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AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA

DO ESTADO NUTRICIONAL
Profª Mirella Brasil Lopes

2018.2
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

Métodos

Diretos Indiretos

Demográficos,
Subjetivos Objetivos socioeconômicos,
culturais, estilo de vida,
consumo alimentar

Semiologia Bioquímicos,
Nutricional, Antropometria,
ASG... Bioimpedância...
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA

Vantagens Desvantagens
• Confirmação das • Sofrem influência de
deficiências nutricionais várias doenças

• Identificação precoce de • Baixa especificidade para


problemas nutricionais os problemas nutricionais

• Monitoramento da • Interação droga-nutriente


intervenção nutricional
• Ingestão recente,
hidratação, idade, estilo de
vida, medicamentos...

Não deve ser utilizada isoladamente para


estabelecer o diagnóstico nutricional!
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA

Hemograma Proteínas Lipídios séricos

• Séricas
• Somáticas
• Competência
imunológica
HEMOGRAMA
HEMOGRAMA

 Avaliação quali e quantitativa dos elementos do sangue


 1º exame a ser analisado

Células do sangue
Eritrograma
Leucograma
Plaquetograma
HEMOGRAMA
HEMOGRAMA

ERITROGRAMA

Índices Homem Mulher RN


Hemácias/Eritrócitos (milhões/ml) 4,5 a 6,0 4,0 a 5,5 4,0 a 6,0
Hemoglobina (g/dl) 13,5 a 18,0 12,0 a 16,0 13,5 a 19,5

Hematócrito (%) 40 a 54 37 a 47 44 a 60
VCM 80 a 98 80 a 98 -
hematimétricos

HCM 27 a 32 27 a 32 -
CHCM 31 a 35 31 a 35 -
Índices

RDW 11,5 a 14,5 11,5 a 14,5 -


RN: recém nascido
HEMOGRAMA

ERITROGRAMA
Hemácias Número de células vermelhas encontradas em UM ml de sangue

Hemoglobina Molécula responsável pelo transporte de O2 e CO2 no sangue. Normalmente representa


(Hb) 1/3 do peso total de hemácia.

Hematócrito Representa o percentual do volume total de eritrócitos relativo ao volume total de sangue
(Ht) em uma amostra

VCM: Volume Corpuscular Médio (Volume das hemácias (tamanho)


Índices
hematimétricos HCM: Hemoglobina Corpuscular Média (Peso médio da Hb nos eritrócitos (cor)
CHCM: Concentração de hemoglobina corpuscular média (% de hem. que é composta por Hb (cor)
RDW: Mensura o grau de anisocitose (distribuição do tamanho das hemácias)
HEMOGRAMA

RDW > 14,5% indicam maior


dispersão de tamanho das
hemácias

Condições normais RDW < 11,5% não apresentam


significado clínico
Anisocitose
ANEMIAS

Redução no número de eritrócitos e/ou na concentração de Hb no sangue.


HEMOGRAMA

HEMÁCIAS/ERITRÓCITOS – PROVÁVEIS ANOMALIAS

Por redução da
hemoglobina
CLASSIFICAÇÃO DE ANEMIAS SEGUNDO
ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS

 Anemias Microcíticas Hipocrômicas: ↓ VCM, HCM, CHCM -


Perda crônica de sangue, ingestão deficiente de Fe, talassemia e
doenças crônicas.

 Anemias Normocrômicas Nomocíticas: Perda aguda de sangue,


hemólise aguda ou crônica, depressão da medula óssea e alguns
casos de anemia por doença crônica.
 Câncer
 Doenças cardiovasculares
 Diabetes tipo 2
 Obesidade
 Doenças Auto-imunes
 Doenças Neurodegenerativas
CLASSIFICAÇÃO DE ANEMIAS SEGUNDO
ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS

 Anemias Macrocíticas: ↑ VCM, HCM, CHCM normais


• Anemia Megaloblásticas: Deficiência de folato
• Anemia Perniciosa: Deficiência de B12

Ácido fólico Vitamina B12

Baixa ingestão (dieta vegetariana


Desnutrição, alcoolismo crônico, Vegans), carência do fator
DII, gravidez, drogas antibióticos, intrínseco, gastrectomia,
AINES, Anticoncepcionais orais, Alcoolismo, DII, Ressecção do íleo
cirurgias bariátricas terminal, anticoncepcionais orais,
verminose
DIAGNÓSTICO DE ANEMIA FERROPRIVA

1º estágio 2º estágio 3º estágio

• Depleção • Deficiência • Anemia


de Fe de Fe Ferropênica ou
• Ferritina • ↓ saturação Ferropriva
reduzida transferrina

Hb normal em 95% dos casos

Ferritina ↓↓ (marcador mais sensível)


Saturação de Transferrina ↓↓
Capacidade Total de Ligação de Fe ↑↑
ATENÇÃO: Hipoferremia Fe sérico: ↓
Hemoglobina: ↓
também pode ser gerada por Hipocromia (↓ HCM)
INFLAMAÇÃO!!! Microcitose (↓ VCM)
Anisocitose (↑ RDW)
Reticulócitos (normal ou ↑)
FATORES QUE INTERFEREM NO ERITROGRAMA

 Álcool  Ciclos menstruais intensos


 Fármacos  Hemorragia
 Deficiências nutricionais  Problemas no duodeno ou TGI
 Chá preto, verde (Hipocloridria)
 Café (taninos e cafeína)  Parasitoses
 Fitatos  Tabaco
 Vinho tinto  Alterações genéticas
 Inflamação
AVALIAÇÃO DO ESTADO
NUTRICIONAL RELATIVO
ÀS PROTEÍNAS
INDICADORES HEMATOLÓGICOS

Hemoglobina
 Proteína de transformação metabólica muito lenta e sua
diminuição ocorre mais tardiamente.

 É um índice sensível, mas pouco específico da desnutrição,


podendo alterar-se quando há perda sanguínea, estados de
diluição sérica e transfusões sanguíneas.
INDICADORES PROTÉICOS VISCERAIS
OU SÉRICAS (PLASMÁTICOS)

Restrição alimentar
crônica resulta em FÍGADO: órgão
IMPORTÂNCIA: comprometimento
da integridade mais afetado
visceral
INDICADORES PROTÉICOS VISCERAIS
OU SÉRICAS (PLASMÁTICOS)

 Indicador de desnutrição
 ↓ oferta de aminoácidos (substratos para síntese de proteínas) →
↓concentração de proteínas viscerais
 Limitações:
 Estado de hidratação; nefropatias; hepatopatias; hipercatabolismo;
infecção/inflamação
 EN não é único fator que influencia os níveis plasmáticos das
proteínas
 Principais proteínas utilizadas:
Fígado: Órgão responsável pela
produção dessas proteínas

Proteína
Ligadora de Pré-albumina Transferrina Albumina
Rettinol (transtirretina)
ALBUMINA

>Tempo de resposta bioquímica


à diminuição da ingestão dietética

Meia vida longa = 18 – 20 dias

Funções: mais abundante do plasma


• Ligação e transporte de inúmeras substâncias (Ca, Cu, AG, Mg, enzimas,
drogas, esteróides).
• Mantém pressão coloidosmótica do plasma → Preservação e distribuição de
água nos compartimentos corporais.
Limitações como parâmetro de avaliação nutricional:
•  Desidratação.
•  Edema, doença hepática, infecção, inflamação, má absorção, diarréia,
queimadura, IRC, desnutrição, estresse, hiperhidratação, câncer,
envelhecimento, síndrome nefrótica
TRANSFERRINA

 Vida média: 8 a 10 dias


 Não responde de forma rápida nas situações de desnutrição
 Função: Transportadora de ferro para a medula óssea
 Limitações:
  na carência de ferro, gravidez, hepatite aguda e sangramento
crônico
  nas doenças hepáticas crônicas, neoplasias, doenças renais e de
medula óssea, inflamações e infecções crônicas

Não é um índice apropriado do estado protéico quando ambas


(anemia ferropriva e DEP) estão presentes
PRÉ-ALBUMINA (TRANSTIRRETINA)

 Meia-vida: 2 a 3 dias
 Funções
 Transporte de T3 e T4 (hormônios tireoidianos)
 Liga-se à proteína carreadora de retinol e vit. A
 Limitações
  nas doenças hepáticas, infecção/inflamação, hipertireoidismo
  Insuficiência renal
 Influenciada pela disponibilidade de T4
PROTEÍNA TRANSPORTADORA DE RETINOL

 Vida média: 10- 12 horas


 Função: transporte de vitamina A na forma de retinol
 Limitações:
  nas doenças hepáticas, carência de vitamina A e Zn,
inflamação/infecção
  Insuficiência renal crônica
PROTEÍNAS VISCERAIS

SENSIBILIDADE PARA AVALIAÇÃO DO EN

Pré-
PTR (10- Transferrina Albumina
albumina
12h) (8-12 dias) (18-20 dias)
(2-3 dias)

Indicadores de
resposta à
intervenção
nutricional Diagnóstico da DEP
tardia
RESPOSTA AGUDA DURANTE
INFLAMAÇÃO/INFECÇÃO/SEPSE/TRAUMA
RESPOSTA AGUDA DURANTE
INFLAMAÇÃO/INFECÇÃO/SEPSE/TRAUMA

PTN plasmáticas: proteínas


negativas de fase aguda
PROTEÍNAS DE FASE AGUDA
PROTEÍNA C REATIVA (PCR)
PROTEÍNA C REATIVA (PCR)
INDICADORES SOMÁTICOS

 Colaboram na identificação das condições do


compartimento muscular

A proteína muscular corresponde a


50% do total das proteínas corporais
ÍNDICE DE CREATININA ALTURA

 Indicador de catabolismo protéico


 Medida indireta da massa muscular e nitrogênio corporal
 Creatinina → Formada a partir da creatina → Tecido muscular (98%)

ICA % = Creatinina na urina em 24 h x 100


Creatinina ideal em 24 h

 O teor de Cr urinária de 24h é proporcional à MM esquelética


(catabolismo muscular) e está relacionada com a altura dos
indivíduos Desnutrição leve: 60 – 80%
Cr ideal: = 18 mg/Kg Desnutrição moderada: 40 – 60%
= 23 mg/Kg Desnutrição grave: < 40%

 O ICA < 60% do padrão identifica paciente com maior risco de sepse
e morte
ÍNDICE DE CREATININA ALTURA

Limitações:
 Sexo, idade: mulheres (↓) idade (↓).
 Consumo de carnes - PTNs da dieta influenciam excreção de Cr pelo
conteúdo de Arginina, Glicina → Preparo: suspensão do consumo de
carne 24 a 48 h antes do exame
 Função renal; exercício físico intenso; imobilização;
hipercatabolismo.
 Cefalosporinas, ácido ascórbico e levodopa → ↑ creatinina
 Tabela projetada para população de jovens adultos saudáveis. →
Não se aplicam para pacientes ≥ 55 anos.
3 METIL-HISTIDINA

 Indicador de catabolismo protéico


 Liberada a partir da actina e miosina do músculo esquelético
 Não é utilizada para síntese protéica  excretada na urina 
marcador do catabolismo do músculo esquelético

Limitações:
 Difícil dosagem. Alto custo
 Influências: consumo carne na dieta, sexo, idade, exercício físico
intenso, estados hipercatabólicos (infecções, traumas, etc).
BALANÇO NITROGENADO

 Avalia a eficácia da terapia nutricional.


Baseia-se no fato de que  16% da massa protéica é N

 Reflete a ingestão energética e protéica prévia (10 dias antes);


alterações recentes da composição corpórea, e o estado do
metabolismo protéico no momento do estudo.

BN = N ingerido – N excretado

Nitrogênio ingerido = PTN dieta(g) / 6,25


Nitrogênio excretado = *NUU de 24 horas + 4g (fecal + suor + N2 não protéico)
*Nitrogênio uréico urinário (NUU)= uréia urinária x 0,4665
BALANÇO NITROGENADO

Ingestão <
BN negativo excreção
CATABOLISMO

Ingestão >
BN positivo excreção
ANABOLISMO

Ingestão =
BN neutro excreção
BALANÇO NITROGENADO

LIMITAÇÕES:
 Avalia o grau de equilíbrio nitrogenado, mas não pode ser
considerado um índice do estado nutricional.
 Interferência de doenças – IR; hepatopatias; má absorção (fístulas
intestinais, enteropatia perdedora de proteínas); Acidose
metabólica (↑ catabolismo protéico)
 Imprecisão da coleta das amostras (urina, fezes)
 Controle inadequado da ingestão
 Estimativa inadequadas da ingestão e perdas N
Estado nutricional está diretamente correlacionado
à resposta imunológica do indivíduo.

Nutrição x imunidade = complexa, onde a carência


de nutrientes específicos é acompanhada por
numerosas alterações no sistema imunológico.

AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA
IMUNOLÓGICA
AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA
IMUNOLÓGICA

 Importância: Identificar alterações nutricionais.


 Teste imunológico utilizado:
 Contagem total de linfócitos (CTL) ou linfocitometria.

 Limitações:
 Infecções, radio e quimioterapia, doença auto-imune, doenças
hepáticas, medicamentos (imunossupressores, corticóides).

Desnutrição = Depressão da imunidade celular e humoral por redução


de substrato para síntese destes fatores  ANERGIA  ↓ Resposta Imune
CONTAGEM TOTAL DE LINFÓCITOS

 Mede as reservas imunológicas momentâneas


 Indicador de mecanismo de defesa celular
 Utiliza o leucograma:

Maneira indireta de avaliar a


CTL = % Linfócitos x Leucócitos
capacidade do sistema
100
imune humoral e celular
VN = 1500 - 5000 mm3
“ EMBORA SEJA UTILIZADO PARA
ESTIMAR O RISCO DE
DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS
CARDIOVASCULARES, O PERFIL
LIPÍDICO ALTERADO, TAMBÉM PODE


ESTAR ASSOCIADO À
DESNUTRIÇÃO.

Perfil lipídico Colesterol total e frações


Triglicerídeos
COLESTEROL

Os seus níveis plasmáticos Em idosos, o colesterol  do colesterol sérico


são reflexos: vem sendo usado como manifesta-se apenas
•da ingestão, da absorção método de prognóstico tardiamente na
da alimentação •relação com o aumento DESNUTRIÇÃO
•da condição de síntese da mortalidade e da •o que representa
endógena permanência hospitalar importante limitação do
•da capacidade de seu uso na avaliação
excreção. nutricional
CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Testes laboratoriais, utilizados para estimar a disponibilidade de


nutrientes em líquidos e tecidos biológicos, são cruciais para a
avaliação das deficiências e/ou excessos de nutrientes tanto clínicos
como subclínicos;

 No art. 1o da Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas


(CFN) no 306/2003, que dispõe sobre a solicitação de exames
laboratoriais na área de Nutrição Clínica, consta: “compete ao
nutricionista a solicitação de exames laboratoriais necessários à
avaliação, à prescrição e à evolução nutricional do paciente/cliente,
não especificando os exames a serem solicitados, cabendo ao
profissional solicitar os exames necessários ao acompanhamento
dietoterápico e diagnóstico nutricional”;

 Resultados desses testes são úteis para rastreamento ou para se


confirmar uma avaliação com base na mudança de estado clínico,
antropométrico e dietético.
REFERÊNCIAS

 CALIXTO-LIMA L & REIS NT. Interpretação de exames laboratoriais


aplicados à Nutrição Clínica. Rubio. Rio de Jaaneiro, 2012.
 FAILACE R. Hemograma – Manual de Interpretação. 5.ed. Porto Alegre :
Artmed, 2009.
 MAHAM, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, nutrição e
dietoterapia. 13ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 1227 p.
 ROSSI, Luciana; CARUSO, Lúcia; GALANTE, Andrea Polo. Avaliação
nutricional: novas perspectivas. 1. ed. São Paulo: Roca, 2009, 422p.
 SAMPAIO LR. Avaliação Nutricional. EDUFBA. 2012.
 SAMPAIO LR. Avaliação nutricional. In: CUPPARI L. Nutrição Clínica do
Adulto. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola
Paulista de Medicina. São Paulo, 2005.

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