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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DO

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E DAS RELAÇÕES DE CONSUMO DA COMARCA DE


tal lugar

Processo Nº 0000000000000000000

LOJA TAL LTDA, também denominada LOJA X, pessoa jurídica de direito privado,
inscrita no CNPJ nº 000000000, Inscrição Estadual nº 00000000, nova sede na
Av. Tal - CEP: 00000000, sem endereço eletrônico, neste ato representada por sua
sócia administradora, Sra. Fulana, brasileira, comerciante, inscrita no CPF sob o
nº 000000000, por intermédio de seu advogado e bastante procurador que esta
subscreve, com escritório profissional sito à rua tal, onde recebe notificações e
intimações, com endereço eletrônico tal, vem, mui respeitosamente à presença de
Vossa Excelência propor
CONTESTAÇÃO
à Ação de Indenização por Danos Morais proposta pela Sra. Fulana, pelos motivos
de fato e de direito a seguir aduzidos.

I - BREVE SÍNTESE DOS FATOS

A Requerente alega que, no dia 20 de janeiro do corrente ano, compareceu ao


estabelecimento da Requerida e efetuou compras neste comércio e que, ao seu
deslocamento para deixar a loja, fora supostamente ofendida por uma funcionária
nos dizeres “moça a menina do caixa está te chamando pois você não pagou a
mercadoria”.
Ainda que, ao voltar ao caixa, fora supostamente questionada mais uma vez acerca
do pagamento, sendo constrangida a abrir sua bolsa e verificar o dinheiro que ali
estava, vindo a ter neste momento retidas as suas compras. Narra que somente
após verificação no sistema, a funcionária teve a certeza do pagamento,
oportunidade em que esta solicitou as devidas desculpas.

Requereu então, perante este Juízo, a reparação por suposto abalo moral, uma vez
que tal encenação teria ocorrido perante clientes e demais funcionários da
Requerida e, assim, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais).

II - DA REALIDADE FÁTICA

Consoante análise de lastro probatório, no entanto, temos que de fato a Requerente


realizou compras no estabelecimento da Requerida em data alegada, totalizando o
valor de R$ 63,00 (sessenta e três reais) com o desconto por pagamento a vista,
oportunidade que entregara ao caixa duas cédulas de R$ 50,00 (cinquenta reais)
cada, razão pela qual fez-se necessário que a atendente que ali se encontrava
empreendesse diligência para “trocar” as cédulas por outras de menor valor, para
que pudesse cumprir com a entrega do devido troco à sua cliente, no valor de R$
37,00 (trinta e sete reais), indo inclusive em estabelecimentos vizinhos para aquele
objetivo.

Ocorre que, após a devolução do troco, por ledo e corriqueiro engano frente aos
diversos afazeres e preocupações inerentes a quem administra uma empresa,
pessoa esta que se encontrava na função de caixa neste episódio, houve incerteza
se a mesma havia entregue à Requerente o devido valor, vindo a ordenar a uma
outra funcionária que solicitasse a volta da cliente ao caixa, o que se procedera
mediante tão somente simples e gentil solicitação, ao contrário do que alega em
exordial.

Ao retomar à frente do caixa e desta empreendedora, para a Requerente que já se


encontrava de posse das duas mercadorias adquiridas e embrulhadas para
presente dentro da sacola da loja, foi solicitado à mesma nos dizeres “mulher, olha
aí direitinho se eu te devolvi o dinheiro”, oportunidade que, por livre e espontânea
vontade, a mesma abriu sua bolsa diante desta representante e constatou ter
recebido de volta a quantia correta, vindo assim a receber pedidos de desculpas e
seguido o seu destino, sem menor alteração qualquer.
Para a angustiante surpresa desta que representa a pessoa jurídica no polo
passivo, sob o pretexto ora mencionado, aproveitando-se de gentil equívoco da
Requerida, a Requerente busca lograr êxito em demanda sustentada por falácias,
uma vez que alega ter sido constrangida diante de diversas pessoas, por ter sido
supostamente acusada de não ter realizado pagamento das mercadorias que levara
consigo.

Ora, é pretensioso de parte da Requerente alegar tal situação, pois num contexto
prático, qualquer comerciante ou funcionário jamais se imporia de tal forma diante
do fato de que a mesma estava de posse de sacola com timbre do estabelecimento,
com dois objetos embrulhados em papel para presentear, procedimentos tais que
de praxe somente se realizam ao final da venda.

Ao contrário do que se alega, houve boa-fé da Requerida ao convidar à verificação


do troco, pois, pela sua boa reputação conquistada em mais de uma década no
ramo, boa fama esta exercida com dignidade, jamais almejaria que uma de suas
clientes deixasse o seu estabelecimento com um troco incompleto, único e exclusivo
motivo que a levara a assim solicitar.

III - PRELIMINARMENTE - DA INÉPCIA DA INICIAL

Verifica-se de plano a insubsistência e a fragilidade dos documentos carreados ao


processo para apoiar a sua tese ressarcitória, conforme será demonstrado a seguir.

A documentação anexada pela Reclamante, não comprova a existência de coerção,


cobrança indevida ou ilegal, ou exposição vexatória, senão vejamos.

Quanto a alegada coerção ou cobrança ilegal, esta não restou comprovada. Veja-se
que o único documento de cobrança apresentado pela Reclamante, refere-se ao
cupom de pagamento, que elenca, dentre outras informações irrisórias ao pleito, a
descrição e o valor total das mercadorias, o desconto aplicado e o total a pagar.
De acordo com o Código de Processo Civil pátrio, temos que o ônus da prova
incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito (art. 373, I).

No caso, não se tratando a suposta cobrança vexatória de hipótese em que


configure ser fato notório, afirmado por uma parte e confessado pela parte
contrária, admitido no processo como incontroverso ou em cujo favor milita
presunção legal de existência ou de veracidade, caberia à Requerente provar o que
se alega, nos termos do inciso I do artigo em supra.

Não tendo se desincumbido de tal ônus, a Requerente não promoveu os atos e as


diligências necessários ao pleito e, assim, imperioso o indeferimento por tal, como
dispõe a Lei Processual que abrange o atual caso. Vejamos:

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:


I - indeferir a petição inicial; [...]
III - por não promover os atos e as diligências que lhe
incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30
(trinta) dias;
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo; [...]
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse
processual; [...]
X - nos demais casos prescritos neste Código.

Em fiel observância aos fatos nesta expostos e oportunamente comprovados, resta


demonstrada a inépcia da inicial, eis que não comprovadas as alegações de coerção,
cobrança vexatória, indevida ou ilegal. Impossibilitada prestação, uma vez que tais
fatos em exordial narrados nunca ocorreram.

É visto facilmente também a ausência de interesse processual, ou interesse de agir.


Ora, tal condição da ação se verifica quando ao caso concreto é surgida a
necessidade de obter através do processo judicial a proteção a algum interesse
substancial.
Quanto à existência de interesse processual, a doutrina entende que se a parte
sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse
prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais (Alfredo
Buzaid, Agravo de Petição, n°. 39, p. 88/89).

Inexiste sequer o fato gerador do direito objetivo proposto pela Requerente, eis que
não comprovado, não havendo que se falar em dano apto à reparação. Assim,
restando ausente o prejuízo in casu, a condição da ação de interesse de agir não se
contempla, merecendo a mesma ser de plano indeferida.

A solicitação gentil e amigável de verificação de troco efetuada por agente da


Requerida foi um meio lícito, e visou tão somente evitar pendências desta
para com sua cliente e não pode ser considerada um método coercitivo.

Isto posto requer-se o indeferimento do pedido inicial, nos termos do artigo 51,
caput, da lei 9.099/95, c/c com o art. 485, incisos III, IV e VI, do Código de Processo
Civil.

IV - DA INEXISTÊNCIA DO DANO

Hodiernamente, em matéria de responsabilidade civil, fundamenta-se o direito de


ressarcimento advindo de danos causados a outrem no artigo 186 do Novo Código
Civil, que assim dispõe:

“Art. 186 Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

E ainda, de acordo com o Código Civil, em seu artigo 927, somente o causador do
dano, derivado de ato ilícito, por conseguinte, somente com a prática de ato ilícito
é que se aventa a obrigação de reparação civil.

Fato é que, no caso concreto, a pretensão da Requerente não encontra recepção no


dispositivo supratranscrito, nem tampouco em qualquer texto da qual se vinculem
ambas as partes, pois em momento algum se comprovou a conduta ilícita da
Requerida, que faz merecer improcedência do pleito inicial.

Não obstante à inexistência de hipótese legal fundamentadora, a doutrina é,


também, unânime em afirmar, que não há responsabilidade sem prejuízo e sem
nexo causal, ou seja, não há responsabilidade sem o dano.

Se não houver o dano, falta conteúdo para a indenização.

Ante essa assertiva se estabelece que o dano hipotético não justifica a reparação,
ou seja, que a regara essencial da reparação é a certeza do prejuízo e a certeza da
culpa.

Assim, em não existindo os fatos que supostamente ensejariam o dano e, em não


ocorrendo qualquer alteração na vida da requerente, flagrante é a abusividade e a
completa inutilidade da exorbitante indenização pretendida.

É este o entendimento da Jurisprudência mais moderna, qual seja o NÃO


RECONHECIMENTO DO DANO MORAL ante a ausência de provas e demonstração
efetiva do dano.

REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. COBRANÇA DE DÍVIDA.


AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO AOS SUPOSTOS DANOS.
SITUAÇÃO QUE NÃO AUTORIZA REPARAÇÃO. É reconhecida e
admitida pela totalidade dos tribunais pátrios e possibilidade de
indenização por danos morais, os quais devem, no entanto, ser
provados cabalmente. Não se produzindo tal prova, não há como
incidir a indenização de que se busca. Apelação improvida.
(Apelação Cível APC 4529397 DF/ Acórdão nº 98827/Data do
Julgamento 15/09/1997/ 3º Turma Cível/ Relator Vasquez
Cruxên)

PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.


CONSOANTE DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ART. 333, INCISO I, DO
CPC, INCUMBE AO AUTOR O ÔNUS DA PROVA DO FATO
CONSTITUTIVO DE SEU DIREITO, CONSISTENTE NA
DEMONSTRAÇÃO DA CULPA OU DOLO DA PARTE RÉ NO
EFEITO SUPOSTAMENTE DANOSO À SUA IMAGEM. O
DESCUMPRIMENTO DO ÔNUS PROCESSUAL QUE LHE
COMPETIA REDUNDA NA IMPROCEDÊNCIA DO PLEITO
INDENIZATÓRIO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSOS
IMPROVIDO.
(Apelação Cível APC 5140799 DF/ Acórdão n.º 116188 / Data
do Julgamento 14/06/1999 / 3º Turma Cível / Relator
Jeronymo de Souza)

Uma condenação, no caso em tela, seria sem sombra de dúvidas, "dar causa" a um
enriquecimento sem causa!

Assim, no presente caso, verifica-se como inoportuno o pedido de indenização por


danos morais, vez que não houve qualquer consequência ou repercussão no plano
fático que pudesse ser capaz de abalar sua moral, não se podendo concluir pela
existência de conduta danosa da Ré, não sendo indenizável o dano hipotético ou
tampouco o mero aborrecimento.

É reconhecido que a parte Autora fora solicitada no âmbito do estabelecimento da


Requerida ao ser vista deixando o mesmo, mas tal solicitação se deu tão somente
em razão de ledo engano da funcionária, que acreditou ter a Requerente deixado
de receber o seu devido troco, como consta em realidade fática, situação
flagrantemente diversa da qual narrou a Autora em inicial, para a surpresa da
Requerida.

Como sabido e já oportunamente arguido, incumbe a parte Autora provar a


ocorrência dos alegados danos morais, nos termos dos artigos 373, I do CPC,
contudo esta afirma que foi cobrada indevidamente e de forma vexatória sem
qualquer prova do que se refere.

A realidade fática corroborada pelas provas em direito admitidas e oportunamente


elencadas demonstra que a Requerida agiu dentro da normalidade, inclusive de
forma diligente a cumprir com suas obrigações perante a Requerente, buscando a
devolução de valor pago além do devido, o seu troco.
Por tais razões, verifica-se que a percepção de indenização por danos morais pela
parte autora, por qualquer valor que seja eventualmente fixado, certamente
acarretará ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA, pois não estaria calcada em
elementos fáticos que a justificasse.

No mais, à mínima chance plausível de ser admitida como verdadeira a


inconsequente versão descrita em inicial, temos por veemente necessidade de trazei
à baila a observação que se tem das atuais demandas neste órgão jurisdicional,
quanto a banalização do dano moral. A garantia constitucional de ressarcimento
moral não pode ser desvirtuada, como no caso em tela, pois, dessa forma, estar-
se-ia incentivando o ingresso de ações aventureiras e demandas temerárias como
à presente.

Neste sentido, temos que o pleito por indenização por danos morais tem se tornado
corriqueiro em todas as Ações Indenizatórias, principalmente no que tange aos
casos que a lei consumerista abrange, comportamento inegavelmente rechaçado
por nossa legislação, sendo o caso em comento um clássico exemplo de abuso do
direito à indenização por danos morais, um mero dissabor elevado a condição tal a
ponto de gerar dano moral.

Vale dizer que não é qualquer transtorno, sem maior expressão que já surge à
vítima o direito de pleitear indenização por danos morais, mesmo porque meros
aborrecimentos da vida social não dão suporte a tal pretensão.

Não é difícil imaginar que, se toda vez que fôssemos vítimas de infortúnios
episódios, pleiteássemos indenizações junto ao Judiciário, com certeza
causaríamos um verdadeiro caos, ou, supondo-se devidas tais indenizações por
"aborrecimentos morais", estaríamos diante de um quadro de falência total do
Estado, bem como das grandes e pequenas empresas.

Outro não é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO


DE TELEFONIA. VELOX. SERVIÇO DE DADOS. INTERNET.
TESTE DE INSTALAÇÃO PREVISTO EM CONTRATO, SEM
QUALQUER ÔNUS PARA O CONSUMIDOR. DANO MORAL.
NÃO OCORRÊNCIA. HIPÓTESE QUE NÃO ULTRAPASSA A
ESFERA DO MERO ABORRECIMENTO. SÚMULA 7/STJ. 1. É
tranquila a jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça no sentido de que mero aborrecimento, mágoa ou
excesso de sensibilidade por parte de quem afirma dano
moral, por serem inerentes à vida em sociedade, são
insuficientes à caracterização do abalo, visto que tal
depende da constatação, por meio de exame objetivo e
prudente arbítrio, da real lesão à personalidade daquele
que se diz ofendido. (omissis). 4. Agravo regimental não
provido.”
(AREsp 434901 / RJ AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
2013/0385223-3 - Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO (1140) -
Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA - Data do Julgamento
01/04/2014 - Data da Publicação/Fonte DJe 07/04/2014).

A jurisprudência desta Corte Superior tem sido enfática ao entender, mais uma
vez, que casos desagradáveis e que causam aborrecimentos, entretanto, não
ensejam qualquer espécie de indenização e, no mesmo sentido têm ido os Tribunais
estaduais. Vejamos, nesta ordem:

“Os aborrecimentos vivenciados pelo consumidor, na hipótese,


devem ser interpretados como 'fatos do cotidiano', que não
extrapolam as raias das relações comerciais e portanto, não
podem ser entendidos como ofensivos ao foro íntimo ou à
dignidade do cidadão. Recurso Especial, ressalvada a
terminologia, não conhecido.”
(STJ, REsp 595734/RS, 3ª Turma, Rel. Min. Castro Filho).

RECURSO INOMINADO. TELEFONIA. AÇÃO INDENIZATÓRIA


C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER (EMITIR FATURAS DENTRO DO
VALOR ACORDADO). COBRANÇA DE VALORES ALÉM DO
CONTRATADO. DESISTÊNCIA DO RECURSO QUANTO AO
PONTO, NO CURSO DO PROCESSO, PORQUE FINDADA A
CONTRATAÇÃO. SUBSISTÊNCIA DO PEDIDO DE DANO
MORAL. PRETENSÃO INDENIZATÓRIA QUE NÃO SE
RECONHECE, UMA VEZ QUE NÃO RESTOU COMPROVADA
CIRCUNSTÂNCIA DE AFRONTA AOS ATRIBUTOS DE
PERSONALIDADE DA PARTE AUTORA. A MERA COBRANÇA
INDEVIDA NÃO GERA OFENSA AO DIREITO DE
PERSONALIDADE. HÁ DISSABORES, CONTRATEMPOS E
TRANSTORNOS INERENTES A VIDA MODERNA, QUE NÃO
SÃO PASSÍVEIS DE INDENIZAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO.
(TJ-RS - Recurso Cível: 71005258108 RS, Relator: Ana Cláudia
Cachapuz Silva Raabe, Data de Julgamento: 25/02/2015,
Segunda Turma Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da
Justiça do dia 02/03/2015)

A Requerida não pretende negar a possibilidade jurídica de causa de dano moral e


sua respectiva reparação em tese, contudo para que se configure o dano moral
indenizável, é necessário seja comprovada a ocorrência de uma situação fática
que necessariamente enseje dor, vexame ou humilhação, abalando o equilíbrio
psicológico da pessoa, uma vez que mesmo na remota hipótese de ser
considerada como verdadeira a alegação em inicial aduzida, não se trataria de
hipótese de dano in re ipsa.

Conclui-se, pela inexistência de culpa passível de reparação e, portanto, não há


que falar-se em indenização por dano moral. São as razões que pugna a Requerida
pela improcedência de tal pedido.

V - DA IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Ainda que não elencado o pedido que se refere o presente tópico em âmbito inicial,
cumpre ressaltar, por amor ao debate, que a inversão do ônus da prova in casu
presta-se como totalmente descabida.

A inversão do ônus da prova, prevista no art. 6º, VIII, do CDC, não é automática,
sendo admitida somente quando presentes os seus pressupostos: a
verossimilhança das alegações da parte Autora e a sua hipossuficiência. No caso,
não é verossímil a alegação de existência de danos concretos decorrentes de
suposta cobrança indevida e vexatória empreendida em seu desfavor.
Ora, a Requerente não trouxe aos autos sequer indícios da sua ocorrência. Em
casos análogos, temos que a matéria já fora objeto de deliberação nos Tribunais na
qual restou assim assentado:

"Nessa linha, incumbe à parte autora a demonstração dos fatos


constitutivos de seu direito, importando a ausência de prova na
improcedência da pretensão indenizatória. No caso em tela, a
parte autora não logrou êxito em comprovar a ocorrência dos
fatos apresentados. De fato, a parte autora não carreou aos
autos nenhuma prova capaz de evidenciar a existência de defeito
na prestação do serviço fornecido pela ré."
(TJRJ, 21º Juizado Especial Cível da Comarca da Capital, autos
nº 0232617-02.2015.8.19.0001, DJe 26/08/2015)

Ademais, a parte Autora não provou se enquadrar no conceito de consumidor


hipossuficiente, que apresenta debilidade na capacidade de compreensão da
relação jurídica em discussão, por carência cultural e material. E muito menos
demonstrou algum obstáculo que o desincumba do ônus de produzir PROVA
MÍNIMA que sirva para sustentar as alegações da inicial.

Neste sentido, é imperioso destacar a absoluta inaplicabilidade da inversão do ônus


da prova por total e completa falta de provas do direito que hipoteticamente teria,
se houvesse assim pleiteado, na esteira dos diversos precedentes sobre o tema.

VI - DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

Na remota e improvável hipótese de julgar Vossa Excelência pela procedência da


presente ação cumpre, por dever de ofício, impugnar o quantum Indenizatório
pleiteado pela Autora.

Limites vêm sendo impostos pela doutrina e jurisprudência pátria e os mesmos


serão apontados para que o valor de uma improvável indenização seja balizado
pelos critérios de justiça e equidade. O dano moral, se por remoto for reconhecido
no caso em tela, o que não se espera, tendo em vista que não houve qualquer ato
ilícito da Requerida, apenas poderia ensejar reparação condizente com os
parâmetros razoáveis.

A pretensão da requerente, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais), é absurda e


desprovida de qualquer fundamento, mas torna-se aviltante se pensarmos que
a referida Autora NÃO SOFREU DANO ALGUM.

Evidente que a falta de balizamento legal para a questão não pode servir para que
seja "aberta a porteira" para o enriquecimento ilícito.

Ad argumentandum, mesmo que Vossa Excelência reconheça existir o dano


passível de indenização, deve ser considerada como exorbitante a pretensão
deduzida pela Autora, haja vista, a reparação civil não pode ter tido por objetivo o
enriquecimento sem causa. A fixação da indenização por dano moral deverá ser
procedida com equidade, como manda a lei.

A respeito dos critérios para a avaliação do dano moral ponderou o ilustre mestre
Sérgio Severo. In verbis:

“Configurado o dano extrapatrimonial, cumprirá ao juiz


estabelecer o seu perfil, buscando no cenário concreto todos os
tipos e avaliando-os, segundo critérios objetivos e subjetivos. No
entanto, o papel do juiz não se esgota nesse particular, uma vez
que ele dispõe de um poder de ajustamento do caso: trata-se da
equidade. Assim, há uma ampla margem de discricionariedade
a cargo do juiz, que ao aplicar a lei deve atender "aos fins sociais
a que ela se dirige e às exigências do bem comum", na forma do
art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil.”
(Os Danos Patrimoniais, Editora Saraiva, 1996, págs.
207/208).

Sobre o tema sub judice, citamos ainda que:

“Qualquer arbitramento não poder ter o objetivo de provocar o


enriquecimento ou proporcionar ao ofendido um avantajamento,
por mais forte razão deve ser equitativa a reparação do dano
moral para que se não converta o sofrimento em móvel de lucro
(lucro capiciendo) ”.
(Rui Stoco, Responsabilidade Civil e sua Interpretação
Jurisprudencial, 2º ed., RT, 1995, São Paulo, pág. 610)

Ademais, na busca de critérios justos para estabelecer um quantum hábil a reparar


a ofensa sofrida, sem, contudo, ser aviltante ou, em contrapartida, meio de
locupletamento indevido, nossos doutos magistrados, em Tribunais pátrios se têm,
na melhor forma do direito, concluído que:

RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. INSCRIÇÃO


INDEVIDA NO CADASTRO DE EMITENTES DE CHEQUES SEM
FUNDOS. ARBITRAMENTO EM QUANTIA MODERADA.
APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.
A indevida inscrição da pessoa no cadastro de emitentes de
cheques sem fundos do Banco Central, bem como no Serviço de
Proteção ao Crédito, mantido pela Associação Comercial do
Paraná, justifica a condenação da instituição financeira, que
agiu com negligência, na reparação do não extrapatrimonial
sofrido pela vítima. Todavia como é da jurisprudência, "o
quantum indenizatório deve ser fixado com moderação,
limitando-se a compensar o prejuízo moral decorrente do
constrangimento sofrido e nunca instrumento de fácil
enriquecimento na obtenção de indevida riqueza".
(TJPR, AC. Nº 13.735, 2º Cciv, Rel. Des. Altair Patitucci.
(TAPRE, 3º Cciv, Rel. Juiz DOMINGOS RAMINA, AP 125813-5,
AC 10845, Julg. Un. 27.10.98, DJ 13.11.98).

Ressalte que no caso da jurisprudência supracitada, houve inscrição indevida, o


que, por cento, não ocorreu no caso sub judice, fato este que dever ser considerado,
mas tampouco suposta solicitação verbal que teria resultado desagrado da
Requerente.

Necessário retomar que, consoante a dicção do artigo 944 do Código Civil, a


indenização mede-se pela extensão do dano e, in casu, admitida a hipótese
de culpa da Requerida, apenas para argumentar, temos que a Recorrente
sequer comprovou os supostos danos morais sofridos ou mesmo mensurou o
eventual abalo experimentado, devendo tal fato ser levado em consideração
na eventual fixação do quantum indenizatório.

Desta forma, por tudo que foi exposto, na remota hipótese de julgar Vossa
Excelência pela procedência do pedido da Autora, o quantum indenizatório deverá
ser razoável e condizente com o entendimento da jurisprudência pátria, para que
o instituto do dano moral não se torne fonte de riqueza indevida para a Requerente.

VII - DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

A boa-fé é um dos princípios basilares do Direito, devendo nortear todas as


condutas humanas. Em vista disso, o Código de Processo Civil enumerou como
deveres das partes, bem como de todos os envolvidos em processo judicial, tais
quais expor os fatos em juízo conforme a verdade (art. 77, I), não formular pretensão
ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento (art.
77, II), entre outros.

Da regular apuração da realidade fática, temos claramente constatado que a


Autora da presente demanda utilizou-se de falaciosas alegações, destas sem
qualquer prova, na tentativa de lograr para si indevida indenização por dano moral
inexistente.

É claro e notório que o embaraço ocorrido foi de mínima relevância, tendo inclusive
a Autora sequer se importado ou demonstrado qualquer inconformidade no âmbito
do estabelecimento ao ser convidada a verificar o seu troco. Pelo contrário do que
se narrou em inicial, todo o trâmite se deu de forma amigável e sucinta, sendo nem
mesmo fato memorável à representante da Requerida e seus funcionários.

Ao alterar a verdade dos fatos, agravando substancialmente o ocorrido de forma


que a conduta da Requerida viesse a tornar ilícita, a Suplicante deixou de proceder
com lealdade e boa-fé, formulando pretensão destituída de fundamento e violando,
por conseguinte, os deveres enumerados no art. 77 do CPC.

O Código de Processo Civil, acerca da responsabilidade das partes por dano


processual, estabelece o seguinte:
Art. 79. Responde por perdas e danos aquele que litigar de
má-fé como autor, réu ou interveniente.

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que: [...]


II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

Assim caracterizado, incorre a parte Autora na pena prevista do mesmo texto legal,
que assevera:

Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o


litigante de má-fé a pagar multa, que deverá ser superior
a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido
da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta
sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e com todas as
despesas que efetuou.

Destarte, requer seja a parte autora considerada litigante de má-fé, enquadrando-


se nas hipóteses descritas nos incisos II e III do art. 80 do Código de Processo Civil,
sendo condenada nos termos do art. 81 do mesmo Código.

VIII - DOS REQUERIMENTOS

Ante ao exposto, requer a Vossa Excelência:

a) PRELIMINARMENTE, que seja julgado extinto o processo sem julgamento do


mérito, em razão da manifesta inépcia da inicial, nos termos ora expostos,
bem como por ausente requisito processual de interesse de agir;

b) Quanto ao mérito, seja julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE a presente


Ação Indenizatória, tendo por improvidos os pedidos de condenação da
Requerida a título de danos morais formulados pela Requerente, por não
lograrem êxito frente aos fatos e fundamentos nesta expostos;

c) Seja a Requerente condenada nas penas previstas no art. 81 do CPC, uma


vez demonstrada a sua litigância de má-fé.

d) Subsidiariamente, na absurda e eventual possibilidade de se decidir pela


condenação da Requerida ao pagamento de indenização por danos morais,
que a fixação do quantum indenizatório seja feita do modo mais razoável
possível, evitando-se que a tal compensação constitua fonte de
enriquecimento sem causa.

e) Por fim, o deferimento dos pedidos ora apresentados neste instrumento,


condenando, ao final, a Autora da demanda ao pagamento dos honorários
advocatícios arbitrados em 20% sobre o valor da causa.

Protesta provar o alegado por todo gênero de provas em direito admitidas, inclusive,
pela juntada de novos documentos e produção de provas orais em audiência de
instrução e julgamento para produção de prova testemunhal, depoimento pessoal
da parte AUTORA e da REQUERIDA.

Nestes termos,
Pede e espera deferimento.

Local, data.

Advogado
OAB