2017

Segurança em Eletrotécnica

Allan Christian Krainski Ferrari

Segurança em Eletrotécnica Allan Christian Krainski Ferrari Curitiba-PR 2017

Curitiba-PR

2017

Presidência da República Federativa do Brasil

Ministério da Educação

Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica

INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Este Caderno foi elaborado pelo Instituto Federal do Paraná para a rede e-Tec Brasil.

Odacir Antonio Zanatta Reitor pro tempore

Marcos Paulo Rosa Sérgio Garcia dos Martires Pró-Reitor de Ensino

Carlos Alberto de Ávila Pró-Reitor de Administração

Marcelo Estevam Pró-Reitor de Extensão, Pesquisa e Inovação

Eliane Aparecida Mesquita Pró-Reitor de Gestão de Pessoas

Marcos Antonio Barbosa Diretor Geral de Educação a Distância

Kriscie Kriscianne Venturi Diretor de Ensino e Desenvolvimento de Recursos Educacionais

Gisleine Bovolim Diretora de Planejamento e Administração

Vania Carla Camargo Coordenadora de Ensino dos Cursos Técnicos Coordenadora Curso Técnico em Logística

Rosí Munaretti de Camargo Lucilene Fátima Baldissera Coordenadora de Design Educacional

Lídia Emi Ogura Fujikawa Kenedy Rufino Designer Educacional

Mayra Candido Ferreira Designer Instrucional

Fabíola Penso

Viviane Motim

Diagramação

Walter Rodrigues Benigno dos Santos Vanessa Schreiner Revisão Ortográfica

Pâmela Fabris

Iconografia

Kenedy Rufino

Ilustração

Ester dos Santos Oliveira Lídia Emi Ogura Fujikawa Projeto Instrucional

Diego Windmoller

Projeto Gráfico

Projeto Instrucional Diego Windmoller Projeto Gráfico Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual

Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual

Catalogação na fonte pela Biblioteca do Instituto Federal do Paraná

F375s

Ferrari, Allan Christian Krainski. Segurança em eletrotécnica [recurso eletrônico] /Allan Christian Krainski Ferrari. – Dados eletrônicos (1 arquivo: 7 megabytes). – Curitiba: Instituto Federal do Paraná, 2017.

ISBN 978-85-8299-311-8

1. Eletrotécnica - Medidas de segurança. 2. Segurança do trabalho. II. Título.

CDD: 23. Ed - 363.116

Biblioteca IFPR - Campus Curitiba Bibliotecária: Edilza S. Santos Chibior – CRB-9/1255

Apresentação e-Tec Brasil

Prezado estudante,

Bem-vindo à Rede e-Tec Brasil!

Você faz parte de uma rede nacional de ensino, que por sua vez constitui uma das ações do Pronatec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. O Pronatec, instituído pela Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a po- pulação brasileira, propiciando um caminho de acesso mais rápido ao emprego.

É neste âmbito que as ações da Rede e-Tec Brasil promovem a parceria entre a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) e as instâncias promotoras de ensino técnico como os Institutos Federais, as Secretarias de Educação dos Estados, as Universidades, as Escolas e Colégios Tecnológicos e o Sistema S.

Assim, a Educação a Distância no nosso país, de dimensões continentais e grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimento da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes centros.

A

Rede e-Tec Brasil leva diversos cursos técnicos a todas as regiões do país, incentivando

os

estudantes a concluir o Ensino Médio e realizar uma formação e atualização contínuas.

Os cursos são ofertados pelas instituições de educação profissional e o atendimento ao estudante é realizado tanto nas sedes das instituições quanto em suas unidades remotas, os polos.

Os parceiros da Rede e-Tec Brasil acreditam em uma educação profissional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, sendo capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e ética.

Nós acreditamos em você!

Desejamos sucesso na sua formação profissional!

Nosso contato etecbrasil@mec.gov.br

Ministério da Educação Março de 2016

Indicação de ícones

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Fique atento! Indica o ponto de maior relevância no texto. Indica o ponto de maior relevância no texto.

Pesquise! Orienta ao estudante que desenvolva atividades de pesquisa, que complementem seus estudos em diferentes mídias: Orienta ao estudante que desenvolva atividades de pesquisa, que complementem seus estudos em diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, livros e outras.

Glossário Indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto. Indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto.

Você sabia? Oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema Oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.

Pratique! Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado.

Design do componente

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Conceitos sobre Eletricidade

Carga Elétrica Materiais Condutores e Isolantes de Eletrecidade Materiais Condutores Materiais Isolantes Tensão Corrente Elétrica Resistência Elétrica Lei Ohm Potência Elétrica

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Unidade
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1
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Sistema elétrico de potência
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Geração
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Transmissão
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Distribuição
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Unidade

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Riscos da energia elétrica

em atividades no trabalho

Riscos nas atividades com energia elétrica Choque elétrico Arco elétrico Campo eletromagnético Riscos indiretos em trabalhos com a eletrecidade Trabalho em altura Umidade Poeira Espaço confinado Fauna Flora Ascarel ou Bifenil Policlorados Riscos ergonômicos Descargas atmosféricas Radiação solar

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36 36 Unidade 37 3 37 37 38 38
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ergonômicos Descargas atmosféricas Radiação solar 31 32 32 33 34 35 35 36 36 36 36
ergonômicos Descargas atmosféricas Radiação solar 31 32 32 33 34 35 35 36 36 36 36
Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade Introdução Desernegização Aterramento Tipos de Aterramento

Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

Introdução Desernegização Aterramento Tipos de Aterramento Equipotencialização Seccionamento automático da alimentação Dispositivos de corrente de fuga Entrabaixa tensão Barreira e invólucro Bloqueio e impedimentos Obstáculos e anteparos Isolamento das partes vivas Isolação dupla e reforçada Colocação fora de alcance Separação elétrica

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Unidade 50 50 4 50 51 51 53 54 55 56 56 58 59 59 60

Equipamentos de proteção individual e coletiva

Equipamentos de proteção individual (EPIs) Capacete de proteção Óculos de segurança Luva isolante de borracha Luva de cobertura para proteção da luva isolante de borracha Manga isolante Calçado de segurança Equipamentos de proteção coletiva (EPCs) Cone de sinalização Fita de sinalização Grade metálica dobrável Sinalizador STROBO Tapete de borracha isolante Aterramento temporário Placas de sinalização

Unidade

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Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

Incêndio e Explosão Combustão Combustíível Comburente Fonte de Calor Reação em Cadeia Pontos de Temperatura Propagação do Fogo Formas de extinguir uma combustão Classes de incêndio Extintores Rótulo de classe de fogo

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Unidade

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Unidade

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Normas regulamentadoras 81 e especificações da NR-10 82 Normas regulamentadoras de trabalho
Normas regulamentadoras
81
e especificações da NR-10
82
Normas regulamentadoras de trabalho

Segurança de projetos, procedimentos de manutenção de redes energizadas e não energizadas

Segurança em projetos Segurança em instalações elétricas desenergizadas Manutenção em linhas de transmissão energizadas Método ao contato Método ao potencial Método à distância Zona de Risco e Zona Controlada Segurança em atividade com Alta Tensão Treinamentos específicos de acordo com NR-10

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NR-12: segurança no trabalho em máquinas e equipamentos

Princípios gerais da NR-12 Instalações e dispositivos elétricos NR-12: Dispositivos de partida, acionamento e parada Sistemas de segurança Procedimentos de trabalhos e segurança

Procedimentos para proteção contra incêndios e para sinalização

Proteção contra incêndio e explosão de acordo com a NR-10 Sinalização de segurança de acordo com a NR-10 Placas de sinalização Placas de sinalização usadas na especificação de áreas de riscos com a eletricidade PLACA: perigo de morte – alta tensão PLACA: não operar “trabalhos” PLACA: equipamento energizado PLACA: equipamento com partida automática PLACA: perigo – não fume – não acenda fogo – desligue o celular PLACA: uso obrigatório PLACA: atenção – gases PLACA: atenção para banco de capacitores e cabos a óleo PLACA: perigo – não entre – alta tensão PLACA: perigo – não suba

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Unidade

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Palavra do autor

Caro estudante!

Este material foi desenvolvido e dedicado a você que atua na área ou procura de uma colocação profissional em um mercado de trabalho cada vez mais difícil e competitivo. Espero que aproveite ao máximo o conteúdo deste livro, que ele sirva de instrumento para a conquista do seu sucesso profissional e que a segurança na vida das pessoas seja a sua prioridade.

Bons Estudos!

Allan Christian Krainski Ferrari

Apresentação do componente curricular

Querido(a) estudante!

Este livro está dividido em 10 unidades, as quais abordam os conteúdos básicos sobre Segurança do Trabalho aplicado em Eletrotécnica. A primeira unidade aborda os concei- tos básicos sobre eletricidade. Na segunda unidade, são apresentados os componentes de um Sistema Elétrico e Potência (SEP) e, na terceira unidade, os riscos da eletricidade em Segurança do Trabalho. Na quarta unidade, serão aprendidas as práticas seguras de trabalho com a eletricidade. Na quinta unidade, por sua vez, serão apresentados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC). Já na sexta unidade, serão aprendidos os procedimentos de segurança no trabalho contra incêndios e explosões. A sétima unidade abordará as normas regulamentares de segurança com a eletricidade e, na oitava unidade, serão estudados os procedimentos de manutenção e segurança para alta tensão. Na nona unidade, serão apresentados os procedimentos de segurança no trabalho em máquinas e equipamentos elétricos e, final- mente, a décima unidade se encerrará com o estudo de procedimentos para sinalização.

Desejo a você um ótimo curso!

O autor.

Unidade 1
Unidade
1

Conceitos sobre Eletricidade

Unidade 1 Conceitos sobre Eletricidade Fonte: OpenClipart-Vectors/Pixabay

Fonte: OpenClipart-Vectors/Pixabay

Antes de aprender os procedimentos básicos de segurança em eletricidade, é neces- sário conhecer os fundamentos da Eletricidade. Por exemplo: por que alguns mate- riais conduzem energia elétrica e outros não?A eletricidade é um conceito básico da Física, que explica interações eletromagnéticas entre as partículas.

conhecer os fundamentos da Eletricidade. Por exemplo: por que alguns mate- riais conduzem energia elétrica e
conhecer os fundamentos da Eletricidade. Por exemplo: por que alguns mate- riais conduzem energia elétrica e

A eletricidade é um conceito básico da Física, que explica interações eletromagnéticas

entre as partículas.

explica interações eletromagnéticas entre as partículas. Figura 1.1: Descarga Elétrica Atmosférica Fonte: ©Edward

Figura 1.1: Descarga Elétrica Atmosférica

Fonte: ©Edward Aspera Jr./Wikimedia Commons

A eletricidade já era observada desde o período da Grécia Antiga, quando os antigos

filósofos gregos sabiam que um pedaço de âmbar friccionado era capaz de atrair frag- mentos de palha. A palavra “elétron” é derivada do grego elektron, que significa âmbar (HALLIDAY et al, 2016).

Carga Elétrica

A carga elétrica é a propriedade física das partículas atômicas que compõem todo tipo

de matéria. É utilizada para explicar os fenômenos de interações eletromagnéticas entre

as partículas, sendo medida em Coulombs (C).

A carga elétrica está armazenada em grande quantidade nos corpos ao nosso redor, mas

a sua percepção não ocorre facilmente. Convenciona-se a existência de dois tipos de

carga – a positiva e a negativa –, que, em equilíbrio, são imperceptíveis.

Segurança em Eletrotécnicaa existência de dois tipos de carga – a positiva e a negativa –, que, em

Figura 1.2: Cargas Elétricas Fonte: ©Chanchocan /Wikimedia Commons A carga elétrica é medida quantitativamente e

Figura 1.2: Cargas Elétricas

Fonte: ©Chanchocan /Wikimedia Commons

A carga elétrica é medida quantitativamente e pode ser descrita como:

q = ne,

Onde n é um inteiro positivo ou negativo e e é uma constante da natureza, chamada carga elementar (e ~ 1.60x10 -19 C).

Materiais Condutores e Isolantes de Eletricidade

Todo tipo de matéria é representado por uma unidade básica de composição denomi- nada átomo, sendo este composto por partículas carregadas (positivas e negativas) e partículas neutras.

Na representação atômica, carga positiva é chamada de próton e se localiza no núcleo, juntamente com nêutrons, que são as partículas neutras. Os elétrons são partículas ne- gativas que ficam orbitando o núcleo atômico, devido à sua atração com os prótons. Quando o átomo de qualquer elemento químico está em equilíbrio elétrico, o número de elétrons e prótons é igual.

elétrico, o número de elétrons e prótons é igual. Figura 1.3: Ilustração do modelo atômico Banco

Figura 1.3: Ilustração do modelo atômico

Banco de Imagens DE (2016)

Unidade 1 – Conceitos sobre Eletricidade

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Em alguns elementos químicos, como metais, os elétrons que são mais afastados do nú- cleo tendem a ser retirados mais facilmente de suas órbitas por alguma reação química ou elétrica. Essa característica está relaciona com o princípio da corrente elétrica. Esses elétrons que são retirados são denominados elétrons livres.

Os materiais são classificados de acordo com a sua capacidade de conduzir corrente elétri- ca. Devido a essa característica, eles são divididos em dois grupos: condutores e isolantes.

Materiais Condutores

Os materiais condutores são aqueles em que um número significativo de partículas carrega- das pode se mover livremente. Por exemplo: metais como cobre, prata, ouro alumínio etc.

Por exemplo: metais como cobre, prata, ouro alumínio etc. Figura 1.4: Cabos de cobre são usados

Figura 1.4: Cabos de cobre são usados como condutores de energia elétrica em instalações elétricas

Fonte: ©Erik Wannee/Wikimedia Commons

Materiais Isolantes

Materiais isolantes são aqueles cujas partículas carregadas não podem se mover livremente. Por exemplo: madeira, vidro, borracha etc.

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Segurança em Eletrotécnica

Figura 1.5: Isolante elétrico de cerâmica (Isolador), usado em linhas de transmissão de energia Fonte:

Figura 1.5: Isolante elétrico de cerâmica (Isolador), usado em linhas de transmissão de energia

Fonte: © Hiuppo/ Wikipédia

Tensão

Também conhecida como força eletromotriz (fem) ou diferença de potencial (ddp) de dois pontos de um material condutor, a tensão é definida como a energia necessária para mo- ver uma unidade de carga através de um elemento, medida em volts (V). Apesar de não poder ser observada diretamente, ela pode ser medida por voltímetros ou multímetros.

A tensão está presente na capacidade de alimentação elétrica de baterias e nas tomadas de luz da sua casa. Sem a presença da tensão, os equipamentos elétricos não funcionariam.

da tensão, os equipamentos elétricos não funcionariam. Figura 1.6: Multímetro, equipamento utilizado para

Figura 1.6: Multímetro, equipamento utilizado para medição de tensão elétrica

Fonte: © Medvedev/WikimediaCommons

Unidade 1 – Conceitos sobre Eletricidade

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Corrente Elétrica

A corrente elétrica é definida como a taxa de variação de carga em relação ao tempo,

medida em Àmperes (A) (ALEXANDER e SADIKU, 2013).

Tipos de correntes:

Corrente Contínua (CC): é uma corrente que permanece constante ao longo do tempo.

Corrente Alternada (CA): é uma corrente que varia de forma senoidal em relação ao tempo.

corrente que varia de forma senoidal em relação ao tempo. Figura 1.7: Ilustração da Corrente Contínua

Figura 1.7: Ilustração da Corrente Contínua (Vermelho) e Corrente Alternada (Verde)

Banco de Imagens DE (2016)

A corrente contínua é mais aplicada no funciona-

mento de equipamentos eletrônicos, enquanto a corrente alternada é mais voltada para o trans- porte de energia, pois oferece menos perdas do que a corrente CC. A corrente CA é, ainda, utili- zada na alimentação e no funcionamento de má- quinas elétricas, como motores trifásicos e inver- sores de frequência.

Resistência Elétrica

Você sabia que a corrente elétrica pode matar o ser humano a partir de determinada
Você sabia que a corrente elétrica pode
matar o ser humano a partir de determinada
quantidade que circula pelo seu corpo? Para
saber mais sobre a corrente elétrica e seus
efeitos no corpo do ser humano, consulte
o site:<http://mundoeducacao.bol.uol.com.
br/fisica/os-efeitos-corrente-eletrica-no-
corpo-humano.htm>. Acesso em: set. 2016.

A resistência elétrica, medida em ohms, é a capacidade do material de resistir à pas-

sagem da corrente elétrica. A resistência elétrica dos materiais é uma característica importante na confecção de materiais e equipamentos elétricos. A fiação de uma instalação elétrica predial deve ter resistência elétrica bastante baixa, para haver o míni- mo de perdas possíveis de energia elétrica na forma de calor. Por outro lado, a isolação

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Segurança em Eletrotécnica

da fiação elétrica deve ter uma resistência elétrica elevada, com a finalidade de proteger pessoas e animais.

A resistência elétrica de um material depende de quatro fatores: o material de que é fei-

to, seu comprimento, a área de seção e a temperatura .

Material: cada tipo de material tem o próprio valor de resistência elétrica (resistividade do material). Alguns materiais, como a borracha, têm resistência elétrica muito eleva- da, enquanto outros possuem baixa resistência, como o ouro.

Comprimento: quanto mais comprido for o material, maior será o caminho percorrido pela corrente elétrica e, consequentemente, maior será a sua resistência elétrica.

Área de Seção: é inversamente proporcional ao valor da resistência do material. Quan- to menor for a seção do material, mais estreito será o caminho que a corrente elétrica irá percorrer e, consequentemente, maior será a sua resistência.

Temperatura: quanto maior for a temperatura, maior será a agitação térmica entre as partículas e, consequentemente, maior será a sua resistência. Esse comportamento é inverso para materiais semicondutores.

A resistência de determinado material pode ser calculada por:

Onde:

R = ρ

L

A []

ρ - Resistividade do material [/m].

L – Comprimento do condutor [m].

A - Área de seção [m²].

Comprimento do condutor [m]. A - Área de seção [m²]. Figura 1.8: Representação da resistência elétrica

Figura 1.8: Representação da resistência elétrica de um material em função de sua resistividade

Fonte: ©Defigoras/WikimediaCommons

Unidade 1 – Conceitos sobre Eletricidade

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Tabela 1.1: Resistividade de alguns mate- riais à temperatura ambiente (20ºC)

Material

Resistividade [Ω/m]

Metais Típicos (condutores)

Cobre

1,69×10 -8

Alumínio

2,75×10 -8

Prata

1,62×10 -8

Semicondutores Típicos

Silício puro

2,5×10 3

Silício tipo n

8,7×10 -4

Silício tipo p

2,8×10 -3

Isolantes Típicos

Vidro

De 10 10 a 10 14

Quartzo fundido

≈ 10 15

Fonte: Halliday et al.(2006).

fundido ≈ 10 1 5 Fonte: Halliday et al. (2006). O ouro, devido à sua baixa

O ouro, devido à sua baixa resistividade, é usado na confecção de componentes de computadores, como placas-mães, memórias e processadores.

Lei Ohm

A lei de Ohm estabelece que uma tensão U aplicada em uma resistência é diretamente

proporcional à corrente que flui através do resistor R (ALEXANDER e SADIKU, 2013).

U = RI [V]

Por exemplo: quando se alimenta uma lâmpada com a bateria, a tensão da bateria apli- cada força os elétrons (partículas carregadas livres) a se movimentar de forma ordenada (corrente elétrica) na lâmpada, fazendo com que ela se acenda.

Potência Elétrica

A potência elétrica, medida em Watts, é definida como a quantidade de energia elétrica

dissipada (medida em Joules) em um intervalo de tempo (ALEXANDER e SADIKU, 2013).

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Segurança em Eletrotécnica

E

P = t [W]

Essa grandeza é usada na especificação de equipamentos elétricos e normalmente é relacionada à dimensão dos mesmos.

A

potência elétrica pode ser calculada por:

P = I . U [W]

U

– Tensão da fonte [V]

I – Corrente da fonte [A]

Nesta unidade, foram vistos os conhecimentos fundamentais sobre a eletricidade, desde o con- ceito básico da carga elétrica até o conceito de potência elétrica. Ao encerrar esta unidade, você deverá saber o que é tensão, corrente, resistên- cia elétrica e, também, entender a relação desses conceitos, expressos pela Lei de Ohm.

O consumo de energia elétrica de um equipamento depende da sua potência, não da tensão
O consumo de energia elétrica de um
equipamento depende da sua potência, não
da
tensão da rede elétrica. Quanto maior
for
a potência do equipamento, maior será
o consumo de energia elétrica.

Os temas estudados aqui servem de base para o entendimento do Sistema Elétrico de Potência (SEP), que será apresentado na próxima unidade. Eles nos ajudarão nos proce- dimentos de segurança do trabalho, necessários para quem trabalha com eletricidade.

Pratique

necessários para quem trabalha com eletricidade. Pratique 1. Um aluno do curso de Eletrotécnica pretende fazer

1. Um aluno do curso de Eletrotécnica pretende fazer a instalação elétrica do circuito de iluminação do seu quarto. Para executar a instalação, ele utiliza 10 m de fio de cobre, com bitola de 1,5 mm². Se o aluno, por curiosidade, quiser calcular o valor da resistência do fio, qual seria esse valor?

2. O que consome mais energia elétrica: um chuveiro de 5500 W alimentado em 127 V ou em 220 V?

Unidade 2
Unidade
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Sistema elétrico de potência

Fonte: ©Béria Lima/WikimediaCommons

Nesta unidade, veremos os conhecimentos básicos sobre um sistema elétrico de po- tência. É imprescindível que você, estudante de Segurança em Eletrotécnica, saiba onde aplicar esses conhecimentos de Segurança de Trabalho em um sistema elétrico mais complexo, onde a energia elétrica é gerada, transmitida e distribuída.O Sistema Elétrico de Potência (SEP) é um conjunto composto por centrais elétricas, subestações de

de Trabalho em um sistema elétrico mais complexo, onde a energia elétrica é gerada, transmitida e
de Trabalho em um sistema elétrico mais complexo, onde a energia elétrica é gerada, transmitida e

O Sistema Elétrico de Potência (SEP) é um conjunto composto por centrais elétricas,

subestações de transformação e de interligação, linhas de transmissão e receptores, co- nectados eletricamente entre si.

e receptores, co- nectados eletricamente entre si. Figura 2.1: Representação de um sistema elétrico de

Figura 2.1: Representação de um sistema elétrico de potência

Fonte: PACO/Wikipedia (Adaptado).

Um SEP compreende os seguintes componentes:

Geração;

Transmissão;

Distribuição;

Geração

A parte da geração de um SEP é responsável pela produção de energia elétrica por meio

da transformação de outras fontes de energia, como hidráulica, térmica, eólica, ou solar

em energia elétrica.

Na matriz energética brasileira, cerca de 63,8% da energia elétrica gerada é de origem hidrelétrica. O restante da energia gerada é de origem térmica, produzida por termoelé- tricas movidas por combustíveis fósseis, biomassa e nuclear. Apenas uma pequena parte

da energia produzida é de origem solar e eólica, e outra parte da energia consumida no

país é importada.

Segurança em Eletrotécnicapequena parte da energia produzida é de origem solar e eólica, e outra parte da energia

Figura 2.2: Oferta de Potência de Geração Elétrica do ano 2014 Fonte: Ministério de Minas

Figura 2.2: Oferta de Potência de Geração Elétrica do ano 2014

Fonte: Ministério de Minas e Energia (2015).

Nas usinas, os geradores de eletricidade neces- sitam de energia mecânica (energia cinética) para fazerem girar os rotores das turbinas, os quais estão acoplados no mesmo eixo, e os ro- tores dos geradores síncronos trifásicos de cor- rente alternada, que geram eletricidade com frequência de 60 Hz. As turbinas (térmicas ou hidráulicas) e os geradores síncronostrifásicos de corrente alternada geralmente são montados na vertical (CREDER, 2013).

A maior parcela da energia elétrica gerada no nosso país é de origem hidráulica porque
A maior parcela da energia elétrica gerada
no nosso país é de origem hidráulica porque
o Brasil tem uns dos maiores potenciais
hidrelétricos do mundo. O país tem 12%
da água doce superficial do planeta e
condições adequadas para exploração. O
potencial hidrelétrico é estimado em cerca
de 260 GW.
Visite o site: http://www.brasil.gov.
br/infraestrutura/2011/12/potencial-
hidreletrico-brasileiro-esta-entre-os-cinco-
maiores-do-mundo.
maiores-do-mundo. Figura 2.3: Esquema de geração de energia a partir de uma

Figura 2.3: Esquema de geração de energia a partir de uma usina Hidráulica

Fonte: ©Tomia/ /WikimediaCommons (Adaptado).

Unidade 2 – Sistema elétrico de potência

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Figura 2.4: Esquema de uma turbina Hidráulica Fonte: © U.S. Army Corps of Engineers/Wikipedia (Adaptado).

Figura 2.4: Esquema de uma turbina Hidráulica

Fonte: © U.S. Army Corps of Engineers/Wikipedia (Adaptado).

Transmissão

A energia elétrica produzida pelas usinas é transportada até os centros consumidores por meio de linhas de transmissão que são sustentadas por torres de alta tensão.

que são sustentadas por torres de alta tensão. Figura 2.5: Torres de alta tensão Fonte: ©

Figura 2.5: Torres de alta tensão

Fonte: © SnapewireSnaps/Pixabay

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Segurança em Eletrotécnica

Para que seja economicamente viável, a tensão gerada nos geradores trifásicos de cor- rente alternada, normalmente de 13,8 kV, deve ser elevada a valores padronizados, em função da potência a ser transmitida e das distâncias dos centros consumidores. São as subestações que têm o papel, em um SEP, de elevar ou baixar o valor da tensão para valores padronizados (CREDER, 2013).

o valor da tensão para valores padronizados (CREDER, 2013). Figura 2.6: Subestação Fonte: © koening22/Pixabay Link:

Figura 2.6: Subestação

Fonte: © koening22/Pixabay Link: https://goo.gl/x9cSO8

As tensões mais usuais em corrente alternada nas linhas de transmissão são: 69 kV, 138 kV, 230 kV, 400 kV, 500 kV.

Distribuição

A parte do sistema elétrico de potência que fornece energia elétrica aos centros consu- midores (bairros e indústrias) denomina-se distribuição. A distribuição começa com uma subestação abaixadora, onde a tensão da linha de transmissão é baixada para valores de tensões primárias: 13,8 kV e 34,5 kV (CREDER, 2013).

As linhas de tensão primárias são distribuídas por toda a cidade. A parte final de um sistema elétrico é das linhas de distribuição primárias para as linhas de distribuição secundárias(baixa tensão).Essa transição ocorre por meio de um transformador de ener- gia e, na entrada desse transformador, é ligada a linhas de distribuição primárias; na sua saída, por sua vez, é ligada a linhas de distribuição secundária para o fornecimento de baixa tensão.

Unidade 2 – Sistema elétrico de potência

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A baixa tensão representa a tensão de utiliza- ção que compreende os valores de 380/220 V, 220/127 (sistema trifásico) e 220/110 V (sistema monofásico com tape).

No Brasil, há lugares onde a tensão de fase é 220 V (Santa Catarina) e
No Brasil, há lugares onde a tensão de fase
é 220 V (Santa Catarina) e outros onde a
tensão de fase é 127 V (Paraná).
e outros onde a tensão de fase é 127 V (Paraná). Figura 2.7: Linhas de distribuição

Figura 2.7: Linhas de distribuição primárias e secundárias

Fonte: CEB (2014) (Adaptado).

As linhas de distribuição dentro dos centros urbanos podem ser aéreas ou subterrâneas. A entrada de energia para o consumidor final é denominada de ramal de entrada.

para o consumidor final é denominada de ramal de entrada. Figura 2.8: Ilustração da ligação da

Figura 2.8: Ilustração da ligação da rede de distribuição secundária com o ramal de entrada de uma residência

Banco de Imagens DE (2016)

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Segurança em Eletrotécnica

Como as redes de distribuição primárias e secundárias são normalmente trifásicas, os consumidores poderão ter ligações monofásicas, bifásicas ou trifásicas no seu ramal de entrada. Isso dependerá da sua carga (CREDER, 2013):

Até 4 kW – monofásica (1 condutor fase + 1 condutor neutro = 2 condutores);

Entre 4 e 8 kW – bifásica (2 condutores fase + 1 condutor neutro = 3condutores);

Maior do que 8 kW – trifásica (3 condutores fase sem o condutor neutro ou 3 condu- tores fase + 1 condutor neutro = 4 condutores).

ou 3 condu- tores fase + 1 condutor neutro = 4 condutores). Carga em termos de

Carga em termos de instalação elétrica predial, significa o total da potência de demanda que um consumidor normalmente utiliza em sua residência, com seus equipamentos ligados à instalação elétrica. Condutor-fase

é um condutor carregado de energia potencial elétrica alternada.

Carga neutro:

é um condutor não carregado de energia elétrica, que está conectado diretamente à terra. Sua finalidade é haver uma

diferença de potencial entre as fases e permitir o escoamento da corrente elétrica para a terra quando se usa as fases

para alimentar algum equipamento ou sistema elétrico.

para alimentar algum equipamento ou sistema elétrico. As três fases de um sistema elétrico sempre estão

As três fases de um sistema elétrico sempre estão defasadas entre si, com ângulo de 120º, ou seja, a tensão instantânea de pelo menos uma das fases é diferente de uma das duas outras fases.

uma das fases é diferente de uma das duas outras fases. Figura 2.9: Representação das tensões

Figura 2.9: Representação das tensões trifásicas para um sistema de 127 Volts

Fonte: Autor (2016)

trifásicas para um sistema de 127 Volts Fonte: Autor (2016) Os valores de fases 127 V

Os valores de fases 127 V e 220 V representam valores eficazes de cada fase e não valores máximos de tensão. O valor eficaz da tensão alternada corresponde a um valor equivalente ao de tensão contínua. Quando é aplicado na alimentação de um equipamento elétrico, uma fonte de alimentação alternada e uma fonte contínua com valor equivalente ao valor eficaz da tensão alternada consumiriam a mesma quantidade de energia.

Unidade 2 – Sistema elétrico de potência

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Nesta unidade, vimos os conceitos básicos do que seria ou do que representa um siste- ma elétrico de potência. Ao encerrar esta unidade, você deverá saber como um sistema elétrico é composto.

Depois de ter apreendido o conteúdo desta unidade e os conhecimentos de eletricidade básica da unidade 1, você está pronto para aprender os conceitos básicos, as normas e os procedimentos de Segurança do Trabalho aplicados à Eletrotécnica.

Pratique

O que compõe um Sistema Elétrico de Potência (SEP)?

à Eletrotécnica. Pratique O que compõe um Sistema Elétrico de Potência (SEP)? 30 Segurança em Eletrotécnica
Unidade 3
Unidade
3

Riscos da energia elétrica em atividades no trabalho

Unidade 3 Riscos da energia elétrica em atividades no trabalho Fonte: ©Kristjan/Flickr

Fonte: ©Kristjan/Flickr

Nesta unidade, serão tratados os riscos de acidentes com a eletricidade que podem ocorrer durante o trabalho. É importante o aluno estudar seriamente e prestar muita atenção nos detalhes desse conteúdo, pois é comum pessoas perderem a vida em acidentes por negligenciar ou ignorar os riscos da eletricidade.Por que muitos trabalhadores perdem a vida, mesmo sabendo dos riscos do uso da eletricidade?

desse conteúdo, pois é comum pessoas perderem a vida em acidentes por negligenciar ou ignorar os
desse conteúdo, pois é comum pessoas perderem a vida em acidentes por negligenciar ou ignorar os
Por que muitos trabalhadores perdem a vida, mesmo sabendo dos riscos do uso da eletricidade?

Por que muitos trabalhadores perdem a vida, mesmo sabendo dos riscos do uso da eletricidade? Muitos dos acidentes que acontecem em atividades do trabalho ocor- rem devido ao mau uso da eletricidade.

Riscos nas atividades com energia elétrica

Nas atividades em instalações elétricas ou em um trabalho que utiliza a eletricidade, estamos expostos a riscos decorrentes do princípio do funcionamento da eletricidade, a qual não apresenta cheiro, cor, ruído, nem movimentos visíveis. (BARROS et al, 2014).

Os riscos elétricos podem ser classificados em:

Choque elétrico;

Arco elétrico;

Campo eletromagnético.

Choque elétrico

O choque elétrico é definido basicamente como o efeito causado pela passagem da

corrente elétrica pelo organismo. Esse é efeito pode ser desde uma sensação de formiga- mento até sensações dolorosas, como contrações musculares e queimaduras. (BARROS et al, 2014).

O corpo humano, quando sofre um choque elétrico, comporta-se como se fosse um

condutor elétrico com resistência elétrica, obedecendo a Lei de Ohm. A intensidade do choque elétrico pode variar de pessoa para pessoa, pois cada organismo tem respostas diferentes ao seu efeito.

Segurança em Eletrotécnicado choque elétrico pode variar de pessoa para pessoa, pois cada organismo tem respostas diferentes ao

Impedância Significa um corpo ou material que possui resistência elétrica variável em função da frequência
Impedância
Significa um corpo ou material que possui
resistência elétrica variável em função da
frequência da corrente elétrica alternada.

Segundo a norma internacional IEC/TS 60479-1 (2005), os efeitos da circulação da corrente elé- trica no corpo humano dependem basicamente da sua intensidade elétrica relacionada com seu

tempo de duração, o grau de umidade da pele e, também, do seu trajeto percorrido pelo corpo. Se a corrente for alternada (CA), sua frequ- ência é outro fator que pode agravar o efeito do choque elétrico, porque o corpo humano é composto por várias células e órgãos que possuem valores de impedâncias diferentes.

e órgãos que possuem valores de impedâncias diferentes. Figura 3.1: Choque Elétrico Fonte: Shutterstock – Banco

Figura 3.1: Choque Elétrico

Fonte: Shutterstock – Banco de Imagens IFPR

Elétrico Fonte: Shutterstock – Banco de Imagens IFPR Para saber mais sobre os efeitos da corrente

Para saber mais sobre os efeitos da corrente elétrica, acesse o site: <http://alunosonline.uol.com.br/fisica/efeitos- corrente-eletrica-sobre-corpo-humano.html> Acesso em: 25/09/2016.

Arco elétrico

O arco elétrico é definido como a passagem da corrente elétrica em meio material não condutor, devido ao rompimento de suas características isolantes. É provocado por vários acidentes ocasionados por descuido ou atitudes impensadas durante o horário de traba- lho (BARROS et al, 2014).

Unidade 3 – Riscos da energia elétrica em atividades no trabalho

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O arco elétrico provoca uma onda de pressão que desloca o ar e pode arremessar a pes-

soa para longe ou, ainda, parte dos equipamentos envolvidos, além de provocar queima- duras devido à sua alta temperatura.

de provocar queima- duras devido à sua alta temperatura. Figura 3.2: Arco Elétrico Fonte: ©Khimich

Figura 3.2: Arco Elétrico

Fonte: ©Khimich Alex/WikimediaCommons

Campo eletromagnético

Quando se fala do risco do campo eletromagnético, fala-se, ao mesmo tempo, do risco do campo elétrico e do magnético. O campo eletromagnético é composto por um cam- po elétrico e um campo magnético, os quais são perpendiculares entre si. Quando um indivíduo está trabalhando com linhas de transmissão ou equipamentos elétricos, ele pode estar sob influência dos campos elétrico e magnético ao mesmo tempo.

O campo magnético é constituído de linhas de forças invisíveis e produzido a partir da cir-

culação de corrente elétrica em um material condutor. Quando um material condutor está imerso em um campo magnético, são induzidos nele tensões e correntes elétricas. O cam- po magnético, dependendo da sua origem ou do seu tempo de exposição, pode provocar efeitos adversos na saúde dos trabalhadores, como induzir correntes em tecidos e fluidos.

O campo elétrico é gerado pela tensão em linhas de transmissão: quanto maior for a

tensão, maior será o campo elétrico produzido; quanto maior for a distância de uma pessoa em relação à linha de transmissão, menor será a influência do campo elétrico no indivíduo. Da mesma forma que o campo magnético, o campo elétrico pode induzir correntes e tensões em objetos e animais.

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Segurança em Eletrotécnica

Figura 3.3: Ilustração de uma pessoa sobre influência do campo elétrico (a) e do campo

Figura 3.3: Ilustração de uma pessoa sobre influência do campo elétrico (a) e do campo magnético (b)

Banco de Imagens DE (2016)

Riscos indiretos em trabalhos com a eletricidade

Muitos acidentes de trabalho que possuem contato com a eletricidade acontecem de

forma indireta, ou seja, a causa direta não é a eletricidade. Em atividades com a eletri- cidade, o trabalhador pode estar vulnerável a riscos adicionais, como as condições de trabalho, o próprio local ou ambiente de trabalho. Alguns desses riscos são apresentados

a seguir (BARROS et al, 2014).

Trabalho em altura

Muitos dos trabalhos com eletricidade são realizados em lugares altos, desde um reparo em um poste público, até atividades em torres de transmissão, gerando risco de queda

e causando lesões e traumas.

gerando risco de queda e causando lesões e traumas. Figura 3.4: Trabalho em altura sendo realizado

Figura 3.4: Trabalho em altura sendo realizado

Fonte: ©Calliopejen/Wikimedia Commons

Unidade 3 – Riscos da energia elétrica em atividades no trabalho

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Umidade

A presença de umidade aumenta o risco de choques elétricos e arcos elétricos, pois dimi- nui a resistência elétrica do ar, comportando-se como um material condutor. A baixa ou alta umidade no local pode influenciar na saúde do trabalhador.

Poeira

Além de afetar a saúde do trabalhador, a presença de poeira no ambiente de trabalho, dependendo do seu tipo ou ambiente, pode aumentar o risco de choque elétrico ou explosão, caso o material da poeira seja condutivo.

Espaço confinado

Quando um indivíduo trabalha em um espaço limitado a suas atividades, o mesmo pode estar exposto à asfixia, à explosão, ao incêndio ou à intoxicação.

Fauna

Muitas vezes, as instalações e os equipamentos elétricos estão em locais de difícil acesso, os quais podem se tornar refúgio de animais peçonhentos, como aranhas, cobras ou escorpiões.

animais peçonhentos, como aranhas, cobras ou escorpiões. Figura 3.5: Exemplos de animais peçonhentos Fonte:

Figura 3.5: Exemplos de animais peçonhentos

Fonte: ©Alles/Pixabay

3.5: Exemplos de animais peçonhentos Fonte: ©Alles/Pixabay Se você tiver contato com animais peçonhentos no seu

Se você tiver contato com animais peçonhentos no seu trabalho, é necessário procurar ajuda médica o mais rápido possível.

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Segurança em Eletrotécnica

Flora

Determinadas plantas ou fungos podem se tornar nocivas à saúde do trabalhador quan- do estão próximas a equipamentos elétricos.

Ascarel ou Bifenil Policlorados

Esse produto é um óleo isolante encontrado em muitos transformadores e capacitores, apesar do seu uso estar proibido em novos equipamentos no Brasil desde 1981, por ser considerado cancerígeno.

Os trabalhadores podem entrar em contato com esse óleo em atividades de manutenção.

em contato com esse óleo em atividades de manutenção. Figura 3.6: Transformador de poste que utiliza

Figura 3.6: Transformador de poste que utiliza óleo ascarel abandonado no meio

Fonte: ©Richard Webb/Geograph.org

abandonado no meio Fonte: ©Richard Webb/Geograph.org Para saber mais sobre o óleo Bifenil Policlorados, acesse

Para saber mais sobre o óleo Bifenil Policlorados, acesse o site: <http://www.ecycle.com.br/component/content/

article/67/3020-pcbs-o-que-sao-contaminante-ambiente-cloro-bifenilos-policlorados-industria-brasil-ascarel-

proibido-eua-fabricacao-acidentes-efluentes-pop-persistente-bioacumulativo-tecidos-alimentos-peixes-como-evitar-

riscos.html>. Acesso em: 25/09/2016.

Riscos ergonômicos

Os riscos ergonômicos estão associados às atividades repetitivas e o trabalho descon- fortável realizado em torres de alta tensão ou atividades realizadas por períodos longos em escadas, dentro de canaletas e com equipamentos fora do alcance, necessitando de esforço físico.

Unidade 3 – Riscos da energia elétrica em atividades no trabalho

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Figura 3.7: Risco ergonômico Fonte: ©Andrevruas/ Wikipédia Descargas atmosféricas A descarga atmosférica é um

Figura 3.7: Risco ergonômico

Fonte: ©Andrevruas/ Wikipédia

Descargas atmosféricas

A descarga atmosférica é um fenômeno natural imprevisível que ocorre durante as tem-

pestades. Esse fenômeno causa a destruição de equipamentos e instalações elétricas e vários acidentes com pessoas e animais, devido à sua alta potência, que eleva o valor da corrente elétrica dos circuitos.

Durante tempestades em que ocorrem descargas atmosféricas, não é recomendável rea-

lizar atividades relacionas com a energia elétrica, pois o trabalhador pode estar suscetível

a riscos de choque elétrico ou ser afetado pelo campo elétrico.

Radiação solar

Quando o trabalho é executado a céu aberto, o trabalhador pode estar exposto à radia- ção ultravioleta emitida pelo Sol. Se o trabalhador ficar exposto por um tempo prolonga- do a essa radiação, isso pode lhe causar câncer de pele.

Nesta unidade, vimos os principais riscos da eletricidade em atividade do trabalho que podem afetar a saúde do trabalhador. É importante conhecer os riscos que a eletricidade pode oferecer, pois ela não tem cheiro, barulho e não pode ser vista.

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Segurança em Eletrotécnica

Depois de ter apreendido este conteúdo, certamente você estará preparado para seguir para a próxima unidade e aprender as práticas de trabalho seguras e, assim, preservar a saúde e a vida das pessoas, evitando acidentes.

Pratique

a saúde e a vida das pessoas, evitando acidentes. Pratique 1. Quais são os principais riscos

1. Quais são os principais riscos a que um trabalhador pode estar vulnerável com traba- lhos ou atividades relacionados com a eletricidade?

2. O que caracteriza o risco indireto em atividades relacionadas com a eletricidade?

Unidade 4
Unidade
4

Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

Fonte: © Dave Pape/Wikipédia

Nesta unidade serão estudadas as práticas de trabalho seguro com a eletricidade. É imprescindível ao
Nesta unidade serão estudadas as práticas de trabalho seguro com a eletricidade. É imprescindível ao

Nesta unidade serão estudadas as práticas de trabalho seguro com a eletricidade. É

as práticas de trabalho seguro com a eletricidade. É imprescindível ao aluno conhecer as técnicas e

imprescindível ao aluno conhecer as técnicas e seus procedimentos para realizar ati- vidades com energia elétrica de forma segura.

ao aluno conhecer as técnicas e seus procedimentos para realizar ati- vidades com energia elétrica de
Qual é a importância de seguir os procedimentos de segurança em trabalhos com o uso

Qual é a importância de seguir os procedimentos de segurança em trabalhos com o uso da eletricidade? As práticas de trabalho segura com a eletricidade visam garantir a segurança dos trabalhadores na execução de atividades relacionadas a energia elé- trica como choque elétrico, arco elétrico e campo elétrico.

Introdução

Antes de executar um trabalho com eletricidade é necessário você seguir normas e di- retrizes que forneçam procedimentos corretos para que os funcionários executem as tarefas de formas seguras (ALMEIDA, 2012).

A Norma Regulamentadora para segurança em instalações e serviços em eletricidade

(NR-10), emitida pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), estabelece os requisitos necessários e as condições mínimas objetivando à implementação de medidas de con- trole e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricid- ade (NR-10, 2016).

Segundo a NR-10 (2016), os serviços em instalações elétricas devem ser planejados e realizados em conformidade com procedimentos de trabalho específicos, padronizados, com descrição detalhada de cada tarefa, passo a passo, assinados por um profissional qualificado, habilitado ou autorizado que esteja de acordo com esta norma.

Segundo a NR-10 (2016), os principais procedimentos de segurança relacionados ao risco de trabalho com a energia elétrica são: desenergização; aterramento (funcional, de proteção e temporário); equipotencialização; seccionamento automático da alimenta- ção; dispositivos a corrente de fuga; extrabaixa tensão; barreira e invólucros; bloqueios e impedimentos; obstáculos e anteparos; isolamentos de partes vivas; isolação dupla e reforçada; colocação fora de alcance e separação elétrica.

Desenergização

A desenergização é a medida mais eficiente contra o risco elétrico, pois os riscos de

acidentes de o trabalhador se envolver com energia elétrica se reduzem a níveis mui-

Segurança em Eletrotécnicarisco elétrico, pois os riscos de acidentes de o trabalhador se envolver com energia elétrica se

tos baixos. Segundo o tópico 10.5.1 da NR-10 (2016), somente serão consideradas as instalações elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a seguinte sequência:

a) Seccionamento;

b) Impedimento de reenergização;

c) Constatação da ausência de tensão;

d) Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos;

e) Proteção dos elementos energizados existen- tes na zona controlada;

f) Instalação da sinalização de impedimento dos dispositivos de seccionamento.

A desenergização não consiste em desligar simplesmente a energia elétrica, mas abrange um conjunto de
A desenergização não consiste em desligar
simplesmente a energia elétrica, mas
abrange um conjunto de ações coordenadas,
organizadas e controladas.

Aterramento

O aterramento consiste em fazer uma ligação direta da instalação elétrica à terra. Em

casos de problemas nas instalações ou algum equipamento elétrico, o aterramento evita

a energização de componentes que pessoas ou animais possam ter contato direto, pois possibilita um caminho de baixa resistência elétrica para a corrente elétrica fluir livremen-

te para a terra.

para a corrente elétrica fluir livremen- te para a terra. Figura 4.1: Exemplo de aterramento Fonte:

Figura 4.1: Exemplo de aterramento

Fonte: © Commander Keane/ Wikimedia Commons

Unidade 4 – Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

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Tipos de aterramento:

Aterramento funcional;

Aterramento de proteção;

Aterramento temporário.

Aterramento funcional

Este tipo de aterramento é feito para o funcionamento correto da instalação, sendo aterrado um condutor vivo, que geralmente é o neutro. Isso se aplica também no ater- ramento do neutro de sistemas trifásicos com ligações em estrela ou uma das fases nas ligações em triângulo.

Aterramento de proteção

Este tipo de aterramento tem a finalidade de proteção contra choque elétrico de conta- tos indiretos, é aplicado no aterramento de massas de equipamentos e elementos estra- nhos na instalação elétrica. O aterramento de proteção pode ser aplicado nos seguintes esquemas: TT, IT, TN-S, TN-C e TNC-S.

Na classificação dos esquemas de aterramento é utilizada a seguinte simbologia (NBR

5410:2004):

Primeira letra (situação da alimentação em relação à terra):

T = um ponto diretamente aterrado;

I = isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou aterramento de um ponto através de impedância;

Segunda letra (situação das massas da instalação elétrica em relação à terra):

T = massas diretamente aterradas, independente do aterramento eventual de um ponto de alimentação;

N = massas ligadas ao ponto da alimentação aterrado (em corrente alternada, o pon- to aterrado é normalmente o ponto neutro);

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Segurança em Eletrotécnica

Outras letras (disposição do condutor neutro e do condutor de proteção para casos eventuais):

S = funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos;

C = funções de neutro e de proteção combinadas em um único condutor (condutor PEN);

proteção combinadas em um único condutor (condutor PEN); Figura 4.2: Esquema de Aterramentos TN-S, TN-C-S e

Figura 4.2: Esquema de Aterramentos TN-S, TN-C-S e TN-C

Banco de Imagens DE (2017)

Aterramentos TN-S, TN-C-S e TN-C Banco de Imagens DE (2017) Figura 4.3: Esquema de Aterramento TT

Figura 4.3: Esquema de Aterramento TT

Banco de Imagens DE (2017)

Unidade 4 – Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

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Figura 4.4: Esquema de Aterramento IT Banco de Imagens DE (2017) Para o esquema IT:

Figura 4.4: Esquema de Aterramento IT

Banco de Imagens DE (2017)

Para o esquema IT:

A = sem aterramento da alimentação;

B = alimentação aterrada através de impedância;

B 1 = massas aterradas em eletrodos separados e independentes do eletrodo de aterra- mento da alimentação;

B 2 = massas coletivamente aterradas em eletrodo independente do eletrodo de ater- ramento da alimentação;

B 3 = massas coletivamente aterradas no mesmo eletrodo da alimentação.

Aterramento temporário

O aterramento temporário tem a finalidade de permitir ações seguras de reparos quando

uma instalação está energizada.

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Segurança em Eletrotécnica

Figura 4.5: Aterramento Temporário Banco de Imagens DE (2017) Equipotencialização A equipotencialização consiste em

Figura 4.5: Aterramento Temporário

Banco de Imagens DE (2017)

Equipotencialização

A equipotencialização consiste em interligar todos os sistemas de aterramento existentes de uma instalação elétrica, pois entre os diferentes sistemas de aterramentos pode existir diferença de potencial entre eles.

pode existir diferença de potencial entre eles. Figura 4.6: Equipotencialização Banco de Imagens DE (2017)

Figura 4.6: Equipotencialização

Banco de Imagens DE (2017)

Seccionamento automático da alimentação

Um dispositivo de proteção é responsável pelo seccionamento automático da alimenta- ção de uma instalação que funciona por meio da circulação de uma corrente de falta en- tre a parte viva e a massa do equipamento ou pelo condutor de proteção. Um dispositivo que realiza esta tarefa é o disjuntor.

Unidade 4 – Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

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Dispositivos de corrente de fuga

Os dispositivos de corrente de fuga estão relacionados com o seccionamento automá- tico da alimentação. Os dispositivos de corrente de fuga são também conhecidos como dispositivos a corrente diferencial e residual (DR). Este elemento monitora todos os con- dutores vivos de uma instalação, incluindo o neutro. O dispositivo DR deve ser instalado em série com o disjuntor, pois o mesmo só detecta corrente de fuga.

com o disjuntor, pois o mesmo só detecta corrente de fuga. Figura 4.7: Dispositivo DR Fonte:

Figura 4.7: Dispositivo DR

Fonte: ©ABB ltd/Wikimedia Commons

Extrabaixa tensão

É uma medida de proteção que compreende nos valores de tensão que não necessitam de condutores de proteção, cujo valor de corrente elétrica em caso de contato do corpo humano com uma parte energizada não cause danos ao organismo. Os valores de extra- baixa tensão são estabelecidas pela NR-10: para tensão alternada, não sendo superior a 50V, e para tensão contínua, não sendo superior a 120V, entre fases ou entre fase e terra.

Barreira e invólucros

As barreiras e os invólucros são usados com a finalidade de impedir o contato com as partes vivas da instalação elétrica, seja ela intencional ou acidental.

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Segurança em Eletrotécnica

Figura 4.8: Barreira e invólucros Fonte: © Lemur12/ Wikimedia Commons Bloqueio e impedimentos Para a

Figura 4.8: Barreira e invólucros

Fonte: © Lemur12/ Wikimedia Commons

Bloqueio e impedimentos

Para a realização desse procedimento de segurança, são usados dispositivos de bloqueio que têm a finalidade de impedir o acionamento de dispositivos de manobras e secciona- mento, mantendo fixos fisicamente.

de manobras e secciona- mento, mantendo fixos fisicamente. Figura 4.9: Bloqueio e Impedimentos Fonte:©PIRO4D/Pixabay

Figura 4.9: Bloqueio e Impedimentos

Fonte:©PIRO4D/Pixabay

Unidade 4 – Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

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Obstáculos e anteparos

São destinados a impedir o contato involuntário, não intencional, com as partes vivas durante atuações sobre o equipamento, estando o trabalhador em serviço normal (BAR- ROS et. al., 2014).

o trabalhador em serviço normal (BAR- ROS et. al ., 2014). Figura 4.10: Obstáculos e anteparos

Figura 4.10: Obstáculos e anteparos

Fonte:©Tashaat/Pixabay

Figura 4.10: Obstáculos e anteparos Fonte:©Tashaat/Pixabay Este procedimento de segurança não é válido para o

Este procedimento de segurança não é válido para o contato que pode resultar de uma ação deliberada de ignorar ou contornar o obstáculo.

Isolamento das partes vivas

Este procedimento tem a finalidade de separar partes condutoras expostas por meio de materiais isolantes que formam uma camada de isolação que pode ser removida ou destruída. O isolamento geralmente é feito de materiais como vernizes ou tintas com propriedades isolantes e deve ser capaz de suportar choques mecânicos, variações térmi- cas, químicas e elétricas.

Isolação dupla ou reforçada

A isolação dupla ou reforçada é composta por isolação básica e suplementar. A camada de isolação suplementar tem a função de oferecer proteção contra choques elétricos, caso a camada básica falhe.

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Segurança em Eletrotécnica

Colocação fora de alcance

Este procedimento de segurança visa, parcialmente, impedir contatos eventuais com par- tes vivas. O princípio da colocação fora de alcance consiste nos seguintes aspectos: se o componente da instalação é acessível, não pode ser perigoso, e se é perigoso, não pode ser acessível, ou seja, deve ser colocado fora de alcance.

Separação elétrica

A separação elétrica elimina o caminho de circulação de corrente elétrica pela terra, no

caso de uma pessoa entrar em contato com uma massa energizada. É implementada com a instalação de um transformador de separação no qual tanto o circuito primário

quanto o secundário não são interligados à terra. A separação elétrica entre os circuitos primário e secundário não possibilita caminho elétrico que permita passagem de corren-

te de fuga que possa causar choque elétrico (BARROS et. al., 2014).

que possa causar choque elétrico (BARROS et. al ., 2014). Figura 4.11: Separação Elétrica Fonte: ©

Figura 4.11: Separação Elétrica

Fonte: © Chetvorno/ Wikimedia Commons

Conclusão da aula

Nesta unidade você aprendeu as práticas seguras em atividades relacionadas com a ele- tricidade, desde desenergização de circuitos elétricos até separação elétrica. É impor- tante você sempre estudar e relembrar este conteúdo para saber como agir durante a execução do seu trabalho com a utilização da energia elétrica.

Unidade 4 – Práticas de trabalho seguras com a eletrecidade

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O conteúdo desta unidade é um complemento da unidade anterior, referente a riscos com atividades relacionadas à energia elétrica. Certamente, você dominando este conte- údo, você estará habilitado a controlar os riscos com o uso da energia elétrica, evitando assim acidentes.

Pratique

uso da energia elétrica, evitando assim acidentes. Pratique 1. Qual é o procedimento sequencial de desenergização

1. Qual é o procedimento sequencial de desenergização de uma instalação elétrica?

2. Quais são os tipos de aterramento de proteção?

Unidade 5
Unidade
5

Equipamentos de proteção individual e coletiva

Unidade 5 Equipamentos de proteção individual e coletiva Fonte: Shutterstock - Banco de dados do IFPR

Fonte: Shutterstock - Banco de dados do IFPR

Nesta unidade você aprenderá sobre o uso de equipamentos de proteção individual e coletiva durante a execução de trabalhos relacionados com a eletricidade. Qual é a equipamentos de proteção individual e coletiva?Os equipamentos de proteção individual e os equipamentos de proteção coletiva visam proteger os trabalhadores

a execução de trabalhos relacionados com a eletricidade. Qual é a equipamentos de proteção individual e
a execução de trabalhos relacionados com a eletricidade. Qual é a equipamentos de proteção individual e
Os equipamentos de proteção individual e os equipamentos de proteção coletiva visam proteger os trabalhadores

Os equipamentos de proteção individual e os equipamentos de proteção coletiva visam proteger os trabalhadores na execução de atividades que ofereçam riscos a sua saúde.

Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Os EPIs são usados quando as medidas de proteção coletivas são insuficientes no controle de riscos à saúde dos trabalhadores, que deve atende a NR-6 (Norma Regulamentadora estabelecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego).

Segundo a NR-6 (2016), todo equipamento de proteção individual, de fabricação na- cional ou importado, só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Cer- tificado de Aprovação (CA), expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.

A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco,

em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:

a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;

b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;

c) para atender a situações de emergência.

A NR-6 atribui as seguintes responsabilidades ao empregador e ao empregado:

Cabe ao empregador, quanto ao EPI:

a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;

b) exigir seu uso;

c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;

Segurança em Eletrotécnicaao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no

d)

orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação;

e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;

f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica;

g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.

h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico. (Inserida pela Portaria SIT n. 107, de 25 de agosto de 2009).

Cabe ao empregado, quanto ao EPI:

a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina;

b) responsabilizar-se pela guarda e conservação;

c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso;

d) cumprir as determinações do empregador so- bre o uso adequado.

A seguir são apresentados os EPIs mais usados

em atividades relacionados com eletricidade.

A não utilização de EPIs e EPCs na execução de atividades elétricas por parte do
A não utilização de EPIs e EPCs na
execução de atividades elétricas por parte
do empregado ou do empregador, além
dos riscos de acidentes, está sujeita a
multas. Para saber mais sobre punições
pelo não comprimento da NR-6, consulte
o site <http://www.guiatrabalhista.com.br/
legislacao/nr/nr28.htm>. Acesso em: 29
set. 2016.

Capacete de proteção

O capacete de proteção tem a finalidade de proteger a cabeça do trabalhador em am-

bientes ao ar livre ou confinado contra impactos proveniente de projeção de objetos, queda, choque elétrico, queimaduras e irradiação solar.

queda, choque elétrico, queimaduras e irradiação solar. Figura 5.1: Capacete de proteção Fonte: ©

Figura 5.1: Capacete de proteção

Fonte: © OpenClipart-Vectors

Unidade 5 – Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Óculos de segurança

Este EPI tem a finalidade de proteger os olhos contra impactos mecânicos, projeção de partículas e raios ultravioletas.

mecânicos, projeção de partículas e raios ultravioletas. Figura 5.2: Óculos de proteção Fonte: © Geoffrey

Figura 5.2: Óculos de proteção

Fonte: © Geoffrey Whiteway/Freepik

Luva isolante de borracha

Este EPI é utilizado para proteção das mãos do profissional contra choques elétricos em atividades com circuitos elétricos energizados. As luvas isolantes podem ser dos tipos I (sem resistência ao ozônio) e II (resistente ao ozônio). De acordos com valores de tensões (tabelas 5.1 e 5.2), as luvas são classificadas nas classes: 00, 0, 1, 2, 3 e 4.

Tabela 5.1: Propriedades elétricas para correntes alternadas

 

Classes das

     

Corrente máxima de fuga (mA)

luvas

Tensão de ensaio (valor eficaz) V

Tensão máxima de uso (V)

Tensão mínima de perfuração

Luva de

Luva de

Luva de

Luva de

     

267mm

356mm

406mm

457mm

00

2.500

500

5.000

6

10

12

14

0

5.000

1.000

6.000

8

12

14

16

1

10.000

7.500

20.000

-

14

16

18

2

20.000

17.000

30.000

-

16

18

20

3

30.000

26.500

40.000

-

18

20

22

4

40.000

36.000

50.000

-

-

22

14

Fonte: NBR-10622 (1989)

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Segurança em Eletrotécnica

Tabela 5.2: Propriedades elétricas para corrente contínua

 

Classes das luvas

Tensão de ensaio (valor médio) V

Tensão máxima de uso (valor médio) (V)

Tensão mínima de perfura- ção (valor médio) (V)

00

10.000

750

20.000

0

20.000

1.500

35.000

1

40.000

11.250

60.000

2

50.000

25.500

70.000

3

60.000

39.750

80.000

4

70.000

54.000

90.000

Fonte: NBR-10622 (1989)

De acordo com NBR-10622 (1989), as luvas devem ter informações marcadas no dorso de maneira clara e permanente e sem comprometer as propriedades de isolação das luvas. A marcação deve ser isolante e deve conter: nome do fabricante, tipo, classe, ta- manho, número da norma (NBR-10622), número do certificado da aprovação e número de série. Na marcação deve ser de cor especificada para cada classe da luva:

a) Classe 00 – bege;

b) Classe 0 – vermelha;

c) Classe 1 – branca;

d) Classe 2 – amarela;

e) Classe 3 – verde;

f) Classe 4 – laranja.

Para higienização da luva isolante deve-se:

lavar com água e detergente neutro;

enxaguar com água;

secar ao ar livre e à sombra;

polvilhar internamente com talco industrial.

Seguem as orientações para conservação da luva:

Unidade 5 – Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Armazenar em bolsa apropriada, sem dobrar, enrugar ou comprimir;

Armazenar em local protegido da umidade, da ação direta de raios solares, de produ- tos químicos, solventes, vapores e fumos.

.
.

Figura 5.3: Luva isolante de borracha

Banco de Imagens DE (2017)

Luva de cobertura para proteção da luva isolante de borracha

Esta luva não possui função isolante, mas tem função de proteção mecânica da luva iso- lante. Com relação à higienização da luva de cobertura orienta-se limpar utilizando pano limpo, umedecido em água, e secar à sombra.

As orientações para conservação da luva de cobertura são:

Armazená-las protegidas de fontes de calor;

Se molhadas ou úmidas, secar à sombra.

de calor; • Se molhadas ou úmidas, secar à sombra. Figura 5.4: Luva de cobertura para

Figura 5.4: Luva de cobertura para proteção da luva de borracha

Fonte:© Hans/Pixabay

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58

Segurança em Eletrotécnica

Manga isolante

A manga isolante é utilizada para a proteção do braço e do antebraço do profissional contra choque elétrico durante trabalhos em circuitos elétricos energizados. As orienta- ções relacionadas com a higienização da manga isolante são:

Lavar com água e detergente neutro;

Secar ao ar livre e à sombra;

Polvilhar com talco industrial externa e internamente.

Para conservação da manga:

Armazenar em saco plástico, em ambiente seco e ventilado;

Se molhada, secar à sombra;

Nunca secar ao Sol (pode causar ressecamento).

sombra; • Nunca secar ao Sol (pode causar ressecamento). Figura 5.5: Manga isolante Banco de Imagens

Figura 5.5: Manga isolante

Banco de Imagens DE (2017)

Calçado de segurança

Este EPI é usado na proteção dos pés do trabalhador contra perfuração, impacto, choque elétricos. As orientações para conservação do calçado de segurança são:

Unidade 5 – Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Armazenar em local limpo, livre de poeira e umidade;

Se molhado, secar à sombra;

Engraxar com pasta adequada para a conservação do couro.

Engraxar com pasta adequada para a conservação do couro. Figura 5.6: Calçado de segurança Fonte:© Barescar90

Figura 5.6: Calçado de segurança

Fonte:© Barescar90 /Pixabay

Equipamentos de proteção coletiva (EPCs)

Os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) devem ser adotados no desenvolvimento de serviços elétricos e nas proximidades. EPC é todo dispositivo, sistema ou meio, fixo ou móvel, de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores usuários e terceiros (BARROS et. al., 2014).

Os principais EPCs utilizados em serviços de eletricidade são apresentados a seguir:

Cone de sinalização

O cone de sinalização é destinado à sinalização de áreas de trabalho e obras em vias públicas ou rodovias e tam- bém na orientação de trânsito de pedestres e veículos.

Fita de sinalização

de trânsito de pedestres e veículos. Fita de sinalização Figura 5.7: Cone de sinalização. Fonte: ©

Figura 5.7: Cone de sinalização.

Fonte: © Clker-Free-Vector-Images.

Este EPC é utilizado na delimitação e noisolamento de áreas de trabalho.

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Segurança em Eletrotécnica

Figura 5.8: Fita de sinalização Fonte: © Lindsay_Jayne/ /Pixabay Grade metálica dobrável É utilizada no

Figura 5.8: Fita de sinalização

Fonte: © Lindsay_Jayne/ /Pixabay

Grade metálica dobrável

É utilizada no isolamento de áreas de trabalhos como poços de inspeção, entrada de galerias subterrâneas.

poços de inspeção, entrada de galerias subterrâneas. Figura 5.9: Grade metálica dobrável Fonte:

Figura 5.9: Grade metálica dobrável

Fonte: ©taniadimas/Pixabay

Sinalizador STROBO

É utilizado para identificação de serviços como obras, acidentes e atendimento em ruas e rodovias.

Unidade 5 – Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Tapete de borracha isolante

Os tapetes de borracha isolante são utilizados em equipamentos e instalações que evol- vam manobras de desligamento e religamento.

que evol- vam manobras de desligamento e religamento. Figura 5.10: Tapete de borracha isolante Banco de

Figura 5.10: Tapete de borracha isolante

Banco de Imagens DE (2017)

Aterramento temporário

O aterramento temporário tem a função de equipotencializar as três fases e o aterra- mento de uma instalação durante a realização de um serviço de manutenção. Este EPC é composto por um conjunto de quatro garras interligadas por um cabo.

Placas de sinalização

As placas de sinalização têm a finalidade de avisar, advertir, alertar e proibir as pessoas quanto aos riscos ou às condições de perigos existentes. Elas também sinalizam proibi- ções de acesso, cuidados e identificação dos circuitos.

ções de acesso, cuidados e identificação dos circuitos. Figura 5.11: Placas de sinalização Fonte: © MMJ

Figura 5.11: Placas de sinalização

Fonte: © MMJ Brindes

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Segurança em Eletrotécnica

Nesta Unidade, vimos os conceitos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Equi- pamentos de Proteção Coletiva (EPCs) e sua importância na utilização nos trabalhos relacionados com a eletricidade para prevenção contra eventuais acidentes.

Para avançar para a próxima Unidade, é imprescindível ter aprendido sobre a importância do uso cada EPIs na proteção individual e a aplicação de cada EPC nos trabalhos execu- tados de forma coletiva.

Lembre-se de que os conceitos aprendidos são fundamentais para a realização de ativi- dades com a energia elétrica e o uso dos EPIs e EPCs é obrigatório, pois sua finalidade é preservar a vida.

Pratique

pois sua finalidade é preservar a vida. Pratique O que seriam os EPIs, os EPCs e

O que seriam os EPIs, os EPCs e qual a sua importância na utilização nos trabalhos rela- cionados com a eletricidade?

Resposta esperada:

Os EPIs são os equipamentos de proteção individual, que visam proteger a pessoa com os riscos da eletricidade. Os EPC são dispositivos utilizados em trabalhos executados de forma coletiva, que visam avisar, alertar, proibir ou advertir as pessoas sobre os perigos na execução das atividades do trabalho.

Unidade 6
Unidade
6

Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

Unidade 6 Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão Fonte: © Clker-Free-Vector-Images/Pixabay.

Fonte: © Clker-Free-Vector-Images/Pixabay.

Nesta unidade você estudará os procedimentos no trabalho contra incêndio e explo- são. É importante
Nesta unidade você estudará os procedimentos no trabalho contra incêndio e explo- são. É importante

Nesta unidade você estudará os procedimentos no trabalho contra incêndio e explo-

os procedimentos no trabalho contra incêndio e explo- são. É importante estudar este conteúdo porque problemas

são. É importante estudar este conteúdo porque problemas com a eletricidade é uma das causas de acidentes relacionadas a incêndios e explosões.

este conteúdo porque problemas com a eletricidade é uma das causas de acidentes relacionadas a incêndios
Como a eletricidade causa estes problemas?

Como a eletricidade causa estes problemas?

Uma das formas de prevenção de acidentes com incêndios e explosões é entender como ambos

Uma das formas de prevenção de acidentes com incêndios e explosões é entender como ambos são originados.

Incêndio e Explosão

O incêndio é um acidente em que materiais ou objetos entram em combustão (pega fogo) e muitas pessoas envolvidas neste tipo de acidente acabam perdendo a vida. Uma das causas é o mau uso da eletricidade. Uma instalação elétrica residencial ou predial mal dimensionada, ou mal feita, tem grande probabilidade de risco de causar um incêndio.

tem grande probabilidade de risco de causar um incêndio. Figura 6.1: incêndio em um prédio Fonte:

Figura 6.1: incêndio em um prédio

Fonte: ©Sypecom/Wikimedia Commons

Uma explosão é caracterizada pela liberação súbita de grande quantidade de energia, podendo ser em um ambiente confinado que tenha a mistura de ar e gás inflamável, logo, qualquer faísca ou fonte de energia pode gerar a explosão.

Segurança em Eletrotécnicaconfinado que tenha a mistura de ar e gás inflamável, logo, qualquer faísca ou fonte de

Figura 6.2: explosão Fonte: ©Ricky Brigante/Flickr A NR-10 (2016) diz a respeito de como evitar

Figura 6.2: explosão

Fonte: ©Ricky Brigante/Flickr

A NR-10 (2016) diz a respeito de como evitar incêndios e explosões:

10.9 – Proteção contra incêndio e explosão.

10.9.1 – As áreas onde houver instalações ou equipamentos elétricos devem ser do-

tadas de proteção contra incêndio e explosão, conforme dispõe a NR 23 – Proteção Contra Incêndios.

10.9.2 – Materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à aplicação

em instalações elétricas de ambientes com atmosferas potencialmente explosivas devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação.

10.9.3 – Os processos ou equipamentos suscetíveis de gerar ou acumular eletricidade

estática devem dispor de proteção específica e dispositivos de descarga elétrica.

10.9.4 – Nas instalações elétricas de áreas classificadas ou sujeitas a risco acentuado

de incêndio ou explosões, devem ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e secionamento automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de iso- lamento, aquecimentos ou outras condições anormais de operação.

10.9.5 – Os serviços em instalações elétricas nas áreas classificadas, somente pode-

rão ser realizados mediante permissão para o trabalho com liberação formalizada, conforme estabelece o item 10.5 ou supressão do agente de risco que determina a classificação da área.

*Fonte: NR-10 (2016).

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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Combustão

A combustão é também como fogo, é uma reação química que transforma o combustí-

vel e comburente em calor e luz. A cor do fogo varia de acordo com o tipo de combus- tível a ser queimado.

Para haver combustão são necessárias três condições básicas:

um combustível;

um comburente;

uma fonte de calor.

A ausência de uma dessas condições ou se todos não estiverem em situações favoráveis

(em equilíbrio), não permite ocorrer a combustão. Atualmente essas condições básicas de combustão podem ser representas pelo tetraedro de fogo ou quadrado de fogo.

ser representas pelo tetraedro de fogo ou quadrado de fogo. Figura 6.3: tetraedro de fogo Fonte:

Figura 6.3: tetraedro de fogo

Fonte: ©Júnior - CBMMA/Wikimedia Commons

Combustível

O combustível é o material que alimenta o fogo, o combustível pode estar no estado

sólido, líquido ou gasoso.

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Segurança em Eletrotécnica

Combustível Sólido

O material sólido é aquele que deixa resíduos no final da sua combustão. Exemplos de

materiais sólidos: madeira, borracha, papel, tecidos, plásticos, etc.

madeira, borracha, papel, tecidos, plásticos, etc. Figura 6.4: combustível sólido em combustão Fonte: ©

Figura 6.4: combustível sólido em combustão

Fonte: © Pezibear/Pixabay

Combustível Líquido

O combustível líquido é aquele que libera gases durante a sua combustão. Os gases

liberados podem se tornar mais ou menos inflamáveis, dependendo da temperatura de combustão. Os líquidos inflamáveis são classificados em: combustíveis voláteis e combus- tíveis não voláteis.

Os combustíveis voláteis são líquidos inflamáveis que liberam gases na temperatura am- biente, logo, estes devem ter o maior cuidado possível para evitar o contato com uma fonte de calor. Exemplos desses materiais: gasolina, querosene, álcool, entre outros.

Os combustíveis não voláteis dependem de temperatura muito elevada para que a libe- ração dos gases aconteça. Exemplos desses materiais: graxa, asfalto, piche, entre outros.

desses materiais: graxa, asfalto, piche, entre outros. Figura 6.5: combustível líquido em chamas Fonte:©

Figura 6.5: combustível líquido em chamas

Fonte:© Marines/ Flickr.

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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Combustível Gasoso

São os gases liberados pela combustão. São os materiais que têm mais facilidade de entrar em combustão, portanto, é necessário mais cuidado em seu manejo. Exemplo de gases: butano, metano, propano, entre outros.

Exemplo de gases: butano, metano, propano, entre outros. Figura 6.6: gás de cozinha (combustível gasoso) Fonte:

Figura 6.6: gás de cozinha (combustível gasoso)

Fonte: © Agência Brasília/Flickr

Comburente

É um dos elementos fundamentais para criar uma combustão, sem ele não há aparecimento do

fogo. O oxigênio é o comburente mais conhecido

e o mais abundante.

Fonte de Calor

É a energia necessária para ativar a combustão,

a fonte de calor pode ser originada por diversas formas, como por exemplo, uma descarga at- mosférica ou um curto circuito, ou até mesmo o atrito de uma pedra com outra.

Reação em Cadeia

O aparecimento da chama depende da concentração de oxigênio. Se a concentração de oxigênio está
O aparecimento da chama depende da
concentração de oxigênio. Se a concentração
de
oxigênio está entre 0% a 8%, então não
chama. Quando a combustão está lenta,
a concentração de oxigênio está entre 9 a
13%. Para que a combustão se mantenha é
necessário que a concentração de oxigênio
esteja entre 14 a 21%.
Materiais infláveis devem ficar distantes de qualquer tipo de fonte de calor.
Materiais infláveis devem ficar distantes de
qualquer tipo de fonte de calor.

A reação em cadeia é o momento que o fogo consegue se manter. O material combustí-

vel ao entrar em combustão acaba liberando mais gases e, assim, alimenta ainda mais a combustão que acaba se espalhando.

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Segurança em Eletrotécnica

Pontos de Temperatura

Existem três pontos de temperatura para que ocorra uma combustão: o ponto de fulgor,

o

ponto de combustão e o ponto de ignição.

O

ponto de fulgor corresponde à temperatura mínima para que o material libere gases

e

acaba entrando em combustão com auxílio de uma fonte de calor externa. Se retirar a

fonte de calor externa, o fogo se extingue porque a combustão não tem força suficiente

para se manter.

O ponto de combustão corresponde à temperatura em que o material inflável libera

gases e a combustão é iniciada com uma fonte de calor externa. Ela tem energia sufi- ciente para se sustentar e se espalhar com reação em cadeia, mesmo se retirar a fonte de calor externa.

O ponto de ignição corresponde à temperatura em que há liberação de gases do material

combustível no limite superior ao ponto de fulgor. A concentração elevada de gases e em

contato com o comburente, faz com que a combustão ocorra de forma espontânea sem

a necessidade de uma fonte externa de calor.

espontânea sem a necessidade de uma fonte externa de calor. Figura 6.7: pontos de temperatura Banco

Figura 6.7: pontos de temperatura

Banco de Imagens DE (2016)

Propagação do Fogo

A propagação do fogo ocorre quando ele se espalha na reação em cadeia, sendo dividida

em três fases: condução, convecção e radiação.

A condução ocorre por contato direto na transmissão do fogo de um material combustí-

vel para outro, quando atinge seu ponto de fulgor, ele entra em combustão.

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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A convecção é a transmissão da massa de ar quente produzida pelo fogo que sobe (por

ser mais leve que o ar) até atingir um material combustível que eleva sua temperatura até atingir o ponto de ignição. Assim, ocorre combustão em outro local sem a necessidade de contato direto.

A radiação é a transmissão de energia por ondas de ar quente sem a necessidade de

nenhum meio material combustível, o material acaba sendo aquecido entre seu ponto de ignição até que a combustão se inicie.

Formas de extinguir uma combustão

A combustão depende de três elementos: combustível, comburente e fonte de calor.

Para terminar com uma combustão é necessário eliminar um dos três. As formas de eli- minar o fogo são: abafamento, resfriamento e retirada do material ou isolamento.

Abafamento

Consiste em retirar o oxigênio (o comburente).

Abafamento Consiste em retirar o oxigênio (o comburente). Figura 6.8: extinção do fogo por abafamento Fonte:

Figura 6.8: extinção do fogo por abafamento

Fonte: ©Rama/Wikimedia Commons

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Segurança em Eletrotécnica

Resfriamento

O resfriamento tem como finalidade reduzir a temperatura da combustão, logo, o mate- rial em combustão deixa de gerar os gases e o fogo se cessa.

em combustão deixa de gerar os gases e o fogo se cessa. Figura 6.9: extinção do

Figura 6.9: extinção do fogo por resfriamento

Fonte: ©BotMultichillT/ Wikimedia Commons

Retirada do material ou isolamento

Consiste em afastar o material combustível que está em combustão ou retirar os outros materiais combustíveis localizados ao redor dele. Esta prática é usada quando não há possibilidade de abafar ou resfriar uma combustão.

não há possibilidade de abafar ou resfriar uma combustão. Figura 6.10: extinção do fogo por isolamento

Figura 6.10: extinção do fogo por isolamento ou retirada do material

Fonte: © Rammstainar/Pixabay

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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Classes de Incêndio

A classe de incêndio é organizada e dividida em função do tipo de material combustível.

Classe A

Este tipo de incêndio é causado pela queima de materiais sólidos como madeira, papel borracha, entre outros. Para extingui-lo é necessário retirar o calor do material em com- bustão.

Classe B

O incêndio desta classe é caracterizado pela queima de materiais líquidos e gasosos

inflamáveis. Para extinguir este tipo de incêndio é necessário retirar o oxigênio, ou seja, abafar.

Classe C

Os incêndios causados por esta classe são aqueles referentes aos equipamentos que utilizam a ener- gia elétrica como computadores, fios e cabos de uma instalação elétrica predial, materiais elétricos em geral, entre outros.

Um incêndio da Classe C não pode ser combatido com materiais condutores, pois pode agravar
Um incêndio da Classe C não pode ser
combatido com materiais condutores, pois
pode agravar ainda mais o acidente. Este
tipo de incêndio pode ser evitado com o
desligamento de equipamentos elétricos.

Classe D

Os materiais desta classe são metais que pegam fogo, sendo chamados de materiais pi- rofóricos. Assim como nos materiais energizados da Classe C, nos desta classe, deve-se ter cuidado em sua manipulação em casos de incêndios, pois pode piorar a gravidade do acidente.

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Segurança em Eletrotécnica

Classe K

Esta classe refere-se aos acidentes causados em cozinhas industriais. Por não possuírem um extintor específico, podem agravar os acidentes. Exemplos desses tipos de materiais são: óleo, banhas quentes, entre outros.

Extintores

Os extintores são equipamentos usados para apagar o fogo, mas só no início do incên- dio. Eles são feitos à base de água, pó químico seco, espuma mecânica ou gás carbôni- co. O extintor pode ser portátil (o mais usado) ou não, mas o extintor portátil não deve ultrapassar os 25 Kg.

mas o extintor portátil não deve ultrapassar os 25 Kg. Figura 6.11: extintores de incêndios Fonte:

Figura 6.11: extintores de incêndios

Fonte: © Freepik

Tipos de Extintores

Extintor a base de água

Esse tipo de extintor é usado para incêndios da Classe A, seu método de extinguir o fogo é por resfriamento de materiais sólidos. Este tipo de extintor é proibido para a utilização de incêndios das Classes B e C.

O uso do extintor à base de água pode causar explosões em incêndios da Classe
O uso do extintor à base de água pode
causar explosões em incêndios da Classe B e
choques elétricos nos incêndios da Classe C.

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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Extintor de espuma mecânica

Este tipo de extintor pode ser usado nos incêndios das Classes A e B, pois ele retira o oxigênio do ar causando o fim do fogo por abafamento ou o fim do incêndio por resfria- mento, pois possui grande quantidade de água em sua composição. Este extintor não deve ser usado em incêndios da Classe C, pois a espuma contém água que é condutora de eletricidade.

Extintor de pó químico seco

Este extintor é usado em incêndios das Classes B e C e a base da extinção do fogo é por retirada do oxigênio. Este extintor é constituído por bicarbonato de sódio.

Extintor de gás carbônico

A base de funcionamento deste extintor é o dióxido de carbono, que é um gás mais den-

so que o ar e atua de modo a retirar o oxigênio do ambiente. Este extintor é indicado

em incêndio das Classes B e C.

Extintor de pó químico especial

Este tipo de extintor é aplicado somente em incêndios da Classe D, ele age isolando o

metal da atmosfera e resfriando o material. O extintor de pó químico especial é compos-

to de cloreto de sódio, grafite ou pó de talco, entre outros.

Extintor de fosfato de monamônico

A base de funcionamento deste extintor é por abafamento, e composto por fosfato

monamônico que é um pó que isola materiais combustíveis da Classe A. Este composto derrete e adere à superfície do material em combustão, impedindo que o combustível sólido tenha outra ignição. Ele pode ser aplicado de forma eficiente em incêndios das Classes A, B e C.

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Segurança em Eletrotécnica

Extintor de acetato de potássio

O composto deste extintor é um pó que se dilui com a água para ficar úmido, esta mistura não tem reação violenta em contato com o óleo, como a água tem, e age por resfriamento. É aplicado em incêndios das Classes A e K.

Utilização do Extintor

extintor deve ser usado de forma correta, pois o mau uso pode agravar e espalhar

O

o

incêndio. Para utilização do extintor deve-se seguir tais procedimentos (BARROS,

et. al., 2014):

Leve o extintor até o local do fogo;

Fique a uma distância segura;

Retire o lacre de segurança, torcendo para o lado. Se não houver esta possibilidade, puxe para fora;

Com o extintor ainda no chão retire o pino de segurança do gatilho;

Retire a mangueira e direcione para a base do fogo;

Fique sempre na direção do vento e nunca contra a direção dele;

Na hora do combate mantenha o extintor erguido e perto do seu corpo, assim, pode se locomover melhor caso seja preciso, principalmente se o vento mudar de direção;

Pressione o gatinho e mantenha apertado até o fim da combustão;

Direcione o jato à base do fogo.

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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77
Figura 6.12: forma de como usar o extintor Banco de Imagens DE (2016) Rótulo de

Figura 6.12: forma de como usar o extintor

Banco de Imagens DE (2016)

Rótulo de classe de fogo

Os rótulos das classes de incêndio dos extintores são divididos em cores e desenhos padronizados:

A Classe A tem cor verde;

A Classe B tem cor vermelha;

A Casse C tem cor azul;

A Classe D tem cor amarela;

A Classe K tem cor preta;

A Classe D tem cor amarela; • A Classe K tem cor preta; Figura 6.13: classes

Figura 6.13: classes de incêndios

Fonte: © Achim Berg/ /Wikimedia Commons

Nesta unidade você aprendeu o que seria uma combustão, como se origina e quais as condições básicas para que a chama se mantenha ou se espalhe. Em seguida, você aprendeu o que seria um incêndio e como ele é formado; também foi apresentado suas formas de propagação e suas classes. Na última parte desta unidade, você aprendeu para que serve um extintor, seus tipos e como ele deve ser aplicado no combate a incêndios.

Ao encerrar esta unidade é imprescindível você ter aprendido desde o que seria uma combustão até a identificação dos extintores por selo. Os conhecimentos apresentados

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78

Segurança em Eletrotécnica

nesta unidade não só são fundamentais para segurança em eletricidade, mas também em situações do dia a dia das pessoas em que é comum ocorrer incêndios.

Pratique

1. Quais são os elementos básicos para a formação de uma combustão?

os elementos básicos para a formação de uma combustão? 2. Como o extintor deve ser usado

2. Como o extintor deve ser usado para apagar o início de um incêndio?

Primeiramente a pessoa deve verificar a classe do incêndio e pegar um extintor que cor- responda a esta classe e seguir os seguintes procedimentos:

Leve o extintor até o local do fogo;

Fique a uma distância segura;

Retire o lacre de segurança, torcendo para o lado. Se não houver esta possibilidade, puxe para fora;

Com o extintor ainda no chão retire o pino de segurança do gatilho;

Retire a mangueira e direcione para a base do fogo;

Fique sempre na direção do vento e nunca contra a direção dele;

Na hora do combate mantenha o extintor erguido e perto do seu corpo, assim pode se locomover melhor caso seja preciso, principalmente se o vento mudar de direção;

Pressione o gatinho e mantenha apertado até o fim da combustão;

Direcione o jato à base do fogo.

Unidade 6 – Procedimentos no trabalho contra incêndio e explosão

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Unidade 7
Unidade
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Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

Unidade 7 Normas regulamentadoras e especificações da NR-10 Banco de Imagens DE (2016)

Banco de Imagens DE (2016)

Nesta unidade serão apresentadas as normas regulamentadoras e especificações NR- 10. Qual é importância de
Nesta unidade serão apresentadas as normas regulamentadoras e especificações NR- 10. Qual é importância de

Nesta unidade serão apresentadas as normas regulamentadoras e especificações NR- 10. Qual é importância de conhecer as normas para realização de atividades relacio- nadas a eletricidade?

As normas regulamentadoras do trabalho são um conjunto regras e procedimentos que foram criadas com intuito preservar a vida das pessoas durante a execução de um trabalho.

Normas regulamentadoras de trabalho

As Normas Regulamentadoras (NR), relativas à segurança e saúde do trabalho, são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judici- ário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O não cumprimento das disposições legais e regulamentadoras sobre segurança e saúde no trabalho acarretará ao empregador a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente (MTE, 2016).

As normas regulamentadoras publicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego estão apresentadas a seguir em formato resumido, elaborado por Neto (2016):

NR 1 – Disposições gerais

Determina que as normas regulamentadoras, relativas à segurança e medicina do traba- lho, obrigatoriamente, deverão ser cumpridas por todas as empresas privadas e públicas, desde que possuam empregados regidos de acordo com a CLT.

Determina, também, que a Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho – SST – é o órgão competente para coordenar, orientar, controlar e supervisionar todas as atividades relacionadas à Segurança do Trabalho.

Da competência às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs) regio- nais, determina as responsabilidades do empregador e a dos empregados.

Segurança em EletrotécnicaRegionais do Trabalho e Emprego (SRTEs) regio- nais, determina as responsabilidades do empregador e a dos

NR 2 – Inspeção prévia

Determina que todo estabelecimento novo deverá solicitar aprovação de suas instalações ao órgão regional do Ministério do Trabalho e Emprego, que emitirá o CAI – Certificado de Aprovação de Instalações –, por meio de modelo pré-estabelecido no próprio site do MTE.

NR 3 – Embargo ou interdição

A SRTE poderá interditar/embargar o estabelecimento, as máquinas e o setor de serviços

se eles demonstrarem grave e iminente risco para o trabalhador, mediante laudo técnico, e/ou exigir providências a serem adotadas para a regularização das irregularidades.

Em caso de interdição ou embargo em um determinado setor ou maquinários ou na empresa toda, os empregados receberão os salários como se estivessem trabalhando.

NR4 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho

A implantação do SESMT depende da gradação do risco da atividade principal da em-

presa (Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE) e do número total de empregados do estabelecimento (Quadro 2).

Dependendo desses elementos, o SESMT deverá ser composto por Engenheiro de Segu- rança do Trabalho, Médico do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, Auxiliar de Enfermagem do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho.

O quantitativo dos membros do SESMT na empresa será definido mediante a quantidade

de empregados da empresa.

O SESMT tem por finalidade promover ações de prevenção e correção dos riscos encon-

trados para tornar o ambiente de trabalho um lugar seguro, compatível com a preserva- ção da saúde, e com a segurança do trabalho.

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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NR 5 – Comissão interna de prevenção de acidentes – CIPA

Todas as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, instituições bene- ficentes, cooperativas, clubes, desde que possuam empregados celetistas, dependendo do grau de risco da empresa e do número mínimo de 20 empregados são obrigadas a manter a CIPA. Este dimensionamento depende da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE –, que remete a outra listagem de número de empregados.

Seu objetivo é a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, tornando compatível o trabalho com a preservação da saúde do trabalhador.

A CIPA é composta de um representante da empresa – Presidente (designado) – e re-

presentantes dos empregados, eleitos em escrutínio secreto, com mandato de um ano e direito a uma reeleição e mais um ano de estabilidade.

Mesmo quando a empresa não precisar de ter membros eleitos de acordo com o di- mensionamento previsto, ela deverá ter um membro designado pelo empregador. Esse designado responderá pelas ações da CIPA na empresa.

NR 6 – Equipamentos de proteção individual

As empresas são obrigadas a fornecer aos seus empregados equipamentos de proteção individual, destinados a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. O EPI deve ser entregue gratuitamente, e a entrega deverá ser registrada.

Todo equipamento deve ter o CA (Certificado de Aprovação) do Ministério do Trabalho e Emprego, além disso, a empresa que importa EPIs também deverá ser registrada junto ao Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho, existindo para esse fim todo um processo administrativo.

NR 7 – Programa de controle médico de saúde ocupacional

Essa norma estabelece, dentre outras coisas, a obrigatoriedade de exames médicos para

as empresas. São eles:

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Segurança em Eletrotécnica

Exame admissional;

Exame periódico;

Retorno ao trabalho;

Mudança de função;

Exame demissional;

E exames complementares, dependendo do grau de risco da empresa, e agentes agresso- res presentes no ambiente de trabalho, a crité- rio do médico do trabalho e dependendo dos quadros na própria NR 7, bem como, na NR 15 (Insalubridade), existirão exames específicos para cada risco que o trabalho possa gerar.

Insalubridade Insalubridade: são condições de trabalho que podem afetar de forma prejudicial à saúde dos
Insalubridade
Insalubridade: são condições de trabalho
que podem afetar de forma prejudicial à
saúde dos trabalhadores.

NR 8 – Edificações

Esta norma define os parâmetros para as edificações, observando-se a proteção contra a chuva, insolação excessiva ou falta de insolação, enfim, busca estabelecer condições do conforto nos locais de trabalho.

É importante observar as legislações pertinentes nos níveis federal, estadual e municipal.

NR 9 – Programa de prevenção de riscos ambientais

Estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implantação do Programa de Prevenção de Ris- cos Ambientais (PPRA) a todas as empresas que admitam trabalhadores como empregados.

O PPRA objetiva a preservação da saúde e integridade do trabalhador, através da ante- cipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes, ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em vista a proteção ao meio ambiente

e até dos recursos naturais.

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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O PPRA é um programa dinâmico e se for levado a sério desde a elaboração até a execu- ção das medidas preventivas, pode contribuir de forma bem significativa para a organiza- ção das ações de prevenção de acidentes e doenças do trabalho dentro de cada empresa.

NR 10 – Instalações e serviços de eletricidade

Visa estabelecer condições mínimas para garantir a segurança daqueles que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas, incluindo projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, cobrindo em nível preventivo usuários e terceiros.

NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais

Estabelece medidas de prevenção a Operação de Elevadores, Guindastes, Transportado- res Industriais e Máquinas Transportadoras.

Trata da padronização dos procedimentos operacionais, e assim, busca garantir a segu- rança de todos os envolvidos na atividade.

NR 12 – Máquinas e equipamentos

Determina, dentre outras coisas, as instalações e áreas de trabalho, distâncias mínimas entre as máquinas; os equipamentos; dispositivos de acionamento, partida e parada das máquinas e equipamentos.

Em seus vários anexos os equipamentos são mostrados de forma bem detalhada, sempre busca a padronização das medidas de prevenção a serem adotadas, a fim de obtermos um trabalho mais seguro em todas as operações com o maquinário.

NR 13 – Caldeiras e vasos de pressão

Estabelece os procedimentos de segurança que devem ser observados nas atividades referentes a projeto de construção, acompanhamento de operação e manutenção, ins- peção e supervisão de inspeção de caldeiras e vasos de pressão.

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Segurança em Eletrotécnica

Norma que exige treinamento específico para os seus operadores, contendo várias clas- sificações e categorias, nas especialidades, devido, principalmente, ao seu elevado grau de risco.

NR 14 – Fornos

Define os parâmetros a serem observados para a instalação de fornos, cuidados com ga- ses, chamas, líquidos. É importante observar as legislações pertinentes nos níveis federal, estadual e municipal.

NR 15 – Atividades e operações insalubres

Com base na NR 15, o termo insalubridade é usado para definir o trabalho em um am- biente hostil à saúde. Tem direito ao adicional de insalubridade devido o trabalhador que exerce suas atividades em condições insalubres nos termos da NR 15.

O artigo 189 DA CLT (Consolidação das leis do trabalho) também estabelece que:

“Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua nature- za, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e o tempo de exposição aos seus efeitos”.

Os agentes causadores de insalubridade estão contidos nos anexos da NR 15, alguns exem- plos de agentes insalubres são: ruído contínuo ou permanente; ruído de impacto; tolerân- cia para exposição ao calor; radiações ionizantes; agentes químicos; e poeiras minerais.

Tanto a NR 15 quanto a NR 16 dependem de perícia, a cargo do Médico do Trabalho ou do Engenheiro de Segurança do Trabalho.

NR 16 – Atividades e operações perigosas

A NR 16 normatiza um adicional de 30% sobre o salário para o trabalho que exerce sua atividade em situação perigosa.

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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A atividade é considerada perigosa quando tem potencial para causar dano imediato ao

trabalhador, por exemplo, atividades ligadas a explosivos, inflamáveis e energia elétrica.

Vale ressaltar que a atividade para ser considerada perigosa tem que estar listada na NR 16 do Ministério do Trabalho e Emprego.

NR 17 – Ergonomia

Esta norma estabelece os parâmetros que permitem a adaptação das condições de tra- balho às características psicofisiológicas do homem. Máquinas, ambiente, comunicações dos elementos do sistema, informações, processamento, tomadas de decisões, organi- zação, tudo isso gera consequências ao trabalhador, devendo ser avaliados, e, se neces- sário, reorganizado.

Observe-se que as LER – Lesões por Esforços Repetitivos – e as denominadas DORT – Do- ença Osteomuscular – relacionadas ao trabalho constituem o principal grupo de proble- mas à saúde, reconhecidos pela sua relação laboral.

O termo DORT é muito mais abrangente que o termo LER, constante hoje das relações

de doenças profissionais da Previdência.

NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção

Destina a regulamentar o elenco de providências a serem executadas, em função do cro- nograma de uma obra, levando-se em conta os riscos de acidentes, doenças do trabalho

e suas respectivas medidas de segurança.

É sem dúvidas uma das legislações mais completas de todas as 35 que vigoram atu- almente.

NR 19 – Explosivos

Determina parâmetros para o depósito, manuseio e armazenagem de explosivos, objeti- vando regulamentar medidas de segurança para esse tipo de trabalho que é de alto risco.

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Segurança em Eletrotécnica

NR 20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis

Define os parâmetros para as atividades de extração, produção, armazenamento, trans- ferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis.

NR 21 – Trabalho a céu aberto

Define o tipo de proteção que deve ser fornecida pela empresa aos trabalhadores que atuam sem abrigo contra intempéries (insolação, condições sanitárias, água, etc.).

NR 22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração

Estabelece normas para a segurança dos trabalhadores indústria da mineração, objeti- vando a busca permanente por um ambiente de trabalho seguro.

A mineração tem normas bem específicas. Alguns itens são exclusivos da mineração, como o PGR (Programa de Gerenciamento de Risco) e o CIPAMIN.

NR 23 – Proteção contra incêndios

Em 2011 essa norma foi alterada e já não tem muito a oferecer. Todas as empresas de- vem possuir proteção contra incêndio; saídas para retirada de pessoal em serviço e/ou público; pessoal treinado; e equipamentos.

Todas as questões relacionadas a incêndios devem ser resolvidas observando as legisla- ções estaduais do Corpo de Bombeiros.

NR 24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais do trabalho

Todo estabelecimento deve atender as denominações desta norma. Ele busca adequar banheiros, vestiários, refeitórios, alojamentos e outras questões de conforto.

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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Cabe a CIPA ou ao SESMT (onde houver), a observância e o cumprimento desta norma. É importante observar também, se nas Convenções Coletivas de Trabalho de sua categoria existe algum item sobre o assunto.

NR 25 – Resíduos industriais

Trata da eliminação dos resíduos gasosos, sólidos, líquidos de alta toxidade, periculosida- de, risco biológico, radioativo, relativos ao trabalho.

No caso de eliminação de resíduos, é importante consultar as normas estaduais e muni- cipais relacionadas.

NR 26 – Sinalização de segurança

Em 2011 a NR 26 foi alterada e já não oferece muito. Ela determina as cores a serem observadas na segurança do trabalho como forma de prevenção, evitando a distração, confusão e fadiga do trabalhador, bem como cuidados especiais quanto a produtos e locais perigosos.

Qualquer dúvida sobre o tema deve ser esclarecida com as normas estaduais e NBR’s.

NR 27 – Registro profissional do técnico de segurança

Apesar de ainda constar em todos os livros de NR, esta norma foi revogada.

NR 28 – Fiscalização e penalidades

Estabelece os procedimentos a serem adotados pela fiscalização trabalhista de segurança e medicina do trabalho, tanto a concessão de prazos às empresas para a correção de irre- gularidades técnicas, como também no que concerne ao procedimento de autuação por infração às Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do trabalho, e valores de multas.

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Segurança em Eletrotécnica

NR 29 – Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho portuário

Tem por objetivo regulamentar a proteção e prevenção contra acidentes e doenças pro- fissionais, facilitar os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários.

As disposições contidas nesta NR aplicam-se aos trabalhadores portuários em operações tanto a bordo quanto em terra, assim como aos demais trabalhadores que exerçam ativi- dades nos portos organizados e instalações portuárias de uso privativo e retroportuárias, situadas dentro ou fora da área do porto organizado.

NR 30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário

Aplica-se aos trabalhadores de toda embarcação comercial utilizada no transporte de mercadorias ou de passageiros; na navegação marítima de longo curso; na cabota- gem;, na navegação interior; no serviço de reboque em alto-mar; bem como em pla- taformas marítimas e fluviais, quando em deslocamento; e embarcações de apoio marítimo e portuário.

A observância desta Norma Regulamentadora não desobriga as empresas do cumpri- mento de outras disposições legais com relação à matéria e outras oriundas de conven- ções, acordos e contratos coletivos de trabalho.

NR 31- Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura

Estabelece os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento de quaisquer ativida- des de agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura com a segu- rança, saúde e o meio ambiente do trabalho.

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde

Tem por finalidade estabelecer diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.

Norma bem específica para regulamentar inclusive os programas de prevenção que têm traços bem particulares nesta atividade.

NR 33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados

Tem por objetivo estabelecer requisitos mínimos para a identificação de espaços confina- dos e o controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a seguran- ça e a saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nesses espaços.

Entende-se por espaço confinado qualquer área não projetada para ocupação humana, que tenha meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação seja insuficiente para re- mover os contaminantes, que possa existir enriquecimento ou insuficiência de oxigênio exigido para uma respiração natural.

NR 34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e reparação naval

Estabelece requisitos mínimos às medidas de proteção e segurança, à saúde e ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de construção e reparação naval. Englo- ba assuntos como APR (Análise Preliminar de Risco), DDS (Diálogo Diário de Segurança), PT (Permissão de Trabalho), EPI (Equipamento de Proteção Individual), EPC (Equipamento de Proteção Coletiva), dentre outros.

NR 35 – Trabalho em altura

Estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altu- ra, envolvendo o planejamento, a organização, a execução, o treinamento de funcioná-

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Segurança em Eletrotécnica

rios, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade.

NR 36 – Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados

O objetivo da Norma Regulamentadora 36 é estabelecer os requisitos mínimos para

a avaliação, controle e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desen-

volvidas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano.

A NR 36 visa o estabelecimento e procedimentos

de trabalho de forma a garantir permanentemen-

te a segurança, a saúde e a qualidade de vida no

trabalho, sem causar prejuízo da observância do normatizado nas demais Normas Regulamenta- doras do Ministério do Trabalho e Emprego.

Cada Norma Regulamentar se refere a cada tipo específico de atividade, mas é comum que
Cada Norma Regulamentar se refere a
cada tipo específico de atividade, mas
é comum que uma atividade tenha que
estar de acordo com duas ou mais normas
regulamentares.

NR-10 e suas especificações

Esta norma regulamentadora é aplicada na segurança em instalações e serviços em eletricidade, sendo suas especificações divididas em 14 itens. A NR-10 e suas especi- ficações são apresentadas a seguir:

10.1 – OBJETIVOS E CAMPO DE APLICAÇÃO;

10.2 – MEDIDAS DE CONTROLE;

10.3 – SEGURANÇA EM PROJETOS;

10.4 – SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO, MONTAGEM, OPERAÇÃO E MANU- TENÇÃO;

10.5 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DESENERGIZADAS;

10.6 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ENERGIZADAS;

Unidade 7 – Normas regulamentadoras e especificações da NR-10

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10.7 – TRABALHOS ENVOLVENDO ALTA TENSÃO;

10.8 – HABILITAÇÃO, QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES;

10.9 – PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÃO;

10.10 – SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA;

10.11 – PROCEDIMENTOS DE TRABALHO;

10.12 – SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA;

10.13 – RESPONSABILIDADES;

10.14 – DISPOSIÇÕES FINAIS.

Nesta unidade, não serão apresentadas as especificações de cada item, mas essa tarefa ocorrerá nas próximas unidades nas aplicações de serviços relacionados à eletricidade.

Nesta unidade foi apresentado a você as normas regulamentadoras e os itens da NR-10 referentes aos procedimentos de segurança em trabalhos relacionados à manipulação de eletricidade.

Nas próximas unidades você conhecerá as especificações dos principais itens da NR-10, é importante que você conheça a NR-10 e use sempre como manual ou guia na execução, manutenção, operação e acompanhamento de atividades e projetos. As atividades que você irá realizar ou acompanhar na área de eletrotécnica devem estar de acordo com a NR-10 ou também com outra norma regulamentadora se necessário.

O estudo da NR-10 pode ser monótono ou cansativo com a grande quantidade de itens que devem ser seguidos, mas lembre-se de que estes itens, se seguidos corretamente, o ajudarão a executar atividades no seu trabalho de forma segura. Assim minimizará riscos de acidentes com eletricidade, não preservando somente a sua saúde, mas também a de outras pessoas.

Pratique

A NR-10 é aplicada para qual tipo de serviço?

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Segurança em Eletrotécnica

também a de outras pessoas. Pratique • A NR-10 é aplicada para qual tipo de serviço?
Unidade 8
Unidade
8

Segurança de projetos, procedi- mentos de manutenção de redes energizadas e não energizadas

Fonte: ©Ibaf2008/Wikimedia Commons

Nesta unidade você estudará os procedimentos de manutenção e segurança desti- nados a sistemas elétricos e instalações elétricas que operam muitas vezes em alta tensão. Quais são os riscos da alta tensão?Os procedimentos de segurança e manutenção visam garantir a saúde de pessoas que trabalham com

elétricos e instalações elétricas que operam muitas vezes em alta tensão. Quais são os riscos da
elétricos e instalações elétricas que operam muitas vezes em alta tensão. Quais são os riscos da
Os procedimentos de segurança e manutenção visam garantir a saúde de pessoas que trabalham com

Os procedimentos de segurança e manutenção visam garantir a saúde de pessoas que trabalham com instalações elétricas.

Segurança em projetos

Segundo o item 10.3 da NR-10 (2016) referente à segurança em projetos, em uma

instalação elétrica deve ter especificações da utilização de dispositivos de desligamento de circuitos e previsão de dispositivos de seccionamento de ação simultânea. O projeto deve considerar o espaço seguro, quanto ao dimensionamento e a localização de seus componentes e as influências externas, quando da operação e da realização de servi- ços de construção e manutenção. O projeto deve definir o esquema de aterramento;

se tecnicamente viável, deve ser incorporado a dispositivos de seccionamento, além da

adoção de um esquema de aterramento temporário necessário. O projeto de instala- ções elétricas deve ficar à disposição de profissionais autorizados e sempre atualizado pela empresa.

O

item 10.3.9 estabelece que o memorial descritivo do projeto deve conter, no mínimo,

os

seguintes itens de segurança:

a)

especificação das características relativas à proteção contra choques elétricos, quei- maduras e outros riscos adicionais;

b)

indicação de posição dos dispositivos de manobra dos circuitos elétricos: (Verde - “D”, desligado; e Vermelho - “L”, ligado);

c)

descrição do sistema de identificação de circuitos elétricos e equipamentos, incluindo dispositivos de manobra, de controle, de proteção, de intertravamento, dos conduto- res e os próprios equipamentos e estruturas, definindo como tais indicações devem ser aplicadas fisicamente nos componentes das instalações;

d)

recomendações de restrições e advertências quanto ao acesso de pessoas aos com- ponentes das instalações;

e)

precauções aplicáveis em face das influências externas;

f)

o princípio funcional dos dispositivos de proteção, constantes do projeto, destinados à segurança das pessoas;

Segurança em Eletrotécnicaf) o princípio funcional dos dispositivos de proteção, constantes do projeto, destinados à segurança das pessoas;

g) descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção com a instalação elétrica.

Segurança em instalações elétricas desenergizadas

Todas as atividades envolvendo manutenção no setor elétrico devem priorizar os traba- lhos com circuitos desenergizados. Apesar de desenergizadas devem obedecer a proce- dimentos e medidas de segurança adequado (CPNSP, 2005).

Segundo a NR-10 (2016), somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétri- cas liberadas para serviços mediante os procedimentos apropriados: seccionamento, impe- dimento de reenergização, constatação da ausência de tensão, instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos, proteção dos elementos energizados existentes, instalação da sinalização de impedimento de energização.

da sinalização de impedimento de energização. Figura 8.1: Atividade em rede elétrica desenergizada Fonte:

Figura 8.1: Atividade em rede elétrica desenergizada

Fonte: © Andrevruas/Wikimedia Commons

Manutenção em linhas de transmissão energizadas

A manutenção de linhas vivas deve ser reali- zada mediante a adoção de procedimentos e metodologias que garantam a segurança dos trabalhadores. Nesta condição de trabalho as atividades devem ser realizadas mediante os mé- todos abaixo descritos (CPNSP, 2005):

Linhas vivas termo que se refere às linhas de transmissão energizadas.
Linhas vivas
termo que se refere às linhas de transmissão
energizadas.

Unidade 8 – Segurança de projetos, procedimentos de manutenção de redes energizadas e não energizadas

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Método ao contato

O trabalhador tem contato com a rede energizada, mas não fica no mesmo potencial da rede elétrica, pois está devidamente isolado desta, utilizando equipamentos de proteção individual e equipamentos de proteção coletiva adequados a tensão da rede.

de proteção coletiva adequados a tensão da rede. Figura 8.2: Método de contato Fonte: ©CNFL/Flickr Método

Figura 8.2: Método de contato

Fonte: ©CNFL/Flickr

Método ao potencial

É o método onde o trabalhador fica em contato direto com a tensão da rede, no mesmo potencial. Nesse método é necessário o emprego de medidas de segurança que garan- tam o mesmo potencial elétrico no corpo inteiro do trabalhador, devendo ser utilizado conjunto de vestimenta condutiva (roupas, capuzes, luvas e botas), ligadas através de cabo condutor elétrico e cinto à rede objeto da atividade.

cabo condutor elétrico e cinto à rede objeto da atividade. Figura 8.3: Método ao potencial Fonte:

Figura 8.3: Método ao potencial

Fonte: © htraue/Pixabay

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Segurança em Eletrotécnica

Método à distância

É o método onde o trabalhador interage com a parte energizada a uma distância segura, através do emprego de procedimentos, estruturas, equipamentos, ferramentas e dispo- sitivos isolantes apropriados.

ferramentas e dispo- sitivos isolantes apropriados. Figura 8.4: Método à distância Fonte: ©

Figura 8.4: Método à distância

Fonte: © BotMultichillT/Wikimedia Commons.

Zona de Risco e Zona Controlada

As Zonas de Risco (ZR) e Zona Controlada (ZC) são distâncias delimitadas estabelecidas pela NR-10 para aproximação dos trabalhadores habilitados e autorizados para execu- ção de serviços.

A ZR é o entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível inclusive

acidentalmente, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja apro- ximação só é permitida a profissionais autorizados e com a adoção de técnicas e instru- mentos apropriados de trabalho.

A ZC é o entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível, de dimen-

sões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida a

profissionais autorizados.

Unidade 8 – Segurança de projetos, procedimentos de manutenção de redes energizadas e não energizadas

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Tabela 8.1: Tabelas de raios de delimitação de zonas de risco, controlado e livre.

Faixa de tensão Nominal da instalação elétrica em kV

Rr - Raio de Delimitação entre zona de risco e controlada em metros

Rc - Raio de delimitação entre zona controlada e livre em metros

<1

0,20

0,70

1 e <3

0,22

1,22

3 e <6

0,25

1,25

6 e <10

0,35

1,35

10 e <15

0,38

1,38

15 e <20

0,40

1,40

20 e <30

0,56

1,56

30 e <36

0,58

1,58

36 e <45

0,63

1,63

45 e <60

0,83

1,83

60 e <70

0,90

1,90

70 e <110

1,00

2,00

110 e <132

1,10

3,10

132 e <150

1,20

3,20

150 e <220

1,60

3,60

220 e <275

1,80

3,80

275 e <380

2,50

4,50

380 e <480

3,20

5,20

480 e <700

5,20

7,20

Fonte: NBR-10 (2016)

≥ 480 e <700 5,20 7,20 Fonte: NBR-10 (2016) Figura 8.5: Distâncias no ar que delimitam

Figura 8.5: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre: (a) sem interposição de superfície de separação física adequada; (b) com interposição de superfície de separação física adequada.

Banco de Imagens DE (2016)

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Segurança em Eletrotécnica

Segurança em atividade com Alta Tensão

Os profissionais que forem executar atividades com alta tensão em instalações elétricas ou em um sistema elétrico de potência devem seguir os itens estabelecidos pela NR-10.

No item 10.7.1 estabelece que os trabalhadores que intervenham em instalações elétricas energiza- das com alta tensão (AT), que exerçam suas ativi- dades dentro dos limites estabelecidos como zonas controladas e de risco, conforme Anexo II, devem atender ao disposto no item 10.8 da NR-10.

Para saber mais sobre zona de risco e controlada, consulte o site < http:// ambientesst.com.br/zona-controlada-
Para saber mais
sobre
zona
de
risco
e controlada, consulte o site < http://
ambientesst.com.br/zona-controlada-
nr-10/.> Acesso em out de 2016.

No item 10.7.2 estabelece que os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem rece- ber treinamento de segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determina- ções estabelecidas no Anexo III da NR-10.

O item 10.7.3 estabelece que os serviços em instalações elétricas energizadas em AT,

bem como aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP –, não podem ser realizados individualmente.

O item10.7.4 estabelece que todo trabalho em instalações elétricas energizadas em AT,

bem como aquelas que interajam com o SEP, somente pode ser realizado mediante or- dem de serviço específica para data e local, assinada por superior responsável pela área.

O item 10.7.5 estabelece que antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em AT,

o superior imediato e a equipe, responsáveis pela execução do serviço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas de forma a atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança em eletricidade aplicáveis ao serviço.

O item 10.7.6 estabelece que os serviços em instalações elétricas energizadas em AT

somente podem ser realizados quando houver procedimentos específicos, detalhados e

assinados por profissional autorizado.

O item 10.7.7 estabelece que a intervenção em instalações elétricas energizadas em AT

dentro dos limites estabelecidos como zona de risco somente pode ser realizada median-