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MUTISMO SELETIVO

Existem crianças que quase subitamente deixam de falar da forma


espontânea como falavam anteriormente – os pais ficam assustados, sem
saber o que se passa e como deverão agir.

O mutismo seletivo é uma


perturbação de ansiedade que ocorre
em crianças e que as impede de falar
em situações sociais, em que seria
normal e expectável que falassem,
como por exemplo, na escola. Estas
crianças, quando se encontram noutros
ambientes em que se sintam
tranquilas, podem falar normalmente.
O mutismo seletivo não faz parte das
Perturbações de Linguagem (como por
ex. a gaguez) porque está associado a
elevados níveis de ansiedade e é, por
isso, situacional, ou seja, depende do
local e das pessoas com quem a
criança está a interagir. É comum que
surja na escola, quando a criança
passa a ter que se relacionar
socialmente com os seus pares e com
os professores.

Estas crianças geralmente são nervosas, com alguns medos e algo


dependentes do apoio dos pais. São tímidas e com baixa auto-estima.

Quando confrontada com estas situações sociais, a criança fica “parada”, com
pouca expressividade no rosto, parecendo não reagir aos estímulos, não sorri
e não fala.

Causas:

É uma perturbação pouco compreendida porque os adultos muitas vezes


pensam que se trata de um capricho ou uma teimosia da criança.

Em termos neurobiológicos, a amígdala é a área cerebral responsável pelo


processamento dos sinais de medo e sempre que um estimulo é recebido e
percebido como ameaçador, o que sucede muito nas crianças ansiosas, esta
estrutura ativa-se e prepara o corpo para o perigo – daí que a criança tenha
esta reação, apresentando os sintomas e comportamentos atrás referidos,
não conseguindo controlar-se. Insistir que a criança fale, forçando-a, terá um
efeito negativo e aumentará a sua ansiedade perante estas situações. Estas
crianças sofrem porque querem comunicar e, nestas situações, não
conseguem.

Tratamento:

O tratamento existe e passa muito pelo treino comportamental – o objetivo é


ir expondo lentamente a criança a diferentes situações sociais para que o
medo se vá dissipando. Mas antes tem que se diminuir a ansiedade que a
criança apresenta perante determinadas situações sociais, como por exemplo,
sentir-se avaliado, ver as atenções centradas em si, sentir que estão a olhar
para ela.

A intervenção com a criança pretende também melhorar as suas


competências sociais, fazendo treino para desenvolver habilidades de
comunicação interpessoal. Podem utilizar-se várias técnicas, nomeadamente,
treinar situações sociais em contextos controlados e em que se reduziu a
ansiedade da criança (com técnicas de relaxamento) para que esta possa
observar como agir naquela situação e aprender por modelação. Depois pode-
se ir colocando a criança, de forma lenta e gradual, perante as situações que
geradoras de ansiedade.

Como é que os pais podem ajudar?

 Os pais devem envolver-se na terapia, seguindo as indicações do


psicólogo. Devem treinar coma as crianças as competências sociais,
servindo de modelo e incentivarem a relação das crianças com as
outras em várias situações sociais, levando-as ao parque, ao cinema ou
ao restaurante.
 Deve existir diálogo constante
entre a escola e os pais.
 Devem reforçar positivamente
todas as melhorias da criança.
 Devem tentar aumentar o círculo
de amizades da criança,
estimulando a interacção com
outras crianças.