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PESQUISA

As profissões em saúde e o Serviço Social: desafios


para a formação profissional

Líria Maria Bettiol Lanza Letícia Orlandi Baldow


Universidade Estadual de Londrina (UEL) Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Fabrício da Silva Campanucci


Universidade Estadual de Londrina (UEL)

As profissões em saúde e o Serviço Social: desafios para a formação profissional


Resumo: O objetivo deste estudo bibliográfico é compreender como o Serviço Social tem enfrentado o processo de revisão da formação
profissional ofertada para o trabalho em saúde. Inicia pela compreensão do que vem a ser uma profissão em saúde, localizando o Serviço
Social e sua vinculação com a área destacando o aspecto formativo. Dessa forma, verifica que é legítima a configuração do Serviço Social
como profissão em saúde, tanto do ponto de vista conceitual como do ponto de vista prático, evidenciado pela vinculação histórica da
profissão e por sua utilidade social nos serviços de saúde. Ainda, aponta para os desafios da atuação profissional no contexto conflituoso
da política de saúde brasileira e suas implicações na formação profissional.
Palavras-chave: Profissões em saúde. Serviço Social. Formação profissional.

Healthcare Professions and Social Work: Challenges for Professional Education


Abstract: The objective of this bibliographic study is to understand how Social Work has faced the process of revising the professional
education offered for work in healthcare. It begins with the understanding of what is a healthcare profession, locating Social Work and
its ties with the field and highlighting educational aspects. In this way, it verifies that it is legitimate to configure Social Work as a
healthcare profession, both from a conceptual and practical perspective, revealed by the historic ties of the profession and its social
utility in healthcare services. It also points to the challenges to professional activity in the conflictive context of Brazilian healthcare
policy and its implications for professional education.
Keywords: Healthcare professions. Social Work. Professional education.

Recebido em 15.03.2012. Aprovado em 10.07.2012.

R. Katál., Florianópolis, v. 15, n. 2, p. 212-220, jul./dez. 2012


As profissões em saúde e o Serviço Social: desafios para a formação profissional 213

Introdução da persiste a herança do status social para as profis-


sões tidas como “mais tradicionais”. Um bom exem-
A contemporaneidade possui traços de uma soci- plo é a Medicina, considerada a profissão em saúde
edade profissionalizada e alicerçada no trabalho es- por excelência e uma das mais cotadas quando o
pecializado, fruto do processo de industrialização em quesito é reconhecimento, seja pela questão econô-
que os antigos ofícios foram se configurando com mica ou pelo destaque e relevância social.
contornos mais profissionalizantes (SCHWEITZER, Segundo Franzoi (2008, p. 329), foi a partir da
2008). Somam-se a isso, a crescente divisão técnica década de 1960 que a
do trabalho, a lógica de mercado e as demandas pro-
fissionais que se atualizam e se reveem no desenvol- [...] literatura sobre as profissões começou a escla-
vimento de determinadas economias. Nesse sentido, recer o caráter histórico e social do processo de
as profissões encontram-se intimamente ligadas à hierarquização intra e entre grupos profissionais.
lógica capitalista e ao seu movimento histórico, ha- [...] As novas abordagens passam a entender a for-
vendo oscilações que demandam análises mação dos grupos profissionais como uma disputa
aprofundadas sobre o que de fato revelam. pelo monopólio de mercado, inserida na divisão
É clássica a assertiva de que as profissões forne- social do trabalho, mostrando também que o cará-
cem um trabalhador especializado – detentor de um ter mais ou menos científico do conhecimento mo-
“saber complexo” – e que deve ter uma utilidade soci- nopolizado por cada grupo profissional não é dado,
al. Isto significa que o resultado de sua ação – ou seu mas socialmente construído.
trabalho profissional – deve ser capaz de atender a
uma necessidade humana. Assim, na mesma medida Sob o olhar de Machado (1996, p. 44), o termo
em que as necessidades são cada vez mais ampliadas, profissão indica uma atividade praticada pelos indiví-
os trabalhadores e seu trabalho também o são. duos em tempo integral, com uma “estrutura
Cabe aqui destacar que para se compreender as organizativa marcadamente corporativa” que possui
características das profissões em saúde1 é necessá- um acentuado “componente vocacional”, ancorada
ria uma análise sobre vários ângulos, que busque iden- em um código de ética e que “desenvolve saber es-
tificar qual a relevância do “existir” de uma profis- pecífico, apresenta forte orientação para serviço e
são na sociedade. mantém alto grau de autonomia no trabalho”.
A fim de refletir sobre o Serviço Social enquanto Para a autora, as profissões que atuam na área da
uma profissão em saúde, bem como sobre as deman- saúde estão embebidas das características acima as-
das para a formação profissional, esta revisão biblio- sinaladas. Além disso, pela própria natureza do setor,
gráfica está estruturada em três eixos. Inicialmente, a saúde exige que as atividades laborais sejam execu-
nos estudos das particularidades das profissões em tadas por profissionais “com domínio de técnicas e
saúde, seguido da caracterização do Serviço Social habilidades específicas” (MACHADO, 1996, p. 44).
no trabalho nessa área e, por fim, elucida alguns de- No entanto, é preciso esclarecer que o fato dos
safios presentes na relação trabalho e formação pro- profissionais de saúde serem obrigatoriamente
fissional em saúde. especializados não isenta o setor da subalternização
de determinadas profissões e do cerceamento da
autonomia desses profissionais em relação ao pró-
1 As características das profissões em saúde prio trabalho. Ao contrário, as relações de poder en-
tre as diferentes profissões estão presentes nos mais
Na sociedade capitalista, a demanda por traba- diversos ramos de atividade e legitimam-se hierar-
lhadores abrange todos os níveis de formação, sejam quicamente de acordo com nível de especialização:
eles básicos, técnicos ou superiores. No entanto, exis- técnico ou superior.
te uma cultura nacional na qual o diploma de estudos Segundo o Ministério da Educação (BRASIL,
em nível superior é hipervalorizado socialmente, em 2007), o ensino de nível superior privilegia conteúdos
termos financeiros e na manutenção do status quo, como Ciência, Letras e Arte, agregando um número
e sua falta inferioriza as ocupações com menor grau maior de disciplinas e privilegiando o enfoque teóri-
de instrução. co, já que há mais tempo para que se desenvolva um
Esta questão possui motivações históricas. Em estudo com vistas ao incentivo à pesquisa e à produ-
séculos anteriores, cursar uma graduação era privi- ção do conhecimento.
légio apenas de uma elite e o surgimento tardio da No caso dos cursos técnicos, a formação é mais
universidade no Brasil favoreceu essa perspectiva ágil e voltada exclusivamente para o exercício do
que perdura até hoje (CUNHA, 1986). trabalho. Deste modo, abrange apenas as discipli-
Por mais que a sociedade tenha mudado e o ensi- nas necessárias à função, oferecendo um retorno
no superior tenha sido ampliado, sobretudo no setor mais rápido na procura de uma vaga no mercado
privado, e que novas profissões tenham surgido, ain- de trabalho.

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Alguns autores, como Pereira e Ramos (2006), palmente em tempos de ataque às políticas sociais.
têm destacado a crescente valorização do ensino téc- Os baixos recursos financeiros investidos, associa-
nico no Brasil em detrimento do ensino superior e dos à frágil gestão do trabalho e da educação, têm
denunciado a política governamental neoliberal. Ori- configurado a saúde como uma área em débito com
entada pelo Banco Mundial, tal estratégia fomenta a a sociedade brasileira.
formação aligeirada e focada na mão de obra para Todavia, como necessidade humana e afirmação
atender as exigências de aumento da produtividade da vida, a saúde ainda demonstra vitalidade e conti-
pelo mercado. nua a mobilizar profissionais, militantes, pesquisado-
Tal entendimento encontrou eco nos Ministérios res e usuários na superação de problemas e na bus-
do Trabalho e da Educação, atraindo investimento ca do atendimento integral, público e de qualidade.
público para viabilizar a abertura de cursos, convêni- Assim, as profissões da área da saúde ganham
os e parcerias de incentivo à capacitação. Entretan- proeminência na sociedade pela complexidade de
to, orientado pela ideologia da empregabilidade, esse todo o conhecimento adquirido durante a sua for-
modo de investir em qualificação profissional trans- mação e à habilidade que se deve possuir para exe-
fere para o trabalhador a responsabilidade de con- cutar suas múltiplas ações e enfoques, sobretudo
quistar seu espaço no competitivo mundo do traba- ao trazer para a cena o usuário e seu modo de vi-
lho, deixando claro o cariz neoliberal dos incentivos ver, conviver e produzir.
estatais para formação profissional no Brasil. Nesse sentido, concorda-se com Carvalho e Ceccim
No que diz respeito às profissões em saúde, o Sis- (2009, p. 157) quando enfatizam que há profissões em
tema Único de Saúde (SUS) assume a responsabili- saúde com núcleos de competências ligados à assistên-
dade de acompanhar o desenvolvimento de políticas cia e outras às práticas de promoção à saúde.
de formação dos profissionais de saúde, como pre-
visto no artigo 15, inciso IX, da Lei Orgânica da Saú- Para ser um profissional de saúde há necessidade
de (BRASIL, 1990). do conhecimento científico e tecnológico, mas tam-
Uma abordagem mais ampla considera parte des- bém de conhecimento de natureza humanística e
se coletivo qualquer indivíduo que trabalhe na área. social relativo ao processo de cuidar, de desenvol-
Outras preferem ainda – mesmo considerando a am- ver projetos terapêuticos singulares, de formular e
pliação dos diferentes profissionais – trabalhar com a avaliar políticas e de coordenar e conduzir siste-
denominação “pessoal de saúde” (BETTIOL, 2010). mas e serviços de saúde.
Dentro de uma linha sociológica, o perfil profissi-
onal caminha na divisão sociotécnica do trabalho. Para os autores, “o conjunto de profissões de saú-
Embora se agrupem em uma definição mais genéri- de, aprende, trabalha e reconstrói no cotidiano a Gran-
ca de “trabalhadores em saúde” ou “pessoal de saú- de Área [Ciências da Saúde], ao mesmo tempo em
de”, as profissões possuem diferentes formações e que aprofunda, aperfeiçoa e especializa cada área,
recortes verticais em que têm graus diferenciados subárea ou especialidade” (CARVALHO; CECCIM,
de autonomia e poder. Dessa forma, os profissionais 2009, p. 156).
alcançam diferentes tipos de trabalho assalariado, que Essa reflexão encontra escopo no conceito am-
variam de acordo com suas especialidades. pliado de saúde e no princípio da integralidade,
Ancorados em uma base sindicalista, há os que deflagrados pela Constituição Federal de 1988, que
consideram o conjunto dos profissionais da saúde “tra- sinalizaram o alargamento do que se considera, in-
balhadores da saúde”, designação que abarca pro- clusive nos marcos jurídicos legais, profissões em
fissionais diversificados que não têm, necessariamen- saúde. No contexto do Serviço Social, merece des-
te, uma ligação específica com a saúde, como o pes- taque a Resolução n. 218, de 06 de março de 1997,
soal administrativo e o da limpeza. do Conselho Nacional de Saúde, que determinou o
Diferenciações à parte, é consenso que o setor conjunto das profissões em saúde e nele incluso o
de saúde é um dos maiores existentes (mesmo se Serviço Social.
precarizado), além de altamente diversificado. Para
alguns autores, como Machado (2005), a crescente
incorporação de novas tecnologias gera a necessi- 2 O Serviço Social como uma profissão em
dade de novas ocupações, sobretudo aquelas de saúde
fundo técnico.
Frequentemente, dificuldades nas ações de assis- Na reflexão sobre o trabalho dos assistentes so-
tência e na produção do cuidado são atribuídas ao ciais é relevante destacar que esses profissionais atu-
trabalhador da saúde e à sua base formativa. No am nas manifestações da questão social e no modo
entanto, a assistência oferecida, condições e contex- como elas interagem com a política social, “media-
tos de trabalho ou questões técnicas podem estar, na ção incontornável na constituição do trabalho profis-
maior parte, ligadas a questões institucionais, princi- sional” (IAMAMOTO, 2007, p. 185).

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O enfrentamento da questão social pelo Estado necessidade de convocar outros profissionais para atuar
evidencia o papel das políticas sociais e indica como nesta área, incluindo os assistentes sociais.
as mesmas traduzem a correlação de forças entre o Uma das consequências da adoção deste concei-
Estado e as demandas da classe trabalhadora. É nesta to de saúde foi a ênfase no trabalho multidisciplinar,
disputa que se move o trabalho profissional do assis- utilizado, dentre outros motivos, para preencher a falta
tente social. de profissionais e racionalizar o setor saúde. Com
No que se refere à saúde, Bravo (1996, p. 13) equipes compostas por diversos “auxiliares”, busca-
salienta que este é “um dos setores mais significati- va-se disseminar informações com conteúdo
vos na atuação do Serviço Social, tendo concentrado preventivista, ampliar a abordagem em saúde “e cri-
historicamente um grande quantitativo de profissio- ar programas prioritários com segmentos da popula-
nais, situação que permanece até os dias correntes”. ção, dada a inviabilidade de universalizar a atenção
Para apresentar de que forma os assistentes so- médica e social” (BRAVO, 2009, p. 199).
ciais estão inseridos neste âmbito de atuação e mar- As contradições geradas pelo formato contributivo
car seu posicionamento acerca da concepção de que caracterizavam os serviços de saúde no Brasil
Serviço Social, faz-se necessário indicar que essa também influenciaram o exercício profissional do
profissão emerge no evolver da conjuntura de 1930 e assistente social nesta área. Como o acesso a saúde
se consolida no Brasil a partir de 1945 em consonân- não era universal – nem nos termos da lei –, seu
cia com a expansão do capitalismo no país (BRA- caráter seletivo e excludente colocou estes profissi-
VO, 2009). onais entre a instituição hospitalar e a população,
As discussões travadas entre os assistentes soci- desenvolvendo atividades que tinham a finalidade de
ais que teorizam “a natureza e o processo da gênese viabilizar a utilização dos serviços e benefícios, mas
do Serviço Social” revelam duas concepções que, que, devido ao caráter seletivo dos mesmos, cristali-
para Montaño (2009, p. 17), constituem verdadeiras zavam práticas que mais excluíam do que incluíam.
“teses, claramente opostas, sobre a gênese do Servi- Seguindo a lógica desenvolvimentista do Brasil, o
ço Social”. Serviço Social recebeu as influências da moderniza-
Uma delas, com “perspectiva endogenista”, sus- ção conservadora na década de 1960, “sedimentando
tenta a origem da profissão “na evolução, organiza- sua ação na prática curativa, principalmente na assis-
ção e profissionalização” das formas de ajuda – se- tência médica previdenciária” (BRAVO, 2009, p. 202),
jam elas de princípio religioso ou filantrópico – que adentrando a década de 1970 sem grandes alterações.
agora se vinculam à intervenção na “questão social” Enquanto as conquistas constitucionais da déca-
(MONTAÑO, 2009, p. 20). da de 1980 eram comemoradas pelos brasileiros, o
Já a segunda tese2, na mesma linha desta pesqui- Serviço Social iniciava uma fase de amadurecimento
sa, assume uma perspectiva “histórico-crítica” que da “tendência atualmente hegemônica na academia
trilha um caminho de análise oposto. Tal abordagem e nas entidades representativas da categoria – a in-
tenção de ruptura – e, com isso, a interlocução real
[...] entende o surgimento da profissão do assis- com a tradição marxista” (BRAVO, 2009, p. 204).
tente social como um produto da síntese dos proje- O problema é que boa parte dos assistentes soci-
tos político-econômicos que operam no desenvol- ais que compartilhava desta vertente, inseriram-se
vimento histórico, onde se reproduz material e ide- nas universidades. Deste modo, a perspectiva crítica
ologicamente a fração de classe hegemônica, quan- adotada por esses profissionais teve pouca interven-
do, no contexto do capitalismo na sua idade ção nos serviços, isto é, na prática profissional.
monopolista, o Estado toma para si as respostas à Bravo (2009, p. 205) destaca que ainda são insu-
‘questão social’ [...] entende-se o assistente social ficientes os avanços conquistados pelo exercício pro-
como um profissional que desempenha um papel fissional de assistentes sociais na saúde devido ao
claramente político, tendo uma função que não se fato de a profissão ter chegado à década de 1990
explica por si mesma, mas pela posição que o pro- “com uma incipiente alteração do trabalho
fissional ocupa na divisão sociotécnica do traba- institucional”, por permanecer “desarticulada do
lho (MONTAÑO, 2009, p. 30). Movimento de Reforma Sanitária” e pela pequena
contribuição no que se refere às questões colocadas
De acordo com Bravo (2009), no Brasil, os assis- à categoria na prática em saúde.
tentes sociais começaram a ser requisitados no setor “Considerando que os anos noventa foi o período
saúde a partir de 1945, no contexto do processo de de implantação e êxito ideológico do projeto neoliberal
expansão do capitalismo e das mudanças internacio- no país, identifica-se que, nesse contexto, os dois pro-
nais geradas pelo fim da Segunda Guerra Mundial. jetos políticos em disputa na área da saúde” – o
Soma-se a essas características conjunturais o con- privatista e o sanitarista –, “passam a apresentar di-
ceito de saúde voltado a “aspectos biopsicossociais” ferentes requisições para o Serviço Social” (BRA-
adotado pelos organismos internacionais, que gerou a VO, 1998, apud CFESS, 2010, p. 26).

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Com base em Escorel (1989), Bravo (1996) sali- [...] funções técnicas propriamente ditas. Do ponto
enta que a saúde pode ser considerada um compo- de vista da demanda, o Assistente Social é chama-
nente fundamental da democracia e da cidadania e do a constituir-se no agente intelectual de ‘linha de
um campo privilegiado da luta de classes. Nessa pers- frente’ nas relações entre instituição e população,
pectiva, a prática do Serviço Social encontra-se inti- entre os serviços prestados e a solicitação desses
mamente ligada à estrutura de classes e sofre deter- mesmos serviços pelos interessados.
minações estruturais e conjunturais da sociedade.
Por um lado, destacam-se entre as demandas Regulamentado pela Lei n. 8.662 de 1993 e por
postas para a categoria profissional pelo projeto um Código de Ética Profissional (1993), o Serviço
privatista: a seleção socioeconômica dos usuários, a Social apresenta-se na cena contemporânea como
atuação psicossocial, a fiscalização dos usuários dos uma profissão analítica e interventiva, com uma sé-
planos de saúde e o “assistencialismo por meio da rie de atribuições e competências fundadas na ga-
ideologia do favor e predomínio de práticas individu- rantia de direitos sociais e na construção de uma so-
ais” (CFESS, 2010, p. 26). ciedade verdadeiramente democrática, sem precon-
Por outro, o projeto de reforma sanitária solicita a ceitos e iniquidades sociais.
contribuição do Serviço Social em questões ligadas Na perspectiva de atenção integral em saúde, as
ao acesso aos serviços de saúde, à busca de estraté- demandas sociais emergem de várias formas no co-
gias para aproximar as ações em saúde da realidade, tidiano do trabalho do Assistente Social. Comumente
ao trabalho interdisciplinar, à ênfase nas abordagens exigem a intervenção profissional na viabilização do
grupais com vistas a atender o maior número de pes- acesso a consultas, exames, internações e tratamen-
soas possível, ao acesso democrático às informações tos. Sendo assim,
e ao estímulo à participação popular.
Nota-se, portanto, que há uma relação entre o As ações a serem desenvolvidas pelos assistentes
projeto ético-político3 e o de reforma sanitária, prin- sociais devem transpor o caráter emergencial e bu-
cipalmente, nos seus grandes eixos: “principais aportes rocrático, bem como ter uma direção socioeducativa
e referências teóricas, formação profissional e prin- por meio da reflexão com relação às condições só-
cípios” (CFESS, 2010, p. 26). Além disso, observa- cio-históricas a que são submetidos os usuários e
se que a grande bandeira continua sendo a mobilização para a participação nas lutas em defesa
implementação do projeto de Reforma Sanitária. E da garantia do direito à Saúde (CFESS, 2010, p. 43).
nesta luta, cabe aos assistentes sociais buscar estra-
tégias que possibilitem a efetivação do direito à saú- Afinal, esta intervenção abrange as mudanças que
de, prestando serviços diretos à população, sejam eles ocorrem no cotidiano do indivíduo e também de seus
no âmbito da gestão, planejamento, mobilização ou familiares, provocadas, dentre outros fatores, pela
participação social. hospitalização, pelo desconhecimento do cidadão em
Isto significa que a atual conjuntura conclama pro- relação ao diagnóstico/tratamento, pelo agravamen-
fissionais articulados aos movimentos sociais, de tra- to da situação financeira, pela ansiedade e medo da
balhadores e usuários, que não se cansam de lutar doença, pelo preconceito e discriminação, pela difi-
por um SUS de qualidade; pelo acesso universal em culdade de acesso aos serviços e aos profissionais,
todos os níveis de complexidade, com ações e servi- pela necessidade de insumos, violência e até mesmo
ços complementares, capazes de integrar as equipes pela agilização de alta hospitalar.
de saúde e estimular a intersetorialidade, viabilizando Diante do exposto, pode-se afirmar que as de-
a participação dos usuários e dos trabalhadores nas mandas que se apresentam ao Serviço Social envol-
decisões a serem tomadas. vem uma série de condicionantes e exigem uma in-
É pertinente destacar que, para Bravo (1996), os tervenção profissional que não se limite à prática
assistentes sociais atuam nas instituições de saúde curativa, mas que inclua aspectos preventivos, infor-
para administrar a tensão que existe entre as deman- mativos e de promoção da saúde. Para tanto,
das postas pela população e os limitados recursos
para a prestação de serviços. Deste modo, o exercí- O profissional precisa ter clareza de suas atribui-
cio profissional mantém as características observa- ções e competências para estabelecer prioridades
das, como a triagem e a seleção socioeconômica. de ações e estratégias, a partir de demandas apre-
Ao descrever algumas características da prática sentadas pelos usuários, de dados epidemiológicos
profissional dos assistentes sociais, Iamamoto (1992, e da disponibilidade da equipe de saúde para ações
p. 100-101) esclarece que os profissionais desempe- conjuntas (CFESS, 2010, p. 43).
nham funções tanto de “suporte à racionalização do
funcionamento” das entidades das quais são vincula- Cabe aqui complementar que a inserção dos as-
dos – organismos estatais, paraestatais ou privados sistentes sociais no contexto do SUS também ocorre
– como pela efetivação do princípio da integralidade da aten-

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ção à saúde, que pressupõe uma ação interdisciplinar defasagem na formação profissional dos assistentes
e intersetorial (NOGUEIRA; MIOTO, 2009). A sociais para a atuação em saúde e que deve ser en-
integração da prevenção, promoção e recuperação frentada pelas instituições de ensino superior (IES).
da saúde, contempladas no acesso aos três níveis de
complexidade do SUS, é um dos principais sentidos
dessa proposta. 3 Os desafios da formação profissional para o
Segundo Cecílio (2001, p. 116), a integralidade trabalho em saúde
da assistência à saúde apresenta diferentes dimen-
sões. Uma delas é a “integralidade focalizada” que As mudanças na saúde exigiram que as profis-
é desenvolvida nos serviços de saúde por equipes sões se adaptassem ao contexto do SUS, desenca-
multiprofissionais e pode ser definida “como o es- deando um processo de revisão das instituições for-
forço da equipe de saúde de traduzir, atender, da madoras dos trabalhadores em saúde (BETTIOL,
melhor forma possível, tais necessidades [de saú- 2010). No caso do Serviço Social, esta revisão se
de], sempre complexas, mas, principalmente, tendo inclui num quadro mais amplo de discussões profissi-
que ser captadas em sua expressão individual”. onais que vinham ocorrendo desde meados da déca-
Outra dimensão apresen- da de 1960 com o Movimento
tada pelo autor é denomina-
da “integralidade ampliada”, ... a atual conjuntura conclama de Reconceituação na Amé-
rica Latina. Neste ínterim,
devendo ser concebida como profissionais articulados aos houve uma aproximação do
“relação articulada, comple- Serviço Social às Ciências
mentar e dialética, entre a movimentos sociais, de Sociais que deu base para as
máxima integralidade no cui- discussões sobre os processos
dado de cada profissional, de trabalhadores e usuários, que técnico-profissionais, teórico-
cada equipe e da rede de ser- metodológicos e ético-políti-
viços de saúde e outros” não se cansam de lutar por um cos, e abriu espaço para uma
(CECÍLIO, 2001, p. 120). reavaliação da própria face
Trata-se, portanto, de SUS de qualidade; pelo acesso social e ideológica da profis-
viabilizar à população o aces-
so não só a todos os níveis de universal em todos os níveis de são. No Brasil, a luta profissi-
onal juntou-se à luta da socie-
complexidades do SUS, mas complexidade, com ações e dade por democracia e inci-
a todas as políticas e servi- tou a discussão do novo pro-
ços sociais que todo cidadão serviços complementares, jeto profissional, que culminou
brasileiro tem direito. Prática com o projeto ético-político.
que exige profissionais com capazes de integrar as equipes Em 1988, a Constituição
um cabedal de conhecimen- Federal contemplou boa par-
to tanto sobre as políticas e de saúde e estimular a te das reivindicações sociais,
legislações quanto sobre a principalmente na área da
rede de serviços sociais para intersetorialidade, viabilizando saúde. A partir de então, esta
promoverem tal integração. passa a ser reconhecida
Exigências que também se a participação dos usuários e como um direito universal e
aplicam ao exercício profis- dos trabalhadores nas decisões resultado das condições de
sional do assistente social. alimentação, transporte,
Nogueira e Mioto (2009, a serem tomadas. lazer, acesso e posse de ter-
p. 225) ressaltam que, como ra, educação, meio ambien-
o princípio da integralidade te, trabalho, habitação, ren-
sustenta-se nos pilares da interdisciplinaridade e da da e acesso a serviços de saúde.
intersetorialidade, ele não só possibilita como justifi- Apesar da década de 1990 ter sido fundamental
ca uma “inserção diferenciada do assistente social para a perspectiva dos direitos sociais, no caso espe-
na área da saúde, superando o estatuto de profissão cífico da saúde houve um ataque dos agentes finan-
paramédica, típico do modelo biomédico”. ceiros internacionais que pregavam as
Dessa forma, é necessário que o assistente social contrarreformas no contexto da crise do capital
que atua nessa área aprofunde seus conhecimentos monopolista, refutavam o caráter universal e público
para ser capaz de entender suas origens e desdobra- e visavam a mercantilização e a privatização da saú-
mentos e dominar certos conhecimentos epide- de. Para a superação da crise, os organismos inter-
miológicos e administrativos que conformam o agir nacionais como o Fundo Monetário Internacional
em saúde. No entanto, em recente avaliação da (FMI), o Banco Mundial e a Organização Mundial
Abepss (UCHÔA, 2009), é possível verificar certa do Comércio (OMC), impõem às Nações em desen-

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volvimento a adoção de medidas de liberalização, No caso da área em estudo, a construção de no-


desregulamentação e privatização, sobretudo das vos modelos de fazer saúde com base na integralidade,
políticas sociais. intersetorialidade e atuação em equipe, só será efeti-
A desresponsabilização do Estado das suas fun- va quando houver uma mudança na prática e na for-
ções, como protagonista dos serviços prestados à mação do profissional em saúde. Isso vem em con-
população, não surge nesse momento, mas se agra- sonância com Bravo e Matos (2009, p. 213) que afir-
va. Apesar da obrigação descrita na Constituição mam que “as novas diretrizes das diversas profis-
Federal, o poder público repassa à sociedade civil sões têm ressaltado a importância de formar traba-
parte da responsabilidade de lidar com a questão so- lhadores de saúde para o Sistema Único de Saúde
cial, o que faz com que o Estado tenda a focalizar as com visão generalista e não fragmentada”.
políticas em detrimento do caráter universal das mes- O assistente social, em especial, devido a sua for-
mas. Essa interferência, no caso da saúde, principal- mação generalista, necessita ter esse conhecimento
mente do Banco Mundial, dá-se pela rentabilidade histórico da política de saúde, da epidemiologia, dos
do setor, que envolve os grupos privados de saúde, a mecanismos de gestão entre tantas outras ferramen-
indústria farmacêutica e de equipamentos (COR- tas. Assim, poderá identificar os determinantes do
REIA, 2007). processo saúde-doença e propor intervenções espe-
Deste modo, ocorre uma atualização dos projetos cíficas e intersetoriais na busca pela saúde integral,
de saúde em disputa no Brasil, o que a vincula como articulando organicamente os saberes teóricos apro-
direito social universal, atraindo o privatista que en- priados pela categoria, e expressos nas próprias di-
contra na mercantilização sua materialidade. É no retrizes curriculares para os cursos de Serviço Soci-
contexto da contrarreforma que os assistentes soci- al, com a realidade cotidiana dos serviços e das polí-
ais têm vislumbrado novas requisições que oscilam ticas sociais nos quais os profissionais atuam. Para
dos processos de gestão, sobretudo aqueles vincula- isso, o projeto profissional já assinala a ênfase numa
dos à produtividade, eficiência e eficácia dos servi- formação acadêmica qualificada e permanente, para
ços voltados às ações emergenciais que reproduzem que haja uma nova relação com os usuários, tornan-
“a lógica individualista, curativa e predominantemen- do-os sujeitos das ações profissionais.
te assistencial” (SOARES, 2012, p. 105). Contudo, não se deve esquecer que o trabalho
Nesse sentido, é fundamental para qualquer pro- em saúde para o profissional do Serviço Social con-
fissional em saúde entender os determinantes sociais juga saberes ligados às Ciências Sociais se afastan-
que a constituem, não somente no que diz respeito à do do campo das Ciências da Saúde. Portanto, o pro-
organização política, mas no aspecto da gestão e na fissional precisa aprofundar-se na ligação entre o bi-
sua relação com os usuários. Ou seja, nesses aspec- ológico e as condições sociais. É um esforço que a
tos diversos é a cultura da população que mantém e profissão exige, sobretudo, em relação aos conteú-
legitima o modelo de saúde atual. dos oferecidos durante o curso de graduação.
Todavia, como afirma Mourão et al. (2006), devi- Nesse sentido, vale a pena retomar a reflexão de
do ao incentivo à fragmentação e especialização infi- Mourão et al. (2006, p. 374),
nita, o processo de formação de quadros profissionais
dificilmente atua baseado no trabalho interdisciplinar É na perspectiva da atenção integral que o profissi-
visando a saúde coletiva. Nesse caso, o esforço não é onal de Serviço Social estrutura seu processo de
apenas de uma ou outra profissão, mas de toda a equi- trabalho no interior das equipes de saúde. Com uma
pe envolvida, no sentido de definir um projeto de saúde abordagem individual e coletiva constrói sua práti-
capaz de fazer frente ao projeto neoliberal, ca na perspectiva do direito e da ampliação da cida-
mercantilista, que domina as políticas sociais no mun- dania contribuindo, com um aporte teórico
do capitalista. metodológico sobre o processo saúde-doença,
Sem essa contextualização e base teórico- para o avanço das reflexões e possibilidades de
metodológica, tem-se uma visão a-histórica e atuação interdisciplinar no cuidado à saúde.
focalista. Volta-se ao positivismo e reduz-se a atua-
ção profissional ao empirismo e ao pragmatismo, Não se pode ignorar o processo mais amplo em que
como explicita Iamamoto (2006), que também traz se insere o ensino superior no país. A educação, princi-
as perspectivas do trabalho do assistente social fren- palmente no que diz respeito ao nível superior, tem sido
te à cena contemporânea. Torna-se necessário que sistematicamente sucateada no âmbito público por cor-
o profissional apreenda as expressões e os proces- te de verbas, tendência a privatizações, ingerências de
sos de produção e reprodução ampliada e fomente a entidades e órgãos “pseudopúblicos” que visam o lucro
criação de formas de resistência e defesa da demo- e ferem o princípio da autonomia universitária.
cratização das relações sociais. Isso só é possível a No âmbito privado, a formação para o mercado,
partir de um perfil crítico que deriva do projeto de aligeirada por vezes nos moldes do ensino a distân-
formação profissional. cia, avança a passos largos. Este contexto impacta a

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As profissões em saúde e o Serviço Social: desafios para a formação profissional 219

formação profissional, inclusive dos profissionais em BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre
saúde, quando nos currículos os conteúdos, estágios as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde,
supervisionados e outros espaços formativos, privile- a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e
giam a visão curativa, lucrativa, especializada e dá outras providências. Brasília, 1990.
descontextualizada da saúde em detrimento da saú-
de integral, universal, pública e compromissada com ______. Ministério da Educação. Educação profissional técnica
os interesses da coletividade. de nível médio integrada ao Ensino Médio: documento base.
Brasília, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/setec/
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Considerações finais
BRAVO, M. I. S. Serviço Social e reforma sanitária: lutas sociais
O exame sobre o exercício profissional dos assis- e práticas profissionais. Rio de Janeiro: Cortez, 1996.
tentes sociais na saúde indica a existência de práti-
cas democráticas e limites da atuação profissional. ______. Política de saúde no Brasil. In: MOTA, A. E. et al.
Observa-se ainda que a atuação dos assistentes so- (Org.). Serviço Social e saúde: formação e trabalho profissional.
ciais reclama uma leitura crítica da realidade aliada à São Paulo: Cortez, 2009, p. 88-110.
defesa intransigente dos direitos dos cidadãos. Parti-
cularmente, a saúde exige um profissional vinculado BRAVO, M. I. S.; MATOS, M. C. Projeto ético-político do
à luta pelo acesso equânime às ações e aos serviços, Serviço Social e sua relação com a reforma sanitária: elementos
ao trabalho interdisciplinar e ao estímulo à participa- para o debate. In: MOTA, A. E. et al. (Org.). Serviço Social e
ção social, buscando efetivar a universalidade do saúde: formação e trabalho profissional. São Paulo: Cortez, 2009,
acesso à saúde – em sua concepção ampliada – de- p. 197-217.
terminada constitucionalmente e reafirmada na le-
gislação complementar. CARVALHO, Y. M.; CECCIM, R. B. Formação e educação em
Tais requisições incidem no projeto de formação saúde: aprendizados com a saúde coletiva. In: CAMPOS, G. W.
profissional da categoria. O estudo sobre o processo S. et al. Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; Rio de
ensino/aprendizagem com foco no ensino de gradua- Janeiro: Fiocruz, 2009.
ção evidenciou a urgência em introduzir e aprofundar
as discussões acerca da saúde nos projetos pedagó- CECÍLIO, L. C. de O. As necessidades de saúde como conceito
gicos de cada IES. Ademais, deve-se privilegiar o estruturante. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (Org.). Os
enfoque no exercício profissional. Nesse sentido, sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio
pode-se tomar a saúde como um espaço importante de Janeiro: UERJ, IMS: Abrasco, 2001, p. 113-126.
para essa empreitada, já que congrega elementos
como a atuação essencialmente interdisciplinar e CORREIA, M. V. C. A saúde no contexto da crise contemporânea
relacional, que contribuem no desenvolvimento de do capital: o Banco Mundial e as tendências da contrarreforma na
habilidades fundamentais para a profissão, como a política de saúde brasileira. Temporalis, Brasília, v. 13, p. 11-38,
comunicação, escuta ativa, construção de projetos 2007.
terapêuticos singulares e um domínio fundamental do
campo disciplinar para a atuação em equipe. CUNHA, L. A. A universidade temporã. Rio de Janeiro: Livraria
Ressalta-se, ainda, a necessidade de formação Francisco Alves Editora, 1986.
constante por meio da educação continuada que en-
globa um esforço do ser profissional para o compro- ESCOREL, S. Saúde: uma questão nacional. In: TEIXEIRA, S. F.
misso com a qualidade dos serviços prestados. En- (Org.). Reforma Sanitária em busca de uma teoria. São Paulo:
volve desde a busca por cursos de especializações Cortez/Abrasco, 1989, p. 181-192.
lato sensu até o incentivo às residências profissio-
nais, multidisciplinares, além da importância dos es- FRANZOI, N. L. Profissão (Verbete). In: PEREIRA, I. B.; LIMA,
tudos produzidos no âmbito da pós-graduação stricto J. C. F. (Org.). Dicionário da educação profissional em saúde.
sensu que nutre a profissão dos debates e experiên- Rio de Janeiro: EPSJV, 2008, p. 328-333.
cias que abarcam a saúde e as políticas sociais.
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220 Líria Maria Bettiol Lanza, Fabrício da Silva Campanucci e Letícia Orlandi Baldow

______. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital 2 Esta concepção da emersão e legitimação da profissão “Serviço
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Notas

1 Esta pesquisa conta com a colaboração das estudantes de graduação


em Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Jéssica Furuhata Inácio e Vanessa de Souza Novaes, que foi
fundamental para a realização deste trabalho.

R. Katál., Florianópolis, v. 15, n. 2, p. 212-220, jul./dez. 2012

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