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RELATO DE CASO CLÍNICO

Tratamento Fisioterapêutico em fratura de diáfise de tíbia e


fíbula: relato de caso
Physiotherapeutic treatment in tibial and fibular diaphysis fracture: case report

Vitória Caroline Baldissera¹


RESUMO
Introdução: A fratura exposta de tíbia e fíbula é um dos eventos traumáticos mais ocorridos nos
tempos atuais em acidentes automobilísticos, principalmente devido a sua peculiaridade anatômica. O
tratamento fisioterapêutico no pós-operatório deve ser imediato para evitar sequelas tardias,
essencialmente quando acomete tecidos moles vizinhos à fratura. Objetivo: O objetivo deste estudo é
apresentar um relato de caso de tratamento fisiotepêutico e justificar cientificamente as técnicas
utilizadas. Metodologia: Técnicas como mobilização articular, petrissage, alongamentos e
fortalecimentos são essenciais no tratamento para estes casos, para restauração e/ou manutenção da
funcionalidade do sistema musculo esquelético que foi traumatizado. Resultados: Ouve melhora
significativa na ADM ativa do paciente descrito, assim como ganhos funcionais. Conclusão: Podemos
concluir que a fisioterapia tem grande importância na recuperação funcional desses indivíduos,
devolvendo a integridade funcional para o individuo.
Palavras-chave: Fratura exposta. Tíbia. Fisioterapia.

SUMMARY
Introduction: The exposed fracture of the tibia and fibula is one of the most frequent traumatic events
in automobile accidents, mainly due to its anatomical peculiarity. Physical therapy in the
postoperative period should be immediate to avoid late sequelae, essentially when it affects soft
tissues adjacent to the fracture. Objective: The purpose of this study is to present a case report of
physiotherapeutic treatment and to justify scientifically the techniques used. Methodology:
Techniques such as joint mobilization, petrissage, stretching and strengthening are essential in the
treatment of these cases, in order to restore and / or maintain the functionality of the skeletal muscle
system that has been traumatized. Results: Hearing significant improvement in the active ADM of the
described patient, as well as functional gains. Conclusion: We can conclude that physical therapy has
great importance in the functional recovery of these individuals, returning the functional integrity to
the individual.
Keywords: Exposed fracture. Tibia. Physiotherapy.

Trabalho Realizado pela acadêmica do curso de Fisioterapia da Universidade Feevale /RS.


¹ Acadêmica do Curso de Fisioterapia 8° Semestre da Universidade Feevale.
INTRODUÇÃO A fixação externa é uma técnica
menos traumática, que permite uma
A fratura exposta de tíbia é uma das
cicatrização e recuperação rápida com a
mais comuns devido a sua estrutura
manutenção da mobilidade e função do
anatômica particular e a pouca quantidade
membro fraturado. O principal objetivo é
de tecido mole que recobre o osso, sendo a
promover a formação de calo ósseo e
terceira localização mais comum de
estimular a recuperação precoce da
fraturas dos ossos longos (FRANCO,
atividade muscular, mobilidade articular e
2013). As causas mais frequentes dessa
transmissão de carga (FRANCO, 2013).
fratura exposta são traumas de alta energia,
acidentes automobilísticos, motociclístico A velocidade de consolidação óssea

e atropelamentos, além das fraturas por em fratura de tíbia depende do padrão da

projétil de arma de fogo (HUNGRIA e fratura e da extensão das lesões aos tecidos

MERCADANTE, 2008). moles. A principal irrigação sanguínea


para a diáfise tibial ocorre por um ramo da
Métodos de tratamento adequados
artéria tibial posterior. Fraturas expostas
são necessários para que se possa evitar o
exibem lesões muito mais significativas
aparecimento de falhas de consolidação,
aos tecidos moles, e geralmente levam
consolidações viciosas e reoperações
mais tempo para consolidação
(CARDOZO e colab., 2013). Existem
(HOPPENFELD, 2001).
muitos métodos para estabilização de
fraturas expostas, sendo que os fixadores O período de recuperação pós-

externos, hastes intramedulares e placas cirurgia ortopédica demanda um período

são os mais frequentemente usados. As de imobilização para recuperação e

fraturas expostas de tíbia são consolidação do tecido ósseo, sendo que

frequentemente indicadas para a fixação esse imobilismo, se não receber o

externa (BALBACHEVSKY e colab., tratamento e os cuidados devidos podem

2005). acarretar sequelas e limitações físicas e até


psicológicas ao paciente (SANTOS, 2007).
O fixador externo é o tratamento
cirúrgico mais indicado por ser eficiente na O tratamento das fraturas da tíbia

estabilização e minimizar o sangramento o associada à fratura da fíbula no mesmo

qual é utilizado quando ocorrem fraturas nível se torna ainda mais difícil. Este tipo

abertas, fechadas cominutivas e de fratura reflete um mecanismo de lesão

segmentares, com lesões vasculares, de alta energia e causa aumento da

politraumatizados e quando o tratamento instabilidade rotacional e ruptura das partes

conservador não obteve resultados moles. Outra preocupação é viabilidade da

positivos. (PEIXOTO, 2015) membrana interóssea. Quando a fíbula está


fraturada no mesmo nível da tíbia, a o fisioterapeuta possa conhecer o tipo de
membrana interóssea pode não permanecer fratura, a técnica cirúrgica e o material
intacta e consequentemente, o fragmento utilizado na fixação da mesma, além dos
distal da fratura poderá se mover em varo resultados provenientes da cirurgia, pois
ou valgo devido à falta de estabilidade da desta forma o profissional irá traçar
membrana (BALBACHEVSKY e colab., objetivos e conduta adequados para o
2005). tratamento fisioterapêutico, que inclui as

O programa de tratamento restrições em alguns movimentos, à

fisioterapêutico geralmente se inicia após a descarga de peso no membro e o tempo de

colocação do fixador externo, deve ser deambulação, possibilitando desta forma

realizada uma avaliação inicial das um resultado eficaz ao tratamento.

condições gerais do paciente. Caso não O objetivo deste estudo é apresentar


haja o tratamento precoce, há um relato de caso, analisar os diversos
consequências deletérias como edema do tratamentos com base científica e
membro acometido, inflamação dos comprovada que justificasse as condutas
orifícios dos fios, rigidez ativa temporária, propostas e realizadas no paciente
limitação da amplitude de movimento das relatado e identificar as evoluções
articulações adjacentes, déficit de força funcionais a partir das condutas
muscular, propriocepção e entre outros realizadas.
(ALVES e colab., 2011). RELATO DE CASO
O tratamento fisioterapêutico traz Homem, sexo masculino, 18 anos de
benefícios essenciais para melhorar o idade, encaminhado para atendimento
prognóstico e a funcionalidade do paciente, fisioterapêutico em uma Clínica Escola de
minimizando os efeitos deletérios da Fisioterapia situada na cidade de Novo
imobilização bem como no próprio trauma. Hamburgo da Universidade Feevale, de pós-
A fisioterapia também atua nas cirúrgico de colocação de haste fixa linear por
complicações vasculares, mudanças fratura exposta de diáfise de tíbia.
posturais para combater as escaras,
Primeiramente foi realizada uma
mobilização muscular e vascular para
anamnese onde foram colhidos dados com o
impedir o tromboembolismo, cuidados
paciente. Paciente conta que no dia 01 de
específicos com a região traumatizada para
novembro de 2017, estava a caminho do
evitar a perda das funções (PEIXOTO,
trabalho quando uma condutora colidiu em sua
2015).
motocicleta, atingindo sua perna direita com o
Para Santos et al., 2007, é preciso para-choque do carro, ocasionando uma fratura
realizar uma avaliação adequada para que exposta da diáfise tíbia (ANEXO 1) e fratura
fechada de diáfise de fíbula. Paciente ficou Paciente fica a maior parte do tempo
consciente durante toda sistemática. Pessoas em casa, mora com a esposa, e está afastado
que estavam no local do acidente do trabalho pelo INSS.
automobilístico chamaram a SAMU, onde Paciente não faz uso de nenhuma
então o paciente foi encaminhado medicação. Faz uso de dispositivo auxiliar
imediatamente para a emergência do Hospital (muletas canadenses) para deambulação. No
Municipal de Novo Hamburgo. No primeiro exame físico realizado no primeiro dia de
dia de internação, foi realizada cirurgia atendimento, foram observadas deformidades
colocando fixador externo linear na fratura musculares causadas na região da fratura de
exposta da tíbia e colocação de haste tíbia. Na palpação, há perda da sensibilidade
intramedular na fratura fechada de fíbula nos dermátomos de L4, L5 e S1. Na inspeção,
(ANEXO 2 E 3). Ouve também reconstrução havia edema intra-articular na região de tálus,
de músculos, porém, paciente não soube relatar calcâneo e edema superficial no dorso do pé.
quais e não há exames que constem estes Queloide importante na região póstero-medial
dados. No dia 29 de novembro de 2017, foi e na região ântero-lateral da perna direita
realizado enxertia de pele, retirada da coxa (ANEXO 4, 5 e 6).
direita para inserção no local da fratura (região
Foi realizado goniometria em cadeia
póstero-medial da perna direita). Paciente ficou
cinética aberta de flexão dorsal e plantar no
internado durante 37 dias no hospital. Iniciou
tornozelo direito. Onde obtive os seguintes
fisioterapia desde o pós-operatório. Após alta
resultados: flexão dorsal = 5° e flexão plantar
hospitalar, iniciou fisioterapia na Clínica
= 8°. Demais articulações com amplitude
Escola da Universidade Feevale em março de
preservada.
2018. Paciente relata também que após três
Foi realizado também teste de força
meses de cirurgia, acidentalmente realizou um
muscular manual para flexão dorsal, plantar,
apoio unipodal forçado do membro inferior
eversão e inversão do tornozelo direito, onde
direito, ocasionando um deslocamento da
obtivemos os seguintes dados: flexão dorsal
consolidação da fratura da tíbia, tendo que ser
grau 2, flexão plantar grau 4, eversão e
realizado uma nova cirurgia para ajuste das
inversão com grau 4.
hastes. Faz acompanhamento com
traumatologista. A queixa principal referida O diagnóstico cinesiológico funcional é
pelo paciente é “Não consigo movimentar dado como perda da sensibilidade em
muito meu pé direito.”, paciente também dermátomos L4, L5 e S1, perda de ADM de
relatou ter o desejo de conseguir voltar a mexer flexão dorsal e plantar e perda de força
o pé para voltar a dirigir. Paciente não possui muscular em flexão dorsal e plantar, eversores
doenças associadas, não tem nenhum histórico e inversores do pé direito, ocasionando perda
de internações por motivos semelhantes. da funcionalidade da perna e pé do membro
inferior direito. orientações foram constantes para ser
A partir do diagnóstico, foram traçados realizado a domicilio, como manter o membro
objetivos de acordo com a avaliação realizada. inferior elevado, realizar crioterapia. Foi
De maneira especifica, pontuamos as realizado então ultrassom pulsado a 48 Hz,
necessidades a serem trabalhadas, visando 0,7 W/cm², com duração em média de 10
melhorar a qualidade de vida do paciente e minutos (ANEXO 7), além da massagem de
diminuir as dificuldades presentes, sendo drenagem linfática manual e crioterapia para
assim, estipulamos como objetivos principais diminuição de edema.
diminuir edema, dessensibilizar e melhorar Os benefícios da drenagem linfática
mobilidade das cicatrizes, melhorar manual são vistos também em edemas
sensibilidade superficiais dos dermátomos de linfáticos congênitos e traumáticos. Casos
L4, L5 e S1, aumentar ADM de dorsi, planti clínicos de seis adolescentes com edema
flexores, eversores e inversores do pé, congênito e traumático em extremidades com
aumentar força muscular de dorsi, planti idade entre 13 e 17 anos. O tratamento
flexores, eversores, inversores do pé e empregado nos pacientes foi a técnica de
estabilizadores de quadril e melhorar descarga drenagem linfática manual durante 30 dias.
de peso no membro inferior afetado. Foi constatada a redução do linfedema em
todos os pacientes através de medidas
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO antropométricas comparativas no início e final

O tratamento fisioterapêutico proposto do tratamento. (MARIA, José e colab., 2016)

para o paciente foram traçados através dos O ultrassom terapêutico, efetivamente


objetivos a serem alcançados para melhorar as reduz o edema, aumentam o fluxo sanguíneo
alterações funcionais descritas no exame local, relaxa os músculos e aliviam a dor,
físico. As abordagens propostas foram: acelera o reparo tecidual e modifica a
drenagem linfática manual, ultrassom e formação de cicatrizes. É uma modalidade de
crioterapia, para diminuição de edema. terapia física amplamente utilizada para tratar
Utilização de objetos com superfícies variadas lesões em diversos tecidos. Este recurso
para dessensibilização das queloides. aumenta o fluxo sanguíneo, a permeabilidade
Petrissage para mobilização de queloides. de membranas e a ativação de fibroblastos,
Mobilizações articulares. Alongamentos. com aumento na produção de colágeno.
Exercícios ativos livres e resistidos. (KORSTJENS e colab., 2004)

Nos primeiros atendimentos O ultrassom aumenta a taxa de


fisioterapêuticos, paciente chegava ao metabolismo local no tecido, diminuiu a
atendimento com edema intra-articular sensibilidade de elementos neurais e alivia a
importante no tornozelo direito. As dor e o espasmo muscular. (WEIMANN,
2004) Após o reparo nervoso, outros fatores

O ultrassom também causa uma relacionados tanto ao sistema nervoso central

vasodilatação na área com hiperemia e quanto ao periférico parecem determinar a

aumento do fluxo sanguíneo, aumentando a recuperação da sensibilidade e da função no

permeabilidade celular, auxiliando no retorno local afetado, dependendo, por exemplo, da

venoso e linfático, favorecendo a reabsorção quantidade de tecido cicatricial formado, da

de edemas, incremento do metabolismo local, ocorrência de reinervação cruzada e atrofia

com a estimulação das funções celulares e da dos órgãos terminais. (MENDES e colab.,

capacidade de regeneração celular. Além do 2008)

efeito analgésico, integração de enxertos de Definem dessensibilização como


pele e também na cicatrização tendinosa. estímulos sensitivos que irão levar ao
(MARIA, Vera e colab., 2008) saturamento dos receptores das vias aferentes

Através da crioterapia os processos sensitivas, visando uma normalização da

químicos e biológicos tornam-se mais lentos. sensibilidade local. Objetiva-se com isso,

É possível utilizá-la para a redução de dor e diminuir a hipersensibilidade local, mediante

do edema. Os efeitos locais de aplicação do movimentos lentos e graduais, começando do

frio incluem vasoconstricção e diminuição da estímulo mais fino para o mais áspero, sendo

taxa metabólica, reduzindo a velocidade de passado de uma fase para outra à medida em

condução nervosa (ALVES et al, 2011). que o paciente relatar não ser mais um
incômodo o estímulo realizado pelo
Foi realizado também dessensibilização
fisioterapeuta. (DALL e colab., 2005)
superficial cutânea nos trajetos dos
dermátomos de L4, L5 e S1, assim como em Após o enxerto estar estável e as margens

cima das queloides, com objetos de totalmente cicatrizadas, a massagem poderá

superfícies variadas, como esponjas e bola ser iniciada. A petrissage deverá ser

cravo. Também, foi utilizado a técnica de inicialmente, realizada nas bordas do enxerto

petrissage, que inclui amassamento, com movimentos pequenos e pouca pressão.

beliscamento, torcedura e rolamento da pele É importante evitar a pressão e o tocar de leve

para melhorar o fluxo sanguíneo e linfático, na pele. O objetivo é amaciar e mobilizar o

relaxar as estruturas e diminuir a aderência tecido enxertado para proporcionar liberdade

das quelóides. de movimento e melhorar a nutrição,


restaurando a função. A petrissage, poder ser
A regeneração de nervos periféricos após
utilizada em regiões cicatrizadas, enxertadas
uma lesão é influenciada por uma série de
ou áreas doadoras, desde que observado o tipo
fatores, como a idade do indivíduo, o nível e a
de cicatriz. Ela tem a finalidade de melhorar a
extensão da lesão, o tempo antes do reparo
aparência do plano cicatricial e liberar
nervoso e a presença de lesões associadas.
aderências, tornando o tecido mais elástico e
uniforme. (HELENA e LEÃO, 2011) região de antepé apoiada forçando a flexão

Existem algumas técnicas de petrissage dorsal do pé.

que podem ser utilizadas nas cicatrizes, com A fisioterapia dispõe de técnicas de
manobras que melhoram a circulação mobilização articular, utilizadas para tratar
sanguínea. Pressões que devem ser disfunções articulares como rigidez e
acompanhadas de fricção para mobilizar a hipomobilidade, e o alongamento para a
cicatriz nos planos profundos, estiramentos obtenção do aumento da amplitude de
que combatem a capacidade de retração das movimento. Desta forma a cinesioterapia é
fibras de colágeno, amassamento que uma modalidade de tratamento que consiste
modifica a espessura do tecido, melhora a em administrar exercícios terapêuticos
fibrose e combatem as aderências, (ALVES et al, 2010).
pinçamento que atua sobre a fibrose, As trações articulares usadas junto com as
rolamento o qual consiste em rolar o plano técnicas de mobilização e alongamento
superficial da pele sobre o profundo atuando diminuem dor articular e espasmo dos
deste sobre a fibrose e aderências. (HELENA músculos periarticulares. As técnicas de
e LEÃO, 2011) mobilização articular são usadas para
Foram realizadas também, mobilizações recuperar a ADM. (KISNER; COLBY, 1998)
articulares, das articular tíbio-talar póstero- A técnica de mobilização articular
anterior para ganho de flexão dorsal, antero- melhora a mobilidade e reduz a dor articular,
posterior para ganho de flexão plantar permitindo a amplitude de movimento
mobilização de cabeça de fíbula no sentido completa, irrestrita e indolor. Assim, a
póstero-anterior para ganho de flexão dorsal, mobilização é indicada quando há
mobilização de calcâneo para ganho de hipomobilidade, rigidez, contraturas
eversão e inversão, mobilização de tálus no articulares, dor articular e limitação da
sentido antero-posterior para ganho de flexão amplitude de movimento, devido atuar na
dorsal e mobilização de tálus no sentido redução da dor, no alongamento dos tecidos
póstero-anterior para ganho de flexão plantar. em torno da articulação, especialmente o
Foram utilizadas também mobilizações ativas tecido capsular ou tendíneo e oferecer efeitos
como o MWM (ANEXO 8) para ganho de proprioceptivos para melhorar a consciência
amplitude de movimento de flexão dorsal do postural. (SOUSA; MEJIA, 2011)
pé, com banda elástica em volta da
As mobilizações com movimento
articulação tíbio-talar e presa no espaldar,
(MWM), estudadas por Mulligan, que se
onde então o paciente se encontra ajoelhado
aplica na combinação de movimentos
com joelho contra lateral e o membro inferior
acessórios com movimentos fisiológicos. A
a ser trabalhado com quadril e joelho fletidos
redução do quadro álgico e do edema, a
a 90°, evoluindo com mini step para apoio da
melhoria da sensação de instabilidade, o movimentos, reduzindo assim os efeitos
incremento da funcionalidade, a diminuição causados pela imobilização prolongada,
do comprometimento do controle postural e o permitindo com que os movimentos sejam
aumento de amplitude de movimento são mais eficientes.
alguns dos benefícios descritos. (VANESSA e Para Kisner e Colby (1998), para que haja
colab., 2017) amplitude de movimento, é necessário haver
A MWM é uma boa técnica manipulativa, mobilidade e flexibilidade dos tecidos moles,
já que pode ser realizada pelo paciente de o alongamento é realizado para aumentar o
forma ativa, enquanto o fisioterapeuta realiza comprimento das estruturas que estão
mobilização conjunta, não sendo totalmente patologicamente encurtadas, e desse modo,
passiva. A evolução é perceptível nas aumentar a amplitude de movimento.
primeiras sessões de tratamento, embora seus Foram realizados também, exercícios
resultados sejam ainda melhores em longo cinesioterapêuticos ativos livres e resistidos
prazo. Para uma melhor evolução, o treino de em cadeia cinética fechada, como
propriocepção pode ser adicionado ao agachamentos, até amplitude máxima do
método, incluindo o treinamento de força. paciente. Exercício de flexão plantar no step,
(WELLS, 2012) iniciando com apoio bipodal e evoluindo para
Foram utilizadas também as técnicas de apoio unipodal e exercício resistido de flexão
alongamento muscular de cadeia posterior, plantar e dorsal com banda elástica.
com ênfase nos tríceps sural, para manutenção Existe um arsenal de métodos a serem
e manter flexibilidade dos tecidos moles. aplicados no tratamento fisioterapêutico,
Iniciamos alongamentos nos primeiros sendo o mais comum a cinesioterapia que é a
atendimentos de maneira passiva e após, “arte de curar” fazendo uso do movimento ou
progredimos com alongamentos ativos. exercício como forma de tratamento. É uma
Em um estudo realizado por Martins e técnica que se baseia nos conhecimentos de
Mattos, (2009), foi realizado uma proposta de anatomia, fisiologia e biomecânica, a fim de
tratamento fisioterapêutico que incluiu o proporcionar ao paciente um melhor trabalho
alongamento, com objetivo de manter de prevenção, cura e reabilitação. O exercício
amplitude de movimento das articulações terapêutico tem como objetivo manter,
acometidas pela fratura, pois o alongamento corrigir e recuperar uma determinada função,
atua nas estruturas musculares, ligamentos, ou seja, restaurar a função normal do corpo ou
tendões e fáscia com o intuito de aumentar a manter o bem estar. Sua principal finalidade é
amplitude de movimento de uma articulação a manutenção ou progressão do movimento
ou músculos estimulados, aumentando a livre, e seus efeitos baseiam-se no
flexibilidade e trazendo maior liberdade de desenvolvimento, melhora restauração e
manutenção da força, da resistência à fadiga, Em um estudo, mostrou que a fisioterapia
da mobilidade e flexibilidade, do relaxamento realizada através de exercícios de
e da coordenação motora, fornecendo melhora alongamento e de treinamento do equilíbrio e
na funcionalidade do paciente. (DE CONTI, da força trouxeram benefícios tanto ao
2011) equilíbrio quanto à marcha. Há uma tendência

A cinesioterapia se utiliza de todas as de que os exercícios de fortalecimento seriam

técnicas reabilitadoras baseadas no a chave para permitir a melhora funcional dos

movimento. As metas de tratamento pelo pacientes fraturados. O tratamento

exercício são: minimizar os efeitos da fisioterapêutico do pós-operatório se mostra

inatividade; corrigir a ineficiência de essencial, permitindo aumentar a amplitude

músculos específicos ou grupos musculares; de movimento e a força muscular, por meio

reconquistar a amplitude normal de de um programa de exercícios de

movimento da articulação; e encorajar o alongamento e fortalecimento, além de

paciente a usar a habilidade reconquistada no permitir deambulação precoce com auxílio de

desempenho de atividades funcionais, muletas e carga parcial do membro operado,

acelerando a reabilitação. São aplicadas como restaurando assim o padrão da marcha ao final

técnicas cinesioterapêuticas exercícios com da fisioterapia e garantindo que o paciente

movimentos passivos, ativo-assistidos, ativo- tenha uma recuperação eficaz e retorne de

livres e ativo-resistidos. (NASCIMENTO et imediato as atividades de vida diária sem

al., 2013). qualquer sinal de sequela ou auxílio para se


locomover. (SILVA e colab., 2011)
Em um estudo realizado por Matias,
2006, realizado com 3 pacientes que foram
submetidos à cirurgia ortopédica para DISCUSSÃO

colocação de haste intramedular após fratura O paciente do presente estudo realizado


de fêmur, sendo realizado 10 sessões de apresenta um quadro de perda funcional devido
fisioterapia, utilizando o tratamento a sequelas após um evento de alta energia
cinesioterapêutico para a rebilitação, sendo traumático de acidente automobilístico,
então analisado os efeitos da referida técnica afetando funcionalmente a perna direita,
na recuperação precoce de fraturas diafisárias, levando a perda da sensibilidade, perda de
dessa forma evidenciou-se sucesso no ADM e força muscular.
tratamento como diminuição do quadro A fratura de diáfise da tíbia é uma
álgico, edema, aumento de força muscular, fratura do corpo da tíbia que comumente não
amplitude de movimento, estimulação da envolve as regiões articulares ou metafisárias.
consolidação da fratura para que o paciente As fraturas de diáfise da tíbia podem ser
possa deambular o mais rápido possível e com causadas por trauma de alta energia gerado por
o mínimo de comprometimento.
impacto pode resultar em fraturas transversas de dor, caracterizada por choque, queimor,
ou cominutivas, que frequentemente são pontada ou latejamento em áreas com
expostas. Traumatismos indiretos e de baixo alterações da sensibilidade. (IMAMURA,
impacto, proveniente de lesão por torção com 1995)
apoio do pé, ou queda de altura baixa, pode O fisioterapeuta deve entender os
causar um padrão de fratura em espiral ou procedimentos cirúrgicos mais comuns de
obliquo. (HOPPENFELD, 2001) tratamento de doenças e deformidades
O tratamento da fratura do terço distal articulares e apresentar conhecimento sobre as
da tíbia continua sendo um grande desafio. intervenções fisioterapêuticas adequadas para
Considerando sua anatomia, é comum haver o tratamento permitindo com que a
dificuldade em se conseguir a redução e progressão do programa de reabilitação seja
manutenção destas fraturas. A redução é ainda efetiva e segura. O tratamento fisioterapêutico
mais difícil quando existe fratura da fíbula no deve ser iniciado assim que possível após a
mesmo nível da tíbia. Este padrão de fratura cirurgia, podendo levar a uma grande
reflete um mecanismo de trauma de alta recuperação da mobilidade e força muscular
energia e causa aumento da instabilidade minimizando assim as possíveis sequelas da
angular, rotacional, encurtamento do membro e fratura, além de permitir que o paciente
lesões das partes moles. (OF e colab., 2008) retome a sua independência o mais rápido

Após o período de imobilização com possível, voltando a sua vida habitual.

fixador externo o enfoque da fisioterapia será (SOUSA; MEJIA, 2011)

nas articulações do joelho, tornozelo e pé, que A fisioterapia é uma intervenção não
devem ter suas amplitudes de movimentos farmacológica que dispõe de várias técnicas
restauradas ou mantidas, através de exercícios como a cinesioterapia que utiliza de
de mobilização passivos e ativos, que também exercícios com o objetivo de trabalhar
irão influenciar na circulação sanguínea articulações e musculatura, a eletroterapia
gerando diminuição do edema distal ao local emprega aparelhos elétricos com fins
fraturado, tratado também através da elevação terapêuticos, e a hidroterapia que utiliza dos
da extremidade inferior. O trabalho de força princípios da água em conjunto com
muscular pode ter início precoce com exercícios. (SOUSA; MEJIA, 2011)
exercícios para tibial anterior, gastrocnêmios Os objetivos principais da reabilitação é
e sóleo e exercícios para o tornozelo de restaurar ou manter a amplitude de movimento
acordo com a tolerância do paciente. (LARA; do joelho e tornozelo, aumentar força dos
LEITE; BRITO, 2009) seguintes músculos: tibial anterior, extensor
O acometimento direto ou indireto de longo do hálux, extensor longo dos dedos,
estruturas nervosas pelo uso do fixador é causa gastrocnêmios, sóleo, flexor dos dedos, flexor
do hálux, tibial anterior, tibial posterior, fíbular exercícios cinesioterápicos. Para flexão dorsal
longo e fibular curto. Assim como, normalizar obtivemos evolução para o grau 4 e para flexão
padrão de marcha. (HOPPENFELD, 2001) plantar, inversão e eversão obtivemos grau 5 de

Até o momento, foram realizados 3 força muscular.

meses de atendimento fisioterapêutico, Houve mudança significativa nos


realizados durante 45 minutos uma vez por aspectos da queloide, tanto na pigmentação
semana, sendo que o primeiro atendimento é a quanto na mobilidade tecidual da cicatriz,
avaliação e no penúltimo atendimento a podendo obter mais mobilidade dos tecidos
reavaliação. moles subcutâneos.

No segundo atendimento, paciente Nos últimos 3 atendimentos, paciente


chega ao atendimento com retirada da fixação chegou ao atendimento com edema intra-
externa, deambulando com auxílio de muletas articular reduzido, não sendo necessário
com descarga de peso de 60%. E ao quarto intervenção pontual, pois os próprios
atendimento, paciente chegou deambulando exercícios cinesioterapeuticos reduziram o
sem auxílio de muletas, com liberação de edema residual.
100% de descarga de peso. Durante o segundo mês de atendimento,
Na reavaliação, foi reaplicada a paciente relatou melhora da mobilidade de
goniometria que mostrou ganho de mobilidade tornozelo e conquista do desejo de voltar a
articular de 5° para 12°, a flexão plantar foi de dirigir.
8° para 14°. CONCLUSÃO
Segundo a literatura, a amplitude Portanto, podemos perceber que a
funcional após uma fratura de diáfise de tíbia evolução do paciente descrito só foi possível
para flexão dorsal é de 10° e de flexão plantar é através de estudos aprofundados sobre a
de 20°. Sendo que a amplitude pode variar de sistemática do trauma, suas repercussões no
0°-25° para flexão dorsal e de 0°-40° para corpo e membro acometido e a elaboração de
flexão plantar. (HOPPENFELD, 2001) uma avaliação completa e estruturação de uma
Podemos perceber que a amplitude para terapêutica adequada. Podemos perceber
flexão dorsal ultrapassou positivamente o também, que os ganhos significativos de
parâmetro descrito pela literatura, porém, ainda amplitude de movimento são consequências
assim ficou a baixo para flexão plantar. Mas, descritas na maioria das terapêuticas
com ganhos numéricos e funcionais pesquisadas na literatura e utilizadas no
consideráveis. tratamento. Percebe-se a relevância da

Foi reavaliado também o teste de força aplicação precoce de técnicas da fisioterapia,

muscular manual, que apesar de subjetivo, visando melhorar os resultados do tratamento

pode ser perceptível para a evolução nos da fratura, diminuindo assim as complicações
decorrentes dela. O tratamento fisioterapêutico CARDOZO, Rodrigo Tavares e colab.
deve ser iniciado precocemente e um dos Treatment of fractures of the tibial
principais propósitos do processo de diaphysis using external fixator compared
reabilitação é ajudar os pacientes a atingir o with locked intramedullary nails. Revista
mais elevado nível de independência funcional Brasileira de Ortopedia, v. 48, n. 2, p. 137–
possível, dentro dos limites de suas 144, 2013.
incapacidades específicas. Algumas sequelas
DALL, Daniela e BRITO, De e
são irreparáveis, porém, há possibilidade de
ISERNHAGEN, Fernanda Cristine.
ganhos funcionais nos fatores que podem ser
Submetido à amputação transfemoral
modificáveis e adaptação para melhorar a
unilateral por acidente motociclístico :
qualidade de vida do paciente. O objetivo foi
estudo de caso ambulatory
traçado a partir das demandas funcionais a
physiotherapeutic treatment of a patient
serem trabalhadas. A educação em saúde foi de
subjected to unilateral transfemoral
extrema importância, para que o paciente possa
amputation due to motorcycle accident :
saber lidar com fatores que ele mesmo possa
case study. v. 9, n. 3, p. 175–180, 2005.
controlar. É importante ressaltar o grande valor
DE CONTI, Angélica. A importância da
do tratamento fisioterapêutico em casos do
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a partir deste estudo, podemos ver a variedade FRANCO, Susana de Jesus Silva.
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ANEXOS

Fonte: Banco de dados pessoal. Fotos


autorizadas pelo paciente.

ANEXO 1

ANEXO 3
ANEXO 4 ANEXO 6

ANEXO 5 ANEXO 7
ANEXO 8