Você está na página 1de 52

Sumário

4 Editorial

16 Serviços na desativação 6 Relatório PN


Estaleiros se preparam para atender
desmanche de embarcações e
descomissionamento de plataformas 8 Indústria Naval
e Offshore

28 Portos e Logística
08 Estratégias para 2018 Fornecedores de eletroeletrônicos
se preparam para ano difícil e seguem atentos a qualquer sinal de 42 Calendário
reaquecimento

24 Interesse nacional Decreto deve facilitar créditos públicos 43 Cenários


para investidores estrangeiros em setores importantes para
desenvolvimento do país
44 Tribuna
38 Resultado esperado Retração na economia leva portos a
perder 1% de cargas em 2016. Cabotagem melhora 0,8%
48 Mural

49 Produtos e Serviços

CAPA |28 Campo para explorar


Empresas estudam soluções menos
complexas que VTMIS e miram
terminais privados, enquanto não
saem novos editais

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 3


Editorial

Diretores
Marcos Godoy Perez e Rosângela Vieira
Reportagem
Danilo Oliveira

E
Direção de Arte
Alyne Gama
sta edição estava a caminho da gráfica quando final-
Revisão
mente foi definida a política de conteúdo nacional para
Francisco Aguiar
a quarta rodada e posteriores da Agência Nacional de
Comercial
Petróleo, Gás Natural e as Biocombustíveis (ANP). A Janet Castro Alves
solução adotada joga um balde de água fria nos forne- Assinaturas
cedores locais. Para a fase de unidades estacionárias de produção, Assinatura no Brasil: 1 ano: R$ 180,00.
Bianual: R$ 300,00.
a de real interesse para a indústria naval, o índice de 25% deve ser Números avulsos: R$ 18,00
atingido com a mão de obra, pouco sobrando além disso. A Associa- Assinatura no Exterior: América Latina 1
ção Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) ano: R$ 280,00. resto do mundo 1 ano:
R$ 480,00
estima em US$ 60 bilhões os investimentos realizados pelas empre-
Portos e Navios é uma publicação
sas brasileiras do setor nas últimas décadas. E pergunta o que fazer de Editora Quebra-Mar Ltda. CNPJ
com esse parque industrial. Já o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) 01.363.169/0001-79 (registro no INPI nº
816662983)
avalia que a redução das exigências destravará investimentos, o que
Março de 2017 - Ano 59 - Edição 674
é verdade. Aquecerá a indústria de equipamentos em várias partes
Redação: Rua Leandro Martins, 10 - 6º
do mundo. Mas no Brasil no momento há somente incertezas. Não andar - Centro - CEP 20080-070 - Rio de
se trata de xenofobia. Novos atores são bem-vindos ao jogo. Mas a Janeiro - RJ
verdade é que não houve debate com a sociedade sobre a mudança Telefax: (21) 2283-1407

de rumo. A política de conteúdo local tinha muitos defeitos e não Impressão


Smart Printer
produziu o ingresso das empresas brasileiras no time de fornecedores
Periodicidade mensal
internacionais, com produtividade e custos adequados competitivos.
As matérias jornalísticas e artigos
Precisava de acertos. Porém, alavancou desenvolvimento tecnológi- assinados em Portos e Navios somente
co, emprego e renda, agora em declínio. poderão ser reproduzidos, parcial ou
integralmente, mediante autorização
da Diretoria. Os artigos assinados não
refletem necessariamente a opinião de
Portos e Navios
contato@portosenavios.com.br
www.portosenavios.com.br

4 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017


RELATÓRIO PN

assim como todos Apesar de o movimento o Terminal fica apto a ope-


os FSVs da série, foi de exportação ter crescido rar na totalidade do cais, o
projetado pela Incat 2,5% em relação a 2015, que significa que podemos
Crowther, com re- em muito favorecido pelo receber até três navios,
cursos do Fundo da câmbio, a queda de 9,2% simultaneamente, sem que
Marinha Mercante, na importação, somada à haja restrição de carga”, ex-
e teve como agente pequena queda no reposi- plica Juarez Moraes e Silva,
financeiro o BNDES. cionamento de contêine- diretor Superintendente e
Vai operar para a Pe- res vazios, que foi de 2,42 Comercial da TCP. O novo
trobras no Nordeste milhões de TEUs (ou 27,7% calado foi aprovado pela
do Brasil. do total, dentro da ten- Capitania dos Portos do
Características: ca- dência histórica), resultou Paraná, ouvida a pratica-
pacidade para trans- no decréscimo geral. O gem local, e ratificado pela
portar 60 passagei- levantamento confirma a Administração dos Portos
ros; tanque de carga concentração de volume de Paranaguá e Antonina

‘Baru Vega’ de óleo (90 metros cúbicos);


tanque de água potável
nos portos das Regiões Su-
deste e Sul, com 82,20% do
(Appa).
O cais da TCP conta com
A Baru Offshore Brasil re- (88 metros cúbicos); 350 total (7,19 milhões de TEUs 879 metros. Com a renova-
cebeu no dia 9 de fevereiro toneladas de porte bruto; movimentados). Os portos ção antecipada do contrato
do estaleiro ETP, durante 48 metros de comprimento; do Sudeste — Vitória, Rio de arrendamento por mais
uma cerimônia de batismo boca moldada de 9,5 metros; de Janeiro, Sepetiba/RJ, 25 anos, a partir de 2023, o
realizada no Pier Mauá, no pontal moldado de 4,25 me- Santos e São Sebastião/ terminal passará por mais
Rio de Janeiro, o FSV (Fast tros; calado máximo de 3,20 SP — responderam por um processo de ampliação
Supply Vessel) Baru Vega, metros; propulsão - 4Xhéli- quase a metade (46,6%) e modernização que inclui
sua décima segunda em- ces de passo fixo; motoriza- do total de contêineres a expansão do seu cais de
barcação de uma série de ção - Cummins - 4XQSK50 movimentados. Os do Sul atracação. O TCP ganhará
12, destinada a transportes TII - 1800 BHP; tripulação de responderam por 32,9% do mais 220 metros de berços
rápidos de cargas líquidas até 12 pessoas; 225 metros total. Itapoá, inexistente até e passará a contar com
e secas para atender a pla- quadrados de convés expos- 2011, foi responsável por 1.099 metros de extensão.
taformas. O FSV é do tipo to; capacidade de carga de 17,6% da movimentação na Estão previstas as constru-
UT-4000-Crew, foi cons- até 250 toneladas. região em 2016. ções de dólfins exclusivos
truído em alumínio e será A taxa anual de crescimen- para a atracação de navios
utilizado para transportar
tripulantes, materiais, Queda to da movimentação de
contêineres nos portos
que fazem o transporte de
veículos e a ampliação da
equipamentos e manti- Os portos brasileiros, em brasileiros tem mantido retroárea do terminal, que
mentos para as unidades conjunto, movimentaram tendência anual decrescen- hoje conta com 320 mil
marítimas, além de itens 8.754.600 TEUs em 2016, o te, refletindo a crise inter- metros quadrados e que
de consumo, como água, que significou uma queda na. Mas somente a partir de será ampliada para cerca
combustível e alimentos. de 4% em relação ao ano an- 2014 houve recuo. De 2011 de 477 mil metos quadra-
A embarcação é equipada terior, de acordo com dados para 2012, avanço de 8,4%; dos.
com um moderno sistema do Centro Nacional de Na- de 2012 para 2013, de 7%; Em 2 de fevereiro, a Secre-
de comunicação via satéli- vegação Transatlântica (Cen- de 2013 para 2014, de 1,2%; taria de Portos do Ministé-
te, sensores e componentes tronave). O recuo deveu-se de 2014 para 2015, -1,82%; rio dos Transportes assinou
eletrônicos que permitem o à forte retração econômica e, de 2015 para 2016, -4%. a ordem de serviço para a
monitoramento da embar- que o país enfrentou. Por realização de uma draga-
cação e total controle de
seus sistemas internos, tais
essa razão, ao contrário do
que vinha sendo observado TCP gem de aprofundamento
no Canal da Galheta, em
como posicionamento da desde 2011, as exportações O Terminal de Contêine- Paranaguá – a primeira
embarcação, nível e con- apresentaram participa- res de Paranaguá (TCP) em 20 anos. As obras têm
sumo de combustível, per- ção maior (54,9% do total) teve o calado do terceito o objetivo de aumentar a
formance do motor e status do que as importações berço homologado para profundidade do canal, da
das operações em anda- (45,1%). O balanço inclui 12,3 metros. A profudidade bacia e dos berços, o que
mento. Seu sistema de Bow a movimentação no longo anterior era de 11,3 me- proporcionará calado ope-
Thrusters permitem total curso, na cabotagem e de tros. Agora, os três berços racional de 13,30 metros
flexibilidade e precisão nas contêineres vazios, para do terminal estão aptos a para o Porto de Paranaguá.
manobras e velocidade reposicionamento entre os receber grandes navios. A previsão é que as obras
de 21 nós. O Baru Vega, portos. “Sem a restrição de calado, durem 11 meses.
6 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

Estratégias para 2018


Fornecedores de eletroeletrônicos se preparam para ano
difícil e seguem atentos a qualquer sinal de reaquecimento

Danilo Oliveira

E
m 2016, todo o setor de eletro- A Associação Brasileira da Indústria
eletrônicos sofreu com queda Alguns Elétrica e Eletrônica (Abinee) contabili-
nas vendas e demissões. Al-
guns fornecedores de equi-
fornecedores de za 59 mil demissões em todo o setor de
eletroeletrônicos desde 2014. Aproxi-
pamentos projetavam recuperação a equipamentos madamente 31,8 mil desse total são de
partir de 2018, porém o cenário atual
ainda é de estagnação. Com poucos
projetavam empresas associadas fornecedoras do
segmento naval e offshore, que abran-
barcos de apoio em construção nos recuperação a gem fabricantes das áreas de automa-
estaleiros, as perspectivas se concen-
tram em outros tipos de embarca-
partir de 2018, ção, equipamentos industriais, GTD
(geração, transmissão e distribuição) e
ções. As encomendas para navegação porém, o cenário a parte de telecomunicações.
interior se mantêm aquecidas pelo
agronegócio. Os fornecedores estão
atual ainda é de Roberto Barbieri, assessor da direto-
ria da Abinee, avalia que as empresas
atentos à necessidade de peças de re- estagnação terão que conviver por um tempo com
posição e serviços de manutenção de serviços de manutenção e com enco-
reparo de embarcações em operação. mendas bem menores do que aquelas
Os impostos ainda são um dos princi- dos últimos anos. Ele diz que as perdas
pais desafios para as empresas ofere- de postos de trabalho aconteceram
cerem preços competitivos. porque muitas empresas promoveram

8 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017


ajustes e estão buscando mercados O estoque no Brasil e nos Estados
alternativos para produtos similares. Unidos também é tido com um dife-
Já as tentativas de aumentar as expor- rencial da Waypoint. Brazuna explica
tações esbarram no fato de o mercado que as peças para reposições obrigató-
internacional também não estar favo- rias são os itens mais vendidos e con-
rável. sultados devido a um trabalho feito
Para a Teksea, existem perspecti- no passado com fornecimento para
vas positivas para cenários diferentes os estaleiros, o que envolveu em tor-
daqueles observados anteriormen- no de 110 embarcações num período
te. “Haverá recuperação lenta, ainda de sete anos. “Os barcos em operação
mais que a Petrobras tem parado as precisam dos itens de reposição. Como
perfurações, o que fatalmente poderá temos praticamente todos os itens
comprometer a demanda de produ- que vendemos em estoque no Brasil e
ção. Esperamos que os investimentos nos EUA, facilita muito os armadores
de novas construções continuem a vir ROBERTO BARBIERI o pronto atendimento”, destaca. Os
a partir do mercado nacional, e não Manutenção e produtos vendidos pela Waypoint são
estrangeiro”, afirma o gerente de negó- encomendas menores do 100% fabricados no exterior.
cios, Henry Didjurgeit. Para se firmar que nos últimos anos A Net-System Telecomunicações
no mercado de eletrônica de potência, representa fabricantes de sistemas de
a Teksea conseguiu homologações de comunicação e navegação, antenas,
equipamentos em conversão de ener- serviços devido à alta robustez e à dura- detecção de vazamento de óleo, alar-
gia, transmissão, geração de energia e bilidade desses equipamentos. Didjur- mes, sinalização para posicionamento
gerenciamento remoto por automação. geit avalia como diferencial da empresa dinâmico, monitoramento e recepção
A empresa vem mantendo seus in- a produção de tecnologia própria, sem de sinais por satélite. O gerente geral
vestimentos mais pesados em pesquisa dependência de terceiros. da Net-System, Ivaney Mascarenhas de
e desenvolvimento para novas tecnolo- A Waypoint vem conseguindo man- Castro, concorda que o início de 2017
gias do setor industrial. Na parte de ser- ter o faturamento com novas constru- apresenta estabilização do mercado
viços, a Teksea enxerga oportunidades ções e serviços de comissionamento. A offshore. “Essa estabilização passa uma
para manutenção dos equipamentos já empresa forneceu equipamentos ele- ‘sensação de melhora’, que faz com que
instalados em campo. Segundo Didjur- trônicos de navegação e comunicação as pessoas pensem que o mercado está
geit, existem poucas oportunidades em para barcos de apoio modelo UT-4.000 aquecido e que há novos investimen-
construídos no Brasil. Em 2016 e neste tos. Mas não é isso que realmente acon-
ano, a empresa também forneceu itens tece”, afirma.
para empurradores em construção Para Castro, a estabilização do setor
para a região Norte. “Agora no início do levou as empresas a reformular suas
ano começam os comissionamentos ações nos contratos remanescentes, a
dos rebocadores, barcos de pesquisa fim de melhorar o parque eletrônico
e barcos de passageiros. Esses clientes das unidades offshore e os mantê-los
estão nos ajudando a não sentirmos em funcionamento com equipamentos
muito a crise”, conta o diretor da mais modernos, o que evita quebras
Waypoint, Leonardo Brazuna. e descumprimento de contratos. Ele
Apesar disso, a empresa percebe que a estratégia é melhorar as
reconhece que precisa ser manutenções preventivas e preditivas
econômica, melhorando pro- para evitar paradas e multas por parte
cedimentos internos para aumen- da contratante.
tar a qualidade de serviços e vendas O gerente geral da Net-System obser-
de equipamentos e peças. Atualmente va que somente se mantêm no merca-
certificada por ABS, Rina e RBNA, a do atual as empresas mais qualificadas,
Waypoint acredita que seja o momento devidamente certificadas, treinadas e
certo para credenciar os serviços dela com suporte do fabricante. Com isso,
com as classificadoras. A empresa ob- pequenas empresas sem garantias de
serva que a diminuição de frotas e a sa- serviços, MEIs, autônomos e empresas
O mercado de peças de reposição ída de armadores do Brasil criam uma sem experiência perderam espaço nes-
e serviços de manutenção e disputa de preço no mercado de pres- se mercado. Castro diz que só sobrevi-
reparo de embarcações em tação de serviços que pode ser ruim vem empresas com suporte adequado
operação são alternativas para para o mercado em geral e reduzir a e estoque de peças sobressalentes. “Até
o momento qualidade do atendimento. antes da crise, vimos empresas sem su-
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 9
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

porte, sem sobressalentes, apenas que- Além disso, as empresas buscam


rendo entrar no ramo através apenas tornar o atendimento ao cliente mais
de ‘diagnóstico de problemas’, trans- ágil e satisfatório, bem como intensi-
ferindo a solução final para o cliente”, ficar treinamentos internos e planeja-
lembra. mentos. “Embora projetemos melhora
A Raytheon Anschuetz do Brasil se no setor a partir de 2018, nossa visão
destaca na venda de agulhas giroscó- para este ano está restrita à moderni-
picas, radares, pilotos automáticos e zação de algumas embarcações, cujos
ECDIS (sistema para informação e vi- contratos estão sendo renovados com
sualização de cartas eletrônicas). O di- as contratantes no mercado offshore”,
retor comercial da empresa, Leandro conta o consultor de vendas da Vision
Nunes Pinto, ressalta que os produtos Marine, Leandro Meireles.
são importados, pois não existem si- A empresa aposta na moderniza-
milares nacionais. “Alguns armadores ção dos equipamentos encontrados
necessitam do equipamento no Brasil a bordo dos clientes por meio de so-
para pronta entrega, porém, o custo de luções customizadas. Atualmente, a
importação de nosso país é um fator HENRY DIDJURGEIT representante destaca a procura por
que complica bastante a todos do setor Esperamos que sistemas de navegação, principalmen-
que precisam manter estoque”, explica. investimentos continuem te agulhas giroscópicas. Meireles diz
A expectativa da Raytheon Ans- a vir do mercado nacional que o número de pedidos de cotação
chuetz é que o preço do barril de petró- deste item é influenciado diretamente
leo volte a patamares na faixa de 70 a 80 porque a Vision representa seis dife-
dólares para que o mercado se reaque- rentes modelos. No portfólio também
ça mundialmente. A empresa entende estão sistemas de detecção de gás e in-
que o governo brasileiro deveria adotar cêndio, holofotes de busca, sensores a
uma política industrial para fazer que o laser para sistema de posicionamento
mercado de construção naval tenha ati- dinâmico, sistemas de propulsão a hi-
vidade constante e crescimento susten- drojatos e equipamentos de comuni-
tável, o que evitaria picos de demanda cação interna.
e declínio, tais como nas décadas de
1980 e 1990. “Na retomada nos anos A JRC avalia que 2016 foi um ano difí-
2000 já estávamos tecnologicamente cil para o setor naval, principalmente
muito defasados perante os estaleiros para as empresas com forte direciona-
europeus e asiáticos”, avalia Pinto. mento para o segmento offshore. O di-
A aposta da empresa junto ao setor é retor da JRC Brasil, Carlos Lito, ressalta
a experiência das agulhas giroscópicas que não foi tão ruim para a filial bra-
(Anschutz) e dos radares (Raytheon). sileira porque a empresa atualmente
Pinto diz que a qualidade e durabilida- está mais voltada para embarcações
de dos produtos é um diferencial com- de alto-mar. “Este ano será difícil. Va-
petitivo. “Participamos ativamente nos LEANDRO PINTO mos buscar crescer dentro desse qua-
grupos de discussão internacionais de- Custo de importação de dro. Para isso estamos investindo em
batendo os futuros requerimentos para nosso país é um fator que ideias surgidas dentro do nosso grupo
navegação e eletrônicos. Assim nos po- complica bastante local. Espero que no próximo ano eu
sicionamos sempre à frente dos requi- possa falar do sucesso dessas ideias.
sitos ainda a entrarem em vigor para Temos que usar 2017 para nos estrutu-
segurança na navegação”, acrescenta. rar para 2018”, projeta Lito.
Pinto também inclui a navegação Ele ressalta que a empresa segue
interior entre os destaques. A Raythe- A Vision Marine apurou uma queda atenta ao ritmo do mercado offshore
on espera que o segmento se expanda substancial das vendas em 2016. A ava- em busca de uma fatia desse segmen-
e que armadores e operadores aumen- liação é que a necessidade de adapta- to. A JRC também atua em setores ter-
tem sua eficiência operacional utili- ção ao momento crítico do mercado faz restres, como prevenção de desastres,
zando embarcações de maior porte e com que as empresas revejam os pro- fornecendo sistemas de monitora-
requerimentos para serem atendidos cessos internos e se reinventem a pon- mento e disseminação de alertas. Es-
com os equipamentos da fabricante. to de melhorar e suportar tal situação. ses sistemas incluem radares meteoro-
Atualmente eles utilizam embarcações As mudanças passam pela análise de lógicos, estações remotas de medição
de pequeno porte para comboios flu- custos, para equilibrar as finanças com de parâmetros climáticos e monitora-
viais. a inevitável queda do faturamento. mento de deslizamento de terras. Em
10 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
2016, a empresa forneceu para a Em- A Abinee procura aumentar a com- operação Lava Jato fizeram com que as
bratel e a Marinha estações costeiras petitividade de seus fornecedores com construtoras de plataformas (EPCistas)
para comunicação com as embarca- ações para desenvolver novos merca- parassem de comprar do setor e acu-
ções em águas brasileiras. dos, possibilitar exportações e apresen- mulassem atrasos nos pagamentos do
A JRC percebeu em 2016 um au- tar ao governo a relevância da política que já havia sido entregue. De acordo
mento na demanda por ECDIS, para de conteúdo local. A associação con- com a Abinee, as grandes encomen-
atendimento a normas. A parte de templa mais de 500 empresas associa- das dos últimos anos vieram das cons-
serviços também continua atraente das, das quais 230 são fornecedoras do truções de FPSO e de barcos de apoio
porque as embarcações não navegam segmento naval e offshore. “Diante do — os segmentos mais afetados. “Pode-
sem que seus equipamentos estejam grau desta crise, podemos afirmar que mos dizer que as encomendas atuais
em perfeitas condições. “Imagino que todas foram afetadas, nem todas na decorrem do mercado residual nestes
com o advento do GPS o uso de sex- mesma medida”, comenta Barbieri.
tantes é um exercício de recordação As dificuldades pelas quais as em-
para muitos oficiais. Ninguém fica na presas associadas à Abinee passam são
ponte de comando agarrado em seu decorrentes da queda nas encomendas,
binóculo por estar navegando sem em função da redução dos investimen-
seus radares”, comenta Lito. tos. A associação atribui esse quadro,
O mercado de manutenção está tra- entre outros fatores, à diminuição do
zendo empresas estrangeiras para o preço do petróleo, que derrubou a ca-
Brasil. Elas fazem contrato com arma- pacidade de investimentos das em-
dores, oferecendo serviços ao redor do presas de petróleo, principalmente,
mundo. Para que o armador se interes- a Petrobras.
se por esse tipo de acordo, os preços A crise mundial também fez
precisam ser bastante competitivos. com que custos em outros
Lito acredita que para viabilizar esse países diminuíssem e au-
negócio essas empresas se veem obri- mentassem a concorrência
gadas a se estabelecer onde os serviços de produtos estrangeiros.
estejam ocorrendo. “A JRC possui esse Além disso, as denúncias da
mesmo serviço, com escritórios em
várias localidades pelo mundo. Temos
a vantagem de sermos os fabricantes
e, assim, quando visitamos a embar-
cação, podemos verificar outros itens
que possivelmente poderiam gerar Impostos permanecem
uma nova visita a bordo, minguando como gargalo para empresas
os ganhos desses contratos”, destaca. oferecerem preços competitivos

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 11


INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

segmentos e no mercado das demais mentos nas fábricas e o governo, atra-


soluções, que é naturalmente pequeno vés de altas taxas e impostos para o se-
no Brasil”, afirma Barbieri. tor jurídico, não permite que empresas
A Abinee acredita ainda que as mu- pensem em investir localmente. “Basta
danças nas regras de conteúdo local, se observar quantas fábricas já foram fe-
efetivadas, sejam outro fator de dificul- chadas ao longo dos anos, mesmo sem
dade para suas associadas. “O que está o impacto da crise atual. Por mais que
sendo proposto pode alijar muitos fa- queiramos e necessitemos, ainda não
bricantes desse mercado, pois simplifi- temos expertise no setor naval/offsho-
ca a forma de cálculo do conteúdo local re para ter conteúdo local”, comenta
e dessa forma, podendo ser atingido Castro.
sem considerar as cadeias produtivas, Para os fornecedores, as mudanças
que é onde se dá a participação da das regras de conteúdo nacional ainda
indústria elétrica e eletrônica e onde aparecem de forma confusa. Lito, da
ocorrem inovações”, avalia Barbieri. A JRC, considera um erro querer impor
Abinee entende que, por essa propos- CARLOS LITO uma nacionalização. Segundo ele, os
ta, apenas a compra do aço carbono Temos que usar 2017 empresários querem crescer e o estado
usado nas plataformas ou no casco dos para nos estruturar pode despertar o interesse deles com
navios contempla o índice de conteú- para 2018 suporte, regras claras, criação de de-
do local, o que deixa toda a parte tec- manda e estabilidade. “Dizer que ‘tem
nológica de fora. que ser assim’ só faz adicionar um ‘cus-
Com a tendência de flexibilização to de risco’ a um produto que está sendo
das regras de conteúdo nacional, a Tek- vendido para esse mercado. Impossível
sea teme a redução de incentivos por competir com estaleiros estrangeiros,
empresas privadas quanto a desenvol- com os custos que temos em impostos,
vimento e pesquisa em equipamentos Desde 2014, 59 mil custo de mão de obra, falta de estrutura
de alta tecnologia, pois põe em risco
o avanço e o patamar tecnológico que
profissionais foram de logística, etc.”, analisa Lito.
Os impostos brasileiros seguem
tem posicionado o Brasil na frente de demitidos, segundo como os maiores vilões dos custos
países na América.
Na avaliação da Net-System, gerar
a Abinee finais. No mercado do setor naval/
offshore não existe fabricante brasileiro,
conteúdo nacional demanda investi- principalmente para os equipamentos
de comunicações e navegação e com
isso há necessidade de importar. O cus-
to final do equipamento, muitas vezes
chega a 130% do seu valor inicial.

A demanda por manutenção e reparos


continua sendo essencial para empre-
sas de apoio marítimo, que precisam
resolver problemas no menor tempo
possível para evitar multas e penaliza-
ções (downtimes) de embarcações por
parte da contratante. Uma das apostas
da Net-System é qualificar os técnicos
em centros de serviço da marca do
equipamento, com objetivo de dar o
suporte mais adequado ao cliente.
Com a baixa do mercado, a manu-
tenção das embarcações existentes
é um nicho importante, pois grande
parte da frota brasileira ou estrangeira
já tem equipamentos com necessida-
de de reparo ou até mesmo de troca. A
Raytheon Anschutz mantém três cen-
tros de excelência em serviços no Pana-
má, na Alemanha e em Cingapura, com
12 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
mais de 200 agentes de serviço. A filial é encontrar alternativas que atenuem não possuem conhecimento atualiza-
do Brasil é responsável pelo mercado o impacto da tributação de produtos do e treinamento necessário fornecido
latino-americano e conta com uma importados no preço final de cada sis- pelo fabricante”, alerta. A Vision Marine
rede de agentes de serviço em todo o tema. tem autorização dos fabricantes para
país. — Por sermos representantes de di- prestar serviços dos equipamentos que
— Apostamos neste mercado e tra- versos fabricantes, podemos fornecer representa, desde a instalação até a
zendo ao cliente a possibilidade de os sistemas e equipamentos direta- manutenção preventiva.
compra do produto à base de troca com mente do fabricante para clientes finais A Raytheon Anschutz lançou uma
um desconto — detalha Pinto. Dessa quando usufruem de isenção fiscal, tais agulha giroscópica livre de manuten-
forma, o cliente que necessita de ma- como estaleiros — diz Meireles. Por ção e sem partes móveis. O modelo
nutenção preventiva em uma unidade conta da situação econômica do país, Standard 30 utiliza uma tecnologia de
com alguns anos de uso pode adqui- a Vision Marine não enxerga no curto ponta chamada HRG (High Resonance
rir uma unidade completamente nova prazo a tendência de flexibilização das Gyro), que utiliza o princípio da resso-
com custo próximo do valor de sua ma- regras de conteúdo nacional. nância para orientação da embarcação.
nutenção e assim melhorar a operação. O desgaste dos equipamentos que Outro destaque da Raytheon Anschutz
A Vision Marine está atenta a no- estão em constante operação e a neces- são sistemas inteligentes e versáteis de
vas alternativas no mercado. A repre- sidade de atendimento a novos reque- ponte integrada. “Na SMM demonstra-
sentante também atua na área mili- rimentos dos contratantes oferecem mos o novo design de um passadiço
tar fornecendo equipamentos para a boas possibilidades para a prestação de onde seu console central possui curvas
Marinha do Brasil. Meireles observa serviços. Meireles reforça a importân- suaves e ergonômicas. Com arquitetu-
demanda na contratação de embarca- cia da autorização para os representan- ra de rede, seus computadores ficavam
ções de apoio offshore para as quais a tes. “Temos observado o surgimento de localizados num rack que pode ser ins-
Vision dispõe de sua linha de produtos novas empresas nesse ramo que não talado em qualquer parte da embarca-
representados. Ele afirma que o desafio são representantes autorizados e que ção”, conta.

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 13


INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

No mercado internacional muito se


fala das novas tecnologias em embar-
cações autônomas (sem tripulação).
Para isso, a sensorização é vital para a
operação e a confiabilidade deles é um
item de segurança muito importante.
Recentemente, a Vision Marine fechou
parceria com a empresa Inelteh, que fa-
brica sistemas de sinalização, com des-
taque para uma coluna de alarme áu-
dio/visual e telégrafo de emergência.

Empresas fornecem eletroeletrônicos


utilizados em navios, com o recurso do
satélite. Há também empresas locais
prestando serviço e desenvolvendo so-
luções para uso de satélite e pode ser
que seja um mercado em crescimento.
Com isso, empresas de comunicação
marítima via satélite pretendem pro-
porcionar aos clientes e seus usuários
finais embarcados uma cobertura sem
barreiras através de todos os pontos às conexões tradicionais em banda L
dos oceanos em sua rota de viagem. Percepção é de que para as transmissões por meio de saté-
Operadores de navios estão inves- lites em bandas KU e Ka de maior ca-
tindo em análises big data para oti- somente as empresas pacidade e velocidade de transmissão.
mizar eficiências operacionais e cor- qualificadas e A mesma pesquisa identifica que 57%
tar custos. Numa era de aumento das das empresas de navegação dispõem
funções automatizadas, dados ope- certificadas se de soluções de comunicação baseadas
racionais em tempo real podem ser mantêm no mercado em antenas VSAT instaladas em seus
navios.
transmitidos do navio para o centro
de operações em terra para análises Brasil diz que as tripulações e os
que possam representar economia de passageiros demandam conexão em
combustíveis (manutenções baseadas alta velocidade com a internet e ex-
em condições) ou ajuste nas rotas para plica que nos navios, onde as antenas
evitar condições adversas de mar ou VSAT são o principal sistema de co-
ventos (navegação conectada). municação, a tradicional e mais lenta
A Intelsat acredita que no futuro banda L passa a ser a solução auxiliar.
uma rede de sensores será parte de mo- “Seja no setor marítimo comercial,
tores e de outros sistemas operacionais tem a oferta de banda do satélite para óleo e gás ou cruzeiros marítimos a
nos novos navios, o que permitirá aos utilização quando e onde for necessá- comunicação via satélite é a melhor
proprietários dos navios obter infor- rio. O resultado é o formato de venda opção para proporcionar conexão em
mações conjuntas e comunicação em por atacado e por faixas de planos de banda larga globalmente. Essa afirma-
tempo real, com o registro de dados da utilização previamente acertadas. Um ção é especialmente real para a ativi-
viagem e dados sobre as condições dos formato de negócios que abra pos- dade de exploração de óleo e gás que
equipamentos a bordo. Essas funções sibilidades de serviços para atender leva as operações de produção a locais
exigem maior faixa de banda para co- demanda sob encomenda para aplica- remotos, em terra e no mar”, afirma.
municação via satélite. “Nos próximos ções do segmento de produção de óleo A pesquisa da Futuranautics iden-
cinco anos a plataforma de alto de- e gás. tifica que para 72% dos marítimos o
sempenho terá um efeito transforma- Dentro de três anos haverá aumen- nível de conectividade oferecida a bor-
dor na indústria marítima, oferecendo to de 60% na comunicação entre na- do é um fator considerado na decisão
conectividade a locais remotos que vios e instalações terrestres, segundo de trabalhar para empresa operadora
atualmente são exclusivas das grandes pesquisa da Futuranautics realizada de frota de navios. A mesma pesquisa
cidades”, enxerga o diretor comercial para Intelsat. A demanda por comuni- indica que 73% dos marítimos consi-
da Intelsat no país, Marcio Brasil. cação via satélite está associada a fato- deram a velocidade de conexão de 512
A Intelsat trabalha com soluções res como o desenvolvimento de ante- Kbps (quilobits por segundo) como
para que provedores de serviços ajus- nas VSAT para navios, em substituição mínima aceitável — velocidade que
14 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
não pode ser alcançada por serviços para utilizar aplicações baseadas em Para Net-System, 2018 será conse-
em banda L. banda larga para treinamentos que quência do que for feito em 2017. A
A capacidade de troca de informa- aumentam a eficiência e a segurança tendência, na avaliação da empresa, é
ções em grandes quantidades, como é das equipes. Já a operação marítima que esses anos sejam estáveis, sem in-
o caso das operações óleo e gás, utili- depende dos satélites para criar uma vestimentos e sem novas construções,
zando inovações como computação na infraestrutura comercial eficaz. com foco na manutenção do parque
nuvem, análise de big data, automa- Em novembro de 2016, a Intelsat eletroeletrônico atual em funciona-
ção e transmissão de vídeos ampliam assinou acordo com a Marlink, pro- mento. “A recuperação é gradativa,
a eficiência operacional. Outras apli- vedora de comunicação marítima mas com o cenário atual: sem promes-
cações como monitoramento remoto via satélite, para uso do satélite Ho- sas e sem ilusões”, projeta.
das operações, manutenção preditiva rizons 3e, em novembro de 2016. Em A Net-System aposta na experiência
e alertas em tempo real, aumentam a junho daquele ano, Marlink assinou com parques eletrônicos de navios e
velocidade média do trânsito dos na- acordo para conectividade via saté- plataformas, além da representação
vios e possibilita a programação mais lite para a MSC Cruises, operadora técnica de empresas importantes no
eficiente de rotas através do globo. de navios de passageiros. Em mar- mercado. Castro destaca o treinamen-
A Intelsat utiliza o mesmo padrão ço de 2016, Marlink assinou acordo to dos engenheiros, a oferta de preços
de frequência com as bandas Ku e C, para acesso à internet em banda larga compatíveis com o mercado e a dis-
sem necessidade de instalar novas para seus clientes no setor marítimo. ponibilidade de peças sobressalentes
antenas, como é o caso na utilização para reparo imediato. “Quando não
de satélites em banda Ka. O primeiro A Teksea observa novidades tecnoló- há peça sobressalente disponível, com
satélite com a tecnologia EpicNg foi gicas para equipamentos de monitora- o nosso escritório nos EUA, consegui-
lançado em janeiro de 2016, com co- ção, controle e gerenciamento de sinais mos em tempo mínimo ter a peça no
bertura das rotas do Caribe e do Atlân- vitais de embarcações. A fabricante Brasil, diminuindo o tempo de reparo
tico. O satélite tem velocidade de 25 destaca a implementação de equipa- e parada do equipamento”, garante.
Gbps (gigabits por segundo) em com- mentos para conversão de energia em A percepção da Net-System é que
paração com os 4 Gbps do satélite que alta frequência. Didjurgeit afirma que faltam empresas especializadas na
substituiu. O segundo satélite iniciou essa solução tem proporcionado redu- manutenção dos equipamentos. Cas-
operações em janeiro cobrindo rotas ção drástica nas dimensões e no peso tro ressalta que determinados equi-
no Mediterrâneo, nos mares da Ásia e em elementos de potência e alto grau pamentos do setor naval e offshore
do Oriente Médio. Cinco novos satéli- de eficiência energética. necessitam de técnicos treinados e
tes cobrindo o Pacífico completam nos Para a Teksea, os itens mais vendi- capacitados para atender e solucionar
próximos anos a cobertura global com dos e consultados nesse mercado são em curto espaço de tempo. “O parque
essa tecnologia. equipamentos para geração e conver- eletroeletrônico nesse setor é imen-
Brasil identifica oportunidade para são de energia em eletrônica de potên- surável. Temos equipamentos de to-
prestadoras de serviços de comunica- cia e automação. Entre os fatores que dos os tipos e para todos os tipos de
ções expandirem suas ofertas de apli- têm impactado no custo de produtos embarcações, plataformas. Cada uma
cações em segmentos de mercados estão baixa demanda e reajustes nos tem sua função, e cada função tem
com demandas específicas. Ele diz preços da matéria-prima, o que torna o seu equipamento específico. Nem
que clientes do segmento de óleo e gás um desafio absorver custos para man- sempre temos disponíveis empresas
estão aproveitando as vantagens da ter um bom fornecimento comercial para atender aquele tipo de equipa-
maior capacidade das antenas VSAT aos clientes. mento”, comenta. n

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 15


INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

A atividade de desmanche depende


de regulamentação e avaliação de
impacto ambiental

Serviços na desativação
Estaleiros se preparam para atender desmanche de embarcações
e descomissionamento de plataformas
Danilo Oliveira

A
indústria naval brasileira dois casos ainda existem debates so- de Carvalho, coordenador da bancada
segue na identificação de bre regulamentação e impactos am- patronal da NR-34, norma que trata de
oportunidades para ame- bientais. condições e meio ambiente de traba-
nizar os efeitos da crise da O Sindicato Nacional da Indústria lho na indústria da construção e repa-
construção. Entre as opções no radar da Construção e Reparação Naval e ração naval.
dos estaleiros estão o desmanche de Offshore (Sinaval) entende que os es- Um dos desafios é criar um padrão
embarcações e o descomissionamento taleiros brasileiros têm capacidade de de trabalho para executar dentro de
de plataformas de petróleo que sairão projetar, construir e descomissionar diques ou de estruturas em que haja
de operação. A primeira atividade tem embarcações, desde que haja uma acompanhamento profissional. A ex-
demanda em razão da aposentadoria política específica. O sindicato reco- tensão da NR-34 à atividade de des-
de embarcações antigas. Como nem nhece que ainda não há atratividade manche visa permitir a aplicação dos
sempre os estaleiros realizam o servi- para essa atividade porque o desman- requisitos da norma durante toda a
ço, muitas vezes o desmonte acontece che não é praticado de forma segura e vida da embarcação, desde a sua con-
de forma precária em instalações não legal. “As empresas que praticam essa cepção, construção e manutenção até
preparadas para realização de ativi- atividade não estão cobertas nem por o desmonte, seguindo a Convenção
dades de corte e solda. As unidades políticas trabalhistas nem de seguran- 167 da Organização Internacional do
offshore com idade avançada e baixa ça”, relata o vice-presidente de rela- Trabalho (OIT), que trata da constru-
produção também estão na mira. Nos ções institucionais do Sinaval, Marcelo ção civil e naval.
16 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
A maioria dos navios e embarcações dade nesse continente são conside-
de apoio que são sucateados no mun- rados extremamente baixos. “Hoje, a
do geralmente segue para os países em Marinha, a Petrobras e outras opera-
que esse mercado está estabelecido. doras já possuem dezenas de embar-
Aproximadamente 95% da frota mun- cações a serem descomissionadas em
dial são reciclados em cinco países: suas carteiras, mas infelizmente quase
Índia, China, Bangladesh, Paquistão nada fica no país, em sua maioria são
e Turquia. “Os navios brasileiros tam- negociadas por mercadores estrangei-
bém estão indo para Ásia. Temos que ros que revendem essas embarcações
reverter esta situação, gerando aqui para outros países”, lamenta Carvalho.
empregos, renda e atividade para os Os valores pagos são baixos por
estaleiros que desejarem participar”, causa da precariedade em que são
defende Carreteiro, que foi diretor de praticados. “A vida de um trabalhador
gás natural e alternativos energéticos custa a esses empresários em média 18
da Petrobras Distribuidora e atual- dólares e em caso de morte 100 dóla-
mente é membro de Comitê de Lu- res. Queremos assistir esse filme aqui
brificantes do Instituto Brasileiro de no Brasil ou queremos construir uma
Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). indústria séria com possibilidade de
Na internet é fácil encontrar víde- empregar centenas de trabalhadores
os e documentários sobre as condi- com expertise em desmanchar em-
ções desumanas de trabalho a que o barcações de todo planeta?!”, enfatiza
desmanche de embarcações na Ásia Carvalho.
submete homens, mulheres, crianças Outro problema é o custo de reven-
e idosos por poucos dólares de remu- da dos materiais a serem reciclados.
neração. A atividade também não tem Atualmente as empresas do setor che-
uma regulamentação ambiental espe- gam a pagar menos de R$ 1 por tone-
cífica. “Não existe nada prescrito com lada de aço reciclado. O valor varia de
relação à atividade em si. O que existe acordo com o preço do minério e tam-
O engenheiro Ronald Carreteiro, da são procedimentos de descarte e ma- bém com o tipo de material a ser re-
Rona Assessoria Comercial, aponta a nifesto de materiais como óleo, esgoto, ciclado. Dessa forma, seria necessário
necessidade de ajustes na NR-34 para combustível (...) tudo o que uma em- agregar valor financeiro ao trabalho
adaptação da atividade naval às opor- presa precisaria para obter uma licen- por meio de equipamentos, cabos elé-
tunidades que envolvam o desmon- ça de operação, mas nada específico tricos e materiais nobres.
te de navios chamados “inservíveis”. para a prática de desmanche”, observa O perfil de estaleiro que poderia ser
Carreteiro observa poucos estaleiros Carvalho, do Sinaval. indicado para esse tipo de serviço, se-
brasileiros com conhecimento da en- Muitos navios são desmantelados gundo o Sinaval, são as novas unida-
genharia reversa aplicada com respon- na Ásia porque os custos dessa ativi- des construídas para atender grandes
sabilidade social e sustentabilidade.
Ele acredita que rapidamente haverá
crescimento dessa atividade no Brasil, Centros de desmanche no mundo
em face das dificuldades de novas con-
tratações e da necessidade de geração
de empregos. Ele coordenou um grupo
de trabalho que durante mais de dois
anos estudou o tema, sobretudo a par-
te de regulação ambiental e legislação
trabalhista.
O grupo estima que 600 embarca-
ções de diversos tipos e portes sejam
desmanteladas por ano no mundo.
Desse total, cerca de 290 delas são de
médio ou grande porte. No Brasil, há
cerca de 100 unidades a serem des-
manteladas, entre navios flutuando e
afundados. Outros cerca de 150 navios
estão perto de completar seus ciclos
de navegação.
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 17
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

contratos e que tenham diques, pórti- Em maio, as reuniões serão realizadas


cos potentes e oficinas especializadas. Para o Sinaval, na sede do Sinaval no Rio de Janeiro
Carvalho diz que os estaleiros mais an- ainda não há e em setembro de 2017 os encontros
tigos poderiam sofrer a necessidade de acontecerão em Recife (PE). As últimas
reestruturação interna por não terem atratividade para a reuniões do ano devem ocorrer em no-
condições para, por exemplo, movi-
mentar grandes estruturas.
atividade porque não vembro, em Manaus (AM).
Em novembro de 2016, o Sinaval
O vice-presidente de relações insti- é praticada de forma em conjunto com o Ministério do
tucionais do Sinaval diz que qualquer Trabalho e a CNM apresentaram na
modelo de embarcação pode ser des- segura e legal Austrália, num encontro mundial dos
manchado com a estrutura atual dos trabalhadores da indústria naval, uma
estaleiros brasileiros. Carvalho explica carta à OIT solicitando rigor e punição
que o recomendado seria implantar as empresas que praticam o desmon-
um sistema em que o estaleiro ficasse te naval de forma ilegal e precária. De
responsável pelo desmanche das em- trabalhadores (Confederação Nacio- acordo com o Sinaval, a OIT deve pro-
barcações. Ele acredita que poderia ser nal dos Metalúrgicos) e do Ministério duzir um selo de qualidade que con-
adotada uma política simples como as do Trabalho. duzirá as políticas para prática mun-
das empresas de descarte de pilhas, De acordo com o Sinaval, coordena- dial de desmonte naval e incluirá o
que ficam responsáveis pela produção dores das bancadas patronal, de traba- Brasil nesse panorama mundial.
e pelo descarte, ou empresas de cons- lhadores e do governo federal entendem
trução civil que constroem e depois que o momento é para ajustes e reflexão O desmonte de navios basicamente
realizam a demolição. sobre as normas trabalhistas que com- se dá em quatro etapas. A primeira é
Em novembro de 2016, o Sinaval preendem todos os setores industriais de identificação e localização dos na-
promoveu um seminário sobre des- do país. Atendendo ao pedido do Mi- vios ‘inservíveis’, verificação da situa-
monte naval que contou com partici- nistério do Trabalho, o grupo técnico da ção de baixa do navio, aquisição des-
pação de empresas como Petrobras e NR-34 atenderá a uma agenda itineran- se navio e a logística para entrega em
Transpetro, da Marinha e do Instituto te pelo país em 2017. A expectativa é que um estaleiro especializado. A segunda
Aço Brasil, além de representantes dos a norma seja simplificada ainda no pri- fase inclui a análise dos custos de do-
estaleiros, dos sindicatos e do governo meiro semestre deste ano, o que pode cagem, a engenharia reversa (projeto,
federal. Na época, foi feito um balanço acontecer por meio de um anexo. planejamento), o contrato com o esta-
dos estudos sobre desmanche de na- A necessidade de ajustes e no- leiro e o início do desmonte e do corte,
vios e foram apresentadas propostas vas formulações na norma fará com além do descarte das partes cortadas e
para simplificar a NR-34. O grupo téc- que várias empresas sejam visitadas desmanteladas.
nico que trata do assunto é formado e orientadas, antes das fiscalizações A terceira fase compreende a iden-
por profissionais de saúde e segurança acontecerem. A agenda prevê reuni- tificação dos potenciais compradores
dos estaleiros e por representantes dos ões em Itajaí (SC) em março de 2017. de peças, chapas navais e equipamen-
18 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
tos e instrumentos. Na quarta e última mente correta para otimização de uso desmanches. Lemgruber acredita que o
etapa é feito o processo de comercia- dos recursos naturais. setor não precisa de mais regulamenta-
lização de volumes ferrosos e não fer- Lemgruber acredita que, por ser ção porque as empresas já seguem as
rosos, de peças e equipamentos. As uma atividade muito especializada, regras e as condicionantes das licenças
sucatas dos navios geram produtos pode ser foco de desenvolvimento de ambientais de suas atividades.
para diferentes tipos de fornos, tan- nichos por estaleiros existentes. “O Bra- Para o diretor superintendente do
to de grandes siderúrgicas quanto de sil oferece como diferencial um sistema Easa, os custos e os riscos de trans-
pequenas fundições. A empresa deve de leis com rígida proteção ao meio am- porte de embarcações para a Ásia, em
disponibilizar os tipos de sucatas em biente e aos trabalhadores, oferecendo seu final de vida útil, com condições
qualquer quantidade e forma de be- aos armadores nacionais e internacio- de casco deterioradas podem favore-
neficiamento: triturada, prensada, nais, um destino sustentável para des- cer o mercado nacional. Ele enxerga
briquetada, tesourada, oxicortada ou manche de embarcações”, avalia. oportunidades para os estaleiros brasi-
peneirada. Ele ressalta que essas vantagens leiros desde o desmanche de barcaças e
Carreteiro explica que a procedên- também se tornam desvantagens por- pequenos rebocadores, até plataformas
cia e a qualidade das matérias-primas que, ao proteger mais o meio ambien- offshore e navios de longo curso. “O es-
são garantidas por meio de modernos te e os trabalhadores, os custos dessa taleiro para este serviço deve funcio-
sistemas de controle, monitoramen- atividade tendem a ser maiores no nar com uma estrutura dedicada, com
to e pesagem. Com isso, as empresas Brasil do que na Ásia, o que dificultaria especialização na atividade para que
devem ter capacidade de atender às a seleção de estaleiros brasileiros para seja competitivo e seguro”, pondera.
exigências de siderúrgicas e fundições,
tanto de composição e densidade
quanto de tamanho.
Na parte de serviços, o setor pode-
rá desenvolver soluções específicas de
armazenagem, logística, coleta, sepa-
ração e preparação de sucatas, envol-
vendo equipamentos e mão de obra,
para indústrias geradoras, fundições e
siderúrgicas. “A especialização e larga
experiência no mercado de sucata ga-
rantem a qualidade dos serviços”, pro-
jeta Carreteiro.
As empresas devem disponibilizar
a sua infraestrutura de equipamentos
e seu conhecimento do setor para in-
dústrias que precisem de sucatas pre-
paradas ou de um trabalho de gestão

Naufrágio sustentável
de resíduos, mas não querem inves-
tir em equipamentos, por opção ou
viabilidade de escala. “Nesses casos,
a empresa deve executar serviços de Já existem empresas de navegação que fazem uma espécie de "naufrágio
transporte, movimentação interna, sustentável" de seus rebocadores antigos. A DPC esclarece que nem todos
acondicionamento em caçambas, os casos serão atendidos por essa solução e ressalta que existe uma legisla-
prensagem, briquetagem e trituração, ção internacional a ser cumprida, entre as quais a Convenção de Alijamen-
tanto na planta do próprio cliente to (London Convention -72). No Brasil, vigoram duas normas da autoridade
como nas suas instalações”, detalha marítima: a Normam-07/DPC, sobre inspeção naval, e a Normam-11/DPC,
Carreteiro. que trata da realização de obras em águas jurisdicionais brasileiras.
Entre as competências da autoridade marítima estão: retirar de bordo to-
O diretor superintendente dos Esta- dos os elementos poluentes e estruturais que possam se desprender do navio
leiros Amazônia S.A. (Easa-PA), Thiago e ficar à deriva; e cumprir o item 0203 da Normam-07/DPC, no caso de afun-
Lemgruber Porto, concorda com a ava- damento de embarcação avariada, ou item 0110 da Normam-11/DPC, caso o
liação de que há viabilidade de estabe- casco seja aproveitado como petrecho de atração de pesca.
lecer uma indústria de desmanche de Além das orientações contidas nas normas, o Instituto Brasileiro do Meio
navios no Brasil. Para ele, existe uma Ambiente e dos recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabelece na instru-
tendência mundial para favorecer a ção normativa 22/2009 uma série de procedimentos específicos para a auto-
reciclagem de materiais no mundo, rização da implantação de recifes artificiais, inclusive de embarcações.
como prática sustentável e ambiental-
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 19
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

A diretoria afirma ainda que a de-


cisão do momento de desativação de

Descomissionamento uma plataforma é exclusivamente da


operadora, em função da economici-

de plataformas
dade, num encontro de contas de recei-
ta versus despesa. No momento em que
a operadora decide pela desativação, a
ANP e a autoridade marítima são comu-
nicadas. No Brasil, a maior operadora é a
Petrobras, inclusive a que tem platafor-
mas com mais tempo em atividade.
Os riscos que envolvem plataformas
desativadas não estão previstos no Pla-
no Nacional de Contingência (PNC).
De acordo com a DPC, o plano existe
apenas para incidentes de poluição por
óleo em águas jurisdicionais brasileiras,
para ampliar a capacidade de respos-
ta a esses incidentes, minimizar danos
ambientais e evitar prejuízos à saúde
pública. Dessa forma, o PNC não tra-
ta do desmanche de embarcações e do
descomissionamento de plataformas
de exploração de petróleo. “Os riscos
envolvendo as plataformas são os mais
diversos possíveis, daí a complexidade
da realização de tarefas desse tipo”, ava-
lia a DPC.
Em linhas gerais, os riscos envol-
vem a segurança do pessoal durante o
desmonte da plataforma, bem como a

A
s operadoras de petróleo do segurança da navegação durante seu
Brasil também se preparam O Plano Nacional translado e sinalização náutica de seus
para desativar plataformas remanescentes. Além disso, precisam
de exploração de petróleo de Contingência ser estudados os impactos ambientais
com muitos anos de operação. Já exis- não prevê riscos e a gerência de espécies bioinvasoras.
tem plataformas desativadas no Brasil. As empresas envolvidas devem cuidar
Até o momento a Marinha tem conhe- de desativação de da gerência e da destinação de resíduos
cimento de cinco plataformas fixas, lo- plataformas tóxicos e os órgãos responsáveis devem
calizadas na Bacia do Espírito Santo e monitorar as estruturas remanescentes
do Rio Grande do Norte, e de seis mó- e os poços desativados.
veis, na Baía de Todos os Santos. O setor naval vê muitas oportuni-
Os grupos de trabalho e estudo têm dades no mercado de manutenção de
participação da Agência Nacional do plataformas e refinarias de petróleo na
Petróleo, Gás Natural e Biocombustí- medida em que as unidades de produ-
veis (ANP), do Ibama e da Marinha. As ção (offshore e onshore) e as refinarias
discussões têm como base a resolução necessitam estar em boas condições
ANP 27/2006, que trata da desativação operacionais. “Quem tiver expertise e
de instalações e, posterior devolução videnciar a devida sinalização náutica pronto para atender, com empregados
de áreas de concessão. O foco da au- no local. “Em ambos os casos, há ne- capacitados e com os certificados para
toridade marítima é nos aspectos refe- cessidade de atualização de documen- adentrarem em uma unidade offshore,
rentes à segurança da navegação. Um tos náuticos, entre os quais as cartas ambientes confinados, poderão expe-
exemplo típico, é que tipo de platafor- náuticas”, informa a DPC. A diretoria rimentar sucesso”, avalia Carreteiro.
ma e em que profundidade deve ser também avalia o aproveitamento des- Somente no Rio de Janeiro estão
removida total ou parcialmente. sas estruturas, caso solicitado, para instaladas e operando 54 platafor-
A DPC explica que, se removida par- emprego como recifes artificiais, ser- mas. As tarefas típicas de atendimento
cialmente, há necessidade de se pro- vindo de atratores de pesca. emergencial são: vazamento de óleo;
20 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
parada de bomba; parada de geração; De acordo com o relatório, os gastos Europa, Angola e Nigéria devem im-
parada de compressão; falha na instru- de 2015 com descomissionamento de pulsionar essa atividade na África, en-
mentação e automação; e parada do plataformas foram de US$ 2,4 bilhões. quanto México e Brasil serão o foco da
tratador eletrolítico. As tarefas de ma- O Golfo do México tem sido a região demanda de descomissionamento na
nutenção preventiva são delineadas com maior número de plataformas já América Latina a partir de 2017 e 2018,
em mensais, trimestrais, semestrais e descomissionadas – aproximadamen- e a Austrália impulsionará a demanda
anuais, e os serviços são prestados por te 400 – e com mais de 6.000 estruturas na região Ásia-Pacífico.
empresas contratadas por licitação. de petróleo e gás instaladas e operando. A cada ano, a indústria do petróleo
São realizados serviços elétricos; me- Enquanto a América do Norte é o maior tem desativado uma média de 100 pro-
cânica; e de instrumentação. mercado para descomissionamento, a jetos. Carreteiro, da Rona Assessoria, diz
Existem cerca de 150 plataformas Europa tem o maior gasto com desco- que a indústria está caminhando para
offshore no Brasil e em torno de 15% missionamento, com base no tamanho um cenário com o aumento do núme-
devem estar em situação de estudos e no volume das estruturas descomis- ro de estruturas no fim da vida e regu-
para o descomissionamento. O setor sionadas no Mar do Norte. lamentos cada vez mais rigorosos. Ao
estima que os custos que estão por vir Statoil, Total, Chevron, ExxonMo- mesmo tempo, os provedores de servi-
variem entre US$ 2 milhões e US$ 4 bil e ConocoPhillips lideram a lista de ços de descomissionamento são muito
milhões por plataforma em águas ra- operadores com atividades de desco- fragmentados. “Não há players domi-
sas. O descomissionamento de antigas missionamento, de acordo com o rela- nantes, o que torna ainda mais difícil
plataformas e poços está aumentando tório. Além da América do Norte e da para as empresas de E&P e de serviços
drasticamente, com mais de 600 pro- offshore prever com precisão os custos e
jetos previstos para serem desativados riscos de descomissionamento”, analisa.
no mundo nos próximos cinco a seis Na medida que a produção de pe-
anos. Esse movimento está fazendo tróleo avançou para águas mais pro-
com que os gastos aumentem 540% A DPC avalia o aproveitamento das fundas, a remoção de grandes platafor-
até 2040, segundo o estudo Offshore plataformas como recifes artificiais mas e ativos instalados em ambientes
Decommissioning Study Report. para incrementar a pesca mais complexos pode custar cerca de
um bilhão de dólares por plataforma
Geraldo Falcão/Agência Petrobras e levar um bom período de tempo para
ser analisada, implementada e conclu-
ída com êxito. Além disso, o descomis-
sionamento não oferece retorno sobre
o investimento, mas carrega respon-
sabilidades ambientais e regulatórias
significativas.
Com cerca de 70 plataformas ma-
rítimas com mais de 25 anos de ope-
ração, a Petrobras está ampliando o
desenvolvimento de projetos de des-
comissionamento de sistemas de pro-
dução de petróleo offshore. Entre os
projetos do tipo em desenvolvimento
ou planejamento da empresa estão os
do campo de Cação, na Bacia do Es-
pírito Santo e de Marlim, na Bacia de
Campos.
Recentemente, a diretora de explo-
ração e produção da Petrobras, Solan-
ge Guedes, reconheceu que há siste-
mas que “já alcançaram sua vida útil".
Em outra ocasião, a gerente-executiva
de sistemas submarinos da Petrobras,
Cristina Pinho, afirmou que o desco-
missionamento é um desafio para a
indústria nacional. "O descomissio-
namento é um assunto tão importante
hoje para a companhia que temos uma
gerência dedicada para isso", disse. n
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 21
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

Onda verde como redução de barulho, de vibração,


de emissão de partículas e de fumaça, FMM
Propulsão elétrica além da redução do calor. "Só ferry bo-
ats no momento são 50 em construção R$ 3,45 bi em
já em uso no país. Mas o interesse por outros
tipos de embarcações também tem financiamentos
A necessidade de reduzir as emis- crescido", afirma ele. Essas mudanças
sões de gases poluentes tem levado certamente ocorrerão também no Bra- O Fundo da Marinha Mercante
alguns países signatários do Acordo sil. A questão é quando acontecerá e (FMM) encerrou 2016 com R$ 3,45
de Paris a intensificar a busca por no- quem a fará. bilhões em financiamentos e R$
vas tecnologias mais sustentáveis. A Para o presidente da Sobena, Luis 409 milhões em incentivos pagos.
Noruega é um deles. O país tem feito de Mattos, presidente da Sociedade De acordo com o Ministério dos
progressos significativos e diversas ini- Brasileira de Engenharia Naval, a ini- Transportes, Portos e Aviação Civil
ciativas verdes para propulsão de em- ciativa privada tem que buscar inova- (MTPAC), a frota mercante nacional
barcações foram lançadas nos últimos ção e se lançar à frente nesse processo passou a contar com mais de 119
anos. Muitas estão tendo resultados de desenvolvimento de novas tecno- novas embarcações construídas em
positivos e têm tudo para se tornarem logias. "Os armadores não devem es- estaleiros brasileiros, das quais 81 são
opções não só mais sustentáveis como perar que o governo aponte os cami- barcaças e empurradores para trans-
também mais baratas para as empre- nhos. Se eles acreditam nas vantagens porte hidroviário.
sas de navegação. dessas mudanças, devem abrir cami- Nos últimos 10 anos, 295 novas
Em seminário organizado no Rio de nhos. A regulamentação virá a rebo- embarcações ampliaram a capacida-
Janeiro pelo Consulado Geral da No- que", pondera. Mattos apresentou al- de de transporte por hidrovias com
ruega, o uso de energia elétrica como gumas iniciativas que estão em curso recursos financiados pelo FMM. Em
alternativa aos combustíveis fósseis no Brasil como embarcações movidas 2016 foram construídas 76 barcaças e
reuniu armadores, fornecedores de a energia solar e eólica, desenvolvidos cinco empurradores. De 2007 a 2016,
equipamentos e instituições profissio- por universidades brasileiras. Na opi- o FMM desembolsou R$ 936 milhões
nais e de ensino. O objetivo do semi- nião dele, regiões como a amazônica e em financiamentos para a constru-
nário foi dar uma noção do que está sua enorme quantidade de barcos em ção de embarcações destinadas à na-
sendo desenvolvido e que pode ser de operação tem todas as condições de vegação interior. O recorde de aplica-
interesse dos envolvidos nesse merca- se beneficiar dessas novas tecnologias ção de recursos na navegação interior
do no Brasil. menos poluentes. ocorreu em 2016, quando o desem-
O principal foco é a necessidade de Hege Okland, representante do clus- bolso totalizou R$ 348 milhões.
redução de emissões de CO2 e isso a ter norueguês NCE Maritime CleanTe- A navegação por cabotagem tam-
Cônsul Geral, Sissel Hodne Steen, já ch, falou sobre os diversos atores que bém teve sua frota aumentada em
ressaltou na abertura do evento. "A estão buscando o desenvolvimento de 2016 com o término da construção
navegação sustentável é prioridade soluções marítimas verdes por meio de três navios para o transporte de
na Noruega, país que vive do mar e da colaboração em cluster. "Somos um gás natural e um navio petroleiro do
está abaixo do nível dele. Pesquisas de cluster regional com 65 parceiros bus- tipo Suezmax, integrantes do Pro-
combustíveis alternativos e eficiência cando desenvolver tecnologia limpa. grama de Modernização e Expan-
energética são apoiadas pelo governo. Nosso principal objetivo é fortalecer são da Frota da Transpetro (Promef),
Brasil e Noruega já colaboram nessa a competitividade uns dos outros lan- além de um navio graneleiro.
área de mitigação das mudanças cli- çando soluções inovadoras para ativi- Em relação aos recursos destina-
máticas", afirmou. dades marítima eficientes. Entre os fo- dos à construção de embarcações e a
De acordo com Erik Ianssen, CEO cos de pesquisas estão as melhorias das reparos em estaleiros brasileiros, fo-
do estaleiro norueguês Selfa Artic, baterias e tecnologias para carregamen- ram depositados R$ 409 milhões nas
uma verdadeira revolução verde atual- to delas. Um dos desafios é aumentar a contas vinculadas das empresas bra-
mente está em curso na Noruega. Nos autonomia das embarcações e reduzir o sileiras de navegação no ano passa-
últimos 24 meses diversas embarca- tempo para carregamento das baterias. do. Até setembro de 2016, as empre-
ções movidas a energia elétrica foram “A colaboração em sistema de cluster sas utilizaram o montante de R$ 142
entregues. São navios de cruzeiros, facilita muito e potencializa a obten- milhões, dos quais 59% foram para
pesqueiros, navios para transporte ção de melhores resultados”. Em 2016 construção de novas embarcações e
de passageiros e cargas e até barcos o governo norueguês deu suporte de 16 reparos. O restante foi utilizado para
de apoio offshore. A redução dos cus- mil euros anuais para o NCE Maritime o pagamento de parcelas de finan-
tos operacionais, segundo Ianssen, CleanTech. “Estamos trabalhando para ciamentos tomados anteriormente,
gira em torno de 25% se comparados que o transporte marítimo seja mais pelas empresas de navegação, para
com o custo do óleo diesel. Mas outras competitivo que o transporte terrestre”, construção de embarcações.
vantagens foram enumeradas por ele, disse ela.
22 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 23
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

Interesse
nacional
Decreto deve facilitar
créditos públicos para
investidores estrangeiros em
setores importantes para
desenvolvimento do país

Danilo Oliveira

U
m decreto federal publica- nada à necessidade de ampliação da as entidades e estabelecimentos de
do em janeiro atualizou o entrada de capital internacional para crédito da União e/ou dos estados,
texto em que são listadas a retomada do crescimento da econo- inclusive as sociedades de economia
as atividades econômicas mia do país. O decreto 8.957 amplia mista por elas controladas, só podem
de alto interesse nacional. Um dos o acesso de empresas estrangeiras a conceder empréstimos, créditos ou
principais efeitos é que o decreto deve financiamentos com instituições ou financiamentos a investimentos a se-
facilitar a concessão de financiamen- bancos públicos. rem realizados no ativo fixo de empre-
to de bancos públicos brasileiros para O advogado Wagner Botelha, sócio sa cuja maioria de capital, com direito
empresas estrangeiras que investirem responsável pela área de negócios in- a voto, pertença a pessoas não resi-
nesses segmentos no Brasil. O decre- ternacionais do escritório Braga Nas- dentes no país. “É condição que tais
to 8.957/2017 incluiu o setor petróleo cimento e Zilio Advogados Associados, valores sejam investidos em setores
e gás, compreendendo a exploração explica que o novo decreto presiden- de atividades e regiões econômicas de
e a produção de hidrocarbonetos e cial vai permitir que empresas que atu- alto interesse nacional”, completa o
toda a sua cadeia produtiva, inclusive am no Brasil, mas que são controladas advogado.
indústria de bens de capital, demais por matrizes internacionais, possam Ainda segundo o especialista, o de-
indústrias, serviços de engenharia e conseguir créditos, empréstimos ou creto 8.957 atualizou os setores da eco-
demais serviços aplicáveis. O novo de- financiamentos diretamente com ins- nomia brasileira com a participação
creto também adicionou sistemas de tituições públicas da União ou mesmo de empresas estrangeiras que podem
logísticas e de distribuição de bens ao estaduais ou municipais. O advogado solicitar esses créditos públicos como,
item que já listava “portos e sistemas acredita que a medida vai estimular por exemplo, do Banco Nacional de
de transportes, inclusive de carga e investimentos e geração de empregos Desenvolvimento Econômico e Social
passageiros”. no curto prazo. (BNDES) ou do Banco do Brasil. “A atu-
Analistas acreditam que a revisão Segundo Botelha, a legislação vi- alização destes mercados é necessária,
do decreto 2.233/1997 esteja relacio- gente (Lei 4.131/1962) estabelece que uma vez que existe urgência nos in-
24 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
vestimentos atuais, que naturalmente tadas para obter financiamento”, relata.
se modificam com o tempo”, reforça. A diretora da LTSeg conta que alguns
Botelha conclui que o novo decreto, bancos não aceitam mais apólices de
além de atualizar e ampliar os setores seguro garantia, que sempre serviram
da economia beneficiados, levando-se para lastrear financiamento bancário.
em conta os cenários macroeconômi- A mudança dessa regra para alguns
cos, se compromete com a geração de segmentos leva o investidor estran-
empregos no curto prazo. geiro a buscar um banco parceiro no
Com o decreto, setores ligados a in- exterior para poder lastrear esse fi-
fraestrutura e indústria serão os mais nanciamento adquirido no Brasil. “O
beneficiados com o acesso a emprés- investidor é obrigado a utilizar lá fora
timos, tais como: telecomunicações; recursos que ele não utilizaria para
portos e sistemas de transporte; sane- lastrear um banco daqui, se tornando
amento ambiental; química e petro- uma operação mais complexa do que
química; mineração e transformação deveria ser porque poderia pegar um
mineral; agroindústria; tecnologia da Completion bonus e lastrear esse fi-
informação, entre outros. A nova lista nanciamento”, diz.
também contempla as empresas das A estrutura complexa aumenta o
áreas de saúde, como as fabricantes de custo do projeto. Para Bruna, falta
vacinas e de materiais médicos e hos- segurança jurídica e econômica e or-
pitalares; de educação; e do comércio. ganização dos bancos brasileiros em
relação a esse tipo de investimento.
A diretora da LTSeg, Bruna Timbó,
WAGNER BOTELHA Ela entende que, por mais que tenha
avalia que a política do atual gover- A atualização janela de oportunidades, ela é difícil
no é de atração de estrangeiras para dos mercados é de ser concretizada. A diretora da LTSeg
prestação de serviços no Brasil. Ela necessária, uma vez diz que estão sendo contratados no ex-
diz que as empresas muitas vezes não que existe urgência terior serviços que poderiam ser con-
precisam de financiamento de ban- tratados aqui.
cos públicos porque elas mesmas são
nos investimentos Segundo Bruna, o problema não
aptas a financiar a própria obra. “Não está associado com a existência desse
vejo problema se elas precisarem de decreto porque isso se trata mais da
financiamento dos bancos públicos. A política financeira do país e dos cri-
diferença atualmente é que os bancos térios que precisam ser definidos. “A
públicos estão abertos à concessão de existência desse decreto não melhora
empréstimos e financiamentos para em nada. Precisamos nos organizar
pessoas jurídicas de direito privado — para dar ao investidor estrangeiro essa
empresas estrangeiras constituídas ou estrutura de financiamento de que ele
não no Brasil, ainda que seja só uma precisa. O Brasil segue fértil para negó-
filial”, detalha. cios, mas mesmo assim não estamos
Bruna observa que as empresas es-
trangeiras ainda enfrentam problemas
para compreender a estrutura do fi- BRUNA TIMBÓ
nanciamento. “Elas sempre nos falam Política do atual
que esses financiamentos envolvem
contragarantias de Project finance e cor-
governo é de atração
porate finance (...) eles não conseguem de estrangeiras para
compreender que o banco de fomento prestação de serviços
misture modelos financeiros e ficam no Brasil
impactados com nossa desorganização,
muito embora o sistema bancário bra-
sileiro seja considerado um dos mais
evoluídos do mundo”, analisa.
Ela identifica a falta de financia-
mento como um dos grandes entraves
para os projetos saírem do papel. “Te-
mos visto muito a restrição dos bancos
públicos de fomento às garantias pres-
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 25
INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE

facilitando”, aponta. Zaroni considera as linhas deriva- existentes no exterior, justamente em


Bruna, da LTSeg, acredita que as das do BNDES competitivas porque razão de serem setores considerados
dificuldades no financiamento são re- elas conseguem ser praticamente de alto interesse nacional e, portanto,
sultado de um conjunto de fatores que subsidiadas por serem focadas para o disporem de linhas de crédito desti-
inviabilizam projetos, entre os quais a desenvolvimento do país. “Se é para nadas ao desenvolvimento nacional e,
instabilidade política e econômica. O desenvolver alguma atividade estraté- portanto, muito vantajosas. “Financiar
risco está em algumas empresas es- gica do país, eles trabalham com taxas pelo BNDES com taxas ótimas estimu-
trangeiras não se estabelecerem como muito baixas e consegue ser mais van- la investimento. A justificativa dessa
empresas brasileiras e abandonarem o tajoso que lá fora”, destaca. Ele acredi- ampliação é tentar tornar o ambiente
país se os negócios não forem bem. ta que não mudará nada para os ban- de negócios mais atrativo”, afirma.
Ela ressalta que grandes empresas cos privados porque os investidores Zaroni observa que algumas linhas,
estrangeiras às vezes preferem pe- consideram o crédito no Brasil muito justamente as destinadas a setores es-
gar financiamento no Brasil para não alto em comparação às fontes existen- tratégicos, podem ser muito competi-
consumir do balanço da sua matriz. tes no exterior. tivas. “Notemos que não se trata ape-
Bruna observa que estrangeiros tam- No entanto, Zaroni avalia que o nas de financiamento de projetos, mas
bém veem oportunidades de aportar aumento do acesso a financiamentos também de estruturação de garantias.
capital, com juros e taxas menores, com instituições e bancos públicos Como exemplo, temos que lembrar
emprestar o dinheiro em projetos pro- pode ser bastante competitivo inclusi- que muitas vezes, a estruturação de
missores e recuperar dinheiro mais na ve quando comparados com as linhas garantias pode se dar através de par-
frente. “Eles estão vendo oportunida- ticipações acionárias do BNDES ou de
des até na nossa falha com relação a bancos públicos em setores considera-
banco de fomento”, aponta. dos estratégicos, tornando as taxas dos
financiamentos ainda mais competiti-
O advogado Raphael Zaroni explica vas”, destaca Zaroni, que é conselheiro
que o decreto concede status de alto do Conselho Consultivo da Câmara de
interesse nacional para algumas ativi- Comércio Brasil-Holanda.
dades econômicas dando mais acesso O advogado diz que a mudança nas
a financiamentos dados pelo Tesou- regras de financiamento não deveria
ro Nacional e às entidades oficiais de ser atrelada ao momento pelo qual a
crédito público da União e dos esta- RAPHAEL ZARONI economia está passando e acrescen-
dos, inclusive sociedades de econo- Há necessidade de ta que os benefícios são apenas para
mia mista. O advogado alerta para a melhorar o ambiente os grandes players. Ele diz que se um
necessidade de melhorar o ambiente de negócios, do qual a estaleiro estrangeiro se instala no Bra-
de negócios, do qual a parte de finan- sil, por exemplo, empresas pequenas
parte de financiamento
ciamento faz parte e cita que a área de que atuam com ele em outros países,
petróleo precisa se tornar ainda mais faz parte viriam também. Essa empresa menor
atraente. não tem estrutura própria de financia-
mento e precisa de linha de crédito,
então, ou vai pedir antecipação de pa-
gamento ou se socorrer com um finan-
ciamento local.

O advogado do Stocche Forbes espe-


cialista em petróleo e gás, Marcos Cas-
tro, lembra que o novo decreto atuali-
za legislação originada da década de
1960, que impede o poder público e
bancos públicos de conceder emprés-
timos, créditos ou financiamentos a
empresas brasileiras cujo capital com
direito a voto seja detido majoritaria-
mente por pessoas não residentes no
Brasil, salvo quando se tratar de seto-
res de atividades e regiões econômicas
de “alto interesse nacional”.
Um decreto editado na época das
privatizações do governo Fernando
26 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
Ele lembra que nos últimos anos o
BNDES vinha sendo um indutor de in-
vestimentos em infraestrutura, finan-
ciando projetos selecionados a taxas
de juros atrativas. Para investidores
estrangeiros, a possibilidade de con-
tar com financiamento local atrelado
à TJLP era atraente, seja por conta do
custo de captação competitivo e con-
dições de repagamento adequadas a
projetos de longo prazo, seja por per-
mitir o acesso do investidor estrangei-
ro a uma fonte alternativa de recursos,
deixando seus limites de crédito junto
a bancos e agências estrangeiras “li-
vres” para outros projetos.
No início deste ano, diante da cri-
se econômica e da racionalização da
oferta de crédito, o BNDES anunciou
novas políticas operacionais e estipu-
lou novos critérios e condições para a
Henrique Cardoso (2.233/1997) reti- MARCOS CASTRO aprovação de financiamentos. Inves-
rou da Constituição a diferenciação timentos em educação e saúde, assim
Novo decreto atualiza
geral entre as chamadas “empresas como em projetos de infraestrutu-
brasileiras de capital nacional” (con- e expande o rol ra, foram considerados prioritários
troladas por brasileiros) e as “empre- de atividades já para o banco. De acordo com a nova
sas brasileiras de capital estrangeiro” consideradas de “alto política do banco, os projetos que se
(controladas por estrangeiros). O de- interesse nacional” enquadrarem nesses qualificadores
creto já previa atividades econômicas terão melhores condições de juros e
que deveriam ser consideradas de prazos.
“alto interesse nacional”. Castro projeta que os projetos fi-
Castro observa que o novo decreto nanciados em TJLP dependerão do
atualiza e expande o rol de atividades nível de geração de benefícios em âm-
já consideradas de “alto interesse na- bito social, econômico e ambiental.
cional” pelo decreto anterior — antes “Embora tenha havido um endureci-
focado basicamente em infraestrutura mento nas condições para liberação
e produção industrial. Uma das novi- de financiamentos pelo banco e maior
dades é o setor de óleo e gás, antes não rigidez na análise dos projetos consi-
contemplado especificamente, que tivo a novos investimentos, como as derados prioritários para o BNDES, de
passa a ser textualmente enumerado novas rodadas de licitação de blocos modo geral as condições para finan-
como de “alto interesse nacional” pelo de óleo e gás e incentivos para investi- ciamentos de projetos de infraestrutu-
novo decreto, incluindo toda a sua ca- mentos na cadeia produtiva. ra selecionados pelo banco, como de
deia produtiva. “Com isso fica definiti- Entretanto, os critérios de política ferrovias, transporte, distribuição de
vamente removido o impedimento le- pública e de análise de crédito, na prá- gás e de biocombustíveis, transporte
gal e empresas de óleo e gás brasileiras tica, devem continuar a nortear a de- de petróleo e portos, continuam atre-
controladas por sócios ou acionistas cisão de liberação ou não de crédito e ladas à TJLP, continuando assim atrati-
não residentes no Brasil e elas ficam investimentos públicos para empresas vas e competitivas”, afirma.
autorizadas a receber financiamento controladas por não brasileiros, ainda Procuradas pela Portos e Navios,
de fontes públicas”, afirma. que legalmente autorizadas a receber as assessorias do BNDES, do Banco
Castro vê na retirada do entrave tais recursos. O advogado do Stocche do Brasil e da Caixa Econômica Fede-
uma sinalização positiva que servirá Forbes explica que, em setores que ral não responderam até o fechamen-
de estímulo para investidores estran- exigem altos investimentos de capital, to desta edição a nossos questiona-
geiros que desejem investir no Brasil e como é o caso de projetos de infraes- mentos sobre os impactos do decreto
assumir o controle de empresas antes trutura em geral, o investidor estran- 8.957/2017 em suas respectivas roti-
detidas por empresários brasileiros, geiro ou nacional levará em conta as nas e sobre as possibilidades de novas
num cenário pós-Lava Jato, de desin- fontes de financiamento e custos e linhas específicas para o setor de infra-
vestimentos da Petrobras e de incen- prazos a elas associados. estrutura e de petróleo e gás. n
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 27
PORTOS E LOGÍSTICA

Campo para explorar


Empresas estudam soluções menos complexas que VTMIS e
miram terminais privados, enquanto não saem novos editais

Danilo Oliveira

O
sistema de gerenciamento se sistema, inédito no Brasil”, informa
e informação do tráfego de O governo tem planos o ministério.
embarcações (VTMIS) do A espanhola Indra afirma que não
Porto de Vitória (ES) está de implantar sistemas houve alterações de escopo nos con-
em fase de final de testes de operação menos complexos tratos dos projetos de implantação do
e será submetido à inspeção da Mari- VTMIS em Santos e Vitória. A empresa
nha até maio de 2017. De acordo com tecnologicamente informa que as instalações em Vitória
o Ministério dos Transportes, Portos em portos de menor estão concluídas e em fase de testes
e Aviação Civil (MTPAC), a expectati- dos sistemas, para iniciar a fase de
va para o Porto de Santos (SP) é que a movimentação operação assistida em 2017. “Uma vez
operação do sistema tenha início no de cargas iniciada esta fase, se realizam as apro-
segundo semestre de 2018. Enquanto vações e certificações finais por parte
o governo não lança novos editais, há da Marinha para que a Companhia
estudos sobre soluções menos com- de Docas do Espírito Santo (Codesa)
plexas que o VTMIS para portos com possa oficialmente ter sua operação
tráfego menos intenso e terminais de tráfego marítimo realizada pelo VT-
portuários privados, como o VTS (Ves- MIS”, conta o diretor de infraestrutu-
sel Traffic Service) e o LPS (Local Port ras da Indra no Brasil, Cristiano Alves
Service). de Oliveira.
Além dos sistemas VTMIS para os No Porto de Santos, a previsão é
portos de Vitória e Santos, licitados e de operação parcial no final de 2017
contratados, o MTPAC pretende lan-
çar o edital para instalação do VTMIS
em mais um porto, ainda a ser defi-
nido, no segundo semestre de 2017.
A Secretaria de Portos do Ministério
dos Transportes prevê o investimento
de R$ 77 milhões pelo Programa de
Aceleração do Crescimento, dentro do
ciclo plano plurianual 2016-2019. Para
2017, a perspectiva é de R$ 22 milhões
para as implantações.
A percepção de fornecedores de
equipamentos e sistemas é que o go-
verno demorou a lançar novos editais
do programa de VTMIS. O MTPAC ga-
rante que o orçamento não foi preju-
dicado pelos cortes orçamentários do
governo nos últimos anos e que o vo-
lume de recursos é o mesmo previsto
desde o início. “Quanto ao cronogra-
ma, alguns atrasos detectados não fo-
ram em decorrência do contingencia-
mento dos recursos, e sim em função
da complexidade de implantação des-
28 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
Edsom Leite/MT

O Ministério dos Transportes


pretende lançar edital para
instalação do VTMIS em mais
um porto no segundo semestre

e término das instalações completas


em 2018, a depender do planejamento
conjunto com a Companhia Docas do
Estado de São Paulo (Codesp). Segun-
do a Indra, o VTMIS de Santos iniciou
as obras da primeira estação remota ministério, por meio de sua assessoria. ta a implantação dos projetos VTMIS
na Ilha de Barnabé, dentro das locali- O MTPAC respondeu também que não no Brasil. A DHN da Marinha também
dades da Codesp. existem estudos para implantação do é incumbida de fazer a homologação
VTMIS em hidrovias brasileiras. para funcionamentos do sistema VT-
O governo também tem planos de Os estudos para implantação do MIS nos portos.
implantar sistemas menos comple- VTMIS nos portos brasileiros são de-
xos tecnologicamente em portos de senvolvidos pela Secretaria de Portos A Cash Computadores e Sistemas for-
menor movimentação de cargas. O do MTPAC. O órgão responsável pela neceu serviços e equipamentos para a
ministério diz que foram desenvolvi- aprovação dos projetos de implanta- montagem do centro de controle ope-
dos estudos de sistemas LPS para por- ção do VTMIS na Marinha é o Centro racional do tráfego marítimo (CCOTM)
tos com menor densidade de tráfego de Sinalização Náutica Almirante Mo- do Porto do Açu (RJ), cujo projeto teve
aquaviário. “Trata-se de um sistema raes Rego (CAMR), que faz parte de início em 2013. O pacote incluiu o Sis-
cuja complexidade de implantação é Diretoria de Hidrografia e Navegação tema de Tráfego Aquaviário (STAq),
menor que o VTMIS. O tempo necessá- (DHN), responsável por avaliar a con- desenvolvido pela própria Cash, além
rio para implantação e o custo do pro- formidade dos projetos com a Nor- de sistemas de identificação automá-
jeto, também são menores”, detalha o mam-26 — normativa que regulamen- tica (AIS), câmeras de monitoramento,
servidor e estação VHF — composta
por rádios de comunicação e sistema
de gravação.
Em 2014, um novo fornecimento
contemplou mais câmeras de moni-
toramento, rádios para transmissão
das imagens e um sistema híbrido
de geração de energia (eólica e solar)
para o conjunto de equipamentos.
Cada torre ou poste com uma câmera
de monitoramento foi equipado tam-
bém com um rádio para comunicação
da câmera com o centro operacional,
e a alimentação de energia para esses
equipamentos é proveniente de um
sistema híbrido (eólico e solar) de cap-
tação e fornecimento de energia.
Para atender à Normam-26, o Por-
to do Açu também adquiriu um radar
e uma estação base de AIS, todos inte-
grados ao STAq. Com isso, o Porto do
Açu teve seu sistema VTS homologado
pela Marinha no final de 2015. O STAq
continua sendo utilizado como ferra-
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 29
PORTOS E LOGÍSTICA

menta central na operação do porto e comboio precisará fazer em cada eclu- duto escalável e turn-key (instalação
a Cash tem um contrato firmado com sa. Com isso o sistema é capaz de gerar completa). Treinamento e operação
o Prumo Logística, responsável pelo filas de eclusagens por eclusa, além de também podem fazer parte do escopo,
complexo portuário e industrial, para uma fila consolidada, respeitando a or- caso o cliente faça essa opção”, destaca
suporte, manutenção e atualização dem de chegada e os critérios de prefe- o gerente de vendas da Transas no Bra-
desse sistema. rências. sil, Diego Tavares Bonfim.
A Cash, que desenvolve sistemas A Transas possui sistemas instala- Para o mercado portuário brasileiro,
para o segmento náutico desde 1996, dos em todos os continentes, sendo a uma das apostas é um software que in-
atua como fornecedora e integradora presença maior na Europa e Ásia. Na tegra em uma única interface os senso-
de equipamentos para a área portuá- América Latina, Argentina, Colômbia, res mais utilizados nesse tipo de siste-
ria. O Nasareh é um sistema para nave- Peru e Chile utilizam exclusivamente mas: estações meteorológicas, radares,
gação da Cash utilizado a bordo e que sistemas Transas em portos públicos e câmeras, comunicações, estações de
pode ser integrado com instrumentos privados. A empresa estima que tenha base, entre outros. Bonfim diz que a
de navegação, como GPS, AIS, sonda, 35% de participação no mercado VTS, Transas tem como marca registrada a
bússola digital, giroscópio e piloto au- observando esse sistema em nível glo- capacidade de customização do produ-
tomático. bal. “Atuamos em todos os níveis de to às necessidades do cliente. Segundo
A Cash acredita no desenvolvimen- VTS e sistemas de vigilância costeira ele, qualquer equipamento ou dados
to da tecnologia VTS nos portos e ter- para o segmento militar, com um pro- que o usuário deseje integrar à solução
minais portuários brasileiros. “Nossa
expectativa é boa, apesar da crise que
também afetou o setor, tanto públi-
co quanto privado. A possibilidade de
surgimento de novos terminais priva-
dos é real e isso poderá representar um
avanço da tecnologia de VTS no Brasil”,
projeta o diretor da empresa, Marcelo
Ribeiro.
Ele estima que, num prazo de cinco
anos, os portos e terminais portuários
que não tiverem um VTS começarão
a sofrer com restrições para o recebi-
mento de navios estrangeiros. O diretor
da Cash reforça que o uso da tecnolo-
gia gera benefícios e que portos e ter-
minais portuários precisam ter con-
dições de receber navios que exigem
a presença do VTS. Ribeiro acrescenta
que a solução oferecida pela Cash se
adequa a portos e terminais portuários
de qualquer porte. “Vencemos todas as Governo é trabalhado de forma detalhada e caso
licitações das quais participamos dire- a caso, o que habilita o cliente final a
tamente e individualmente para o for- garante que o usufruir do potencial de dados do setor
necimento deste tipo de solução, sendo
a maioria de empresas privadas”, conta.
orçamento não marítimo no auxílio à tomada de deci-
sões.
Ribeiro diz que o STAq também se foi prejudicado O software Navi-Harbour pode ser
adequa a hidrovias. Em 2015, a empre- ampliado ou reduzido a qualquer mo-
sa forneceu para a AES Tietê o STAq e pelos cortes mento com muito pouca ou nenhuma
um sistema customizado a ele integra- orçamentários intervenção. Bonfim diz que o cliente
do capaz de projetar, a partir de um é ensinado a configurar o sistema de
banco de dados do próprio sistema, os e que recursos forma completa, com total transfe-
horários de passagem de todas as em-
barcações e comboios comerciais que
são os mesmos rência de conhecimento e tecnologia.
Ele acrescenta que sistemas de peque-
transitam pelas cinco eclusas sob res- previstos no porte podem ser configurados em
ponsabilidade da AES Tietê. O sistema pouco tempo e, sem muitas modifica-
reconhece os tipos de embarcações, ções, tem opção de ser dimensionado
os trajetos de cada uma, e calcula as a um “Full VTS”. “Todos os nossos pro-
quantidades de eclusagens que cada jetos são definidos em conjunto com o
30 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
cliente, demonstrando o ajuste às ne- O conceito de Sistema de Geren-
cessidades dele”, comenta. ciamento do Tráfego de Embarcações
O serviço de tráfego de embarca- (VTMS) surgiu a partir da evolução
ções (VTS) é um auxílio eletrônico à tecnológica, dos antigos VTS, com a
navegação, com capacidade de prover incorporação de novos sensores aos
monitorização ativa do tráfego aqua- serviços. Atualmente, tal diferenciação
viário, cujo propósito é ampliar a se- não é mais necessária e o conceito de
gurança da vida humana no mar, a se- VTMS se confunde com o de VTS, po-
gurança da navegação e a proteção ao dendo ser utilizado tanto para se refe-
meio ambiente nas áreas com intensa rir a um VTS quanto a um VTMIS.
movimentação de embarcações ou ris- Além do Porto do Açu, existem 11
co de acidente de grandes proporções. portos autorizados a implantar o VTS:
O Sistema de Gerenciamento e In- Rio Grande (RS), Imbituba (SC), São
formação do Tráfego de Embarcações Francisco do Sul (SC), Itajaí (SC), Para-
(VTMIS) é uma ampliação do VTS, na naguá (PR), Santos (SP), Rio de Janeiro
forma de um sistema integrado de vi- (RJ), Itaguaí (RJ), Vitória (ES), Salva-
gilância marítima que incorpora ou- dor/Aratu (BA) e Fortaleza (CE). Po-
CRISTIANO ALVES
tros recursos de telemática, a fim de rém, apenas Vitória e Santos mantêm
Em Vitória, instalações estão
permitir aos serviços aliados e outras ações em curso para implantar um
concluídas e em fase de testes dos
agências interessadas o compartilha- tipo de VTS. Nos demais portos que
sistemas
mento direto dos dados do VTS ou o receberam a licença de implantação
acesso a determinados subsistemas, ainda não existem processos licitató-
para aumentar a efetividade das ope- rios em curso.
rações portuárias ou da atividade ma- Pelas regras da Organização Marí-
rítima como um todo. tima Internacional (IMO), o VTS não

Protect what’s most valuable


Harness the power of intuitive security.
Avigilon brings you technology that enables
more profitable decisions. From products
to customer service to innovative industry
breakthroughs, we’ve got the solutions
businesses trust when security matters.

• Open Video Management Software • Access Control


• Self-Learning Video Analytics • Storage Management
• Superior HD Cameras & Data Protection

Learn more at avigilon.com


PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 31
© 2017, Avigilon Corporation. All rights reserved. AVIGILON, the AVIGILON logo and TRUSTED SECURITY SOLUTIONS are trademarks of Avigilon Corporation.
PORTOS E LOGÍSTICA

no Brasil é manter a Normam-26 em


conformidade com as normas interna-
cionais, além de realizar intercâmbios
com centros VTS e autoridades por-
tuárias estrangeiras, para aproveitar
a experiência de pessoas que operam
o serviço há várias décadas e adquirir
conhecimentos a serem adotados nos
VTS nacionais.
A Indra acredita que fornecer esses
sistemas no Brasil demanda, do ponto
de vista técnico, a integração de todos
os sistemas com a operação já existente
e a logística em geral. Oliveira acrescen-
ta que fatores econômico-financeiros
também requerem atenção especial,
principalmente pela variação cambial
que dificulta a previsibilidade de recur-
sos para um programa desse porte, que
é um item obrigatório. Mesmo assim, tem seu tempo de projeto e implanta-
de acordo com a DHN, atualmente Para fornecedores ção.
existem mais de 500 VTS operando no de equipamentos Para Oliveira, é possível realizar pro-
mundo. O número cresce na propor- jetos de forma adequada ao tamanho
ção em que aumenta a necessidade de e sistemas, da operação de cada porto, porém com
medidas de proteção e controle do trá-
fego marítimo, que visam reduzir a pro-
governo demorou o devido cuidado de manter o atendi-
mento das normativas nacionais e in-
babilidade de acidentes, buscar maior a lançar novos ternacionais. Ele explica que um dos
eficiência, reduzir custos e proporcio- custos mais relevantes é o de infraes-
nar proteção do meio ambiente. editais do VTMIS trutura das estações remotas, que pode
Na visão da DHN, o principal desafio ser simplificado em portos de menor
é conscientizar os gestores portuários porte dependendo da localização do
da necessidade de investimento em se- radar, pois quanto mais próximo a áre-
gurança, apesar do cenário econômico as com disponibilidade de energia e
adverso. “A contabilização dos gastos comunicação, menor o custo do inves-
decorrentes de um acidente marítimo timento.
supera consideravelmente os gastos Para portos de menor porte existem
com a implantação de medidas para soluções mais adequadas em termos
reduzir os riscos inerentes no acesso operacionais e de custos do que o VTS.
aos portos, podendo inviabilizar a ope- De acordo com a Normam-26/DHN, o
ração de um terminal por período con- LPS é um serviço aplicável a um termi-
siderável e causar prejuízos incalculá- nal portuário onde, como conclusão de
veis”, informa a DHN. estudo preliminar realizado a partir do
A Normam-26 da DHN foi revisada volume de tráfego e avaliação de risco
nos anos de 2015 e 2016 e, de acordo formal, foi identificada que a implanta-
com a diretoria, encontra-se em con- ção de um VTS é uma medida excessiva
formidade com as práticas adotadas a ou inadequada, consideradas as espe-
nível mundial. A DHN esclarece que, se cificidades do porto e os custos de im-
julgado necessário, uma nova revisão plantação envolvidos.
da norma poderá ser publicada futu- O LPS, diferentemente do VTS, não
ramente, motivada pela entrada em vi- necessita ter capacidade e/ou meios
gor da nova edição do manual de VTS para responder ao desenvolvimen-
da Associação Internacional de Sinali- to de situações de trânsito e interagir
zação Marítima (IALA) e pelos ensina- com o trafego marítimo. Além disso,
mentos colhidos na condução dos pro- MARCELO RIBEIRO não obriga a gerar e gravar imagens do
cessos de implantação do VTS no país. Possibilidade de surgimento tráfego de navios no LPS e há menor
A DHN entende que um dos desa- de novos terminais privados abrangência no treinamento para seus
fios para padronizar a operação do VTS é real operadores. Segundo a DHN, o LPS é
32 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
uma ferramenta que, quando implan- possível com monitoramento ativo do tação do VTS porque o sistema evita
tado, tem como foco melhorar a coor- tráfego aquaviário. Nas operações ini- prejuízos e demurrage (sobrestadia),
denação dos serviços portuários, por ciais no empreendimento o CCOTM além de ser um diferencial para a se-
meio da disseminação de informações atuava como um LPS, cujo foco era o gurança marítima. Ele cita a redução
voltadas principalmente para a gestão atendimento das demandas associa- nas invasões por barcos de pesca e a
do porto. das ao volume de tráfego existente à identificação das embarcações que
época de sua implantação. causam danos à sinalização náutica.
A Prumo Logística avalia que a im- A mudança do LPS para VTS foi im- O VTS permite acompanhar em tempo
plantação de um centro VTS em um pulsionada pelas características do real os parâmetros operacionais ratifi-
porto relativamente novo mostrou que porto como: grande profundidade; cados pela autoridade marítima e oti-
é possível alcançar a excelência com ampla extensão de cais e retroárea; e mizar as janelas de manobras.
objetivos e metas bem definidos, des- proximidade dos poços da Bacia de Ele diz que o VTS foi importante
de a preparação da mão de obra local, Campos, responsável por 80% do pe- para reduzir a apólice de seguro do
sem conhecimentos prévios de nave- tróleo produzido no país. Este último porto e adianta que o próximo marco a
gação, até o delineamento dos equipa- item impacta no tempo de viagem e ser alcançado pelo sistema VTS no Açu
mentos que atendessem às necessida- no gasto de combustível das embar- é a ascensão do serviço de informação
des do tráfego local. A empresa diz que cações. “Prevendo elevado volume (INS) para serviço de organização de
as ações instigaram soluções criativas de tráfego e vasta gama de usuários, tráfego (TOS). “Por ser o mais elevado
e comprometimento das equipes en- o Porto do Açu buscou tecnologias e dos serviços prestados por um VTS, o
volvidas. investiu em profissionais qualificados, TOS será relevante no incremento da
O coordenador do Centro VTS do conduzindo processos ajustados para densidade de tráfego do porto, onde
Porto do Açu, Valter Barbosa, afirma necessidades operativas”, aponta. proverá informações essenciais e tem-
que garantir a segurança e a eficiência Barbosa diz que não há como ficar pestivas para assistir os processos de
do tráfego de embarcações, bem como indiferente à otimização das opera- tomada de decisão a bordo”, explica.
a proteção do meio ambiente, só seria ções portuárias depois da implan- A Transas enxerga um horizonte de

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 33


PORTOS E LOGÍSTICA

oportunidades para profissionais e se nortearam na aquisição de simula- tam os custos de implantação e opera-
empresas especializados nesse tipo de dores e na preparação de uma infraes- ção. A FHM ressalta que o primeiro VTS
tecnologia. Para Bonfim, fornecedores trutura adequada para recebê-los. do país foi instalado por um terminal
de eletrônica marítima e pessoal habi- A fundação tem um simulador de portuário privado.
litado e capacitado para instalar e gerir VTS integrado a outros simuladores, Braga enxerga horizonte de oportu-
sistemas de manutenção apropriados como terminal de petróleo, controle nidades nos próximos anos para pro-
a esse tipo de projeto complexo serão de derramamento de óleo, navegação, fissionais especializados em VTS. Ele
bastante demandados. posicionamento dinâmico. “Podemos destaca que alguns portos brasileiros
O gerente de vendas da Transas ain- simular uma operação portuária com- vão num futuro próximo implementar
da observa dificuldade para encon- pleta, com todos os seus desdobra- o sistema e acrescenta que os profissio-
trar profissionais capacitados a gerir a mentos, envolvendo inclusive as prati- nais interessados nessa área terão pla-
manutenção de sistemas complexos cagens e o representante da autoridade nos de carreira. “Já evidencia que esses
e completamente integrados como o marítima”, explica o diretor-superin- centros de VTS precisarão constituir
VTS. “Talvez não por falta de profissio- tendente, Odilon Braga. equipes, já que primeiro os profissio-
nais, mas por certificação e capacita- A FHM afirma que todos os supervi- nais passam por cursos para se torna-
ção adequada a uma resposta no tem- sores e operadores de VTS existentes no rem operadores VTS e depois, realizan-
po adequado e requerido pelo cliente”, Brasil são formados pela FHM. A fun- do outros cursos e atendendo certos
analisa. dação acredita que os investimentos requisitos, tornam-se supervisores VTS,
Bonfim conta que a empresa ten- necessários serão feitos porque, com a podendo chegar à função de controla-
ta minimizar ao máximo o tempo de entrada dos centros de VTS em opera- dor VTS”, diz.
resposta com acesso remoto seguro ção, os benefícios certamente suplan- A FHM entende que todos os grandes
ao sistema e a seus componentes. Por portos brasileiros deveriam implantar
vezes, um técnico se faz necessário pre- o VTS, entre eles os portos do Rio de
sencialmente. “Enxergamos isso como Janeiro, Itaguaí, Paranaguá e Ponta da
uma grande oportunidade de parcerias Madeira. Como a instalação do VTS
com nossos fornecedores de equipa- Em Santos, pressupõe a instalação de sensores
mentos”, projeta. ambientais, a FHM adota decisões ba-
A Indra acompanha outras oportuni- a previsão é seadas em dados em tempo quase real.
dades ligadas ao VTMIS e ao programa de operação Tais dados possibilitam o uso de ferra-
Cadeia Logística no Brasil. A empresa mentas de suporte à decisão, como si-
aumentou a capacidade de sua equipe parcial em 2017 mulações, o que acaba por resultar em:
técnica de engenheiros e consultores
no Brasil. “Os projetos de fornecimen-
e término das recebimento de navios maiores. Outros
benefícios são: o uso mais prolongado
to dos VTMIS nos deram oportunidade instalações da infraestrutura (janelas de maré, ope-
de nos reforçarmos, tanto pelo trabalho ração sob condições adversas) e o uso
conjunto com as equipes de engenha- em 2018 mais intenso da infraestrutura, com o
ria que temos em outros países, como aumento da movimentação de cargas.
pelo trabalho conjunto com os profis-
sionais da Codesp e Codesa”, ressalta.
Nos projetos de Santos e Vitória,
a equipe da Indra também contribui
para a operação assistida com alto nível
técnico e de conhecimento embarcado,
a fim de dar mais segurança e eficiência
na utilização do sistema. Oliveira des-
taca que a participação dos controlado-
res oficiais da Codesp e Codesa agregou
valor ao projeto por sua experiência e
seu conhecimento das normas nacio-
nais e internacionais que regram esse
tipo de operação e sistema.
A Fundação Homem do Mar (FHM)
e a Shelter (Consultoria Marítima e Cur-
sos Offshore) continuam sendo as duas
únicas instituições do Brasil credencia-
das pela Marinha para treinamentos na
área de VTS. Os investimentos da FHM
34 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
O VTS depende de contínua avalia- barômetro, piranômetro para medição As torres abastecerão a central com
ção de sua eficiência, da adequabili- de radiação solar e medidor de umidade dados sobre a localização e movimen-
dade de seus sensores, de seus proce- relativa), antena de comunicação para tação de embarcações. Cada uma das
dimentos. Braga explica que, se muda transmissão dos dados e gerador elétrico. torres terá um radar, uma câmera de
a intensidade do tráfego, fruto de no- A instalação da estação Delta, loca- alta definição e um transponder AIS,
vas linhas, de uma dragagem e/ou do lizada na Ilha Barnabé, já foi iniciada, que recebe sinais enviados obrigato-
aquecimento da economia, pode haver enquanto as demais, localizadas em riamente pelos navios. Como a maior
a necessidade de novos sensores ou de área de terceiros passaram por serviço parte dos barcos pequenos não emite
mais operadores. “Se no decorrer de de sondagem de solo, já concluídos, e sinais de transponder, a tarefa do ra-
um ano de operação o porto decidir seguem cronograma para instalação. O dar será identificar estas embarcações
oferecer serviço de organização do trá- processo demandou tratativas para au- menores até um metro quadrado de
fego, será preciso uma nova avaliação torizar a implantação. área.
de riscos, novas simulações e novo trei- O monitoramento de tráfego é re- A câmera inteligente apontará au-
namento”, ressalta. alizado através do rastreamento dos tomaticamente para o alvo localiza-
navios, previsão de rotas, inclusive em do pelo radar. A utilização do sistema
Em fevereiro, durante as comemora- casos de perda de sinal, rastro histórico permite ainda o aprimoramento da
ções dos 125 anos do Porto de Santos,
foi inaugurado o centro de controle do Edsom Leite/MT

VTMIS (CCVTMIS). O conjunto de in-


formações gerado pelo novo sistema Ainda não há estudos
permitirá a gestão eficiente do canal de para implantação do
navegação para acesso ao porto. O pré- VTMIS em hidrovias
dio foi reformado pela Codesp e dispõe
de dois pisos com seis salas destina-
das a operação do sistema, supervisão
de manutenção, servidores de rede de
computadores, gerador de energia e
duas reservadas para o setor de meio
ambiente e para treinamento e situa-
ções de crise.
O software de controle e operação do
VTMIS está instalado, para que os ope-
radores se aprimorem para a operação
real assim que for estabelecida a cone-
xão de dados com as estações remotas.
Em fevereiro, dez funcionários atua-
vam no centro de controle.
O sistema VTMIS opera a partir de
dados colhidos por quatro estações re- de movimentação, alertas de segurança gestão das operações portuárias a par-
motas dispostas em torres distribuídas acionados em casos de intrusões a áre- tir do monitoramento permanente da
de forma estratégica na região, situadas as não autorizadas, movimentação não movimentação de chegada, atracação
na Ilha da Moela (estação Alfa), na Pon- autorizada e riscos de acidentes, além e saída do navio, registros das viagens,
ta do Itaipu (estação Bravo), nas insta- de missões de rastreamento de embar- incidentes de navegação, comparação
lações do Salvamar em Guarujá (esta- cações. O CCVTMIS conta com antena de documentação, previsão de horá-
ção Charlie) e na Ilha Barnabé (estação VHF para comunicação com as embar- rios, informações sobre cargas perigo-
Delta), que abrangem toda a área do cações e receberá dados das torres de sas e emissão de relatórios.
porto organizado, estendem o alcance monitoramento, das estações meteoro- O diretor-presidente da Compa-
a até 12 milhas a partir da boia 1 e en- lógicas e dos sensores oceanográficos. nhia Docas do Estado de São Paulo
globam as seis áreas de fundeio de na- A estação meteorológica servirá (Codesp), Alex Oliva, destacou que a
vios destinados ao Porto de Santos. para monitoração de intempéries e o implantação do VTMIS representa um
As estações são dotadas de radar marégrafo, para identificar os movi- marco de aprimoramento tecnológico
banda X, câmeras dia e noite de longo mentos de preamar (maré alta) e bai- a serviço do tráfego de embarcações.
alcance, câmera de circuito fechado, xa-mar no canal. Assim, os operadores “Temos certeza de que nosso sistema
equipamentos meteorológicos (visibi- da central poderão estimar de forma se consolida com uma referência não
límetro, anemômetro e anemoscópio mais precisa a profundidade de cada só para a América Latina, mas para
para velocidade e direção do vento, berço do cais e auxiliar os navios no qualquer porto do mundo”, afirmou
pluviômetro, termômetro de ambiente, momento da atracação. Oliva. n
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 35
PORTOS E LOGÍSTICA

RB Fotografia
damento da Pandenor com Suape foi
renovado por mais 25 anos e expira em
janeiro de 2044. O contrato atual ven-
ceria em 2019.
“Vamos investir R$ 70 milhões nes-
sa ampliação, o que vai nos permitir
modernizar e otimizar o terminal para
atender à crescente demanda do mer-
cado interno”, explicou Paulo Perez
Filho, superintendente da Pandenor.
Durante a fase de obras, serão gera-
dos cerca de 200 empregos e outros
40 devem ser contratados para ope-
rar os novos tanques. Inaugurado em
2000, o terminal é alfandegado, o que
possibilita a importação e a expor-
tação de granéis líquidos, que são as
cargas mais movimentadas em Suape.
Em 2016, 17,28 milhões toneladas de
granéis líquidos passaram pelo porto,
registrando um aumento de 21,8% em
comparação com 2015. Suape é líder
nacional na movimentação dessa car-
Suape ga entre os portos públicos.
Em 2016, o Porto de Suape “Os terminais de granéis líquidos e
R$ 4 mi na manutenção movimentou 22,74 milhões gases do Porto e a Rnest são respon-
de toneladas sáveis por 76% de toda movimentação
da portuária de Suape. Essa ampliação da Pandenor
vai nos ajudar a aumentar ainda mais
O Complexo Industrial Portuário elétrica consumida e seu uso eficiente. as operações dessas cargas, consoli-
de Suape está investindo R$ 4 mi- O processo de manutenção está di- dando Suape como um hub port de
lhões para a realização de serviços vidido em etapas. Após a definição do granéis líquidos do Brasil”, comentou
de manutenção preventiva, preditiva planejamento semanal pelo Comitê Paulo Coimbra, diretor de Gestão Por-
e corretiva nas estruturas mecâni- de Manutenção, a empresa contra- tuária de Suape. Atualmente, a Pande-
cas e elétricas do Porto de Suape. Os tada executa os serviços que assegu- nor armazena gasolina, diesel, etanol,
serviços têm por objetivo melhorar ram, prioritariamente, o atendimento biodiesel e querosene de aviação. Em
ainda mais o desempenho do porto às demandas da operação portuária e 2016, o terminal foi responsável pela
diante do crescente aumento na mo- àquelas relacionadas às questões de movimentação de 416,9 mil toneladas
vimentação de cargas. Durante o ano segurança das instalações. desses combustíveis no porto per-
de 2016, o atracadouro movimentou nambucano.
22,74 milhões de toneladas, regis- Pandenor O terminal da Pandenor está co-
trando um crescimento de 15% em nectado ao Píer de Granéis Líquidos
relação a 2015. Iniciada ampliação no 1 (PGL 1) do Porto de Suape através
Toda a estrutura mecânica e elétri- de duas linhas de aço carbono, com
ca do porto organizado de Suape está Porto de Suape condição de carga e descarga numa
sendo contemplada nesses serviços, vazão de 750 metros cúbicos/hora.
incluindo limpeza, jateamento, pin- A empresa Pandenor Importação e O píer tem 330 metros de extensão e
tura, ajustes e demais correções em Exportação, localizada no Porto de Sua- dois berços para navios de 200 metros
boias de sinalização, defensas portu- pe, está construindo oito novos tanques de comprimento. Em ambos, podem
árias, guarda-corpos, passarelas, esca- de armazenagem de granéis líquidos, atracar navios de 45 mil toneladas por
das, trilhos, cabrestantes e demais ele- para aumentar sua capacidade em 60 porte bruto. O terminal tem capaci-
mentos mecânicos. Já na área elétrica, mil metros cúbicos. Após a expansão, o dade para carregar simultaneamente
estão sendo contemplados os serviços terminal da Pandenor terá capacidade até 12 caminhões tanques com vazão
de organização de cabeamentos, subs- para armazenar 122 mil metros cúbicos constante de 1,6 mil metros cúbicos/
tituição de eletrodutos, troca de lâm- de combustíveis líquidos. As obras já hora e descarregar até três caminhões
padas e reatores e uma inspeção pro- foram iniciadas e devem ser concluídas a uma vazão de 210 metros cúbicos/
funda quanto à qualidade da energia em julho de 2018. O contrato de arren- hora.
36 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
UMA MÁQUINA EFICIENTE
É MAIS QUE SUFICIENTE
ALCANCE DE ATÉ 37M

VISIBILIDADE
PERFEITA EM TODAS
AS SITUAÇÕES

MANTSINEN 200 ES
SISTEMA DE ECONOMIA DE
ENERGIA HybriLift®: ATÉ 35% HybriLift®
MENOS DE CONSUMO POTÊNCIA E RAPIDEZ PARA UMA

35 %
PRODUTIVIDADE SUPERIOR

MANUSEIO EFICIENTE DE TODOS


OS TIPOS DE CARGAS EM NAVIOS VISITE-NOS NO
ATÉ O TAMANHO PANAMAX INTERMODAL
STAND 8-123 NA
A NOS DIAS
SOUTH AMERIC
2017
4-6 DE ABRIL DE
ca,
ional de Logísti
Feira Internac s e
Carga
Transporte de
Com ércio Exterior
Expo Center,
Transamerica
São Paulo

Oferecemos soluções inovadoras para os portos do futuro. A base do


desenvolvimento dos nossos guindastes é a nossa própria experiência como
operador: as máquinas da Mantsinen são fabricadas de um usuário para outro.

Mantsinen Group Ltd Oy | Finlândia | Tel: +55 11 998 757 662 | samuli.seilonen@mantsinen.com
PORTOS E www.mantsinen.com
| NAVIOS MARÇO 2017 37
PORTOS E LOGÍSTICA

Resultado
esperado
Retração na economia leva portos
a perder 1% de cargas em 2016.
Cabotagem melhora 0,8%

O
s portos brasileiros movi- os portos públicos viram a movimen- período 2015/2016. Petróleo, bauxita e
mentaram 998.068.793 to- tação encolher 2,5% — foram 343 mi- contêineres foram as principas cargas.
neladas em 2016, 1% me- lhões de toneladas em 2016 e 351 mi- Foram movimentadas 210,7 milhões
nos mercadorias do que em lhões de toneladas em 2015. de toneladas em 2015 e 212,4 milhões
2015. O desempenho está registrado O longo curso movimentou menos em 2016.
no Anuário elaborado pela Agência 1,7% em 2016. Os TUPs responderam A navegação interior perdeu 1,5%
Nacional de Transportes Aquaviários por 63% e os portos públicos, 37% do de suas cargas em 2016 (83,8 milhões
(Antaq) 2016, recém-divulgado. Os total. Em 2015, 754,1 milhões de tonela- de toneladas) em relação a 2015 (85,1
terminais privados (TUP) sofreram das passaram pelos portos brasileiros no milhões de toneladas). Mas apre-
retração de 0,25% — movimentaram longo curso e em 2016, 741,5 milhões. senta resultado positivo no perío-
655 milhões de toneladas em 2016 e A cabotagem apresentou resultado do 2010 a 2016, com incremento de
657 milhões de toneladas em 2015. Já positivo, com 0,8% de acréscimo no 11,3%.

Produtividade média contêiner - unid/h Santos - Terminais mais produtivos - unid/h

Fonte: Antaq
38 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
Portos organizados - movimentação 2016 Os TUPs aumentaram a parti-
cipação no total de contêineres
que passaram pelos portos bra-
sileiros. Passaram de 26,5% em
2015 para 30% do total em 2016.
O Porto de Santos segue na li-
derança da movimentação dos
contêineres, com 32 milhões de
toneladas, mas o resultado é 5,4%
pior do que o do ano anterior. O
terminal Portonave ultrapassou
o Porto de Paranaguá e se tor-
nou o segundo movimentador de
contêineres em 2016. O terminal
localizado em Navegantes (SC)
Fonte: Antaq
movimentou 9,7 milhões de to-
neladas, um aumento de 27,2%
em volume. O terminal Embra-
port, localizado em Santos (SP),
Terminais de uso privado - movimentação 2016 e o Porto Itapoá (SC) também
obtiveram resultados positivos.
O Embraport, na quinta posição,
movimentou 6,7 milhões de to-
neladas, mais 17,2% do que em
2015. Já Itapoá, sexto da lista da
Antaq, movimentou 6,3 milhões
de toneladas, ou mais 0,1% que
em 2015.
Os Portos de Paranaguá (PR) e
Rio Grande (RS), terceiro e quar-
tos colocados em movimentação
de contêineres em 2016, tiveram
queda de 5,4% e 0,7% respectiva-
mente. Paranaguá movimentou
8,2 milhões de toneladas e Rio
Fonte: Antaq Grande, 7,3 milhões.
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 39
PORTOS E LOGÍSTICA

Dentre os terminais de contêine-


res localizados em Santos, somente o
Embraport melhorou a produtividade. Para a ABTP,
O terminal alcançou a marca de 88,8
movimentos/hora, ultrapassando o Te- portos podem
con Santos, que apresentou queda na
produtividade, com a média de 82,9 mo- se recuperar
vimentos/hora. O terminal BTP e o T-35
também tiveram desempenho aquém em 2017
do que haviam alcançado em 2015. Em

O
2016, suas médias foram de 72,8 e 65,9 s portos recuaram
movimentos/hora respectivamente. menos que o PIB
brasileiro e mos- ABTP calcula em R$ 25 bilhões os
Arnaldo Alves
tram como são cen- investimentos possíveis
trais no processo de recupera-
ção da economia brasileira. A
afirmação é do presidente da Asso- ça a expansão de terminais e enrijeça a
ciação Brasileira dos Terminais Por- expansão de áreas nos portos.
tuários (ABTP), Wilen Manteli, para Além disso, o excesso de burocra-
quem os portos podem se tornar uma cia e de intervenção estatal nos por-
poderosa alavança de desenvolvi- tos imprime pouca flexibilidade para
mento. Mas para isso, defende Man- adaptações simples a contratos de ar-
teli, o país teria de reduzir a excessiva rendamento, não permite reorganiza-
presença do Estado no setor. ção eficiente da área dos portos, torna
Desde outubro de 2016, entidades lenta a emissão de documentação e
Foram movimentadas 628,7 milhões
empresariais do setor portuário têm priva o setor de mecanismos para in-
de toneladas de granéis sólidos
debatido com o Ministério dos Trans- vestimentos na infraestrutura comum.
portes, Portos e Aviação Civil (MTPAC) “Não estamos demandando recur-
Os granéis sólidos, campeões absolu- medidas que poderiam destravar R$ 25 sos. O que pedimos é a reorientação
tos, movimentaram menos 0,7% tone- bilhões no curto e médio prazos. Pelos das políticas do setor para que essas se
ladas em 2016, somando 628,7 milhões. cálculos da ABTP, são R$ 13 bilhões em tornem a favor da livre iniciativa, libe-
O minério de ferro aumentou 3,1% em novos arrendamentos, R$ 4 bilhões nas ralizante e pragmática. É disso que o
tonelagem (376 milhões). Os granéis prorrogações e adaptações de contra- Brasil precisa neste momento de crise”,
líquidos refluíram 3,8%, totalizando tos, R$ 6 bilhões em novos terminais explica Manteli.
218 milhões de toneladas. Menos 3,8% privados e R$ 2 bilhões em investi- Para a ABTP, é certo que os portos
combustíveis passaram pelos portos em mentos de infraestrutura comum que avançaram muito, principalmente a
2016 (223 milhões de toneladas). Carga podem se tornar mais ágeis com capi- partir de 1993. O marco regulatório do
geral teve resultado positivo, adicionan- tal privado. setor vigente, a Lei n. 12.815, de 2013,
do 7,2% mais carga em 2016, ou 51,3 As primeiras medidas mapeadas pe- também trouxe conquistas. O anuá-
milhões de toneladas. Os terminais mo- las entidades têm foco no curto prazo. rio da Antaq divulgado recentemente
vimentaram menos 0,5% contêineres Elas sugerem mudanças no marco in- mostra, por exemplo, o papel impor-
— 100,1 milhões de toneladas. fralegal do setor, com a revisão do de- tante dos terminais de uso privado,
A Antaq destaca o forte incremento creto 8.033, de 2013, que regulamentou que movimentaram 66% das cargas no
da soja e milho no Arco Norte. De 2011 a Lei dos Portos. “São ações simples e país no ano passado - os portos organi-
a 2016, a região foi responsável pelo de rápido impacto que vão aumentar zados ficaram com 34%.
acréscimo de 88,5% no total de soja a eficiência das operações portuárias, Em relação às mercadorias, o le-
movimentado e de 174,8% de milho. fomentar investimentos privados nos vantamento da Antaq destaca os mi-
O número de atracações nos portos terminais portuários e melhorar a efi- nérios, com 418 milhões de toneladas
também caiu, uma redução de 7,5% ciência na gestão dos portos organi- movimentadas, aumento de 2,7% na
em relação a 2015, ficando com 54.973. zados”, explica o diretor-presidente da comparação com 2015. Também
O Porto de Santos recebeu o maior ABTP. houve aumento na movimentação
número de navios, 4.520 atracações, Para a associação, a rigidez regulató- de açúcar (9,2%), adubos (19,3%) e
contra 4.720 em 2015. Em seguida na ria sobre o setor portuário faz com que celulose (31,3%). O ponto negativo
estatística, Paranaguá recebeu 1.909 o país perca investimentos, aproveite foi a movimentação de cereais (gru-
navios em 2016 e 1.897 em 2015. Ita- mal os ativos públicos, conduza pro- po que inclui o milho), com queda
guaí (RJ) contou com 737 atracações cessos licitatórios inadequados, impe- de 30,6%.
em 2016 e 762 em 2015. n
40 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
ANTECIPE
SUA CREDENCIAL
GARANTA SUA VAGA
NA INTERMODAL 2017
Aproveite o início do ano
para planejar a sua visita
O maior evento das américas nos setores de
logística, transporte de cargas e comércio exterior
A Intermodal 2017 está te esperando

Feira Internacional de Logística,


Por que visitar? Transporte de Carga e Comercio Exterior

• 45.451 participantes no evento durante os 3 dias,


vindos de 60 países, sendo 16 da América Latina
e 26 estados brasileiros
23a edição
• Maiores players dos setores presentes:
mais de 600 marcas nacionais e internacionais 4 a 6 de abril de 2017 - 13h às 21h
Transamerica Expo Center - São Paulo - Brasil
• Melhor ambiente para networking, 80% dos expositores
Realização
fazem novos contatos de negócios Organiser

Projete mais sucesso em 2017


venha para a Intermodal

Credencie-se agora
credenciamento on-line gratuito

intermodal.com.br Patrocínio
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 41
CALENDÁRIO

BRASIL | 2017 EXTERIOR | 2017 Nor Shipping 2017


30 de maio a 2 de junho – Oslo, Noruega –
Abr Mar www.messe.no/norshipping
22º Intermodal South America Panama Maritime - XIII World Conference &
4 a 6 de abril – São Paulo (SP) – <www. Exhibition Jun
intermodal.com.br> 12 a 15 de março - Cidade do Panamá, Panamá Seawork 2017 - Commercial Marine &
- www.panamamaritimeconference.com Workboat Exhibition & Conference
LAAD Defense & Security 13 a 15 de junho - Southhampton, UK -
4 a 7 de abril - Rio de Janeiro (RJ) - <www. Breakbulk China www.seawork.com
laadexpo.com> 13 a 16 de março - Shanghai, China - <www.
breakbulk.com> First World Congress on Condition
Mai Monitoring
Ecobrasil – 13º Seminário Nacional sobre Intermodal Asia 13 a 16 de junho - Londres, UK - <www.wc-
Indústria Marítima e Meio Ambiente 21 a 23 de março - <www.intermodal- cm.org>
4 e 5 de maio – Tel: (21) 2283-1407 - <www. asia2017.com>
portosenavios.com.br/ecobrasil> Set
Corrosion Conference & Expo 2017 Breakbulk Southeast Asia
Expomafe – Ferramentaria e Automação 26 a 30 de março - New Orleans, EUA - <www. 4 a 6 de setembro – Kuala Lumpur, Malásia -
Industrial nacecorrosion.org> www.breakbulk.com
8 a 12 de maio – São Paulo (SP) – <www.
informagroup.com.br/expomafe> Abr SPE Offshore Europe 2017
MCE Deepwater Development 2017 5 a 8 de setembro - Aberdeen, UK - <www.
Coteq 2017 - Conferência sobre Tecnologia 3 a 5 de abril – Amsterdã, Holanda – <www. offshore-europe.com.uk>
de Equipamentos mcedd.com>
15 a 18 de maio - Rio de Janeiro (RJ) - Intermodal Expo
<www.coteq.org.br> Europort Turkey 17 a 19 de setembro – California, EUA –
5 a 8 de abril – Tuzla, Turquia – <www. <www.intermodal.org>
CeMAT South America europort.nl>
16 a 19 de maio - São Paulo (SP) - Tel: (41) NEVA 2017
3122-6700 - <www.cemat-southamerica.com. Breakbulk Russia 19 a 22 de setembro - São Petesburgo, Rússia
br> 18 a 20 de abril - Moscou, Russia - <www. - www.neva2017.com
breakbulk.com>
Jun Out
Feimafe - 15º Feira Internacional de Breakbulk Europe INMEX SMM India 2017
Máquinas - Ferramenta e Sistemas 24 a 26 de abril – Antuérpia, Bélgica – <www. 3 a 5 de outubro – Mumbai, India – <www.
Integrados de Manufatura breakbulk.com> inmex-smm-india.com>
20 a 24 de junho - São Paulo (SP) - <www.
feimafe.com.br> Sea Asia 2017 Breakbulk Americas
25 a 27 de abril - Marina Bay Sands - 17 a 19 de outubro - Houston, EUA - <www.
Brasil Offshore Singapura - www.sea-asia.com breakbulk.com>
20 a 23 de junho – Macaé (RJ) - <www.
brasiloffshore.com> Mai Nov
Offshore Technology Conference Europort 2017
Ago 1 a 4 de maio - Houston, EUA - www.otcnet.org 7 a 10 de novembro – Roterdã, Holanda –
Marintec South America 2017 www.europort.nl
15 a 17 de agosto – Rio de Janeiro (RJ) - Tel: Intermodal Operations & Maintenance
(11) 4878-5911 - info@marintecsa.com.br - Business Meeting Dez
www.marintecsa.com 2 a 4 de maio – Illinois, EUA - <www. Marintec China 2017
intermodal.org 5 a 8 de dezembro - Shanghai, China - <www.
Out marintechina.com>
Movimat Transport Logistic
16 a 19 de outubro – São Paulo (SP) – <www. 9 a 12 de maio - Munique, Alemanha – <www. EXTERIOR | 2018
movimat.com.br> transportlogistic.de/en>
Mar
OTC Brasil Tugnology ’17 Interspill 2018
24 a 26 de outubro – Rio de Janeiro (RJ) – 23 e 24 de maio - Roterdã, Holanda - sales@ 13 a 15 de março – Londres, Inglaterra –
www.otcbrasil.org tugandosv.com - www.tugandosv.com www.interspill.com

42 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017


CENÁRIOS

Notícias da batalha

Ivan Leão*

A
batalha do conteúdo local chegou ao O caso ainda pendente para o waiver de Li-
fim na fase da definição para a 14ª bra refere-se à maximização do lucro.
rodada de licitações de petróleo e O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP),
gás. Prossegue na isenção da multa apresenta na sua página na internet o gráfi-
(waiver) por não cumprimento do conteúdo co da evolução do preço do petróleo, acima
local para a plataforma de produção de Libra, de US$ 55 o barril em 2017 e projetando, até
com audiência pública marcada pela ANP para 2020, de US$ 55,7 na hipótese mais conserva-
30/3/2017. O único vencedor é o desejo do go- dora e US$ 79 o barril na previsão da Interna-
verno de atrair investimentos das petroleiras. tional Energy Agency (IEA).
O Ministério de Minas e Energia e o Minis- O vice-presidente da Deloitte, John En-
tério de Indústria, Comércio Exterior e Servi- gland, em evento para executivos e associa-
ços definiram os índices de conteúdo local dos do IBP, no início de fevereiro, informa que
para produção de petróleo em alto-mar: 18% as petroleiras aprenderam a lidar com o atual
na fase de exploração; 25% na fase de desen- patamar de preços e hoje há um otimismo
volvimento (perfuração de poços); 40% na fase no mercado. É uma afirmação que enfatiza a
submarina de escoamento; 25% para as plata- visão técnica do Consórcio de Libra, ao reco-
formas estacionárias de produção. nhecer que as petroleiras já trabalharam com
A indústria local, representada pela Produz preços do barril do petróleo inferior a US$ 30,
Brasil por intermédio de 14 instituições de em 2004.
classe, informa sua insatisfação. Os índices de Em entrevista em Londres, a petroleira
25% de conteúdo local se aplicam à constru- portuguesa Galp informa aumento de 48%
ção de plataformas de produção de petróleo da sua produção mundial de petróleo em
em alto-mar, onde se concentra a maior par- 2016, 60% obtidos no Brasil. Nos campos em
cela dos fornecimentos. Haverá impacto para que participa com a Petrobras, quatro plata-
uma estrutura local de fornecimento que re- formas de petróleo entraram em produção,
alizou com sucesso a integração de módulos, com integração de módulos realizadas local-
com prazo e preço. mente, duas no estaleiro Brasa, para a SBM, e
Examinando bem, é uma batalha sem ven- duas com integração de módulos no estaleiro
cedores. Como fato positivo fica a demonstra- BrasFELS, para a Modec.
ção de que a indústria é capaz de mobilização. A Modec estima, em apresentação sobre o
Mas o resultado demonstra que a competitivi- mercado mundial de plataformas, uma de-
dade da indústria é uma questão ainda a ser manda de 30 unidades: 10 na África; 10 na
endereçada. A reação foi tardia ante a decisão Ásia-Pacífico; sete no Brasil; três no Golfo do
anunciada em 2015 de contratar as próximas México. Portanto, é importante que a indús-
plataformas no exterior. As petroleiras foram tria local permaneça com contratos para re-
beneficiadas pela situação em que se encon- alizar aperfeiçoamentos, redução de custos e
tram o governo e a Petrobras, com baixa capa- formação de recursos humanos.
cidade de investir. O ideal é não perder uma visão ampla da
As proposições do IBP como o fim da par- questão. Para a indústria local, o debate vai
ticipação obrigatória da Petrobras, melhor além do conteúdo local. Envolve as questões
relação com a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA) e da inovação e da competitividade que não
o aperfeiçoamento do conteúdo local foram estão só restritas ao custo Brasil. Essa é uma
endereçadas e atendidas. Mas muitas das ale- batalha que continua. n
gações de atrasos na entrega de equipamentos
e aumento de custos também ocorreram em
fornecimento contratados na Ásia. *Diretor da Ivens Consult
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 43
TRIBUNA

A questão da
competitividade

Patrício Jr.*

A
ssim que os fundamentos da econo-
mia retornarem a bases seguras, o
que já começa a ocorrer, com o es-
tabelecimento de teto para os gastos
públicos, o declínio da inflação e a consequen-
O governo deve
te redução dos riscos e dos juros, o Brasil terá adotar medidas que
que voltar a atenção novamente para a busca
da competitividade.
simplifiquem e agilizem
O acerto na macroeconomia, com a reconci- os investimentos em
liação das políticas fiscal e monetária, visando
ao crescimento sustentável, é um pressuposto portos, aeroportos,
indispensável. Contudo, para o crescimento
sustentável, deverá ser acompanhado de um
ferrovias e rodovias
reiterado esforço para que sejamos eficientes e
competitivos em nossas cadeias de produção.
Infelizmente, ainda não é o que ocorre hoje.
Pesquisa da Confederação Nacional da In- das nos últimos anos e que só começaram a ser
dústria (CNI) recentemente divulgada pelo jor- efetivamente revertidas no final de 2016. Sim,
nal O Estado de S. Paulo revela que o país está porque uma conjuntura desfavorável reduz a
na penúltima posição num ranking de compe- escala do mercado doméstico e, com isso, tam-
titividade formado por 18 países com econo- bém a disponibilidade de recursos para investi-
mias semelhantes e que disputam mercados mento em tecnologia e inovação.
com nossas empresas e produtos. Estamos à Quanto à disponibilidade de mão de obra,
frente apenas da Argentina, e atrás de Peru, um dos indicadores em que houve piora de 2015
Colômbia, Índia, África do Sul, Turquia, China, para 2016, podemos dizer que esse dado tem
Chile... Lideram o ranking Canadá, Coréia do um grau maior de complexidade. Ora, quando
Sul e Austrália. há retração da economia, como a que enfren-
Estruturada a partir de nove critérios que tamos nos últimos dois anos, há, em tese, uma
influenciam a capacidade de competição, a maior oferta de mão de obra — aqueles traba-
pesquisa nos permite fazer um raio x dos prin- lhadores que ficaram desempregados e que es-
cipais problemas a enfrentar e identificar onde tão à procura de recolocação no mercado.
melhorar. Em quatro indicadores, o país está Ocorre, contudo, que, para avançar em com-
muito mal, tendo piorado de 2015 para 2016. petitividade e disputar mercados, o Brasil preci-
São eles: disponibilidade e custo de mão de sará, cada vez mais, de uma mão de obra quali-
obra; ambiente macroeconômico; competição ficada, capacitada e bem treinada. Note-se que,
e escala de mercado doméstico; e tecnologia e num período de retração, deveria haver mão de
inovação. obra disponível. Mas, como a demanda é cada
Nos itens em que pioramos, conforme men- vez mais por profissionais qualificados, a pes-
cionados acima, ficam claros os efeitos, sobre quisa apontou que houve piora nesse item. Ou-
a competitividade de nossas empresas, da dete- tro fator que pesa é o alto custo do emprego no
rioração do ambiente macroeconômico, a par- Brasil, já que os encargos trabalhistas equivalem
tir de diretrizes e políticas equivocadas adota- a mais do que o dobro do salário do empregado.
44 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
TRIBUNA

Eis aí um dos grandes desafios que a nossa claro que o país deve reequacionar a sua
economia enfrentará a partir da retomada do estrutura fiscal, estancando déficits, o que
crescimento. Salvo iniciativas setoriais ou em- passa necessariamente pela reforma da Pre-
presariais isoladas, ainda não damos à educa- vidência, que deve ser votada este semestre
ção e à capacitação a importância estratégica no Congresso.
que merecem ter na trajetória do desenvolvi- Reduzindo os gastos, poderá igualmente
mento. O Brasil precisa, mais do que nunca, pensar na diminuição da carga tributária, via
investir em pessoas. uma nova reforma que viria a simplificar um
Examinemos os indicadores que se man- sistema hoje caótico. Esse sistema gera custos
tiveram estáveis na pesquisa, sem piora. São desnecessários, pelo excesso de obrigações
eles: disponibilidade de capital; infraestrutura acessórias, e contribui para minar a competi-
logística; peso dos tributos e ambiente de ne- tividade. Se há uma boa notícia, é que todas
gócios. Está claro que um relativo avanço em essas medidas primordiais ou estão em curso
competitividade também poderá vir da me- ou se encontram em discussão no governo e
lhora desses indicadores em decorrência da no Congresso.
própria mudança operada na política econô- Retornemos para mais um dado da pes-
mica. O exemplo mais claro está na maior fa- quisa CNI, este de caráter micro, não macro.
cilidade de financiamento, para investimento, O levantamento informa que o item infraes-
via redução da taxa de juros. trutura logística não piorou de 2015 para 2016.
Mas é importante remarcar que o salto Melhor assim. Mas isso não significa que esse
significativo, em termos de competitividade, segmento esteja satisfatório. No momento em
somente ocorrerá com as reformas estrutu- que a economia voltar a crescer, alguns sérios
rantes de nosso arcabouço legal, sobretudo gargalos estruturais voltarão a aparecer, mi-
no que diz respeito às legislações trabalhista nando a eficiência e a competitividade.
e tributária. Temos, portanto, dois horizontes Isso significa que, paralelamente a tudo que
condicionando a nossa competitividade e, por está sendo feito, o governo deve adotar medi-
decorrência, o nosso desenvolvimento: um de das que simplifiquem e agilizem ainda mais os
curto e outro de longo prazo. investimentos em portos, aeroportos, ferrovias
No curto prazo, restabelecemos o norte da e rodovias. Não estamos neste caso falando de
política econômica, com resultados já palatá- macroeconomia, mas de ajustes nos marcos
veis: queda da inflação, maior confiança dos regulatórios e ações pontuais. Assim como o
agentes econômicos, redução da taxa básica investimento em pessoas, a desburocratização
de juros. No longo prazo, começamos a de- deve estar na ordem do dia. n
linear que mudanças de fundo são impres-
cindíveis para que o crescimento dê-se em *Presidente do Porto Itapoá e da Associação dos
bases seguras e perenes. Nesse sentido, está Terminais Portuários Privados (ATP)

PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 45


TRIBUNA

Estaremos preparados para


as novas normativas?

Waldemar Marchetti Sobrinho*

N
ão é de hoje que lemos e ouvimos
diversos comentários a respeito do O combustível marítimo
efeito estufa, das reuniões infindá-
veis entre países para decidirem tem um teor 3,5 mil
qual será a redução de emissão de gases no
meio ambiente para os próximos 50 anos, in- vezes maior do que as
cluindo a discussão sobre os grandes vilões
que ocasionam esse mal que assola o mundo
normas vigentes para
todo. o diesel utilizado em
A queima do combustível fóssil é um des-
ses vilões, ou o maior deles, já que a popula- veículos na Europa
ção de veículos que habitam os grandes cen-
tros não para de crescer. Bem como a queima
de óleo através das embarcações, sejam elas
de navegação interna, bem como as que ope-
ram pela costa, e até as que cobrem grandes
distâncias carregando uma grande quantidade
de produtos pelos sete mares. É sabido que o Essa normativa para a redução do enxofre
transporte marítimo é o maior emissor de en- está claramente identificada no site da IMO,
xofre na atmosfera. Pois o óleo combustível através da Marpol Anexo VI — limites de en-
que é utilizado para esse transporte tem um xofre no combustível. Vale aqui comentar que
teor 3,5 mil vezes maior do que as normas vi- o percentual de 0,5% de enxofre a partir de
gentes para o diesel utilizado em veículos na 2020 seria para as regiões que não se encon-
Europa. O enxofre é sabido que mata. tram no chamado ECA (Áreas de Controle de
Existem regras muito claras que a ONU, Emissões) que possuem um percentual ainda
através da IMO (International Maritime Orga- menor, chegando a 0,1% de enxofre nos com-
nization), impõe com reduções significativas bustíveis de uso naval a partir da mesma data
de emissões de gases provenientes da queima de implantação. Esses ECA’s se utilizam hoje
de combustíveis navais, em adição à redução da normativa IMO Marpol Anexo VI — limites
do percentual de enxofre a ser implementado de emissões Tier III, que já foram implemen-
nos combustíveis navais, dos 3,5% atuais para tadas nessas regiões desde o dia primeiro de
0,5% até 2020. Para tal encomendou-se um es- janeiro de 2016.
tudo para trazer à tona a real disponibilidade Existem sim rumores de uma data para que
do combustível com esse teor de enxofre mais o Brasil ratifique o IMO Marpol Anexo VI Tier
baixo para o período estipulado (primeiro de III para níveis de emissões, já no início de 2020.
janeiro de 2020) e aí sim decidir com a imple- Ou seja, além do combustível tipo naval com
mentação global. Ainda existem forças contrá- menor teor de enxofre, podemos ter requisitos
rias que pedem que seja implementado ape- para redução dos gases emitidos através de
nas em 2025, principalmente em função do motores com diferentes tecnologias, mas com
pouco tempo para se prepararem em termos o mesmo intuito de cumprir com a normativa.
de disponibilidade de produto, logística, custo Secretarias do verde e meio ambiente têm se
de produção, dentre outros itens. mostrado a favor da implementação em regi-
46 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
TRIBUNA

Existem
rumores de
data para
que o Brasil
ratifique o
IMO Marpol
Anexo VI
Tier III para
níveis de
emissões já
no início de
2020

me de urgência. Para tal implementação seria custo de operação (Opex), mesmo que tenha
prudente entender quais seriam as consequ- que investir um pouco mais na contratação
ências desse movimento. Teremos de ter, por e na compra do equipamento escolhido (Ca-
exemplo, a adequação do design das embarca- pex).
ções para o encaixe do sistema de tratamen- Outro vilão é o tipo de combustível necessá-
to dos gases (chamado pós-arrefecimento) e rio para tal operação. Os que têm alto teor de
considerar um custo inicial adicional para tal enxofre não são de forma alguma recomenda-
inclusão (equipamentos com alto valor agre- dos. Por esse motivo, a introdução dessa nor-
gado), sem considerar a dificuldade para o ma- mativa tem de estar vinculada à introdução
nuseio do sistema por ser novo e a procura por dos combustíveis com teor de enxofre próximo
sistemas de exaustão adequados. Hoje temos a 0,1%. Caso contrario haverá vários proble-
escassez de fornecedores capazes de desenvol- mas de operação dessa nova tecnologia, o que
ver tais soluções em nosso território. ocasionará uma dor de cabeça adicional para
Alguns fabricantes de motores a diesel utili- os donos de embarcações.
zam o sistema SCR (Selective Catalytic Reduc- O tema tem de ser mais bem discutido entre
tion), uma das formas mais efetivas de redu- as agências reguladoras, ministério do meio
ção de NOx com a injeção de ureia no sistema ambiente, fabricantes de motores marítimos,
de exaustão, e alguns EGR (Exhaust Gas Recir- fornecedores de combustível, dentre outros
culation) através da recirculação de gases refri- importantes participantes, tanto principais
gerados na câmara de combustão. como coadjuvantes.
Existem alternativas aos motores a diesel Mas ainda assim, na minha opinião, en-
como motores a gas (LNG) — menos eficientes tendo ser um pouco prematuro imaginar que
mas com grande vantagem perante os demais seja possível, em tão curto espaço de tempo,
sistemas, ou dual fuel — onde se pode operar termos todos os envolvidos preparados para a
com diesel e com gás. Além de sistemas inova- data de implementação ora prevista para o dia
dores como a adição de uma bancada de ba- primeiro de janeiro de 2020. n
terias aos motores diesel ou a gás — sistema
híbrido. Todos esses sistemas são desenhados *Diretor da empresa WMS Consulting, graduado em
para atender à normativa. Engenharia Mecânica e Bacharel em Física, com pós-
No final, o que importa para o operador da graduação em Marketing e MBA de Gerenciamento
embarcação é a alternativa que lhe dá menor de Negócios Internacionais.
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 47
MURAL

1 2

3 4

5 6

7 8

9 Fotos 1 a 4 - Flashes do
seminário "Eletrificação e
redução de custos no setor
marítimo", no Rio de Janeiro;

Fotos 5 a 9 - Cerimônia de
batismo do FSV Baru Vega,
armador Baru Offshore Brasil /
estaleiro ETP:
Foto 5 - Juan Carlos Pedroza
(Baru Offshore) e Juliana Dahl
Vélez (madrinha do Baru Vega).
48 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
PRODUTOS E SERVIÇOS

Acordo Satélite Câmera de segurança


A Satlink Satellite Communica- A Intelsat anunciou o lançamento A Dahua desenvolveu para cená-
tions Ltd., uma empresa do Tototheo do satélite Intelsat 32e, projetado rios críticos a série DH-SD60230U-
Group, líder mundial em comunica- para duplicar feixes do Intelsat 29e, -HNI-SL, com câmeras dome PTZ
ções por satélite e serviços técnicos, o primeiro com a tecnologia Intelsat fabricadas em aço inoxidável,
assinou um novo acordo com a In- EpicNG, para ampliar a capacidade anticorrosão e resistentes à água, que
marsat, fornecedora líder de serviços de transmissão disponível nas rotas agregam durabilidade e imagens em
de comunicações móveis globais via de intenso tráfego aéreo e marítimo alta resolução. Os aparelhos supor-
satélite, para integrar o Fleet Xpress do Caribe e do Atlântico Norte. “Este tam temperaturas extremas, varian-
ao portfólio de serviços existentes da é o primeiro de três lançamentos tes entre -40°C a 70° graus – adaptan-
Satlink. Com esse acordo, a Satlink de satélites com tecnologia Intelsat do-se às necessidades mais variadas
trará mais de 1,5 mil navios para o EpicNG planejada para 2017. Com o sem deixar de lado a qualidade das
serviço Fleet Xpress ao longo de um acréscimo do Intelsat 32e a Intelsat é imagens. As câmeras anticorrosão
período de cinco anos. o primeiro operador de satélite com têm sensores Sony Starvis com capa-
O Fleet Xpress, a solução marítima cobertura assegurada na rota aérea cidade para recursos variados como
da Global Xpress, estabelece um novo mais densa do mundo”, disse Stephen a tecnologia Starlight, que garantem
padrão para as comunicações maríti- Spangler, CEO da Intelsat. “O Intelsat o melhor desempenho em condições
mas globais, tendo em sua essência o 32e também aumenta nossa capaci- de baixíssima luminosidade, e Wide
bem-estar da tripulação e a eficiência dade de apoiar a expansão dos nossos Dynamic Range (WDR).
regulatória e operacional. O serviço, clientes no segmento do transporte O modelo ainda possibilita
que está possibilitando o uso de marítimo no Caribe e no Atlântico, acionar o auto-tracking, que utiliza
inovadores aplicativos para “navios oferecendo conexões em banda larga os recursos Pan/Tilt/Zoom (PTZ)
conectados”, oferece os mais altos para os maiores navios de cruzeiro para rastrear de maneira inteligente
níveis de conectividade confiável navegando no Caribe agora.” alvos em movimento, que podem ser
de banda larga de alta velocidade e O projeto otimiza o desempenho escolhidos manualmente ou auto-
desempenho excepcional em todos para o usuário com eficiência de maticamente, através de característi-
os oceanos do mundo, com conec- sinal e retorno em alta velocidade, cas pré-definidas.
tividade contínua e desempenho combinação ideal para envio de As câmeras operam em platafor-
garantido. vídeos, criados pelo usuário, para a ma aberta e possibilitam a interação
A Satlink é um dos líderes em internet ou seu escritório. O Intelsat com outras soluções de segurança
comunicação por satélite e serviços EpicNG é totalmente compatível em rede, independentemente do
técnicos do setor marítimo. Com com a rede existente de satélites da fabricante, e contam com tecnologia
sede em Chipre, a Satlink fornece, Intelsat e infraestrutura terrestre, Dahua.
presta assistência técnica, integra e permitindo que os clientes usem
instala equipamentos de comuni- seus equipamentos atuais para co-
cações via satélite a bordo. Entre os nectividade com alto desempenho. A Panalpina
seus clientes estão frotas mercantes, arquitetura aberta da plataforma per- Em janeiro, a Panalpina Brasil ga-
instalações offshore, e embarcações mite que os clientes tenham controle nhou destaque internacional ao ser
de pesca e lazer. sobre a oferta de serviços e seleção de reconhecida pela matriz do Grupo
equipamentos. Panalpina como modelo em opera-
O próximo lançamento será o Intel- ções de LMS (Logistics Manufactu-
Sede sat 35e, programado para ser enviado ring Services - que são os serviços
A Yusen Logistics está de mudan- ao espaço no foguete SpaceX Falcon, logísticos aplicados à produção). A
ça em Santos para um novo espaço, no segundo trimestre. recompensa ocorreu por meio de
maior e mais adequado para dar sua unidade em Sorocaba (SP),
suporte à cidade onde está o principal que recebeu a mais alta certifica-
porto em volume de operações da CD ção oferecida pela companhia, a
empresa. O crescimento da deman- A BD, empresa global de tecnologia LogEx (Logistics Excellence) Ouro.
da por processos de desembaraço médica, inaugurou um Centro de Dis- Em Sorocaba, a unidade da Panal-
aduaneiro no ano passado, bem como tribuição (CD) na Multilog, em Itajaí pina está dedicada às operações
em operações marítimas e a perspec- (SC). O CD fica junto à Bomi Logistics, do tipo SKD (Semi Knocked Down),
tiva para 2017, também motivaram a operador logístico fármaco, que desde que envolvem armazenagem, monta-
ampliação do escritório da Yusen. 2013 opera na Multilog e participou gem de kits e gabinetes, atualização
A nova sede vai funcionar como do início do polo de saúde na em- de softwares e distribuição para o
uma central de serviços operacionais presa, com importações de produtos cliente final, que são as empresas de
da empresa para o Brasil todo. pelos portos do estado. telecomunicações.
PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017 49
PRODUTOS E SERVIÇOS

DB Schenker br ou em um dos Postos de inscrições


citados nos Editais. A taxa é de
podem agora empregar facilmente
análises preditivas e prescritivas para
A DB Schenker fortalece sua co- R$ 65,00 para o Colégio Naval e identificar e priorizar rapidamente
laboração estratégica com o investi- R$ 75,00 para a Escola Naval. questões de saúde das máquinas com
mento de milhões no uShip, mercado várias tecnologias de monitoramento,
online de entregas dos EUA, e avança melhorando a eficiência operacional,
a transformação digital do seu mo- Locar reduzindo os custos de manutenção
delo de negócios. Após o aumento de A Locar Guindastes e Transportes e aumentando as receitas de fatura-
capital, a empresa global de logística Intermodais adquiriu quatro guindas- mento.
está investindo 25 milhões de dólares tes do modelo LTM 1250-5.1, da alemã
(aproximadamente 24 milhões de eu- Liebherr — o modelo mais moder-
ros) na plataforma online de serviços no da categoria — com diferenciais Galvanização a frio
de frete e transportes. técnicos que o tornam mais versátil Devido a intempérie, maresia e
O uShip e a DB Schenker fecharam para trabalhos confinados. Serão maior contato com a água, os cordões
um contrato de cooperação em maio as primeiras máquinas desse tipo a de solda de embarcações e demais es-
de 2016. A plataforma uShip, que serem usadas no Brasil e representam truturas metálicas do setor naval são
conecta as empresas de transporte e um investimento de R$ 30 milhões. A altamente vulneráveis à corrosão. De
transportadoras de mais de 19 países, aquisição dos novos equipamentos acordo com a fabricante de especia-
é líder da indústria na organização faz parte da política de renovação de lidades químicas Quimatic Tapmatic,
de transporte de frete com o uso de frota, que se manteve, mesmo em esse problema pode ser facilmente
dispositivos móveis. Por enquanto, a um período de redução de custos. Os contornado com a galvanização
DB Schenker usará a plataforma para guindastes LTM 1250 5.1 serão entre- a frio, que não exige mão de obra
transporte terrestre por meio de uma gues em março e devem ser baseados especializada e pode ser aplicada
plataforma online chamada Drive4S- em filiais do Sudeste e do Nordeste. com pincel, rolo ou lata aerossol. “Ao
chenker, que usará a tecnologia uShip Um novo contrato firmado com a contrário da galvanização a quente
para conectar os 30.000 parceiros Vale, com duração de cinco anos, para — que requer temperatura acima de
de transportes na rede de transpor- serviços no Complexo de Tubarão, 450°C para a fusão do zinco — a gal-
te terrestre europeia ao seu frete. O no Espírito Santo, também exigiu vanização a frio pode ser aplicada de
novo serviço foi lançado este mês na investimentos de R$ 15 milhões por forma fácil no próprio local em que
Alemanha e será expandido gradual- parte da Locar. O dinheiro refere-se a estrutura metálica se encontra, ga-
mente para outros países. à compra de novas máquinas, como rantindo o mesmo grau de proteção
muncks (caminhões com equipamen- contra a corrosão”, explica Marcos
tos de içamento), empilhadeiras e Pacheco, químico sênior da Quimatic
Vagas guindastes. Tapmatic.
Liberados os Editais dos Concursos Para garantir praticidade e alta
do Colégio Naval (CN) e Escola Naval qualidade na galvanização a frio, a
(EN) com novidades: a partir deste
ano, eles serão realizados em duas
GE Quimatic Tapmatic disponibiliza o
CRZ. Ideal para aplicação em pontos
fases com provas objetivas e redação. A GE Oil & Gas anunciou novos de solda e todas as estruturas de ferro
Ao todo, são 220 vagas, 190 vagas de acordos inovadores, inclusive um e aço que necessitem de extrema
ensino fundamental e 30 de nível acordo histórico de cooperação proteção anticorrosiva por estarem ao
médio. As inscrições estão abertas de tecnológica, contratos para árvores ar livre, enterradas ou submersas, o
22 de fevereiro até 31 de março. Para submarinas e cabeças de poço, e uma produto forma uma camada protetora
o Colégio Naval, podem se candidatar nova solução digital habilitada para o que penetra na porosidade da super-
rapazes com idades entre 15 anos e Predix, plataforma de internet indus- fície metálica, aumentando ainda
menos de 18 no dia 1º de janeiro de trial da GE, para monitoramento de mais a resistência à corrosão. CRZ
2018, ser solteiro e ter concluído o equipamentos. tem elevado índice de metal galvâni-
nível fundamental ou estar terminan- Entre as novas ofertas de tecnolo- co em sua composição (86%), resiste
do neste ano. Já para a Escola Naval, gia e acordos de parceria com clien- a temperaturas extremas de -50°C
podem concorrer homens e mulheres tes está o Enterprise Impact, a mais a 250°C contínuos com picos de até
de 18 anos e menos de 23 no dia 1º de recente oferta no portfólio digital da 400°C e foi aprovado em teste de mais
janeiro de 2018, solteiros e sem filhos GE, um avanço inovador no monito- de 1.200 horas em câmara de névoa
e com ensino médio completo ou ramento de condições que também salina (salt-spray). A adesão ao metal
estar em fase de conclusão. unifica insights de monitoramento é intensificada pela tecnologia Lec-
As inscrições podem ser feitas no por todo o projeto. Os gerentes de trol, exclusiva da Quimatic Tapmatic,
site da Diretoria de Ensino da Mari- operação e de ativos em indústrias de que ativa a proteção catódica contra a
nha www.ingressonamarinha.mar.mil. processo com uso intensivo de capital ferrugem.
50 PORTOS E NAVIOS MARÇO 2017
Garanta a tranquilidade
de suas operações com
a qualidade certificada
Suatrans Marine.

Soluções
Suatrans Marine:
• Elaboração de Plano de Emergência
Individual (PEI);

• Central de Emergência 0800, operante


24 horas por dia, todos os dias da semana;
Além da atuação em emergências
químicas rodoviárias, a Suatrans • Equipe multidisciplinar e operadores
possui a divisão Marine – dedicada internacionalmente certificados pelo
The Nautical Institute, disponíveis para
a oil spill response onshore e mobilização imediata, a qualquer momento;
offshore.
• Treinamentos certificados padrão IMO;

Suas certificações pelas normas


• Equipamentos de contenção,
ISO 9001 e 14001, OHSAS confinamento e absorção;
18.001 e UNE-ISSO 22320:2013
permitem que a Suatrans Marine • Operações com bombas e skimmers
de alto poder de sucção e vazão;
atue com agilidade e segurança
em cenários com derramamento • Cercos preventivos no Sistema
de petróleo e hidrocarbonetos. Use as You Need.

EMERGÊNCIA 24H 0800 707.7022 suatrans


(11) 3010-3700
co m e rc i a l @ s u at ra n s . co m
www.suatrans.com
marine GRUPO
ambipar

Você também pode gostar