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UNIVERSIDADE PARANAENSE – UNIPAR

FILOSOFIA – SEGUNDA LICENCIATURA


ALUNO: JEFERSON WRUCK
RA: 09014185

ATIVIDADE REFLEXIVA DA DISCIPLINA DE METODOLOGIA PARA O ENSINO DE


FILOSOFIA – DA ANTIGUIDADE À MODERNIDADE.

Os primeiros filósofos se definiam como amantes do conhecimento/sabedoria e


com isso queriam dar a entender que formavam uma nova classe. Contudo, desde
séculos antes dos filósofos gregos, já haviam estudiosos pelo mundo. Egito, Babilônia,
Pérsia, Israel, várias nações possuíam um corpo de eruditos que eram respeitados pelo
grande conhecimento que acumularam, e que também amavam a sabedoria. A marca que
distinguia os filósofos gregos não era o sentimento que nutriam pelo conhecimento, mas
as fontes em que buscavam esse conhecimento. Os sábios antigos eram profundos
conhecedores de textos sagrados e tradições. A sabedoria estava em acumular e
interpretar o saber antigo, legado à comunidade por guias espirituais especialmente
iluminados. Em Israel, um amante do saber era aquela que se aplicava no estudo da Torá.
No Egito, o sábio era o conhecedor dos textos hieroglíficos que revelavam o caminho da
imortalidade. E para os gregos anteriores à Tales (Séc VII – VI a.C), a sabedoria era
prerrogativa dos rapsodos, poetas divinamente inspirados para narrar os mitos. É nesse
sentido que os filósofos trazem algo novo através de seu compromisso com a razão. O
conhecimento que os filósofos amam não é o repositório da tradição, mas uma busca
racional na observação da phisis, para se conhecer a arché. O período Clássico da
História da Filosofia, que vai de Sócrates até o incío da Idade Média (séc. VI d. C.), amplia
o escopo da investigação filosófica, mas utilizada muitos conceitos desenvolvidos durante
o período pré-socrático. A tese de muitos pensadores, entre eles Parmênides, de que o
cosmo é regido por um princípio racional unificador continuará com uma crença básica de
Sócrates, Platão, Aristóteles e seu seguidores. No período helenístico, esse princípio
será conhecido como Logos, vocábulo grego que está na origem da compreensão
moderna de “Razão”.
Durante a Idade Média, que é tradicionalmente identificada com o período entre o
século V e o XV da Era Comum, a razão se tornou a serva da fé. A filosofia Patrística e
Escolástica não negaram a importância do uso da capacidade racional do homem, mas
colocaram ressalvas. Os pensadores medievais listaram a razão entre as ferramentas da
teologia. Para que a razão fosse útil, deveria ser usada de forma correta, isto é, para
robustecer a teologia e fortalecer a religião. A partir do século XII, principalmente por
conta do contato com o Oriente promovido pelas Cruzadas, o Ocidente teve um
reencontro com a filosofia aristotélica, de viés mais imanentista que o platonismo
subjacente ao pensamento agostiniano. Inspirados pelo aristotelismo, Tomas de Aquino,
Guilherme de Ockham e Duns Scotus, para citar alguns, conferiram mais respeitabilidade
para o raciocínio lógico, embora ainda balizado pela autoridade das Escrituras e da Igreja.
Na última etapa da Idade Média, entre os séculos XIV e XV, houve um grande
entusiasmo pela Antiguidade Clássica. A cultura de gregos e romanos foi resgatada e
passou a ser referência para a arte e filosofia europeia. Esse foi o período do
Renascimento. A efervescência cultural renascentista provocou grande mudanças,
gerando o zeitgeist da Idade Moderna. A ênfase sobre o homem o mundo natural
superaram gradativamente o teocentrismo do medievo.
A filosofia moderna se caracteriza como um programa racional de estudo do
cosmo. É tributário do espírito dos filósofos clássicos, mas possui um caráter mais
profundo. Essa profundidade se deve principalmente à contribuição do método
cartersiano. René Descartes, pai do racionalismo e marco da modernidade, confia no
poder da razão como meio de descobrir a verdade. Mas é um meio falível, pois o humano
é falho, logo a racionalidade, como capacidade humana, também é passível de
equívocos. Assim, Descartes propõe que a razão deve ser aplicada de forma metódica
para que seus resultados sejam seguros. Ao lado do racionalismo cartersiano, e muitas
vezes contrário a ele, desenvolveu-se o empirismo. Bacon, Locke e Hume são lembrados
por sua proposição de que todo o conteúdo da mente é oriundo de nossas percepções
sensoriais.
A querela entre racionalistas e empiristas agitou a filosofia moderna, com
importante defensores e partidários de cada lado, até a publicação da obra do pensador
prussiano Immanuel Kant. Em seu livro Crítica da Razão Pura (1781), Kant conciliou as
premissas racionalistas e empiristas no que ficou conhecido como criticismo kantiano. Em
Kant, a razão é a responsável por mediar as experiências sensíveis e construir as ideias.
Ela é o elo entre os conhecimentos a priori e a posteriori.A partir de então, nenhuma
filosofia séria conseguiu ficar indiferente à sua obra. Kant é a conclusão da Filosofia
Moderna e o pórtico da Filosofia Contemporânea.