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2014 FILOSOFIA DA RELIGIÃO - STMBL

Prof.: Pr José das Neves Oliveira


Aluno: Fábio Leite Pereira

APOSTILA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Breve Panorama do desenvolvimento da religião: uma leitura


com base no cristianismo
2.1 o elemento social na formação da religião.

A religião não é só individual e interior; é também social e histórica. A psicologia revela as


origens da religião. A história revela sua força e alcance na vida social. Isso é muito importante
porque, hoje em dia, o desenvolvimento do estudo da psicologia traz uma afirmação revolucionária:
que o ser humano é inicialmente social, não individual. Essa ideia psicológica é tão revolucionária
quanto a ideia de Copérnico a respeito do Universo.

A ação social da religião é uma consequência da própria natureza nessa religião. A


"comunhão de almas" é um fato essencialmente religioso. Sua realização completa só é possível na
religião e também pela religião. Uma mesma fé, adoração coletiva, não somente onde as pessoas
com mais leva a viver com as outras, enriquecendo-se mutuamente. A edificação mútua só se
verifica num culto coletivo. Essa é a razão pela qual as pessoas da mesma religião não têm uma
necessidade mas imperiosa que a oração ou o culto coletivo. Não há força que possa impedir
reuniões de pessoas na mesma fé.

O que une os seres humanos uns aos outros é Deus ou a consciência de Deus. É em Deus, ou
melhor com base na ideia de Deus que o ser humano transcende sua própria individualidade e
procura identificar-se com os seus semelhantes.

E na religião que se unem as pessoas mais diversas como se fosse uma só família: nem rico,
nem pobre, nem gentio nem grego, nem judeu nem culto nem inculto etc. Todos se sentem afetados
na mesma maneira, por isso se relacionam uns com os outros e formam uma comunidade real unida
por laços mais fortes que os familiares

A Religião constitui o laço mais forte que une os grupos sociais naturais, como a família, a
tribo ou o império. Os monumentos nos túmulos são geralmente testemunhas religiosas. Os
símbolos religiosos usados nas inscrições, como cruz, coração e etc., são resultado dos sentimentos
religiosos. Os deuses são primeiramente os laços internos de um grupo e só depois os laços externos
e protetores do grupo.

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A vida secreta de uma sociedade é sua religião. Sua vitalidade está em sua religião. A religião
afeta sua literatura, arte, política, economia e, de modo geral, todo destino humano. A história da
humanidade é a história de sua vida religiosa. Esse estudo da História, do ponto de vista religioso,
está apenas começando. A ideia de progresso religioso é grande e luminosa, mas não é possível
aplicá-la a todos os detalhes da História.

Nas religiões, há diferença de graus e de espécies

Uma diferença (graus) marca os movimentos sucessivos da consciência religiosa com


referência ao tempo. A outra (espécie) expressa a diversidade e a simultaneidade das religiões com
referência ao espaço. As diferenças do primeiro grupo são interpretadas pelas desigualdades no
desenvolvimento moral. A segunda diferença é explicada pelas variedades de etnias de climas e
civilizações.

1. Em graus: por exemplo, a religião dos hebreus. Quais as diferenças de graus nessa
conexão? Um esboço ligeiro aponta os seguintes itens:
- A religião dos semitas
- A religião dos filhos de Israel
- O profetismo
- O farisaísmo rabínico
- O cristianismo
- O maometismo
Tudo isso na mesma linguagem. O tronco gerador básico é comum.

2. Em espécie: por exemplo, as religiões mongólicas, as chinesas a dos mexicanos, da Índia,


a do antigo Egito, e da antiga Grécia. Essas religiões não têm ligação entre si. Apresentam diferenças
de espécies que não podem ser classificadas na mesma base ou tidas na mesma categoria. Algumas
delas desapareceram. Outros ficaram estacionados e outras estão desaparecendo. É impossível
julgá-las no mesmo padrão. Só podemos aplicar um padrão as religiões que diferem em graus.

EXERCÍCIO

Com base neste tópico descreva como articular o individual e o social na vivência da religião.

Resposta: A vida social revela que a religião é social e histórica. O ser humano é inicialmente social
e não individual. A edificação mútua se dá no culto coletivo. A pessoa sente a necessidade de estar
em comunhão com outros através da ideia de Deus, formando assim uma só família perante o ser
de Deus.

2.2 Revoluções nas formas externas da religião

O Progresso religioso manifesta-se nas formas externas da própria religião passando do


particular para o universal. A tendência de toda religião é propagar se na sociedade, isso em sinal
da pretensão à universalidade que sua mensagem apresenta.
As principais características do Progresso religioso são as seguintes

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→ as primeiras manifestações religiosas são limitadas a família como impulso natural. Nesse estágio
a religião é uma questão de instinto e as questões instintiva são sempre uniformes
→ Depois passam a grupos sociais maiores como as tribos formados na base desse sentimento
religioso.
→ Depois temos a religião Nacional as formas de culto das Tribos tornam-se nacionais. A ideia de
uma religião Nacional tende a transcender as fronteiras nacionais.
→ Finalmente temos a ideia da religião universal. Essa ideia não surge, porém, como resultado de
um de uma evolução inconsciente, produzida pela ação de leis externas e fatais.

Como surgiu a ideia da universalidade? Quando? Será que os judeus a pensaram? Não. Os
gregos também não. A ideia da universalidade começou com as conquistas de Alexandre Magno.
Depois dessas conquistas é que as pessoas começaram a pensar em termos universais.

Exercício

Descreva com suas palavras a evolução da religião.


Resposta: A religião tem seu início logo nos primórdios da humanidade. O ser humano sente a
necessidade de cultuar (sem uma liturgia ou um culto regulamentado) algo maior que ele. O
homem é um ser desejante. Está sempre em busca de uma satisfação de seu interior. Essa busca
por satisfazer as respostas internas, leva o homem a cultuar ou reverenciar os poderes da
natureza, uma vez que entende seu senso de finitude. Isso porque foi “impresso” neste ser, uma
necessidade de busca do transcendente.
No princípio, os homens cultuavam as forças naturais e foram formando para si, representação
de deuses (antropomórficas) que satisfizessem suas necessidades. Depois os homens acharam que
podiam controlar ou aplacar os poderes dos deuses com sacrifícios ou oferendas. O texto sagrado
de Gênesis 4. 2-3, nos informa sobre os primeiros sacrifícios, mas já havia certo tipo de culto entre
Deus e Adão. Gênesis 8. 20-21, nos informa que Noé levanta um altar e oferece sacrifícios. Este é
um estágio mais evoluído da religião entre os povos mesopotâmios. Mesmo nesse estágio mais
avançado, a religião vem mostrando que existe um “lado” a ser aplacado. Hoje nos tempos atuais,
o homem ainda é religioso: oferece os modernos sacrifícios e tenta receber respostas dos deuses.
A diferença é que surge novas formas de sacrifícios e ofertas, em busca de satisfazer o vazio que
o homem sente.

O cristianismo surgiu nesse ambiente helênico, não como consequência direta das escolas
filosóficas. Antes ele nasce, em meio a um povo – judeu- que ao longo de sua história fez uma
passagem de uma total intolerância as demais culturas, para um gradativo encontro com o
helenismo, sobretudo a partir do ministério de Paulo.
Nesse sentido o cristianismo apresenta-se como a religião Universal. Em Jesus - nas
narrativas propostas pelo Evangelhos - não encontramos nada que não seja religioso e moral,
cabendo tanto na vivência de indivíduos quanto na pregação em âmbito universal. O cristianismo
encontra articulação entre o indivíduo e universal, e nisso se encontra boa parte de seu êxito.

2.3 A evolução da representação da divindade.

Para representar a divindade, o homem depende de seus próprios recursos mentais,


sobretudo de sua capacidade linguística. Suas representações variam conforme o progresso das
experiências e do pensamento do homem PT do princípio ao fim vírgula a evolução das imagens e
noções religiosas encontra-se baseada na ideia do Espírito.

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As religiões primitivas são animistas não materialistas nem espiritualistas. O ser primitivo
atribui a coisas externas uma existência semelhante a sua própria. Procede à semelhança da criança,
que faz de tudo uma ideia tendo por base ela mesma. Nisso o homem revela conhecimento ou a
ideia de que tem de si mesmo.

A evolução do uso de imagem e das noções religiosas se baseia na ideia que o ser humano
tem do espírito O ser humano nunca adora uma coisa puramente material, algo que não possa
corresponder aos seus reclamos. Mesmo quando percebe que objeto de sua adoração é inanimado,
imagina que os seres divinos simplesmente abandonaram o objeto e procura fazer que voltem a
habitá-lo.

Daí a origem da crença na transmigração da alma. Daí a multiplicação da crença em muitos


Deuses. Daí a distinção entre atividade e objeto em que ele habita. Esta só cessa quando a ideia de
Deus que o ser humano tem liberta-se de suas relações materiais a ponto de ele poder dizer: “Deus
é Espírito e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. (João 4 24).
Se a pessoa não se libertou das relações materiais é capaz de fabricar imagens. Nesse ponto a
mitologia se transforma em uma teologia, e os ritos externos, em uma piedade interior, uma religião
espiritual.

Embora politeísta em suas origens, a tendência do sentimento religioso é para o monoteísmo


- isso é reforçado sobremaneira pelas diversas ideologias políticas que historicamente
influenciaram no processo de monetização das religiões. No politeísmo, por exemplo, entre os
Deuses, um se torna chefe como Júpiter, Zeus. E esse chefe a princípio se impõe pela força, depois
posso saber e finalmente por seu amor. A religião chega assim ao monoteísmo moral ou ético.

O monoteísmo moral poético ganha sua expressão mais radical na Palestina, não em outras
partes. Mediante a fé dos Profetas, o Elohim foi interpretado como sendo o Deus que governava
sobre todas as nações. A ideia do monoteísmo ético não partiu espontaneamente do Povo, mas dos
Profetas. A tendência do Povo era para o politeísmo ou o henoteísmo. Essa ideia de monoteísmo
ético surgiu em conexão com ideia de uma justiça social e universal.

O ideal moral dos Profetas deixou, por assim dizer, Deus fora da consciência humana. Ele foi
apresentado como uma realidade objetiva. Foi esse ideal moral que avivou a consciência do pecado.
Tal ideal despertou o conflito entre o pecado e a Lei moral de Deus. Era um conflito moral em
essência, não entra a força e a fraqueza, Os profetas apresentavam o ideal moral com relação a
pessoa de Deus, mas este não foi encampado pelo povo. O conflito resultante foi uma antitese moral
entre a demanda divina e a realização dessa demanda por parte do povo.

Qual a solução para esse conflito? Como se originou a solução para esse conflito? A solução
foi o seguinte: O próprio Deus manifestou-se ao ser humano como Deus da salvação. O Deus forte,
o El, passou a ser o Deus vivo Yahwev, o Deus da Revelação, o Deus da vida. O próprio Deus
manifestou-se como o pai , como aquele que se apresentou completamente na consciência de Jesus.

O pai celestial veio habitar no Filho do Homem, que é o Verbo de Deus, o Dogma de Deus, a
Palavra de Deus. O Filho do Homem tornou-se assim o “centro” principal do cristianismo - Cristo no
homem.

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Como consequência, cessou esse conflito de pecado e da consciência do pecado. Em vez de
o ser humano atribuir à divindade uma existência apenas externa, ele mesmo se tornou o possuidor,
a sede, a habitação dessa divindade. Jesus disse: “Eu e o Pai habitamos nele”. Assim o problema
criado no Antigo Testamento pelo progresso da revelação por um ideal moral foi resolvido pelo feito
de O Deus do ideal tornar-se o Deus da salvação.

Exercício

Descreva com suas palavras a evolução da Concepção de divindade


Resposta: A evolução da concepção da divindade se dá a medida que Deus vai revelando seu plano
de salvação aos homens. Antigamente, cada cultura tinha seus deuses, e esses por sua vez,
respondiam pelo bem estar da nação ou grupo do qual ele fazia parte. Nos primórdios da história,
os deuses eram adorados na forma típica dos povos do oriente próximo. As árvores frondosas, os
lugares autos, os sacrifícios e superstições eram parte integrante dos cultos.
A medida que o Deus de Israel, vai revelando seu plano de salvação, ainda não muito claro nos
textos do Antigo Testamento, os povos foram concebendo as formas humanas de divindade. Num
momento os deuses eram metade animal e metade homem, ou outras formas híbridas. Com o
avanço da filosofia, o pensar teológico foi mudando. Nos tempos de Jesus, os deuses eram mais
homens que imagens (ainda que até hoje se use esse sistema). Num outro momento da história
humana, os homens tinham uma visão mais clara de Deus, e até hoje todos entendem ou aceitam
a ideia de Deus. Ainda que esse Deus não seja adorado nas formas que lhe são devidas por tais
povos, há sim uma evolução da ideia de Deus.

Conclusão

A evolução religiosa da humanidade não é semelhante a seu progresso da ciência, o qual as


vezes avança a passos gigantescos, mas pode ser comparada ao progresso na arte, que faz das
experiências passadas novas forças criadoras.
Há períodos de recrudescência do sentimento religioso, em que se reavivam paixões de um
passado que parecia estar abolido. São períodos de superstição. Há também períodos de inércia
religiosa, e que as almas parecem esvaziar se este conteúdo eterno e dedicar-se a uma atividade
frívola e uma sabedoria de superfície. São períodos de incredulidade. Por último, o período de crises
e confusões, em que vigoram as mais diversas tradições religiosas e os mais contrários sistemas de
pensamento. Devemos passar por todos esses acidentes e vicissitudes. Na evolução religiosa da
humanidade, há uma sequência, uma ordem, um progresso que a despeito de todas as interrupções
e reações, manifesta-se tão logo estejamos prontos a nos elevar o bastante para abraçá-la em sua
grandiosa globalidade.

No Parlamento das religiões realizado alguns anos em Chicago (1993), do qual participaram
representantes das várias religiões existentes no mundo, buscou-se uma aproximação e um
entendimento entre uns e outros. Seus participantes não discutiram o valor de seus ritos ou dogmas.
Procuraram estabelecer uma base comum a todos. Só concordaram nos seguintes:
→ podiam todos atribuir o nome de Pai a Deus
→ concordaram na aceitação na oração dominical
→ podiam concordar uma pessoa Histórica de Jesus a parte de suas interpretações teológicas

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Animismo- Modo de pensar que considera o mundo natural habitado por poderes e forças
espirituais que o controlam. Por essa razão, o animista admite a habitação dos espíritos não
somente animais e seres humanos, mas também árvores rios e outros entes da natureza.

Politeísmo- É a crença que admite a prática de adoração a uma variedade de divindades.

Henoteismo - Perspectiva religiosa que atribui supremacia , ou pelo menos lealdade suprema, a
uma divindade (ou deus maior),ao mesmo tempo que reconhece a existência de outros deuses.

Monoteísmo -É defendido como o reconhecimento e a adoração de um Deus único.