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PRUDENTE, André. O eneagrama como mapa de consciência.

In:
SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA, 1., 2006, Salvador.
Anais... Salvador: Fundação Ocidemnte, 2006. 1 CD-ROM.

O ENEAGRAMA COMO MAPA DE CONSCIÊNCIA

André Barreto Prudente1

Resumo: Esse artigo apresenta o sistema de compreensão da realidade


denominado Eneagrama como um mapa de consciência. Tendo raízes
orientais, o Eneagrama chegou ao ocidente no século XX como uma
poderosa ferramenta de interpretação dos processos de manifestação da
consciência no mundo. Ele é estruturado na forma de um símbolo
geométrico composto por um círculo, um triângulo e uma héxade, e refere-
se a nove maneiras básicas de expressão da essência (espírito) na
existência (matéria). A sabedoria do Eneagrama permite indivíduos e
grupos perceberem como fragmentam sua consciência de que são
unidades holisticamente integradas por identificarem-se demais com um
dos tipos padrões manifestos, chamados de Traço Principal. Além disso, os
auxilia na libertação desse traço a partir da descoberta do que lhes é
essencial.

Palavras-chave: Eneagrama; mapa de consciência; nove formas de


manifestação; essência e existência.

INTRODUÇÃO

A melhor maneira de definir o Eneagrama é chamá-lo de um mapa integral da


consciência. Suas variadas nuances mostram como ele pode ser utilizado para a
leitura tanto de realidades individuais quanto coletivas, revelando-se uma excelente
ferramenta hermenêutica.
Maitri (2000, p.21)2 afirma que o Eneagrama funciona como um símbolo
arquetípico, o qual serve à arte de interpretar os mais diversos processos e
princípios físicos, psicológicos e espirituais. Portanto, ele é um sistema de
1
Coordenador geral, psicoterapeuta, facilitador de eneagrama e consultor empresarial do NEHSE –
Núcleo de Evolução Humana de Sergipe. Graduação e Mestrado em Psicologia pela USP/Ribeirão
Preto. Membro Profissional da IEA – International Enneagram Association. Membro Associado da
AETNT - Association of Enneagram Teachers in the Narrative Tradition. Psicoterapeuta de crianças,
adolescentes e adultos. Realiza cursos e treinamentos com base no Eneagrama para empresas,
grupos e instituições. Facilitador do workshop “Eneagrama & Relações Humanas” e do “CAE –
Curso de Aprofundamento em Eneagrama”. Co-autor do livro “Um Incendido Desejo das Índias”.
Contato: Sede do NEHSE – Av. Gonçalo Prado Rolemerg, 211, sala 203/204, São José,
Aracaju/Se, Cep: 40010-410; telefones - (79) 3224-2235/ 3041-2567 ou e-mail –
andre@nehse.com.br.
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MAITRI, Sandra. A dimensão espiritual do Eneagrama. São Paulo: Cultrix, 2000.
PRUDENTE, André. O eneagrama como mapa de consciência. In:
SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA, 1., 2006, Salvador.
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autoconhecimento e de entendimento das relações humanas e do mundo, o qual é


representado na forma de uma figura matemática. Trata-se especificamente de uma
arquitetura geométrica na qual é estruturada uma “arquitetura” psicológica e
espiritual: 1) um círculo, um triângulo e uma héxade compõem a arquitetura
geométrica estruturada na forma de uma estrela de nove pontas3 (ver figura 1)4;
2) em cada ponto dessa arquitetura geométrica descobrem-se diferentes processos
psicoespirituais (“arquitetura” psicológica e espiritual) encarnados em ações, os
quais podem obstruir ou ampliar a consciência individual e/ou coletiva; 3)o
Eneagrama revela nove processos psicoespirituais como nove formas básicas de
manifestação da essência na existência5.

O ENEAGRAMA E SUA HISTÓRIA

A sabedoria do Eneagrama não foi criada por um único homem em um único


momento. Remontam a vários mestres e diretores espirituais e há mais de 2.000
anos as suas raízes mais antigas. Esse mapa de consciência foi sendo construído,
durante muito tempo, até chegar a sua forma atual.
Segundo Paterhan (2003)6, as idéias trazidas pelo Eneagrama já existiam nas
concepções elaboradas pelos pitagóricos, por Platão e seus discípulos (como
Plotino) e no hermetismo. Sobre isso, Riso e Hudson (1999, p.29)7 dizem:
As origens exatas do símbolo do Eneagrama se perderam na História; não
sabemos de onde ele vem, da mesma forma que não sabemos quem
inventou a roda ou a escrita. Diz-se que surgiu na Babilônia por volta do ano
2500 a.C., mas há poucas provas em favor dessa hipótese. Muitas idéias
abstratas relacionadas ao Eneagrama, para não falar em sua geometria e
derivação matemática, sugerem que ele pode ter origem no pensamento
grego clássico. As teorias a ele subjacentes podem ser encontradas nas
idéias de Pitágoras, Platão e alguns filósofos neoplatônicos. Seja como for,
ele certamente pertence à tradição ocidental que deu origem ao judaísmo,
ao cristianismo e ao islamismo, bem como à filosofia hermética e gnóstica,
cujos indícios podem ser vistos em todas as três grandes religiões
proféticas.

3
Mais adiante, no tópico “O simbolismo do Eneagrama”, é explicado o significado de cada uma das
partes da figura matemática do eneagrama.
4 A figura 1 está no final do tópico “O simbolismo do Eneagrama”.
5
No corpo do texto são discutidas e explicadas as questões apresentadas nesses itens.
6
PATERHAN, Christian. Eneagrama: um caminho para o seu sucesso individual e
profissional. São Paulo: Madras, 2003.
7
RISO, D. R.; HUDSON, R. A sabedoria do Eneagrama. São Paulo: Cultrix, 1999.
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Rohr e Ebert (1992, p.23)8, afirmam que esse conhecimento foi sintetizado na
forma de um símbolo a partir das descobertas matemáticas dos islâmicos sobre o
valor do zero e o sistema decimal e que o nome Eneagrama só surgiu
posteriormente. A palavra Eneagrama origina-se dos vocábulos gregos Ennea
(nove) e Gramma (pontos, algo escrito, letra, figura ou modelo)9, recebendo a
tradução literal de “figura de nove pontas”, e fazendo referência à arquitetura
geométrica, psicológica e espiritual revelada pelo símbolo ao qual está atrelada.
O Eneagrama chegou à época moderna por meio da tradição oral, sendo
passado de mestre para discípulo por séculos, e, para Maitri (2000, p.219-20)10,
esse é o motivo de suas origens estarem envoltas em mistérios. Contudo, sabe-se
que ele foi levado do Oriente para o Ocidente pelo caucasiano George Ivanovitch
Gurdjieff (1870-1949) e seus seguidores, na década de 1920, e pelo boliviano Oscar
Ichazo, nas décadas de 1960 e 1970.
Riso e Hudson (1999, p.29)11 explicam que Gurdjieff viajou por vários
continentes e países, conhecendo monastérios e santuários remotos e aprendendo
acerca das antigas tradições sapienciais da humanidade. Numa dessas viagens,
possivelmente à Turquia ou ao Afeganistão, teria entrado em contato com uma
ordem secreta sufista12 denominada Fraternidade de Sarmoung (Fraternidade das
Abelhas), com a qual aprendeu sobre o Eneagrama. Este se tornou a base do seu
sistema de transformação da consciência “O Quarto Caminho”, o qual foi ensinado
inicialmente por ele e seus seguidores na década de 1920.
Melendo (2001, p.11)13 esclarece que Gurdjieff referia-se a essa “figura de
nove pontas” como um mapa de processos naturais, sem chamá-lo de Eneagrama,
e que a sua utilização para compreensão de padrões psicológicos obstrutores da
consciência14 só aconteceu a partir da divulgação das idéias de Oscar Ichazo. Rohr
e Ebert (1992, p.25)15 afirmam que Ichazo foi a primeira pessoa a fazer uma

8
ROHR, R; EBERT, A. Eneagrama: as nove faces da alma. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.
9
Melendo (2001, p.12) afirma que o vocábulo “grama” vem de “grammos”, significando pontos.
Webb (1998, 11) explica que ele vem de “gramma”, sendo interpretado como “algo escrito”.
Palmer (1999, p.18) mostra que sua raiz está no termo “grama” recebendo o sentido de letra,
figura ou modelo. Por isso, várias traduções são possíveis para essa palavra.
10
Ibid., p.219-220.
11
Ibid., p.29.
12
No próximo tópico é explicada a relação entre o Eneagrama e o sufismo.
13
MELENDO, Maite. O Eneagrama. São Paulo: Loyola, 2001.
14
Nos tempos atuais, esse é o maior uso dado ao Eneagrama.
15
Ibid., p.25.
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correlação entre a espiritualidade e a psicologia do Eneagrama, trazendo esse mapa


de consciência como um “espelho da alma”.
Ichazo aprendeu sobre esse sistema com mestres sufistas em Pamir, no
Afeganistão, antes de tomar conhecimento dos escritos de Gurdjieff. Melendo (2001,
p.11)16 diz que, em 1960, ele começou a dar aulas sobre o Eneagrama no Instituto
de Psicologia Aplicada de Santiago do Chile e que, na década de 1970, realizou
treinamentos sobre o seu modelo em Arica (Chile). Em um desses cursos, houve a
participação do Dr. Cláudio Naranjo, psiquiatra do Instituto Esalen, em Big Sur,
Califórnia (EUA), que aprendeu o seu método e ampliou o seu uso como um
instrumento ponte entre a psicologia e a espiritualidade.
Maitri (2000, p.22)17 explica que os Eneagramas conhecidos pela maioria das
pessoas são provenientes dos ensinamentos de Ichazo reelaborados por Naranjo,
os quais dizem respeito à vida interior da psique humana. Entretanto, atualmente,
existe uma série de escolas de Eneagrama, cada uma delas tendo como matriz
original de pensamento as concepções elaboradas por Gurdjieff e/ou Ichazo. Dentre
alguns dos professores de Eneagrama cujos grupos são mais proeminentes no
cenário internacional, pode-se citar: Helen Palmer e David Daniels; Don Richard
Riso e Russ Hudson; Richard Rohr; Sandra Maitri; A H. Almaas. Dentre alguns
professores de Eneagrama brasileiros, que atuam há vários anos em cidades e
estados desse país, pode-se citar: Khristian Paterhan; Urâneo Paes; Marcio Schultz;
Racily.

O ENEAGRAMA E O SUFISMO

A história do Eneagrama está diretamente relacionada com o sufismo,


corrente mística do islamismo. Os sufistas eram homens e mulheres que se
dedicavam ao contato direto com Deus. Por meio de uma série de práticas
espirituais, eles procuravam ampliar a sua consciência individual para a percepção
do divino. Rohr e Ebert (1992, p.23) dizem:
Através da oração e meditação, queriam os sufistas tomar consciência do
amor de Deus. O amor de Deus era tema central do movimento como
demonstra a oração da mestra sufista Rabia al-Adawiyya, do século oitavo:

16
Ibid., p.11.
17
Ibid., p.22.
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“Ó Deus, se te adorar por medo do inferno, então lance-me às chamas do


inferno; se te adorar por causa da esperança de alcançar o paraíso, então
não me atendas; mas se te adorar por causa de ti mesmo, então não me
negues tua beleza eterna”.

Faziam parte das comunidades sufistas as ordens dos dervixes e o


movimento dos faquires (faquir = pobre) e também uma tradição de direção espiritual
que visava ajudar as pessoas no caminho para Deus. Esta seria a responsável pelo
desenvolvimento da idéia central do Eneagrama de que existem nove padrões
básicos de manifestação da espiritualidade (do amor de Deus criador) na
materialidade (nas criaturas). Rohr e Ebert (1992, p.23)18 afirmam:
Nos longos anos em que os mestres sufistas desenvolveram seu método,
descobriram nove padrões constantes, devido aos quais certas pessoas
nunca encontravam Deus, mas só esbarravam continuamente em si
mesmas e eram obstruídas por suas barreiras e bloqueios internos.

Dentro da visão sufista, os nove pontos do Eneagrama representam formas


de expressão naturais (Zuercher, 2003, p.6)19 as quais só se tornam obstáculos ao
crescimento espiritual do indivíduo na medida em que a pessoa se identifica demais
com uma delas e esquece o todo complexo que ela é, que os outros são e a que
realidade é. Quando isso acontece há um processo de fragmentação da consciência
que afasta o ser humano da consciência maior: a consciência de Deus.
Em outras palavras, para os sufistas, o Eneagrama revela nove dons divinos
vividos na existência pelas pessoas, mostrando que cada uma tem um dom
principal. Quando há exagero no uso dessa capacidade primordial ela tende a
transformar-se em uma “armadilha”, limitando a consciência ao invés de ampliar.
Melendo (2001, p.13)20 diz:

A crença sufi é que nossa qualidade essencial, levada ao extremo, vivida


em excesso, se transforma em nossa armadilha ou nosso defeito mais
característico.
O objetivo é encontrar o meio-termo, o equilíbrio em minha qualidade
essencial ou traço dominante, para não exagerá-la nem por excesso nem
por falta.

18
Ibid., p.23.
19
ZUERCHER, S. A espiritualidade do Eneagrama. São Paulo: Paulus, 2003.
20
Ibid., p.13.
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O SIMBOLISMO DO ENEAGRAMA
A primeira figura geométrica que compõe o símbolo do Eneagrama é um
círculo21, o qual consiste em uma mandala universal presente em quase todas as
culturas (Riso e Hudson, 1999, p.30)22. Algumas informações centrais que ele traz
são: 1) cada ser e o universo são todos complexos com infinitas possibilidades de
manifestações; 2) esses todos se constituem em unidades integradas, apesar de se
manifestarem de diversas maneiras particulares na realidade23; 3) esses processos
de manifestação são expressões concretas da consciência; 4) ser um todo é a
essência de toda individualidade e coletividade e, então, o círculo representa
também a essência.
A segunda figura do Eneagrama é um triângulo eqüilátero24, cujas pontas
tocam o círculo25 formando os pontos 9, 6 e 3 desse mapa de consciência. Ele está
relacionado com o que Gurdjieff chamava de “Lei de Três”: tudo resulta da interação
de três forças principais, ou seja, o todo que cada ser e o universo são apresenta
três aspectos centrais. Riso e Hudson (1999, p.31)26 dizem:
Surpreendentemente, quase todas as grandes religiões pregam que o
universo não é a manifestação de uma dualidade, como ensina a lógica
ocidental, mas sim de uma trindade. Nossa forma usual de ver a realidade
baseia-se em pares de opostos, como bom e mau, preto e branco, macho e
fêmea, introvertido e extrovertido, e assim por diante. As antigas tradições,
por sua vez, não vêem o homem e a mulher, mas homem, mulher e criança.
As coisas não são classificáveis segundo o preto ou o branco, mas segundo
o preto, o branco e o cinza.

No simbolismo do Eneagrama, o todo circular “encarna” sua unidade a partir


do triângulo, pois seus três vértices representam expressões relativas dessa
integridade. No cristianismo isso é percebido na trindade Pai-Filho-Espírito Santo:
cada um deles é diferente entre si, mas revelam o mesmo Deus (RISO & HUDSON,
1999, p.30)27. Com relação ao ser humano, ele é um todo holístico unido por três
centros fundamentais (PATERHAN, 2003, p. 43)28: centro físico; centro emocional e
centro intelectual.

21
Ver a representação do círculo na figura 1, no final desse tópico.
22
Ibid., p.30.
23
Cada ser manifesta-se no mundo de maneira individual e específica, apesar de fazer parte de um
todo maior que a sua individualidade.
24
Triângulo eqüilátero é aquele com três lados iguais. Ver sua representação na figura 1, no final
desse tópico.
25
Ver a representação do triângulo no círculo na figura 1, no final desse tópico.
26
Ibid., p.31.
27
Ibid., p.30.
28
Ibid., p.43.
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O centro físico está relacionado com a capacidade dos indivíduos de agir no


mundo, delimitando o seu espaço pessoal e colaborando para a construção do
espaço coletivo. Trata-se da parte do ser humano responsável pela transformação
material (em atos) dos seus potenciais inatos.
O centro emocional está ligado à capacidade dos indivíduos de atribuir
valores as experiências cotidianas, percebendo os significados do seu impacto
pessoal na relação com as pessoas e o universo. Trata-se da parte do ser humano
responsável pela motivação dos seus comportamentos verbais e não-verbais.
O centro intelectual está vinculado à capacidade dos indivíduos de explicarem
os fenômenos da realidade, elaborando idéias a respeito da sua existência e
estratégias para lidar com ela. Trata-se da parte do ser humano responsável pela
interpretação de si mesmo, da vida, dos relacionamentos afetivos e profissionais, da
natureza, de Deus.
A terceira figura do Eneagrama é uma héxade29 cujas seis pontas tocam o
círculo30, formando os pontos 1, 4, 2, 8, 5 e 7 desse sistema hermenêutico, e
completando o seu símbolo geral31. Ela está vinculada ao que Gurdjieff chamava de
“Lei de Sete” ou “Lei da Oitava”: “nada é estático, tudo está em movimento e no
processo de tornar-se outra coisa” (Riso e Hudson, 1999, p.31)32. Do mesmo modo
que na escala musical há a progressão Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si-Dó, a cada oitava
subindo ou baixando um tom e tornando o som mais grave ou agudo, na héxade há
a progressão 1-4-2-8-5-7-1, mostrando que, a cada ciclo, ocorre um aumento ou
diminuição do nível de consciência.
Juntos, o círculo, o triângulo e a héxade integram o simbolismo desse mapa
de consciência, revelando que: 1) a essência de todo ser manifesta-se na existência
em nove maneiras principais de expressão da consciência em formas concretas;
2) essas nove manifestações derivam de três aspectos básicos que integram a
unidade da essência; 3) a manifestação dessas nove formas se dá num processo de
obstrução ou expressão da consciência.

29
A héxade é uma figura geométrica com seis pontas, ou seja, um hexágono incompleto. Ver a sua
representação na figura 1, no final desse tópico.
30
Ver a representação da héxade no círculo na figura 1, no final desse tópico.
31
Ver o símbolo completo do Eneagrama na figura 1, no final desse tópico.
32
Ibid., p.31.
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Figura 1. O símbolo de Eneagrama completo e separado por suas partes específicas

___________________________________________________________________________
ENEAGRAMA E CONSCIÊNCIA

Na perspectiva do Eneagrama, cada indivíduo ou grupo, é uma totalidade


psicossomática, expressão da essência espiritual33. Wilber (2001)34 coloca o espírito
como sinônimo de consciência, trazendo a idéia de que estar em contato com a
essência é perceber a consciência expressando-se num contínuo processo de
transformação e auto-transcendência. Nesse sentido, cada ser está sempre
evoluindo, realizando potenciais, os quais o levam a estar mais completo e
complexo.
Na concepção antropológica eneagramática há uma busca de ver a si
mesmo, aos outros e a realidade como um todo em constante evolução por meio da
consciência manifestando-se em formas concretas. Quando isso acontece há um
contato com a essência criativa do universo - fonte de paz, tranqüilidade e amor –
que possibilita um “agir-no-mundo” contextualizado, flexível e harmonioso. Isto, por
sua vez, colabora para a consciência expandir-se realizando ainda mais
capacidades positivas.

33
A denominação do que é a essência é diferente em cada tradição, podendo ser chamada também
de Deus, Ser, Natureza Búdica; Vazio Criativo; Consciência Superior; Todo Auto-consciente;
Verdadeira Natureza.
34
WILBER, Ken. Uma breve história do universo: de Buda a Freud. Rio de Janeiro: Nova Era,
2001.
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No âmbito individual, isso significa a pessoa perceber que, apesar de ter um


jeito próprio de ser, pode viver os mais diversos tipos de experiências, a depender
da necessidade real do momento presente. No âmbito coletivo, consiste no grupo
saber ir além do seu modo típico de se articular, recriando-se sempre que preciso.
Quando uma pessoa ou grupo está em contato com a sua essência há fluidez nas
ações e crescimento porque existe a consciência dos estímulos internos e externos
que os afetam, possibilitando uma maior liberdade nas escolhas e tomadas de
decisões.
Entretanto, quando uma pessoa ou grupo afasta-se da sua essência,
esquecendo o todo que é e identificando-se com apenas uma parte sua, inicia-se um
processo de obscurecimento espiritual: perda da experiência do ser a qual gera uma
obstrução da consciência (NARANJO, 1997, p. 22)35. Em outras palavras, passa-se
a ver a realidade a partir de um foco de atenção específico e limitado para
compreender a vastidão de cada fenômeno que aparece no cotidiano da existência.

A OBSTRUÇÃO DA CONSCIÊNCIA NO TRIÂNGULO DO ENEAGRAMA

A primeira redução de consciência refletida pelo eneagrama se dá pelo apego


maior a um dos três centros fundamentais do ser humano: físico; emocional ou
intelectual.
O indivíduo preso ao centro físico tende a preocupar-se demais com a
autonomia do seu eu, sendo movido pelo sentimento de raiva e tendendo a reagir
instintivamente nas situações diárias. Trata-se de uma reação visceral automática
que o impede de entrar em contato com seus sentimentos na ocasião e de pensar
como realmente gostaria de comportar-se. Um grupo fixado nesse centro pode
querer sempre delimitar o seu espaço social, por exemplo, passando por cima de
outros grupos ou tornando-se indiferente a eles. As pessoas de um grupo desse tipo
poderão ter dificuldade em colocar-se no lugar dos outros e refletirem sobre o
impacto de suas ações.
O indivíduo preso ao centro emocional tende a preocupar-se demais com a
sua imagem perante os outros, sendo movido pelo sentimento de vergonha e

35
NARANJO, Cláudio. Os nove tipos de personalidade: um estudo do caráter humano através
do Eneagrama. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.
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tendendo a reagir emocionalmente nas situações diárias. Trata-se de uma reação


automática a partir do que se está sentindo no momento, que o leva para um agir
magoado e sem questionamento racional. Um grupo fixado nesse centro pode
querer sempre construir uma imagem social boa, a qual, não necessariamente,
corresponde à realidade. As pessoas de um grupo desse tipo poderão ter dificuldade
em se mostrarem como realmente são contribuindo para um clima grupal de
desconfiança mútua.
O indivíduo preso ao centro mental tende a preocupar-se demais com a
elaboração de estratégias para lidar com a vida, sendo movido pelo sentimento de
medo e tendendo a reagir intelectualmente nas situações diárias. Trata-se de uma
reação automática, protetora, de pensar muito antes de tomar atitudes, a qual o
impede de agir no momento certo conectado com o que está sentindo. Um grupo
fixado nesse centro pode querer sempre traçar antecipadamente regras de conduta
e planos de ação, podando a espontaneidade. As pessoas desse grupo poderão ter
dificuldade em lidar com imprevistos, correndo o risco de não concretizarem seus
objetivos.

A OBSTRUÇÃO DA CONSCIÊNCIA NOS NOVE PONTOS DO ENEAGRAMA

A segunda e principal redução de consciência demonstrada pelo Eneagrama


refere-se ao aprisionamento nos processos de um dos seus nove pontos. Cada
ponto expressa uma manifestação natural da essência na existência a qual cabe em
certos contextos específicos, contudo, quando um indivíduo ou grupo fica preso a
isso fora dessas situações apropriadas, tende a fragmentar a sua visão de si mesmo
e do mundo.
No âmbito individual, a consciência é diminuída pela identificação da pessoa
com a sua personalidade (seu modo típico de sentir, pensar e agir), a qual é
estruturada a partir de um dos nove pontos do Eneagrama. A personalidade de cada
indivíduo é um todo complexo e formado por múltiplos aspectos, mas um deles
torna-se o que Gurdjieff denominava Traço Principal (PATERHAN, 2003, p.50)36.

36
Ibid., p.50.
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Trata-se de um padrão habitual de reação que ele utiliza para lidar com a vida.
Daniels e Price (2000, p.15)37 afirmam:
Cada um dos nove padrões baseia-se numa tendência explícita de
percepção. Essa tendência, ou filtro, determina os objetos aos quais você
presta atenção e o modo pelo qual você dirige o uso da sua energia. Cada
um dos nove padrões é um postulado básico, uma crença, acerca do que é
necessário para a sobrevivência e a satisfação na vida.

O Traço Principal de cada pessoa (assim como seus outros traços) foi
formado para proteger um aspecto particular do seu ser o qual parecia ameaçado
durante a fase de formação da personalidade38. Ele atua como um “piloto
automático” entrando em ação sempre que o indivíduo afasta-se da sua essência,
perdendo a base de como atuar a partir do seu ser. Embora toda pessoa manifeste-
se pelos nove pontos do Eneagrama, o Traço Principal representa seus maiores
dilemas e dificuldades e o modo que mais obstrui sua consciência.
Para as pessoas identificadas com o Traço 1 a questão que mais afeta é a
procura de um estado ideal de perfeição. Na busca de crescerem e se
transformarem acabam construindo padrões de retidão e conduta moralmente
exigentes, os quais, muitas vezes, são inatingíveis. Reduzem a sua consciência
ficando frustradas, ressentidas e irritadas por não serem como queriam, os outros
não agirem como deveriam e por acharem que o mundo é injusto. Dessa forma,
perdem a serenidade necessária para seguir a dinâmica do cotidiano com
flexibilidade e criatividade.
Para as pessoas identificadas com o Traço 2 a questão que mais afeta é a
tentativa de corresponderem as expectativas dos outros. Na busca de servirem,
atendendo atenciosa e agradavelmente as necessidades alheias, distanciam-se do
que realmente precisam e almejam. Reduzem a sua consciência sentindo-se
orgulhosas por serem úteis e depois ficando magoadas e cobrando porque ninguém
as valoriza como merecem. Dessa forma, perdem a humildade para saber quando
devem doar a si mesmas e quando devem doar-se para os outros.

37
DANIELS, D.; PRICE, V. A essência do Eneagrama. São Paulo: Pensamento, 2000.
38
A personalidade é formada durante os 30 primeiros anos de vida do ser humano a partir de três
tipos de influências: genética; ambiental; escolhas da pessoa. A determinação genética predispõe
o indivíduo para certos tipos de temperamentos ao invés de outros. A determinação ambiental o
ensina valores e crenças culturais, as quais são reveladas pelos grupos sociais de sua
convivência. As escolhas da pessoa referem-se a uma autodeterminação, ou seja, cada um reage
as suas circunstâncias de vida de um modo. Seguindo ou não as predisposições genéticas,
aceitando ou refutando os padrões apresentados pelo seu meio e escolhendo comportar-se de
certa maneira diante da existência, o indivíduo vai construindo a sua personalidade, o seu modo
próprio de sentir, pensar e agir.
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Para as pessoas identificadas com o Traço 3 a questão que mais afeta é o


desejo de serem reconhecidas. Na busca de obter sucesso naquilo que realizam
apegam-se demais a imagem que os outros têm delas, preocupando-se em se
projetar como alguém de valor. Reduzem a sua consciência fazendo muitas coisas
ao mesmo tempo para atingir resultados com eficiência e ficando impacientes com o
que (ou quem) atrapalha os seus planos de ação. Dessa forma, enganam-se,
identificando-se com suas atividades, e perdem a autenticidade.
Para as pessoas identificadas com o Traço 4 a questão que mais afeta é a
vontade de serem especiais. Na busca de originalidade, sentem-se muito diferentes
dos outros e sofrem por não estarem vivenciando o que gostariam. Reduzem a sua
consciência comparando-se com os outros e imaginando situações de conquista e
realização de objetivos de difícil concretização. Dessa forma, afastam-se do aqui e
agora, entrando num estado de carência afetiva e melancolia.
Para as pessoas identificadas com o Traço 5 a questão que mais afeta é
quererem compreender intelectualmente tudo que acontece a sua volta. Na busca
de serem independentes e preservarem sua privacidade, acumulam conhecimentos
sobre as coisas e pessoas para não precisarem interagir muito. Reduzem a sua
consciência isolando-se socialmente, refugiando-se no seu mundo mental e não
entrando em contato com seus sentimentos. Dessa forma, tornam-se avaras de si
mesmas, não se doando para os outros e tendo dificuldade de receber carinho e
realizar trocas emocionais.
Para as pessoas do Traço 6 a questão que mais afeta é uma incessante
necessidade de apoio e orientação. Na busca de se sentirem seguras, apegam-se a
rotinas, regras e pessoas de uma maneira rígida. Reduzem a sua consciência
preocupando-se demais em como prevenir possíveis problemas futuros. Dessa
forma, ficam presas numa dúvida constante e em um medo paralisante que as
impede de confiar em si mesmas, nos outros e na vida.
Para as pessoas do Traço 7 a questão que mais afeta é um incansável anseio
por experiências positivas e agradáveis. Na busca de serem felizes e se
satisfazerem, estão sempre tentando achar algo novo que lhe trará um prazer
diferente. Reduzem a sua consciência planejando situações idealizadas de auto-
realização, as quais dificilmente trazem o que elas esperam. Dessa forma, entram
num processo de euforia e excitação e adquirem uma dificuldade de enfrentar as
rotinas do cotidiano e seus problemas pessoais e de relacionamento com os outros.
PRUDENTE, André. O eneagrama como mapa de consciência. In:
SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA, 1., 2006, Salvador.
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Anais... Salvador: Fundação Ocidemnte, 2006. 1 CD-ROM.

Para as pessoas identificadas com o Traço 8 a questão que mais afeta é o


desejo de determinar o curso da própria vida. Na busca de serem “donas do próprio
nariz”, acabam expressando suas crenças e vontades de uma maneira defensiva,
impositiva e agressiva. Reduzem a sua consciência disputando poder, “lutando” e
pressionando para obterem o que querem. Dessa forma, tendem a invadir o espaço
pessoal dos outros, os deixando inibidos para um contato mais estreito e gratificante.
Para as pessoas identificadas com o Traço 9 a questão que mais afeta é o
anseio de manter a paz e o equilíbrio interior. Na busca de não entrarem em conflito,
deixam de lado suas opiniões e vontades, fazendo o que é necessário para manter o
ambiente a sua volta em harmonia. Reduzem a sua consciência, protelando
decisões e ações por realizarem o que é secundário ao invés do mais importante no
momento. Dessa forma, ficam presas a uma preguiça, a uma apatia que as deixa em
uma postura fatalista de indiferença: “Não adianta fazer nada!”.
No âmbito coletivo, a consciência também é diminuída pela identificação do
grupo com um dos nove pontos principais do Eneagrama. O pessoal e o grupal
estão interligados e influenciam-se mutuamente. Quando os padrões de um dos
nove Traços Principais são enfatizados por um grupo, seus participantes tendem a
aprisionar-se a ele. Apesar de cada indivíduo ter o seu Traço Principal, acaba
focando a atenção também nas questões fundamentais do Traço Principal exaltado
pelos grupos sociais nos quais convive.

ENEAGRAMA E TRANSFORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

Do ponto de vista do triângulo eneagramático, o processo de transformação


da consciência começa quando o indivíduo ou grupo percebe com qual centro está
mais identificado. A fixação em um dos centros gera uma fragmentação da
consciência e compreender isso permite a (s) pessoa (s) transitar também entre os
outros dois.
Trata-se de se movimentar do centro físico para o emocional e mental
livremente e vice-versa, a depender da situação, expressando-se por meio dos
instintos, sentimentos e pensamentos. Dessa forma, o indivíduo ou grupo recupera o
contato com a sua essência de ser um todo integrado (instintivo-emocional-mental) e
sua consciência se expande proporcionando evolução e crescimento.
PRUDENTE, André. O eneagrama como mapa de consciência. In:
SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA, 1., 2006, Salvador.
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Anais... Salvador: Fundação Ocidemnte, 2006. 1 CD-ROM.

Com relação aos nove pontos do Eneagrama, há a transformação da


consciência quando o indivíduo ou grupo deixa de se identificar com o seu Traço
Principal. O apego a esse padrão específico tolda a percepção e conhecer como
isso se dá permite ir além dele, revelando outras possibilidades de ação. Consiste
em recuperar o contato com a essência, a qual é caracterizada por um estado de
liberdade, flexibilidade e criatividade de ser o que se é em cada momento da
existência. Assim há a expressão dos dons ligados ao ponto eneagramático em
questão e não os comportamentos compulsivos.
No ponto do 1 do Eneagrama, isso significa perceber que há várias maneiras
de se fazer algo e que perfeição não é atingir um estado específico, mas sim estar
sempre aperfeiçoando-se, respeitando os limites evolutivos do momento. No ponto
2, isso significa perceber que há espaço para as necessidades de todos serem
atendidas e que ser altruísta é doar-se tanto para si mesmo quanto para os outros,
sem cobranças.No ponto 3, isso significa perceber que o sucesso e o valor não vêm
da quantidade de conquistas, mas sim da qualidade do que se é oferecido e da
verdade com que isso é mostrado.
No ponto 4, isso significa perceber que não existe nenhuma manifestação
igual no mundo e que, por isso, tudo tem a sua especialidade e importância. No
ponto 5, isso significa perceber que o conhecimento necessário para a compreensão
e vivência da realidade está dentro de si mesmo e não no acumulo de informações
intelectuais. No ponto 6, isso significa perceber que apesar de existirem riscos na
existência sempre haverão recursos suficientes para se lidar com eles e, por isso,
pode-se confiar em si mesmo, nos outros e na vida.
No ponto 7, isso significa perceber que e a satisfação e a felicidade
verdadeiras só se concretizam quando escolhas são feitas e ações são realizadas
até o fim. No ponto 8, isso significa perceber que tudo está relacionado com tudo e
que, para se alcançar objetivos, é necessário uma interação harmoniosa entre as
pessoas e grupos. No ponto 9, isso significa perceber que para alcançar o que se
quer é fundamental enfrentar obstáculos e conflitos por meio de uma ação firme e
correta, a qual leva em consideração os vários aspectos da situação.
Portanto, o Eneagrama funciona como um excelente mapa de consciência, o
qual auxilia na identificação de processos obstrutores de consciência e na
transformação deles. É como explica Zuercher (2003, p.7):
PRUDENTE, André. O eneagrama como mapa de consciência. In:
SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA, 1., 2006, Salvador.
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Anais... Salvador: Fundação Ocidemnte, 2006. 1 CD-ROM.

A medida que estudamos o eneagrama, vamos gradualmente vendo que


frustramos aquilo que mais desejamos para nós mesmos. Tomamos
consciência daquilo que nos tolda a percepção e bloqueia a nossa energia.
Ficamos conhecendo aquilo que instila o medo em nosso coração e o
paralisa, bem como aquilo que o leva a ter uma reação automática,
compulsiva. Passamos a ter conhecimento dos padrões da dinâmica
pessoal e dos temas da vida em sua repetição na experiência. Por meio
dessa percepção, podemos nos reconciliar com o nosso próprio ser e
aprender a fluir com as nossas energias vitais. Descobrimos que talento
nosso constitui uma dádiva para os outros e para nós mesmos. Em outras
palavras, passamos a conhecer cada vez mais a nossa realidade.

REFERÊNCIAS

DANIELS, D.; PRICE, V. A essência do Eneagrama. São Paulo: Pensamento,


2000.

MAITRI, Sandra. A dimensão espiritual do Eneagrama. São Paulo: Cultrix, 2000.

MELENDO, Maite. O Eneagrama. São Paulo: Loyola, 2001.

NARANJO, Cláudio. Os nove tipos de personalidade: um estudo do caráter


humano através do Eneagrama. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

PALMER, Helen. O Eneagrama no amor e no trabalho. São Paulo: Paulinas, 1999.

PATERHAN, Christian. Eneagrama: um caminho para o seu sucesso individual e


profissional. São Paulo: Madras, 2003.

RISO, D. R.; HUDSON, R. A sabedoria do eneagrama. São Paulo: Cultrix, 1999.

ROHR, R; EBERT, A. Eneagrama: as nove faces da alma. Rio de Janeiro: Vozes,


1992.

ZUERCHER, S. A espiritualidade do Eneagrama. São Paulo: Paulus, 2003.

WILBER, Ken. Uma breve história do universo: de Buda a Freud. Rio de Janeiro:
Nova Era, 2001.

WEBB, Karen. Eneagrama. São Paulo: Avatar, 1998.