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se: ELS-F (estado-limite de formação de fissuras), ELS-W(estado-

CONCRETO ARMADO
limite de abertura das fissuras), ELS-D (estado-limite de
O concreto é um material utilizado na construção civil composto descompressão), ELSDP (estado-limite de descompressão
por agregados graúdos (pedras britadas, seixos rolados), agregados parcial), ELS-DEF (estado-limite de deformações excessivas), ELS-
miúdos (areia natural ou artificial), aglomerantes (cimento), água, CE (estado-limite de compressão excessiva), ELS-VE (estado-
adições minerais e aditivos (aceleradores, retardadores, fibras, limite de vibrações excessivas).
corantes).  Módulo de Elasticidade: define-se com o aumento das
Devido ao fato do concreto apresentar boa resistência à deformações devido o crescimento linear sob carregamento. Ou
compressão, mas não à tração, mostra-se muito limitado a seja, a relação de tensão e deformação para determinados
utilização do concreto simples em obras civis. Quando se faz intervalos pode-se considerar a Lei de Hooke:
necessária a resistência aos esforços de compressão e tração,
associa-se o concreto a materiais que apresentem alta resistência à 𝜎 = 𝐸. 𝜀 (1)
tração resultando no concreto armado (concreto e armadura 𝜎= Tensão;
passiva) ou protendido (concreto e armadura ativa). 𝜀 = Deformação específica;
𝐸 = Módulo de Elasticidade ou Módulo de Deformação
Vantagens: Longitudinal.
 Economia;
 Facilidade de execução e adaptação a qualquer tipo de forma (o CONCRETO
que proporciona liberdade arquitetônica);
A seguir, classificações e dados sobre o concreto armado
 Excelente solução para se obtiver uma estrutura monolítica e
apresentados no item 8.2 da NBR 6118:2014.
hiperestática (maior reserva de segurança);
 Resistência a efeitos atmosféricos, térmicos e ainda a desgastes
Propriedades mecânicas do concreto
mecânicos;
 Resistência à compressão: A principal análise e estudo da
 Manutenção e conservação praticamente nulas e grande
durabilidade. propriedade mecânica do material concreto é a resistência
mecânica a compressão devido a sua função estrutural assumida
Desvantagens: no material composto concreto armado. A NBR-12655:2015
 Peso próprio elevado (na ordem de 2,5 t/m³); estabelece as dimensões e procedimentos para o ensaio de
 Baixo grau de proteção térmica e isolamento acústico compressão simples realizado em corpos de provas (CPs), já que
 Fissuração da região tracionada, podendo esta, ser controlada a forma do corpo de prova e a duração do ensaio são dois fatores
por meio da utilização de armadura de tração.
básicos que interfere a resistência à compressão. É recomendado
pela norma o corpo de prova cilíndrico padronizado, com 15 cm
TERMOS E DEFINIÇÕES de diâmetro e 30 cm de altura.
A seguir, alguns termos a respeito do concreto armado que são
definidos no item 3 da NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de  Resistência característica do concreto a compressão ( 𝑓𝑐𝑘 ): O
concreto – Procedimento. cálculo da resistência de dosagem deve ser feito a partir de
resultados de ensaios feitos em um grande número de obras, esta
 Armadura ativa: define-se como uma armadura previamente
alongada que realiza a protensão de um elemento estrutural, variabilidade é medida pelo desvio-padrão, 𝑆𝑑 , é levada em conta
podendo, essa, ser em forma de barra, cordoalha ou fio isolado; no cálculo segundo a equação:
 Armadura passiva: armadura utilizada sem prévio alongamento,
não provocando, dessa forma, protensão no elemento; 𝑓𝑐𝑗 = 𝑓𝑐𝑘 + 1,65 𝑆𝑑 (2)
 Concreto estrutural: refere-se à utilização do concreto como
material estrutural; Onde,
 Elementos de concreto armado: são elementos estruturais feitos 𝑓𝑐𝑗 = é a resistência média do concreto à compressão, prevista
de concreto que possuem armadura, sendo a aderência para idade j dias, em MPa;
concreto/armadura a responsável pelo comportamento 𝑓𝑐𝑘 = é a resistência característica do concreto à compressão, em
estrutural; MPa;
 Elementos de concreto protendido: são elementos estruturais 𝑆𝑑 = é o desvio-padrão da dosagem, em MPa.
feitos de concreto que possuem armadura previamente alongada
por equipamentos destinados a esse fim. Dentre as funções dessa De acordo com a NBR12655:2015 o cálculo da resistência de
protensão, estão: evitar ou minimizar a fissuração da estrutura e dosagem do concreto depende, entre outras variáveis, das
possibilitar o maior aproveitamento possível dos aços de alta condições de preparo do concreto, definidas a seguir:
resistência;
 Elementos de concreto simples estrutural: são elementos  Condição A (aplicável às classes C10 até C80): o cimento e o os
estruturais feitos de concreto que não apresentam armadura ou
agregados são medidos em massa, a água de amassamento é
a possuem em quantidade menor do que a mínima estipulada em
norma; medida em massa ou volume com dispositivo dosador e corrigida
 Estado-limite último (ELU): estado-limite que se relaciona ao em função da umidade dos agregados;
colapso ou qualquer forma de ruína da estrutura, levando à  Condição B:
necessidade de paralisação do uso da mesma devido à falta de - Aplicável às classes C10 até C25 - o cimento é medido em massa,
segurança; a água de amassamento é medida em volume mediante
 Estado-limite de serviço (ELS): estado-limite relacionado à dispositivo dosador e os agregados medidos em massa
durabilidade, aparência, bom desempenho da estrutura e
combinada com volume;
conforto do usuário. Pode ocorrer devido a deformações e
deslocamentos excessivos no uso normal, vibrações ou
fissurações excessivas. Dentre os estados-limites de serviço tem-
1
- Aplicável às classes C10 até C20 - o cimento é medido em massa, 𝜀𝑐 𝑛
𝜎𝑐 = 0,85𝑓𝑐𝑑 [1 − (1 − ) ] (3)
a água de amassamento é medida em volume mediante dispositivo 𝜀𝑐2
dosador e os agregados medidos em volume. A umidade do
agregado miúdo é determinada pelo menos três vezes durante o Sendo,
serviço do mesmo turno de concretagem. O volume de agregado é
corrigido através da curva de inchamento estabelecida para 𝑓𝑐𝑘 ≤ 50 𝑀𝑃𝑎 ∴ 𝑛 = 2 (3.a)
especificamente para o material utilizado;
(90−𝑓𝑐𝑘 ) 4
para 𝑓𝑐𝑘 > 50 𝑀𝑃𝑎 ∴ 𝑛 = 1,4 + 23,4 [ ] (3.b)
100
 Condição C (aplicável apenas aos concretos de classe C10 e C15):
o cimento é medido em massa, os agregados são medidos em Onde,
volume, a água de amassamento é medida em
𝑓𝑐𝑘 = Resistência Característica do Concreto à Compressão
Ainda de acordo com a NBR12655:2005, no início da obra ou em (expresso em 𝑀𝑃𝑎).
qualquer outra circunstância em que não se conheça o valor do
desvio-padrão 𝑆𝑑 , deve-se adotar para o cálculo da resistência de Para os valores de 𝜀𝑐2 (deformação específica de encurtamento do
dosagem os valores apresentados na Tabela 1, de acordo com a concreto no início do patamar plástico) e 𝜀𝑐𝑢 (deformação
condição de preparo, que deve ser mantida permanentemente específica de encurtamento do concreto na ruptura) tem-se, de
durante a construção. Mesmo quando o desvio-padrão seja acordo com a norma:
conhecido, em nenhum caso o mesmo pode ser adotado menor
que 2,0 MPa. - Concretos de classes até C50:

𝜀𝑐2 = 2,0‰ (4)


Tabela 1 – Desvio- padrão a ser adotado em função da condição 𝜀𝑐𝑢 = 3,5‰ (5)
de preparo do concreto.
Desvio-padrão - Concretos de classes C55 até C90:
Condição de preparo do concreto
(Mpa)
A 4,0 𝜀𝑐2 = 2,0‰ + 0,085‰(𝑓𝑐𝑘 − 50)0,53 (6)
B 5,5
90−𝑓𝑐𝑘 4
C¹ 7,0 𝜀𝑐𝑢 = 2,6‰ + 35‰ [ ] (7)
100
¹ Para condição de preparo C, e enquanto não se conhece o desvio-padrão,
exige-se para os concretos de classe C15 um consumo mínimo de 350 Kg de Sendo 𝑓𝑐𝑘 expresso em 𝑀𝑃𝑎.
cimento por metro cúbico.
Resistência do concreto à tração direta (𝒇𝒄𝒕 )
Fonte: Adaptado de ABNT, 2015. De acordo com a NBR 6118:2014, a resistência à tração direta do
concreto (𝑓𝑐𝑡 ) pode ser obtida pelas fórmulas:
Massa específica (𝝆𝒄 )
A norma se aplica aos concretos de massa específica normal, ou 𝑓𝑐𝑡 = 0,9𝑓𝑐𝑡,𝑠𝑝 (8)
seja, quando secos em estufa apresentam massa específica entre
𝑓𝑐𝑡 = 0,7𝑓𝑐𝑡,𝑓 (9)
2.000 e 2.800 kg/m³.
Quando a massa específica não for conhecida, adota-se, para
Sendo:
cálculo, 2.400 kg/m³ para o concreto simples e 2.500 kg/m³ para o
𝑓𝑐𝑡,𝑠𝑝 = resistência do concreto à tração indireta;
concreto armado.
𝑓𝑐𝑡,𝑓 = resistência do concreto à tração na flexão.
Diagrama tensão-deformação
A NBR 6118:2014, no item 8.2.10.1, apresenta o seguinte diagrama Na falta de ensaios para obtenção dos valores de 𝑓𝑐𝑡,𝑠𝑝 e 𝑓𝑐𝑡,𝑓 ,
tensão-deformação, para compressão, analisando-se o estado- calcula-se a resistência média à tração 𝑓𝑐𝑡,𝑚 por meio das fórmulas:
limite último:
- Concretos de classes até C50:
Figura 1– Diagrama tensão-deformação idealizado
𝑓𝑐𝑡,𝑚 = 0,3𝑓𝑐𝑘 2/3 (10)

- Concretos de classes C55 até C90:

𝑓𝑐𝑡,𝑚 = 2,12 ln(1 + 0,11 𝑓𝑐𝑘 ) (11)

Sendo𝑓𝑐𝑡,𝑚 e 𝑓𝑐𝑘 expresso em 𝑀𝑃𝑎.

Quanto aos valores inferior e superior para a resistência


característica à tração tem-se:

𝑓𝑐𝑡𝑘,𝑖𝑛𝑓 = 0,7𝑓𝑐𝑡,𝑚 (12)


Fonte: Adaptado de ABNT, 2014. 𝑓𝑐𝑡𝑘,𝑠𝑢𝑝 = 1,3𝑓𝑐𝑡,𝑚 (13)

Para este diagrama, a tensão de compressão no concreto é obtida Módulo de Deformação Tangente inicial (𝑬𝒄𝒊 )
pela fórmula: A fórmula do Módulo de elasticidade para o concreto é aplicado
apenas à parte retilínea da curva tensão-deformação ou, se a parte
2
retilínea não existir, a fórmula é aplicada à tangente da curva na Segundo a 6118: 2014, O módulo de elasticidade secante (𝐸𝑐𝑠 ) a ser
origem, então se tem o módulo de deformação tangente inicial utilizado nas análises elásticas de projeto, especialmente para
(𝐸𝑐𝑖 ) (Figura 2). Este módulo pode ser obtido segundo o ensaio determinação de esforços solicitantes e verificação de estados
estabelecido na NBR 8522:2008 – Concreto – Determinação do
limites de serviço, deve ser calculado pela expressão:
módulo estático de elasticidade à compressão, ou pode ser
estimado através da fórmula:
𝐸𝑐𝑠 = 𝑜, 85𝐸𝑐𝑖 (14)
- Concretos de classes até C50:
Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou
1/2 seção transversal pode ser adotado um módulo de elasticidade
𝐸𝑐𝑖 = 𝛼𝐸 5600 𝑓𝑐𝑘 (14)
único, à tração e à compressão, igual ao módulo de elasticidade
- Concretos de classes C55 até C90: secante (𝐸𝑐𝑠 ). Na avaliação do comportamento global da estrutura
pode ser utilizado em projeto o módulo de deformação tangente
𝑓𝑐𝑘 1/3 inicial (𝐸𝑐𝑖 ).
𝐸𝑐𝑖 = 21,5.10³ 𝛼𝐸 [ + 1,25] (15)
10
Para tensões de compressão menores que 0,5. 𝑓𝑐 pode-se admitir
Sendo: uma relação linear entre tensões e deformações, adotando-se para
𝛼𝐸 = 1,2 para basalto e diabásio;
módulo de elasticidade o valor secante (𝐸𝑐𝑖 ).
𝛼𝐸 = 1,0 para granito e gnaisse;
𝛼𝐸 = 0,9 para calcário;
𝛼𝐸 = 0,7 para arenito; Coeficiente de Poisson (𝝊) e módulo de elasticidade transversal do
concreto (𝑮𝒄 )
𝐸𝑐𝑖 e 𝑓𝑐𝑘 expresso em 𝑀𝑃𝑎.
De acordo com a norma, em casos de tensões de compressão
menores que 0,5. 𝑓𝑐 e de tração menores que 𝑓𝑐𝑡 , adota-se, para
Módulo de Deformação Secante (𝑬𝒄𝒔 )
coeficiente de Poisson ( 𝜐 ), o valor de 0,2 e para o módulo de
Pode-se adotar um módulo de elasticidade único, à tração e à
elasticidade transversal (𝐺𝑐 ) tem-se:
compressão, igual ao módulo de elasticidade secante (𝐸𝑐𝑠 ) para
avaliar o comportamento de um elemento estrutural ou de uma 𝐸𝑐𝑠
ação transversal. Para análises elásticas, determinação de esforços 𝐺𝑐 = (18)
2,4
solicitantes e verificação de limites de serviço deve-se adotar a
fórmula:
𝐸𝑐𝑠 = 𝛼𝑖 𝐸𝑐𝑖 (16) Aço
Onde: O aço utilizado no concreto armado segue parâmetros estipulados
𝑓𝑐𝑘
𝛼𝑖 = 0,8 + 0,2 ≤ 1,0 (17) pelas normas NBR 7480:2007 e NBR 6118:2014. A seguir,
10
classificações e dados sobre o aço.
Sendo 𝑓𝑐𝑘 expresso em 𝑀𝑃𝑎.
Categoria
A Tabela 2 apresenta valores arredondados que podem ser Para elaboração de projetos estruturais em concreto armado, são
encontrados por meio das fórmulas anteriormente citadas. utilizados aços classificados como CA-25 e CA-50 para barras, ou
CA-60 para fios, significando, essa denominação: CA= Concreto
Tabela 2 – Valores estimados do módulo de elasticidade em Armado + número que se segue = valor característico da resistência
função da resistência característica à compressão do concreto de escoamento do aço em kN/cm² ou kgf/mm². Quanto às
(considerando o uso do granito como agregado graúdo) características das barras, a NBR 7480:2007 estipula a
características das barras e dos fios.
Classes C20 C30 C40 C50 C60 C70 C80 C90
𝑬𝒄𝒊 (GPa) 25 31 35 40 42 43 45 47
Tipo de superfície aderente
𝑬𝒄𝒔 (GPa) 21 27 32 37 40 42 45 47 Os fios e barras de aços utilizados no concreto armado podem ter
𝜶𝒊 0,85 0,88 0,90 0,93 0,95 0,98 1,00 1,00 superfícies lisas, entalhadas ou providas de saliências ou mossas. A
capacidade aderente entre aço e concreto está relacionada ao
Fonte: Adaptado de ABNT, 2014. coeficiente 𝜂1, sendo, este, estabelecido pela NBR 6118:2014 no
item 8.3.2, sendo demonstrado na Tabela 1:
Figura 2 – Módulo de elasticidade e deformação do concreto.
Tabela 3 – Valor do coeficiente de aderência 𝜼𝟏
Tipo de superfície ƞ1
Lisa (CA-25) 1,0
Entalhada (CA-60) 1,4
Nervurada (CA-50) 2,25
Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.

Massa específica (𝝆)


Adota-se, para aço de armadura passiva ou ativa, massa específica
no valor de 7.850 kg/m³.

Módulo de elasticidade
Quando não forem estabelecidos por ensaios, o módulo de
elasticidade do aço de armadura passiva (𝐸𝑠) pode ser adotado
como 210 𝐺𝑃𝑎 (2,1𝑥106 𝑘𝑔𝑓/𝑐𝑚²). Para módulo de elasticidade
Fonte: Adaptado de BATTAGIN, 2007.
do aço de armadura ativa (Ep), pode-se considerar o valor de
200 𝐺𝑃𝑎 (2,0𝑥106 𝑘𝑔𝑓/𝑐𝑚²) para fios e cordoalhas.

3
Diagrama tensão-deformação Resistência de cálculo do concreto (𝒇𝒄𝒅 )
A NBR ISO 6892-1 estipula os ensaios de tração a serem realizados A resistência de cálculo do concreto ( 𝑓𝑐𝑑 ), quando obtida por
para obtenção do diagrama tensão-deformação para aços de verificação realizada em data igual ou superior a 28 dias, é obtida,
armaduras passivas, valores característicos da resistência ao segundo NBR 6118:2014, pela fórmula:
escoamento (𝑓𝑦𝑘 ), resistência à tração (𝑓𝑠𝑡𝑘 ) e deformação última
de ruptura (𝜀𝑢𝑘 ). Em casos nos quais o aço não apresentar patamar 𝑓𝑐𝑘
𝑓𝑐𝑑 = 𝛾𝑐
(19)
de escoamento, adota-se o valor de 𝑓𝑦𝑘 de 0,2%.
Sendo:
Para compressão e tração, aços com ou sem patamar de 𝑓𝑐𝑘 = resistência característica do concreto à compressão;
escoamento e em intervalos de temperatura entre -20ºC e 150ºC, 𝛾𝑐 = coeficiente de ponderação do Concreto.
analisando-se os estados-limite de serviço e último, pode-se utilizar
o diagrama tensão-deformação para aços de armaduras passivas Para cálculo da tensão de pico pelo diagrama tensão-deformação,
proposto na NBR 6118:2014: para qualquer tipo de seção e classe de concreto, deve-se
considerar o coeficiente de Rüsch, chegando-se à fórmula:
Figura 3 – Diagrama tensão-deformação para aços de armaduras 𝑓𝑐𝑘
passivas 𝜎𝑐 = 𝑓𝑐 = 0,85. 𝑓𝑐𝑑 = 0,85.
𝛾𝑐
(20)

Segundo Camacho (2006), os ensaios rápidos de compressão axial


ou de flexão, geralmente define os diagramas tensão-deformação
do concreto. Observa-se quando a tensão de ruptura é alcançada
nos ensaios de compressão axial, tem-se uma deformação
especifica da ordem de 2‰. Já nos ensaios de flexão, essa
deformação varia entre os limites de 3‰ a 6‰.

Os ensaios realizados pelo pesquisador Rüsch, mostraram que o


concreto submetido a um carregamento com baixa velocidade de
crescimento, apresenta uma diminuição de resistência de até 20%
em relação aos valores obtidos em ensaios rápidos, modificando-se
também os valores últimos das deformações.

Fonte: Adaptado de ABNT, 2014. Figura X– Velocidade de carregamento do concreto

Quanto ao aço de armadura ativa, tratando-se das cordoalhas,


deve-se obedecer ao estabelecido na NBR 7483 que estipula os
valores característicos da resistência ao escoamento convencional
(𝑓𝑝𝑦𝑘 ), resistência à tração (𝑓𝑝𝑡𝑘 ) e alongamento após ruptura (𝜀𝑢𝑘 ).

Para os valores referentes aos fios, deve-se seguir a NBR 7482. Em


intervalos de temperatura entre -20ºC e 150ºC, analisando-se os
estados-limite de serviço e último, pode-se utilizar o diagrama
tensão-deformação para aços de armaduras ativas proposto na
NBR 6118:2014:

Figura 4 – Diagrama tensão-deformação para aços de armaduras Fonte: CAMACHO, 2006.


ativas
Onde,
𝑓𝑐 = resistência do concreto à compressão num ensaio rápido;
𝜀𝑐 = encurtamento relativo do concreto;
𝜎𝑐 = tensão no concreto durante o ensaio;
𝑡= duração do carregamento.

A Figura X mostra que não haverá ruptura imediata se o corpo de


prova for carregado de forma rápida até atingir o ponto A, e a carga
for mantida constante, porém as deformações irão crescendo até
que ocorra a ruptura do concreto comprimido.

De forma semelhante, haverá um acréscimo de deformação no


corpo de prova com o tempo, se a carga for conduzida e mantida
até o ponto B, porém sem que se verifique a ruptura do mesmo.

Fonte: Adaptado de ABNT, 2014. Admite-se que no estado último as tensões de compressão na
seção transversal tenham uma distribuição de acordo com o
diagrama parábola-retângulo representada na Figura 5.
RESISTÊNCIAS
A seguir, breve apresentação teórica e formulação para cálculo das Figura 5 – Diagrama de tensões Parábola-Retângulo
resistências mais utilizadas em elementos de concreto armado
presentes no item 12 da NBR 6118:2014.

4
Tabela 4 – Valores dos coeficientes 𝛾𝑐 e 𝛾𝑠
Concreto Aço
Combinações 𝛾 𝛾𝑠
𝑐
Normais '
1,4 1.15
Especiais ou de construção 1,2 1,15
Excepcionais 1,2 1,0
Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.

AGRESSIVIDADE DO AMBIENTE
A durabilidade das estruturas de concreto mostra-se afetada,
significativamente, pela agressividade do ambiente, relacionando-
Fonte: Elaborada pelos autores.
se, esta, às ações físicas (ex: variações de temperatura e ação da
água) e químicas (ex: águas ácidas, sulfatos e cloretos) que atuam
Para simplificação, a NBR 6118:2014 permite utilizar o diagrama
sobre as estruturas de concreto. Para classificação em relação à
retangular representada na Figura 6, para cálculo das tensões no
agressividade ambiental, a norma estabelece, em seu item 6.4.2
concreto, resultando, nos casos em que a largura da seção
representada pela tabela 3:
transversal não diminuir da linha neutra para a borda mais
comprimida, em uma tensão constante obtida pela fórmula:
Tabela 5 – Classes de agressividade ambiental (CAA)
𝑓𝑐𝑘
Classe de Classificação
Risco de
𝜎𝑐 = 𝑓𝑐 = 𝛼𝑐 . 𝑓𝑐𝑑 = 𝛼𝑐 .
𝛾𝑐
(21) agressividade geral do tipo de
Agressividade deterioração
ambiental ambiente para
da estrutura
(CAA) efeito de projeto
Figura 6 – Diagrama de tensões Retangular Rural
I Fraca Insignificante
Submersa
Urbana a,b
II Moderada Pequeno

Marinhaa
III Forte Grande
Industriala,b
Industriala,c
IV Muito Forte Respingos de Elevado
maré
a
Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (uma acima) para
ambientes internos secos como salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de
Fonte: Elaborada pelos autores.
serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com
concreto revestido com argamassa e pintura.
Para caso contrário, como seção circular, utiliza-se, para cálculo da b
Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (uma acima) em obras em
tensão constante, a fórmula: regiões de clima seco, com umidade média relativa do ar menor ou igual a 65%, partes
da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos ou regiões
𝑓𝑐𝑘 onde raramente chove.
𝜎𝑐 = 𝑓𝑐 = 0,9. 𝛼𝑐 . 𝑓𝑐𝑑 = 0,9. 𝛼𝑐 .
𝛾𝑐
(22) C
Ambientes quimicamente agressivos como tanques industriais, galvanoplastia,
branqueamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes e
Tem-se para as Fórmulas 21 e 22: indústrias químicas.
Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.
Concretos de classes até C50:
Os cobrimentos nominais de uma barra (𝑐𝑛𝑜𝑚 ), que referem-se ao
𝛼𝑐 = 0,85 (23) cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução Δc (maior
ou igual a 10mm, salvo quando houver controle rígido de
Concretos de classes C55 até C90: qualidade), devem seguir as condições estabelecidas na NBR
6118:2014, item 7.4.7.5:
(𝑓𝑐𝑘 −50)
𝛼𝑐 = 0,85. [1 − ] (24)
200 ∅𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎
𝑐𝑛𝑜𝑚 ≥ ∅𝑓𝑒𝑖𝑥𝑒 (26)
Sendo 𝑓𝑐𝑘 expresso em 𝑀𝑃𝑎.
0,5. ∅𝑏𝑎𝑖𝑛ℎ𝑎
Sendo:
Resistência de escoamento de cálculo (𝒇𝒚𝒅 )
∅𝑓𝑒𝑖𝑥𝑒 Obtido pela fórmula:
A resistência de escoamento de cálculo (𝑓𝑦𝑑 ) é obtida pela fórmula:
𝑓𝑦𝑘
∅𝑓𝑒𝑖𝑥𝑒 = ∅𝑛 = ∅𝑓 . √𝑛 (27)
𝑓𝑦𝑑 = 𝛾𝑠
(25) Onde:
∅𝑛 = diâmetro equivalente;
∅𝑓 = diâmetro das barras do feixe;
Sendo:
𝑓𝑦𝑑 = tensão de escoamento de cálculo; 𝑛 = número de barras do feixe;
𝑓𝑦𝑘 = resistência característica de escoamento;
𝛾𝑠 = coeficiente de ponderação das resistências do aço. Relacionada ao cobrimento nominal, está a dimensão máxima
característica do agregado graúdo utilizado no concreto, sendo,
A norma NBR 6118:2014, em seu item 12.4.1, estabelece os esta, estipulada pela NBR 6118:2014, item 7.4.7.6, por meio da
coeficientes de ponderação das resistências no estado-limite fórmula:
último por meio da tabela: 𝑑𝑚á𝑥 ≤ 1,2. 𝑐𝑛𝑜𝑚 (28)
Sendo:

5
𝑑𝑚á𝑥 = dimensão máxima característica do agregado graúdo; Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.
𝑐𝑛𝑜𝑚 = cobrimento nominal.
Analisando os domínios estipulados pela norma, tem-se:
A Tabela 4, retirada do item 7.4.7.2 da NBR 6118:2014, relaciona o
- Domínio 1: O estado limite ultimo é caracterizado pela
cobrimento nominal à classe de agressividade ambiental:
deformação 𝜀𝑠𝑢 = 10 ‰. A seção está inteiramente tracionada.
Tabela 6 – Correspondência entre a classe de agressividade
Figura 8 – Domínio 1
ambiental (CAA) e o cobrimento nominal para Δc=10mm.
CAA
Tipo de Componente ou I II III IVc
Estrutura elemento
Cobrimento
nominal (mm)
Lajeb 20 25 35 45
Concreto Viga / Pilar 25 30 40 50
armado Elementos estruturais
30 40 50 Fonte: Elaborada pelos autores.
em contato com o solod
Concreto Laje 25 30 40 50
Protendido A Figura 9 representa um detalhe do pilar em estrutura metálica do
a Viga / Pilar 30 35 45 55
edifício Palácio Tiradentes na Cidade Admistrativa de Minas Gerais.
a
Assumindo-se que este mesmo pilar seja de concreto armado,
Cobrimento nominal da bainha ou dos fios, cabos e cordoalhas. O cobrimento da
pode-se considerar 100% tracionado. Neste caso, o pilar é
armadura passiva deve respeitar os cobrimentos para concreto armado.
b considerado um tirante petencente ao domínio 1 (Figura 8).
Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de
contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de
revestimento e acabamento, como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, Figura 9 – Esboço do Palácio Tiradentes - Cidade Admistrativa de
pisos asfálticos e outros, as exigências desta Tabela podem ser substituídas pelas Minas Gerais
condições apresentadas para o cobrimento nominal, respeitando um cobrimento
nominal ≥ 15mm.
c
Nas superfícies expostas a ambientes agressivos, como reservatórios, estações de
tratamento de água e esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes
química e intensamente agressivos, devem ser atendidos os cobrimentos da classe de
agressividade IV.
d
No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a
armadura deve ter cobrimento nominal ≥ 45mm.
Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.

Domínios de estado-limite último


Por meio da análise dos diagramas de deformação, chegou-se aos
domínios de deformação, sendo, estes, descritos na NBR
6118:2014, no item 17.2.2:

Figura 7 – Domínios de estado-limite último de uma seção


transversal

Fonte: Elaborada pelos autores.

- Domínio 2: O estado limite ultimo é caracterizado pela


deformação 𝜀𝑠𝑢 = 3,5 ‰. A linha neutra corta a seção havendo
uma região tracionada e uma comprimida.

Figura 10 – Domínio 2
Ruptura convencional por deformação plástica excessiva:
- reta a: tração uniforme;
- domínio 1: tração não uniforme, sem compressão;
- domínio 2: flexão simples ou composta sem ruptura à
compressão do concreto (𝜀𝑐 < 𝜀𝑐𝑢 e com o máximo alongamento
possível);
Ruptura convencional por encurtamento-limite do concreto:
- domínio 3: flexão simples (seção subarmada) ou composta com
ruptura à compressão do concreto e com escoamento do aço (𝜀𝑠 ≥ Fonte: Elaborada pelos autores.
𝜀𝑦𝑑 );
- domínio 4: flexão simples (seção superarmada) ou composta - Domínio 3: O estado limite ultimo é caracterizado pela
com ruptura à compressão do concreto e aço tracionado sem deformação 𝜀𝑐𝑢 = 3,5 ‰. A linha neutra corta a seção havendo
escoamento ((𝜀𝑠 < 𝜀𝑦𝑑 ); uma região tracionada e uma comprimida. O aço entra em
- domínio 4a: flexão composta com armaduras comprimidas; escoamento ao mesmo tempo e quando o concreto entra em
- domínio 5: compressão não uniforme, sem tração;
ruptura.
- reta b: compressão uniforme.
6
Figura 11 – Domínio 3

Fonte: Elaborada pelos autores.


Fonte: Elaborada pelos autores.
A Figura 12 é uma viga submetida a flexão simples, logo existe uma
região tracionada e uma comprimida. Neste caso, dependendo da - Domínio 5: Admite-se que neste domínio seja variável a
magnitude da carga “q” a seção crítica (mais solicitada) em estudo deformação ultima do concreto, sendo igual a 𝜀𝑐2 =2,0‰ na
pode estar compreendida entre os domínios 2 (Figura 10), 3 (Figura compressão uniforme e 𝜀𝑐𝑢 =3,5‰ na flexo-compressão.
11) ou 4 (Figura 13).
Figura 15 – Domínio 5
Figura 12 – Esboço de uma Viga

Fonte: Elaborada pelos autores.

Obs: A NBR 6118 admite que a plastificação última no concreto


submetido a flexo-compressão é maior do que a compressão
centrada devido xxxxxx

A Figura 16 representa um pilar 100% comprimido com carga


centrada. Neste caso, o pilar pertence ao domínio 5 (Figura 14).

Figura 16 – Esboço de um pilar 100% comprimido

Fonte: Elaborada pelos autores.

- Domínio 4: O estado limite ultimo é caracterizado pela


deformação 𝜀𝑐𝑢 = 3,5 ‰. Difere do domínio anterior pelo fato da
armadura não entrar em escoamento, ou seja, 𝜀𝑠 ≤ 𝜀𝑦𝑑 .

Figura 13 – Domínio 4

Fonte: Elaborada pelos autores.

Depois da análise dos domínios estipulados pela norma NBR


6118:2014, tem-se:

Figura 17 – Domínios de estado-limite último

Fonte: Elaborada pelos autores.

- Domínio 4a: Neste caso, a linha neutra corta a seção transversal


onde há o cobrimento da armadura menos comprimida, sendo o
estado-limite último caracterizado pela deformação 𝜀𝑐𝑢 .
Fonte: Elaborada pelos autores.
Figura 14 – Domínio 4a
FLEXÃO NORMAL SIMPLES
As deformações de uma viga de concreto na flexão normal simples,
pode ser caracterizada em três estádios de formação de fissuras,
conforme CARVALHO, 2010:

7
Para obtenção da área de aço necessária para a armadura, utiliza-
-Estádio I (estádio elástico): As tensões normais que surgem são de se a fórmula:
baixa intensidade, pois nessa fase corresponde o inicío do 𝐴𝑠 ≥ 𝐴𝑠1 + 𝐴𝑠2 (29)
carregamento e dessa forma a tensão de tração no concreto não Sendo:
excede a resistência à tração do concreto. Ou seja, não existe nessa 𝐴𝑠 = armadura tracionada;
fase fissuras visíveis. 𝐴𝑠1 e 𝐴𝑠2 = parcelas para cálculo de As, calculadas pelas fórmulas:

Figura 18 – Comportamento da seção transversal de uma viga na 𝑓𝑐 .𝑏.𝑑


flexão normal simples: Estádio I. 𝐴𝑠1 = (1 − √1 − 2𝐾 ′ ) (30)
𝑓𝑦𝑑

𝑓𝑐 .𝑏.𝑑 𝐾−𝐾′
𝐴𝑠2 = . 𝑑′
(31)
𝑓𝑦𝑑 1−( )
𝑑
Onde:
Fonte: Adaptado de CARVALHO, 2010. 𝑓𝑐 = resistência final de cálculo do concreto;
𝑏 = base da seção retangular;
-Estádio II (estado de fissuração): Nessa fase a seção se encontra 𝑑 = altura útil da seção retangular;
com fissuras na região de tração, com o aumento do carregamento, 𝑓𝑦𝑑 = tensão de escoamento de cálculo;
o concreto não resiste mais à tração, assim considera-se que K e K’ = parâmetros adimensionais que medem as intensidades dos
apenas o aço passa a resistir aos esforços de tração. Em função momentos fletores externo e interno, respectivamente.
disso as fissuras de tração no concreto são visíveis. Já na região
comprimida o concreto ainda não plastificou. A altura útil da seção retangular (d) é obtida pela fórmula:

Figura 19 – Comportamento da seção transversal de uma viga na 𝑑 = ℎ − 𝑑′ (32)


flexão normal simples: Estádio II
Sendo:
ℎ = altura da seção retangular;
𝑑′ dado pela fórmula:
∅𝐿
𝑑′ = 𝐶𝑛𝑜𝑚 + ∅𝑡 + (33)
2
Sendo:
Fonte: Adaptado de CARVALHO, 2010. 𝐶𝑛𝑜𝑚 = cobrimento nominal;
∅𝑡 = diâmetro da barra de armadura transversal (estribo);
-Estádio III (estádio plastificado): Com o aumento do carregamento ∅𝐿 = diâmetro da barra de armadura longitudinal.
até um valor proximo ao de ruína, a zona comprimida encontra-se
plastificada. Ou seja, percebe-se nessa fase fissuras de grande Figura 22 – Seção retangular
magnitude.

Figura 20 – Comportamento da seção transversal de uma viga na


flexão normal simples: Estádio III

Fonte: Adaptado de CARVALHO, 2010.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Para cálculo do parâmetro K, tem-se:


SEÇÃO RETANGULAR 𝑀𝑑 𝑀.1,4
𝐾= = (34)
De acordo com Tepedino (1983), para estudo das tensões no 𝑓𝑐 .𝑏.𝑑2 𝑓𝑐 .𝑏.𝑑2
concreto em uma seção retangular, nos casos dos domínios 2 e 3, Onde:
pode-se adotar o diagrama retangular simplificado a seguir. 𝑀𝑑 = momento de cálculo.

Figura 21 – Diagrama para seção retangular Para análise do valor de 𝐾′ a ser utilizado para cálculo de 𝐴𝑠1 e
𝐴𝑠2 , considera-se:
𝐾 ≤ 𝐾𝐿 → 𝐾 ′ = 𝐾
(35)
𝐾 > 𝐾𝐿 → 𝐾 ′ = 𝐾𝐿

Sendo 𝐾𝐿 , considerando-se um adequado comportamento dúctil,


obtido pela fórmula:
𝛼𝐿
𝐾𝐿 = 𝐾′𝐿 = 𝛼𝐿 (1 − ) (36)
2
Fonte: Elaborada pelos autores.
Onde:
𝑦 𝑥
𝛼𝐿 = ( ) = 𝜆 ( ) (37)
𝑑 𝐿 𝑑 𝐿

8
C80 0,211 0,072 0,016
Para um adequado comportamento dútil em vigas e lajes, a NBR C85 0,211 0,071 0,016
6118:2014 estabelece para posição da linha neutra no ELU os C90 0,211 0,071 0,016
limites: Fonte: Elaborada pelos autores.

- Concretos de classes até C50: Para casos nos quais haja 𝐴𝑠2 , deve-se calcular a armadura de
compressão 𝐴′𝑠 pela fórmula:
𝑥
≤ 0,45 (38)
𝑑 𝐴𝑠2
𝐴′𝑠 = (44)
𝜑
- Concretos de classes C55 até C90: Sendo,
𝑥
≤ 0,35 (39) 𝐴𝑠2 obtido pela Fórmula 31;
𝑑
𝜑 obtido pela Fórmula 44.
As tensões na seção transversal de um elemento em concreto
resultam em um diagrama parábola-retângulo com tensão de pico SEÇÃO T ou L
de 0,85.fcd. Para simplificação, a NBR 6118:2014 permite trabalhar
com um diagrama retangular de profundidade obtida pela fórmula: Nas estruturas de concreto armado, mostra-se muito frequente a
utilização de seções geométricas em T ou L. Estas seções são
𝑦 = 𝜆𝑥 (40)
compostas por uma nervura ou alma de largura 𝑏𝑤 e uma mesa de
Sendo:
largura 𝑏𝑓 . No entanto, essas estruturas só podem ser
consideradas como seções em T ou L se a mesa estiver comprimida.
- Concretos de classes até C50:
Nos casos em que ela não demonstrar tal comportamento, a seção
se comportará como retangular de largura 𝑏𝑤 .
𝜆 = 0,8 (41)
Para casos nos quais a profundidade da linha neutra seja menor ou
- Concretos de classes C55 até C90:
igual à altura da mesa (y ≤ ℎ𝑓 ), a seção é considerada como
(𝑓𝑐𝑘 −50)
retangular de largura 𝑏𝑓 .
𝜆 = 0,8 − (42)
400
Figura 23 – Diagrama para seção retangular
Sendo 𝑓𝑐𝑘 expresso em MPa.

Utilizando-se as fórmulas citadas, chega-se à tabela para os valores


de 𝐾𝐿 considerando-se a situação de adequado comportamento
dúctil:

Tabela 7 – Valores de 𝑲𝑳 .
Classe Λ (x/d)L αL KL
≤ C50 0,8000 0,45 0,360 0,295
Fonte: Elaborada pelos autores.
C55 0,7875 0,35 0,276 0,238
C60 0,7750 0,35 0,271 0,234 Para obtenção da área de aço 𝐴𝑠 necessária para a armadura,
C65 0,7625 0,35 0,267 0,231 utiliza-se a mesma fórmula empregada para seções retangulares
C70 0,7500 0,35 0,263 0,228 (ver Fórmula 29). Quanto às parcelas para cálculo do 𝐴𝑠 (𝐴𝑠1 e
C75 0,7375 0,35 0,258 0,225 𝐴𝑠2 ), utiliza-se para 𝐴𝑠2 a Fórmula 31 e para 𝐴𝑠1 tem-se:
C80 0,7250 0,35 0,254 0,222
C85 0,7125 0,35 0,249 0,218
C90 0,7000 0,35 0,245 0,215 𝑓𝑐 .𝑏𝑓 .𝑑 𝑏𝑓 ℎ𝑓
𝐴𝑠1 = . [(1 − √1 − 2𝑘′) + ( − 1) . ] (45)
Fonte: Elaborada pelos autores. 𝑓𝑦𝑑 𝑏𝑤 𝑑

A relação d’/d é obtida por meio da fórmula utilizada para cálculo


do nível de tensão na armadura comprimida (φ), que é sempre Sendo,
menor ou igual a 1: 𝑓𝑐 = resistência final de cálculo do concreto;
𝑏 = base da seção retangular;
𝑑 = altura útil da seção retangular;
𝑥 𝑑′
( ) −( ) 𝜀 .𝐸
𝑓𝑦𝑑 = tensão de escoamento de cálculo;
𝜎′𝑠𝑑 𝑑 𝐿 𝑑 𝑐𝑢 𝑠
𝜑= = 𝑥 . ≤1 (43) 𝑏𝑓 = largura da mesa;
𝑓𝑦𝑑 ( ) 𝑓𝑦𝑑
𝑑 𝐿 𝑏𝑤 = largura da nervura;
ℎ𝑓 = altura da mesa;
Considerando-se φ = 1, tem-se:
K obtido pela fórmula:
Tabela 8 – Valores para a relação d’/d
Classe CA 25 CA 50 CA 60 𝑀𝑑 𝑏 ℎ ℎ
≤ C50 0,317 0,184 0,131
𝐾= 2 − (𝑏 𝑓 − 1) . ( 𝑑𝑓) . (1 − 2𝑑𝑓 ) (46)
𝑓𝑐 .𝑏.𝑑 𝑤
C55 0,234 0,118 0,072
C60 0,224 0,099 0,049
C65 0,218 0,085 0,032 Para análise do valor de K’ a ser utilizado para cálculo de 𝐴𝑠1 𝐴𝑠2 ,
C70 0,214 0,077 0,023 são obedecidas as mesmas condições da seção retangular (35). Para
C75 0,212 0,073 0,018 cálculo de 𝐾𝐿 , considerando-se um adequado comportamento

9
dútil, utiliza-se a Fórmula 36 apresentada para as seções
retangulares, chegando-se aos mesmos valores de 𝐾𝐿 que os já
calculados (ver Tabela 7).

Para casos nos quais haja 𝐴𝑠2 , deve-se calcular a armadura de


compressão A’s utilizando-se Fórmula 44.

Roteiro para cálculo de vigas T

4.2) Se 𝑀𝑑 = 𝑀𝑟𝑒𝑓 , a Linha neutra tangência a mesa (Diagrama


simplificado). Usam-se as formulas de flexão simples com 𝑏𝑎𝑠𝑒 =
𝑏𝑓.

ℎ𝑡
𝑀𝑟𝑒𝑓 = 𝑅𝑐𝑐 . (𝑑. )
2

1) Verificar se a viga pode ser T (Existe compressão na


mesa?).

2) Cálculo do bf

𝑏𝑓 = 𝑏1 + 𝑏𝑤 + 𝑏1 = 𝑏𝑓
4.3) Se 𝑀𝑑 > 𝑀𝑟𝑒𝑓 , a linha neutra desce cortando a nervura. Usam-
se as formulas da pagina 9 da apostila.
𝑏𝑓 = 𝑏3 + 𝑏𝑤 + 𝑏3 = 𝑏𝑓

𝑏𝑓 = 𝑏1 + 𝑏𝑤 + 𝑏3 = 𝑏𝑓

0,10. 𝑎 0,10. 𝑎
𝑏3 ≤ { 𝑏1 ≤ {
𝑏4 0,5. b2

3) Cálculo do M referência
ℎ𝑡
𝑀𝑟𝑒𝑓 = 𝑓𝑐 . 𝑏𝑓 . ℎ𝑓 . (𝑑 − )
2

4) Comparar𝑀𝑟𝑒𝑓 com 𝑀𝑑 .

4.1) Se 𝑀𝑑 < 𝑀𝑟𝑒𝑓 a linha neutra sobe cortando a mesa.

CONVERSÃO DE UNIDADES
Segue quadro de conversão de unidades mais comumente
utilizadas:

Quadro 1 – CONVERSÃO DE UNIDADES

A viga será dimensionada usando as formulas de flexão simples. Multiplicar por


Tendo Obtém

Tf 10 kN
Tf 1.000 Kgf
Kgf 1/100 kN
Kgf 10 N
kN 1000 N
Kgf/cm² 1/10 MPa

10
Kgf/cm² 100 kN/m²
Kgf/cm² 1/10 MN/m² CARVALHO, Carlos Chust; FILHO, Jasson R. de Figueredo. Cálculo e
Kgf/cm² 10 N/cm² detalhamento de estruturas usuais de concreto armado: segundo
Kgf/cm² 1/100 kN/cm² a NBR 6118:2003. 3. Ed. São Paulo: EduFSCar, 2010.
tf/m² 10 kN/m²
PORTO, Thiago B.; FERNANDES, Danielle S. G. Projeto Estrutural de
tf/m² 1/100 MPa
um Edifício em Concreto Armado. Belo Horizonte: FUMARC, 2014.
tf/m² 1/10 Kgf/cm²
tf/m³ 10 kN/m³ PORTO, Thiago B.; FERNANDES, Danielle S. G. Curso básico de
MPa 1.000 KN/m² concreto armado: conforme NBR 6118:2014. São Paulo: Oficina de
MPa 1 MN/m² Textos, 2015.
MPa 1/10 KN/cm²
m³ 1.000 L SILVA, N.A. Concreto Armado I. Belo Horizonte: UFMG, 2005.
tf.m 10.000 Kgf.cm
Kg 1.000 G SILVA, N.A. Notas de aula da disciplina: Concreto Armado I. Belo
m² 10.000 cm² Horizonte: UFMG, 2014.
H 3.600 S
Dividir por CRÉDITOS
Obtém Tendo

Fonte: Elaborada pelo autor. Autores:
Danielle Stefane Gualberto Fernandes (Arquiteta e Urbanista/
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Engenheira Civil)
Admitindo-se que o concreto armado é um material heterogêneo e
anisotrópico, o seu comportamento estrutural não respeita Denise Christie de O. Capanema (Graduanda de Engenharia Civil)
minunciosamente as previsões da mecânica dos sólidos clássica, Tatiana Aparecida Rodrigues Costa (Graduanda de Engenharia Civil)
dificultando assim sua análise. Em função disso, este texto
procurou relatar apenas conceitos bem consolidados no meio Thiago Bomjardim Porto (Professor do Departamento de
técnico-científico, sendo objetivo dos autores disponibilizarem Engenharia Civil)
para a comunidade em geral um material de consulta prático.
Editor: Thiago Bomjardim Porto (Professor do Departamento de
Engenharia Civil).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Apoio: Consmara Engenharia
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655:
Concreto de cimento Portland - Preparo, controle, recebimento e
aceitação – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:


Projeto de Estruturas de Concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: Aço


destinado a armaduras para estruturas de concreto armado –
Especificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2007.
www.consmara.com.br
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8522: Versão: 28/08/2015
Concreto – Determinação do módulo estático de elasticidade à
compressão. Rio de Janeiro: ABNT, 2008.

BASTOS, P.S.S. Notas de aula da disciplina: Fundamentos do


Concreto Armado. UNESP: Bauru, 2011. Disponível em:
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BATTAGIN, Inês Laranjeira da S. Módulo de Elasticidade do


Concreto como Analisar e Especificar. 2007. Disponível em:
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CAMACHO, Jefferson S. Notas de aula da disciplina: Introdução ao


estudo do concreto armado. UNESP: Ilha Solteira, 2006. Disponível
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PINHEIRO, Libânio M.; MUZARDO, Cassiane D.; SANTOS, Sandro P.


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Paulo: EduFSCar, 2007 . Disponível em:
<http://coral.ufsm.br/decc/ECC1006/Downloads/Apost_EESC_US
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