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Uma análise do cinquentenário do Concílio

Uma análise do cinquentenário do Concílio



O Concílio foi uma linda obra
do Espírito Santo. Mas, depois
de 50 anos, fizemos tudo o
que o Espírito Santo nos disse
no Concílio? Não oponhamos
resistência ao Espírito. É Ele
que nos liberta. Caminhemos
na estrada da docilidade ao
Espírito Santo, no caminho da

santidade da Igreja!

Papa Francisco
Expediente
Produção
Grupo Marista | Setor de Pastoral

Superior Provincial
Ir. Joaquim Sperandio

Diretor Institucional do Setor de Pastoral


Ir. João Batista Pereira

Diretor Executivo do Setor de Pastoral


Cesar Leandro Ribeiro

Elaboração do Dossiê
Ângelo Alberto Diniz Ricordi
Bruno Manoel Socher
Caroline Fagundes Garcia Miranda
Denilson Aparecido Rossi
José André de Azevedo

Texto
Magno José Vilela

Entrevistados
Ver página nº 24

Projeto gráfico e diagramação


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João Borges

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Sumário
APRESENTAÇÃO................................................................ 06

CONCÍLIO VATICANO II:


IMPACTOS NA IGREJA E NO MUNDO .................................. 08

O Dossiê............................................................................ 24
CONCÍLIO VATICANO II

Apresentação

ALEGRIA E ESPERANÇA:
dossiê VATICANO II
Uma análise sobre o cinquentenário do Concílio

Certas experiências da vida merecem tempo para serem com-


preendidas; é como olhar a palma da mão: visualizamo-la melhor
com certa distância. E não se trata de fuga ou alienação, mas de
reconhecimento. Reconhecimento que nos convida a olhar com
alegria e esperança, gaudium et spes.

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Nesse ano comemoramos o cinquentenário de encerramento
do Concílio Vaticano II. A Igreja é chamada, pelo Espírito de Jesus,
não apenas a uma memória do passado, pois, como diz o poeta,
“o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente” (Mario
Quintana). Celebrar cinquenta anos do maior acontecimento da
Igreja do século XX é voltar às fontes, àquela alegria e esperança
“tão antiga e sempre nova”.
Seguindo a esteira aberta pela Campanha da Fraternidade
2015 – cujo objetivo geral é aprofundar, à luz do Evangelho, o diálo-
go e a colaboração entre Igreja e sociedade, propostos pelo Concílio
Ecumênico Vaticano II –, o Grupo Marista recolheu testemunhos,
reflexões e ponderações de quem participou e/ou estuda o Concílio
e organizou o presente dossiê com a intenção de oferecer à Igreja
do Brasil um subsídio que nos oriente a perceber a grandeza des-
se salutar evento que, nas palavras de João XXIII – na abertura do
Concílio –, se trata de um Concílio prevalentemente pastoral.
Esperamos, pois, que possamos todos, à luz do Concílio, viver
as alegrias e esperanças de nosso tempo para tornar Jesus Cristo
conhecido e amado.

Joaquim Sperandio
Irmão Marista
Provincial da Província Marista Brasil Centro-Sul

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CONCÍLIO VATICANO II

CONCÍLIO VATICANO II:


IMPACTOS NA IGREJA E
NO MUNDO
Magno Vilela1

Introdução
Desde a eleição do papa João XXIII, em 1958, a Igreja Católica,
no mundo inteiro, passou a respirar novos ares, e a plenos pulmões.
Muitos dos teólogos punidos no passado recente, por causa de suas
ideias renovadoras, podiam agora voltar às cátedras, aos púlpitos e
à indispensável liberdade de expressão. Nos seminários e conven-
tos, a nova geração de clérigos podia ter acesso a um tipo de ensino
mais adequado aos novos tempos. As celebrações litúrgicas e as

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Professor de História do Cristianismo e de Patrística na Faculdade São Bento e na
Escola Dominicana de Teologia, em São Paulo. Formou-se em Filosofia na Escola
Dominicana de Teologia e em História na Universidade de São Paulo (USP). Perseguido
pela ditadura de 1964, exilou-se na França, onde concluiu seus estudos em História na
Universidade de Paris I (Sorbonne) e na École de Hautes Études en Sciences Sociales
(EHESS – Vième section). Formou-se em Teologia no Le Saulchoir e nessa faculdade
dominicana apresentou sua dissertação de mestrado. Foi também diretor da revista
teológica francesa Lumière et Vie. É uma dos autores da obra coletiva Memórias do
Exílio. Dentre outros trabalhos, publicou: O Monopólio do Sagrado: uma análise da pre-
sença da Igreja Católica no Brasil (1995); Uma questão de igualdade. Antonio Vieira e
a escravidão na Bahia do século XVII (1997); A tradição da catequese no Brasil (1998);
Um ano da graça. História e sentido do jubileu cristão (2000) e Teologia e Educação
(coautoria) (2012).

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pregações paroquiais refletiam, ajeitada ou desajeitadamente, essa
busca – por tanto tempo represada – de novos caminhos de mani-
festação do sentimento religioso no seio do catolicismo. E  a pro-
messa maior logo viria pela boca do Papa João XXIII, com firmeza
e audácia: a Igreja Católica convocava, depois de quase um século,
um novo concílio. Um concílio ecumênico, isto é, uma assembleia
universal dos bispos com o direito e o poder de decidir os rumos
que a Igreja deve tomar no exercício de sua missão.
É o que fará o Concílio Vaticano II, que se reuniu entre os anos
de 1962 e 1965. Contrariamente às ideias e expectativas mais timo-
ratas de uns, Vaticano II não trataria apenas de questões internas
ou restritas à administração eclesiástica. A comissão preparatória
do Concílio iria, durante quatro anos, consultar e ouvir cardeais,
bispos, abades e superiores de ordens religiosas, teólogos, leigos,
etc., para estabelecer a pauta dos assuntos a serem tratados.
Esse importante trabalho preparatório trouxe à tona três grandes
temas, que se transformariam na própria ossatura de Vaticano II e
mudariam a face visível da Igreja Católica:

a) A reorganização doutrinária e disciplinar da vida católica;


b) A unidade de todos os cristãos;
c) A promoção da paz mundial num mundo, àquela época,
sob a ameaça constante da guerra nuclear.

A Igreja dispunha-se a operar em seu seio as mudanças neces-


sárias para poder, em seguida, estender fraternalmente as mãos a
todas as confissões cristãs não católicas e apresentar-se ao mundo
(e às suas religiões não cristãs) como parceira ativa na busca da paz
para todos os homens. Esse programa exaltante foi rigorosamente
cumprido pelo Concílio e consolidado ao longo de mais de três cen-

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CONCÍLIO VATICANO II

tenas de páginas dos 16 documentos oficiais, ou seja: duas cons-


tituições dogmáticas, uma constituição pastoral e uma litúrgica,
e nove decretos e três declarações.
Vaticano II teve uma grande vantagem, além de todas aquelas
ligadas à renovação que trouxe: mesmo sendo ou recusado ou re-
cebido cum grano salis aqui e ali, a letra de seus textos fazia lei para
toda a Igreja, e instaurava, por conseguinte, uma espécie de clarivi-
dência institucional, pois rompia – na sua dinâmica mais profunda
– com aquele caráter exclusivo e reservado (se não secreto) de uma
Igreja concebida como sociedade hierárquica de clérigos, conforme
a herança tridentina. A rigor, já não devia haver mais uma rela-
ção subalterna dos “leigos” com relação a bispos e padres; todos
eram igualmente membros do Povo de Deus, irmãos na mesma fé,
só se distinguindo pelo tipo de serviços ou “ministérios” que são
chamados a exercer no seio de suas comunidades. É bom lembrar
que essa nova dinâmica, facilmente verificável nos textos conci-
liares e amparada na mais antiga tradição cristã, resultou das de-
cisões tomadas pelo próprio colégio episcopal, isto é, os bispos do
mundo inteiro, em união com o bispo de Roma, sucessor de Pedro.
Como ensina a Lumen Gentium n. 25:

A infalibilidade prometida à Igreja reside também no


colégio episcopal, quando este exerce o supremo magis-
tério em união com o sucessor de Pedro. A estas defini-
ções nunca pode faltar o assentimento da Igreja, graças
à ação do Espírito Santo, que conserva e faz progredir
na unidade da fé todo o rebanho de Cristo.

Para aqueles que, antes de 1962, já vinham se empenhando na


renovação teológica e espiritual do catolicismo, o Concílio Vaticano
II foi um alento; para outros, no entanto, apegados ao tradicionalis-

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mo rancoroso, ele parecia uma ameaça. O teólogo dominicano Yves
Congar, um dos mais laboriosos artesãos do Concílio, num livro di-
tado do seu leito num hospital, dizia: “Eu creio que a novidade de
Vaticano II consistiu em grande parte em admitir a historicidade
da Igreja, da Escritura, etc.”. E talvez seja esse reconhecimento da
historicidade o que mais incomoda os adeptos do tradicionalismo.
O fato é que Vaticano II transformou-se, desde o seu começo, em
um divisor de águas no seio do catolicismo. Mas os dois mil anos de
história do cristianismo demonstram que a recepção dos concílios
nunca se faz em curto prazo ou ao ritmo mais simples da publica-
ção e leitura de seus textos fundadores; o tempo, no interior de uma
instituição religiosa tão complexa como a Igreja Católica, nem sem-
pre se deixa medir pelos dias corridos do calendário: como canta o
salmista, “aos olhos de Deus mil anos são como ontem, como um
dia que se vai, como uma hora da noite” (Sl 90, 4).

I. O “Tempo” da Igreja
O tempo da Igreja é o da longa duração, um processo de longa
duração, e talvez nada ilustre melhor isso do que, periodicamen-
te ao longo de 2000 anos, o acontecimento conciliar. É o Concílio
que, quando necessário, acontece para avaliar e ajustar os rumos
da instituição eclesial. Ao longo de dois milênios muitos foram os
concílios da Igreja cristã. Digamos, num resumo muito curto, que
os concílios cristãos podem ser classificados como locais (i.e., regio-
nais, por alusão às Igrejas particulares), e gerais (da Igreja univer-
sal). Trento, por exemplo, apresentou-se oficialmente como “concí-
lio geral, sagrado e ecumênico”. Mas uma tradição antiga, que data
pelo menos do século IV, já designava alguns concílios de “ecumê-
nicos” – por seu sentido e seu alcance universais – e universais não
apenas por extensão geográfica, mas sobretudo pela densidade de

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CONCÍLIO VATICANO II

suas decisões, na perspectiva da unidade de todos os cristãos, tra-


tando da fé, da vida ou prática cristã e da organização eclesial.
Embora não haja uma lista oficial de concílios reconhecidos
pela Igreja católica, considera-se que são 21 os concílios ecumêni-
cos. Do ponto de vista histórico, pode-se fazer a seguinte distinção:

a) Os sete concílios da Igreja Indivisa (antes do cisma de 1054 entre


Oriente e Ocidente; o oitavo, Constantinopla IV em 869 é um
caso à parte);
b) Os 10 concílios ditos medievais (ou “concílios gerais do Ocidente”,
reconhecidos pela Igreja Romana);
c) Os 3 concílios modernos: Trento (1545-1563), Vaticano I
(1870) e Vaticano II (1962-1965).

O Concílio Vaticano II apresenta-se repetidamente, em seus


textos oficiais, como um “sagrado Concílio” desdobrando-se “na se-
quência dos anteriores Concílios” (LG 1), situando-se, portanto, na
longa duração; longa duração do mistério da fé no âmago do misté-
rio da história humana e “como guarda fiel da Tradição”, como está
claramente dito, por exemplo, na Sacrosanctum Concilium 4, a primei-
ra Constituição conciliar a ser publicada.
O Concílio não é nem deve ser visto como um acessório de for-
mulação doutrinal entre outros e menos ainda como uma espécie
de marketing religioso, mas sim com os olhos da fé, ou seja, como
uma realização legítima e solene da Igreja, sob a moção e a presença
do Espírito Divino, e por isso obriga em consciência os fieis a “aderir
com fé” (LG 25) aos seus ensinamentos. Talvez seja também o caso
de dizer que não se trata de “ensinamentos” aleatórios, particula-
rizados, efêmeros, circunstanciais, mas, como diz a Dei Verbum 1,
o concílio “propõe a genuína doutrina sobre a Revelação divina e a

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sua transmissão”. E o faz solenemente, enquanto “supremo magis-
tério da Igreja” (LG 22).
Convém, no entanto, relembrar o que nos diz a respeito o pró-
prio Vaticano II: “O magistério não está acima da Palavra de Deus,
ele deve servi-la, ensinando apenas o que foi transmitido...” (DV 10;
cf. também LG 25).
Na vida de fé, e em teologia, a Tradição é o princípio vivo e ativo,
e esse princípio é propriamente vital e por isso tem para a fé cristã
uma significação central, pois refere-se à Revelação divina: Deus se
revela em Jesus Cristo que por sua vez « forma » seus discípulos e
os envia anunciar a Boa Nova transmitida assim « de uma vez por
todas » (Judas 1, 3); assim sendo, os cristãos «sabem tudo sobre a
Boa Nova de uma vez por todas » (1,5). Esta é a norma da fé apos-
tólica, bem expressa nesta passagem da Constituição dogmática
Dei Verbum, n. 10: “Tradição e Escritura constituem o único depósito
sagrado da Palavra de Deus, confiado à Igreja. Acolhendo-o, o povo
santo, unido a seus pastores, persevera na doutrina dos apóstolos,
na comunhão, na fração do pão e nas ininterruptas orações. Assim,
na conservação da fé, na sua prática e no seu desenvolvimento,
pastores e fiéis estão sempre sob a mesma inspiração”.

II. Impactos do Concílio Vaticano II


Em setembro de 1965, no discurso de inauguração da quarta
e última sessão conciliar, o papa Paulo VI, dando clara mostra da
percepção profunda que tinha do sentido e do destino histórico de
Vaticano II, afirmou que a convocação do Concílio “arrancou-nos
ao torpor da vida ordinária e despertou em nós a consciência ple-
na da nossa vocação e da nossa missão, pôs em movimento forças
latentes em nós e incendiou em nossas almas o espírito de profecia,
próprio da Igreja de Deus”; e com esse mesmo espírito de profecia

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CONCÍLIO VATICANO II

Paulo VI continuou dizendo que “a alma do Concílio é o amor, amor


para com todos os homens tais como são e lá onde estão, um ato
público e solene de amor à humanidade”.
Sob tal alento, Vaticano II iria efetivamente causar fortes im-
pactos tanto na vida interna da Igreja quanto na sua vida exter-
na. Internamente, os Padres conciliares procederam à “inves-
tigação mais profunda do mistério da Igreja” (GS 2). E ao fazê-lo,
voltaram-se, num mesmo movimento, para a vida externa da Igre-
ja, isto é, a todos os homens, envolvidos, como os cristãos, “no mis-
tério da história humana” (GS 40).
Falo de vida interna e vida externa da Igreja por simples co-
modidade de reflexão, pois todos sabemos que não se pode nem
se deve separar essas duas dimensões, como se fossem antagôni-
cas. Trata-se de distinguir para unir, pois como muito bem afirma,
por exemplo, a GS 10, o objetivo do Concílio é o de “dirigir-se a todos
os homens para, à luz de Cristo, iluminar o mistério do homem e
cooperar na solução das principais questões do nosso tempo”.
Quase todo mundo sabe que Vaticano II, por fidelidade à rea-
lidade espiritual e invisível da Igreja, mudou radicalmente a fei-
ção visível da Igreja Romana, reformando e renovando a sua “vida
interna”. Detalhar todas essas mudanças, mesmo 50 anos depois,
seria uma longa e laboriosa tarefa, e nem me passa pela cabeça
tentar isso agora. Penso que seria mais adequado ressaltar alguns
pontos do que eu chamaria de fabulosa transmissão de energia
espiritual e de conversão vinda do Concílio, mas do Concílio lido,
relido e estudado por nós, cada um de nós, mas não às pressas e
por alto, e sim atentamente, e com “o lúcido fervor de testemunhas
do mistério”! E lido e relido e estudado na letra e no espírito de seus
textos, e, na medida do possível, de todos os seus textos. Digo isso
porque, infelizmente, há quem interprete e julgue os ensinamentos

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conciliares, a favor ou contra, sem se dar ao necessário trabalho de
leitura e de esforço de compreensão do que ali está dito.
Ressalto, pois, os seguintes pontos:

a) As exigências de leitura e de interpretação dos


textos e documentos de Vaticano II
b) O novo estilo do magistério eclesial
c) As “pérolas conciliares”

Vamos ao 1º ponto.
Desde que foi encerrado em 1965, o concílio é objeto ou de ne-
gação pura e simples da parte de certos grupos (“tradicionalistas
e fundamentalistas”), ou, para os que o acolhem, de interpreta-
ções nem sempre convergentes de como se deve dar a sua recep-
ção, no sentido teológico da palavra. Sem entrar na vastidão dos
debates, e menos ainda na aspereza de certas polêmicas, prefiro
acentuar um ponto nevrálgico, comum às diversas correntes anti
ou pró-conciliares, e esse ponto é a qualidade da leitura que é feita,
que fazemos (quando é feita e quando a fazemos!) do conjunto dos
textos de Vaticano II, com os seus dezesseis documentos oficiais
distribuídos em 1644 parágrafos, para não falar das notas, jamais
insignificantes, e dos variados anexos. Os documentos de Vatica-
no II ultrapassam em volume, praticamente, os textos reunidos de
todos os outros concílios ecumênicos que o precederam. Votados
pelos Padres conciliares e aprovados pelo bispo de Roma Paulo VI,
tais documentos resultaram também do laboriosíssimo empenho
de grande números de periti, teólogos de alta estirpe, e artesãos da
renovação teológica consolidada no concílio. O aggiornamento dese-
jado por João XXIII não se limitou a modificações da superfície da
Igreja, como se se tratasse apenas de um desempoeiramento das
fachadas e dos corredores da instituição, mas foi ao âmago da fé,

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CONCÍLIO VATICANO II

revendo e renovando em profundidade a visão e a prática que gran-


de parte dos católicos tinha de sua pertença confessional. Uma re-
novação de tal monta não é de fácil e imediata assimilação. Vatica-
no II é um acontecimento de alta complexidade.
A dificuldade intrínseca à recepção do Concílio resulta, em par-
te, da sutileza da linguagem tanto doutrinal como teológica dos tex-
tos conciliares, como de resto de todo texto do Magistério eclesial.
E não só da linguagem, mas também do que eu chamaria de legí-
tima estratégia institucional: pode-se dizer tudo a todos de igual
modo a qualquer momento? Quando se conhece, ainda que parcial-
mente, a complexa fisionomia do catolicismo romano, tal estratégia
parece inevitável... Em outras palavras, os textos conciliares devem
ser sempre lidos em sua letra e em seu espírito (ou intenção), nas li-
nhas e nas entrelinhas, no lugar e no momento em que aparecem no
texto, na quantidade de vezes em que tal ou tal palavra aparece, ou
simplesmente não aparece, assim como em seus numerosos com-
promissos redacionais, de que não faltam exemplos! Para “receber”
é preciso compreender. A formulação (ou redação) da linguagem do
magistério eclesial é feita, e em geral bem feita, para ser compreen-
dida por todos. Mas nem sempre o é. Por isso, devemos redobrar
nossos esforços de leitura e de compreensão dos textos conciliares.
Num balanço sumário e provisório, tem-se hoje três linhas de
leitura e interpretação de Vaticano II. A primeira postula a recen-
tragem na questão de Deus, ou do modo como o Concílio preten-
deu falar de Deus ao mundo (e não só aos católicos!), apoiado no
papel específico da Tradição cristã que quer levar os homens ao
conhecimento de Deus, e também propor acesso à íntima ligação
com Deus. Noto a respeito que o papa Francisco, em sua encícli-
ca, diz que Vaticano II “nos convidou a repor, no centro de nossa
vida eclesial e pessoal, o primado de Deus em Cristo” (Lumen Fidei,
n. 6). A segunda linha propõe uma “hermenêutica da reforma” ou

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da renovação na continuidade, linha essa exposta por Bento XVI
no início de seu pontificado2 como sendo uma interpretação justa
e correta do Concílio. Essa linha é claramente contraposta ao que
seria uma “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”, como
se, para reformar-se e renovar-se, a Igreja cristã devesse romper
com o princípio vivo da Tradição, isto é, com a própria substância
da fé. Convém relembrar as palavras de João XXIII na abertura do
Concílio, e de Paulo VI no encerramento, ambos dizendo-nos que
uma coisa é o depósito da fé, isto é, as verdades contidas na nossa
veneranda doutrina, e outra coisa são as suas expressões na va-
riedade dos tempos e dos lugares; tais expressões, sim, podem e
devem ser aprofundadas, renovadas em sua expressão e apresen-
tadas de modo a corresponder às exigências do nosso tempo, pre-
servando sempre o sentido da fé. Ainda no seu discurso ao episco-
pado brasileiro, o papa Francisco salientou ser preciso “encorajar a
recepção do Concílio Vaticano II, com fidelidade mas também com
traços originais...”.
Enfim, a terceira linha focaliza o contexto histórico e teológi-
co do Concílio, pela análise dos debates, das modificações e dos
compromissos redacionais assim como de seus fundamentos teo-
lógicos, e o faz a fim de ressaltar o novo estilo de vida cristã e da
nova orientação da relação da Igreja com o mundo. De certo modo,
essa terceira linha integra as duas primeiras, enfatizando, contudo,
a necessidade de estudar “tecnicamente” Vaticano II...
Penso eu que se pode supor e dizer que tais interpretações não
são necessariamente incompatíveis entre si; cada uma a seu modo,
essas três linhas de leitura e de interpretação atestam a recepção
do Concílio, e a riqueza, em parte ainda inexplorada, do teor e do

2
Discurso à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2005 : “se lemos e recebemos [o Concílio
Vaticano II] guiados por uma justa hermenêutica, ele pode tornar-se uma grande força
para a sempre necessária renovação da Igreja”

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CONCÍLIO VATICANO II

sentido de seu ensinamento. Permitam que eu insista: é preciso


ouvir o Concílio Vaticano II em sua própria linguagem, e ler e reler
os seus textos com religioso respeito. Vaticano II é certamente, en-
tre todos os concílios gerais ou ecumênicos da Igreja cristã, o que
mais se preocupou em apresentar uma visão global e orgânica da
fé e da vida cristã em seus aspectos essenciais, assim como tam-
bém se preocupou da necessária atualização ou renovação eclesial
no seio do “mistério da história humana”, expressão recorrente na
Gaudium et Spes.
Passemos ao segundo ponto, o novo estilo de magistério eclesial.
Vaticano II rompeu deliberadamente com o estilo dos concí-
lios anteriores evitando apresentar-se, e impor-se, com cânones
e anátemas de caráter formalmente “obrigatórios” que eram, se
se pode dizer, de mais fácil “entendimento”; diga-se de passagem
que o bispo brasileiro de Palmas no Paraná pronunciou-se, na Aula
conciliar, “pela anatematização dos hereges”, mas foi voz vencida3.
Tomemos um exemplo mais significativo: o precedente Concílio de
mesmo nome, Vaticano I, ao definir em 1870 a “infalibilidade do
magistério do pontífice romano”, decreta imediatamente: “Se, en-
tão, alguém – Deus não o queira! ­ousasse contradizer esta nossa
definição: seja anátema”4 ! Num artigo publicado em 1997, o então
bispo de Bérgamo, Dom Roberto Amadei, referindo-se ao longo pe-
ríodo do papado romano nas mãos de Gregório XVI (1831-1846) e de
Pio IX (1846-1878), caracterizou-o com a forte expressão de tempo
de uma “Igreja da condenação” : “a encíclica de Gregório XVI Mirari
vos de 1832, e o Syllabus [de Pio IX] são os dois documentos emble-

3
Trata-se de Dom Carlos Eduardo Saboia Bandeira de Mello: ver Y. Congar, Mon Journal
du Concile, Paris, Ed. du Cerf, 2002,  vol. I, p. 435, e Acta Synodalia Sacrosancti Concilii
Oecumenici Vaticani II, vol II-II, p. 114-116.
4
Constituição dogmática Pastor Aeternus, n. 16 e 17, tradução portuguesa em
Documentos de Gregório XVI e Pio IX, Ed. Paulus, 1999, p. 318.

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máticos daquela Igreja da condenação que via somente males no
mundo moderno”!
Não foi essa, como sabemos, a postura do Concílio Vaticano II,
não foi essa a sua linguagem, e por isso os seus documentos re-
querem uma leitura exigente. Sob esse aspecto, os cinquenta anos
passados permitem, ou deveriam permitir, a qualidade de leitura
já mencionada, isto é, um estudo acurado não apenas de tal ou tal
documento que nos satisfaça ocasional e particularmente, mas do
conjunto dos textos, que de fato só se aclaram mutuamente. O que
não diminui a dificuldade, antes pelo contrário.
Vaticano II adotou, diria eu, uma clara posição pedagógica, ou
seja, de educação dos fieis para uma “fé viva e adulta”, concomitan-
temente à educação da “liberdade interior do homem” (veja-se GS
21 e 58). E Vaticano II afirma que isso é parte integrante da própria
missão da Igreja. Não é por nada que o substantivo “ensinamento”
(ou ensino), assim como o verbo “ensinar” tanto aparecem nos tex-
tos do Concílio (p. ex. 24 vezes na LG, 12 na GS etc) : Deus ensina,
o Cristo ensina, o Espírito ensina, a Igreja ensina, o Concílio ensina!
Somos, portanto, todos convidados a aprender. A aprender os
requisitos e o sentido de uma fé viva e adulta, a aprender o ver-
dadeiro alcance da liberdade interior, a nossa de cristãos, e a de
todos os homens. Destaco, para concluir, apenas alguns exemplos
do ensinamento de Vaticano II, que chamarei de “pérolas concilia-
res” como que escondidas nos textos e clamando para serem pro-
curadas e descobertas! Afinal, como escreve o papa Francisco na
encíclica Lumen Fidei (n. 48) : “Cada época pode encontrar pontos
da fé mais fáceis ou mais difíceis de aceitar; por isso, é importante
vigiar para que se transmita todo o depósito da fé (cf. 1 Tm 6, 20)”.

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CONCÍLIO VATICANO II

III. Pérolas conciliares

O “ditame da consciência” (cf. LG 14 e GS 19):

Teremos nós percebido que “consciência” aparece cerca de qua-


renta vezes na Gaudium et Spes, e de treze na Dignitatis Humanae,
sendo que só no n. 16 da Gaudium et Spes, um curto parágrafo, a evo-
cação, para não dizer a invocação solene da consciência, aparece
oito vezes, como nesta admirável passagem: “A consciência é o nú-
cleo secretíssimo e o sacrário do ser humano, onde ele se encon-
tra a sós com Deus, e ouve intimamente a Sua voz”? E será que já
nos ocorreu estabelecer a necessária relação de tal passagem com
esta outra, na DH n. 3 : “O homem ouve e reconhece os ditames da
lei divina por meio da consciência, que ele deve seguir fielmente
em toda a sua atividade, para chegar ao seu fim, que é Deus. Não
deve, portanto, ser forçado a agir contra a própria consciência (...).
O exercício da religião, pela natureza desta, consiste primeiro que
tudo em atos internos voluntários e livres, pelos quais o homem
se ordena diretamente para Deus; e tais atos não podem ser nem
impostos nem impedidos por qualquer autoridade meramente hu-
mana”? Será por isso que o Catecismo da Igreja Católica, na esteira de
Vaticano II e citando o cardeal Newman, afirma que “a consciência
é o primeiro de todos os vigários de Cristo” (n. 1778)?
Compare-se essa solene proclamação conciliar do direito fun-
damental à liberdade de consciência com o que escreveu Gregório
XVI em sua encíclica Mirari vos n. 10, em 1832, cento e trinta anos
antes de Vaticano II: “Dessa fonte lodosa do indiferentismo proma-
na aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que
afirma e defende a liberdade de consciência. Este erro corrupto

20
abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para
confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte,
chegando a imprudência de alguém se asseverar que dela resulta
grande proveito para a causa da religião”.

Sobre a Igreja:

Em geral, corremos o risco de imaginar e falar da “Igreja” ape-


nas em sua forma visível, ou em sua estruturação humana, hierár-
quica. Ora, teremos percebido que a LG 1 nos ensina que, antes de
mais nada, “a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal,
e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o
gênero humano” ?

Sobre o sentido sobrenatural da fé e sua infalibilidade:

Será que já nos perguntamos – leigos e hierarquia – sobre a sig-


nificação e as implicações doutrinais e pastorais concretas com re-
lação ao Magistério eclesial destas duas frases da LG 12 : “o conjun-
to dos fiéis, ungidos pelo Espírito Santo, não pode errar na fé. E esta
sua propriedade peculiar se manifesta pelo senso sobrenatural da
fé (sensus fidei), comum a todo o povo”...
Noto de passagem que o papa Francisco vem periodicamente
citando e comentando essa passagem de Vaticano II, e o faz para
acentuar o que ele chama de “santidade cotidiana dos fieis” e da
sua (do Povo de Deus) infallibilitas in credendo. Santo Agostinho, em
seus sermões, dirigia-se aos fieis que o ouviam chamando-os de
“Vossa Santidade”...

21
CONCÍLIO VATICANO II

Sobre a salvação universal (dentro e fora da Igreja):

Por que a primeira frase do capítulo II da LG, que vai tratar do


Povo de Deus, começa por esta frase: “Todo aquele que pratica a
justiça é acolhido por Deus (cfr. At 10, 35)”? Que alcance doutrinal
e teológico tem isso? Pode-se articular esta frase com a seguinte
e importante passagem da GS n. 22 : “E o que fica dito, vale não só
dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos
corações a graça opera ocultamente. Com efeito, já que por todos
morreu Cristo e a vocação última de todos os homens é realmente
uma só, a saber, a divina, devemos manter [tenere debemus] que o
Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem ao mis-
tério pascal por um modo só de Deus conhecido”?
Convém ressaltar que o “todos” aqui refere-se aos cristãos e
aos não-cristãos, e que esta frase utiliza a linguagem técnica das
formulações dogmáticas, que exigem a obediência de fé (tenere
debemus)! Se assim é, como então considerar aquele antigo axioma
que diz: “fora da Igreja não há salvação”? Não seria isso uma res-
posta nova, verdadeiramente evangélica, de clara oposição a esse
tristemente famoso axioma, geralmente interpretado fora de seu
contexto original ?

Sobre o ateismo:

Teremos atentado suficientemente para essa lição conciliar que


nos vem da GS 19?: “os crentes [i.e. fiéis cristãos] podem ter tido
parte não pequena na gênese do ateísmo, na medida em que, pela
negligência na educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da
doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral
e social, se pode dizer que antes esconderam do que revelaram o
autêntico rosto de Deus e da religião.”

22
Sobre a purificação do sentimento religioso:

Por que e a quem se dirige precisamente a Gaudium et Spes (n. 7)


quando, ao evocar as mudanças e transformações do mundo con-
temporâneo e o desafio que elas impõem à vida de fé, insiste na
necessidade de purificá-la “de uma concepção mágica do mundo
e de certas sobrevivências supersticiosas”, sem o que não se pode
chegar “a um mais vivo sentido de Deus”?

Sobre o culto marial e a verdadeira devoção:

Falando da pregação e do culto marial, alerta-nos a LG 67: “Evi-


tem com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir
em erro acerca da autêntica doutrina da Igreja os irmãos separados
ou quaisquer outros. E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira de-
voção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce
da fé...”

Conclusão
Já que falamos de pérolas, lembremo-nos do que disse Jesus:
“O Reino dos céus é também semelhante a quem procura pérolas
para comprar” (Mt 3, 45-46).

23
O Dossiê
Entrevistados

Dossiê Vaticano II:


Alegria e Esperança

O “Dossiê Vaticano II: Alegria e Esperança.


Uma análise do cinquentenário do Concílio”
está dividido em quatro blocos:

BLOCO 01
O Concílio na vida da Igreja

BLOCO 02
Contexto, convocação, evento
e documentos Conciliares

BLOCO 03
Recepção, interpretações e aplicações

BLOCO 04
O Concílio e os Papas

Além do material em mídia, será possível


acessar, online, todas as entrevistas do Dossiê
(ver entrevistados) na íntegra, bem como ma-
terial inédito referente a este importante mo-
mento da Igreja. Os vídeos estarão hospedados
no canal Virtheos do youtube, acessado pelo
seguinte link: youtube.com/virtheos.

25
CONCÍLIO VATICANO II

Afonso Murad
Irmão Marista. Professor de
Teologia na Faculdade Jesuíta
(FAJE) e no Instituto Santo Tomás de
Aquino (ISTA), em Belo Horizonte.
Graduado em Pedagogia pela
Universidade Estadual de Montes
Claros, em Filosofia pela Pontifícia
Universidade Católica de Minas
Gerais e Doutor em Teologia pela
Pontifícia Universidade Gregoriana.

Agenor Brighenti
Sacerdote. Coordenador dos progra-
mas de Mestrado e Doutorado em
Teologia da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUCPR). Diretor
do Instituto Nacional de Pastoral da
CNBB. Mestre em Teologia Pastoral
pela Université Catholique de Louvain.
Doutor em Ciências Teológicas e
Religiosas pela Université Catholique
de Louvain, Bélgica. Membro da
Equipe de Reflexão Teológico-pastoral
do Conselho Episcopal Latino-
americano (CELAM). Foi perito do
CELAM na Conferência de Santo
Domingo e da CNBB em Aparecida.

26
Entrevistados

Albano
Bortoletto
Cavallin
Bispo Emérito de
Londrina/PR. Incansável
promotor da Catequese
no Brasil.

Angélico
Sândalo
Bernardino
Bispo Emérito de
Blumenau/SC.
Graduado em Filosofia,
Teologia e Jornalismo.

27
CONCÍLIO VATICANO II

Antonio
Luiz Catelan
Monsenhor. Professor da PUCPR
e professor associado da
Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Mestre em Direito Canônico
pela Pontifícia Universidade
Gregoriana. Doutor em Teologia
pela Pontifícia Universidade
Gregoriana. Assessor da Comissão
Episcopal para a Doutrina
da Fé da CNBB. Membro da
Comissão Teológica Internacional.

Carlos
Josaphat
Sacerdote da Ordem dos
Pregadores (Dominicanos).
Professor emérito da Universidade
de Friburgo (Suíça). Doutor em
Teologia. Autor de diversos títulos.

28
Entrevistados

Cláudio
Hummes
Cardeal, Franciscano, Arcebispo
emérito de São Paulo e ex-prefeito,
na Cúria Roma, da Congregação
para o Clero. Graduado em
Filosofia e Teologia, é especialista
em Ecumenismo pelo Instituto
Ecumênico de Bossey, Genebra/
Suíça. Doutor em Filosofia.

Clodovis Boff
Sacerdote da Ordem dos Servos de
Maria. Professor adjunto da PUCPR.
Graduado em Licenciatura em
Filosofia pela Faculdade de Filosofia
Ciências e Letras de Mogi das
Cruzes, graduação em Teologia pela
Universidade Católica de Lovaiana
e doutorado em Teologia pela
Universidade Católica de Lovaiana.

29
CONCÍLIO VATICANO II

Dario Bortolini
Irmão Marista. Foi provincial e
presidente do Grupo Marista.
Formado em História Natural.

Dilermando
Ramos Vieira
Sacerdote da Ordem dos
Servos de Maria. Professor da
PUCPR. Mestre em Mariologia
pela Pontifícia Faculdade
Teológica Marianum. Doutor
em História Eclesiástica
junto à Pontifícia Universidade
Gregoriana de Roma.

30
Entrevistados

Francisco
Catão
Bacharel em Ciências Sociais.
Graduado em Teologia. Mestre em
Teologia. Doutor em Teologia em
Théologie Catholique – Université de
Strasbourg – Faculté de Théologie
Catholique, Estrasburgo (França).
Autor de diversos títulos.

Jesús Hortal
Sànchez
Sacerdote da Companhia de Jesus
(Jesuítas). Ex-Reitor da PUC-Rio.
Graduado em Teologia e Filosofia pela
Universidad Pontificia de Comillas e em
Direito pela Universidad de Salamanca.
Doutor em Direito Canônico pela Pontificia
Università Gregoriana e em Filosofia
pela Universidad de Santo Tomás (Santo
Domingo – República Dominicana).

31
CONCÍLIO VATICANO II

João Carlos
Almeida
(Padre Joãozinho)
Sacerdote da Congregação dos Padres do
Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos).
Graduado em Estudos Sociais pela Fundação
Educacional de Brusque e em Teologia
no Instituto Teológico SCJ (Taubaté-SP).
Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta
de Filosofia e Teologia. Doutor em Teologia
pelo Centro Universitário Assunção, em São
Paulo, em Teologia Espiritual pela Pontifícia
Universidade Gregoriana de Roma e em
Educação pela Universidade de São Paulo.

Joaquim
Giovani Mol
Guimarães
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo
Horizonte. Reitor da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
Graduado em Filosofia e em Teologia pela PUC
Minas. Mestre em Teologia pelo Centro de
Estudos Superiores Jesuíta, Minas Gerais.

32
Entrevistados

José
Adalberto
Vanzella
Sacerdote da Diocese de
Taubaté. Licenciado em Filosofia
e Pedagogia. Bacharel em
Teologia, Mestre em Teologia
Pastoral e Doutor em Teologia
Sistemática Pastoral. Foi Secretário
Executivo da Campanha da
Fraternidade por vários anos.

José Bizon
Cônego da Arquidiocese de São
Paulo. Coordenador da Graduação
em Teologia da PUC-SP, campus
Ipiranga. Mestre em Teologia pela
Pontificia Studiorum Universitas
A S. Thoma AQ. In Urbe.

33
CONCÍLIO VATICANO II

José Fernandes
de Oliveira
(Padre Zezinho)
Sacerdote da Congregação dos Padres do
Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos).
Estudou Filosofia, Teologia, e Comunicação
Social. Autor de mais de 300 títulos, entre
livros, CD´s cantados e falados e vídeos;
há mais de 45 anos envolvido com a
pregação, a arte e a catequese católica,
professor, cantor, compositor, conferen-
cista, diretor e apresentador de rádio e de
televisão. Padre Zezinho é ainda hoje um
dos rostos e das vozes mais conhecidas
da Igreja Católica.

José Maria Pires


Arcebispo Emérito da Paraíba. Formado
em Teologia e Filosofia pelo Seminário
de Diamantina. Foi também membro da
Comissão Central da CNBB e participou
das 4 sessões do Concílio Vaticano II.

34
Entrevistados

José Oscar Beozo


Sacerdote da Diocese de Lins. Coordenador do
Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização
e Educação Popular, CESEP. Doutor em História
Social, pela Universidade de São Paulo,
USP. Mestre em Sociologia da Religião, pela
Université Catholique de Louvain. Especializado
em Comunicação Social, pela Université
Catholique de Louvain e em História do Brasil,
pela Faculdade Auxilium de Filosofia, Ciências
e Letras Graduado em Ciências Politicas e
Sociais pela Université Catholique de Louvain
(1968). Graduado em Teologia, pela Pontificia
Università Gregoriana e em Filosofia pelo Seminário Central do Ipiranga/Seminário
Central de Aparecida. Membro da Comissão para o Estudo da História da
Igreja da América Latina.

Julio Endi
Akamine
Membro da Sociedade do Apostolado
Católico (Padres e Irmãos Palotinos),
Bispo auxiliar da Arquidiocese de
São Paulo. Mestre e Doutor em Teologia
pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

35
CONCÍLIO VATICANO II

Magno Vilela
Professor de História do Cristianismo
e de Patrística no Curso de Teologia
da Faculdade de São Bento, em São
Paulo. Graduado em Filosofia na Escola
Dominicana de Teologia e em História
na Universidade de São Paulo (USP).
Na França concluiu seus estudos em
História na Universidade de Paris I
(Sorbonne) e na École de Hautes Études
en Sciences Sociales (EHESS – Vième
section). Formou-se em Teologia no Le
Saulchoir. Foi também diretor da revista
teológica francesa Lumière et Vie.

Manoel Godoy
Sacerdote. Diretor executivo do Instituto
Santo Tomás de Aquino (ISTA). Professor
do Instituto de Teologia Pastoral (ITEPAL).
Professor do Centro Loyola, Belo Horizonte.
Bacharel em Teologia pela Faculdade Nossa
Senhora da Assunção, São Paulo. Mestre
em Práxis Cristã pela Faculdade Jesuíta de
Filosofia e Teologia (FAJE), Belo Horizonte.
Ex-assessor da CNBB por dez anos, ex-
membro da Organização dos Seminários
Latino-Americanos, do CELAM/Bogotá.

36
Entrevistados

Marcial Maçaneiro
Sacerdote da Congregação dos
Padres do Sagrado Coração de Jesus
(Dehonianos). Bacharel em Estudos
Sociais pela Fundação Educacional
de Brusque. Mestre em Teologia
pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e
Teologia, Belo Horizonte. Doutor em
Teologia pela Pontifícia Universidade
Gregoriana. Membro da International
Commission for Catholic-Pentecostal
Dialogue (Santa Sé).

Maria Clara
Bingemer
Professora associada no Departamento
de Teologia da PUC-Rio. Graduada em
Comunicação Social pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de
Janeiro. Mestre em Teologia pela
Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro e Doutora em
Teologia Sistemática pela Pontifícia
Universidade Gregoriana.

37
CONCÍLIO VATICANO II

Maria Freire
da Silva
Religiosa da Congregação Irmãs do
Imaculado Coração de Maria. Professora
da PUC-SP. Possui graduação em
Teologia pela Pontifícia Faculdade de
Teologia Nossa Senhora da Assunção;
mestrado em Teologia pela Pontifícia
Faculdade de Teologia Nossa Senhora
da Assunção e doutorado em Teologia
Dogmática pela Pontificia Università
Gregoriana de Roma.

Odilo Pedro
Scherer
Cardeal, Arcebispo de São Paulo.
Grão-chanceler da PUC-SP. Mestre em
Filosofia pela Pontifícia Universidade
Gregoriana. Doutor em Teologia pela
Pontifícia Universidade Gregoriana.
Membro, na Cúria Romana,
da Congregação para o Clero e da
Congregação para a Educação Católica.

38
Entrevistados

Rafael Biernaski
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba.
Grão-Chanceler da PUCPR. Mestre
em Teologia Dogmática pela Pontifícia
Universidade Gregoriana. Doutor em
Teologia Dogmática pela Pontifícia
Universidade Gregoriana.

Rubens Ricúpero
Jurista e diplomata brasileiro com
proeminente atividade de economista.
Diplomata de carreira de 1961 a 2004.
Exerceu, dentre outras, as funções de as-
sessor internacional do presidente eleito
Tancredo Neves (1984-1985), assessor
especial do presidente José Sarney
(1985-1987), representante permanente
do Brasil junto aos órgãos da ONU sedia-
dos em Genebra (1987-1991) e embaixa-
dor nos Estados Unidos (1991-1993).

39

Esperamos, pois, que possamos
todos, à luz do Concílio, viver as
alegrias e esperanças de nosso
tempo para tornar Jesus Cristo

conhecido e amado

Joaquim Sperandio
Irmão Marista
As alegrias e as esperanças,
as tristezas e as angústias dos
homens de hoje, sobretudo dos pobres
e de todos aqueles que sofrem, são
também as alegrias e as esperanças, as
tristezas e as angústias dos discípulos
de Cristo; e não há realidade alguma
verdadeiramente humana que não
encontre eco no seu coração. Porque
a sua comunidade é formada por
homens, que, reunidos em Cristo, são
guiados pelo Espírito Santo na sua
peregrinação em demanda do reino
do Pai, e receberam a mensagem da
salvação para a comunicar a todos.
Por este motivo, a Igreja sente-se real e
intimamente ligada ao género humano
e à sua história. (Gaudium et Spes, nº1)

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