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Política externa

Sem dúvida, um dos principais ativos de Cabo Verde é o seu excelente nível de relações político-
diplomáticas com o resto do mundo. Conscientes das suas fragilidades e vulnerabilidades,
derivadas de seu status de país em desenvolvimento, o país tem dado grande importância à sua
política externa desde a sua independência. Cabo Verde tem os olhos postos fora do continente por
duas razões principais:
 o primeiro, a sua ligação histórica com a Europa, especialmente com Portugal;
 o segundo, o enorme peso de sua diáspora, estimado como sendo semelhante ao total da
população Cabo Verde (pouco mais de 500.000), e que se concentra principalmente nos
Estados Unidos (na Nova Inglaterra seriam mais de 300.000) e na Europa (Portugal,
Espanha, Luxemburgo, França e Itália).
Com Portugal mantém uma relação de especial intensidade, com quem celebra cimeiras de carácter
anual a nível dos Chefes de Governo. Enquanto Cabo Verde mantém uma relação complexa com
a sua antiga metrópole, Portugal continua a ser uma referência, apesar dos efeitos da crise. Deve-
se notar que a primeira visita no exterior do primeiro-ministro português Antonio Costa foi para
Cabo Verde. Em fevereiro de 2017, o primeiro-ministro Costa regressou a Cabo Verde. Em abril
de 2017 será a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Cabo Verde é um dos membros da União Africana e da CEDEAO, e é apresentado e vista como
um modelo de estabilidade, práticas democráticas e boa governança na região da África Ocidental,
tornando-se uma plataforma de países à sub-região. Embora esteja tentando encontrar seu espaço
no campo da CEDAO, organização com a qual ele manteve um relacionamento distante devido à
chamada "especificidade cabo-verdiana". No entanto, em anos recentes mostra a intenção de se
aproximar novamente de seus parceiros na África Ocidental, a fim de se tornar uma plataforma
privilegiada para a CEDEAO, Empresas europeias e estrangeiras.
Nas últimas eleições municipais, que contou com a presença de uma missão de observação da
CEDEAO, a CEDEAO voltou a sublinhar a "boa governação" do país, (impressionado com a
forma como as eleições se realizaram apesar da abstenção) e a aceitação de toda a sociedade dos
resultados anunciados, sem resposta das forças ou partidos da oposição. Cabo Verde não tem
disputas contenciosas.
Existe uma relação especial com a Guiné-Bissau. Cabo Verde, que sempre se preocupou Por causa
da instabilidade política de seu vizinho, suspendeu as relações após o golpe de 12 de abril de 2012
contra o Governo de Carlos Gomes Júnior.
A partida do Chefe das Forças Armadas, General Indjai, e a estabilidade e nomeação do Primeiro-
Ministro Domingo Simões Pereira, alterou a situação. Na atual situação de instabilidade, Cabo
Verde mostrou o seu desejo de bem-estar para o povo guineense e respeito pela Constituição,
apostando para a criação de um governo de unidade nacional até a realização de eleições em 2018
e a retirada das forças da CEDEAO durante 2017, enquanto está formando o exército guineense.
A CEDEAO solicitou precisamente a Cabo verde que assumisse a formação do exército guineense,
um papel que assumirá Segundo o ministro das Relações Exteriores e Defesa, Luís Felipe Tavares.
No desejo de reduzir sua dependência da Europa, optou pela cooperação Sul-Sul, multiplicando
seus contatos com a África do Sul e Angola, com o Brasil, e aumentou por sua vez, sua cooperação
com os Estados Unidos. A localização geográfica de Cabo Verde, no meio das rotas do Atlântico,
lhe torna uma plataforma ideal para a luta contra tráfegos ilícitos entre a América do Sul e a África
Ocidental.
Em janeiro de 2011, Cabo Verde aprovou o "Conceito Estratégico de Defesa e Segurança
Nacional", que leva em consideração Responsabilidades de Cabo Verde na segurança do Meio
Atlântico. Em Nesse sentido, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, parou
Ilha do Sal, em agosto de 2009, a fim de reafirmar o interesse que os EUA conceder a Cabo Verde
um aliado estratégico na luta contra o narcotráfico e promover a cooperação no domínio militar e
a vigilância dos espaços marítimos, através do centro da COSMAR. Esta visita foi repetida
novamente em janeiro de 2012, sendo os temas centrais desta visita a luta contra o narcotráfico e
a importância de se aumentar vigilância e segurança do espaço marítimo cabo-verdiano, bem como
o segundo Compacto Millenium no valor de 66,2 US $ milhões por um período de cinco anos
(assinado em fevereiro de 2012).
Deve ser enfatizado que Cabo Verde é o primeiro país do mundo a obter um II Compacto do MCC.
Destaca-se também a participação de Cabo Verde no exercício Saharan Express 2015, organizado
pelos EUA com a participação da Espanha entre outros países, em que numerosos exercícios foram
realizados em águas cabo-verdianas.
Em 2016 e 2017, uma equipe cabo-verdiana (com apoio de espanhol) participou o exercício
"Flintlock". A intensa e bastante diversificada atividade externa que nos últimos anos, o país tem
se concentrado, particularmente na atração de investimento, aprofundando assim suas relações
com os países emergentes, como Índia, China e outros países ibero-americanos além do Brasil.
Vale a pena notar a política de "diplomacia asiática" desenvolvida durante o ano de 2012 por PM
Neves que o levou a visitar a China e Singapura, e também receber a visão de um Vice-Ministro
dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul na Praia.
Neste contexto, a China tornou-se um parceiro estratégico com cada vez mais presença na ilha,
seja através de grandes projetos turísticos e investimentos em infraestruturas (como a construção
em curso de um grande complexo hoteleiro e casino na Praia), como através de gestos políticos
como o recente anúncio em a reunião dos dois primeiros-ministros no perdão da dívida de Macau
Cabo Verde com a China no valor de 1,37 milhões de euros ou apoio a criação de uma Zona
Económica Especial em São Vicente ou programas de apoio para a reabilitação de casas para as
pessoas mais desfavorecidas. Cabo Verde assinou com a China, uma série de acordos, em janeiro
de 2012, visando o desenvolvimento de habitação social (51 milhões de dólares em empréstimos
concessionais e 12 milhões de dólares em empréstimos sem juros), reabilitação e ampliação do
Palácio do povo.