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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO - FAVENI

PSICOPATOLOGIA E JUSTIÇA

ESPIRITO SANTO
SUMÁRIO

1 Psicopatologia, Psiquiatria e Psicanálise ........................................... 2

2 Patologia Neurótica ............................................................................ 6

3 PATOLOGIA PERVERSA ................................................................ 13

4 Patologia Psicótica ........................................................................... 18

4.1 Tipos de Psicoses ..................................................................... 19

4.2 Transtornos afetivos X psicoses................................................ 22

5 Psicopatologia no direito penal ........................................................ 23

5.1 DIREITO PENAL E SEUS CONCEITOS ................................... 24

5.2 DAS PSICOPATOLOGIAS ........................................................ 34

6 Psicopatologia e Periculosidade ...................................................... 40

7 BIBLIOGRAFIA ................................................................................ 44

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1 PSICOPATOLOGIA, PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE

Fonte:veja.abril.com.br

O campo da justiça, por questões práticas, demonstra acentuado


interesse no entendimento sobre as relações entre as alterações
psicopatológicas e os comportamentos desviantes.
A psicopatologia psicanalítica se caracteriza pela compreensão da
dinâmica psíquica que fundamenta cada uma das três possíveis estruturas da
personalidade e dos conflitos psíquicos decorrentes desta estruturação.
Freud considera que a personalidade já está bem formada o final do quinto
ano de vida e que o desenvolvimento ulterior é essencialmente a elaboração
dessa estrutura básica. O modelo psicanalítico propõe que inicialmente a criança
não imagina que existam diferenças anatômicas e acredita que homens e
mulheres têm anatomia semelhantes.
Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos, as
crianças criam as chamadas “teorias sexuais infantis” imaginando que as
meninas não têm pênis porque este órgão lhe foi arrancado (complexo de
castração). As meninas veem-se incompletas (por causa da ausência e
consequente inveja do pênis).

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Neste período surge o complexo de Édipo, no qual o menino passa a
apresentar uma atração pela mãe e a se rivalizar com o pai, e na menina ocorre
o inverso.
Conceitua-se como angústia de castração a resposta afetiva decorrente
da constatação da inexistência do pênis na menina, independentemente do
gênero, na fase fálica. Ao passo que, para o menino, tal verificação se configura
num pavor considerativo à iminência de sua perda, para a menina se conforma
como uma veemente ânsia por obtê-lo.
A angústia de castração, condição natural no desenvolvimento psíquico,
não sobrevém à criança por dependência vinculada a investimentos interventivos
dos seus tutores, embora suas interdições, de fato, sensibilizem-na.
Verifiquemos, pois, como atua a angústia de castração nos
comportamentos do menino e da menina, respectivamente.
Em determinado momento da fase fálica, o menino se percebe detentor,
proprietário de algo essencial que falta às meninas: um pênis. A partir desse
momento, passa a investir sua atenção sobre seu membro fálico: dispositivo
precioso de satisfação sexual (enquanto obtenção de prazer auto erótica).
Decorrente da sua percepção comparativa com as meninas, o menino
desenvolve uma atitude narcísica, comprovável em comportamentos peculiares
das crianças desta fase, como a inclinação ao exibicionismo, ou seja, à
recorrente exposição de seu pênis. Trata-se de uma auto identificação fálica.
É exatamente dessa supervalorização narcísica do menino que nasce o
intenso medo de tê-lo danificado ou de perde-lo, pela castração.
Numa tentativa de refutar a realidade constatada, de opor-se à
comprovação da dissemelhança fálica entre gêneros, o menino desenvolve uma
perversão originária, um caminho alternativo de sublimação.
Uma compensação dispositiva ilusória sobrevém, então, a esse menino:
o pênis das meninas, assim como o seu, virá a emergir.
Embora busque tal compensação, sua angústia não se reduz. A ausência
do pênis na menina não é percebida como condição natural pelo menino. É vista,
sim, como uma amputação compulsória, consequente de uma punição projetivo-
fantasiosa, advinda dos pais (ou tutores) da menina, se colocando como um
severo castigo pelos mesmos prazeres e desejos que ele (o menino) sente,
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assim como comportamentos que venha a ter – e que são interditados – como a
masturbação, por exemplo.
É relevante salientar que, como defesa, o menino não generaliza a
constatação da inexistência do pênis para todas as mulheres. Para ele, somente
aquelas que foram condenadas por seus impulsos intoleráveis foram mutiladas.
Partilhada por meninos e meninas, permanece a convicção de uma mãe
peniana, não amputada, representante ideal e imaginária da convergência do
universo adulto.
No que concerne à fase fálica da menina, observa-se uma performance
exclusivamente clitoriana – e não vaginal, como ocorrerá na fase genital –,
relativa ao seu dispositivo de satisfação sexual.
Após um estágio de recusa e de expectativa quanto ao surgimento ou
nascimento do pênis, a menina, na inequívoca evidenciação da sua ausência,
se vê constrangida a admiti-la. A falta do pênis não se configura como uma
possibilidade. Ao contrário: é pungente, irrefutável. Trata-se de uma conjuntura
orgânica, fisiológica, biológica. É no momento de tal descoberta ou comprovação
que, por desencantamento e frustração, a menina incursa no Complexo de
Édipo.
A constatação da ausência do pênis se projeta como uma absorvente
úlcera narcísica, que imputa à menina um visceral sentimento de inferioridade,
de subalternidade, de desvantagem, corroborado por coeficientes externos, em
especial, no que tange à cultura, à história, aos costumes e aos valores sociais.
Surge a inveja do pênis: uma reivindicação fálica, cuja finalidade se
encerra em reaver, em reconquistar, aquilo que, sem embargo, acreditava
possuir anteriormente à sua “mutilação”, o pênis.
Devido às imperativas contingências da realidade, a menina se vê
obrigada a admitir a sua derrota fálica, atribuindo sua mutilação à sua mãe (ou à
sua tutora do sexo feminino), imputando-lhe sentimentos motivadores a tal, como
a inveja, a vingança e o ressentimento, pela mesma ausência fálica da qual
participa.
Ao passo que rechaça sua mãe, a menina tende a se chegar ao pai (ou
ao seu tutor do sexo masculino), mudando seu objeto para principiar sua
abertura ao Édipo. Ocorre, portanto, uma ressignificação: enquanto a mãe se
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torna produto de ciúme, rivalidade e despeito, perdendo sua posição objetal
primitiva de afeto, o pai se converte no seu novo foco de amor.
Em vista da assimilação irreversível quanto à impossibilidade de ter um
pênis, a menina desloca o desejo pelo falo para o desejo pelo filho. Daí a
necessidade do “brincar de mamãe, utilizando com bonecos”, investindo em
bebês artificiais seu desejo deslocado.
A estrutura da personalidade se constitui a partir da solução dada pelo
sujeito ao conflito advindo da vivência do Complexo de Édipo e da saída que
encontra para lidar com a ansiedade intensa vivenciada frente à constatação da
castração. Segundo a psicanálise, os mecanismos utilizados por cada uma das
estruturas clínicas são:

 Neurose- mecanismo: repressão da castração- No processo de


solução do conflito edipiano, o sujeito rejeitou o conhecimento da existência
da castração e, para lidar com angústia, recalcou este conteúdo. No caso da
repressão, o inconsciente sabe da realidade e a consciência, não. A
representação reprimida encontra-se no inconsciente vem à consciência por
meio dos sintomas, enquanto substitutos simbólicos.

 Psicose- mecanismo: negação da castração- o psicótico se estrutura


afirmando que a castração não existiu e para tanto cria outra realidade, que
transparece por meios dos delírios e alucinações.

 Perversão- mecanismo: renegação da castração- O perverso substitui a


crença da falta do falo na mãe pela convicção de que esta o possui ou
mesmo de que ele é o próprio falo que falta à mãe. Neste mecanismo, a
presença de uma crença implica a renegação da outra. A formação de
compromisso se expressa na ritualização da castração através do objeto
fetiche.

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2 PATOLOGIA NEURÓTICA

Fonte: cheinhafeliz.com.br

A patologia neurótica se caracteriza pelo recalque do desejo durante o


Complexo de Édipo. A somatização de conversão histérica, por exemplo, se
fundamenta na presença de um desejo sexual que não foi satisfeito pelas vias
normais. O neurótico não tenta abrandar a castração: a castração existe, mas
ele tenta fazer com que quem seja castrado seja o outro e não ele. É o outro que
fica no lugar da falta.
O neurótico está marcado pela castração, investindo grandes quantidades
de energia corporal e psíquica para manter inconsciente este conhecimento. O
mecanismo da repressão está presente nessa defesa.
O sintoma neurótico aparece, então, como sendo uma representação
substitutiva, resultado da formação de compromisso entre o ego e o id. Por
exemplo, a somatização de conversão histérica se fundamenta na presença de
um desejo sexual que não foi satisfeito.
No estudo da origem e do desenvolvimento das neuroses, a fase fálica
ocupa um espaço primordial. Sua importância envolve as reflexões concernentes
às interdições, impedimentos e proibições impostas pelos tutores infantis, sejam
os progenitores, sejam os educadores, com vistas a extinguir a satisfação do
prazer sexual libidinal.

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Como exemplo, temos as repreensões adultas quanto a masturbação
infantil ou a manipulação dos órgãos genitais pela criança que atravessa a fase
fálica, sem justificativa plausível ou argumentação coerente.
Não apenas a confiança e a identificação com o universo adulto ficam
comprometidas, mas estabelece-se um pronto de fixação, em virtude de uma
atenção plástica sob a qual a criança é submetida.
Observando as fases oral e anal, constata-se que a repressão parcial da
libido, biotizada em suas respectivas zonas erógenas, possui sempre um
correspondente compensatório afetivo. Tais interdições acabam por direcionar o
indivíduo no sentido de seus limites sociais, formatando o Ego, que se dispõe
desprendido a manifestar-se e a esculpir-se, segundo sua natureza, em todos
os campos não embargados pelo seu tutor. As interdições sociais têm igual
importância sensório-perceptiva às ambientais na formatação do Ego.
Ao ultrapassar as fases oral e anal, com suas repreensões libidinais
devidamente compensatórias, a criança chega à fase fálica, onde as frustrações
eróticas, sejam pelos termos culturais, sejam pelos sociais ou religiosos, podem
não receber as compensações adequadas ou não apresentar justificação
argumentativa satisfatória para a sua interdição. Ao contrário de desviar o
interesse da criança em fase fálica, a zona genital concentra toda a sua atenção
sexo-libidinal.
A conclusão natural e sadia da fase fálica torna-se elemento primordial
para um desempenho não neurótico para o indivíduo alcançar em plenitude e
salubridade a fase genital.
Para evitar impedimentos artificiais ao fluxo libidinal é imperativo que, na
fase fálica, haja um adequado grau de liberdade, para que o afeto não seja
comprometido. Vale lembrar que a criança que se encontra na fase fálica, além
de uma enorme inclinação à imitação, já possui habilidade e destreza suficientes
para exigir argumentos, problematizar questões, esperar respostas conexas e,
na ausência destas, elaborar suas próprias conclusões fantasiosas.
Em subserviência a tutores neuróticos, a criança tende a criar pontos de
fixação mais intensos e numerosos. Nesse caso, a libido encontra no próprio Ego
artificialmente focado, afetivamente carente e cognitivamente desprovido não se

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desata da zona erógena em questão, seja nas fases oral, anal ou fálica, motivado
pelo comportamento neurótico-educativo do seu tutor.
Por outro lado, se um tutor sadio, não neurótico, que tenha atingido a
plenitude da sua fase genital, orientar uma criança psiquicamente salutar as
chances de haver contingências neurótico-sociais reduzem-se
significativamente. A criança encontra espaço para reagir e sublimar
normalmente suas tensões psíquicas, provendo uma adequada adaptação do
sujeito à sociedade, menos tendido a neuroses.
É essencial que o tutor infantil não aflija ou cerceie, por incompetência
própria ou por influência neurótica, as manifestações fálicas preliminares, a fim
de não fomentar uma fixação auto erótica que repercutirá no campo do afeto
relacionado à fase genital.
É preciso que se atente para o contexto não genital da criança em fase
fálica: a masturbação, o interesse nas diferenças entre o par e o contra par de
gênero, assim como as suas respectivas curiosidades sexuais voluntárias não
possui a conotação sexual inerente a uma percepção adulta ou genital. A
interdição dessas atividades se apresenta sem sentido, tirânica e
potencializadora de atenção libidinal da criança para algo do qual não deveria,
por hora, ser alvo.
A muito se acreditava que a patologia mental ou mais precisamente o que
conhecemos como neurose, era um comportamento imutável adquirido na tenra
infância não podendo ser alterado devido ao esquecimento o qual estaríamos
fadados.
A psicanálise deixa bem claro que a neurose, psicose e perversão seriam,
no entanto, categorias constitutivas como se fossem tipos, ou seja, padrões
imutáveis os quais a pessoa estaria fadada a conviver. A partir desse ponto de
vista a patologia seria uma forma de tipificar um comportamento para melhor
prevê-lo. Fica difícil, portanto, saber onde começa a patologia e onde termina.
Ao nomear a dinâmica de uma personalidade como sendo neurótica nomeia-se
um conflito e um padrão comportamental como sendo patológico, toma-se o
caráter pelo sintoma como mostra Jung (1971) quando diz que:

“... a neurose é um desenvolvimento patológico unilateral da


personalidade”.

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Sabemos nós psicólogos psicoterapeutas que nem todo conflito é
patológico bem como nem todo conflito é natural. Por isso Jung teve muitas
reservas ao nomear determinada dinâmica psíquica com um conceito
psicopatológico, por isso há o que denominamos como tipologia psicológica.
Muito mais coerente, no entanto se ao invés de conceber uma pessoa como
psicótica (no caso do conflito ser natural), descrevê-la como uma pessoa mais
introspectiva, introvertida em que sua realidade imaginária superpõe o
convencional, dando um colorido todo diferenciado e único.
Assim, um indivíduo neurótico é alguém que tem seu campo experiencial
reduzido a ponto de seu estado constante de alerta exigir que sempre fique à
mercê de algum perigo fantasioso substituindo um estado de aceitação e
relaxamento sensorial por um estado de tensão e prontidão muscular. Outra
característica da neurose é o chamado afeto “alienígena”, desconhecido,
geralmente devido à fragmentação exacerbada do ego em muitos complexos
com grande carga emocional. O complexo neste caso não pode ser
compreendido somente como patológico já que o universo psicológico é
composto de um conglomerado de complexos que gozam de certa autonomia, é
que, além do ego, complexo com o qual nos identificamos e que seria o centro
de nossa consciência, possuiríamos outras personalidades parciais, também
importantes, em determinadas circunstâncias (ULSON, 1988). Assim, segundo
o mesmo autor o ego perdendo o controle dos conteúdos do inconsciente,
permite que eles se manifestem como se fossem outra individualidade. Portanto
uma consequência lógica disso é o rebaixamento do nível de controle da vontade
e da deliberação natural do corpo proprioceptivo do ego.
Nos dias atuais até certo ponto faz sentido nomear a sociedade como
sendo neurótica, porém, devemos ter bem claro, a saber, que tal neurose não é
uma forma de caráter, mas uma camada que esconde a verdadeira
individualidade. Isso é evidente nas enormes patologias psicossomáticas
vivenciadas na atualidade com a enxaqueca sendo a ponta do iceberg. Portanto
nomear uma estrutura de personalidade como neurótica é na verdade trocar a
personalidade pelo sintoma e criar um embasamento superficial e fugaz para
descrever os processos psicológicos. É sobrepor o que a pessoa tem de mais
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caro (seu verdadeiro caráter) por uma camada de conflito patológico o qual o
sujeito nunca mais conseguirá se safar mesmo porque, ele passa a ser esse
conflito. Por isso muitos autores humanistas e transpessoais procuraram e
procuram observar os processos sadios, as grandes personalidades as quais
mudaram o curso dos eventos históricos. Talvez estes também tenham algo a
dizer a respeito do ser humano! Portando a neurose sendo a melhor tentativa
que a psique encontrou no intuído de se equilibrar deve ser compreendida e
analisada como tal, um sintoma de algo que não está bem. O objetivo da
psicoterapia é fortalecer o ego para que a própria pessoa possa administrar os
próprios conflitos sem que estes ganhem o controle da personalidade. A Neurose
passa a ser neste caso um alerta, um chamado para que algo novo deva
acontecer.
Dentre o quadro de perturbações neuróticas destaco as reações
neurótico-depressivas, as reações obsessivo-compulsivas, as reações de fobia
e as reações de conversão.
As reações neurótico-depressivas (ou neuróticas depressivas), que
constituem de vinte a trinta por cento das perturbações neuróticas, se configuram
como respostas reativas subjetivas a determinada conjuntura ou situação
infundente de dor de ordem tensional, como, por exemplo, uma tristeza
descomunal, uma prostração excessiva, que interpõe excessiva resistência ou
mesmo impede o sujeito de restabelecer seu padrão normal, posteriormente a
um período plausível e razoável de tempo para que isso ocorra, podendo
vulnerabilizar o indivíduo a uma continuada depressão embrionária, latente, após
a dissipação dos sintomas neurótico-depressivos mais explícitos.
Os sintomas neurótico-depressivos compreendem sentimentos e sinais
de abatimento, depressão, desânimo, prostração, desinteresse, indiferença,
melancolia, tensão e tristeza, assim como envolvem percepções somáticas
reflexas e impulsionam a uma difusa – porém branda – hostilidade. As
dificuldades e embaraços de concentração, a tendência à insônia, a diminuição
do vigor realizacional, a limitação da autoconfiança e da autoestima, a restrição
dos interesses sócio interacionais e a falta de iniciativa, denotando inclinação a
uma inércia inquietante, coadunam com altos graus de angústia, de ansiedade
e de preocupação do neurótico-depressivo.
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As reações de fobia são caracterizadas por um temor ininterrupto,
continuado, permanente de alguma circunstância, ocasião ou objeto que não
oferece ao sujeito qualquer risco autêntico ou ameaça legítima, ou que oferecem
algum grau de perigo, mas geram um medo desproporcional, demasiado,
excessivo, descomedido em analogia com a sua circunspecção verdadeira, com
a razoabilidade real de sua gravidade.

Fonte: www.fatosdesconhecidos.com.br

Quanto aos sintomas, as reações de fobia são caracterizadas por temores


intensos e irracionais, com elevado nível de influência no comportamento
habitual do indivíduo, que, da mesma forma, apresenta-se pouco razoável,
igualmente irracional. Tratam-se de pensamentos que, mesmo para o sujeito,
não estabelecem relação de consequência com o real, mas que, no entanto,
apresentam-se inevitáveis, impassíveis, a nível consciente, de
desvencilhamento ou esquiva.
Embora paradoxal, ao não se sujeitar ao temor da sua fobia, buscando, o
próprio sujeito, uma circunstância para vivenciá-la, o neurótico fóbico é invadido,
sobrepujado por uma angústia que se estratifica desde um difuso e constante
ansioso mal-estar até um acometimento pungente e abrupto dessa angústia.
Assim como nas reações de fobia, as reações obsessivo-compulsivas,
que constituem de vinte a trinta por cento das perturbações neuróticas,
concernem o reconhecimento da irracionalidade do comportamento por parte do
indivíduo, que, paradoxalmente, se vê compelido, constrangido, forçado,

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obrigado a direcionar seu pensamento para uma ação que não deseja
concretizar. Essa especificidade de reação é dotada, portanto, de
irracionalidade, obsessão e compulsão.
As reações obsessivo-compulsivas têm por sintomas pensamentos de
caráter obsessivo, ou seja, pensamentos ininterruptos, continuados, constantes
dos quais o sujeito não consegue se desvencilhar ou se esquivar. São
pensamentos percebidos pelo próprio sujeito como radicados pela
irracionalidade, com alto grau de interferência em seu comportamento cotidiano.
Do quadro de perturbações neuróticas, em se considerando o contexto da
psicanálise, a historicamente mais relevante é a reação de conversão, mais
comumente referida como histeria. Trata-se a reação de conversão de uma
defesa neurótica que produz um reflexo somático, ou seja, fisiológico, de uma
doença na mente, sem conexões patológicas orgânicas correlatas. Trata-se,
pois, de uma síndrome psicopatológica somática.
Os sintomas histéricos abrangem reflexos somáticos que variam de dores
difusas, de diagnóstico clínico genérico, à simulação de uma vasta gama de
patologias orgânicas, tais como cegueira, perda da capacidade de fala, paralisia
de membros e regiões, gradações de perda de sensibilidade, podendo chegar à
insensibilidade de determinada região, assim como hiperestesias e parestesias.

Fonte:www.youtube.com

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3 PATOLOGIA PERVERSA

Fonte: aviagemdosargonautas.net

A perversão é um fenômeno sexual, político, social, físico, trans-histórico,


estrutural, presente em todas as sociedades humanas (ROUDINESCO, 2007).
Em psicanálise o termo perversão tornou-se um conceito para a área por
volta de 1896 quando Sigmund Freud o colocou lado da psicose e da neurose.
Desse modo, a perversão encontra-se em um amplo campo de estudo, tendo em
vista que engloba comportamento, práticas e fantasias correlacionados à norma
social.
Com base na historicidade da perversão, detém-se, inicialmente, à
Medicina, que trouxe uma visão patológica que a caracterizava como “desvio”.
Freud (1905) em os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” traz uma
inovação sobre a criança enquanto sujeito sexual e a classifica enquanto
possuidora de uma sexualidade perverso-polimorfa, isto é, que pode ter várias
finalidades para atingir seu objetivo e que pode permanecer no adulto.
O construto da perversão percorre um caminho complexo, passando por
várias etapas, de modo que existiram pré-conceitos; juízos de valor, dentre
outros. A partir desse enfoque, surge uma teoria pautada em um conjunto de

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comportamentos psicossexuais que visam o prazer de modo contínuo, ao passo
que considera a verdade ao mesmo tempo que a nega, substituindo-a pelo seu
próprio desejo.
A partir dos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Freud institui uma
distinção entre as inversões e as perversões propriamente ditas. Esta diferença
tem seu fundamento na plasticidade do mecanismo pulsional e em sua aptidão
a se prestar a “desvios” em relação ao fim e ao objeto das pulsões. As inversões
corresponderiam a desvios concernindo ao objeto da pulsão, enquanto que as
perversões remeteriam a um desvio quanto ao fim (DOR, 1991).
No perverso o desejo aparece pela via da atuação, ou, dito de outro modo,
o perverso age, ele encena o desejo.
Do ponto de vista freudiano, a estrutura perversa parece, então, encontrar
sua origem em torno de dois polos: de um lado, na angustia da castração; de
outro, na mobilização de processos defensivos destinados a contorná-la. A este
título, ele evidencia dois processos defensivos característicos da organização do
funcionamento perverso: a fixação (e a regressão) e a denegação da realidade
(DOR, 1991).
O perverso tem uma vivência da ordem do horror no confronto com a
diferença dos sexos e nisto está a confirmação de que ele está condenado a
perder o objeto do desejo (a mãe) assim como o seu pênis.
Historicamente, as perversões de conceitos morais foram atribuídas a
perturbações de ordem psíquica, as quais dariam origem a tendências afetivas
e moralmente contrárias às do ambiente social do pervertido (FOUCAULT,
1984).
Os estudos sobre perversão na psicanálise podem ser divididos em três
momentos: o primeiro momento se relaciona com a publicação de “a neurose é
o negativo da perversão” publicado em “Três Ensaios sobre a Teoria da
Sexualidade”; o segundo momento se refere à teoria do Complexo de Édipo, que
se caracteriza o núcleo das neuroses e das perversões; no terceiro momento
Freud define a recusa da castração como mecanismo essencial da perversão.
Segundo Castro (2004), “num primeiro momento de construção teórica
freudiana, a expressão perversão sexual designava a qualidade aberrante da

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própria sexualidade”, o que, em algum nível, encontrava-se em consonância com
a visão médica vigente.
Vamos observar como a escuta psicanalítica do sintoma perverso foi aos
poucos modificando esse entendimento até que Freud chegasse à noção de
perversão como condição básica da sexualidade.
De acordo com Freud (1905), a neurose é o negativo da perversão, tendo
uma estreita relação com a teoria do Complexo de Édipo, que define a recusa
da castração como mecanismo essencial da perversão.
Nesta obra, Freud trata da perversão como desvio da conduta sexual que
não visa a genitalidade. Assim, toda criança, ao auto satisfazer-se sexualmente,
poderia ser considerada perversa. Portanto, o conceito de recusa aparece como
um mecanismo normal da construção da sexualidade. Posteriormente é
superado, pois a castração aceita e os desejos incestuosos, juntamente com os
desejos de completude, sucumbem ao recalque na normalidade, o que difere da
perversão (PFITSCHER; BRAGA, 2012).
O sujeito de estrutura perversa mantém-se, contudo, excluído do
Complexo de Édipo e da alteridade, passando a satisfazer sua libido sexual
consigo mesmo, sob caráter narcísico. Tal estrutura dá-se por meio de uma
fixação numa pulsão parcial que escapou ao recalque, tornando-se uma fixação
exclusiva. A recusa da criança, em aceitar a falta fálica da mãe, ocasiona a
recusa da percepção da castração, que retorna à ideia da figura da mulher com
o pênis, origem da fantasia da mulher fálica (SEQUEIRA, 2009).
O que ocorre na estrutura perversa é a castração edipiana: o perverso
não aceita ser submetido às leis paternas e, em consequência, às leis e normas
sociais (SEQUEIRA, 2009).
O perverso desenvolve uma personalidade conflitiva, suas fantasias
sempre são conscientes, e sempre trata de prejudicar, humilhar e maltratar
outras pessoas. Nos casos em que está associada a uma perversão sexual
(melhor descrita como parafilia), é imprescindível para o perverso um cenário em
que possa desenvolver seu desejo de destruição e de realizar atividades com
conotação obscena, ou transpor a este lugar as humilhações recebidas de
maneira real ou fictícia durante as etapas da infância e adolescência. Quando a
vítima do perverso é submetida e humilhada, este experimenta sensações de
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triunfo, dominação e superioridade. Necessita, definitivamente, sentir-se
vingador, e não vítima.
À margem dos casos de parafilias, a psicanálise interpreta a perversão
como uma categoria das estruturas nosográficas: perversão, neurose e psicose.
Um perverso desenvolve uma conduta em certa medida psicopática, que se
manifesta desde a infância até a idade adulta, tanto em âmbito familiar, quanto
no profissional, etc. Apresentam traços de agressividade e egoísmo, com uma
escassa ou nula comunicação com seu entorno. Manifestam-se como não-
adaptados e impulsivos, ao mesmo tempo que buscam perfeição em todos os
seus propósitos.
Nas atuações do perverso, há uma encenação da castração. O fetiche é
o equivalente ao pênis da mãe, ocorre o uso de uma equação simbólica e não
de um símbolo como o histérico é mais capaz de fazer, denunciando uma menor
capacidade de simbolização do perverso perante o histérico.
Conforme a CID 10, o transtorno de conduta corresponde a padrões
persistentes de conduta antissocial, agressiva ou desafiadora, por no mínimo
seis meses.
Padrão comportamental do Transtorno de Conduta:
 Conduta agressiva que causa ameaça ou danos a outras pessoas
e/ou animais;
 Conduta não-agressiva, mas que causa perdas ou danos a
propriedades;
 Defraudação e/ou furto;
 Violações habituais de regras.

Os sinais são mais observados no sexo masculino e compreendem os


seguintes comportamentos:

 Roubo sem confrontação com a vítima em mais de uma ocasião


(incluindo falsificação);
 Fuga de casa durante a noite, pelo menos duas vezes enquanto
estiver na casa dos pais (ou em um lar adotivo) ou uma vez sem
retornar;
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 Mentira frequente (por motivo que não para evitar abuso físico ou
sexual);
 Envolvimento deliberadamente em provocações de incêndio;
 Violação de casas, edifícios ou carro de outras pessoas;
 Crueldade física com animais;
 Forçar alguma atividade sexual;
 Uso de armas em mais de uma briga;
 Frequentemente inicia lutas físicas;
 Roubo com confrontação de vítima (ex: assalto, roubo de carteira,
extorsão, roubo à mão armada).
 Crueldade física com pessoas.

Diversos campos do saber têm tentado formular modelos explicativos


para o surgimento dos distúrbios de condutas. Por muito tempo, a sociologia
propôs que jovens socialmente e economicamente desprivilegiados tendiam à
criminalidade como forma de obterem sucesso. No entanto, essa teoria foi
incapaz de sustentar-se pois pode observar-se que a tendência antissocial surge
também entre pessoas com grande oferta de recursos financeiros e sociais.
Ainda hoje, é difícil de entender como lares onde a provisão ambiental parece
ser suficientemente boa a tendência antissocial pode se instalar na criança.

Fonte: www.cvv.org.br

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4 PATOLOGIA PSICÓTICA

Fonte:paixaoassassina.blogspot.com

A psicose é um estado incompreensível para quem está “de fora” é, de


todo, impossível perceber o modo de pensar de alguém psicótico, tudo é
estranho e nada faz sentido. Os sintomas mais comuns de psicose são:
-Delírio - convicção falsa e inabalável, fora do contexto social e cultural
do doente, de origem mórbida, não sendo possível modificar através da
demonstração do real.
-Alucinações - Experiências perceptivas (sensações) tomadas por reais
na ausência de estímulo externo correspondente. Para o doente é impossível
distinguir as alucinações das verdadeiras percepções. Podem ser auditivas
(vozes), visuais (pessoas, vultos, imagens), sensitivas (toques, calor), olfativas
(cheiros) e gustativas (sabores).
Para além destes sintomas é frequente observar-se, comportamentos
estranhos - que podem ser causados pelos delírios (ex: entrar numa loja e
vasculhar todos os recantos à procura de microfones) e pelas alucinações (ex:

18
as vozes obrigam-no a andar sempre com as mãos na cabeça); isolamento social
- a maioria destes doentes acaba por se isolar, deixar de estar com os amigos,
etc ; desconfiança – eles fazem parte de uma conspiração ou que o querem
matar; alterações de personalidade – por exemplo, determinada pessoa muito
extrovertida, conversadora, pode ficar muito virada para dentro, deixar de
socializar; alterações do humor; desorganização - fazer “coisas sem sentido” ou
pensar de forma não lógica.

4.1 Tipos de Psicoses

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças volume 10 (CID-


10), atualmente utilizada no Brasil para referência de classificação de doenças,
as psicoses são várias.
Elas são:
 A esquizofrenia,
 O transtorno de personalidade esquizotípica e
 Transtornos psicóticos.
Cada um desses tipos pode conter subtipos.

Esquizofrenia

Esquizofrenia, no geral, é caracterizada por alterações no pensamento,


na percepção, no comportamento e no humor.
Apesar de poder acontecer em outras idades, este tipo de psicose se
manifesta pela primeira vez com maior frequência em adolescentes e jovens
adultos na faixa dos 14 e 28 anos.
Existem diversos tipos de esquizofrenia, cada um com suas
características específicas.

19
Transtorno de personalidade esquizotípica

O transtorno esquizotípico se mostra por anomalias do pensamento e humor


semelhantes aos da esquizofrenia.
O paciente pode apresentar comportamento excêntrico, além de ideias
estranhas e paranoides, mas que não evoluem completamente para um delírio.
Períodos quase psicóticos e alucinações auditivas podem surgir.

Transtorno delirante persistente

Caracterizados única ou principalmente por delírios persistentes, mas


sem outros sintomas que possam indicar esquizofrenia ou transtornos de humor,
os transtornos delirantes não causam alucinações na maioria dos casos, mas
idosos podem ter alucinações auditivas com frequência irregular.
Desde que alucinações tipicamente esquizofrênicas não dominem o
quadro, o diagnóstico desses transtornos não é alterado.
Caso os delírios sejam de curta duração — em torno de duas semanas —
o caso é classificado como psicose aguda e transitória.

Psicoses agudas e transitórias

Estes transtornos são caracterizados por sintomas psicóticos de curta


duração e que não reincidem. Os sintomas incluem ideias delirantes,
alucinações e percepções perturbadas, além de comportamento gravemente
desorganizado. O tempo de duração costuma ser de, no máximo, duas semanas.

Transtorno delirante induzido

O transtorno delirante induzido é dividido por duas ou mais pessoas


fortemente ligadas emocionalmente. É frequente em famílias, e apenas uma das
partes apresenta delírios autênticos, sendo o outro induzido a eles.

20
Pais podem passar delírios aos filhos que acreditam no que eles dizem.
O afastamento das partes costuma ocasionar o abandono dos delírios por parte
do induzido.

Transtornos esquizoafetivos

Este tipo de transtorno possui sintomas tanto de características


esquizofrênicas quanto de transtornos de humor, não podendo ser classificados
nem como um nem como outro. Está dentro do espectro da esquizofrenia.

Pode ser dividido em três:

 Transtorno esquizoafetivo do tipo maníaco


Quando o paciente apresenta sintomas tanto de esquizofrenia quanto de
mania de maneira predominante, esta é a classificação do transtorno.
Sintomas de mania podem incluir euforia ou irritabilidade não condizente
com a situação.
Quando leve, pode passar despercebida por parecer apenas um dia
animado para a pessoa. Ela pode parecer feliz, sociável, com mais
vontade de conversar, animada, com menos sono e mais energia. Ela
também pode se sentir mais irritada.
 Transtorno esquizoafetivo do tipo depressivo
Nesta condição, o paciente sofre com sintomas tanto de esquizofrenia
quanto de episódios depressivos, ambos de maneira predominante.
Sintomas de episódios depressivos são falta de energia, desânimo,
perda de interesse, falta de concentração, capacidade de experimentar
prazer alterada, diminuição do apetite e da concentração apresentados
em um contexto que não condiz com estes sentimentos.
 Transtorno esquizoafetivo do tipo misto
Aqui, os sintomas de esquizofrenia são acompanhados tanto por
episódios maníacos quanto depressivos em igual medida.

21
4.2 Transtornos afetivos X psicoses

Os transtornos afetivos são aqueles que afetam o humor. É o caso do


transtorno afetivo bipolar. É importante ressaltar que transtornos de humor
não são psicoses. Existem casos em que os transtornos afetivos apresentam
sintomas psicóticos, mas isso não quer dizer que eles passam a ser uma
psicose.

Outros transtornos

Existem outras psicoses que não entram em nenhuma das classificações


anteriores. É o caso, por exemplo, da psicose alucinatória crônica, uma condição
que causa alucinações e delírios e cujos episódios podem ser espaçados por
meses. Ela não se encaixa em nenhum tipo de esquizofrenia.
Existe, na medicina e na psicologia, a discussão sobre o que causa o
desencadeamento de uma psicose latente, mas na gigantesca maioria dos casos
é impossível saber. O que se sabe é que a pessoa já era propensa a desenvolver
a psicose.
Entretanto, existe uma maneira de adquirir a psicose mesmo sem tê-la
latente. O abuso de substâncias psicoativas é capaz de causar uma psicose
legítima.
Psicose devido a abuso de substâncias
Usar drogas em grandes quantidades e de maneira frequente pode causar
uma psicose. Se a pessoa já possui a condição latente, existe uma chance maior
de a doença ser desencadeada. As drogas aqui listadas não estão em ordem
específica e todas, em menor ou maior grau, apresentam riscos. As drogas que
fazem isso são:
 Cocaína;
 Anfetamina;
 Metanfetamina;
 MDMA (ecstasy);
 Mephedrone (MCAT);
 Maconha;
22
 LSD;
 Cogumelos alucinógenos;
 Ketamina;
 Álcool

Psicose secundária

Quando uma doença causa sintomas psicóticos como alucinações e


delírios, ela não passa a ser considerada uma psicose. Estas doenças podem
levar aos sintomas, mas são seu próprio diagnóstico e não entram na
classificação de psicose.

Depressão grave

A depressão grave pode causar sintomas psicóticos, levando a


alucinações e delírios.

5 PSICOPATOLOGIA NO DIREITO PENAL

Fonte:euza1008.jusbrasil.com.br

23
Traz-se um estudo sobre a mente criminosa, pois este estudo no Direito
Penal é de suma importância para imputar a culpabilidade do indivíduo. Através
de exames periciais, onde se estuda o estado de saúde mental de cada
indivíduo, é possível dizer se o mesmo se enquadra em imputável ou inimputável
e, se inimputável for, cabe definir seu grau de inimputabilidade, absoluta, relativa
ou a semi-inimputabilidade.
O tema do qual se traz para um estudo mais aprofundado, é por sua vez
polêmico, com uma problemática acerca da imputação de culpabilidade ao
psicopata ainda mais polêmica.
O estudo da psicologia no âmbito jurídico está cada vez mais em
ascensão e isso se dá pelo crescimento dos delitos cometidos por aqueles com
transtornos mentais que são em sua maioria considerados inimputáveis,
dependendo para tanto da constatação do transtorno por meio de um exame
clinico pericial.
Há uma relação muito próxima entre o transtorno mental e a violência, por
tal razão, atualmente os estudos voltados aos indivíduos com transtornos e
perturbações mentais estão cada vez mais crescentes e cada vez mais
desenvolvidos.
Os psicopatas têm discernimento do certo e errado, porém, não sentem
culpa dos atos praticados e em sua maioria não conhecem sentimentos como:
medo, amor, sofrimento, angústia etc, seguindo esta linha, acredita-se ser
possível imputar culpabilidade aos mesmos, já que estão conscientes ao agir.
Além das razões mentais que levam um indivíduo a cometer determinado
crime, é de suma importância a análise social e moral e também a perspectiva
sociocultural a qual o indivíduo está inserido, para que se possa fazer uma
correta aplicação da lei penal ao caso concreto.

5.1 DIREITO PENAL E SEUS CONCEITOS

De acordo com a ampla visão dos doutrinadores Paulo José da Costa


Júnior (2010, p.45) e Fernando José da Costa (2010, p.45), o Direito Penal é
uma das espécies de do ramo de Direito. Pode ser definido como o conjunto de
24
normas que descrevem os crimes, cominando sanções pela sua infração. Como
se vê, a denominação da matéria, sob certo ângulo, é imprópria ou incompleta,
já que não cuida apenas da pena, mas também do crime. Por isso, não fora a
tradição, seria preferível a denominação “direito criminal”.
O Direito Penal está incluso nos ramos do Direito Público, onde sua
atuação independe da vontade do ofendido, constituindo função e dever do
Estado. O Direito Penal é um ramo do direito público, porque os valores que o
mesmo tutela, são de interesse da coletividade, que dele não podem dispor.
De acordo com Prado (2007, p.53) Direito Penal é:

O Direito Penal é o setor do ordenamento jurídico público, que


estabelece as ações ou omissões delitivas, culminando-lhes
determinadas consequências – penas ou medidas de segurança
(conceito Formal.

Enquanto sistema normativo, integra-se por normas jurídicas (mandatos


e proibições) que criam o injusto penal e suas respectivas consequências.
De outro lado, refere-se, também a comportamentos altamente
reprováveis ou danosos ao organismo social, que afetam gravemente bens
jurídicos indispensáveis à sua própria conservação e progresso (Conceito
Material).
Deste modo, nota-se que o Direito Penal é o estudo aprofundado de uma
infração, e tem por objetivo prevenir o crime, e se caso o crime não possa ser
evitado, o Direito Penal age aplicando a punibilidade adequada ao indivíduo, se
assim for necessário.
O crime, pode ser definido como uma conduta humana que gera
reprovação social e gera culpa ao agente, sendo fato típico e ilícito. Ou seja,
crime é uma ação ou omissão que constitui ou pode ameaçar alguém, violando
assim a lei penal que é imposta a sociedade.
No Brasil, considera-se que o crime, é constituído por dois elementos
básicos, o fato típico e ilícito. A culpabilidade é apenas um pressuposto para a
aplicação da pena.
De acordo com Fernando Capez (2011, p.118) o fato típico, tem em sua
composição quatro etapas, que são elas:
A conduta (dolo ou culpa);

25
O resultado;
O nexo causal; e
A tipicidade.

A ilicitude, que é também conhecida por antijuridicidade, que é a conduta


contrária ao ordenamento jurídico pátrio que o agente pratica. A ilicitude, só pode
ser excluída em algumas hipóteses, de acordo com Fernando Capez (2011, p.
120), que são:
1. A ofensa à capacidade para consentir;

2. Tenha disponibilidade do bem no qual recai a conduta do agente;

3. O consentimento tenha sido antes ou no momento da conduta do


agente.

Somente nas hipóteses elencadas acima se pode afastar a ilicitude. No


que tange a culpabilidade, pode-se considerar que se trata de um ato reprovado
pela sociedade que o indivíduo pratica e que se constitui por alguns elementos:
a imputabilidade, a potencial consciência sobre o fato ilícito e a exigibilidade de
conduta adversa.
Para melhor embasamento, de acordo com a Lei de Introdução ao
Código Penal, em seu artigo 1º, considera-se crime o que se segue:
Art. 1ª: Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de
reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou
cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a
lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas.
Alternativa ou cumulativamente.
Considera-se então, crime, o ato praticado de forma contrária a lei pelo
indivíduo, devendo o ato estar tipificado pela lei para assim ser considerado
crime e sendo considerado crime, consequentemente já partimos para a
celeuma da culpa pela sua prática, que pode se dar de várias formas, a depender
de cada indivíduo.

26
Culpabilidade

A culpabilidade, é em breve síntese, o juízo de reprovação que recai sobre


uma conduta ilícita e típica, onde será possível imputar a culpa e punir o agente
pela prática desta conduta adversa. A culpabilidade, segundo o Código Penal,
possui alguns elementos, que são a imputabilidade, a potencial consciência da
ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
A imputabilidade é a capacidade do agente de entender os atos que
pratica, ou seja, de entender o crime que ali se pratica, e também as
consequências que serão geradas a partir do ato praticado.
A imputabilidade apenas se exclui nas hipóteses de doença mental,
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, menoridade, embriaguez
acidental completa e a embriaguez patológica completa. A potencial consciência
da ilicitude, o agente deve ter agido na certeza de que o ato praticado tratava-se
de um ato ilícito.
De acordo com Fragoso (apud França, 2007, p.43), explica claramente
que:

A consciência da ilicitude é a consciência que o agente deve ter de que


atua contrariamente ao direito. Essa consciência, pelo menos
potencial, é elementar ao juízo de reprovação, ou seja, à
culpabilidade... Para que se firme a existência de culpabilidade, no
entanto, basta o conhecimento potencial da ilicitude, ou seja, basta que
seja possível ao agente, nas circunstancias em que atuou, conhecer
que obrava ilicitamente.

Percebe-se que a consciência da ilicitude pode ser apenas potencial, ou


seja, não há a necessidade que o agente tenha um conhecimento jurídico sobre
a proibição dos atos praticados.
Atualmente, o crime para ser punido deve ser um fato típico, ou seja, ter
sua previsão na lei e deve também ser antijurídico, que advém da prática do ato
em confronto com o ordenamento jurídico, e deve também ser culpável, que é
quando há um elemento subjetivo que liga o fato ao seu autor, podendo ser
manifestado pelo dolo ou pela culpa.
Não há a possibilidade de existir culpabilidade sem tipicidade e ilicitude,
contudo, pode perfeitamente ocorrer a ação típica e ilícita porém, ‘inculpável’, de

27
acordo com a Teoria Bipartite, isso ocorre justamente porque a culpabilidade é
um juízo de reprovação que recai sobre quem agiu em desacordo com a conduta
esperada pelo nosso ordenamento jurídico.
Mas a grande celeuma envolvida é que somente se imputa a culpa aquele
que agiu em desconformidade com o ordenamento jurídico, se este, ao tempo
de sua ação, possuía capacidade de entender que aquele ato praticado é um ato
antijurídico, ou seja, em desacordo com o nosso ordenamento.
Aquele indivíduo que não possui capacidade mental suficiente para
entender, que o ato praticado é em suma ilícito, é considerado como inimputável
pelo Código Penal, pois é um indivíduo com doença mental. Contudo, é de
extrema importância esclarecer, que a doença mental, deve necessariamente
estar presente no momento da ação deste indivíduo para que o mesmo seja
considerado inimputável, e mais importante ainda se faz enfatizar, que nem toda
doença mental enseja a irresponsabilidade de quem pratica o ato ilícito,
principalmente no caso dos psicopatas, que não podem ser considerados
doentes mentais, segundo a psiquiatra Barbosa (2008, p. 49), que diz:
O doente mental é o psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não
tem ciência do que faz. Vive uma realidade paralela. Se matar, terá atenuantes.
O psicopata sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de
personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e
ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem
empatia, a capacidade de se pôr no lugar do outro.
Pode-se perceber que nem toda psicopatologia trata-se de uma doença
mental, logo não seria isenta de culpabilidade conforme preceitua o Código
Penal, que torna o doente mental isento de culpa, devendo ser a culpabilidade
nos casos dos portadores de alguma psicopatologia, um estudo mais específico,
a depender de cada caso em especial.

Imputabilidade

A imputabilidade penal, trata-se de algumas condições pessoais do


agente, que dá a este indivíduo a capacidade para ser imputada a ele as sanções

28
relativas aos fatos por ele praticados, se forem contrários ao nosso ordenamento
jurídico.
Imputável é aquele indivíduo que possui suas capacidades mentais
completamente desenvolvidas, o que lhe da capacidade para compreender o
caráter ilícito do fato e também de se determinar diante deste entendimento. A
imputabilidade pode ser desconsiderada em alguns casos, onde os indivíduos
que praticam certos atos são classificados como inimputáveis, conforme
explicações seguintes.
Sobre a Imputabilidade Leciona Mirabette (2012, p. 87) que:

Em primeiro lugar, é preciso estabelecer se o sujeito tem certo grau de


capacidade psíquica que lhe permita ter consciência e vontade dentro
do que se denomina autodeterminação, ou seja, se tem ele a
capacidade de entender, diante de suas condições psíquicas, a
antijuridicidade de sua conduta de adequar essa conduta à sua
compreensão. A essa capacidade psíquica denomina-se
imputabilidade.

A imputabilidade, em conjunto com os demais elementos que compõe a


culpabilidade, permite atribuir a punição aquele indivíduo que infringiu o que
dispõe o ordenamento jurídico pátrio, responsabilizando este pelos atos que
foram praticados. Para comprovar se o indivíduo realmente é considerado
inimputável, existe três sistemas de formas distintas que facilitam para
diagnosticar:
1º Sistema Biológico: leva-se em conta a causa e não o efeito.
Condiciona a imputabilidade à inexistência de doença mental, de
desenvolvimento mental deficiente e de transtornos psíquicos momentâneos.
Assim se um sujeito é portador de doença mental, e pratica um fato típico e
antijurídico, pela circunstância de ser doente é considerado inimputável, não
importando que a causa tenha excluído ou diminuído a capacidade de
compreensão ou de determinação da conduta delituosa.
2º Sistema Psicológico: o que importa é o efeito e não a causa. Leva em
conta se o sujeito, no momento da prática do fato, tinha condição de
compreender o seu caráter ilícito e de determinar-se de acordo com essa
compreensão ou não. Se o agente não tinha capacidade de compreensão ou

29
determinação, é considerado inimputável, sem que seja necessário precisar sua
causa.
3º sistema Biopsicológico: é constituído dos dois primeiros. Toma em
consideração a causa e não o efeito. Só é inimputável o sujeito que em
consequência da anomalia mental, não possui capacidade de compreender o
caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com essa compreensão.
A doença mental p. Ex. Por sí só é causa de inimputabilidade. É preciso que, em
decorrência dela, o sujeito não possua capacidade de entendimento ou de
autodeterminação.
Os três sistemas elencados, são formas de avaliação para poder chegar
a um diagnóstico do perfil do criminoso, com uma finalidade de saber o seu quão
de caráter criminoso este indivíduo possui e também, se este indivíduo possui
discernimento necessário sobre os seus atos praticados.
Percebe-se que para que possa ocorrer a excludente da imputabilidade,
o indivíduo deve ter ausência de todas as suas capacidades, como a de
discernimento, ou seja, deve ter ausência de capacidade física e mental.

Semi-imputabilidade

A imputabilidade, conforme visto, é a capacidade de imputar a um


indivíduo a culpabilidade pelos atos praticados. Já a inimputabilidade é a
impossibilidade que alguém possui ou apresenta momentaneamente, de realizar
um ato com pleno discernimento, ou seja, sem consciência ou juízo de realidade.
Pois bem, no direito penal há também a semi-imputabilidade, que é o meio entre
a imputabilidade e a inimputabilidade.
A semi-imputabilidade ou a imputabilidade relativa, é aquela em o
indivíduo é inimputável, por fatores psicológicos, mas que ao tempo do fato, este
indivíduo tinha pleno e total discernimento sobre seus atos, sabendo que aquele
ato ali praticado era considerado ilícito e no entanto, o praticou da mesma forma.
Para Capez (2008, p.301), o semi-imputável, pode ser definido como
sendo:

A perda de parte da capacidade de entendimento e autodeterminação,


em razão de doença mental ou de desenvolvimento incompleto ou

30
retardado. Alcança os indivíduos em que as perturbações psíquicas
tornam menor o poder de autodeterminação e mais fraca a resistência
interior em relação à prática do crime. Na verdade, o agente é
imputável e responsável por ter alguma noção do que faz, mas sua
responsabilidade é reduzida em virtude de ter agido com culpabilidade
diminuída em consequência das suas condições.

O Código Penal, é bem claro em seu artigo 26, onde diz que o semi-
imputável, tem a culpabilidade diminuída devido às condições pessoais que
possui. Há posicionamento doutrinário favorável e contra a imputação de culpa
aos relativamente inimputáveis. De acordo com Fernando Capez (2008, p.301
e 302) não se excluiu a imputabilidade, pois:
De modo que o agente será condenado pelo fato típico e ilícito que
cometeu. Constatada a redução na capacidade de compreensão ou vontade, o
juiz terá duas opções: reduzir a pena de 1/3 a 2/3 ou impor medida de segurança
(mesmo assim a sentença continuará sendo condenatória). A escolha por
medida de segurança somente poderá ser feita se o laudo de insanidade mental
indicá-la como recomendável, não sendo arbitrária essa opção. Se for aplicada
pena, o juiz estará obrigado a diminuí-la de 1/3 a 2/3, conforme o grau de
perturbação, tratando-se de direito público subjetivo do agente, o qual não pode
ser subtraído pelo julgador. Ou seja, percebe-se que há a possibilidade de
imputar pena aos semi-imputáveis, porém de uma forma mais benéfica aos
mesmos, podendo a mesma ser reduzida ou convertida em medida de
segurança. Parte da doutrina que não está de acordo em imputar culpa aos semi-
imputáveis, defende que não há como permanecer dividido, ou o indivíduo possui
capacidade ou não possui. Já outra parte dos doutrinadores concordam em
imputar culpa aos semi-imputáveis, pois relatam que pelos mesmos ter uma
pequena parcela de consciência, mesmo que momentânea, isso já os tornam
passíveis de imputabilidade.
A imputabilidade relativa está presente geralmente, em indivíduos que
possuem doenças mentais em caráter transitório, como por exemplo nos casos
de bipolaridade, onde os indivíduos momentaneamente perdem a consciência
de seus atos. O que não significa que sempre, ao praticar um ato ilícito, estes
indivíduos não tinham consciência de seus atos, por isso existe a possibilidade
de lhes imputar a culpa relativa aos atos ilícitos praticados.

31
Inimputabilidade

De acordo com a visão de Cosmo (2013), o conhecido filósofo Aristóteles


foi o grande responsável pelo conceito de responsabilidade penal que temos
hoje, ao concluir que só existe responsabilidade pelo crime ou imputabilidade,
quando o agente no momento do ato que cometeu, tinha a capacidade de saber
a natureza e as consequências de seu comportamento. Dessa forma, nos casos
contrários, o sujeito deve ser considerado inimputável, ou seja, não deve ser
responsabilizado pelos seus atos nem no âmbito penal e nem mesmo no âmbito
civil.
No conceito de Silva (2011), a inimputabilidade é uma palavra essencial
no âmbito jurídico, que possui suas bases no campo da saúde mental e
normalmente psíquica, tendo por seu significado a impossibilidade que alguém
possui ou apresenta momentaneamente, de realizar um ato com pleno
discernimento, ou seja, sem consciência ou juízo de realidade.
De acordo com o grande doutrinador Fernando Capez (2007 apud Jesus,
2009) o mesmo entende que:

doença mental pode ser compreendida como a perturbação mental ou


psíquica de qualquer ordem, capaz de eliminar ou afetar a capacidade
de entender o caráter criminoso do fato ou a de comandar a vontade
de acordo com esse entendimento e engloba uma infindável gama de
moléstias mentais, tais como epilepsia condutopática, psicose,
neurose, esquizofrenia, paranoias, psicopatia, epilepsias em geral, etc.

No geral, não deve ser atribuída pena judicial qualquer aos indivíduos que
possuem transtornos mentais, sendo que em sua grande maioria, tratam-se de
doentes mentais, e estes são considerados inimputáveis. Alguns doentes
mentais que cometem atos criminosos, mesmo possuindo alguns transtornos
mentais, possuem também discernimento dos atos praticados, possuem a
capacidade de se autodeterminar quanto ao comportamento de um ato
criminoso, e desta forma, devem normalmente serem julgados, antes de serem
considerados inimputáveis, mesmo que estes possam futuramente serem
inseridos em tratamentos psicológicos.

32
A inimputabilidade penal no Brasil, tem sua exclusividade quanto aos
doentes mentais, ou seja, o Código Penal em seu artigo 26, preceitua o
seguinte:

Art. 26: É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

No mesmo ordenamento jurídico, porém agora em seu dispositivo 41,


dispõe que “o condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a
hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento
adequado.” Ou seja, neste ponto, de acordo com Souza (2008), o crime pode
aparecer como resultado de uma anomalia psíquica, que pode interferir no
normal juízo crítico da realidade.
A grande questão é a necessidade e de estabelecer e definir o conceito
de doença mental ou anomalia psíquica que deve ser levado em conta para
efeitos de avaliação de inimputabilidade, deve-se definir também os critérios que
são levados em conta pelo perito para elaborar o laudo médico a ser apresentado
em juízo.
Para Cosmo (2013), na inimputabilidade há uma distinção entre a
capacidade volitiva e intelectiva e consciência da ilicitude. Um indivíduo, para
que possa ser responsabilizado por um crime, deve reunir algumas condições,
que são as físicas, as psicológicas, as morais e as mentais que lhe proporcionem
capacidade total e plena para discernir a ilicitude, não sendo o bastante somente
a consciência de seu ato, mas sobretudo a livre vontade de praticar o mesmo,
sendo este, o controle do agente da sua volição.
Diante disto e diante do que fora exposto, é sabido, que em algumas
psicopatologias, os indivíduos ao praticarem seus atos tem perfeita e total
consciência, além da vontade de praticar os atos que contrariam o ordenamento
jurídico, sabem discernir o certo e o errado e no entanto, praticam de livre
vontade, com a intenção de causar alguns sentimentos em suas vítimas,
sentimento de medo, dor, angústia, tristeza, pânico, dentre outros. Então,
partindo desta premissa, de que alguns indivíduos com algumas psicopatologias,
tem plena consciência de seus atos, e que estes, como se vê não se tratam de

33
doentes mentais, por que não enquadrá-los nos indivíduos plenamente
imputáveis?

5.2 DAS PSICOPATOLOGIAS

Fonte: paulamuniz.wordpress.com

Os loucos sempre foram objeto de estudo para a medicina, sendo


estudados por vários importantes nomes da história. Porém Philippe Pinel,
psiquiatra, foi um importante nome nos estudos da psicopatologia, pois foi o
primeiro médico a mostrar que os loucos eram na verdade indivíduos doentes, e
como tal deveriam ser tratados pela medicina, disse também, que como loucos,
os mesmos traziam perigos para a sociedade e assim sendo trouxe a
questionamento a periculosidade dos loucos, através de estudos que
começaram a surgir em meados do ano 1800. O que foi um divisor no âmbito da
psicopatologia forense, que surgiu muito tempo depois, após várias discussões.
O grande estudioso e filósofo Kant (1798), também se posicionou com
relação ao que diz respeito ao estudo dos loucos, onde dizia que “não é
necessário ser médico para determinar se uma pessoa é alienada mental, basta

34
um pouco de bom senso”. Após este e alguns outros posicionamentos de
grandes pensadores, começou-se a ter certeza de que havia uma origem doentia
nos transtornos mentais.
Para Kraftt Ebing (1897), no momento em que se precisou da ajuda
médica para se diagnosticar determinados estados mentais de alguns indivíduos
criminosos, é que surge a Psicopatologia Forense.
No Brasil, começou a tratar-se dos loucos no âmbito jurídico, no Código
Penal de 1830, onde se lia em seu artigo 2ª que: “São irresponsáveis os loucos
que não tiverem intervalos lúcidos”. Já o Código Penal de 1890, trouxe os loucos
como não sendo criminosos em seu artigo 27, conforme observa-se:

Não são criminosos:


§ 3º Os que por imbecilidade nativa, ou enfraquecimento senil, forem
absolutamente incapazes de imputação;
§ 4º Os que se acharem em estado de completa privação de sentidos e
de inteligência no ato de cometer o crime;
O ordenamento jurídico penal atual, traz os indivíduos com
psicopatologias como sendo inimputáveis, conforme se visualiza no
dispositivo 26 do Código Penal em vigor.
Percebe-se que houve uma evolução desde o início dos estudos em
meados de 1800, em considerar os indivíduos com psicopatologias como sendo
doentes e não puramente loucos, algo que se nota quando o Código Penal em
vigor utiliza a expressão ‘doença mental’. Essa evolução serviu para qualificá-los
corretamente e lhes imputar sua pena equivalente, pois considerando-os
doentes podemos considera-los também inimputáveis, porém, cada um em seu
grau, sendo inimputáveis, semi e absolutamente inimputáveis.
A ciência da Psicopatologia, segundo Mériti de Souza (2008), é aquela
que se encarrega do estudo das perturbações do funcionamento psicológico,
considerando-se doença mental um transtorno que implica um afastamento do
funcionamento psicológico tido como normativo, em que os principais sintomas
experimentados são psicológicos. Cada uma das perturbações mentais é
concebida como uma síndrome e um padrão comportamental ou psicológico,
clinicamente significativo, que se manifesta numa pessoa e que está associado
35
com mal-estar atual (sintoma doloroso) ou incapacidade (impedimento de
funcionar em uma ou mais áreas importantes) ou ainda com um aumento
significativo do risco de se verificar morte, dor, debilitação ou uma perda
importante de liberdade
No âmbito jurídico também possuem grandes doutrinadores que também
contribuem com seus conceitos. Fernando Capez (2007 apud Jesus, 2009) o
mesmo entende que:

doença mental pode ser compreendida como a perturbação mental ou


psíquica de qualquer ordem, capaz de eliminar ou afetar a capacidade
de entender o caráter criminoso do fato ou a de comandar a vontade
de acordo com esse entendimento e engloba uma infindável gama de
moléstias mentais, tais como epilepsia condutopática, psicose,
neurose, esquizofrenia, paranoias, psicopatia, epilepsias em geral, etc.

Os psicopatas são indivíduos egocêntricos, impostam exclusivamente na


satisfação de suas próprias vontades, e se assim não o fazem, se tornam
violentos, intolerantes, desinteressados no âmbito social. São conhecidos
também pelo desprezo e desconsideração dos sentimentos alheios. De acordo
com a Organização Mundial de Saúde, os sociopatas são indivíduos que
possuem desprezo pelas obrigações sociais e pelos sentimentos dos outros.
Possuem um egocentrismo patológico, exagerado, são em sua maioria falsos,
exibem falsas emoções e como na maioria dos transtornos mentais, não toleram
a perca. Geralmente, estes indivíduos possuem ausência de remorso,
justamente pelo sentimento preponderante de manipulação do outro, razão pela
qual acabam mentindo compulsivamente, tentando obter vantagens sobre o
outro para se sobressair.

Principais psicopatologias

Violência e crimes são características de alguns dos principais casos de


psicopatologia no mundo todo, onde se faz presente o transtorno de
personalidade (TP), que não é considerado uma doença, pois para ser uma
doença seria necessário que houvesse sofrimento emocional, perda de

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consciência ou ruptura com a realidade, mas uma alteração psíquica que pode
deixar o indivíduo violento, indiferente, antissocial etc.
Esse tipo de transtorno específico de personalidade é marcado por uma
indiferença aos sentimentos alheios, ao sofrimento dos outros, a ausência de
arrependimento, compaixão, ausência principalmente de culpa. Quando se
atinge um alto grau de indiferença e das características narradas, isto leva o
indivíduo a uma forte indiferença afetiva, o que pode o levar a ter um
comportamento criminal, recorrente e o quadro clínico de transtorno de
personalidade, assumindo um perfil de psicopatia, que atinge cerca de 4% da
população mundial.
A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
Saúde - CID, em sua décima revisão, descreve oito tipos de transtornos
específicos de personalidade: paranoide; esquizoide; antissocial;
emocionalmente instável; histriônico; anancástico; ansioso; e dependente,
transtornos dos quais se faz uma melhor caracterização para melhor
entendimento.
O transtorno paranoide, de acordo com a CID, é aquele onde se
predomina a desconfiança, há uma grande sensibilidade a contrariedades e uma
predominância do sentimento de estar sendo “lesado” pelos outros, há a
sensação de estar sempre sendo enganado fazendo-o se esconder do meio
social e se isolar cada vez mais.
Já o transtorno elencado na CID, como sendo o transtorno esquizoide, é
aquele onde se predomina o desapego das pessoas, há um enorme desinteresse
pelo contato social e há também um retraimento afetivo, característica
predominante na maioria dos transtornos mentais, são indivíduos que sentem
dificuldades em experimentar o sentimento do prazer, possuem medo de se
satisfazerem verdadeiramente, não demonstram estarem felizes e possuem
medo da sensação de felicidade, são geralmente tímidos e introspectivos.
O indivíduo que possui o transtorno antissocial, também trazido pela CID,
é aquele em que prevalece a indiferença pelos sentimentos alheios, onde se
percebe um comportamento mais agressivo, cruel, é aquele indivíduo que não
se adapta a sociedade, não consegue se padronizar nas regras e normas
sociais, são em sua maioria intolerantes e geralmente, bastante violentos, são
37
calados e não demonstram seus sentimentos para com o próximo, são em sua
maioria misteriosos.
Indivíduos que possuem transtorno emocional instável, são impulsivos e
imprevisíveis, onde há dois subtipos, que são: impulsivo e bordeline. O impulsivo
é aquele caracterizado pela sua instabilidade emocional e pela falta de controle
dos impulsos, já o bordeline, além de também ser emocionalmente instável,
também possui perturbações consigo mesmo, tem dificuldades em definir seus
gostos pessoais e se sentem só na maioria dos casos.
O pouco conhecido transtorno histriônico, que a CID o classifica como
sendo aquele onde o indivíduo é extremamente egocêntrico, não tolera
frustrações, falsidade e superficialidade. São em grande parte carentes de
atenção.
Outro pouco conhecido é o transtorno anancástico, onde o indivíduo é
detalhista, não suporta teimosias, e em consequência perdem o controle de sí,
mostrando nervosismo e agressividade. Geralmente são repetitivos.
Indivíduos com transtorno ansioso ou também o chamado esquivo, são
aqueles em que há uma excessiva sensibilidade a críticas, são tensos e
apreensivos, possuem fortes tendências a se retraírem socialmente por se
sentirem inseguros com relação a sua capacidade profissional ou até mesmo
social.
Por último, há o transtorno dependente, que é aquele onde prevalece a
astenia do comportamento, são indivíduos com pouca determinação e iniciativa
e possuem instabilidade de propósitos.
No entanto, neste estudo, o enfoque será dado ao transtorno de
personalidade antissocial, por ser este o tipo revestido de maior importância na
esfera forense, devido à sua íntima associação com o comportamento
psicopático.
A psicopatia ainda é difícil de se detectar sem um exame pericial
minucioso, onde se realizam vários testes com o indivíduo para poder afirmar
que o mesmo possui transtornos em sua personalidade.
Em decorrência dessa difícil identificação destes indivíduos, é que os
mesmos se misturam na sociedade com tanta facilidade, sem ao menos
despertar suspeitas, pois em sua maioria, são pessoas de inteligência
38
acentuada, possuem boa persuasão, boa aparência, são bons em convencer, às
vezes em seduzir suas vítimas de uma forma em que as mesmas não
desconfiam de seus comportamentos e acabam se deixando induzir por estes
indivíduos. Dentro dessa linha é que podem surgir psicopatas compulsivos, que
não se contentam com suas vítimas, querendo cada vez mais vítimas, até
mesmo pelo sentimento de adrenalina que pode ser sentido pelos mesmos,
sendo estes indivíduos doentes acabam incorrendo em crimes, podendo ser
sexuais, homicidas, dentre outros, e ao incorrerem nesses crimes com
frequência, acaba surgindo a figura do serial killer.
Estudos constataram que os serial killers selecionam suas vítimas
cuidadosamente. Na maioria das vezes essas apresentam características muito
semelhantes e os crimes são praticados sadicamente, geralmente seguindo um
padrão: as vítimas podem ser escolhidas pela etnia, idade, grupo social ou outras
características peculiares, de acordo com Antônio Paiva Rodrigues (2008). Os
delitos são cometidos seguindo-se rituais predeterminados, o que demonstra a
articulação e perversidade daquele que comete o crime.
De acordo com a visão de Ballone (2006), por serem extremamente
racionais, quando capturados os serial killers costumam simular insanidade,
alegando múltiplas personalidades, esquizofrenia ou qualquer coisa que os
exima de responsabilidades. Isso demonstra a sua total capacidade de
racionalização e manipulação da situação para conseguir possíveis vantagens.
Eles agem cruel e maldosamente. Sabem a ilicitude dos atos praticados.
Utilizam-se de seu charme para seduzir suas vítimas. Ao matar, os serial
killers têm como objetivo básico humilhá-las, demonstrar controle sobre a
situação. Para eles, “o crime é secundário, e o que interessa, de fato, é o desejo
de dominar e de se sentirem superiore”, segundo assevera Ballone.
O modo de diagnosticar indivíduos com alguma das psicopatologias
elencadas é por meio de perícia médica, onde se fazem vários exames com um
mesmo indivíduo, com o objetivo de se obter a maior precisão possível no
resultado e consecutivamente, o tratamento mais adequado para o tipo de
psicopatologia apontada na perícia.
Para a psiquiatria forense, os transtornos de personalidade representam
uma grande dificuldade, a principal seria a de onde tratar estes doentes, que
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deve ser em local adequado, e com atenção especial para os mesmos em tempo
integral.

6 PSICOPATOLOGIA E PERICULOSIDADE

Fonte:www.minutopsicologia.com.br

A periculosidade é um construto, criado historicamente pela manifestação


do sujeito para consigo mesmo e com os outros, e o binômio jurídico-psiquiátrico,
que é um poder-saber que condiciona a percepção do criminoso com um caráter
preventivo. A esfera jurídica “busca a solução científica do problema, isto é,
numa análise psiquiátrica do criminoso a que deve reportar-se, após examinar
todas as medidas de prevenção”. Logo, pelo modelo psiquiátrico tradicional, que
já tratavam seus loucos em hospitais (que não eram de Custódia) como em
prisões de guerra, o saber psiquiátrico já atribuía a periculosidade até mesmo
aos loucos que não cometiam crimes, pois, eram trancafiados e expurgados,
para o bem da sociedade, como bem conta a História da Loucura.
A ideia de periculosidade tem um possível alicerce na noção de metánoia,
(ideia de origem platônico-cristã que relaciona penitência como produção de
mudança“. Através deste conceito, o ideal de reabilitação dos indivíduos
encarcerados em penitenciárias, segue esta tendência da produção histórico-
subjetiva deste termo.

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O tema escolhido para este estudo é a relação entre psicopatologia e
periculosidade, bem como sua cessação, já que cada termo segue um
encadeamento lógico, processual, digamos assim, pois, trata-se de ações e
reações, onde há o entrelaçamento de saberes jurídicos e psiquiátricos, já que
são avaliados o criminoso, seu delito e sua própria compreensão do mesmo.
Conforme o artigo 26 do Código Penal, que versa sobre a
inimputabilidade, ao sujeito que não entender o caráter ilícito do fato, devido à
condição de doença mental ou retardo, cabe as medidas de segurança, a
internação imposta, conforme o:

Art. 97 – Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação


(art. 26). Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção,
poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial.

Prazo
§1º – A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo
indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia
médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a
3 (três) anos.
Perícia médica
§2º – A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e
deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz
da execução.
Desinternação ou liberação condicional
§3º – A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo
ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um)
ano, pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade.
Então adentrando ao tema da Periculosidade, vemos que o aspecto
jurídico busca apoio no saber psiquiátrico, já que, através da história, foram
instituídas coletâneas de nosografias, onde são delimitadas noções básicas
sobre o que é patológico, para proteger aquilo que é tido como normal, desde a
nau dos loucos, passando pela criminologia lombrosiana.

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Nos dias atuais, o saber dos comportamentos inadequados, criado em
diversos manuais, dará norteamento para definir a psicopatologia. Mas, estará a
periculosidade dentro dos transtornos psiquiátricos? É uma pergunta
controversa e difícil de ser respondida, pois, se há absolvição, então, não há
periculosidade na psicopatologia, entretanto, a Justiça visa sempre a não
reincidência do delinqüir,ou seja, é uma questão de proteção social, portanto, a
questão passa a ser:
Em que se diferenciam, então, periculosidade e capacidade de delinquir?
Esta questão mostra-se fundamental para compreendermos o dispositivo que se
instaura em torno dos loucos-criminosos, que são paradoxalmente absolvidos e
submetidos a uma sanção penal indeterminada em sua duração, justamente por
ser tal procedimento fundamentado na periculosidade.
No nível da construção social, que é composta por sujeitos que interagem
em uma rede lógica de linguagem, onde práticas são criadas, e depois
comunicadas para serem estruturadas e fixadas nas relações humanas, então,
vemos a criminologia atravessada pelo discurso social, que é iniciada e
elaborada pelo Sujeito. A noção de periculosidade significa que o indivíduo deve
ser considerado pela sociedade ao nível de suas virtualidades e não ao nível de
seus atos; não ao nível das infrações efetivas a uma lei efetiva, mas das
virtualidades de comportamento que elas representam.
Há ainda interferências abusivas dos discursos da mídia informativa, que
quando o assunto televisionado é entre loucos infratores e a periculosidade,
ocorrem manipulações das informações, onde a sociedade recebe-as de forma
deturpada, bastante alegórica, e então fica a “significação social do crime
reduzida a seu uso publicitário” instruindo mal a população, que massivamente
segue o apresentado.
Podemos pensar que a linguagem e a comunicação, ao longo da história,
traçaram formas de subjetivar a noção criminológica, principalmente, quanto ao
caráter da periculosidade, e tal enredo, é feito de sujeito a sujeito, que compõem
o social. Sendo assim, conforme toda exposição anterior, o laço que une a
psicopatologia e a periculosidade é a relação histórica e discursiva da psiquiatria
com o conhecimento jurídico.

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Contudo a motivação desta junção está nos ideais de cientificidade em
modificar o fenômeno controlando o problema, trancafiando-o. Isto não se
concretiza, ademais há contradição em aprisionar aquele que deve receber
tratamento. Portanto, é pertinente a crítica sobre toda tentativa de aliar a
psicopatologia à periculosidade, pois, tratam-se apenas de discursos de sujeitos
que compõem a sociedade, onde, a objetividade é mera aparência, pois, o que
existe é a virtualidade criada pela relação discursiva entre sujeitos, possibilitada
e atrelada nas cadeias significantes da Linguagem.

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